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NIVELAMENTO DE

LIBRAS BÁSICO I

ETAPA 4
PROCESSO DE FORMAÇÃO DOS SINAIS
CENTRO UNIVERSITÁRIO
LEONARDO DA VINCI
Rodovia BR 470, Km 71, nº 1.040, Bairro Benedito
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Curso sobre Nivelamento de Libras Básico I


Centro Universitário Leonardo da Vinci

Organização
Ana Clarisse Alencar Barbosa
(Coord. de Pedagogia, Educação Especial e Letras-Libras)

Autora
Fabiana Schmitt Corrêa

Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch

Pró-Reitoria de Ensino de Graduação a Distância


Prof.ª Francieli Stano Torres

Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância


Prof. Hermínio Kloch

Diagramação e Capa
Renan Willian Pacheco

Revisão
Harry Wiese
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Contrário ao modo como muitos definem a surdez (...) pessoas surdas definem-
se em termos culturais e linguísticos (WRIGLEY, 1996, p. 13).

Para compreendermos como ocorre esse processo de formação dos sinais em


Libras, precisamos compreender primeiramente o conceito de Morfologia e de Fonologia,
que estão ligados diretamente ao tema em estudo. Definindo o conceito, segundo
Quadros e Karnopp:

Fonologia das línguas de sinais é o ramo da linguística que objetiva identificar


a estrutura e a organização dos constituintes fonológicos, propondo modelos
descritivos e explanatórios. A primeira tarefa da fonologia para línguas de
sinais é determinar quais são as unidades mínimas que formam os sinais. A
segunda tarefa é estabelecer quais são os padrões possíveis de combinação entre
essas unidades e as variações possíveis no ambiente fonológico (QUADROS;
KARNOPP, 2004, p. 49).

As línguas orais e de sinais são diferentes em sua modalidade de percepção e


produção, e mesmo com essa diferença, os elementos básicos da língua de sinais, ao
serem estudados, também são referidos como ‘fonologia’.

Outra questão interessante a ser observada, considerando a grande gama de


pesquisas realizadas, é que as línguas de sinais possuem elementos idênticos aos das
línguas orais, ou seja, são línguas com léxico e gramática (QUADROS; KARNOPP,
2004). Abaixo, uma figura dos parâmetros fonológicos, já estudados anteriormente de
forma separada.

FIGURA 1 – PARÂMETROS FONOLÓGICOS

FONTE: Adaptado de Quadros e Karnopp (2004, p. 51)

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De acordo com Quadros e Karnopp (2004, p. 83), essa parte “ [...] estuda as
diferenças percebidas e produzidas relacionadas com as diferenças de significados [...]
”. Abaixo, alguns sinais identificando essas diferenças.

FIGURA 2 – SE OPÕEM QUANTO À CONFIGURAÇÃO DE MÃO

FONTE: A autora

FIGURA 3 – QUANTO AO MOVIMENTO

FONTE: A autora

FIGURA 4 – QUANTO A LOCAÇÃO

FONTE: A autora

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FIGURA 5 – QUANTO A ORIENTAÇÃO DE PALMAS

FONTE: A autora

Outro conceito a ser estudado nessa unidade é o de Morfologia.

Morfologia é o estudo da estrutura interna das palavras ou dos sinais, assim


como das regras que determinam a formação das palavras. A palavra morfema
deriva do grego morphé, que significa forma. Os morfemas são as unidades
mínimas de significado (QUADROS; KARNOPP, 2004, p. 86).

Para esclarecer um pouco mais esse conceito complexo, morfemas são, então,
unidades mínimas, podem por si só formar uma palavra/sinal, ou necessitam de mais
de uma palavra ou sinal para se constituírem, assim temos o que se identifica enquanto
morfema livre ou morfemas presos, sufixos e prefixos, que não podem ocorrer de
maneira isolada.

Realizado esse apanhado geral, apresentando e conceituando os termos que


podem aparecer no decorrer do texto, seguiremos para o processo de formação dos sinais.

As línguas de sinais têm um léxico e um sistema de criação de novos sinais, em


que as unidades mínimas com significado (morfemas) são combinadas (QUADROS;
KARNOPP, 2004, p. 87).

Quadros e Karnopp (2004) esclarecem que a formação de novos sinais também se


baseia no processo concatenativo (processo de aglutinação), ou seja, um sinal é composto
por vários elementos combinados.

DERIVAÇÃO DOS SINAIS

Quadros e Karnopp (2004), dentre tantos conceitos estudados, abordaram também


o de Derivação dos Sinais.

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Segundo as autoras, no processo de derivação ocorre mudança de classe, “ [...] a


utilização da ideia de uma palavra em outra [...]. Forma-se um novo sinal para se utilizar
o significado de um sinal já existente num contexto que requer uma classe gramatical
diferente” (QUADROS; KARNOPP, 2004, p. 96).

As autoras apresentam exemplos de derivação que modificam a categoria de


substantivo para verbo. Exemplificando:

FIGURA 6 – MUDANÇA DE SUBSTANTIVO PARA VERBO

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FONTE: A autora

Nestes exemplos, a mudança ficou evidente no movimento, logo que ao sinalizar


o substantivo, o movimento é repetido, já o verbo é curto e sinalizado apenas uma vez.

FORMAÇÃO DE SINAIS COMPOSTOS

Outra forma de se criar sinais, além da derivação, é a composição. Quadros


e Karnopp (2004, p. 101) citam Rocha (1998, p. 87), dizendo que “composição é um
processo autônomo em que se juntam duas bases preexistentes na língua para criar um
novo vocábulo, dito composto”.

Os sinais compostos, de forma bem clara, são aqueles que unem dois sinais
para formarem outro conceito, como: CASA + CRUZ = IGREJA; CASA + ESTUDAR =
ESCOLA; PAI + MÃE = PAIS.

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FIGURA 7 – SINAIS COMPOSTOS

FONTE: A autora

INCORPORAÇÃO DE NUMERAL

A incorporação de numeral constitui o morfema preso, não podem ocorrer de


maneira isolada, ficam sem sentido. Por exemplo, se sinalizarmos somente o número
um (1), sem nada associado, não se entenderia nada. Neste caso, é preciso de dois
morfemas para constituir um significado. Esse processo de incorporação de numeral é
bem comum na língua de sinais, havendo limite na questão do número, por exemplo, no

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caso de indicarmos quantas horas esperamos numa fila: podemos mostrar duas horas,
mas não podemos mostrar da mesma forma, sete horas.

FIGURA 8 – INCORPORAÇÃO DE NUMERAL

FONTE: A autora

INCORPORAÇÃO DE NEGAÇÃO

Nessas situações, há incorporação de negação em alguns verbos. O que diferencia


é no ato da sinalização, não é preciso sinalizar o ‘não’, o sinal é incorporado ao verbo,
logo, há complemento de um movimento. Não é o mesmo que incorporar na expressão
a negação, neste caso, incorpora na negação.

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Observe alguns exemplos para clarificar essa situação:

FIGURA 9 – INCORPORAÇÃO DE NEGAÇÃO

FONTE: A autora

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Desta maneira podemos observar essas situações em frases:

a) Incorporando um sinal de negação diferente do afirmativo: TER / NÃO TER;


GOSTAR / NÃO GOSTAR.
b) Realizando um movimento negativo com a cabeça, simultaneamente à ação que
está sendo negada: NÃO CONHECER; NÃO PROMETER.
c) Acrescida do sinal NÃO (com o dedo indicador) à frase afirmativa: NÃO COMER.

Observação: em algumas ocasiões podem ser utilizados dois tipos de negação


ao mesmo tempo.

FLEXÃO VERBAL DA LÍNGUA DE SINAIS

Cada língua, a partir de uma Gramática Universal, possui a sua gramática


particular. Cada língua tem seu sistema de flexão formado por morfemas presos ou
livres que são relevantes para a sua sintaxe e suas regras transformacionais.

No dicionário Aurélio, encontramos para verbo, a seguinte explicação: “Palavra


com a qual se afirma a existência de uma ação, um estado ou uma qualidade que
atribuímos ao sujeito da frase ou oração”.

Investigando nos materiais relacionados à morfologia da língua de sinais, por
Quadros e Karnopp (2004), encontramos algumas especificações, abaixo recortadas do
material por ela produzido, explicando individualmente:

1. Verbos simples: nestes não ocorre flexão em pessoa e nem em número. Na Libras, os
verbos ancorados no corpo são simples e os que são sinalizados em espaço neutro,
alguns também são.

FIGURA 10 – VERBOS SIMPLES

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FONTE: A autora

2. Verbos com concordância: nestes ocorre flexão em pessoa, número e aspecto.


Necessariamente são verbos que apresentam direção (relacionados à semântica) e
orientação da mão. O parâmetro direcionalidade é um marcador de flexão de pessoa
do discurso. Por exemplo, quando se diz “eu pergunto para você”, a direção do
movimento é do emissor para o receptor, primeira e segunda pessoa, respectivamente;
se a frase é “você pergunta a mim”, a direção é a oposta, e se a frase for “eu pergunto
a ele”, a direção será para um ponto convencionado para a terceira pessoa do discurso
(FELIPE, 1988). Este sistema é o mesmo para todos os verbos que possuem este tipo
de flexão.

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FIGURA 11 – VERBOS COM CONCORDÂNCIA

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FONTE: A autora

3. Verbos espaciais: esses apresentam afixos locativos. São verbos que começam
ou terminam em um determinado lugar, que se refere ao lugar de uma pessoa,
coisa, animal ou veículo, que está sendo colocado, carregado etc. Portanto, o ponto
de articulação marca a localização. Alguns desses verbos podem ter também
classificadores.

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FIGURA 12 – VERBOS ESPACIAIS

FONTE: A autora

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AUTOATIVIDADE

1. Assista ao vídeo, acessando o link abaixo, e escreva aqui a tradução do que assistiu.
São oito frases distintas.

Link do vídeo: <https://youtu.be/DMKMDpE1FSQ>.

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DICIONÁRIO DE SINAIS

MESES DO ANO

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18 LIBRAS BÁSICO I

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LIBRAS BÁSICO I 19

AMBIENTE ESCOLAR

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FONTE: Adaptado de Capovilla e Raphael (2001)

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REFERÊNCIAS

CAPOVILLA, Fernando César; RAPHAEL, Walquíria Duarte. Dicionário


Enciclopédico Ilustrado Trilíngue LIBRAS. Vol. I e II, USP, São Paulo, 2001.

VERBO. DICIONÁRIO do Aurélio. 2017. Disponível em: <https://dicionariodoaurelio.


com/verbo>. Acesso em: 10 mar. 2017.

QUADROS, Ronice Müller; KARNOPP, Lodenir Becker. Língua de Sinais Brasileira.


Estudos Linguísticos. Porto Alegre: Artmed, 2004.

FELIPE, T.A. O Signo Gestual-Visual e sua Estrutura Frasal na Língua dos Sinais
dos Centros Urbanos Brasileiros. Dissertação de Mestrado. UFPE//PE, 1988.

WRIGLEY, O. The politics of deafness. Washington: Gallaudet University Press,


1996.

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