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Apostila
Curso Básico de



Instrutora: Franciana Mª de Oliveira


Pedagoga, Especialista em Libras e em Educação Inclusiva
1. Breve Histórico da Língua Brasileira de Sinais

As línguas de sinais, ao contrário do que se pode pensar, não são universais, pois existem a Língua
de Sinais Americana, a Língua de Sinais Francesa, a Língua de Sinais Portuguesa e a Língua Brasileira
de Sinais (LIBRAS), dentre outras.
Segundo Felipe (2001), as Línguas de Sinais não são apenas um conjunto de gestos que explicam as
línguas orais, são complexas e expressivas, permitindo aos seus usuários discutir sobre qualquer assunto,
desde filosofia e política, até moda, poesia e teatro.
Não existem relatos específicos sobre a origem da Língua de Sinais, porém destaca-se o início de seu
uso no ano de 1760 na cidade de Paris na França, onde o abade L’Epée de aproximadamente sessenta
anos fundou a primeira escola pública para surdos.
Perlin (2002) destaca que a partir da fundação desta escola iniciou-se a multiplicação de profissionais
surdos e ouvintes que se espalharam pelo mundo disseminando o uso da Língua de Sinais, foram criadas
várias outras escolas, onde além do uso das Línguas de Sinais nacionais, exploravam-se novos recursos
na educação dos surdos.
No Brasil a Língua de Sinais ganhou espaço a partir de 1857 quando Eduard Huet, um francês que
ficou surdo aos doze anos veio ao país a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para meninos
surdos primeiramente chamada Imperial Instituto de Surdos Mudos, atual INES (Instituto Nacional de
Educação de Surdos).
A partir da fundação da escola, os surdos brasileiros puderam então criar a Língua Brasileira de Sinais,
que se originou da Língua de Sinais Francesa e das formas de comunicação já utilizadas pelos surdos de
vários locais do país.
É importante ressaltar que nem sempre houve a aceitação pelo uso da Língua de Sinais, que muitas
foram às tentativas em torno da discussão sobre como educar os surdos, pois alguns se mostravam
favoráveis ao método oralista (Uso da fala).
No ano de 1880 em um Congresso Mundial de Professores Surdos ocorrido em Milão na Itália decidiu-
se que todos os surdos deveriam ser educados pelo método oral puro, ou seja, sem o uso de qualquer sinal.
Somente no ano de 1896 a pedido do Governo brasileiro, A.J. de Moura e Silva, que atuava como
professor de surdos no INES foi ao Instituto Francês de Surdos com a missão de avaliar esta decisão e
chegou à conclusão de que o método oralista não era eficiente para todos os surdos.
Se fôssemos nos aprofundar no estudo da história da Língua de Sinais teríamos que citar vários outros
nomes importantes no processo de implantação e reconhecimento da mesma e detalhar acontecimentos,
datas e discussões em torno da polêmica da Educação dos surdos.
Portanto quero que você saiba que assim como o povo ouvinte tem suas lutas e glórias em busca de
liberdade, de uma sociedade democrática onde se possa viver bem e fazer uso de seus direitos, o povo
surdo, que sempre esteve presente nesta mesma trajetória histórica também, pois é parte da sociedade e,
além disso, ainda teve que lutar uma luta desleal e quase solitária.
Sob o domínio de uma cultura da maioria (cultura ouvinte) que sempre tomou as decisões e
dificilmente se colocou na posição do surdo para saber o que de fato era melhor

para ele, o sujeito surdo conviveu com o preconceito, o isolamento social e a falta de oportunidades
por não poder expressar de fato sua opinião.

Atualmente, muitos são os estudos sobre a cultura surda e a evolução desse povo guerreiro que luta
por igualdade de condições e o que fica claro é que a sociedade começa a despertar para o respeito à
diferença cultural do surdo e desmistificar um pouco a surdez vista como deficiência desde a antiguidade.

Portanto, a história das Línguas de Sinais ainda tem muitos capítulos a serem escritos. Seja pelos
Surdos, atualmente mais confiantes ou mesmo com a colaboração de ouvintes engajados na causa surda.

A história da nossa língua de sinais se mistura com a história dos surdos no Brasil. Até o século XV
os surdos eram mundialmente considerados como ineducáveis. A partir do século XVI, com mudanças
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nessa visão acontecendo na Europa, essa ideia foi sendo deixada de lado. Teve início a luta pela educação
dos surdos, na qual ficou marcada a atuação de um surdo francês, chamado Eduard Huet. Em 1857, Huet
veio ao Brasil a convite de D. Pedro II para fundar a primeira escola para surdos do país, chamada na
época de Imperial Instituto de Surdos Mudos. Com o passar do tempo, o termo “surdo-mudo” saiu de uso
por ser incorreto (a gente falou sobre isso nesse post aqui), mas a escola persistiu e funciona até hoje, com
o nome de Instituto Nacional de Educação de Surdos – a famosa INES.

A Libras foi criada, então, junto com a INES, a partir de uma mistura entre a Língua Francesa
de Sinais e de gestos já utilizados pelos surdos brasileiros. Ela foi ganhando espaço pouco a pouco,
mas sofreu uma grande derrota em 1880. Um congresso sobre surdez em Milão proibiu o uso das
línguas de sinais no mundo, acreditando que a leitura labial era a melhor forma de comunicação para
os surdos. Isso não fez com que eles parassem de se comunicar por sinais, mas atrasou a difusão da
língua no país.

Com a persistência do uso e uma crescente busca por legitimidade da língua de sinais, a Libras voltou
a ser aceita. A luta pelo reconhecimento da língua, no entanto, não parou. Em 1993 começou uma nova
batalha, com um projeto de lei que buscava regulamentar o idioma no país. Quase dez anos depois, em
2002, a Libras foi finalmente reconhecida como uma língua oficial do Brasil.

A história recente

Essa conquista se somou a outras mais atuais, que sempre passaram pelo campo da legislação. Nos
últimos anos não foram poucas as leis e recomendações que buscaram regulamentar aspectos da
língua de sinais e da comunidade surda:

• 2004: Lei que determina o uso de recursos visuais e legendas nas propagandas oficiais do governo;
• 2008: Instituído o Dia Nacional do Surdos (26 de setembro);
• 2010: Foi regulamentada a profissão de Tradutor e Intérprete de Libras;
• 2015: Publicação da Lei Brasileira de Inclusão, que trata da acessibilidade em áreas como educação,
saúde, atendimento, cultura, trabalho etc.;
• 2016: Anatel publica resolução com as regras para o atendimento das pessoas com deficiência por
parte das empresas de telecomunicações;

Mesmo com todos esses avanços, a Libras ainda é pouco conhecida e usada entre os ouvintes.
Seu status de língua oficial não é validado na prática. Para mudar essa realidade precisamos tratar a
língua de sinais como realmente nossa, defendendo-a e procurando aprender mais sobre ela.

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2.LEGISLAÇÃO
2.1. Lei 10.236, de 24 de Abril de 2002

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL DE 2002.

Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras


Regulamento
e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu


sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de


Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados.

Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de


comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual-motora, com estrutura
gramatical própria, constituem um sistema lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de
comunidades de pessoas surdas do Brasil.

Art. 2o Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias
de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de
Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades
surdas do Brasil.

Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços públicos de


assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento adequado aos portadores de
deficiência auditiva, de acordo com as normas legais em vigor.

Art. 4o O sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do


Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de
Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira
de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme
legislação vigente.

Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá substituir a modalidade
escrita da língua portuguesa.

Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 24 de abril de 2002; 181o da Independência e 114o da República.

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO


Paulo Renato Souza

Este texto não substitui o publicado no D.O.U. de 25.4.2002

4
2.2 DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005.

Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que


dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o
art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e no art. 18 da Lei
no 10.098, de 19 de dezembro de 2000,

DECRETA:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1o Este Decreto regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei no 10.098,
de 19 de dezembro de 2000.

Art. 2o Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva,
compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura
principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras.

Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um
decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.

CAPÍTULO II

DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO DISCIPLINA CURRICULAR

Art. 3o A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de
professores para o exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de
instituições de ensino, públicas e privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

§ 1o Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de nível
médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial são considerados
cursos de formação de professores e profissionais da educação para o exercício do magistério.

§ 2o A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais cursos de educação superior e
na educação profissional, a partir de um ano da publicação deste Decreto.

...

Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm

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Datilologia: Alfabeto Manual e Números
A primeira coisa que vamos aprender é o Alfabeto Manual ou Datilologia em LIBRAS.
Ele é produzido por diferentes formatos das mãos que representam as letras do alfabeto
escrito e é utilizado para “escrever” no ar, ou melhor, soletrar no espaço neutro, o nome de
pessoas, lugares e outras palavras que ainda não possuem sinal.

ANOTAÇÕES

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________________________________________________________________________________
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Os Números

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_________________________________________________________________________
_________________________________________________________________________
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Soletração Rítmica

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________________________________________________________________________________
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ATIVIDADES
At.01:

9
10
Qual é a letra?

Traduza:

11
Qual é a palavra correta?

12
Ditado Datilológico - Palavras
13
01._____________________________________________________________________

02. _____________________________________________________________________

03. _____________________________________________________________________

04. _____________________________________________________________________

05. _____________________________________________________________________

06. _____________________________________________________________________

07. _____________________________________________________________________

08. _____________________________________________________________________

09. _____________________________________________________________________

10______________________________________________________________________

11. _____________________________________________________________________

12. _____________________________________________________________________

13. _____________________________________________________________________

14. _____________________________________________________________________

15. _____________________________________________________________________

16. _____________________________________________________________________

17. _____________________________________________________________________

18. _____________________________________________________________________

19. _____________________________________________________________________

20. _____________________________________________________________________

21. _____________________________________________________________________

22. _____________________________________________________________________

23. ______________________________________________________________________


 A de amor 
MÚSICA: Abecedário da Xuxa B de baixinho
14
C de coração S, saudade
D de docinho T de terra
E de escola U de universo
F de feijão V de vitória
G de gente X, o que que é?
H de humano É Xuxa!
I de igualdade E Z é zum-zum-zum-zum-zum
J, juventude Vamos cantar
L, liberdade Vamos brincar
M, molecagem Alegria pra valer
N, natureza O abecedário da Xuxa
O, obrigado Vamos aprender
P, proteção Vamos cantar
Q de quero-quero Vamos brincar
Alegria pra valer
O abecedário da Xuxa
R de riacho Vamos aprender

Ditado Sinalizado – Frases


01._____________________________________________________________________

02. _____________________________________________________________________

03. _____________________________________________________________________

04. _____________________________________________________________________

05. _____________________________________________________________________

06. _____________________________________________________________________

07. _____________________________________________________________________

08. _____________________________________________________________________

09. _____________________________________________________________________

10______________________________________________________________________

Usando os sinais que você já conhece crie 05 frases e sinalize-as.

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01._____________________________________________________________________

02. _____________________________________________________________________

03. _____________________________________________________________________

04. _____________________________________________________________________

05. _____________________________________________________________________

Aspectos gramaticais da Libras


A língua de sinais não é universal e cada país tem a sua própria, como
acontece com as línguas orais: a língua portuguesa, a língua inglesa, a língua
espanhola, a língua alemã. Vale lembrar que a Libras não é a tradução da língua
portuguesa, ou seja, não se trata de realizar o português sinalizado; a Libras é uma
outra língua com gramática e características próprias. O português sinalizado foi
difundido na década de 1970 pela filosofia do bimodalismo/comunicação total, cujo
objetivo era utilizar os sinais como ferramentas para o aprendizado da língua
majoritária e recurso para o desenvolvimento da leitura e escrita, não assumindo a
língua de sinais como língua com estrutura gramatical própria e parte de uma
cultura surda.
A língua brasileira de sinais possui uma estrutura gramatical própria
com todos os elementos constitutivos da estrutura gramatical presente nas demais
línguas orais. A gramática da Libras não é uma adaptação da gramática da língua
portuguesa. Têm-se níveis linguísticos que também fazem parte da língua de sinais
que são: a fonologia, a morfologia, a sintaxe, a semântica, a pragmática.
Nas línguas orais-auditivas existem as palavras (estruturas mínimas de
significação), e nas línguas de sinais também existem os itens lexicais, que recebem
o nome de sinais. A diferença encontra-se na sua modalidade de articulação, que é
visual-espacial. Para a comunicação em Libras não basta apenas conhecer os sinais,
sendo fundamental conhecer a sua gramática própria, usada de acordo com o
contexto das expressões pretendidas.
Os sinais diferenciam-se por parâmetros como as configurações de mão,
os movimentos, os pontos de articulação (locais no espaço ou no corpo onde são
feitos), as orientações de mão e as expressões não manuais, os quais, juntos,
compõem as unidades básicas dessa língua. Assim, a Libras apresenta-se como um
sistema linguístico que permite a transmissão de ideias e fatos, oriunda de
comunidades de pessoas surdas do Brasil. Como em qualquer língua, também se
verificam diferenças regionais, portanto deve-se ter atenção às variações
linguísticas. Então, a Libras possibilita a expressão de qualquer pensamento, bem
como apresentar diversidade de expressões em quaisquer áreas de estudos, tais
como: literatura e poesia, piadas, filosofia, elementos técnicos, etc.

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Destaca-se também que a gramática da língua de sinais pode sofrer
variações a depender do contexto comunicativo: formal, informal, regional e
padronizado. A Libras é, portanto, uma língua utilizada pelos surdos como forma de
comunicação visual-espacial

5.1. Parâmetros da Libras


• Configuração das Mãos
• Pontos de Articulação
• Orientação
• Movimento
• Expressão Facial e/ou corporal

Sinais
Os sinais são formados a partir da combinação do movimento das mãos com um
determinado formato em um determinado lugar, podendo este lugar ser uma parte
do corpo ou um espaço em frente ao corpo. Estas articulações das mãos, que podem
ser comparadas aos fonemas e às vezes aos morfemas, são chamadas de
parâmetros.

Nas línguas de sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros:

- Configuração das Mãos


São formas das mãos, que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou
outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros), ou pelas
duas mãos do emissor ou sinalizador. Os sinais APRENDER, LARANJA e ADORAR
têm a mesma configuração de mão.
- Ponto de Articulação
É o lugar onde incide a mão predominante configurada, podendo esta
tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro vertical (do meio do
corpo até à cabeça) e horizontal (à frente do emissor). Os sinais TRABALHAR,
BRINCAR, CONSERTAR são feitos no espaço neutro e os sinais ESQUECER,
APRENDER e PENSAR são feitos na testa.

- Movimento

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Os sinais podem ter um movimento ou não. Os sinais citados acima tem
movimento, com exceção de PENSAR que, como os sinais AJOELHAR, EM-PÉ, não
tem movimento.
- Orientação
Os sinais podem ter uma direção e a inversão desta pode significar idéia
de oposição, contrário ou concordância número-pessoal, como os sinais QUERER e
QUERER-NÃO; IR e VIR.
- Expressão facial e/ou corporal

Muitos sinais, além dos quatro parâmetros mencionados acima, em sua


configuração tem como traço diferenciador também a expressão facial e/ou corporal,
como os sinais ALEGRE e TRISTE. Há sinais feitos somente com a bochecha como
LADRÃO, ATO-SEXUAL.
Exemplo de parâmetro:

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Apresentação e Cumprimentos

BOA SORTE
BOA NOITE

BOA TARDE BOM DIA

ESTOU BEM OI

OLÁ PRAZER EM CONHECER

19
TCHAU TUDO BEM?

COM LICENÇA OBRIGADO

POR FAVOR

Elabore um pequeno diálogo simulando uma situação de conversação inicial


e apresente aos seus colegas.
1. ____________________________________________________________________
2. ____________________________________________________________________
1. ____________________________________________________________________
2. ____________________________________________________________________
1. ____________________________________________________________________
2. ____________________________________________________________________
1. ____________________________________________________________________
2. ____________________________________________________________________
1. ____________________________________________________________________
2. ____________________________________________________________________

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




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

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

21
1. FAMÍLIA

22
GÊMEOS

23
24
Ditado Sinalizado
01._________________ 11._________________
02._________________ 12._________________
03._________________ 13._________________
04. _________________ 14._________________
05. _________________ 15._________________
06. _________________ 16._________________
07. _________________ 17._________________
08. _________________ 18._________________
09. _________________ 19._________________
10. _________________ 20._________________

- Utilizando a Libras presente os membros de sua família aos


colegas.

Olá! Tudo bem? Eu me chamo: ____________________ Minha família é composta por


___ pessoas. Meu esposo (a) se chama _______________ Meu filho (a) ______________,

minha mãe se chama _____________, meu pai se chama _______________, Tenho ____
irmãos, eles se chamam: _____________________________, meus tios se chamam
_________________, meus avós __________________, meus primos __________________.

Obrigado.

Família Papai, mamãe, não Mas quando o neném


Titãs dão nem um tostão fica doente (Uô! Uô!)
Procura uma farmácia
Família êh! Família de plantão
Família, família O choro do neném é
ah!
Papai, mamãe, titia estridente (Uô! Uô!)
Família!
Família, família Assim não dá pra ver
Família êh! Família
Almoça junto todo dia televisão
ah!
Nunca perde essa
Família!
mania
Família êh! Família
Família, família ah!
Mas quando a filha Família!
Vovô, vovó, sobrinha
quer fugir de casa Família êh! Família
Família, família
Precisa descolar um ah!
Janta junto todo dia
ganha-pão Família!
Nunca perde essa
Filha de família se não
mania
casa
25
Perguntas

Tempo e Marcação

26
27
Dias da Semana

Semana

28
Dias

Anotações

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

29
30
DITADO SINALIZADO - FRASES

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___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
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31
CORES

32
ATIVIDADE

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
__________________________________________________________________
33
MÚSICA: As Cores

As cores, as cores

Estão nas plantas

Estão nas flores

Estão nas matas

Estão no céu

Até neste pedaço de papel

Verde e vermelho,

Azul e amarelo

Rosa e branco

Dourado cor de mel

São cores colorindo a terra

As cores colorindo o céu

As cores, as cores

Estão nas plantas

Estão nas flores

Estão nas matas

Estão no céu

Até neste pedaço de papel

34
Ditado sinalizado

______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
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______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
______________________________________________________________________
FRUTAS

35
36
ALIMENTOS

37
38
39
LEGUMES

40
41
42
TEMPEROS

DOCES

43
44
BEBIDAS

45
ECONOMIA
46
ALUGUEL BOLSA DE VALORES

CARTÃO DE BANCO CARTÃO DE CRÉDITO

CHEQUE COFRE

COFRINHO CONTA BANCÁRIA

DEPÓSITO BANCÁRIO DESCONTO

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DINHEIRO DÍVIDA

DÓLAR (1) DÓLAR (2)

ELÁSTICO DE DINHEIRO IMPOSTO DE RENDA

JUROS LUCRO

MOEDA PLANEJAMENTO FINANCEIRO

48
PORCENTAGEM PREJUÍZO FINANCEIRO

PRESTAÇÃO
Diálogo - Comércio
- Oi, eu sou surdo.
- Seja Bem Vindo! Posso ajudar? Eu sei Libras.
- Eu quero comprar frutas para fazer salada de frutas.
- Desculpe não entendi (sinal de fruta) você pode soletrar por favor?
- F.R.U.T.A
- Ok! Temos muitas frutas: _______________________________________________
Você querer quais?
- Qual o preço de: ________________________________________________________
- ________________________________________________________________________
- Muito caro! Tem desconto?
- Sim, desconto de 20% pagando à vista
- Aceita parcelar no cartão?
-Sim, mas tem juros de 5%
- Melhor pagar à vista. Eu vou ao banco sacar pagamento depois volto para comprar.
- Ok
- Obrigado.

49
ANIMAIS

ABELHA ÁGUIA

ALCE ARANHA

ARARA AVE

50
AVESTRUZ BALEIA

BARATA BEIJA-FLOR

BESOURO BEZERRO

BICHO PREGUIÇA BODE

BORBOLETA BÚFALO

51
BURRO CABRA

CACHORRO CAMARÃO

CAMELO CANGURU

CAPIVARA CARACOL

CARANGUEJO CARNEIRO

52
CASCAVEL CASTOR

CAVALO CAVALO MARINHO

CIGARRA COBRA

COELHO CORUJA

DINOSSAURO ELEFANTE

53
EMA ESCORPIÃO

ESQUILO ESTRELA DO MAR

FALCÃO FOCA

FORMIGA GAFANHOTO

GAIVOTA GALINHA

54
GALO GAMBÁ

GANSO GATO

GAVIÃO GIRAFA

GOLFINHO HIENA

HIPOPÓTAMO INSETO

55
JACARÉ JAVALI

JIBÓIA LAGARTIXA

LAGOSTA LEÃO

LESMA LHAMA

LOBO LULA

56
MACACO MICO

MORCEGO (1) MORCEGO (2)

MOSCA ONÇA

OVELHA PAPAGAIO

PATO PANTERA

57
PAVÃO PEIXE

PELICANO PERIQUITO

PERNILONGO PERU

PICA-PAU PINGUIM

POLVO POMBA

58
PORCO (1) PORCO (2)

PORCO ESPINHO PULGA

RÃ RAPOSA

RATO RINOCERONTE

SAPO SIRI

59
TAMANDUÁ TARTARUGA

TATU TIGRE

TUBARÃO TUCANO

URSO URSO PANDA

URUBU VACA

60
VEADO ZEBRA
PALAVRAS
RELACIONADAS

CAUDA CHIFRE

CISCAR COURO

LATIR MORDER

MUGIR

61
EDUCAÇÃO

NÍVEIS DE ENSINO

DOUTORADO EDUCAÇÃO ESPECIAL

EDUCAÇÃO INFANTIL ENSINO FUNDAMENTAL

ENSINO MÉDIO ENSINO SUPERIOR

MESTRADO PÓS GRADUAÇÃO

62
SUPLETIVO

CURSOS E DISCIPLINAS

CURSO DISCIPLINA

ARQUITETURA ARTE

ASTRONOMIA BIOLOGIA

CIÊNCIAS CONTABILIDADE

63
DIREITO ECONOMIA / ADMINISTRAÇÃO

EDUCAÇÃO FÍSICA ENGENHARIA

FILOSOFIA FISIOTERAPIA

FONOAUDIOLOGIA GEOGRAFIA

HISTÓRIA LETRAS

64
LINGÜÍSTICA MATEMÁTICA (1)

MATEMÁTICA (2) MEDICINA

MODA PEDAGOGIA

PORTUGUÊS (1) PSICOLOGIA (1)

PSICOLOGIA (2) PUBLICIDADE E PROPAGANDA

65
QUÍMICA VETERINÁRIA

CURSOS DE LÍNGUAS

IDIOMA ALEMÃO

BRAILE CHINÊS

ESPANHOL FRANCÊS

66
INGLÊS ITALIANO

JAPONÊS LIBRAS

LOCAIS DE ENSINO

BIBLIOTECA DIRETORIA

ESCOLA ESCOLA PARTICULAR

67
FACULDADE (1)
FACULDADE (2)

SALA DE AULA UNIVERSIDADE

METODOLOGIAS DE ENSINO

METODOLOGIA BILINGÜISMO

COMUNICAÇÃO TOTAL CONFERÊNCIA

68
CONGRESSO DIDÁTICA

MÉTODO ORALISMO

PALESTRA PROJETO

SEMINÁRIO TEORIA

AVALIAÇÃO

CONCURSO NOTA ZERO

69
PONTUAÇÃO DE PROVA PROVA (1)

PROVA (2) RECUPERAÇÃO ESCOLAR

REPROVAÇÃO ESCOLAR VESTIBULAR

MATERIAL ESCOLAR

ADESIVO APONTADOR

BORRACHA CADERNO BROCHURA

70
CADERNO ESPIRAL CANETA

COLA COMPASSO

DICIONÁRIO GIZ

LÁPIS LÁPIS DE COR

LIVRO (1) LIVRO (2)

71
LOUSA MOCHILA

PAPEL PINCEL

TESOURA

PALAVRAS RELACIONADAS

BOLSA DE ESTUDO CAPÍTULO

72
CONTEXTO CONTO

CULTURA (1) CULTURA (2)

CULTURA (3) DIPLOMA

EDUCAÇÃO ENSINAR

FORMATURA INTRODUÇÃO

73
MENSALIDADE
POEMA

PROFESSOR PROGRAMA

REUNIÃO (1) REUNIÃO (2)

REUNIÃO (3)

74
DISCIPLINAS

75
ADJETIVOS

ABAFADO ABATIDO

76
ABORRECIDO ALEGRE

ALTO AMARGO

AMPLO ÁSPERO

AVARENTO BAIXO

77
BARATO BOBO

BOM BONITO

BRAVO BRUTO (VIOLENTO)

BURRO CALMO

CARO CERTO

78
CHATO CHEIO

CLARO COMPRIDO

CONVENCIDO CURIOSO

CURTO DEMORADO

DENTRO DEPRESSA

79
DEPRIMIDO DESLEIXADO

DESONESTO DEVAGAR

DIFERENTE DIFÍCIL

DOCE DURO

EDUCADO ENGRAÇADO

80
ERRADO ESCURO

ESPERTO ESTRANHO (1)

ESTRANHO (2) FÁCIL (1)

FÁCIL (2) FALANTE

FALSIFICADO FALSO

81
FEIO FELIZ

FIEL FINO

FOFO FORTE

FRACO FRIO

FUNDO GELADO

82
GORDO GOSTOSO (1)

GOSTOSO (2) GRACIOSO

GRANDE GROSSO

GULOSO HONESTO

HORRÍVEL IDÊNTICO

83
IGNORANTE IGUAL (1)

IGUAL (2) IMPACIENTE

IMPORTANTE IMPOSSÍVEL

INDIFERENTE INFERIOR

INGÊNUO INTELIGENTE

84
IRRITADO LARGO

LEGAL LENTO

LEVE LIBERAL

LIMPO LISO

LONGE (1) LONGE (2)

85
MACIO MAGRO

MALCRIADO MARAVILHOSO

MAU METIDO

MOLE MOLHADO

MORENO NERVOSO

86
NOJENTO NOVO

OCUPADO PAVOROSO

PEQUENO (1) PEQUENO (2)

PERTO PESADO

PÉSSIMO POBRE

87
PODRE POSSÍVEL

QUENTE QUIETO

RÁPIDO RICO

RUIM SECO

SÉRIO SIMPLES

88
SINCERO SUJO

SUPERIOR TEIMOSO (1)

TEIMOSO (2) TEIMOSO (3)

TÍMIDO TRISTE

USADO VAZIO (LUGAR)

89
VAZIO (OBJETO) VELHO

VELOZ (1) VELOZ (2)

VERDADE (1) VERDADE (2)

DIVERSOS

ABSURDO AMBOS

90
AZAR BASTA

BATE BOCA BOBAGEM

CABEÇA DURA CARA A CARA

CLASSIFICADOR COISAS

91
CONFLITO CONFUSÃO

CONSELHO DE VERDADE

DEFEITO DÚVIDA

ESFORÇO ESPECIAL

ESTOU FORA FEDOR

92
FILA FOGO

IDÉIA (1) IDÉIA (2)

ÍMÃ INDEPENDÊNCIA

LIMITE DA PACIÊNCIA MEIO (1)

MEIO (2) NATURAL

93
NEGATIVO NOJO

NOVIDADE OBA

ÓBVIO OFICIAL

ONDE VOCÊ MORA? OPINIÃO

OPOSTO PALAVRÃO

94
PARA PARECIDO

PARTICULAR POLÍTICA

POR CAUSA DE POSITIVO

PRIMEIRA VEZ PRIMEIRO

PRINCIPAL PRÓXIMO

95
QUAL A SOLETRAÇÃO? QUAL O SINAL?

RAZÃO SEGREDO (1)

SEGREDO (2) SEGUNDA VEZ

SOBRE ALGUM ASSUNTO SONO

SORTE (1) SORTE (1)

96
SOZINHO SUSTO

TENTAÇÃO (1) TENTAÇÃO (2)

TIPO (1) TIPO (2)

TODA VEZ TOMARA

TRADIÇÃO ÚLTIMO (1)

97
ÚLTIMO (2) USUAL

VAGA (1) VAGA (2)

VAMOS VEM CÁ

VENENO
ANOTAÇÕES
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________
______________________________________________________________________________________

98
VERBOS

99
100
Gramática da Libras
A língua é convencionada como conjunto de regras e signos abstratos, condicionados à
fala ou aos sinais, essencial às práticas sociais de uma comunidade linguística. A partir dessa
concepção, definiu-se como LIBRAS, ou seja, a língua de sinais, primordial para as práticas sociais
da comunidade surda.
Para que se possa fundamentar uma língua é necessário instituir uma gramática
sistematizada que defina todos os mecanismos necessários para regulação da língua.
Assim como a gramática convencional é entendida como conjunto de regras necessárias
que o indivíduo deva seguir na estruturação de textos, tais como: Morfologia, sintaxe, coesão e
coerência, acrescentando nesse repertório à fonologia, a semântica e a pragmática, a gramática de
LIBRAS, também, possui regras para estruturação de textos, similares e contrastiva com a gramática
da Língua Portuguesa, relacionadas à morfologia, coesão, coerência e semântica, conforme afirma
(QUADROS, 2007 apud KATO, 1988).

a. que há similaridades comportamentais que não precisam ser explicitadas por constituírem a
base comum das línguas naturais;
b. que se duas línguas compartilham muitas similaridades tipológicas, estas poderão servir de
base para as primeiras inferências quanto ao significado das formas em língua estrangeiras;
c. quanto às diferenças, por serem sistemáticas, admitem um tratamento inferencial e
heurístico.

A língua de sinais é uma língua espacial-visual e existem muitas formas criativas de


explorá-la - Configurações de mão, movimentos, expressões faciais gramaticais, localizações,
movimentos do corpo, espaço de sinalização, classificadores são alguns dos recursos discursivos
que tal língua oferece para serem explorados durante o desenvolvimento da criança surda e que
devem ser explorados para um processo de alfabetização com êxito. (QUADROS, 2007).
Ainda segundo a autora, fazendo uma analogia entre as duas gramáticas, registrem-se as
diferenças existentes:
LÍNGUA PORTUGUESA LIBRAS
Língua predominante Oral-auditiva.(entoação e Vísuo-espacial (expressão facial e
intensidade) corporal);
FONEMA (som) Unidade Mínima sem Léxico reproduzido por meio de sinais,
significado de uma língua e a baseada nas interações sociais do
sua organização interna. indivíduo.
ALFABETO Combinações de letra-som Realizado de forma icônica
(oralizado), possibilitando o (dactilologizado);
entendimento de qualquer Auxilia no processo de transcrição da
léxico. língua de sinais para a LP.
SINTAXE Preocupa-se com a linearidade Envolve todos os aspectos espaciais,
do texto. incluindo os classificadores, ou seja, é um
tipo de morfema gramatical que é afixado
a um morfema lexical ou sinal para

101
mencionar a classe que pertence o
referente desse sinal.
CONSTRUÇÃO DE UM Limita-se na transcrição de a. Utiliza a estrutura tópico-
TEXTO acordo com as regras. comentário, realizado através de
repetições sistemáticas.
b. Utiliza referências anafóricas,
através de pontos estabelecidos no
espaço.

ARTIGO Apoia-se em fazer a marcação Só aparece para seres humanos e animais.


do gênero. Ex: o, a,os,as – um, Define o item lexical classificado. Ex.
uma, uns, umas homem, mulher.
ESTRUTURA DE Convencionada pela Essa estruturação sofre alteração OSV ou
SENTENÇAS estruturação de SVO SOV (o sujeito pode ser marcado por um
sinal acompanhado da datilologia)
PRONOMES Pessoal: Eu, tu, ele (a), nós, Pessoal: Eu, você (precisa olhar para
vos, eles (as) pessoa) ele/ela, nós – nós 2 – nós 3 – nós
4.
PLURAL Flexão de número através do Identificado pela repetição de itens
acréscimo de (s), nos lexicais.
substantivos, artigos,
pronome, verbo.

Como se observa no quadro1 acima, embora haja “algumas diferenças” entre a Língua
Portuguesa e a Língua de Sinais, essas não impedem que o surdo se aproprie da leitura e escrita.
Para isso, caberá ao professor /mediador ser a ponte entre esses dois mundos, através de estratégias
metodológicas que eliminem as barreiras na comunicação e aprendizagem, e por oportuno,
proporcionar a essa comunidade a verdadeira integração no sistema educacional.
Outra questão que deve ser levada em consideração para o sucesso de escrita é que, tanto
o aluno “normal” quanto o aluno com surdez, depende por sobremaneira dos inputs a que estão
expostos, pois esse sucesso está intrinsecamente atrelado às experiências e aos conhecimentos
prévios, ou seja, a visão de mundo introspectivo a cada participante. (BRASIL, 2002).
Imbricado a isso, convalidado com a ideia de QUADROS e o material que orienta o ensino
de surdos (LÍNGUA PORTUGUESA PARA SURDOS Caminhos para a prática pedagógica – v.01
e 02) ratifica-se que, para o surdo ter um bom domínio da Língua Portuguesa é recomendável que,
primeiramente, ele domine sua língua materna (L1), que, no caso em discussão, é a LIBRAS,
acrescida a isso, ele poderá ser inserido no processo de aquisição da segunda língua, correlacionada
a Gramática dos ouvintes.

Classificador

Existem várias línguas de sinais no mundo e servem para descrever, indicar a


movimentação ou localização de pessoas, animais e objetos. Na LS os Classificadores
facilitam para contar histórias e ter habilidades em identificá-los.

102
CL-D Classificador Descritivo: refere-se ao tamanho e forma. Usualmente produzido
com ambas as mãos para formas simétricas e assimétricas (não descreve posição ou
movimento). Exemplo:
- A forma e o desenho de um vaso;
- Desenho de um papel de parede;
- A altura e largura de uma caixa;
- A descrição da roupa ou itens que estão no corpo.

CL-ESP Classificador que especifica o tamanho e forma de uma parte do corpo.


Descreve tamanho, textura e forma do corpo de animais ou pessoas (não descreve
posição ou movimento). Exemplo:
- As orelhas de um elefante;
- Bicos de aves diversas,
- Nariz de uma pessoa;
- Pêlo de gato;
- Penteado de uma pessoa;

CL-PC Classificador de uma parte do corpo. Retrata uma parte especifica do corpo
em uma posição determinada ou fazendo uma ação. A configuração da mão retrata a
forma de uma parte do corpo (descreve posição ou movimento).
- A ação da boca do hipopótamo;
- As orelhas de um cavalo em movimento;
- Os olhos de alguém em movimento;
- A cabeça de alguém repousando no seu ombro;
- Ação dos pés andando na lama;
- A posição das pernas de alguém sentado em uma cadeira.

CL-L Classificador Locativo ou Semântico: descreve um objeto em um lugar


determinado. A configuração da mão pode retratar uma parte ou o objeto todo
ironicamente. Exemplo:
- Uma prateleira onde estão copos ou livros;
- Chão onde caiu um lápis;
- A cabeça de alguém batida por uma bola;

103
- Alvo onde voa uma flecha;
- Gol onde entra uma bola.

CL-I Classificador Instrumental: mostra como se usa alguma coisa, ou seja,


manipulando um objeto. Exemplo:
- Carregando um balde pela alça;
- Puxando uma gaveta;
- Tocando a campainha da porta;
- Virando uma página;
- Limpando com um pano.

CL- C Classificador do Corpo: é similar ao CL-L, porém não mostra nem a manipulação
nem o toque aos objetos. Exemplo:
- Acenando com a mão para alguém;
- Atravessando os braços com beijos espichados;
- Coçando a cabeça com perplexidade;
- Movendo os braços como em correr.

CL-P Classificador Plural: Indica movimento ou posição de um número


determinado/indeterminado de objetos, pessoas ou animais. Exemplo:
- Três pessoas andando juntas (numero determinado);
- Pessoas sentadas na plateia;
- Uma fila cumprida de pessoas avançando lentamente;
- Muitos carros estacionados na rua.

CL-E Classificador de Elemento: descreve o movimento de elementos ou coisas não


sólidas. Exemplo:
- Água gotejando na torneira;
- Luz piscando como sinal de advertência;
- O movimento de um líquido num copo;
- O vapor subindo de uma xícara de chá quente.

104
CL-N° CL-NOME Esses classificadores utilizam a configuração de letras ou números,
mas não são partes de uma descrição. Exemplo:
- Números e nome na camisa de futebol;
- Um título de um livro;
- Insígnia em um boné;
- Uma sigla escrita na porta de um banco.

REFERÊNCIAS

105