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A importância de atividades pedagógicas alternativas no processo de

ensino-aprendizagem em Geografia
Flavio Júlio Felix da Silva
Instituto Multidisciplinar – UFRRJ; flavio-julio@live.com
Karen de Rezende Schildt Correa
Instituto Multidisciplinar – UFRRJ; karen1.11@hotmail.com

Introdução:

O processo de alfabetização infantil, em grande parte das escolas públicas e


privadas, é utilizado diversas formas de atividades no processo de ensino-aprendizagem.
Além da carga teórica que o professor passa para os estudantes durante a alfabetização,
ensinando o som e a forma de cada palavra, também é realizada uma diversidade de
dinâmicas em que a criança assimila os conteúdos da sala de aula com as suas práticas
cotidianas.

Nesse sentindo, percebemos que o ensino de geografia pode ser trabalhado


similarmente em anos letivos posteriores. No entanto, nos deparamos com o paradigma
da escola tradicional que reproduz a educação bancária1 durante os anos de ensino,
fazendo do ensino da Geografia se constitua em uma ciência direcionada para a
decoração dos elementos geográficos, excluindo todo o olhar geográfico que o aluno
deveria aprender durante a sua formação. Nessa perspectiva, Lacoste (1977), vem
relatando desde final dos 70 a metodologia descritiva no ensino da Geografia tem
transformado essa ciência em um conhecimento enfadonho.

No cenário analisado, para entender a separação das atividades lúdicas e


alternativas que proporcionam diversas perspectivas sobre o objeto de estudo,
percebemos que a educação para formar o cidadão crítico tem sofrido diversos ataques
pela lógica de mercado, sustentada pelas teses neoliberais sobre o ensino. FREITAS
(2012) aponta um aumento da competitividade, responsabilização e individualização
1
"Eis aí a concepção "bancária" da educação, em que a única margem de ação que se oferece aos
educandos é a de receberem os depósitos, guardá-los e arquivá-los.” (FREIRE, 1997, p.62.)

1
alicerçado a narrativa da meritocracia, sendo disseminada em políticas públicas que
atravessam os muros da escola. Ou seja, crescimento dos exames avaliativos sobre o
desempenho de cada escola, simulados, vestibulares e entre outras provas tem
produzido um modelo educacional que atenda a formação do indivíduo para obter
sucessos em avaliações, ao invés de desenvolver estímulos para que o sujeito tenha uma
análise crítica da realidade em que vive.

Portanto, compreendemos que para o ensino da Geografia tornasse mais


interessante, seria necessário um debate a partir dos conhecimentos prévios que os
discentes trouxessem para o espaço educativo e que as suas realidades fizessem parte do
conteúdo escolar. Sendo assim, analisamos as produções cientificas de atividades e
metodologias alternativas de ensino que faziam outro caminho para formação eficaz e o
desenvolvimento do olhar geográfico, assimilando os conteúdos debatidos em aula com
a pratica dessas atividades.

Métodos:

Para o desenvolvimento dessa pesquisa, incialmente, optamos por realizar um


levantamento bibliográfico para compreender o motivo do hiato das atividades lúdicas
nos anos posteriores, identificando que o sistema neoliberal consegue mercantilizar o
ensino, através das narrativas meritocráticas.

A partir disso, buscamos conceituar a importância de um modelo de educação


que tenha confluência do saber do aluno com o conhecimento científico. Com isso,
analisamos quatro artigos que tratam sobre práticas lúdicas no corpo discente e que
obtiveram resultados satisfatórios, sendo tais atividades como: trabalho de campo
(SANSOLO, 1996), leitura de quadrinhos (DELFINO, 2015), leitura de textos literários
(OLIVEIRA, 2018) e jogos de tabuleiros (DE FREITAS, 2007).

Em terceiro momento, buscamos refletir com embasamento nas teorias de Paulo


Freire sobre a necessidade de uma educação libertadora. E Yves Lacoste, sobre a
importância do saber geográfico na vida cotidiana dos indivíduos.

2
No decorrer dessa pesquisa, iniciaremos uma investigação para identificar as
narrativas do movimento neoliberal dentro das escolas do bairro de Austin no
Município de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro.

Resultados:

É importante destacar que esta pesquisa está em fase inicial e que os resultados
obtidos, até o momento, são as sínteses de análises dos artigos. No decorrer da leitura do
artigo de FREITAS (2012), observamos que a mercantilização da educação brasileira
tem provocados uma série de problemas no cotidiano da escola, aumentando a tendência
do professor e o aluno desenvolverem doenças psíquicas, como a ansiedade, por causa
da pressão de entrega de resultados em avaliações.

Na análise dos artigos sobre outras formas de ensinar geografia, percebemos que
nos resultados aparecem sempre a participação dos alunos na produção teóricas das
atividades, onde o docente realiza a mediação dos conhecimentos teóricos com os
conhecimentos dos estudantes.

Considerações Finais:

É necessário afirmar que os conhecimentos geográficos são bastante pertinentes


para o desenvolvimento dos indivíduos no meio em que estão inseridos. O cotidiano
escolar, normalmente, nega outras metodologias que oportunizem uma aprendizagem
reflexiva e ampla, as avaliações cumprem um papel excludente e as instituições
escolares acabam perpetuando a desigualdade social. Diante disso, não somente o
ensino da Geografia, mas todo o processo educativo deve romper com esse modelo de
educação dualista, onde a classe trabalhadora é formada para atender o mercado e a
classe privilegiada tem acesso aos níveis de ensino mais altos. Uma educação
humanizada deve instruir os sujeitos para que eles participem coletivamente de uma
sociedade democrática.

3
Bibliografia:

DE FREITAS, Eliana Sermidi; SALVI, Rosana Figueiredo. A ludicidade e a


aprendizagem significativa voltada para o ensino de geografia. 2007.

DELFINO, Vinícius Siqueira; ALMEIDA, A. S.; DIAS, AML. O uso de HQ no ensino


da geografia: diferentes linguagens em sala de aula. In: In: II Congresso Nacional de
Educação, Campina Grande. Anais... Campina Grande. 2015.

FREIRE, Paulo. Educação “bancária” e educação libertadora. Introdução à


psicologia escolar, v. 3, p. 61-78, 1997.

FREITAS, Luiz Carlos de et al. Os reformadores empresariais da educação: da


desmoralização do magistério à destruição do sistema público de
educação. Educação & Sociedade, 2012.

LACOSTE, Yves; MESSIAS, Nuno. A geografia serve antes de mais para fazer a
guerra. 1977.

OLIVEIRA, Lidiane Bezerra; EVANGELISTA, Armstrong Miranda. A AULA DE


GEOGRAFIA NO ENSINO MÉDIO: do legado da tradição às possibilidades de
renovação. Revista Brasileira de Educação em Geografia, v. 7, n. 14, p. 141-160, 2018.

SANSOLO, Davis Gruber. A importância do trabalho de campo no ensino de


Geografia e para a Educação Ambiental. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas–Departamento de Geografia–Pós-Graduação em Geografia Física–USP–São
Paulo, 1996.