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Hospital Universitário Júlio Muller

Curso de Prevenção de Incapacidades em Hanseníase


Cuiabá, 28 de janeiro de 2019

REAÇÕES
HANSÊNICAS
José Cabral Lopes
Médico CRM/MT- 820 graduado pela UFRJ
Pediatra do Ministério da Saúde - Especialista em Saúde da Família pela UFMT
Hansenólogo pela Sociedade Brasileira de Hansenologia
Professor de Saúde Coletiva-UNIC e Professor de Hansenologia HUJM
Assessor médico DAHW
Médico da SMS de Cuiabá
TODA RESPOSTA IMUNE ESTÁ SOB CONTROLE GENÉTICO
ESPECTRO DA HANSENÍASE - CLÍNICO E IMUNOLÓGICO

HLA DR2/ DR3 (imunidade HLA DQ1 (susceptibilidade


inata) INFγ e iL2 inata) iL4 iL10
Imunidade celular Imunidade humoral
TH1 TH2
HT (NEURITE) CARGA BACILAR
INTENSA
POUCO EXTENSA HV (NEURITE)
ASSIMÉTRICA EXTENSA
PRECOCE POUCO INTENSA
SIMÉTRICA
CABRAL 2006
T TARDIA
TS DT D D DV VS V
+_
R1 R2
HD (NEURITE)
INTENSA EXTENSA
SIMÉTRICA PRECOCE

Mitsuda caráter adquirido de pré-disposição genética HLA / DR2 /


DR 3 presente em 90 % da população
REAÇÕES HANSÊNICAS
• São eventos agudos que ocorrem no desenrolar
crônico da hanseniase, devido ao desequilíbrio
da imunidade celular e imunidade humoral.
• São classificadas em 2 tipos
– Tipo 1: REAÇÃO REVERSA
– Tipo 2: ERITEMA NODOSO HANSÊNICO
FENÔMENO DE LUCIO
ERITEMA POLIMORFO HANSÊNICO
REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

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REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

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REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

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REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

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REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA
REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA
REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 1 – REAÇÃO REVERSA

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RR E ENH ULCERADOS

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REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA NODOSO HANSÊNICO

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REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA NODOSO
HANSÊNICO

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA NODOSO HANSÊNICO

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA NODOSO HANSÊNICO

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA NODOSO
HANSÊNICO

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – Eritema Polimorfo Hansênico

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – Eritema Polimorfo Hansênico

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – Eritema Polimorfo Hansênico
RESOLUÇÃO

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – Eritema Polimorfo Hansênico

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA POLIMORFO HANSÊNICO
ULCERADO

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA POLIMORFO HANSÊNICO
ULCERADO

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REAÇÃO TIPO 2 – ERITEMA POLIMORFO HANSÊNICO
ULCERADO

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REAÇÃO TIPO 2:
DOENÇA AUTO AGRESSIVA
HANSÊNICA
EQUIVALENTES
REACIONAIS
ORQUITES HANSÊNICAS

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ERITEMA NODOSO HANSÊNICO SUBINTRANTE E CONSEQUÊNCIAS
DO TRATAMENTO PROLONGADO COM CORTICÓIDES

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TRATAMENTO
Procedimentos Gerais

• Se o estado reacional for identificado por ocasião do


diagnóstico, deve-se iniciar o tratamento PQT, juntamente
com o tratamento da reação.

• Se o estado reacional for identificado durante o tratamento


PQT, deve ser mantido o tratamento, acrescentado-se o
tratamento para a reação.

• Se o estado reacional for identificado pós-alta, o tratamento


PQT não deve ser reiniciado. Deve-se fazer avaliação geral do
paciente e o tratamento imediato para reação
Cuidados com o doente
• Alívio da dor;

• Imobilização do membro afetado;

• Avaliação sensitivo motora;

• Terapêutica específica conforme o tipo de


reação;
Recomendações Reação Tipo I
• Prednisona (1 a 2 mg/kg/dia)
• Manter a dose do medicamento até a melhora
clínica;
• Reduzir a dose com intervalos fixos e
quantidade pré determinada, conforme
avaliação clínica e neurológica;
• Retornar à dose imediatamente anterior em
caso de piora do quadro clínico.
CUIDADOS COM O USO DE
CORTICÓIDES
• Controle do peso;
• Verificar pressão arterial;
• Glicemia;
• Tratamento antiparasitário para
Strongiloydes stercoralis.
Recomendações Reação Tipo II
• Talidomida (100 a 400 mg/dia) - conforme avaliação
clínica;

• Está proibida a utilização de talidomida em mulheres


em idade fértil, devido aos seus efeitos teratogênicos
(má formação fetal), segundo Portaria/MS nº 344 de
12 de maio de 1998. Neste caso, deve-se utilizar
prednisona ou pentoxifilina.
TRATAMENTO REAÇÃO DO TIPO II
Eritema Nodoso Hansênico

ENH Leve

Tratamento ambulatorial com anti-inflamatório não hormonal

ENH Moderado

Tratamento ambulatorial com Talidomida 100 a 200 mg/dia

ENH Grave
Tratamento hospitalar na fase aguda com uso de Talidomida
200 a 400 mg/dia
ATENÇÃO - Quando associado a Neurites e/ou Irite e/ou Orquite e/ou Mão e
Pé Reacional ou em mulheres que possam engravidar  Corticosteróide
(Prednisona - 1 a 2 mg/kg/dia )
ENH - Indicação de uso de Prednisona
EQUIVALENTES REACIONAIS
• Neurite associada ao ENH
• Comprometimento osteo-articulo-muscular
nas Mãos e Pés ( Mão e Pé Reacional)
• Iridociclite
• Orquiepididimite
• Nefrite
• Vasculite
• Eritema Nodoso Necrotizante
REAÇÃO TIPO 1 E 2 - SIMULTÂNEAS

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RR - PÉS E MÃOS REACIONAIS

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SEQUELA DE MÃO REACIONAL

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ERITEMA NODOSO HANSÊNICO - TIPO 2

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ERITEMA NODOSO HANSÊNICO - TIPO 2
ORQUITE HANSÊNICA

7,5cm

Imagens do Acervo Pessoal Dr. J. Cabral -MT


Paciente em uso de
Corticosteroide - Prednisona
Exames Laboratoriais de Rotina:
• Hemograma
• Glicemia
• Colesterol / Triglicerídeos
• Parasitológico de Fezes
Controle de Pressão Arterial e de Peso
Uso de Prednisona
ATENÇÃO às situações que predispõem a complicações

• Sintomáticos respiratórios – BAAR / RX de Toráx


• Estrongiloidíase – Tiabendazol, Albendazol, Ivermectina
• Diabetes Mellitus ( histórico familiar)
• Úlcera péptica, gastrite ou esofagite
• Distúrbios psiquiátricos
• Avaliação Oftalmológica – Catarata / Glaucoma
• Avaliação cardíaca – pacientes hipertensos ou
doença cardiovascular
• Avaliação Óssea – Osteoporose – pacientes pós-
menopausa
Medidas para minimizar os
para-efeitos metabólicos

• Controle de ingestão calórica - prevenir peso


• Restringir a ingestão de sal para minimizar a
hipertensão e perda de potássio
• Alimentos ricos em potássio
• Uso de anti-ácidos
• Para minimizar a osteoporose – Terapia com
estrógeno na mulher em menopausa? suplemento de
Vitamina D e Cálcio
• Para minimizar o retardo do crescimento em crianças
• Incentivar atividade física / avaliação endócrina
Paciente em uso de Talidomida

Situação : Reação Tipo 2 – Eritema Nodoso

Atenção aos para-efeitos:

•Teratogenicidade
•Neuropatia
•Excepcionalmente – em Mulheres em idade Fértil – uso
de Métodos anticonceptivos (Combinado? )
RECIDIVA X RE-INFECÇÃO
Diagnóstico Diferencial entre Reação e
Recidiva
Reação Reversa Recidiva
Intervalo de Tempo Durante o tto Depois de 1 ano
Aparecimento Súbito/inesperado Lento/insidioso
Distúrbios Sistêmicos Febre e mal estar S/ sint. gerais
Lesões Antigas Eritematosas e Algumas podem
brilhantes apres.bordas eritem.

Lesões Novas Várias lesões novas Poucas lesões novas

Ulceração presente raramente


Regressão descamação Sem descamação
Comp. Nervoso vários único
Resposta Corticóides excelente Não pronunciada
Sequelas e reabilitação

DIGNIDADE AO
PORTADOR DE
HANSENÍASE

Oftalmologia Psicólogo

Fisioterapia
Dentistas
Terapeuta
Ocupacional
Sapataria

Enfermeiros Cirurgiões
especializados
Médicos com acesso a
exames complementares
adequados
“Posso caminhar só, seguir alguém ou unir-me na
mesma direção dos outros, mas uma ou outra vez me
questiono se estarei caminhando no sentido contrario ao
lugar ao qual quero chegar”

- filosofia maia
IMITAÇÃO DA VIDA
Não se trata de enxugar uma lágrima: é demasiado simples;
Nem de sentir compaixão por uns instantes: é demasiado fácil.
Trata-se de tomar consciência e não aceitar mais. Não mais se
contentar de girar em volta de nós mesmos, e dos nossos, à espera
da nossa pequena porção no paraíso.
Recusar-se a continuar uma sestazinha cômoda, enquanto à nossa
volta há gestos de desespero, não aceitar mais esta forma de
existência que é uma perpétua renúncia do homem...
Não aceitar mais um cristianismo negativo, que os pequenos
burgueses da eternidade asfixiaram num labirinto da eternidade de
fórmulas e interdições.
Não aceitar mais ser feliz sozinho. Diante da miséria, da injustiça, da
covardia, nunca renunciais, nunca calais, nunca renunciais, lutai,
combatei!
Raoul Follereou
Pela atenção, obrigado!