Você está na página 1de 3

1.

Crie constância de propósito no sentido de melhoria de produtos e


serviços, com a finalidade de tornar-se competitivo, permanecer no negócio
e oferecer empregos.
Além de focar o cliente, ressalta a persistência indispensável para
promover a mudança porque, ao longo do processo, as tentações que
convidarão a transgredir com a qualidade se apresentarão com muita
freqüência, nas urgências do curto prazo, nas rotinas do dia a dia. A
constância de propósito faz lembrar que não queremos ter empresa
somente hoje, mas que ela cumpra sua função econômico-social também
no futuro. Esta persistência é no sentido de avançar sem trégua e ao
mesmo tempo ir dinamitado as pontes, num caminho sem retorno.
2. Adote a nova filosofia. Estamos numa nova era econômica. A
administração ocidental deve despertar para o desafio, deve aprender suas
responsabilidades e assumir liderança na mudança.
A nova filosofia presume a qualidade focada ao cliente como pano de
fundo. A alta administração japonesa assumiu a liderança e isto significa
que o vetor mais importante da cultura organizacional apontou para novos
rumos, estudou o assunto, conduziu os liderados de forma a amenizar as
resistências comuns a tudo aquilo que é novo, desconhecido, assumindo
uma posição muito mais de líderes de pessoas do que como chefe de
coisas.
3. Acabe com a dependência da inspeção para atingir a qualidade. Elimine
a necessidade de inspeção tendo como base inspeção constante para
estabelecer a qualidade no produto em primeiro lugar.
Abandonar a postura corretiva assumindo a preventiva, o que deve ser
controlado é o processo e não o produto, muito menos as pessoas. Não
existe nenhum mérito em ampliar o quadro de médicos legistas.
Precisamos de sanitaristas.
4. Acabe com a prática de negociar tendo como base a etiqueta de preço.
Em vez disso, minimize o custo total. Mude para um único fornecedor para
um certo item, numa relação de lealdade e confiança no longo prazo.
Parceria no mais alto grau com relacionamento de alta maturidade. O
custo total aqui significa adicionar ao preço de compra todos os problemas
de incorfomidades, atrasos, retrabalhos que o item ‘baratinho’ acaba
provocando, sem falar outros números invisíveis que jamais serão
conhecidos. Quanto custa um cliente insatisfeito?
5. Melhore constantemente e definitivamente o sistema de produção e
serviço, para melhorar a qualidade e a produtividade e, dessa forma,
diminua constantemente os custos.
A qualidade é um alvo móvel. As necessidades dos clientes mudam e a
melhoria contínua baseada nas pessoas constitui ativo de conhecimento
acumulado que faz corresponder as renovadas expectativas destes
clientes. Aqui os medidores desempenham um papel fundamental.
Recursos gráficos constituem gerenciamento visual, democratiza a
informação que antigamente era prerrogativa só de chefes, afinal,
informação sempre foi sinônimo de poder.
6. Institua o treinamento ao trabalho.
Treinar, conscientizar, educar. Existem empresas no Japão que chegam a
ministrar 120, até 140 horas de treinamento por homem por ano, em cima
de uma mão-de-obra que já é uma das mais qualificadas do mundo. A
revolução é feita com pessoas contanto que essas pessoas mudem
comportamento, assumam novas posturas e para isso as informações,
orientações não podem ser poupadas. Treinamento é aporte de
conhecimento, é um daqueles ativos invisíveis que nem todos conseguem
perceber.
7. Institua liderança (veja ponto 12). A meta da liderança deve ser ajudar as
pessoas, máquinas e equipamentos a realizarem um trabalho melhor. A
liderança na administração está precisando de revisão bem como a
liderança dos trabalhadores da produção.
Constitui um dos maiores desafios, uma vez que o passado nos legou uma
gestão que se caracterizava por poucas cabeças mudando e muitos
corpos fazendo. A liderança provoca sinergia, um todo muito maior que a
soma das partes. Suaviza a mudança porque trabalha com entusiasmo,
com a auto-estima das pessoas, provém direção, sentido, e acaba fazendo
a transformação tão desejada.
8. Afaste o medo, de forma que todos possam trabalhar efetivamente para
a empresa.
Sem liderança, o passado foi marcado pela autoridade presente, num país
de desemprego, visão de curto prazo, autoritarismo, oscilações de mercado
e outros inconvenientes, a relação com funcionários também acaba sendo
de curto prazo, baixa maturidade, com a predominância do medo. Com
medo as pessoas não arriscam, não ousam, não experimentam, é mais
seguro não fazer nada.
9. Derrube as barreiras entre os departamentos. O pessoal da área de
pesquisa, projetos, vendas e produção deve trabalhar como uma equipe,
para prever problemas de produção e na aplicação que pode ser prevista
para o produto ou serviço.
O sucesso será fruto da obtenção de um ótimo global e jamais de um
ótimo local. Afinal, a qualidade pretendida é a qualidade total. Sinergia,
empatia, parceria, ficam em evidência. O sentido e direção, já mencionados,
permitem que a organização funcione de forma sistêmica, caso contrário,
cada um dar o melhor de si pode significar uma resultante nula ou
negativa. Abaixo ao: nós x eles x aqueles. Todos fazem parte de um único
barco.
10. Elimine os slogans, exortações e alvos para a força de trabalho pedindo-
lhes zero defeitos e novos níveis de produtividade.
É comum criar as frases e esperar os milagres, como se problemas
estruturais se resolvessem por si só. É uma forma mascarada da
administração passar o bastão aos funcionários, esquecendo que 85% da
resolução dos problemas diz respeito a prerrogativas do sistema que a
própria administração determina e sustenta.
11. Elimine os padrões de trabalho (quota) no recinto da fabrica. Substitua a
liderança. Elimine a administração por objetivos. Elimine a administração
por números e metas numéricas. Substitua a liderança.
As quotas são os medidores vigentes e eles ditam o comportamento das
pessoas. A qualidade fica prejudicada quando o supervisor é obrigado a
tirar a quota no final do mês para atender de forma inquestionável o
faturamento. Quando o gráfico do faturamento parece gráfico de
eletrocardiograma, significa que a saúde da empresa preocupa, o curto
prazo predomina e as ações de hoje estão minado o futuro. Trata-se de um
sintoma que inspira cuidados. Os picos e vales demonstrados pelo gráfico
caracterizam uma situação de descontrole do processo.
12. Renova as barreiras que roubam do trabalhador horista o direito de
orgulhar-se de seu trabalho. A responsabilidade dos supervisores deve
modificar-se de simples números para a qualidade.
Não faz sentido pregar a qualidade total e proporcional qualidade parcial
aos colaboradores, deixando de fornecer ferramentas adequadas,
segurança, qualidade de vida, afinal. A proposta convida os supervisores a
agirem como facilitadores provendo os meios, orientando, adotando a nova
filosofia.
13. Institua um vigoroso programa de educação e de auto-aperfeiçoamento.
Não só treinamento para o trabalho, mas educação para a vida, apostando
no aporte do conhecimento que vai fazer brotar do fundo da alma as ações
que legitimarão as mudanças. Acabará ocorrendo de dentro para fora, fruto
da compreensão e engajamento de cada um.
14. Ponha todos da empresa a trabalharem pela transformação. A
transformação é tarefa de todos.
É condição para se obter o ótimo global, melhorando a organização de
forma sistêmica. Novamente o papel da alta administração é fundamental,
pois as novas ações precisam ser legitimadas a cada dia com constância
de propósito, caso contrário, o rio volta ao seu antigo leito e a qualidade
total não avança.

Você também pode gostar