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Estudo de

Vida Útil Econômica e Taxa de


Depreciação

VOLUME 2 / 2

Escola Federal de Engenharia de Itajubá

CERNE - Centro de Estudos em Recursos Naturais e Energia

Novembro 2000
Reator Nuclear

RESUMO o núcleo do reator. O núcleo do reator é o centro


O Reator Nuclear é o equipamento responsável da geração nuclear de calor e ele é composto de
pela geração da potência térmica numa usina Elementos Combustíveis os quais, podem conter:
nuclear. A partir de 1942, quando o primeiro barras de controle, elementos absorvedores como
Reator Nuclear foi criticalizado (com a reação veneno queimável, fontes neutrônicas, restritores
nuclear auto-sustentada e controlada), uma de fluxo e componentes da instrumentação
variedade de reatores têm sido projetados e nuclear interna. Os Reatores Nucleares
colocados em operação para diferentes produzidos nas últimas décadas possuem em
propósitos, como: conversão de U238 em Pu239, média as potências térmicas de 1900, 2750 e
produção de vapor, irradiação médica, pesquisas, 3800 MWt correspondentes a plantas de 2, 3 e 4
entre outros. Os principais reatores usados na circuitos de refrigeração. Esta descrição é típica
produção de vapor são: Reator Refrigerado a Gás para Reatores PWR com licença da
(Gas Cooled Reactor), Reator Inglês – Magnox Westinghouse, como os das usinas brasileiras,
(Magnox Reactor), Reator Avançado Refrigerado podendo ter pequenas variações em função da
a Gás (Advanced Gas Cooled Reactor), Reator a potência térmica de cada um. Nela estão
Alta Temperatura (High Temperature Reactor), colocadas as funções dos principais componentes
Reator Moderado a Água (Water Moderated do Reator Nuclear e suas descrições. Da
Reactor), Reator de Água Pressurizada (PWR – manutenção é feito uma descrição considerando
Pressurized Water Reactor), Reator de Água em os principais programas de manutenção para este
Ebulição (BWR – Boling Water Reactor), Reator equipamento e uma análise sobre a vida útil do
Canadense – CANDU (CANDU Reactor), Reator equipamento como um todo. O fabricante utiliza o
de Água Pesada (Steam Generating Heavy Water valor de 40 anos para a vida útil do Reator
Reactor) e Reator Rápido (Fast Reactor). O Brasil Nuclear. Entretanto, o programa nuclear mundial
no seu programa nuclear optou pelo Reator de ocorreu na décadas de 70 e 80. Assim sendo, não
Água Pressurizada - PWR, usando como existe experiência suficiente para este valor de
combustível o Urânio enriquecido e como vida útil estipulado pelo fabricante.
refrigerante e moderador a água leve. O Reator de
Água Pressurizada, daqui para a frente chamado I. FUNÇÕES DO SISTEMA
de Reator Nuclear é o conjunto formado pelo vaso O núcleo do reator tem a função de gerar energia
do reator, os internos superiores e inferiores, os térmica, a partir do processo de fissão, sendo esta
mecanismos de acionamento das barras de energia absorvida pelo refrigerante do reator, que
controle, a instrumentação interna, o moderador e

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a conduz aos geradores de vapor, onde é O Vaso possui uma tampa aparafusada que
transferida para o circuito secundário. permite a troca de Elementos Combustíveis, a
remoção e a remontagem dos Internos do Núcleo.
O controle da potência do Reator, a compensação Na tampa estão as penetrações para os
dos efeitos de reatividade e o desligamento rápido Mecanismos de Acionamento das Barras de
do Reator são feitos através da variação da Controle e para a Instrumentação Nuclear Interna.
concentração de boro no sistema de refrigeração
do reator ou através da inserção/retirada de As Estruturas Internas têm as funções de suportar
barras de controle, obedecendo os critérios a o peso dos Elementos Combustíveis e mantê-los
seguir. na posição correta; guiar as Barras de Controle
• variações lentas de potência: pela variação para garantir movimentações suaves;
da concentração de boro e pela proporcionar uma distribuição uniforme de
inserção/retirada de barras de controle; refrigerante entre as varetas dos Elementos
• variações rápidas de potência: somente Combustíveis e atuar como blindagem para o
pela movimentação de barras de controle; Vaso de Pressão.
• desligamento rápido do reator: somente
pela inserção das barras de controle. II.2. ELEMENTOS COMBUSTÍVEIS

Os Elementos Combustíveis são formados pela

Assim, a função das barras de controle, é combinação de 236 varetas combustíveis e 20

controlar de forma direta as reações em cadeia, tubos guias para as varetas das barras de

mediante a absorção de nêutrons térmicos e controle, dispostos todos em uma matriz 16x16.

epitérmicos, originando mudanças rápidas de


reatividade, quando se movem no interior do O Núcleo de um Reator PWR de 1300 MWe,

núcleo do reator. como Angra 2, contém 193 Elementos


Combustíveis (Angra 1 contém 121), arranjados

II. DESCRIÇÃO DO SISTEMA da forma mais adequada para um vaso de


pressão cilíndrico.

II.1. VASO DE PRESSÃO E SEUS INTERNOS

O Vaso de Pressão tem a função de conter a fonte Cada Elemento Combustível pode conter um

geradora de calor nuclear, as estruturas internas e conjunto de controle, um conjunto absorvedor,

conduzir adequadamente o fluxo de refrigerante. uma fonte de nêutrons ou um restritor de fluxo, de


acordo com sua posição no núcleo.

É fabricado em aço especial de alta resistência,


pois, tem que suportar elevadas pressões e A estrutura do Elemento Combustível (esqueleto),

temperaturas e o bombardeio contínuo de além de manter as varetas de combustível em

nêutrons e outras radiações. suas respectivas posições e garantir o correto


alinhamento das Barras de Controle, possibilita

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um manejo seguro do Elemento Combustível Todo o conjunto é de aço inoxidável, sendo que
dentro e fora da usina. as varetas de combustível são de uma liga
especial, denominada zircaloy.
O esqueleto do elemento combustível consta de 9
grades espaçadoras, 20 tubos guia para as barras II.3. MATERIAIS DE CONTROLE

de controle e dois bocais terminais, um superior e O Controle da potência do Reator, a


outro inferior. compensação dos efeitos de reatividade e o
desligamento rápido do Reator são feitos através
Os tubos guias se unem às grades espaçadoras da variação da concentração de boro no Sistema
através de pontos de solda. Para conexão destes de Refrigeração do Reator ou através da
tubos aos bocais superior e inferior existem inserção/retirada de Barras de Controle.
acoplamentos por roscas especiais.
A variação da concentração de boro é feita pelo
As varetas de combustível se fixam à grade Sistema de Controle Químico e Volumétrico.
espaçadora por meio de duas molas.
Um reator PWR de 1.300 MWe, possui 61
Os tubos guias tem a finalidade de orientar as conjuntos de controle enquanto que um reator de
barras de controle e freiá-las hidraulicamente 650 MWe possui cerca de 33.
durante a queda no núcleo.
Cada conjunto de controle, ou barra de controle,
O bocal superior e inferior do Elemento consiste de um elemento de sustentação (aranha)
Combustível consiste de um caixilho de quatro e 20 varetas de controle que estão presas ao
ferros angulares. No superior existem molas que elemento.
pressionam a placa superior do núcleo para evitar
sua flutuação e no bocal inferior existem pinos que O Elemento Combustível e a Barra de Controle
se alojam na placa inferior para manter o formam uma unidade. As varetas de controle
Elemento Combustível na posição desejada. estão inseridas nos tubos-guia do Elemento
Combustível. A Barra de Controle é guiada
A vareta de combustível consiste de um tubo de quando está fora do Elemento Combustível, por
zircaloy, no qual são introduzidas pastilhas um conjunto guia que está nos internos superiores
sinterizadas de UO 2. O tubo da vareta de do núcleo, garantindo assim seu alinhamento com
combustível é fechado hermeticamente em seus os Elementos Combustíveis.
dois extremos, por meio de tampões soldados. A
coluna de pastilhas de combustível é prensada Cada vareta de controle consiste de um
por mola. Isto evita dano às pastilhas durante o absorvedor de nêutrons encapsulado em um tubo
transporte do Elemento Combustível. de aço inox hermeticamente fechado nas
extremidades por tampões soldados. O material

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absorvedor consiste de uma liga de prata (80%), Radiação que penetram pela parte inferior do
índio (15%) e Cádmio (5%), na forma de vareta. Vaso do Reator e percorrem os Elementos
Utiliza-se esta liga porque absorve nêutrons Combustíveis. Este segundo sistema são
térmicos e epitérmicos em uma ampla faixa de detetores de radiação que ficam normalmente
energias e por ser um material altamente armazenados externamente ao Vaso do Reator e
resistente à corrosão. O tubo de revestimento, os somente na hora da medida é que o mesmo é
tampões e a aranha são feitos de aço inoxidável. direcionado para alguns Elementos Combustíveis
pré-selecionados. O sistema de instrumentação
O Movimento das Barras de Controle é produzido nuclear externo tem os detetores arranjados
por mecanismos de acionamento que estão externamente ao vaso do reator e medem a
montados acima da tampa do Vaso de Pressão do potência nuclear através do fluxo de nêutrons que
Reator. Os mecanismos podem levantar ou foge do Vaso do Reator.
abaixar as Barras de Controle ao longo de toda a
altura do Núcleo e também mantê-las fixas em II.5. REFRIGERANTE, MODERADOR E REFLETOR

qualquer posição desejada. No caso de um Como já mencionado o refrigerante, o moderador


desligamento rápido do reator, as lingüetas de e o refletor de nêutrons, no reator das Usinas de
acionamento se desengatam e as Barras de Angra dos Reis é a água leve desmineralizada.
Controle caem por gravidade. O movimento é feito
através da energização e desenergização A água tem excelentes características de
seqüencial de três circuitos de bobinas que ficam refrigeração, devido a grande capacidade de
instaladas externamente a parede de pressão, absorver calor, com pouca elevação de
usando a indução magnética. temperatura.

II.4. INSTRUMENTAÇÃO NUCLEAR A água é um excelente moderador de nêutrons


Tanto a instrumentação nuclear interna ao vaso rápidos, porque tem em sua molécula dois átomos
do pressão do reator, quanto a externa têm a de hidrogênio (H2). O núcleo do H2 tem a mesma
função de proporcionar uma operação segura e massa do nêutron, portanto, um choque entre um
otimizada do reator. Para isto as variáveis nêutron e um núcleo de H2 transfere praticamente
operacionais são medidas, indicadas, registradas toda a energia cinética do nêutron incidente para o
e processadas em dispositivos apropriados, núcleo do H2. Como resultado desses choques, o
visando as ações dos sistemas de controle de nêutron passa apresentar a mesma energia
potência, limitação e proteção do Reator. térmica do meio, que é função da temperatura.

Internamente ao Vaso do Reator tem-se dois tipos A água é também um excelente refletor de
de instrumentação, sendo termopares que medem nêutrons, pois bloqueia o movimento deles em
a temperatura da água justamente quando ela direção à parte externa do Reator.
deixa os Elementos Combustíveis e Detetores de

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Além disso, a água não é absorvedora de colapsam logo a seguir no refrigerante, cedendo o
nêutrons, provoca pouca corrosão e outras calor no processo de condensação.
alterações químicas e sua atividade é constituída
de radiações α e β, que são facilmente blindadas. Para que não ocorra a formação de filme de vapor
II.6. MATERIAIS ESTRUTURAIS e ocorra a ebulição nucleada, a pressão, a
O vaso de pressão do reator, suas estruturas temperatura do refrigerante na entrada do reator e
internas e a estrutura dos Elementos o fluxo de refrigerante são parâmetros
Combustíveis são feitos de materiais que não importantes, determinados para que seja obtida a
sofrem alterações de suas propriedades, devido à margem de segurança exigida.
elevada radiação por nêutrons rápidos. Esses
materiais devem também suportar tensões II.8. SEGURANÇA DO REATOR

elevadas, sem sofrerem corrosão. Os riscos associados com a operação de um


reator nuclear estão relacionados com a liberação
Na estrutura dos Elementos Combustíveis e nos não controlada de radionuclídeos e não com a
internos do reator, o material não pode ser liberação descontrolada de energia. É fisicamente
absorvedor de nêutrons. impossível um reator a água leve explodir como
uma bomba atômica. Isto se aplica tanto à
Todas as superfícies ou partes dos componentes operação normal como nas condições de
que entram em contato com o refrigerante do acidente.
reator são feitas ou são revestidas de aço
austenítico resistente à corrosão. Na prática não existe segurança absoluta no
sentido de que a liberação de radionuclídeos
II.7. PROJETO TERMOHIDRÁULICO possa ser completamente evitada. Liberações
Reatores nucleares PWR têm o seu sistema de durante a operação são mantidas tão baixas
refrigeração baseado na necessidade de existir quanto razoavelmente exeqüíveis, bem inferiores
uma margem de segurança suficiente, que evite o aos limites de referência. No caso de acidentes,
aparecimento da ebulição pelicular na superfície liberações descontroladas podem ser muito
das varetas de combustível. Como o filme de grandes, mas as probabilidades de ocorrer são
vapor não remove com eficiência o calor, muito pequenas.
apareceriam altas temperaturas que provocariam
danos às varetas. A estratégia básica da segurança do reator é
impedir o sobreaquecimento do combustível, que
Por outro lado, a melhor transferência de calor se levaria a fusão ou desintegração do núcleo. Isto é
dá quando ocorre a ebulição nucleada, que é a obtido através do projeto e operação do Reator,
formação de pequenas bolhas de vapor na de modo que, a potência seja sempre controlada e
superfície das varetas e que se desprendem e se o núcleo bem resfriado.

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O objetivo da segurança do Reator é assegurar Combustíveis e controles de debris, permite
que a operação de uma usina nuclear não avaliar os prováveis Elementos Combustíveis com
contribua de modo significativo para riscos a falhas. Combustíveis estes que serão durante a
saúde da população e ao meio ambiente. Para recarga inspecionados cuidadosamente e se
isso são requeridos grandes esforços durante necessário testes de Eddy Current ou outros
todas as etapas do projeto, construção, operação, especiais serão programados para estes
inspeção e manutenção do reator. elementos.

III. MANUTENÇÃO PREDITIVA Acondicionado dentro do vaso do reator existem


Toda planta nuclear por exigência das corpos de provas, amostras de material do vaso,
Especificações Técnicas do Relatório Final de que são retirados em intervalos preestabelecidos
Análise de Segurança - RFAS, possui um para que seja feito uma análise dos esforços
Programa de Testes Periódicos em Serviço. Este sofridos pelo fluxo de nêutrons.
programa prevê testes periódicos em todos os
sistemas e equipamentos relacionados com a IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA
segurança e a confiabilidade da planta. Manutenções corretivas no Vaso do Reator, a
menos dos Elementos combustíveis, não são
No caso específico do Reator Nuclear, há um esperadas de ocorrer. Por orientação do
programa de testes periódicos e inspeções que fabricante pode ocorrer de modificações serem
são feitas a cada recarga. A cada período de 10 feitas ou por desenvolvimento de novas
anos testes especiais e não destrutíveis são tecnologias e projetos ou devido a experiência
realizados para garantir a integridade do Vaso do mundial. Quando ocorre, são sempre por
Reator e seus internos. São realizados vários orientação do fabricante e normalmente são
tipos de testes como ECT nos bocais, executadas pelos mesmos.
penetrações, soldas internas, placas, barril e
outros. Quanto aos Elementos Combustíveis, a
experiência mundial mostra que as manutenções
Durante toda recarga todos os Elementos corretivas são as já esperadas, ocasionadas em
Combustíveis são inspecionados visualmente e decorrência de falhas durante o manuseio e
passam por um teste de Sipping Can, que detecta “debris” durante as recargas. A experiência
se há algum vazamento no Elemento mundial com relação ao uso de Elementos
Combustível. Combustíveis adaptados por outros fabricantes,
que não o original, é bastante ruim. O Brasil é
Um programa de monitoração da integridade dos bastante rico nesta experiência.
Elementos Combustíveis, baseado no uso de
códigos computacionais, análises dos parâmetros
químicos, cuidados no manuseio dos Elementos

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V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
A ductilidade do vaso do reator é a sua
capacidade de poder deformar-se sob carga antes
de atingir a ruptura. A variação da temperatura de
transição de frágil para dúctil chamada de NDTT
está correlacionada com a exposição a nêutrons
rápidos sofridos pelo vaso. Para evitar tensões no
vaso de pressão a pressão do Sistema de
Refrigeração do Reator é limitada até que a
temperatura de vapor esteja suficientemente alta,
da mesma maneira que também é limitada a taxa
de aquecimento e resfriamento do Sistema de
Refrigeração do Reator. As especificações
técnicas da usina definem curvas operacionais
com áreas de atuação, que levam em
consideração exatamente estas relações de
temperatura e de pressão.

O fabricante informa que a vida útil do Vaso do


Reator é de 40 anos. Como as primeiras usinas
nucleares de potência são do final da década de
50 e considerando que o grande impulso do
programa nuclear mundial ocorreu nas década de
70 e 80, ainda não existe uma experiência nuclear
que possa comprovar estas afirmativas.

REFERÊNCIAS
CFOL - Curso de Formação de Operador
Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
– Eletronuclear SA

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Rede Local de Computadores

RESUMO pode-se estimar uma vida útil econômica de 5


A maioria das redes de computadores é de redes anos para uma rede local de computadores.
locais, ou seja, redes internas de edificações ou
de uma simples sala de computadores. Uma das I. INTRODUÇÃO
principais utilidades de uma rede local de A maioria das redes de computadores é de redes
computadores é o compartilhamento de recursos. locais, ou seja, redes internas de edificações ou
Por exemplo, uma rede local que conecta vários de uma simples sala de computadores. Uma das
computadores e uma única impressora permite principais utilidades de uma rede local de
que esses vários computadores tenham acesso à computadores é justamente o compartilhamento
impressão. O objetivo deste estudo é apresentar de recursos. Por exemplo, uma rede local que
os principais conceitos associados à tecnologia de conecta vários computadores e uma única
redes locais e estimar a vida útil econômica impressora permite que esses vários
dessas redes como resultado direto de suas computadores tenham acesso à impressão.
características construtivas e de operação, e
ainda, como resultado da obsolescência O objetivo deste estudo é apresentar os principais
tecnológica. As três topologias mais comumente conceitos associados a tecnologia de redes locais
utilizadas para redes locas são: topologia em e estimar a vida útil econômica dessas redes
estrela, topologia em anel e topologia em como resultado direto de suas características
barramento. Na composição dessas redes construtivas e de operação, e ainda, como
encontram-se os seguintes dispositivos: resultado da obsolescência tecnológica.
repetidores, pontes, roteadores, gateways,
transceivers, conversores de meio físico, hubs, II. CARACTERÍSTICAS
switches, etc. O gerenciamento da rede é um
ponto importante em termos de manutenção da II.1. HISTÓRICO

rede, pois possibilita o constante monitoramento Os primeiros sistemas de comunicação de


do sistema. Tal gerenciamento é feito através de computadores conectavam exatamente dois
softwares de aplicação usados pelos computadores e o canal de comunicação que os
administradores de rede. A questão da vida útil conectava estava disponível exclusivamente a
econômica de uma rede local de computadores esses dois computadores. Conhecido como rede
está muito mais atrelada ao fato da obsolescência ponto-a-ponto, esse esquema apresenta três
tecnológica que a fatores de desgaste ou falhas importantes propriedades:
de seus componentes. Considerando este fato

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• Cada conexão é instalada alternativa ao alto custo das redes ponto-a ponto.
independentemente, propiciando que Cada LAN consiste de um simples meio
hardwares apropriados para cada situação compartilhado, usualmente um cabo, ao qual
sejam utilizados. muitos computadores se conectam. Os
• Por terem acesso exclusivo, os computadores se revezam na utilização do meio
computadores conectados podem decidir para enviar pacotes de dados.
exatamente como enviar dados através da
conexão. II.2. TOPOLOGIA DE REDES LOCAIS

• Segurança e privacidade, já que apenas As três topologias mais comumente utilizadas

dois computadores têm acesso ao canal para redes locas são: topologia em estrela,

de comunicação. topologia em anel e topologia em barramento.

II.2.1. Topologia em Estrela


Evidentemente, esse tipo de conexão apresenta
desvantagens. A principal delas é quando mais de Uma rede apresenta a topologia em estrela se
todos os computadores estão conectados a um
dois computadores precisam se comunicar com
ponto central. A figura seguinte ilustra este
um outro. O número de conexões cresce
rapidamente, pois se deve estabelecer uma conceito:

comunicação ponto-a-ponto para cada par de


computadores. Assim, pode-se perceber que o
custo é bastante alto devido ao grande número de
conexões.

Figura 2: Topologia em estrela

Vê-se da figura que o centro da estrela é chamado


hub. Um hub típico consiste de um dispositivo
eletrônico que recebe dados de um computador e

Figura 1: Rede ponto-a-ponto entrega ao destino apropriado. Na prática,


raramente uma rede em estrela apresenta a

A história das redes de computadores mudou simetria apresentada pela figura. Geralmente, os

radicalmente no final da década de 60 e início da hubs ficam em uma localização separada dos

década de 70 com o desenvolvimento de uma computadores a ele conectados.

forma de comunicação de computadores


conhecida como Local Área Networks (LANs). Um exemplo de uma rede com topologia em

Essa forma de comunicação veio como uma estrela é a rede ATM (Asynchronous Transfer

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Mode). O elemento básico desta rede é uma
switch a qual vários computadores podem ser
conectados. A figura seguinte ilustra seis
computadores conectados a uma switch ATM:

Figura 4: Topologia em anel

Um exemplo de rede com topologia em anel é a


rede IBM Token Ring. Uma rede Token Ring
opera com um único meio compartilhado. Quando
um computador necessita transmitir dados, ele
Figura 3: Rede ATM
deve aguardar pela permissão para acessar a
rede. Uma vez obtida a permissão, a unidade
A figura mostra claramente porque a rede ATM é transmissora tem controle completo do anel e
classificada como uma topologia em estrela. Uma nenhuma outra transmissão ocorre
ou mais switches interconectadas formam um hub simultaneamente. Os dados transmitidos pelo
central ao qual todos os computadores se computador transmissor vão para o próximo
conectam. computador do anel, e depois para o computador
seguinte, e assim por diante até os dados darem
Ao contrário das topologias em anel ou em uma volta completa pelo anel e retornar a unidade
barramento, uma rede em estrela não propaga transmissora. A figura seguinte ilustra este
dados para qualquer outro computador, a não ser conceito:
o par envolvido na comunicação. O hub recebe o
dado diretamente do transmissor e envia
diretamente ao receptor.

II.2.2. Topologia em Anel

Uma rede que se utiliza de uma topologia em anel


conecta seus computadores em um circuito
fechado. Assim, um cabo conecta o primeiro
computador ao segundo, outro cabo conecta o Figura 5: Funcionamento de uma rede em anel
segundo computador a um terceiro, e assim por
diante, até que o último computador seja Para verificar se ocorreu erro na transmissão, o
conectado ao primeiro, fechando-se o loop. A transmissor compara os dados enviados
figura seguinte ilustra esse tipo de topologia:

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inicialmente com os dados recebidos após a volta Um exemplo de rede em barramento é a rede
completa pelo anel. Ethernet. Ethernet é um padrão que especifica
todos os detalhes da comunicação, incluindo o
A rede Token Ring coordena as unidades formato dos frames que os computadores enviam
conectadas de modo a garantir que a permissão através do meio físico, a tensão a ser usada, e a
seja passada a cada computador de uma vez. técnica de modulação do sinal, etc.
Essa coordenação usa uma mensagem reservada
chamada token. O token é um padrão que difere Como esse padrão utiliza uma topologia em
dos frames de dados normais. Resumindo, o barramento, ele requer que múltiplos
token dá ao computador a permissão para enviar computadores compartilhem o mesmo meio de
dados. Logo, antes de enviar um dado, o comunicação. A unidade transmissora envia um
computador deve esperar pela chegada do token. sinal que se propaga do transmissor em direção
Quando o token chega, o computador remove, as duas terminações do cabo. A figura seguinte
temporariamente, o token do anel e usa o anel ilustra como os dados fluem em uma rede
para transmitir o dado. Se uma unidade não tem Ethernet.
dados a transmitir, ela simplesmente passa o
token.

II.2.3. Topologia de Barramento

Essa topologia consiste basicamente de um cabo


longo ao qual os computadores são conectados.
Qualquer computador conectado ao barramento Figura 7: Rede Ethernet

pode enviar sinais e todos os computadores estão


aptos a receber este mesmo sinal. A figura Outro aspecto importante é o mecanismo utilizado
seguinte ilustra essa topologia: para se coordenar a transmissão. Como a
Ethernet não possui uma unidade controladora
que informa a cada computador quando usar o
barramento, ela faz uso de um esquema de
coordenação distribuída chamado Carrier Sense
Multiple Acces (CSMA). Este esquema monitora a
Figura 6: Topologia em barramento atividade elétrica do cabo para determinar o status
do barramento. Quando nenhum computador está
Evidentemente, esses computadores devem ser enviando um frame, não há sinal elétrico no
coordenados para se assegurar que apenas uma barramento. Durante a transmissão, a unidade
unidade estará transmitindo dados, evitando, transmissora envia sinais elétricos usados para
desta forma, o caos na comunicação. codificar bits. Assim, se não há sinal no
barramento, o computador pode transmitir seu

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frame. Se há sinal, o computador deve esperar II.3.2. Bridges

este envio de dados terminar para iniciar seu A bridge como o repetidor é um dispositivo
procedimento de transmissão. eletrônico que conecta dois segmentos de redes
locais. A diferença entre eles está no fato de que
II.3. ELEMENTOS DE REDE as pontes examinam os endereços de destino de
todos os frames e tomam decisão quanto a
II.3.1. Repetidores necessidade de transferir cada frame para os
Um repetidor é usualmente um dispositivo circuitos que integram as redes, através de uma
eletrônico que continuamente monitora o sinal lista de endereços associada a cada segmento de
elétrico em cada cabo. Quando o repetidor rede, criada dinamicamente. A figura seguinte
percebe o sinal em um cabo, ele transmite uma ilustra a interligação de dois segmentos de rede
cópia amplificada no outro cabo. A figura seguinte através de uma bridge:
ilustra um exemplo da aplicação de repetidores
com o propósito de conectar segmentos Ethernet
em três andares de um edifício. Cada andar tem
dois segmentos, e um segmento é colocado
verticalmente no edifício.
Figura 9: Aplicação das bridges

As pontes são totalmente transparentes para os


outros dispositivos de rede e, por isso diversas
redes locais interligadas por uma ponte formam
uma única rede lógica.

II.3.3. Routers

Os roteadores atuam na camada de rede e são


também chamados de gateways de rede ou
gateways de meio. Não examinam todo o frame
Figura 8: Aplicação de repetidores
existente na rede como acontece com as pontes.
Como são nós de rede, eles percebem apenas os
Os repetidores operam no nível dos cabos e sinais frames a eles endereçados. Abrem cada frame e
elétricos. Geram preâmbulo Ethernet, amplificam lêem as informações de endereço nível 3 e,
e ressincronizam os sinais. Assim, todo o tráfico extraindo as informações sobre a rede para a qual
em um segmento de rede é repassado para o devem ser endereçado, enviando-o para uma de
outro. Esses dispositivos conseguem também, suas interfaces de rede. Diferentemente dos
ligar redes com meios de transmissão diferentes, repetidores e pontes, os roteadores exigem
por exemplo, cabo coaxial com fibra óptica ou com conhecimento técnico para sua instalação e
par trançado.

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configuração. A figura seguinte ilustra a conexão II.3.7. Hubs

de duas redes físicas por um roteador: Hub é um equipamento genérico que possibilita
agregar repetidores de diversas tecnologias,
bridges e gerenciadores. Muitas vezes o nome
hub é atribuído indevidamente aos repetidores. Na
realidade, o hub é um equipamento mais versátil
do que o repetidor. É uma caixa onde na parte
traseira, interna, existe um ou mais barramentos.

Figura 10: Roteador conectando duas redes físicas


No hub, podemos inserir vários tipos de
dispositivos de rede como repetidores, bridges,

II.3.4. Gateways multitransceivers e especialmente cartões de

Os gateways, também chamados de conversores gerenciamento. No barramento traseiro,

de protocolo, são adequados para interligação de conhecido como “backplane”, pode-se configurar

redes distintas. Eles atuam traduzindo mensagens até seis redes distintas.

de uma rede em mensagens da outra rede, com a


mesma semântica de protocolo. A figura seguinte ilustra a conexão de três
computadores a um hub Ethernet.
II.3.5. Transceivers

Os transceptores têm a função de retirar da rede


os sinais endereçados ao dispositivo em que está
ligado. É alimentado eletricamente por este
mesmo dispositivo. A figura abaixo apresenta um
exemplo de um transceptor:

Figura 12: Hub Ethernet

II.3.8. Switches

O switch é um equipamento bastante parecido


com o hub. Contudo, a tecnologia switch agrega
avanços tecnológicos capazes de aumentar o
Figura 11: Transceptores troughput da rede. Ele consegue chavear com
velocidade, disponibilizando uma banda maior
II.3.6. Conversores de Meio Físico para quem envia ou recebe um pacote de dados.
São dispositivos de muita utilidade, pois permitem Além desse fato, é possível definir níveis de
adaptar as interfaces para outro padrão de prioridade nas portas. Uma boa aplicação é definir
cabeamento. prioridade nos servidores de bancos de dados. A

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figura seguinte ilustra uma switch ATM com seis monitorar e controlar sistemas de hardware e
computadores conectados: software que compõem uma rede. Para esta
finalidade, ele estará executando duas ações
principais:
• detecção e correção de problemas que
tornam a comunicação ineficiente ou
impossível;
• Eliminação das condições que produzirão
problemas que por ventura já ocorreram.

A administração da rede não é uma tarefa


simples, pois a rede contém componentes de
Figura 13: Computadores conectados a uma switch
hardware e software produzidos por diversos
fabricantes e, além disso, algumas falhas são
II.3.9. Modems
difíceis de se corrigir.
Dispositivos para converter sinais seriais digitais
em sinais analógicos a serem transmitidos na rede
Pode-se classificar os tipos de falhas em falhas
pública e vice-versa. Existem vários tipos de
graves e falhas parciais ou intermitentes. Um
modems e eles atendem aos mais diversos
exemplo de falha grave é o rompimento de um
padrões e aplicações. A figura seguinte ilustra a
cabo coaxial numa rede Ethernet. Esta falha afeta
conexão de duas redes locais remotas:
a todos, sendo logo identificada e corrigida. Já um
exemplo de falha parcial é o caso de um
dispositivo de interface de rede que corrompe bits
aleatoriamente ou um roteador que mistura a rota
de alguns pacotes. Esse tipo de falha é difícil de
se solucionar.

Outro ponto importante é a presença de falhas


Figura 14: Conexão de duas redes locais remotas
ocultas. Essas falhas podem afetar a performance
da rede, pois o custo de uma retransmissão é o
III. GERENCIAMENTO DA REDE
não envio de um novo pacote. Outro problema é
O gerenciamento de redes fornece mecanismos
que falhas de hardware tornam-se cada vez piores
para monitoração, controle e coordenação da
devido à deterioração do próprio hardware.
utilização de recursos em uma rede. O
gerenciamento de redes é feito através de
O administrador encontra os problemas de uma
softwares de aplicação usados pelos
rede e isola suas causas através dos softwares de
administradores de rede. Chama-se de
gerenciamento. Esses softwares permitem ao
administrador, a pessoa responsável por

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 374 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
administrador interrogar os dispositivos de rede,
determinar o status desses dispositivos, obter
estatística da rede, e controlar dispositivos.

IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A questão da vida útil econômica de uma rede
local de computadores está muito mais atrelada
ao fato da obsolescência tecnológica que a fatores
de desgaste ou falhas de seus componentes.
Considerando este fato pode-se estimar uma vida
útil econômica de 5 anos para uma rede local de
computadores.

REFERÊNCIAS
[1] Comer, Douglas, Computer Networks and
Internets. Prentice Hall, 2nd edition, 1999.

[2] Soares, Lemos e Colcher, Redes de


Computadores: das LANs, MANs e WANs às
redes ATM. Editora Campos, 6a edição, 1995.

[3] Centro de Computação (UNICAMP), Redes de


Dados. 1998.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 375 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Regulador de Tensão (Sistema de Distribuição)

RESUMO para sistemas de distribuição como sendo de 21


Os reguladores de tensão para sistemas anos.
distribuição destacam-se como um dos
equipamentos mais úteis para as concessionárias I. INTRODUÇÃO
de energia elétrica que objetivam manter uma boa O regulador de tensão para sistemas de
qualidade de fornecimento a seus consumidores distribuição é um equipamento destinado a manter
na forma de tensão, com razoável estabilidade. As um determinado nível de tensão em uma rede de
características construtivas e operativas de um distribuição urbana ou rural, quando submetido a
regulador de tensão para sistemas distribuição uma variação de tensão fora dos limites
são determinadas pelo projeto de um especificados. Na realidade, o regulador de
autotransformador com taps dotado de um tensão é um autotransformador dotado de um
comutador que seleciona os taps adequados para certo número de derivações no enrolamento série.
o controle da tensão de saída. Sensores
eletrônicos permitem que o comutador opere É um dos equipamentos mais úteis para as
automaticamente, mantendo a tensão de saída concessionárias de energia elétrica que objetivam
regulada de acordo com os ajustes da tensão de manter uma boa qualidade de fornecimento a
saída e da largura de faixa da tensão ajustada ou seus consumidores na forma de tensão, com
permitida. Os tipos básicos apresentados são os razoável estabilidade. Além disso, um aumento de
reguladores auto-booter usados principalmente 1% na tensão de um consumidor resulta em um
em redes de distribuição rural, e os reguladores acréscimo de faturamento de cerca de 1,5%.
de 32 degraus que são instalados em pontos
estratégicos como saídas de alimentadores de A ANEEL determina que o nível de tensão fique
subestações ou determinados pontos da rede de entre –7,5% a 5% da tensão nominal do sistema
distribuição. O programa de manutenção adotado para o consumidor final.
irá variar de acordo com a aplicação e o grau de
importância do equipamento para a rede de II. TIPOS DE EQUIPAMENTO
distribuição, visando o melhor custo/benefício, o A figura 1 mostra o esquema básico de um
que acaba influindo consideravelmente na regulador de tensão – na verdade um projeto de
durabilidade dos equipamentos. Levando-se em um autotransformador.
consideração esses aspectos, pode-se estimar a
vida útil econômica dos reguladores de tensão De acordo com a configuração usada, pode-se ter
um autotransformador que reduza ou aumente a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 376 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
tensão de entrada, sendo os enrolamentos ligados A aplicação do regulador auto-booster para elevar
com polaridade subtrativa ou aditiva, a tensão se faz sentir em alimentadores longos,
respectivamente. de maneira a compensar a queda de tensão
I1 devido à carga, ou mesmo recuperar a tensão do
alimentador por deficiência da própria tensão de
I2 fornecimento da subestação. Isto pode ocorrer em
Ve
cargas rurais de pouca importância, alimentadas
I3
Carga Vs
por subestação em fim de linha do sistema de
transmissão.

Figura 1 – Esquema básico de um Autotransformador Construtivamente, o regulador auto-booster


apresenta as seguintes partes:
Existem dois tipos de equipamentos destinados à • Tanque de aço cheio de óleo mineral que
correção da tensão nas redes de distribuição: contêm a parte ativa do equipamento;
• Regulador de tensão auto-booster; • Núcleo e enrolamento que constituem a
• Regulador de tensão de 32 degraus. parte ativa;
• Trocador de posição;
III. REGULADOR DE TENSÃO AUTO- • Tampa de aço, na qual estão fixadas as
BOOSTER buchas de porcelana;
São reguladores fabricados em unidades • Pára-raio derivação;
monofásicas muito utilizados em redes de • Pára-raio série.
distribuição rural (RDR), bem como zonas de
baixa densidade. O trocador de posições é um mecanismo dotado
das seguintes partes:
O regulador auto-booster é um equipamento que • Motor de carregamento da mola que
interfere no nível de tensão num só sentido, isto é, propicia a troca automática de posição dos
ou se regula para aumentar a tensão, ou se regula contatos estacionários;
para baixar a tensão. O auto-booster, no entanto, • Mola de impulso, responsável pelo
é muitas vezes utilizado como um equipamento movimento rápido do contato móvel;
auxiliar do regulador de tensão de 32 degraus em • Resistor de ponte, responsável pela
grande parte das aplicações. continuidade do circuito durante a troca de
posição dos contatos estacionários;
O circuito elétrico do regulador auto-booster é • Batente que serve para limitar o
composto basicamente de três bobinas: movimento do trocador de posição.
• Sériel;
• Paralela; O trocador de posições é movido através de um
• De controle. motor acionado por corrente alternada fornecida

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 377 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
por um transformador de potencial instalado III.1. TIPOS DE LIGAÇÃO

internamente ao equipamento. Sendo um equipamento monofásico, o regulador


auto-booster pode ser empregado nas seguintes
O regulador auto-booster pode subir ou descer o condições, dentre outras:
valor da tensão em quatro degraus, cada um • Uma unidade pode regular um alimentador
fazendo a tensão variar de 1,5% para trifásico a três fios;
equipamentos de 6% de regulação ou de 2,5% • Duas unidades podem regular um
para equipamentos com regulação de 10%. Sendo alimentador trifásico a três fios;
que não há ajuste na largura de faixa. • Três unidades podem regular um
alimentador trifásico a três fios,
O controle eletrônico é fabricado com configuração estrela ou triângulo se
componentes de estado sólido, e tem a função ligadas em triângulo.
básica de verificar o valor da tensão nos terminais
de saída do equipamento e comparar com a sua III.2. DIMENSIONAMENTO E AJUSTE

faixa de regulação, providenciando o acionamento O ajuste da tensão de saída é feito no seletor


do motor que comanda o trocador de posição. instalado na caixa do controle eletrônico, cujos
valores variam de 115V a 140V. Ainda na parte
A bobina de controle é a responsável pela frontal da unidade de controle se encontra a chave
informação, ao sensor eletrônico, do valor da seletora que ajusta o funcionamento do regulador
tensão de saída do regulador. auto-booster nas posições de auto (automático),
lower (reduzir a tensão) e raise (subir a tensão).
Os reguladores auto-booster possuem dois pára-
raios: É importante frisar que a tensão máxima não deve
• Um pára-raio série de 3kV do tipo a ser superior a 10% da tensão nominal do
resistor não linear, instalado entre os regulador auto-booster.
terminais de entrada e saída;
• E um pára-raio de derivação para proteger IV. REGULADOR DE TENSÃO DE 32
a bobina paralela. É instalado no tanque, DEGRAUS
conectando o terminal de fase de carga Ao contrário do regulador auto-booster, este
com o terra. regulador pode elevar ou reduzir o valor da tensão
dos seus terminais de entrada, garantindo uma
Os pára-raios têm a finalidade de proteger o tensão constante e predeterminada em seus
equipamento contra sobretensões produzidas por terminais de saída.
descargas atmosféricas ao longo da linha ou por
manobra. Este equipamento é formado basicamente por um
autotransformador dotado de várias derivações no
enrolamento série, uma chave reversora de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 378 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
polaridade que permite adicionar ou subtrair a O ponto de instalação deve ser escolhido de tal
tensão do enrolamento série e um controle de modo que a tensão em carga pesada não alcance
componentes estáticos que possibilita realizar os o limite inferior, e para carga leve não ultrapasse o
ajustes necessários à regulação da tensão no limite máximo, de acordo com os valores
nível pretendido. estabelecidos pela ANEEL.

Os reguladores de tensão de 32 degraus são Para uma queda de tensão muito elevada, pode-
particularmente utilizados em redes de distribuição se utilizar, juntamente aos reguladores de tensão
rural de grande comprimento, que alimentam em de 32 degraus, os reguladores auto-booster e
seu percurso comunidades urbanas, normalmente banco de capacitores em derivação. Deve-se
localizadas no seu início, e depois consumidores limitar o número de reguladores de tensão a ser
rurais. Podem ser instalados na saída do aplicado num determinado alimentador em função
alimentador da subestação ou em determinados da capacidade térmica dos condutores ou com
pontos da rede. Em vez de somente um base nas perdas ôhmicas decorrentes.
alimentador, os reguladores podem ser usados
para regular toda a barra da subestação.

Chave de Reversão L

S A B
N
1 1 2 3 4 5 6 7 8

TP
REATOR
Carga
Fonte

MUDANÇA de TAP CONTROLE

120V

SL
F

Figura 2 – Regulador de Tensão de 32 Degraus

O funcionamento básico de um regulador de 32 Na instalação de reguladores, são utilizadas


degraus é feito por um controle através de um chaves seccionadoras de by-pass destinadas a
sensor de tensão que comanda uma chave de isolar o regulador de tensão da rede elétrica para
reversão de modo a elevar ou reduzir a tensão de fins de manutenção e ajuste. Os reguladores de
saída. A tensão de entrada é levada a um tensão para instalação em poste de rede de
comutador de tap que pode variar do ponto neutro distribuição são, normalmente, equipamentos
N até a derivação 8 ao longo do enrolamento monofásicos, a três buchas, enquanto os
série. Ver figura 2. reguladores destinados à instalação em

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 379 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
subestações para regulação de barra são, em • Devem estar ajustados para corrigir as
geral, trifásicos. variações de tensão a partir do ponto de
É importante observar que os reguladores de sua instalação;
tensão têm uma impedância praticamente • Devem compensar a queda de tensão num
desprezível, deixando o equipamento vulnerável ponto distante e predeterminado do
às correntes de curto-circuito do sistema em que alimentador.
opera.
Os reguladores de tensão monofásicos são
IV.1. LIGAÇÃO DOS REGULADORES dotados das seguintes faixas de variação: ± 5%; ±
MONOFÁSICOS
6,25%; ±7,5%; ± 8,75% e ±10%.
O regulador monofásico é ligado conforme figura 3
abaixo:
Para a determinação da potência de um banco de
N
Carga reguladores monofásicos, pode-se seguir os
F
passos abaixo:
F C D
• Cálculo da faixa de regulação percentual;
Pára-Raios
• Cálculo da tensão de regulação;
L
S SL • Determinação da potência de regulação.

ATERRAMENTO
Os ajustes que podem ser realizados são:
Figura 3 – Esquema de Ligação de um Regulador
• Tensão de saída;
Monofásico
• Largura de faixa da tensão;
• Tempo de retardo de operação do
Nota-se a função das três buchas:
comutador.
• Bucha S: é aquela que recebe o condutor
ligado à fonte;
É importante observar que uma redução
• Bucha L: é aquela que alimenta a carga;
demasiada da largura de faixa eleva o número de
• Bucha SL: bucha de fonte-carga.
operações do regulador, influenciando
diretamente na vida útil do equipamento.
No caso de circuitos trifásicos, pode-se empregar
configurações com dois ou três reguladores de
Deve haver um compromisso entre a regulagem
tensão monofásicos.
do tempo de retardo para a operação do
comutador de derivação e o ajuste da largura de
IV.2. DETERMINAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS DE
faixa de sintonização. À medida que se reduz o
UM BANCO DE REGULADORES
tempo de retardo para uma determinada largura
Os reguladores de tensão de 32 graus devem
de faixa, maior é o número de operações do
exercer duas funções básicas no sistema em que
comutador, provocando, em conseqüência, um
estão ligados:
maior desgaste neste dispositivo, mas, em

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 380 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
contrapartida, reduz-se o tempo em que a tensão carregamento do alimentador, sem contar, é claro,
fica fora dos valores desejados. Porém, com a largura de faixa.
aumentando-se o tempo de retardo à medida que
se reduz a largura de faixa de ajuste, eleva-se o V. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
tempo em que a tensão fica fora dos valores Os reguladores de tensão para sistemas de
desejados, reduzindo, assim, o número de distribuição são equipamentos cuja manutenção,
operações do comutador de derivação. devido às suas próprias características de
instalação e operação, torna-se um tanto quanto
O tempo de retardo após a primeira operação do limitada. Particularmente para os reguladores
comutador é fixo. O ajuste do tempo de retardo auto-booster, que são equipamentos instalados
visa também a outras condições de operação, ou normalmente em localidades distantes cuja função
seja: não é tão vital para a rede de distribuição como
• Permitir respostas mais rápidas do um todo, a manutenção preventiva muitas vezes
regulador quando a natureza da carga nem justifica o custo. No caso dos reguladores de
assim o exigir; 32 degraus, o seu papel no sistema de
• Permitir a coordenação de dois ou mais distribuição é mais importante, uma vez que os
reguladores de tensão em série. Neste mesmos são instalados em pontos estratégicos
caso, o regulador mais próximo ao ponto como saídas de alimentadores de subestações ou
de regulação deve ser ajustado para um determinados pontos da rede de distribuição.
tempo maior.
A política de manutenção adotada irá depender,
IV.3. COMPENSADOR DE QUEDA DE TENSÃO basicamente, da importância do equipamento no
Em muitas aplicações é necessário manter um sistema. De uma forma geral, com o
determinado nível de tensão num ponto distante transformador no sistema, energizado, pode ser
da instalação do regulador de tensão.Para atender executada uma inspeção visual quanto a
a este requisito, é colocado junto ao regulador de estanqueidade, pintura e conexões. Mais
tensão um dispositivo ajustável que simula a especificamente pode-se coletar o óleo para
impedância do alimentador desde o ponto de análise cromatográfica e realizar uma inspeção
instalação do regulador até o ponto em que se mais rigorosa do estado das partes componentes
deseja manter constante o valor da tensão. Este do regulador para verificar a presença de defeitos,
dispositivo é conhecido como Compensador de como trincas em buchas, dentre outros. A
Queda de Tensão. manutenção no comutador, por exemplo, pode ser
justificada para reguladores instalados junto a
Quando não se utiliza o compensador de queda subestações.
de tensão, a tensão de saída do regulador é
constante para qualquer condição de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 381 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
VI. MANUTENÇÃO CORRETIVA
A manutenção corretiva será realizada sempre
com o equipamento desenergizado, salvo
situações específicas que não ofereçam riscos ao
técnico responsável e à operação do sistema.
Os concertos envolvem basicamente a troca de
componentes defeituosos, como buchas, alguns
ajustes, a purificação ou troca de óleo, dentre
outros.

VII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Os reguladores de tensão para sistemas de
distribuição são equipamentos que possuem
características de instalação e operação bem
peculiares. Enquanto os reguladores auto-booster
são instalados normalmente em locais de difícil
acesso que dificultam a realização de
manutenções preventivas, os reguladores de 32
degraus possuem uma operação mais complexa
que envolve ajustes como a largura de faixa de
tensão e o tempo de retardo de operação do
comutador, influenciando diretamente na vida útil
do equipamento.

A vida útil econômica dos reguladores de tensão


para sistemas de distribuição, considerando-se
tais fatores, pode ser estimada como sendo de 21
anos.

REFERÊNCIAS
[1] Filho, J.M. Manual de Equipamentos Elétricos.
Vol. 2, 2a edição. Livros Técnicos e Científicos
Editora.

[2] Catálogos e manuais de Fabricantes.

[3] Relatórios de Concessionárias.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 382 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Regulador de Tensão (Sistema de Transmissão)

RESUMO manutenção aplicada é extremamente rigorosa, o


A regulação de tensão constitui-se em um dos que contribui de certa forma para uma vida útil
problemas mais importantes e fundamentais para mais longa do equipamento. Considerando-se as
os sistemas de transmissão. Os controles da características construtivas e operativas bem
tensão juntamente com o controle angular como a aplicação de manutenções pode-se
determinam todos os fluxos de potência (ativa e estimar a vida útil econômica dos reguladores de
reativa) que são transmitidos por linhas de tensão para sistemas de transmissão como sendo
interligação do sistema. Em sistemas malhados, o de 25 anos.
problema torna-se ainda maior devido à própria
complexidade do sistema, pois um simples ajuste I. INTRODUÇÃO
afeta o sistema como um todo. Portanto, o Os reguladores de tensão são equipamentos que
regulador de tensão ao lado de outros possuem diversas partes componentes, sendo o
equipamentos do sistema, torna-se uma peça comutador sob carga também conhecido como
chave para o controle do despacho de energia, ou LTC (Load Tap Changer) a principal. Os
tecnicamente fluxo de potência. È um modernos comutadores sob carga começaram a
equipamento complexo que possui um comutador ser empregados a partir de 1925. Desde então, o
sob carga como sendo a principal parte desenvolvimento de redes de transmissão mais
componente. Existem vários tipos de circuitos e complexas tornou o seu uso ainda mais essencial
equipamento de comutação, sendo que na maioria para o controle da tensão de entrada de
das aplicações é utilizado o equipamento transformadores de potência, e em alguns casos o
comutador sob carga de 32 degraus com controle do ângulo de fase. O equipamento
regulação de ±10%. O controle angular é outro comutador sob carga é aplicado a
ponto importante. De acordo com as transformadores de potência para:
características do sistema, pode ser necessário o • Manter uma tensão secundária constante
uso de um transformador de regulação que com uma tensão primária variável;
ofereça em um mesmo equipamento o controle de • Controlar a tensão secundária com uma
tensão e ângulo de modo independente. Em tensão primária fixa;
casos onde somente o controle de tensão ou do • Controlar o fluxo de potência reativa entre
ângulo de fase é suficiente, utiliza-se um dois sistemas de geração, ou ajustar o
transformador de regulação com o tipo de controle fluxo de reativo entre ramos de circuitos
desejado. Por ser um equipamento vital para a malhados;
operação do sistema de transmissão, a política de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 383 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Controlar a divisão de potência entre operação em condições menos severas e mais
ramos de circuitos malhados através do específicas como os sistemas de distribuição.
deslocamento da posição do ângulo de
fase da tensão de saída dos III. CARACTERÍSTICAS
transformadores.
III.1. MECANISMO UT

Vários tipos de circuitos e equipamento de A figura 1 ilustra esquematicamente a operação


comutação são utilizados dependendo da tensão do mecanismo do tipo UT para comutadores sob
e potência e também se é necessário o controle carga.
de tensão e/ou do ângulo de fase. AUTOTRANSFORMADOR PREVENTIVO

T
CHAVES DE TRANSFERÊNCIA
Os comutadores são construídos para 8, 16 e 32 R S

degraus, sendo mais comumente usado os que


possuem maior número de degraus por 1 2 3 4 5 6 7 8 9

oferecerem um grau de regulação mais fino. A CHAVES SELETORAS

faixa usual de regulação é de ±10% da tensão Figura 1 – Comutador tipo UT com 17 posições
nominal de linha do sistema. Para a maioria das
aplicações, o equipamento comutador sob carga Os taps do enrolamento do transformador são
de 32 degraus com regulação de ±10% é o mais conectados para as chaves seletoras de 1 a 9. As
utilizado, podendo ser considerado um padrão. chaves seletoras são conectadas às chaves de
transferência de carga R, S e T. A seqüência de
II. TIPOS DE EQUIPAMENTO chaveamento é coordenada pelo mecanismo de
Existem basicamente dois tipos de comutadores comutação de modo que as chaves de
sob carga, com mecanismos de operação e transferência executem todas as operações de
funcionamento próprios: chaveamento, abrindo antes e fechando depois
• Mecanismo UT; das chaves seletoras. Desse modo, a formação de

• Mecanismo UNR; arcos voltaicos fica restrita às chaves R, S e T,

• Mecanismo URS. enquanto as chaves de 1 a 9 simplesmente


selecionam o tap apropriado do transformador

O tipo URS é aplicado para pequenos para o qual a carga será transferida.

transformadores de potência e grandes


transformadores de distribuição, sendo abordado Quando o comutador se encontra em posições

com maiores detalhes no artigo Regulador de ímpares, o autotransformador preventivo é curto-

Tensão – Distribuição. De uma forma geral, circuitado. Para todas as posições pares, o

apresentam características mecânicas e autotransformador preventivo conecta-se a dois

operativas mais simples e adequadas para a taps. Nesta posição, a reatância relativamente alta
do autotransformador preventivo para correntes

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 384 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
de circulação entre os taps adjacentes previne kW
danos ao enrolamento do transformador, A B
enquanto sua impedância relativamente baixa
para a corrente de carga permite a operação Figura 3 – Dois Sistemas Interligados
nesta posição para obter tensões intermediárias
entre os taps do transformador. A e B podem ambos ser unidades de geração, ou
um deles pode ser uma unidade de geração e o
III.2. MECANISMO UNR
outro uma carga. Caso A gere 10 GW em excesso
A figura 2 apresenta o diagrama de conexões e a além de sua própria carga, só pode haver um
seqüência de operações do comutador tipo UNR. resultado, os 10 GW devem ir pela linha até B. Um
CHAVES DE REVERSÃO
aumento na saída do gerador por A deve ser

A B C D
acompanhado por uma diminuição
T
correspondente na saída (aumento na entrada)
R S
por B se a freqüência do sistema tiver de ser
mantida.
1 2 3 4 5

Figura 2 – Comutador tipo UNR com 17 posições A transmissão de potência de A para B resulta em
uma diferença de magnitude entre as tensões
A operação das chaves seletora e de terminais e também em um deslocamento angular.
transferência é exatamente como descrito para o Uma tentativa de manter tensões terminais
comutador tipo UT. Mas o comutador tipo UNR satisfatórias em A e B resultarão freqüentemente
tem também uma chave de reversão que reverte na indesejável circulação de potência reativa entre
as conexões para a seção com taps do os sistemas. O fluxo de potência de A para B, ou
enrolamento de modo que a mesma faixa e o vice-versa, é determinado pelas tensões terminais
mesmo número de posições possam ser obtidos mantidas pelas excitações das máquinas em A e
com metade do número de taps, ou o dobro da B. Uma queda excessiva de tensão entre os
faixa pode ser obtido com o mesmo número de sistemas pode ser prontamente corrigida por um
taps. A chave de reversão é uma chave do tipo transformador com taps fixos ou por um
close-before-open que opera no instante em que comutador sob carga, introduzindo uma tensão
não há tensão entre os contatos. em fase para compensar a queda de tensão e
trazer a tensão terminal de B para um valor
IV. TRASNFORMADORES DE REGULAÇÃO desejado.
DE TENSÃO E CONTROLE DO ÂNGULO
DE FASE Na figura 4 é mostrado o esquema simplificado de

Considere dois sistemas A e B conectados por um um transformador de regulação para controle de

único circuito de transmissão, conforme figura 3. tensão, usando um autotransformador de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 385 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
excitação com comutador automático indicado a
pelas setas. a´
TRANSFORMADOR
SÉRIE
a a´
b

b b´

c c´ c

Figura 5 – Transformador de Regulação para Controle


do Ângulo de Fase

Em geral a distribuição do fluxo de potência real


TRANSFORMADOR
DE EXCITAÇÃO em várias interligações encontradas em sistemas
Figura 4 – Transformador de Regulação para Controle malhados pode ser controlada por reguladores
de Tensão que controlam o ângulo de fase. O fluxo de
potência reativa pode ser controlado por
Para sistemas malhados, a distribuição de reguladores que controlam a tensão. As
potência, tanto ativa como reativa entre as várias afirmações anteriores procedem pelo fato de que
linhas é determinada exclusivamente pelas as impedâncias dos circuitos de transmissão são
impedâncias relativas das linhas de interligação. predominantemente reativas. O regulador de
tensão introduz uma tensão série em fase no
Para controlar a circulação de potência ativa e sistema ocasionando a circulação de uma
prevenir a sobrecarga de certas linhas torna-se corrente de quadratura (reativa) devido às
necessário freqüentemente introduzir uma tensão impedâncias reativas. O regulador de controle do
em quadratura, em qualquer lugar do sistema, ângulo de fase introduz uma tensão série em
através do uso de um transformador de regulação quadratura no sistema resultando no fluxo de
para controle do ângulo de fase. Isto difere da correntes que atrasam a tensão aplicada em cerca
tradicional transformação de potência Y-∆ uma de 90 graus, ou a circulação de correntes (ativa)
vez que o deslocamento angular de corrente e em fase.
tensão não é fixo mas depende da posição do tap.
No caso da correção de tensão para quedas na
O diagrama esquemático de um transformador de linha, um simples equipamento de controle de
regulação para controle do ângulo de fase é tensão pode ser usado. Este equipamento
apresentado na figura 5. simplesmente soma ou subtrai uma tensão em
fase com a tensão do sistema. No caso do
controle do ângulo de fase, o equipamento pode

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 386 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
ser idêntico exceto pelo fato de que a tensão A tensão a ser somada ou o deslocamento
somada ou subtraída está em quadratura. angular que deve ser obtido pode ser determinada
através de cálculos, considerando as impedâncias
Conforme a discussão anterior mostrou, existem das linhas interligadas e as condições das cargas
casos onde o controle de tensão e do ângulo de do sistema. Neste caso são usados programas
fase são exigidos. A figura 6 mostra uma das específicos de rede que oferecem uma ferramenta
possíveis configurações que pode ser usada para rápida e precisa para a obtenção de soluções.
o controle de tensão e do ângulo de fase.

a
TRANSFORMADOR
SÉRIE
a´ V. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
A manutenção preventiva é dividida por
b b´
periodicidade de execução, sendo que em cada
c c´
periodicidade executa-se determinado tipo de
atividade, e sempre se executa a manutenção
anterior junto com a atual, ou seja, junto a uma
manutenção anual executa-se também uma
semestral, por exemplo.
TRANSFORMADOR
DE EXCITAÇÃO

Figura 6 – Transformador de Regulação para Controle Os itens aqui inspecionados ou os ensaios aqui
Independente da Tensão e do Ângulo mencionados podem variar de empresa para
empresa, ou de acordo com o tipo de
Em situações onde a tensão e o ângulo de fase transformador, ou ainda, de acordo com a
estão intimamente relacionados, um único importância do transformador para o sistema ou a
mecanismo pode ser suficiente. Contudo, quando criticidade quanto ao desligamento.
um controle completamente independente é
desejado, dois mecanismos com dois As inspeções são divididas por periodicidade,
enrolamentos de regulação e um enrolamento conforme a seguir.
série, ou com um enrolamento de regulação e dois
enrolamentos série são necessários. V.1. SEMESTRAL

Neste tipo de inspeção, com o transformador no

Para sistemas malhados, o controle dos fluxos de sistema, energizado, realiza-se inspeções visuais

potência ativa e reativa nas várias linhas do quanto a estanqueidade, pintura, conexões,

sistema pode ser obtido de forma mais econômica estado da sílica-gel e coleta de óleo para análise

com a colocação do equipamento de controle no cromatográfica.

ponto onde a carga a ser transferida é a menor.


V.2. ANUAL
No caso da interligação de sistemas de diferentes
concessionárias, a localização será determinada Neste tipo de manutenção, se repete a anterior e

pelos limites entre os sistemas. adicionalmente se inspeciona o transformador

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 387 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
com mais detalhes, estando o transformador • Estado das conexões terminais das
energizado, quanto a: buchas dos barramentos e das muflas;
• Estanqueidade das partes integrantes do • Estado das conexões de aterramento do
circuito de óleo; tanque, da bucha X0 e da chaparia de
• Estado de conservação e integridade do proteção do barramento, e demais
indicador de nível de óleo e dos inspeções de acordo com o tipo de
termômetros de óleo e enrolamentos; transformador.
• Integridade da conexão de aterramento do
tanque e fixação dos moto-ventiladores; Como principal diferencial, além de podermos
• Presença de ruídos estranhos oriundos do inspecionar os dispositivos e acessórios pelo fato
transformador (verificar com e sem o do transformador estar desernegizado, é que
sistema de resfriamento forçado nesta manutenção são feitos os testes
operando); operacionais dos dispositivos primários, circuito de
• Coleta de óleo isolante, para análise físico- refrigeração e sistema anti-incêndio.
química.
V.4. QUADRIENAL

V.3. BIENAL Neste tipo de manutenção, além de se repetir a


Neste tipo de manutenção, além de se repetir a anterior, com o equipamento desenergizado,
anterior, com o equipamento desernegizado, executam-se os ensaios elétricos no
executa-se uma limpeza geral do transformador, transformador, tais como:
verificando o regulador quanto a: • Motoventiladores
• Fixação e estanqueidade das tubulações Ø Ensaio da resistência de isolamento
do tanque de expansão; (500 Vcc/1 min)
• Relé de Buchoholz; Ø Medir a tensão e a corrente em regime

• Amostragem de óleo; dos motores dos motoventiladores

• Condições dos flutuadores do relé • Aferir e ajustar os instrumentos abaixo

Buchholz; relacionados, e anotar os ajustes

• Estanqueidade dos flanges; encontrados e deixados:

• Módulos do tanque; Ø Indicador de temperatura do óleo


Ø Indicador de temperatura do
• Radiadores;
enrolamento primário
• Conservador;
Ø Indicador de temperatura do
• Válvula de alívio de pressão;
enrolamento secundário
• Bases das buchas e tampas de inspeção
Ø Imagens térmicas
do tanque;
Ø Indicado de nível de óleo do
• Estado das porcelanas das buchas, quanto
transformador
a limpeza e presença de trinca e/ou sinais
Ø Relé de Buchholz
de arco;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 388 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Ø Relé supervisor de tensão antes se a unidade encontra-se desenergenizada
• Transformador e devidamente segura para manutenção.
Ø Relação de transformação
Ø Resistência ôhmica do enrolamento VII VIDA ÚTIL ECONÔMICA
• Motor de acionamento do comutador Os reguladores de tensão para sistemas de
Ø Executar ensaio da resistência de transmissão são equipamentos complexos que
isolamento (500 Vcc/1 min), medindo a exigem um cuidado muito especial durante sua
tensão e a corrente construção e operação. A escolha de materiais
• Comutador com características especiais adequadas para as
Ø No comutador são feitos vários condições de operação é de extrema importância,
ensaios, porém diferem para cada tipo pois os comutadores sob carga, que representam
de fabricante. a principal peça dos reguladores, operam sob um
regime de carga que solicita elétrica e
V.5. HEXANUAL mecanicamente todas as suas partes
Esta manutenção é feita somente no comutador, e componentes. Conforme visto, a manutenção
a maioria das empresas contrata o próprio preventiva é rigorosa e envolve diversos itens. Por
fabricante do comutador para executar esta isso, a adoção de uma política de manutenção
manutenção. O tempo e o número de operações preventiva adequada torna-se um fator primordial
também irá variar de acordo com o fabricante e o para garantir uma melhor performance do
modelo do comutador. O estado do óleo isolante equipamento, aumentando, conseqüentemente, a
do comutador deverá ser acompanhado pelo vida útil do mesmo. Considerando-se as
menos a cada um ano. características construtivas e operativas discutidas
acima, aliadas à política de manutenção
Excepcionalmente, caso ocorram mais de 50.000 apresentada, pode-se estimar a vida útil
operações após a última inspeção hexanual, econômica dos reguladores de tensão para
realiza-se uma nova manutenção no comutador. sistemas de transmissão em 25 anos.

VI. MANUTENÇÃO CORRETIVA REFERÊNCIAS


A manutenção corretiva é realizada na maioria [1] Electrical Transmission and Distribution
das vezes em função dos defeitos e problemas Reference Book, by Central Station Engineers of
encontrados nas inspeções durante a manutenção the Westinghouse Electric Corporation. East
preventiva. Peças defeituosas, como buchas, Pittsburgh, Pennsyvania. 4a edição, 1950.
devem ser substituídas por unidades novas e
equivalentes. O ajuste do regulador e a [2] Catálogos e manuais de Fabricantes.
purificação ou troca de óleo são exemplos de
outros concertos executados na manutenção [3] Relatórios de Concessionárias.
corretiva. No caso de falhas, deve-se verificar

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 389 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Religador

RESUMO equipamento citadas no decorrer do estudo, e


Religadores são dispositivos de proteção contra ainda, os critérios de manutenção estabelecidos,
sobrecorrente, automáticos, destinados a abrir e pode-se estimar a vida útil dos religadores,
religar uma ou mais vezes um circuito de corrente baseando-se no número de operações mecânicas
alternada, de acordo com uma seqüência de do equipamento pela freqüência de operação em
operação predeterminada. São aplicados tanto na campo. Desta forma estima-se a vida útil de um
derivação do alimentador do barramento da religador em 23 anos.
subestação, como em diferentes pontos da rede
aérea de distribuição. O processo de I. INTRODUÇÃO
determinação da vida útil do religador deve levar Religadores automáticos são equipamentos de
em consideração fatores como o processo de interrupção da corrente elétrica, dotados de uma
interrupção, que efetuado por um religador à determinada capacidade de repetição em
vácuo, não contamina o óleo, já que é efetuado no operações de abertura e fechamento de um
interior da câmara de vácuo. Assim, a vida útil de circuito, durante a ocorrência de um defeito.
uma câmara à vácuo é superior a de uma câmara
de interrupção em óleo. Outro fator importante é Os religadores podem ser aplicados tanto na
que durante a operação de fechamento do derivação do alimentador do barramento da
religador, quando seus contatos se aproximam, subestação, como em diferentes pontos da rede
existe uma distância crítica entre eles em que o aérea de distribuição. A larga aplicação dos
arco se restabelece. Esta distância é denominada religadores em circuitos de distribuição das redes
distância de restabelecimento no fechamento e aéreas das concessionárias de energia elétrica é
provoca uma certa erosão nos contatos e seu devida ao fato deste equipamento permitir que os
conseqüente desgaste. Outro fator é a defeitos transitórios sejam eliminados sem a
periodicidade da manutenção preventiva a ser necessidade de deslocamento de pessoal de
realizada. Esta periodicidade é determinada manutenção para percorrer o alimentador em
através da experiência profissional, baseada no falta. Estes equipamentos não devem ser
número de operações, nível de curto-circuito e aplicados em instalações onde os defeitos são
algumas operações anormais que possam sempre de natureza permanente.
ocorrer, garantindo a confiança no religador.
Considerando-se as várias tecnologias existentes, II. CARACTERÍSTICAS
os fatores que provocam desgaste e depreciação Os religadores podem ser classificados quanto ao
das propriedades mecânicas e elétricas do número de fases em:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 390 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II.1. RELIGADORES MONOFÁSICOS sensor do religador ao sentir uma condição de
Destinados à proteção de redes aéreas de corrente anormal no circuito envia um sinal ao
distribuição monofásica. Estes religadores sistema de manobra que efetua a abertura dos
também podem ser utilizados em redes trifásicas contatos principais. Após um determinado tempo,
que alimentam cargas monofásicas, desde que se chamado tempo de religamento, o sensor envia,
tenha um religador monofásico em cada fase. automaticamente, um outro sinal ordenando ao
sistema de manobra efetuar o fechamento dos
II.2. RELIGADORES TRIFÁSICOS referidos contatos, reenergizando o alimentador.
Destinados à proteção de redes aéreas de Se a corrente de defeito persistir, o religador inicia
distribuição, onde é necessário o seccionamento o chamado ciclo de religamento, onde um número
tripolar simultâneo para evitar que as cargas determinado de aberturas e fechamentos é
ligadas ao alimentador funcionem com apenas efetuado de acordo com as condições de controle
duas fases. estabelecidas.

Os religadores também podem ser classificados Os religadores devem ser instalados no sistema
quanto ao sistema de controle: de acordo com as seguintes condições:
• A tensão nominal do religador ser
A) Controle por ação eletromagnética: são compatível com a tensão do sistema;
também conhecidos como religadores hidráulicos. • A capacidade de corrente nominal do
São equipamentos dotados de uma bobina série religador ser igual ou superior à corrente
atravessada pela corrente do alimentador. de demanda máxima do alimentador;
Quando a corrente que flui pela bobina é superior
• A capacidade de ruptura do religador ser
à corrente de acionamento, o religador abre seus igual ou superior à máxima corrente de
contatos devido à ação do núcleo da bobina sobre curto-circuito trifásica ou fase e terra do
o mecanismo de disparo. O deslocamento do
sistema no ponto de sua instalação;
núcleo da bobina série comprime a mola de
• A tensão suportável de impulso do
fechamento do religador, predispondo-o a nova
religador ser compatível com a do sistema;
operação.
• O ajuste da temporização de religamento
deve possibilitar a coordenação com os
B) Controle eletrônico: são os religadores
equipamentos de proteção instalados a
dotados de um sistema de estado sólido capaz de
jusante do alimentador, tais como, chaves
memorizar os ajustes necessários à execução das
fusíveis, seccionadores ou outros
operações de religamento. Basicamente, os
religadores.
ajustes possíveis são: valor da corrente de
acionamento; número de disparos; curva de
Os religadores podem ser classificados quanto ao
atuação. O funcionamento destes tipos de
meio de interrupção de arco em:
religadores pode ser descrito da seguinte forma: o

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 391 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
A) Religadores automáticos de interrupção em proteção de redes de distribuição rural ou
óleo: são equipamentos cuja disrupção da de redes de distribuição urbana. Estes
corrente é feita no interior de um recipiente cheio religadores são autosuportados e
de óleo mineral. Podem ser fabricados em empregados na interrupção de correntes
unidade monofásicas ou trifásicas e são de defeito em redes aéreas, após cumprir
adequados para instalação ao tempo ou abrigado. um determinado ciclo de religamento. A
Podem ser construídos para dois propósitos: principal diferença entre os religadores de
• Subestação de potência: são religadores subestação e os de distribuição está no
apropriados para instalação fixa no solo, o mecanismo de manobra, enquadrando-se
que lhes confere atributos para operar na aí os dispositivos sensores.
proteção de alimentadores em
subestações de construção abrigada ou ao B) Religadores automáticos de interrupção a
tempo. Outra característica deste tipo de vácuo: são equipamentos dotados de câmara de
religador é a utilização de fonte auxiliar em extinção de arco no interior da qual se fez vácuo e
corrente contínua e alternada em baixa se instalou os seus contatos principais. Da mesma
tensão para alimentação dos relés de forma que o tipo de religador anteriormente
indução, do motor de carregamento da descrito, estes religadores podem ser construídos
mola, da sinalização, etc. Os religadores a para dois propósitos:
óleo mineral para subestações podem ser • Subestação de potência: têm a mesma
subdivididos em religadores a grande aparência externa dos religadores a óleo.
volume de óleo e religadores a pequeno É, normalmente, trifásico, apropriado para
volume de óleo. O princípio básico da instalação ao tempo, com estrutura fixa ao
interrupção no óleo se fundamenta na solo, automatizado pela ação de relés de
elevação de temperatura provocada pelo indução de sobrecorrente, acoplados à
surgimento do arco quando os contatos do própria estrutura do religador e com a
equipamento se separam, resultando na operação coordenada pela atuação do relé
decomposição das moléculas do óleo e na de religamento. Ao se estabelecer a
formação de gases. Dos gases liberados, o separação dos contatos no interior de uma
hidrogênio é o principal responsável pela câmara a vácuo, o arco elétrico se
extinção do arco, graças a sua excelente manifesta entre os mesmos, fazendo com
capacidade refrigerante, e em segundo que a corrente flua através do vapor
lugar, pela notável pressão que ele e os ionizado, gerado pela vaporização do
demais gases exercem sobre a mesma material dos contatos nos pontos de arco,
região do arco. até que a corrente do circuito passe pelo
• Sistemas de distribuição: são seu zero natural. Nesse momento, ela é
equipamentos destinados à instalação em interrompida, o vapor metálico se
poste e sua aplicação é exclusiva na condensa e a tensão de restabelecimento

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 392 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
transitória não é capaz de fazer conduzir atualmente podem ser classificados quanto
qualquer corrente do meio dielétrico. As ao controle utilizado para o ajuste e
câmaras de interrupção a vácuo estão contagem do ciclo de religamento em:
localizadas no interior do tanque do religadores de controle eletrônico (dotados
religador cheio de óleo mineral, cuja de dispositivos estáticos e relé de
função é apenas a de servir como meio religamento que controlam todas as
dielétrico entre as partes vivas do funções do religador) e religadores de
equipamento. O processo de interrupção controle hidráulico (dotados de
não contamina o óleo, já que é efetuado no mecanismos apropriados, constituídos de
interior da câmara de vácuo. A vida útil de haste, êmbolo, câmara de interrupção e
uma câmara a vácuo é muito superior à um tanque cheio de óleo mineral, dispondo
uma câmara de interrupção em óleo. Outra de um diafragma através do qual se pode
característica importante é que durante a ajustar todas suas funções operativas).
operação de fechamento do religador,
quando seus contatos se aproximam, III. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
existe uma distância crítica entre eles em O religador deve sofrer inspeção sistemática em
que o arco se restabelece. Esta distância é intervalos regulares. A experiência profissional,
denominada distância de restabelecimento baseada no número de operações, nível de curto-
no fechamento. Este fenôm eno provoca circuito e algumas operações anormais que
uma determinada erosão nos contatos e possam ocorrer, logo estabelecerá um programa
seu conseqüente desgaste. de manutenção que dará garantia de conveniente
• Sistemas de distribuição: são os confiança no religador.
religadores apropriados para aplicação em
redes aéreas de distribuição, em que não Com a linha desenergizada, recomenda-se:
há necessidade de fonte auxiliar para • Verificar se o religador está corretamente e
alimentar o sistema que impulsiona o rigidamente fixado.
mecanismo de manobra. São • Verificar se as partes componentes do
caracterizados por um equipamento de mecanismo de operação estão firmes, sem
corpo único, de fácil montagem e providos danos e livres de material estranho.
de dispositivo destinado à manobra por • Que as conexões de todos os terminais
vara. Tais religadores contêm, em sua sejam verificadas e estejam bem fixas.
grande maioria, um recipiente cheio óleo • Examinar a isolação da fiação de controle
mineral, no interior do qual se encontram para localizar evidências de abrasão.
as câmaras de interrupção. O óleo tem • Medir a resistência de contato do circuito
apenas a função de meio dielétrico entre principal.
as partes vivas do religador. Os • Verificar o nível de óleo isolante.
religadores a vácuo empregados

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 393 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Limpar as buchas caso haja deposição de REFERÊNCIAS
sujeira. As mesmas devem ser [1] Filho, J. M. Manual de Equipamentos Elétricos.
cuidadosamente examinadas para verificar Livros Técnicos e Científicos Editora, Volume 2,
se há rachaduras ou riscos, devido a 2a edição 1994.
descargas de arcos elétricos.
• Verificar os interruptores, pois durante a [2] Norma ABNT NBR 8177
operação normal de um interruptor, um
pouco do material dos contatos é [3] Catálogos e informações de fabricantes
gradualmente erodido.

IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA


As falhas mais comuns estão relacionadas com:
• O nível do óleo isolante, o qual deve ser
completado com o óleo indicado pelo
fabricante.
• As buchas, que devem ser substituídas, se
possível, com o auxílio da assistência
técnica do fabricante.
• Os interruptores, que devem ser trocados
quando for verificado um desgaste
excessivo.

V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Considerando-se as várias tecnologias existentes,
os fatores que provocam desgaste e depreciação
das propriedades mecânicas e elétricas do
equipamento citadas no decorrer do estudo, e
ainda, os critérios de manutenção estabelecidos,
pode-se estimar a vida útil dos religadores,
baseando-se no número de operações mecânicas
do equipamento pela freqüência de operação em
campo. Desta forma estima-se a vida útil de um
religador em 23 anos.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 394 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Reservatório

RESUMO fatores condicionantes, bem como, na própria falta


O presente trabalho aborda um reservatório com de dados estatísticos que possam avaliar melhor o
fins exclusivamente hidrelétricos. Serão discutidos tempo de vida útil de um reservatório, sugere-se a
sucintamente aspectos de viabilidade técnica do princípio o valor de 100 anos.
empreendimento, atento-se sobretudo à questão
geológica no que diz respeito a sua I. INTRODUÇÃO
estanqueidade, estabilidade dos taludes das Um reservatório pode ter múltiplas funções, além
encostas marginais, sismicidade induzida e de fins hidrelétricos, dentro das quais algumas se
assoreamento, além de aspectos biológicos, tais destacam, por exemplo, recreação, controle de
como, por exemplo, a eutrofização do lago. Sendo cheias, navegação, abastecimento d’água e
um reservatório sujeito a tantas ocorrências, irrigação.
estando ele situado em áreas de clima, geologia,
cobertura vegetal, declividade das encostas, uso Quando o reservatório criado por uma barragem
da terra, de configuração geométrica tão distinta, praticamente inexiste ou quando simplesmente
etc. fica difícil avaliar sua vida útil e conseqüentes tem o nível das águas dos cursos naturais
taxa de depreciação baseado em tantos fatores barradas e desviadas para estruturas de adução,
condicionantes. Tirando-se a questão do com pouca variação desse nível, caracterizando,
assoreamento, causa mais comum de sua ainda, baixa capacidade de armazenamento
inutilização parcial ou total, de custos reparadores, d’água, a instalação trabalha a fio d’água.
muitas vezes, inviável do ponto de vista técnico
e/ou econômico, fica o fator condicionante do Nas usinas hidrelétricas a fio d’água sem
tempo de vida útil econômico da própria usina. regularização, em especial nos meses e anos
Este poderá ser o seu balizador. Assim, caso o secos, o déficit de energia deveria ser fornecido
valor do tempo de vida útil seja inferior ao do por usinas alternativas (térmicas, por exemplo),
tempo de vida útil econômico da usina, esgotados ficando essas, pelo menos teoricamente, paradas
técnica e economicamente as medidas nos períodos de maior chuva. Por sua vez, as
preventivas e reparadoras de controle de usinas hidrelétricas poderiam, nessa época,
sedimentos, controle biológico, etc. resta a opção, fornecer energia suficiente para suprimento do
pelo menos em termos de novos consumo. Porém, tal procedimento torna-se
empreendimentos, de uma mudança sistemática antieconômico, pois exigiria uma potência
do arranjo geral do barramento quando na fase instalada muito grande nessas usinas, ficando a
inicial de projeto. Na dependência então de vários

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 395 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
usina térmica ou a hidrelétrica ociosa durante ficando cada vez mais onerosas para sua
muito tempo. desapropriação, com os reservatórios inundando,
muitas vezes, obras, sítios arqueológicos e outros
Assim, torna-se necessário regularizar o deflúvio em locais tidos como problemáticos do ponto de
natural dos rios por meio de grandes reservatórios vista social, político, ambiental, técnico,
a serem criados pelas barragens. econômico, dentre outros para a sociedade civil,
uma usina pode vir a ser inexeqüível.
Dependendo do volume d’água criado, os
reservatórios são capazes de armazenar água de A título de ilustração, as Pequenas Centrais
períodos com deflúvios abundantes para períodos Hidrelétricas – PCH’s - foram classificadas pela
em que o consumo excede a disponibilidade ANEEL como sendo aquelas que dispõem de um
natural de água nos cursos d’água. Nesse caso, o reservatório de área inundada igual ou menor que
reservatório é dito de acumulação, podendo ter 3,0 km2 e potência instalada igual ou menor que
regularização diária, semanal, mensal, plurienal, 30 MW.
entre outros.
II. ASPECTOS DE VIABILIDADE TÉCNICA
Uma regularização plurienal eficiente dependente É durante a fase de estudos preliminares de uma
do regime do rio correspondente, ou seja, nos rios usina que podem ser analisados a estanqueidade
da zona tropical, o volume útil dos reservatórios é e o assoreamento progressivo de um reservatório,
da ordem de 50% a 70% do deflúvio anual médio, a estabilidade de taludes das encostas marginais
assegurando uma regularização de até 95% da e a sismicidade induzida, fatores também de
descarga média. O restante desse valor é vertido. decisão quanto à viabilidade técnica do
Já os rios das zonas subtropicais e temperadas, empreendimento.
não tendo um regime tão equilibrado, necessitam
de reservatórios bem maiores. A estanqueidade do reservatório, em especial,
devido às percolações excessivas, causando
Até recentemente, a criação de grandes perdas d’água significativas, pode interferir no
reservatórios no Brasil não constituía grande tempo de enchimento do reservatório, raramente
problema devido à esparsa população e devido impedindo esse enchimento, ficando na
também ao valor pouco expressivo das terras dependência de fatores geológicos, topográficos e
inundadas. hidrogeológicos.

Hoje em dia, em função de uma maior densidade O assoreamento do reservatório constitui uma das
populacional, resultando em dispendiosos custos mais comuns e graves ocorrências verificadas ao
de relocação dos residentes e de sistemas de longo de sua vida útil.
transporte, com as terras sendo mais aproveitadas
para agricultura e pecuária, conseqüentemente,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 396 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O assoreamento pode atingir intensidade máxima de “overtopping” da barragem devido a
em regiões de pluviosidade muito baixa, cobertura deslizamentos de grandes massas, causando
vegetal mínima, topografia acidentada, onde, ondas de grande porte. Mas são comuns os
nesse caso, predominam rochas do tipo deslizamentos que afetam não só o próprio
sedimentares arenosas ou formações aluvionares reservatório, como outros órgãos da usina, tais
abundantes de areia e cascalho. como, por exemplo, os deslizamentos de taludes
laterais de canais adução, vertedouros e casas de
É sabido que o equilíbrio hidráulico- força.
sedimentológico de um rio é perturbado quando
encontra uma barragem, fazendo com que haja As margens do reservatório podem ser muitas
uma desaceleração da corrente líquida. vezes erodidas, sofrendo a ação das ondas, em
direções predominantes de ventos e constituídas
Visto que muitos dos empreendimentos de taludes formados por solos de baixa coesão,
hidrelétricos existentes no Brasil são antigos, com representando, ainda, um processo indutor de
a maioria projetada sem a devida consideração do escorregamentos de pequeno a médio porte.
fator assoreamento, é comum, infelizmente,
encontrar reservatórios quase inutilizados, por Os deslizamentos são mais comuns durante a
deixarem simplesmente de considerar, por fase de enchimento do reservatório, quando se
exemplo, desmatamentos em regiões de solos de impõem as maiores modificações ao meio físico.
pouca resistência contra erosão.
Como no Brasil, os deslizamentos de taludes nas
O assoreamento dos reservatórios resulta encostas marginais dos reservatórios não são tão
principalmente do material constituído de siltes, numerosos e graves, excetuando-se aqueles
areia e cascalho, o qual se deposita a partir das decorrentes da erosão de suas margens, os
cabeceiras do reservatório, em forma de deltas. estudos de investigações devem ser concentrados
apenas nas áreas onde as possibilidades destes
É durante as grandes cheias que esse material se fenômenos possam de fato causar maiores danos.
sedimenta mais perto da barragem, sendo
descarregado em boa parte para jusante. A sismicidade induzida é outro fator importante,
podendo provocar abalos sísmicos de pequena à
A estabilidade dos taludes, existentes nas áreas baixa magnitude.
localizadas ao longo das encostas marginais do
reservatório, deve ser também bem investigada, Embora à primeira vista pode parecer que esses
em especial, no entorno das elevações abalos sejam predominantemente intrínsecos aos
correspondentes à faixa de variação operacional grandes reservatórios, já foram observadas no
do nível d’água e imediatamente acima do nível Brasil ocorrências em pequenos lagos, como, por
máximo. No Brasil, são pouco freqüentes os casos exemplo, o da usina de Cajuru, MG.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 397 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
As conseqüências desses abalos no Brasil têm As plantas aquáticas, quando em crescimento
afetado as populações vizinhas mais no sentido progressivo, indicam águas com alto teor de
psicológico do que aqueles causados por danos nutrientes. As macrófitas, por exemplo, por sua
materiais. alta exigência de nutrientes, são considerados
indicadores biológicos de eutrofização.
Provavelmente, a origem dos abalos verificados
pode ser atribuída às alterações das pressões Algumas espécies são até desejáveis,
neutras ao longo de falhas e outros defeitos dependendo da quantidade por favorecerem a
geológicos de grande porte. Tais ocorrências produtividade pesqueira no reservatório.
podem, em geral, terem sido submetidas a
esforços tectônicos ou de outra natureza, em que O aguapé Eichhornia crassipes é comumente
os aumentos de pressão neutra, decorrentes do encontrado nas regiões do sul do Brasil, causando
próprio reservatório, representam uma força a aborrecimentos na operação dos reservatórios,
mais que desencadeou o sismo. O peso da água quando obstruem a entrada das tomadas d’água,
armazenada pode ainda submeter esforços dificultando o livre escoamento das águas de
verticais ao longo de toda a área do reservatório, adução, afetando, com isso, a capacidade de
criando, com isso, deformações diferenciais geração das usinas. Além disso, podem promover
profundas, movimentando falhas e fraturas o aparecimento de corrosão dos componentes
desfavoravelmente localizadas e também mecânicos e de refrigeração das casas de força,
submetidas a esforços tectônicos. devido à alteração eventual da qualidade da água.

Os aspectos biológicos, como a eutrofização do Por outro lado, a presença e proliferação de


lago, a produção de gases sulfídrico e metano e a plantas aquáticas favorecem o aparecimento de
produção acelerada de algas, dependem do doenças causadas pelo desenvolvimento de
volume de armazenada em relação à biomassa mosquitos e caramujos.
tenra afogada, isto é, quanto menor o efeito
causado ao reservatório, quanto maior a III. MANUTENÇÃO
disponibilidade de oxigênio dissolvido e menor a Uma manutenção eficiente, embora não possa,
quantidade de matéria orgânica. muitas vezes, eliminar o assoreamento
progressivo de um reservatório, pode minimizar o
Observou-se que, em reservatórios onde o processo, seja através do plantio de vegetação
desmate foi pouco abrangente ou em que nada foi ciliar para proteção das margens do reservatório,
desmatado, o oxigênio é nulo a pouca drenagens pluviais localizadas, passando pela
profundidade, a acidez de água é alta, podendo construção de estruturas auxiliares de
ocasionar danos nas estruturas de geração, entre desarenação, até a dragagem parcial ou até total
outros, afetando o concreto da barragem e de do material depositado. Nesse último caso, o
órgãos auxiliares. investimento financeiro frente aos benefícios

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 398 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
assegurados pode não ser viável, fazendo com IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
que a usina conviva com o assoreamento Nas usinas brasileiras em operação, o valor da
verificado, correndo-se o risco de uma completa taxa de assoreamento pode ter sido avaliado
inutilização do reservatório. unicamente tomando-se por base as condições da
época dos seus antigos estudos de avaliação
O controle de plantas aquáticas no interior do sedimentológica. Como exemplo, cita-se o
reservatório vai depender também da relação reservatório da usina de Três Marias que, em
custo benefício. 1960, os estudos à época previam uma vida útil
de 500 anos. Em 1970, esse reservatório já
A solução ou minimização do problema de estava com 30% do volume útil assoreado. Esse
eutrofização do lago ocorre quando os núcleos de assoreamento não previsto se deveu
proliferação são identificados, sendo localizados, provavelmente ao grave desmatamento ocorrido
muitas vezes, em remansos a jusante de nas cabeceiras do Rio São Francisco, visando à
emissários poluídos. produção de carvão vegetal utilizado nas
siderurgias mineiras.
Muitas vezes, a proliferação das macrófitas pode
ser previsível. Nesse caso, cabe ao projetista Alguns reservatórios existentes no Brasil, que
lançar mão de arranjos alternativos, tais como foram devidamente avaliados por Ponçano et al.,
vertedouro de escorrimento laminar, estruturas Castro, entre outros durante um período máximo
flutuantes com a função de reter ou desviar a de 45 anos, aproximadamente, apresentaram
vegetação para jusante da barragem. taxas anuais de assoreamento, variando entre
0,06% até 8,78% do volume total do reservatório.
Nos casos em que a usina está em franca
operação, outros recursos técnicos podem ser As avaliações sedimentológicas podem ser feitas,
empregados, como o uso de limpeza através de então, correlacionando essas observações em
limpa-grades, havendo ocasiões, em que as regiões cujas condições morfológicas e climáticas
unidades geradoras possam interromper a sejam semelhantes, dispondo-se de outros dados
produção, enquanto se retira o material retido colhidos na bacia de drenagem do rio em questão.
junto aos órgãos de adução. Ou até operações de
escoamento d’água pelo próprio vertedouro. Dessa forma, o cálculo da vida útil de um
reservatório pode ser dado pela relação entre o
Várias usinas adotam a remoção manual da volume total em m 3 e o volume total de
plantas aquáticas como um dos métodos de sedimentos em m3/ano. Existem hoje no Brasil
controle. Os serviços consistem simplesmente em programas e procedimentos confiáveis para uma
içar as plantas para as margens, onde são razoável avaliação sedimentológica de um
recolhidas ou desviadas para o vertedouro, onde determinado curso d’água, os quais certamente
são lançadas para jusante.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 399 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
determinaram um valor mais real do tempo de [3] Schreiber, Gerhard Paul, São Paulo, Edgard
vida útil de um reservatório. Blücher, Rio de Janeiro, Engevix, 1977.

Assim, o tempo de vida útil de um reservatório não [4] Carlos Henrique de A. C. Medeiros, Utilização
pode ser avaliado semelhantemente como o de de Técnica de Análise de Probabilidade de Risco
outros órgãos de uma usina hidrelétrica. na Avaliação de segurança de Barragens, Anais
do XXII Seminário Nacional de Grandes
Tirando outros fatores externos que podem Barragens, 1999.
inviabilizar ou reduzir o tempo de utilização de um
reservatório, somente com a elaboração séria de [5] João Francisco Alves Silveira, Diretrizes para
estudos sedimentológicos será possível a Instrumentação de Pequenas e Médias Centrais
determinar um valor mais preciso. Hidrelétricas, Anais do 1o Simpósio Brasileiro
Sobre Pequenas Médias Centrais Hidrelétricas,
O tempo de vida útil econômico da usina pode ser 1998.
determinante na avaliação do tempo de vida útil
do próprio reservatório. Atendo-se apenas e tão [6] Pedro Lagos M. Filho e Amilton Geraldo,
somente para o problema do assoreamento do Tópico Barragens e Reservatórios, Geologia de
reservatório,verifica-se que, caso ele seja inferior, Engenharia, Associação Brasileira de Geologia de
deverão ser tomadas medidas preventivas de Engenharia, 1998.
controle de sedimentos ou até de modificações no
arranjo geral do barramento quando na fase inicial 6] Nelson Infanti Jr. e Nilton Fornasari Filho,
de projeto. Tópico Processos de Dinâmica Superficial,
Geologia de Engenharia, Associação Brasileira de
Diante disso e na dependência dos vários fatores Geologia de Engenharia, 1998.
condicionantes citados, bem como, na falta de
dados estatísticos que possam avaliar melhor o
tempo de vida útil de um reservatório, sugere-se a
princípio o valor de 100 anos.

REFERÊNCIAS
[1] Diversos autores, Design of Small Dams,
United States Department of the Interior, 1987.

[2] Diversos autores, Safety Evaluation of Existing


Dams, United States Department of the Interior,
1987.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 400 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Seccionalizador

RESUMO isolamento, e na posição fechada mantém a


Seccionalizador pode ser definido como um continuidade do circuito elétrico nas condições
dispositivo mecânico de manobra capaz de abrir e especificadas. Da mesma forma, um seccionador
fechar um circuito, quando uma corrente de pode ser definido como um dispositivo mecânico
intensidade desprezível é interrompida, ou de manobra capaz de abrir e fechar um circuito,
restabelecida, quando não ocorre variação de quando uma corrente de intensidade desprezível é
tensão significativa em seus terminais. Ele interrompida, ou restabelecida, quando não ocorre
também é capaz de conduzir corrente sob variação de tensão significativa em seus
condições normais do circuito e, durante um terminais. Ele também é capaz de conduzir
tempo especificado, conduzir corrente sob corrente sob condições normais do circuito e,
condições anormais, tais como curto-circuito. Os durante um tempo especificado, conduzir corrente
seccionadores são utilizados em subestações sob condições anormais, tais como curto-circuito.
para permitir manobras de circuitos elétricos, sem Por interruptor se entende o dispositivo mecânico
carga, isolando disjuntores, transformadores de capaz de fechar e abrir, em carga, circuitos de
medida e proteção, e barramentos. Também são uma instalação sem defeito, com capacidade para
utilizados em redes aéreas de distribuição urbana resistir aos esforços decorrentes. Já o
e rural com a finalidade de seccionar os seccionador interruptor é um dispositivo definido
alimentadores durante os trabalhos de como o interruptor, que adiciona a capacidade de,
manutenção ou realizar manobras diversas na posição aberta, garantir a distância de
previstas em operação. Em termos de isolamento requerida pelo nível de tensão do
manutenção de chaves seccionadoras, são circuito.
recomendados serviços de manutenção
preventiva com sugestão de periodicidade de 3 Os seccionadores são utilizados em subestações
anos. A avaliação da vida útil de uma para permitir manobras de circuitos elétricos, sem
seccionadora, baseada nas características carga, isolando disjuntores, transformadores de
mecânicas e elétricas do equipamento, bem como medida e proteção, e barramentos. Também são
na realização periódica de manutenção preventiva utilizados em redes aéreas de distribuição urbana
pode ser estimada em 40 anos. e rural com a finalidade de seccionar os
alimentadores durante os trabalhos de
I. INTRODUÇÃO manutenção ou realizar manobras diversas

Chave é um dispositivo mecânico de manobra que previstas em operação.

na posição aberta assegura uma distância de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 401 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
A operação dos seccionadores em carga provoca e excluindo todos os elementos que
desgaste nos contatos e põe em risco a vida do permitem a operação simultânea;
operador. Porém, podem ser operados em carga • Contatos: compreendem o conjunto de
quando são previstas, no circuito, pequenas peças metálicas destinadas a assegurar a
correntes de magnetização de transformadores de continuidade do circuito, quando se tocam;
potência e reatores, ou ainda correntes • Terminais: são as partes condutoras da
capacitivas. chave, cuja função é fazer a ligação com o
circuito da instalação;
Dentro de uma instalação, os seccionadores • Dispositivo de operação: são aqueles
podem ainda desempenhar várias e importantes através dos quais se processa a abertura
funções: ou fechamento dos contatos principais do
• Manobrar circuitos; permitindo seccionador;
transferência de carga entre barramentos • Dispositivo de bloqueio: é o dispositivo
de uma subestação; mecânico que indica ao operador a
• Isolar um equipamento qualquer da posição assumida pelos contatos móveis
subestação, tais como transformadores, principais, após a efetivação de
disjuntores, etc. para execução de serviços determinada manobra.
de manutenção ou outra utilidade;
• Propiciar o by-pass de equipamentos, II.1. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

notadamente, os disjuntores da Existem diversos tipos de chaves seccionadoras,


subestação. o aspecto construtivo depende da finalidade e da
tensão do circuito em que serão instaladas. Os
II. CARACTERÍSTICAS seccionadores podem ser unipolares ou tripolares,
As partes componentes mais importantes de um sendo que para este último caso é necessário um
seccionador são: mecanismo que obrigue a abertura simultânea dos

• Circuito principal: compreende o conjunto três pólos.

das partes condutoras inseridas no circuito


II.1.1. Seccionadores para Uso Interno
que a chave tem por função abrir ou
fechar; São destinados à operação em subestações de

• Circuitos auxiliares e de comando: são consumidor, em geral, de pequeno e médio porte


de instalação abrigada, livre de intempéries.
aqueles destinados a promover a abertura
Quanto à construção, estas seccionadoras podem
ou fechamento da chave;
ser classificadas em:
• Pólos: são a parte da chave, incluindo o
• Seccionadores simples: são constituídas
circuito principal, sem o suporte isolante da
por uma ou três lâminas condutoras (caso
base, associada exclusivamente a um
seja unipolar ou tripolar) acionadas por um
caminho condutor eletricamente separado
mecanismo articulado. O seccionador

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 402 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
simples é montado sobre uma estrutura chave tripolar, bem como os isoladores,
metálica, constituída de chapa de ferro têm a mesma construção dos modelos
dobrada em U que sustenta os três pólos e anteriores. As hastes isolantes permitem a
o eixo do mecanismo de acionamento operação simultânea das três fases, o que
manual na extremidade do qual pode ser seria impossível somente com os
montada a alavanca. As lâminas de cartuchos fusíveis. Deve-se evitar o uso
contato são fabricadas em cobre em cubículos metálicos, já que os elos
eletrolítico, sendo cada uma composta por fusíveis, quando operam, permitem a
um conjunto de facas duplas ou até por formação de um arco no interior do
dois conjuntos de facas duplas, cartucho, que é expulso pela parte inferior,
dependendo do modelo e da capacidade podendo atingir o invólucro metálico. Isso
de condução de corrente nominal. propicia uma falta a arco, isto é, um curto-
• Seccionadores com buchas passantes: circuito fase-terra através do arco. Como o
este tipo de seccionador possui um próprio nome sugere, os seccionadores
conjunto de buchas de passagem, em fusíveis exercem funções simultâneas de
geral, montado na parte superior, proteção e seccionamento.
permitindo a ligação entre dois cubículos • Seccionadores interruptores: são formados
adjacentes. São basicamente utilizados em por uma chave tripolar com comando
painéis metálicos, devido ao reduzido simultâneo das três fases, podendo ser
espaço que ocupam. São fabricados com acionada manualmente por um mecanismo
isoladores de porcelana vitrificada, ou com que libera a força de uma mola
isoladores de resina epóxi. Opcionalmente, previamente carregada, ou então, através
esses seccionadores podem ser fabricados de um dispositivo percussor de que
com um sistema de terra para dar maior dispõem os fusíveis de alta capacidade de
segurança à manutenção do circuito ruptura, atuando sobre o sistema de
elétrico. O seccionador é montado sobre bloqueio da mola. Nesse caso, os
uma estrutura de ferro dobrado que seccionadores devem possuir câmaras de
sustenta os três pólos e as alavancas de extinção de arco, já que não operam
manobra previstas. As lâminas e os apenas com pequenas correntes indutivas
contatos são idênticos aos seccionadores ou capacitivas, mas são próprios, em
simples. geral, para serem acionados com
• Seccionadores fusíveis: são chaves correntes iguais à nominal da chave.
seccionadoras dotadas de três hastes • Seccionadores reversíveis: são chaves
isolantes, geralmente de resina epóxi ou que permitem normalmente a transferência
de fenolite, montadas em paralelo a três de carga de um circuito para outro. São
cartuchos fusíveis (também fabricados em bastante utilizadas em subestações de
epóxi ou fenolite). O acionamento da consumidor, quando se tem uma geração

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 403 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
de emergência ou alternativa que não formam uma série de paralelogramos,
possa ser feita em tensão secundária, em chamados pantógrafos e suportados por
virtude das distâncias em que se acham as uma coluna isolante fixada sobre uma
cargas. base metálica e acionada por uma coluna
rotativa paralela à anterior.
II.1.2. Seccionadores para Uso Externo

São destinados à operação em subestações de II.2. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS

instalação externa, normalmente de grande porte. As características elétricas de uma seccionadora


Em termos construtivos, as chaves seccionadoras são:
de uso ao tempo podem ser classificadas como:
• Seccionadores de abertura lateral singela II.2.1. Tensão Nominal

(ALS): caracterizados por apresentar as É aquela para a qual o seccionador foi projetado
hastes condutoras se abrindo lateralmente. para funcionar em regime contínuo, e deve ser
O comando é feito numa das colunas igual à tensão máxima de operação prevista para
isolantes que gira em torno do seu próprio o sistema em que será instalado.
eixo até atingir um ângulo de
aproximadamente 60°. Uma haste metálica II.2.2. Corrente Nominal

pode ligar rigidamente o comando de três É a corrente que o seccionador deve conduzir

chaves, formando um conjunto tripolar. sem que os limites de temperatura previstos em


norma sejam excedidos. Os seccionadores devem
• Seccionadores de dupla abertura lateral
suportar condições de trabalho acima dos valores
(DAL): são constituídos de duas lâminas
nominais durante intervalos de tempo específicos.
condutoras articuladas a partir de um
Sejam os dois casos seguintes:
ponto central da chave, montadas sobre
uma coluna isolante que gira juntamente • Sobrecarga contínua: é caracterizada pela

com o mecanismo de manobra. porcentagem de corrente adicional que o


seccionador pode suportar dentro dos
• Seccionadores de abertura vertical: são
limites de temperatura definidos por
constituídos em geral, de três colunas
norma. Outra definição bastante utilizada
isolantes cujas lâminas condutoras
diz que sobrecarga contínua é a corrente
principais são articuladas a partir de uma
de qualquer valor superior à corrente
coluna intermediária abrindo verticalmente.
nominal do seccionador, que é capaz de
• Seccionadores pantográficos: são
conduzi-la durante um período de tempo
seccionadores cuja operação é feita
suficientemente longo para permitir a
verticalmente. Constituem-se de um
estabilização de sua temperatura de
contato fixo, em geral montado no
operação. Dessa forma, para não
barramento da subestação, e de dois
comprometer as características técnicas e
contatos móveis fixados na extremidade
propriedades mecânicas do equipamento,
superior de um mecanismo articulado, que

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 404 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
deve-se estabelecer os limites admissíveis II.2.6. Capacidade de Interrupção

de temperatura. Os seccionadores são equipamentos incapazes


• Sobrecarga de curta duração: é de interromper correntes elevadas, a não ser
caracterizada pela corrente que o alguns tipos construídos para média tensão, que
seccionador pode conduzir acima da sua dispõem de câmaras de interrupção adequadas,
capacidade nominal, durante um período em geral para correntes nunca superiores a sua
de tempo especificado, sem que os limites nominal, os chamados seccionadores
de temperatura definidos por norma sejam interruptores. Contudo, os seccionadores devem
excedidos. Para tempos de sobrecarga abrir e fechar circuitos indutivos e capacitivos
pequenos, maiores são os valores onde podem ocorrer elevadas correntes de
admissíveis de sobrecarga de curta magnetização, tais como na energização de
duração. transformadores de potência ou banco de
capacitores. A seguinte equação pode ser
II.2.3. Nível de Isolamento empregada para se determinar a capacidade de
Caracteriza-se pela tensão nominal suportável do interrupção:
dielétrico às solicitações de impulso atmosférico e D
Ii = ⋅K
de manobra. As isolações dos seccionadores são Vi
do tipo regenerativo, ou seja, rompido o dielétrico
devido à aplicação de um impulso de tensão, suas Onde:
condições retornam aos valores iniciais logo que Ii – corrente de interrupção, valor eficaz,
cesse o fenômeno que provocou a disrupção. em A;
Vi – tensão de linha em kV;
II.2.4. Solicitações das Correntes de Curto-Circuito D – distancia mínima entre lâminas através
Os seccionadores devem permitir a condução da das chaves de aterramento.
corrente de curto-circuito por um tempo K – fator de correção.
previamente determinado até que a proteção de
retaguarda atue eliminando a parte do sistema III. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
defeituoso. No caso de chaves seccionadoras, são
recomendados serviços de manutenção
II.2.5. Coordenação dos Valores Nominais
preventiva com sugestão de periodicidade de 3
A escolha do valor da corrente nominal de um
anos. Dentre as várias inspeções a serem
seccionador depende de vários parâmetros
realizadas, recomenda-se: verificação da
elétricos da instalação, além da corrente de carga.
regulagem dos seccionadores; ajuste e
Essa coordenação é função da corrente
lubrificação do sistema de articulação; resistência
suportável de curta duração, valor eficaz e do
ôhmica dos contatos; tempos de abertura e
valor de crista da corrente suportável.
fechamento de seccionadores motorizados; no
caso de seccionador motorizado: medir as

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 405 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
correntes de partida e de regime do motor;
verificação da abertura e fechamento manual
através da manivela; funcionamento dos contatos
auxiliares; caso a chave possua lâminas de
aterramento: verificação do funcionamento e
medição da resistência de contato; inspeção
completa.

IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Alguns pontos dos itens discutidos anteriormente
mostraram que a operação dos seccionadores em
carga resulta no desgaste dos contatos. Contudo,
os mesmos podem ser operados em carga
quando são previstas, no circuito, pequenas
correntes de magnetização de transformadores de
potência e reatores, ou ainda correntes
capacitivas. Outro fator, que comprometerá as
características técnicas e as propriedades
mecânicas do equipamento, é a violação dos
limites admissíveis de temperatura.

A avaliação da vida útil de uma seccionadora,


baseada nas características mecânicas e elétricas
do equipamento, bem como na realização
periódica de manutenção preditiva, pode ser
estimada em 40 anos.

REFERÊNCIAS
[1] Filho, J. M. Manual de Equipamentos Elétricos.
Livros Técnicos e Científicos Editora, Volume 1,
2a edição 1994.

[2] J. R. D. Fonseca, “Manutenção Preventiva e


Preditiva de Equipamentos de Alta e Média
Tensão”, em 14° Congresso Brasileiro de
Manutenção.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 406 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema Anti-Ruído

RESUMO atenuar os ruídos são basicamente as que são


Os sistemas anti-ruído aplicados em plantas de aplicáveis através de equipamentos atenuadores
geração de potência para a geração de energia na fonte de geração do mesmo e as que podem
constituem-se de dispositivos que podem ser ser aplicadas ao meio de transmissão. Os
inseridos na cadeia onde se processa o ruído. sistemas anti-ruído, principalmente os
Este se processa em uma cadeia constituída silenciadores, são utilizados nos gases de escape
basicamente de três elementos: fonte, meio de das turbinas e motores de combustão interna, os
transmissão e, finalmente, receptor. Nas plantas quais são bastante exigidos em decorrência do
de potência com motores de combustão interna e meio por se tratar de gases com temperatura bem
turbinas a gás, além de medidas que podem ser acima da atmosférica e com presença de pó
tomadas no projeto, na maioria dos casos, utilizam contaminante, agentes corrosivos, entre outros.
silenciadores como atenuadores na fonte, tanto na De forma geral, a vida útil média destes
entrada de ar, quanto na saída de gases após a equipamentos situa-se por volta de 30 anos.
combustão e, em alguns, os compartimentos que
enclausuram o equipamento. Já as plantas de I. INTRODUÇÃO
potência, utilizando turbinas a vapor, têm como Os sistemas anti-ruído foram desenvolvidos
fonte, além da expansão do vapor na turbina, a principalmente a partir da década de 30 devido às
própria combustão na caldeira, quando for o caso, maiores exigências da sociedade quanto aos
o condensador e o gerador. O ideal seria inibir o níveis permissíveis para a emissão de ruídos. Em
ruído na fonte, no entanto, em grande parte dos 1936, começou a elaboração de documentos
casos, isto oferece grandes dificuldades do ponto relacionados com saúde publica; depois em 1960
de vista tecnológico e, conseqüentemente, pode e, de forma mais expressiva, em 1974, em que
ser traduzido em custos elevados. Diante desta foram criados estatutos englobando os
condição, resta interferir na cadeia, ou seja, no movimentos iniciais.
meio de transmissão ou isolar acusticamente o
receptor. As plantas de geração de potência, Os sistemas anti-ruído devem ser especificados
dependendo das exigências do local onde são de forma a evitar os danos provocados pelo ruído
instaladas, devem ser isoladas acusticamente que causam desde males à saúde até a
através de compartimentos (enclosures) interferência na operação de outros instrumentos.
constituídos de materiais isolantes a fim de não O ruído se processa basicamente em uma cadeia
extrapolar os limites permissíveis estabelecidos na constituída de três elementos: a fonte, o meio de
legislação. De forma geral, as medidas para transmissão e, finalmente, o receptor. O ideal

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 407 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
seria inibir a geração do mesmo e a propagação I.1. RUÍDOS EM MOTORES DIESEL

deste na fonte; no entanto, esta é uma medida Dentre as principais fontes geradoras de ruído em
que pode onerar muito o equipamento, podendo um motor de combustão interna destacam-se:
levar a custos impraticáveis. • Radiação da própria máquina;
• Entrada de ar;
Para fins de geração de energia, além das • Saída de ar;
precauções quando possíveis de serem aplicadas • Sistema de resfriamento e equipamentos
no projeto da máquina, outras medidas podem ser auxiliares.
tomadas para atenuar o ruído.
Nas máquinas:
Considerando a cadeia onde se processa o ruído, • Combustão interna: uma fonte expressiva
pode-se tomar as seguintes medidas: de ruído ocorre devido ao aumento da
• Na fonte: Colocação de silenciadores e a pressão no interior dos cilindros durante a
construção de um compartimento com combustão; resultando na vibração das
material próprio, ou seja, material isolante; superfícies externas;
• No meio: Layout adequado dos • O aumento rápido da pressão nos motores
equipamentos que emitem ruído e a diesel resultam em harmônicos maiores;
colocação de barreiras protetoras anti- • Nos sistema de exaustão de gases, o
ruído; problema maior é entrada de gás quando a
• No receptor: A utilização de protetores válvula de descarga esta aberta.
individuais e a construção de um
compartimento com material próprio. Ruído na entrada:
• O ruído é causado pela periódica
É importante lembrar que, em um ambiente interrupção do fluxo de ar causado pela
fechado, sem isolamento acústico, o som abertura e fechamento das válvulas.
produzido é refletido milhares de vezes pelas
paredes, podendo até multiplicar o nível de ruído Dispositivos de controle utilizados para atenuação
com grande quantidade de reverberação. de ruído:
• Silenciadores de entrada;
Os sistemas de barreiras e compartimentos que • Proteção acústica através de
envolvem a fonte geradora do ruído, assim como compartimento com material próprio
os compartimentos que envolvem o receptor, são envolvendo o equipamento emissor do
constituídos de materiais próprios, ou seja, ruído.
isolantes acústicos que, por sua vez, podem ter
formas, por exemplo, de mamilos que permitam I.2. TURBINAS A GÁS
uma maior área de absorção do ruído. Existe uma serie de turbinas a gás com
configurações distintas; no entanto, para

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 408 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
aplicações especificas, existem também enormes destaca-se o isolamento destes componentes do
similaridades, como exemplo, citam-se as turbinas ciclo em um compartimento próprio.
para geração de energia elétrica. As turbinas a
gás podem ser descritas de forma bastante Quanto aos fabricantes, citam-se:
simplificada como uma máquina contendo um • Higgott Kane – Industrial Noise Controls
compressor de ar, uma câmara de combustão LTD;
onde se injeta o combustível no ar que advém do • General Eletric.
compressor, com as devidas proporções para que
ocorra a combustão, e a turbina propriamente dita. No Brasil, aplicados à casa de maquinas, existe a
Os gases ao saírem da câmara de combustão acústica.
encontram-se normalmente em alta pressão e em
alta temperatura, condições próprias para II. CARACTERÍSTICAS
expandirem na turbina propriamente dita e A General Eletric possui um silenciador para
gerando a potência de eixo que acionara o turbina que é construído em aço stainless 409.
gerador elétrico. Este silenciador possui um sistema de furos na
parte interna, utilizando os dois princípios de
As principais fontes de geração de ruído em uma atenuação de ruído: o reativo e o dissipativo.
turbina a gás são:
• Dependendo da aplicação, as turbinas são Além disso, o sistema anti-ruído possui o
montadas em estruturas metálicas, o que compartimento com material isolante próprio para
pode ser fonte de ruído; atenuar ruídos que, em conjunto com os
• O sistema de compressão do gerador de silenciadores, é possível obter valores
gases; permissíveis para operar o ciclo de potência.
• O circuito de lubrificação e refrigeração;
• A unidade de geração de energia, ou seja, Existem também painéis que funcionam como
o gerador elétrico, através do redutor de barreira acústica que são colocados em pontos
velocidades quando este existir ou através críticos que contribuem expressivamente para a
do sistema de ventilação. solução do problema.

I.3. PLANTAS DE POTÊNCIA COM GERAÇÃO A O sistema utilizado pela GE pode atingir 90 Dba
VAPOR de pressão do nível de ruído a um metro de
As principais fontes de geração de ruído nestas distância do compartimento quando se considera
plantas são na turbina, na caldeira, principalmente somente a turbina como fonte, pois, quando estão
na queima do combustível, na descarga dos interagindo mais fontes, dificulta a garantia dos
gases, no condensador e no gerador elétrico. níveis, o que requer uma disposição adequada e
Quanto aos sistemas anti-ruído aplicáveis, um estudo mais apurado.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 409 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Para uma suposta comunidade que esteja a 60 m interna, enquanto que o tipo dissipativo abrange
de distância da planta de geração de energia, uma faixa maior de freqüência de 500 a 4 kHz.
pode-se obter um nível de 55 a 65 Dba.
Estes silenciadores são simples e constituem-se
Quanto aos dispositivos de controle utilizados de materiais, na sua parte interna, que absorvem
para atenuação, estes são similares aos o som. Os materiais utilizados na absorção do
empregados nos ciclos de potência com motores som devem ser designados de forma que tenham
de combustão interna. um coeficiente de absorção compreendendo uma
faixa grande de freqüência e uma superfície lisa
II.1. SISTEMA ANTI-RUÍDO PARA GERAÇÃO A para minimizar a perdas por atrito do fluxo de gás.
VAPOR Este material também deve suportar aquecimento,
fogo e contaminantes existentes no gás. Na
Nas plantas de potência para geração de energia, maioria dos casos, os silenciadores são
pode-se encontrar dispositivos como os confeccionados, combinando tanto o princípio
compartimentos próprios para atenuar ruídos reativo quanto o dissipativo.
similares aos empregados para turbinas a gás,
assim como silenciadores na exaustão de ar. II.3. COMPARTIMENTOS

Os compartimentos (enclosures) são montados


Quanto às normas referentes a este assunto, envolvendo o equipamento que gera o ruído e/ou
citam-se: isolando e também o operador e, desta forma,
• A norma NBR 7566 trata de Máquinas trabalhando como uma cabine acústica para o
elétricas girantes – Nível transmitido operador. Estes compartimentos são construídos
através do ar – método de medição num com materiais isolantes, dissipadores de som que
campo livre sobre um plano refletor. são montados a partir de módulos ou através do
• A norma NBR 11677 trata das divisórias jateamento do material sob forma de uma
internas moduladas – Determinação da espuma. Os que são montados a partir de
isolação sonora. módulos têm a vantagem de possuir formas.
Quando fazemos esta opção, ampliam a área de
II.2. SILENCIADORES absorção do som e, conseqüentemente, melhora
Os silenciadores podem ser divididos em dois a performance de atenuação do ruído.
grupos: os do tipo reativo e o tipo dissipativo.
Quanto à obsolescência tecnológica, os
Os do tipo reativo são mais utilizados para dispositivos não sofreram grandes alterações. Em
trabalhar com baixa freqüência, ou seja, determinadas aplicações, atualmente, além da
freqüências que estão na faixa de 50 a 200 Hz. aplicação de novos materiais, verifica-se o
Esta é a razão pela qual este tipo de silenciador é desenvolvimento de dispositivos eletrônicos que
mais empregado em motores de combustão

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 410 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
são utilizados para emitirem pulsos defasados do No entanto, de forma geral, estes sistemas
ruído original a fim de atenuá-lo. possuem vida útil por volta de 30 anos.

III. MANUTENÇÃO CORRETIVA REFERÊNCIAS


Quanto às manutenções, os dispositivos anti-ruído [1] Bines, J.E. Noise control in industry, USA 1978.
não as requerem com muita freqüência devido,
principalmente, à simplicidade destes [2] GE Turbines State-of-the-art Technology
equipamentos. No entanto, vale lembrar que estes Seminar, agosto 1994.
sistemas trabalham, quando aplicados na
exaustão, normalmente com gases à alta [3] PS produtos e serviços, Revista junho 1999.
temperatura e, dependendo do tipo de
combustível pode ser encontrado uma fração de
de enxofre, principalmente, o que propiciará
condições para o desenvolvimento de corrosão.
As manutenções nos silenciadores consistem
reparos na estrutura metálica e remoção de
incrustações em determinados pontos do
silenciador, assim como pintura com tintas
especiais que suportam temperaturas superiores à
atmosférica.

IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil econômica para estes sistemas
depende da aplicação e do regime de trabalho da
planta de geração. Normalmente, os atenuadores
de ar na entrada de uma turbina ou motor de
combustão trabalham sob condições mais
favoráveis que os que se encontram no sistema
de exaustão de gases.

Os sistemas que utilizam compartimentos feitos


com matérias isolantes vão perdendo algumas
características em função da ação do meio,
contato com a água, acúmulo de poeira, entre
outros.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 411 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema Auxiliar de Corrente Contínua

RESUMO auxiliar de corrente contínua pode ser estimada


Os sistemas auxiliares de corrente contínua são como sendo de 10 anos.
sistemas extremamente importantes e
necessários para a segurança e operação de I. INTRODUÇÃO
subestações e centrais elétricas, pois permitem A corrente contínua tem sido amplamente
que as partes vitais de uma instalação continuem empregada como força primeira ou de emergência
funcionando mesmo com uma eventual falta de em todas as atividades que dependem de uma
energia no sistema principal. O sistema auxiliar fonte de energia, por ser mais econômica e
compõem -se principalmente de unidades disponível. Em termos de viabilidade, muito tempo
retificadoras e bancos de bateria. A unidade decorrerá até que os acumuladores venham a ser
retificadora é a parte mais importante de uma substituídos por outras fontes de energia estática
fonte de corrente contínua. Ela é responsável pela que proporcionem um desempenho seguro,
conversão da tensão CA da rede em tensão CC grande resistência mecânica e elevados valores
através de uma ponte retificadora formada por de corrente de descarga.
SCR´s. O controle do ângulo de condução dos
SCR´s permite a estabilização da tensão e Os principais acumuladores recarregáveis que
corrente de saída. Em condições normais, o surgiram foram os acumuladores de chumbo e
retificador alimenta as cargas CC e as baterias, posteriormente os acumuladores alcalinos. Hoje,
para manter a carga das mesmas. Na falha das os níveis de qualidade e desempenho atingidos,
unidades retificadoras, as baterias são são compatíveis com as mais rigorosas exigências
responsáveis pela alimentação das cargas CC. As de segurança e confiabilidade.
baterias são compostas por uma associação em
série de vários acumuladores elétricos. Dentre os A instalação de baterias em Centrais e
vários tipos de baterias existentes, as alcalinas e Subestações Elétricas tornou-se atualmente uma
chumbo-ácidas são de longe as mais prática generalizada e necessária para que as
empregadas. Para garantir uma vida útil mais partes vitais de uma instalação continuem
longa das baterias e do sistema auxiliar como um funcionando apesar de uma eventual falta de
todo, torna-se imprescindível a adoção de um energia no sistema principal. Sua aplicação é
programa de manutenção preventiva aliada a um justificada para melhor assegurar, entre outros, os
projeto adequado de controle dos parâmetros de seguintes serviços:
operação das baterias. Considerando-se tais • Operação dos equipamentos de proteção,
aspectos, a vida útil econômica de um sistema medição e comunicação;

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• Comando do acionamento de disjuntores; corrente, para os seguintes regimes de operação
• Iluminação de segurança; das baterias:
• Alimentação de lâmpadas de sinalização. • Flutuação: regime de carga da bateria no
qual o fornecimento de corrente para o
II. UNIDADE RETIFICADORA consumidor é feito pelos retificadores. A
corrente consumida pela bateria (fornecida
II.1. CONCEITO BÁSICOS pelos retificadores) é destinada a
A unidade retificadora é, sem dúvida nenhuma, a compensar as perdas por autodescarga
parte mais importante de uma fonte de corrente dos elementos e a manter a caga completa
contínua. Comumente denominada de Retificador, dos acumuladores.
ou ainda de carregador, a unidade retificadora • Carga Normal: regime de carga da bateria
(UR) é uma fonte de tensão contínua que no qual a mesma sofre pequenas
apresenta duas características básicas e descargas intermitentes para alimentar os
importantes: consumidores quando a fonte CC formada
• Estabilização de tensão; pelos retificadores torna-se inoperante. A
• Limitação de corrente. corrente consumida pela bateria é
destinada a recompletar a capacidade
Além de alimentar os consumidores, a UR perdida dos acumuladores, devolvendo-os
alimenta também o conjunto de elementos de à condição de carga completa.
bateria que é utilizado para suprir energia aos • Carga Especial: regime de carga da
consumidores nos casos de não funcionamento bateria no qual a mesma sofre perda total
do sistema formado pelos retificadores. A figura 1 de sua capacidade nominal, devido ao
apresenta o esquema de uma fonte CC com fornecimento contínuo de corrente ao
redundância de retificadores que aumenta a consumidor, por tempo prolongado, devido
confiabilidade do sistema auxiliar. à inoperância da fonte de CC. A corrente
Barramento CC consumida pela bateria se destina a
+
_ recuperação total da capacidade de cada
consumidor.

UR´s Para atender aos regimes de operação das


Bateria bateias, as UR´s são projetadas para operar em
uma das seguintes condições de funcionamento:

Figura 1 – Fonte CC com Redundância • Piloto com fornecimento de tensão para


flutuação;

Os retificadores são projetados para trabalhar em • Piloto com fornecimento de tensão para

cinco condições distintas de tensão e corrente de carga normal;

saída, relacionadas aos tipos de fornecimento da

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 413 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Auxiliar com fornecimento de corrente retificadora através de um transformador
limitada em 50% da corrente nominal; de potência.
• Auxiliar com fornecimento de corrente • Módulo de Ponte Retificadora: constitui-
limitada em 100% da corrente nominal; se no elemento conversor de CA em CC. A
• Manual com fornecimento de tensão para tensão CA do secundário do transformador
carga especial. de entrada é aplicada a um circuito
retificador trifásico de onda completa,
II.2. PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO formado por SCR´s, que têm o comando
A finalidade principal da UR, em um sistema de do ângulo de condução feito pelo estágio
fontes de CC, é converter a tensão alternada da de regulação e controle.
fonte CA em tensão contínua, para alimentação • Módulo de Filtro de Saída: responsável
dos consumidores. pela eliminação da ondulação da tensão
de saída do retificador. O tipo de filtro
As possibilidades de se conseguir a tensão normalmente empregado é constituído por
retificada são as mais variadas possíveis. O circuitos tipo RLC.
diagrama da figura 2 apresenta um exemplo de • Módulo de Regulação e Controle:
uma unidade retificadora. comanda o disparo dos SCR´s da ponte
Circuitos Filtro
ENTRADA CA
de
Ponte
de
SAÍDA CC retificadora de modo a manter as
Retificadora
Entrada Saída
características de tensão e corrente de
Informação Para Sinc. Regulação Informação de Corrente saída nas condições especificadas.
de Informação de Tensão

Controle
Informação Para Módulo de Proteção e Alarme: protege o
Falha de Fase

Proteção
equipamento contra defeitos internos,
Sobrecarga de Corrente
Informação de Tensão e
Alarme sobrecargas na saída e sobretensão na
Remota
Medição Sinalização
Local
entrada.
• Módulo de Sinalização: sinaliza as
Figura 2 – Diagrama em Blocos – UR
informações que indicam normalidade ou
anormalidade do equipamento.
O princípio utilizado para a estabilização da
• Módulo de Medição: contemos
tensão e corrente de saída é baseado no controle
dispositivos indicadores de tensão e
do ângulo de condução dos SCR´s da ponte
corrente de saída da UR.
retificadora.

III. BATERIA DE ACUMULADORES


Cada estágio apresentado na figura 2 representa
Os termos bateria de acumuladores ou
um circuito com função específica no
funcionamento e controle da UR. simplesmente bateria são usados na linguagem
técnica para definir uma associação em série de
• Módulo de Circuitos de Entrada: reduz a
vários acumuladores elétricos.
tensão CA de entrada para os valores
adequados de utilização da ponte

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 414 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
III.1. CLASSIFICAÇÃO DE BATERIAS exemplo, uma bateria com capacidade nominal de
A classificação das baterias é dada basicamente 200 Ah em um regime de descarga de 10 horas
pelo tipo de solução empregada para o pode fornecer 20 A, continuamente, durante este
funcionamento dos seus acumuladores, sendo as período, atingindo no final deste tempo a tensão
principais: indicada pelo fabricante.
• Baterias alcalinas;
• Baterias ácidas. III.3.2. Tempo de Descarga

O tempo de descarga representa o período dado


As baterias podem ser classificadas também pelo fabricante para a bateria atingir a tensão final
quanto à sua função. Para as aplicações em de descarga, em um determinado regime de
centrais e subestações elétricas são utilizadas as corrente de descarga. Assim, para a mesma
baterias estacionárias. bateria de capacidade nominal de 200 Ah, a
tensão final de descarga pode ser atingida em 5
III.2. O ACUMULADOR PRÁTICO horas para uma corrente de 40 A, ou em 20 horas
O acumulador elétrico apresenta na sua estrutura para uma corrente de 10 A.
três partes essenciais:
• Os eletrodos, onde se produzem as III.3.3. Tensão Final de Descarga

reações quím icas; À medida que a bateria se descarrega, a tensão


• O eletrólito, que é a solução reagente e nos seus terminais cai lentamente no início, e

que constitui o meio condutor das cargas rapidamente no fim da descarga.


elétricas no interior do acumulador;
• O vaso recipiente, que abriga os eletrodos A tensão final de descarga define o valor limite da

e o eletrólito. força eletromotriz da bateria, permitido durante o


fornecimento de corrente ao circuito externo, que
III.3. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS garante o processo de reversibilidade da bateria.
A seguir, são apresentadas algumas definições
básicas das características elétricas das baterias. III.3.4. Tensão Nominal

A tensão nominal da bateria é a diferença de


III.3.1. Capacidade potencial entre seus terminais, em circuito aberto.
A capacidade da bateria é a quantidade de
eletricidade que a mesma é capaz de fornecer, em III.3.5. Tensão Final de Carga

regime de descarga, permanecendo a variação de A tensão final de carga representa o valor máximo

sua força eletromotriz dentro de limites de tensão alcançado nos terminais da bateria

especificados. Este parâmetro é expresso em Ah quando a mesma recebe energia CC, no processo

(ampère-hora), indicando a corrente que a bateria de carga, para readquirir sua capacidade total

pode fornecer continuamente durante o número perdida na descarga.

de horas estabelecido para a descarga. Por

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 415 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
III.3.6. Tensão de Flutuação Por ser uma mistura altamente explosiva, uma das
A tensão de flutuação representa o valor de precauções que deve ser tomada durante a carga
tensão necessário para que a bateria se da bateria é a retirada dos gases do
mantenha sempre carregada. compartimento onde ela está instalada. Isto requer
um sistema de ventilação adequado, podendo ser
Quanto menor a tensão de flutuação, maior será a natural ou mecânico com auxílio de exaustores.
vida útil da bateria e maior o tempo necessário Outra precaução é evitar que estes gases
para carga, porém maior será a possibilidade de cheguem até os equipamentos da instalação,
não se carregar. Portanto, de acordo com a faixa principalmente nos casos das baterias ácidas,
indicada pelo fabricante, deve-se escolher um devido ao perigo de corrosão.
valor de tensão ideal.
III.4. TIPOS DE ACUMULADORES
III.3.7. Carga Os principais processos reversíveis que ocorrem
A carga das baterias tem por finalidade restituir a em um acumulador variam com os materiais
capacidade de fornecimento de corrente dos seus ativos aplicados na sua construção.
acumuladores. Conforme apresentado no item
II.1, os tipos de carga usados para as baterias Os acumuladores denominados chumbo-ácido
são: possuem material ativo formado por óxidos de
• Carga de flutuação; chumbo imerso em uma solução aquosa de ácido
• Carga normal; sulfúrico. O processo de carga/descarga é dado
• Carga especial. pela reação química abaixo:

III.3.8. Tensão de Gaseificação descarga


Pb O 2 + Pb + 2H2SO 4 carga PbSO 4 + PbSO 4 + 2H2O
No processo de carga da bateria, paralelamente
ao aumento de cargas, ocorre o acréscimo da No estado de carga, as placas contêm óxidos de
tensão nos acumuladores, que passa da condição chumbo imersos em solução de ácido sulfúrico.
de valor final de descarga para a condição de Na descarga, o íon sulfato do eletrólito reage com
valor final de carga. A formação de gases no o chumbo das placas, formando sobre elas uma
interior do eletrólito alcança o seu valor máximo camada de sulfato.
para um valor de tensão bem característico, típico
para cada acumulador, denominado de tensão de Os acumuladores alcalinos têm como material
gaseificação. Estes gases, normalmente uma ativo o hidróxido de níquel e o óxido de cádmio, e
mistura de hidrogênio e oxigênio, são resultantes como eletrólito uma solução alcalina de hidróxido
principalmente da eletrólise da água do eletrólito, de potássio com a adição de hidróxido de lítio em
e as quantidades formadas dependem da água destilada. A reação química de
intensidade de corrente da carga utilizada. carga/descarga é dada por:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 416 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
2NiO(OH) + Cd + 2H 2 O
descarga
2Ni(OH)2 + Cd(OH)2 III.5.3. Formação de Gases Corrosivos e Explosivos
carga
Ambos os tipos de bateria formam hidrogênio, o
A solução de hidróxido de potássio como eletrólito que exige cuidados especiais na sua instalação e
não entra no processo eletroquímico, agindo operação. As baterias chumbo-ácidas, em
apenas como um condutor extremamente eficiente especial, desprendem gases corrosivos, o que
para os ânions e cátions durante a reação. restringe sua instalação em salas que contenham
outros equipamentos sujeitos à corrosão. A
No caso de acumuladores níquel-ferro, a única instalação em sistemas blindados é
diferença é a substituição do cádmio pelo ferro. O desaconselhável também.
princípio permanece o mesmo.
III.5.4. Influência da Temperatura

III.5. COMPARAÇÃO ENTRE OS TIPOS A temperatura tem influência direta na capacidade


Além dos aspectos técnicos e econômicos, outros em Ah das baterias, provocando inclusive uma
aspectos deverão ser considerados quando de diminuição permanente da sua capacidade caso
uma análise comparativa entre os tipos de seja usada constantemente ou por tempo
baterias. prolongado em temperaturas elevadas.

III.5.1. Facilidade de Verificação do Estado de Carga Portanto, a temperatura é um fator importante que
Nas baterias chumbo-ácidas, o estado de carga é deve ser levado em conta nas instalações, pois
proporcional à densidade do eletrólito, para uma reduz a vida útil das baterias.
determinada temperatura.
III.5.5. Necessidade de Troca de Eletrólito

Nas baterias alcalinas, a densidade do eletrólito é Nas baterias alcalinas, o hidróxido empregado
praticamente constante para qualquer estado de como eletrólito não é estável, e em contato com o
carga. ar absorve CO2, formando carbonato de potássio
que, atingindo os limites estipulados na
Portanto, nas baterias chumbo-ácidas, pode-se recomendação de manutenção, torna necessária
determinar satisfatoriamente o estado de carga uma substituição.
através da medição da densidade do eletrólito, o
que não ocorre com as baterias alcalinas. Nas baterias chumbo-ácidas, a troca do eletrólito
deve ser processada quando o mesmo estiver
III.5.2. Autodescarga sujo ou contaminado com elementos prejudiciais.
A taxa de autodescarga é diretamente ligada ao
princípio de funcionamento da bateria. Enquanto a III.5.6. Comportamento com Relação a Cargas e

taxa de autodescarga das baterias chumbo-ácidas Descargas

é da ordem de 1,0% ao dia, a taxa das baterias • Cargas Insuficientes: Em ambas as


alcalinas situa-se entre 0,1 e 0,2% ao dia. baterias, cargas insuficientes provocam a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 417 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
perda da capacidade, o que é intolerável dimensionada para um valor
para a segurança do sistema. substancialmente mais baixo que a bateria
• Cargas em Excesso: Correntes de carga chumbo-ácida, podendo atingir até a
em excesso podem provocar uma metade do valor exigido por uma bateria
destruição prematura das placas nas chumbo-ácida. Já para os ciclos de
bateias chumbo-ácidas, ou em trocas mais descarga em que não há picos de
freqüentes do eletrólito nas baterias corrente, mas uma solicitação constante, a
alcalinas devido a um aumento no índice diferença citada anteriormente torna-se
de carbonato de potássio. irrelevante.
• Tempo de Carga: As baterias alcalinas, • Custo de Manutenção: De acordo com
comparadas com as chumbo-ácidas, dados das empresas, o custo de
podem ser carregadas com correntes manutenção das baterias alcalinas é
maiores, reduzindo assim, o tempo de inferior ao das baterias chumbo-ácidas.
carga. • Peso e Volume: Conforme mostrado
• Altas Correntes de Descarga: O eletrólito acima, para ciclos de descarga em que há
desempenha papel diferente para os dois picos de alta intensidade durante certos
tipos de baterias quando correntes de instantes, as baterias alcalinas requerem
descarga altas são exigidas. Nas baterias capacidades menores. Portanto, as
chumbo-ácidas, o eletrólito influi dimensões e pesos serão menores que o
diretamente no comportamento durante a das baterias chumbo-ácidas.
descarga, podendo resultar em
empenamento das placas e perdas de IV. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
massa ativa, reduzindo significativamente A manutenção preventiva das UR´s se caracteriza
sua vida útil. Já nas baterias alcalinas, o pelas verificações, medidas e ajustes periódicos
eletrólito é mero condutor iônico, não dos parâmetros indicadores da condição de
provocando danos à bateria. desempenho do equipamento, como:
• Curto-Circuito Interno: A possibilidade de • Inspeção visual para verificação de mau
ocorrer um curto-circuito interno nas contato e oxidação;
baterias do tipo chumbo-ácidas é causada • Limpeza interna;
pela formação de cristais que podem • Testes de operação, de confiabilidade e de
perfurar os separadores. Nas baterias desempenho;
alcalinas não ocorre este fenômeno. • Ajustes dos sensores de flutuação, de
• Ciclo de Descarga: O ciclo de descarga caga nominal, auxiliar e de carga especial.
de uma bateria instalada em subestações
pode ser bastante variado. Para o mesmo Para as baterias, de uma forma geral, a
ciclo de descarga com picos elevados de manutenção preventiva tem por objetivo o controle
corrente, a bateria alcalina pode ser

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 418 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
do desempenho da bateria através das seguintes • Retirada total do eletrólito do acumulador;
atividades: • Lavagem interna do acumulador com água
• Correção do nível do eletrólito; limpa;
• Correção da densidade do eletrólito; • Preenchimento dos vasos com novo
• Correção dos valores da tensão de carga; eletrólito.
• Verificação da capacidade;
• Verificação das condições de impurezas VI. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
do eletrólito; Apesar dos retificadores representarem a parte
• Verificação das perdas por corrente de mais importante de uma fonte de corrente
fuga. contínua, a possibilidade de redundância aumenta
consideravelmente a confiabilidade do sistema de
Os valores dos parâmetros de verificação e os modo que a manutenção de uma unidade não
materiais usados para correção dependem do tipo implica na inoperância do sistema auxiliar de CC.
de bateria utilizada.
Por outro lado, as baterias constituem um ponto
V. MANUTENÇÃO CORRETIVA crítico também, pois na ausência da fonte CA para
Para a eliminação de defeitos ou execução de alimentar os retificadores, a responsabilidade de
ajustes nos retificadores, o técnico responsável suprir as cargas CC é das baterias. Se houver
pela manutenção do equipamento deve dispor de uma falha nas baterias, de nada ainda o sistema
conhecimentos técnicos e recursos instrumental auxiliar. Além disso, o custo elevado dos bancos
condizente com a tecnologia empregada para os de baterias responde por quase todo o custo do
circuitos eletrônicos da UR. sistema auxiliar de CC Dessa forma, a adoção de
um programa de manutenção preventiva aliada a
Os acumuladores podem ser recuperados em um projeto adequado de controle dos parâmetros
qualquer uma das partes de sua estrutura – de operação apresentados no texto é vital para
eletrodo, eletrólito e recipiente. A recuperação dos garantir uma vida útil mais longa das baterias e
vasos ou placas dos eletrodos requer material e conseqüentemente do sistema auxiliar como um
ferramental típicos e que são disponíveis apenas todo.
pelos fabricantes ou firmas especializadas na
recuperação de acumuladores. Apesar das diferenças construtivas existentes
entre os diversos tipos de baterias, dentre os tipos
Para se efetuar a troca do eletrólito, os normalmente mais empregados deve-se exigir
procedimentos operacionais recomendados pelos uma vida útil garantida de fábrica de pelo menos
fabricantes devem ser estritamente obedecidos. 10 anos.
Normalmente a seqüência seguida é:
• Descarga da bateria até a tensão final de
descarga;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 419 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Portanto, a vida útil econômica de um sistema
auxiliar de corrente contínua pode ser estimada
como sendo de 10 anos.

REFERÊNCIAS
[1] Silva, A.F., Barradas, O.C.M.
“Telecomunicações: Sistemas de Energia”. Rio de
Janeiro. Livros Técnicos e Científicos. Embratel,
1980.

[2] Curi, M.A., Negrisoli, M.E.M. “Subestações”.


Escola Federal de Engenharia de Itajubá.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 420 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Água de Circulação

RESUMO confiabilidade da usina. Sem ele, é impossível ter


O Sistema de Água de Circulação é o nome dado a operação da usina. Este sistema trabalha com
ao sistema que, numa Central Térmica, supre grandes bombas, o que requer grandes motores
água de resfriamento para os condensadores com elétricos com sistemas especiais de refrigeração e
a finalidade de promover a condensação do vapor grandes válvulas onde, normalmente, aparecem
na exaustão da turbina de baixa pressão. Como a os problemas de manutenção. Se considerarmos
quantidade de energia rejeitada nos o uso da água do mar como fonte fria, os
condensadores de uma Usina Térmica é muito problemas são maiores em virtude da atmosfera
grande, cerca de 33% da energia total dos agressiva, além dos problemas de incrustações
Geradores de Vapor, necessita-se de uma grande oriundos de animais marinhos. A experiência
quantidade de água para efetuar este mostra que 20 anos é um tempo médio alcançado
resfriamento. Este é um dos maiores requisitos de de vida útil.
uma Usina Térmica: muita água de resfriamento.
Esta água poderá vir do mar, de um rio, lago ou I. FUNÇÕES DO SISTEMA
mesmo de um circuito fechado com torres de O sistema tem como função principal suprir o meio
resfriamento. As bombas normalmente são do tipo refrigerante para os condensadores principais e
coluna vertical e, por isso, requerem que se tenha para os trocadores de calor do Sistema do Edifício
em todas as condições de operação um mínimo da Turbina.
de submersão do impelidor. As instalações são
executadas de maneira a se manter o nível II. DESCRIÇÃO DO SISTEMA
mínimo a todo tempo independente das estações As bombas de água de circulação, que podem ser
do ano. Estas bombas, normalmente, têm uma duas, três, quatro ou mais, em função da
pressão de descarga pequena, pois a coluna capacidade da planta, estão instaladas em poços
d’água a vencer é pequena, porém um grande individuais na tomada d’água, succionando água
fluxo. A garantia da água limpa na sua sucção é da baía, rio, lago ou outros. Elas enviam para os
dada por sistemas auxiliares, tais como grades condensadores principais no Edifício da Turbina
fixas e telas rotativas. Normalmente, este sistema e, daí, para o Túnel ou Canal de Descarga que,
serve também como fonte fria para o resfriamento normalmente se tratando de um rio, irá para
de todos os equipamentos do edifício da turbina, o jusante da Tomada D’água. Sendo lago ou mar,
que poderá ser feito através de um ou mais esta descarga dar-se-á numa posição que não
sistemas de refrigeração. Ele não é um sistema de venha causar nenhuma influência na temperatura
segurança, mas é fundamental para a da Tomada D’água. No caso específico da Central

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 421 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Nuclear de Angra, a Tomada D’água é feita na automático, podendo ser acionado manualmente
Praia de Itaorna, e a Descarga é feita na Enseada do local.
de Piraquara, numa outra baía. Como usualmente se tratam de grandes Bombas
de Água de Circulação, estas requerem um
O arranjo com relação ao número de sistema de resfriamento dos mancais da bomba e
equipamentos de limpeza é função da capacidade do motor. A fonte de alimentação de água para
destes equipamentos e das Bombas de Água de estes resfriamentos poderá ser a própria tomada
Circulação, o que pode dar origem a vários canais d’água ou alguma alimentação de água potável.
de entrada ou, simplesmente, um para cada Sendo a fonte a própria tomada d’água, devem
Bomba de Água de Circulação. ser previstos filtro ou equipamento especial para
evitar o arraste de areia. Estes sistemas são
Em cada canal, normalmente existem duas importantes para a operação do conjunto bomba e
comportas, uma grade fixa e uma tela rotativa. Se motor e, portanto, devem ser sistemas de alta
for mais de um canal por bomba, eles se confiabilidade, pois poderão tirar a unidade da
interligam após a tela para formar o poço de linha a simples perda de uma pequena bomba
sucção daquela bomba. destas.

Como já foi dito anteriormente, a bomba está Este sistema tem as seguintes finalidades:
hidraulicamente pronta para partir a qualquer • Lubrificação e resfriamento dos mancais
tempo, não sendo necessário escorvá-la, porque a do motor;
sucção trabalha mergulhada. • Lubrificação e resfriamento dos mancais
do eixo da bomba.
Cada bomba é equipada com uma válvula em sua
descarga. A descarga das Bombas de Água de circulação
vai para o túnel de entrada de água de circulação
As telas rotativas, cuja função é remover os ou canal e, daí, para o Condensador Principal.
resíduos sólidos que tenham passado pela grade
fixa, são normalmente instaladas em poços A água de circulação flui através dos tubos do
individuais na sucção das bombas e têm Condensador, diretamente da caixa d’água de
acionamento através de motores elétricos entrada para a caixa de saída e, daí, para o rio,
conectados a um sistema de corrente e rodas mar, lago ou outros, através do túnel ou canal de
dentadas. As bombas de água de lavagem das descarga de água de circulação.
telas succionam do poço das Bombas de Água de
Circulação e enviam água aos bicos ejetores onde O fluxo de água é feito em sentidos opostos nas
a tela em movimento é limpa por jatos de água. O caixas d’água, de maneira a uniformizar a
sistema de lavagem opera normalmente em temperatura ao longo do seu trajeto.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 422 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Os Condensadores são os maiores equipamentos O Condensador, as Turbinas e as estruturas
do sistema, sendo, na parte da água de metálicas da tomada d’água são, normalmente,
circulação, separadas caixas, com válvulas protegidos contra corrosão galvânica através de
motorizadas na entrada e na saída. sistemas de proteção catódica.

As válvulas são, normalmente, acionadas por III. DESCRIÇÀO DOS EQUIPAMENTOS


volante, manual ou elétricas. As válvulas de Características típicas dos equipamentos para
entrada operam totalmente abertas, e as de saída uma Usina de 650 MWe.
são moduladas de acordo com a corrente nominal
das Bombas de Água de Circulação, sempre com III.1. BOMBAS DE ÁGUA DE CIRCULAÇÃO (2

o cuidado de as bombas trabalharem dentro da BOMBAS)

sua curva ótima de operação. Características


Tipo: Centrífuga Vertical
As caixas de água do Condensador e os Pressão de Projeto: 0,785 kg/cm2
Trocadores de Calor dos Sistemas de NPSH requerido: 0,754 kg/cm2
Refrigeração dos Equipamentos do Edifício da Vazão: 1968 ton/h
Turbina possuem um sistema de escova de ar e
gases não condensáveis. Esta escorva garante o III.2. BOMBAS DE ÁGUA DE REFRIGERAÇÃO DOS
MANCAIS (2 BOMBAS)
efeito sifão na saída do Condensador e evita que
seja reduzida a área de troca de calor devido à Características

presença de ar nas fileiras superiores dos tubos, Tipo: Centrífuga Vertical

aumentando a eficiência do condensador e Pressão de Projeto: 5,9 kg/cm2

reduzindo a amperagem na bomba de água de Vazão: 128,7 1pm

circulação.
III.3. BOMBAS DE ÁGUA DE LAVAGEM DAS TELAS
(4 BOMBAS)
O ar e gases, no topo das caixas de entrada dos
Características
Condensadores e nas caixas dos Trocadores de
Tipo: Centrífuga Vertical
Calor dos Sistemas de Resfriamento dos
Pressão de Projeto: 7,0 kg/cm2
Equipamentos do Edifício da Turbina, são
Vazão: 4163 1pm
aspirados por bombas de vácuo.

III.4 BOMBAS DE VÁCUO DAS CAIXAS D’ÁGUA DO


O comando das Bombas de Água de Circulação,
CONDENSADOR E TC’S (2 BOMBAS)
suas válvulas de descarga, Bombas de Água de
Características
Lubrificação dos mancais e das Bombas de
Tipo: Centrífuga com líquido
Escova das Caixas D’água do Condensador
Pressão de sucção: 24,13 cm Hg
encontram-se na sala de controle.
Vazão: 15.600 1pm (156 m 3 / min.)

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 423 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Normalmente, estas bombas são do tipo líquido VI.2 BOMBAS DE VÁCUO

compressante que, além de funcionar como o Para eliminar a necessidade de operação


líquido que arrastam os gases, ainda refrigeram a contínua destas bombas é adicionado ao sistema
bomba. um tanque de controle de pressão, que controla a
operação das bombas. A bomba em operação
IV. INSTRUMENTAÇÃO retira o ar do tanque reduzindo sua pressão até
~60cm Hg abs. (~8.265mm H2O), quando então é
IV.1. CONTROLE DAS TELAS ROTATIVAS desligada automaticamente pelo sinal de um
Com um diferencial de pressão ou um diferencial pressostato. Então o ar flui da caixa d’água do
de nível pré estabelecido, em alguma tela, parte a condensador e dos resfriados do Edifício da
bomba de lavagem das telas que estiver em auto, Turbina para o tanque de controle, aumentando
e abre a válvula de admissão de água de lavagem sua pressão até atingir ~53cm Hg abs. (~7.220mm
das telas. Com a pressão de água, parte a tela H2O), quando então a bomba é ligada
rotativa, fazendo-a girar até completar, no mínimo, automaticamente pelo pressostato.
1 1/3 de volta. Este giro mínimo é conseguido
através de um temporizador. Se durante este IV.3 INTERTRAVAMENTOS

tempo, o ∆P ou ∆L, que originou a partida do Há intertravamentos ligados a quase todos os

sistema, não cair para a tela, ela continuará equipamentos que compõem este sistema, sendo

girando até este valor ser atingido, quando então dois deles relacionados com o circuito de partida

será desligada a bomba de água de lavagem, das Bombas de Circulação que são muito

fechará a válvula de admissão e, por conseguinte, importantes em função dos equipamentos que

a tela rotativa será desligada. estão envolvidos. São eles:


• Fluxo mínimo de água de lubrificação dos

Este circuito de controle também pode ser mancais, garantido, assim, fluxo adequado

acionado por um programador de tempo ajustado para os mancais da bomba;

para cada perímetro de 8 horas, mesmo que o ∆P • A bomba só liga após 20 segundos de

não tenha sido atingido, assim como, pela partida acionamento da chave de comando. Este

manual local. tempo é para possibilitar uma abertura


adequada da válvula de descarga.

Normalmente, estas telas rotativas têm uma chave


seletora de passo manual (adiante ou reverso), V. OPERAÇÃO
que permite a sua partida, independentemente da O Sistema de Água de Circulação não perfaz
partida da bomba de água de lavagem, a fim de nenhuma função de segurança numa Usina
se soltar a tela, caso esta fique presa ou durante Nuclear, mas é fundamental para a operação da
os serviços de manutenção. usina. A operação da planta não é possível sem
que este sistema esteje em operação. Assim, sua
partida ocorre exatamente quando iniciamos os

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 424 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
preparativos para partida da usina. Como o Manutenções nestes sistemas para retirar cracas
sistema é composto por várias bombas, à medida vão constituir em uma operação bastante
que aumenta a carga térmica no Edifício da complicada e demorada.
Turbina e no Condensador, novas bombas vão
sendo coladas em operação. Um meio de se evitarem estas incrustações é
adicionando cloro na água de circulação. Além
VI. MANUTENÇÃO PREDITIVA deste produto químico ser prejudicial para o meio
A exemplo do sistema de segurança, por ser o ambiente quando usado em excesso, é um
Sistema de Água de Circulação essencial na acelerador dos processos corrosivos.
manutenção da confiabilidade da usina, há um
programa de inspeções periódicas, além de VIII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
praticamente todos os seus equipamentos A vida útil do Sistema de Água de Circulação é
pertencerem ao programa de manutenção bastante comprometida quando a água de
preditiva onde são monitorados vibrações das refrigeração é a água do mar. Um exemplo está
bombas. na Usina de Angra 1, onde todos os tubos do
Condensador foram trocados com pouco mais de
VII. MANUTENÇÃO CORRETIVA 10 anos de operação.
As manutenções corretivas mais comuns no
Sistema de Água de Circulação são nas válvulas Embora a maioria dos equipamentos estejam
das caixas dos Condensadores, nas válvulas dos protegidos por sistemas de proteção catódica, o
Trocadores de Calor do Sistema de Resfriamento nível de corrosão é elevado.
do Edifício da Turbina, no Trocador de Calor do
Edifício da Turbina e no Condensador. Nas usinas Com base na pior condição, que seria o uso da
que usam a água do mar como fonte fria, o nível água do mar, a experiência mostra que a vida útil
de manutenção nos Trocadores de Calor e dos principais componentes do Sistema de Água
Condensador é muito maior. de Circulação não é maior do que 20 anos.

A água do mar tem um outro agravante que é o REFERÊNCIAS


incrustamento de organismos vivos (cracas) nas CFOL - Curso de Formação de Operador
paredes dos sistemas, metálicas ou de concreto, Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
principalmente nos pontos de baixo fluxo. Estas – Eletronuclear AS
inscrustações diminuem o fluxo e, sendo nas
paredes do condensador, diminuem a troca de
calor.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 425 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Alimentação de Energia

RESUMO nível de proteção para que haja atuação.


O Sistema de Alimentação de Energia de uma Considerando os sistemas da planta,
Usina Nuclear por motivos de segurança tem que normalmente tem-se dois conjuntos, onde apenas
ter no mínimo duas fontes externas um deles é capaz de desempenhar 100% da
independentes. Normalmente uma das fontes função programada, e desta maneira cada um dos
externas é o próprio sistema por onde é sistemas é alimentado por um trem. Como
distribuída a energia gerada, sendo que a Sistemas de Alimentação de Energia podem ter os
segunda fonte deve ser totalmente independente. mais variados arranjos, e que no caso especifico
Uma das peculiaridades de uma Usina Térmica das Usinas Nucleares de Angra 1 e Angra 2 elas
seja ela Convencional ou Nuclear é que a mesma são de capacidades totalmente diferentes com
não consegue partir sem que tenha uma fonte de arranjos diferentes, optam-se por descrever o
alimentação externa em função do grande número sistema para a Usina Nuclear de Angra 1. Embora
de equipamentos necessários para operação da o arranjo para Angra 2 seja totalmente diferente, a
planta. No caso da Usina Nuclear a situação é filosofia da proteção e dos controles é
ainda mais crítica, pois tem que se ter além das praticamente a mesma. Em termos de vida útil, a
fontes externas, fontes internas de alta experiência tem mostrado que os geradores
confiabilidade, para numa condição de blackout Diesel de emergência não ultrapassa 20 anos,
total, garantir o suprimento de energia elétrica sendo que no momento, no caso de Angra 1, já
para os equipamentos de segurança, que irão foram instalados dois novos geradores Diesel. Os
fazer um desligamento seguro da planta e a inversores e carregadores de baterias, pela
manutenção do resfriamento do calor residual do experiência adquirida em Angra 1, tem vida útil de
Reator Nuclear. Os Sistemas de Controle e 20 anos, enquanto que os disjuntores em geral
Proteção de uma usina nuclear são baseados em têm vida útil de 25 anos. Desta maneira, o
alguns critérios como redundância, independência Sistema de alimentação de Energia, pode ser
e diversificação e desta maneira toda a considerado com uma vida útil de 20 anos.
instrumentação está dividida em normalmente
quatro trens, com quatro sistemas de alimentação I. FUNÇÕES DO SISTEMA
elétrica independentes. A proteção normalmente São as seguintes as funções do Sistema de
atua baseado numa lógica de dois de quatro Alimentação de Energia de uma Usina Nuclear:
sinais, ou seja, é necessário que tenha pelo • Suprir todas as cargas da Usina com
menos duas das quatro indicações atingindo o energia externa, que poderá ser de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 426 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
qualquer uma das duas fontes. Para a • Cada Usina pode suprir ou ser suprida por
Central Nuclear de Angra uma fonte é o uma ou ambas as linhas de transmissão;
próprio Sistema de 500 KV por onde é • As Usinas podem ser isoladas sem
transmitida a energia gerada nas usinas e prejudicar as interligações entre as linhas
a Segunda fonte é oriunda do Sistema de de 500 KV.
138 KV que está ligada ao sistema de
transmissão do Grande Rio; II.2. SISTEMA DE SUPRIMENTO DE ENERGIA DE

• Suprir os Serviços Auxiliares da Usina; 138 KV

• Suprir os Sistema de Controle, Supervisão A Subestação de 138 KV de Itaorna é suprida por

e Proteção da Usina; meio de três linhas de transmissão em 138 KV,

• Suprir os Serviços Auxiliares de todas interligadas à Subestação da usina de

Emergência em condições de perda de Santa Cruz. A Subestação de 138 KV alimenta

toda a alimentação externa. através de cabos subterrâneos os


Transformadores Auxiliares que poderão alimentar

II. DESCRIÇÃO DO SISTEMA todo o Sistema de Distribuição Elétrico, tanto de


Angra 1 quanto Angra 2.
Os critérios adotados no projeto do sistema de
suprimento de energia elétrica são baseados nas
O arranjo, em barramento duplo possibilita a
potências nominais e nos níveis de tensão
interligação e permite que seja realizada a
utilizados pelos diversos equipamentos e
manutenção em um deles sem prejuízo do
componentes instalados na Usina.
suprimento de energia.

II.1. SISTEMA DE SUPRIMENTO DE ENERGIA DE


500 KV Pelo mesmo motivo, uma linha de 138KV pode ser
A Subestação de 500 KV em Itaorna onde estão isolada para manutenção sem prejuízo do
ligadas as duas máquinas de Angra 1 e Angra 2, suprimento de energia.
está interligada com as SE’s de Cachoeira
Paulista, Adrianópolis e Grajaú, através de três Os cabos monofásicos subterrâneos que
linhas de 500 KV. alimentam os Transformadores Auxiliares são em
número de quatro, sendo um deles reserva.
O arranjo da SE é em anel e permite que:
II.3. SISTEMA DE GERAÇÃO
• Uma das linhas seja isolada em casos de
faltas ou manutenções, sem afetar o modo O Gerador Principal de Angra 1 tem a potência

de operação das Usinas; nominal de 760 MVA (Angra 2, 1458 MVA) e

• Qualquer das Usinas quando ligada, pode tensão nominal de 19 KV.

alimentar suas próprias cargas, mesmo se


A interligação do Gerador Principal com o
todas as linhas e a outra unidade
Transformador Principal é feita no interior de
estiverem isoladas;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 427 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
dutos, por meio de três barramentos isolados aos objetivando manter as tensões mais estáveis e
quais estão incorporados uma Chave de Abertura próximas à nominal.
em Carga de formato tubular.
II.5. TRANSFORMADORES AUXILIARES

Desta interligação, após a Chave de Abertura em Um deles reduz a tensão de suprimento de 138
Carga, sai uma derivação para o Transformador KV para 4.160 V, nível de tensão compatível com
Auxiliar. a tensão das Barras do Sistema de Distribuição
Elétrica da usina.
Durante a partida da unidade a Chave de Abertura
em Carga é fechada quando são alcançadas as O outro Transformador reduz a tensão de
condições de sincronismo. suprimento de 19 KV para 4.160 V.

A mesma Chave de Abertura em Carga é aberta Os Transformadores possuem dois enrolamentos


quando da atuação da proteção de potência secundários, cada um supre duas Barras de
inversa ou outra proteção do Gerador, mantendo 4.160V, uma de Serviço e outra de Segurança.
assim o suprimento do Transformador Auxiliar e Esta montagem permite que o transformador
todas as cargas das Barras de Serviço. continue operando com o outro enrolamento em
caso de falta ou falha em uma das barras.
Estando a unidade sincronizada e caso ocorra o
desligamento total do Sistema de 500 KV, por II.6. SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO ELÉTRICA

perturbações no Sistema Elétrico, o Turbo- Os critérios adotados no projeto do Sistema de

Gerador continuará suprindo as cargas do Distribuição Elétrico são baseados nas potências

Transformador Auxiliar (consumo próprio). nominais e nos níveis de tensão utilizados pelos
diversos equipamentos e componentes instalados
II.4. TRANSFORMADOR PRINCIPAL na Usina.
Eleva a tensão do suprimento de energia quando
a usina está gerando, para nível compatível com a As fontes de alimentação do Sistema de
tensão do Sistema de 500 KV (19/500 KV). Distribuição Elétrico, como já foi mencionado são
dois Transformadores Auxiliares, um deles vindo
Quando a usina não está gerando, a função deste da SE de 138 KV e outro da SE de 500 KV ou do
transformador é abaixar a tensão de suprimento Turbo-Gerador. Cada um destes transformadores
do Sistema de 500 KV para o nível de tensão tem dois enrolamentos no secundário.
utilizado no primário do Transformador Auxiliar 19
KV (500/25 KV). O Sistema de Distribuição Elétrico é composto por
quatro barras de 4.160 V, duas delas
Este Trans formador é equipado no lado de alta denominadas Barras de Segurança e as outras
com um comutador automático em carga, duas Barras de Serviço.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 428 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
As duas Barras de Segurança podem ser As Barras de 4.160V alimentam Transformadores
alimentadas tanto pelo Transformador Auxiliar via de 4.160/480V que alimentam Barras de 48OV,
138KV quanto pelo Transformador Auxiliar via onde estão dependurados vários motores e uma
500KV. Cada barra é alimentada por um grande quantidade de CCM’s de 480V.
enrolamento do secundário dos Transformadores
Auxiliares. As Barras de 480V ligadas as Barras de
Segurança são também de Segurança, da mesma
O arranjo para as Barras de Serviço é exatamente maneira que os CCM’s a elas conectadas
o mesmo. Assim, todas as quatro barras de 4,16 alimentam cargas de segurança.
KV podem ser alimentadas tanto via 138 KV
quanto via 500 KV ou Turbo-Gerador. Carregadores de Baterias alimentados em 480V
alimentam barras de 120 VCC . Em cada uma das
Nas Barras de Segurança estão acoplados todos Barras de 120 VCC há um Banco de Baterias que
os equipamentos pertencentes aos sistemas de fica normalmente flutuando na barra. Nestas
segurança da usina, sistemas estes, que Barras de 120VCC estão conectados a iluminação
garantem uma parada segura da planta e sua de emergência, bombas pequenas como a de óleo
manutenção nesta condição. da turbina e outras cargas de emergência. Desta
maneira podemos concluir que as barras de DC
Nas Barras de Serviço estão todas as cargas tem praticamente quatro fontes de alimentação,
necessárias para a operação normal da planta, ou sejam, duas fontes externas, os Geradores
como as Bombas de Refrigeração do Reator, Diesel e por último as Baterias.
Bombas de Condensado, Bombas de Água de
Alimentação, entre outros. O Banco de Baterias garante por oito horas a
alimentação de todas a cargas da barra numa
Com base neste arranjo, as Barras de Segurança situação de perda total de todas as outras fontes.
ficam normalmente alimentadas via 138 KV e as Conectados a cada Barra de DC tem-se dois
de Barras de Serviço ficam normalmente Inversores Estáticos, cada um deles alimenta uma
alimentadas via 500 KV, ou seja, se ocorrer um Barra de 125 VAC de Emergência. O Sistema de
desarme da unidade com perda inclusive da SE Proteção da Usina tem quatro canais de proteção,
de 500 KV não haverá problema, pois as cargas sendo que cada um deles é alimentado por uma
nas Barras de Serviço já não mais serão Barra de 125 VAC de Emergência. Estas fontes
necessárias com a unidade desarmada. são reguladas com um alto grau de confiabilidade.

As duas Barras de Segurança podem ainda serem II.7. SISTEMA DOS GERADORES DIESEL DE

alimentadas por dois Geradores Diesel de 3,5 MW EMERGÊNCIA

cada um, cuja partida, se dá sem nenhum auxílio Os Geradores Diesel de Emergência são

externo. equipamentos que fazem parte dos sistemas de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 429 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
segurança da planta. Eles são projetados para perda de tensão e a unidade continua operando
partirem e adquirirem velocidade nominal em 10 normalmente.
segundos.
A perda do Transformador Auxiliar via Gerador e
Sequenciadores de Carga, um para cada Gerador SE 500 KV, irá provocar a transferência
Diesel colocam automaticamente as cargas em automática da alimentação das Barras de Serviço
operação em intervalos que garantam uma não para o Transformador Auxiliar via 138 KV, sem
sobrecarga nos Geradores Diesel. perda de tensão na barra. Esta condição significa
que a unidade já saiu do sistema e ocorreu
Existem duas seqüências distintas de inclusive a perda dos Transformadores Principais.
carregamento dos Geradores Diesel, uma para
atender uma situação de Blackout na planta e Nas duas situações analisadas acima, caso não
outra para atender uma situação de Injeção de ocorra a transferência automática rápida, deverá
Segurança. ocorrer a transferência lenta. Nesta situação
haverá a subtensão nas barras antes de sua
III. OPERAÇÃO reenergização. Para as Barras de Serviço os
O Sistema de Distribuição Elétrico está em Operadores deverão manualmente colocar as
condições normais alinhado sempre com as cargas necessárias, enquanto que nas Barras de
Barras de Segurança para o Transformador Segurança os Sequenciadores de Cargas irão
Auxiliar via SE 138 KV e com a alimentação das colocar as cargas automaticamente.
Barras de Serviço para o Transformador Auxiliar
via SE 500KV. Analisando as Barras de Segurança, no momento
que houve a subtensão os Geradores Diesel de
O sincronismo é feito através da Chave de emergência partem e caso a transferência lenta
Abertura em Carga, quando então o Gerador não tenha sucesso, tão logo os Geradores atinjam
Principal passará a alimentar suas Barras de sua tensão e velocidade nominal, ele é fechado na
Serviço. barra e o sequenciar irá sequenciar as cargas
automaticamente.
No desligamento da usina ocorrerá a manobra
inversa, ou seja, a retirada do Gerador Elétrico do Durante as operação dos sequenciadores de
sistema será através da abertura da Chave de carga, os Operadores são impossibilitados
Abertura em Carga. automaticamente de partir qualquer equipamento.
Os Geradores Diesel também partem quando tem
A perda do Transformador Auxiliar via SE 138 KV um sinal de Injeção de Segurança na planta,
irá provocar a transferência automática da mesmo que eles não sejam necessários, é uma
alimentação das Barras de Segurança para o medida de segurança.
Transformador Auxiliar via Gerador Principal, sem

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 430 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
IV. MANUTENÇÃO PREDITIVA 1 já foram instalados dois novos Geradores
Toda planta nuclear por exigência das Diesel. Da mesma maneira todos os Inversores e
Especificações Técnicas do Relatório Final de Carregadores de Baterias já foram trocados, ou
Análise de Segurança - RFAS, possui um seja, a experiência mostrou que a vida útil destes
Programa de Testes Periódicos em Serviço. Este equipamentos não ultrapassaram 20 anos. A
programa prevê testes periódicos em todos os experiência mostra que os disjuntores em geral
sistemas e equipamentos relacionados com a tem uma vida útil de 25 anos. Desta maneira a
segurança da planta. vida útil do Sistema de Alimentação de Energia
pode ser considerada de 20 anos.
Os Geradores Diesel de Emergência são
provavelmente os equipamentos que mais são REFERÊNCIAS
testados na planta. CFOL - Curso de Formação de Operador
Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
Os testes vão desde simular sinais de partida, – Eletronuclear SA
testes de partida e parada, testes em vazio e
testes com partida em emergência e
carregamento pelo Sequenciador de Cargas.

Além do Programa de Inspeção e Testes


Periódicos, há programas específicos por exemplo
para monitoração de trocadores de calor, onde
são feitos testes não destrutíveis para predizer as
condições dos tubos e paredes dos mesmos, da
mesma maneira que há um programa de controle
de vibrações em bombas e análise de óleos de
equipamentos.

V. MANUTENÇÃO CORRETIVA
As maiores manutenções corretivas neste sistema
tem ocorrido nos Geradores Diesel,
provavelmente em função da grande quantidade
de testes operacionais feitos com os mesmos.

VI. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A experiência nuclear mostra que a vida útil dos
Geradores Diesel de Emergência não é maior do
que 20 anos. No caso da Usina Nuclear de Angra

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 431 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Amostragem Primário

RESUMO amostragem ou em algum ponto especial, pois


O Sistema de Amostragem Primário é o conjunto trata-se normalmente de um pacote blindado. Ele
de amostragem dos vários sistemas relacionados prevê a amostragem de somente um ponto do
ao Sistema Primário. Estas linhas são conduzidas Sistema de Refrigeração do Reator. O Sistema de
para uma sala blindada no Edifício de Segurança, Refrigeração do Reator é basicamente composto
Sala de Amostragem do Primário, onde, numa por válvulas redutoras de pressão e trocadores de
capela, através de engates especiais, é permitido calor e tem uma vida útil de 30 anos.
fazer a coleta de amostras para serem submetidas
às análises químicas e radioquímicas. A Sala de I. FUNÇÕES DO SISTEMA
Amostragem do Sistema Primário é monitorada O Sistema de Amostragem Primário tem como
por um Detetor de Radiação de Área, e qualquer objetivo canalizar fluidos de amostragem do
vazamento ou aumento dos níveis de radiação na Sistema Primário e Auxiliares Nucleares para um
sala é alarmado na Sala de Controle. Para reduzir local centralizado, onde as amostras podem ser
a quantidade de fluido que sai dos sistemas, estas coletadas e transferidas sob condições
linhas têm os menores diâmetros possíveis. O controladas para análise em laboratório.
Fluido, após deixar o Envoltório de Contenção,
tem sua pressão e temperaturas reduzidas para Estas análises dão informações sobre as
que possa ser coletado. Este sistema não perfaz condições químicas e radioquímicas dos sistemas.
nenhum critério de segurança ou de emergência. Informações típicas incluem, por exemplo,
Como conseqüência após um acidente de perda concentrações de boro, lítio, fluoretos e cloretos
de refrigerante do reator, todos os pontos de no refrigerante do reator, nível de radioatividade
amostragem que vêm de dentro do Envoltório de dos produtos de fissão, condutividade, pH,
Contenção são isolados. O acidente de TMI – produtos de corrosão ativados, concentração de
Three Mile Island - nos EUA mostrou a aditivos químicos e teores de hidrogênio, oxigênio
necessidade de se ter um sistema especial para e gases de fissão no sistema primário. Todas
amostragem do primário em situações de estas informações servem para ajustar a
acidentes com danos no núcleo, onde os níveis de concentração de boro, avaliar a integridade dos
radiação da água do primário ficam tão elevados elementos combustíveis, regular a adição de
que impossibilitam o uso do Sistema de produtos químicos para controle de corrosão,
Amostragem do Primário convencional. O Sistema detectar vazamentos nos tubos dos geradores de
de Amostragem para condições pós acidente vapor e avaliar o desempenho dos
pode estar instalado na mesma sala de desmineralizadores.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 432 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O Sistema de Amostragem Pós Acidente permite acumuladores, são resfriadas nos resfriadores de
coletar uma amostra diluída do Sistema de amostra. As pressões dos fluidos de amostragem
Refrigeração do Reator. são reduzidas para 3.5 kg/cm2 pelas válvulas
reguladoras de pressão localizadas após os
II. DESCRIÇÃO OPERACIONAL DO trocadores de calor das amostras. Válvulas de
SISTEMA alívio protegem as linhas de sobre pressão.

O Sistema de Amostragem do Primário


convencional consiste de resfriadores de amostra Os fluidos de amostragem, exceto os provenientes

(trocadores de calor), uma pia de amostragem dos geradores de vapor (linhas de purga), são

com cobertura transparente, frascos de purgados para o Tanque de Controle Químico e

amostragem, uma serpentina de decaimento, Volumétrico do Sistema de Controle Químico e


tubulação associada, válvulas e instrumentação Volumétrico até que o volume de purga seja

necessárias ao funcionamento do sistema. suficiente para se coletarem amostras


representativas. As amostras provenientes das

As amostras são coletadas, no mínimo, dos linhas de purga dos Geradores de Vapor passam

seguintes locais: através de um monitor de radiação e são

• Dentro do Envoltório da Contenção: devolvidas para o condensador.

Espaço de vapor do Pressurizador; Espaço


líquido do Pressurizador; Sistema de Os frascos de pressão de amostragem são

Refrigeração do Reator; Acumuladores 1 e usados para coletar amostras pressurizadas

2; Geradores de vapor 1 e 2. gasosas, líquidas ou ambas.

• Fora do Envoltório da Contenção: Sistema


de Controle Químico e Volumétrico; O sistema de amostragem é projetado para

Sistema de Remoção de Calor Residual; operações manuais em base intermitente, sob

Água de Reposição do Reator; Água condições que vão desde a operação à plena

desmineralizada. potência do reator até a condição de desligado a


frio.

Uma serpentina de isolamento, localizada


internamente na contenção, permite o decaimento A pressão e a temperatura dos fluidos de

do isótopo 16
N, presente na amostra do amostragem são reduzidas fora do Envoltório de

refrigerante do reator, através do aumento do Contenção de maneira para facilitar a manutenção

tempo de residência na linha de amostragem. dos componentes mecânicos e da


instrumentação.

Amostras originárias da parte interna da


contenção passam para o Edifício Auxiliar, onde Linhas de amostragem originárias de dentro do

se localiza a Sala de Amostragem. Todas as Envoltório de Contenção possuem válvulas de

amostras, exceto as provenientes dos ambos os lados da contenção com a finalidade de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 433 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
isolamento. Todas estas válvulas fecham por projetada de maneira que o tempo de trânsito do
sinal de Is olação da Contenção, que é gerado por fluido de amostragem seja no mínimo 60
Injeção de Segurança. Possuem, ainda, estas segundos, o que assegura que a atividade do
16
linhas, válvulas manuais para isolamento de isótopo N seja reduzida para um nível mais
equipamentos e controle de fluxo. baixo, consistente com o usado no projeto de
blindagem da atividade de produtos de fissão do
Todas as linhas de amostragem possuem válvulas refrigerante do reator.
para amostragem local, que são do tipo agulha e
se localizam na pia de amostragem. III.3. PIA DE AMOSTRAGEM

A pia de amostragem localiza-se dentro da capela


O Sistema de Amostragem Pós Acidente prevê de amostragem equipada com um ventilador de
normalmente a amostragem em um único ponto exaustão e as tomadas de amostras. A área de
do Sistema de Refrigeração do Reator. Em função trabalho em torno da pia é suficiente para a coleta
dos altos níveis de radiação do refrigerante nesta e estocagem de amostras e para o equipamento
condição, a amostra é diluída logo após coletada. de monitoração de radiação. O material da pia de
amostragem e da área de trabalho é aço
III. DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS inoxidável.

III.1. RESFRIADOR DE AMOSTRA III.4. CAPELA DE AMOSTRAGEM

Estes resfriadores são projetados de maneira a A capela de amostragem é usada para a coleta

resfriar os fluidos de amostra para uma das amostras de processo e alojamento dos

temperatura menor que 49 °C. São do tipo tubo e frascos de amostras. A capela é ventilada através

carcaça e se localizam na sala de amostragem. A da conexão da exaustão da mesma com o


fonte fria destes trocadores de calor é Sistema de Sistema de Ventilação da Unidade. A capela

Refrigeração dos Componentes, que passa possui um exaustor, e nenhuma bolsa de ar é

através da carcaça, enquanto que o fluido de formada, pois existe uma provisão de fluxo de ar

amostra passa através dos tubos. com a janela fechada. A janela está equipada com
um vidro de segurança de 6,35 mm (1/4”) de

O material do lado dos tubos é aço inox espessura e pode ser levantada de modo a ter

austenítico e do lado da carcaça é de aço acesso ao interior da capela. A superfície de

carbono. trabalho da capela é de aço inoxidável.

III.2. SERPENTINA DE DECAIMENTO Os frascos de pressão para amostras estão


A linha de amostragem da perna quente do posicionados verticalmente na capela e estão
Sistema de Refrigeração do Reator possui uma equipados com dispositivos de liberação rápida,
serpentina de decaimento internamente ao podendo ser assim retirados e colocados
envoltório da contenção. Esta serpentina foi facilmente.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 434 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
III.5. FRASCOS DE PRESSÃO DE AMOSTRA V. MANUTENÇÃO PREDITIVA
Os frascos de pressão de amostra localizados na Como todo o sistema está relacionado ao Sistema
capela são projetados e fabricados de acordo com de Refrigeração do Reator, o Sistema de
o ASME BεPV CODE. Estes frascos são do tipo Amostragem do Primário também está incluído no
terminal duplo com válvulas em cada extremidade. Programa de Testes Periódicos em Serviço.
A capacidade de cada frasco de pressão é de 75
ml. VI. MANUTENÇÃO CORRETIVA
As manutenções corretivas mais comuns são
Os dispositivos de liberação rápida são projetados troca de gaxetas em válvulas.
de modo a reduzir a pressão da linha antes de se
desconectar o frasco de pressão. Devido ao sistema primário possuir boro, mesmo
os mínimos vazamentos são logo detectados em
III.6. VÁLVULAS
função da cristalização do boro nas superfícies.
As válvulas de bloqueio e isolamento podem ser Para vazamentos maiores, além das mudanças
remotamente operadas do painel da sala de nas condições operacionais dos sistemas, eles
amostragem ou do painel principal da sala de
são facilmente detectados ou pelos sistemas de
controle. Estas válvulas são usadas para isolar as
detecção de vazamentos, ou pelos sistemas de
tomadas de amostras e para direcionar o fluxo de monitoração de áreas.
amostra. Elas possuem um engaxetamento duplo
para eliminar virtualmente qualquer vazamento de
VII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
fluidos radioativos. As válvulas para modular o
A vida útil do Sistema de Amostragem do Primário
fluxo de fluidos de amostra são do tipo agulha.
é da ordem de 30 anos.
Todas as válvulas do sistema são de aço
inoxidável.
REFERÊNCIAS
CFOL - Curso de Formação de Operador
IV. INSTRUMENTAÇÃO
Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
Na Sala, há indicações de temperatura da fonte
– Eletronuclear SA
fria dos trocadores de calor e do fluído que será
coletado, bem como da sua pressão.

Um Monitor de Radiação monitora continuamente


as linhas de amostragem dos Geradores de
Vapor, cuja finalidade é detectar possível
vazamento do primário para o secundário.
Havendo indicação de alto nível de radioatividade,
um sinal é enviado para isolar as linhas de purga
e amostragem dos Geradores de Vapor.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 435 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Ar Comprimido

RESUMO compressores são máquinas térmicas geradoras


Os sistemas de ar comprimido podem ser que, tem como finalidade elevar a energia dos
subdivididos em Geração, Circuito de fluidos elásticos mantendo uma pressão diferente
arrefecimento, Distribuição e Utilização. As da pressão atmosférica.
atividades de manutenção dividem-se assim em
dois grupos: ações sobre o sistema de geração e 0s compressores podem ser classificados em
arrefecimento de ar e ações sobre os sistema de alternativos, que produzem uma elevada diferença
distribuição e utilização do ar comprimido. Nestes de pressão com fornecimento de baixas vazões, e
sistemas, o mais importante componente é o os rotativos, que são utilizados onde se necessita
compressor de ar. 0s compressores são máquinas de grandes vazões e baixas (ou médias)
térmicas geradoras que, tem como finalidade diferenças de pressão.
elevar a energia dos fluidos elásticos, no caso o
ar, mantendo uma pressão diferente da pressão Os compressores alternativos podem ainda ser
atmosférica. 0s compressores podem ser divididos em de membrana ou de êmbolo.
classificados em alternativos, que produzem uma
elevada diferença de pressão com fornecimento 0s compressores de êmbolo são construídos
de baixas vazões, e os rotativos, que são basicamente de um ou mais cilindros, em cujo
utilizados onde se necessita de grandes vazões e interior se desloca em movimento retilíneo
baixas (ou médias) diferenças de pressão. Os alternativo um pistão. A entrada e saída do fluido
compressores alternativos podem ainda ser no cilindro é comandada por meio de válvulas,
divididos em de membrana ou de êmbolo. 0s localizadas geralmente na tampa, no cilindro, ou
compressores rotativos, por sua vez, podem ser por vezes no próprio pistão. Um sistema de
de: engrenagens, palhetas, pêndulo, anel de transmissão tipo biela-manivela, articulado
liquido, pistão rotativo, centrífugos e axiais. diretamente ou por meio de haste e cruzeta com o
Considerando-se o conjunto de componentes dos pistão, permite a transformação do movimento
sistemas de ar comprimido, sugere-se uma vida rotativo do motor de acionamento em movimento
útil econômica de 20 anos. alternativo do compressor.

I. INTRODUÇÃO 0 compressor de membrana normalmente tem um

O Sistemas de ar comprimido são formados por acionamento rotativo e, em pequenas unidades é

diferentes componentes. Entre eles, o mais adotado o acionamento alternativo. É constituído

importante é o compressor de ar. 0s de uma membrana que pode ser movimentada

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 436 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
diretamente ou indiretamente por meio de fluido 0 rotor ao girar, joga, devido a força centrifuga, as
“óleo”, comprimido por um pistão secundário. palhetas contra as paredes da carcaça. Esse tipo
de compressor tem uma construção simples, sem
0s compressores rotativos, por sua vez podem ser válvulas (apenas uma de retenção na descarga) e
de: possui muitas vantagens:
• Engrenagens de fluxo tangencial; • Fornece um fluxo praticamente contínuo
• Engrenagens helicoidais ou de fluxo axial; de fluido comprimido;
• Palhetas; • Permite uma partida sem carga;
• Pêndulo; • Admite maiores rotações e menores de
• Anel de liquido; vibrações;
• Pistão rotativo; • Apresenta menor peso e volume em
• Centrifugas ou radiais; relação aos alternativos.
• Axiais.
Outro tipo de compressor é o de Escher Wiyss, ou

0s compressores de engrenagens de fluxo de Pêndulo. Nele o rotor ou pêndulo forma com a


tangencial são constituídos por duas rodas palheta, que é solidária à carcaça, dois
dentadas que giram no interior de uma carcaça compartimentos estanques, um ligado à aspiração

estanque. 0 movimento das engrenagens aspira o e outra à descarga. A proporção que um


fluido no lado em que os dentes se afastam e compartimento aspira, o outro, comprime. Na
descarrega no lado em que os dentes se descarga uma válvula de retenção evita que o
aproximam . 0 compressor Proots é um tipo fluido volte durante a fase de inicio da
especial de compressor de engrenagens. Ele é compressão.
constituído de duas engrenagens de apenas dois
dentes, onde uma transmite o movimento e a 0s compressores de anel líquido são constituídos

outra desloca o fluido. de um tambor excêntrico, com palhetas fixas


girando dentro de um cilindro horizontal. São
0s compressores de engrenagens helicoidais são empregados principalmente como bombas de

dotados de dois jogos de engrenagens, um vácuo até um limite da ordem de 90%.


comum que serve para transmissão do movimento
e o outro helicoidal constituído por um rotor- 0s compressores de pistão rotativos são
macho e um rotor-fêmea que serve para a constituídos de um pistão, cuja seção tem a forma

compressão do fluido, o qual sofre um de um fuso, que separa o volume interno de uma
deslocamento axial. carcaça de seção helicoidais em duas câmaras. A
rotação excêntrica do pistão provoca a variação

0s compressores de palhetas têm uma carcaça dos volumes de cada uma das câmaras e permite
cilíndrica, dentro da qual gira um tambor efetuar as fases de, aspiração, compressão,
excêntrico, ranhurado, provido de palhetas radiais. descarga, sucessivamente.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 437 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
0s compressores centrífugos e axiais, chamados pressão e vazão, além das exigências especificas
de ventiladores centrífugos e helicoidais quando de qualidade do ar.
de baixa pressão e de turbo compressores,
quando de vários estágios e altas pressões, são É importante ter-se em conta que a pressão é
classificados como máquinas de fluxo nas quais apenas um dos elementos na seleção do
se obtém a compressão pela aceleração compressor. É também necessário verificar qual o
centrifuga ou axial do fluido. volume de ar necessário para o trabalho e o
regime de operação requisitado do sistema.
II. CARACTERÍSTICAS
Os sistemas de ar comprimido podem ser III. MANUTENÇÃO PREVENTIVA
subdivididos em Geração, Circuito de Alguns cuidados devem ser observados quando
arrefecimento, Distribuição e Utilização. da operação de um compressor de ar. O local
deve ser limpo para que o ar tenha o mínimo de
Geração: Compreende as unidades contaminação e o filtro trabalhe com eficiência. O
compressoras, reservatórios centrais e mesmo deve ser colocado o mais próximo
desumidificadores localizados dentro ou nas possível do ponto de operação. O local deve ser
proximidades das casas de máquinas, além de seco a fim de que a umidade a ser condensada
unidades ventiladoras no caso de arrefecimento a seja a mínima possível e bem ventilado para que
ar. o compressor e o ar aquecido durante a
compressão possam ser normalmente resfriados.
Circuito de Arrefecimento: Compreende O compressor deve ser instalado nivelado, fixado
tubulações de transporte de água de ao piso e em local de fácil acesso para a
arrefecimento dos compressores, válvulas, necessária manutenção. O ideal é a instalação
termostatos de controle e torres de resfriamento. fora do local de trabalho Deve-se fazer a
drenagem do compressor ao final do expediente
Distribuição: Compreende as tubulações de de trabalho e periodicamente verificar o nível de
transporte de ar comprimido, reservatórios óleo e condições gerais do compressor.
alocados próximos a equipamentos de produção
ou processos, separadores de condensado, De maneira mais detalhada, os itens
purgadores, lubrificadores de linha e válvulas de especificados a seguir devem ser observados nos
controle. planos de manutenção preventiva, no sentido de
otimizar o funcionamento dos sistemas.
Utilização: Compreende os equipamentos
industriais como ferramentas pneumáticas, III.1. GERAÇÃO E CIRCUITO DE ARREFECIMENTO

máquinas operatrizes, prensas, etc., que utilizam • Verificar periodicamente, as condições


o ar comprimido, definindo os níveis terminais de físicas dos compressores. Compressores
com vazamentos internos, desgaste

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 438 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
excessivo em anéis de segmento, válvulas, III.2. DISTRIBUIÇÃO E UTILIZAÇÃO

etc. consomem mais energia e produzem • Efetuar a distribuição do ar comprimido,


menores quantidades de ar que a sua evitando sempre que possível muitas
capacidade nominal; tubulações, trajetos complexos, curvas,
• Manter as correias de acionamento etc.;
adequadamente ajustadas, trocando-as • Eliminar vazamentos na rede de
quando desgastadas; distribuição de ar. Para redes muito
• Fazer as tomadas de ar de admissão, extensas esta avaliação deve ser efetuada
sempre que possível, fora da casa de por selar ou grupos de selares afetos a
máquinas; mesma unidade de geração. O valor
• Fazer limpeza periódica ou trocar os filtros máximo admissível para vazamentos é de
de ar; 5% para indústrias de médio porte que não
• Fazer a limpeza de filtros separadores de possuem ferramentas como: marteletes,
óleo no caso de compressores de esmilhadeiras, etc. Para indústrias de

parafuso; calderarias pesada, construção civil. etc, é

• Manter intervalo de regulagem de pressão admissível um valor máximo de 10%;

dos compressores compatível com a vazão • Utilizar válvulas de bloqueio acionadas por

de ar demandada e a pressão terminal solenóides junto aos equipamentos que

mínima necessária ao equipamento operem intermitentemente. O objetivo é


utilizado mais distante; evitar que durante as paralisações ocorram

• Realizar, periodicamente, drenagem do fugas do ar pelo equipamento;

reservatório central; • Efetuar a drenagem de condensado nos

• lnspecionar tubulações, válvulas e pontos de menor cota para redes sem óleo

elementos de ligação quanto a e aplicar o sistema de purga, para redes

vazamentos de água de arrefecimento das com óleo respectivamente.

unidades compressoras, condensadores


dos sistemas de desumidificação e IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA
resfriadores intermediário e posterior; Os itens especificados a seguir devem analisados
• Fazer tratamento apropriado e, se for verificado sua ocorrência, implementados
periodicamente da água de resfriamento para obter uma melhor operação destes sistemas.
das unidades compressoras;
IV.1. GERAÇÃO E CIRCUITO DE ARREFECIMENTO
• Utilizar sempre que possível circuitos de
arrefecimento regenerativos; • Deve-se evitar trajetos, entre a geração e o

• Manter limpas as superfícies dos reservatório de distribuição, com


tubulações de diâmetro variado, curvas
trocadores de calor (intercoolers).
desnecessárias, etc. De preferência, este
trajeto deve envolver uma tubulação

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 439 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
mestra dimensionada para uma perda de possível longos trajetos para os ramais
carga máxima de 0,08 kg/cm2 para cada secundários;
100 m de tubulação (comprimento • Utilizar os diversos tipos de válvulas de
equivalente); acordo com a sua aplicação específica.
• No caso de se comprovar a existência de Evitar, por exemplo, o uso de registro de
vazamentos, deve-se eliminar todos eles bloqueio para regulagem de fluxo e vice-
no trajeto geração - reservatório central; versa;
• Evitar, sempre que possível, estação • Efetuar inclinação de 5 a 10 mm por metro
redutora de pressão centralizada. A linear de rede para facilitar o sistema de
redução de pressão deve ser efetuada purga de condensado.
próximo ao equipamento utilizado.
V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
III.2. DISTRIBUIÇÃO E UTILIZAÇÃO Os equipamentos e processos utilizados no
• Verificar a perda de pressão, entre o processo de manutenção dos sistemas de ar
reservatório central e o ponto de utilização comprimido permitem uma operação segura e
mais distante. A perda de pressão máxima pouco sujeita a falhas. Considerando a evolução
admissível é de 0,3 kg/cm2. Acima deste destes equipamentos e observando-se sua correta
valor, a rede de distribuição deve sofrer operação, sugere-se uma vida útil econômica de
alterações para a simplificação de trajetos; 20 anos para estes sistemas.
• Retirar da rede de distribuição todos os
ramais secundários desativados ou REFERÊNCIAS
inoperantes, no sentido de evitar acúmulos [1] PROCEL - Manual de Conservação de Energia
de condensado, perda de carga excessiva, Elétrica na Indústria
vazamentos, etc.;
• Utilizar válvulas de controle de fluxo [2] Costa, E Cruz da, "Compressores", Editora
(global, agulha) junto aos equipamentos Edgard Blúcher Ltda.", 1978
utilizadores, no sentido de manter o fluxo
de ar compatível com as necessidades
operacionais de cada um;
• Efetuar tomadas de ar para ramais
secundários sempre por cima da tubulação
principal para evitar arraste de
condensado;
• Efetuar as tomadas de ar dos ramais
secundários sempre próximas dos
equipamentos, evitando sempre que

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 440 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Ar e Gases de Combustão

RESUMO paralisação completa da queima. Assim, o sistema


O processo de combustão que ocorre em de ar e gases de combustão é fundamental para o
caldeiras a vapor envolve, dentre os requisitos de funcionamento de uma caldeira. Os principais
natureza física e química, a participação do equipamentos que compõem o sistema de ar e
combustível e do comburente sob determinadas gases de combustão são chaminé, ventilador e
proporções, a fim de assegurar resultados dispositivos para controle de tiragem. No sistema
adequados. O ar comburente deve ser introduzido de ar e gases de combustão são realizadas
na fornalha da caldeira a vapor de forma contínua manutenções preventivas e corretivas. que se
e controlada, de maneira a manter uma perfeita aplicadas adequadamente podem levar a uma
queima. Esta tarefa é realizada pelo sistema de ar vida útil de 22 anos.
e gases de combustão, através do processo
denominado tiragem, que além de introduzir ar na I. INTRODUÇÃO
fornalha, proporciona simultânea extração dos Os principais equipamentos que compõem o
gases formados durante a combustão os quais sistema de ar e gases de combustão são
circulam através da caldeira a vapor, até o ponto chaminé, ventilador e dispositivos para controle de
onde são despejados para a atmosfera. A fim de tiragem, que serão descritos posteriormente.
possibilitar o escoamento dos fluidos envolvidos
no processo, a tiragem deve vencer as A correta proporção de combustível e comburente
resistências oferecidas pelo circuito, que ocorrem: necessárias ao bom rendimento e funcionamento
na passagem do ar atmosférico do meio ambiente de uma caldeira a vapor, depende da correta
ao interior da fornalha; na mistura do ar com o utilização do sistema de ar e gases de combustão
combustível, de maneira a proporcionar íntimo para que se tenha uma tiragem adequada, e
contato entre as partes envolvidas no processo; depende também das condições físicas desse
no escoamento dos gases de combustão através sistema.
do interior da caldeira a partir da fornalha,
passando pela câmara de combustão, Na medida em que o sistema em questão é de
superaquecedor, feixe de convecção, fundamental importância, torna-se necessário,
economizador e pré aquecedor de ar, além de além de um bom projeto, também um bom plano
canais de circulação metálicos ou de alvenaria. de manutenção. Assim, pode-se manter o sistema
Qualquer interrupção na tiragem introduz reflexos de ar e gases de combustão em bom estado,
imediatos no comportamento da caldeira a vapor, garantindo que a instalação trabalhe no seu
representados por combustão ineficiente e até máximo rendimento.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 441 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
de realizar a tiragem e de conduzir os gases de
II. CARACTERÍSTICAS combustão até a atmosfera.
Dependendo da perda de carga existente ao longo As chaminés podem ser construídas com três
do circuito da caldeira, existem duas soluções materiais, associados ou não, em função de suas
para que o sistema de ar e gases de combustão dimensões, alturas, exigências de durabilidade e
realize o processo de tiragem. A primeira solução em função da preservação do meio ambiente.
consiste na instalação de uma chaminé logo após Dentre as construções mais difundidas
a caldeira, a qual propicia o escoamento dos encontram-se as chaminés metálicas que
gases de combustão e permite o ingresso do ar no apresentam um custo inferior às demais
interior da câmara de combustão graças a construções. Entretanto, as chaminés de alvenaria
diferença de temperatura existente entre sua base e de concreto revestido ainda ocupam posição de
e seu topo. A segunda solução, que é a tiragem preferência nas grandes instalações, como por
mecânica, decorre das limitações da primeira, exemplo, nas centrais elétricas, cuja otimização
pois, dependendo do volume dos gases de do ciclo impõe baixas temperaturas de saída dos
combustão, da velocidade dos gases, da perda de gases de combustão que comprometem eventuais
carga a ser vencida, da temperatura dos gases na partes metálicas por efeito de corrosão ácida.
base e no topo da chaminé, da altitude local e da
respectiva pressão barométrica, os custos de Pode-se agrupar as chaminés, quanto ao tipo
instalação podem se tornar elevados devido a construtivo, da seguinte forma:
elevada altura necessária para a chaminé. • Chaminés Metálicas – São inteiramente
cilíndricas, com diâmetros iguais desde a
No sistema de ar e gases de combustão com base até o topo. Para resistirem a ação do
tiragem mecânica a perda de carga do sistema é vento atenuando as vibrações e oscilações
vencida com o auxílio de máquinas sopradoras e resultantes, são utilizados tirantes (que são
exaustoras, a chaminé continua a fazer parte da cabos de sustentação) na sua fixação.
instalação, porém, com a função de conduzir os • Chaminés Metálicas Auto-Estáveis – São
gases de combustão para a atmosfera. A altura da também conhecidas como auto-
chaminé fica então definida pela altura dos suportáveis e são compostas na base de
estabelecimentos vizinhos à área da caldeira, a uma parte tronco cônica reforçada,
fim de impedir o retorno dos gases para qualquer seguida de outra cilíndrica, que completa a
dependência interna nas vizinhanças. altura desejada. Este tipo de chaminé
dispensa o uso de tirantes, absorvendo na
II.1. SISTEMA DE AR E GASES DE COMBUSTÃO base toda a ação do vento, graças a
COM TIRAGEM NATURAL adequada fundação de concreto com
No sistema de ar e gases de combustão com chumbadores dimensionados para
tiragem natural, as chaminés assumem a função absorverem todas as cargas existentes.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 442 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Uma técnica empregada para atenuar os efeitos devido às características inerentes à instalação,
da vibração e oscilação produzida pelo vento é a emprega-se o sistema de ar e gases de
colocação de aletas espirais externas. combustão com tiragem mecânica. A resistência
• Chaminés Construídas Inteiramente de imposta à circulação dos gases pode ser vencida
Tijolos de Alvenaria – São construídas com mecanicamente por vários meios, entre eles:
tijolos de alvenaria do tipo comum, com • Forçando os fluidos a atravessarem todo o
formato que facilita a a execução circular circuito do gerador mediante insuflamento
da estrutura, desde a base até o topo. Na do ar sobre o combustível, graças a
colocação dos tijolos é feita uma pressão fornecida pela máquina
amarração dentro de espaços definidos sopradora. Nestas condições de operação,
por uma cinta metálica de reforço. ao longo do percurso, a pressão dos
Geralmente o diâmetro interno da base é fluidos se mantém acima da pressão
ligeiramente superior ao do topo, dando ao atmosférica, exigindo vedação perfeita em
conjunto uma configuração levemente todas as juntas que unem as passagens a
cônica. fim de evitar fuga dos gases. Diz-se que a
• Chaminés de Concreto Armado – São caldeira opera com pressão positiva, ou
construídas de concreto armado com pressurizada, com tiragem forçada. Trata-
revestimento interno de alvenaria refratária se de uma técnica bastante empregada em
antiácida, particularmente usadas nas unidades compactas que operam com
centrais térmicas, que atingem alturas da combustíveis líquidos ou gasosos. Os
ordem de 200 metros com gases envoltórios são dimensionados para
circulando a velocidades elevadas de até resistirem a pressão interna dos fluidos e
30 m/s. de maneira a impedir qualquer vazamento
para a sala de operação da caldeira, visto
A altura das chaminés que desprendem grandes que, além de perder calor, prejudica o
volumes de gases cumpre a função adicional de trabalho do operador.
dispersar toda a massa gasosa para distâncias • Aspirando os produtos da combustão e o
bem afastadas da sua emissão. próprio ar necessário à queima desde o
registro de controle do comburente até a
A força exercida pelo vento, sobre construções descarga para a chaminé. A máquina que
elevadas, constitui um dado importante no cálculo promove a aspiração cria, portanto uma
da resistência e estabilidade das chaminés. pressão interna inferior a atmosférica, a
ponto de provocar até aspiração do ar
II.2. SISTEMA DE AR E GASES DE COMBUSTÃO ambiente de qualquer ponto do envoltório
COM TIRAGEM MECÂNICA da caldeira não suficiente vedado. Estas
Quando o custo do sistema de ar e gases de aberturas respondem pelo ingresso de ar
combustão com tiragem natural torna-se elevado falso, indesejável ao processo, devido a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 443 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
queda de eficiência que proporciona. denominado voluta, de onde sai tangencialmente.
Neste caso, a tiragem é induzida e diz-se No ventilador axial o fluido segue um trajeto
que a caldeira está operando com pressão paralelo ao eixo de giro do rotor.
negativa.
• Associando-se os dois processos Os ventiladores centrífugos se subdividem ainda
anteriores, fazendo com que a máquina em duas categorias:
sopradora responda pela perda de carga • Segundo o formato da pá, podem ser de
do trajeto do ar e que o exaustor responda pá reta ou de pá curva.
pela perda de carga do trajeto dos • Conforme a direção do ângulo da pá do
produtos de combustão, se estabelece a rotor podem ser de pás curvadas para trás,
tiragem mista, também conhecida como de pás curvadas para frente ou de rotores
tiragem balanceada. É a definição técnica radiais.
mais difundida para caldeiras de
combustíveis sólidos pelas vantagens II.4. CONTROLE DA TIRAGEM

oferecidas, seja no turbilhonamento A formação prática dos operadores de caldeiras,


provocado pela injeção do ar forçado sobre faz com que eles assumam condutas inclinadas a
a camada de combustível, seja pela presenvação da segurança e da continuidade
própria exaustão dos gases formados. operacional do equipamento, ignorando
completamente o controle da tiragem, por
II.3. VENTILADORES desconhecimento da importante função que ela
Os ventiladores são equipamentos mecânicos tem. A ausência do controle de tiragem tem
rotativos que tem por função, promover a reflexos expressivos nos resultados da eficiência
movimentação de fluidos compressíveis através da caldeira. podendo provocar tiragem insuficiente
de dutos, imprimindo-lhes velocidade e pressão ou excessiva.
compatível com as resistências impostas ao
escoamento. A tiragem insuficiente é mais facilmente percebida
pelo operador da caldeira, pois nesse caso a
Sejam eles, ventiladores sopradores ou fornalha abafa. A pressão interna da câmara de
exaustores, eles devem vencer a perda de carga combustão torna-se positiva e termina por
imposta pelo circuito e promoverem o escoamento provocar a formação de misturas dos reagentes
do volume adequado do fluido. favoráveis a detonações que se projetam pela
própria entrada de alimentação do combustível. É
Sob o ponto de vista construtivo, os ventiladores comum ocorrer o retrocesso de chama com sérios
são de dois tipos básicos: axiais e centrífugos. No riscos para o operador e para o equipamento.
ventilador centrífugo, o fluido é succionado
axialmente, porém, prossegue impulsionado por A tendência do operador, advertido por
pás radiais rotativas contra o envoltório externo, semelhantes riscos, é sempre conduzir a caldeira

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 444 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
com excesso de tiragem, sem a mínima condição descarga dos ventiladores, e os registros radiais,
de avaliar as conseqüências citadas a seguir: instalados na sucção dos ventiladores.
• Aumento das perdas na chaminé, devido
ao ingresso excessivo de ar de combustão. II.5. RUÍDO

O ar encontra facilidades de penetrar no Existe muita negligência na observação dos


interior da caldeira até por eventuais ruídos emanados pelos ventiladores industriais. O
frestas de rachaduras da alvenaria ou de ruído constitui um dos importantes fatores de
vedação imperfeita; insalubridade agindo particularmente na

• Diminuição da temperatura de combustão integridade do sistema auditivo a ponto de


com conseqüente redução do processo de inabilitar o trabalhador no exercício de suas

transferência de calor por irradiação e da funções. Há outros inconvenientes importantes a

eficiência de queima; serem considerados:

• Aumento no consumo de energia elétrica • Interferência da comunicação verbal que,


no motor do exaustor. A máquina se mal compreendida, pode levar a erros

sobrecarrega pelo maior volume de gases de conduta;

com temperaturas inferiores e passa a • Diminuição da faculdade perceptiva do


consumir mais; operador;

• Alterações do processo de combustão, • Sintomas de cansaço precoce;


com modificações na conformação da • Irritabilidade do indivíduo.
chama, que passa a penetrar nos trechos
do feixe de convecção, impedindo a Somando-se esses efeitos, gera-se uma queda de
completa queima do combustível. A própria eficiência geral no meio ambiente desprovido das
chama passa a sofrer um processo de medidas de atenuação da poluição sonora.
descontinuidade, podendo até atingir o
fenômeno de destaque, que causa o seu III. MANUTENÇÃO PREDITIVA
afastamento da região favorável a perfeita Nos sistemas de ar e gases de combustão são
combustão, ou mesmo a sua extinção. Se aplicadas manutenções preventivas e corretivas.
tal ocorrência se verificar, origina-se A seguir são feitas algumas considerações a
intensa formação de gaseificação propícia respeito da manutenção preventiva em alguns dos
a explosões de grande intensidade. equipamentos que compõem o sistema.

O controle da tiragem é obtido com dispositivos III.1. VENTILADOR

inseridos no circuito dos gases, denominados Alguns itens a serem verificados na manutenção
registros. Existem dois tipos clássicos de preventiva de ventiladores são:
registros, Os registros de veneziana, compostos • Ruídos e vibrações anormais – Toda
por uma, duas ou mais palhetas e instalados na máquina que tem componentes móveis
produz ruídos e vibrações de diferentes

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 445 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
intensidades. Os diferentes ruídos e correias, havendo necessidade de
vibrações que se apresentam em substituição, deve-se substituir todas por
máquinas são classificados em normais e correias do mesmo fabricante e
anormais. Raramente existem valores ou preferencialmente do mesmo lote. A
instrumentos para medi-los e compara-los tensão nas correias deve ser apenas
com alguma especificação, de modo que o suficiente para evitar escorregamento. O
bom senso e a experiência são fatores escorregamento pode ser atenuado com
determinantes neste caso. Diz-se que um aplicação de material resinoso como breu
ruído é normal quando é constante e por exemplo.
característico de máquinas em bom estado • Reaperto dos parafusos de fixação –
de conservação que não apresentam Verificar o estado das roscas, porcas e
defeitos. Entende-se por ruídos anormais cabeças dos parafusos. Verificar corrosão
aqueles que chamam a atenção dos nos parafusos e substituí-los se estiverem
operadores do equipamento e que avariados. Em alguns casos é interessante
normalmente tem como causa, defeitos em lubrificar os fios de roscas com graxa a fim
rolamentos, mancais, pontos de atrito, de evitar oxidação e emperramentos dos
peças soltas e outros. A localização de parafusos. Deve ser evitado o uso de
ruídos anormais deve ser feita com o uso polias demasiadamente pequenas para
de estetoscópio, analisadores eletrônicos que o eixo do motor não seja flexionado.
de vibração e ruídos e, em certos casos, As polias devem ser alinhadas com uma
até mesmo com uma chave de fenda escala de aço inox e após algumas horas
colocada com a ponta no equipamento e o de funcionamento, as correias devem ser
cabo junto ao ouvido do técnico. novamente tensionadas de acordo com as
• Lubrificação dos rolamentos – A recomendações do fabricante do
lubrificação dos rolamentos deve ser feita ventilador.
adequadamente, pois tanto a lubrificação • Estado dos Coxins – Deve ser verificado
insuficiente quanto a lubrificação excessiva se os coxins estão rachados,
podem danificar o rolamento. demasiadamente apertados ou frouxos. O
• Limpeza do rotor e voluta – Os rotores e funcionamento do ventilador com coxins
volutas dos ventiladores devem ser limpos, avariados ou incorretamente instalados
pois as impurezas que se alojam nos ocasiona, além de ruídos, danos a eixos
rotores podem causar desbalanceamento por vibrações excessivas.
e conseqüentes avarias aos rolamentos,
eixos e mancais, além de diminuir a III.2. CHAMINÉ

eficiência dos ventiladores. Deve ser feita a limpeza periódica da chaminé,


• Alinhamento das polias e Tensão das pois ao longo de seu funcionamento, ocorre
correias – Em uma transmissão de duas deposição de fuligem em sua parede interna. Com

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 446 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
isso, há uma redução da área de passagem dos
gases de combustão, prejudicando o processo de
tiragem.

III.3. DISPOSITÍVOS PARA CONTROLE DA


TIRAGEM

Assim como para chaminé, devem ser previstas


limpezas periódicas nos dispositivos de controle
de tiragem.

IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA


Durante a manutenção corretiva nas partes
internas do sistema de ar e gases de combustão,
deve-se ter cuidado devido a riscos de asfixia e
explosão causado por eventuais acúmulos de
gases não retirados pelo processo de tiragem.

V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Considerando que o sistema de ar e gases de
combustão seja corretamente operado e
considerando também, um adequado plano de
manutenção, pode-se estimar uma vida útil de 22
anos.

REFERÊNCIAS
[1] Pêra, H. Geradores de Vapor. Editora Fama
S/C Ltda 2a edição, São Paulo, 1990.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 447 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Aterramento

RESUMO valores são muito influenciados com a


Os sistemas de aterramento são essenciais à composição do solo. Realizando estas medições e
segurança das instalações elétricas e devem fazendo o tratamento do solo ou alteração na
dispender um cuidado especial para a malha de terra quando os valores medidos
manutenção do perfeito funcionamento do estiverem fora do padrão, estima-se uma vida útil
sistema, e são classificados em aterramento de de 40 anos para os sistemas de aterramento.
serviço e aterramento de segurança. O
aterramento de serviço faz parte integrante dos I. INTRODUÇÃO
circuitos elétricos, e o aterramento de segurança Aterrar um equipamento elétrico, ou um
evita os acidentes com as pessoas, no caso das componente de um sistema elétrico, corresponde
partes aterradas serem acidentalmente a ligá-lo eletricamente à terra por meio de
energizadas, devem ser dimensionados para dispositivos apropriados. Estes dispositivos são
protege-las contra a tensão de passo, a tensão de constituídos essencialmente dos seguintes
toque ou contato e a tensão de transferência. Com elementos:
isso, o aterramento de estruturas metálicas evita • Eletrodo de aterramento;
muitos efeitos indesejáveis provenientes de, por • Condutor que faz a ligação elétrica entre o
exemplo, descargas atmosféricas, cargas equipamento e o eletrodo de aterramento;
estáticas em equipamentos, faltas entre a fase e a • Terra que envolve o eletrodo de
carcaça de equipamentos, tensões induzidas das aterramento.
linhas de transmissão em cercas de arame, etc.
Estes sistemas de aterramento utilizam os O aterramento tem por objetivo assegurar a
seguintes eletrodos de terra: chapa de cobre, proteção do material, a melhoria dos serviços
cano de ferro galvanizado, barra perfilada de ferro elétricos e a segurança do pessoal. Estes
galvanizada, barra de ferro galvanizado, barra aterramentos são classificados em aterramento de
copperweld, fita de cobre, cabo de cobre, cabo de serviço e aterramento de segurança.
aço galvanizado. O tipo de eletrodo de terra a ser
utilizado será em função do valor da resistência da O aterramento de serviço faz parte integrante dos
malha de aterramento desejado, ou seja, a circuitos elétricos, como por exemplo: aterramento
capacidade de escoamento da corrente. Para o do ponto neutro dos transformadores trifásicos
bom funcionamento dos sistemas de aterramento ligados em estrela, aterramento do fio neutro das
deve-se realizar medições periódicas dos valores redes de distribuição elétrica.
de resistência da malha de terra, pois estes

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 448 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O aterramento de segurança evita os acidentes Os sistemas de aterramento de segurança
com o pessoal no caso das partes aterradas deverão proteger as pessoas para os seguintes
serem acidentalmente energizadas, como por tipos de tensão:
exemplo: aterramento da carcaça dos motores, • Tensão de passo: É a diferença de
aterramento das partes metálicas não energizadas potencial que pode se manifestar entre
das instalações elétricas. dois pontos da superfície da terra,
separados por uma distância igual a um
II. CARACTERÍSTICAS GERAIS passo de uma pessoa. Quando uma
Os sistemas de aterramento são classificados de pessoa caminha no sentido da estrutura na
acordo com o valor da resistência da malha de ocasião da falta, esta tensão irá aumentar.
terra necessário para o local, conforme • Tensão de toque ou de contato: É a
apresentado a seguir: diferença de potencial que pode se
• Excelentes: inferior a 5 ohms; manifestar entre uma parte metálica
• Bons: entre 5 e 15 ohms; aterrada e um ponto da superfície da terra,
• Razoáveis: entre 15 e 30 ohms; separados por uma distância que pode ser
• Condenáveis: acima de 30 ohms. alcançada pelo braço de uma pessoa.
• Tensão de transferência: É um caso
III. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS particular da tensão de toque, sendo a

A Norma NBR 5410 sugere, por exemplo, os diferença de potencial que pode se

seguintes tipos de eletrodos de terra a ser manifestar entre uma parte metálica

utilizado no projeto de um sistema de aterramento: aterrada e um ponto da superfície da terra,

• Chapa de cobre; separados por uma distância qualquer, em


que uma pessoa dali se liga eletricamente
• Barra copperweld;
à parte metálica por meio de um condutor.
• Barra de cobre;
• Cabo de cobre;
Os sistemas de aterramento podem ter os
• Barra de ferro galvanizado;
seguintes esquemas de construção:
• Barra perfilada de ferro galvanizado;
• Sistema TN-S, onde o condutor de
• Fita de cobre;
proteção (PE) possui o condutor neutro (N)
• Chapa de cobre.
distinto do condutor terra (T);

Estes eletrodos serão utilizados de acordo com as


necessidades do local (tipo de solo, e qualidade
da malha de terra), levando em consideração a
relação custo benefício do projeto para o sistema
de aterramento.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 449 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
independentemente do aterramento do
condutor de neutro (N);

• Sistema TN-C-S, onde o condutor de


proteção e neutro (PEN) possui o condutor
• Sistema IT, neste tipo de esquema não há
neutro e terra (TN) combinados em um
condutor de alimentação diretamente
único condutor numa parte do sistema;
aterrado, e sim, através de um dispositivo
limitador de corrente de curto circuito

• Sistema TN-C, onde o condutor de


proteção e neutro (PEN) possui o condutor
neutro e terra (TN) combinados num único Estes esquemas são adotados de acordo com as
condutor; necessidade do local.

Para a verificação do sistema de aterramento


deve-se realizar medições periódicas da
resistência da malha de terra, que deverá estar
dentro dos valores mínimos exigido pelo tipo de
instalação existente no local.

A título de exemplo, é apresentado a seguir, um


dos procedimentos para realizar a medição da
• Sistema T-T, onde condutor de proteção
resistência de aterramento.
(PE) aterra o equipamento

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 450 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Uma corrente alternada de valor constante irá • Nas proximidades das instalações de alta
circular entre o eletrodo de aterramento T e o tensão há, normalmente, correntes de fuga
eletrodo auxiliar T1, que deverá estar localizado que circulam pelo solo, interferindo na
fora da zona de influência do eletrodo T, conforme realização de uma medição correta.
apresentado na figura a seguir. • No instante da medição poderia ocorrer
uma falha na instalação protegida pelo
sistema de aterramento que está sendo
medido, e haverá uma circulação de
corrente do sistema para a terra
circunvizinha. Uma parcela desta corrente
poderá circular pelo condutor que liga a
malha de aterramento e o equipamento de
medição e este poderá ser danificado. Ou
ainda, o operador poderá sofrer um
Deve-se utilizar um outro eletrodo auxiliar T2 , que
choque elétrico resultante da tensão de
poderá ser uma pequena haste enterrada no solo
transferência, entre o local de aterramento
que deverá ficar no ponto médio entre T e T1, com
e o ponto em que está localizado a pessoa
isso deve-se medir a tensão entre T e T2. O valor
operando o instrumento.
da resistência de aterramento será o valor desta
tensão dividida pela corrente entre T e T1. Para a
Se durante as medições de acompanhamento da
verificação de influências entre os eletrodos, deve-
resistência do sistema de aterramento o valor
se fazer mais duas medições, onde o eletrodo T2
ultrapassar os valores máximos permitidos, deve-
será deslocado de 6 metros na direção de T e 6
se realizar os serviços de readequação desta
metros na direção de T1, caso estas três medidas
malha de terra. Isto pode ser obtido adotando um
forem semelhantes, deve-se utilizar a média dos
dos seguintes procedimentos:
valores como sendo o valor da resistência de
• Aumento do número de eletrodos
aterramento, caso contrário, deve-se realizar
enterrados e interligar por meio de
novas medições com um maior espaçamento
condutores;
entre T e T1.
• Aumentar a profundidade dos eletrodos
existentes;
Deve ser ressaltado que estas medições deverão
• Aumentar a espessura dos eletrodos;
ser realizados em dias no qual o solo se
• Realizar um tratamento químico do solo
apresente seco, tendo-se assim a situação mais
com a utilização de sais minerais, como
desfavorável para o sistema de aterramento.
por exemplo, cloreto de sódio, sulfato de
magnésio ou sulfato de cobre, etc.
As instalações deverão estar desenergizadas
durante a medição da resistência de aterramento
devidos aos seguintes fatores:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 451 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
Dentro do contexto acima é possível afirmar que a
vida útil de um sistema de aterramento se
encontra relacionada com a qualidade dos
eletrodos utilizados. Este valor está em torno de
40 anos.

Como os sistemas de aterramento são utilizados


para a proteção de equipamentos e pessoas,
estes deverão possuir um acompanhamento
rigoroso dos valores de resistência da malha, pois
estes valores são bastante influenciados com a
temperatura e composição química do solo.

REFERÊNCIAS
[1] Creder, H. Instalações Elétricas, LTC - Livros
Técnicos e Científicos Editora S.A., 13 a edição,
1999.

[2] Normas ABNT: NBR 5419 e NBR 5410.

[3] Filho, S. M. Fundamentos de Medidas


Elétricas, LTC - Livros Técnicos e Científicos
Editora S.A., 2a edição, 1981.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 452 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Comunicação e Proteção Carrier

RESUMO
Os sistemas de comunicação e proteção carrier I. INTRODUÇÃO
podem ser empregados em uma vasta gama de No início, os sistemas de comunicação carrier
aplicações, como comunicação de voz, eram usados somente para comunicação de voz,
telemedição, controle e supervisão, dentre outras. mas suas aplicações logo se expandiram para
Contudo, os sistemas carrier se destacam incluir uma larga variedade de funções tais como
principalmente quando usados nas aplicações de proteção, telemedição, controle e supervisão,
proteção, aumentando os limites de estabilidade e dentre outras. O sistema carrier permite, por
o carregamento das linhas. A transmissão de um exemplo, a rápida eliminação de todos os tipos de
sinal carrier através das linhas de transmissão faltas, aumentando os limites de estabilidade e o
envolve uma série de fatores oriundos da teoria de carregamento das linhas.
linhas de transmissão, como o fenômeno de
ondas estacionárias, a atenuação do sinal O uso de equipamentos carrier para a transmissão
causada pela linha e a relação sinal-ruído que de sinais de alta frequência em um sistema de
representa o principal critério de desempenho de transmissão de energia em 60 Hz envolve muitos
um sistema de transmissão carrier, bem como problemas. A configuração e o layout destes
fatores devido às próprias características do sistemas são invariavelmente ditados pelas
sistema de transmissão, como a existência de características do 60 Hz. Contudo, devido à
transformadores com taps. Portanto, o projeto de complexidade dos sistemas de potência, o cálculo
um sistema carrier é extremamente complexo, exato de todos os efeito torna-se praticamente
abrangendo uma série de equipamentos com impossível. Uma apreciação dos princípios
características especiais necessários para uma fundamentais envolvidos e o uso de dados
operação segura e confiável do sistema como um práticos reunidos ao longo dos anos normalmente
todo. Considerando-se os pontos mais são suficientes para o projeto de um sistema de
importantes e críticos do sistema carrier com as comunicação adequado.
respectivas políticas de manutenção preventiva e
corretiva adotadas, pode-se estimar a vida útil de
um sistema de comunicação e proteção carrier
como sendo de 20 anos.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 453 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II. CARACTERÍSTICAS Em um sistema simplex, somente uma estação
A banda normal de freqüências para os sistemas por vez pode transmitir em um dado instante. Na
carrier varia de 50 a 150 kHz. Em alguns casos, a comunicação simplex todas as estações em um
inclusão de novos canais pode exigir o uso de canal operam com a mesma freqüência.
bandas mais largas que podem variar de 30 a 200
kHz. O limite prático de extensão da banda de Um sistema duplex, por sua vez, opera como um
freqüência será provavelmente estabelecido pelas serviço telefônico. As transmissões podem ser
perdas excessivas para as altas freqüências do realizadas simultaneamente entre duas estações.
espectro, pelo tamanho e complexidade dos Em uma estação, a primeira de duas freqüências
equipamentos de acoplamento e sintonia e pela é usada para transmissão e a segunda para
dificuldade de se obter circuitos de sintonia recepção. Na outra estação, a primeira freqüência
suficientemente larga para abranger as baixas é usada para recepção e a segunda para
freqüências. transmissão.

II.1. SISTEMAS DE MODULAÇÃO II.3. SISTEMA SIMPLEX DE FREQÜÊNCIA ÚNICA

Existem três sistemas de modulação diferentes Este é o mais simples sistema de comunicação
disponíveis para o uso do carrier em linhas de carrier em termos do número de equipamentos
energia: necessários e facilidade de ajustes após a
• Modulação por amplitude; instalação. Um botão é usado para chavear entre
• Modulação por freqüência; transmissão e recepção.

• Sistemas de bandas laterais.


II.4. SISTEMA DUPLEX DE DUAS FREQÜÊNCIAS

Destes, modulação por amplitude é de longe o Os componentes básicos de um sistema duplex

mais usado. Na modulação por amplitude, a de duas freqüências estão dispostos no diagrama
em blocos da figura 1.
amplitude ou intensidade da onda transmitida é
variada de acordo com a forma de onda da Transmissor
Para
grandeza a ser transmitida. Circuito de
Sintonia
Unidade de Amplificador
Chamada de Áudio
II.2. COMUNICAÇÃO CARRIER
Extensão
Os sistemas de comunicação carrier aplicados em 2 fios Unidade
Híbrida
linhas de energia diferem no método de chamada,
Unidade de
na fonte de alimentação, ou no sistema de Toque
Receptor
modulação, mas qualquer configuração pode ser
classificada como simplex ou duplex, dependendo Figura 1 – Unidades Básicas de um Sistema de
da sua operação. Comunicação Duplex

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 454 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Fora o fato do transmissor e receptor operarem ponto que tem um código codificado em
em freqüências diferentes, a principal diferença toques.
entre este sistema e o sistema simplex descrito • Chamada por voz, onde um auto-falante
acima é a adição da unidade híbrida de áudio. simplesmente anuncia a pessoa com quem
se deseja falar.
É esta unidade que torna possível para o • Toque automático, usado para
transmissor e o receptor operarem continuamente comunicação ponto a ponto.
durante a comunicação, sem a necessidade de • Discagem seletiva, onde o número
chaveamento. desejado é discado, como em sistemas
II.5. SISTEMA DUPLEX DE VÁRIAS ESTAÇÕES convencionais de telefone.
O sistema duplex de várias estações oferece as
vantagens da comunicação duplex entre III.2. PROTEÇÃO CARRIER
quaisquer duas estações dentre várias utilizando Um canal carrier piloto oferece a possibilidade de
somente um canal de comunicação. Neste caso, acionamento rápido e simultâneo de ambos os
dois transmissores e dois receptores são usados disjuntores de um circuito de energia em um a três
ao invés de um, como no sistema duplex anterior. ciclos para faltas ao longo de toda a seção. Como
conseqüência, tem-se:
II.6. SISTEMA SIMPLEX AUTOMÁTICO • Estabilidade: a eliminação simultânea
Este é o sistema mais versátil de todos os melhora a estabilidade do sistema e
sistemas de comunicação carrier aplicados a aumenta a carga que pode ser carregada
linhas de energia. O número de estações em um seguramente através de linhas de
dado canal não é limitado a dois, como no usual interconexão paralelas.
sistema duplex de duas freqüências. Este sistema • Religamento rápido: o acionamento
permite uma comunicação individual entre várias simultâneo é essencial para religamento
estações no mesmo canal. A adição de algumas rápido.
unidades ao diagrama do sistema duplex da figura
• Choque para o Sistema: distúrbios do
1 permite a criação de um estado de espera
sistema, como quedas de tensão e
usado para chavear ora a transmissão de dados e
desligamento de cargas síncronas, são
ora a recepção de dados.
reduzidos através da eliminação rápida de
faltas.
III. APLICAÇÕES
• Flexibilidade no projeto do Sistema:
determinados arranjos de sistema que não
III.1. SISTEMAS DE CHAMADA
podiam ser protegidos com velocidade
Os principais sistemas usados para estabelecer
suficiente são possíveis com o uso da
uma chamada em um canal carrier são:
proteção carrier.
• Toque codificado, usado freqüentemente
• Propagação das Faltas: a rápida
em linhas rurais para atingir determinado
eliminação de faltas trifásicas mais graves

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 455 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
entre fases e as envolvendo o terra reduz fora de sincronismo, eliminando ainda as
significativamente a propagação da falta faltas durante tais condições.
para outras fases do sistema. • Faltas Simultâneas: os recursos
• Proteção de terra melhorada: em adicionados para discriminação tornam
sistemas onde a proteção rápida de terra possível uma proteção com desempenho
não é possível, o uso da proteção carrier superior quando da ocorrência de faltas
oferece a solução ideal. simultâneas.
• Fora de Sincronismo: o canal de carrier
proporciona meios para prevenir a
operação de relés de proteção devido a
oscilações de potência ou condições de

1
2

Relé Relé

T/R T/R
Figura 2 – Sistema Carrier de Proteção

• Uso integrado: do ponto de vista qual a grandeza existe. As grandezas telemedidas


econômico o uso integrado de um canal mais freqüentes nos sistemas de potência são
carrier para comunicação ponto a ponto, grandezas elétricas, normalmente kW e kVAR.
ou para controle ou medição remota, pode Outras grandezas como temperatura do ponto
indicar o uso de um piloto carrier onde os quente, nível de água, posição do comutador,
requisitos de proteção sozinhos não dentre muitas outras podem ser telemedidas.
justificariam seu uso.
Existem dois sistemas de medição:
III.3. TELEMEDIÇÃO USANDO CARRIER • Taxa de pulso;
Telemedição é a indicação ou registro de uma • Duração de pulso.
grandeza em uma localização distante daquela na

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 456 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
No sistema de taxa de pulso, a freqüência ou taxa
dos pulsos varia proporcionalmente à magnitude IV. PROPAGAÇÃO DO SINAL CARRIER EM
da grandeza telemedida. LINHAS DE TRANSMISSÃO

No sistema de duração de pulso, a freqüência dos IV.1 PROPAGAÇÃO ENTRE DOIS CONDUTORES DE
pulsos é constante. A duração do pulso durante FASE

um ciclo de pulso completo é proporcional à Da teoria de linhas de transmissão, as equações


magnitude da grandeza telemedida. gerais de corrente alternada, em regime
permanente, que podem ser aplicadas à
III.4. CONTROLE DE CARGA E FREQÜÊNCIA transmissão de sinal carrier, são dadas por:
O controle de carga e freqüência corresponde ao  U• + I• . Z•   • • •


 R R C  (α + jβ )⋅ l  U R − I R . Z C  −(α + j β )⋅l
controle feito na saída de um gerador ou grupo de UT =  .e + .e
 2   2 
geradores em um sistema de tal modo a manter a    
freqüência do sistema e regular o intercâmbio de
potência com outros sistemas de acordo com um  • • •
  • • •


U R + I R .Z C  (α + jβ )⋅l  U R − I R . Z C  −(α + jβ )⋅l
plano predeterminado. IT =  • .e + • .e
 
 2. Z C   2. Z C 

III.5. CONTROLE SUPERVISIONADO

Controle supervisionado é um sistema de controle Nestas expressões, UT e IT são a tensão e a

e supervisão executado de um ponto central para corrente no transmissor enquanto UR e IR são a

a operação de equipamentos em uma ou mais tensão e a corrente no receptor, respectivamente.

localizações remotas. O controle e a supervisão


de diversas partes separadas dos equipamentos A impedância característica dada por ZC, é

são realizados relativamente com poucos definida como:

condutores ou canais. • L
ZC =
C
III.6. FUNÇÕES COMBINADAS EM UM CANAL
CARRIER sendo L e C a indutância e a capacitância por
Muitas das funções de um sistema de unidade de comprimento, respectivamente.
comunicação carrier que foram descritas podem
ser desempenhadas simultaneamente através de A constante de propagação dada por α+jβ é
um único canal de carrier. Normalmente, vários definida como:
canais na mesma linha podem compartilhar o • •

mesmo equipamento de acoplamento e sintonia. α + jβ = z . y = (r + jϖ L)(


. g + j ϖC )

O uso eficiente destes equipamentos


freqüentemente justifica o investimento nos A distância entre o transmissor e receptor é dada
aparatos para o sistema que poderiam não ser por l.
justificáveis para uma única função sozinha.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 457 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O resultado exposto acima permite que sejam operação quanto a atenuação do meio de
analisadas algumas peculiaridades. transmissão.

As ondas estacionárias resultantes da soma de Os ruídos podem ser classificados como:


ondas viajantes originadas na linha aumentam as • Randômico: possuem um espectro de
perdas e a radiação de energia da linha, além de freqüência contínuo, contendo todas as
outros efeitos indesejáveis. freqüências em quantidades iguais.
A atenuação causada pela linha é outro fator de • Impulso: de maior importância, é
extrema importância em aplicações carrier, pois produzido quando pulsos discretos, em
determina a fração da energia transmitida intervalos definidos, existem nos terminais
disponível no receptor para superar ruídos e de entrada de um receptor.
interferências.
VI. EQUIPAMENTOS E CIRCUITOS DE
Analisando-se o segundo termo das expressões, ACOPLAMENTO E SINTONIA
pode-se verificar que se a impedância de Para acoplar um circuito carrier a uma linha de
terminação da linha no lado receptor for igual à energia são utilizados capacitores de
impedância característica ZC da linha, não há mais acoplamento. O esquema típico de um capacitor
tensão ou corrente refletida, eliminando os de acoplamento é apresentado na figura 3.
problemas causados pela reflexão.
Particularmente para linhas longas, o segundo
1
termo torna-se irrelevante, mesmo no caso em
que a terminação seja diferente de Z C.
2
Um caso especial que deve ser considerado 3
refere-se a taps e linhas que se estendem sobre a
linha na qual o sinal carrier é transmitido. A
4 5 6
impedância de entrada neste caso pode ser
extremamente baixa sob certas condições e pode
constituir praticamente um curto-circuito ao longo
Figura 3 – Esquemático de um Capacitor de
do canal carrier.
Acoplamento para Carrier

V. RUÍDO EM LINHAS DE TRANSMISSÃO


Um capacitor de acoplamento pode possuir um ou
A relação sinal-ruído é o principal critério do
mais módulos capacitivos montados em uma
desempenho de um sistema de transmissão
porcelana presa a uma base metálica. Cada
carrier. O nível de ruído presente no receptor de
módulo é formado por diversas unidades
um canal carrier é tão importante para a correta
capacitivas conectadas de modo a se obter a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 458 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
capacitância desejada. A base metálica contém os
seguintes componentes: VI.2. CIRCUITOS DE SINTONIA

• Bobina de drenagem; Para compensar as perdas do sinal carrier devido


• Chave de aterramento; à resistência das linhas de transmissão e às

• Gap de proteção. reatâncias do capacitor de acoplamento, é


utilizado um circuito de sintonia. Este circuito é

A bobina de drenagem tem a função de aterrar o formado basicamente por uma indutância variável

sinal de 60 Hz da linha, permitindo somente a ligada em série com o capacitor. Atuando-se

passagem do sinal carrier. sobre esta indutância é possível cancelar a


reatância do capacitor de acoplamento na

A chave de aterramento é usada para freqüência do sinal carrier, aumentando

manutenção, aterrando o capacitor para proteção. conseqüentemente a eficiência do acoplamento.

O gap protege a bobina de drenagem contra Normalmente, em algumas aplicações, torna-se

surtos de tensão durante a operação normal. necessário o uso de mais de uma freqüência
carrier. Em tais casos, uma economia pode ser

Normalmente o carrier é montado junto a um obtida através do uso de um sistema de sintonia

transformador de potencial indutivo usado para de multi-freqüência, que permite sintonizar um

transformação de tensão, aproveitando-se em um único capacitor de acoplamento para duas

mesmo equipamento o dispositivo de potencial freqüências carrier diferentes.

capacitivo. Neste caso, são incluídos mais alguns


componentes na base metálica. Este equipamento Teoricamente poderíamos estender o uso de um

é conhecido como Transformador de Potencial capacitor de acoplamento para várias freqüências.

Capacitivo – TPC. Contudo, a complexidade do circuito de sintonia e


a própria dificuldade envolvida nos ajustes
VI.1. BOBINA DE BLOQUEIO tornariam o projeto inviável econômica e
Um equipamento importante que se torna tecnicamente. Portanto, do ponto de vista prático,
necessário em sistemas carrier é a bobina de é mais aconselhável usar não mais que duas
bloqueio. Uma bobina de bloqueio é um circuito freqüências.
ressonante paralelo ligado em série com a linha
de transmissão e sintonizado para bloquear o VI.3. CABO COAXIAL

sinal carrier. A bobina de bloqueio permite que o Os circuitos de transmissão e recepção são

sinal carrier fique confinado na região de geralmente conectados aos capacitores de

aplicação, o que aumenta o desempenho e a acoplamento através de cabos coaxiais. Contudo,

confiabilidade do sistema de comunicação carrier, o comprimento desses cabos é limitado devido à

uma vez que o sinal carrier é isolado de outras atenuação do sinal, que varia conforme as

partes do sistema elétrico. características do sistema.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 459 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
os valores medidos no campo são maiores que os
VI.4. MÉTODOS DE ACOPLAMENTO indicados na placa de características do TPC, é
Existem diversas maneiras para se utilizar um ou sinal de que temos umidade ou contaminação por
mais condutores de uma linha trifásica como arcos no dielétrico. Um valor de tangente delta
condutores para os sinais carrier. Dentre os (fator de dissipação) superior a 1% indica
acoplamentos possíveis, pode-se destacar: claramente que o capacitor está se deteriorando,
• Fase-terra; devendo ser retirado de serviço. Como um
• Entre fases; capacitor de acoplamento é formado por vários
• Entre circuitos; elementos em série, a falha de um ou mais
• Circuito duplo com retorno pelo terra; elementos pode ser detectada por um aumento no
• Acoplamento em barramento. valor da capacitância. Uma variação de mais de
3% no valor da capacitância, determina a retirada
O mais simples, e também mais utilizado, é o de serviço da unidade.
acoplamento fase-terra, no qual um condutor da
linha é usado como uma perna do circuito carrier, VII.2. DISPOSITIVOS

e o terra como retorno. A chave de aterramento deve ser operada


periodicamente, dependendo do grau de poluição

VII. MANUTENÇÃO PREDITIVA e umidade do local, a fim de se verificar o seu

A manutenção de um sistema carrier envolve funcionamento, comprovando assim que não

vários equipamentos, conforme discutido ao longo estão bloqueadas pela corrosão. Deve ser

do texto. Contudo, o capacitor de acoplamento verificada também se existem sinais de umidade

montado normalmente em um TPC, é o ou condensação na caixa do Carrier.

equipamento mais complexo que representa o


ponto mais importante e crítico do sistema carrier. VIII. MANUTENÇÃO CORRETIVA
Como se trata de um equipamento hermético,

O TPC por ser um equipamento estático, requer qualquer intervenção somente poderá ser feita em

manutenção mínima. Uma inspeção visual é fábrica. Em casos específicos, pode-se efetuar a

suficiente para observar se há vazamento de óleo troca de alguns módulos sem recalibração.

ou aletas quebradas da caixa metálica, por Contudo, quaisquer serviços de calibração que se

exemplo. Para se estabelecer uma verificação tornem necessários, deverão ser executados em

periódica dos parâmetros elétricos deve-se seguir fábrica.

os procedimentos a seguir.
IX. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
VII.1. MÓDULOS CAPACITIVOS Os sistemas de comunicação e proteção carrier
O meio mais confiável para se verificar o estado compreendem alguns equipamentos necessários
dielétrico do capacitor é através da medida da à operação do sistema. Em especial, o capacitor
capacitância e tangente delta de cada módulo. Se de acoplamento montado normalmente em um

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 460 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
TPC representa, conforme discutido
anteriormente, um ponto vital para a operação do
sistema. Devido à complexidade da construção
deste equipamento, a própria manutenção fica
restrita a verificações periódicas dos parâmetros
elétricos e dispositivos componentes. Além disso,
a própria bobina de bloqueio bem como outros
acessórios usados têm também importante
participação no desempenho do sistema como um
todo. Portanto, considerando-se esses aspectos,
pode-se estimar a vida útil de um sistema de
comunicação e proteção carrier como sendo de 20
anos.

REFERÊNCIAS
[1] Electrical Transmission and Distribution
Reference Book, by Central Station Engineers of
the Westinghouse Electric Corporation. East
Pittsburgh, Pennsyvania. 4a edição, 1950.

[2] Catálogos e manuais de Fabricantes.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 461 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Comunicação Local

RESUMO seguindo as mensagens enviadas pelo sistema de


Chama-se rede telefônica de um edifício o monitoração. Além do mais, as manutenções
conjunto de cabos telefônicos, blocos terminais, indicam o grau de urgência da operação. O
ferragens e materiais acessórios instalados no serviço não dá uma mensagem explícita relativa
imóvel com a finalidade de permitir a ligação de ao componente a ser trocado, mas uma
equipamentos de telecomunicações à rede mensagem indicativa do componente defeituoso e
telefônica externa. Este estudo se aplica a todos uma descrição da falha, permitindo ao técnico
tipos de edificações, em fase de projeto, de deduzir e substituir o componente defeituoso.
construção, reforma ou ampliação, que Todos os componentes do PABX são testados
necessitam de rede telefônica interna quando são inicializados; as unidades auxiliares e
independentemente de seu porte, finalidade, interfaces são testadas ciclicamente. Quanto aos
número de pavimentos, número de linhas e de demais elementos da rede, a detecção de
pontos telefônicos. O principal elemento de uma problemas implica, na maioria das vezes, na troca
rede interna em uma edificação é o PABX. O do elemento em mau funcionamento. A vida útil
PABX pode abranger serviços de voz, imagem e econômica do principal elemento da rede interna,
dados. Este dispositivo pode integrar todos os o PABX, sofre, principalmente, influências da
serviços existentes na empresa, não importando obsolescência tecnológica. Contribuem para a
onde os usuários estejam localizados. Uma estimação da vida útil as características
configuração de rede é utilizada para associar construtivas e os critérios de manutenção.
localidades e fornecer serviços homogêneos para Considera-se para a rede telefônica interna 15
todos os telefones e terminais. Em termos de anos de vida útil econômica.
manutenção em redes internas tem-se: a
manutenção preditiva em PABX consiste na I. INTRODUÇÃO
verificação do estado das instalações, observação Chama-se rede telefônica de um edifício o
do tráfego de elementos e testes cíclicos dos conjunto de cabos telefônicos, blocos terminais,
diferentes componentes. Já a atividade de ferragens e materiais acessórios instalados no
manutenção corretiva em PABX consiste na imóvel com a finalidade de permitir a ligação de
detecção de componentes defeituosos através da equipamentos de telecomunicações à rede
indicação de alarmes indicados nos quadros, telefônica externa. Este estudo se aplica a todos

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 462 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
tipos de edificações, em fase de projeto, de • Ponto Telefônico: previsão de demanda de
construção, reforma ou ampliação, que um telefone principal ou de qualquer
necessitam de rede telefônica interna serviço que utilize pares físicos dentro de
independentemente de seu porte, finalidade, um edifício.
número de pavimentos, número de linhas e de • Carga de uma Caixa de Distribuição:
pontos telefônicos. somatório dos pontos atendidos a partir de
II. CARACTERÍSTICAS uma caixa de distribuição.
• Número Ideal de Pares Terminados (PT):
II.1. DEFINIÇÕES número mínimo de pares necessário par o
Para um melhor entendimento dos conceitos atendimento da carga prevista.
relacionados à redes telefônicas, é importante a • Número Efetivo de Pares Terminados:
apresentação das seguintes definições: número real de pares que são ligados aos
• Bloco Terminal Interno (BLI): bloco de blocos terminais internos de uma caixa de
material isolante, destinado a permitir a distribuição ou caixa de distribuição geral.
conexão de cabos e fios telefônicos. • Linha Individual: linha telefônica que
• Cabo de Entrada: cabo que interliga a rede atende a um assinante, conectada a uma
externa da operadora à caixa de estação telefônica publica, que pode ser
distribuição geral do edifício. classificada em residencial ou não
• Cabo Interno (CI): cabo que interliga a residencial.
caixa de distribuição geral às caixas de • Linha Privativa (LP): linha física constituída
distribuição. de um ou mais pares de fios e de
• Distribuidor Geral do Edifício: caixa ou sala equipamentos complementares, que
onde são terminados e interligados o cabo interliga dois pontos distintos e não é
de entrada e os cabos internos do edifício. conectada aos equipamentos de
• Rede Secundária: Rede de fios telefônicos comutação das estações telefônicas
internos (FI) que se estendem desde o públicas.
distribuidor geral até as caixas de • Linha Tronco ou Tronco de CPCT: linha
distribuição. telefônica que interliga uma CPCT a uma
• Rede Telefônica Interna: conjunto de estação telefônica publica.
meios físicos (cabos, blocos terminais, fios, • Central Privada de Comutação Telefônica
etc) necessários para prover a ligação de (CPCT): estação comutadora para uso
qualquer equipamento terminal de particular (PABX, PBX, KS), interligada
telecomunicações dentro de um edifício à através de linhas troncos a uma estação
rede telefônica externa. telefônica pública, que permite a seus
• Fio Telefônico Interno (FI): par condutores ramais acesso às redes de
que interligam as tomadas telefônicas aos telecomunicação interna ou externa,
blocos terminais internos.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 463 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
através de comutação automática ou • Tomada padrão para telefone;
manual. • PABX.
• Ramal de CPCT: terminal de CPCT ligado
a rede telefônica interna ou a uma linha
privativa.
• Ramal Interno: ramal de CPCT que não II.3. PABX

ocupa pares na rede externa da operadora Um PABX pode abranger serviços de voz,
e que conecta o equipamento de imagem e dados. Este dispositivo pode integrar
comutação de uma CPCT localizada num todos os serviços existentes na empresa, não
edifício a um aparelho telefônico localizado importando onde os usuários estejam localizados.
no mesmo edifício. Uma configuração de rede é utilizada para
• Ramal externo: ramal de CPCT que ocupa associar localidades e fornecer serviços
um par da rede externa da operadora e homogêneos para todos os telefones e terminais.
que conecta o equipamento de comutação
de uma CPCT localizado em um edifício, a Um exemplo de uma estrutura básica é a
um aparelho telefônico localizado em outro chamada tecnologia cristal. As placas (interfaces,
endereço. sistema, auxiliares, etc.) estão totalmente

• Distribuidor Geral de CPCT: caixa ou sala interconectadas e controladas por uma CPU.

onde são terminados e interligados os


cabos provenientes da CPCT e os cabos
provenientes da rede de ramais de CPCT
e ou da rede interna do edifício.

II.2. MATERIAIS UTILIZADOS

Os materiais relacionados a seguir são aqueles


que devem ser especificados nos projetos de
redes telefônicas internas. São eles:
• Anéis guia com rosca soberba;
• Blocos terminais;
• Canaleta suporte;
• Braçadeira para cabo (BC); Figura 1: Estrutura Cristal

• Cabos telefônicos para rede interna (CI);


• Fios FI; Em termos de segurança, confiabilidade e

• Cabos telefônicos para interligação de flexibilidade, esta estrutura oferece as seguintes

edificações; vantagens:

• Suporte para borne fêmea para pino • Nenhuma saturação do tráfego, não

banana; importando o número de usuários (1

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 464 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Erlang). O tráfego suportado está
relacionado com o número de enlaces.
• Nenhum barramento comum. Um
problema em um enlace não interrompe
toda a operação em outros enlaces.
• Funções descentralizadas em todas as
placas: circuito de comutação, detector de
tom, conferência a três.
• Fontes de alimentação descentralizadas
em todas as placas: cada placa converte
suas próprias tensões a partir da
distribuição de 48V; as necessidades de Figura 2: Elementos que podem ser conectados a rede
fonte de alimentação dependem das interna
placas de extensão instaladas.
• Possibilidade de salvar dados com uma II.3.2. Modularidade
placa de disco flexível em um sub-bastidor
ou em disco flexível. a) Sub-Bastidores
Um sub-bastidor é um painel traseiro onde as
• Possibilidade de instalação de uma CPU
de back-up. placas de interface e de processamento são
conectadas. Há diversos tipos de sub-bastidores e
II.3.1 Ambiente Geral três tamanhos diferentes.

Os elementos que normalmente podem ser


conectados são de três tipos: b) Gabinetes
Diversos tipos de gabinetes estão disponíveis de
• Telefone e computadores;
acordo com a capacidade do usuário. Os
• Redes internas de computadores (redes
gabinetes podem suportar sub-bastidores;
locais etc.);
MODEM’s, baterias, etc.
• Redes externas de telecomunicações e
teletransmissão (STN, RDSI, X25, etc.). c) Configurador
A capacidade real disponível em um gabinete é
A operação destes elementos está assegurada configurada pelo configurador. O configurador
pelas interfaces telefônicas e de acesso a dados, determina o número e o tipo de placas e sub-
e pelos protocolos de voz e dados. bastidores necessários e o número e o tipo de
gabinetes de acordo com as necessidades do
cliente.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 465 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
d) Placas manutenção. Considera-se para a rede telefônica
Encontram-se presentes nestes dispositivos
interna 15 anos de vida útil econômica.
placas de processamento, placas de interface;
placas auxiliares e placas analógicas.
REFERÊNCIAS
[1] Manual de fabricante.
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA
A manutenção preditiva em PABX consiste na
[2] Manual de rede telefônica interna de imóveis _
verificação do estado das instalações, observação
Projeto. TELEMIG. 1990.
do tráfego de elementos e testes cíclicos dos
diferentes componentes.

IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA


Já a atividade de manutenção corretiva em PABX
consiste na detecção de componentes defeituosos
através da indicação de alarmes indicados nos
quadros, seguindo as mensagens enviadas pelo
sistema de monitoração. Além do mais, as
manutenções indicam o grau de urgência da
operação. O serviço não dá uma mensagem
explícita relativa ao componente a ser trocado,
mas uma mensagem indicativa do componente
defeituoso e uma descrição da falha, permitindo
ao técnico deduzir e substituir o componente
defeituoso. Todos os componentes do PABX são
testados quando são inicializados; as unidades
auxiliares e interfaces são testadas ciclicamente.
Quanto aos demais elementos da rede, a
detecção de problemas implica, na maioria das
vezes, na troca do elemento em mau
funcionamento.

V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil econômica do principal elemento da
rede interna, o PABX, sofre, principalmente,
influências da obsolescência tecnológica.
Contribuem para a estimação da vida útil as
características construtivas e os critérios de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 466 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Controle Químico e Volumétrico

RESUMO o sistema possibilita a purificação contínua do


O Sistema de Controle Químico e Volumétrico refrigerante do reator e o controle químico da
para uma Usina Nuclear tipo Reator de Água reatividade.
Pressurizada – PWR, é o sistema auxiliar mais
importante, sendo permanentemente necessário Funções adicionais são desempenhadas durante
para a operação do reator. Esta descrição é típica, as várias fases de operação da planta, sendo que
podendo ter pequenas variações de uma usina algumas delas são específicas para condições de
para outra em função da filosofia de cada partida e parada, tais como:
fabricante. Nela estão descritos as funções do • Enchimento do Sistema de Refrigeração
sistema, sua descrição considerando os critérios do Reator;
de projeto, detalhes e conexões com outros • Filtragem e purificação do refrigerante do
sistemas. Com relação aos equipamentos é feito reator através de um fluxo contínuo que é
uma descrição sumária dos principais, como desviado para filtros e desmineralizadores
bombas, tanques, desmineralizadores, válvulas, trocadores de íons;
trocadores de calor e tubulações. Com relação a • Compensação de variações de volume do
instrumentação do sistema é descrito os principais refrigerante do reator causadas por
controles e pontos de medição de vazão, variações de densidade devida as
temperatura, nível e pressão. Num item específico variações de temperatura, particularmente
é feito uma descrição da operação do sistema, durante a partida e parada da usina,
considerando condições de partida da planta, aquecimento e resfriamento do Sistema de
operação a potência e parada. Da manutenção é Refrigeração do Reator;
feito uma descrição considerando os principais • Compensação de variações de volume
programas de manutenção para este sistema. devido a pequenos vazamentos no
Uma análise sobre a vida útil do sistema é feita Sistema de Refrigeração do Reator;
com base na vida útil de seus equipamentos. A • Injeção de ácido bórico e água
vida útil do Sistema de Controle Químico e desmineralizada no Sistema de
Volumétrico pode ser considerada de 40 anos. Refrigeração conforme a necessidade para
o controle químico da reatividade e
I. FUNÇÕES DO SISTEMA transferência do refrigerante substituído
A principal função do sistema é o controle do nível para os tanques de armazenamento;
de água do Pressurizador em diferentes • Aspersão auxiliar no Pressurizador;
condições de operação da usina. Adicionalmente,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 467 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Injeção de hidrogênio no refrigerante do carregamento como na linha de saída. Assim, o
reator; fluxo de carregamento ou saída são dependentes
• Injeção de produtos químicos, hidróxido de do nível do Pressurizador.
lítio e hidrazina, no refrigerante do reator
para controlar o pH e escorva de oxigênio O fluxo normal de carregamento durante operação
durante a partida da usina normal de potência é da ordem de 200 lpm, sendo
respectivamente; que ainda entram no Sistema de Refrigeração do
• Selagem das Bombas de Refrigerante do Reator aproximadamente 20 lpm pela selagem de
Reator; cada Bomba de Refrigeração do Reator.
• Medida em serviço da concentração de
boro; Do fluxo total de injeção pelas Bombas de

• Monitoração de falhas em elementos Refrigeração do Reator uma parte extravasa dos

combustíveis; selos e retorna para o Sistema de Controle

• Variações da concentração de boro Químico e Volumétrico. Logo, nem todo o fluxo de

através do sistema de regeneração térmica selagem entra no Sistema de Refrigeração do

de boro. Reator.

Cada projeto tem suas diferenças e pode-se A linha de saída normal é conectada numa perna

encontrar usinas que não possuem todas estas intermediária. O fluxo de saída passa pelo

funções ou que tenham outras não relacionadas Trocador de Calor Regenerativo, transferindo

acima. calor para a água de carregamento, usando o


princípio do contrafluxo. Neste ponto, a

II. DESCRIÇÃO DO SISTEMA temperatura da água de saída é reduzida de 290


o
C para cerca de 140 oC a plena potência. A
Durante operação a potência o Sistema de
seguir o fluxo de saída passa por orifícios ou
Refrigeração do Reator é mantido sob contínuo
válvulas redutoras de pressão que promovem uma
suprimento e retirada de água via linhas de
redução da pressão da ordem de 120 Kgf/cm2.
carregamento e da selagem das Bombas de
Após esta redução de pressão há um trecho de
Refrigeração do Reator e da linha de saída
linha com a finalidade de promover um retardo no
respectivamente.
deslocamento do fluido, para permitir o
decaimento do Nitrogênio 16, que é um emissor
O fluxo de carregamento normalmente é enviado
gama de alta energia, reduzindo assim as taxas
para a perna fria do Sistema de Refrigeração do
de dose produzidas pelo refrigerante do reator, do
Reator, com opções de envio para mais de um
lado de fora do envoltório de contenção,
circuito.
transitando pelas tubulações nos edifícios
auxiliares da planta.
O controle do nível do Pressurizador é feito numa
válvula que poderá estar tanto na linha de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 468 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Nos edifícios auxiliares, com uma pressão de nível alto, desviará o fluxo de saída para o
controlada, ocorre a junção com a saída oriunda sistema de armazenamento.
do Sistema de Remoção de Calor Residual, a qual
é usada durante as partidas e paradas da Bombas de Carregamento, com alta pressão,
unidade, quando a pressão do Sistema de succionam do Tanque de Controle Químico e
Refrigeração do Reator está baixa e não é capaz Volumétrico e descarregam no Sistema de
de gerar fluxo adequado através do sistema Refrigeração do Reator através da linha de
redutor de pressão (válvulas ou orifícios). Este carregamento e na selagem das Bombas de
fluxo é importante para permitir a purificação Refrigeração do Reator. A linha de carregamento
adequada do Sistema de Refrigeração do Reator. que vai para o Sistema de Refrigeração do Reator
passa pelo Trocador de Calor Regenerativo cuja
Após a junção com o Sistema de Remoção de finalidade básica é aquecer esta água para evitar
Calor Residual o fluxo de saída, passa por um choque térmico. Este fluxo normalmente é
segundo estágio de resfriamento, agora resfriado direcionado para a perna fria de um dos circuitos
pelo Sistema de Refrigeração dos Componentes, do Sistema de Refrigeração do Reator, com a
onde a temperatura é reduzida para alternativa de ser enviado para mais de um
aproximadamente 45oC. Estando agora numa circuito.
temperatura e pressão compatíveis com os
sistemas auxiliares, através de alinhamentos Normalmente, na sucção das Bombas de
específicos, esta água poderá ser tratada em Carregamento estão conectados os Sistemas de
desmineralizadores mistos e/ou aniônicos, filtrada, Injeção de Ácido Bórico, de Água Desmineralizada
desgaseificada, armazenada ou ser direcionada e de Injeção de Produtos Químicos, sistemas
diretamente para o Tanque de Controle Químico e estes que em conjunto com o Sistema de Controle
Volumétrico. Químico e Volumétrico tem a função de variar a
concentração de ácido bórico e fazer o controle do
O Tanque de Controle Químico e Volumétrico pH e O2 respectivamente do Sistema de
alimenta a sucção das bombas de carregamento Refrigeração do Reator.
que por sua vez suprem o carregamento para o
Sistema de Refrigeração do Reator e a injeção de III. DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
selagem. Este tanque possui um bocal de spray,
de modo a aumentar a área de contato entre a III.1. TUBULAÇÕES

água e a camada de hidrogênio que mantém o Todas as tubulações do Sistema de Controle


mesmo pressurizado. Em condições normais de Químico e Volumétrico e os sistemas auxiliares
operação ele recebe todo o fluxo de saída. O conectados a ele são feitas em aço austenítico e
controle de nível deste tanque atua normalmente soldadas.
numa válvula a montante do mesmo que no caso

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 469 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
III.2. VÁLVULAS compartimento da bomba uma vez que ela
Todas as válvulas conectadas ao Sistema de trabalha com fluido radioativo.
Tubulações do Sistema de Refrigeração do Reator
são projetadas conforme requisitos da categoria 1. III.4. TANQUES

As válvulas do Sistema de Controle Químico e O tanque de Controle Químico e volumétrico tem


Volumétrico que operam sob alta pressão são as funções de fornecer pressão de retaguarda no
projetadas conforme requisitos da categoria 2. extravasamento dos selos das Bombas de
Todas as válvulas são em aço austenítico e Refrigeração do Reator, fornecer pressão
quando de alta pressão são soldadas as adequada na sucção das bombas de
tubulações. Existem além das estações redutoras carregamento para a sua correta operação,
de alta e baixa pressão, válvulas de três vias, permitir o controle da concentração de O2,
válvulas estranguladoras, válvulas de segurança e fornecer caminho de complementação, fornecer
válvulas direcionadoras (check valve). Todas caminho de remoção de gases e receber parte do
estas válvulas em função de sua categoria são surto devido a expansão volumétrica do Sistema
especiais e dificilmente encontradas em prateleira, de Refrigeração do Reator.
sendo necessário encomendas específicas.
Durante operação normal, uma pressão
III.3. BOMBAS DE CARREGAMENTO manométrica de aproximadamente 1,0 Kgf/cm 2 de
As Bombas de Carregamento de alta pressão Hidrogênio, é mantida automaticamente no
podem ser centrífugas de vários estágios ou de tanque.
deslocamento positivo. São bombas que por
trabalharem com o refrigerante do primário, III.5. DESMINERALIZADORES

radioativo, deve ser garantido que não ocorra Os desmineralizadores de leito misto retêm
nenhum vazamento. Logo terão que ter um partículas e íons provenientes de produtos de
sistema de selagem para cumprir esta função. fissão e produtos de corrosão, excetuando os íons
Como estas bombas injetam água no Sistema de de lítio e césio. São projetados para
Refrigeração do Reator que está em condições proporcionarem um fator de descontaminação
2
normais de operação em 157 kgf/cm , sua maior que 10, (FD = Atividade na
pressão de descarga deve ser da ordem de 200 entrada/atividade na saída) para a maioria dos
Kgf/cm2 para compensar as perdas na linha de produtos de fissão. Os Desmineralizadores de
carregamento. Normalmente são bombas Leito Catiônico tem a função de reter partículas de
especiais que requerem sistemas auxiliares de Lítio e Césio. É usado de forma intermitente,
suprimento e resfriamento do óleo dos mancais, determinado pela Química, de modo a controlar a
suprimento de água para selagem e resfriamento concentração de Li7 no refrigerante do reator,
do selo, sistema de resfriamento do motor, auxiliando no controle do pH. A resina tem ainda a
sistema de drenagem e ventilação especiais do capacidade de manter a concentração de Césio

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 470 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
no refrigerante abaixo de 1,0µCi/cm3, com até 1% parâmetros tais como: vazão, nível, pressão,
de falhas em elementos combustíveis. temperatura, posição de válvulas, concentrações
(boro, hidrogênio etc.). Toda a instrumentação que
O leito catiônico foi dimensionado em função da é usada para medição ou controle de sistemas
produção de Li7 e também deve ter 10 como fator relacionados com a segurança da usina é
mínimo de descontaminação. qualificada tanto do ponto de vista de
confiabilidade quanto do ponto de vista ambiental.
III.6. FILTROS

Os filtros tem a finalidade de remover resíduos de Os principais controles de malha fechada do


resinas e particulados que venham no fluxo de Sistema de Controle Químico e Volumétrico são:
saída, normalmente após passar pelos controle de temperatura da linha de saída,
desmineralizadores dos sistemas auxiliares. Eles controle de nível de água do Pressurizador,
tem a capacidade de remover 98% de partículas controle de nível de água do Tanque de Controle
acima de 0,45 micros de tamanho, ou maiores, Químico e Volumétrico. Vários controles parciais e
com o objetivo de reduzir a atividade do Sistema intertravamentos relacionados com os sistemas de
de Refrigeração do Reator. Nas linhas de selagem proteção e segurança da planta são aplicados em
das Bombas de Refrigeração do Reator ainda por válvulas e bombas do Sistema de Controle
motivos de proteção dos selos também são Químico e Volumétrico.
instalados filtros.
V. OPERAÇÃO
III.7. TROCADORES DE CALOR

Os Trocadores de Calor Regenerativos ou V.1. OPERAÇÃO DE PARTIDA


recuperativos são de tubos em U e empregam o Na fase de partida com o Sistema de Refrigeração
princípio do contrafluxo. Os outros trocadores de do Reator com baixa pressão e com o
calor do Sistema de Controle Químico e Pressurizador cheio o Sistema de Controle
Volumétrico são do tipo em tubo reto. Em ambos Químico e Volumétrico requer modos especiais de
os trocadores de calor toda a parte que está em operação. Nesta situação é utilizado o caminho de
contato direto com o Sistema de Refrigeração do fluxo que vem do Sistema de Remoção de Calor
Reator é feito em aço austenítico. A fonte fria de Residual e o controle de pressão é feito através
todos os trocadores de calor que tem de um lado de uma estação redutora de baixa pressão,
o refrigerante do reator, que não o regenerativo, é porque as estações redutoras de alta pressão,
o Sistema de Refrigeração dos Componentes. situadas na linha de saída, estão fora de serviço.

IV. INSTRUMENTAÇÃO Com o Pressurizador cheio, ligam-se os


Consideraremos como instrumentação a parte de aquecedores e eleva-se a temperatura nele até
medição e de controle. A medição pode ser local 120 oC. Com esta temperatura o nível pode ser
ou na Sala de Controle da Usina. São medidos os reduzido para o de controle e haverá então a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 471 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
formação de vapor dentro do Pressurizador. são utilizados para ajustar a concentração de boro
Elevando então a pressão do Sistema de no refrigerante do reator de acordo com a queima
2
Refrigeração do Reator até 31 kgf/cm , pode-se e com o envenenamento por xenônio.
partir as Bombas de Refrigeração do Reator e
colocar em serviço a estação de controle de alta V.3. OPERAÇÃO DE PARADA

pressão na linha de saída. Nesta situação o Primeiramente, o Sistema de Refrigeração do


Sistema de Calor Residual poderá então ser Reator deverá ser borado pelo Sistema de
isolado e o controle de pressão do Sistema de Controle Químico e Volumétrico, onde o fluxo de
Refrigeração do Reator passará a ser feito pelo saída é todo desviado para o sistema de
Pressurizador. O aquecimento do Sistema de armazenamento e as Bombas de Carregamento
Refrigeração do Reator nesta condição é feito passam a succionar praticamente dos Tanques de
pela energia liberada pelas Bombas de Ácido Bórico.
Refrigeração do Reator.
A contração volumétrica resultante do
Na fase de aquecimento há uma considerável resfriamento de acordo com o diagrama de
expansão de volume do Sistema de Refrigeração resfriamento é tão grande que o fluxo de saída cai
do Reator, quando então o fluxo de saída fica para praticamente zero. Nesta condição
muito maior do que o de entrada, para manter o normalmente tem-se duas Bom bas de
nível no Pressurizador. Carregamento operando em paralelo.

Para a partida do Reator, o Sistema de A operação é inversa da condição de partida.


Refrigeração do Reator deverá ser diluido para a
condição de criticalidade. Nesta condição o VI. MANUTENÇÃO PREDITIVA
Sistema de Controle Químico e Volumétrico Toda planta nuclear por exigência das
direciona todo o fluxo de saída para o sistema de Especificações Técnicas do Relatório Final de
armazenamento enquanto que as Bombas de Análise de Segurança - RFAS, possui um
Carregamento passam praticamente a succionar Programa de Testes Periódicos em Serviço. Este
água pura dos Tanques de Água programa prevê testes periódicos em todos os
Desmineralizada, diluindo assim o primário. sistemas e equipamentos relacionados com a
segurança da planta e naqueles como o Sistema
V.2. OPERAÇÃO EM POTÊNCIA de Controle Químico e Volumétrico que são
Durante operação estabilizada em potência, o importantes para a operação e confiabilidade da
refrigerante é extraído continuamente do Sistema unidade.
de Refrigeração do Reator para purificação e se
necessário para desgaseificação. Além disto, o Além do Programa de Inspeção e Testes
Sistema de Controle Químico e Volumétrico e de Periódicos, há programas específicos, por
Injeção de Ácido Bórico e Água Desmineralizada exemplo para monitoração de trocadores de calor,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 472 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
onde são feitos testes não destrutíveis para especiais como as bombas de carregamento e os
predizer as condições dos tubos e paredes dos trocadores de calor, este sistema tem uma vida
mesmos, da mesma maneira que há um programa útil de 40 anos. Válvulas controladoras
de controle de vibrações em bombas e análise de normalmente tem uma vida útil menor e há um
óleos de equipamentos. programa para substituição.

VII. MANUTENÇÃO CORRETIVA Os desmineralizadores tem uma vida útil de não


Os problemas mais comuns estão relacionados mais do que um ano. Os filtros tem uma vida útil
com os controles e o obsoletismo dos sistemas de entre 3 meses a 6 meses.
instrumentação. Em função deste envelhecimento
e a conseqüente dificuldade de encontrar em REFERÊNCIAS
prateleiras, para pronta entrega, peças CFOL - Curso de Formação de Operador
qualificadas de reposição, leva a operar sistemas Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
em manual, aumentando assim as probabilidades – Eletronuclear SA
de riscos operacionais.

As manutenções corretivas mais comuns são as


trocas de filtros que requerem cuidado especial na
operação em função dos níveis de atividade dos
mesmos, problemas de vazamentos nas selagens
das Bombas de Carregamento e troca de gaxetas
em válvulas.

Devido ao sistema primário possuir boro, mesmo


os mínimos vazam entos, são logo detectados em
função da cristalização do boro nas superfícies.
Para vazamentos maiores além das mudanças
nas condições operacionais dos sistemas eles são
facilmente detectados ou pelos sistemas de
detecção de vazamentos ou pelos sistemas de
monitoração de áreas.

VIII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil do Sistema de Controle Químico e
Volumétrico é função da vida útil dos diversos
equipamentos deste sistema. Com base nas
especificações técnicas dos equipamentos mais

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 473 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Dados Meteorológicos e Hidrológicos

RESUMO conhecendo a origem da água e o funcionamento


Estações de dados meteorológicos e hidrológicos dos fenômenos naturais, as civilizações antigas
são instalações com equipamentos destinados a exploraram os recursos hídricos através de
medir, armazenar e transmitir dados relacionados projetos de irrigação, como no Egito e
às condições atmosféricas e ao ciclo hidrológico. Mesopotâmia, arquedutos romanos para
De forma geral, são medidos a temperatura abastecimento de água e irrigação e controle de
ambiente, umidade do ar, direção e velocidade inundação pelos chineses [1].
dos ventos, taxa de evaporação, altura de
precipitação, nível e vazão de cursos d’água. Para No século XVII, Pierre Perrault analisou os
cada grandeza medida, existem diversos tipos de componentes da relação entre precipitação,
equipamentos utilizados, que, normalmente, evaporação e capilaridade da bacia do rio Sena e
classificam-se em relação às etapas da aquisição: comparou estas grandezas com medições de
medida, armazenamento, transmissão do sinal e vazão realizadas por Edmé Mariotte. Nos Estados
transmissão do registro. A manutenção dos Unidos, a coleta sistemática de medidas de
equipamentos é relativamente simples e realizada precipitação iniciou-se em 1819, enquanto que a
de forma preventiva e corretiva. Na atualidade, de vazões teve inicio em 1888. No Brasil, os
observa-se um grande desenvolvimento nas postos mais antigos de precipitação são do final
tecnologias de aquisição automática e do século XIX, enquanto que a coleta de dados de
transmissão de dados em longas distâncias, níveis e vazões iniciaram-se no começo do século
implicando no aumento da confiabilidade dos XX [1].
dados aquisitados e na redução do custo dos
equipamentos. Com isso, pode-se estimar que a I.2. REDES HIDROMETEOROLÓGICAS

vida útil econômica a ser considerada para um A água constitui um patrimônio da humanidade,

sistema de dados meteorológico e hidrológico é devendo ser protegida e seu uso ser bem

de 10 anos. gerenciado. Para isso, é necessário o


conhecimento dos recursos hídricos, não somente
I. INTRODUÇÃO a um dado instante, mas ao longo do tempo e com
o maior período de observação possível. As
I.1. HISTÓRICO instituições que participam do gerenciamento dos

O homem, desde sua origem, convive com as recursos hídricos possuem e monitoram um

condições naturais do planeta, tanto para seu uso determinado número de postos de observação,

como para sua sobrevivência. Mesmo não que se constituem em uma rede

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 474 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
hidrometeorológica. De acordo com os objetivos 11.578 postos pluviométricos e 6.354 estações
dos dados a serem levantados, as estações fluviométricas [1].
podem ser classificadas em: I.3. NORMAS

a) Postos de hidrometria geral, que permitem A maioria dos paises e entidades estatais e
ter um conhecimento contínuo dos cursos autarquias, que necessitam de medidas
de água em todas as condições de hidrometeorológicas, possui serviços próprios,
descarga; estabelecendo e operando redes onde são feitas
b) Postos de alerta e de gestão, instalados medições periódicas e seguindo padrões e
para um objetivo específico; processos internacionalmente regulamentados
c) Postos temporários, instalados para um pela Organização Meteorológica Mundial (OMM),
estudo especial e uma duração limitada. filiada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Dessa forma, os dados de uma estação podem
A densidade, distribuição, tipo de equipamentos e ser aferidos e comparados com os de outras,
grandezas observadas dependem de parâmetros, verificando-se a consistência dos fatores medidos
dentre os quais pode-se destacar: e permitindo-se fazer previsões [2].
• Função do órgão operador, seja como
coordenador, agricultura, energia, II. CARACTERÍSTICAS
pesquisa, instituição de desenvolvimento De maneira geral, numa estação meteorológica
regional, dentre outras; são medidos dados de temperaturas máxima e
• Particularidades locais, tais como clima, mínima, pressão atmosférica, umidade relativa do
relevo, poluição, etc.; ar, direção e velocidade dos ventos, evaporação e
• Verbas e pessoal disponível. precipitação. Nas estações fluviométricas,
realizam-se leituras diárias do nível da água no
No Brasil a Agência Nacional de Energia Elétrica – curso do rio e medições de vazão, normalmente
ANEEL é a instituição encarregada da em intervalos de tempo de um a três meses.
centralização dos dados hidrometeorológicos
brasileiros. A ANEEL opera diretamente ou II.1. MEDIDA DA TEMPERATURA

indiretamente. Uma parte dos postos A maioria dos postos meteorológicos possui

pluviométricos e hidrométricos, e outra grande apenas um termômetro de máxima e mínima.

parte é de competência de outros Esses aparelhos costumam ser instalados a 1,5

estabelecimentos públicos ou particulares ou 2,0 m acima do solo, sob um abrigo de madeira

diferentes, sendo que a ANEEL coordena as provido de persianas que permitem a livre

operações de gerenciamento e de difusão de toda circulação do ar, impedem a incidência da

a informação. A agência edita ainda os inventários radiação solar direta e a reverberação do solo e

de postos de todo o país, unificando a codificação dos objetos circunvizinhos [2].

dos mesmos. Em 1987, foram contabilizadas

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 475 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O tipo mais comum de termômetro consiste de um A velocidade e direção do vento podem ser
tubo de vidro com uma escala graduada e medidas simultaneamente pelo aparelho
parcialmente preenchido de líquido. Tipicamente, denominado anemômetro, que consiste de três ou
os líquidos mais utilizados são o mercúrio, para quatro conchas abertas montadas em um eixo
temperaturas entre –300C e 300 ºC, e o álcool, vertical. Colocado em exposição ao vento, a
aplicável para temperaturas entre –950C e 78,5 rotação do arranjo de conchas é calibrada para
ºC. Quando a temperatura do ar cresce, o líquido que seja fornecida a velocidade do vento na
se expande ao longo do interior do tubo de vidro. unidade desejada. O valor da velocidade pode ser
Quando o ar e, por conseqüência, o vidro se registrado continuamente através de penas
esfriam o líquido se retrai ao longo do tubo. A ligadas a um papel enrolado em tambor giratório,
temperatura é proporcional ao nível do líquido no diretamente em computador ou em fitas
tubo de vidro e determinada pela escala gráfica magnéticas [3].
externa. Portanto, praticamente não existe
desgaste do aparelho, uma vez que o tubo de II.4. MEDIDA DA EVAPORAÇÃO

vidro é solicitado para as temperaturas ambientes, O equipamento mais utilizado para a medida da
que estão bem abaixo da faixa de trabalho do evaporação é o tanque evaporimétrico, que
aparelho. constitui-se de um tanque cilíndrico com
aproximadamente 1,2 m de diâmetro e 0,25 m de
II.2. MEDIDA DA UMIDADE RELATIVA DO AR altura. O tanque deve ser feito de um material
Em geral, numa estação meteorológica, a resistente à oxidação e corrosão causadas pelo
umidade relativa do ar é medida várias vezes por contato prolongado e direto com a água e
dia, e a determinação da mesma se faz utilizando- condições climáticas. Para isso, deve-se utilizar
se o termômetro de bulbo úmido, ou psic rômetro, aço galvanizado ou aço inoxidável. O tanque é
que consiste num termômetro comum de mercúrio aberto em sua face superior e fechado em sua
que tem seu bulbo coberto com tecido de extremidade inferior. Internamente, o tanque deve
musselina acoplado a um material absorvente que possuir duas marcas de referência pintadas a 5 e
é imerso em água pura. A água contida no 7,5 cm da face superior aberta do tanque [4].
material absorvente alcança a musselina e, ao se
evaporar, faz com que a temperatura no Para facilitar as medidas é instalado um poço
termômetro de bulbo úmido seja mais baixa que tranqüilizador, de forma cilíndrica, fixado dentro do
no termômetro de bulbo seco. Com o auxilio de tanque por meio de parafusos. Possui em sua
tabelas práticas, a diferença de temperatura entre base um furo com a função de permitir a
os dois termômetros é traduzida em umidade comunicação da água do tanque com o poço
relativa, em conteúdo de vapor de água ou em tranqüilizador, além de evitar as oscilações da
ponto de orvalho [2]. água retardando seu refluxo no poço e facilitando,
assim, a leitura do micrômetro de gancho [4].
II.3. MEDIDA DA VELOCIDADE DO VENTO

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 476 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O micrômetro de gancho constitui-se de um • Uma proveta de vidro, devidamente
parafuso que contém na sua extremidade inferior graduada, para medir diretamente a chuva
um gancho e desloca-se verticalmente dentro de recolhida. Nessa proveta, é vertida
uma luva que possui três braços divergentes. Os periodicamente a água recolhida.
braços permitem que o micrômetro se sobre a
borda do poço tranqüilizador. Na extremidade Os pluviógrafos existem em uma grande
superior da luva, encontra-se um disco graduado, variedade de aparelhos, usando princípios
destinado a medir o deslocamento do parafuso diferentes para medir e gravar continuamente as
através de seu giro. O total de água evaporada é precipitações. Pode-se classificá-los segundo as
obtida lendo-se no próprio parafuso, o qual é quatro etapas de aquisição: medição, transmissão
graduado em escala milimétrica [4]. do sinal, gravação e transmissão do registro [1].
• Medição – as principais técnicas utilizadas
II.5. MEDIDA DA PRECIPITAÇÃO são: as cubas basculantes, reservatório
Os aparelhos utilizados para a medida da equipado com bóia, sifão e pesagem de
precipitação classificam -se em dois tipos um reservatório suspenso;
principais: os pluviômetros, que recolhem a água • Transmissão do sinal – as formas de
precipitada e a armazenam convenientemente transmissão do sinal podem ser: mecânica
para posterior medição volumétrica, e os (com pena colocada na ponta de uma
pluviógrafos, que registram continuamente a alavanca ligada ao movimento do sensor
quantidade de chuva que recolhem [2]. de medição), elétrica ou eletrônica;
• Gravação – as formas de gravação da
Um pluviômetro normalmente empregado no informação podem ser: escrita em suporte
Brasil compreende: de papel, memorizada em um suporte
• Um reservatório cilíndrico de 256,5 mm de eletrônico ou magnético ou transmitida em
diâmetro e 40 cm de comprimento, tempo real;
terminado por parte cônica munida de uma • Transmissão do registro – os dados
torneira para retirada de água; registrados são transmitidos de forma:
• Um receptador cilíndrico-cônico, em forma manual, a cabo (telefone, Internet) e sem
de funil, com borda perfeitamente circular, cabo (rádio terrestre, satélite).
em aresta viva com 252,4 mm de diâmetro,
sobrepondo-se ao reservatório e que Quanto ao processo de medição, existem três
determina a área de exposição do tipos mais comuns de pluviógrafos [2]:
aparelho. É a parte mais delicada do • Pluviógrafo de flutuador: A variação do
aparelho e deve ser construída e nível de água armazenada é registrada em
conservada cuidadosamente. Ele impede um recipiente apropriado por meio de um
ainda a evaporação da água acumulada no flutuador, ligado por uma haste
reservatório; diretamente à pena de inscrição no

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 477 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
tambor. O recipiente de medida é ligado a que o elemento inferior fique na água, mesmo em
um recipiente armazenador por sifão que estiagem excepcional. O observador faz leituras
esvazia automaticamente quando é de cotas com uma rotina definida pelo órgão
atingido um determinado nível; operador da estação, pelo menos uma vez por
• Pluviógrafo de balança: O peso da água dia. A precisão dessas observações é, de maneira
recolhida no recipiente é registrado geral, o centímetro e, excepcionalmente, o
automaticamente por meio de uma balança milímetro [1].
apropriada. Esse aparelho possui também
um sistema de sifão análogo ao existente Assim como na precipitação, pode-se realizar um
no pluviógrafo flutuador; registro contínuo do nível d’água através de um
• Pluviógrafo basculante: Este aparelho aparelho automático denominado linígrafo, que
possui dois recipientes conjugados de tal também pode ser classificado segundo as etapas
forma que quando um é preenchido, de aquisição [1]:
bascula e se esvazia, o outro é colocado • Medição – as principais técnicas utilizadas
em posição para receber a água oriunda são: bóia flutuante, sensor à pressão de
do receptador. O esvaziamento é feito em gás, sensor eletrônico por deformação de
um reservatório que acumula o volume membrana ou variação de temperatura;
total de precipitação e permite controle dos • Transmissão do sinal - pode ser realizada
resultados. O registro é feito por um por dispositivos: mecânicos, com sistema
mecanismo que desloca a pena de um de redução da amplitude do sinal, e
certo valor, correspondente ao volume de eletrônicos;
água recolhido para cada basculamento do • Gravação – O sinal pode ser gravado em:
sistema. suporte de papel enrolado em tambor,
memorizada em suporte eletrônico ou
De modo geral, os pluviógrafos do tipo flutuador magnético (memória residente, cartuchos,
são os mais utilizados no Brasil, os aparelhos do disquetes móveis ou fitas magnéticas) e
tipo balança são bastante utilizados nos Estados transmitida em tempo real;
Unidos, e os basculantes na França. • Transmissão do registro - os dados
registrados são transmitidos de forma:
II.6. MEDIDA DA NÍVEL DA ÁGUA manual, a cabo (telefone, Internet) e sem
A maneira mais simples para medir o nível (cota) cabo (rádio terrestre, satélite).
de um curso de água é colocar uma régua na
água e observar com regularidade o nível. As Pode-se destacar que, basicamente, existem
réguas, ou linímetros, são geralmente constituídas somente dois sistemas fundamentais de linígrafos:
de elementos verticais de 1 metro, graduados em os baseados no registro do movimento de um
centímetros. Constituem-se de placas de metal flutuador e os baseados no registro da variação de
inoxidável ou de madeira, colocadas de maneira pressão da água [2].

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 478 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Os linígrafos de flutuador são de funcionamento simples instalação, permitindo a colocação do
simples, porém exigem uma instalação registrador longe do ponto de tomada de pressão.
complicada por exigir que se coloque o aparelho São particularmente indicados para locais de
diretamente em cima do nível d’água a ser margens muito abruptas e profundas, e com
medido. O flutuador é ligado a um cabo de aço grandes variações do nível d’água.
que transmite seu movimento a um eixo que faz
deslocar um estilete munido de pena, registrando, II.7. MEDIDA DA VAZÃO

assim, num gráfico de papel, a variação da cota A medição da vazão em um curso d’água é
fluviométrica. Este gráfico fica enrolado a um determinada de forma indireta por diversas
tambor ou bobina, que possui um mecanismo de metodologias, sendo a medida das velocidades do
relógio permitindo avançar com movimento fluxo da água a mais utilizada.
constante em direção perpendicular a da pena. O
linígrafo pode ser instalado em um poço Dentre os aparelhos utilizados para medida da
piezométrico ou sobre uma ponte, sendo o velocidade do fluxo d’água, o molinete é o mais
primeiro ligado ao curso d’água por um tubo de utilizado. Neste aparelho, a velocidade da corrente
admissão. líquida é determinada pela medida da rotação de
uma hélice ou conjunto de conchas móveis. Os
Os linígrafos de pressão mais comuns constam de mais comuns contam com um circuito elétrico que
um sensor de pressão, colocado no interior de envia ao operador sinais correspondentes a um
uma campânula perfurada, mantida no fundo da determinado número de rotações. Medindo-se o
água. O sensor é ligado diretamente ao dispositivo tempo com um cronômetro, obtém-se a rotação da
registrador por meio de um tubo plástico ou de hélice que, através de uma equação previamente
cobre. determinada, permite obter a velocidade da água
no ponto em que o instrumento é imerso.
Outro tipo de linígrafo de pressão é o de bolhas,
que registra a pressão reinante no interior de uma Os problemas construtivos mais importantes
tubulação cuja extremidade encontra-se imersa no desses aparelhos estão relacionados ao atrito do
leito do rio. A pressão no aparelho é mantida igual eixo nos mancais, aos contatos elétricos, à
à pressão da água na tomada, pela saída vedação, ao equilíbrio da hélice, dentre outras.
contínua de pequenas bolhas de ar fornecidas por
uma garrafa de ar comprimido. Os linígrafos de Quanto a sustentação dos aparelhos dentro
bolhas são indicados para rios com grande d’água, pode-se distinguir os aparelhos suspensos
descarga sólida. Eles contornam a maior por cabos e os sustentados por hastes verticais
dificuldade dos aparelhos normais do tipo apoiadas no fundo ou moveis. Os molinetes
pressão, mas exigem um consumo de ar suspensos em cabos devem ser lastreados com
comprimido que pode causar dificuldades no caso contrapesos, colocados na parte inferior ou
de instalações de difícil acesso. São ainda de fazendo corpo com o aparelho, e devem ser

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 479 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
munidos de lemes para a orientação conveniente Alguns equipamentos não possuem componentes
na direção da corrente. O cabo é desenrolado por móveis que sofram desgaste, tais como
meio de guinchos especiais, muitas vezes, termômetros, pluviômetros, réguas linimétricas,
incorporado a um sistema de medida [2]. sensores e tanques de evaporação, devendo-se
proceder em inspeções de rotina, observando o
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA estado de conservação, realizar a limpeza, efetuar
A manutenção preditiva é uma atividade de pequenos reparos devido à exposição ao
inspeção baseada no acompanhamento através ambiente, substituir componentes danificados ou
de testes e medidas, realizados em um perdidos (como sensores e réguas), proteger
equipamento, sem colocá-lo fora de operação e contra a ação de animais, insetos ou mesmo
com o objetivo de se predizer e/ou estimar o pessoas estranhas.
melhor momento para se intervir com uma
manutenção preventiva não-sistemática. No caso de equipamentos com registro
automático, como linígrafos e pluviógrafos, deve-
Colocada dessa forma, a manutenção preditiva é se verificar o estado dos componentes
uma técnica cuja aplicação se justifica registradores, contatos elétricos e sistemas de
normalmente em equipamentos de operação transmissão e substituição de gráficos de papel ou
contínua ao longo tempo, que executam trabalhos cartuchos de registro. No caso de falhas
de alta responsabilidade, e a ocorrência de uma normalmente os mesmos são retirados para
falha implica em correção demorada e/ou com reparo em oficina apropriada, caso haja um outro
grandes perdas financeiras. equipamento para substituição imediato, isto é
feito, senão o posto permanece por um período de
Portanto, os equipamentos de sistemas tempo sem registros.
meteorológicos e hidrológicos não são indicados
para a aplicação da manutenção preditiva, pois se V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
caracterizam como equipamentos de De acordo com o explanado nos itens anteriores,
instrumentação e medida, sendo que, mesmo os os equipamentos de sistemas de dados
que operam continuamente no tempo não se meteorológicos e hidrológicos não são solicitados
caracterizam como equipamentos de alta em condições extremas de desgaste, podendo-se
responsabilidade e seus custos, relativamente afirmar que suas vidas úteis são dependentes da
baixos, não justificam a aplicação das técnicas correta utilização dos mesmos e de uma
utilizadas pela manutenção preditiva. manutenção preventiva adequada. As diversas
empresas concessionárias de energia elétrica
IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA admitem valores de vida útil que variam entre 5 e
O procedimento de manutenção empregado para 25 anos.
equipamentos de estações hidrometeorológicas é
a preventiva e corretiva.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 480 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Nas duas últimas décadas se observou um grande [3] Moran, J.M.; Morgan, M.D. Meteorology – The
desenvolvimento nas tecnologias de aquisição Atmosphere and the Science of Weather. Prentice
automática e transmissão de dados em longas Hall, 5º edition 1994.
distâncias. Por isso, as redes hidrometeorológicas
com fins específicos, como as de empresas do [4] Mônaco, M.A.G. Hidrometria Básica –
setor energético, possuem, em sua maioria, Estações Hidrometeorológicas. FUPAI/EFEI,
estações modernas que coletam dados 1999.
continuamente ao longo do tempo, normalmente
na forma digital, e os transmitem de forma
automática. Por outro lado, as redes destinadas
ao conhecimento dos regimes meteorológicos e
hidrológicos do país, ou suas regiões, possuem,
em sua maioria, estações cuja leitura é realizada
de forma manual. Devido às características
diferentes de funcionamento, estas estações
possuem também vida útil diferente, sendo as
primeiras com menor tempo de vida do que os
postos manuais, que sofrem menor desgaste ao
longo do tempo.

Com essas considerações e juntamente com o


rápido desenvolvimento que se observa nos
sistemas de aquisição e transmissão automático
de dados, com uma conseqüente redução de seus
custos, pode-se estimar uma vida útil econômica
de 10 anos para um sistema de dados
meteorológicos e hidrológicos.

REFERÊNCIAS
[1] Tucci, C.E.M. Hidrologia – Ciência e Aplicação.
Editora da Universidade UFRGS, 2º edição 1997.

[2] Garcez, L.N.; Alvarez, G.a. Hidrologia. Editora


Edgard Blucher, 2º edição 1988.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 481 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Exaustão, Ventilação e Ar Condicionado

RESUMO manutenções preventivas. A manutenção corretiva


A ventilação consiste no deslocamento de ar possui um grau de complexidade proporcional ao
tendo como finalidade a retirada ou o tipo de falha. Considerando as características dos
fornecimento de ar a um ambiente fazendo assim sistemas em questão e levando em conta a
a renovação do ar no mesmo. Essa renovação recomendação de fabricantes, o tempo de vida útil
tem a função de obter um ar com um grau de pode ser estimado em 15 anos.
pureza e velocidade de escoamento compatível
com as exigências fisiológicas para a saúde e o I. INTRODUÇÃO
bem estar do homem. O sistema de exaustão é Os sistemas de ventilação podem ser divididos em
uma subdivisão da ventilação, e visa, através de sistema de ventilação geral e sistema de
um sistema exaustor, remover o ar de locais onde ventilação local exaustora, aqui denominado de
existem fontes poluidoras produtoras de sistema de exaustão. A ventilação geral pode ser
substâncias nocivas a saúde, para a atmosfera. O natural, quando não são empregados recursos
ar condicionado visa o controle simultâneo, num mecânicos para provocar o deslocamento de ar,
ambiente delimitado, da pureza, umidade, ou geral diluidora, quando são empregados
temperatura, e movimentação do ar. Entre os recursos mecânicos, tais como ventiladores, para
equipamentos envolvidos, considerando os três a ventilação do recinto. A ventilação geral pode
sistemas, estão, compressores, ventiladores, ser realizada por meio de insuflação, exaustão ou
condensadores, evaporadores, torres de insuflação e exaustão combinados, constituindo o
resfriamento, termostatos, pressostatos chamado sistema misto.
dispositivos de expansão, rede de dutos,
tubulações, etc. A manutenção preditiva nos O sistema de ventilação local exaustora ou
sistemas de exaustão ventilação e ar sistema de exaustão realiza-se com um
condicionado é praticamente inexistente, sendo equipamento captor de ar junto a fonte poluidora,
normalmente realizadas as manutenções de modo a remover o ar do local para a atmosfera,
preventivas e corretivas. A portaria 3523 de 28 de por um sistema exaustor, ou tratá-lo devidamente,
agosto de 1998 do Ministério da Saúde e a NBR a fim de evitar-se poluição ambiental.
13.971 - Sistemas de Refrigeração,
Condicionamento de Ar e Ventilação - Entre as aplicações dos sistemas de exaustão e
Manutenção Programada, podem ser usadas ventilação estão, a renovação do ar em ambientes
como referências no planejamento de fechados, retirada e tratamento de poluentes

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 482 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
gerados por processos químicos e industriais e
ventilação de equipamentos elétricos e eletrônicos II. CARACTERÍSTICAS
visando a remoção do calor gerado pelos
mesmos. II.1. SISTEMA DE VENTILAÇÃO

O sistema de ar condicionado, devido a sua Os sistemas de ventilação geral diluidora


melhor capacidade em controlar as condições de promovem o fornecimento ou a retirada de ar de
um recinto, encontra atualmente inúmeras um ambiente delimitado, obtendo assim, um grau
aplicações, sendo, por exemplo, indispensável de pureza e velocidade de escoamento
em: compatíveis com as exigências fisiológicas para a
• Processos de manufatura que exigem o saúde e o bem estar do homem.
controle da umidade, temperatura e pureza
do ar, como fabricação de produtos Pode-se realizar a ventilação por um dos
farmacêuticos e alimentícios, salas de seguintes métodos:
desenho de precisão; • Admissão e exaustão naturais;
• Ambientes de trabalho, visando aumentar • Insuflação mecânica e exaustão natural;
o conforto do operário e • Insuflação natural e exaustão mecânica;
consequentemente a produtividade; • Insuflação e exaustão mecânicas.
• Ambientes onde se exige segurança, onde
se operam produtos inflamáveis ou tóxicos; A ventilação com admissão e exaustão naturais
• Ambientes onde se processam materiais consiste em proporcionar a entrada e a saída de
higroscópicos; ar de um ambiente de forma controlada através de
• Etapas de produção que exigem controle aberturas existentes para esse fim.
das reações químicas (cristalização,
corrosão de metais, ação de Na ventilação por insuflação mecânica e exaustão
microorganismos); natural um ou mais ventiladores enviam ar exterior
• Locais onde é necessário eliminar a para o interior do recinto. A pressão no recinto se
eletricidade estática para prevenir torna maior que a pressão exterior e o ar insuflado
incêndios ou explosões; sai por outras aberturas existentes, produzindo os
• Operações de usinagem com tolerância efeitos desejados. A insuflação mecânica permite
mínima; um bom controle da incidência de ar e um melhor
• Laboratórios de controle e teste de controle da pureza do ar insuflado do que no caso

materiais; da ventilação natural e ainda impede que o ar

• Locais de habitação. contaminado de outro recinto penetre no recinto


que está sendo ventilado.

Alguns dos principais fabricantes são: Coldex-


Trane, Carrier, Springer, Sulzer, Philco, Brastemp, Na ventilação por insuflação natural e exaustão

Trox, York, Century e Tropical. mecânica um ou mais exaustores (ventiladores

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 483 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
axiais, por exemplo) removem o ar do recinto para origina. Devido a diferença de pressão entre o ar
o exterior. A pressão no interior baixa devido a ambiente e o ar existente no captor estabelece-se
exaustão e estabelece-se um fluxo do exterior uma corrente para o interior do mesmo.
para o interior do recinto. A pressão baixa no O ventilador tem a função de criar uma diferença
recinto ventilado evita que o ar contaminado de pressão para que possa ocorrer o fluxo do ar
passe para recintos vizinhos, mas permite que desde o captor até a atmosfera, passando por
ocorra o contrário. todos os equipamentos do sistema de exaustão.

No caso de insuflação e exaustão mecânicas, há A rede de dutos conduz o ar contaminado do


ventiladores que insuflam o ar e ventiladores que captor ao ventilador e deste ao exterior ou ao
removem o ar do recinto, eles podem ser dispositivo de tratamento de ar.
colocados diretamente nos recintos ou podem
atuar através de uma rede de dutos. Consegue- Os dispositivos de tratamento de ar têm a
se, assim, uma ventilação mais controlável tanto finalidade de reter partículas ou dissolver os gases
em relação a qualidade do ar que entra quanto a nocivos, impedindo que esses sejam jogados
distribuição do mesmo no recinto. livremente na atmosfera. Tais dispositivos podem
ser: coletores de partículas, filtros, lavadores de
II.2. SISTEMA DE EXAUSTÃO gases e vapores, precipitadores eletrostáticos
O sistema de exaustão tem por finalidade a entre outros. Alguns tipos são colocados antes do
remoção do ar, em recintos fechados, junto à ventilador, outros, após o mesmo.
fontes poluidoras para a atmosfera. Os principais
equipamentos que compõem um sistema de II.3. SISTEMA DE AR CONDICIONADO

exaustão são captor, ventilador, rede de dutos e O objetivo do sistema de ar condicionado é


dispositivo de tratamento de ar. controlar simultaneamente, num ambiente
delimitado, a pureza, umidade, temperatura, e
A operação consiste na captação da substância movimentação do ar. Deve-se lembrar que o ar
poluidora juntamente com o ar através do captor, condicionado pode promover tanto o resfriamento
esta substância é conduzida através de uma rede quanto o aquecimento.
de dutos e seu escoamento se dá devido a
diferença de pressão provocada pela ação do Alguns dos equipamentos que podem compor um
ventilador. A substância captada com o ar é então sistema de ar condicionado são, self-contained
removida pelo dispositivo coletor de partículas, ou (unidades autônomas para produção do frio), Fan-
no caso de gases, pelos lavadores. O ar é então coils (gabinetes contendo basicamente ventilador
liberado para a atmosfera devidamente purificado. e serpentina), chillers (unidades resfriadoras de
líquidos), tubulação de água gelada, rede de
O captor é um dispositivo de captação do dutos, bombas, ventiladores etc. O self-contained
contaminante, e é colocado no local onde este se e o chiller são providos de sistema de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 484 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
refrigeração, cujos principais equipamentos são o condicionado. As manutenções normalmente
compressor, o condensador, o dispositivo de realizadas são preventivas e corretivas
expansão e o evaporador.
Os sistemas de ar condicionado, quanto a As atividades que constituem a manutenção
operação de resfriamento, podem ser de preventiva são descritas, a seguir, de maneira
expansão direta ou indireta. O sistema de sucinta, para alguns dos equipamentos que
expansão direta ocorre quando o calor do meio a podem ser encontrados nos sistemas em questão.
ser condicionado é retirado diretamente pela Para um bom planejamento de manutenção
expansão do fluido frigorífico no evaporador. podem ser usadas com referências a portaria
Fazem parte desse sistema os condicionadores 3523 de 28 de agosto de 1998 do Ministério da
de janela e os self-contained. Na expansão Saúde e a NBR 13.971 - Sistemas de
indireta o calor é retirado do meio a ser Refrigeração, Condicionamento de Ar e Ventilação
condicionado, por um fluido intermediário - Manutenção Programada. Os equipamentos são:
(salmoura ou etileno glicol). Esse fluido
intermediário retira calor do recinto através dos III.1. COMPRESSOR

fan-coils cedendo esse calor para o evaporador do Os compressores são encontrados em


chiller. equipamentos de sistemas de ar condicionado tais
como, condicionadores de janela, self-contained, e
Existem vários tipos de sistemas de ar chiller. A manutenção preventiva consiste em
condicionado tais como: algumas verificações e medições descritas a
• Sistema de zona simples; seguir, que dependendo do equipamento, podem

• Sistema com reaquecimento terminal; ou não existir:

• Sistema de duplo duto ou multizona; • Verificação de ruídos e vibrações

• Sistema com volume de ar variável; anormais;

• Sistema de água gelada. • Verificação da corrente elétrica e


comparação com dados de placa;

Estes sistemas são apresentados em Stoecker, • Verificação das pressões de sucção e

1995. descarga;
• Verificação do amortecedor de vibração da
III. MANUTENÇÃO PREVENTIVA base;

Exceto no caso de sistemas de ar condicionado • Verificação resistência de isolamento;

de grande capacidade e responsabilidade, onde • Medição da pressão de óleo (self-


pode existir manutenção preditiva através da contained e chiller);
análise de vibrações e análise do lubrificante, • Verificação do nível do óleo (self-contained
geralmente não é feita manutenção preditiva nos e chiller);
sistemas de exaustão, ventilação e ar • Substituição de óleo (self-contained e
chiller);

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 485 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Verificação da resistência de aquecimento • Verificação do alinhamento das polias;
do óleo do Carter (self-contained e chiller). • Verificação dos acoplamentos;
• Verificação das tensões das correias;
III.2. CONDENSADOR • Lubrificação dos rolamentos;
Os condensadores são encontrados em • Reaperto dos parafusos de fixação;
condicionadores de janela, self-contained e chiller, • Verificação do estado dos coxins;
podem ser condensadores a água ou a ar. A
• Execução de limpeza.
manutenção preventiva para condensador a água
consiste em: III.5. SISTEMAS DE REFRIGERAÇÃO
• Limpeza interna dos tubos; Os sistemas de refrigeração estão presentes nos
• Verificação da pressão e temperatura de sistema de ar condicionado e fazem parte dos
entrada e saída de água; condicionadores de janela, self-contained e chiller.
• Verificação das válvulas de segurança; A manutenção consiste em:
• Verificação de vazamentos nas juntas e • Verificação da estanqueidade do sistema;
conexões. • Verificação da presença de umidade;
• Verificação do filtro secador;
A manutenção preventiva para condensador a ar • Verificação do reservatório de líquido;
consiste em: • Verificação da atuação da válvula
• Limpeza da serpentina; solenóide.
• Limpeza dos filtros ou tela de proteção.
III.6. VÁLVULAS DE EXPANSÃO
III.3. EVAPORADOR Estão presentes nos sistemas de ar condicionado
Os evaporadores são encontrados nos e a manutenção consiste em:
condicionadores de janela, self-contained e chiller • Verificação do superaquecimento;
e a manutenção preventiva, dependendo do tipo • Verificação do subresfriamento;
de equipamento, consiste em:
• Verificação da atuação da válvula de
• Verificação do estado do isolamento; expansão;
• Verificação da pressão e temperatura de • Verificação da fixação dos bulbos.
entrada e saída de água (chiller);
• Limpeza da serpentina. III.7. REDE DE DUTOS E GRELHAS

Estão presentes nos sistemas de ar condicionado


III.4. VENTILADOR
e podem estar presentes nos sistemas de
Os ventiladores estão presentes nos sistemas de exaustão e ventilação. A manutenção preventiva
exaustão, ventilação e ar condicionado. A consiste na limpeza da rede de dutos e das
manutenção preventiva consiste em: grelhas.
• Verificação de ruídos e vibrações
anormais;

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III.8. QUADROS OU PAINÉIS ELÉTRICOS lamparina a álcool, detetor eletrônico, ou ainda
Podem estar presentes nos sistemas de exaustão verificando a pressão do sistema. Caso exista
ventilação e ar condicionado e a manutenção perda de fluido este deve ser devidamente reposto
consiste em: e o vazamento deve ser eliminado.
• Limpeza externa e interna; IV.2. UMIDADE NO SISTEMA

• Reaperto dos terminais; A presença de umidade no sistema de


• Teste das lâmpadas de sinalização; refrigeração dos sistemas de ar condicionado
• Ajuste e teste de relés térmicos; pode provocar os seguintes problemas:

• Verificação e reaperto dos fusíveis; • O congelamento da sede da válvula de

• Verificação do aquecimento da fiação; expansão, o que impede a passagem de

• Verificação do contato das contatoras e fluido refrigerante para o evaporador

chaves. fazendo o motor do compressor desligar


por baixa pressão. Desligado o sistema, o

IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA gelo na válvula é derretido, a pressão no


evaporador aumenta e o motor do
Em relação a manutenção corretiva, atenção
compressor volta a funcionar, repetindo o
especial deve ser dada ao sistema de refrigeração
ciclo. Com partidas e paradas freqüentes,
existente no sistema de ar condicionado. A seguir
o motor do compressor tende a queimar.
são apresentadas alguns exemplos de falhas que
podem ocorrer nesses sistemas. • A formação de ácido clorídrico e fluorídrico
que atacam as partes metálicas do
IV.1. VAZAMENTO DE FLUÍDO REFRIGERANTE sistema, além de atacar o isolamento do

O sistema de refrigeração num sistema de ar motor do compressor provocando sua

condicionado deve ser perfeitamente estanque queima.

para que se tenha um bom funcionamento. Em • Decomposição do óleo lubrificante, que


sistemas que trabalham com pressão positiva a forma uma lama espessa entupindo os

falta de estanqueidade provoca a perda de fluido canais de lubrificação e eventualmente


refrigerante ocasionando uma redução na travando peças móveis do compressor
capacidade do sistema, podendo ainda provocar podendo provocar a queima do motor.

sobreaquecimento no motor do compressor vindo


a queimá-lo. Em sistemas que trabalham com A presença da umidade pode ser detectada
pressão negativa pode ocorrer a infiltração de ar através da mudança de cor do elemento
juntamente com umidade para dentro do sistema, higroscópico presente nos visores de líquido.

prejudicando e até interrompendo seu Caso exista umidade no circuito o filtro secador
funcionamento. deve ser trocado.

IV.3. FALHA DA VÁLVULA SOLENÓIDE


A detecção do problema pode ser feita através de
A falha da válvula solenóide no sistema de
testes de vazamento com espuma de sabão,
refrigeração de uma instalação de ar

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 487 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
condicionado, ou a sua ausência pode causar
danos ao sistema. A válvula solenóide
normalmente aberta é instalada na linha de
pressão após o condensador. Caso ocorra a falta
de energia elétrica e a válvula não feche, o fluido
frigorífico continua a circular até que a pressão se
estabilize em todo o circuito. Com isso, o fluido
refrigerante pode se condensar no cabeçote do
compressor e na volta da energia, o compressor
entra em funcionamento comprimindo o liquido
condensado e danificando-se.

V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Considerando praticamente, a não existência de
manutenção preditiva e levando em conta as
recomendações de fabricantes, pode se estimar
uma vida útil dos sistemas de exaustão, ventilação
e ar condicionado de 15 anos.

REFERÊNCIAS
[1] Macintyre, A.J. Ventilação Industrial e Controle
da Poluição. Livros Técnicos e Científicos Editora
S.A., 2a edição, Rio de Janeiro, 1990.

[2] Stoecker, W.F., Jones, J.W. Refrigeração e Ar


Condicionado. Editora McGraw-Hill do Brasil Ltda.,
São Paulo, 1985.

[3] Dossat, R.J., Princípios de Refrigeração.


Hemus Editora Ltda, São Paulo.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 488 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Lubrificação, de Óleo de Regulação e Óleo Isolante

RESUMO molas. Com a abertura da Válvula de Interface, o


O Sistema de Lubrificação, de Óleo de Regulação Óleo de Controle será drenado e, então, todas as
e Óleo Isolante é o nome dado ao conjunto de válvulas de controle da turbina fechar-se-ão por
sistemas de óleo relacionados com uma Turbina a ação de molas. A drenagem do óleo de parada
Vapor de uma Central Térmica. Na realidade, são não afeta diretamente o óleo de lubrificação
dois fluidos completamente diferentes, isolados porque existe um orifício entre eles, ou seja, o
por uma válvula de interface. De um lado, tem-se Sistema de Óleo de Lubrificação pode ser mantido
o Sistema de Óleo de Controle e, do outro, o em operação com uma pequena drenagem
Sistema de Óleo de Lubrificação. O Sistema de através do orifício que vai para o Sistema de Óleo
Óleo de Controle atua nos atuadores das Válvulas de Parada. Estes sistemas são parte da Turbina e
de Controle de Desligamento da Turbina. Estas têm um nível de manutenção muito pequeno em
válvulas são mantidas abertas pela pressão do função da tecnologia já desenvolvida para estes
óleo de controle. O Sistema de Óleo de equipamentos. A vida útil, de acordo com o
Lubrificação, por sua vez, é dividido em dois fabricante, é de 30 anos.
sistemas de óleo, sendo um deles o de
lubrificação propriamente dito, e o segundo, o óleo I. FUNÇÕES DO SISTEMA
de parada. Enquanto que, no óleo de lubrificação,
há um fluxo contínuo perfazendo a função de I.1. SISTEMA DE ÓLEO DE CONTROLE

lubrificação, o óleo de parada ou óleo isolante é Tem a função de fornecer a força de acionamento
uma fração deste óleo que passa por um orifício para o posicionamento das válvulas de vapor para
para o Coletor de Óleo de Parada. Este coletor é a turbina (governadoras, interceptadoras e de
pressurizado pelo Rearme da Turbina. Ele fechamento rápido), em resposta aos comandos
pressurizado mantém a Válvula de Interface do controlador eletrônico.
fechada, mantendo pressurizado o Sistema de
Óleo de Controle que permite abrir e manter Em alguns projetos, este sis tema tem a função de
abertas as Válvulas da Turbina (governadora, fornecer a força de acionamento também para as
interceptadora e de bloqueio). A atuação de válvulas do sistema de desvio de vapor, válvulas
qualquer proteção da turbina irá despressurizar o das extrações turbina, válvula quebra vácuo,
óleo de parada, da mesma maneira que irá drenos e outros.
despressurizar o diafragma da válvula de
interface, causando sua abertura pela ação de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 489 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
I.2. SISTEMA DE ÓLEO LUBRIFICANTE conjuntos com bomba, filtro de descarga e válvula
Tem as seguintes funções: de descarga e, no retorno para o tanque de óleo,
• Suprimento de óleo para lubrificação dos existem dois conjuntos de filtro seguido de
mancais da turbina e do gerador; resfriador.
• Suprimento de óleo ao girador hidráulico O óleo do DEHC é o “tri-phosphate ester”, com
do eixo da turbina durante partida e parada resistência a fogo e de boa estabilidade, o qual é
da central (há turbinas que usam o girador armazenado em reservatório de aço inoxidável.
com suprimento elétrico);
• Suprimento de óleo de levantamento dos Junto ao reservatório existe uma umidade polidora
mancais durante a partida e parada; com um filtro de compostos de areia em série com
• Exaustão e remoção de gases de vapor de outro de celulose. Para se purificar o óleo do
óleo de diversos pontos de exaustão; DEHC, é necessário desviar parte do fluxo de
• Drenagem do óleo do sistema durante descarga da bomba em operação para passar
reparos e manutenções; através da unidade polidora e de volta para o
• Tratamento do óleo para purificação e tanque de óleo, de acordo com a orientação do
condicionamento contínuo. Setor de Química e com os Procedimentos de
Operação. Em alguns sistemas, esta unidade
II. DESCRIÇÃO DOS SISTEMAS polidora pode ser um pacote à parte.

II.1. SISTEMA DE ÓLEO DE CONTROLE Pontos normalmente supridos pelo óleo do DEHC:
O suprimento de óleo para o posicionamento das Válvulas de Reaquecido da Turbina (bloqueio e
válvulas se faz através de dispositivos governados interceptadoras); Válvulas Principais da Turbina
a partir de sinais elétricos que, por sua vez, são (bloqueio ou parada e governadoras ou de
gerados com a ajuda de um computador, daí o controle); Válvulas de Desarme da Turbina pela
nome Digital Eletro-hidráulico – DEHC, muitas parte do DEHC (solenóide e Válvula de Interface
vezes usado nestes sistemas. que são montadas em paralelo); Válvulas de
Proteção contra Sobrevelocidade; Válvula Piloto
O sistema do DEHC combina as vantagens de um de Ar para as Válvulas de Retenção da Extrações
controlador eletrônico com um sistema hidráulico da Turbina; Válvula Piloto de Parada;
de alta pressão totalmente independente do Acumuladores de alta pressão de óleo para
sistema de lubrificação. Esta combinação permite acionamento das Válvulas de Vapor para a
introduzir sinais de realimentação que aumentam Turbina.
a precisão, a rapidez e a confiabilidade da
resposta do controle. As válvulas de bloqueio e de bloqueio de
reaquecido são válvulas normalmente abertas ou
No suprimento de óleo para o acionamento das fechadas. As válvulas governadoras e as
válvulas do sistema, existem, no mínimo, dois interceptadoras são válvulas moduladas.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 490 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Uma bomba de óleo de emergência é
II.2. SISTEMA DE ÓLEO LUBRIFICANTE dimensionada para a quantidade de óleo de
Como os sistemas de óleo mineral são lubrificação necessária até a parada do turbo-
susceptíveis a incêndios, todas as partes são gerador. Sua altura manométrica de descarga
projetadas para pressões muitíssimo mais altas do garante a pressão mínima de lubrificação
que as esperadas em operação normal. necessária.

Todas as linhas de óleo de retorno sem pressão, As bombas de óleo de levantamento são
esvaziamento, desaeração e exaustão de gases dimensionadas para a quantidade de óleo que
de óleo são dimensionadas em relação à sua escorre pela ranhura dos mancais durante o
resistência como as linhas de pressão de óleo de levantamento do eixo. A altura manométrica de
lubrificação dos mancais. As linhas de pressão de descarga é dimensionada para a pressão
óleo dos mancais são dimensionadas para a necessária exigida para o levantamento de todo o
altura (pressão) de descarga da bomba principal eixo do conjunto turbo-gerador.
de óleo com fluxo mínimo e com sobrevelocidade.
A capacidade de armazenamento do tanque
A bomba principal de óleo está acoplada no principal de óleo é projetada de modo que a
próprio eixo da turbina e é dimensionada para a quantidade de óleo armazenada no tanque
soma da quantidade de óleo de lubrificação e da durante a operação, não seja recirculado mais do
quantidade requerida pelo ejetor de sucção. Sua que 8 vezes por hora (principalmente devido à
altura manométrica de descarga é dimensionada separação do ar). O tanque de coleta de descarga
de modo a ultrapassar a pressão de óleo das é dimensionado para a totalidade de óleo
bombas auxiliares de óleo de plena carga, quando existente no sistema.
sua rotação ainda estiver ligeiramente abaixo da
nominal. O sistema de suprimento de óleo de lubrificação,
pode ser subdividido em :
As bombas auxiliares de óleo de plena carga, • Suprimento e retorno de óleo lubrificante e
alimentadas eletricamente, são dimensionadas, óleo motriz;
cada uma, para a soma da quantidade do óleo de • Suprimento de óleo de levantamento;
lubrificação e, se aplicável, do óleo do girador do • Ttratamento do óleo da turbina;
eixo da turbina. Suas alturas manométricas de • Exaustão de gases.
descarga são dimensionadas de modo que se
alcancem as pressões hidráulicas necessárias A temperatura do óleo é controlada através de um
para o girador do eixo da turbina e a pressão de controle de desvio do fluxo de óleo dos
lubrificação dos mancais. resfriadores. As temperaturas de óleo nas linhas
de entrada e saída são monitoradas através de
vários pontos de medição. Utiliza-se um ponto de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 491 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
medição na linha de saída para o controle da que a bomba principal de óleo efetue a operação
temperatura do óleo. garantidamente sem cavitação. O óleo para
O fluxo de óleo para os mancais é conduzido impulso é extraído do tubo coletor de óleo
através de um filtro duplo de óleo. Antes das pressurizado através de um orifício.
entradas dos compartimentos dos mancais da A bomba de óleo de emergência, ligada à rede de
turbina e do gerador, são utilizadas válvulas suprimento elétrico ininterrupto, em caso de
restritoras de óleo dos mancais, através das “black-out” ou perda da bomba principal de óleo e
quais, é ajustada a quantidade necessária de óleo das bombas de óleo auxiliares, assegurando o
de lubrificação para o mancal correspondente. suprimento de óleo aos mancais durante a
desaceleração do turbo-gerador.
Quando aplicável, o óleo para acionamento do
girador do eixo é retirado do coletor pressurizado O nível de óleo no tanque principal de óleo, assim
e suprido ao girador através de válvulas. como a pressão no coletor de óleo pressurizado
são monitorados através de medições de nível e
O óleo de lubrificação que escorre das carcaças pressão respectivamente.
dos mancais é conduzido de volta ao tanque
principal de óleo através de um coletor comum. A pressão do óleo dos mancais, após passar nos
resfriadores de óleo, é reduzida para a pressão de
O óleo de descarga dos blocos dos mancais óleo de lubrificação dos mancais. O controle da
anteriores da turbina de alta pressão, devido às temperatura do óleo em um valor constante é
condições locais e devido às grandes realizado com a válvula de três vias, através do
quantidades, é conduzido de volta para o tanque desvio do resfriador, efetuando-se, assim, uma
principal de óleo através de uma linha separada. mistura de óleo. O fluxo de água de resfriamento
pelo resfriador é constante.
Durante a partida e parada, o turbo-gerador é
suprido através de uma das bombas auxiliares de O dispositivo de óleo de levantamento serve para
óleo de plena carga. Ela recalca o óleo do tanque levantar todo o conjunto do rotor, assim que o
principal de óleo para um coletor de óleo dispositivo do girador do eixo da turbina seja
pressurizado. Um pouco antes da turbina atingir a ligado. Em baixas velocidades, a movimentação
sua rotação nominal, o sistema de suprimento de de rotação do eixo é aliviada pelo óleo de
óleo de lubrificação é assumido pela bomba levantamento, evitando-se o atrito. Para que este
principal de óleo. A bomba principal de óleo é suprimento ocorra também em caso de “black-
acionada pela turbina através de uma out”, uma das duas bombas de óleo de
engrenagem. O ejetor aspira o óleo do tanque levantamento é conectada ao suprimento elétrico
principal de óleo e gera uma pressão suficiente de emergência.
para todas as condições operacionais na sucção
da bomba principal de óleo. Assim é assegurado

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 492 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Uma das duas bombas de óleo de levantamento, O eixo do gerador possui, no lado da turbina e no
recalca diretamente do tanque principal de óleo, lado da excitatriz, mancais radiais, que são
para os mancais. lubrificados com óleo pressurizado a partir de um
coletor. Durante a partida da turbina, estes dois
O controle de uma pressão constante no coletor é mancais e mais o da excitratiz auxiliar são
efetuado através de uma válvula limitadora de supridos com óleo de levantamento. O óleo que
pressão. Ao ultrapassar uma determinada escorre é retornado através da linha de retorno de
pressão, o óleo excedente é conduzido de volta óleo dos mancais.
ao tanque principal de óleo.
O gerador pode ser selado por óleo e, neste caso,
Cada mancal é suprido através de um coletor. o Sistema de Óleo de Selagem do Gerador é
Antes da entrada de cada mancal, existem suprido pelo Sistema de Suprimento de Óleo de
válvulas de ajuste fino, através das quais podem Lubrificação da turbina através da linha de retorno
ser ajustadas as pressões de óleo de de óleo dos mancais. O óleo de selagem
levantamento necessárias para cada mancal. excedente é retorna ao tanque de descarga.

A circulação e purificação contínua do óleo são II.3. SISTEMA DE ÓLEO DE PARADA (ISOLANTE)

executadas durante a operação por meio da Conforme já foi citado, o Óleo de Parada é uma
unidade de purificação de óleo. Esta unidade ramificação do Óleo Lubrificante. Através de um
pode, ainda, fazer a purificação do óleo, orifício, o óleo lubrificante vasa para um coletor
retornando ao tanque de drenagem com ajuda de que, estando a Turbina desarmada, este óleo é
uma bomba de retorno. drenado de volta ao reservatório.

A bomba de recirculação succiona óleo de ambas Quando se Rearma a Turbina, o caminho de


as câmaras do tanque principal e retorna-o ao dreno deste óleo é fechado e então este coletor
tanque através de um filtro de malha fina. volta a ser pressurizado. Com a pressurização
deste coletor, a válvula de interface, válvula esta
A tubulação de descarga é protegida contra que drena o Sistema de Óleo de Controle, é
sobrepressurização por meio de uma válvula de também fechada, pois o Óleo de Parada atua num
segurança. dos lados do diafragma desta válvula.

Quando aplicável, o dispositivo girador do eixo da Qualquer sinal de desarme para a Turbina atuará
turbina é feito através da ação de óleo de impulso uma solenóide que irá drenar este Óleo de
em uma roda de palhetas, o eixo da turbina é Parada, da mesma maneira que desarmes ,como
acionado durante a partida e parada. O óleo de baixo vácuo e baixa pressão de óleo dos mancais,
impulso que escoa é conduzido de volta ao tanque atuam numa alavanca que também drena este
de óleo principal. Óleo de Parada. Como já visto, drenando este

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 493 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Óleo de Parada, a válvula interface irá se abrir avanço muito rápido dos recursos eletrônicos.
drenando o Óleo de Controle que, por sua vez, irá Angra 1, com 20 anos de operação, está trocando
fechar todas as Válvulas da Turbina, todo o sistema computacional, principalmente a
Governadora, Interceptadoras e Válvulas de parte de hardware do DEHC.
Bloqueio e, desta maneira, a Turbina será V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
desarmada. As Turbinas a Vapor são equipamentos com uma
tecnologia muito desenvolvida A vida útil dos
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA Sistemas de Óleo da Turbina que fazem parte do
A exemplo dos sistemas de segurança, por serem equipamento turbina, por conseqüência, também
os Sistemas de Óleo da Turbina essenciais na tem uma performance muito boa.
manutenção da confiabilidade da usina, há um
programa de inspeções periódicas, além de Os problemas ficam por conta do hardware do
praticamente todos os seus equipamentos sistema de controle que, na realidade, não é parte
pertencerem ao programa de manutenção desta descrição, se considerarmos o Sistema de
preditiva em que são monitoradas vibrações das Óleo de Controle como somente o Sistema de
bombas e inspeções dos trocadores de calor. Suprimento de Óleo de Controle. Desta maneira,
podemos dizer que a vida útil destes sistemas é
Os Sistemas de Óleo de Controle e de de 25 anos.
Lubrificação, como foi visto, têm redundância em
todos os equipamentos, o que permite a REFERÊNCIAS
realização de testes sem interrupção dos CFOL - Curso de Formação de Operador
sistemas. Todos os desarmes da Turbina podem Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
ser simulados, mesmo estando a turbina em – Eletronuclear SA.
operação. Mesmo com a usina em operação,
todas as válvulas da turbina são testadas em sua
operabilidade.

IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA


As manutenções corretivas mais comuns nos
sistemas de óleo são pequenos vazamentos em
válvulas e troca de gaxetas, visto que estes
sistemas já são bastante consagrados.

Quando considera-se a parte de controle


elétrico/eletrônico do Sistema de Óleo de Controle
o DEHC, depara-se com o problema do
obsoletismo de seus componentes em virtude do

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 494 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Proteção Contra Incêndio

RESUMO incêndio em área aberta e confinada. Exercícios


Uma Central Nuclear normalmente está dividida simulados de incêndio são realizados como parte
em diversas Áreas de Risco de Incêndio. A do programa de retreinamento dos bombeiros. As
primeira consideração neste "lay-out" é a Usinas possuem um sistema de alarme e
separação de componentes e sistemas de indicação de incêndio e sistemas de combate
segurança de suas contra partes redundantes e a propriamente ditos, que são específicos para cada
isolação e separação de riscos de incêndio dos tipo de área. Para fazer frente a um princípio de
sistemas de segurança. É feita também a incêndio, existe toda uma estrutura
consideração sobre o isolamento de organizacional. O primeiro combate é feito sempre
concentrações de combustíveis, previsão de vias por membros da Brigada da Central, composto
de acesso e saída das áreas de Risco para o por, no mínimo, um bombeiro profissional, o
pessoal da Usina e Brigadas de Incêndio. Cada encarregado de turno da operação, que é o
edifício da Usina é separado por barreiras físicas coordenador da equipe, operadores, técnicos da
ou por distâncias adequadas. O Edifício da manutenção, guardas de segurança física,
Turbina é separado dos Edifícios da Usina técnicos da Proteção Radiológica e Técnicos da
Primária por barreiras corta-fogo. O Sistema de Química. O Sistema de Proteção Contra Incêndio
Proteção Contra Incêndio é parte de um programa compõe-se de Sistemas Automáticos de CO 2 e
de proteção contra fogo, como parte de uma Sistemas com Água Doce, incluindo borrifadores,
política da empresa. O incêndio numa Usina hidrantes, sistema deluge, sprinker, entre outros.
Nuclear, além de trazer todas as consequências A experiência na manutenção destes sistema
ruins deste tipo de acidente numa indústria, tem permite-se prever uma vida útil de 30 anos.
ainda o problema da probabilidade de liberação de
radioatividade. Com base nesta política, um I. DESCRIÇÃO DOS SISTEMAS
princípio de incêndio numa instalação nuclear
requer que seja implementado o Plano de I.1. SISTEMA AUTOMÁTICO DE CO2

Emergência. Normalmente, toda Usina Nuclear, Este sistema é projetado para descarregar
além de contar com o apoio da Brigada de quantidade suficiente de gás carbônico durante o
Incêndio do Município, tem sua Brigada própria. incêndio para assegurar apropriada atmosfera de
Esta Brigada recebe todo tipo de treinamento de extinção de fogo dentro do compartimento
uma Brigada profissional desde a conceituação envolvido. São as seguintes as áreas protegidas
teórica até os exercícios práticos de combate a com este sistema:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 495 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Sala dos Geradores Diesel; I.2. SISTEMA COM ÁGUA DOCE

• Sala dos Computadores; A água para este sistema é fornecida,

• Sala de Cabos; normalmente, por um reservatório situado fora da

• Sala dos Barramentos de Segurança. Usina. Uma pressão mínima de 10 Kgf/cm2 pode

A descarga do gás em cada área deve ser iniciada ser mantida no sistema através de um reservatório

por operação de um detetor de taxa de elevação situado numa cota mais alta ou através de

de temperatura, termostato, detetor de ionização bombas.

ou, manualmente, por atuação remota ou local.


Quando a liberação do gás é comandada pelos Normalmente, usa-se o mesmo reservatório de

processos acima, os controles do sistema fazem água potável, sendo a tomada de água para o

soar um alarme audível no compartimento sistema de incêndio em um ponto mais baixo do

correspondente vinte segundos antes da liberação reservatório, de modo que um grande volume de

do gás, acionando o correspondente anunciador água seja estritamente reservado para este

na Sala de Controle. O alarme local possibilita a sistema.

evacuação do local por pessoas ali presentes


antes da liberação do gás. No caso da Central Nuclear de Angra, o sistema é
alimentado por gravidade, fornecendo uma altura

Cada cilindro de 75 libras (34kg) de CO2 é de coluna d'água suficiente para produzir uma

equipado com válvulas de pressão, possuindo um pressão de aproximadamente 10 kgf/cm 2. Um

disco de segurança para liberar gás a uma pressostato localizado no coletor principal do

pressão de 300% da pressão normal de operação. sistema causa alarme na Sala de Controle em

As válvulas dos cilindros são adaptadas a uma caso de perda de pressão no sistema.

linha de descarga que são conectadas por tubos


flexíveis a um coletor comum. As linhas de I.2.1. Sistema de Borrifo de Água (DE LUGE)

descarga possuem válvulas de retenção para Este sistema é automático, supervisionado por

evitar perda de gás, enquanto um ou mais dispositivos de detecção de calor por taxa de

cilindros são desconectados do coletor. Em um elevação de temperatura e com válvulas de alto

painel de controle, estão localizados todos os fluxo tipo "DE LUGE" instalados nos circuitos.

disjuntores, relés auxiliares, relés de tempo e


blocos terminais, que possibilitam a operação Os detetores são montados em sistemas de

manual remota do sistema, bem como teste dos supervisão independentes e atuam na válvula

circuitos de alarme e operação dos cilindros. Os automática (MULTIMATIC) de suprimento de água

alarmes referentes à atuação do sistema de CO2 para o ramal acidentado, que também pode ser

são vistos no Painel de Anunciadores de Incêndio acionado manualmente pela quebra do vidro na

na Sala de Controle. estação localizada próxima ao equipamento. Esta


estação também pode ser usada para os testes
normais do sistema.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 496 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Os equipamentos protegidos por sistema de quando a válvula obturadora for movida da
borrifo são os seguintes: posição inteiramente aberta (se for fechada).
• Transformadores principais;
• Transformador Auxiliar de Serviço; I.2.3. Caixas de Incêndio e Mangueiras de

• Transformador auxiliar da Unidade; Incêndio

• Reservatório de óleo lubrificante da Nos diversos Edifícios da Usina são instaladas


turbina; Caixas de Incêndio e linhas de mangueiras

• Tanque de óleo limpo-sujo da turbina; vulcanizadas com esguicho e carretel para enrolá-

• Unidade de selagem do hidrogênio; las ("Hose Reel") supridos pelo reservatório

• Filtros do sistema de ventilação. principal de água através de 4 linhas derivadas do


coletor principal, com válvulas que permitem o

I.2.2. Sistema de "Sprinklers" de Tubos isolamento parcial dos sistemas com mínima

Úmidos interrupção.

As salas de gabinetes elétricos/eletrônicos são


protegidas por sistemas automáticos de No interior da contenção, também são instaladas

"Sprinklers" de tubos úmidos. Caixas de Mangueira

I.2.4. Hidrantes
O sistema de tubo úmido utiliza "Sprinklers"
resistentes ao fogo, atuados pelo calor, para A proteção da Área Externa à Usina é feita por

controlar o fluxo de água para a área sob sua uma rede de hidrantes. Um coletor subterrâneo

proteção. Quando o calor de um incêndio aumenta em volta da Usina, suprido pelo Sistema de

a temperatura do "sprinkler" até sua temperatura Proteção Contra Incêndio, possui válvulas que

de projeto, no caso 100oC, o bulbo de vedação permitem o isolamento parcial do sistema com

fundirá, permitindo a liberação do fluxo de água. mínima interrupção de serviço durante uma
quebra da linha principal ou de manutenção.

Uma válvula de retenção com alarme especial


I.3. SISTEMA DE COMBATE A INCÊNDIO NOS
projetada para operar um alarme quando a água
EDIFÍCIOS DOS GERADORES DIESEL
fluir levantar-se-á de sua sede e permitirá o fluxo
Para o combate a incêndio nas salas dos painéis
de água pelo "Sprinkler" que foi aberto pelo
de comando e controle e do sistema de
incêndio. Uma pequena quantidade de água será
ventilação, são colocados extintores portáteis de
desviada para uma câmara de retardo onde o
CO2. A sala do Gerador Diesel possui um Sistema
aumento de pressão atuará um pressostato que
Deluge. Para a sala do Tanque Diário dos
dará alarme na Sala de Controle. A descarga do
Geradores Diesel, é instalado o Sistema de "Spray
"Sprinkler" é interrompida pelo fechamento da
Water" (água nebulizada).
válvula obturadora manual localizada
imediatamente a montante da válvula de retenção
com alarme. Um alarme de problema soará

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 497 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Normalmente, o caminhão de espuma da Usina que, percebendo a variação de pressão,
fica estacionado próximo às salas dos Geradores comandará o acionamento dos alarmes visuais e
Diesel como mais uma medida de segurança. sonoros nos painéis de controle local e na sala de
controle da Usina. Este comando também
A água de alimentação do sistema “Spray Water” acionará uma sirene com luzes localizadas
vem da rede de água do Sistema de Proteção externamente ao edifício dos Geradores.
Contra Incêndio.
A água de alimentação do sistema vem da rede
O sistema é constituído por 2 Detetores de de água do Sistema de Proteção Contra Incêndio.
ampola "Quartzoid" instalados na tubulação
principal e acima do tanque, os quais mantêm O sistema é constituído por três coletores, sendo
fechada a água para as tubulações onde se que um está em cada lateral do Gerador Diesel e
encontram os Projetores de Média Velocidade que outro central ao mesmo. Para ocorrer vazamento
descarregam a água em forma pulverizada, de água para o combate ao incêndio, fazem-se
constituída de partículas finamente divididas e em necessários a atuação da válvula deluge e o
densidade uniforme. O funcionamento do rompimento dos bulbos de cada um dos sprinklers
elemento sensível que proporciona a abertura da localizados no coletor central e, para os coletores
água se dá quando a temperatura atingir 79oC. laterais, faz-se necessário atuar, além da válvula
deluge, 1 de 2 comandos térmicos (rompimento
Quando ocorre a atuação do sistema, o fluxo de de bulbo por alta temperatura) que permitirá o
água acionará o Motor de Alarme Hidráulico, que vazamento para o respectivo coletor e bicos
provocará um alarme sonoro contínuo local, muito ejetores direcionados ao Gerador Diesel. Há dois
estridente, e haverá a atuação da "Chave comandos térmicos para cada coletor lateral,
Detentora de Fluxo de Água" que alarma no painel tornando-os independentes quando da atuação do
de controle do sistema de incêndio do gerador sistema.
diesel que, por sua vez, alarmará nos painéis do
comando local e remoto (na Sala de Controle). II. MANUTENÇÃO PREDITIVA
Toda planta nuclear por exigência das
O Sistema de Combate a Incêndio (Deluge) das Especificações Técnicas do Relatório Final de
Salas dos GD é acionado manualmente com o Análise de Segurança – RFAS - possui um
acionamento da botoeira ou com a abertura da Programa de Testes Periódicos em Serviço. Este
válvula de desvio, que comandará abertura de programa prevê testes periódicos em todos os
uma válvula solenóide que, por sua vez, permitirá sistemas e equipamentos relacionados à
a abertura da válvula Deluge, possibilitando a segurança da planta.
passagem de água para as tubulações do sistema
e também para a linha do alarme sonoro Além do Programa de Inspeção e Testes
hidráulico, onde está localizado um pressostato Periódicos (por experiência), durante paradas, são

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 498 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
feitas inspeções em trechos do coletor principal
com vistas a identificar pontos de corrosão.

III. MANUTENÇÃO CORRETIVA


O Sistema de Proteção Contra Incêndio, por não
possuir equipamentos rotativos e por permanecer
a maioria do tempo na condição estática e numa
atmosfera agressiva de beira de mar, apresenta,
durante os testes, problemas de emperramento
de dispositivos e válvulas na maioria das vezes
devido à corrosão.

IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil do Sistema de Proteção Contra
Incêndio está limitada, principalmente, pelos
problemas de corrosão nos coletores de aço
carbono convencional, vida esta de não mais do
que 30 anos.

REFERÊNCIAS
CFOL - Curso de Formação de Operador
Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
– Eletronuclear SA

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 499 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Pulverização do Envoltório de Contenção

RESUMO redundância nos equipamentos e circuitos,


O Sistema de Pulverização do Envoltório de previsões de testes e tem seus equipamentos
Contenção é um sistema de segurança específico arranjados dentro do Envoltório de Contenção, de
para usinas nucleares. Ele é projetado para, num maneira que mísseis oriundos de acidentes
acidente postulado de projeto com ruptura em internos não venham comprometer sua
guilhotina do Sistema de Refrigeração do Reator operabilidade. A vida útil deste sistema é de, no
ou uma Quebra de Linha de Vapor dentro do mínimo, 30 anos, considerando que é um sistema
Envoltório de Contenção, não deixar que a com poucos equipamentos, de classe de
pressão interna do envoltório atinja os valores de segurança nuclear, com número reduzido de
projeto, assumindo que toda a energia do reator operações, praticamente somente em testes e
foi desprendida dentro do envoltório. A parte mais com 100% de capacidade de reserva.
crítica deste acidente é nos primeiros momentos
após a ruptura, onde uma grande energia é I. FUNÇÕES DO SISTEMA
liberada dentro do envoltório. No evento de termos A função do Sistema de Pulverização do
Elementos Combustíveis falhados no núcleo, este Envoltório de Contenção é limitar o pico de
acidente poderia aumentar o nível de Iodo dentro pressão no Envoltório de Contenção para valores
do Envoltório de Contenção. A base do projeto menores do que o da pressão de projeto durante a
prevê, ainda, a remoção deste Iodo da atmosfera fase mais crítica, seguindo um acidente de quebra
da Contenção, pois se ocorrer algum vazamento de linha do primário, com perda de refrigerante do
do envoltório para o meio ambiente, poderia-se reator ou uma quebra da linha de vapor dentro do
colocar em risco a população. Para o ser humano, envoltório. O Sistema também remove o Iodo
o Iodo é retido na tireóide, que tem uma meia vida desprendido dos Elementos Combustíveis
biológica muito maior que a normal. Os bocais falhados caso ocorra um acidente de quebra de
espersores do Sistema de Pulverização do linha do primário.
Envoltório de Contenção ficam a uma altura
suficiente para permitir a reação da Soda com o II. DESCRIÇÃO GERAL DO SISTEMA
Iodo. Esta reação produz um composto que não é O Sistema de Pulverização do Envoltório de
volátil e fica assim retido na água no Poço do Contenção é composto das Bombas de
Envoltório. Para garantir os critérios de projeto Pulverização, um Tanque de Aditivo Químico, um
acima, todo o sistema é em aço inoxidável, de Ejetor, Anéis no topo do envoltório de contenção,
classe sísmica, com iniciação automática,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 500 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Bocais espersores e tubulações e válvulas III.2 BOMBAS DE PULVERIZAÇÃO DA CONTENÇÃO

necessárias. O Tanque de Água de As bombas são horizontais, simples estágio,


Recarregamento é a fonte de água borada para as centrífugas, motorizadas e cada uma é capaz de
Bombas de Pulverização. descarregar 2.600 gpm a 20 kfg/cm2 de pressão.
Quando o Sistema de Pulverização do Envoltório Não há instrumentação associada para estas
de Contenção é ativado, as bombas succionam do bombas. As bombas são projetadas para trabalhar
Tanque de Água de Recarregamento e com hidróxido de sódio e solução de boro. Estas
descarregam o fluido para os anéis e bocais bombas são equipadas com selo mecânico, o qual
pulverizadores dentro do envoltório. Uma porção não requer refrigeração especial.
do fluxo de descarga é direcionada para o ejetor
do Tanque de Aditivo Químico, que remove e III.3 TANQUE DE ADITIVO QUÍMICO

mistura o NaOH (Hidróxido de Sódio) contido no O tanque é feito de aço carbono revestido

Tanque de Aditivo Químico e descarrega a internamente com aço austenítico para protegê-lo
mistura na linha de sucção da Bomba de contra a mistura altamente corrosiva de Hidróxido

Pulverização. de Sódio. O tanque contém cerca de 2.000 galões


de uma solução com 30% de NaOH. O NaOH é

Num acidente com injeção de segurança, na fase efetivo na remoção do Iodo, prejudicial para a

de recirculação, o refrigerante do Poço do tireóide, da mesma maneira que ele aumenta o pH

Envoltório de Contenção é direcionado para os da água do poço da contenção para ~8,5, o que

coletores de sucção das Bombas do Sistema de reduz as taxas de corrosão se comparadas,

Pulverização. somente, à água borada.

III. DESCRIÇÀO OPERACIONAL DO Na Sala de Controle, há alarme de baixo nível do

SISTEMA Tanque de Aditivo Químico em 80%, e as


Especificações Técnicas requerem nível mínimo

III.1 TANQUE DE ÁGUA DE RECARREGAMENTO


de 72%.

Durante a fase inicial de operação, o suprimento


de água é feito pelo Tanque de Água de Para prevenir a decomposição do NaOH, é

Recarregamento. Dos 275.000 galões de água mantida uma atmosfera inerte de Nitrogênio no

borada (2.000 ppm de boro), 60.000 galões ficam tanque.

disponíveis para uso do Sistema de Pulverização


do Envoltório de Contenção e o restante para O volume de NaOH no tanque é suficiente para,

resfriamento pelo Sistema de Injeção de misturados no poço do envoltório com todo o

Segurança. volume do Tanque de Água de Recarregamento


mais o volume do Sistema de Refrigeração do
Reator mais o volume dos Acumuladores, manter
uma concentração de sódio na mistura final, que

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 501 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
mantém o pH de 8,5 e continua a remoção do iodo Quando o sistema é atuado por uma das duas
mesmo na fase de recirculação. condições acima, abrem-se as válvulas de
descarga das bombas, e elas partem.
III.4 BOCAIS DE ASPERSÃO V. OPERAÇÃO
Os bocais de aspersão são colocados nos anéis Quando o sistema é iniciado, as duas bombas
numa extensão de 360°. São projetados para criar retiram água do Tanque de Água de
uma área de superfície suficiente para remoção Recarregamento e descarregam nos coletores
do calor e remoção do iodo. através de linhas individuais. Estas linhas são
equipadas com válvulas paralelas para assegurar
III.5 EJETOR o fluxo, mesmo na hipótese de uma válvula falhar.
O meio usado para adicionar o NaOH na água, Estas válvulas, normalmente, estão fechadas e
que será pulverizada pelo sistema de abrem quando o sinal de iniciação automática
pulverização, é o ejetor. Ele é um dispositivo que existe.
usa a energia cinética de um líquido pressurizado,
penetrando em um outro líquido, misturando Uma parte da descarga da bomba é direcionada
ambos. O líquido pressurizado vem da descarga para o ejetor, o qual adiciona uma mistura com
da Bomba do Sistema de Pulverização, e a 30% de NaOH no fluxo final de injeção. O Tanque
mistura é enviada para a sucção da bomba. Os normalmente está isolado por válvulas que se
ejetores são projetados para que a mistura não abrem quando o sinal automático de partida do
ultrapasse o pH de 10,5 durante a fase de injeção. Sistema de Pulverização está presente.

III.6 REMOÇÃO DE IODO


O Tanque de Aditivo Químico leva
O Sistema de Pulverização, em virtude da grande aproximadamente 30 minutos para descarregar
área de superfície criada pelas gotículas que
toda a solução de NaOH.
saem dos dispersores, cria um excelente meio
para a absorção do Iodo na fase gasosa. Durante esta fase de operação, o Sistema de
Pulverização do Envoltório de Contenção atua na
IV. INSTRUMENTAÇÃO diminuição da pressão da contenção e, se
O Sistema de Pulverização do Envoltório de necessário, na remoção de Iodo. Da Sala de
Contenção é iniciado pelos seguintes sinais: Controle, pode-se monitorar o fluxo do Tanque de
• Pressão muito alta no Envoltório de Aditivo Químico. A pressão do Envoltório de
Contenção – este sinal ocorre quando a Contenção também é monitorada diretamente da
pressão atinge 50% do valor da pressão Sala de Controle.
2
de projeto, cerca de 1,5 kgf/cm ;
• Iniciação Manual – duas botoeiras Quando a fase de recirculação para o Sistema de
acionadas simultaneamente. Injeção de Segurança é iniciada, ainda restam
80.000 galões de água borada no Tanque de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 502 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Água de Recarregamento para uso no Sistema de
Pulverização. Esta reserva garante operação do
Sistema de Pulverização para a completa adição
de NaOH.

Quando atinge o nível muito baixo no Tanque de


Água de Recarregamento, a sucção das Bombas
do Sistema de Pulverização deve ser trocada para
o Poço da Contenção, onde toda a água dos
Acumuladores, do Sistema de Refrigeração do
Reator e do Tanque de Água de Recarregamento
foi coletada.

A fase de recirculação será tão longa quanto for


necessária para diminuir a pressão do Envoltório
de Contenção.

VI. MANUTENÇÃO PREDITIVA


Como sistema de segurança nuclear, ele está
incluído no programa de testes periódicos da
usina.

VII. MANUTENÇÃO CORRETIVA


Por ser um sistema que não opera em condições
normais e somente em testes parciais, mesmo
assim, parcialmente, porque somente as bombas
são testadas, as manutenções corretivas são
praticamente zero.

VIII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil do Sistema de Pulverização do
Envoltório de Contenção é superior a 30 anos.

REFERÊNCIAS
CFOL - Curso de Formação de Operador
Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
– Eletronuclear SA

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 503 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Radiocomunicação

RESUMO automação devido à rapidez e à facilidade de


Os sistemas de radiocomunicação existentes no controle a distância. Além disso, propicia um
Brasil representam parte considerável dos ambiente de trabalho mais organizado,
equipamentos auxiliares necessários para o favorecendo a segurança dos operadores.
monitoramento contínuo dos processos de
produção, neste caso, da energia nas centrais Estes equipamentos devem permitir a
termelétricas. Em função das características dos comunicação entre pessoas em locais diferentes,
equipamentos quanto à operacionalidade e máquinas posicionadas a distancia do operador
observância, quanto à manutenção, bem como à ou de uma sala de controle.
substituição por equipamentos tecnologicamente
mais modernos, que podem incorrer na De acordo com [6], historicamente, o campo das
obsolescência dos mesmos, tem merecido a comunicações tem -se apresentado bastante
atenção de técnicos e engenheiros com a promissor de idéias, praticamente desde o
finalidade de preservá-los e diminuir os custos primeiro sistema opto-telegráfico apresentado pelo
com a depreciação. Conseqüentemente, este físico inglês Robert Hooke, em 1684, à Royal
trabalho visa a estudar os principais aspectos Society de Londres.
operacionais e de manutenção dos equipamentos
correlatos à radiocomunicação, bem como Cem anos mais tarde, o engenheiro francês
apresentar valores indicativos da vida útil dos Claude Chappe construiu mais de 500 estações
mesmos para efetuar os cálculos de depreciação. de sinalização na França, que vieram a tornar-se
Estima-se a vida útil em 20 anos. a primeira rede organizada de telecomunicações.
Além disso, com a invenção do telefone, com
I. INTRODUÇÃO Grahan Bell no século XIX, a instalação dos

A utilização dos sistemas de radiocomunicação primeiros cabos submarinos, a evolução de

dos transceptores VHF,UHF,FM, AM, Celulares, dispositivos eletrônicos cada vez menores e a

Pagers e PABX correspondem ao conjunto de transmissão de voz via satélite(1957), o campo

equipamentos auxiliares necessários à das radiocomunicações sofreu uma grande

monitorização assistida de todas as etapas de expansão e implantação nas unidades de

produção de energia nas centrais termelétricas, produção industriais, principalmente, depois que

permitindo a melhoria dos sistemas de controle e G. Marconi demonstrou a capacidade global deste

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 504 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
meio para propagação em alta freqüência (HF) A ENGESBRA Telecomunicações Ltda foi
entre 3 MHz e 30 MHz. fundada em 1987 e, atualmente, destaca-se na
venda de rádios bidirecionais Motorola.
No Brasil, esta expansão e modernização dos
sistemas radiocomunicadores iniciou-se na Segundo [3], devido às recentes tecnologias de
década de 1950, face ao interesse do governo compressão de dados e voz, ao longo da década
federal na expansão do setor das de 1990, algumas operadoras de telecomunicação
telecomunicações e elétrico com a finalidade de estão substituindo a tecnologia de comutação por
atender o aumento da população e do consumo circuito para a tecnologia da rede única baseada
de energia elétrica e, com isso, minimizar a em pacotes digitalizados, aumentando a
possibilidade do racionamento de energia em confiabilidade, a sensibilidade e o alcance do
decorrência da estiagem nos principais sistema, sem fios, via satélite. Neste meio,
reservatórios de centrais hidrelétricas no país. destacam-se a tecnologia WAP (Wireless
Application Protocol) e redes mais velozes, como
Novos investimentos têm sido efetuados, EDGE (Enhanced Data Rates for Global
principalmente, na implantação das centrais Evolution) e GPRS (General Packer Radio
termelétricas devido à característica peculiar de Service).
possuírem menor prazo para entrada em
operação, de acordo com [1, 2], bem como II. CARACTERÍSTICAS
garantir a segurança e a monitorização continuada A radiocomunicação pode ser efetuada através de
e total dos processos. Para tanto, foram instituídos módulos de comunicação ou transceptores,
o Programa Prioritário das Termelétricas e o divididos em três partes: emissor, transmissor e
Programa de Expansão e Modernização dos receptor.
Sistemas de Radiocomunicação.
É importante ressaltar que estes equipamentos
No mercado, dentre os fabricantes de linhas de operam em conjunto, devendo-se ajustar a faixa
comutação por circuito, base da comunicação de freqüência de operacionalidade de cada um de
telefônica e redes de informações, têm-se forma a evitar ruídos, ou seja, interferência.
destacado: ENGESBRA e Sul America Philips.
Para VHF, as freqüências abrangem de 30 MHz a
A Sul America Philips atua no mercado desde 300 MHz. Para UHF, de 300 MHz a 3.000 MHz e,
1971, iniciando suas atividades com a instalação acima de 3.000 MHz, corresponde às Microondas
de centrais telefônicas CPA (Controle por [6]. Estas últimas apresentam grande aplicação
Programa Armazenado), tais como a TELESP, nas indústrias aeronáutica e aeroespacial.
TELERJ, entre outras.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 505 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O alcance máximo para VHF é de 200 milhas, • NBR 7875: estabelece prescrições
enquanto que, para UHF e microondas, pode referentes ao instrumento de medição de
atingir até 600 milhas. tensão campo de radiointerferência na
faixa de 0,15 a 30 MHz.
Ao longo da trajetória percorrida pelas ondas de • NBR 12939: fixa características técnicas
rádio, podem ocorrer perdas devido à atenuação mínimas exigíveis para a interface entre
ou absorção dos raios pelas chuvas, neve ou equipamentos de comunicação de dados
“fog”, vapor d’água ou oxigênio, desvanecimento (ECD) e a rede telefônica pública, para
tipo multipercurso em função da existência de velocidade de transmissão de sinal de
obstáculos naturais (montanhas), do período dados de até 20.000 bit/s;
(horas matinais nos meses quentes) e das • NBR 9611: padroniza código brasileiro de
tempestades solares. caracteres a ser usado em sistemas de
processamento de dados, sistemas de
Dentre os equipamentos utilizados para a comunicação e equipamentos associados
radiocomunicação, destacam -se: o transceptor para intercâmbio de informação;
portátil (microfone e alto-falante, Pagers e • NBR 13083: fixa requisitos técnicos
Celulares, por indivíduo); o transceptor móvel mínimos exigidos das Centrais Privadas de
(antena, alimentação, microfone e alto-falante, em Comutação Telefônica ( CPCT ), cujas
carros e caminhões ); e Estação Fixa/Repetidora ligações são Controladas por Programa
(antenas para transmissão em UHF / VHF / FM, Armazenado ( CPA ) e que utilizam
Codificadores e Internet na sala na central tecnologia de estado sólido de forma
termelétrica); e sistemas PABX para envio de preponderante para o desempenho de
mensagens. suas funções de controle das ligações.

No Brasil, de acordo com as normas ABNT, os Somente os transceptores portáteis funcionam


sistemas de radiocomunicação estão com baterias ou pilhas, devendo-se atestar a
padronizados, contemplando as seguintes durabilidade das mesmas e evitar que vazem no
normas: interior dos compartimentos, comprometendo a
• NBR 8765: fixa as condições exigíveis vida útil do equipamento.
para os equipamentos em VHF/UHF, com
capacidade de 24 canais telefônicos, Os transceptores móveis funcionam conectados à
operando nas faixas designadas para bateria dos carros e caminhões, devendo-se evitar
atender serviços públicos; mantê-los em ambientes quentes devido à
• NBR 10620: prescreve limites e métodos insolação, pois pode danificar os sensores.
de medição de interferência
eletromagnética de receptora de Os transceptores fixos/repetidoras funcionam
radiodifusão e de televisão; diretamente conectados à rede elétrica, devendo-

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 506 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
se assegurar a existência de estabilizadores eletrônicos e falhas no fornecimento de
confiáveis para evitar sobrecarga de corrente e energia;
tensão de forma a não queimar os circuitos • Efetuar pequenos reparos e mudanças nas
eletrônicos internos. antenas ou nas estruturas das torres para
evitar perdas de potência;
II.1. TIPO EMISSOR • Afastar galhos e cortar árvores;
O emissor, que pode ser móvel ou não, contempla • Trabalhar em equipes de testes nas
todos os equipamentos capacitados para centrais adjacentes localizadas nas
converter os sinais analógicos e/ou digitais em proximidades das centrais
ondas eletromagnéticas com freqüência e receptoras/repetidoras, procurando
comprimento de onda definidos. Normalmente, os esclarecer as falhas encontradas e
sinais são utilizados para a monitorização do reportadas;
funcionamento de equipamentos. • Manter contínua observância dos
dispositivos eletrônicos de microondas e
II.2. TIPO TRANSMISSOR
circuitos integrados internos dos
O transmissor, constituído por conversores e
transceptores móveis e portáteis, bem
antenas, permite a transmissão destes sinais
como do estado operacional e de
eletromagnéticos a distâncias limitadas pela
conservação das fontes elétricas;
potência dos conversores.
• Procurar evitar o acúmulo de poeira e
sujeira, o desgaste e/ou envelhecimento
II.3. TIPO RECEPTOR
precoce dos circuitos dos sensores nos
O receptor, que também pode ser móvel ou não,
equipamentos;
realiza o trabalho inverso do emissor, convertendo
• Evitar instalar os equipamentos em lugares
os sinais eletromagnéticos em sinais analógicos
desprovidos de pára-raios ou permissíveis
e/ou digitais, que podem ser interpretados
à existência de animais e insetos.
diferentemente dependendo da interface utilizada.

IV. MANUNTEÇÃO CORRETIVA


III. MANUNTEÇÃO PREVENTIVA
Neste tipo de manutenção, pode ocorrer uma
Neste tipo de manutenção, no sistema de
interrupção do serviço, sendo a falha prontamente
radiocomunicação remota e sem atendentes,
localizada e as unidades defeituosas recolocadas,
deve-se efetuar de forma a descobrir eventuais
se necessário. É mais comum nos transceptores
defeitos antes que eles causem as falhas reais,
de transmissão, nas salas das repetidoras e nos
evitando interromper o serviço, a destacar:
terminais de microondas. Pode-se destacar:
• Patrulhar e inspecionar periodicamente a
• Ajustar os amplificadores, de forma a
linha da central repetidora, para evitar
manter os ganhos adequados e
perdas de sinal, falhas dos equipamentos
freqüências características;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 507 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Corrigir os equivalentes de transmissão drasticamente, e encurtar a vida útil do
dos circuitos externos, internos e equipamento para fins de depreciação.
individuais;
• Corrigir os chaveamentos defeituosos na REFERÊNCIAS
rede de comunicações, nas mesas de [1] C & I – Controle e Automação, Grupos
testes e painéis. O uso de “stand-by” é Encontram Dificuldade para Viabilizar Projetos de
recomendável; Geração Termelétrica, pp 82, julho de 2000.
• Efetuar a adequabilidade das variações
permissíveis da freqüência nas centrais [2] C & I– Controle e Automação,Automação no
repetidoras. Setor Sucroalcooleiro – Tendência para
V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA Integração das Células, pp 26, agosto de 2000.
Em conformidade com as caraterísticas
operacionais e da enorme diversidade destes [3] P & S – Produtos e Serviços, Publicação
com as mais diversas aplicações, considerando as BANAS, Fornecedores de radiocomunicação,pp
condições do meio, pode-se obter a seguinte 25 e 77, junho de 1999.
tabela:
[4] Word Telecom, IDG Computer Word do Brasil,
Vida útil dos Equipamentos Esperada pp 22, ano III, no. 27, outubro 2000.
para efeito de depreciação, em anos
Comutação 15 [5] Castilho, A . , Relatório de Estágio – Embraer,
(transmissor/receptor) Escola Federal de Engenharia de Itajubá, abril de
Estação de Comutação 15 1987.
Celulares 12 [6] Hamsher D. H., Sistemas de
Antenas 15 Telecomunicações, Editora Guanabara Dois S.A.,
Postes 30 pp 716 - 724, Rio de Janeiro, RJ, 1980.
Cabos Aéreos 30
Cabos Subterrâneos 40
Cabos Blindados 30
Fios Aéreos 25
Unidades Portáteis 6
Pilhas 2
Baterias 2

A introdução de novos equipamentos, resultando


na obsolescência tecnológica dos existentes e,
por conseguinte, em grandes retiradas de tal
instalação, pode alterar este quadro, talvez

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 508 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Refrigeração de Emergência do Núcleo do Reator

RESUMO normalmente em operação, são realizados testes


O Sistema de Refrigeração de Emergência do periódicos com critérios de aceitação bem
Núcleo é o nome dado a um conjunto de sistemas definidos. O projeto destes sistemas atende
de segurança que foram projetados para fazer alguns critérios que estabelecem, além de
frente a um acidente básico de projeto. A quebra duplicidade de sistemas, meios diferentes para
de uma linha de vapor no final de um ciclo de chegar a um mesmo fim. Como conseqüência de
combustível levaria o Reator a uma condição que todos os equipamentos que compõem este
bastante insegura em função da diminuição da sistema são de classe nuclear e, com base na
margem de desligamento do mesmo, da mesma experiência, podemos concluir que a vida útil de
maneira que a quebra de uma linha do Sistema de 40 anos como prognosticada pelos fabricantes é
Refrigeração do Reator colocaria em risco o aceitável.
resfriamento do Núcleo do Reator. Nestas
condições, o Sistema de Refrigeração de I. BASES DE PROJETO
Emergência do Núcleo atuaria no sentido de O Sistema de Refrigeração de Emergência do
aumentar a margem de desligamento do Reator e Núcleo é projetado de forma a satisfazer diversos
garantir seu resfriamento. O Sistema de critérios de segurança e confiabilidade, dentre os
Refrigeração de Emergência do Reator quais:
compreende os sistemas de Injeção de
Segurança, Remoção de Calor Residual e I.1. LIMITES DA ‘NUCLEAR REGULATORY

Acumuladores. Todos os equipamentos que COMMISSION – NRC” ESTABELECIDOS NA


NORMA 10 CRF 50 PARA CONDIÇÕES DE
compõem estes sistemas estão localizados nos
ACIDENTES
Edifícios de Segurança da Usina, que são
• temperatura máxima do encamisamento =
construídos atendendo normas rígidas de
1204 °C;
segurança. A alimentação elétrica destes
sistemas faz parte do sistema de alimentação • Durante um acidente, há a formação de H2

elétrico de segurança, que tem garantida a pela reação do Zircaloy dos Elementos

alimentação elétrica, mesmo sem nenhum suporte Combustíveis com a água. A máxima

externo de energia. Para garantir a operabilidade quantidade de H2 gerada devido a esta

destes sistemas, visto que os mesmos não estão reação deverá ser menor do que 1% de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 509 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
todo o H2 que poderia, teoricamente, ser III.1. OPERAÇÃO NORM AL

gerado no interior do envoltório de Durante a operação normal da usina, o sistema


contenção; fica alinhado para uma injeção de segurança, e
• A oxidação máxima do encamisamento somente uma das bombas de recirculação do
deverá ser menor que 17% da espessura tanque de injeção de boro fica em operação para
do encamisamento; que não ocorra precipitação da solução de ácido
• O sistema deve ser capaz de prover um bórico no interior do tanque.

resfriamento de longo termo;


III.2. FASE DE INJEÇÃO
• O núcleo deve manter uma geometria que
propicie o seu resfriamento, mesmo O objetivo desta fase é inserir reatividade negativa
no Núcleo do Reator e recobrir o mesmo de modo
durante acidente.
a permitir o seu resfriamento.

I.2. CRITÉRIO DE FALHA ÚNICA

• O Sistema de Refrigeração de Emergência Nesta fase, a água borada vinda do Tanque de

do Núcleo é capaz de manter o Água de Recarregamento é enviada para o

resfriamento de emergência do núcleo Núcleo do Reator através das pernas frias e

mesmo com a ocorrência de uma única injetadas diretamente no Vaso do Reator. Durante

falha ativa ou passiva durante a fase de os 3 minutos iniciais de injeção, a água é injetada

recirculação. pelo Sistema de Injeção de Segurança na perna


fria passando pelo tanque de injeção de boro,
I.3. MARGEM DE DESLIGAMENTO arrastando ácido bórico a aproximadamente

• A atuação adequada do Sistema 21.000 ppm, de modo a combater inserções de

possibilitará a manutenção em, pelo reatividade positiva, como as que ocorrem no

meno,s 5 DeltaK/K, com todas as barras caso de quebra da linha de vapor principal. Após

inseridas, exceto a mais reativa. esse tempo, é iniciada a injeção direta no Vaso do
Reator pelo Sistema de Injeção de Segurança.

II. FUNÇÕES DO SISTEMA


O Sistema de Refrigeração de Emergência do Se a pressão do SRR atingir valores inferiores a
52,7 Kg/cm2, teremos a injeção dos Acumuladores
Núcleo proporciona o resfriamento de emergência
do núcleo e aumenta sua margem de nas pernas frias. Caso a pressão caia ainda mais

desligamento nos casos de acidentes com perda e alcance valores inferiores a 10 Kg/cm2, teremos

de refrigerante do reator ou quebra da linha de também a descarga das Bombas do Sistema de

vapor principal. Remoção de Calor Residual diretamente no Vaso


do Reator.

III. DESCRIÇÃO OPERACIONAL DO


Para grandes rupturas no Sistema de
SISTEMA
Refrigeração do Reator, a sua despressurização é

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 510 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
bem rápida, e os Acumuladores iniciariam a sua Volume total 1,08 x 10 6 litros
injeção em torno de 10 a 12 segundos após o Concentração de boro 2000 ppm
início do acidente.
IV.2. TANQUE DE INJEÇÃO DE BORO

Características
III.3. FASE DE RECIRCULAÇÃO - PERNA FRIA Volume total 3,41 x 10 3 litros
A mudança para esta fase deve ser iniciada Pressão de projeto 192,33 Kg/cm2
quando for atingido o ponto de alarme de nível Temperatura de operação 68,3 °C - 79,4 °C
muito baixo no Tanque de Água de 20000 ppm - 22500
Concentração de boro
Recarregamento, desde que exista nível ppm
adequado no Poço do Envoltório de Contenção. 12 Externos
Aquecedores
(elétricos) 12 KW
Nesta fase, a água borada que vazou do Sistema
de Refrigeração do Reator para o Poço do IV.3. TANQUE DE SURTO DE INJEÇÃO DE BORO

Envoltório de Contenção é recirculada para o Características


núcleo através das pernas frias e de injeção Volume total 283,9 litros
diretamente do vaso do reator. Agora, o objetivo é Temperatura de operação 68,3 °C - 79,4 °C
remover o calor de decaimento radioativo do 20000 ppm - 22500
Concentração de boro
Núcleo do Reator. ppm
6KW Imersão
Aquecedor
III.4. FASE DE RECIRCULAÇÃO - PERNA QUENTE (elétrica)
Nesta fase, a água borada que vazou do Sistema
de Refrigeração do Reator para o Poço do IV.4. BOMBAS RECIRCULAÇÃO DE INJEÇÃO DE
Envoltório de Contenção é recirculada para o BORO

núcleo através, somente, das pernas quentes. Características


Agora, o objetivo é estabelecer e manter a Tipo centrífuga
condição de subresfriamento no núcleo, além de Pressão de projeto 10,5 Kg/cm2
remover o ácido bórico depositado nas estruturas Pressão de descarga máxima 3 Kg/cm2
superiores do mesmo, trazendo este ácido bórico Temperatura de operação 68,3 °C - 79,4 °C
de volta para a água que está resfriando o núcleo. Fluxo de projeto 75,7 lpm
A mudança para esta fase deve ser executada
cerca de 24 horas após a ocorrência do acidente. IV.5. BOMBAS DE INJEÇÃO DE SEGURANÇA

Características
IV. DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS Tipo Centrífuga
Pressão máxima de descarga 152 Kg/cm2
IV.1. TANQUE DE ÁGUA DE RECARREGAMENTO Fluxo de descarga 2,65 x 10 3 lpm
Características

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 511 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
IV.6. ACUMULADORES Objetivo da Proteção: atenuar a perda do
Característica refrigerante e os seus efeitos, além de servir de
2
Pressão de operação 52,7 kg/cm reserva para a quebra da linha de vapor.
Temperatura de operação 49 °C
Volume normal 35400 litros VI. ESPECIFICAÇÕES TÉCNICAS
Concentração de boro 2000 ppm As Especificações Técnicas são requisitos
regulados pela Comissão Nacional de Energia
V. INSTRUMENTAÇÃO Nuclear, principalmente para os sistemas de
São vários os intertravamentos existentes entre as segurança, que têm que ser cumpridos pelo
válvulas do Sistema de Refrigeração de Operador sob pena de multas e suspensão da
Emergência do Núcleo para fazer frente aos Licença de Operação.
vários modos de operação.
Para o Sistema de Refrigeração de Emergência
Os Tanques de Injeção de Boro e seu Tanque de do Núcleo são as seguintes as Especificações
Surto possuem controle de temperatura. Técnicas aplicadas:

Geração do Sinal S - Sinal de Atuação de Injeção VI.1. REATOR NÃO PODERÁ SER CRITICALIZADO

de Segurança: A MENOS QUE AS SEGUI NTES CONDIÇÕES


ESTEJAM SATISFEITAS:
Manual: Coincidência de 1 e 2 chaves
• O Tanque de Recarregamento contém não

Alta Pressão no Envoltório de Concentração: menos que 1.040.000 litros (275.000

Coincidência: 2/3 canais galões) de água com uma concentração de

Valor de Atuação: 0,28 kg/cm2 boro de, pelo menos, 2000 ppm.

Objetivo da Proteção: evitar liberação de produtos • O Tanque de Injeção de Boro contém não
radioativos, limitando a pressão no interior do menos que 3.400 litros (900 galões) de

envoltório de contenção. 11,5 a 13 % por peso (20.000 a 22.500


ppm de boro) de solução de ácido bórico a
Baixa Pressão na Linha de Vapor Principal: uma temperatura de, pelo menos, 63 °C

Coincidência: 2/3 canais em 1/2 linhas de vapor (145 °F). Dois canais de aquecimento de
Valor de Atuação: 42 kg/cm2 linha devem estar disponíveis para o
Objetivo da Proteção: neutralizar inserção de caminho de fluxo.
reatividade positiva no núcleo do reator. • Cada Acumulador está pressurizado a,
pelo menos, 50,4 Kg/cm2 (716,8 psig) e
Baixa Pressão no Pressurizador: não mais que 53,3 Kg/cm2 (758,1 psig) e
Coincidência: 2/4 canais contém um mínimo de 34.990 litros
2
Valor de atuação: 122,15 kg/cm (1235,3 pés cúbicos) ou um máximo de
35.810 litros (91264,5 pés cúbicos) de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 512 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
água com uma concentração de boro de, operável dentro de 24 horas, e a outra
pelo menos 1900 ppm. Nenhum dos bomba de remoção de calor residual seja
Acumuladores pode ser isolado, exceto demonstrada operável.
como descrito no item “g” abaixo. • Um trocador de calor residual pode estar
• Duas bombas de remoção de calor fora de serviço, desde que seja restituído
residual juntamente com suas válvulas e para o estado operável dentro de 48 horas.
tubulações associadas estão operáveis. • Qualquer válvula necessária ao
• Duas bombas de injeção de segurança funcionamento do sistema durante e após
juntamente com suas válvulas e as condições de acidente pode estar
tubulações associadas estão operáveis. inoperante desde que seja restituído ao
• Dois Trocadores de Calor Residual estado de operável dentro de 24 horas, e
juntamente com suas válvulas e todas as válvulas no sistema que
tubulações associadas estão operáveis. proporcionam a função redundante sejam
demonstradas operáveis.
Durante operação em potência, os requisitos • Durante operação normal, um canal de
acima podem ser modificados como descrito aquecimento do tanque de injeção de boro
abaixo na especificação para permitir que e / ou um canal de aquecimento de linha
qualquer um dos seguintes componentes fique pode estar inoperável por 30 dias desde
inoperante a qualquer momento. Se o sistema não que as temperaturas do tanque e dos
é restabelecido para atingir os requisitos acima, caminhos de fluxo sejam verificadas e
dentro dos períodos especificados, o reator deve estarem ≥ 63 °C (145 °F) pelo menos a
ser desligado sendo mantido a temperaturas e cada 6 horas. Caso contrário, desligar o
pressões de 0% de potência, utilizando Reator dentro de 12 horas.
procedimentos normais de operação. Se os
requisitos não estão satisfeitos dentro de 48 horas VII. MANUTENÇÃO PREDITIVA
adicionais, o sistema deve ser resfriado utilizand- Toda planta nuclear por exigência das
se os procedimentos normais de operação. Especificações Técnicas do Relatório Final de
• Um acumulador pode ser isolado por um Análise de Segurança – RFAS - possui um
período que não exceda 4 horas. Programa de Testes Periódicos em Serviço. Este
• Uma bomba de Injeção de Segurança programa prevê testes periódicos em todos os
pode estar fora de serviço, desde que a sistemas e equipamentos relacionados com a
bomba seja restituída para o estado segurança da planta, sendo o mais importante
operável dentro de 24 horas, e a bomba deles o Sistema de Refrigeração de Emergência
restante seja demonstrada operável. do Núcleo.
• Uma bomba de remoção de calor residual
pode estar fora de serviço, desde que a
bomba seja restituída para o estado

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 513 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
VIII. MANUTENÇÃO CORRETIVA
Dos sistemas que compõem o Sistema de
Refrigeração de Emergência do Núcleo, somente
o Sistema de Remoção de Calor Residual opera
durante condições de partida e parada, sendo que
os demais somente em condições de emergência.

Por operarem muito pouco, mais em condições de


testes, estes sistemas apresentam um número
muito reduzido de manutenções corretivas.

As manutenções corretivas mais comuns são


devido a vazamentos nas selagens das Bombas
de Injeção de Segurança e troca de gaxetas em
válvulas.

Devido ao sistema primário possuir boro, mesmo


os mínimos vazamentos são logo detectados em
função da cristalização do boro nas superfícies.
Para vazamentos maiores, além das mudanças
nas condições operacionais dos sistemas, eles
são facilmente detectados ou pelos sistemas de
detecção de vazamentos, ou pelos sistemas de
monitoração de áreas.

IX. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil do Sistema de Refrigeração de
Emergência do Núcleo como informada pelo
fabricante/projetista da usina é de 40 anos,
principalmente em função dos critérios de
fabricação dos componentes de classe de
segurança nuclear.

REFERÊNCIAS
CFOL - Curso de Formação de Operador
Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
– Eletronuclear SA

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 514 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Refrigeração do Reator

RESUMO específico é feito uma descrição da operação do


O Sistema de Refrigeração do Reator numa usina sistema, considerando condições de partida da
nuclear tem tarefas operacionais, como de planta, operação a potência e a parada. Da
segurança. Ele é o centro do sistema e é nele que manutenção é feito uma descrição considerando
se encontra o Reator Nuclear que é chamado de os principais programas de manutenção para este
coração da usina. Ele é um sistema fechado e sistema. Uma análise sobre a vida útil do sistema
fisicamente está localizado dentro das grandes é feita com base na vida útil de seus
estruturas do Envoltório de Contenção, que equipamentos e a experiência nuclear. O
funcionam como uma proteção para eventuais fabricante informa que a vida útil do Vaso do
acidentes, tantos externos quanto internos. Em Reator é da ordem de 40 anos. As primeiras
função da capacidade da usina este sistema usinas nucleares de potência são do final da
poderá ter um, dois, três ou quatro circuitos. década de 50 e o grande impulso do programa
Unidade com cerca de 650 MWe possui 2 nuclear mundial ocorreu nas década de 70 e 80,
circuitos; unidade com 980 MW e possui 3 circuitos ou seja, ainda não existe uma experiência nuclear
e unidade com 1350 MWe possui 4 circuitos. Esta que possa comprovar estas afirmativas. Com
descrição é típica para usinas com reator de água relação aos Geradores de Vapor, tem usinas que
pressurizada - PWR, podendo ter pequenas foram obrigadas a troca-los com apenas 20 anos
variações de uma usina para outra em função da de uso, embora a vida útil definida pelos
filosofia de cada fabricante e do número de fabricantes também seja de 40 anos. Desta
circuitos que cada uma. Nela está descrito as maneira uma vida útil de 30 anos pode ser
funções do sistema, sua descrição considerando considerada para o Sistema de Refrigeração do
os critérios de projeto, detalhes, e conexões com Reator.
outros sistemas. Com relação aos equipamentos é
feito uma descrição sumária dos principais I. FUNÇÕES DO SISTEMA
equipamentos como as Bombas de Refrigerante A principal função do Sistema de Refrigeração do
do Reator, Geradores de Vapor, Pressurizador, Reator é transportar a energia térmica gerada no
Tanque de Alívio do Pressurizador e o Reator que Reator e pelas Bombas de Refrigeração do Reator
é tema de uma descrição específica. Com relação até os Geradores de Vapor, onde esta energia é
a instrumentação do sistema são descritos os transferida ao sistema secundário.
principais controles e pontos de medição de
vazão, temperatura, nível e pressão. Num item

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 515 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O sistema tem ainda as funções de remover a transferido ao Sistema de Vapor Principal, e daí
energia gerada no combustível devido ao retorna às Bombas de Refrigerantes do Reator
decaimento dos produtos de fissão após o para repetir o ciclo.
desligamento do reator, atuar como meio de A pressão no Sistema de Refrigeração do Reator
transporte para o veneno solúvel (boro), funcionar é controlada pelo Pressurizador, onde água e
como barreira de contenção dos produtos de vapor são mantidos em equilíbrio por aquecedores
fissão, melhorar a economia de nêutrons no reator elétricos e spray de água. Para reduzir as
atuando como refletor e atuando como moderador variações de pressão no Sistema de Refrigeração
de neutrôns. do Reator devido a contração e expansão do
refrigerante do reator, vapor é formado (pelos
II. DESCRIÇÃO DO SISTEMA aquecedores) ou condensado (pelo spray do
O sistema consiste de circuitos de transferência Pressurizador).
de calor conectados em paralelo ao vaso do
reator. Como já mencionado podem ser 1, 2, 3 ou No Pressurizador há válvulas de alívio e válvulas
4 circuitos. As usinas brasileiras de Angra 1 tem 2 de segurança, que quando operadas descarregam
circuitos e Angra 2 tem 4 circuitos. no Tanque de Alívio do Pressurizador, onde o
vapor é condensado e resfriado por uma mistura
Cada circuito contém uma Bomba de Refrigerante com água fria vinda dos sistemas auxiliares de
do Reator e um Gerador de Vapor. Além destes água de reposição.
equipamentos o sistema inclui um Pressurizador,
um Tanque de Alívio do Pressurizador, tubulações III. DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS
e instrumentação necessária ao controle
operacional do sistema. III.1. VASO DO REATOR

O vaso do reator é cilíndrico, com tampa inferior


Todos os equipamentos do sistema estão hemisférica soldada e tampa hemisférica superior
localizados dentro do envoltório de contenção. removível, flangeado com anéis de vedação. Este
vaso contém o núcleo e as estruturas de suporte
Durante a operação do sistema, as Bombas de do núcleo do reator, barras de controle, barreira
Refrigeração do Reator fazem circular água térmica e outras partes associadas diretamente
pressurizada através do Vaso do Reator e dos com o núcleo.
circuitos de refrigeração do reator.
As barras de controle são operadas por meio de
A água que serve como refrigerante do reator, mecanismos selados, montados na tampa
moderador de nêutrons e solvente do ácido bórico superior.
(usado para controle de reatividade), é aquecida a
medida que passa através do reator. A água então O vaso do reator tem tantos bocais de entrada e
flui até os Geradores de Vapor, onde o calor é de saída quanto o número de circuitos e

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 516 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
dependendo do fabricante tem bocais específicos
para injeção de segurança. Os bocais de entrada A base hemisférica inferior é dividida em câmara
e saída são localizados em um mesmo plano de entrada e câmara de saída, por meio de uma
abaixo do flange da tampa superior e acima do placa de separação vertical que vai desde a
topo do núcleo do reator. O refrigerante entra no tampa da base hemisférica até a base do espelho.
vaso do reator através dos bocais de entrada e flui O acesso de pessoal para inspeção e manutenção
de cima para baixo no espaço anelar entre o barril pode ser feito tanto pela câmara de entrada (base
do núcleo da parede do vaso do reator, até a base inferior, lado primário) como pela câmara de
do núcleo e daí flui para cima através do núcleo separadores de umidade (parte superior, lado
até os bocais de saída. O vaso é do aço carbono secundário) que dá acesso até o bocal de saída
com uma camada de aço inoxidável austenítico de vapor, no topo do Gerador de Vapor. Os
em todas as superfícies em contato com o Geradores de Vapor são instalados acima do vaso
refrigerante do reator. do reator, pois este arranjo assegura circulação
natural para a remoção de calor residual. A
A selagem do vaso do reator é feita através de estrutura dos Geradores de Vapor é feita de aço
anéis metálicos circulares localizados entre os carbono. Os tubos de transferência de calor são
flanges do vaso do reator e da tampa. de inconel, o lado primário do espelho do feixe de
Vazamentos na selagem são detectados e tubos é revestido com inconel e as demais
coletados através de sistemas de detecção de superfícies interiores em contato com o
vazamentos, que alarmam na Sala de Controle. refrigerante do reator são revestidas com aço
inoxidável austenítico.
A pressão e temperatura de projetos para vasos
de pressão típicos de Angra 1 e Angra 2 são Em média um Gerador de Vapor a 100% de
2 o
respectivamente 175 Kgf/cm e 345 C. O diâmetro potência tem uma taxa de troca de calor de 950
médio de um bocal de saída ou entrada é cerca MWt, com um a vazão de aproximadamente 4500
de 70 cm. Kg/s, com a temperatura de entrada da água do
primário de 324oC e a temperatura de saída de
III.2. GERADOR DE VAPOR 287oC, pressão de operação de 157 kgf/cm2. No
Os Geradores de Vapor são idênticos, um para lado secundário a temperatura de entrada da água
cada circuito do Sistema de Refrigeração do de alimentação é de aproximadamente 210oC e a
Reator. O Gerador de Vapor é do tipo vertical, temperatura do vapor de 280oC, com uma pressão
tubos em U, equipado com um separador de de 64 Kgf/cm2 e 0,25% de umidade.
umidade. O refrigerante do reator entra por um
bocal situado na base hemisférica inferior do III.3. BOMBA DE REFRIGERAÇÃO DO REATOR

gerador de vapor, flui através dos tubos em U As Bombas de Refrigeração do Reator são do tipo
invertidos e sai em um segundo bocal também centrífugas, eixo vertical estando o motor montado
situado na base hemisférica inferior. acima do eixo da bomba.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 517 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
saturado coexistem em equilíbrio e dessa forma
Um volante de inércia está montado na parte de mantém o sistema subresfriado, já que a
cima do eixo do motor. Quando há perda de temperatura do Pressurizador é maior do que a do
alimentação elétrica AC para o motor, a inércia do Sistema de Refrigeração do Reator. A
volante garante a vazão de refrigerante, durante manutenção do equilíbrio entre vapor e líquido
um período de tempo (100 segundos) suficiente saturado permite o controle de pressão do
para assegurar a remoção de calor necessária Sistema de Refrigeração do Reator.
para evitar danos ao núcleo do reator.
O Pressurizador é um vaso cilíndrico vertical, com
Uma seção de selagem do eixo da bomba as tampas hemisféricas superior e inferior feitas
consistindo de três selos arranjados em série, de aço carbono, com revestimento de aço
controla vazamento ao longo do eixo da bomba, inoxidável austenítico em todas as superfícies em
de forma que o vazamento de refrigerante do contato com o refrigerante do reator. Aquecedores
reator para o Envoltório de Contenção é elétricos de imersão são instalados na base do
praticamente zero. A água de selagem a alta vaso, enquanto que as junções da linha de spray,
pressão, suprida pelo Sistema de Controle Válvulas de Alívio e Válvulas de Segurança são
Químico e Volumétrico é injetada na bomba, instaladas na tampa superior do vaso. Os
através de uma conexão na parede da barreira aquecedores podem ser removidos para
térmica. Uma parte da água de selagem sobe pelo manutenção ou substituição.
eixo da bomba passando pelo mancal radial
inferior e pelos selos da bomba. A outra parte da O Pressurizador é projetado para acomodar as
vazão de água de selagem desce pelo eixo da expansões e contrações volumétricas causadas
bomba, passa pela barreira térmica, onde impede por variações de carga. A linha de surto, que sai
que o refrigerante do reator suba pelo eixo da da base do Pressurizador, interliga-o à perna
bomba. quente de um dos circuitos do Sistema de
Refrigeração do Reator. Durante expansões
Estas bombas normalmente são de um único volumétricas (devidas a aumento de temperatura)
estágio com uma pequena altura manométrica, o sistema de spray, cuja água vem das pernas
cerca de 80m a 90m, porém, com uma grande frias do Sistema de Refrigeração do Reator,
capacidade de fluxo 360.000 lpm a 450.000 lpm. condensa parte do vapor existente no
Usam motor de indução gaiola de esquilo, Pressurizador, evitando que a pressão atinja o
refrigerados a ar com potência média de 6 MWe valor de atuação das Válvulas de Alívio. As
cada uma. Válvulas de Spray são moduladas pelo Sistema
de Controle de Pressão do Pressurizador,
III.4. PRESSURIZADOR podendo ser operadas manualmente da sala de
O Pressurizador é o local no Sistema de controle. Durante contrações volumétricas do
Refrigeração do Reator onde vapor e líquido Sistema de Refrigeração do Reator, a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 518 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
transformação de água em vapor e conseqüente uma válvula de isolação a montante. As Válvulas
geração de vapor por atuação automática dos de Alívio fazem parte do controle de pressão do
aquecedores, mantém a pressão acima do valor Sistema de Refrigeração do Reator, podendo ser
em que ocorre o desligamento do reator por baixa operadas manualmente pelos operadores da Sala
pressão. de Controle.
A pressão e temperatura de projeto do As Válvulas de Segurança são operadas
2
Pressurizador é de aproximadamente 175 Kgf/cm automaticamente quando a pressão atinge níveis
0
e 360 C respectivamente. A capacidade dos pré-ajustados e seu fechamento é feito por ação
aquecedores é função da capacidade da planta, de molas.
para uma planta semelhante a Angra 1 é de cerca
de 1.000 KWe, para Angra 2 é de cerca de 2.000 III.6. TANQUE DE ALÍVIO DO PRESSURIZADOR

KWe. A função principal do Tanque de Alívio do


Pressurizador é receber, condensar e resfriar a
III.5. VÁLVULAS descarga das válvulas de alívio e de segurança do
O Sistema de Refrigeração do Reator possui Pressurizador. O Tanque de Alívio do
relativamente poucas válvulas no processo. As Pressurizador também recebe as descargas de
mais importantes são as Válvulas de Spray, válvulas de segurança de outros sistemas
Válvulas de Alívio e Válvulas de Segurança. localizados dentro do envoltório de contenção.

As Válvulas de Spray estão conectadas nas linhas O vapor originário do Pressurizador é


de Spray e são usadas quando o Sistema de descarregado no Tanque de Alívio do
Controle de Pressão necessita diminuir a pressão, Pressurizador através de um conjunto de
o que é feito pela abertura destas válvulas para chuveiros localizados abaixo do nível de água no
borrifar água mais fria na atmosfera de vapor tanque.
dentro do Pressurizador. Estas válvulas tem um
dispositivo que permite um fluxo mínimo para Este arranjo permite que o vapor se condense
evitar choque térmico nos bocais e manter a devido a mistura com água no tanque de alívio do
concentração de boro no Pressurizador o mais Pressurizador, que normalmente está a uma
próximo possível da do sistema. temperatura baixa. Um sistema auxiliar faz o
resfriamento do tanque após uma descarga de
Tanto as Válvulas de Alívio como de Segurança vapor do Pressurizador.
fazem parte do sistema de controle e proteção de
pressão do Sistema de Refrigeração do Reator. Discos de ruptura são instalados no tanque de
Elas estão conectadas a linhas que saem do alívio do Pressurizador para proteger o mesmo de
Pressurizador e a descarga vai para o Tanque de uma sobrepressão.
Alívio do Pressurizador. As Válvulas de Alívio não
são parte dos sistemas de segurança e possuem

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 519 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Uma atmosfera de nitrogênio a baixa pressão é mesmos sensores também enviam sinais para o
normalmente mantida no tanque. sistema de proteção.

IV. INSTRUMENTAÇÃO V. OPERAÇÃO


Nas pernas quentes e frias do Sistema de Considerando a condição mais crítica, que é
Refrigeração do Reator são instalados termopares aquela quando a usina vem de uma longa parada
para medir as temperaturas. Estas temperaturas para manutenção, como por exemplo, troca de
transmitidas pelos detetores são usadas para elementos combustíveis. Nesta condição, o reator
desenvolver sinais de ∆T e Tmed para os está na pressão atmosférica e a temperatura de
sistemas de proteção e controle. A partir destes 50 oC.
sinais, o sistema de proteção computa o ∆T do
refrigerante do reator - temperatura da perna A partida da condição subcrítica/fria segue os
quente (TH), menos a temperatura da perna fria seguintes passos:
(TC) - e a temperatura média do refrigerante do • Desgaseificação e suspiro do Sistema de
reator (Tmed). O ∆T e Tmed de cada circuito é Refrigeração do Reator, enchimento com
indicado no painel principal. O sinal de ∆T e Tmed refrigerante;

de cada circuito pode atuar alarmes no painel • Teste de estanqueidade do Sistema de

principal. O sinal de temperatura média ainda é Refrigeração do Reator;

usado nos controles de nível do PZR, no sistema • Aquecimento do Sistema de Refrigeração


de desvio de vapor, sistema das barras de do Reator através da operação das
controle e outros controles da planta. Bombas de Refrigeração do Reator e
aquecimento da tubulação do vapor
Os sinais de temperatura média individual são principal com uma pressão de
usados em lógicas de bloqueios e sistemas de aproximadamente 6 kgf/cm2;
proteção. • Diluição do Sistema de Refrigeração do
Reator;
Para condições de partida e parada existem • Criticalidade do Reator;
sensores especiais de temperatura. • Aquecimento da Turbina;
• Sincronismo;
Indicações de pressão dos circuitos são usados • Aumento de potência do Gerador até
também para intertravamentos e sistemas de 100%.
proteção e controle.
Nas variações de carga em usinas nucleares
O Sistema de Controle de Pressão do Sistema de normalmente procura-se fazer variações rápidas,
Refrigeração do Reator utiliza de sensores de em forma de degrau (com tamanho limitado), que
pressão instalados no Pressurizador. Estes acontecem por exemplo no caso de perturbações
na rede ou variações lentas em forma de rampa,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 520 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
que acontecem nas operações de seguimento de largamente treinados pela equipe de operação,
carga (ciclo dia/noite). No primeiro caso usa-se as pois envolvem contaminação do circuito
barras de controle e no segundo caso, variando a secundário e se não conduzido corretamente
concentração de boro do sistema. poderá levar a liberação de contaminação para o
meio ambiente.
VI. MANUTENÇÃO PREDITIVA Como a maioria dos equipamentos do Sistema de
Toda planta nuclear por exigência das Refrigeração do Reator não tem redundantes, a
Especificações Técnicas do Relatório Final de exemplo da maioria dos sistemas de uma planta
Análise de Segurança - RFAS, possui um nuclear, quando das paradas para recarga, as
Programa de Testes Periódicos em Serviço. Este principais válvulas como do Spray, Alívio e de
programa prevê testes periódicos em todos os Segurança, sofrem testes especiais, da mesma
sistemas e equipamentos relacionados com a maneira que as Bombas de Refrigeração do
segurança da planta e naqueles como o Sistema Reator que passam por inspeções no sistema de
de Refrigeração do Reator que são importantes selagem com troca dos selos.
para a operação e confiabilidade da unidade.
VII. MANUTENÇÃO CORRETIVA
Além do Programa de Inspeção e Testes O Sistema de Refrigeração do Reator em virtude
Periódicos, há programas específicos por exemplo do pequeno número de equipamentos e de sua
para monitoração de trocadores de calor, onde operação contínua, tem pouca manutenção
são feitos testes não destrutíveis para predizer as corretiva.
condições dos tubos e paredes dos mesmos, da
mesma maneira que há um programa de controle A experiência mostra que as Válvulas de Spray e
de vibrações em bombas e análise de óleos de Válvulas de Alívio são os equipamentos com o
equipamentos. maior número de manutenções corretivas.

Para os Geradores de Vapor, a experiência Manutenções corretivas no Sistema de


nuclear mostrou a necessidade de se fazer um Refrigeração do Reator são delicadas e requerem
programa especial de testes envolvendo ECT um planejamento muito bem feito em função da
(Eddy Current Test) nos tubos, Sludging Lancing alta temperatura e pressão com que o sistema
no lado secundário, tratamentos químicos, trabalha e devido as altas taxas de doses
inspeções visuais e com fibras óticas etc., que radioativas.
permitem acom panhar o estado dos tubos.
Critérios definidos, com base na experiência Sempre que possível, as manutenções neste
nuclear, mostram quando tem-se que tamponar sistema são deixadas para oportunidades de
tubos para minimizar as chances dos incidentes paradas para recarga dos elementos
com furos de tubos. Operações com furo de tubos combustíveis ou por alguma outra necessidade.
em Geradores de Vapor são incidentes

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 521 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
VIII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA anos de uso, embora a vida útil definida pelos
A vida útil do Sistema de Refrigeração do Reator é fabricantes também seja de 40 anos. Em função
ditada principalmente pela vida útil do Vaso do desta experiência os programas de testes hoje
Reator. A ductilidade do vaso do reator é a sua aplicados a estes equipamentos é bastante rígido
capacidade de poder deformar-se sob carga antes e com critérios bem definidos.
de atingir a ruptura. A variação da temperatura de REFERÊNCIAS
transição de frágil para dúctil, chamada de NDTT, CFOL - Curso de Formação de Operador
está correlacionada com a exposição a nêutrons Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
rápidos sofridos pelo vaso. Para evitar tensões no – Eletronuclear SA
vaso de pressão, a pressão do Sistema de
Refrigeração do Reator é limitada até que a
temperatura de vapor esteja suficientemente alta,
da mesma maneira que também é limitada a taxa
de aquecimento e resfriamento do Sistema de
Refrigeração do Reator. As especificações
técnicas da usina definem curvas operacionais
com áreas de atuação, que levam em
consideração exatamente estas relações de
temperatura e pressão.

Preso dentro do vaso do reator existem provas,


amostras de material do vaso, que são retirados
em intervalos preestabelecidos para que seja feito
uma análise dos esforços sofridos pelo fluxo de
nêutrons.

O fabricante informa que a vida útil do Vaso do


Reator é da ordem de 40 anos. Como as primeiras
usinas nucleares de potência são do final da
década de 50 e considerando que o grande
impulso do programa nuclear mundial ocorreu nas
década de 70 e 80, ainda não existe uma
experiência nuclear que possa comprovar estas
afirmativas.

Com relação aos Geradores de Vapor, tem usinas


que foram obrigadas a troca-los com apenas 20

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 522 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Resfrigeração e Purificação do Poço de Combustível Usado

RESUMO longo termo, o mesmo deve ser tratado como um


A Piscina ou Poço de Combustível Usado numa sistema de segurança, com fontes de alimentação
usina nuclear é o local de armazenagem de emergência ou fontes alternativas. Nesta
temporária dos Elementos Combustíveis Usados. descrição, serão discutidos as funções dos
É o local onde também se fazem as inspeções, sistemas, suas descrições, instrumentação,
testes e operações de trocas de internos dos operação e manutenção. Também será discutido
Elementos Combustíveis. Em vários países, por sobre a vida útil do equipamento. A experiência
ainda não possuírem um local definitivo para nuclear tem mostrado que a vida útil dos
armazenamento dos Elementos Combustíveis Trocadores de Calor é da ordem de 20 anos. A
Usados ou por não possuírem instalações para vida útil dos Sistemas de Resfriamento e
reprocessamento, estas piscinas têm servido para Purificação das Piscinas de Combustível Usados
o armazenamento definitivo, como é o caso do é da ordem de 30 anos.
Brasil. O sistema de armazenagem da Piscina da
Usina de Angra 1 foi projetado inicialmente para I. FUNÇÕES DO SISTEMA
armazenar 3 núcleos inteiros. Considerando que a
cada recarga se troque 1/3 dos Elementos I.1. SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO DA PISCINA DE

Combustíveis do núcleo, sua capacidade era de 6 COMBUSTÍVEL USADO

recargas somente, pois tinha que ser mantido Remover o calor gerado pelo decaimento
sempre o espaço para uma descarga completa do radioativo dos Elementos Combustíveis Usados,

núcleo em uso se necessário. Com uma estocados na piscina.

modificação de projeto que permitiu usar racks


I.2. SISTEMA DE PURIFICAÇÃO DA PISCINA DE
compactos, a capacidade da Piscina de Angra 1
COMBUSTÍVEL USADO
passou para 11 núcleos completos, ou seja, 30
Remover as impurezas que ficam na superfície da
recargas. A capacidade da Piscina de Angra 2 é
água da Piscina de Combustível Usado, mantendo
para quatro núcleos completos, ou seja, 9
uma boa visibilidade, facilitando o manuseio das
recargas. Considerando esta hipótese de
ferramentas, dos elementos combustíveis e de
armazenamento definitivo, os sistemas de
seus acessórios.
resfriamento e purificação da piscina são
projetados para uma capacidade máxima de
II. DESCRIÇÃO DOS SISTEMAS
armazenamento. Como o Sistema de
Refrigeração da Piscina de Combustível Usado é
um sistema que deverá garantir uma operação a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 523 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II.1. SISTEMA DE REF RIGERAÇÃO DA PISCINA DE Como este sistema fica num edifício que
COMBUSTÍVEL USADO normalmente está isolado, o nível, a temperatura
O Sistema de Refrigeração da Piscina de e as condicões da Bomba de Refrigeração são
Combustível Usado consiste basicamente de uma monitoradas continuamente por instrumentações
bomba centrífuga, um trocador de calor, um específicas, e qualquer anormalidade soará um
desmineralizador de leito misto, um filtro, alarme na Sala de Controle.
instrumentação, tubulações e válvulas associadas.
Ele é requerido estar em operação contínua A descarga da Bomba de Refrigeração da Piscina
enquanto houver elemento combustível estocado de Combustível Usado pode ser enviada para um
na Piscina de Combustível Usado. Desmineralizador de Leito Misto e/ou Filtro,
promovendo a purificação e limpeza da água da
Toda usina possui, no mínimo, um sistema de piscina.
retaguarda, sendo que várias delas possuem dois
trens completos do Sistema de Refrigeração da Em operação normal, a Bomba de Refrigeração
Piscina de Combustível Usado. succiona e descarrega de volta na PCU, passando
apenas pelo Trocador de Calor. Mas podem
Durante a operação normal, a Bomba de ocorrer casos em que parte da descarga da
Refrigeração succiona da piscina cerca de 1 metro Bomba de Refrigeração seja desviada para o
abaixo do nível normal. A descarga da bomba é Desmineralizador de Leito Misto e/ou para o Filtro.
enviada de volta para a PCU passando pelos
tubos do trocador de calor que recebe na sua Na linha de descarga da Bomba de Refrigeração,
carcaça Água de Refrigeração de Componentes. dentro da piscina, existe um dispositivo para
A descarga é feita por baixo, a aproximadamente impedir o efeito sifão que poderia levar à
2 metros do topo dos elementos combustíveis. drenagem acidental da piscina caso a bomba se
danificasse, uma vez que estas bombas
A fonte fria deste sistema, o Sistema de normalmente estão num piso inferior ao piso da
Refrigeração dos Componentes, é um sistema de piscina. Este dispositivo é anti-sifão e consiste em
segurança que possui suas bombas e toda a um pequeno furo feito na linha de descarga da
instrumentação alimentadas pelos Geradores bomba de refrigeração, cerca de 60 cm abaixo no
Diesel de Emergência. nível normal. Com isso, a drenagem será
interrompida numa cota muito próxima da normal.
Da mesma maneira, o Sistema de Resfriamento
da Piscina de Combustível Usado também tem O filtro da Piscina de Combustível Usado é de
sua alimentação elétrica alinhada para o sistema 0,45 micra e deve ser trocado quando o diferencial
de segurança e, em alguns casos, com outras de pressão através do mesmo atingir 2,8 kg/cm2
fontes alternativas. ou a taxa de dose em contato com a parte externa
da sua carcaça atingir 0,4 Sv/h (40 Rem/h).

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 524 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
A Piscina de Combustível Usado pode receber têm água borada, podendo perfazer as mesmas
água borada de diversos pontos: Tanque de Água funções de purificação nestes sistemas.
de Recarregamento, Cavidade de
Recarregamento, Acumuladores, Tanque de O filtro da descarga da Bomba de Purificação de
Espera de Reciclagem, Água Desmineralizada e Superfície da piscina é de 6 Micra e deve ser
Água do Sistema de Proteção Contra Incêndios. O trocado quando o diferencial de pressão, através
objetivo é garantir que, mesmo em condições do mesmo, atingir 1,4 kg/cm 2 ou a taxa de dose
totalmente adversas, tenha condição de suprir em contato com a superfície externa da sua
água para a piscina. carcaça atingir 0,04 Sv/h (4 Rem/h).

II.2. SISTEMA DE PURIFICAÇÃO DA PISCINA DE III. DESCRIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS


COMBUSTÍVEL USADO

Este sistema é utilizado quando se deseja III.1 PISCINA DE COMBUSTÍVEL USADO


melhorar a visibilidade na Piscina de Combustível A Piscina de Combustível Usado tem como função
Usado. Ele não é requerido estar em operação o armazenamento seguro e subcrítico dos
contínua. elementos combustíveis, mantendo a sua
refrigeração e assegurando que os mesmos
O sistema é composto de uma bomba centrífuga; estejam sempre cobertos com água.
dois pontos de sucção com posicionamento
regulável manualmente (escumadeiras), A Piscina de Combustível Usado é um tanque
instalados próximos à borda da piscina; um filtro construído em concreto armado, reforçado e
tipo tela na sucção e outro tipo cartucho na revestido com chapas de aço inoxidável. Embora
descarga da bomba e uma linha de descarga que dependa do arranjo para cada usina,
devolve a água da piscina em vários pontos normalmente, ela tem uma comporta com um
vizinhos e instalados próximos ao nível normal conjunto de travas que fecha de dentro para fora,
(borda). acionada por motor elétrico e com selagem que
pode ser por borracha inflável, ar ou gás entre as
A sucção e a descarga deste sistema ficam em faces da comporta e o batente na estrutura da
pontos opostos ao longo do comprimento da piscina.
piscina para fazer uma varredura das
impurezas/partículas que tendem a se depositar O acionamento para a comporta só pode ser
na superfície da água da piscina. executado se a piscina e o outro lado, canal de
transferência ou cavidade do reator, estiverem
Da mesma maneira que o Sistema de com o mesmo nível de água. Com a comporta
Refrigeração da Piscina de Combustível Usado, o fechada, é possível drenar o outro lado.
Sistema de Purificação é interligado com
praticamente todos os tanques e sistemas que

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 525 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Dentro da piscina, ficam as células (racks) que resinas, o fluxo sai do vaso por um bocal
recebem os elementos combustíveis usados e até localizado na sua parte inferior.
alguns novos em determinadas circunstâncias
(normalmente, os elementos combustíveis novos O aumento da pressão diferencial através do leito
são estocados em um outro conjunto de células misto é conseqüência do grau progressivo de
ou racks que ficam no poço de combustíveis obstrução do leito de resinas durante o contínuo
novos). Também no interior da piscina, ficam acúmulo de impurezas sólidas e coloidais. Esta
alojadas a ferramenta de manuseio de pressão diferencial é monitorada por um
combustível usado e as ferramentas para troca instrumento de medição de pressão diferencial.
de barras de controle. Pode-se encontrar, ainda
nas piscinas, receptáculos especiais para III.3. FILTRO

Elementos Combustíveis falhados e dispositivos A tarefa principal do filtro é reter resinas todas as
para análise de Sipping Can. vezes que ocorrer um mau funcionamento ou
quebra da tela de retenção do desmineralizador.
A piscina normalmente tem pontos (bicas) para O filtro consiste basicamente de um vaso de
monitoração de vazamento do revestimento de pressão vertical com tampa flangeada, contendo,
aço inoxidável. em seu interior, um cesto tipo peneira. O fluxo de
purificação entra no vaso através da parte
III.2. DESMINERALIZA DOR DE LEITO MISTO cilíndrica superior e deixa-o pelo bocal localizado
O leito misto contém resinas de troca iônica na na cabeça torisférica inferior.
razão de 1:1 (resinas catiônicas e resinas
aniônicas). O grau de obstrução do filtro retentor de resinas é
monitorado por um instrumento de pressão
As resinas trocadoras de íons são pequenas diferencial.
bolinhas feitas de polímeros entrelaçados
insolúveis em água. As cadeias de polímeros IV. INSTRUMENTAÇÃO
contêm grupos iogênicos chamados de íons fixos. Os Sistemas de Refrigeração e Purificação da
Íons de cargas opostas são atraídos para estes Piscina de Combustível Usados estão equipados
íons fixos, que podem ser intercambiados com as seguintes categorias de pontos de
facilmente durante a purificação do poço de medição:
combustível e progressivamente substituídos por • Pontos de medição de fluxo;
íons com o mesmo sinal e alta afinidade com as • Pontos de medição de nível;
resinas. • Pontos de medição de diferencial de
pressão;
Normalmente, o fluxo flui para dentro do leito • Pontos de medição de temperatura;
misto através de uma entrada na sua parte • Pontos de posição de válvula.
superior e, após passar através do leito de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 526 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
V. OPERAÇÃO Devido à água da Piscina de Combustível possuir
O Sistema de Refrigeração da Piscina de boro, mesmo os mínimos vazamentos são logo
Combustível Usado é mantido em operação detectados em função da cristalização do boro
contínua desde que haja Elementos Combustíveis nas superfícies. Para vazamentos maiores, além
Usados armazenados na piscina. Durante das mudanças nas condições operacionais dos
operações de recarga de Elementos sistemas, eles são facilmente detectados ou pelos
Combustíveis, pode ser necessária a colocação sistemas de detecção de vazamentos ou pelos
dos dois trens em operação para manter a sistemas de monitoração de áreas.
temperatura da piscina dentro do limites
programados. VIII. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
A vida útil de um leito desmineralizador é de
O Sistema de Purificação é colocado em operação aproximadamente um ano. Um filtro poderá ter
toda vez que a visibilidade da água não estiver uma vida útil de 3 meses a 1 ano.
boa. Durante operações de recarga de Elementos
Combustíveis, este sistema permanece em A vida útil das Piscinas pode ser considerada
operação contínua fazendo a limpeza não só da como permanente por tratarem de equipamentos
Piscina de Combustíveis Usados como da estáticos, com uma grande estrutura de concreto
Cavidade do Reator e Canais de Transferência. e revestimento de aço inoxidável e ainda
considerando que há um completo programa de
VI. MANUTENÇÃO PREDITIVA acompanhamento das condições químicas da
Programas de análises químicas garantem a água das piscinas.
qualidade da água que ficam armazenadas nas
piscinas de Elementos Combustíveis Usados, A experiência nuclear tem mostrado que a vida útil
diminuindo os riscos de corrosão. dos Trocadores de Calor é da ordem de 20 anos.

A Manutenção preditiva é realizada nos trens que A vida útil dos Sistemas de Resfriamento e
estão de reserva. Purificação das Piscinas de Combustível Usados
é da ordem de 30 anos.
VII. MANUTENÇÃO CORRETIVA
As manutenções corretivas mais comuns são as REFERÊNCIAS
trocas de filtros que requerem cuidados especiais CFOL - Curso de Formação de Operador
na operação em função dos níveis de atividade Licenciado da Central Nuclear de Angra dos Reis
dos mesmos, problemas de vazamentos nas – Eletronuclear SA
selagens das Bombas de Refrigeração e
Purificação e troca de gaxetas em válvulas.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 527 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Resfriamento de Equipamentos

RESUMO termodinâmicos em equipamentos de uma usina


Denomina-se sistema de resfriamento toda gama termelétrica ou da termodinâmica dos diversos
de componentes que tem como função reduzir a processos onde esses equipamentos estão
temperatura de máquinas térmicas, reatores, inseridos. Esses conhecimentos, a priori, estão
baixar a temperatura de óleo de refrigeração de intimamente relacionados à elaboração do projeto
mancais de máquinas, controlar a temperatura de do orçamento de custos de instalação dos
processos e ambientes, entre outros. Os aspectos de sua manutenção e a vida útil a ser
equipamentos que executam essa função são considerada. Quer seja por um trocador líquido -
encontrados de diversos tipos e dimensões. líquido, líquido - vapor/gás ou fluido – fluído,
Podem ser trocadores de calor ou refrigeradores: sempre se objetiva a troca de calor com a
por contato direto ou indireto dos elementos, em atmosfera, de forma natural como nas chamadas
sistema aberto (quando o fluido refrigerante sai do torres de refrigeração, por exemplo, ou os
sistema) ou, ao contrário, o fluido recircula sistemas de ar forçados tipo aerocoollers em
constantemente. Na maioria dos casos, se usinas siderúrgicas ou os condensadores e
compõe basicamente de um tanque de coolers das termelétricas, dentre outros. Um
alimentação, sistema de bombeamento (ventilador reator construído somente à base de condições de
ou bomba), tanque de emergência e rede de criticalidade poderá produzir apenas potência
tubulação, além de todo instrumental de controles muito baixa; outro, construído somente à base de
de fluxo e temperatura. O objetivo principal desse especificações de potência não poderá, de forma
trabalho é a abordagem dos equipamentos de alguma, operar. No caso de uma central térmica, o
refrigeração ligados à sistema de geração de que se espera é que o trocador de calor tenha o
energia elétrica, principalmente no que tange aos máximo de eficiência, pois, assim, obteremos o
aspectos de manutenção e avaliação de vida útil máximo de energia possível de um determinado
desses equipamentos. A compreensão dos ciclo, embora, muitas vezes, no balanço global de
princípios de transferência de calor e de como custos, o melhor seria investir de outra forma, por
aplicá-los é importante quando se estuda o exemplo, na caldeira ou turbina, para se obter um
resfriamento de equipamentos de forma geral. É retorno maior com o mesmo custo. A vida útil dos
tão importante como o conhecimento dos equipamentos de uma instalação de refrigeração
aspectos específicos das fontes quentes que varia muito em função do tipo de instalação, da
queremos refrigerar. Aspectos nucleares de um classe de serviço e do tempo de funcionamento
reator, por exemplo, quando se trata de diário. Pode-se prever uma vida útil de 10 anos
refrigeração em reatores nucleares, dos ciclos em média para uma instalação que trabalhe sob

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 528 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
regime muito severo, no caso de resfriamento de CALOR

conversores numa aciaria LD, por exemplo, a vida O coeficiente de transferência de calor é a variável
útil de alguns componentes pode ser ainda menor. mais importante para se avaliar e projetar um
Já para instalações que trabalham com solicitação sistema de troca de calor entre dois elementos,
não tão severa e que sofrem manutenção dependendo de uma série de fatores. São
periódica, esse tempo pode crescer para até cerca envolvidas as propriedades básicas do
de 20 anos. refrigerante, tais como a condutividade,
viscosidade, calor específico e peso específico.
I. INTRODUÇÃO
Os sistemas de refrigeração podem empregar Fatores geométricos, tais como os tamanhos, a

fluidos movendo-se à alta velocidade ou à baixa forma dos condutos do refrigerante e direção da

velocidade. passagem do fluido em relação à superfície


aquecida também o são. A velocidade do

Uma vez que a natureza das quedas de pressão refrigerante, o seu grau de turbulência e a

nos tubos depende fundamentalmente do tipo de natureza da superfície metálica são também

escoamento, faremos uma revisão da diferença importantes. Como se poderia esperar, não é

entre escoamento laminar e escoamento possível obter-se uma fórmula única para calcular

turbulento. Existe escoamento laminar se as o coeficiente de troca de calor, aplicável a todas

partículas movem-se somente na direção do as situações.

escoamento; enquanto, no escoamento


turbulento, elas possuem movimentos parasitários Grande variedade de fórmulas empíricas são

no interior da corrente. Os tipos de escoamento encontradas na literatura de transferência de


podem ser distinguidos pelo número de Reynolds. calor, possuindo elas entre si afinidades
aparentemente muito pequenas, uma vez que a

Esse número adimensional tem relação com o escolha das combinações dos números

diâmetro da tubulação, das características do adimensionais depende das tendências individuais

líquido, sua velocidade e do coeficiente de de cada autor. Idealmente, se são disponíveis

viscosidade absoluta. Se o número for menor que medições experimentais num sistema de

2000, consideramos o fluxo laminar, se maior que compressão com outro pré-dimensionado, tais

4.000, é turbulento. É definido pela seguinte medições devem ser usadas. Se nenhum dado

relação: aplicável é encontrado, são necessários cálculos


NR = Dρν/µ com emprego de fatores de segurança.

Onde: D = diâmetro, ρ = peso específico do


I.2. RESFRIAMENTO POR CONVECÇÃO NATURAL
líquido, ν = velocidade e µ = coeficiente de
As fórmulas de transferência de calor do parágrafo
viscosidade (absoluta).
precedente referem-se a situações em que o
fluido é forçado através das superfícies aquecidas.
I.1. COEFICIENTES DE TRANSFERÊNCIA DE

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 529 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Quando o resfriamento é obtido pela remoção do é o que melhor interpreta os fatores que
calor por convecção natural, os coeficientes de determinam as dimensões dos tubos do trocador
transferência de calor são obtidos por relações de calor. Muitas vezes, utilizam-se sistemas de
diferentes. Quantidades adimensionais são ainda aletas nos tubos para aumentar a área de contato
usadas, mas de um modo empírico novo. e, portanto, de troca de calor entre os fluidos
contido em tubos metálicos, envolvidos por água
I.3. TROCADORES DE CALOR fervendo, como fluido externo. Isto em analogia
Havendo completado nossa análise dos princípios com a lei de Ohm da eletricidade.
gerais de transferência de calor e da correlação
entre os projetos e o aquecimento e resfriamento Outro ponto considerado importante em
do fluido, vamos ao problema lógico seguinte que instalações, onde um vazamento dos fluidos
é o da utilização desses conceitos e do calor para poderia comprometer a funcionalidade e a
finalidades práticas. segurança da instalação, é a necessidade de um
reservatório de emergência que garanta a
A combinação mais desejável poderia consistir de refrigeração por um período de tempo seguro.
uma bomba que fizesse circular o líquido a ser
refrigerado ou o refrigerante ou ambos. A área de Do sistema de refrigeração, os trocadores de calor
troca de calor deve ser a maior possível, os são os elementos mais sensíveis e mais
materiais com resistências mínimas, ou um importantes da instalação. As instalações de
máximo de condutância térmica. refrigeração mais antigas são tanques de
refrigeração e torres escalonadas de refrigeração.
Muitas vezes é necessário que os fluidos não Ambas têm o defeito de ocupar muito espaço,
entrem em contato, por exemplo, caso dos baixo rendimento e dependente do vento.
trocadores de um reator nuclear, onde há risco de • Os tanques de refrigeração abertos, sobre
contaminação. Nas indústrias de alimentos, esse os quais se esparge a água por bocais,
é um problema a ser cuidado, pois pode ter são utilizados para vazões até 800 m3/h.
conseqüências graves. Elimina-se cerca de 4.000 a 5.000 kcal/h
por m 2.
Às vezes, é necessário o uso canais duplos • Engradados são feitos de madeira ou
concêntricos, com espaço livre entre eles e com cerâmica, geralmente em local adequado,
um sistema detector para assinalar o vazamento com alturas maiores que 8 a 10 m. A água
de qualquer dos fluidos. Este espaço é cheio com vem descendo através dos recipientes em
um fluido que não reage com a água, mas que grades e refrigerando ao natural. A água é
permite a condução do calor entre os ciclos então recolhida num tanque. Capacidade
primário e secundário. de carga de 1 a 2 m 3/h por m 2 de superfície
de base.
O conceito de resistência à transferência de calor

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 530 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Torres de refrigeração: para grandes volume utilizado, vem em estado natura, sem
vazões, utilizam-se hoje, tratamento. Nesse caso, a vida útil dos tubos
predominantemente, torres fechadas. estará comprometida.
Podem trabalhar por transmissão de calor Na maioria dos casos, bombas hidráulicas de
de forma natural ou forçada com grande potência são utilizadas. Pode-se passar
ventiladores. A água de refrigeração é sem água de refrigeração, quando se pode esfriar
bombeada e descarregada de forma diretamente a fonte quente com ar fresco, isto é,
pulverizada por bocais ou dividida em submetendo-se à ação de correntes de ar de
canais para cair em finas camadas que se ventiladores.
encontram com o ar ascendente.
Neste caso, os elementos do condensador ou
I.4. CUIDADOS COM ESSES TIPOS DE trocador são constituídos de tubos aletados de
EQUIPAMENTOS grande resistência aerodinâmica e elevado
A limpeza freqüente dós módulos, tanto na torre coeficiente de transmissão térmica. O consumo de
quanto nos tanques e a troca dos elementos dos potência dos ventiladores é da mesma grandeza
engradados ocorre pelo menos a cada 3 anos. Os que nas bombas das instalações de refrigeração
bocais sujos, no caso das torres , além de com líquido refrigerante em circulação.
exigirem grande potência da bomba, podem
ocasionar obstruções, podendo avariar as II. CARACTERÍSTICAS
bombas. As canalizações abertas devem ser
inspecionadas e limpas com bastante freqüência II.1. MATERIAIS E CONSTRUÇÃO DOS
(no mínimo a cada ano). TROCADORES DE CALOR

As torres de refrigeração de grande capacidade


Dos tipos de trocador de calor, o mais comum é o são geralmente construídas em alvenaria e
sistema constituído de um conjunto de dutos concreto. As menores são metálicas ou mais
inseridos em uma câmara ou um tubo onde, modernamente construídas em fibras sintéticas.
internamente, percorre um dos líquidos e,
externamente, o outro. Nesse tipo de trocador de Já os condensadores ou os trocadores de calor do
calor, é muito importante a área de contato entre tipo tubular geralmente são de carcaças
os líquidos e os tubos. Eles podem ser de cilíndricas, de chapa de aço soldada, de
correntes cruzadas, unidirecional ou ortogonais. comprimento de cerca de 2 m vezes diâmetro.

Normalmente, é utilizada a água como fluido Chapas tubulares: 20 a 30 mm de espessura,


refrigerante. Nesse caso, é imprescindível se feitas de chapas de aço e, em caso de águas
controlar a qualidade da água. Em grandes ácidas ou salgadas, de latão (MS 60), unidas à
sistemas, tais como, usinas termelétricas e usinas carcaça por flanges; as de aço, unidas com solda
termonucleares, essa água, devido ao grande (BBC), ancoradas umas as outras.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 531 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
bombas. O valor 5 a 8 m de coluna d’água é
Tubos: diâmetro externo de 17 a 25 mm; considerado econômico.
comprimentos (>100 a 150), multiplicados pelo
diâmetro do tubo. Escape de emergência: Em caso de falha das
bombas d’água ou entrada exagerada de vapor, o
Chapas de apoio de (50 a 70) vezes o diâmetro, condensador poderia ficar submetido à pressão.
para evitar vibrações. Uma válvula de escape que, em operação normal
fique fechada pelo vácuo, deve ser de tal forma
Tubos de alimentação, segundo a norma DIN dimensionada que a pressão de teste da carcaça
1785: muitas vezes, para equipamentos sujeitos a envolvente do condensador não seja rebaixada.
maiores solicitações são especificados tubos de
maior espessura de parede. Bombas: As bombas para grandes vazões são
geralmente radiais (até 10.000 m3/h), contra
Para indústrias químicas e de alimentos, muitas reduzida sobre-pressão (de 8 a 20 m de coluna
vezes, são utilizados aços inoxidáveis, de cobre d’água). Nas usinas termelétricas, são
ou de alumínio. freqüentemente duplas, por instalação de turbina
a vapor e motor elétrico. Isso é devido ao
Os tubos são usualmente unidos às chapas ou comprometimento do sistema com a falha de uma
espelhos, por solda, buchas (mais raramente) ou bomba.
ajustes com interferências. Deve-se, em todos os
casos, levar em consideração o diferencial de Nos sistemas de refrigeração que não se dispõem
dilatação entre as partes. de água utilizável em nível suficiente, deve-se
fazer o projeto em ciclo fechado, fazendo passar a
Tampas: de chapa de aço soldadas ou de ferro água dos condensadores. Na maioria dos casos
fundido, para águas corrosivas, unidas à carcaça para a refrigeração, emprega-se ar.
por charneiras ou, para grandes condensadores,
deslizáveis, por meio de carrinhos sobre trilhos. Existem outras bombas no sistema, tais como: as
bombas de ar seco geralmente são bombas a
Neste caso, as tampas só têm aberturas de vácuo ou a pistão. Muito empregadas em
limpeza ou escotilhas. Para entrada e saída da sistemas antigos nas centrais termelétricas e
água, temos câmaras d`água especiais, nas quais indústrias químicas. Hoje são substituídas pelas
as paredes necessárias à condução da água terão bombas de jato. Elas devem ser protegidas contra
de suportar toda a pressão da bomba. A água corrosão e são de manutenção delicada. Para
geralmente circula em dois fluxos, se bem que há maior necessidade de vácuo, são usadas as
construções com fluxos múltiplos. Com o número bombas de embolo rotativo, com óleo. Bombas de
de fluxos da água, aumenta a resistência à ar úmido e as bombas de condensado que são,
circulação e, com isto, a potência necessária às em geral construídas superdimensionadas, para

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 532 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
prevenir uma eventual falta de vedação nos tubos
de água de refrigeração. O condensado deve
afluir a bomba que, em alguns casos, deve elevá-
lo para um nível alto de pressão, através de pré-
aquecedores ou a depósito de água quente. Por
isso, fabricam-se modelos múltiplos estágios.

Abaixo algumas partes de um sistema de Figura 2 - Trocador de superfície com câmara d’água.
resfriamento: a) tubos; b) ancoragem; c) tubos de distanciamento; d)
suporte dos tubos; e) câmara; f) bocal; g) saída; h)
nível de água; i) entrada; k) saída d’água; l) orifício de
enchimento; m) escape de ar; n) escape de água; o)
escape de emergência; p) câmara d’água; q) aberturas
para limpeza.

Figura 1 - Condensador Balcke, tipo Ginabat. O


condensado que goteja incide tangencialmente sobre
os tubos colocados abaixo. a) aberturas no suporte de
tubos; b) chapas deslizantes; c) saída do condensador;
d) bocais de aspiração do ar; e) escape de
emergência. Figura 3 - Bomba de ar por jato d’água, modelo MAN.
a) bocal; b) câmara de mistura; c) difusor; d) válvula de
retenção; e) válvula de aeração.

Para os componentes dos sistemas de


refrigeração de equipamentos ou modelos
encontrados no mercado, tudo vai depender da
função e características dos equipamentos.
Relacionado à obsolescência tecnológica, vamos
encontrar maior nível nos sistemas de
bombeamento e equipamentos de medição e
controle. Os sistemas de bombeamento estão

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 533 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
com tendência de queda nos preço, devido a de problemas: 1) O isolamento térmico diminuído
ganhos de produção em escala e maior comprometendo todo o sistema dependente dessa
simplicidade. Já nos sistemas eletrônicos de troca de calor; 2) Aumentando as calorias dentro
medição, coleta e transmissão de dados, bem ou fora dos tubos para compensar essa perda de
como nos sistemas de controle, como válvulas, eficiência, a mesma compromete o metal dos
por exemplo, têm-se alijado de operação os tubos, resultando em “fadiga do metal”. Se, por
sistemas de fabricação mais antigos. Hoje é mais esse motivo, seja necessário aumentar-se a
econômico, muitas vezes, a substituição desses pressão da bomba, esse aumento vem em
componentes do que a sua manutenção. conseqüência com uma sobrecarga em todo o
sistema, reduzindo substancialmente a vida útil
II. MANUTENÇÃO PREDITIVA dos componentes.
A manutenção nos sistemas de resfriamento de
equipamentos, tal como qualquer sistema que Se existirem incrustações nos tubos, um
utilize água como veículo para gerar ou absorver tratamento preventivo e corretivo é necessário.
calor, estará sujeita a problemas associados com Limpeza periódica é requerida, bem como um
incrustações ou, em caso de vapor, a tratamento na água de refrigeração com a
escorvamento e Incrustação. aplicação de produtos químicos contra a formação
e solventes.
Os sistemas de bombeamento podem ser
submetidos a esquemas de análise de espectros a Corrosão: Da mesma forma, um metal na
partir de funcionamento eficiente do sistema, com presença de água se submete a um processo de
sensoriamento dos parâmetros operacionais, tais oxidação, conhecido como ferrugem. A ferrugem
como: temperatura, pressão da linha, pressão de em si não é um problema se tratada, mas, num
óleo de refrigeração de mancais, sensores de sistema de refrigeração, a ferrugem rapidamente
vibração e principalmente, sensoriamento de passa para um estado de corrosão, podendo
vazamento e nível de tanque. danificar equipamentos e tubulação.

A água, o solvente universal na natureza, nunca A corrosão geral é controlada de algumas


está em estado puro. Ao evaporar ou vaporizar, os maneiras. As mais comuns são: controle do nível
sais minerais ficam na solução original deixando de acidez ou alcalinidade da água; usar um
uma concentração. Quando essa concentração inibidor de oxigênio e quimicamente, portanto,
passa dos limites, o excesso sai da solução por inibir a ação do oxigênio no metal.
uma ação de polarização e adere na superfície.
Esses depósitos são chamados incrustações. A Corrosão Localizada – “Pitting”. É um fenômeno
incrustação depositada nos tubos cria uma da natureza da água e pode perfurar a parede de
camada uniforme que reduz a eficiência de troca um tubo em muito pouco tempo. É relacionada ao
de calor por ser isolante térmica. Temos dois tipos oxigênio livre que a água deixa no metal quando

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 534 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
circula sobre ele e encontra uma irregularidade na Parte do sistema, muitas vezes, deve sofrer uma
sua superfície, aí ocorre a chamada corrosão troca preventiva (por exemplo, a troca de
localizada. Uma vez iniciada, atua como um imã, tubulação antes que fure), prevenindo uma
atraindo mais oxigênio livre e mais corrosão. ocorrência que venha a comprometer o restante
do sistema. Deve-se planejar a troca de tubos,
Corrosão Galvânica. As instalações de com bastante antecedência, além da previsão de
resfriamento estão também sujeitas a esse tipo de limpeza ou até flashing na linha, se necessário.
corrosão, causada pela troca de elétrons entre
dois metais na presença de água. IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA
Manutenção corretiva nesse tipo de equipamento
Lodos. Água obtida de poços de rios e, muitas tem que ser evitada a todo custo, a menos que se
vezes, da mesma água de fornecimento público conte com sistema duplo (by pass). Os maiores
contém um leve e até um elevado teor de lodo e problemas nesses sistemas estão normalmente
areias. Ao penetrar no sistema, bombeamento, ligados à qualidade e adequação do projeto, à
tubulação, válvulas, entre outros, começa a operação dentro dos parâmetros e limites dos
acumular-se em curvas ou em lugares onde a componente, à falta de manutenção preventiva, de
circulação normal não consegue arrastá-la. Com o limpeza e de lubrificação. Mas, na maioria das
tempo, esse acúmulo torna-se petrificado vezes, os problemas estão relacionados à
entupindo o sistema. O tratamento consiste em qualidade do fluido refrigerante.
floculação das partículas de lodo com elementos
químicos. Mesmo com a ocorrência de uma falha, tipo
vazamento, entupimento ou parada de bombas,
A manutenção preventiva, além da limpeza e por exemplo, o sistema de refrigeração não pode
preparo da água, tem que ser planejada em comprometer o equipamento principal o qual
períodos regulares. Essa manutenção comporta: estamos refrigerando, com risco de maiores danos
lubrificação de mancais de bomba, limpeza interna à segurança operacional ou até segurança
do rotor das bombas, interior dos trocadores de pessoal de equipes que trabalham ao redor do
calor, válvulas, entre outros. equipamento com essa fonte quente.

O balanceamento do rotor é importante para A equipe de manutenção deve ser ágil na solução
garantir sua operação suave e que não venha a das ocorrências. Muitas vezes, é necessário
comprometer o restante do sistema. prever sistemas de emergência que operem
durante esse tempo, por exemplo, tanque em
Verificação da vida remanescente de buchas, nível elevado para suprir água de vazamentos,
rolamentos, kits de vedação de válvulas, tais sistemas de alarme e desligamento seletivo das
como: sede, câmara, entre outros. unidades e/ou possibilidades de conexão
temporária a outros sistemas.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 535 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
As falhas que podem ocorrer são: furos nos tubos [2] R.P. Torreira – Geradores de Vapor e
do trocador ou da linha; quebra do eixo do rotor de trocadores de calor.
bombas; travamento de rolamentos; correias de
transmissão partidas; entupimentos; válvulas [3] E. Cometta – Resist6encia de materiais
emperradas ou danificadas; sistema de
transmissão travado; super aquecimento em [4] R.L. Murray – Engenharia nuclear.
mancais e carcaça, entre outros.

V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A vida útil dos equipamentos de uma instalação
de refrigeração varia muito em função do tipo de
instalação, da classe de serviço e do tempo de
funcionamento diário.

Pode-se prever uma vida útil de 10 anos em


média para uma instalação que trabalhe sob
regime muito severo, no caso de resfriamento de
conversores numa aciaria LD, por exemplo, a vida
útil de alguns componentes pode ser ainda menor.
Já para instalações que trabalham com solicitação
não tão severa e que sofrem manutenção
periódica, esse tempo pode crescer para até cerca
de 20 anos.

Para alguns componentes, como os componentes


eletrônicos de controle e, às vezes, até o sistema
de bombeamento, estes são trocados bem antes,
por uma questão de obsolescência. No mercado,
o equipamento ou peças de sobressalente
passam a não ser mais encontrados. Nesse caso,
se dá preferência por substituí-los por outros com
tecnologia mais nova e melhor desempenho.

REFERÊNCIAS
[1] Dubbel – manual do engenheiro

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 536 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema de Serviços

RESUMO fixar a vida útil das edificações do Sistema de


O Sistema de Serviço é composto por diversas Serviços em cerca de 25 anos aproximadamente.
edificações, obras civis e benfeitorias encontradas I. INTRODUÇÃO
nas usinas, sejam elas hidrelétricas, térmicas ou O Sistema de Serviço é composto por diversas
termonuclear, e ainda em subestações. Estas edificações, obras civis e benfeitorias encontradas
edificações visam atender a necessidades que nas usinas, sejam elas hidrelétricas, térmicas ou
podem ser consideradas secundárias na termonuclear, e ainda em subestações.
instalação analisada, tais como: apoio
operacional, serviços auxiliares, serviço de Estas edificações visam atender a necessidades
assistência e capacitação, proteção de que podem ser consideradas secundárias na
equipamentos, entre outras. Durante o tempo de instalação analisada, tais como: apoio
vida útil de uma edificação, diversos problemas operacional, serviços auxiliares, serviço de
civis rotineiros ligados a sua manutenção podem assistência e capacitação, proteção de
ocorrer. Os mais comuns, especialmente os equipamentos, entre outras.
observados em Sistemas de Serviços, são muitas
vezes de simples identificação e de custos de Dentre estas podemos citar:
reparação relativamente baixos. Além das • Alojamentos;
inspeções programadas, as edificações de • Aministração;
Sistemas de Serviços devem ser vistoriadas • Centro de recreação;
sempre que aparecerem anomalias ou falhas de • Refeitório/Cantinas;
grande vulto, ou ainda, que a sua estrutura tenha • Garagens;
sido solicitada por carregamentos incomuns e até • Galpões diversos;
excepcionais, tal como enchentes, sismos • Guaritas/Portarias;
induzidos e outros. Como qualquer outra obra • Centros de assitência social;
industrial o tempo de vida útil de uma edificação
• Enfermarias;
do Sistema de Serviços está inicialmente na
• Almoxarifado;
dependência do bom ou mau desempenho do seu
• Depósitos;
projeto, de sua construção e de sua manutenção,
• Sala de Telecomunicação;
sejam eles atuando isoladamente ou combinados.
• Etc.
A experiência de diversas concessionárias do
setor elétrico brasileiro mostra que é aceitável

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 537 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Durante o tempo de vida útil de uma edificação, de concreto. Para edificações menores, a
diversos problemas civis rotineiros ligados a sua fundação pode ser feita de tijolos de alvenaria em
manutenção podem ocorrer. conjunto com concreto armado. Pode-se utilizar
bate-estaca, retro-escavadeira, ou mesmo pá para
Os mais comuns, especialmente os observados preparar o solo. É necessário observar se as
em Sistemas de Serviços, são muitas vezes de condições do subsolo são satisfatórias, por
simples identificação e de custos de reparação medida de segurança.
relativamente baixos.
II.2. CORPO ESTRUTURAL

Outros são mais intrínsecos, aparecendo, em É a parte da edificação que transmite os esforços
geral, na forma de anomalias do concreto, tais mecânicos para a fundação. São as colunas que
como rachaduras, trincas, fissuras, etc. seguidas dão sustentação à estrutura. Este tem a função de
ou não de vazamentos e infiltrações. suportar todo o peso do teto, e andares
superiores, se existirem. Para a construção do
Como esse tipo de obra além do concreto pode corpo estrutural pode-se utilizar aço, concreto
ser construída de alvenaria, estrutura metálica, armado ou madeira.
etc. Fica difícil levantar todos os possíveis
problemas que podem ocorrer nessas edificações. II.3. PAREDE

Além de compor o espaço entre piso e teto, as

A degradação das estruturas de concreto, e das paredes ajudam as colunas a suportar os

demais estruturas, caracterizada como falha de esforços. São geralmente feitas de alvenaria,

manutenção e/ou pós-construção, pode resultar concreto ou madeira.

numa provável ruína parcial ou total, caso não


II.4. IMPERMEABILIZAÇÕES
tratada a tempo e com critério técnico.
São medidas que impedem a entrada de água na

II. CARACTERÍSTICAS edificação, preservando esta da deterioração


precoce. São feitas principalmente em lajes de
As obras de edificação são formadas por diversas
cobertura, calhas, arrimos de terra, fundações,
partes, onde as mais importantes destas serão
corpo de estrutura, etc.
especificadas:

II.5. COBERTURA
II.1. FUNDAÇÕES
São formados por telhados ou lajes impermeáveis.
São estruturas que transmitem os esforços
O telhado necessita de uma estrutura de suporte,
mecânicos incididos sobre ele, para o solo. É a
geralmente constituída de madeira. As lajes
base onde está apoiado todo o conjunto de obras.
impermeáveis são constituídas de armação de
Ela consiste na abertura de valas no solo, com
vigas de concreto armado, com tijolos de
profundidade variada, onde é depositado concreto
alvenaria.
armado. O respaldo de alvenaria é feito de cinta

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 538 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II.6. ESQUADRIAS DE MADEIRA • Etc...
São todas as estruturas de madeira empregadas
no acabamento de uma obra, como portas, III. MANUTENÇÃO
divisórias, janelas e outros. Devem ser madeiras Além das inspeções programadas, as edificações
de boa qualidade, e preparadas para suportar a de Sistemas de Serviços devem ser vistoriadas
ação do tempo. sempre que aparecerem anomalias ou falhas de
grande vulto, ou ainda, que a sua estrutura tenha
II.7. ESQUADRIAS METÁLICAS
sido solicitada por carregamentos incomuns e até
Consistem nas estruturas metálicas aplicadas nas
excepcionais, tal como enchentes, sismos
estruturas. São portas, portões, grades, janelas,
induzidos e outros.
caixilhos, gradil, corrimão, fechaduras, dobradiças,
etc. As estruturas metálicas devem possuir
As principais tarefas de manutenção realizadas
aplicações contra a corrosão. são:
• Alvenaria: reparos em trincas e
II.8. PINTURA
rachaduras;
A pintura funciona como um revestimento para
• Coberturas: substituição de peças do tipo
proteger os componentes da obra da ação do
ripas, vigas, caibros, telhas, etc.;
tempo. Existem vários tipos de pintura, sendo os
• Esquadrias de madeira e metálicas;
mais usuais: caiação, pintura à base de óleo ou
• Revestimento – paredes e forros: reparos
esmalte, pintura com tinta acrílica, pintura à base
em revestimento externo, interno, em
de látex, verniz.
revestimentos de azulejos, substituição de
placas de gesso em forros, repregamento
II.9. REVESTIMENTO DE PAREDES E FORRO
de forros de madeira, substituição de
São todos os tipos de revestimentos aplicados nas
tábuas para forro, etc.;
edificações. Podem ser feitos com argamassa,
• Pisos, degraus, rodapés, soleiras e
concreto e areia, azulejos, pedras, chapisco, entre
peitoris: colagem de tacos soltos,
outros.
repregamento de soalho de madeira,

II.10. PISOS substituição de tábuas para soalho,

Há vários tipos de pisos utilizados em edificações, substituição de rodapés, reparos em

sendo que os mais comuns são: pisos de granilite, etc.;

concreto, madeira, ladrilho, borracha. • Pintura;


• Instalações elétricas;
Há outras estruturas que fazem parte de uma • Instalações hidráulico-sanitárias;
edificação, que serão apenas citadas: • Esgotos: desentupimento;
• Vidros; • Etc.
• Instalações elétricas e aparelhos;
• Instalações hidráulico-sanitárias;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 539 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
III. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
Como qualquer outra obra industrial o tempo de
vida útil de uma edificação do Sistema de
Serviços está inicialmente na dependência do
bom ou mau desempenho do seu projeto, de sua
construção e de sua manutenção, sejam eles
atuando isoladamente ou combinados.

A experiência de diversas concessionárias do


setor elétrico brasileiro mostra que é aceitável
fixar a vida útil das edificações do Sistema de
Serviços em cerca de 25 anos aproximadamente.

REFERÊNCIAS
[1] Manual Técnico do DOP – Obras e Serviços,
Tomo 3, 1976.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 540 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Sistema para Gaseificação de Carvão

RESUMO de carvão, com finalidade de gerar energia


Os sistemas para gaseificação de carvão vegetal elétrica, existem praticamente em nível
para fins de geração de energia elétrica são pouco experimental. Estes equipamentos requerem
difundidos no Brasil, principalmente devido à manutenções com maior freqüência no sistema de
maior viabilidade econômica de se produzir limpeza de gases e troca do revestimento interno
energia por outras fontes. Além disso, deve-se do reator que pode ser feito com materiais
considerar os desafios técnicos e econômicos cerâmicos. De forma geral, a vida útil destes
para operação de sistema de gaseificação para equipamentos situa-se por volta de 15 anos.
geração de energia em maior escala. Embora, do
ponto de vista técnico, as dificuldades serem I. INTRODUÇÃO
transpostas, a maior dificuldade é torná-la viável Os sistemas para gaseificação de carvão não são
economicamente. No entanto, esta tecnologia é difundidos no Brasil devido à concorrência com
conhecida desde o século XVIII e sua utilização outras formas de geração de energia. Atualmente
para geração de potência mecânica data do final nos Estados Unidos existem grupos grandes que
do século dezenove. Os equipamentos do sistema envolvem bastantes recursos financeiros,
de gaseificação constituem-se principalmente do pesquisando com intuito se obter tecnologia para
gaseificador ou reator, propriamente dito e do viabilizar a gaseificação de carvão mineral.
sistema de limpeza de gases que trabalham sob
efeito de calor. No caso do carvão vegetal, a Os princípios básicos de gaseificação de
operação destes é bastante simples, pois o carvão biomassa são conhecidos desde o final do século
vegetal se encontra praticamente isento de XVIII. As primeiras aplicações tinham finalidade de
matérias voláteis. No entanto, é importante fornecer calor, bem como utilizar gás para
ressaltar que existem pouquíssimos desse modelo iluminação. Sabe-se que, antes de 1850, grande
operando no mundo devido ao custo elevado da parte da cidade de Londres era iluminada
energia obtida com à baixa eficiência. Quanto aos utilizando-se gás como combustível. No setor
sistemas de gaseificação de carvão mineral, industrial, também tinha-se estabelecido um
esforços têm sido despendidos, principalmente crescimento no uso de gaseificadores com a
nos Estados Unidos com intuito de consolidar esta finalidade de utilizar o gás para iluminação. Em
tecnologia. O desafio é grande, principalmente 1881, pela primeira vez, foi utilizado o gás em
quando se trata da limpeza do gás devido à motores de combustão interna. Contudo, a
presença de enxofre. Os sistemas de gaseificação utilização de gás combustível oriundo de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 541 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
biomassa sempre apresentou as suas limitações, carvão vegetal, isto não é uma realidade pois este
dentre elas, destaca-se a baixa densidade é acompanhado de baixas eficiências.
energética frente aos combustíveis fósseis que, Apesar disso, no processo de gaseificação, vale
com o decorrer do tempo, passaram a ser lembrar que esta trás como vantagem frente à
utilizados em larga escala. O interesse em utilizar combustão direta a facilidade e a conveniência de
a biomassa como combustível para geração de se utilizar um gás como combustível final. A sua
potência era despertado quando o fornecimento distribuição é simples, a sua combustão é
de petróleo ficava comprometido ou em função de facilmente controlada e a possibilidade de
guerras ou devido à elevação de seus preços automação é grande.
causada por crises neste setor. Neste contexto, a
gaseificação de carvão mineral, com finalidade de Quando se considera a biomassa no estado
geração de energia elétrica, foi e tem sido natural, após a preparação da mesma com intuito
encarada com maior ênfase nas ultimas décadas, de atingir uma granulometria adequada, o
principalmente nos Estados Unidos. processo de produção de um gás combustível
realiza-se normalmente em três etapas distintas:
No entanto, vale lembrar as dificuldades em se secagem, pirólise e a gaseificação propriamente
produzir um gás com níveis admissíveis de dita. A secagem é feita quando a biomassa é
contaminantes a custos competitivos com as introduzida no gaseificador, mediante a
demais formas de geração de energia. Porém, temperatura existente naquela região do
atualmente, com a tendência de escassez e o gaseificador. A formação de gases, vapor de
aumento de preço dos combustíveis fósseis em água, vapor de alcatrão e carvão, normalmente,
um futuro próximo, bem como considerações de ocorre durante a etapa da pirólise e, na etapa de
custo e caráter ambiental, tem-se estimulado a gaseificação, é liberada a energia necessária para
utilização de biomassa e carvão mineral para o processo, pela combustão parcial dos produtos
produção de energia elétrica e, neste sentido, a da pirólise. A madeira possui alto teor de voláteis
gaseificação é uma tecnologia que deverá ser (em torno de 80%) com baixo teor de cinzas
retomada para geração de potência. (menos que 1%), contendo oxigênio e hidrogênio
em sua composição e com a vantagem de ser
A gaseificação de biomassa numa cadeia de praticamente isento de enxofre. Quando se utiliza
processos mostra-se como o processo o carvão vegetal, os voláteis já são encontrados
termoquímico de conversão bastante eficiente em no combustível, o que torna o processo mais
termos energéticos. Apesar das perdas de energia simples.
na conversão da madeira em gás, a gaseificação
ainda é um processo competitivo com a Os equipamentos do sistema de gaseificação
combustão direta quando se consideram as estão sempre em contato com gás a temperatura
eficiências globais de aproveitamento do mais elevada que a temperatura atmosférica. Em
combustível. Em se tratando de gaseificação do

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 542 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
determinados pontos, o equipamento fica muito pelos motores de combustão interna ou turbinas a
propicio ao desenvolvimento da corrosão. gás. Vale lembrar que esta tecnologia de limpeza
ainda não está bem consolidada. O reator ou
No Brasil, a Termoquip desenvolveu um gaseificador trabalha normalmente com
gaseificador de carvão para fins de geração de temperaturas elevadas. Os de leito fluidizado, por
energia, de pequeno porte, com potência de 300 exemplo, podem ser encontrados operando com
KVA, para Eletrobrás, no ano de 1985. Após temperatura por volta de 700 ºC, criando
terem sido efetuados testes na Light, este condições, juntamente com os contaminantes
gaseificador de carvão vegetal foi transferido para existentes no gás, para degradação do material
a cidade de Formoso no estado de Goiás e usado no revestimento interno, assim como
operou até 1998. criando condições para desenvolvimento do
processo de corrosão.
Existem outros fabricantes como Studswik na
Suécia. Há uma série de universidades em Os gaseificadores podem ser classificados em
diversos países, como Estados Unidos, Espanha, gaseificadores de leito movente e contra fluxo
Grécia, Colômbia, Suécia e etc, desenvolvendo (contra corrente), leito movente em fluxo direto
pesquisas no intuito de consolidar esta tecnologia, (co-corrente) e os de leito fluidizado. Esses
assim como empresas envolvidas, cita-se a GE gaseificadores apresentam características
que instalou a primeira planta para testes com peculiares quanto à eficiência, faixa de potência
intuito de consolidar a tecnologia de gaseificação indicada, composição do gás produzido, umidade
de carvão mineral em 1975. da biomassa requerida para que seja realizada a
gaseificação. Os gaseificadores de carvão
II. CARACTERÍSTICAS possuem principio semelhante aos gaseificadores
Os sistemas de gaseificação consistem de biomassa. Como os gaseificadores de
basicamente de um sistema de compressão, para biomassa em sua forma natural são mais
gaseificadores que trabalham com pressões difundidos, estes servirão como referência.
acima da atmosférica. O sistema de alimentação
que consiste de silos de armazenagem e em Os gaseificadores podem ser encontrados nos
determinados casos uma válvula rotativa, também seguintes tipos, conforme seu princípio de
pode ser feito por um atuador pneumático. O funcionamento.
sistema de ignição, que pode ser feito utilizando-
se gás propano. O reator propriamente dito onde II.1. GASEIFICADOR DE LEITO MOVENTE E
CONTRAFLUXO
ocorre o processo de gaseificação, e o sistema de
limpeza de gases que se constituem de ciclones Neste tipo de gaseificador, o combustível a ser

ou uma combinação com outros equipamentos de gaseificado e o agente fluidizante fluem em

limpeza, como os filtros cerâmicos, com finalidade sentidos contrários, e o gás é retirado pela parte

de obter os níveis de contaminantes permissíveis superior. Quando se usa biomassa na forma

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 543 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
natural este gaseificador nota um elevado nível de mantida em suspensão por meio do fluxo de ar
alcatrão dos gases produzidos que eleva o poder que passa pelo leito com velocidade suficiente
calorífico dos gases, mas, por outro lado, para fluidizá-lo. As transferências de massa e
dependendo da aplicação, impõe a sua limpeza energia nestes gaseificadores são mais intensas
para que se possa utilizar o combustível em do que nos demais, bem como é possível de se
outros equipamentos como acionadores primários. obterem temperaturas quase uniformes ao longo
do mesmo.
II.2. GASEIFICADOR DE LEITO MOVENTE EM
FLUXO DIRETO II.4. LIMPEZA DO GÁS
Estes gaseificadores são simples de serem Para que possa operar com determinados
construídos e são eficientes. Quando se utiliza equipamentos sem que haja degradação dos seus
biomassa em estado natural como combustível, componentes, quer seja por erosão, corrosão ou
esta pode possuir alta densidade como, por ainda deposição sobre os mesmos, o gás a ser
exemplo, cavacos de madeira. O agente utilizado deve ser o mais limpo pos sível, não
fluidizante e a madeira fluem no mesmo sentido. podendo exceder as quantidades limites
Desta forma os gases e/ou vapores condensáveis permissíveis estabelecidas principalmente pelos
eventualmente gerados no aquecimento da fabricantes das turbinas a gás e/ou motores de
biomassa são craqueados ao atravessar a zona combustão interna.
de alta temperatura, produzindo um gás
combustível mais limpo, com baixo teor de Os equipamentos que se utilizam nesta etapa do
alcatrão. A inexistência de lavagem dos gases e processo são basicamente os ciclones, filtros e
conseqüentemente a sua utilização em lavadores de gás. Estes requerem manutenções
temperaturas maiores possibilitam obter com maior freqüência por serem muito solicitados.
eficiências mais elevadas. Estas são uma das
justificativas pela preferência por estes III. MANUTENÇÃO CORRETIVA
gaseificadores para geração de potência em As manutenções que ocorrem com maior
pequenas escalas. freqüência são reparos nas estruturas metálica do
gaseificador pelo fato deste trabalhar com
Em contrapartida, requerem níveis de umidade da temperaturas acima da atmosférica.
madeira a ser introduzida menores que 30% para
serem introduzidas nos gaseificadores. Ë comum a realização de manutenções em
equipamentos auxiliares onde se fazem reparos
II.3. GASEIFICADOR DE LEITO FLUIDIZADO
no sistema de alimentação de ar, sistema de
Estes gaseificadores são normalmente indicados alimentação de combustível e outros.
para aplicações de alta capacidade, possuindo
maior flexibilidade quanto ao tipo de combustível.
Para se utilizar madeira, é necessário que esta
seja fornecida em pequenas dimensões para ser
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 544 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Eventuais desobstruções provocadas pelo pó em De forma geral, a partir de dados obtidos em
determinados pontos do circuito de gás devem ser literatura e consulta a fabricantes, conclui-se que
retiradas. os sistemas de gaseificação possuem uma vida
útil por volta de 15 anos.
Além da temperatura, os gaseificadores de carvão
mineral trabalham sempre com a presença de REFERÊNCIAS
enxofre que é corrosivo e se impregna em [1] Cortez, L.A. Tecnologias de Conversão da
determinados pontos, propiciando para o início do Biomassa, 1997.
processo de corrosão e que, normalmente,
requerem manutenções. [2] Hubert, E.S. Small-Scale Biomass Gaseifiers
for Heat and Power.
Outro problema, comum neste tipo de
equipamento, são as infiltrações que devem ser
reparadas, pois contribuem muito para o processo
degradação do equipamento.

Os sistemas de limpeza de gás normalmente


requerem mais manutenções. Em determinadas
aplicações pode-se encontrar sistema de limpeza
contendo areia por onde o gás é submetido.

IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Conforme mencionado anteriormente o sistema de
gaseificação de carvão não é complexo quanto à
tecnologia necessária para a gaseificação de
carvão. Estes equipamentos podem trabalhar sob
efeito da temperatura e com a presença de
elementos nocivos aos materiais metálicos,
dependendo do combustível utilizado. Cita-se,
como exemplo, quando se utiliza carvão mineral
como combustível certamente encontra-se enxofre
no gás. Vale lembrar que esta tecnologia não é
bem difundida por não ser bem consolidada e
enfrenta dificuldades para concorrer com outras
formas de geração de energia.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 545 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Subestação SF6

RESUMO rugosidades, componentes em flutuação, poeira


O SF6 é um gás incolor, inodoro, não tóxico, não ou partículas metálicas no invólucro, os quais
inflamável, quimicamente inerte e estável para podem surgir durante a fabricação, montagem ou
temperaturas até 200 °C, sua utilização como operação da SIG. Hoje em dia, já se dispõe de
meio dielétrico evidencia-se em função de sua equipamentos bastante eficientes na detecção de
rigidez dielétrica e da sua capacidade de extinção falhas como DP’s e partículas soltas dentro da

de arco. As subestações isoladas a gás (SIG’s) blindagem o que vem colaborar em muito com a
são compostas por um conjunto de equipamentos realização das manutenções preventivas. Levando
elétricos envazados em uma blindagem metálica isso em consideração, juntamente com o

solidamente aterrada e com isolação feita através desenvolvimento de métodos mais apurados de
do gás SF6 pressurizado. A grande vantagem de reconhecimento de padrões, pode-se estimar uma
implementação de uma SIG é a enorme redução vida útil econômica de 35 anos para uma
de área e volume ocupado pelos seus subestação isolada a gás SF6.

equipamentos. No entanto, existem certas


desvantagens também, como por exemplo, o fato I. INTRODUÇÃO
destas serem compostas de módulos, sendo O Hexafluoreto de enxofre (SF6) foi sintetizado
assim ocorrendo defeito em qualquer parte da pela primeira vez nos laboratórios da Faculdade
subestação todo módulo será envolvido. Existem de Farmacologia em Paris, por Moissan e Lebeau
diversos métodos de detecção de defeitos em 1900 [1].
utilizados nas SIG’s, sendo que os mais eficientes
são o método acústico e o físico-químico. Uma O SF6 é um gás incolor, inodoro, não tóxico, não
outra grande vantagem das SIG’s é a baixa inflamável, quimicamente inerte e estável para
necessidade de manutenções preventivas, por temperaturas até 200 °C. Apresenta uma estrutura
outro lado, quando ocorrem falhas internas, as molecular na forma de octaedro cujo centro é
manutenções corretivas são complexas, ocupado pelo átomo de enxofre, sendo que nos
demoradas e dispendiosas. A falha mais comum vértices têm-se os átomos de flúor [2].
nas SIG’s é a descarga parcial (DP), sendo que o
mecanismo que leva a esta falha é a redução da A utilização do SF6 como meio dielétrico
tensão de ruptura causada por vários tipos de evidencia-se em função de sua rigidez dielétrica e
defeitos, tais como: vazios em isoladores, da sua capacidade de extinção de arco. O SF6
ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 546 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
submetido a um arco elétrico recompõe-se na tornam mais baratas que as subestações normais,
medida em que este é removido, o que não mesmo desconsiderando o custo do terreno.
acontece com outros tipos de dielétricos [3].
Além dessas vantagens existem outras, como por
Estas características físico-químicas levaram a exemplo:
sua aplicação no desenvolvimento de • Sua operação é bastante segura,
equipamentos elétricos isolados a SF6, tais como, silenciosa e não produz rádio interferência;
disjuntores, seccionadoras, chaves de • Os equipamentos isolados a gás SF6
aterramento, entre outros. Com isto foram sofrem pouco desgaste comparado com os
desenvolvidas as subestações isoladas a gás convencionais, reduzindo com isto as
(SIG’s), surgidas na França, buscando-se manutenções preventivas, o que permite
soluções para se implementar uma subestação redução de pessoal e menos perda de
em espaços reduzidos nas grandes cidades. continuidade da operação.

II. CARACTERÍSTICAS Porém, há algumas desvantagens na


As SIG’s são compostas por um conjunto de implementação de uma SIG:
equipamentos elétricos, tais como: barramentos, • A operação de seccionadoras e disjuntores
disjuntores, TC’s, TP’s, seccionadoras, pára-raios, isolados a SF6 produz surtos de manobra
etc. interligados elétrica e mecanicamente, e que são prejudiciais ao isolamento dos
envazados em uma blindagem metálica, aço ou equipamentos acoplados as SIG’s, como
alumínio, solidamente aterrada e com isolação transformadores, TP’s e buchas;
feita através do gás SF6 pressurizado [4]. • A presença de partículas metálicas no
interior das SIG’s é crítica, pois estas
Devido ao alto nível de disponibilidade e podem provocar falhas com descarga
compacidade de seus equipamentos, à facilidade disruptiva fase-terra.
de manutenção e ao custo competitivo comparado • As SIG’s são mais caras que as
com subestações convencionais, o uso de SIG’s é subestações convencionais para faixas de
uma tendência irreversível atualmente no cenário tensão até 350 kV;
mundial. • O SF6 sob arco se decompõe em alguns
subprodutos, às vezes tóxicos, e que
A grande vantagem de implementação de uma afetam os materiais dentro da blindagem;
SIG é a enorme redução de área e volume • As SIG’s são compostas de módulos,
ocupado pelos seus equipamentos, alguns sendo assim ocorrendo defeito em
fabricantes afirmam que uma SIG de 500 kV qualquer parte da subestação todo módulo
ocupa 3,5% da área e 1% do volume de uma será envolvido.
subestação normal de mesma potência, sendo
que para tensões acima de 500 kV, as SIG’s se

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 547 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
As principais normas técnicas brasileiras principais equipamentos serão descritos nas
relacionadas são: próximas seções.
• NBR10019 – Subestação blindada isolada
a gás para tensões nominais iguais ou
superiores a 72,5 kV (09/1987): Fixa
prescrições relativas à especificação, II.1. DISJUNTORES

características nominais e ensaios de Os disjuntores utilizados nas SIG’s não diferem


subestações blindadas isoladas a gás para muito de um disjuntor a SF6 normal, apenas
tensões nominais iguais ou superiores a quanto a sua construção. Os mecanismos de
72,5 kV. Aplica-se a subestações acionamento podem ser hidráulicos ou
blindadas, projetadas para instalações pneumáticos, sendo que os hidráulicos são mais
para interior ou exterior, para tensões em rápidos e adequados para o uso em altas tensões.
corrente alternada, nas quais o isolamento
é obtido, pelo menos parcialmente, por um O mecanismo de extinção de arco pode ser do
gás isolante que não o ar à pressão tipo:
atmosférica; • Dupla pressão, onde produz-se um fluxo
• NBR12160 – Hexafluoreto de enxofre – de gás pelos contatos;
Verificação das propriedades (04/1992): • Puffer-type, onde injeta-se SF6 a pressão
Prescreve métodos para verificação das mais alta que a pressão existente no
propriedades do hexafluoreto de enxofre disjuntor, ou pelo próprio deslocamento
para uso em equipamentos elétricos; dos contatos.
• NBR12318 – Hexafluoreto de enxofre
(01/1992): Descreve o hexafluoreto de Os disjuntores de dupla pressão estão caindo em
enxofre para equipamentos elétricos, suas desuso por necessitarem de um sistema de
características principais, e estabelece serviços auxiliares bastante complexo, sendo
orientações para seu manuseio, assim requerem mais manutenção e tem maior
amostragem, rotulagem, toxidez, possibilidade de falhas.
armazenagem e transporte;
II.2. BARRAMENTOS
• NBR11902 – Hexafluoreto de enxofre
(01/1992): Fixa condições exigíveis ao Os barramentos são feitos de alumínio ou cobre,

hexafluoreto de enxofre para uso como tem formato tubular e nos seus encaixes possuem

gás isolante em equipamentos elétricos. contatos prateados. São sustentados dentro da


blindagem por isoladores de resina fundida, e

Os equipamentos utilizados nas SIG’s não diferem ainda podem ter arranjos trifásicos ou

muito no modo de operação, porém são bastante monofásicos.

diferentes construtivamente, sendo que os seus

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 548 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Os arranjos trifásicos ocupam menos espaço e Devido a isto, estas podem ser construídas para
podem normalmente ser acoplados aos operar sob carga, o que muitas vezes permite a
equipamentos principais de um bay, além de eliminação de disjuntores em algumas estações.
reduzir os custos.
As SIG’s podem possuir chaves de acionamento
rápido, com capacidade para suportar correntes
II.3. BLINDAGENS de curto, como equipamento adicional de
As blindagens são as carcaças externas que proteção.
envolvem os barramentos, são confeccionadas
em aço ou alumínio e devem obedecer as normas As seccionadoras de acionamento lento possuem
de vasos pressurizados, pois o SF6 deve ter um elevado número de reacendimentos de arcos,
pressão positiva. o que provoca surtos de tensão em alta
freqüência, os quais ainda não estão totalmente
II.4. BUCHAS determinados.
As saídas para transformadores podem ser
aéreas, tal como para linhas, ou através de II.7. CHAVES DE ATERRAMENTO
fluodutos acoplados diretamente aos Por não se utilizar cabos de aterramento nas
transformadores por meio de pequenas buchas SIG’s, as chaves de aterramento são o único
SF6-óleo. ponto possível de aterramento. Permitem também
o acesso aos barramentos para a realização de
Para saídas em linhas aéreas podem ser testes, tais como:
utilizadas buchas condensivas comuns (SF6-óleo- • Resistência de isolamento;
ar) ou buchas a SF6 (SF6-ar). • Verificação de polaridade de TC’s;
• Injeção de corrente primária.
II.5. ISOLADORES

São feitos de resina sintética e tem a finalidade de II.8. TRANSFORMADORES DE CORRENTE E


sustentar os barramentos e fazer o acoplamento POTENCIAL
entre as seções blindadas, permitindo o Os TP’s tanto podem ser indutivos como
confinamento do gás em compartimentos acoplados a divisores capacitivos. Já os TC’s são
estanques. semelhantes aos convencionais; sua estrutura é
própria para que possam ser checadas a
II.6. SECCIONADORAS polaridade e feita a injeção de corrente primária
As seccionadoras utilizadas em subestações SF6 através das chaves de aterramento.
são diferentes das convencionais
construtivamente e funcionalmente. Quanto ao aspecto construtivo, existem os
instalados dentro da blindagem e os instalados do
As seccionadoras podem operar lentamente ou lado externo. Sendo que os últimos têm a
sob ação de molas, operando mais rapidamente.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 549 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
vantagem de poderem ser acessados sem a DP é um fenômeno elétrico no qual a ruptura do
interrupção da seção onde estão instalados, gás dentro de um equipamento origina pulsos de
facilitando com isso a manutenção. corrente e tensão em uma ampla faixa de
freqüência (de alguns kHz até GHz), também
produz emissões eletromagnéticas e acústicas,
bem como decomposição química do gás.
II.9. PÁRA-RAIOS

O uso de pára-raios em SIG’s é de suma A ocorrência de DP’s pode indicar a presença de


importância para proteção do sistema. Os pára- um defeito que pode levar a uma falha, portanto
raios podem ser de SiC ou Óxido de Zinco, sendo existem diversos métodos para se identificar DP’s
que o último vem sendo mais utilizado pelas suas em SIG’s [5].
melhores características.
A seguir são listadas e comentadas algumas das
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA técnicas de manutenção preditiva aplicadas as
Uma das grandes vantagens das SIG’s é a baixa SIG’s [9].
necessidade de manutenções preventivas, por
outro lado, quando ocorrem falhas internas, as III.1. MÉTODOS FÍSICO-QUÍMICOS

manutenções corretivas são complexas, Desde o início da utilização das SIG’s, tanto os
demoradas e dispendiosas. fabricantes como as empresas possuidoras deste
tipo de subestação, vêm buscando métodos para
A manutenção preditiva é uma atividade de acompanhar a evolução do estado interno dos
inspeção, controle e ensaio, realizada em um compartimentos.
item, sem indisponibilidade operativa, com o
objetivo de se predizer/estimar o ponto ótimo para A análise do estado do gás, até por analogia com
a intervenção da manutenção preventiva não- o sucesso alcançado pelas análises de óleo
sistemática. isolante através de cromatografia, surgiu como
uma ferramenta possível e bastante interessante.
A falha mais comum nas SIG’s é a descarga
parcial (DP), sendo que o mecanismo que leva a O objetivo dos métodos empregados para análise
esta falha é a redução da tensão de ruptura é sempre identificar os subprodutos existentes no
causada por vários tipos de defeitos, tais como: gás, tais como SOF2, SO2F2, HF, etc. procurando
vazios em isoladores, rugosidades, componentes relacionar a quantidade desses produtos ou a
em flutuação, poeira ou partículas metálicas no velocidade de formação dos mesmos, com algum
invólucro, os quais podem surgir durante a fenômeno (DP’s, partículas, vazamentos, etc.) que
fabricação, montagem ou operação da SIG. possa levar o equipamento a falhar [7].

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 550 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O problema encontrado na aplicação destes III.3. MÉTODOS ELETROMAGNÉTICOS

métodos é causado pelo fato do SF6 ser um gás Este método consiste na instalação de detectores
regenerativo, ou seja, após um determinado no interior da SIG acoplados a digitalizadores, os
período de tempo os subprodutos deixam de quais teriam a capacidade de captar ruídos,
existir. provenientes de quaisquer fontes. Utilizando-se de
malhas diferenciais o sistema teria a capacidade
de discernir entre ruídos internos e externos,
identificando com precisão o local do ruído e
III.2. MÉTODOS ACÚSTICOS através de programas computacionais o sistema
Certos defeitos internos em SIG’s geram ruídos pode tanto acompanhar a evolução do ruído como
audíveis ou em freqüência de ultra-som, sendo até dizer a causa.
que a detecção desses ruídos pode ser usada
como ferramenta para manutenção. Teoricamente este é o mais eficiente de todos os
métodos para identificar descargas parciais,
A técnica consiste em identificar uma fonte de sendo também eficiente para elaboração de
ruído anormal através de um detector sonoro. técnicas de manutenção preditiva, porém o grande
Como normalmente esses ruídos são problema é que se trata de um método invasivo,
provenientes de DP’s ou estão a elas associados, sendo necessário a colocação de sensores dentro
o seu monitoramento pode indicar a evolução do da SIG, o que nem sempre é possível.
estado interno do compartimento.
III.4. GAMAGRAFIA

Dentre os problemas que geram ruídos pode-se A gamagrafia é a técnica de se fotografar através
citar: partículas ou peças soltas no interior do da utilização de raios gama, este método não se
compartimento, componentes com vibração mostrou adequado para identificação de pequenos
mecânica, DP’s provocadas por diferenças de detalhes, nem para identificar fontes de DP’s.
potencial internas, como no caso de mau contato Pode ser utilizada para identificar defeitos maiores
entre condutores e blindagem e DP’s provocadas como peças quebradas no interior da blindagem.
por superfícies irregulares.
III.5. VIBRAÇÕES MECÂNICAS

O problema com estes métodos é que se Esta técnica tem como base o fato das fontes de

identificando um pequeno ruído, isto não indica a DP’s produzirem vibrações mecânicas, porém

necessidade de uma intervenção imediata, e como as SIG’s estão instaladas em locais sujeitos

ainda, o acompanhamento de sua evolução é a constantes vibrações, quer interna ao

bastante difícil, uma vez que os ruídos de fundo equipamento ou externa, é muito difícil de se fazer
não são constantes e tendem a mascarar os uma análise com esses ruídos mascarando o sinal

resultados. do defeito.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 551 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA REFERÊNCIAS
Devido às características construtivas do [1] A. Fihman. SF6 physical and chemical data.
equipamento blindado, não se consegue atuar em Merlin Gerin technical news, fascicule 3, 2nd half
apenas um equipamento, sem afetar pelo menos year 1976.
aqueles que estão interligados. Desta forma, uma
manutenção corretiva que exija a drenagem do [2] Y. Pelenc. SF6, circuit-breaker gas, the reasons
gás e a abertura da blindagem é complexa e why. Merlin Gerin technical news, fascicule 1, 2nd
relativamente demorada. half year 1976.
Dependendo do arranjo da subestação as
manutenções podem comprometer seriamente a
continuidade do abastecimento de energia, devido [3] M. Dubsis. SF6, the dielectric gas. Merlin Gerin
a esse fator deve-se dar uma maior ênfase às technical news, fascicule 2, 2nd half year 1976.
manutenções preventivas, procurando assim
evitar as corretivas. [4] E. Rufato Jr. Tecnologia de equipamentos em
SF6. Monografia, Universidade Federal do Paraná.
V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA 1994.
Hoje em dia, já se dispõe de equipamentos
bastante eficientes na detecção de falhas como [5] M.F. Latini, G.C Brito Jr., P.H. Teixeira, J.P.
DP’s e partículas soltas dentro da blindagem o Nunes e J.F. de Souza. Manutenção preditiva em
que vem colaborar em muito com a realização de subestação isolada a gás SF6. Manutenção
manutenções preventivas [8]. mar/abr 93, pág. 29-35.

E ainda, estão sendo desenvolvidos diversos [6] W. Ziomek, M. Reformat and E. Kuffel.
trabalhos nas áreas de inteligência artificial e Application of Genetic Algorithms to Pattern
reconhecimento de padrões que vêm contribuir Recognition of Defects in GIS. IEEE Transactions
com o diagnóstico de falhas baseado em diversos on Dielectrics and Electrical Insulation (TDEI). Vol.
métodos [6]. 2 No. 2, April 2000. pp. 161-168.

Levando isso em consideração, juntamente com o [7] C. Beyer, H. Jenett and D. Klockow. Influence
rápido desenvolvimento de equipamentos de of Reactive SFx Gases on Electrode Surfaces after
medição muito mais precisos e eficientes, pode-se Electrical Discharges under SF6 Atmosphere.
estimar uma vida útil econômica de 35 anos para IEEE TDEI. Vol. 7 No. 2, April 2000. pp. 234-240.
uma subestação isolada a gás SF6.
[8] M.S. Indira and T.S. Ramu. Motion of
Conducting Particles Causing Inadvertent Outages
in GIS. IEEE TDEI. Vol. 7 No. 2, April 2000. pp.
247-253.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 552 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
[9] Y. Takahashi. Diagnostic Methods for Gas-
Insulated Substations. IEEE Transactions on
Electrical Insulation. Vol. EI-21 No. 6, December
1986. pp. 1037-1043.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 553 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Subestação Unitária

RESUMO equipamentos de medição muito mais precisos e


A subestação elétrica constitui parte de um eficientes, e os diversos equipamentos que se
sistema de potência, concentrada em um dado encontram na subestação. Pode-se estimar uma
local, compreendendo primordialmente as vida útil econômica de 28 anos para uma
extremidades de linhas de transmissão e/ou de subestação elétrica.
distribuição, com os respectivos dispositivos de
manobra, controle e proteção, incluindo as obras I. INTRODUÇÃO
civis e estruturas de montagem, podendo incluir Segundo a norma NBR5460, a subestação
também transformadores, equipamentos elétrica constitui parte de um sistema de potência,
conversores e/ou outros equipamentos. Podem concentrada em um dado local, compreendendo
ser divididas em: subestação transformadora, primordialmente as extremidades de linhas de
conversora, de manobra, de distribuição e de transmissão e/ou de distribuição, com os
transmissão. O esquema elétrico, ou arranjo, de respectivos dispositivos de manobra, controle e
uma subestação é definido a partir do nível de proteção, incluindo as obras civis e estruturas de
confiabilidade desejado, tem-se os seguintes montagem, podendo incluir também
arranjos de barra comumente encontrados no transformadores, equipamentos conversores e/ou
sistema elétrico: barra simples, barra principal e outros equipamentos.
de transferência e barra dupla. Os principais
equipamentos de manobra encontrados em uma Logo, as subestações elétricas atendem às
subestação são as chaves e disjuntores. Nas necessidades de transformação, controle e
subestações também tem-se os transformadores distribuição da energia elétrica, podendo ser
de potência, o sistema de medição e proteção divididas nas seguintes categorias:
juntamente com os transformadores de corrente e • Subestação Transformadora: subestação
de potencial. As técnicas de manutenção que modifica o nível de tensão da energia
aplicadas às subestações elétricas são de acordo elétrica, entre a entrada e saída, podendo
com o equipamento inspecionado. Por exemplo, ser: abaixadora, quando o nível da tensão
para os transformadores de potência os principais de saída é menor que a de entrada, ou
métodos de manutenção preditiva aplicados são a elevadora, quando o nível da tensão de
análise cromatográfica e físico-química do óleo saída é maior que a de entrada;
isolante. Portanto para se ter uma boa estimativa • Subestação Conversora: subestação que
da vida útil de uma subestação tem que ser converte energia elétrica de uma forma a
levado em consideração, o desenvolvimento de outra, podendo ser: conversora de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 554 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
corrente, quando converte energia elétrica sua importância também se evidencia quando da
de corrente alternada para corrente necessidade de ações corretivas sob falta.
contínua e vice-versa, ou conversora de
freqüência, quando converte energia As subestações devem ter suas ações e
elétrica em corrente alternada com uma comandos coordenados a partir de programas e
freqüência para energia elétrica em filosofias de operação, em conformidade com as
corrente alternada com outra freqüência; informações coletadas pelos sistemas de medição
• Subestação de Manobra: subestação e proteção.
destinada a modificar a configuração de
um sistema elétrico, mediante manobras Os sistemas de medição e proteção são de
de linhas de transmissão, se esta incluir fundamental importância na análise das ações
reguladores de tensão, então é chamada que devem ser tomadas durante a operação e o
de subestação de manobra reguladora; restabelecimento das subestações elétricas [5].
• Subestação de Distribuição: subestação
abaixadora que alimenta um sistema de As principais normas técnicas brasileiras
distribuição de energia elétrica; relacionadas são:
• Subestação de Transmissão: subestação • NBR11191 – Subestações de distribuição
transformadora na qual entram e saem tipo I-69-34,5 ou 13,8 kV, até 5 MVA e 34,5
linhas de transmissão. kV, 13,8 kV até 3,75 MVA - Diagramas
unifilares e arranjos de subestações
Dentro da subestação elétrica, existem inúmeras (11/1989): Padroniza diagramas unifilares
maneiras de se promover às ligações entre os e arranjos de subestações de distribuição
vários componentes que a compõe, estas ligações tipo I;
elétricas definem o arranjo, ou topologia, da • NBR9523 – Subestações de distribuição
subestação. (06/1995): Classifica subestações de
distribuição de concessionárias de energia
Sendo assim as características operativas de uma elétrica, levando em conta seus projetos,
subestação são definidas pelos equipamentos de arranjos típicos, configurações elétricas,
manobra e pelo seu arranjo de barra. Cada tipos de carga, potências instaladas e
arranjo possui suas vantagens e desvantagens, tensões nominais;
sendo que cada um deles é mais adequado a um • NBR5460 – Sistemas elétricos de potência
certo tipo de aplicação. – Terminologia (04/1992): Define termos
relacionados com sistemas elétricos de
Os equipamentos de manobra, chaves e potência, explorados por concessionários
disjuntores, permitem que conexões e/ou de serviços públicos de energia elétrica,
desconexões sejam feitas entre os vários sob os pontos de vista de: geração de
componentes de um sistema elétrico, sendo que energia elétrica, especialmente em usinas

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 555 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
hidrelétricas e usinas termelétricas a somente pode ser feita em uma única barra. Esse
vapor; transmissão e distribuição de esquema é de todos o de menor custo, sendo
energia elétrica; operação e manutenção também o mais limitado em termos operativos,
dos sistemas. pois todos os circuitos operam em paralelo.

II. CARACTERÍSTICAS II.1.2. Barra Principal e de Transferência

As principais características das subestações, Quando uma subestação possui, além de uma

bem como os principais equipamentos elétricos barra principal, uma barra para auxiliar as

encontrados em uma subestação, serão manobras necessárias a liberação de disjuntores

apresentadas a seguir para a manutenção, tem-se a configuração


denominada barra principal e de transferência.
II.1. ARRANJO DE BARRA

O esquema elétrico ou arranjo de uma subestação Neste tipo de arranjo embora a subestação
é definido a partir do nível de confiabilidade possua fisicamente duas barras, do ponto de vista
desejado, ou seja, do objetivo de se manter o operacional continua sendo um esquema de barra
compromisso de fornecimento de energia elétrica simples, já que a barra de transferência não pode
aos consumidores [1] [2]. ser usada para interligar circuitos, sendo
operacionalmente apenas um prolongamento da
Os principais fatores que influenciam na escolha barra principal. E ainda, este esquema possui um
do arranjo de barra são: disjuntor de transferência entre as duas barras,
• A possibilidade de divisão da rede, por que assume qualquer um dos circuitos cujo
exemplo, para reduzir a potência de curto- disjuntor esteja em manutenção.
circuito;
II.1.3. Barra Dupla
• A sensibilidade e reação dos
consumidores em caso de interrupção do Os esquemas de barra dupla são aqueles nos

fornecimento de energia; quais a subestação tem o barramento composto

• A influência mútua dos consumidores em por duas barras, às quais podem ser ligados
alternativamente todos os circuitos da subestação.
caso de flutuações de tensão;
• Segurança do sistema elétrico, de
Pode-se usar simultaneamente as duas barras e
equipamentos e de pessoas;
fazer diversas combinações dos circuitos entre si.
• Facilidade de manutenção [3].
E ainda, este tipo de arranjo possui um disjuntor
de acoplamento ligado entre a barra 1 e a barra 2,
Os principais arranjos de barra são:
que funciona como disjuntor de transferência.

II.1.1. Barra Simples

Os esquemas de barra simples são aqueles em


que a interligação dos circuitos da subestação

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 556 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Normalmente o arranjo de barra dupla aplica-se a II.2.2. Disjuntores

interligações importantes onde não se pode A principal função dos disjuntores é a interrupção
sacrificar a segurança do sistema elétrico. de correntes de falta tão rapidamente quanto o
possível, de forma a limitar a um mínimo os
II.2. EQUIPAMENTOS DE MANOBRA possíveis danos causados aos equipamentos
Os principais equipamentos de manobra são: pelos curtos-circuitos.

II.2.1. Chaves Além das correntes de falta, o disjuntor deve ser


As chaves podem ser classificadas de acordo com capaz de interromper correntes normais de carga,
suas características e funções que desempenham correntes de magnetização de transformadores e
nas subestações de alta tensão: reatores, e as correntes capacitivas de bancos de
• Seccionadoras: não podem operar em capacitores e de linhas em vazio. E ainda, o
carga; servem para contornar (baipassar) e disjuntor deve ser capaz de fechar circuitos
isolar equipamentos, como disjuntores e elétricos não só durante condições normais de
capacitores série, para a execução de carga como na presença de curtos-circuitos [4].
manutenção ou por necessidade operativa
e manobrar circuitos entre os barramentos II.3. SISTEMA DE MEDIÇÃO

de uma subestação; A aplicação de equipamentos de medição em


• Chaves de terra: servem para aterrar sistemas elétricos tem como objetivo permitir a
componentes do sistema em manutenção observação e o registro das grandezas elétricas e
ou linhas de transmissão, barramentos ou não-elétricas, fornecendo elementos necessários
bancos de capacitores em derivação; à operação do sistema. E ainda, possibilita a
• Chaves de operação em carga: servem atuação preventiva e corretiva a fim de garantir o
para abrir e/ou fechar determinados fornecimento de energia aos consumidores com a
circuitos em carga e manobrar bancos de qualidade adequada [7].
reatores e de capacitores;
• Chaves de aterramento rápido: necessitam As medidas elétricas em uma subestação devem,
de tempos de fechamento extremamente portanto, existir em qualidade e quantidade
rápidos, exigindo quase sempre suficientes às necessidades da subestação a ser

acionamento por explosivos; servem para supervisionada, viabilizando o acesso aos dados
aterrar determinados componentes necessários à sua operação e à correção de suas
energizados, normalmente com o objetivo falhas.
de provocar uma falta intencional na rede,
de forma a sensibilizar os sistemas de As principais grandezas observadas para a
proteção [4]. operação de uma subestação são:
• Tensão: contribui para permitir a operação
de equipamentos e instalações; observar e

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 557 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
respeitar as restrições de isolamento que se coloca no secundário. Desta forma a
impostas pelos equipamentos da corrente que circulará no primário dos
subestação; fornecer dados para o ajuste e transformadores de corrente é ditada pelo circuito
atuação dos equipamentos de controle de de potência, ou circuito primário [4].
tensão e compensação de reativo.
• Corrente: contribui para permitir a II.3.2. Transformadores de Potencial

operação de equipamentos e instalações; Os transformadores de potencial têm a finalidade


permitir o controle do carregamento de de isolar o circuito de baixa tensão (secundário)
equipamentos face às suas restrições do circuito de alta tensão (primário), e ainda de
operativas; reproduzir os efeitos transitórios e de regime

• Fator de potência: contribui para avaliar as permanente do circuito de alta tensão o mais

condições operativas do sistema elétrico; fielmente possível no circuito de baixa tensão [4].
permitir o gerenciamento da carga;
II.4. SISTEMA DE PROTEÇÃO
identificar a necessidade de compensação
de reativos; Os sistemas elétricos defrontam-se com
perturbações e anomalias de funcionamento que
• Freqüência: contribui para fornecer dados
para o ajuste e atuação dos equipamentos; prejudicam a qualidade do serviço e as próprias
instalações elétricas, sendo assim a aplicação de
permitir o restabelecimento de partes do
equipamentos de proteção objetiva assegurar, o
sistema desligadas pelo sistema de alívio
de cargas [8]. melhor possível, a continuidade de alimentação
dos usuários e salvaguardar o material e
instalações da rede [6].
Os medidores e relés de proteção das
subestações são atuados por tensões e correntes
supridas por transformadores de potencial (TP) e No cumprimento dessas missões a proteção deve
tanto alertar os operadores em caso de perigo não
de corrente (TC). A função dos TP e TC é
imediato, como retirar de serviço a instalação se
transformar as correntes e tensões do sistema de
potência em magnitudes menores, e fornecer há, por exemplo, um curto-circuito que arriscaria
danificar um equipamento ou afetar toda rede [7].
isolação galvânica entre o sistema de potência e
os relés de proteção e instrumentos de medição.
Nos estudos de proteção de um sistem a elétrico,

II.3.1. Transformadores de Corrente devem ser examinados três aspectos importantes:

Os transformadores de corrente têm o seu • Operação normal do sistema;

enrolamento primário ligado em série com o • Prevenção contra falhas elétricas;


circuito de alta tensão. A impedância do TC, vista • Limitação dos defeitos devidos às falhas.
do lado do enrolamento primário, é desprezível,
comparada com a do sistema ao qual estará A proteção por meio de relés vem contribuir com o
instalado, mesmo que se leve em conta a carga terceiro aspecto, e tem como função principal

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 558 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
promover uma rápida retirada de serviço de um Tabela 1 – Principais Relés enc ontrados nas
elemento do sistema quando esse sofre um curto- subestações
circuito, ou quando ele começa a operar de modo ASA Relé de ...
anormal que possa causar danos ou, de outro 21 Distância
25 Conferência de sincronismo
modo, interferir com a correta operação do resto
26 Temperatura do óleo
do sistema. E ainda, tem como função secundária 27 Subtensão
promover a indicação da localização e do tipo de 32 direcional de potência
49 Temperatura do enrolamento
defeito.
50 Sobrecorrente instantâneo
51 Sobrecorrente temporizado
Os relés de proteção são constituídos por um 59 Sobretensão
62 Interrupção ou abertura temporizada
elemento sensor, ou detector, um elemento 63 Gás
comparador e de um elemento de controle, são 64 Proteção de terra
dispositivos por meio dos quais um equipamento 67 Direcional de sobrecorrente CA
78 Proteção contra falta de sincronismo
elétrico é operado quando se produzem variações 79 religamento CA
nas condições deste equipamento ou do circuito 81 Freqüência
em que ele está ligado, ou em outro equipamento 87 Proteção diferencial

ou circuito associado.
As técnicas de manutenção aplicadas às
subestações elétricas são de acordo com o
Esses relés supervisionam constantemente
equipamento inspecionado, abaixo serão
grandezas dos sistemas elétricos, tais como:
comentados os principais equipamentos
tensão, corrente, freqüência, etc., e grandezas
inspecionados nas subestações [9]:
inerentes aos próprios equipamentos, por
exemplo: temperatura.
III.1. TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA

As principais técnicas de manutenção preditiva


Na Tabela 1 são apresentados os principais relés
aplicada aos transformadores de potência:
encontrados em subestações:
• Análise cromatográfica dos gases
dissolvidos no óleo isolante, os gases mais
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA E
significativos produzidos pela
PREVENTIVA
decomposição do óleo são o hidrogênio
A manutenção preditiva é uma atividade de (H2), metano (CH4), etano (C2H6), etileno
inspeção, controle e ensaio, realizada em um (C2H4), acetileno (C2 H2), sendo que a
item, sem indisponibilidade operativa, com o
quantidade desses gases está relacionada
objetivo de se predizer/estimar o ponto ótimo para com os defeitos internos;
a intervenção da manutenção preventiva não-
• Ensaios físico-químicos do óleo isolante:
sistemática.
teor de água, rigidez dielétrica, tensão
interfacial, fator de perdas e acidez, sendo

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 559 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
que cada ensaio está associado a defeitos • Isolamento CC;
internos. • Fator de potência;
• Funcionamento dos contadores de
Os principais serviços de manutenção preventiva descargas;
são: • Isolamento CC das bases isoladas;
• Inspeção detalhada nos circuitos de • Inspeção completa.
controle e fiação, vazamentos em buchas,
válvulas e tubulações; III.4. TRANSFORMADORES DE POTENCIAL E DE
• Manutenção no comutador de TAP sob CORRENTE

carga do transformador; Os principais serviços de manutenção preventiva


• Verificação do correto funcionamento do são:
niveostato, incluindo simulação de alarme • Isolamento CC dos enrolamentos primários
para nível mínimo. e secundários;
• Fator de potência do enrolamento primário;
III.2. DISJUNTORES • Limpeza e reaperto dos terminais primários
As novas técnicas de manutenção preditiva que e secundários;
estão sendo introduzidas como auxílio nas • Substituição da sílica-gel, se houver;
manutenções preventivas são: • Inspeção completa.
• Monitoramento do percurso do contato
principal; III.5. SISTEMAS DE PROTEÇÃO
• Monitoramento da corrente interrompida; Basicamente, os dispositivos de proteção
• Monitoramento de entrada e saída de apresentam dois modos de falha: falha em operar
comandos. na presença de uma demanda operacional e
operação desnecessária na ausência de demanda
Os principais serviços de manutenção preventiva operacional.
são:
• Isolamento CC; A manutenção preventiva desses equipamentos
• Resistência de contato; depende do tipo de tecnologia utilizada e
• Limpeza e lubrificação do mecanismo de geralmente envolve a aferição e calibração dos
comando; mesmos, com periodicidade que varia de dois a

• Simulação da atuação das proteções. quatro anos.

III.3. PÁRA-RAIOS IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


A principal técnica de manutenção preditiva Hoje em dia, já se dispõe de sistemas de
aplicada aos pára-raios é a inspeção por automação aplicados em subestações elétricas o
termografia, e os principais serviços de que vem contribuir com o processo de medição e
manutenção preventiva são:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 560 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
verificação da atuação das proteções e alarmes [5] A.R. Aoki. Planejador Inteligente para o
das subestações. Restabelecimento de Subestações Elétricas.
Dissertação, Escola Federal de Engenharia de
E ainda, estão sendo desenvolvidos diversos Itajubá, 1999.
trabalhos utilizando técnicas de inteligência
artificial e reconhecimento de padrões que vêm [6] S.H. Horowitz; A.G. Phadke. Power System
contribuir com o diagnóstico de falhas ocorridas Relaying – Second Edition. Research Studies
em subestações elétricas, e até na correção das Press, 1995.
mesmas.
[7] J.A. Jardini. Sistemas digitais para automação
Portanto para se ter uma boa estimativa da vida da geração, transmissão e distribuição de energia
útil de uma subestação tem que ser levado em elétrica. São Paulo, s.ed., 1996.
consideração, o desenvolvimento de
equipamentos de medição muito mais precisos e [8] G.M. Ribeiro. Sistemas Especialistas para
eficientes, e os diversos equipamentos que se Restabelecimento Automático de Subestações.
encontram na subestação. Pode-se estimar uma Dissertação, Escola Federal de Engenharia de
vida útil econômica de 28 anos para uma Itajubá, 1993.
subestação elétrica.
[9] J.R.D. Fonseca. Manutenção Preventiva e
REFERÊNCIAS Preditiva de Equipamentos de Alta e Média
[1] A.A. Menezes. Subestações e Pátio de Tensão. 14° Congresso Brasileiro de Manutenção.
Manobras de Usinas Elétricas – Volume 1. Foz do Iguaçu, 1999.
Conquista, 1976.

[2] A.A. Menezes. Subestações e Pátio de


Manobras de Usinas Elétricas – Volume 2.
Conquista, 1977.

[3] J.M. Bifulco. How to estimate construction


costs of electrical power substations. Van
Nostrand Reinhold Company, 1973.

[4] A. D’Ajuz, et alli. Equipamentos Elétricos –


especificação e aplicação em subestações de alta
tensão. Rio de Janeiro, Furnas, 1985.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 561 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Suprimento e Tratamento D’Água

RESUMO ou se encaminha para esta direção.


A expansão da geração por termelétricas é uma Independentemente do tipo de combustível, há de
realidade no Brasil. Até o início deste ano havia, se suprir estas instalações com água tratada para
segundo a ANEEL, pedidos de análise para a geração de vapor de alta qualidade para melhor
estudos de viabilidade, implantação ou ampliação desempenho da instalação. O tratamento externo
de capacidade de aproximadamente 23 mil MW. A da água de alimentação, com reagentes, é o mais
proximidade de grandes mercados consumidores adequado, eficiente e de maior confiabilidade para
de eletricidade, linhas de transmissão capazes de todos os tipos de caldeiras. No Brasil, já existem
absorver grandes produções ou mesmo a centrais operando há mais de 30 anos e em bom
existência de gasodutos, prontos ou em estado de conservação. Desta forma, um valor de
construção, fazem com que, aproximadamente, vida útil econômica de 25 anos para sistemas de
80% desta capacidade esteja concentrada na tratamento de água é bastante viável e aceitável.
Região Sudeste, sendo mais da metade deste
percentual previsto para os estados de São Paulo I. INTRODUÇÃO
e Rio de Janeiro. Considerando a previsão da As águas utilizadas para alimentação de caldeiras
capacidade a ser instalada de 23 mil MW e provêm de fontes naturais como rios, lagos,
sabendo-se que uma instalação termelétrica córregos ou de outros mananciais. De acordo com
convencional tem um consumo específico de sua procedência, estas podem conter, em
vapor (água) de aproximadamente 3 kg/kWh, concentrações diversas, vários produtos
enquanto que, para uma central nuclear, este dissolvidos ou em suspensão.
valor é o dobro, deve-se estar bastante atento
para o suprimento de água de alimentação da Estas águas contêm impurezas como compostos
caldeira, sem nos esquecermos que a esta deve- minerais, matérias orgânicas e inorgânicas, além
se acrescentar algo em torno de 90 kg/kWh de de gases dissolvidos.
água de resfriamento em circulação aberta de
centrais operando em ciclo a vapor simples. Desta Ao se evaporarem, haverá a liberação de gases
forma, além de condicionantes ambientais, esta dissolvidos existentes ou decorrentes da
concentração de geração próxima dos grandes decomposição de matéria orgânica, além dos
centros de carga pode vir a ser problema, pois, via resíduos minerais. Estes resíduos formam
de regra, as disputas associadas aos múltiplos depósitos com aderências de diferentes tipos, tais
usos da água, em conseqüência da redução da como lodo, de fácil remoção, ou as chamadas
disponibilidade e da qualidade, já é um problema incrustações que se incorporam a parte metálica

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 562 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
na forma de resíduos resistentes, de remoção • Sólidos em suspensão (areias, argilas,
mais difícil. matérias orgânicas colóides);
• Líquidos insolúveis (óleo, graxas, sabões);
Estas incrustações, além de gerar uma redução • Gases dissolvidos (inertes como N2 ou
na vazão, aumentar a perda de carga, contribuem agressivos como O2, CO2, SO2).
de maneira significativa, por serem fracos
condutores de calor (aproximadamente 5% da III. CORROSÃO
capacidade do aço), para a queda da Outro ponto importante a ser observado é quanto
transferência de calor dos gases produtos da ao problema da corrosão. O contato de um metal
combustão para a água. com a água gera a oxidação dos seus elementos,
fenômeno conhecido como ferrugem. Se
Observa-se, então, que estes depósitos devidamente tratada, a ferrugem em si não é
incrustantes permitem uma forte concentração de problema, mas, ao se trabalhar com altas
calor (hot points) na parede dos tubos, que temperaturas, a ferrugem passa rapidamente para
provoca a redução da resistência do material e, um estado de corrosão, chamado de ferrugem
conseqüentemente, da vida útil da instalação e avançada.
pode vir a causar a sua ruptura (golpe de
fogo/efeito laranja), com alto risco à segurança de Esta corrosão retira partículas da superfície do
todos que, direta ou indiretamente, convivem com metal de uma maneira geral ou causa o fenômeno
uma termelétrica. conhecido como “pitting” ou “corrosão localizada”.
Não podemos nos esquecer de mencionar a
É claro que, diante de uma situação de trabalho corrosão galvânica que é conseqüência do fato de
que prejudica a transmissão de calor entre os dois metais diferentes, como cobre e aço, na
fluidos do processo, o gerador de vapor passa a presença de água, passarem eletrodos de um ao
produzir menor quantidade de vapor e, outro devido à condução através da água, o que
conseqüentemente, a apresentar uma redução no reduz a superfície do metal.
seu rendimento térmico e, assim, um aumento no
consumo de combustível se faz notar para IV. ESCORVAMENTO
compensar esta queda de produção.
Deve ser considerada também a ação de uma
espuma criada na caldeira, conhecida como
II. CLASSIFICAÇÃO DAS INCRUSTAÇÕES escorvamento, que causa danos nas turbinas,
As impurezas normalmente encontradas nas uma vez que esta entra nas linhas de vapor.
águas de alimentação de caldeiras e que darão
origem às incrustações podem ser classificadas O escorvamento, no caso de instalações
em: termelétricas, é causado por um problema básico.
• Sólidos dissolvidos (ligeira ou altamente Quando produtos químicos são aplicados em
solúveis); maior quantidade do que o necessário, surge a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 563 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
espuma na superfície da água no interior da Uma vez que as principais impurezas
caldeira. Esta espuma, ao entrar na tubulação de provenientes das águas naturais são conhecidas,
saída do vapor da caldeira, acaba por formar uma foram propostos vários métodos simplificados
vedação no tubo. Esta vedação de espuma age para um controle rotineiro e que oferecem
como uma bomba de sucção e suga atrás de si resultados plenamente satisfatórios.
toda sujeira e espuma que estão na superfície da
água. A American Public Health Association, N.Y.,
propôs um destes métodos, o qual consiste em
O modo de se evitar o escorvamento é assegurar, determinarem-se valores de dureza, alcalinidade
através de uma manutenção e tratamentos fenolftaleínica, alcalinidade metil-orange, cloretos,
adequados, que a água não esteja contaminada, fosfatos e pH. Outras águas exigem a
obtendo-se isto através da utilização de produtos determinação de dados adicionais como: sólidos
de alta qualidade. totais, resíduo calcinado, matéria orgânica,
concentração de O2 livre e sílica.
V. ANÁLISE DAS ÁGUAS
A análise das águas de alimentação reveste-se de Cabe destacar que a sílica é a responsável pelas
importância cada vez maior, à medida que se incrustações mais difíceis de serem removidas
verifica um grande avanço na tecnologia do das superfícies metálicas.
tratamento dessas águas.
VI. TRATAMENTO DE ÁGUAS DE
Além da qualidade sempre crescente dos CALDEIRAS
produtos e equipamentos utilizados, a análise é Com o objetivo de impedir inconvenientes, como
condição essencial para o perfeito aproveitamento os citados anteriormente, deve-se melhorar a
dos mesmos, possibilitando maior vida útil. qualidade das águas de alimentação de caldeiras
através de processos capazes de colocá-las
Também o aspecto econômic o do tratamento é dentro de parâmetros e condições apropriadas à
controlado pela análise, a qual, mantendo os sua utilização. Assim têm-se:
valores ideais, evita as super dosagens, por vezes • Tratamento externo;
inconvenientes mesmo sob o ponto de vista • Tratamento interno;
técnico. • Tratamento combinado.

Apesar do exposto, uma análise completa, na O primeiro processo prepara a água antes de ela
rotina de controle diário não constitui uma prática, ser introduzida no gerador de vapor. O segundo
por se tratar de um trabalho demorado e pouco realiza as reações químicas para melhoria da
útil. qualidade no interior da própria caldeira.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 564 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
A aplicação de um ou outro processo depende A descarga é responsável pela manutenção da
das impurezas encontradas nas águas, mas, a concentração dos sais dentro dos limites
rigor, todo tratamento externo tende a completar apropriados e também elimina o lodo que se
as reações no interior da caldeira. acumula nas partes inferiores da caldeira.

No tratamento externo, utilizam-se processos para A descarga pode ser: descontínua e contínua.
abrandamento, visando a corrigir seu pH e
eliminar a dureza da água; processos de A descarga descontínua, também conhecida como
desmineralização para reduzir o teor de sólidos intermitente, é lançada toda no esgoto e,
totais; processos de degaseificação e processos normalmente, dura de 5 minutos a 15 minutos a
de remoção de sílica. cada 3,5 horas ou até 24horas. Ela é feita de
acordo com as necessidades de operação e
O tratamento interno é utilizado para águas não funcionamento do gerador de vapor, com o
turvas, de baixa dureza através da adição de objetivo de eliminar os depósitos em suspensão e
composições apropriadas, à disposição no reduzir a concentração de sólidos totais, solúveis
mercado, em função das impurezas, sendo, no na água interna.
entanto, o trifosfato de sódio o produto básico
destas composições. Por sua vez, a descarga contínua não é lançada
no esgoto, permanecendo, assim, no ciclo,
VII. MANUTENÇÃO passando, no entanto, primeiramente por um
Apesar do tratamento mais rigoroso que se possa trocador de calor, recuperador de entalpia da água
adotar, excetuando-se a destilação, é impossível de descarga e seguindo para o tratamento de
eliminar da água todas as impurezas nela água externo. Apesar de se manter durante todo o
existentes, principalmente os sais em solução. tempo de funcionamento da caldeira, a descarga
contínua não dispensa a utilização da descarga
Desta forma, com a geração de vapor, acumulam- descontínua, embora a reduza consideravelmente.
se estas impurezas até que a concentração atinja
valores do limite de solubilidade, havendo VIII. CARACTERÍSTICAS DA ÁGUA DE
precipitações que vêm causar as incrustações, ALIMENTAÇÃO DE CALDEIRAS
formação de espuma e arraste de partículas Tendo em vista o exposto anteriormente, sabemos
sólidas. que a água de alimentação de caldeiras deverá
possuir algumas características para o bom
Um procedimento, que concorre como auxiliar de desempenho da instalação.
manutenção preditiva, visando a aumentar a vida
útil da instalação como um todo, é realizar a Assim, é de se esperar, principalmente para
chamada descarga da caldeira. instalações que trabalham com pressões
elevadas, que todo fabricante deva prescrever as

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 565 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
condições mínimas exigíveis para a água, que se Tabela 2
introduz na caldeira e para a água dentro da Pressão Sólidos Alcali- Sólidos Sílica
caldeira. Totais nidade Suspensos

PSIG PPM PPM PPM PPM


Desta forma, as tabelas, a seguir, apresentam
0 - 20 3500 700 300 125
algumas destas prescrições.
21 – 30 3000 600 250 90
31 – 40 2500 500 150 50
A Tabela 1 estabelece a qualidade da água de
41 – 50 2000 400 100 35
alimentação da caldeira entre as pressões de 10 e
51 – 60 1500 300 60 20
100 kgf/ cm2. Acima destas pressões, as
61 –70 1250 250 40 8
exigências de qualidade são bem superiores,
71 – 100 1000 200 20 2,5
sendo prática dominante a adoção de água
101 – 140 750 150 10 1,0
destilada para acrescentá-la ao sistema fechado
>140 500 100 5 0,5
do ciclo térmico.

VI. VIDA ÚTIL ECONÔMICA


Tabela 1
Independentemente do tipo de caldeira ou da
Pressão pH Dureza Oxigênio Gás Carb.
proporção das impurezas, quando se tem uma
Dissolvido Dissolvido
produção de vapor superior a 4500 kg por hora,
ATM PPM PPM
caso típico das centrais termelétricas, deve existir
10 8 - 9 0,5 - - um sistema de tratamento d’água.
15 8 - 9 0,5 - -
20 8 - 9 0,5 0,02 0 Do mesmo modo, quando a água tem mais de 8
25 8 - 9 0,5 0,02 0 graus de dureza permanente ou mais de 18 graus
30 8 - 9 0,2 0,02 0 de dureza total, faz-se necessária a instalação do
40 8 - 9 0,2 0,02 0 sistema e, devido à sua importância para o bom
50 7,5 - 8 0,05 0,02 0 funcionamento da central, bem como pelo seu
60 7,5 - 8 0,02 0,02 0 próprio custo, deve ser bem cuidado no que diz
80 7,5 - 8 0,02 0,02 0 respeito à manutenção de todos os seus
100 7,5 - 8 0,02 0,02 0 equipamentos, o que contribui para aumentar sua
vida útil.
A “American Boiler and Affiliated Industries
Manufactures Association’s” estabelece as No Brasil, já existem centrais operando há mais
seguintes prescrições para a água de alimentação de 30 anos e em bom estado de conservação.
de caldeiras: Desta forma, um valor de vida útil econômica de
25 anos para sistemas de tratamento de água é
bastante viável e aceitável.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 566 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
REFERÊNCIAS
[1] Pera, H., Geradores de Vapor, Editora Fama
S/C Ltda., São Paulo, 1990.

[2] Torreira, R. P., Geradores de Vapor, Editora


Libris, São Paulo, 1995.

[3] Pull, E., Calderas de Vapor Editorial Gustavo


Gili, S.A., Barcelona,1989.

[4] Nordel, E., Water Treatment, Reinhold


Publishing Corporation, New York, 1965.

[5] Kohan, A.L.; Spring Jr., H.M., Boiler Operator’s


Guide, McGraw-Hill, Inc. New York, 1991.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 567 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Transformador de Aterramento

RESUMO influências na vida útil do equipamento, e ainda,


Um transformador de aterramento é um os critérios de manutenção adotados para estes
transformador usado com intuito de haver fluxo de transformadores, pode-se estimar uma vida útil
corrente do neutro para o terra. Por se tratar de econômica de aproximadamente 50 anos para
um dispositivo que trabalha em períodos muito este tipo de equipamento.
curto de tempo, o seu custo e seu tamanho são
menores que os de transformadores comuns. I. INTRODUÇÃO
Autotransformadores zig-zag também podem ser Um transformador de aterramento pode ser usado
usados como transformadores de aterramento. com a finalidade de se reduzir a impedância de
Neste tipo de conexão as impedâncias de seqüência zero, e conseqüentemente reduzir o
seqüência positiva e negativa podem ser deslocamento de neutro, ou ainda para aterrar um
consideradas iguais a Zm, sob condições normais sistema não aterrado. A impedância efetiva de um
de tensão, e, portanto podem ser consideradas enrolamento estrela-delta seria igual a impedância
infinitas. Observando-se os históricos de falhas de seqüência zero e apareceria como ramo em
desses equipamentos, nota-se que na verdade paralelo no diagrama de seqüência zero. Como
ocorrem defeitos em seus componentes e não a nenhuma corrente de seqüência positiva (a menos
falha do equipamento como um todo. Os da corrente de excitação) pode fluir neste sistema,
componentes instalados no corpo do o transformador não apareceria como uma
transformador, expostos a ação do tempo, chuva, impedância nem no diagrama de seqüência
calor, frio, apresentam um histórico grande de positiva, nem no de seqüência negativa.
falhas, segundo levantamento do setor elétrico.
Como estes equipamentos não estão expostos a Um transformador de aterramento é um
sobrecarregamento, não sofrem envelhecimento transformador usado com intuito de haver fluxo de
acelerado pela ação da temperatura. Assim, o corrente do neutro para o terra. A potência
fator que pode influir na forma de envelhecimento nominal de um transformador de aterramento
destes transformadores é o meio de isolação do trifásico, ou de um banco de aterramento, é o
óleo isolante com o meio ambiente, respiração produto da tensão normal de linha ao terra pela
livre, sílica-gel, membrana, etc. Em termos de corrente de neutro que o transformador está
manutenção, esses equipamentos sofrem projetado para conduzir sob condições de falta
inspeções e testes em períodos pré- durante um tempo especificado. O período de um
estabelecidos. Desta forma, considerando-se as minuto é geralmente utilizado para especificação
falhas características destes equipamentos e suas em transformadores de aterramento, entretanto

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 568 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
outras taxas previstas em norma podem ser Transformadores de aterramento, particularmente
especificadas dependendo da tarefa a ser em zig-zag, normalmente são projetados tal que a
realizada. Como se trata de um dispositivo que corrente nominal de neutro flua quando uma falta
trabalha em períodos muito curto de tempo o seu fase-terra sólida é aplicada aos terminais do
custo e seu tamanho são menores que os de transformador, assumindo que a tensão de
transformadores comuns. alimentação seja totalmente mantida. Isto é
equivalente a 100% da tensão de seqüência-zero
Autotransformadores zig-zag também podem ser imposta aos terminais do transformador
usados como transformadores de aterramento. resultando na circulação da corrente nominal de
Neste tipo de conexão as impedâncias de neutro.
seqüência positiva e negativa podem ser
consideradas iguais a Zm, sob condições normais Transformadores de potência convencionais
de tensão, e, portanto podem ser consideradas podem ser conectados para servirem como
infinitas. transformadores de aterramento, mas a corrente e
os valores de tempo para serviço de aterramento
Quando ocorre uma falta, a corrente de seqüência estão abertos para questionamentos dependendo
zero é igual e oposta em cada enrolamento de da forma e detalhes de construção. Quando esses
cada fase do transformador, e, portanto “verá" a valores modificados são desejados, eles devem
impedância de dispersão entre os enrolamentos. ser obtidos de fabricantes.
Logo, a impedância Z0 é igual em ohms à
impedância entre dois enrolamentos em cada II.1. IMPEDÂNCIAS ESTRELA-DELTA

fase. A impedância para correntes de seqüência-zero


em cada fase de um banco de aterramento
II. CARACTERÍSTICAS estrela-delta, solidamente aterrado, incluindo

A tensão nominal de um transformador de unidades monofásicas é igual a ZPS, a

aterramento é a tensão de linha para qual a impedância de fuga ôhmica entre um enrolamento

unidade é projetada. primário (estrela) e o correspondente enrolamento


secundário (delta):

Quando em operação em tensão trifásica nominal Z0 = ZPS

equilibrada, somente a corrente de excitação


circula nos enrolamentos de um transformador de A impedância percentual de seqüência-zero é

aterramento. Correntes de magnitudes normalmente expressa em termos de potência e


consideráveis começam a circular no circuito de tensão de linha:

aterramento somente quando uma falta Z PS .UG


Z0% =
envolvendo o terra ocorre no sistema conectado. 10kV 2
Onde:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 569 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
UG = (tensão de fase) X (corrente nominal Z PS .UG
Z0% =
de neutro) 10kV 2

Em um transformador de aterramento trifásico III. PRINCIPAIS FALHAS


estrela-delta, Z0 pode ser menor que ZPS por um Observando-se históricos de falhas desses
fator dependendo da forma de construção do equipamentos, nota que na verdade ocorrem
núcleo: uma fração típica de Z0 para ZPS é 0,85, defeitos em seus componentes e não falhas do
entretanto variações deste valor para diferentes equipamento como um todo.
projetos são possíveis.
Os componentes instalados no corpo do
II.2. IMPEDÂNCIAS ZIG-ZAG
transformador, expostos a ação do tempo, chuva,
A impedância para correntes de seqüência-zero calor, frio, apresentam um histórico grande de
em cada fase de um banco de aterramento zig- falhas, segundo levantamento do setor elétrico,
zag, solidamente aterrado, pode ser derivado devido ao ressecamento de juntas e oxidação de
teoricamente da figura: contatos, porém, no máximo eles podem causar o
desligamento do transformador, sem causar
danos a parte ativa ou diminuir o tempo de vida
útil destes equipamentos.

Como estes equipamentos não estão expostos a


sobrecarregamento, pois são dimensionados para
a carga no momento do projeto e esta carga
normalmente não é variável, não sofrem
envelhecimento acelerado pela ação da
temperatura.

O fator que pode influir na forma de


Figura 1: circuito equivalente de um transformador de envelhecimento destes transformadores é o meio
aterramento zig-zag
de isolação do óleo isolante com o meio ambiente,
respiração livre, sílica-gel, membrana, etc...
E 0 = I0 × Z ps − e p + e p

E 0
= Z 0 = Z PS
IV. MANUTENÇÃO PREVENTIVA E
I0
PREDITIVA
Mensalmente, o transformador sofre inspeção
A porcentagem da impedância de seqüência -zero
visual quanto a estanqueidade, fixação de
para a conexão zig-zag é normalmente expressa
componentes, estado da pintura, sinais de sobre-
em termos de potência e tensão fase-fase:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 570 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
aquecimento, conexões, fixação na base (quando Desta forma, considerando-se as falhas
for o caso). características destes equipamentos e suas
influências na vida útil do equipamento, e ainda,
Anualmente, além da inspeção mensal, é retirada os critérios de manutenção adotados para estes
uma amostra de óleo isolante para análise físico- transformadores, pode-se estimar uma vida útil
química e cromatográfica, e testada a atuação dos econômica de aproximadamente 50 anos para
dispositivos primários (relés de fluxo ou bucholz, este tipo de equipamento.
fins-de-curso, válvula de alívio, etc.).
REFERÊNCIAS
Além das inspeções e testes anteriores, [1] Electrical Transmission and Distribuition
quadrianualmente, faz-se ensaios elétricos Reference Book, Central Station Engineers of the
(capacitância, fator de potência, isolação DC, Westinghouse Electric Corporation, 4th edition,
relação de transformação, resistência ôhmica). 1950.

V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA [2] Cogo, J. R., e. Abreu, J. P. G, Transformador


No estudo da vida útil deste tipo de equipamento é de Aterramento, CEMAN-SE, Vol. 3, parte 4,
importante ressaltar a contribuição de cada falha 1983.
característica na redução ou não do tempo de
vida. Foi observado neste estudo os componentes [3] Informações coletadas de concessionárias e
do transformador que estão mais propensos a empresas do setor elétrico.
defeitos. São eles os componentes instalados no
corpo do transformador, expostos a ação do
tempo, chuva, calor, frio, devido ao ressecamento
de juntas e oxidação de contatos Contudo, no
máximo eles podem causar o desligamento do
transformador, sem causar danos a parte ativa ou
diminuir o tempo de vida útil destes equipamentos.
Além disso, como estes equipamentos não estão
expostos a sobrecarregamento, não sofrem
envelhecimento acelerado pela ação da
temperatura. Assim, o fator que pode influir na
forma de envelhecimento destes transformadores
é o meio de isolação do óleo isolante com o meio
ambiente, respiração livre, sílica-gel, membrana,
etc.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 571 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Transformador de Distribuição

RESUMO um trabalho de reforma e melhoramento da rede


Os transformadores de distribuição são de distribuição com a substituição do
equipamentos elétricos que, por indução transformador, e caso necessário, realizar
eletromagnética, transforma tensão e corrente também o recondutoramento da rede de
alternada entre dois ou mais conjuntos de espiras distribuição. Deve-se realizar também as
(enrolamentos), com a mesma frequência e, inspeções periódicas a cada 12 meses, medição
geralmente, com valores diferentes de tensão e da resistência e retirada de uma amostra do óleo
corrente. Os transformadores são dimensionados isolante a cada 5 anos e uma revisão completa
para funcionarem sob determinadas condições de com 10 anos de utilização. Com isso a expectativa
carga e temperatura dos enrolamentos acima da de vida útil destes transformadores é de 20 anos.
temperatura ambiente. A operação dos
transformadores com cargas e temperaturas I. INTRODUÇÃO
acima dos especificados irá afetar no valor da vida Os transformadores de distribuição são
útil do equipamento. Esta redução na expectativa equipamentos elétricos que, por indução
de vida do transformador se dará devido, eletromagnética, transforma tensão e corrente
principalmente, à deterioração da isolação em alternada entre dois ou mais enrolamentos, sem
função do tempo e da temperatura. O alteração da frequência.
transformador poderá funcionar com a carga
máxima programada de 150% e com a carga A temperatura ambiente é um fator para a
máxima de emergência de 200%, desde que não limitação da capacidade de carga do
existam as seguintes limitações: capacidade transformador de potência, pois com esta
térmica dos enrolamentos, capacidade do sistema temperatura se determina a temperatura do ponto
de refrigeração, expansão do líquido isolante, mas quente do enrolamento.
pressão nas unidades seladas, fluxo de dispersão,
buchas, conexões, comutadores de derivação e Os transformadores, usualmente, operam em um
outros. Qualquer um destes itens pode limitar o ciclo de carga que se repete a cada 24 horas.
carregamento e o fabricante do transformador Este ciclo de carga pode ser constante ou poderá
deverá ser consultado sobre estes limites. Para o ter um ou mais picos durante o período.
bom funcionamento dos transformadores de
distribuição deve-se utilizar dentro dos limites
recomendados de carregamento de potência, e
quando estes limites forem ultrapassados realizar

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 572 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II. CARACTERÍSTICAS GERAIS 6 Armadura
Os transformadores de distribuição são 7 Núcleo
dimensionados para operar sob as seguintes 8 Bobinas
condições normais: 8.1 – Bobinas de tensão inferior
• Altitude de até 1000 metros; 8.2 – Bobinas de tensão superior
• Temperatura máxima do meio de 9 Tanque

resfriamento; de 40ºC e média diária não 9.1 – Olhal de suspensão

superior a 30ºC para o resfriamento a ar; 9.2 – Radiador

• Temperatura máxima do meio de 9.3 – Suporte para fixação

resfriamento; de 30ºC e média diária não 10 Bucha de tensão inferior

superior a 25ºC para o resfriamento a 10.1 – Terminal de tensão inferior

água. 11 Placa de identificação


12 Dispositivo de aterramento.

Para as condições especiais de funcionamento,


estes transformadores exigem uma construção
especial e/ou revisão de alguns valores nominais,
instalação e deverão ser levadas ao conhecimento
do fabricante.

III. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS


Antes do iniciar-se os comentários sobre a vida
útil dos transformadores será realizado uma breve
apresentação das partes componentes deste
equipamento. Este procedimento tem por objetivo
mostrar todos os acessórios que compõem um
transformador. A Figura 1 a seguir mostra os
aspectos principais de um transformador em corte,
mostrando suas principais partes componentes.

Seguindo a numeração da Figura 1 pode-se


identificar as partes:
1 Bucha de tensão superior
1.1 - Terminal de tensão superior
2 Tampa
3 Abertura para inspeção
4 Guarnição Figura 1 – Transformador em corte
5 Comutador

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 573 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
O sistema de isolamento de um transformador de disco, conforme recomendado pela ASTM,
distribuição é o fator que irá determinar a vida útil método D877.
do equipamento, é constituída basicamente por • Fator de potência: É medido como sendo o
dois tipos: A isolação denominada sólida que é cosseno do ângulo de fase ou seno do
constituída de papel de natureza molecular ângulo de perdas do mesmo. Este valor
celulósica e a parte líquida que é composta pelos aumenta na medida em que ocorre a
óleos minerais e os ascaréis. deterioração do óleo isolante. Esta
mediada revela a intensidade da corrente
Os principais tipos de papel empregados como que flui através do óleo à medida em que
isolante em transformadores são o papel kraft e o aumenta a sua contaminação.
papelão kraft (derivado da fibra de madeira), o
papel manilha (composto por fibras de madeira e Os ascaréis são um grupo de hidrocarbonetos
cânhamo), pressboard (composto de papelão com clorados, sintéticos altamente resistentes ao fogo
fibra de algodão) e o prespan. Todos esses e com excelentes características isolantes.
materiais possuem a característica de Atualmente os ascaréis não são utilizados mais
apresentarem alta resistência de isolamento em equipamentos elétricos uma vez que ficou
quando secos, ou seja na faixa de 0,5% a 1% de comprovado que resulta em sérios problemas de
umidade, além de serem altamente higroscópicos. saúde às pessoas que entram em contato com
este produto.
O óleo mineral é utilizado nos equipamentos
elétricos que necessitem de um meio com elevada A propriedade de condutibilidade dos materiais
resistência de isolamento, como é o caso dos depende da disponibilidade de um grande número
transformadores. A fonte primária de produção do de elétrons na banda de condução. A aplicação de
óleo mineral é o petróleo. O óleo mineral isolante um campo elétrico resultante de uma diferença de
para que seja utilizado para este fim tem de ser potencial resulta em um fluxo de elétrons,
observado algumas características físicas como: orientado segundo a polaridade do campo elétrico
ponto de fulgor, ponto de fluidez, densidade, aplicado. Os materiais isolantes têm um número
viscosidade, ponto de anilina tensão interfacial, e muito reduzido de elétrons livres na banda de
principalmente a sua solubilidade em água. condução. Uma grandeza que revela esta
condição é a resistência específica (ρ) dos
As características elétricas que devem ser materiais. O cobre que é um bom condutor,
observadas no óleo isolante são: apresenta uma resistividade específica da ordem
• Rigidez dielétrica: É medida pelo valor da de 1,7 10-6 [Ω][cm], enquanto a dos materiais
tensão alternada para qual ocorre a isolantes é da ordem de 101 5 [Ω][cm]. Os materiais
descarga disruptiva na camada de óleo isolantes são constituídos de matérias orgânicas,
que está entre dois eletrodos em forma de que contém impurezas, que podem ser ionizáveis,
conduzindo corrente elétrica.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 574 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Existem também moléculas polarizadas, cujos os dielétrico. Esta corrente possui
átomos têm uma afinidade polar. Uma parte das características que podem indicar o
moléculas polarizadas tem carga positiva e as comportamento do isolante quando em
outras negativas. Por influência de um campo operação. Uma corrente de dispersão
elétrico as moléculas polares giram orientando-se constante, com tensão DC constante no
no material. A molécula de celulose, substância tempo, aplicada ao isolante, revela que a
que compõe grande parte da isolação dos isolação tem capacidade para resistí-la.
transformadores e máquinas girantes, possui Por outro lado se a corrente aumentar com
-
grupos funcionais bipolares do tipo oxidrila (OH ), o tempo de aplicação da tensão, é
que lhe confere a qualidade de bom isolante provável que a isolação venha a falhar.
quando seca. • A corrente de absorção. Esta corrente está
relacionada principalmente com o
A penetração de água no isolante, resulta na fenômeno da polarização nas interfaces do
dissociação de suas impurezas ionizáveis dando dielétrico.
origem a íons, que criam uma condição favorável
para a passagem de corrente elétrica, em outras No início da aplicação da tensão, seu valor é mais
palavras há um aumento na sua condutividade. elevado e decresce com o tempo de aplicação da
No entanto, as isolações elétricas dos tensão. O fenômeno do reaparecimento da tensão
transformadores não são homogêneas por serem nos terminais de um capacitor após a remoção do
formados de materiais com diferentes curto circuito para descarregá-lo é atribuída ao
características dielétricas. Que se sobrepõem em fenômeno da absorção dielétrica. Por esse motivo
camadas e, em cujas interfaces podem localizar o isolante sob teste deve permanecer curto-
moléculas ionizáveis. circuitado por tempo suficiente para poder haver o
desaparecimento completo da tensão.
Com o umedecimento da massa isolante, essas
moléculas se dissociam formando íons, que se Um dos teste de avaliação do sistema de
orientam e se deslocam na direção do campo isolamento pode ser pela aplicação de corrente
elétrico. Este fenômeno é conhecido como contínua. Este método consiste em aplicar-se
absorção dielétrica. Quando se aplica corrente tensão contínua constante no valor adequado,
contínua a um dielétrico, a corrente estabelece por através de um instrumento denominado megger, e
três componentes. fazer leituras aos 15, 30, 45 e 60 segundos e, em
• A corrente de carregamento do capacitor, seguida, a cada minuto até completar-se 10
que decresce rapidamente, atingindo minutos. Uma isolação em boas condições dará
valores próximos de zero, quando o valores que aumentam progressivamente. Uma
capacitor está carregado. isolação em condições satisfatórias dará valores
• A corrente de dispersão, que passa pela pouco variáveis. Com estes valores de resistência
superfície e pelo interior da massa do

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 575 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
de isolamento pode-se obter os índices de ou restaurando, a fim de que o mesmo permaneça
qualidade do isolamento. em funcionamento ou retorne a suas funções
primitivas. Estas atividades de manutenção em
III.1. ÍNDICE DE POLARIZAÇÃO equipamentos elétricos são classificados
O índice de polarização (IP) é calculado dividindo- conforme a natureza dos trabalhos a serem
se o valor da resistência de isolamento (RI) executados e os objetivos a serem alcançados,
medida aos 10 minutos por seu respectivo valor a estes tipos de manutenção são: manutenção
o
1 minuto, corrigidos para a temperatura de 70 C, corretiva, preventiva e preditiva.
conforme indica a ABNT.
RI(10min) A manutenção preventiva é caracterizada pela
IP =
RI(1min) intervenção no equipamento prevendo a falha ou
defeito, podendo ser realizada de forma rotineira,
com tempos de intervalo de execução conforme a
Para a correção dos valores de resistências de
característica e o comportamento do equipamento
isolamento, recorre-se a fórmula:
a sofrer a manutenção, e atividades previamente
RI ( 70o ) = RI ( θ ) (0,5 )a conhecidas, com o intuito de detectar prováveis
falhas ou defeitos, ainda que incipientes.
Onde:
70 o C − θ A manutenção preditiva, é toda ação periódica de
a−
10 controle realizada em um equipamento visando as
θ = temperatura de ensaio.
condições para determinação do melhor momento
de intervir, a fim de que o mesmo continue
A avaliação das condições da isolação pelo índice cumprindo com suas funções, minimizando as
de polarização recai nas faixas de valores intervenções corretivas, de preferência com o
indicados na tabela a seguir. equipamento em condições normais de operação,
Condições da isolação Índice de polarização minimizando também os custos da manutenção.
Perigosa Menor que 1
Pobre De 1,0 a 1,1 A manutenção preditiva permite reajustar as
Questionável De 1,1 a 1,25 previsões de manutenção corretiva a efetuar,
Satisfatória De 1,25 a 2,0 acompanhando-se a tendência evolutiva do
Boa Acima de 2,0
funcionamento e estimar o tempo pelo qual é
possível utilizá-lo antes da possível avaria.
IV. MANUTENÇÃO PREDITIVA E Portanto, para esse tipo de manutenção é
PREVENTIVA necessária a monitoração dos estados da
Conceituando a manutenção como toda ação condição de um equipamento.
realizada em um equipamento, estrutura ou
sistema que se esteja controlando, conservando

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 576 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Para os transformadores de distribuição deve-se VI. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
realizar os seguintes tipos de inspeção: Um transformador é constituído de diversos
materiais isolantes, tendo como principais
Periódica a cada 12 meses com o transformador materiais o papel e o óleo. Os óleos isolantes são
energizado, limitando se a uma observação a produzidos a partir de óleos crus de base
distância dos seguintes itens: naftênica ou parafinica, e quando utilizado em
• Verificação da inexistência de fissuras, transformadores executa dupla função: como
lascas ou sujeiras nas buchas e danos fluído responsável pela refrigeração do
externos no tanque ou acessórios; equipamento, diminuindo as perdas elétricas do
• Estado dos terminais e ligações; equipamento e contribuindo com o prolongamento
• Possíveis vazamentos; da vida útil do transformador ao fazer com que
• Indícios de corrosão; esse opere em temperaturas menores, e como
• Verificação de ruidos anormais de origem líquido isolante elétrico (dielétrico). Controlar as
mecânica ou elétrica; condições fisico-químicas do óleo isolante bem
• Verificação do aterramento e sistema de como os subprodutos existentes em sua
proteção; composição, gases e furanos, durante a vida de

• Verificação do nível de óleo isolante. um transformador de potência, é uma boa técnica


de acompanhamento das condições operativas

A cada 5 anos deve-se realizar o ensaio de deste transformador.

resistência de isolamento e também retirar uma


amostra do líquido isolante para análise em O processo de envelhecimento de um

laboratório. transformador está diretamente relacionado com a


resistência mecânica do papel isolante de sua

A cada 10 anos deve-se realizar uma revisão isolação sólida, sendo o componente que tem a

completa do transformador, necessitando para capacidade de se deteriorar ou perder suas

tanto que a unidade seja enviada à oficina. qualidades mecânicas, sem no entanto perder
suas características dielétricas. Os fatores que

V. MANUTENÇÃO CORRETIVA mais influenciam na perda de qualidade e

A manutenção corretiva caracteriza-se pela degradação do papel são: umidade, temperatura e

intervenção no equipamento após ser constatado agentes oxidantes, fatores estes que se

o defeito ou falha, conforme o nome indica, apresentam normalmente durante a operação dos

procedendo ao reparo ou correção do defeito, transformadores e que causam o aparecimento de

normalmente realizada com o equipamento glucose livre devido ao seccionamento da cadeia

desligado. da celulose na ligação glicosídica. Na degradação


térmica, além da glucose livre são formados:
água, óxidos de carbono (CO e CO2) e ácidos
orgânicos.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 577 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Na degradação hidrolítica, catalisada pela Finalmente, pode-se afirmar que a vida útil dos
presença de um ácido, ocorre a quebra das transformadores de distribuição hoje instalados
ligações glicosídicas da cadeia de celulose, nas redes de distribuição das concessionárias e
formando glucose livre. A água em presença dos nas subestações primária dos consumidores
compostos ácidos formados pela oxidação dos atendidos na classe A4 é da ordem de 20 anos,
hidrocarbonetos do óleo mineral isolante, sendo que este valor poderá ser modificado
participará da degradação do papel isolante. segundo as condições de manutenção e de
operação que ele estiver submetido durante sua
Na degradação oxidativa são formados ácidos, vida útil.
aldeídos e água. Quando a oxidação envolve os
carbonos 2 e 3, abre-se a estrutura do anel de REFERÊNCIAS
glucose, formando CO, CO2 e H2. As modificações [1] Mileaf, H., - Eletricidade – Ed. Martins Fontes,
enfraquecem as ligações glicosídicas, 1a ed., São Paulo, 1982.
contribuindo para a cisão da cadeia da celulose,
com a formação de glucose livre. Outros produtos [2] Milasch, M., - Manutenção de Transformadores
formados na degradação da celulose são os em líquido isolante – Editora Edgard Blücher Ltda,
furanos, ao contrário da glucose, são solúveis no 1984, São Paulo.
óleo mineral e detectáveis neste liquido dielétrico.
[3] Alain F.S. Levy,Alexandre Neves, Femando A
Durante a operação do transformador, à medida Chagas, Helvio J. A Martins, José A M. Duque,
que o papel vai envelhecendo, há um decréscimo Márcio Sanglard, Marta M. Olivieri, Walter R.C.
de suas propriedades mecânicas, relacionando a Filho , José M. Chaves, Diagnóstico Integrado de
uma diminuição do Grau de Polimerização (GP) Transformadores de Potência, In: ERLAC, VI II,
do papel. O fim-de-vida do papel como isolante é 1999, Ciudad del Leste, Paraguay
considerado quando retém de 40 a 50% dos
valores originais de suas propriedades mecânicas, [4] Binda, Milton - Avaliação da Expectativa de
o que corresponde à uma faixa de valores de GP Vida de Transformadores de Potência Através da
de 100 à 250. A dificuldade de determinação do Degradação do Isolamento Celulósico, Rio de
final-de-vida de um isolamento nos equipamentos Janeiro, Furnas Centrais Elétricas, Março/1998.
em operação a partir da determinação do GP, está
na dificuldade da preparação de corpos de prova, [5] Barreto Júnior, José Tenório, Rangel Pesenti
isto é, existe a necessidade de interromper a Gilcinda, M Chaves José Antonio, Influência da
operação do equipamento, drenar o óleo isolante, Manutenção no Óleo Isolante de Transformadores
colher amostras do local de maior temperatura do de Potência, sobre as Concentrações de Furanos
enrolamento celulósico, e reparar esse ponto. (FAL-2), In: ERLAC, VIII, 1999, Ciudad del Leste,
Paraguay.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 578 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
[6] NBR 5416, Aplicação de Cargas em
Transformadores de Potência, Procedimento

[7] NBR 7036, Recebimento, Instalação e


Manutenção de Transformadores de Distribuição,
Imersos em Óleo Isolante Mineral, Procedimento

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 579 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Transformador de Força

RESUMO ventiladores. Para o bom funcionamento dos


Os transformadores de força são equipamentos transformadores de força deve-se realizar os
elétricos que, por indução eletromagnética, serviços de manutenção preventiva e verificação
transforma tensão e corrente alternada entre dois da situação do óleo isolante em períodos
ou mais conjuntos de espiras (enrolamentos), com regulares. Com isso a expectativa de vida útil
a mesma frequência e, geralmente, com valores destes transformadores de força é de 30 anos.
diferentes de tensão e corrente. Os
transformadores são dimensionados para I. INTRODUÇÃO
funcionarem sob determinadas condições de Os transformadores de força são equipamentos
carga e temperatura dos enrolamentos acima da elétricos que, por indução eletromagnética,
temperatura ambiente. A operação dos transforma tensão e corrente alternada entre dois
transformadores com cargas e temperaturas ou mais enrolamentos, sem alteração da
acima dos especificados irá afetar no valor da vida frequência.
útil do equipamento. Esta redução na expectativa
de vida do transformador se dará devido, A temperatura ambiente é um fator para a
principalmente, à deterioração da isolação em limitação da capacidade de carga do
função do tempo e da temperatura. O transformador de força, pois com esta temperatura
transformador poderá funcionar com a carga se determina a temperatura do ponto mas quente
máxima programada de 150% e com a carga do enrolamento. São classificados em duas
máxima de emergência de 200%, desde que não categorias de acordo com a sua potência nominal
existam as seguintes limitações: capacidade (P) - categoria I para P menor ou igual a 10MVA e
térmica dos enrolamentos, capacidade do sistema categoria II para P maior que 10MVA.
de refrigeração, expansão do líquido isolante,
pressão nas unidades seladas, fluxo de dispersão, Os transformadores, usualmente, operam em um
buchas, conexões, comutadores de derivação e ciclo de carga que se repete a cada 24 horas.
outros. Qualquer um destes itens pode limitar o Este ciclo de carga pode ser constante ou poderá
carregamento e o fabricante do transformador ter um ou mais picos durante o período.
deverá ser consultado sobre estes limites. Para o
operação do transformador de força sob II. CARACTERÍSTICAS GERAIS
condições de carga máxima, estes deverão ser Os transformadores de força são dimensionados
fabricados com equipamentos auxiliares no para operar sob as seguintes condições normais:
sistema de resfriamento, tais como: bombas e • Altitude de até 1000 metros;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 580 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Temperatura máxima do meio de constituída de papel de natureza molecular
resfriamento; de 40ºC e média diária não celulósica e a parte líquida que é composta pelos
superior a 30ºC para o resfriamento a ar; óleos minerais e os ascaréis.
• Temperatura máxima do meio de
resfriamento; de 30ºC e média diária não Os principais tipos de papel empregados como
superior a 25ºC para o resfriamento a isolante em transformadores são o papel kraft e o
água. papelão kraft (derivado da fibra de madeira), o
papel manilha (composto por fibras de madeira e
Para as condições especiais de funcionamento, cânhamo), pressboard (composto de papelão com
estes transformadores exigem uma construção fibra de algodão) e o prespan. Todos esses
especial e/ou revisão de alguns valores nominais, materiais possuem a característica de
instalação e deverão ser levadas ao conhecimento apresentarem alta resistência de isolamento
do fabricante. quando secos, ou seja na faixa de 0,5% a 1% de
umidade, além de serem altamente higroscópicos.
III. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
Os transformadores de força possuem O óleo mineral é utilizado nos equipamentos

basicamente os seguintes itens para a sua elétricos que necessitem de um meio com elevada

fabricação: resistência de isolamento, como é o caso dos

• Buchas para as tensões superior e inferior; transformadores. A fonte primária de produção do

• Comutador de derivações; óleo mineral é o petróleo. O óleo mineral isolante

• Enrolamento primário e secundário; para que seja utilizado para este fim tem de ser
observado algumas características físicas como:
• Núcleo de aço silício;
ponto de fulgor, ponto de fluidez, densidade,
• Tanque do transformador;
viscosidade, ponto de anilina tensão interfacial, e
• Radiadores;
principalmente a sua solubilidade em água.
• Juntas de vedação;
• Tanque para o reservatório do óleo
As características elétricas que devem ser
mineral;
observadas no óleo isolante são:
• Equipamentos de supervisão e controle
• Rigidez dielétrica: É medida pelo valor da
durante a operação;
tensão alternada para qual ocorre a
• Placa de identificação;
descarga disruptiva na camada de óleo
• Isolamento entre as fases e a carcaça;
que está entre dois eletrodos em forma de
• Sistema de resfriamento forçado.
disco, conforme recomendado pela ASTM,
método D877.
O sistema de isolamento de um transformador de
• Fator de potência: É medido como sendo o
força é o fator que irá determinar a vida útil do
cosseno do ângulo de fase ou seno do
equipamento, é constituída basicamente por dois
ângulo de perdas do mesmo. Este valor
tipos: A isolação denominada sólida que é

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 581 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
aumenta na medida em que ocorre a moléculas polarizadas tem carga positiva e as
deterioração do óleo isolante. Esta outras negativas. Por influência de um campo
mediada revela a intensidade da corrente elétrico as moléculas polares giram orientando-se
que flui através do óleo à medida em que no material. A molécula de celulose, substância
aumenta a sua contaminação. que compõe grande parte da isolação dos
transformadores e máquinas girantes, possui
Os ascaréis são um grupo de hidrocarbonetos grupos funcionais bipolares do tipo oxidrila (OH-),
clorados, sintéticos altamente resistentes ao fogo que lhe confere a qualidade de bom isolante
e com excelentes características isolantes. quando seca.
Atualmente os ascaréis não são utilizados mais
em equipamentos elétricos uma vez que ficou A penetração de água no isolante, resulta na
comprovado que resulta em sérios problemas de dissociação de suas impurezas ionizáveis dando
saúde às pessoas que entram em contato com origem a íons, que criam uma condição favorável
este produto. Lesões dermatológicas, alterações para a passagem de corrente elétrica, em outras
morfológicas nos dentes fígado e rins são palavras há um aumento na sua condutividade.
algumas das doenças observadas. No entanto, as isolações elétricas dos
transformadores não são homogêneas por serem
A propriedade de condutibilidade dos materiais formados de materiais com diferentes
depende da disponibilidade de um grande número características dielétricas. Que se sobrepõem em
de elétrons na banda de condução. A aplicação de camadas e, em cujas interfaces podem localizar
um campo elétrico resultante de uma diferença de moléculas ionizáveis.
potencial resulta em um fluxo de elétrons,
orientado segundo a polaridade do campo elétrico Com o umedecimento da massa isolante, essas
aplicado. Os materiais isolantes têm um número moléculas se dissociam formando íons, que se
muito reduzido de elétrons livres na banda de orientam e se deslocam na direção do campo
condução. Uma grandeza que revela esta elétrico. Este fenômeno é conhecido como
condição é a resistência específica (ρ) dos absorção dielétrica. Quando se aplica corrente
materiais. O cobre que é um bom condutor, contínua a um dielétrico, a corrente estabelece por
apresenta uma resistividade específica da ordem três componentes.
de 1,7 10-6 [Ω][cm], enquanto a dos materiais • A corrente de carregamento do capacitor,
isolantes é da ordem de 101 5 [Ω][cm]. Os materiais que decresce rapidamente, atingindo
isolantes são constituídos de matérias orgânicas, valores próximos de zero, quando o
que contém impurezas, que podem ser ionizáveis, capacitor está carregado.
conduzindo corrente elétrica. • A corrente de dispersão, que passa pela
superfície e pelo interior da massa do
Existem também moléculas polarizadas, cujos os dielétrico. Esta corrente possui
átomos têm uma afinidade polar. Uma parte das características que podem indicar o

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 582 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
comportamento do isolante quando em III.1. ÍNDICE DE POLARIZAÇÃO

operação. Uma corrente de dispersão O índice de polarização (IP) é calculado dividindo-


constante, com tensão DC constante no se o valor da resistência de isolamento (RI)
tempo, aplicada ao isolante, revela que a medida aos 10 minutos por seu respectivo valor a
isolação tem capacidade para resistí-la. 1 minuto, corrigidos para a temperatura de 70oC,
Por outro lado se a corrente aumentar com conforme indica a ABNT.
o tempo de aplicação da tensão, é RI(10min)
IP =
provável que a isolação venha a falhar. RI(1min)

• A corrente de absorção. Esta corrente está Para a correção dos valores de resistências de
relacionada principalmente com o isolamento, recorre-se a fórmula:
fenômeno da polarização nas interfaces do
dielétrico. RI ( 70o ) = RI ( θ ) (0,5 )a

Onde:
No início da aplicação da tensão, seu valor é mais
70 o C − θ
elevado e decresce com o tempo de aplicação da a−
10
tensão. O fenômeno do reaparecimento da tensão
θ = temperatura de ensaio.
nos terminais de um capacitor após a remoção do
curto circuito para descarregá-lo é atribuída ao
A avaliação das condições da isolação pelo índice
fenômeno da absorção dielétrica. Por esse motivo
de polarização recai nas faixas de valores
o isolante sob teste deve permanecer curto-
indicados na tabela a seguir.
circuitado por tempo suficiente para poder haver o
Condições da isolação Índice de polarização
desaparecimento completo da tensão.
Perigosa Menor que 1
Pobre De 1,0 a 1,1
Um dos teste de avaliação do sistema de
Questionável De 1,1 a 1,25
isolamento pode ser pela aplicação de corrente
Satisfatória De 1,25 a 2,0
contínua. Este método consiste em aplicar-se
Boa Acima de 2,0
tensão contínua constante no valor adequado,
através de um instrumento denominado megger, e
Um outro método de avaliação é pela aplicação de
fazer leituras aos 15, 30, 45 e 60 segundos e, em
duas tensões em corrente contínua, este método
seguida, a cada minuto até completar-se 10
consiste em se aplicar duas tensões contínuas, na
minutos. Uma isolação em boas condições dará
relação 1 para 5, por exemplo 500 [V] e 2500 [V],
valores que aumentam progressivamente. Uma
durante 1 minuto cada uma.
isolação em condições satisfatórias dará valores
pouco variáveis. Com estes valores de resistência
Uma diminuição no valor da resistência de
de isolamento pode-se obter os índices de
isolamento de 25% com a tensão mais elevada
qualidade do isolamento.
em relação à mais baixa é, em geral, devido a
presença de umidade na isolação. A relação entre

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 583 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
as duas resistências é conhecido como índice de Semestralmente deve-se verificar visualmente os
absorção (IA). Os valores adequados do IA são seguintes equipamentos do transformador:
dados por: • Buchas;

IA =
RI (500[V])
〈1, 25 ) • Tanque e radiadores;
RI (2500[V])
• Conservador;
• Controle de aquecimento;
Este fenômeno, é atribuído ao fato de a água ter
• Sistema de ventilação;
polaridade positiva e ser atraída para as áreas
• Sistema de circulação de óleo;
com elevado potencial negativo. Durante o teste o
• Dispositivo purificador e secador de ar;
borne negativo do megger é ligado ao condutor de
• Dispositivo de alívio de pressão;
cobre e o positivo à terra. Portanto a água será
• Relé de gás e de pressão;
atraída para a área do condutor de cobre,
• Comutadores de derivação;
havendo diminuição na resistência de isolamento.
• Caixa de terminais da fiação de controle e
O fenômeno é conhecido como eletroendosmose
proteção;
ou efeito Evershed. Com pouca ou nenhuma
• Ligações externas.
umidade na isolação, os valores das duas leituras
serão praticamente iguais.
Anualmente deve-se realizar uma inspeção do
líquido isolante, através da retirada de amostras e
O fator que pode influir na forma de
comparar os resultados com os valores do ano
envelhecimento destes transformadores é o meio
anterior. Deve-se realizar também uma análise
de isolação do óleo isolante com o meio ambiente,
dos gases dissolvidos no óleo isolante.
respiração livre, sílica-gel, membrana, etc.

A cada três anos deve-se realizar os seguintes


IV. MANUTENÇÃO PREDITIVA E
ensaios de isolamento: fator de potência do
PREVENTIVA
transformador e das buchas; isolamento com
A manutenção nos transformadores de força
corrente contínua do transformador. Durante este
deverão ser realizadas com os seguintes
período de desligamento deverá ser realizados os
períodos:
testes de funcionamento dos dispositivos de
controle, proteção e resfriamento do
Inspeções periódicas, através de registros
transformador.
operacionais obtidos com as leituras dos
instrumentos indicadores. Sendo recomendável a
V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
leitura diária dos indicadores de temperatura, de
Um transformador é constituído de diversos
nível de óleo, da carga e da tensão do
materiais isolantes, tendo como principais
transformador. Deve se passar nas subestações o
materiais o papel e o óleo. Os óleos isolantes são
termovisor para detectar pontos de aquecimento
produzidos a partir de óleos crus de base
anormal, principalmente nos conectores.
naftênica ou parafinica, e quando utilizado em

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 584 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
transformadores executa dupla função: como formando glucose livre. A água em presença dos
fluído responsável pela refrigeração do compostos ácidos formados pela oxidação dos
equipamento, diminuindo as perdas elétricas do hidrocarbonetos do óleo mineral isolante,
equipamento e contribuindo com o prolongamento participará da degradação do papel isolante.
da vida útil do transformador ao fazer com que
esse opere em temperaturas menores, e como Na degradação oxidativa são formados ácidos,
líquido isolante elétrico (dielétrico). aldeídos e água. Quando a oxidação envolve os
carbonos 2 e 3, abre-se a estrutura do anel de
Controlar as condições fisico-químicas do óleo glucose, formando CO, CO2 e H2. As modificações
isolante bem como os subprodutos existentes em enfraquecem as ligações glicosídicas,
sua composição, gases e furanos, durante a vida contribuindo para a cisão da cadeia da celulose,
de um transformador de força, é uma boa técnica com a formação de glucose livre. Outros produtos
de acompanhamento das condições operativas formados na degradação da celulose são os
deste transformador. furanos, ao contrário da glucose, são solúveis no
óleo mineral e detectáveis neste liquido dielétrico.
O processo de envelhecimento de um
transformador está diretamente relacionado com a Durante a operação do transformador, à medida
resistência mecânica do papel isolante de sua que o papel vai envelhecendo, há um decréscimo
isolação sólida, sendo o componente que tem a de suas propriedades mecânicas, relacionando a
capacidade de se deteriorar ou perder suas uma diminuição do Grau de Polimerização (GP)
qualidades mecânicas, sem no entanto perder do papel. O fim-de-vida do papel como isolante é
suas características dielétricas. considerado quando retém de 40 a 50% dos
valores originais de suas propriedades mecânicas,
Os fatores que mais influenciam na perda de o que corresponde à uma faixa de valores de GP
qualidade e degradação do papel são: umidade, de 100 à 250. A dificuldade de determinação do
temperatura e agentes oxidantes, fatores estes final-de-vida de um isolamento nos equipamentos
que se apresentam normalmente durante a em operação a partir da determinação do GP, está
operação dos transformadores e que causam o na dificuldade apresentada na preparação de
aparecimento de glucose livre devido ao corpos de prova, isto é, existe a necessidade de
seccionamento da cadeia da celulose na ligação interromper a operação do equipamento, drenar o
glicosídica. Na degradação térmica, além da óleo mineral isolante, colher amostras do local de
glucose livre são formados: água, óxidos de maior temperatura do enrolamento celulósico, e
carbono (CO e CO 2) e ácidos orgânicos. reparar esse ponto.

Na degradação hidrolítica, catalisada pela Finalmente, pode-se afirmar que a vida útil dos
presença de um ácido, ocorre a quebra das transformadores de força hoje instalados nas
ligações glicosídicas da cadeia de celulose, concessionárias é da ordem de 30 anos, sendo

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 585 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
que este valor poderá ser bastante modificado [7] NBR 7037, Recebimento, Instalação e
segundo as condições de manutenção e de Manutenção de Transformadores de Potência, em
operação que ele estiver submetido durante sua Óleo Isolante Mineral, Procedimento.
vida útil.

REFERÊNCIAS
[1] Mileaf, H. Eletricidade – Ed. Martins Fontes, 1a
ed., São Paulo, 1982.

[2] Milasch, M. Manutenção de Transformadores


em líquido isolante – Editora Edgard Blücher Ltda,
1984, São Paulo.

[3] Alain F.S., Levy, Alexandre Neves, Femando A


Chagas, Helvio J. A Martins, José A M. Duque,
Márcio Sanglard, Marta M. Olivieri, Walter R.C.
Filho, José M. Chaves, Diagnóstico Integrado de
Transformadores de Potência, In: ERLAC, VI II,
1999, Ciudad del Leste, Paraguay.

[4] Binda, Milton - Avaliação da Expectativa de


Vida de Transformadores de Potência Através da
Degradação do Isolamento Celulósico, Rio de
Janeiro, Furnas Centrais Elétricas, Março/1998.

[5] Barreto Júnior, José Tenório, Rangel Pesenti


Gilcinda, M Chaves José Antonio, Influência da
Manutenção no Óleo Isolante de Transformadores
de Potência, sobre as Concentrações de Furanos
(FAL-2), In: ERLAC, VIII, 1999, Ciudad del Leste,
Paraguay.

[6] NBR 5416, Aplicação de Cargas em


Transformadores de Potência, Procedimento.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 586 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Transformador de Medida

RESUMO bom funcionamento dos transformadores de


Os transformadores de medida são equipamentos medida deve-se realizar os serviços de
elétricos projetados e construídos especificamente manutenção preventiva e verificação da situação
para alimentarem instrumentos elétricos de do óleo isolante em períodos regulares. Com isso
medição, fornecendo um sinal de tensão e de a expectativa de vida útil destes transformadores
corrente. Estes equipamentos elétricos são do tipo de medida é de 30 anos.
estáticos pois no funcionamento recebe e fornece
energia elétrica. Normalmente em sistemas I. INTRODUÇÃO
elétricos acima de 600 V, as medições de tensão O transformador de medida é um equipamento
não são realizadas diretamente à rede primária que consta essencialmente de dois circuitos
mas, através de equipamentos denominados elétricos, acoplados através de um circuito
transformadores de potencial que tem as magnético. Um dos circuitos elétricos denominado
seguintes finalidades: isolar o circuito de baixa de primário, recebe energia de uma fonte AC, e o
tensão (secundário) do circuito de alta tensão outro circuito, denominado de secundário, fornece
(primário) e também reproduzir os efeitos energia da mesma forma e frequência, geralmente
transitórios e regime permanente aplicados ao com valor da tensão diferente, a uma carga
circuitos de alta tensão o mais fielmente possível conectada no seu secundário.
no circuito de baixa tensão. Os transformadores
de corrente possui o seu enrolamento ligado em Os circuitos primário e secundário são bobinas de
série com o circuito de alta tensão. A impedância fios de cobre, em geral com número de espiras do
do transformador de corrente, vista do lado do primário diferente do número de espiras do
enrolamento primário, é desprezível, comparada secundário. O circuito magnético , denominado de
com a do sistema ao qual estará instalado. Desta núcleo, é construído de chapas de ferrossilício
forma, a corrente que irá circular no primário dos justapostas, mas isoladas umas das outras
transformadores de corrente será dada pelo visando reduzir as perdas por correntes de
circuito de potência, denominado de circuito Foucalt.
primário. Geralmente os transformadores de
potencial e de corrente possuem isolamento de A classe de exatidão dos transformadores de
resina epoxi para tensões de operação de até medida é de 0,3 ou 0,6%.
34,5 kV (tensão de distribuição), para tensões
acima deste valor o isolamento passa a ser de
papel especial submerso em óleo mineral. Para o

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 587 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II. CARACTERÍSTICAS GERAIS • Funcionamento em condições não usuais
Os transformadores de medida são tais como regime ou frequência incomuns,
dimensionados para operar sob as seguintes ou forma de onda distorcida.
condições normais:
• Altitude de até 1000 metros; III. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS
• Temperatura do ar ambiente máxima de Os transformadores de potencial possuem o
40ºC; enrolamento primário ligado em derivação com um
• Temperatura do ar ambiente média diária circuito elétrico e o enrolamento secundário é
não superior a 30ºC; destinado a alimentar bobinas de potencial de
• Temperatura do ar ambiente mínima de - instrumentos elétricos de medição. Na prática é
10ºC considerado como um equipamento redutor de
tensão, pois a tensão no circuito secundário é
Para as condições especiais de funcionamento, normalmente menor que a tensão no circuito
estes transformadores exigem uma construção primário. Isto ocorre no transformador de potencial
especial e/ou revisão de alguns valores nominais, pois o número de bobinas no primário é maior que
instalação e deverão ser levadas ao conhecimento no secundário.
do fabricante. Constituem exemplos de condições
especiais: Os transformadores de potencial são projetados e
• Instalação em altitudes superiores a 1000 construídos para uma tensão secundária nominal

m; padronizada de 115 V, sendo a tensão primária

• Instalação em locais em que a temperatura nominal estabelecida de acordo com a tensão

do ar ambiente esteja fora dos limites entre fases do circuito em que o transformador de

especificados; potencial está ligado.

• Exposição a ar excessivamente salino,


vapores, gases ou fumaças prejudiciais; Os transformadores de potencial do grupo 1 são

• Exposição a poeiras excessivas; projetados para ligação entre fases, do grupo 2


deverão ser ligados entre fase e neutro
• Exposição a materiais explosivos na forma
eficazmente aterrado e do grupo 3 para ligação
de gás ou pó;
entre fase e neutro de sistema onde não se
• Sujeito a vibrações anormais;
garante a eficácia do aterramento.
• Instalação em locais excessivamente
úmidos e possibilidade de submersão à
Os transformadores de potencial a serem ligados
água;
entre fase e neutro são construídos para terem
• Exigências especiais de isolamento;
como tensão primária nominal a tensão entre
• Exigências especiais de segurança
pessoal contra contatos acidentais contra fases do circuito dividido por 3 , e como tensão

partes vivas do equipamento; secundária nominal de 115 / 3 V.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 588 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Os transformadores de potencial são projetados e Os transformadores de corrente possuem o
construídos para suportar uma sobretensào de até enrolamento primário ligado em série com um
10% em regime permanente, sem que nenhum circuito elétrico e o enrolamento secundário é
dano lhes seja causado. destinado a alimentar bobinas de corrente de
instrumentos elétricos de medição. Na prática é
Como os transformadores de potencial são considerado como um equipamento redutor de
empregados para alimentar instrumentos de alta corrente, pois a corrente no circuito secundário é
impedância (voltímetros, bobina de potencial de normalmente menor que a corrente no circuito
wattímetros, bobina de potencial de medidores de primário. Isto ocorre no transformador de corrente
energia), a corrente secundária é muito pequena e pois o número de bobinas no primário é menor
por isto diz se que os transformadores de que no secundário.
potencial funcionam quase em vazio.
Os transformadores de corrente são projetados e
Os transformadores de potencial indutivo são construídos para uma corrente secundária
construídos até um certo nível de tensão (cerca de nominal padronizada de 5 ampères, sendo a
245 kV) e a partir deste valor é utilizado a corrente primária nominal estabelecida de acordo
tecnologia de transformadores de potencial com a ordem de grandeza da corrente do circuito.
capacitivos, devido ao aumento excessivo do
número de espiras no enrolamento primário. A Os transformadores de corrente são projetados e
seguir é apresentado um transformador de construídos para suportarem, em regime
potencial indutivo: permanente, uma corrente maior que a corrente
nominal, sem que nenhum dano lhes seja
causado. A relação entre a corrente máxima
suportável e a corrente nominal é definido como o
Onde: fator térmico do transformador de corrente.
1 – Isolador de porcelana
2 – Tanque Como os transformadores de corrente são
3 – Núcleo utilizados para alimentar instrumentos elétricos de
4 – Enrolamento secundário baixa impedância (amperímetors, bobinas de
5 – Enrolamento primário corrente de wattímetros, bobinas de corrente de
6 – Terminal de aterramento medidores de energia), diz-se que os
7 – Blindagem transformadores de corrente funcionam quase que
8 – Reservatório em curto circuito.
9 Terminal primário
Os transformadores de corrente são classificados,
de acordo com sua construção, em um dos
seguintes tipos:

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 589 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Tipo enrolado, cujo enrolamento primário é O sistema de isolamento de um transformador de
constituído de uma ou mais espiras e medida é o fator que irá determinar a vida útil do
envolve mecanicamente o núcleo do equipamento, é constituída basicamente por dois
transformador; tipos: A isolação denominada sólida que é
• Tipo barra, onde o enrolamento primário é constituída de papel de natureza molecular
constituído por uma barra montada celulósica e a parte líquida que é composta pelos
permanentemente através do núcleo do óleos minerais.
transformador;
• Tipo janela, este transformador não possui Os principais tipos de papel empregados como
primário próprio, e o condutor atravessa o isolante em transformadores são o papel kraft e o
núcleo através de uma abertura, formando papelão kraft (derivado da fibra de madeira), o
o circuito primário; papel manilha (composto por fibras de madeira e
• Tipo bucha, é um transformador de cânhamo), pressboard (composto de papelão com
corrente tipo janela projetado para ser fibra de algodão) e o prespan. Todos esses

instalado sobre uma bucha de um materiais possuem a característica de


equipamento elétrico; apresentarem alta resistência de isolamento

• Tipo núcleo dividido, é um transformador quando secos, ou seja na faixa de 0,5% a 1% de

tipo janela em que o núcleo é separável ou umidade, além de serem altamente higroscópicos.

basculante, visando facilitar o enlaçamento


do condutor primário, neste caso não é O óleo mineral é utilizado nos equipamentos

necessário realizar a interrupção do elétricos que necessitem de um meio com elevada

circuito para instalar o transformador. resistência de isolamento, como é o caso dos

• Tipo com vários enrolamentos primário, transformadores. A fonte primária de produção do

onde possui enrolamento primários óleo mineral é o petróleo. O óleo mineral isolante

distintos e isolados separadamente, para que seja utilizado para este fim tem de ser

permitindo realizar conexões dos observado algumas características físicas como:

enrolamentos primários para diferentes ponto de fulgor, ponto de fluidez, densidade,

valores de corrente primária; viscosidade, ponto de anilina tensão interfacial, e

• Tipo com vários núcleos, possui vários principalmente a sua solubilidade em água.

enrolamentos secundários isolados


separadamente e montados cada um em As características elétricas que devem ser

seu próprio núcleo, formando um conjunto observadas no óleo isolante são:

com um único primário, cujas espiras • Rigidez dielétrica: É medida pelo valor da

enlaçam todos os secundários, neste caso tensão alternada para qual ocorre a

pode-se ter um secundário destinado para descarga disruptiva na camada de óleo

medição e outro para proteção. que está entre dois eletrodos em forma de

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 590 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
disco, conforme recomendado pela ASTM, características dielétricas. Que se sobrepõem em
método D877. camadas e, em cujas interfaces podem localizar
• Fator de potência: É medido como sendo o moléculas ionizáveis.
cosseno do ângulo de fase ou seno do
ângulo de perdas do mesmo. Este valor Com o umedecimento da massa isolante, essas
aumenta na medida em que ocorre a moléculas se dissociam formando íons, que se
deterioração do óleo isolante. Esta orientam e se deslocam na direção do campo
mediada revela a intensidade da corrente elétrico. Este fenômeno é conhecido como
que flui através do óleo à medida em que absorção dielétrica. Quando se aplica corrente
aumenta a sua contaminação. contínua a um dielétrico, a corrente estabelece por
três componentes.
A propriedade de condutibilidade dos materiais • A corrente de carregamento do capacitor,
depende da disponibilidade de um grande número que decresce rapidamente, atingindo
de elétrons na banda de condução. A aplicação de valores próximos de zero, quando o
um campo elétrico resultante de uma diferença de capacitor está carregado.
potencial resulta em um fluxo de elétrons, • A corrente de dispersão, que passa pela
orientado segundo a polaridade do campo elétrico superfície e pelo interior da massa do
aplicado. Os materiais isolantes têm um número dielétrico. Esta corrente possui
muito reduzido de elétrons livres na banda de características que podem indicar o
condução. Uma grandeza que revela esta comportamento do isolante quando em
condição é a resistência específica (ρ) dos operação. Uma corrente de dispersão
materiais. O cobre que é um bom condutor, constante, com tensão DC constante no
apresenta uma resistividade específica da ordem tempo, aplicada ao isolante, revela que a
-6
de 1,7 10 [Ω][cm], enquanto a dos materiais isolação tem capacidade para resistí-la.
15
isolantes é da ordem de 10 [Ω][cm]. Os materiais Por outro lado se a corrente aumentar com
isolantes são constituídos de matérias orgânicas, o tempo de aplicação da tensão, é
que contém impurezas, que podem ser ionizáveis, provável que a isolação venha a falhar.

conduzindo corrente elétrica. • A corrente de absorção. Esta corrente está


relacionada principalmente com o
A penetração de água no isolante, resulta na fenômeno da polarização nas interfaces do
dissociação de suas impurezas ionizáveis dando dielétrico.
origem a íons, que criam uma condição favorável
para a passagem de corrente elétrica, em outras No início da aplicação da tensão, seu valor é mais
palavras há um aumento na sua condutividade. elevado e decresce com o tempo de aplicação da
No entanto, as isolações elétricas dos tensão. O fenômeno do reaparecimento da tensão
transformadores não são homogêneas por serem nos terminais de um capacitor após a remoção do
formados de materiais com diferentes curto circuito para descarregá-lo é atribuída ao

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 591 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
fenômeno da absorção dielétrica. Por esse motivo também os seguintes ensaios de isolamento: fator
o isolante sob teste deve permanecer curto- de potência do transformador e das buchas;
circuitado por tempo suficiente para poder haver o isolamento com corrente contínua do
desaparecimento completo da tensão. transformador.

IV. VIDA ÚTIL ECONÔMICA Finalmente, pode-se afirmar que a vida útil dos
Um transformador é constituído de diversos transformadores de medida hoje instalados é da
materiais isolantes, tendo como principais ordem de 30 anos, sendo que este valor poderá
materiais o papel e o óleo. Os óleos isolantes são ser bastante modificado segundo as condições de
produzidos a partir de óleos crus de base manutenção e de operação que ele estiver
naftênica ou parafinica, e quando utilizado em submetido durante sua vida útil.
transformadores executa dupla função: como
fluído responsável pela refrigeração do REFERÊNCIAS
equipamento, diminuindo as perdas elétricas do [1] Filho, S. M. Medição de Energia Elétrica, Livros
equipamento e contribuindo com o prolongamento Técnicos e Científicos Editora, 1997
da vida útil do transformador ao fazer com que
esse opere em temperaturas menores, e como [2] Furnas Centrais Elétricas, Equipamentos
líquido isolante elétrico (dielétrico). Elétricos – Especificação e Aplicação em
Subestações de Alta Tensão, 1985
O processo de envelhecimento de um
transformador está diretamente relacionado com a [3] NBR6855 - Transformador de Potencial,
resistência mecânica do papel isolante de sua Especificação
isolação sólida, sendo o componente que tem a
capacidade de se deteriorar ou perder suas [4] NBR 6856 - Transformador de Corrente,
qualidades mecânicas, sem no entanto perder Especificação
suas características dielétricas. Os fatores que
mais influenciam na perda de qualidade e
degradação do papel são: umidade, temperatura e
agentes oxidantes.

Para o bom funcionamento dos transformadores


de medida deve-se realizar inspeções (de acordo
com o período recomendado pelo fabricante) do
líquido isolante, através da retirada de amostras e
comparar os resultados com os valores do ano
anterior, realização de uma análise dos gases
dissolvidos no óleo isolante. Deve-se realizar

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 592 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Transformadores de Potencial Capacitivo ou Indutivo

RESUMO tensão de isolamento de acordo com a rede à qual


Os transformadores de potencial capacitivo ou estão ligados. Os transformadores de potencial
indutivo são equipamentos que permitem aos são utilizados para suprir aparelhos que
instrumentos de medição e proteção funcionarem apresentam elevada impedância, tais como
adequadamente sem a necessidade de possuir voltímetros, relés de tensão, bobinas de tensão de
tensão de isolamento de acordo com a rede à qual medidores de energia, etc.
estão ligados. Por se tratarem de equipamentos,
geralmente, compactos e estanques, os cuidados II. CARACTERÍSTICAS
com a manutenção dos TP’s restringem-se
apenas aos aspectos de conservação externa. II.1. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

Contudo existem técnicas para verificação Os TP’s são fabricados de acordo com o grupo de
periódica, manutenção e monitoração do estado ligação requerido, tensões nominais primárias e
de conservação destes equipamentos, visando secundárias necessárias, e tipo de instalação
assegurar a longevidade dos mesmos. A requerida.
avaliação da vida útil de um TP pode ser feita
abordando-se o equipamento ou o sistema O enrolamento primário é constituído por uma
isolante como um todo; ou analisar os materiais bobina de várias camadas de fio, submetida a um
empregados no equipamento em separado. Nesta processo de esmaltação, em geral dupla, enrolado
avaliação, algumas solicitações impostas ao TP em um núcleo de ferro magnético sobre o qual
são extremamente relevantes para o tempo de também se envolve o enrolamento secundário. Já
vida do equipamento. Dentre elas se destacam as o enrolamento secundário ou terciário é de fio de
solicitações térmicas e elétricas. Assim, cobre duplamente esmaltado e isolado do núcleo
considerando-se todas as características e do enrolamento primário por meio de fitas de
construtivas e elétricas, as técnicas de papel especial.
manutenção e as solicitações descritas no estudo,
pode-se estimar uma vida útil de 30 anos para um Os transformadores construídos em epóxi são
transformador de potencial capacitivo ou indutivo. mais compactos e de peso relativamente
pequeno. O núcleo com suas respectivas bobinas
I. INTRODUÇÃO é encapsulado através de processos especiais

São equipamentos que permitem aos para evitar formação de bolhas. Na maioria das

instrumentos de medição e proteção funcionarem vezes, se danificado, o TP em epóxi é descartado.

adequadamente sem a necessidade de possuir

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 593 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Já nos transformadores em óleo, o núcleo com no sistema de até 34,5 KV, devendo
suas respectivas bobinas são secos sob vácuo e suportar 10% de sobrecarga.
calor. O transformador, ao ser completamente • Grupo 2: São os TP’s projetados para
montado, é tratado a vácuo para em seguida ser ligação fase-neutro de sistemas
preenchido com óleo isolante. diretamente aterrados, ou seja, a razão
entre a resistência de seqüência zero do
O tanque é construído com chapa de ferro pintado sistema (Rz) e a reatância de seqüência
ou galvanizado a fogo. Na parte superior do positiva do sistema (Xp) é menor ou igual a
tanque são fixados os isoladores de porcelana 1.
vitrificada. Alguns TP’s possuem tanque de • Grupo 3: São os TP’s projetados para
expansão de óleo, localizado na parte superior da ligação fase-neutro de sistemas onde não
porcelana. há garantia da eficácia do aterramento.

Os transformadores de potencial podem ser II.1.2. TP’s Capacitivos

construídos de dois tipos básicos: TP’s indutivos e São construídos, basicamente, se utilizando de
TP’s capacitivos. dois conjuntos de capacitores que fornecem um
divisor de tensão e permitem a comunicação
II.1.1. TP’s Indutivos através do sistema carrier. São construídos,
A utilização de TP’s indutivos vai até a tensão de normalmente, para tensões iguais ou superiores a
138 KV, e estes apresentam custos de produção 138 KV.
inferiores ao capacitivo. Os TP’s indutivos são
dotados de um enrolamento primário envolvendo • Princípio de funcionamento
um núcleo de ferro-silício que é comum ao Este tipo de TP é composto de um divisor
enrolamento secundário. capacitivo, cujas células formadoras do
condensador são ligadas em série e o conjunto se
• Princípio de funcionamento encontra imerso em um invólucro de porcelana.
Funcionam com base na conversão Tal divisor capacitivo é ligado entre fase e terra.
eletromagnética entre os enrolamentos primário e Uma derivação intermediária alimenta um grupo
secundário. Desta forma, para um a tensão de medida de média tensão, compreendendo os
aplicada no primário, obtém-se uma tensão seguintes elementos:
reduzida no secundário dada pelo valor da relação • Um TP ligado na derivação intermediária,
de transformação de tensão. fornecendo as tensões secundárias
desejadas;
Os TP’s indutivos são construídos segundo três • Um reator de compensação ajustável,
grupos de ligação: visando controlar quedas de tensão e
• Grupo 1: São os TP’s projetados para defasagem do divisor, na freqüência
ligação entre fases, basicamente utilizados nominal, independente da carga, porém

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 594 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
dentro dos limites previstos pela classe de • Polaridade: Os TP’s destinados à medição
exatidão. de energia elétrica, relés de potência, etc.
II.2. CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS são identificados por letras que indicam
Os TP’s podem ser bem caracterizados para qual polaridade foram construídos.
eletricamente através da particularização dos Empregam-se as letras H1 e H2, X1 e X2
seguintes parâmetros: para designar, respectivamente, os
• Erro de relação de transformação: este tipo terminais primários e secundários dos
de erro é registrado na medição com o TP. TP’s. Desta forma, diz -se que o TP tem
Ele é facilmente observado, pois a tensão polaridade subtrativa quando a onda de
primária não corresponde exatamente ao tensão , num determinado instante, tem no
produto da tensão lida no secundário pela primário a direção de H1 para H2 e a
relação de transformação de potencial correspondente onda de tensão
nominal. O erro de relação pode ser secundária está no sentido de X1 para X2.
calculado pela fórmula: Caso contrário, a polaridade é dita aditiva.
RTP × Vs − Vp Convém ressaltar que a polaridade é
εP = × 100(%)
Vp obtida orientando-se o sentido de

Onde: execução do enrolamento secundário, de

Vs = tensão no secundário; modo a se conseguir a orientação

Vp = tensão no primário; desejada do fluxo magnético.

RTP = Relação de transformação de • Descargas parciais: aparecem nos TP’s

Potencial. em epóxi, em decorrência da formação de


• Erro de ângulo de fase: é o ângulo γ que bolhas ou impurezas presentes durante o

mede a defasagem entre a tensão vetorial processo de encapsulamento dos

primária e a tensão vetorial secundária; enrolamentos. Tanto para os TP’s em


epóxi quanto nos em óleo, há normas que
• Classe de exatidão: exprime o erro
estabelecem os valores limites e o método
esperado do transformador, considerando
de medição das descargas parciais.
os dois erros descritos nos itens i) e ii);
Evidentemente, este fator influencia
• Tensões nominais: Os TP’s devem
diretamente na vida útil do equipamento.
suportar, por norma, tensões de serviço
• Potência térmica nominal: é a potência que
acima de 10% de seu valor nominal, em
regime contínuo, sem danos a sua o TP pode suprir continuamente, sem que
os limites de temperatura nominal sejam
integridade;
excedidos.
• Cargas nominais: o somatório das cargas
• Tensões suportáveis: os TP’s devem
acopladas a um TP deve ser compatível
suportar as tensões de ensaio previstas
com a carga nominal deste equipamento,
em norma.
que é padronizada por norma;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 595 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA manutenção dos TP’s restringem-se apenas aos
A verificação periódica do estado de conservação, aspectos de conservação externa.
a manutenção e a monitoração dos TP’s durante
toda a sua vida são fundamentais para assegurar V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
sua longevidade. Dentre estas atividades A avaliação da vida útil de um TP pode ser feita
executam-se verificações gerais (estado geral, abordando-se o equipamento ou o sistema
pintura, conservação das partes metálicas, etc.) isolante como um todo; ou analisar os materiais
realizadas sem o desligamento, e testes de empregados no equipamento em separado. Na
monitoração (verificação da resistência de primeira abordagem, o tempo de vida virá de um
enrolamento, relação de transformação, histórico, através do qual uma ou mais
resistência ôhmica dos enrolamentos, etc.). características significativas serão monitoradas,
explicitando a degradação que terminará em falha
Outros métodos podem ser utilizados: do equipamento. Vários critérios devem ser
• Monitoração automática de TPC: é a estabelecidos para os referenciais das
supervisão constante do TPC através de características monitoradas, no início e fim da vida
um dispositivo que mede a tensão de do equipamento. Os dados colhidos formarão um
seqüência zero no secundário de um banco de dados e devem receber um tratamento
conjunto de três TPC’s. Quando esta estatístico, visando a determinação do tempo de
tensão atingir um valor pré-ajustado, um vida do equipamento. A segunda abordagem
alarme é disparado e sabe-se que poucos refere-se ao envelhecimento dos materiais,
elementos da unidade capacitiva foram existindo um considerável número de informações
danificados e que ainda é possível tomar disponíveis sobre o comportamento de diversos
providências para se evitar danos maiores materiais (3).
para o sistema elétrico.
• Detetores ultrassônicos: usados para Algumas solicitações impostas ao TP são
medição de descargas parciais em TI tipo extremamente relevantes para o tempo de vida do
“dead tank”. equipamento. Dentre elas, vale ressaltar as
• Medição da tang d: alguns TI’s saem de solicitações de natureza térmica e elétrica. A
fábrica dotados de uma derivação para a solicitação térmica em TP’s é um efeito
medição do fator de dissipação da sua predominantemente resultante das perdas
isolação. Contudo, esses resultados não dielétricas. O tempo de vida tem sido estabelecido
são considerados confiáveis. de acordo com algum critério de perda das
características do material, dada pelo
IV. MANUTENÇÃO CORRETIVA envelhecimento dos materiais dielétricos em si,

Por se tratarem de equipamentos, geralmente, decorrentes de solicitações térmicas.

compactos e estanques, os cuidados com a

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 596 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Além das solicitações elétricas de freqüência capacitância, do número e seqüência de
nominal, os TP’s estão sujeitos à solicitações operações de manobra, essas solicitações
elétricas, importantes para o tempo de vida. Essas podem danificar o TPI quer seja por efeitos
solicitações resultam de transitórios de alta de elevação de temperatura ou por forças
freqüência, descarga de linhas, cabos e banco de mecânicas.
capacitores e ferroressonância. • Ferroresonância com TPI monofásico: os
• Solicitações elétricas de freqüência fenômenos de ferroressonância podem ser
nominal: no caso de resina epóxi, o fator causados por operações de manobra
decisivo para o tempo de vida sob envolvendo reatâncias não-lineares dos
solicitação de freqüência nominal é a TPI e as capacitâncias da rede, que
ocorrência de descargas parciais. formam um circuito série ou paralelo.
• Solicitações de alta freqüência: são Devido ao comportamento não linear das
responsáveis por muitas falhas em TP’s. reatâncias, aparecerão oscilações de
São devidas, geralmente, a operação de freqüência nominais e seus harmônicos.
dispositivos de interrupção, chaves Essas oscilações podem danificar os TP’s
seccionadoras e centelhadores de por sobreaquecimento ou sobretensão.
proteção. As solicitações de alta
freqüência também podem afetar o circuito Considerando todas as características descritas
secundário, causando curto-circuito entre anteriormente e as técnicas de monitoração e
espiras ou camadas do enrolamento ou manutenção relatadas, pode-se estimar uma vida
tensões elevadas que podem danificar os útil de 30 anos para um transformador de
equipamentos conectados. potencial capacitivo ou indutivo.
• Descarga de linha, cabo isolado e banco
de capacitores: a solicitação decorrente de REFERÊNCIAS
descargas de energia armazenada em [1] Filho, J. M. Manual de Equipamentos Elétricos.
capacitâncias ocorre como uma oscilação Livros Técnicos e Científicos Editora, Volume 2, 2a
amortecida, periódica ou não, através do edição 1994.
enrolamento primário do TPI. A corrente
associada magnetiza o TPI, saturando o [2] A. O. F. Mundim e O B. Oliveira, “Avaliação do
seu núcleo e alterando a sua reatância tempo de vida de transformadores para
magnética não-linear de um valor elevado instrumentos”, em XI SNPTEE. 1991.
para um valor baixo. Finalmente, a
corrente será apenas limitada pela [3] Fallou, B. Component spécifiques des
resistência do enrolamento primário. matériaux isolants soumis à diverses contraintes.
Dependendo do nível de tensão, do Résumé des connaissances actuelles et
comprimento da linha ou cabo e normalisation. Revue générale de l’Electricité, nº
conseqüentemente do valor da 10/1985.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 597 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Transformador de Serviços Auxiliares

RESUMO respiração livre, sílica-gel, membrana, etc. Além


Os transformadores de serviços auxiliares são disso, no estudo da vida útil deste tipo de
equipamentos usados em subestações para equipamento é importante ressaltar a contribuição
fornecer alimentação em baixa tensão para de cada falha característica na redução ou não do
instalações locais, suprindo energia para tempo de vida. Desta forma, considerando-se as
cubículos, painéis, iluminação e demais falhas características destes equipamentos e suas
componentes de uma subestação que necessitam influências na vida útil do equipamento, e ainda,
de alimentação em baixa tensão. São portanto, as características de projeto e os critérios de
transformadores de distribuição, com potência manutenção adotados para estes
suficiente para alimentar as cargas locais. Quanto transformadores, pode-se estimar uma vida útil
ao histórico de falhas desses equipamentos, nota- econômica de aproximadamente 30 anos para
se que na verdade ocorrem defeitos em seus este tipo de equipamento.
componentes e não falhas do equipamento como
um todo. Os componentes instalados no corpo do I. INTRODUÇÃO
transformador, expostos a ação do tempo, chuva, Os transformadores de serviços auxiliares são
calor, frio, apresentam um histórico grande de equipamentos usados em subestações para
falhas, porém, no máximo elas podem causar o fornecer alimentação em baixa tensão para
desligamento do transformador, sem causar instalações locais, suprindo energia para
danos a parte ativa ou diminuir o tempo de vida cubículos, painéis, iluminação e demais
útil destes equipamentos. A norma IEC 354, diz componentes de uma subestação que necessitam
que “a duração da vida útil de um transformador de alimentação em baixa tensão. São portanto,
depende de uma série de eventos tais como, transformadores de distribuição, com potência
sobretensões, curtos -circuitos, sobrecargas, etc, suficiente para alimentar as cargas locais.
aos quais o equipamento é submetido”. Como
estes equipamentos não estão expostos a Desta forma, a maioria das características de um
sobrecarregamento, pois são dimensionados para transformador de distribuição se aplica aos
a carga no momento do projeto e esta carga transformadores de serviços auxiliares. Algumas
normalmente não é variável, não sofrem características são particulares do equipamento e
envelhecimento acelerado pela ação da serão ressaltadas ao longo do estudo.
temperatura. O fator que pode influir na forma de
envelhecimento destes transformadores é o meio
de isolação do óleo isolante com o meio ambiente,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 598 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II. CARACTERÍSTICAS 12 Placa de identificação alternativa

Os transformadores de distribuição rebaixam a No caso dos transformadores de serviços


tensão ao nível de utilização do consumidor final. auxiliares, eles rebaixam a tensão ao nível de
A figura seguinte apresenta um exemplo de um utilização da subestação, visando alimentar
transformador de distribuição: equipamentos e demais componentes da própria
subestação.

II.1.CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS

II.1.1. Potência Nominal de um Transformador

É a potência que o transformador pode entregar,


sem exceder os limites de elevação de
temperatura do óleo e enrolamentos.

II.1.2. Classe de Tensão de Isolamento

É o valor eficaz da tensão que caracteriza a


capacidade de um equipamento elétrico em
suportar ensaios de tensão especificados por
norma.

II.1.3. Classe de Isolamento

É definida pelo material isolante empregado no


transformador e determina a temperatura máxima
que pode ser alcançada.
Figura 1: Transformador de distribuição

II.1.4. Temperatura de Referência e Elevação da


1 Bucha de AT
Temperatura
2 Bucha de BT
Os transformadores operam conforme suas
3 Dispositivo de aterramento
características nominais desde que a temperatura
4 Abertura para inspeção (quando aplicável)
do ar ambiente não exceda a média de 30 °C e a
5 Placa de identificação
máxima de 40 °C.
6 Suporte para fixação ao poste
7 Olhais de suspensão
II.1.5. Tensão de Curto-circuito
8 Estrutura de apoio
É a tensão que deve ser aplicada a um
9 Grampo de fixação da tampa
enrolamento para que a corrente deste
10 Radiador de tubo elíptico (quando
enrolamento adquira valor igual à sua corrente
aplicável)
nominal, estando o outro enrolamento em curto-
11 Placa logomarca (quando aplicável)
circuito.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 599 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
II.1.6. Corrente de excitação As freqüências nominais recomendadas são de 50
É a corrente que circula num dos enrolamentos do ou 60 Hz.
transformador quando este é alimentado pela
tensão e freqüência nominais, estando o outro II.1.9. Outras Características

enrolamento com o circuito aberto. Regulação, rendimento, polaridade e


deslocamento angular.
II.1.7. Carregamento do Transformador

A aplicação de corrente no transformador, acima II.2. CARACTERÍSTICAS CONSTRUTIVAS

da nominal pode trazer como conseqüência o


envelhecimento acelerado do isolamento. Esse II.2.1. Tanques

envelhecimento se dá, principalmente devido aos O tanque do transformador, além de ser o


seguintes fatores: recipiente que contém as partes vivas, isoladores,
• Aumento da temperatura dos e óleo, é o elemento que transmite para o ar, o
enrolamentos, condutores e óleo isolante calor produzido pelas perdas. O formato do
acima dos níveis aceitáveis; tanque varia de redondo para os transformadores
• Aumento do fluxo de dispersão fora do de distribuição cuja potência máxima é da ordem

núcleo, causando aumento das correntes de 150 kVA, a oval e retangular para os

parasitas e aquecimento das partes transformadores de média e grande potência. De


metálicas, devido a esse fluxo; acordo com a quantidade de calor a ser liberada,

• Possibilidade de sobreexcitacao do núcleo os transformadores têm tanque liso, nervurado ou

devido ao aumento do fluxo de dispersão; equipado com radiadores.

• Alterações no volume de umidade no


II.2.2. Líquidos Isolantes
isolamento devido ao aumento da
O líquido de um transformador exerce duas
temperatura.
funções distintas; uma é de natureza isolante e a
outra é a de transferir para as paredes do tanque,
Esses fatores podem ter como conseqüência a
o calor produzido pelas perdas na parte ativa do
falha prematura do transformador.
equipamento. A fim de executar devidamente
estas funções o óleo deve possuir determinadas
Contudo, no caso dos transformadores de
características, entre as quais as mais importantes
serviços auxiliares, não deve haver problemas
são: elevada rigidez dielétrica, boa fluidez e
com sobrecarregamento, pois estes
capacidade de funcionamento com temperaturas
transformadores trabalham em condições
elevadas.
bastante especificas e controladas, já que estão
dentro da própria subestação.
III. PRINCIPAIS FALHAS
II.1.8. Freqüência Observando-se históricos de falhas desses
equipamentos, nota-se que na verdade ocorrem

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 600 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
defeitos em seus componentes e não falhas do dispositivos primários (relés de fluxo ou bucholz,
equipamento como um todo. fins-de-curso, válvula de alívio, etc.).
Além das inspeções e testes anteriores, de quatro
Os componentes instalados no corpo do em quatro anos, faz -se ensaios elétricos
transformador, expostos a ação do tempo, chuva, (capacitância, fator de potência, isolação DC,
calor, frio, apresentam um histórico grande de relação de transformação, resistência ôhmica).
falhas, segundo levantamento do setor elétrico,
devido ao ressecamento de juntas e oxidação de V. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
contatos, porém, no máximo eles podem causar o A norma IEC 354, diz que “a duração da vida útil
desligamento do transformador, sem causar de um transformador depende de uma serie de
danos a parte ativa ou diminuir o tempo de vida eventos tais como, sobretensões, curtos-circuitos,
útil destes equipamentos. sobrecargas, etc, aos quais o equipamento é
submetido”. Além disso, no estudo da vida útil
Como estes equipamentos não estão expostos a deste tipo de equipamento é importante ressaltar
sobrecarregamento, pois são dimensionados para a contribuição de cada falha característica na
a carga no momento do projeto e esta carga redução ou não do tempo de vida. Foi observado
normalmente não é variável, não sofrem neste estudo os componentes do transformador
envelhecimento acelerado pela ação da que estão mais propensos a defeitos. São eles os
temperatura. componentes instalados no corpo do
transformador, expostos a ação do tempo, chuva,
O fator que pode influir na forma de calor, frio, devido ao ressecamento de juntas e
envelhecimento destes transformadores é o meio oxidação de contatos Contudo, no máximo eles
de isolação do óleo isolante com o meio ambiente, podem causar o desligamento do transformador,
respiração livre, sílica-gel, membrana, etc. sem causar danos a parte ativa ou diminuir o
tempo de vida útil destes equipamentos. Além
IV. MANUTENÇÃO PREVENTIVA E disso, como estes equipamentos não estão
PREDITIVA expostos a sobrecarregamento, não sofrem
Mensalmente, o transformador sofre inspeção envelhecimento acelerado pela ação da
visual quanto a estanqueidade, fixação de temperatura. Assim, o fator que pode influir na
componentes, estado da pintura, sinais de sobre- forma de envelhecimento destes transformadores
aquecimento, conexões, fixação na base (quando é o meio de isolação do óleo isolante com o meio
for o caso). ambiente, respiração livre, sílica-gel, membrana,
etc.
Anualmente, além da inspeção mensal, é retirada
uma amostra de óleo isolante para análise físico- Desta forma, considerando-se as falhas
química e cromatográfica, e testada a atuação dos características destes equipamentos e suas
influências na vida útil do equipamento, e ainda,

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 601 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
as características de projeto e os critérios de
manutenção adotados para estes
transformadores, pode-se estimar uma vida útil
econômica de aproximadamente 30 anos para
este tipo de equipamento.

REFERÊNCIAS
[1] Martignoni, A., Transformadores. Editora
Globo, 1a edição. 1973.

[2] Informações coletadas de concessionárias e


empresas do setor elétrico.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 602 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Turbina a Gás

RESUMO sugere-se uma vida útil econômica de 20 anos


A turbina a gás é composta por três elementos: o para as turbinas a gás.
compressor, a câmara de combustão e a turbina
propriamente dita. Seu princípio básico de I. INTRODUÇÃO
operação pode ser resumido como apresentado a A turbina a gás, desde sua concepção inicial até
seguir. O ar, após passar pelo compressor e ter um modelo que apresentasse resultado
sua pressão e temperatura elevadas, atravessa a satisfatório, enfrentou uma série de problemas e
câmara de combustão, participando da reação de dificuldades, desde a resistência dos materiais até
queima do combustível. O gás resultante, que se a concorrência com a turbina a vapor. A primeira
encontra em uma alta temperatura e pressão turbina a gás de funcionamento satisfatório foi
elevada, segue para a turbina onde expande-se, obtida em 1903 por Aegidius Elling. Atualmente
acarretando a geração de potência de eixo. Uma existem vários fabricantes de turbinas a gás, bem
oarcela desta potência gerada é destinada ao como uma diversificada área de aplicação no
acionamento do próprio compressor. Para ter um mercado, como por exemplo a indústria
funcionamento adequado e uma alta aeronáutica e os sistemas de cogeração de
disponibilidade para operação, a turbina a gás eletricidade e vapor.
conta uma manutenção preditiva rigorosa,
contando atualmente com sistemas on-line de Os elementos fundamentais que constituem uma
informação sobre os principais parâmetros turbina a gás são: o compressor, a câmara de
operativos da máquina. Também de grande combustão e a turbina propriamente dita. Em seu
importância é a manutenção preventiva, realizada funcionamento, o ar é aspirado da atmosfera e
onde a distintos intervalos de tempo. Estes comprimido, passando para a câmara de
intervalos variam em função da operação e das combustão, onde se mistura com o combustível.
próprias características do equipamento, mas Nesta câmara ocorre a reação de combustão,
como indicativo pode-se citar uma inspeção dos produzindo gases quentes, que escoam através
elementos de combustão a cada 8.000 horas de da turbina, onde se expandem produzindo
operação, uma inspeção de partes quentes (“gas potência mecânica para acionar o eixo do
path”) a cada 24.000 horas e uma inspeção geral compressor e da carga, freqüentemente um
(“overhaul”) a cada 48.000 horas. Baseando-se gerador elétrico.
em valores de vida média para turbinas, fornecida
em número de horas de operação, e em valores Além destas partes, a turbina a gás pode ainda
de disponibilidade média destes equipamentos, conter trocadores de calor e intercollers. O

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 603 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
trocador de calor é utilizado para aumentar a a desvantagem de necessitar de um sistema
eficiência térmica. Serve para recuperar parte do externo de aquecimento, o que requer um ciclo
calor residual presente nos gases de exaustão. auxiliar.
Este calor recuperado é reintroduzido no ciclo, na
entrada da câmara de combustão. O intercooler é Segundo o fluxo de gases em relação com o eixo
um equipamento usado para aumentar o trabalho da turbina:
útil do ciclo e ao mesmo tempo diminuir o trabalho • Axiais: quando os gases escoam co-
de compressão fornecido pela turbina ao axialmente ao eixo da máquina;
compressor. • Radiais: neste caso os gases escoam
radialmente em relação ao eixo da turbina,
Uma concepção construtiva freqüente nestes resultando máquinas mais simples e de
equipamentos divide a expansão dos gases entre menor custo, mais competitivas na gama
uma turbina de alta pressão, empregada para de pequenas potências.
acionar o compressor e uma turbina de baixa
pressão, que aciona a carga. Para este tipo de Segundo a configuração da turbina de potência :
montagem, se denomina usualmente gerador de • Monoeixo: quando estão montados sobre o
gás ao conjunto formado pelo compressor, mesmo eixo. Por imposição de sua
queimador e a turbina de alta pressão, enquanto a configuração, nas turbinas monoeixo, o
parte restante se conhece como turbina de compressor e a turbina têm a mesma
potência. rotação. Para o caso do acionamento de
um alternador, onde se requer uma
II. CARACTERÍSTICAS rotação constante, impõe-se manter
A turbinas a gás podem ser classificadas de constante o fluxo de ar. A regulagem da
diversas formas. potência desenvolvida é efetuada
modificando-se unicamente a injeção de
Segundo o ciclo de operação, as turbinas a gás combustível na câmara de combustão,
podem ser classifcadas em Ciclo Aberto e Ciclo sem que se varie a velocidade do rotor. A
Fechado. variação da quantidade de combustível
injetado para uma descarga de ar
As turbinas a gás de ciclo fechado diferem das de constante modifica a temperatura dos
ciclo aberto por manterem o fluido de trabalho gases de combustão e afeta
confinado no equipamento, e queimarem o significativamente o rendimento da
combustível fora do sistema de trabalho. As máquina.
vantagens são o melhor aproveitamento do calor e • Com dois eixos: quando estão montados
a possibilidade operar em alta pressão, permitindo em eixos distintos. Assim, nas turbinas de
a construção de máquinas menores para uma dois eixos, utiliza-se o primeiro estágio
dada potência útil. Este sistema possui entretanto para acionar o compressor e um estágio

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 604 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
posterior para acionar a carga conectada De maneira geral, a manutenção preditiva tem
no eixo de saída, em eixos independentes. uma importância decisiva sobre a disponibilidade
Com esta concepção, a turbina do estágio de uma turbina de gás e em geral os fornecedores
posterior pode operar com grandes faixas de turbinas oferecem contratos de manutenção
de velocidade tornando-se, desta forma, dos equipamentos que vendem, que incluem um
adequadas para aplicações com acompanhamento constante do funcionamento e
velocidade variável. Ou seja, quando se uma revisão anual.
necessitar uma menor rotação no eixo de
saída, o gerador de gás poderá seguir Os principais parâmetros a serem observados no
girando a alta velocidade e colocando a monitoramento das condições de operação de
disposição da turbina de potência um fluxo uma turbina a gás podem ser resumidos como se
de gases sob pressão elevada. Este tipo segue.
de máquina é especialmente apto para
aqueles casos em que se requer um Compressor:
aumento do torque a baixas velocidades. • Nível de vibração;
• Pressão de entrada;
Segundo a concepção original do projeto da • Temperatura de entrada;
turbina: • Velocidade;
• Industriais ou "Heavy-duty": são as • Pressão de descarga;
turbinas concebidas para uso estacionário, • Temperatura de descarga;
mais pesadas e mais resistentes com • Queda de pressão no filtro de ar.
manutenção mais simples;
• Aeroderivadas: são as turbinas Sistema de Alimentação de Combustível:
desenvolvidas para uso aeronáutico e • Fluxo de combustível;
posteriormente adaptadas para uso • Pressão do combustível;
estacionário.
• Temperatura do combustível;
• Queda de pressão no filtro de combustível.
III. MANUTENÇÃO PREDITIVA
Pode-se dizer que existem diversas rotinas de Turbina e sistema de exaustão:
manutenção para turbinas a gás. Estes • Nível de vibração;
procedimentos diferem um do outro em função do
• Rotação da turbina de alta pressão;
número de unidades instaladas, do regime de
• Rotação da turbina de baixa pressão;
operação, da disponibilidade exigida e da
• Temperatura dos gases de exaustão;
existência de pessoal especializado nas
• Torque.
empresas.

Sistema de lubrificação
• Temperatura do reservatório de óleo;

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 605 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
• Nível do reservatório de óleo. • Inspeção visual: 10.000 horas;
• Endoscopia: 20.000 horas;
Além destas variáveis existem outras a serem • Recall (com troca de palhetas, etc.):
consideradas em função do programa de 30.000 horas.
manutenção de cada empresa. Como exemplo
pode-se citar pressão e temperatura em diversos Estas estimativas, como já citado, podem variar.
pontos da turbina e as características De qualquer forma, entretanto, a observação
relacionadas com o sistema de controle dos responsável das normas de manutenção permite
equipamentos. que a disponibilidade média fique em torno de
92%, para uma vida média da turbina superior a
IV. MANUTENÇÃO PREVENTIVA 120.000 horas.
Com relação à manutenção preventiva, é
importante observar que a freqüência de partidas V. MANUTENÇÃO CORRETIVA
é um dos fatores importantes para a determinação O alto custo associado com a inspeção geral
do intervalo entre as manutenções e (“overhaul”) faz com que as empresas busquem o
conseqüentemente para a vida de uma turbina de maior intervalo possível entre estas atividades.
gás. Para tanto buscam aumentar a vida útil dos
diversos componentes e desenvolver técnicas de
Como um caso típico, pode-se dizer que uma manutenção corretiva econômicas e seguras.
inspeção dos elementos de combustão dura de Uma análise da vida útil dos componentes e dos
uma a duas semanas e deve ser efetuada entre custos das peças de reposição indicam que as
8.000 horas e 16.000 horas de operação. Para maiores oportunidades de economia estão
uma inspeção de partes quentes (“gas path”), que relacionadas com as partes quentes. Entretanto,
dura de duas a três semanas, se recomendam reparos nestas partes são de certa forma
intervalos de 15.000 a 25.000 horas. A inspeção desencorajadas pelos fabricantes.
geral (“overhaul”), que requer a abertura do
gerador de gás e da turbina de potência, pode VI. VIDA ÚTIL ECONÔMICA
gastar entre quatro e seis semanas e é normal Baseando-se em valores de vida média para
que seja efetuada entre 30.000 e 48.000 horas. O turbinas, fornecida em número de horas de
valor superior destas estimativas de intervalo para operação, e em valores de disponibilidade média
manutenção são para gás natural. No caso de destes equipamentos, sugere-se uma vida útil
combustíveis líquidos é recomendável cerca da econômica de 20 anos para as turbinas a gás.
metade destes períodos.

REFERÊNCIAS
Através de contatos com usuários destes [1] Martins, A.R.S. e Teixeira, F.N. Cogeração
equipamentos, outros períodos foram também Industrial, Apostila, Escola Federal de Engenharia
identificados: de Itajubá, 1999.

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 606 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
[2] Sawyer’s Turbomachinery Maintenance
Handbook, Volume I – Gás Turbine /
Turbocompressors.

[3] Nascimento, M.A.R. Introdução à Turbina a


Gás Industrial, Apostila, Escola Federal de
Engenharia de Itajubá, 1999

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 607 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
Turbina Hidráulica

RESUMO O século XVIII, com as descobertas de Daniel


As turbinas hidráulicas têm um papel importante Bernoulli (1700-1782) e Euler (1707-1783), foi a
em uma central hidrelétrica. Elas são máquinas de base para o desenvolvimento das máquinas
fluxo motoras, ou sejam, transformam energia de hidráulicas. Bernoulli lançou, em 1730, sua obra
pressão em energia de eixo, que é entregue ao Hidrodinâmica, enquanto Euler inventou, em 1751,
gerador elétrico. Para atender aos diversos uma roda de reação com distribuidor fixo e, em
aproveitamentos ou quedas e vazões existem 1754, desenvolveu a equação que é a base para a
vários tipos de turbinas, com diferentes peças de compreensão do funcionamento das turbinas
controle do fluxo de água e geometrias de rotores. hidráulicas. A partir daí, estudos foram realizados
De um modo geral a manutenção das turbinas é por vários pesquisadores, surgindo, nos séculos
quase um padrão para todos os tipos, XIX e XX, as turbinas convencionais Francis
diferenciando apenas daquelas de grande porte (1847), Pelton (1880), hélice (1908) e Kaplan
das de menor porte. Há necessidade de se fazer (1912), utilizadas até nos dias atuais.
manutenções periódicas, acompanhando e
monitorando suas partes principais. Desta forma O inglês James Bicheno Francis (1815-1892),
consegue-se uma vida útil bem prolongada. No trabalhando como engenheiro nos EUA, foi
Brasil existem várias centrais hidrelétricas incumbido de estudar uma turbina para o
operando suas turbinas a mais de 60 anos e em aproveitamento energético do desnível de um rio.
bom estado de conservação. Um valor de vida útil Para isso, Francis utilizou um tipo de máquina
econômica de 40 anos para turbinas é bastante centrípeta desenvolvida em 1838 por Samuel
viável e aceitável. Dowd e realizou aperfeiçoamentos na mesma,
através do distribuidor com pás móveis que tinha
I. INTRODUÇÃO a função de variar a vazão da turbina. A partir daí,

A turbina hidráulica faz parte da família das esta máquina passou a se chamar turbina Francis.

máquinas de fluxo, que são máquinas de fluido,


em que o escoamento flui continuamente e opera Como a turbina Francis não operava bem para
transformações do tipo Emecânica ⇔ Ecinética ⇔ altas quedas e pequenas vazões, foi desenvolvida

Epressão. No caso da turbina hidráulica, denominada pelo engenheiro norte-americano Lester Allen

de máquina de fluxo motora, a transformação de Pelton (1829-1908) uma turbina de ação de rotor

energia ocorre da energia de pressão para a com pás em forma de conchas e seu controle de

energia mecânica, passando pela variação de vazão realizado através de uma agulha e um

energia cinética. injetor. No caso das turbinas Pelton para centrais

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 608 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
de pequeno porte, são utilizadas máquinas de um II.1. TURBINAS DE AÇÃO E REAÇÃO

ou dois injetores, enquanto que, para as grandes Todas as turbinas fabricadas atualmente estão
centrais, são utilizadas turbinas com até seis classificadas em dois grandes grupos: as turbinas
injetores. de ação e as de reação. A turbina de ação é
aquela que a água ao passar pelo rotor não
A necessidade de obtenção de turbinas com possui variação de pressão, enquanto que a
rotações consideráveis em baixas alturas de turbina de reação é aquela que a água ao passar
quedas e grandes vazões deu origem, em 1908, pelo rotor possui variação de pressão. Como
às turbinas hélice. O distribuidor mantém o exemplos, podem-se citar:
aspecto que tem nas turbinas Francis, mas o • Turbinas de ação – Pelton e Michell-Banki;
formato do rotor é de uma hélice. Essas turbinas • Turbinas de reação – Francis, axiais, como
são denominadas de fluxo axial, o rotor tem pás hélice e Kaplan.
fixas, e o controle da vazão é realizado no
distribuidor. Uma evolução da turbina hélice II.2. TURBINAS PELTON

ocorreu em 1912, com os desenvolvimentos São máquinas de ação, escoamento tangencial ao


realizados por Victor Kaplan (1876-1934), que passar pelo rotor, que possuem pás em formas de
propôs um mecanismo para variar a vazão da conchas. As turbinas Pelton operam grandes
turbina através das pás móveis do rotor em alturas e pequenas vazões. Existem centrais
sincronismo com as pás do distribuidor, ambas hidrelétricas no mundo com alturas de quedas até
controlados pelo regulador de velocidade. Kaplan 1900 [m], atingindo potência de 100 [MW] por
conseguiu através da turbina axial que, mesmo unidade. No Brasil, a Central Hidrelétrica de
variando a vazão, não houvesse queda de Cubatão 1 possui nove grupos geradores, sendo
rendimento considerável, diferentemente do que seis com 68 [MW] cada unidade.
ocorria com a turbina hélice.
As partes principais de uma turbina Pelton são
No Brasil, a maior parte das centrais hidrelétricas agulha e injetor, rotor, desviador de jato e freio de
tem suas turbinas do tipo Francis, que abrangem jato. A agulha e o injetor têm a função de variar a
a utilização de uma grande faixa de vazões e de vazão. Existem turbinas desde um injetor ou de
alturas de quedas, pois possuem diferentes um jato até seis jatos. As turbinas de um e dois
formatos de rotores. Entretanto, ultimamente, jatos são de eixos horizontais e são utilizadas em
outros tipos de turbinas têm sido instalados como, pequenas centrais hidrelétricas, enquanto que
por exemplo, as turbinas tubulares e as Bulbo, aquelas de três a seis jatos possuem eixos
que operam grandes vazões e poucas alturas de verticais e são utilizadas em médias e grandes
queda. centrais. O rotor tem a função de transformar a
energia de pressão ou hidráulica em energia
II. CARACTERÍSTICAS utilizável de eixo. O defletor de jato funciona como
um interceptador do jato, desviando-o das pás

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica 609 Estudo de Vida Útil Econômica e Taxa de Depreciação
quando ocorre uma diminuição violenta na radial e alturas de queda médias) e rápido
potência demandada pela rede elétrica. Nesta (escoamento misto e alturas de queda menores).
condição, uma atuação rápida da agulha As turbinas Francis podem ser utilizadas em
reduzindo a vazão poderia provocar uma aproveitamentos e alturas de queda de até 600
sobrepressão no injetor, nas válvulas e no [m]. Neste caso, com rotor lento.
conduto forçado. O defletor volta à posição
primitiva liberando a passagem do jato, logo que a O tubo de sucção permite que a água que sai do
agulha assume a posição que convém para a rotor atinja o canal de fuga, escoando de uma
vazão correspondente à potência absorvida. O forma contínua ao invés de ser descarregada
freio de jato, que é utilizado para turbinas de maior livremente na atmosfera. O tubo de sucção é
potência, faz incidir um jato nas costas das pás, construído com um aumento de seção no sentido
contrariando o sentido de rotação quando se do escoamento, proporcionando a transformação
deseja frear a turbina rapidamente. da energia cinética com que a água abandona o
rotor em energia de pressão. Desta forma, o tubo
II.3. TURBINAS FRANCIS de sucção é chamado de recuperador de energia.
A turbina Francis é uma máquina de reação,
podendo ser de escoamento radial ou misto do II.4. TURBINAS AXIAIS

fluxo ao passar pelo rotor. As turbinas axiais são máquinas de reação, o


escoamento ao passar pelo rotor tem sentido do
As partes principais da turbina Francis são eixo e operam em centrais de baixas alturas de
carcaça, pré-distribuidor, distribuidor, rotor e tubo queda e com grandes vazões. Podem ter eixo
de sucção. A carcaça, que tem a função de horizontal, vertical ou inclinado. As turbinas axiais
direcionar a água para o pré-distribuidor, pode ser podem ser: hélice, Kaplan, tubular S e bulbo.
na forma espiral ou cilíndrica e, em alguns casos,
sem carcaça, sendo estas denominadas turbinas A turbina axial possui a carcaça e a maioria de
de caixa aberta. Esta última é utilizada em seus componentes semelhantes à turbina Francis,
turbinas para pequenas centrais hidrel