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Fichamento Livro Direito Constitucional de Pedro Lenza

Segundo José Afonso da Silva, no que diz respeito ao Direito Constitucional é


idealizado dentro do ramo do direito público, e sobressai pelo seu objeto e princípios
fundamentais. Caracteriza-se como Direito Público Fundamental uma vez que,
relaciona-se diretamente à organização e funcionamento do Estado. Embora classificado
como ramo do direito, devemos lembrar que modernamente vem sendo dito que o
direito é uno e indivisível, indecomponível.

Podemos atribuir essa classificação dicotômica a Jean Domat, cuja obra inspirou
a o Código de Napoleão e a “Era da Codificação”, que mais tarde conferiu ao Código
Civil a natureza de verdadeira “constituição privada”, surgindo então o dogma da
completude que é a regulamentação privada a qual o juiz aplica, fortalecida pelo
liberalismo clássico.

Através de novos direitos e transformações do Estado, há uma forte influência


do direito constitucional sobre o direito privado, havendo também a descodificação do
direito civil para o surgimento de vários microssistemas como Lei de Direito Autoral,
Lei de separação e divórcio etc, todos esses encontrados com fundamento na
Constituição Federal.

De acordo com Canotilho, há vários constitucionalismos, que ele cita como


“movimentos constitucionais”, assim representando uma técnica de limitação do poder
com fins garantidos, trazendo o valor. Já Kildare Gonçalves Carvalho, tem uma
perspectiva jurídica, reportando-se a um sistema normativo e sociológico por
representar um movimento social. Para André Romano Tavares apresenta quatro
sentidos, sendo o primeiro político-social , segundo cartas constitucionais escritas, no
terceiro diversas sociedades e por fim, evolução histórico-constitucional.

Canotilho ainda estabelece dois grandes movimentos constitucionais: o antigo e


o moderno.

Na Antiguidade, temos Karl Loewenstein identificando o surgimento do


constitucionalismo nos hebreus, ao estabelecer limites ao poder político assegurando
legitimidade aos profetas para supervisionar os atos governamentais. Já na Idade Média,
a Magna Carta de 1215 é o grande marco do constitucionalismo medieval. No decorrer
da Idade Média temos os pactos, como por exemplo: o Petition of Rights de 1628.

Com relação a evolução do constitucionalismo na América do Norte podemos


citar os contratos de colonização e no Moderno temos as constituições escritas, tendo
como marco a Costituição norte-americana de 1787 e a francesa em 1791, marcado pelo
liberalismo.

Por sua vez Uadi Lammêgo, aborda o constitucionalismo contemporâneo


chamado de “totalitarismo constitucional” como o que : consolida um conteúdo social,
que estabelece normas programáticas, e atenuado ao pensamento de Tavares que ao
falar sobre o constitucionalismo globalizado define como a proteção aos direitos
humanos e propagação para todas as nações.

A medida que segue, o constitucionalismo futuro deve alicerçar os direitos


humanos de terceira dimensão com base no social, fraternal e de solidariedade. De
acordo com José Roberto Dromi “deve estar influenciado até identificar-se com a
verdade, a solidariedade, o consenso, a continuidade, a participação, a integração e a
universidade.”

No século XXI, mediante uma nova perspectiva do constitucionalismo, intitulado


neoconstitucionalismo, ou, segundo alguns, constitucionalismo pós-moderno, ou, ainda
pós-positivismo que busca principalmente a eficácia do Constitucionalismo, sendo mais
efetivo perante os direitos fundamentais. Para Walber de Moura Agra “Dentre suas
principais características podem ser mencionadas: a) positivação e concretização de um
catálogo de direitos fundamentais; b) onipresença dos princípios e das regras; c)
inovações hermenêuticas; d) densificação da força normativa do Estado; e)
desenvolvimento da justiça distributiva”. Temos como pontos marcantes:

 Centro do sistema;
 Norma jurídica - imperatividade e superioridade;
 Carga valorativa - axiológica – dignidade da pessoa e direitos fundamentais;
 Eficácia irradiante em relação aos Poderes e mesmo aos particulares
 Concretização dos valores constitucionalizados
 Garantia de condições dignas mínimas

Barroso aponta como os três marcos fundamentais do constitucionalismo novo,


o histórico, o filosófico, e o teórico. Sendo o histórico, a formação do Estado
constitucional de direito, filosófico como o pós-positivismo e teórico como o conjunto
de mudanças e o desenvolvimento de uma nova dogmática.

Todo Estado deve possuir uma Constituição, devendo esta limitar poderes e
regras na consagração de um Estado Democrático de Direito, em que segundo o Art. 1°
da CF/88 expressa “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”. Podemos dizer
que a CF/88 consagra a democracia semidireta ou participativa.

A dificuldade contramajoritária é um dos obstáculos a ser vencido, pois decorre


da invalidação da vontade do povo com relação ao trabalho legislativo, segundo Sousa
Neto e Sarmento identificam a Constituição como “um princípio jurídico judicialmente
tutelado” (Marbury vs. Madison) e não uma proclamação política, também destacam a
tensão entre supremacia judicial e “constitucionalismo popular”. Nesse contexto,
constitucionalismo popular pode ser definido sob a perspectiva de que o povo - e não os
juízes — seriam melhores e mais adequados intérpretes da Constituição.
Nimer Sultany, por sua vez, identifica 4 grupos de autores em um
“mapeamento”:

 “deniers”
 “reconcilers”:
 “endorsers”:
 “dissolvers”:

Conforme propõe Lary Kramer, há “um mundo de diferenças entre ter a última
palavra (last word) e ter a única palavra (only word); entre supremacia judicial (judicial
supremacy) e soberania judicial(judicial sovereignty).”

Com relação a Reversão Legislativa da Jurisprudência temos:

emenda constitucional: o controle judicial incide apenas sobre os limites ao poder de


reforma fixados na própria Constituição (art. 60);

ato normativo infraconstitucional: em sentido diverso das emendas constitucionais, os


atos normativos infraconstitucionais nasceriam com presunção iuris tantum de
inconstitucionalidade, “de modo que caberia ao legislador ordinário o ônus de
demonstrar, argumentativamente, que a correção do precedente faz-se necessária”,
submetendo-se, em razão disso, a um controle judicial mais rigoroso.

Os papéis desempenhados pelas Supremas Cortes e Tribunais Constitucionais


são:

 papel contramajoritário
 representativo
 iluminista.

Conforme observa Fux, “a verdade é que a jurisprudência do STF nesta matéria


vem gerando fenômeno similar ao que os juristas norte-americanos (...) identificam
como backlash, expressão que se traduz como um forte sentimento de um grupo de
pessoas em reação a eventos sociais ou políticos. reações desencadeadas por mudanças
bruscas e ameaçadoras do status quo, destacando-se aqui, por exemplo, reações aos
movimentos de conquista de direitos civis e aos movimentos feministas em busca de
direitos etc.

Por fim, o constitucionalismo democrático assegura tanto o papel dos


representantes do povo e da cidadania mobilizada no cumprimento da Constituição,
como o papel dos tribunais no exercício de sua função de intérprete.