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Fogo, música, dança, alegria, sedução e paixão.

Percorrer esta estrada sem se prender a nenhuma estação.


Acender uma fogueira no próprio coração
Para dançar a vida com magia, coragem e paixão.
Brincar com fogo sem se queimar.
Beber vinho sem se embriagar.
Se apaixonar sem se aprisionar.
Sempre dançar, sem jamais tropeçar.
Cantar as palavras do coração com beleza, força e sedução.
Sempre estar atento
Para ver em que direção vai soprar o vento.
Nunca temer a liberdade do risco de viver.
Aceitar a vida como uma melodia que, como tudo, tem seu
princípio, meio e fim.
Saber seduzir, sem se deixar seduzir pela própria sedução.
Ser humano e brilhar assim mesmo.
Saber que a água purifica, a lua abençoa,
O fogo consagra, o ar liberta e a terra transforma.
Ter os pés no chão, os olhos no horizonte e a mente nas
estrelas.
Não, não é ser o vento, mas sim, o filho do vento!

“O CÉU É MEU TETO; A TERRA É MINHA PÁTRIA E A


LIBERDADE É MINHA RELIGIÃO”!
SALVE TODO O POVO CIGANO!
A Umbanda é uma religião que prega a prática da
caridade e do amor ao próximo sobre todas as coisas. Por isso,
todos os espíritos que queiram praticar a caridade,
independente de suas origens terrenas e de suas encarnações
são e serão sempre bem vindos a essa família.
Os ciganos, bem como boiadeiros, marinheiros, baianos e
orientais, não faziam parte da constituição inicial apresentada
no surgimento da Umbanda. Entretanto, representam hoje,
importante falange dentro dos trabalhos regulares das Giras
de Umbanda. A falange dos Ciganos no astral cresce dia a dia,
pois, cada vez mais, antigos ciganos estão percebendo que o
planeta necessita de sua sabedoria sobre seu amor pela
natureza e sobre manter o equilíbrio entre os elementos água,
fogo, terra e ar.
Na Umbanda se apresentam na forma de espíritos de
homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano em
alguma vida e também como espíritos que foram atraídos
para essa linha por afinidade com a magia cigana. Por isso, os
ciganos na Umbanda não têm obrigatoriamente que falar
espanhol ou romanês, ler cartas ou fazer advinhações. Há os
espíritos ciganos que fazem isso porque já o faziam quando
encarnados mas não é uma regra.
Os ciganos atuam como guias espirituais, de maneira
extremamente respeitosa e sempre procuram mostrar o
caráter fraterno de seu povo, seu respeito pela família e sua
capacidade de repartir o pão. Entendem o ritual umbandista
como meio de evoluir, onde podem contribuir com ricas
orientações e com a alegria de seus cantos e de suas danças.
Os espíritos ciganos não trabalham a serviço do mau.
Trazem uma contribuição inesgotável aos homens e aos seus
pares, dentro do critério de merecimento. Sua atuação
influencia bastante no campo do bem-estar pessoal e social,
da saúde, do equilíbrio físico, mental e espiritual. Eles também
são muito procurados para auxílio no progresso financeiro e
nas causas amorosas. Cheios de simpatias espirituais, os
espíritos ciganos trabalham ainda para a cura de doenças
espirituais.
Algumas pessoas erroneamente procuram essa linha
com pedidos contrários à função dessas entidades. Esquecem
que elas agem libertando e nunca prendendo, seja no sentido
religioso, amoroso ou profissional. Os Ciganos libertam, amam
e transformam em nome da vida e da alegria.

Os ciganos são poeticamente denominados “Filhos do


Vento”, pois seu povo possui cultura própria, rica e se
encontra disperso por todo o mundo, em ampla liberdade.
Profundos conhecedores dos caminhos, vêm recolhendo
conhecimentos de todas as culturas e tradições por onde
passam, tendo estado, em suas andanças, por diferentes
países, enriquecendo a sua cultura. Vê-se assim a enorme
gama de ensinamentos que os ciganos colheram ao longo de
suas vidas.
Em sua história, o povo cigano sempre despertou muita
curiosidade por seus hábitos e costumes muito diferentes
daqueles mantidos pelas populações dos lugares pelos quais
passavam. A Igreja da época, durante muito tempo, condenou
as práticas que consideravam sobrenatural, como a
cartomancia e a leitura das mãos, fazendo com que eles
sofressem discriminação e perseguição. Com o tempo, a
curiosidade deu lugar ao preconceito e à animosidade. Foram
rotulados injustamente como ladrões, feiticeiros e vadios. Em
alguns locais chegaram a ser mantidos como escravos, sendo
tratados com bastante crueldade. Mesmo assim, este povo
continuou sua marcha sempre em busca da liberdade.

Sabe-se que os espíritos ciganos gostam de festas, que


gostam de ser recebidos em meio à fartura e aos seus
companheiros de caminhada, o que confirma seu arquétipo
próspero, alegre e familiar. Eles sempre dão o exemplo de que
ao repartirem toda fartura, dão tudo que possuem em troca da
liberdade. Esse povo canta e dança tanto na alegria como na
tristeza pois para o cigano, a vida é uma festa e a natureza que
o rodeia a mais bela e generosa anfitriã. São cheios de energia
e grande dose de passionalidade.
Existem diversas versões sobre a origem do povo cigano
e sobre como eles se espalharam pelo mundo. Contam alguns
autores que eles surgiram na Índia, outros que eles vieram do
Egito, outros ainda dizem terem os ciganos se desenvolvido
principalmente na Europa Oriental, França e Espanha. O que
se sabe é ainda hoje existem diversos grupos ciganos
espalhados por todo mundo, nas mais diversas áreas de
atuação.
O povo cigano, na Terra, tem seus rituais específicos e
cultua a natureza, os astros e ancestrais. São peculiares dentro
do seu próprio código de ética, honra e justiça, senso, sentido
e sentimento de liberdade, contagiando qualquer outro
sistema. Como encarnados, eles não têm uma religião
definida, se adaptam facilmente à religião dos países onde
permanecem. Entretanto os ciganos cultuam seu Deus,
conhecido entre eles como Devel. Acreditam na reencarnação.
Por isso, para eles a morte não significa o fim. Realizam nos
funerais o que chamam de banquete fúnebre, no qual se
celebra o aniversário da morte de uma pessoa. Neste dia, a
abundância do alimento e das bebidas exprime o desejo de
paz e felicidade para aquele que se vai.
Atuam fortemente sobre o campo da magia, através da
interpretação de oráculos e vibrações pessoais. Outra
característica marcante desse povo é a vidência, para a qual
utilizam um elemento magístico para atuar sobre o tempo, a
memória, os conhecimentos e a cura. Por meio das cartas ou
outros suportes materiais como bolas de cristal, estralas do
mar ou simples copos de água, o futuro, o presente e o
passado desdobram-se sob suas vistas. Utilizam ainda de
outros recursos para ajudarem aqueles que os procuram em
busca de auxílio, como ervas, chás e toques curativos.

Dentre os encantos ciganos, um dos mais conhecidos é a


leitura das mãos. Porém é importante saber que para esse
povo, o verdadeiro cigano, antes de ler a mão, lê os olhos das
pessoas (os espelhos da alma) e toca seus pulsos (para sentir
o nível de vibração energética). Só então é que interpreta as
linhas das mãos. A prática da Quiromancia para o Cigano não
é um mero sistema de adivinhação, mas, acima de tudo um
inteligente esquema de orientação sobre o corpo, a mente, o
espírito, a saúde e o destino.
É muito comum ver os ciganos trabalharem com moedas
antigas, fitas de todas as cores, folhas de sândalo, punhal,
cristal, lenços coloridos, tacho de cobre ou alumínio, cestas de
vime, pedras coloridas, areia de rio, vinho, perfumes, baralho,
espelho, dados, dança e música, como vemos através do som
de seus violinos, cítaras, violas, pandeiros e outros
instrumentos característicos, os quais são sempre
instrumentos magísticos de trabalho. Os ciganos trabalham
com suas magias por força de seus próprios mistérios,
olhando por dentro das pessoas e dos seus olhos.
Ainda, é importante saber que esses espíritos são
profundos conhecedores sobre o uso de ervas e cristais,
banhos de todos os tipos, o uso curativo das cores, imposição
de mãos, magnetizações, harmonização emocional, telepatia,
hipnose, entre outras técnicas terapêuticas alternativas, que
fortalecem energeticamente o indivíduo, ajudando muito nos
tratamentos médicos convencionais.
Os médiuns das entidades ciganas devem estar
preparados para facilitar o trabalho da entidade. Isso quer
dizer, devem estudar, aprimorando seu conhecimento. Se a
entidade optou em trabalhar com oráculos (baralho cigano,
tarô, runas) cabe ao médium estudar um pouco esses
oráculos. Se a entidade trabalha mais com magias, o médium
deve aprender a conhecer essa arte, para poder ser um
médium magista mais preparado. Se a entidade quer fazer
trabalhos de cura, o médium deverá conhecer mais sobre as
terapias alternativas, fitoterapia, fluidoterapia, magnetismo,
etc. O trabalho é conjunto, troca, dedicação e disciplina.
As festas ciganas devem acontecer com bastante fruta,
todas que não levem espinhos de qualquer espécie, podendo
se encher jarras de vinho tinto e sangria. Utilizam-se pães,
muitas flores silvestres, rosas, velas de todas as cores. Os
incensos também são importantes na realização de seus
passes espirituais. Observam também as diversas fases da Lua
em seus encantamentos. Entretanto, o mais importante para o
Povo Cigano é interagir com a Mãe Natureza respeitando seus
ciclos naturais e sua força geradora e provedora.
Para o povo cigano a simplicidade é uma das qualidades
mais difíceis para o homem adquirir, bem como o amor de
ordem cósmica. Neles os ciganos são exímios mestres. Essas
são as mais poderosas magias. O amor cura, supera erros,
cicatriza feridas da alma, perdoa o pior erro, ensina, dulcifica
e equilibra. Liberdade e Alegria, reconhecimento da Vida em
Comunidade, do Teto e do Espaço Sagrado, do Encanto e da
Força da Natureza, da Magia e da Reza são sentidos e
atributos ensinados pelos Ciganos que se manifestam através
do dom mediúnico em nossa querida Umbanda. E com o
encanto de suas danças, seus cantos e seus movimentos é que
envolvem cada vez mais irmãos para dentro do coração
pulsante da Umbanda.
A corrente vibratória de trabalho dos espíritos ciganos
tem relação com as cores estilizadas por eles em seu culto. Os
ciganos usam muitas cores em seus trabalhos, mas cada
cigano tem sua cor de vibração no plano espiritual. Essas
cores são apresentadas em sua prática caritativa através de
velas, roupas, etc. As saias das ciganas são sempre muito
coloridas, confome a sua cor de trabalho.
Normalmente, na Umbanda, falam uma mistura de
castelhano com português, expressando-se com muita
vitalidade, de maneira teatral. Adoram falar e contar histórias.
As ciganas não admitem mostrar pernas em público,
porque, ao contrário do que imagina, a moral conservadora
com a qual foram criadas não permite tal exposição. Por isso,
a saia das ciganas deve ser sempre comprida e rodada. Já com
os ciganos, é através de seus paramentos que se identifica sua
hierarquia dentro da tribo, por isso estão sempre
impecavelmente trajados, sustentando notáveis adereços em
ouro.
As danças ciganas são evocações das forças místicas.
Lembram a fluidez dos ventos, a sinuosidade das águas, o
oscilar das chamas. Tem seu ritmo regido pelo vigor de
pandeiros, palmas e batidas do pé, numa vibração única que
os religam às raízes, imantando todos por onde passa a
energia. Dentre as danças conhecidas podemos citar:
Bater Palmas e Pés: Bater palmas e pés é um ato para
saudar as alegrias da vida e chamar os espíritos dos
antepassados, sempre seguindo o ritmo da música.
Dança do Leque: Dança do elemento ar. Representa o
amor, a sensualidade, a sedução, a limpeza e o poder. Da
maneira que se abre pode representar as fases da lua e da
mulher; é um poderoso instrumento de limpeza energética,
magia para a cura e sedução. Sendo assim, está
constantemente nas mãos espertas de uma cigana, atraindo a
atenção para seu mistério e poder.
Dança da Rosa: Elemento terra. Representa o amor, a
beleza, a conquista, sedução e a sensualidade. A rosa é a
beleza interior e a beleza exterior. A rosa vermelha na boca
dos ciganos é para presentear a mulher que está envolvida na
dança.
Dança das Fitas Coloridas: Elemento água. Representa
as lágrimas de alegria e tristeza derrubadas pelo povo Cigano.
Não o lamento, mas a comemoração. Representa a limpeza,
alegria e infantilidade. Dançar com fitas é quase uma
brincadeira de criança, alegra qualquer tipo de ambiente,
festeja os nascimentos e casamentos, os movimentos das fitas
rodopiantes manifestam o ritmo da vida e a alegria de fazer
parte dela.
Dança do Véu: representa o elemento ar. Expressa a
leveza do corpo e a sensualidade.
Dança das Tochas: Mostra a fúria e o poder do fogo
através das tochas acesas ou candelabros, que reverenciam
este elemento. Representa a purificação e a limpeza pelo fogo.
Dança do Pandeiro: Dança dos quatro elementos,
denota a alegria e sugere uma festa. Serve também para
purificar o ambiente. O pandeiro traz a alegria do sol,
saudando-o com inúmeras fitas coloridas, representando seus
raios protetores e vivos. Como todo instrumento que faz
barulho, ele tem como função expulsar os maus espíritos ou
energias negativas, abrindo caminho para o povo festejar. Sua
mensagem é mover, transformar o que está parado em ritmo,
revigorar o nosso corpo com a alegria e o calor da dança,
assim como o sol faz conosco. As fitas vêm representar
através das cores, os pedidos ou bênçãos.
Dança dos Sete Véus: Os véus coloridos representam as
sete cores do arco-íris, simbolizando o amor e a sensualidade.
As cores dos véus representam os quatro elementos.
Dança do Punhal e da Espada: Elementos ar e terra.
Significa lutas, disputas, fúria e pode simbolizar a limpeza do
ambiente e do corpo. Representa o corte, a força e a limpeza.
Dança do Lenço: Representa união, casamento e amor.
O lenço, preso delicadamente nos dedos da cigana, envolve-a
de mistério e aos poucos revela seus desejos, sentimentos e
sonhos, que são movidos pelo deslizar do lenço pelo ar, no
transe da música, livre como o vento e infinito como o céu. O
lenço também transforma e limpa o ambiente, pode
representar pedidos ou coisas da vida que queremos mudar
ao dançar.
Dança do xale: representa o mistério e a magia do
elemento fogo. Dançar com o xale representa agradecer todas
as dádivas ao criador, a sua força, o poder de ser mãe, o poder
de seduzir o seu amor e também proteção e família. É usar
toda poesia, força e magia. Uma cigana, ao dançar com o xale,
nunca deixa outra pessoa pegá-lo ou derrubá-lo, pois ele é a
sua essência feminina.
Bom irmãos, encerro o texto de hoje dizendo que sobre
os encantos e magias dessas entidades na Umbanda ainda há
muito que se pesquisar e aprender. A alegria dos ciganos não
só inunda nossos corações de felicidade, como também é
fundamental para a firmeza dos trabalhos realizados por eles.
O povo cigano traz o brilho das estrelas em seu sorriso, a
leveza das ações, conforme os passos de uma dança e a
sensibilidade expandida em nossos corações. Contudo, sabe
que quando chega a meia-noite, só se pode amanhecer. É nisso
que os ciganos acreditam desde seus primeiros passos. Está aí
o segredo de seu sorriso fácil e de seu porte altaneiro: a
certeza da vida infinita, na qual entendem que, por pior que
sejam as dificuldades, as luzes da alvorada destroem todos os
sonhos maus, os empurrando para longínquos lugares, fora do
alcance de todos os bons corações.
Salve o povo Cigano!

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