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Apostila de Conteúdos

Índice
1- Introdução 4
O que absorvemos na nossa pele com os sabonetes industriais 5
A diferença entre Saboaria Artesanal Natural e Saboaria industrial 8
História da Saboaria 10
Saboaria e Aromaterapia 14
A diferença entre Óleos Essenciais e Essências Sintéticas 15
Cuidados gerais na saboaria 18
Cuidados gerais com os óleos essenciais 20
2- Saboaria Artesanal 24
Materiais necessários e Matérias Primas 25
Moldes 26
Pigmentos naturais 27
Conservantes naturais 31
Ervas Medicinais 33
Óleos vegetais / Óleos da base 37
3- Aromaterapia 44
Histórico do uso das plantas, aromas e óleos essenciais 45
As categorias e as notas dos aromas 48
Vias de absorção dos óleos essenciais 51
Guia dos 8 Principais Óleos Essenciais para Saboaria 52
4- Fazendo Sabonetes 57
Como funciona o método de Cold Process 58
Como funciona o método de Hot Process 59
Qual a diferença entre o método Cold e Hot Process 60
A Química do sabão 62
Como calcular a lixívia 64
Sobregordura e desconto de soda 66
Os tipos de traço 68
Calculando o PH 69
5-Passo a passo para Produção de Sabonetes no Cold Process 71
Óleos e manteigas para Saponificação 72
Preparando a Lixívia e misturar com os óleos 74
Verificando o traço 76
Aplicando aditivos, pigmentos naturais e conservantes 78
Molde e corte 81
Processo de cura 84

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Índice
6- Passo a passo para Produção de Sabonetes no Hot Process 85
Óleos e manteigas para Saponificação 86
Preparando a Lixívia e misturar com os óleos 87
Verificando o traço 89
Levando ao Fogo 90
Medindo o PH 92
Aplicando aditivos, pigmentos naturais e conservantes 93
Molde e corte 95
7- Passo a passo para Produção de Sabonetes de Glicerina 96
Derretendo a base 97
Aplicando aditivos e conservantes 98
Molde e corte 99
8- Receitas de Sabonetes 100
9- Armazenamento e embalagem 102
Etiquetas de segurança 103
Embalagens 104
10- Bonus 106
Como fazer reaproveitamento (Rebatching) 107
Clareando sabonete no Cold Process 110
Como calcular o preço de venda 111
Receitas clássicas 112
Guia Prático de Ativos e Glicólicos Naturais 116
Regulamentação da Saboaria Artesanal 118
Shampoo em barra 121
Lista de fornecedores 123
11- Informações Gerais e Lembretes 127
12- Anexos 130

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Módulo 1
Introdução
Aula 1

O que absorvemos na nossa pele


com os sabonetes industriais
Sendo a pele o órgão mais extenso do nosso corpo, absolutamente tudo que
colocamos nela será absorvido. Os sabonetes industriais, encontrados aos
montes nos supermercados, durante a fabricação sofrem a retirada da glicerina -
principal ingrediente que amacia a pele - e recebem ingredientes sintéticos e
provenientes de petróleo, desenvolvidos quimicamente em laboratórios e
testados em animais.

Esses componentes são responsáveis por aquela sensação de pele rachada,


desidratada e ressecada pós-banho. Os sabonetes industriais também são
maléficos para o meio ambiente, devido aos resíduos tóxicos (como os de lauril
sulfato de sódio).

Por outro lado, os sabonetes artesanais prezam por um conjunto de boas práticas,
que auxiliam não só a nossa pele mas também o meio em que vivemos. Por não
poluírem o ambiente, devido aos ingredientes naturais, também não causam
danos à pele, nutrindo e hidratando, além de serem muito eficientes para tratar
problemas dermatológicos.

Nos sabonetes artesanais, a glicerina é mantida, o que, quando misturada aos


demais ingredientes (como óleos, manteigas e óleos essenciais), permitirá que a
pele absorva diversos benefícios.

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Composição dos sabonetes industriais
Lilial ou butilfenil metilpropional
Responsável pela fragrância, esse componente é um dos químicos sintéticos que
mais causam alergias. De acordo com o FDA (Food and Drug Administration), ele
ainda é considerado seguro para uso em cosméticos, mas estudos do
Environmental Defence Canada apontam que a longo prazo o lilial atua como
desregulador do sistema hormonal feminino.

Benzoato de benzila
Substância de origem orgânica utilizada em aromatizadores de ambiente,
medicamentos, perfumes, tecidos e sabonetes. Estudos do Environmental Defence
Canada provaram que o benzoato de benzila provoca dermatites de contato,
além de também atuar na desregulação de hormônios femininos, como o
estrogênio. Essa desregulação do estrogênio provoca, além do ressecamento da
pele, olhos e mucosas, fadiga, dores de cabeça e dores musculares. O benzoato
também não contribui para o meio ambiente, sendo um dos poluentes que mais
dificultam a manutenção de aterros, além de contaminar águas subterrâneas,
chegando a rios e nascentes.

DMDM Hidantoína
Atua como antibacteriano em sabonetes e outros cosméticos, mas também
pode provocar alergias e dermatites de contato. A longo prazo, ele também é
perigoso pois libera pequenas quantidades de formaldeído (formol), substância
considerada carcinogênica e de alto risco para a saúde.

BHT
Conhecido como butil hidroxi tolueno, é um tipo muito conhecido de conservante,
utilizado em alimentos e produtos cosméticos. O Environmental Defence Canada
associa esse componente ao surgimento de câncer, além de efeitos na tireoide.

Óleo mineral
Conhecido como óleo base, parafina líquida ou vaselina, esse componente é
proveniente do petróleo. Muito utilizado como lubrificante e emoliente. Como
lubrificante, é usado para óleos de motores, engrenagens, fluidos hidráulicos etc.
Nos produtos cosméticos, é usado para dar uma falsa sensação de hidratação,
formando uma película protetora, que acaba barrando a absorção de vitaminas,
nutrientes e até mesmo de óleos essenciais.

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Na saúde, pesquisas apontam que a constante exposição a esses óleos minerais
pode causar deficiência de vitaminas, devido a essa “barreira protetora” que é
criada. Por conta da presença de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAPs), o
óleo mineral é frequentemente associado ao desenvolvimento de câncer. A
pneumonia lipídica também é associada à inalação do óleo mineral, presente em
produtos anti-frizz para cabelos.

Parabenos
De acordo com o Food and Drugs Administration (FDA), parabeno é uma classe de
compostos químicos utilizados como conservantes nos produtos cosméticos. Sua
intenção é oferecer proteção contra micróbios, mas estudos relatam que, assim
como os demais componentes citados, produtos com parabenos podem causar
alergias cutâneas, além do envelhecimento precoce da pele, por criar uma
película sobre a pele, com falsa sensação de hidratação, mas que impedir a
absorção de nutrientes e hidratação da mesma.

Também foi comprovado que o parabeno interfere no sistema endócrino por


conta de atividades estrogênicas, sendo considerado um “disruptor endócrino”.

Lauril sulfato de sódio


O lauril sulfato de sódio é uma mistura de alquil sulfato de sódio, também
conhecido como tensoativo. Dependendo da concentração, esse tensoativo, que
age como detergente, pode ocasionar alergia na pele e nos olhos, além de
modificar o funcionamento de proteínas e passar pelas membranas enzimáticas,
provocando efeitos tóxicos em animais e também em humanos.

No meio ambiente, os tensoativos como o lauril são despejados em esgotos que,


dependendo da infraestrutura e do saneamento básico, poderão ocasionar a
poluição de rios, lagos e oceanos. Muitos tensoativos acumulados na água são
responsáveis por interferir na sobrevivência de animais marinhos.

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Aula 2
A diferença entre Saboaria Artesanal
Natural e Saboaria industrial
É importante diferenciar o modo de produção da
saboaria artesanal natural da indústria saboeira. De
forma geral, a glicerina é o produto da reação de
saponificação. No entanto, na indústria saboeira, a
glicerina é retirada do processo e vendida como
matéria-prima da indústria química. Todo o maquinário
industrial de processamento do sabão é projetado a
partir dessa retirada da glicerina.

A saboaria artesanal natural se caracteriza por todas as atividades realizadas sem


o apoio de máquinas, onde um sabão na forma sólida ou líquida é produzido a
partir dos componentes primários, por meio de uma reação química de
saponificação.

Nesse caso, toda a glicerina produzida na saponificação é mantida no sabão, o


que confere aos produtos artesanais naturais propriedades de umectação e
hidratação à pele, características da glicerina. Isto não acontece com os produtos
industriais, que tendem a ressecar e agredir peles mais sensíveis.

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Saboaria Artesanal Indústria
Natural Saboeira
Resina de Alecrim, vitamina D, Componentes
Conservantes óleos essenciais químicos

Pigmentos Curcuma, Urucum e … Corantes artificiais

Máquina, larga
Artesanal, produção consciente
Produção para evitar desperdícios
escala, visando lucro a todo
custo

Glicerina Rico em glicerina A glicerina é retirada

Propriedades Presentes nos óleos essenciais,


Não há
terapêuticas ervas e sobregordura

Impacto no meio Espuma biodegradável e


componentes que não poluem
Resíduos tóxicos que poluem o
meio ambiente, (parabenos,
ambiente o meio ambiente lauril sulfato de sódio)

Duram menos e dissolvem Duram mais por conta de


Duração facilmente na água devido aos conservantes feitos à base de
componentes naturais petróleo

Custo São mais caros São baratos

Uso em animais Não são testados em animais São testados em animais

Vegano São veganos Não são veganos

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Aula 3

História da Saboaria
O sabão é algo indispensável na nossa rotina hoje, assim como vários outros
produtos cosméticos. Mas nem sempre foi assim!

Segundo uma antiga lenda romana, a palavra “sabão” deriva da semelhança com
Monte Sapo, nos arredores de Roma, na Itália.

Mas também há registros da origem da palavra nas cidades de Marselha (França) e


Savona (Itália). Da palavra “savon”, derivaria também o diminutivo “savonette”, mais
tarde conhecido como “sabonete”, em português.

Segundo a maioria dos estudiosos, a primeira evidência de uma substância


semelhante a sabão remonta a 2800 aC. Mas a confusão surge quando se trata do
inventor original dessa substância, com algumas fontes apontando para os antigos
babilônios.

Historicamente, a Babilônia como uma entidade política surgiu vários séculos após
a data indicada. Portanto, devemos atribuir a honra de inventar sabão aos seus
irmãos ligados à cultura - os sumérios, que dominaram a Mesopotâmia durante a
maior parte do terceiro milênio aC.

Os egípcios misturavam óleos e sais alcalinos para


uma substância de limpeza. Nos bem documentados
banhos de Cleópatra, o sabão não tinha lugar. Nestes
banhos, eram utilizados óleos essenciais, leite de
égua e areia fina como agente abrasivo de limpeza.
O sabão já era conhecido, mas continuava ligado ao
tratamento de feridas e doenças de pele, sendo
descrito como uma combinação de óleos animais e
vegetais com sais alcalinos.

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Na Grécia, o sabão também se encontrava fora dos
hábitos de higiene dos seus habitantes. Os seus
corpos eram limpos com blocos de barro, areia,
pedra pomes e cinzas, sendo em seguida untados
com óleo, cuja função seria arrastar todas as
impurezas quando raspados com um instrumento
de metal específico - o strigil.

A prova definitiva e tangível da produção de sabão


foi encontrada nos meandros da história de Roma. De
acordo com uma antiga lenda romana, o sabão tem a
sua origem no Monte Sapo, onde eram realizados
sacrifícios de animais em pilhas crematórias.

A prova definitiva e tangível da produção de sabão foi encontrada nos meandros da


história de Roma. De acordo com uma antiga lenda romana, o sabão tem a sua
origem no Monte Sapo, onde eram realizados sacrifícios de animais em pilhas
crematórias.

Nas lendas romanas, conta-se que animais eram sacrificados no fogo, como
oferenda aos deuses, e que a gordura que escorria na madeira do altar chegava até
a proximidade dos rios onde as mulheres lavavam roupas. E elas sentiam certa
facilidade em limpá-las com esta nova substância que chegava.

O primeiro uso documentado do sabão nem mesmo foi para higiene pessoal e sim
para limpeza da lã de ovelhas e do couro de outros animais; tanto que o sabão
era produzido a partir da mistura de gordura de carneiro e das substâncias contidas
nas cinzas de pequenos arbustos.

Ainda no Império Romano, mas já nos últimos


séculos da sua dominância, para além de
continuar a ser utilizado para fins medicinais, o
sabão era recomendado pelos médicos, como
benéfico para a pele. Dessa forma, o uso do
sabão nos banhos (antes feitos com raspagem)
começou a se expandir.

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Por outro lado, foi graças ao florescimento cultural
dos reinos islâmicos medievais que as práticas
baseadas na higiene, incluindo o uso de sabonetes,
vieram à tona no sentido que conhecemos hoje.

Na verdade, a cidade síria de Aleppo tinha uma


tradição de fabricar sabonetes de alta qualidade
desde os tempos antigos (como um legado da cultura
mesopotâmica). Com o passar do tempo, o hábito se
traduziu em uma indústria medieval com famílias
mercantis operando por gerações que exigiam a produção
e distribuição de sabonetes, em parte alimentados pela Rota da Seda.

Por volta do século 11 dC, muitos cruzados estavam enamorados dos produtos de
higiene "exóticos" e, como tal, trouxeram algumas receitas de sabão de Aleppo
para os reinos europeus.

Durante a época contemporânea, grande parte da


Espanha também estava sob o domínio dos
mouros muçulmanos, e a associação cultural
resultante fez da península uma das principais
fabricantes dos famosos sabonetes à base de
azeite de Castela. As técnicas de fabricação de
sabão gradualmente também se espalharam para
a Inglaterra no século XIII, onde era feito de
cinzas de madeira; e para a França no século XIV,
onde o famoso sabão de Marselha (feito pela
combinação de água do mar, cinzas e azeite de
oliva) atendeu à nobreza.

Na época de Napoleão, na Europa, o banho ainda não era costume recorrente.


Muitas pessoas não o praticavam. Até nos tempos da Rainha Elizabeth, o banho
acontecia eventualmente uma vez por ano. Felizmente, com o tempo este hábito
tornou-se mais frequente – embora não seja um hábito diário na França e em
alguns países europeus até hoje;

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No Brasil, temos que até meados de 1780, o
sabão era uma das mercadorias importadas
da África. O porto de Salvador, na Bahia, era
o principal porto de entrada;

Comparada com as técnicas atuais da


saboaria artesanal e das misturas químicas,
fazer sabão naquela época era
relativamente simples: tal como nas lendas
romanas, o sabão importado era produzido a
partir da mistura de gordura animal e
vegetal, resultando no que seria a soda
cáustica; essa soda, por sua vez, era
resultado da queima de algumas madeiras
específicas;

O sabão da época costumava ser bem pesado,


até que descobriram que o uso da gordura
vegetal, como a de coco, produzia um sabão
mais refinado e leve (como o sabão de coco);

Em consequência do uso da gordura de coco


no Brasil é que se iniciou a plantação de
coqueiros;

O óleo de palma, utilizado até hoje na saboaria


artesanal, também foi importado da África e
continuou sendo produzido no Brasil;

A partir de 1820, as cidades mais importantes


do Brasil já haviam aderido à arte da saboaria e
começaram a divulgar os primeiros sabonetes
vegetais para comercialização.

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Aula 4
Saboaria e Aromaterapia
A prática da aromaterapia é tão antiga quanto a da saboaria: conta-se que nos
primórdios da humanidade já se utilizavam dos efeitos calmantes da queima de
ervas e plantas aromáticas, atribuindo ligações de espiritualidade e cura até os
dias de hoje;

A aromaterapia pode ser utilizada no dia a dia das mais diferentes formas: por
meio de difusores de ambiente, colares difusores, aromatizador pessoal, óleo
de massagem e na produção de produtos cosméticos naturais, como xampus
e sabonetes;

A aromaterapia e os óleos essenciais podem ser utilizados para tratar distúrbios


diversos, de forma multidimensional, pois como medicina integrativa, a
aromaterapia aborda todos os aspectos do ser humano (físicos, mentais, sociais,
energéticos, espirituais...).

Isso significa que tanto uma acne (aspecto físico) quanto uma ansiedade
(aspecto mental) podem ser tratados a partir da aromaterapia.

No cold process (processo a frio) da produção de sabão, inclusive, é


praticamente indispensável o uso de óleos essenciais para formação da
fragrância;

Isto porque as essências sintéticas, facilmente confundidas com óleos


essenciais, não funcionam no cold process, por conter álcool e outros
componentes sintéticos que podem estragar a receita de sabão (traço).

No hot process (processo a quente), a aderência aos óleos essenciais para


formação da fragrância é ainda melhor, pois é possível manter as propriedades
terapêuticas destes recursos;

As diferenças entre essência sintética e óleo essencial são notáveis. A seguir


descubra as características de ambos.

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Aula 5
A diferença entre óleos essenciais e
essências sintéticas
ESSÊNCIAS SINTÉTICAS

● Essências são produtos sintéticos que imitam os aromas naturais;


● Possuem aroma bem mais simples;
● Pode-se perder os compostos orgânicos responsáveis por propriedades
medicinais;
● Essências não possuem efeito terapêutico e podem causar problemas de
irritação e alergia;

COMO IDENTIFICAR ESSÊNCIAS SINTÉTICAS?

● Adição de compostos sintéticos de baixo preço;


● Mistura de óleo volátil de qualidade com outros óleos de menor valor
para aumentar o rendimento;
● Diluição do óleo em água pelo emprego de polisobratos - fica claro na
água;
● Cores alarmantes e artificiais;
● São vendidos em frascos transparentes e/ou de plástico;
● Valores mais baixos que os óleos essenciais e iguais entre essências
sintéticas da mesma marca;

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ÓLEOS ESSENCIAIS

● Os óleos essenciais são 100% naturais e produtos do metabolismo


secundário das plantas;
● Possuem aromas bem pronunciados;
● Estão sujeitos às variações de clima, altitude, solo e luminosidade, que
influenciam na composição;
● O óleo essencial é considerado a parte mais etérea e sutil da planta;
● As ações terapêuticas são comprovadas e se dão em níveis mais
elevados que o da planta orgânica inteira;
● Possuem efeitos mais profundos e eficazes sobre a mente e as emoções;

COMO IDENTIFICAR ÓLEOS ESSENCIAIS?

● As substâncias dos óleos essenciais são 100% puras;


● Natural e volátil;
● No frasco, haverá informações sobre a análise química, método de
extração, parte da planta que foi empregada na extração e informações
sobre quimiotipo;
● Os fracos geralmente são de cor âmbar;
● Valores bem mais altos que as essências sintéticas;

Fonte: Laszlo Aromatologia, 2011

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Óleos Essenciais Essências Sintéticas

São naturais São sintéticas

Possuem propriedades terapêuticas Não possuem propriedades terapêuticas

Custo mais elevado São de baixo custo

Composição 100% pura Misturados com óleo mineral e outros veículos

Vendidos em frascos de vidro (âmbar ou azul Geralmente vendidos em frascos plásticos e/ou
cobalto) transparentes

Seu aroma dura mais tempo na pele, quando Seu aroma não permanece mais do que poucas
utilizado como perfume ou em massagem horas na pele

17
Aula 6

Cuidados gerais na Saboaria


TESTES DE LOTES

Com o intuito de se aprimorar a cada nova fórmula, é interessante realizar testes


de lotes. Com esses testes, você poderá perceber como o sabão se comportará
na água, em contato com a pele e testar alterações de ingredientes.

Mesmo quando a alteração é pequena, o resultado pode ser surpreendentemente


diferente no final; a menor variação pode causar grandes mudanças. Nossa
recomendação é que você vá com calma e mude a formulação aos poucos.

TIPOS DE TESTES

Existem vários formas de testar o seu sabão. A seguir, descrevemos as principais:

● Teste visual: análise da coloração, do tamanho, da aparência e do aspecto


em si (mais rústico, mais bonito, mais “limpo”, com deformidades, etc);

● Teste físico: análise da dureza/maciez quando o sabão é apertado, além do


peso. Também nesse teste se analisa como o sabão reage durante o banho,
em contato constante com a água;

● Teste olfativo: análise do aroma (suave, intenso, sem perfume etc) e da


duração e fixação dos óleos essenciais/essências utilizadas;

● Teste de uso: se faz espuma abundante, se essa espuma é cremosa, se é


preciso fazer muita força para que haja sensação de limpeza etc. É
importante não testar apenas ao lavar as mãos – dependendo dos
ingredientes utilizados, o teste corporal poderá indicar melhor pontos a
serem melhorados;

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OUTROS CUIDADOS

● Durante o procedimento de saponificação, mantenha as crianças e os


animais longe do local;
● É muito importante utilizar luvas de borracha, máscaras e recipientes
apropriados para a produção do sabão;
● A produção do sabão envolve lixívia/soda cáustica, que, em contato com a
pele, pode queimar; com os olhos, pode cegar, e se for ingerida, é fatal;
● Não se deve utilizar nenhum utensílio de metal durante todo o processo de
produção do sabão, pois o metal reage com a soda cáustica;
● Faça esses procedimentos em um local com alguma ventilação, mas não ao
ar livre, pois o vapor da soda cáustica também é altamente prejudicial à saúde;
● Quando misturar os ingredientes com a soda cáustica, faça com calma – a
soda reage à água quente, por exemplo, com rapidez. Portanto, sempre
coloque-a aos poucos;
● Ao fim do processo, elimine completamente todos os resíduos da
saponificação, com cuidado;
● No cold process, o sabão leva de 3 a 6 semanas para ser curado (o ideal é
esperar pelo menos 30 dias). Durante esse tempo, se precisar manuseá-lo,
utilize luvas de borracha;
● No hot process, o tempo de cura é menor: em apenas 1 dia, o sabão já está
pronto para ser usado;
● Cuidado extra ao lidar com a soda cáustica no hot process, devido ao perigo
de inalação do vapor da mistura;
● Havendo contato excessivo com a soda cáustica, lave a região com bastante
água, sem esfregar. Não desaparecendo sintomas como ardência e
vermelhidão, procure um médico.

19
Aula 7

Cuidados gerais com os óleos essenciais


● Mantenha os frascos dos óleos essenciais fora do alcance das crianças e
de animais;
● Armazene os óleos essenciais em locais escuros e com o vidro bem
fechado;
● Caso haja irritação da pele ou erupção cutânea após o uso de um óleo
essencial, suspenda o uso imediatamente; havendo algum processo
inflamatório, procure um médico;
● Não faça a ingestão de óleos essenciais
● Nunca ultrapasse as dosagens e formas de uso recomendadas;
● A aplicação de óleos essenciais puros não é recomendada, pois eles são
altamente concentrados. O ideal é usá-los dissolvidos;
● Se você tem alergias ou pele muito sensível, ou se está utilizando um óleo
essencial pela primeira vez, faça um teste aplicando 1 gota de óleo
essencial diluída em 1 colher de óleo vegetal em uma pequena área da
pele, como o antebraço;
● Caso utilize algum óleo essencial em excesso, havendo desconforto, como
falta de ar e alergia, recomenda-se interromper o uso, beber bastante água
para auxiliar na eliminação do óleo essencial. Se os sintomas persistirem,
procure um médico.
● Mantenha o óleo essencial longe da área dos olhos;

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● Evite a exposição ao sol durante 24 horas após a aplicação de qualquer
óleo essencial fototóxico (ex: limão, bergamota, laranja);
● Evite aplicar óleos essenciais puros no rosto, área genital e axilas, pois
são áreas sensíveis que podem arder. A aplicação de óleos essenciais puros
diretamente na pele pode ocasionar ardência.
● Busque ter certeza que a aplicação do óleo puro é recomendável e
segura: em caso de dúvida, aplique de forma diluída;
● Não é recomendável o uso de óleos essenciais para mulheres grávidas
nos 3 primeiros meses de gestação ou que estejam amamentando sem
orientação de um profissional habilitado;
Após os 3 primeiros meses de gestação, caso utilizado, cortar a dosagem
mínima pela metade e diluir em óleo carreador para massagens e banhos
(diluição 0,5 a 1%), somente;
Nestes casos, não utilizar óleos essenciais que são estimulantes do SNC
(Sistema Nervoso Central), que têm a propriedade emenagoga (que facilita
contrações e o fluxo menstrual) ou toxicidade alta. Ex: canela, alecrim,
eucalipto, cedro, cânfora, sálvia dalmaciana, sálvia esclareia, funcho e
erva-doce;

21
Aula 8

Gravidez e amamentação
Grávidas e lactantes devem evitar os óleos essenciais das seguintes plantas: anis,
canela, manjericão, bétula, hissopo, artemísia, cipreste, gerânio, ylang ylang,
salsa, poejo, sálvia, tanaceto, estragão, tuia, alecrim e eucalipto. Os demais
óleos essenciais podem ser utilizados em concentração o,5% a 1% para tratamento
de aromaterapia.

Observações:

Ylang Ylang - pode ser um grande aliado para engravidar (afrodisíaco e regulador
hormonal), mas não é indicado na gravidez.
Gerânio - é um excelente aliado para engravidar (regulador hormonal e favorece a
consciência sobre a maternidade), não deve ser utilizado na gravidez
Hortelã - pode utilizar em dosagem baixíssima na gravidez (0,25%). 1 gota em um
lenço ou inalador pessoal.
Os óleos essenciais são extremamente concentrados - 1 gota equivale a até 25
xícaras de chá em concentração química. Na gravidez, principalmente nos 3
primeiros meses deve-se ter MUITO cuidado com qualquer substância. Começar
sempre com menores dosagens e perceber como o organismo reage.

IMPORTANTE!

Na saboaria deve-se acrescentar 1% a 1,5% em relação à massa total de sabão,


apenas dos óleos essenciais permitidos (não citados acima). Mesmo que o
sabonete com o óleo essencial acrescentado na massa não seja para uso
pessoal, a gestante ou lactante entrarão em contato no processo de
manipulação. Os óleos essenciais são extremamente voláteis. Então grávidas e
lactantes devem evitar manipular ou utilizar os óleos essenciais
contra-indicados nesta fase da vida.

22
Aula 8

Crianças
Muitos óleos essenciais são contra-indicados para crianças. Ideal dar
preferência aos calmantes leves, reguladores do Sistema Nervoso Central e
de propriedade de clareza mental, como os das seguintes ervas: Lavanda,
Camomila Romana, Laranja, Limão, Bergamota, Capim-limão( lemongrass),
Benjoim.

Óleos essenciais e faixa etária:

6 meses a 2 anos: Não recomendado. Óleo essencial para esta idade deve ser
utilizado apenas em uma situação urgente, como: uma picada de abelha ou picada
de inseto, devidamente diluído. Dar preferência a utilização das ervas
(infusão,decocção, tinturas, extratos) pela menor concentração química.

2 a 6 anos : 0,25% de concentração. Não há problema em usar óleos essenciais


se for devidamente respeitada a dosagem indicada nessa faixa etária. Dar
preferência a utilização das ervas (infusão,decocção, tinturas, extratos) pela menor
concentração química.

Maiores de 6 anos de idade: 1% de concentração.

IMPORTANTE!

Na saboaria deve-se acrescentar as proporções indicadas acima em relação à


massa total de sabão, apenas dos óleos essenciais permitidos citados .

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Módulo 2
Saboaria Artesanal
Aula 1

Materiais e Matérias-Primas
Materiais para produção Materiais para higiene e segurança

● Balança ● Máscara de proteção


● Termômetro digital ou analógico ● Luvas de borracha
● Mixer ● Óculos de proteção
● Medidor de pH ● Touca descartável
● Espátulas, colheres, conchas e ● Avental
fuê ● Sapato fechado
● Recipiente para a produção da
massa (vidro, inox, cerâmica,
Matérias-primas
polietileno de alta densidade
(HDPE) ou plástico polipropileno)
● Base glicerinada
● Medidores
● Óleos vegetais
● Papel manteiga
● Óleos essenciais
● Cobertor
● Soda cáustica
● Cortador
● Extratos
● Chapa para banho maria
● Pigmentos naturais

Materiais não adequados (alto risco em


contato com a soda cáustica)

● Alumínio, latão, bronze, cromo, ferro,


magnésio, estanho, zinco, e a maioria dos
metais (exceto aço inoxidável) e artigos
feitos de metal e revestido com teflon.
● Quando a soda cáustica reage com esses
metais, o gás hidrogênio - extremamente
inflamável e explosivo – é liberado. Plásticos
não adequados também podem amolecer
em temperaturas mais elevadas;

25
Aula 2

Moldes
Para os moldes e formatos do sabão, algumas formas são indispensáveis, tais como:
● Forma de madeira
● Forma de silicone
● Forma de acrílico

DICAS
● Forma de plástico não é
recomendada;
● A forma de silicone obtém vantagem
sob a de madeira porque não precisa
forrar: a massa pode ser despejada
diretamente;
● Recipientes para a massa: de
preferência que sejam de vidro, mas,
se não tiver, pode ser inox, cerâmica
ou plástico, desde que adequado
para aguentar altas temperaturas;
● Evite recipientes de alumínio, ferro
e panelas antiaderentes por conta
da liberação de metais;

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Aula 3
Pigmentos Naturais
ULTRAMARINES

● Ultramarine é um pigmento que consiste em


pequenas quantidades de polis sulfuretos.
Ocorre na natureza como um componente muito
próximo do cristal lápis-lazúli;
● Deve ser diluído em óleo ou glicerina e só deve
ser usado para fazer sabão - não é indicado para
produtos labiais e demais cosméticos;

ARGILAS

● As argilas são ingredientes minerais incríveis! Com propriedades


terapêuticas, são ótimos pigmentos naturais para utilizar nos sabões;
● Todos os tipos de argilas são permitidos: argila verde, branca, vermelha,
cinza, preta, amarela, roxa….

Verde: ação adstringente, tonificante, secativa, bactericida e cicatrizante; Ela


promove a eliminação de toxinas, fazendo com que melhore a circulação
sanguínea, e descongestione a circulação linfática. É um esfoliante suave, tem uma
ação emoliente e é indicada para tratamentos de pele acneica;

Branca: com um pH muito próximo ao da pele, tem ação clareadora,


suavizante e cicatrizante. A argila branca também promove efeitos de suavizar
rugas, linhas de expressão e manchas causadas pela exposição excessiva ao sol;

Vermelha: forte poder de penetração, pode estimular muito a circulação


sanguínea, ajuda expelir pústulas e inflamações. Ação secativa. Na estética é muito
indicada por efeito rejuvenescedor. Suaviza linhas de expressão e aumenta o brilho
na pele;

27
Cinza: antioxidante natural, retarda o envelhecimento, tem ação esfoliante; é
utilizada para controlar a seborreia em tratamentos capilares, tem efeito
descongestionante e ajuda na reconstituição da pele;

Preta: conhecida como lama vulcânica, tem ação anti-inflamatória,


antioxidante, regeneradora e possui efeitos adstringentes, além de ativar a
circulação sanguínea.

Amarela: remineralizante, preventiva do envelhecimento precoce, com um


efeito iluminador pra pele. Nutre, hidrata, tonifica, sendo ótima eliminadora de
resíduos impuros. Indicada para peles pós-verão, com a finalidade de dar um
efeito tônico, revitalizante e harmônico. Também auxilia na remoção de manchas
por exposição excessiva ao sol. ação tonificante, combate o cansaço e as olheiras;

Roxa: ação emoliente, regeneradora e estimulante de colágeno, tem poder


tensor e auxilia a diminuir linhas de expressão e poros dilatados, também é
antioxidante devido aos minerais como ferro, silício e magnésio.

28
MICAS

● Mica é um mineral funcional com uma das propriedades mais adoradas: o


brilho. Dependendo do ângulo de visão, o brilho é ocasionado pela
transmissão da luz;
● Os pigmentos de mica são recobertos com dióxido de titânio e possuem
alta resistência térmica. No cold process, porém, embora muito desejado, a
mica não deixa o efeito metálico no sabão.

OUTROS PIGMENTOS

Alguns outros pigmentos naturais e atóxicos podem ser usados no processo de


coloração dos sabões, desde que dissolvidos da forma correta, como por exemplo:

Cor: amarelo Cor: verde


Açafrão (dissolvido em óleo de buriti Spirulina em pó
e de cenoura)
Propriedades: esfoliante, Cor: preto
antibacteriano, anti-inflamatório, Carvão vegetal em pó
antisséptico e antioxidante. Propriedades: desintoxicante,
revitalizante, secativo, antibacteriano,
Cor: branco tonificante e suavizante.
Dióxido de titânio (dissolvido em
glicerina ou nos óleos da base) Cor: laranja
Óleo de urucum ou de pequi (como
Cor: salmão sobregordura)
Páprica doce, gengibre ou canela em Propriedades: cicatrizante,
pó (dissolvidos nos óleos da base) antioxidante e devido aos
carotenóides, atua na eliminação de
Cor: marrom radicais livres.
Cacau, louro, café e chocolate em pó
(dissolvidos nos óleos da base)

29
DICAS FINAIS

● A quantidade de pigmento a ser utilizada varia de 1,5% até 3%, no máximo,


sobre o total da massa de sabão;

● Ervas em pó devem ser sempre diluídas ou na massa ou em um pouco


de óleo;

● Não é porque é natural que o componente não possa causar alergias.


Portanto, não abuse da quantidade e não esqueça de colocar essa
informação no rótulo;

30
Aula 4
Conservantes naturais
● Quando o sabão é feito em pequena quantidade - como para uso próprio,
de forma artesanal ou apenas para presentear -, não é preciso se
preocupar com conservantes, pois as barras serão rapidamente usadas;
● Conservantes são ideais para a produção e venda em grande escala;
● A quantidade de conservantes é calculada sobre a quantidade total da
massa de sabão.
● Para ajudar a conservação e prolongar a duração do sabão, são necessários
antioxidantes
● Os antioxidantes são importantes porque evitam a oxidação de óleos e
gorduras, além da presença de traços de metais e o contato com o
oxigênio, bloqueando a formação de radicais livres;

Principais conservantes naturais:

● Óleo resina de alecrim: um dos conservantes mais conhecidos na indústria


alimentícia. Graças ao alto nível de ácido carnósico e propriedades
antioxidantes, o extrato seco e o óleo resina de alecrim (oleoso) evitam a
sensação de “ranço” em cosméticos e produtos que contenham óleo na
formulação;
○ O padrão de concentração de ácido carnósico é de 7%;
○ Também contém características antimicrobianas e pode ser utilizado
como complemento da vitamina E;
○ É indicado para cosméticos finos e formulações de higiene por não
conter odor forte;
○ Uso recomendado: 0,5% a 1% (sobre o peso total da massa, misturado
aos óleos essenciais ou a sobregordura. Óleos insaturados em maior
quantidade - aumentar 0,5%

31
● Vitamina E: a vitamina E (nome químico:
tocoferol) é uma vitamina lipossolúvel,
extraída de óleos vegetais;
○ É um potente antioxidante, insolúvel
em água;
○ Tem o cheiro característico do óleo de
girassol, e serve para aumentar a
durabilidade do sabão, evitando o
famoso efeito de “ranço”;
○ Uso recomendado: 0,5% - 2,0%
misturada na sobregordura.ou óleo
essencial.

● Extrato de própolis: é uma mistura de ceras e resinas produzidas pelas
abelhas, que oferece proteção antibacteriana, antimicrobiana e antifúngica;
○ Extratos de própolis não são solúveis em água, devido a uma
característica resinosa do produto, que lhe confere propriedades
insolúveis;
○ Uso recomendado: 4% sobre os óleos da base, misturadas na
sobregordura ou óleo essencial.. Unir com óleo resina de alecrim a
1%.

32
Aula 5
Ervas Medicinais
A relação da humanidade com as propriedades medicinais das plantas é muito
antiga. Muitos desses saberes, inclusive, foram passados de geração a geração e
hoje a ciência também comprova os efeitos benéficos de determinadas plantas.

As ervas medicinais são todas aquelas que possuem princípios ativos que
ajudam no tratamento de doenças. Por meio da extração de substâncias ativas
presentes nessas plantas, conseguimos utilizá-las de diversas maneiras: sob a
forma de infusão, decocção, tintura, maceração, pomadas, cremes, xaropes,
inalação, compressas, géis, etc.

Ervas Mediciais

● Lavanda: hidratante, cicatrizante e adstringente,


é excelente para peles oleosas. Previne o
envelhecimento, combate os radicais livres e
acalma pele devido às suas propriedades
anti-inflamatórias e antissépticas.

Nos cabelos, a lavanda ajuda a equilibrar os óleos naturais do couro


cabeludo e auxilia no tratamento da caspa e descamações causadas por
excesso de tratamentos químicos, como escovas progressivas.

33
● Camomila: cicatrizante natural, protetor térmico da
pele, alivia dores e espasmos musculares. Devido à
presença de flavonóides possui atividade
anti-inflamatória, e ajuda a acelerar processos de
pele com prurido. Pode reduzir espinhas, olheiras e
é considerada a erva perfeita para relaxar.

A camomila, quando usada nos cabelos, dá brilho e acalma o couro cabeludo em


casos de descamação, mas também tem ação clareadora, despigmentando os
fios. Óleos com 2% de extrato glicólico dos capítulos florais da camomila podem
ser usados como protetor solar, condicionador e estimulante do crescimento
saudável do cabelo.

● Erva-doce: fonte de vitamina C, é um excelente


antioxidante e ajuda na prevenção de danos
causados pelo sol, pela poluição e fumaça.
Estimula a produção de colágeno, responsável
pela sustentação da pele, suavizando rugas e
melhorando a textura.

A erva-doce ajuda a regular os hormônios femininos. Nosso cabelo perde


propriedades com o passar dos anos, mas a erva-doce é capaz de restaurar
e devolver brilho, maciez e equilíbrio aos fios, fechando cutículas e auxiliando
na reposição capilar.

● Hortelã: refrescante e estimulante, combate o cansaço


e o desânimo. Funciona bem em peles com muita acne,
celulite e varizes. Alivia manchas de sol e é eficaz no
alívio de queimaduras solares.

A hortelã também é excelente para o tratamento dos


cabelos, pois ajuda a estimular o fluxo de sangue,
melhorando o desempenho do crescimento. Tem
propriedades antissépticas e antimicrobianas que
ajudam a manter o couro cabeludo limpo. Considerada
uma das melhores ervas para prevenir a queda, junto
com a aloe vera.

34
● Canela: contém propriedades antimicrobianas que
ajudam a prevenir e tratar a pele com acne. Em
sabonetes, ajuda a remover impurezas e reduz a
sensação de cansaço físico.

No couro cabeludo, em cosméticos em barra, a


canela promove limpeza e age como estimulante.
A canela também é ótima para restaurar pontas
duplas, combater a caspa e hidratar os fios.

● Alecrim: considerado um dos melhores antioxidantes


naturais. Auxilia a circulação e mantém a pele macia.
Promove melhoras no funcionamento linfático e
limpeza, elimina as toxinas e minimiza o
aparecimento de varizes, celulite e estrias.
Também reduz a flacidez da pele.

Nos cabelos, o alecrim é extremamente eficaz no


tratamento e controle da caspa, oleosidade, coceira e
irritação do couro cabeludo. Xampus e condicionadores contendo extratos
hidroalcoólicos das folhas de alecrim também são muito usados para restituir
a cor natural do cabelo e combater a calvície prematura.

● Sálvia: excelente para tratar peles oleosas e pessoas


com psoríase e eczema. Os antioxidantes presentes na
planta também são eficazes contra as rugas e perda da
elasticidade da pele.

Nos cabelos, oferece força às fibras e proporciona brilho


intenso. Também previne a oxidação do cabelo, devido
às suas propriedades antioxidantes.

35
● Malva: eficaz para acelerar processos de
cicatrização, também ajuda a aliviar dores e reduzir
inflamações e erupções cutâneas. Cosméticos
com malva na formulação ajudam a combater
rugas e manter uma aparência mais jovem da pele.

Nos cabelos, a malva é indicada como uma das


melhores plantas para ajudar no crescimento e
fortalecimento dos fios.

● Calêndula: reúne vários benefícios cosméticos:


ajuda no tratamento de dermatites, queimaduras,
assaduras, descamação, hematomas e pele rachada.
Calmante, alivia picadas de inseto e cicatriza feridas
rapidamente. Da mesma família da camomila, a
calêndula também é indicada para relaxar o corpo.
Também é eficaz para tratar úlcera nas pernas,
varizes, psoríase, conjuntivite e eczema.

Nos cabelos, a calêndula tem função semelhante à camomila: ajuda a clarear


os fios, de forma natural. Também é indicada para casos severos de
descamação e oleosidade excessiva do couro cabeludo.

● Aloe Vera: também conhecida como babosa, é uma


das plantas mais incríveis para acalmar a pele. Ótima
para tratar queimaduras solares e de primeiro grau,
além de vermelhidões e inflamações cutâneas. Devido
às suas propriedades antibacterianas, também elimina
impurezas facilmente, abrindo os poros e promovendo
uma pele mais limpa e macia. É eficaz para tratar cortes,
calosidades e manchas de melasma.

Nos cabelos, a babosa é uma das plantas mais utilizadas, pois amacia e
fortalece os fios, evitando a queda. É uma planta com propriedades
regeneradoras, popularmente conhecida como “condicionador capilar”.

36
Aula 6
Os óleos vegetais
Óleos vegetais e suas propriedades

Quando se fala em cosméticos naturais para a saboaria, os óleos vegetais são um


dos principais ingredientes utilizados.

As justificativas são em razão da segurança de seu uso, sua versatilidade,


disponibilidade e grande riqueza que apresentam em fitoativos e lipídios
benéficos para a nossa pele.

Os óleos vegetais são também conhecidos como óleos de base ou, ainda, óleos
carreadores porque “carregam” o óleo essencial, diluindo-o.

Cada óleo vegetal tem suas propriedades terapêuticas próprias, e podem ser
escolhidos de modo a completar as propriedades dos óleos essenciais usados
com eles. São muito importantes na dieta, além de muito úteis nos cuidados com
a pele e cabelos, pois eles são hidratantes e muito nutritivos. Muitos óleos
vegetais são utilizados também para fins medicinais.

Na Saboaria, os óleos vegetais oferecem diferentes propriedades aos sabonetes


de acordo com as características de cada um deles.

37
OS PRINCIPAIS ÓLEOS VEGETAIS USADOS NA SABOARIA

Óleo Vegetal de Rícino ou Mamona (Ricinus communis)

Índice de saponificação: 0.128


Essencial - não tem substituição

● Propriedades: Por suas propriedades


emolientes e hidratantes estimula a produção
de colágeno, o que reduz rugas e estrias.
Rico em ácido ricinoleico
● Na Saboaria: Promove espuma cremosa e estável, também é um bom
condicionador. Devido à alta viscosidade, deve ser misturado com outros óleos
vegetais mais leves
● Indicações: Muito indicado para curar inflamações. Ideal para peles secas.

Óleo Vegetal de Palma (Elaeis guinnesis)

Índice de saponificação: 0.142


Essencial na saboaria - não tem substituição

● O fruto da palma, pode produzir dois tipos de


óleos: óleo de palma (extraído da polpa) e óleo de
palmiste (extraído da semente ou amêndoa), ambos
de mesmo nome científico, mas com diferentes
características físico-químicas. Neste caso, quando
falamos óleo vegetal de palma, trata-se do óleo vegetal extraído da polpa.
● Propriedades: Propriedades: rico em vitamina E e possui alto teor de
carotenoides, o que lhe concede excelentes propriedades antioxidantes.
Retarda o envelhecimento da pele e a hidrata profundamente. Este óleo
contém um elevado teor de vitamina A, sendo 14 vezes superior ao encontrado
na cenoura. É capaz de frear a proliferação de células cancerígenas.
● Na Saboaria: Indispensável na saboaria de qualidade, produz um sabão
bastante firme. Use-o combinado com o óleo de babaçu ou coco e oliva.
Considerado um dos óleos vegetais mais naturais por não exigir nenhum
processo químico para sua extração. Saponifica-se com facilidade. Utilizado em
até 60% ou mais da receita.
● Indicações: Indicado principalmente para quem tem a pele seca ou normal.

38
Óleo Vegetal de Oliva (Olea europaea)

Índice de saponificação: 0.135


Importante na saboaria - quais óleos vegetais podem
substituí-lo: girassol ou abacate

● Propriedades: Considerado uma “Estrela da


Cosmética”. Poderoso e antirrugas, hidrata e
suaviza a pele seca, é purificador, calmante e
melhora a elasticidade da pele.
● Na Saboaria: Um dos principais óleos na
saboaria artesanal por conter alto teor de ácido
oleico, produz um sabonete muito umectante,
suave para a pele com uma espuma rica e
altamente emoliente.
● Indicações: Ideal para peles delicadas e sensíveis (como a de crianças),
pode ser muito útil para pessoas com pele seca.

Óleo Vegetal de Coco (Cocos Nucifera)

Índice de saponificação: 0.232


Importante na saboaria - quais óleos vegetais podem substituí-lo:
babaçu ou palmiste)

● Propriedades: O óleo de coco é um poderoso bactericida e germicida.


● Na Saboaria: Muito utilizado na saboaria, confere espuma abundante,
dureza e um sabonete branco. Deve ser utilizado de 20% a 30% da receita,
pois em grande quantidade pode ressecar a pele.
● Indicações: Como equilibra a oleosidade, recomendável o uso nas peles
que são mais oleosas, mas pode ser utilizado em todos os tipos de pele.

39
Óleo Vegetal de Palmiste (Elaeis guineenses)

Índice de saponificação: 0.176

● O óleo de coco palmiste (Elaeis guineensis) é


obtido da amêndoa da palma com
propriedades e composição química bem
distintas do óleo de palma.
● Propriedades: Possui propriedades
anti-inflamatória, antibacteriana, antifúngica e
antioxidante. Auxilia no combate ao envelhecimento da pele e previne a
formação de rugas. É um ótimo emoliente e umectante, proporcionando
maciez e lubrificação para a pele, além de preservar sua elasticidade natural.
● Na Saboaria: O óleo de Palmiste produz sabonete bastante firme e confere
muita espuma com alta capacidade de limpeza.
● Indicações: É bem tolerado para os diversos tipos de pele.

Óleo Vegetal de Abacate (Persea gratíssima)

Índice de saponificação: 0.133

● Propriedades: Rico em vitaminas A, D e E, o óleo de abacate tem


propriedades anti-inflamatórias, bactericida, antioxidante e estimulante do
colágeno. Esse óleo atua como ótimo cicatrizante e regenerador da pele. Com
as suas características bem marcantes, o óleo de abacate deixa a pele
vitalizada e macia. Ajuda a eliminar as células mortas, aumenta a hidratação e
retarda o aparecimento de rugas. Contribui para o tônus e vitalidade da pele.
● Na Saboaria: Alta porcentagem de insaponificáveis.
● Indicações: Indicado para todos os tipos de pele, especialmente as mais
secas. Ideal para caspa e seborreia.

40
Óleo Vegetal de Girassol (Helianthus annus)

Índice de saponificação: 0,135

● Propriedades:Possui propriedades hidratantes


e emolientes com elevado poder nutritivo.
● Na Saboaria: Procure não utilizar mais do
que 15% a 20% deste óleo vegetal na receita
e combine-o com outros óleos saturados.
● Indicações: Mais indicado para quem possui a pele
tipo seca, este óleo natural hidrata a pele e promove a maciez das regiões
ressecadas. Como esse óleo consegue neutralizar os radicais livres, evita o
envelhecimento precoce da pele.

Óleo Vegetal de Semente de Uva (Utis vinífera)

Índice de saponificação: 0,129

● Propriedades: O óleo de semente de uva ajuda a balancear o pH da pele,


além de ser hipoalergênico, rico em vitamina E.
● Na Saboaria: Muito apreciado para fazer “superfatting”.
● Indicações: É um ótimo hidratante, recomendado para peles sensíveis ou
irritadas. Atua na regeneração e manutenção do tecido cutâneo,
promovendo vitalidade à pele. Pode ser usado em todo tipo de pele e
diariamente..

41
Óleo Vegetal de Gergelim (Sesamum indicum)

Índice de saponificação: 0,134

● Propriedades: Rico em vitamina E.


Poderoso antioxidante. O óleo vegetal de
gergelim também é rico em vitamina K,
magnésio, cobre, cálcio, zinco, vitamina B6 e
ácido linoleico. Propriedades antibacterianas e
anti-inflamatórias.
● Na Saboaria: Utilizado por suas propriedades umectantes, tem cheiro
acentuado, embora possa ser encontrado sem odor. Também é um bom
substituto da Oliva. Use em combinação com outros óleos.
● Indicações: Indicado para todos os tipos de pele. Muito empregado na
hidratação e proteção da pele, auxilia na prevenção de estrias e retarda o
envelhecimento da cútis.

Óleo Vegetal de Jojoba (Simmondsia Chinesis)

Deve ser utilizado como aditivo na saboaria.

● Propriedades: Riquíssimo em vitamina E, de fácil absorção, é


anti-inflamatório e antioxidante.
● Na Saboaria: No sabão, produz uma espuma estável. Use até 10% do total
de óleos. Muito utilizado no “superfatting” por seu alto índice de
insaponificáveis.
● Indicações: Ótimo para todos os tipos de pele. Funciona como um tônico
geral para a pele com propriedades que estimulam a produção de
colágeno com consequente efeito de renovação celular e
rejuvenescimento da pele. Excelente lubrificante e emoliente para peles
secas, evitando a evaporação da umidade da pele e prevenindo o
aparecimento de linhas finas e envelhecimento precoce. Indicado também
para peles oleosas, no tratamento da acne e redução de suas cicatrizes, e
também favorece peles inflamadas.

42
Óleo Vegetal de Rosa Mosqueta (Rosa mosquet)

Deve ser utilizado como aditivo na saboaria.

● Propriedades: É considerado o óleo vegetal de maior poder regenerador.


Promove a renovação celular com capacidade de aumentar a elasticidade
da pele. Rico em GLA, um ácido graxo essencial que ajuda a reduzir as
linhas finas, rugas, e combater os efeitos do sol. Poderoso hidratante e
emoliente. Excelente fonte de vitamina C.
● Na Saboaria: Utilize em torno de 1% do total de óleos.
● Indicações: Usado para uma variedade de doenças da pele, incluindo
dermatite e eczema. É um óleo vegetal mais fino e facilmente absorvido
pela pele, indicado para pessoas de pele oleosa.

43
Módulo 3
Aromaterapia
Aula 1
Histórico do uso das plantas,
aromas e óleos essenciais
A Aromaterapia é uma ciência ampla e se relaciona com as tradições ancestrais
de cura. A queima de algumas ervas e plantas aromáticas ou o cozimento junto
a outros alimentos surtiam sensações tranquilizantes ou estimulantes. Desta
forma, os antepassados acreditavam que essa cremação poderia afastar os maus
espíritos.

Nas tradições religiosas ancestrais no antigo Egito, a


defumação era vista como um portal de comunicação
com os deuses. Plantas aromáticas desempenhavam
um papel vital no templo, purificando o ar. Os egípcios
também usavam a Aromaterapia no embalsamento e
mumificação bem como na perfumaria.

De fato, o surgimento da Aromaterapia não tem registros históricos rigidamente


definidos, mas alguns estudiosos apontam que a história sobre os aromas e o uso
de óleos essenciais e plantas aromáticas comece na China, no período neolítico.

Algumas evidências encontradas ao longo dos tempos


revelam receitas de incenso de antigas cerimônias religiosas
chinesas que datam de 2000 a.C. que continham cassia,
canela e sândalo. Aliás, os extratos de plantas, óleos
aromáticos e resinas são parte da cultura chinesa.

O mais antigo livro de medicina sobrevivente na China, “Shen


Nung’s Herbal Book” remonta a cerca de 2700 a.C. e cataloga
mais de 300 plantas e seus usos. No século 16 – e
centenas de livros depois – “The Chinese Materia Medica Pen Tsao” contém
informações sobre quase 2 mil ervas e 20 óleos essenciais. Muitas das utilizações
destes óleos catalogados acabaram por depender da descoberta do processo de
suas respectivas destilações.

45
De fato, os egípcios eram os que faziam uso de fragrâncias e óleos essenciais
de forma predominante. No entanto, outras culturas também utilizavam e
desenvolviam os seus próprios processos.

A prática tradicional da medicina na Índia, por exemplo, conhecida como


Ayurveda, praticada por mais de 3000 anos, também utilizou óleos essenciais
para a massagem terapêutica.

Os médicos sumérios também podem ser usados como exemplos. Evidências


históricas mostram que eles foram os primeiros a usar vasos de destilação para
fazer compostos destilados para o tratamento de feridas ou doenças. Em
3000-4000 a.C. os sumérios cultivavam a papoula do ópio para ser aplicada em
anestesia geral para cirurgias sem dor.

Na Grécia, no século VI a.C., o médico Hipócrates foi um dos primeiros a falar


sobre a Aromaterapia. Ele dizia que os caminhos para a longevidade eram
massagens diárias e banhos aromáticos. Os antigos gregos usavam substâncias
aromáticas nas casas de banho e os óleos aromáticos eram amplamente
utilizados para a saúde. Ainda sobre as primeiras destilações dos óleos
essenciais, a civilização árabe alcançou um grau inigualável de refinamento.

Os filósofos dedicaram-se à antiga arte hermética da Alquimia – cuja origem foi


atribuída ao Deus egípcio Tehuti. Os árabes renovaram o uso dos aromáticos em
medicina e perfumaria e aperfeiçoaram as técnicas. A Alquimia era vista como
uma busca espiritual. A destilação era o símbolo da purificação e da
concentração das forças espirituais. Na visão do alquimista, tudo – desde areia e
pedras até plantas e pessoas – era composto de um corpo físico, uma alma e
um espírito.

Com a expansão desta arte misteriosa, inúmeras substâncias foram tratadas para a
extração de suas essências. E essas quintessências eram a base da maioria dos
medicamentos e, durante séculos, os óleos essenciais eram os únicos remédios
para doenças epidêmicas.

Durante o Renascimento, o uso de óleos essenciais expandiu-se em perfumaria


e cosmética. Com mais progressos na arte da química e da destilação, a
produção de elixires, bálsamos, águas perfumadas, óleos aromáticos e
unguentos para a medicina e o cuidado da pele floresceram.

46
René-Maurice Gattefossé (1881-1950), químico francês, sarou
uma queimadura na mão ao mergulhá-la em uma vasilha com
óleo essencial de lavanda e foi o primeiro a utilizar o termo
“aromaterapia”, em 1928. Jean Valnet (1920-1995) usou óleos
essenciais como médico durante a Segunda Guerra Mundial.
Seu livro “The Practice of Aromatherapy” evoluiu de suas
experiências práticas e se tornou um verdadeiro clássico para
todos os aromaterapeutas.

A partir daí iniciaram-se várias pesquisas


e comprovações dos benefícios dos
óleos essenciais, além de surgirem
várias vertentes e abordagens distintas. O
fato é que as plantas aromáticas e os
óleos essenciais têm desempenhado um
papel importante na saúde e na beleza.

47
Aula 2
As categorias e as notas dos aromas
Os aromas podem ser classificados nas seguintes categorias:

● Floral: Lavanda, Gerânio, Ylang Ylang


● Amadeirado: Cedro, Sândalo
● Terroso: Vetiver, Patchouli
● Herbal: Alecrim, Citronela, Manjericão
● Mentolado: Hortelã-pimenta
● Canforado: Tea Tree, Eucalipto
● Condimentado: Canela, Cravo
● Oriental: Gengibre, Patchouli
● Cítrico: Laranja, Bergamota, Limão
● Resinoso: Olíbano, Mirra

Florais se misturam bem com condimentados, cítricos e amadeirados. Já os


amadeirados se associam bem com todas as categorias. Condimentados e
orientais se misturam bem com florais, orientais e cítricos. Os mentolados com
cítricos, amadeirados, herbáceos e terrosos. Óleos da mesma categoria se
misturam bem juntos. As notas dos aromas são classificadas dessa forma:

ALTA
Óleos essenciais que dissolvem mais rapidamente e, os primeiros aromas que
sentimos, normalmente, evaporam entre 1-2 horas. São leves, frescos e tendem
a se dissipar.

48
Os aromas com nota alta são os mais impetuosos, lúcidos, brilhantes, juvenis. São
como a brisa que abranda no alto verão. São aromas que movimentam,
DESPERTAM. Grande parte tem ação solvente, adstringente e emoliente. Atuam
melhor nos aspectos da mente consciente (acontecimentos presentes, instantâneos
e periféricos). Eles agem rapidamente, guiam e ajudam pessoas que precisam
suavizar a jornada, trazer luz, alegria, ânimo, leveza, flexibilidade, desapego,
alívio, descongestionar, abrir "caminhos", pensamentos e a respiração. Pensando
nisso tudo, dá para entender porque somem tão rápido quanto chegam.... São livres,
leves e soltos! "Acendem a luz" e concedem passagem!

MÉDIA
Os aromas que representam o cerne e o volume das fragrâncias, permanecendo
por mais tempo antes de se dissipar, chamamos de “notas médias”. Normalmente
evaporam entre 2 a 4 horas.
Os aromas com nota média corporificam, envolvem, enlaçam. Traz totalidade,
característica da união harmoniosa a que são destinadas. A maioria destas
essências é sedativa. Atua melhor nos aspectos da mente pré-consciente
(acontecimentos do passado com fácil acesso a recordar, crenças adquiridas,
automáticas - nível mental intermediário). Essas essências exalam conforto afetivo e
propiciam virtudes para a resolução de questões ligadas, pois se as notas altas atuam
pela abertura da respiração, aqui a abertura se dá à nível de coração, de
completude. São sedutoras, envolventes, hipnóticas! Em particular as notas
médias florais, irão mexer positivamente com a libido, propiciando contato
verdadeiro e entrega. Notas médias conectam, estabelecem vínculos (legítimos),
celebram a harmonia, beleza e autenticidade. A paz resultante é acolhedora,
calorosa e compartilhada.

49
BASE
Óleos essenciais que demoram mais tempo a evaporar são referidos como “notas
de base” – ricas e pesadas. Elas também fixam um perfume e impedem que os de
notas altas se dispersam rapidamente. Nesta nota estão os aromas que
"permanecem", e nos remetem a valores hierárquicos familiares, ancestrais,
religiosos, superiores. Traz profundo sentido de proteção, razões pelas quais
nesta classe olfativa está a maioria dos óleos essenciais usados nas práticas
religiosas e meditações. Desenvolve confiança, firmeza, nobreza e liberdade
responsável, freando compulsões e auxiliando estados mentais conturbados. Atua
melhor nos aspectos da mente inconsciente (arquivos sem lembrança, memórias não
codificadas). Mostra à consciência aquilo que está guardado à espera de luz,
acolhimento e significado – ao mesmo tempo em que desperta nossas fontes
energéticas que sustentarão a permanência destes valores. Podem nos dar
conforto em vários níveis, pois nesta classe está a maior parte das essências que nos
dão suporte, chão e raiz.

Notas dos Aromas – Misturas

Uma dica para começar as misturas para o seu perfume é utilizar um óleo essencial
de cada nota e colocá-los em cotonetes diferentes e, no final, aproximá-los. Sentir
se dessa forma está agradável ou não para você esta mistura – isso evita
desperdícios de materiais.

Não existe uma regra exata para a proporção nas misturas e você tem a liberdade em
fazê-las, conforme o seu objetivo terapêutico e aroma desejado.

Para fazer os experimentos de misturas e evitar o desperdício de óleos essenciais, é


recomendável fazer misturas de no mínimo 5 gotas e máximo 12 gotas. Comece os
seus experimentos de misturas dos óleos com as seguintes proporções,
aproximadamente: 50% - óleos de nota alta 30% - óleos de nota média 20% - óleos
de nota base;

Sugestões e precauções
● Evitar a aplicação direta das misturas puras dos óleos essenciais na pele;
● Manipular as misturas com óleos carreadores, respeitando as proporções de
diluições, conforme a idade e cenário da pessoa que for utilizar;
● Utilizar as misturas puras somente em aromatizadores pessoais ou de
ambiente, respeitando a quantidade máxima do total de gotas para aplicação;

50
Aula 3
Vias de absorção dos óleos essenciais
Olfativa

Inalação - os óleos essenciais seguem dois


caminhos: um em direção ao pulmão e o
outro em direção ao cérebro. Eles caminham
até o pulmão, atravessam as paredes
pulmonares e chegam até a corrente
sanguínea onde se deslocam a qualquer
parte do organismo. Através de epitélio olfativo
na cavidade nasal, os cílios que são receptores
se acoplam às moléculas com determinadas
mensagens para chegar até o cérebro. Essa mensagem é passada via bulbo e trato
olfativo até alcançar o sistema límbico em
que estão inseridas as memórias passadas, sentimentos e emoções.

Tegumentar

O óleo essencial penetra na pele e nas mucosas, entra em contato com a


corrente sanguínea, alcança e age, terapeuticamente, em qualquer parte do corpo;

51
Aula 4
Guia dos 8 Principais
Óleos Essenciais para Saboaria
Os óleos essenciais são substâncias 100% naturais e extremamente voláteis.
Podem ser utilizados nos sabonetes para aromatizar e contribuir com
propriedades terapêuticas. São ricos em aplicações medicinais, com alta
concentração em componentes químicos. 1 gota de O.E. equivale a 25 xícaras de
chá em concentração química. Produzem muitos benefícios a nível físico,
psicoemocional, energético e espiritual. Para a Saboaria, muitos óleos essenciais
são antissépticos e antimicrobianos e servem como poderosos conservantes.

Os problemas de pele são frequentemente a manifestação superficial de uma


condição mais profunda como acúmulo de toxinas no sangue, desequilíbrio
hormonal ou nervoso e, ainda, dificuldades emocionais. Nesta área, a versatilidade
dos óleos essenciais é particularmente valiosa porque eles são capazes de
combater essas queixas em vários níveis. São ingredientes ideais para cosméticos e
cuidados gerais da pele, bem como para o tratamento de doenças específicas.

Os óleos essenciais possuem uma ampla gama de propriedades curativas e


podem ser usados de forma eficaz para manter a saúde, estimulando a
regeneração celular, aliviando dores, equilibrando as disfunções emocionais e
combatendo bactérias, fungos e outras formas de infecções, além de
proporcionar alívio do estresse, aumento de energia e da concentração mental.

De uma maneira geral, os óleos essenciais têm uma lista quase interminável de
usos terapêuticos, e a ciência continua a descobrir mais sobre eles a cada ano. A
seguir, um guia com os 8 principais óleos essenciais para equilibrar a saúde da
pele e cabelo na Saboaria.

52
Óleo essencial de Alecrim

● Nome científico: Rosmarinus officinalis


● Ações: É analgésico, antirreumático, poderoso
antioxidante, auxilia na memória. É um um
ótimo tônico circulatório. Por ser estimulante
do SNC (Sistema Nervoso Central), o alecrim
traz vigor, fortalecimento, restauração,
centramento, autoconfiança, estrutura,
concentração e foco. Alecrim é símbolo da
sabedoria, conhecimento e proteção.
● Indicações estéticas auxilia no tratamento lesões cutâneas,
● celulite, pediculose. Trata, tonifica a pele, cicatrizante e redutor de gordura
localizada (celulite). Fortalece os cabelos, diminui a oleosidade, combate a
caspa, favorece o crescimento dos fios.
● Precauções: grávidas, crianças, epilépticos, hipertensos devem evitar.

Óleo essencial de Lavanda

● Nome científico: Lavandula officinalis, angustifolia


● Ações: Poderoso antisséptico, cicatrizante,
analgésico e regenerador celular. Tem poder
medicinal relaxante, antidepressivo e calmante. Age
contra o estresse, ansiedade, agitação, insônia,
medo, depressão, tensão nervosa, pânico e choque..
● Ação estética para tratar acne, pé-de-atleta, psoríase, dermatite, assaduras,
queimaduras, lesões cutâneas, o geral. Auxilia no tratamento de cicatrizes e
estrias, promove a produção de colágeno. No cabelo é utilizado para combater
caspa, eczema, fortalece os fios e auxilia no crescimento.
● Precauções: grávidas até o terceiro mês de gestação ou que tiveram aborto
espontâneo, devem evitar.

53
Óleo essencial de Cipreste

● Nome científico: Cupressus sempervirens


● Ações: Antirreumático, antisséptico,
antiespasmódico, antissudorífico, antitóxico,
adstringente, diurético hepático, tônico e
vasoconstritor. Melhora a circulação sanguínea
e tonifica os capilares sanguíneos. Tem efeito
analgésico, embora leve. Estimula a produção
de estrogênio. É símbolo da morte e auxilia a
ressignificação de processos de luto e mudanças.
● Para a estética, tem poderoso efeito adstringente, dá a sensação de esticar a
pele, usado para diminuir rugas, cicatrizes e linhas de expressão. Atua na
diminuição da atividade excessiva das glândulas sebáceas em peles oleosas,
inflamadas ou com acne. Ele é usado para remover a oleosidade e dar uma
aparência menos brilhante.
● Precauções: grávidas e crianças devem evitar.

Óleo essencial de Cedro

● Nome científico: Cedrus atlantica


● Ações: Alivia dores reumáticas e artrites crônicas, por
ser um poderoso anti-inflamatório e analgésico.
Indicado para quem está sofrendo de fadiga mental
para reabastecer o foco e a presença. Auxilia no
tratamento da irritabilidade, indecisão, insônia,
desconforto e estresse. Traz estrutura e segurança.
● Indicações cosméticas para alergias, psoríase, dermatites, limpeza de pele,
acne, celulite. Recomendado para peles maduras e com rugas. Para os cabelos
promove brilho, força e crescimento dos fios, combate a queda, além de tratar
eczema seborréico.
● Precauções: grávidas e crianças devem evitar.

54
Óleo essencial de Copaíba

● Nome científico: Copaifera langsdorffii Desf


● Ações: Suas ações mais conhecidas são:
anti-inflamatória, cicatrizante, bactericida,
antiviral, fungicida e analgésica.
Emocionalmente, é indicado para pessoas que
se sentem vulneráveis em diversas situações
e que estão frágeis, destemperadas e indefesas.
O aroma da copaíba promove estabilidade
emocional, proporcionando a sensação de proteção e segurança.
● Poderoso cuidador das moléstias dérmicas. Eficaz no tratamento da acne,
atuando como secativo, anti-inflamatório e bactericida. Indicado para psoríase,
herpes, micoses, urticárias, eczemas e também para flacidez e celulite.

Óleo essencial de Tea Tree

● Nome científico: Melaleuca alternifolia


● Ações: Poderoso antisséptico, cicatrizante,
anti-inflamatório, antiviral, febrífugo e inseticida. Pode
ser usado para cuidados íntimos femininos e
masculinos contra candidíase, herpes, infecções
vaginais, urinárias e cistite. Sua ação mais relevante é
a de estimular o sistema imunológico.
● Emocionalmente, o Tea Tree abre seu coração e diafragma para abraçar e
aceitar seus sentimentos e, em seguida, limpar as emoções tóxicas, permitindo
que você seja livre e presente em todos os seus relacionamentos.
● Muito utilizado em tratamentos de acne, abscessos, manchas, verrugas, feridas
infeccionadas, machucados, micoses de unhas, frieiras, furúnculos, picada de
insetos, queimaduras, bolhas, pé-de-atleta e, especialmente, no trato de peles
oleosas.

55
Óleo essencial de Bergamota

● Nome científico: Citrus bergamia


● Ações: Ação analgésica, anti-inflamatório e
antisséptico do sistema urogenital e
respiratório. Auxilia na melhora da digestão.
Possui também poder energizante leve e
sensação de presença. Por ser equilibrador do
SNC, auxilia em casos de ansiedade, estresse,
desespero, exaustão ou depressão, desamparo,
apatia, amargura, tristeza, solidão e tendência a desequilíbrios emocionais.
Melhora da autoestima. Eleva o nível de alegria e melhora o humor. Favorece a
concentração e confiança.
● Muito utilizado em tratamentos de uso dermatológico como antisséptico e
cicatrizante para eczema, acne, seborréia, furúnculos, pele oleosa, psoríase,
vitiligo.
● Precauções: fototóxico, evitar grande exposição solar

Óleo essencial de Gerânio

● Nome científico: Pelargonium graveolens


● Ações: É um poderosos antibacteriano e
antimicrobiano. Antifúngico e anti-inflamatório da
mucosa vaginal (candida albicans). Estimula o córtex
supra-renal, e auxilia na regulação dos hormônios
sexuais. Tônico circulatório e linfático. Sedativo do
SNC (Sistema Nervoso Central), auxilia em processos
de agressividade além do normal, crises de choro e
excesso de preocupação. Promove a calma e o foco.
● Estimula a segurança, coragem, determinação, inspiração e autoconfiança.
● Na pele tem ação adstringente, cicatrizante, antisséptico, diurético e
antioxidante em casos de dermatite, eczema, envelhecimento da pele, algumas
infecções fúngicas, acne, celulite, juntamente com problemas relacionados à
ansiedade e ao estresse.
● Precauções: grávidas e crianças devem evitar.

56
Módulo 4
Fazendo Sabonetes
Aula 1

Como funciona o Cold Process


Os sabonetes naturais são elaborados a partir de óleos e manteigas vegetais e
preservam toda a sua glicerina. A glicerina proporciona limpeza sem agressão:
mantém a hidratação necessária para a nossa pele. A Saponificação é a reação entre
a gordura (óleos/manteigas) e a Lixívia (água mais Hidróxido de Sódio) que vai
resultar na formação de glicerina e sabão.

O método Cold Process é o método mais conhecido, principalmente no Brasil. E,


como o próprio nome sugere, é o método em que os seus componentes são
trabalhados em uma temperatura considerada a frio. Vale dizer que todo sabão
em barra é feito de Hidróxido de Sódio. O que diferencia do método Hot, por
exemplo, é o tempo de cura, que é maior.

Desta forma, o processo consiste na adição de Hidróxido de Sódio (soda cáustica)


com água para formar um composto chamado de Lixívia. Ao acrescentar esse
composto a uma mistura de óleos e gorduras, e misturar bem, uma massa de
sabão será produzida. Deve ser misturada até alcançar o traço desejado. Conforme
as propriedades que se queira conceder ao sabonete, adicionam-se os aromas,
pigmentos e aditivos naturais a essa massa antes de ir para o molde.

Esta mistura é levada aos moldes para o processo de cura, que pode durar entre 4
a 12 semanas. No final do processo, qualquer resquício de soda cáustica se
neutralizará, restando somente puro sabão natural. A glicerina é um subproduto do
sabão – um líquido viscoso de cor transparente e sabor adocicado. Quanto mais
glicerina houver na barra de sabão, mais hidratante será.

58
Aula 2

Como funciona o Hot Process


O Hot Process (Processo a Quente) é um dos métodos mais tradicionais para se
fazer um sabonete e é também um pouco semelhante ao Cold Process Neste
processo é diminuído drasticamente o tempo de cura do sabão, pois como vamos
“cozinhar” a massa, no mesmo dia este sabão estará pronto. Não precisamos
esperar mais de 30 a 90 dias para usar este sabão.

Outra questão é que as propriedades dos óleos vegetais, óleos essenciais e


outros aditivos são muito bem preservadas, pois há um controle maior da
temperatura e só após finalizar a saponificação é que são incluídos os aditivos.
Sabões processados a quente são feitos pela ativação da saponificação pelo calor.
No processo a quente, o hidróxido e a gordura são aquecidos e misturados, até a
saponificação se completar;

Esse processo se originou na antiguidade quando a pureza dos hidróxidos


alcalinos não era confiável; estes processos podem usar qualquer álcali, mesmo os
encontrados naturalmente, tais como cinzas de madeira e os depósitos de potássio.

No Hot Process se mantém a glicerina, frações insaponificáveis, extratos e


tinturas, óleos essenciais e sobre engorduramento dos óleos usados, pois estes
não são afetados pela soda cáustica.

59
Aula 3

Qual a diferença entre


Cold Process e Hot Process
Se no Cold Process, o processo da saponificação é fria, no Hot Process ela é
quente (Processo a quente). No Processo a Frio, o sabonete ganha um
acabamento mais liso, fino e delicado. Já no Processo a quente, o produto tem
uma aparência mais rústica. Sabões processados a quente são feitos pela ativação
da saponificação pelo calor. Ao contrário do processo a frio, os óleos são
completamente saponificados até ao final do período de tratamento, quando a
massa de sabão já está em moldes.

No Hot Process, há uma opção maior de trabalho com ervas e extratos ou outros
aditivos incompatíveis com o Cold Process, por exemplo. Inicialmente, o método
Hot Process é feito de modo muito parecido com o Cold Process: mistura a Lixívia
com as gorduras até formar uma emulsão. A diferença é que no Cold a
sobregordura e aditivos são misturados após o traço, onde se atinge uma parte da
saponificação e no Hot a sobregordura e aditivos são misturados após a
saponificação total das gorduras com este objetivo.

De uma maneira geral, no Hot Process, a temperatura do aquecimento dos óleos


e manteigas vegetais são acompanhados justamente para preservar ao máximo
as características de cada óleo utilizado. No Cold, boa parte da saponificação
acontece após colocar na forma e molde, onde já foram adicionados
sobregordura e aditivos. A temperatura no tempo de cura do sabonete Cold pode
chegar a até 100 graus, em que boa parte das propriedades terapêuticas,
especialmente de óleo essencial e plantas, se perdem pela ação da soda cáustica.

60
Tipo de processo HOT PROCESS COLD PROCESS

Aparência Rústica Lisa e homogênea

Pode colocar todos os


Ideal para sabonetes
ingredientes de uma vez só e
Vantagens terapêuticos, pois mantém suas
aguardar até o sabão ficar
propriedades curativas
pronto sozinho

Após acrescentar todos os


Como acontece a No processo de aquecimento
no fogo, todo o sabão é
componentes e colocar no
saponificação saponificado
molde, acontece a maior parte
da saponificação

Quando coloca Após a saponificação no fogo. Após atingir o traço


sobregordura e aditivos
Acelerado com o aquecimento
Tempo de cura no fogo – 2 a 4 horas
De 4 a 12 semanas

Após a saponificação e após Após a mistura de todos os


Molde acrescentar os aditivos e componentes, colocado no
sobregordura molde para saponificação

1 ou 2 dias após adquirir uma


Corte 24 hs depois consistência firme e
continuar a cura

Quando pode usar 24 hs depois do preparo 4 a 12 semanas após o preparo

Quanto às propriedades Mantém as propriedades dos


O.E’s., sobregorduras (óleos
Pode perder boa parte dos
materiais aditivos - suas
medicinais vegetais) e aditivos características e propriedades

Temperatura no Controlável
Sem muito controle
processo durante a cura

61
Aula 4

A Química do Sabão
Todo sabão é um sal. O sabão é formado por um processo químico que ocorre
quando se mistura uma gordura (ácidos) com uma base alcalina (álcalis ou
básicos), resultando em sais. Os sais podem ser de sódio ou sais de potássio,
dependendo do álcali utilizado no processo.

Os álcalis são as substâncias utilizadas na produção do sabonete. Eles são


chamados “básicos” e são soluções altamente corrosivas e, por isso, também
queimam. Os mais utilizados são o Hidróxido de Sódio (NaOH) e o Hidróxido de
Potássio (KOH). O Hidróxido de Sódio é popularmente conhecido como Soda
Cáustica, pode ser encontrado nos supermercados em forma líquida, mas NÃO
serve para a saboaria.

O que é usado para a saboaria é o Hidróxido de Sódio em escamas ou em


micropérolas e que tenha grau de pureza entre 98 a 100%. Com esse composto é
produzido o sabão duro ou em barra. Já o Hidróxido de Potássio é o álcali utilizado
para produzir o sabão líquido ou em pasta. É também conhecido como Potassa.

62
Os ácidos são soluções que queimam. Podem ser menos agressivos, como o sal
de cozinha e o ácido acético do vinagre, ou bastante agressivo como o ácido
sulfúrico, utilizado em baterias dos automóveis (um ácido extremamente forte e
perigoso). Os ácidos encontrados nos óleos e gorduras dos alimentos, são os
ácidos graxos.

Quando gorduras e óleos que contêm ácidos graxos encontram o álcali, ocorre
uma reação chamada saponificação. Neste processo da saponificação, o álcali
desloca a glicerina, e juntamente com os ácidos graxos formam os sais. Esses sais
(de sódio ou potássio), são os sabões. Quando a saponificação estiver completa,
uma molécula de glicerina estará presente para cada três moléculas de sabão.
Nenhuma molécula de lixívia (resultado da composição Hidróxido de Sódio + água)
permanece no produto, pois todas elas são neutralizadas e usadas para formar as
moléculas de sabão e glicerina.

A partir do acréscimo de outros ingredientes, como óleos essenciais, por exemplo,


podem-se adicionar propriedades como umectação, condicionamento e
hidratação da pele ou outras características ao sabão para uso na higiene corporal
e beleza.

63
Aula 5

Como calcular a Lixívia


O processo inicial para a confecção do sabonete em barra natural é chamado de
Lixívia – a solução formada pela mistura do Hidróxido de Sódio (soda cáustica)
com a Água. Vale informar que a soda cáustica líquida, vendida nos
supermercados, NÃO é a utilizada na produção de sabonetes. A que é a ideal, é
encontrada em lojas especializadas em produtos químicos, a “Soda 99%”, como é
mais conhecida.

ÁGUA

A água que deve ser usada é a desmineralizada ou destilada. NÃO utilizar águas
de torneiras, filtradas e, principalmente, as que são minerais. Elas contêm sais e
metais, especialmente ferro e cálcio que tornam o sabão ineficiente, inclusive
eliminando a espuma. Já as águas desmineralizadas e destiladas são águas que
passam por um processo que eliminam esses sais e cálcios, e possuem pH neutro.

A maneira mais fácil de calcular a quantidade de água para a receita:

Leva-se em conta os tipos de óleos utilizados na receita. Quanto mais óleos duros,
mais água; quanto mais óleos moles, menos água. Não existe uma porcentagem
“certa”, mas recomenda-se entre 30% a 36% de água em relação aos óleos da base.

Por exemplo: Receita de 1kg de óleo base, e pretende-se trabalhar com 30% de
água, então a receita terá 300g de água. (30 x 1000 = 30.000 / 100 = 300)

64
SODA

Para calcular a quantidade de soda, é necessário consultar a tabela com o índice


de saponificação dos óleos. Índice de Saponificação (I.S.) é o número de
miligramas necessários para saponificar um grama de gordura. Quanto maior o
índice de saponificação, mais gordura será consumida. Por exemplo o índice de
saponificação do óleo de oliva é 0.1340. Para saber quantos gramas de soda são
necessários para saponificar 500 gramas de azeite. A conta é: Quantidade de óleos X
o Índice de Saponificação = quantidade de soda que teremos que utilizar. Nesse
caso exemplificado: 500 x 0.1340 = 67 gramas de soda

Esse cálculo deve ser feito com cada óleo da base. Ao final, soma-se as
quantidades de soda de cada óleo para se obter a quantidade de soda total da
receita.

OBS: Sempre que modificar alguma quantidade de óleo, refaça o cálculo da soda

CUIDADO: Ao preparar a lixívia, sempre coloque as escamas de Hidróxido de


Sódio dentro do recipiente que contém a água, e NUNCA o inverso, ou seja, a
água no pote que contenha as escamas de soda, pois isto pode causar um “efeito
vulcão”. Evite também inalar a fumaça inicial da lixívia porque é muito tóxica.

65
Aula 6

Sobregordura e desconto de Soda


Além daqueles óleos e gorduras da base que são calculados para saponificar com a
Lixívia, a sobregordura (“superfatting”) envolve a adição de uma quantidade extra
de óleos/gorduras na massa para a confecção do sabonete.

De uma maneira geral, o sabão artesanal – tanto produzido pelo Hot Process ou
Cold Process – envolve a adição de óleos e gorduras em um dos álcalis cáusticos,
hidróxido de sódio ou de potássio. Se o excesso de álcalis permanece no sabão
acabado, o produto vai ser “agressivo” e, talvez, até mesmo perigoso. Para evitar
esta possibilidade, os saboeiros, geralmente, adicionam mais óleo do que pode ser
saponificado pelo álcali disponível ou, ao contrário, eles acrescentam menos
álcali do que seria necessário para saponificar o óleo disponível.

Desta forma, a sobregordura tem os seguintes objetivos:


● dar maior condicionamento ao sabão;
● priorizar as propriedades do sabão
● garantir que não “sobrará” soda da saponificação nos óleos da base.

66
Sobregordura

A quantidade de sobregordura a ser utilizada pode variar entre 2% a 7% da


quantidade de óleo base. Evite o excesso para não correr o risco de obter um
sabão muito oleoso, o que aumenta as chances de criar ranço ou outro tipo de
problemas. Saboeiros costumam usar 2% no Hot Process e 7% no Cold Process de
sobregordura.

Utilizar, no máximo, 2 tipos de óleos diferentes para a sobregordura. Pode ser


usado, também, manteigas vegetais. Ou seja, na sobregordura, usar só manteigas
ou só óleos ou uma manteiga + um óleo.

Desconto de Soda

A outra forma de fazer o “superfatting”, é descontando uma pequena


porcentagem da quantidade da Soda, de 2% a 7%. Se você costuma usar 5% de
sobregordura, então use o mesmo percentual no desconto de soda. Basta retirar 5%
do total de soda da receita.

Dica
Desconto de soda é a maneira mais fácil.

67
Aula 7

Os tipos de traço (Trace)


O Traço (trace) é o início do endurecimento da massa. Neste ponto, 80 a 90% da
saponificação já ocorreu. Por isso é considerado o momento ideal para se
acrescentar os aditivos, pois não serão substancialmente afetados pela reação.

Uma vez atingido o “trace” o processo de endurecimento ocorre mais


rapidamente, dependendo da interação com os tipos de aditivos, principalmente as
essências aromáticas.

Esse ponto da massa, o Traço, é parecido com um mingau bem leve. Se, ao mexer
com a espátula nessa massa, o caminho ficar marcado ou demorar alguns
segundos para se “apagar” ou quando se pinga um pouco de massa e as gotas
demoram a desaparecer é sinal de o ter atingido.

O traço pode ser leve, médio ou forte, dependendo da espessura da massa e o


que se pretende fazer com ela:
● Vai dividir a massa e colorir? – Traço leve.
● Quer fazer o Cold Process ou criar efeitos especiais – Traço médio.
● Se fizer o Hot Process ou um sabão sem pigmentos ?– Traço forte.

68
Aula 8

Calculando o pH
A sigla pH significa Potencial Hidrogeniônico. É um índice que indica a acidez,
neutralidade ou alcalinidade do sabonete. O pH é uma característica de todas as
substâncias determinado pela concentração de íons de Hidrogênio (H+). Para saber
se o sabonete que você fez está completamente seguro para ser usado na pele
é preciso medir o pH.

Testar, medir e checar o pH do sabonete é essencial para garantir que ele possa ser
utilizado na pele sem causar possíveis danos como irritações, alergias, coceiras ou
ressecamento, entre outros.

A escala do pH é medida de 0 a 14. Um pH inferior a 7 é considerado uma solução


ácida, enquanto uma solução com um pH acima de 7 é considerada como básico ou
alcalino. Sabonetes para o corpo tem entre 8 e 10 pH. Para aferir o pH exato, pode
utilizar fitas indicadoras de pH – que vem acompanhada de um gabarito de cores e
que indicam o pH ácido ou alcalino por meio da variação dessas cores – e o
medidor de pH digital.

69
Para fazer este teste, o procedimento é bem simples: pegue 1g da barra de sabão,
coloque em um béquer com 10g de água desmineralizada morna ou quente.
Misture o sabão na água até dissolver por completo. Espere esfriar, faça um pouco
de espuma e molhe uma tira do papel de pH observando a cor indicada.
Compare a cor com o diagrama de cores que acompanha o papel para saber o
índice apresentado. Resultado acima de 10 indica soda cáustica no sabão. Os
resultados para sabão curado (já não contendo lixívia) podem variar de 8-10 pH. A
leitura da tira de teste de pH é dependente da interpretação do fabricante de sabão
e podem estar sujeitos a erros.

Sabonetes com pH elevado, acima de 10, demonstra um produto com alta


concentração de base alcalina (muita soda cáustica) e pode ser bastante
“agressiva” para a pele, portanto não é nada recomendado, mesmo que tenha sido
feito com produtos naturais. Desta maneira, é preciso REFAZER O LOTE. As tiras de
pH podem ser adquiridas em lojas de venda de produtos químicos, laboratórios ou
em empresas de matéria-prima para cosméticos. Tiras de pH utilizados para testar
o pH do sabão, deve incluir uma escala de 7 a 14.

70
Módulo 5
Passo a passo para Produção de
Sabonetes no Cold Process
Aula 1

Óleos e Manteigas
para Saponificação
1 Pese as gorduras necessárias em suas determinadas proporções;
2 Coloque em um recipiente de inox para derretimento em banho-maria;
Ex de proporções:

Peso

40% óleo de Palma 280g

+ 175g
25% óleo de Palmiste

+ 70g
10% óleo de Rícino

+ 105g
15% óleo de Girassol

+ 70g
10% óleo de Oliva

= 100% 700g

72
3 Após escolhida a forma como irá derreter, basta pesar a manteiga ou o óleo
saturado, levar num recipiente para derreter (em banho maria, no caso).

4 A manteiga e óleos duros são sempre derretidos antes e após misturados


com os óleos da base;

5 Pesar a gordura de Palma (ou gordura vegetal hidrogenada) e de Palmiste (ou


óleo de coco). A massa total não pode ocupar mais do que 2/3 do volume da
panela, pois a massa cresce e poderá derramar no forno;

6 Aqueça até entre 70 e 85 graus;


7 Quando a palma (ou gordura vegetal hidrogenada) + palmiste ( ́oleo de coco)+
pigmentos em pó estiverem em 50 graus, colocar os óleos líquidos;

9 Deixe esfriar até 50 a 55 graus


(5 a 10 graus a mais que a Lixívia)

73
Aula 2
Preparar a Lixívia e misturar com os
óleos para saponificação
Lixívia = Água + Soda

● Use todos os equipamentos de proteção individual


(EPI) e tome todos os cuidados para sua segurança
nesta fase do preparo;

● Vamos calcular a quantidade de Soda


(hidróxido de potássio/KOH) necessária para
misturar com a gordura escolhida para saponificação;

IS (índice de saponificação) x Quantidade de óleo vegetal;

Exemplo de Cálculo de Óleo Vegetal:

Indice de
Peso NaOH
Saponificação (IS)

40% óleo de Palma 280g 0,142 39,76

25% óleo de Palmiste 175g 0,176 30,8

10% óleo de Rícino 70g 0,128 8,96

15% óleo de Girassol 105g 0,135 14,17

10% óleo de Oliva 70g 0,135 9,45

100% 700g 103,14

Desconto de Soda 7%: 95,92,2 -> 96g


74
● Também precisamos calcular a quantidade de água para adicionar à lixívia;

● Equivale de 30% a 36% do peso dos óleos da base;

● Nesta receita, vamos utilizar 32%


Ex:
Para 700g de óleos da base → Água Deionizada
= 32% do peso dos óleos da base = 224g

● Calculada a quantidade de Soda é hora de misturá-la com a água

● Lembre-se sempre: Colocar a soda em água e nunca água na Soda.

● É natural que a solução fique turva num primeiro momento, e depois, límpida;

● Feito isso, deixe esfriar a lixívia entre 40 a 45 °C.

● Enquanto isso, prepare os óleos vegetais para serem misturados com a lixívia

● Quando os óleos da base atingirem a temperatura (55 a 50 °C) adequada,


derramar cuidadosamente a lixívia, mexendo devagar.

75
Aula 3

Verificando o traço (trace)


● Conhecido como o início do endurecimento da massa, o trace (ou traço) indica
que pelo menos 10% da saponificação já ocorreu;

● O trace pode ser classificado em três velocidades: leve, médio ou forte (sendo
a mais leve sinônimo de uma massa mais líquida e o forte uma massa em
pedaços, que lembra polenta);

● Para verificar o trace, é preciso mexer a massa com a espátula e observar se o


"caminho" feito ficará marcado ou demorará alguns segundos para se apagar -
em caso afirmativo, é sinal de que você atingiu o famoso ponto de trace;

IMPORTANTE

● Depois da lixívia e dos óleos misturados, a duração na mistura da massa para


atingir o trace pode variar de 5 a 15 minutos se estiver utilizando um mixer.

● Acelerar ou não o traço é realmente uma questão pessoal e do que se deseja


fazer com o sabão:

Por exemplo: se desejar dividir a massa e colorir com várias cores diferentes, o traço
leve é o mais indicado. Se desejar fazer efeitos especiais (marmorização, técnicas
com funil, linha do horizonte, coluna etc), traço médio. Se a ideia é fazer apenas um
bloco de sabão, com uma única cor e sem adição de óleos essenciais, traço forte;

76
Existem três fatores que podem afetar e influenciar nesse tempo que a massa de
sabão leva para atingir o TRACE, que são:

1 Quantidade de água (quanto mais água, mais o trace demora);


2 Temperatura da massa (quanto maior a temperatura, mais rápido se chega ao
trace);

3 Ingredientes/aditivos (alguns óleos essenciais como os de cravo e canela


aceleram o trace, assim como óleo de abacate e demais ingredientes como aloe
vera, mel e álcool);

77
Aula 5

Aplicando aditivos, pigmentos


naturais e conservantes
Os aditivos e pigmentos naturais serão responsáveis por dar cor ao sabão. Alguns
tem até função extra: além de cor, também podem oferecer benefícios como
propriedades esfoliantes, curativas e antioxidantes;

É interessante ressaltar que os pigmentos naturais não darão cores fortes ao


sabão – por se tratar de algo natural, a suavidade das cores será característica;

Assim, quando você notar cores muito intensas e brilhantes (roxo, verde-limão,
azul-turquesa) no sabão, isso indica que provavelmente são de origem sintética –
o que não significa que são tóxicos, apenas que não são realmente naturais;

Para colorir o sabão naturalmente, temos várias possibilidades: ervas, raízes,


flores, algas, vegetais, frutas, argilas, sementes, especiarias etc.

O modo de usar também varia: os pigmentos escolhidos podem ser em pó, secos,
granulados, frescos, líquidos, por infusão, trituração, ralados etc.

78
COMO APLICAR?

Há várias formas de aplicação dos pigmentos naturais, mas separamos as mais


comuns:

● Adição aos óleos líquidos: misture os pigmentos escolhidos com óleos


líquidos antes de adicionar os óleos duros derretidos;

● Adição no trace: coloque o pigmento depois que os óleos e a água da lixívia


estiverem misturados e alcancem o trace;

● Infusão com óleos: adicione o material aos óleos líquidos à temperatura


ambiente e deixe-os em infusão por 2 a 4 semanas, ou duas a quatro
semanas, ou aqueça suavemente até que a cor natural do ingrediente seja
liberada nos óleos.

● Polpa: adicione o pigmento quando a massa atingir um trace leve;

● Infusão na água: faça um chá com o pigmento escolhido para substituir a


água da fórmula. Resfrie ou leve para gelar antes de adicionar a soda cáustica;

● Triturado, em forma de pó: para adicionar diretamente na massa, o melhor


momento é um pouco antes do trace para que seja possível misturar bem e se
espalhar proporcionalmente por toda a massa.

79
ADITIVOS - ÓLEOS ESSENCIAIS

● Devem ser colocados com uma temperatura entre 30 e 40 graus, eles ficam
100% preservados.

Definir o aroma→ 3 a 6% em relação aos óleos da base

Óleos essenciais
○ Blends para melhorar a fixação – 1 de cada nota: Base, Média e Alta

ADICIONANDO CONSERVANTES

○ Óleo resina de alecrim


○ Óleos essenciais, em especial o Tea Tree
○ Extrato de Própolis
○ Vitamina E

Adicionar 1% a 3% sobre os óleos da base

● Após acrescentar os aditivos da sua escolha, misture bem todos com a massa

● Pode bater mais um pouco com o mixer

● Por fim, prepare para derramar a massa no molde

80
Aula 6

Molde e corte
Após misturar a sobregordura, óleos essenciais e outros aditivos, chega o
momento de moldar o seu sabonete em barra. Podemos então despejar da própria
panela ou vasilha em que foi feito o sabonete.

● Bata levemente o fundo da fôrma contra a mesa para eliminar bolhas e


vácuos;
● Cubra a massa com plástico ou papel manteiga para evitar a infiltração de
ar na massa, que causa o “Soda Ash” (esbranquiçamento do sabão);
● Cubra a fôrma com um cobertor para ajudar a manter a temperatura (caso a
temperatura ambiente esteja inferior a 22°C);
● Isole-o sem abrir por 36 horas até que endureça;
● Observe se a massa atingiu o ponto de gel..

Após 36h, seu sabão está pronto para ser desenformado.

● Utilize luvas finas e descartáveis para realizar o desenforme;


● Não desenforme tudo de uma vez: sobre o papel manteiga, vire-o, mas não
bata, vá soltando as laterais e descolando, para que não haja desintegração ou
quebra;
● Você saberá se deu tudo certo no corte;
● Para cortar, você pode usar uma faca (embora seja demorado) ou um cortador
especial que faz o corte todo de uma vez em partes iguais;

Importante:
Separe pelo menos uma lasquinha do sabão, para realizar testes de medição do pH!

Se estiver tudo certo com o sabão desenformado e cortado, leve-o para uma
prateleira (não coloque um em cima do outro – é melhor que sejam colocados de
pé, em fila) e aguarde por no mínimo 4 semanas, tempo estimado para a cura;

81
Após 72h, é preciso que se meça o PH.

Para fazer este teste, o procedimento é bem simples: pegue 2g da barra de sabão,
coloque em um copo com 20g de água deionizada morna.

Espere esfriar e o sabão derreter, faça um pouco de espuma e molhe uma tira do
papel de pH, observando a cor indicada.

Compare a cor com o diagrama de cores que acompanha o papel para saber o
índice apresentado.

Os valores ideais para produtos para uso na pele estão entre 5,5 e 8.

Devido ao Hidróxido de Sódio, os sabonetes em barra apresentam valores de pH


em torno de 9 a 10, o que é considerado padrão aceitável.

Após o prazo correto de 4 a 12 semanas e se estiver tudo certo com o PH, seu
sabonete está pronto para ser utilizado

82
POSSÍVEIS PROBLEMAS NA HORA DO CORTE

● O sabão está muito duro e quebradiço


Isso pode acontecer pelos seguintes motivos: soda cáustica em excesso (erro na
hora de calcular o pH) ou “fase gel” evitada na geladeira (após retirar da geladeira,
espere para realizar o corte: deixe o sabão descansando em temperatura
ambiente por até 48 horas);

A correção para ambos os casos (e se nem mesmo após 48 horas o sabão ficar
mais fácil de cortar) é o método rebatching (reaproveitamento).

● O sabão tem uma fina camada de cinzas no topo


Essas cinzas são conhecidas como “soda ash” ou carbonato de sódio, e se formam
devido ao contato de pequenos restos da lixívia não saponificados com o dióxido de
carbono, no ar. Também pode acontecer caso seja usada a água da torneira durante
o processo.

Não é algo preocupante, pois não altera as propriedades do sabão, mas, por
razões estéticas, você pode corrigir com o método rebatching (reaproveitamento)
ou ou apenas cortar a parte de cima

83
Aula 6

Processo de cura
Após o desmolde e corte da massa, o sabão feito por cold process deverá passar
para a secagem com um tempo de cura que pode ir de 4 até 12 semanas;

O processo de cura é importante para garantir total neutralização da soda, perda


da acidez e estabilidade, o que vai permitir que o sabão tenha também maior
durabilidade;

Ao longo do processo de cura, qualquer resquício de soda desaparece, restando


somente os ingredientes naturais do sabão;

Após o desmolde e corte da massa, o sabão feito por cold process deverá passar
para a secagem com um tempo de cura que pode levar de 4 a 12 semanas.

O processo de cura é importante para garantir total neutralização da soda, perda da


acidez e estabilidade, o que vai permitir que o sabão tenha também maior
durabilidade;

84
Módulo 6
Passo a passo para Produção de
Sabonetes no Hot Process
Aula 1
Preparar óleos e manteigas
para Saponificação
Pese as gorduras necessárias em suas determinadas proporções;

Coloque em um recipiente de inox para derretimento em banho-maria;

Ex de proporções:

Peso

40% óleo de Palma 280g

25% óleo de Palmiste 175g

10% óleo de Rícino 70g

15% óleo de Girassol 105g

10% óleo de Oliva 70g

100% 700g

Após escolhida a forma como irá derreter, basta pesar a manteiga ou o óleo, levar
num recipiente para derreter (em banho maria, no caso). Óleos saturados ou
manteigas são sempre derretidos antes dos outros óleos da base.

Pesar a gordura de Palma (ou gordura vegetal hidrogenada) e de Palmiste (ou óleo
de coco). A massa total não pode ocupar mais do que 2/3 do volume da panela,
pois a massa cresce e poderá derramar no forno. Aqueça até entre 80 e 90 graus.
Se for usar um pigmento natural, colocar neste momento.

Quando os óleos saturados duros estiverem em 50 graus, colocar os óleos


líquidos. Deixe esfriar até até 50 a 55 graus (5 a 10 graus a mais que a Lixívia)
Quando os óleos da base atingirem a temperatura adequada, derramar
cuidadosamente a lixívia, mexendo devagar.

86
Aula 2

Preparando a Lixívia e misturar com


os óleos para saponificação
● Assim como no Cold Process, a primeira
etapa do Hot Process é preparar a Lixívia,
que nada mais é que misturar Água + Soda

● Use todos os equipamentos de proteção


individual (EPI) e tome todos os cuidados
para sua segurança nesta fase do preparo;

● Primeiro calculamos a quantidade de soda:

IS (índice de saponificação) x Quantidade de óleo vegetal;

Exemplo de Cálculo de Óleo Vegetal:

Indice de
Peso NaOH
Saponificação (IS)

40% óleo de Palma 280g 0,142 39,76

25% óleo de Palmiste 175g 0,176 30,8

10% óleo de Rícino 70g 0,128 8,96

15% óleo de Girassol 105g 0,135 14,17

10% óleo de Oliva 70g 0,135 9,45

100% 70g 103,14

Desconto de Soda 2%: 101,07-> 101g

87
● Também precisamos calcular a quantidade de água para adicionar à lixívia;

● Equivale de 30% a 36% do peso dos óleos da base;

● Nesta receita, vamos utilizar 34%


Ex:
Para 700g de óleos da base → Água Deionizada
= 34% do peso dos óleos da base = 236g

● Calculada a quantidade de Soda e Água, é hora de misturar estes compostos

● Lembre-se sempre: Colocar a soda em água e nunca água na Soda.

● É natural que a solução fique turva num primeiro momento, e depois, límpida;

● Feito isso, deixe esfriar a lixívia entre 40 a 45 °C.

● Enquanto isso, prepare os óleos vegetais para serem misturados com a lixívia

● Quando os óleos da base atingirem a temperatura (55 a 50 °C) adequada,


derramar cuidadosamente a lixívia, mexendo devagar.

88
Aula 3

Verificando o traço (trace)


● Após misturar a Lixívia com os óleos e gorduras de base em suas devidas
temperaturas, colocar o mixer na diagonal para não fazer bolhas de ar,
encostando no fundo da panela, ainda sem ligar;

● Ligar o mixer, contando até 10;

● Desligar o mixer, mexendo sempre, contando até 30;

● Repetir esse procedimento até a massa engrossar bastante, atingindo o “hard


trace” ou traço forte.

89
Aula 4

Levando ao fogo
● Se estiver usando uma panela de inox ou de cerâmica que vai ao fogo, deve
fazer o processo em banho-maria, chegando no máximo até 85 graus.

● Colocar a tampa e abrir no tempo adequado para mexer e a massa“respirar”.

● Existem panelas especializadas chamada: SLOW COOKER, nesta também


deve ser colada a tampa

● Tudo para evitar perder umidade

● Deverá mexer de 20 em 20 minutos

● O tempo de cozimento vai depender do seu forno ou da sua panela, pode


levar cerca de 2 horas para cozinhar 1 kg de massa.

● Com o cozimento do sabão na panela, ele vai começar a ficar com aspecto de
gel primeiro nos lados, porque é onde o sabão é mais quente. Você pode dizer
que o sabão é gelificante porque se torna translúcido

● O gel representa a glicerina que está sendo formada

90
● Uma vez que a maioria do sabão fica com o aspecto de gel, a panela deve ser
retirada do fogo ou da base

● Esse processo pode levar de 1 a 4 horas, dependendo da quantidade de


massa de sabão

● Misture a massa com uma colher.

● Retire 1 g para 10 g de água da mesma

● É hora de testar o PH do sabão e verificar se toda a soda foi saponificada

● O restante da massa, deixe esfriar com a tampa fechada, por 30 minutos, pelo
menos. Até atingir a temperatura de 60 graus.

91
Aula 5

Medindo o PH
Os valores do pH compreendem entre 0 (ácido) e 14 (alcalino ou básico), onde 7
indica condição de neutralidade. Os valores ideais para produtos para uso na pele
estão entre 5,5 e 8.

Primeiro, é importante ter em mente que o pH é uma medida de íons de


hidrogênio em uma solução aquosa. Obviamente, quando você está olhando para
sabão em barra, é um material relativamente sólido - não uma solução aquosa. Para
testar adequadamente o pH de um sabonete em barra, você deve tentar usar uma
solução.

Para fazer este teste, o procedimento é bem simples: pegue 2g da barra de sabão,
coloque num béquer com 20g de água deionizada morna, espere esfriar e o
sabão derreter. Faça um pouco de espuma e molhe uma tira do papel de pH ou
com o phmetro, observando a cor indicada; compare a cor com o diagrama de
cores que acompanha o papel para saber o índice apresentado.

Devido ao Hidróxido de Sódio, os sabonetes em barra apresentam valores de pH


em torno de 9 a 10, o que ́e considerado padrão aceitável apesar do pH alto. O que
garante isto é justamente a sobregordura, ou seja, aquela gordura extra que vai
deixar a sua pele úmida e hidratada.

Enquanto a massa esfria, é hora de preparar os aditivos.

92
Aula 6

Sobregordura, aditivos e conservantes


Após passar pelo processo saponificação, no processo Hot, o sabão não possui
mais soda cáustica livre e chega a hora de colocar a sobregordura e outros
aditivos. As propriedades do óleo vegetal prensado a frio, da manteiga vegetal, óleo
essencial ou outro aditivo, não serão afetados pela soda cáustica, porque ela não
existe mais. Devem ser acrescentados quando a massa atingir uma temperatura de
50, 60 graus, seguindo a ordem:

sobregordura + aromas + aditivos + conservantes.

Podemos acrescentar de 2 a 5% do total de óleos para realizar este tipo de


sobregordura. Evite excessos, correndo o risco de obter um sabão/sabonete muito
oleoso que aumenta as chances de se criar ranço ou outros tipos de problemas.

Uma % segura, dependendo de onde se está fazendo sabão, é:


○ 1 a 3% - regiões muito quentes;
○ 5% - regiões temperadas e;
○ 6 a 8% - regiões frias, pode variar de 5% a 8%.

Para 700g de óleos da base → Ex: 700g


ACRÉSCIMO DE GORDURA = 5% do peso dos óleos da base
= 35g de manteiga VEGETAL ou óleo vegetal;

Devem ser colocados com uma temperatura entre 30 e 40 graus, na qual eles ficam
100% preservados.

Definir o aroma→ 3 a 6% em relação aos óleos da base;

Óleos essenciais

Blends para melhorar a fixação – 1 de cada nota: Base, Média e Alta.

93
ADITIVOS - PIGMENTOS NATURAIS

Pigmentos em que a quantidade a ser usada dependerá da cor que você deseja;
faça o primeiro teste, anotando com critério a quantidade usada; se ficar muito claro
aumente: se ficar muito escuro, diminua. Devem ser 100% naturais.

ADITIVOS - FLORES E ERVAS


● Flores secas
● Ervas secas – inteiras ou em pó

ADICIONANDO CONSERVANTES

● Oleorresina de alecrim
● Óleos essenciais, em especial o Tea Tree
● Extrato de Própolis

Adicionar 1% a 2% sobre o total da massa de sabão.

94
Aula 7

Molde e corte
Após misturar a sobregordura, óleos essenciais e outros aditivos, chega o momento
de moldar o seu sabonete em barra.

Colocar na forma com a colher, apertando sobre a forma, a cada colherada.

No Hot process temos uma massa pegajosa espessa (como purê de batatas) que
deve ser rapidamente retirada para o molde. Certifique-se de bater suavemente
no molde no balcão para retirar qualquer bolsa de ar e no final apertar mais ainda!

Depois de 24h ou até 48 hs, seu sabonete estará duro o suficiente para
desenformar e cortar.

Você pode cortar o sabão em barras imediatamente com uma faca ou cortador
de sabão. Coloque os sabonetes em uma única camada em uma bandeja vazia ou
forrada com papel toalha e guarde em local seco, fresco e escuro para a máxima
longevidade Seu sabonete mais rústico já pode ser utilizado, a fim de desfrutar
dos benefícios das propriedades medicinais acrescentadas.

95
Módulo 7
Passo a passo para produção do
sabonete com Base Pronta
Aula 1

Derretendo a base glicerinada


Utilizar a base pronta é uma ótima opção para iniciantes. Tudo que você precisa
fazer é derreter a base pré-fabricada, personalizá-la com suas cores e aromas
favoritos e despejar em um molde

Isso significa que você não tem que lidar com a soda cáustica, podendo se
concentrar nos aditivos

Existem dois tipos de bases que indicamos: uma esbranquiçada e


outra mais opaca/amarelada

Opte pelas opções veganas e 100% naturais, sem componentes maléficos à sua
saúde.

● Pique a base pronta glicerinada em cubinhos menores e coloque em uma


vasilha de vidro.

● Derreta-a em banho maria, pois terá mais controle da temperatura.

● Enquanto isso separe os aromas e aditivos necessários para o preparo

● Espere a base atingir 30 a 40 graus para poder preservar as propriedades


medicinais dos aditivos.

97
Aula 2

Aplicando aditivos e conservantes


Após atingir a temperatura, é hora de colocar e misturar bem os aditivos na base.

Quantidade de óleo essencial que pode ser acrescentada: 3% a 5% em relação a


quantidade de base.

Não é necessário acrescentar sobregordura, você pode


usufruir das propriedades de outros componentes naturais.

Misture os pigmentos em óleo vegetal para uma


melhor integração com a massa.

Pode acrescentar os seguintes aditivos:

● Plantas
● Ervas
● Sementes,
● Esponjas,
● Pigmentos naturais
(cúrcuma, páprica, beterraba em pó...)
● E até cristais

No final acrescentar o Conservante: 0,2% a 0,5% em relação a quantidade de base.

98
Aula 3

Molde e corte
Uma vez que todos os componentes foram acrescentados no sabão: é hora de,
cuidadosamente despejar a massa no molde.

Deixe o sabão esfriar e endurecer por pelo menos 4 horas.

Uma vez que o sabão esteja completamente duro, retire do molde e, se for o caso,
corte-os finos ou grossos, como quiser. Você pode usar uma faca serrilhada para
diversificar a aparência.

O sabonete está pronto para embalar e desfrutar!

99
Módulo 8
Receitas de Sabonetes
Você encontra todas as receitas disponibilizadas pelo Curso Saboaria Aroma na
plataforma Hotmart no formato de livretos com seu ingredientes e indicações de
uso.

As receitas são:

● Sabonetes hidratantes
● Sabonetes com argila
● Sabonetes com aloe vera
● Sabonetes esfoliantes
● Sabonete Detox (carvão e lama vulcânica)
● Sabonetes com ervas
● Sabonetes aromaterapêuticos
● Sabonete com cristal
● Shampoo em barra
● Receitas clássicas

101
Módulo 9
Armazenamento e embalagem
Aula 1

Etiquetas de Segurança
A etiqueta de segurança do sabonete é um item muito importante para o seu
cliente. Ela funciona como um informativo sobre o seu produto, incluindo indicação
de validade.

Etiqueta de segurança deve conter:

● Especificar que é produto artesanal;


● Origem do produto (nome da sua empresa, da sua marca);
● Descrição do produto com o ativo principal (indicação das propriedades
contidas, por exemplo: sabonete glicerinado de argila, creme e mirtilo);
● Composição dos ingredientes sem as quantidades; por exemplo: Óleos
vegetais saponificados de Oliva, Palmiste, Palma, Mamoma; Argila Creme,
Extrato de Mirtilo, Manteiga de Karité, Óleos essenciais de Hortelã-doce,
Vitamina E;
● Data da fabricação;
● Indicação da validade do seu sabonete;

103
Aula 2

Armazenamento e Embalagem
A embalagem do sabonete deve ser segura para armazenar e manter a qualidade
do produto, assim como facilitar a não contaminação do conteúdo armazenado.
Uma boa embalagem assegura o prazo de validade do produto. Deve informar que
é um produto artesanal;

Além da embalagem, você deve dar atenção à identidade visual do sabonete que
deseja vender. Trabalhe uma maneira que a identificação do consumidor seja
imediata com a sua marca. Caso você esteja se apresentando ao público-alvo,
tenha em mente o posicionamento da empresa e traduza-a na logomarca, nas
cores e no estilo das fontes utilizadas nos rótulos das embalagens.

Indicamos a gráfica online Printi que faz o design do seu produto de forma gratuita,
imprime e envia para você pelo Correios. Ótimo, não é? O pedido pode ser feito no
site: https://www.printi.com.br/rotulo

O que precisa conter:

● Nome do produto e grupo ou tipo a que pertence (Ex: Sabonete


corporal/facial),
● Marca,
● Prazo de Validade,
● Conteúdo (quantidade em Kg, g, ml, L),
● Fabricante/ Site ou contato/ Titular e seu domicílio Modo de Uso (se for o
caso) Advertências,
● Restrições de uso ou Precauções (se for o caso);

104
Ingredientes/Composição – A leitura dessa informação é importante porque o
consumidor consegue identificar quais os componentes do sabonete. A lista de
ingredientes deve estar em ordem decrescente, isto é, o primeiro ingrediente é
aquele que está em maior quantidade no produto e, o último, em menor quantidade.

De acordo com as diretrizes para produtos de saúde e beleza orgânicos e naturais


do IBD Certificações, os cosméticos naturais devem destacar em seu rótulo quais
os ingredientes são naturais e/ou orgânicos e/ou oriundos de extrativismo
certificado.

O material escolhido para as embalagens deve ser produzido com métodos que
preservem o meio ambiente; utilizar, preferencialmente, ingredientes
biodegradáveis;

Utilizar, preferencialmente, matérias primas recicláveis e de menor impacto ao


meio ambiente;

Não usar PVC e poliestireno porque são proibidos;

Uma das melhores maneiras de se fazer embalagem é usar o papel encerado –


próprio para embrulhar sabonetes. Contém uma película de cera interior que
impede que o papel fique manchado com a umidade do produto.

105
Módulo 10
Bônus
Aula 1

Como fazer reaproveitamento


(Rebatching)
O método conhecido para reprocessamento de um lote de sabão é o rebatching;

Basicamente, esse método consiste em dissolver o sabão que não ficou como
esperado em um percentual de água em banho maria, ajustar o que for preciso e,
após esfriar, moldá-lo novamente;

As possibilidades durante o rebatching são muitas: adicionar cores, modificar


fragrâncias, acrescentar extratos e demais aditivos que você esqueceu ou quer
colocar para testar;

Por que fazer rebatching?

● Para corrigir um lote de sabão no qual você cometeu um erro (caso tenha
errrado o PH ou esquecido de colocar algum aditivo, mudar a cor, ou ainda
para mudar o óleo essencial);

● Para usar ingredientes extras que são mais delicados e que reagem mal
com a soda cáustica;

107
Vantagens do rebatching:

● O banho maria vai eliminar a essência do sabão (possibilitando reajustes e


novos aromas), além de reduzir o tempo de cura, devido à neutralização da
soda cáustica;

● Após 48 horas, o sabão que já passou por um processo de cura antes, já


pode ser utilizado (mas, por segurança, caso queira ter certeza que a soda foi
mesmo neutralizada durante o cozimento, faça um teste de pH);

● O rebatching resulta num sabão mais macio, embora com aparência mais
“rústica”;

Observações importantes antes do rebatching

● Antes de tudo, é preciso observar alguns detalhes como o tempo do lote de


sabão, se foi feito recentemente e não passou pela cura ou se apresentou
alguma irregularidade justamente durante a cura;

● Se o lote foi feito recentemente e não passou pela cura, ainda não houve
evaporação da água, o que significa que após o reaproveitamento deverá
voltar ao tempo de cura de 1 mês;

● Se passou pela cura, houve perda de água na secagem, o que significa maior
quantidade de líquido na dissolução;

108
Passo a passo

1 Ralar o sabão num ralador;


2 Pesar o sabão ralado e calcular de 40% desse peso;
3 Separar a mesma quantidade (40%) de líquido para hidratar o sabão ralado;
4 Líquidos para hidratar: água desmineralizada, água destilada ou leite de coco;

5 Levar ao fogo em banho maria até ficar translúcido, mexendo de vez em


quando até a massa ficar fácil de trabalhar, lembrando a consistência de gel, o que
indica que estará pronta para ser colocada na forma;

6 A massa deve permanecer mais ou menos 60 minutos no fogo;


7 Após esse tempo, faça a medição do pH, se necessário ajuste, depois desligue o
fogo, espere a temperatura baixar para acertar o aroma e demais ingredientes que
queira acrescentar;

8 Coloque na forma.. Cubra e aguarde de 24 hs até 48 horas para retirar da forma;

9 Após a secagem, o sabão já pode ser usado se já passou pelo processo de


cura. Se é a sobra de um Cold Process que não foi curado, deve encaminhado ao
processo de cura por 1 mês.

109
Aula 2

Clareando sabonete no Cold Process


● No cold process, o único jeito de clarear o sabão é com dióxido de titânio;

● O dióxido de titânio (TiO2) é um dos pigmentos brancos mais importantes.


Encontrado na natureza, caracteriza-se por um pó branco, seco e finamente
pulverizado.

● É um pigmento muito utilizado na saboaria pela capacidade de branquear,


devido ao baixo índice de descoloração por raios ultravioleta.

● O dióxido de titânio é insolúvel em água e em óleo, sendo que, na saboaria,


servirá para branquear a base a partir de seu derretimento em um pouco de
álcool de cereais;

● Não é recomendado utilizá-lo puro e diretamente na base, pois pode


manchar;

● É importante incorporar o dióxido de titânio antes da adição da soda


cáustica;

● A proporção ideal é de 5g por kg de óleo;

● O dióxido de titânio não é nocivo à saúde humana, mas muita gente acaba
confundindo esse mineral com sua forma nanométrica artificial – utilizada pela
indústria –, o que acabou gerando polêmica na área de saúde e também para
produtores de sabão artesanal. É importante diferenciar um do outro.

110
Aula 3
Como calcular o preço de venda
Alguns princípios devem ser observados no que se refere ao preço da venda e
retorno financeiro no curto, médio e longo prazo:

● Os principais desafios a serem observados na formação de preços são os


seguintes:
○ Calcular seus Custos Comuns
○ Calcular seus Custos de Fabricação
○ Calcular seus Custos de Oportunidade (Investimento Inicial)
○ Calcular seus Custos de Embalagem e Apresentação
○ Calcular seus Custos de Divulgação e Venda
○ Calcular seus Custos Tributários

OBSERVAÇÃO:
Temos uma planilha do excel programada para te auxiliar na plataforma do curso,
em que calcula automaticamente os custos e lucros para facilitar a sua vida
empreendedora.

111
Aula 4
Receitas Clássicas
A atividade saboaria talvez seja uma das atividades industriais mais antigas do
mundo. Isto porque temos registros da produção de sabão muitos anos antes de
Cristo, nas mais diversas culturas.

O processo antigo é, aparentemente, bem mais simples e consiste basicamente nas


seguintes fases: Empaste, Cozimento, Separação e Acabamento, com
pouquíssimos ingredientes, o que não significava um sabão ruim, visto o exemplo do
sabonete de Marseille, um dos mais antigos e - até hoje - famosos do mundo;

A título de curiosidade, trouxemos aqui as receitas dos sabões mais conhecidos


mundo afora, que são:

● Sabão de Aleppo (Síria)


● Sabão de Marseille (França)
● Sabão de azeite de Castela (Espanha)

112
Sabão de Aleppo

O sabão de Aleppo é feito à mão, sem aroma, e ótimo para quem tem a pele muito
sensível. Também pode ser usado como shampoo, pois produz espuma suficiente
para lavagem dos cabelos;

Na história, esse sabão era feito com óleo de oliva e óleo das bagas do louro;

Quanto maior o tempo de secagem (de 9 meses a 2 anos!), maior a fixação do aroma
de louro

Cálculo do Hot Process

Proporção Peso (g) IS NaOH (g)

70% óleo de Oliva 490g 0,135 66,15

20% óleo de Baga de Louro 210g 0,141 29,61

100% 700g 96

● Desconto de Soda 2%: 94g


● Água 32% óleos da base: 220 g
● Sobregordura 2% do total da massa.
No Hot Process - 20 g de óleo vegetal
de Oliva.

113
Sabão de Marseille

Antigamente eram misturados azeite de oliva, cinza alcalina de plantas marinhas e


água salgada do Mar Mediterrâneo;
Aqueciam por dez dias em caldeirões antigos. Após os dez dias, despejavam a
mistura em covas abertas para endurecer e era levada para secagem ao sol;

Sua característica autêntica era um pó branco fino sobre a superfície do sabão,


indicando sal do mar, que desaparecia uma vez que o sabão entrava em contato
com a água;

Cálculos Hot Process

Proporção Peso (g) IS NaOH (g)

70% óleo de Oliva 490g 0,135 66,15

20% óleo de Palma 210g 0,142 29,82

100% 700g 95,97

● Desconto de Soda 2%: 94g


● Água 32% óleos da base: 220 g
● Sobregordura 2% do total da massa.
No Hot Process - 20 g de óleo vegetal
de Oliva.

114
Sabão de Azeite de Castela

Esse sabão é uma variação do sabão de Aleppo, devido à dificuldade de


encontrarem óleo de louro, mantinha-se a mesma receita apenas com óleo de oliva.

Indicado até hoje para cuidados com a pele e com os


cabelos.

Cálculos Hot Process

Proporção Peso (g) IS NaOH (g)

100% óleo de Oliva 700g 0.135 95

100% 700g 95

● Desconto de Soda 2%: 93g


● Água 31% óleos da base: 217 g
● Sobregordura 2% do total da massa. No Hot Process - 20 g de óleo vegetal
de Oliva.

115
Aula 5
Extratos Glicólicos
● Extratos glicólicos são obtidos por um processo de maceração (que
consiste em macerar e deixar de molho) ou percolação de uma erva em um
solvente hidroglicólico, como a glicerina;

● Estes extratos são muito utilizados na saboaria artesanal;

● Os extratos glicólicos podem ser aplicados em soluções aquosas, géis,


emulsões água/óleo e tensoativos (sabões, banhos de espuma, shampoos);

PRINCÍPIOS ATIVOS

Os princípios ativos das plantas medicinais são substâncias que a planta sintetiza e
armazena durante o seu crescimento. No entanto, nem todos os produtos
metabólicos sintetizados possuem valor medicinal. Geralmente, numa mesma
planta, encontram-se vários componentes ativos.

Os princípios ativos não se distribuem de maneira uniforme no vegetal..


Concentram-se preferencialmente nas flores, folhas e raízes, e, às vezes, nas
sementes, nos frutos e na casca;

116
Os principais princípios ativos encontrados são:

● ALCALÓIDES: formam um grupo heterogêneo de substâncias orgânicas, cuja


atividade farmacológica é notável;

● TANINOS: componentes vegetais que possuem ações adstringentes e


antissépticas;

● FLAVONÓIDES: formam um grupo muito extenso devido ao número dos seus


constituintes naturais e ampla distribuição no reino vegetal. Suas propriedades
farmacológicas agem sobre os capilares;

● SAPONINAS: formam um grupo particular de heterosídeos. O seu nome


provém da propriedade de formar espuma abundante, quando agitadas com
água, à semelhança do sabão;

● MUCILAGENS: no sentido botânico-farmacológico entende-se por mucilagens


as substâncias macromoleculares de natureza glicídica e que incham quando
em contato com a água proporcionando um líquido viscoso, que atenuam
inflamações;

● HETEROSÍDEOS: substâncias amplamente distribuídas no reino vegetal, com


ações e efeitos diversos;

Partes das plantas de onde são extraídos os ativos e glicólicos naturais:


○ Alecrim: folha e flor
○ Alfazema: flor
○ Androba: sementes
○ Arnica: parte aérea
○ Arruda: talo e folha
○ Aloe vera: talo e folha
○ Calêndula: flor
○ Camomila: flor
○ Erva-doce: sementes
○ Hortelã: folha
○ Jojoba: sementes

117
Aula 6
Regulamentação da Saboaria Artesanal
● Há muita confusão envolvendo a regularização das atividades de saboaria
artesanal;

● O fato é que, para a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não


existem diferentes classes de produção para cosmético: as regras se
aplicam para todos os tipos de produtores, sejam estes pequeno, médio ou de
grande porte;

● Quando não há o intuito de venda, não há restrição quanto à produção


artesanal; mas, para produzir legalmente e comercializar, algumas
burocracias são necessárias;

● Atualmente, é necessário obter os Alvarás Comercial e Sanitário, que


envolvem abertura de empresa, contrato social, CNPJ e demais requisitos
relacionados à estrutura do imóvel, fabricação e controle de qualidade;

● É importante frisar que, embora o seu negócio comece pequeno, na


informalidade, é essencial pensar sobre a legalização, a fim de evitar multas
e apreensão do estoque;

● De todo modo, a saboaria artesanal está se encaminhando para ter a


regulamentação facilitada e incluída na Lei do Artesanato;

● Segundo o IBD (Instituto Biodinâmico), responsável pela certificação de


produtos de saúde e beleza orgânicos e naturais, como “não existem, ainda,
normas, leis ou diretrizes nacionais ou internacionais de regulamentação de
certificação orgânica estabelecidas e mundialmente reconhecidas para
produtos de beleza, estas diretrizes devem ser vistas como um documento
que será constantemente aperfeiçoado e adaptado”;

● A saboaria artesanal atende a todos os princípios e objetivos estabelecidos


pelo IBD na categoria de cosmética natural;

118
Os princípios exigidos pelo IBD são:

a) ser formulado, o máximo possível, com ingredientes orgânicos e naturais;


b) preservar, o máximo possível, as qualidades originais dos ingredientes, evitando
modificar seu estado natural;
c) causar o menor impacto possível ao ambiente, tanto na produção como no uso e
descarte;
d) atingir alta qualidade e ter rotulagem clara para orientação dos consumidores;
e) não ser testado em animais;
f) não ser prejudicial a humanos.

Por componentes e substâncias naturais, entende-se, conforme as diretrizes do


IBD:

Processos que não provocam alterações no componente natural

a) Processos de extração que fazem uso de frio, pressão, destilação com água ou
vapor, percolação e/ou concentração por meios físicos e mecânicos são permitidos
na obtenção de ingredientes.
b) Processos que fazem uso de solventes extratores como óleos vegetais e animais,
álcool, vinagre e glicerina, são permitidos desde que obtidos de forma orgânica. O
uso de solventes convencionais somente é permitido quando se constatar a
indisponibilidade dos mesmos na forma orgânica.
c) Processos que fazem uso de água, nitrogênio e CO2 também são permitidos.
d) No geral, os métodos escolhidos para extração não podem alterar a composição
qualitativa do ingrediente, produzir resíduos tóxicos ao meio ambiente ou usar
recursos ou extratores sintéticos, não permitidos, em fases intermediárias da
extração. A seguir estão listadas algumas categorias de ingredientes para
cosméticos cuja obtenção é feita por extração.
i. Gorduras vegetais: triglicerídeos (ésteres graxos formados pelo álcool, glicerina e
três ácidos graxos vegetais) extraídos de vegetais ricos em triglicerídeos formados
principalmente por ácidos graxos saturados.
ii. Óleos vegetais: triglicerídeos extraídos de plantas ricas em triglicerídeos
formados principalmente por ácidos graxos insaturados.

119
iii. Lanolina: ingrediente purificado proveniente da lã de carneiro contendo
colesterol, álcoois e ésteres graxos. É um subproduto da limpeza da lã bruta do
carneiro. Apesar de ser derivada de animal, não exige sacrifício do mesmo para
obtenção do ingrediente.
iv. Corantes naturais – Idêntico ao Natural: substâncias orgânicas solúveis
adicionadas aos produtos finais com a finalidade de melhorar a aparência e atender
às expectativas dos consumidores, exercendo efeito atrativo.
v. Pigmentos naturais – Idêntico ao Natural: substâncias corantes insolúveis no
meio em que são usadas. Assim como os corantes, os pigmentos naturais têm a
finalidade de melhorar a aparência e atender às expectativas dos consumidores,
exercendo efeito atrativo.
vi. Óleos essenciais: compostos orgânicos voláteis aromáticos produzidos por
diversas espécies de plantas e encontrados em diferentes partes das mesmas. São
extraídos através dos métodos de enfleurage (extração à base de gordura), vapor d’
água, extração com solvente, prensagem e extração com dióxido de carbono.
vii. Extratos vegetais (glicólicos, tinturas e secos): substâncias extraídas de
diversas partes das plantas por meio de maceração, percolação, liofilização, dentre
outros métodos.
viii. Para extratos re-hidratados, a concentração orgânica considerada será aquela
em que ocorreu a concentração, por exemplo, de 100 a 20%. Não é permitida a
adição de água para continuar classificando extratos orgânicos a 100%. Nesse
caso, a concentração orgânica é 20%.v.
2. Minerais – Idêntico ao Natural: extraídos e purificados de fontes naturais
legalizadas para atividade extrativista.
3. Polímeros naturais: alguns polímeros podem ser obtidos a partir de fontes
naturais, como goma xantana, alginatos e amidos.

Resumindo: as possibilidades são favoráveis para a regularização do seu trabalho


com a saboaria artesanal, devido às exigências atendidas. O processo não é tão
complexo quanto parece e permite que a saboaria seja valorizada;

No entanto, caso você queira vender em lotes maiores, para públicos mais amplos,
como farmácias e mercados, recomendamos seguir o passo a passo desse manual:
https://sabonete-artesanal.com/wp-content/uploads/2016/09/como-regul
arizar-sabonete-artesanal-.pdf.

120
Aula 7
Shampoo em Barra
A fórmula para fazer shampoo em barra (também conhecido como shampoo
sólido) é a mesma utilizada para o sabão, o que muda são os óleos com
propriedades específicas para tratamento capilar;

A aparência também costuma ser idêntica à do sabão artesanal; mas sugerimos que
deixe as barras mais grossas ou maiores, para que o shampoo dure mais;

O modo de armazenamento também é igual ao do sabão artesanal: de preferência


em saboneteiras vazadas, que não acumulam água;

O pH, tanto de shampoos em barra quanto de sabões, é alto (entre 8 e 10), mas isso
não significa que haverá danos aos cabelos ou à pele, pois há equilíbrio suficiente
entre o pH, óleos, manteigas e extratos utilizados na produção;

Uma das grandes vantagens do shampoo em barra é que ele também pode ser
utilizado no corpo, para tratamento específico (psoríase, por exemplo) e podendo
ser usado todos os dias;

O shampoo em barra, quando bem feito, produzirá tanta espuma quanto um


shampoo líquido e não deixará resíduos ou sensação de peso no cabelo;

121
Para usá-lo, também não tem muito segredo: basta molhar o cabelo e esfregar a
barra no couro cabeludo, sem força, até que haja formação de espuma o
suficiente para estimulação dos fios com a ponta dos dedos.

Cálculos para o preparo da Massa

Proporção Peso (g) IS NaOH (g)

40% óleo de Palma 250g 0,142 35,5

25% óleo de Coco Fracionado 200g 0,232 46,4

10% óleo de Rícino 70g 0,128 8,96

15% óleo de Oliva 200g 0,135 27

100% 700g 118

Também precisamos calcular a quantidade de água para adicionar à lixívia.

Equivale a 30% a 37% do peso dos óleos da base.

Para este exemplo foi selecionado 37% de água:


Para 700g de óleos da base → Agua Deionizada = 37% do peso dos óleos da base =
270 g

Os aditivos selecionados para esta receita foram:


● 30 g óleo essencial de Cedro
● 30 g de tintura de Alecrim

Sobregordura:
● 30 g de manteiga de karité (derretida no microondas)

Conservante:
● 5 g óleo resina de alecrim.

122
Aula 8
Lista de fornecedores e marcas
Você encontrará seus materiais, componentes e embalagens em:

● Lojas físicas de produtos naturais (ervas, argilas, farinhas, sal, óleos essenciais
)
● Farmácias de manipulação (óleos essenciais, manteigas, cera, óleos vegetais,
embalagens)
● Lojas virtuais (E-commerce) com vários produtos distintos
● Lojas físicas de embalagens para armazenar seus produtos

Para obter um preço melhor nos componentes:

Dê preferência a comprar produtos em maior volume e quantidade (1 Kg/15 Kg)


Pode ser interessante adquirir produtos variados também de um mesmo comprador
para sua chance de desconto aumentar. O ideal é sempre fazer uma pesquisa de
mercado entre lojas físicas e virtuais e avaliar quais são mais acessíveis, levando em
consideração qualidade e preço. Você pode realizar compras a preço de atacado
de algumas destas marcas ou lojas. Neste casos o desconto varia de 30% a 60%

Você deseja trabalhar com produtos naturais com óleos essenciais, certo? Então
atenção para NÃO comprar produtos com os seguintes componentes na sua
fórmula:

● Parabenos
● Ftalatos
● Sulfatos
● Silicones insolúveis
● OGMS
● Óleo mineral
● Parafina

Produtos veganos: além destes compostos citados acima, evitar derivados de


animais, como: cera de abelha e gorduras de animais.

123
Como saber a melhor marca de um óleo essencial para comprar:

● Não conter óleo mineral, óleo vegetal ou derivados de petróleo devido a


forma de extração ou para aumentar o volume;
● Se oferece produtos orgânicos;
● Ética da empresa, qual imagem ela deseja passar (se informa os cuidados,
precauções, conteúdos relevantes e informativos e não está preocupada só
em vender, gerar franquia e pirâmide);
● Questione-se e reflita se faz sentido de acordo com o seu conhecimento, se
aprofunde no assunto. Seja um pensador crítico!

Marcas de óleos essenciais indicadas por nós:

Todas possuem loja virtual e você pode adquirir estes produtos de forma mais
barata em quantidades maiores (compras atacado).

● NOW
● Bioessência
● Engenharia das essências
● Tisserand
● By Samia
● WNF
● Lazslo
● Oshadi

Como saber a melhor marca de um óleo vegetal para comprar:

São produtos sensíveis e devem ser muito bem armazenados e manipulados com
cuidado para não infectar. Possui aroma leve e específico do vegetal extraído.
Alguns são inodoros. Se ao comprar um óleo vegetal você sentir “cheiro de óleo de
cozinha”, tem fortes indícios de estar rançoso, quer dizer que sofreram influência de
calor, ar, luz, traços de metal, sal, água, bactérias e fungos, perdendo suas
propriedades medicinais. Devem ser extraídos pelo método de prensagem à frio
e extra-virgem. O ideal é comprar em grandes quantidades para aproveitar um
valor mais barato.

124
Algumas marcas de óleos vegetais que indicamos:

● Agropalma
● Amazon Oil
● Distriol
● Destilaria Bauru
● Quimisul
● Vale Fértil
● Engenharia das essências
● BySamia
● Laszlo
● Bioessência

Manteigas Vegetais:

Devem ser 100% puras e dentro do prazo de validade. Cuidando para armazenar
em local limpo e seco e evitar contaminação.

E-commerce Bela Vida Natural


Possui argilas, boas marcas de óleos essenciais e óleos vegetais com um preço
ótimo e possibilidade de desconto, frete grátis e cadastro para compras de atacado.
Link: https://www.belavidanatural.com.br/

*E-commerce Engenharia das Essências


Possui argilas, óleos vegetais e manteigas, oleoresina de alecrim, extratos alcóolicos
e glicólicos com um preço ótimo, sempre tem uma promoção.
Link: https://engenhariadasessencias.com.br/loja/

*E-commerce Sabão Glicerina


Possui manteiga de karité e cacau, cera de abelha e embalagens para cosméticos a
um preço muito bom.
Link: https://www.sabaoeglicerina.com.br/index.php

125
*Marketplace Mercado Livre
Possui vários desses produtos, embalagens e matérias-primas. Atenção para
sempre verificar as avaliações dos vendedores.
Link: https://www.mercadolivre.com.br/

Marketplace AliExpress
Embalagens por um ótimo preço, só demora um pouco de tempo para chegar na
sua casa. Atenção para sempre verificar as avaliações dos vendedores.
Link: https://pt.aliexpress.com/

*Alguns componentes vendidos nesses sites são sintéticos e não indicados para
serem utilizados nos seus produtos naturais , por isso, ainda assim, precisa avaliar
cada produto e se certificar se é natural. Avalie os rótulos e as descrições de cada
componente para o seu sabonete natural.

Sugestões de links de produtos específicos na plataforma do curso (Módulo


Bônus).

126
Informações Gerais e Lembretes
Informações Gerais e Lembretes
Proporção padrão para iniciantes
Base de Saponificação deve conter:

● Palma - 30%
● Palmiste/Coco/Babaçu - 30%
● Rícino - até 10%
● Oliva/Girassol/Semente de Uva/Abacate - 30%

Para um sabonete com uma boa capacidade de limpar, de fazer espuma e ter
dureza necessária para não despedaçar ou quebrar, o ideal é manter a proporção
de 60% de óleos duros e 40% de óleos moles

Os óleo vegetais equivalem a 70% da massa total e a lixívia equivale a 30% da


massa total.
Ex: para 1 Kg de sabão, precisamos de 700 g de óleo vegetal para base de
saponificação.

CÁLCULOS:
A quantidade de água da lixívia pode ser calculada de 30% a 36% sobre os óleos
da base. E a quantidade de Soda é calculada multiplicando o índice de
saponificação (IS) pela quantidade em gramas de cada óleo (IS x g). Após, soma-se
o resultado para cada óleo vegetal e saberá a quantidade de soda total para a
receita.

DESCONTO DE SODA E SOBREGORDURA NO HOT PROCESS


Desconto de Soda: 2% do cálculo realizado da quantidade de Soda. Após o
processo de cozimento, acrescentar mais 2% da massa total de sobregordura.

DESCONTO DE SODA NO COLD PROCESS:


Desconto de Soda de 5% a 7% do cálculo realizado da quantidade de Soda, pode
ser misturado todos os óleos vegetais antes do traço.

128
Sabonetes com 1 tipo de óleo vegetal, ou 70% do mesmo, os cálculos são
diferenciados para sobregordura.
● No sabão 100% coco, a sobregordura no Hot será de 22% e no Cold será de
27%.
● Já no sabão 100% oliva, a sobregordura no Hot será 2% e no Cold será 7%.

Isso porque o óleo vegetal de coco tem propriedade de limpeza profunda e pode
ressecar a pele e cabelo, se não houver esta quantidade de sobregordura.

CONSERVANTES:
0,5% a 4%sobre o total da massa de sabão. Mais indicado: óleo resina de alecrim
0,5% a 1% sobre o total da massa de sabão. Os óleos insaturados ou moles possuem
maior o índice de iodo, portanto mais fácil oxidar. É necessário acrescentar mais
conservante (0,5%).

ADITIVOS:
2% a 3% sobre o total da massa de sabão

PIGMENTOS:
1,5% até 3%, sobre o total da massa de sabão

Para facilitar os cálculos, indicamos a calculadora online Soapcalc:


http://soapcalc.net/calc/soapcalcwp.asp

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Anexos
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132
133
134
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