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O diwrcio não é o problema

O divórcio não é o problema.


O problema é um casamento incompleto
formado por indivíduos incompletos
que se unemfora do contexto do jardim,
pessoas que nunca se tornaram
verdadeiramente solteiras.

Quando os fariseus tentaram pegar Jesus numa armadilha sobre a ques­


tão do divórcio, ficou evidente algo que refletia uma dura realidade naquela
sociedade: E lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo? (Mt
19.3b). Desde os tempos de Moisés, um marido judeu possuía o direito legal
de divorciar-se da esposa ao simplesmente declarar suas intenções de fazê-lo,
dar a ela uma certidão de divórcio, ou mandá-la embora.
Com o passar dos séculos, a prática ganhou tamanha proporção que, na
época de Malaquias, o último dos profetas do Antigo Testamento, a situação
já estava fora de controle, com maridos se divorciando de suas esposas por
motivos fúteis. Assim uma esposa poderia ser mandada embora se espirrasse
enquanto o marido comia ou se entrasse numa sala onde o marido estava
sentado com outros homens, ou por cozinhar mal ou simplesmente olhar de
relance para outro homem. Quando se tratava de divórcio, uma esposa ficava
à mercê do marido, que podia mandá-la embora por qualquer capricho.
A situação estava tão ruim que uma porção significativa do livro de Ma­
laquias é dedicada apenas a discutir esse assunto. Muitos israelitas se pergun­
tavam por que Deus parecia tão silencioso e não respondia às orações deles.
Então, Deus enviou Sua resposta por intermédio de Malaquias:
COMO CONSTRUIR UM CASAMENTO DURADOURO

E dizeis: Por quê? Porque o SEXHOR foi testemunha entre ti e


a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a
tua companheira e a mulher do teu concerto. E não fez ele somente
um, sobejando-lhe espírito? Epor que somente um?Ele buscava uma
semente de piedosos; portanto, guardai-vos em vosso espírito, e ninguém
seja desleal para com a mulher da sua mocidade.
Malaquias 2.14,15

E, no versículo a seguir, o Senhor declara que odeia o divórcio.


Quatrocentos anos depois, quando os fariseus confrontaram Jesus, o pa­
norama não havia melhorado. Eles tentaram pressionar Jesus ao forçá-lo a
decidir quem estava certo: Deus ou Moisés. Pensaram que, independente da
resposta de Jesus, teriam subsídios para acusá-lo. O que eles não podiam ima­
ginar é que, ao trazer essa questão a Jesus, estavam falando com o Criador em
pessoa. Ninguém conhece um produto melhor do que o fabricante. Sempre
que você fala com o fabricante sobre um produto, consegue em primeira mão
uma resposta original e uma informação em que pode confiar. Deus criou
o casamento. Foi ideia dele, e uma grande ideia, e ninguém sabe sobre isso
melhor que o Pai. Quando os fariseus questionaram Jesus, perguntaram a Ele
sobre algo que o próprio havia inventado.
Fabricantes costumam dar garantia de seus produtos. Uma garantia as­
segura que o fabricante consertará qualquer defeito no produto sem cobrar
nada, desde que sejam respeitadas duas condições: o usuário não leve o pro­
duto a uma assistência técnica não autorizada e não tente consertar ele mes­
mo. A violação de qualquer uma dessas condições faz com que o produto
perca a garantia. Porém, nos dias de hoje, como na época de Jesus, as pessoas
com problemas no casamento tentam resolvê-los sem procurar o fabricante,
e, mesmo assim, querem que Ele garanta o sucesso. Não funciona assim.

O divórcio não é o problema

A resposta de Jesus à pergunta pegou os fariseus de surpresa. Eles pergun­


taram sobre o divórcio, mas Jesus levou o assunto de volta ao casamento. Os
fariseus questionaram, mas Ele disse:

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O DIVÓRCIO NÃO É O PROBLEMA

Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que, no


princípio, [Jesus] o Criador os fez macho e fêmea e disse: Portanto,
deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa
só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que
Deus ajuntou não separe o homem.
Mateus 19.4-6

Ao ignorar a pergunta básica deles, Jesus disse: “O divórcio não é o pro­


blema; é apenas um sintoma de um problema mais fundamental”.
Quando sentimos dor, é importante examinar o que a está causando para
saber como devemos tratá-la. Se for uma simples dor de cabeça causada pela
tensão, uma dose de aspirina resolve. Entretanto, se é um problema mais sé­
rio, a aspirina só vai tratar o sintoma. E se a dor for deixada sem tratamento,
a causa subjacente provavelmente vai agravar-se.
Jesus foi além do “sintoma” do divórcio, além do próprio casamento em
si, e levou-os de volta ao começo, quando Deus criou macho e fêmea. Jesus
conduziu os fariseus de volta ao jardim do Éden. Antes do casamento, antes
do divórcio, havia macho e fêmea, dois indivíduos solteiros, dentro do con­
texto do ambiente perfeito do Éden.
O problema com o divórcio é que muitas pessoas se casam fora do am­
biente edênico, e ainda assim desejam e esperam um resultado igual ao do
Éden. Deus, o Criador e Idealizador do casamento, garante o sucesso dele,
mas somente sob a condição de que essa união tenha os ingredientes do jar­
dim, os quais estão presentes no que chamo de mulher e homem que está no
“começo”.
Jesus disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mu­
lher (Mt 19.5a). Porém, nem todos estão prontos para dar esse passo. Apenas
aqueles homens e mulheres que estão no começo, que estão no ambiente do
jardim, vivendo na presença de Deus, estão preparados para deixar seus lares
e seus pais e unir-se em matrimônio. O Senhor apenas ajunta os homens e as
mulheres que se unem no jardim de Sua presença. Os casamentos fora dele
são uniões promovidas por homens, não por Deus.
Toda vez que você conhecer uma pessoa pela qual se interesse ou que tal­
vez esteja interessada em você, sua primeira pergunta não deverá ser: “Você me

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COMO CONSTRUIR UM CASAMENTO DURADOURO

ama?” Esse é o começo errado. Sua primeira pergunta deverá ser: “Você está
no começo ?” Você precisa descobrir se aquela pessoa está ou não em comunhão
com Deus, e se vive um relacionamento com Ele. A pessoa precisa saber o
mesmo a seu respeito. O casamento só funciona de modo adequado quando
os ingredientes certos estão todos juntos e misturados.
O divórcio resulta de um casamento ruim, e este é resultado de ingre­
dientes errados ou em medida errada. O que acontece quando você faz um
bolo e coloca muito fermento? Ele todo incha e estoura. E quando você se
esquece de colocar fermento? O bolo sola. De qualquer maneira, o resultado
final é ruim. Entretanto, em quem você põe a culpa, no bolo ou em você ?
Não havia nada de errado com a fôrma, a farinha, a manteiga, os ovos ou a
cozinha. O problema estava na quantidade de um dos ingredientes.
Da mesma maneira, não há nada de errado com o casamento. Assim,
muitos relacionamento terminam em divórcio porque começaram com os
ingredientes errados ou em proporção errada. A Bíblia nos ensina que o ma­
trimônio em si é digno de honra, não se diz isso das pessoas envolvidas. O
casamento será sempre digno de honra por ser uma instituição perfeita es­
tabelecida por Deus. As pessoas o contaminaram com todo tipo de lixo, e
depois se perguntam por que não obtiveram os resultados que o fabricante
prometeu. O divórcio não é o problema. O problema é um casamento ruim
causado por indivíduos despreparados que se uniram fora do contexto do
jardim e que nunca se tornaram verdadeiramente solteiros.

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Veja o que está além da figura

Amo livros de culinária, especialmente aqueles cheios de fotos bem colo­


ridas. Nada estimula mais meu apetite do que a foto de um bolo perfeito ou
de uma torta de maçã perfeita, ou de um maravilhoso frango ou rosbife com
acompanhamentos.
Dá água na boca só de pensar! Imagens assim não o deixam com fome
suficiente para comer o que está na página?! O problema é que, embora sin­
tamos vontade de comer naquele momento, temos de ler para conhecer a
receita a que se refere. Se quisermos uma torta, um bolo ou uma carne que
fique igual à figura, teremos de usar os ingredientes corretos e seguir todas as
instruções. Caso contrário, o resultado será diferente e frustrante.

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O DIVÓRCIO NÃO É O PROBLEMA

Muitas pessoas fazem o mesmo com o casamento. Elas imaginam um


quadro atraente e luminoso de como o casamento será, e pulam dentro dessa
imagem sem considerar se têm ou não os ingredientes corretos ou se fizeram
uma preparação adequada. A cabeça dessas pessoas está cheia de fotos de lin­
dos vestidos de noiva, um carro bacana, uma casinha romântica com uma
cerca na frente e um lago atrás, jantares à luz de velas, caminhadas ao luar e
filhos perfeitos e angelicais. Depois, com nenhuma ou muito pouca reflexão
sobre se preparar, elas iniciam a vida conjugal, e têm a expectativa de que o
casamento dos sonhos aconteça automaticamente. Quando não é isso o que
ocorre, a desilusão se instala, e o divórcio vem logo em seguida.
Um bolo é tão bom quanto seus ingredientes, e assim ocorre com o ca­
samento. Era isso o que Jesus estava ensinando. Os fariseus estavam olhan­
do para o bolo; Jesus disse a eles para examinarem os ingredientes. O que
Ele disse, na verdade, foi: “Para que o casamento funcione da maneira como
o Fabricante planejou, você tem de começar com os ingredientes puros da
mulher e do homem do começo-, valores, virtude, caráter, dignidade, padrões
morais, convicções, humildade, amor, alegria, paz, paciência, bondade, be-
nignidade, fidelidade, mansidão e domínio próprio”.
Quando Jesus disse que o homem não deveria separar o que Deus havia
juntado, os fariseus o desafiaram ainda mais:

Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de


divórcio e repudiá-la? Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza do
vosso coração, vos permitiu repudiar vossa mulher; mas, ao princípio,
não foi assim.
Mateus 19.7,8

Em resumo, foi a natureza pecadora do homem (o ingrediente ruim), e


não o plano de Deus, que levou ao divórcio, o qual foi uma medida prática
e necessária para o bem-estar e a sobrevivência de pessoas pecadoras que se
casaram fora do jardim.
Há dois tipos de pessoas casadas no mundo: aquelas que Deus uniu e
aquelas que Deus não uniu. O Senhor une homens e mulheres do começo
que se juntam no contexto do jardim da presença divina, de acordo com seus

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COMO CONSTRUIR UM CASAMENTO DURADOURO

padrões, e tornam-se uma só carne. Nenhum homem, nenhuma instituição


humana ou autoridade deve separar essa união. Aos olhos de Deus, ela é per­
manente. Pessoas que se casam fora do jardim se unem pelas leis humanas
em vez de pelas leis de Deus, e, portanto, podem ser separadas pelas leis do
homem.
De acordo com Jesus, as únicas pessoas a quem Deus uniu são aquelas
do começo que Ele criou — macho e fêmea. Qualquer outra forma de união
é uma tentativa e um risco. Cristo disse que há certas pessoas que Deus une,
e: Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem (Mt 19.6b). Em outras
palavras, se você se casar no jardim, se Deus encontrar nessa união os ingre­
dientes que Ele exige, você nunca participará de uma audiência de divórcio.

Não tenha pressa de casar-se

Para se fazer entender ainda mais, Jesus deixou muito claro a seriedade
do divórcio e de suas consequências.

Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo
por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que
casar com a repudiada também comete adultério.
Mateus 19.9

A única justificativa para o divórcio que Deus considera, embora não


goste, é o adultério.
Lembre-se de que estamos falando aqui de casamentos no jardim. Nosso
Deus é um Deus de pactos, o casamento é um. O adultério em essência anula
um pacto e estabelece outro. O divórcio, por qualquer motivo que não a infi­
delidade, não é reconhecido por Deus, e os parceiros divorciados se tornarão
culpados dela se casarem com outra pessoa. E essa outra com quem eles se
casarem também se tornará culpada de infidelidade. Isso é um assunto muito
sério. Com Deus não se brinca.
Os discípulos de Jesus ficaram admirados e abalados quando ouviram
aquelas palavras:

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O DIVÓRCIO NÃO É O PROBLEMA

Disseram-lhe seus discípulos: Se assim é a condição do homem


relativamente à mulher, não convém casar. Ele, porém, lhes disse: Nem
todos podem receber esta palavra, mas só aqueles a quem foi concedido.
Mateus 19.10,11

Os discípulos reconheceram a seriedade do que Jesus havia dito. Eles ou­


viram quão terrível era o divórcio, e como eram elevados os padrões para o
casamento, e concluíram que talvez fosse melhor nunca se casar. Era como se,
ao casar-se, você estivesse aprisionado.
Quando Jesus disse: Nem todos podem receber esta palavra (Mt 19.1 lb),
Ele quis dizer que o casamento não é para todos. Muitas pessoas se casam
antes de estarem verdadeiramente prontas, e têm a vida inteira para arrepen­
derem-se da decisão. O conselho de Jesus é: “Não se atire nisso. Não se afobe.
Não tenha pressa de casar-se. Nem todas as pessoas estão prontas para esse
tipo de compromisso”.
Colocado de outra forma, isso quer dizer que você não está pronto para
o casamento até que esteja disposto a nunca sair dele. Se você já pensou em
acordo pré-nupcial, não está pronto para o casamento. Se você de alguma
maneira considera o divórcio uma solução, não está pronto para o matrimô­
nio. Se você não estiver disposto a permanecer nele, não dê esse passo. Nesse
caso, é melhor você permanecer não casado.

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