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RESPONSABILIDADE

CIVIL NO CONTRATO DE
TRANSPORTE

P ro f . M s c . S OA N E LO P E S
DO CONTRATO DE TRANSPORTE

O código civil disciplina o contrato de


transporte em três seções:
- Disposições Gerais
- Transporte de pessoas
- Transporte de coisas
Estas regras devem ser obedecidas podendo
ser complementadas com as leis especiais,
uma vez que o transporte se insere no
conceito de prestação de serviços do código
de defesa do consumidor.
CONTRATO DE TRANSPORTE

CONCEITO:
CONCEITO :
Contrato pelo qual alguém (o
transportador) se obriga, mediante
uma determinada remuneração, a
transportar, de um local para outro,
pessoas ou coisas, por meio
terrestre (rodoviário e ferroviário),
aquático (marítimo, fluvial e
lacustre) ou aéreo (art. 730 do CC).
CONTRATO DE TRANSPORTE

São elementos do Contrato de


Transporte:

o transportador,
o passageiro e
a transladação.
CONTRATO DE TRANSPORTE

Aquele que realiza o transporte é o


transportador, a pessoa transportada é o
passageiro ou viajante, enquanto a
pessoa que entrega a coisa a ser
transportada é o expedidor.
CONTRATO DE TRANSPORTE

O que identifica o contrato é uma


obrigação de resultado do
transportador, diante da cláusula
de incolumidade de levar a
pessoa ou a coisa ao destino,
com total segurança.
DA LEGISLAÇÃO APLICADA

Ao contrato de transporte aplica-


aplica - se o Código Civil
e, havendo uma relação jurídica de consumo,
como é comum, o CDC (Lei 8 . 078/
078 / 1990)
1990 ) .
Desse modo, deve-se buscar um diálogo das
fontes entre as duas leis no que tange a esse
contrato, sobretudo o diálogo de
complementaridade.
Além disso, não se pode excluir a aplicação de
leis específicas importantes, como é o caso do
Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei
7.565/1986).
NATUREZA JURÍDICA

Natureza jurídica:
Contrato bilateral ou sinalagmático,
oneroso, consensual.
Contrato comutativo, pois as partes sabem
de imediato quais são as suas prestações.
Na grande maioria das vezes, o contrato
constitui-se em um contrato de adesão, por
não estar presente a plena discussão das
suas cláusulas.
EM REGRA, O CONTRATO É DE CONSUMO .
Art. 731 do CC “o transporte
exercido em virtude de autorização,
permissão ou concessão, rege-se
pelas normas regulamentares e pelo
que foi estabelecido naqueles atos,
sem prejuízo do disposto neste
Código”.
Dessa forma, haverá a aplicação concomitante das
normas de Direito Administrativo, particularmente
aquelas relacionadas à concessão do serviço
público, com as normas previstas no CC/2002 CC/ 2002.
2002 .
Anote-
Anote - se, ademais, que o serviço público também é
considerado um serviço de consumo,consumo , nos termos do
art.
art . 22 do CDC.
CDC . A título de exemplo, haverá relação
de consumo entre passageiro e empresa privada
prestadora do serviço público de transporte (nesse
sentido, ver:
ver : STJ, REsp 226.
226 . 286/RJ,
286 /RJ, 1999/
1999 / 0071157-
0071157 -
2 , DJ 24.
24 . 09.
09 . 2001,
2001 , RSTJ 151/
151 / 197)
197 ) .
RESPONSABILIDADE CIVIL NO CONTRATO
DE TRANSPORTE
O transporte de pessoas é aquele pelo qual o
transportador se obriga a levar uma pessoa e
a sua bagagem até o destino, com total
segurança, mantendo incólume os seus
aspectos físicos e patrimoniais.
São partes no contrato o transportador,
transportador que é
aquele que se obriga a realizar o transporte, e
o passageiro,
passageiro aquele que contrata o
transporte, ou seja, aquele que será
transportado mediante o pagamento do preço,
denominado passagem.
passagem
Repise-
Repise - se que a obrigação assumida
pelo transportador é sempre de
resultado,
resultado , justamente diante dessa
cláusula de incolumidade,
incolumidade , o que
fundamenta a sua responsabilização
independentemente de culpa, em
caso de prejuízo (responsabilidade
objetiva).
objetiva) .
Essa responsabilidade objetiva é evidenciada pelo
art.
art . 734 do CC,
CC que preconiza que o transportador
somente não responde nos casos de força maior
(evento previsível, mas inevitável).
inevitável) .
O caso fortuito (evento totalmente imprevisível) do
mesmo modo constitui excludente,
excludente até porque
muitos doutrinadores e a própria jurisprudência
consideram as duas expressões como sinônimas
(ver: STJ, REsp 259.261/SP, Rel. Min. Sálvio de
Figueiredo Teixeira, 4.ª Turma, j. 13.09.2000, DJ
16.10.2000, p. 316).
Ainda a respeito do art. art . 734,
734 , caput, do CC,
CC , o
dispositivo não admite como excludente de
responsabilidade a cláusula de não indenizar
(cláusula excludente de responsabilidade ou cláusula
de irresponsabilidade),
irresponsabilidade) , previsão contratual inserida
no instrumento do negócio que afasta a
responsabilidade da transportadora.
transportadora . O comando
apenas confirma o entendimento doutrinário e
jurisprudencial anterior, consubstanciado na Súmula
161 do STF (“Em contrato de transporte é inoperante
a cláusula de não indenizar”).
indenizar”) .
Art. 735 do CC: “A responsabilidade contratual do transportador
por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de
terceiro contra qual tem ação regressiva”.
regressiva” .

Trata-se de transposição para a lei da antiga Súmula 187 do STF.


Ilustrando, o dispositivo e a súmula servem para responsabilizar
as empresas aéreas por acidentes que causam a morte de
passageiros. O dispositivo é melhor para o passageiro do que o
CDC. Exemplo: Acidente da GOL na Serra do Cachimbo.

“APAGÃO AÉREO”. ?
A culpa exclusiva de terceiro é admitida como excludente no
transporte de coisas?
TRANSPORTE GRATUITO

Relativamente ao transporte feito de forma


gratuita, por amizade ou cortesia,
popularmente denominado carona,
carona não se
subordina às normas do contrato de
transporte (art. 736, caput,
caput , do CC).
O dispositivo está sintonizado com a Súmula
145 do STJ: “No transporte desinteressado, de
simples cortesia, o transportador só será
civilmente responsável por danos causados ao
transportado quando incorrer em dolo ou
culpa grave”.
“Entendo que no transporte por cortesia, não há
responsabilidade contratual objetiva daquele que dá
a carona.
carona . A responsabilidade deste é extracontratual
e subjetiva, dependendo da prova de culpa. culpa .
Entendemos, porém, que a parte final da referida
súmula deve ser revista, pois a responsabilidade
surge presente a culpa em qualquer grau. grau . Na
realidade, o dolo ou a culpa grave somente servem
como parâmetros para a fixação da indenização.
indenização . ”

Flávio Tartuce
Complementando, não se considera gratuito o
transporte quando, embora feito sem
remuneração, trouxer ao transportador
vantagens indiretas (art. 736, parágrafo
único, do CC).
Nesses casos, a responsabilidade daquele que
transportou outrem volta a ser contratual
objetiva.
objetiva Pode ser citado como vantagens
indiretas auferidas o pagamento de
combustível ou pedágio por aquele que é
transportado.
Enunciado n. 559 CJF/STJ, da VI Jornada
de Direito Civil (2013), segundo o qual
“no transporte aéreo, nacional e
internacional, a responsabilidade do
transportador em relação aos
passageiros gratuitos, que viajarem por
cortesia, é objetiva, devendo atender à
integral reparação de danos
extrapatrimoniais ”.
patrimoniais e extrapatrimoniais”.
Art. 738 do Código Civil: “a pessoa
transportada deve sujeitar­se às normas
estabelecidas pelo transportador, constantes
no bilhete ou afixadas à vista dos usuários,
abstendo-
abstendo - se da prática de quaisquer atos que
causem incômodo ou prejuízo aos
passageiros, danifiquem o veículo, dificultem
ou impeçam a execução normal de serviço.” -
deveres do passageiro .
Se o prejuízo sofrido por pessoa transportada
for atribuível à transgressão de normas pelo
próprio passageiro,
passageiro o juiz reduzirá
equitativamente a indenização, na medida em
que a vítima houver concorrido para a
ocorrência do dano (art. 738, parágrafo único,
do CC).
MODELO DE CONCAUSALIDADE APLICADO
PARA CASO DE RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
OBJETIVA .
STJ – Pingente de trem x Surfista de trem.
trem .
TRANSPORTE DE COISAS

Pelo contrato de transporte de coisas, o expedidor ou


remetente entrega bens corpóreos ou mercadorias ao
transportador, para que o último os leve até um
destinatário, com pontualidade e segurança. Ressalte-se,
contudo, que o destinatário pode ser o próprio expedidor.

A remuneração devida ao transportador, nesse caso, é


denominada frete. Como ocorre com o transporte de
pessoas, o transportador de coisas assume uma
obrigação de resultado, o que justifica a sua
responsabilidade objetiva, MAS COM TRATAMENTO
DIFERENCIADO.
DIFERENCIADO .
A coisa, entregue ao transportador, deve
necessariamente estar caracterizada
pela sua natureza, valor, peso e
quantidade, e o que mais for necessário
para que não se confunda com outras.
Ademais, o destinatário deve ser
indicado ao menos pelo nome e
endereço (art. 750 do CC).
OBRIGADA!!!!!

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