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INSTALAÇÕES ELÉTRICAS

Módulo 02

PROF. DAEME GONÇALVES


Instalações Elétricas

Capítulo
01
Tipos de Fornecimento e Tensão
Elétrico
1 – Fornecimento de Energia Elétrica
O fornecimento de energia elétrica em tensão secundária a unidade consumidora individual é realizado em 380/220 V, quando tri-
fásica, e 220 V, quando monofásica, na frequência de 60 Hz, com os respectivos limites de carga instalada conforme tabela, segundo a CELPE.

Tensão Sistema Carga Instalada [kW]


220 V Monofásico com neutro aterrado (fase e neutro) C.I. ≤ 15
380 V / 220 V Trifásico, estrela com neutro aterrado (3 fases e neutro) 15 < C.I. ≤ 75

Fornecimento monofásico- feito a dois fios: Fornecimento trifásico- feito a quatro fios:

 uma fase e um neutro  Três fases e um neutro


 tensão de 220 V  tensão de 380 V / 220 V

2 – Padrão de Entrada
Padrão de entrada nada mais é do que o poste com isolador de roldana,
bengala, caixa de medição e haste de terra, que devem estar instalados,
atendendo às especificações da norma técnica da concessionária para o
tipo de fornecimento.

Uma vez pronto o padrão de entrada, segundo as especificações da


norma técnica, compete à concessionária fazer a sua inspeção. Estan-
do tudo certo, a concessionária instala e liga o medidor e o ramal de
serviço, Uma vez pronto o padrão de entrada e estando ligados o
medidor e o ramal de serviço, a energia elétrica entregue pela conces-
sionária estará disponível para ser utilizada.

Os itens que compõem o Padrão de Entrada são:

 Poste
 Caixa para Medidor
 Sistema de Aterramento
 Eletrodutos
 Fios e Condutores
 Disjuntor
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QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO GERAL (QDG)


Quadro de distribuição é o centro de distribuição de toda a instalação elétrica de uma residência. Ele é o centro de distribuição, pois recebe
os fios que vêm do medidor. Nele é que se encontram os dispositivos de proteção. Dele é que partem os circuitos terminais que vão alimen-
tar diretamente as lâmpadas, tomadas e aparelhos elétricos. Deve ser previsto, para cada edificação de uso coletivo, um Quadro de Distribui-
ção Geral - QDG com dispositivo de proteção e seccionamento, constituído por um armário em chapa de ferro galvanizado nº 18USG (parte
externa) e 20 USG (parte interna), instalado em local de fácil acesso e livre de inundação. No caso de edificações ligadas diretamente da rede
de distribuição de baixa tensão, deve estar localizado o mais próximo possível do ponto de entrega, no limite de propriedade com a via públi-
ca. No caso de edificações ligadas através de subestação deve estar localizado preferencialmente emparede próxima ou contígua à mesma.

3 – Condutores Elétricos
O termo condutor elétrico é usado para designar um produto destinado a transportar corrente (energia) elétrica, sendo que os fios e os
cabos elétricos são os tipos mais comuns de condutores. O cobre é o metal mais utilizado na fabricação de condutores elétricos para instala-
ções residenciais, comerciais e industriais. Um fio é um condutor sólido, maciço, provido de isolação, usado diretamente como condutor de
energia elétrica. Por sua vez, a palavra cabo é utilizada quando um conjunto de fios é reunido para formar um condutor elétrico.

Dependendo do número de fios que compõe um cabo e do diâmetro de cada um deles, um condutor apresenta diferentes graus de flexibili-
dade. A norma brasileira NBRNM280 define algumas classes de flexibilidade para os condutores elétricos, a saber:

Classe 1 - são aqueles condutores sólidos (fios), os quais apresentam baixo grau de flexibilidade durante o seu manuseio.

Classes 2, 4, 5 e 6 - são aqueles condutores formados por vários fios (cabos), sendo que, quanto mais alta a classe, maior a flexibilidade
do cabo durante o manuseio.

Classe 1 Classe 2, 4, 5 e 6

Conforme a norma ABNT NBR 5410, os condutores instalados em vãos de até


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15 metros devem ter uma seção superior a 4 mm .

E qual a importância da flexibilidade de um condutor nas instalações elétricas residenciais?


Geralmente, nas instalações residenciais, os condutores são enfiados no interior de eletrodutos e passam por curvas e caixas de passagem
até chegar ao seu destino final, que é, quase sempre, uma caixa de ligação 5 x 10 cm ou 10 x 10 cm instalada nas paredes ou uma caixa octo-
gonal situada no teto ou forro. Além disso, em muitas ocasiões, há vários condutores de diferentes circuitos no interior do mesmo eletrodu-
tos, o que torna o trabalho de enfiação mais difícil ainda. Nestas situações, a experiência internacional vem comprovando há muitos anos
que o uso de cabos flexíveis, com classe 5, no mínimo, reduz significativamente o esforço de enfiação dos condutores nos eletrodutos, facili-
tando também a eventual retirada dos mesmos. Da mesma forma, nos últimos anos também os profissionais brasileiros têm utilizado cada
vez mais os cabos flexíveis nas instalações elétricas em geral e nas residenciais em particular.

QUAL A COR DOS CABOS?


O padrão de cores adotadas para condutores elétricos pode ser diferente de acordo com o país ou
região. No Brasil, a norma NBR 5410 determina que as cores que devem ser utilizadas para identificar
os cabos e fios são:

Azul claro: para condutores neutros com isolação;

Verde ou verde com amarelo: para condutores de proteção (fio terra);

Preto: indicado para condutores de retorno;

Outras cores: indicado para condutores fase.


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Vale destacar que, apesar de existir uma norma específica para a padronização de fios e cabos elétricos, muitas instalações elétricas não
seguem a coloração oficial — sobretudo em obras muito antigas ou irregulares. Por isso, jamais confie cegamente na cor do fio na hora de
fazer novas conexões ou realizar manutenções. O ideal é sempre consultar detalhadamente os diagramas e mapas da instalação, bem como
medir a tensão presente em cada condutor.

TIPOS DE CONDUTORES ELÉTRICOS

A escolha errada do condutor (bem como dos dispositivos de


proteção) pode acarretar em graves acidentes, desde a exposição condutor
condutor
acidental a choques elétricos até incêndios, cabendo a responsa-
bilidade ao projetista ou ao instalador. A principal causa dos
isolação isolação
problemas em condutores está no aquecimento, quer seja o do
meio onde o condutor está, quer seja aquele imposto pela passa-
gem da corrente. Um condutor com seção menor do que a neces-
sária irá aquecer em demasia, assim como a utilização de condu- cobertura
tores com a camada isolante imprópria para o meio também
trará problemas (NAGEL,2008).

Os dois compostos isolantes mais utilizados no Brasil são o PVC (cloreto de polivinila), o EPR (borracha etileno-propileno) e o
XLPE (polietileno reticulado). Em relação à isolação, a utilização do PVC está limitada a 6 kV enquanto o EPR pode ser usado até
138 kV (o limite de isolação também depende da espessura da camada isolante).

CONDUTORES DE ALUMÍNIO E DE COBRE


Em função de suas propriedades elétricas, térmicas, mecânicas e custos, o cobre e o alumínio são os metais mais utilizados desde os primór-
dios da indústria de fabricação de fios e cabos elétricos. A prática nos leva a observar que, quase sempre, as linhas aéreas são construídas em
alumínio e as instalações internas são com condutores de cobre As três principais diferenças entre o cobre e o alumínio dizem respeito à
condutividade elétrica, conexões e Peso.

Condutividade Elétrica - O número que expressa a capacidade que um material tem de conduzir a corrente;

Resistividade Elétrica - O número que indica a propriedade que os materiais possuem de dificultar a passagem da corrente.

Material Condutividade relativa ACS (%)


Cobre mole 100
Cobre meio duro 97,7
Cobre duro 97,2
alumínio 60,6

Características do cobre:
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 Densidade – 8,95 g/cm ;
 Ponto de fusão – 1.083°C;
2 2 2
 Resistência à tração: fundido – 15 a 20 kgf/mm ; laminado e recozido – 20 a 26 kgf/mm ; encruado – 35 a 45 kgf/mm ;
 Quando exposto ao ar, o cobre reage criando uma fina camada de óxido que o protegerá de novas oxidações;
 Fácil deformação a frio e a quente;
 A oxidação é lenta em ambientes de elevada concentração de umidade, porém é bastante rápida quando o metal sofre eleva-
ção de temperatura;
 Permite fácil soldagem.

O cobre é o mais utilizado principalmente devido ao seu comportamento quanto à condutividade elétrica e térmica.
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Características do alumínio:
3
 Densidade – 2,7 g/cm ;
 Ponto de fusão – 660,2°C;
2 2
 Resistência à tração: recozido – 3,5 a 6 kgf/mm ; encruado – 11 a 13 kgf/mm ;
 Quando exposto ao ar seco, a sua condutividade permanece inalterada, porém na presença de umidade recobre-se de
uma fina película de óxido, passando a ter uma resistência elevada com tensão de ruptura de 100 a 300 V;
 Fácil deformação a frio e a quente;
 Exige-se processos especiais para soldagem.

O alumínio é o material mais abundante na crosta terrestre. Na escala de utilização na área elétrica está em segundo lu-
gar. Mas a utilização do alumínio está crescente.

Comparando o diâmetro e a massa dos condutores de alumínio e de cobre:

∅𝑨𝒍 = 𝟏, 𝟐𝟖 ∅𝑪𝒖

𝒎𝑪𝒖 ≈ 𝟐 𝒎∅𝑨𝒍

 As linhas aéreas em geral, onde os vãos entre as torres são grandes, o peso dos cabos tem grande influência, sendo me-
lhor o de alumínio. Por outro lado, quando o principal aspecto não é peso, mas é o espaço ocupado pelos condutores, es-
colhe-se o cobre por possuir um menor diâmetro. Essa situação é encontrada nas instalações internas, onde os espaços
ocupados pelos eletrodutos, eletrocalhas, bandejas e outros são importantes na definição da arquitetura do local.

 Uma das diferenças mais marcantes entre cobre e alumínio está na forma como se realizam as conexões entre conduto-
res ou entre condutor e conector. O cobre não apresenta requisitos especiais quanto ao assunto, sendo relativamente
simples realizar as ligações dos condutores de cobre. Isto não ocorre com o alumínio. Quando exposta ao ar, a superfície
do alumínio é imediatamente recoberta por uma camada invisível de óxido, de difícil remoção e altamente isolante. As-
sim, em condições normais, ao se encostar um condutor de alumínio em outro, é como estar colocando em contato dois
isolantes elétricos, ou seja, não há contato elétrico entre eles.

 O uso de condutores de alumínio só é admitido:

Em instalações de estabelecimentos industriais podem ser utilizados condutores de alumínio, desde que, simultanea-
mente:

a) a seção nominal dos condutores seja igual ou superior a 16 mm2;


b) a instalação seja alimentada diretamente por subestação de transformação ou transformador, a partir de uma rede
de alta tensão, ou possua fonte própria.

Em instalações de estabelecimentos comerciais podem ser utilizados condutores de alumínio, desde que a seção no-
minal dos condutores seja igual ou superior a 50 mm2.

4 – Proteção em Instalações Elétricas Prediais

Disjuntores Termomagnéticos (DTM)


Os disjuntores têm o mesmo papel dos fusíveis. Ele é um sistema de segurança de um circuito elétrico, contra
sobrecargas elétricas ou curtos-circuitos, que tem a função de cortar a passagem de corrente elétrica no circuito,
caso a intensidade da corrente ultrapassar a intensidade limite que, normalmente, vem especificada nos próprios
disjuntores. Uma boa característica dos disjuntores, é que, além de proteger a corrente, ele também serve como
dispositivo de manobra.

Para reativar o disjuntor, basta que ligue a chave (dispositivo de manobra) novamente, enquanto que nos fusíveis Disjuntor de 10 A
queimados precisamos trocá-los por novos, podendo até tomar choque, quanto que isto não ocorre quando reli-
gamos o disjuntor.
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Existem vários tipos de disjuntores, o mais conhecido é o termomagnético que possui três funções:

 manobra: abertura e fechamento do circuito;


 proteção contra sobrecargas: quando a corrente elétrica acima do previsto para o disjuntor permanece
por um determinado período, ativa um dispositivo do disjuntor que é sensível ao calor e provoca a
abertura dele.
 proteção contra curto-circuito: que através de um dispositivo magnético desativa o disjuntor, quando Fusíveis de rosca
ocorre um aumento instantâneo da corrente elétrica.

QDG com fusíveis de rosca QDG com disjuntores e barramento

Disjuntores: Modelo NEMA E modelo DIN


No mercado atualmente existem dois tipos de disjuntores para baixa tensão os “pretinhos” padrão norte-americano
(NEMA) e os “branquinhos” padrão europeu (DIN). Esses dois modelos de disjuntores apresentam características
próprias de atuação e construção, diferenças estas devido aos testes que são submetidos e em função do rigor de
cada norma. Tradicionalmente tem se usado os disjuntores pretos em instalações no Brasil, no entanto, como são
baseados em normas americanas não estão tão adaptados aos circuitos das instalações quanto os disjuntores brancos
que são baseados em normas IEC (DIN), o mesmo padrão usado para as normas brasileiras, isso se considerando uma
bitola de condutor específico. Os disjuntores DIN possuem capacidade de interrupção de curto-circuito maior que os
NEMA. Por exemplo, para um disjuntor GE padrão NEMA de 25 A possui uma capacidade de interrupção de 3 kVA já
um disjuntor padrão IEC da mesma marca possui capacidade de interrupção de 4,5 kVA. Pode-se verificar que o dis- Modelo NEMA
juntor branco possui uma resposta mais rápida frente a correntes de curto que o disjuntor preto.

O tipo DIN segue o padrão europeu e seu tamanho é menor comprado ao NEMA. São versáteis e práticos e otimizam
o espaço no quadro e ainda são fáceis de instalar. Além disso, ambos contam com o certificado do Inmetro. O tipo
NEMA pode ser encontrado na cor preta, possui um tamanho maior e seu padrão é americano.

Curva de Disparo dos Disjuntores Modelo DIN

A curva de ruptura do disjuntor é o tempo em que o disjuntor suporta uma corrente acima da corrente nominal por determinado tempo.
Quando se tem uma equipamento muito delicado necessita-se que a interrupção do circuito quando a corrente passe o limite de funciona-
mento seja muito rápida, para que o equipamento não seja danificado, em compensação na partida de um motor por exemplo, para que
este saia do estado de inércia e chegue a sua velocidade máxima uma grande corrente é necessária no instante da partida, as vezes muitas
vezes maior do que a corrente para que este mesmo motor esteja em velocidade plena, nestes casos o disjuntor tem que suportar a corrente
alta durante um período de tempo maior.
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Os disjuntores se dividem em três tipos de curvas de disparo ou desarme: B, C e D.

As normas de proteção NBR 5410 e NBR 5459 estabelecem que os disjuntores de curva B devem atuar
para correntes de curto-circuito entre três e cinco vezes a corrente nominal. Já os de curva C atuam
entre cinco e dez vezes a corrente nominal e, por fim, os disjuntores de curva D devem responder para
correntes entre dez e vinte vezes a corrente nominal.

Os disjuntores de curva B são indicados para cargas resistivas com pequena corrente de partida, como
é o caso de aquecedores elétricos, fornos elétricos e lâmpadas incandescentes.

Os disjuntores de curva C são indicados para cargas de média corrente de partida, como motores elé-
tricos, lâmpadas fluorescentes e máquinas de lavar roupas.

Os disjuntores de curva D são indicados para cargas com grande corrente de partida, a exemplo de
transformadores BT/BT (baixa tensão).

Dispositivos DR, Módulos DR, Disjuntores DR


O elevado número de acidentes originados envelhecimento. As correntes de fuga pro- proteção eficaz tanto à vida dos usuários
no sistema elétrico impõe novos métodos e vocam riscos às pessoas, aumento de con- quanto aos equipamentos. A relevância
dispositivos que permitem o uso seguro e sumo de energia, aquecimento indevido, dessa proteção faz com que a Norma Brasi-
adequado da eletricidade reduzindo o peri- destruição da isolação, podendo até ocasio- leira de Instalações Elétricas –ABNT NBR
go às pessoas, além de perdas de energia e nar incêndios. Esses efeitos podem ser 5410, defina claramente a proteção de
danos às instalações elétricas. A destruição monitorados e interrompidos por meio de pessoas contra os perigos dos choques
de equipamentos e incêndios são muitas um Dispositivo DR, Módulo DR ou Disjuntor elétricos que podem ser fatais, por meio do
vezes causados por correntes de fuga à DR. Os Dispositivos DR (diferencial residual) uso do Dispositivo DR de alta sensibilidade
terra em instalações mal executadas, sub- protegem contra os efeitos nocivos das (≤ 30mA).
dimensionadas, com má conservação ou correntes de fuga à Terra garantindo uma

1) Contato direto – falha de isolação 2) Contato indireto – através do contato da pessoa coma O Dispositivo DR protege a pessoa dos
ou remoção das partes isolantes, com parte metálica (carcaça do aparelho), que estará energiza- efeitos das circunstâncias ao lado sendo
toque acidental da pessoa em parte da por falha de isolação, com interrupção ou inexistência que no caso do contato direto e a única
energizada (fase / terra-PE). do condutor de proteção (terra-PE). forma de proteção.

(Catálogo Simens)

A somatória vetorial das correntes que passam pelos condutores ativos no núcleo toroidal é
praticamente igual a zero (Lei de Kirchhoff).
Existem correntes de fuga naturais não relevantes. Quando houver uma falha à terra (corren-
te de fuga) a somatória será diferente de zero, o que irá induzir no secundário uma corrente
Dispositivo DR de 30 mA

residual que provocará, por eletromagnetismo, o disparo do Dispositivo DR (desligamento do


U ~ 230 V ... 400 V

circuito).

O dispositivo DR não substitui o disjuntor, ele deve ser colocado em série com o
sistema, ou seja, depois do disjuntor geral e antes dos disjuntores dos sistemas. O
DR só funciona com correntes de fuga para terra. Se uma pessoa toma um choque
de mão para a terra (uma mão segurando a fase e a outra livre, mas com os pés em
contato com a terra) o DR atuará, mas se uma pessoa toma um choque de mão
para mão (uma mão segurando a fase e a outra o neutro) o DR não atuará a não ser
que esta pessoa esteja também descalça, aí haverá uma fuga para a terra, fazendo
o DR atuar desligando a energia.
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Recomendações e Exigências da NBR 5410

A NBR 5410 exige, desde 1997, a utilização de proteção diferencial residual (disjuntor ou interruptor) de alta sensibilidade em circuitos ter-
minais que sirvam a:

 tomadas de corrente em cozinhas, copas-cozinhas, lavanderias, áreas de serviço, garagens e, no geral, a todo local interno molhado em
uso normal ou sujeito a lavagens;
 tomadas de corrente em áreas externas;
 tomadas de corrente que, embora instaladas em áreas internas, possam alimentar equipamentos de uso em áreas externas;
 pontos situados em locais contendo banheira ou chuveiro.

NOTA: os circuitos não relacionados nas recomendações e exigências acima poderão ser protegidos apenas por disjuntores termo-
magnéticos (DTM).

O que é o Dispositivo de Proteção contra Surtos (DPS)?


O DPS é um dispositivo de proteção contra surtos. Surtos de tensão são provocados por
raios gerando uma sobretensão na rede quando ocorre incidência de raio na linha ou quando o raio
ocorre próximo a ela. Essas sobretensões possuem frente de onda bem rápidas podendo queimar
equipamentos eletroeletrônicos em segundos. Como o sistema elétrico é um sistema dinâmico tam-
bém podem surgir sobretensões na rede proveniente de manobra da concessionária ou fornecedor
de energia.

Deve ser provida proteção contra sobretensões transitórias, nos seguintes casos:

a) quando a instalação for alimentada por linha total ou parcialmente aérea, ou incluir ela própria
linha aérea, e se situar em região sob condições de influências externas AQ2 (mais de 25 dias de trovoadas por ano);

b) quando a instalação se situar em região sob condições de influências externas AQ3 (Riscos provenientes da exposição dos
componentes da instalação – partes da instalação situadas no exterior das edificações.

A NBR 5410:2004, determina que a utilização dos DPS instalados junto ao ponto de entrada da linha
elétrica na edificação ou no quadro de distribuição principal, o mais próximo possível do ponto de
entrada, devem ficar dispostos, no mínimo.

Qual o esquema de ligação do DPS e do DR?


O DPS deve ser ligado em paralelo ao DR. O princípio de funcionamento do DPS é, na verdade, como de um varistor comum.
Quanto maior a tensão sobre um varistor, menor é a resistência elétrica fornecida para passagem de corrente. Fazendo uma
analogia aos sistemas hidráulicos, o DPS seria como um dreno para sobretensões de energia de modo a evitar a queima dos
seus aparelhos eletroeletrônicos da edificação. Por isso, o DPS deve ser ligado independente para cada fase , bem como o
neutro. Na saída do DPS, de cada fase e neutro, deve ser ligado o condutor terra para proporcionar o "dreno" de energia em
caso de sobretensões.
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R
S
T
N
PE
Barramento de PE

DG

Barramento de neutro
DPS DR

Circuitos

Os DPS's tem classificações conforme sua disposição no sistema elétrico ao qual se deseja proteger:

 Classe B: Instalações sujeitas à descargas diretas nos Pára-Raios da edificação ou descargas vindas pela
rede elétrica.Usado em Industrias, Edifícios de elevada altura, etc.

 Classe C: Instalações elétricas gerais, que muito provavelmente receberão "surtos" somente pela rede
elétrica. Usado em Residências, Comércios e edificações de pequenos porte.

 Classe D: Instalações elétricas com equipamentos muito sensíveis aos "surtos elétricos". Usado em hos-
pitais (centros cirúrgicos), centros de telecomunicações, etc.

Em geral o mais utilizado e de fácil aquisição nas lojas é o de Classe C, pois acaba atendendo a maioria do usuá-
rios.

O primeiro passo para especificação de um DPS é determinar se a edificação possui um Sistema de Proteção contra
Descargas Atmosféricas (SPDA) externo ou se a rede da concessionária é aérea. Se uma destas duas condições é preenchida
deveremos instalar em seu quadro de entrada um DPS tipo I. Caso não exista um SPDA externo ou a rede da concessionária
seja subterrânea, o primeiro DPS, também instalado no quadro de entrada, deverá ser um DPS tipo II, que protegerá as instala-
ções elétricas contra sobretensões induzidas ou surtos de manobra criados por variações bruscas de tensão da própria rede da
concessionária. A Corrente de impulso depende das características das descargas atmosféricas esperadas na edificação, e o seu
valor será função das características da localização, exposição às descargas atmosféricas e dimensões da edificação. Valores
estes que podem ser obtidos através da norma ABNT –NBR 5419-2005.
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Vamos tomar um exemplo, comprando-se um DPS Classe C, 280 VAC, 40 kA, 1.5 kV significa:

A tensão máxima entre Fase e Terra nominal ao qual será instalado, deve ser de no máximo 280 VAC. Então se a ten-
são ultrapassar 280 VAC, o DPS escoará o excesso de tensão "surto" para o "terra".

A corrente máxima suportada pelo DPS neste caso é de 40 kA (40.000 amperes, durante microssegundos). Se o "sur-
to" for mais de 40.000A ampères e durar mais de (10/350) microsegundos, o DPS queimará.

A tensão máxima que o DPS deste caso suportará é de 1.5 kV (1.500 V), se o "surto" passar de 1.500 V o DPS não su-
portará e queimará.

Quadro de distribuição geral com DR e com DPS

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Capítulo
02
Quadro de Distribuição Geral (QDG)
Elétrico
O quadro de distribuição ou quadro de luz é o local onde se concentra a distribuição de toda a instalação elétrica, ou seja:

 Onde se instalam os dispositivos de proteção dos circuitos


 Onde se recebe os condutores (ramal de alimentação) que vêm do medidor ou centro de medição
 Onde partem os circuitos terminais que irão alimentar as diversas cargas da instalação (lâmpadas, tomadas, chuveiros,
torneira elétrica, condicionador de ar etc.)

Principais partes ou componentes de um quadro de distribuição (DQ) ou quadro de luz (QL) são:

 Disjuntor geral
 Barramento de neutro
 Barramento de proteção (terra)
 Barramentos de instalação das fases
 Disjuntores dos circuitos terminais

Localização: o quadro de distribuição deve estar localizado:

 Locais de fácil acesso: cozinha, área de serviço e corredores


 O mais próximo possível do medidor
 Locais onde haja maior concentração de cargas de potência elevadas

1 – QDG com DTM e IDR (bifásico)

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2 – QDG com DTM e sem IDR (monofásico)

Exemplo de circuitos terminais protegidos por disjuntores:

Circuito de Tomada de uso Geral (TUG) Circuito de Tomada de Uso Específico (TUE)
(F + N + PE) (F + N + PE)

PE PE

Barramento
Barramento de Proteção Neutro
Neutro
de Proteção Fase
Fase

Disjuntor DR
Disjuntor DR
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Circuito de Tomada de uso Específico (TUE) Circuito de Interruptor de duas seções


Chuveiro Elétrico (F + N + PE) (F + N + R)

PE PE

Barramento Barramento
Neutro Retorno Neutro
de Proteção de Proteção Fase
Fase

Disjuntor DR

Diagrama Unifilar
O diagrama unifilar é um desenho que utilizando simbologia específica, representa graficamente uma instalação elétrica, indi-
cando, sobre a planta
Indicando, sobre a planta arquitetônica:

• os pontos de luz e as tomadas;


• a posição dos eletrodutos;
• a localização dos quadros de distribuição;
• a divisão dos circuitos;
• o número e a caracterização dos condutores dentro dos eletrodutos.

Tanto aspectos do circuito elétrico como do caminhamento físico da instalação são contemplados no diagrama unifilar.

SIMBOLOGIA GRÁFICA
Os símbolos gráficos usados nos diagramas unifilar são definidos pela norma NBR5444, para serem usados em planta baixa
(arquitetônica) do imóvel. Neste tipo de planta é indicada a localização exata dos circuitos de luz, de força, de telefone e seus
respectivos aparelhos. As tabelas a seguir mostram a simbologia do sistema unifilar para instalações elétricas prediais
(NBR5444).

DUTOS E DISTRIBUIÇÃO
SÍMBOLO SIGNIFICADO OBSERVAÇÃO
Condutor de fase no interior do eletroduto

Condutor neutro no interior do eletroduto Cada traço representa um condutor.


Indicar a seção, n° do circuito e a
seção dos condutores, exceto se
Condutor de retorno no interior do eletroduto 2
forem de 1,5 mm .

Condutor de proteção elétrica no interior do eletroduto


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DUTOS E DISTRIBUIÇÃO
SÍMBOLO SIGNIFICADO OBSERVAÇÃO
Eletroduto embutido na laje

Eletroduto embutido na parede

Eletroduto embutido no piso

INTERRUPTORES
SÍMBOLO SIGNIFICADO OBSERVAÇÃO
a
Interruptor de uma seção

a b
Interruptor de duas seções

a b Letra minúscula indica o ponto


Interruptor de três seções
c comandado
a
Interruptor paralelo ou Three-Way

a
Interruptor intermediário ou Four-Way

TOMADAS
SÍMBOLO SIGNIFICADO OBSERVAÇÃO
300 VA
Tomada baixa (300 mm do piso acabado)
-3- A potência deverá ser indicada ao
lado em VA (exceto se for 100
300 VA VA), como também o número do
Tomada média (1.300 mm do piso acabado)
-3- circuito correspondente e a altu-
ra da tomada, se forem diferente
300 VA da normalizada.
Tomada alta (2.000 mm do piso acabado)
-3-

Vejamos um diagrama unifilar e uma representação do diagrama


em 3D:
Uma vez determinado o local para o quadro de distribuição, inicia-se o caminhamento partindo dele com um eletroduto em
direção ao ponto de luz no teto da sala e daí para os interruptores e tomadas desta dependência. Neste momento, representa-
se também o eletroduto que conterá o circuito de distribuição.
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Diagrama Unifilar

Vista em 3D
Ponto de luz no teto Tomada média monofásica com terra
Ponto de luz na parede Cx de saída média bifásica com terra

Interruptor simples Cx de saída alta bifásica com terra

Interruptor paralelo Campainha

Tomada baixa monofásica Botão de Campainha


com terra

Vejamos um exemplo: Diagrama multifilar e Diagrama unifilar:

Diagrama Multifilar

QDG

Diagrama Unifilar

-1- a -1-

100 VA
QDG
1a

a
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1
1
2
a
1 a
a

-2-
-2-
2

Diagrama Multifilar Diagrama Unifilar

a) Interruptor simples comandando uma lâmpada; duas tomadas:

b) Interruptor duplo comandando duas lâmpadas; duas tomadas:

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c) Interruptor triplo comnandando três lâmpadas; duas tomadas::

d) Interruptor paralelo – Three - Way:

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Engenharia Civil Prof. DAEME GONÇALVES


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Instalações Elétricas – Módulo 02

e) Interruptor intermediário – Four - Way:

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Engenharia Civil Prof. DAEME GONÇALVES


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