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Dados internacionais de catalogação na publicação
Bibliotecária responsável: Mara Rejane Vicente Teixeira
,
Ensinar e aprender
a [. Cuba:
is óna : histénas em quadrinhos e canções: metodologia, ensino médio / Adriane de Ouadros Sobanski ... [et
Base Ed onal,2010.
SUMA
120 p.. íl ; 26 em.

58 978-85-7905·602·4
oografia.
APRESENTAÇ
-
1 "stóna - Estudo e ensino. 2. Histórias em quadrinhos na educação. 3. Música na educação. I. Sobanski, Adriane de Ouadros.

COO (22" ed.)


INTRODUÇÃO ..
372.9

© 2010 - Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções.


Todos os direitos reservados. i. ENSINO DE
1.1 l.ende
DIREÇÃO EDITORIAL
Oralda Adur de Souza 1.2 l.endc
desaf
DIREÇÃO PEOAGÓGICA
Carmen Lucia Gabardo 1.3 Ern sí

COORDENAÇÃO EDITORIAL
Carina Adur de Souza 2. FUNDAME
Marcos Vinicius Lobo Leomil
Tânia M. Barroso Ruiz
2.1 O que
2.2 A His
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA
Tânia M. Barroso Ruiz 2.3 O qu
2.4 Uma
APOIO TÉCNICO
Valquiria Salviato Guariente interp

REVISÃO 2.5 Os fur


Luciane Pancione
2.6 As his
PROJETO GRÁFICO E DlAGRAMAÇÃO histór
Ana Caroline de Bassi Padilha
Diogo Félix Rodrigues
3. O USO DOS
CAPA
3.1 O uso
Ana Caroline de Bassi Padilha
Diogo Félix Rodrigues 3.2 As his

FINALlZAÇÃO 3.3 Aanál


José Cabral Lima Júnior

4. O USO DAS
BASEEDITORIALLTDA. 4.1 Consi
Rua Antônio Martin de Araújo, 343 I Jardim Botânico
4.2 A mús
CEP80210-050 I Curitiba-PR I Fone: (41) 3264-4114 I Fax: (41) 3264-8471

EDITORIAL
E-mail: baseeditora@baseeditora.com.br I Site: www.baseeditora.com.br 4.3 Coro
SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO 5

ec)
INTRODUÇÃO 7

1. ENSINO DE HISTÓRIA: RECORTE DA TEMÁTlCA 9


1.1 Lendo o passado e compreendendo o presente: a Educação Histórica 10

1.2 Lendoo mundo historicamente: Os professores de história e um novo


desafio nas produções em Educação Histórica 13

1.3 Em síntese 16

2. FUNDAMENTOS DA PESOUISA HISTÓRICA 19


2.1 O que é o método histórico? 20

2.2 A História como construção e interpretações a partir de fontes 21

2.3 O que é a fonte histórica? 27

2.4 Uma tipologia das fontes históricas: a relação entre as fontes e as


interpretações históricas 29

2.5 Os fundamentos da análise documental: a "crítica das fontes" 35

2.6 As histórias em quadrinhos e as canções como produtoras de evidências


históricas 39

3. O USO DOS OUADRINHOS: RECORTES E MÉTODOS 45


3.1 O uso das histórias em quadrinhos na aula de História 46

3.2 As histórias em quadrinhos como fontes históricas 47

3.3 A análise da história em quadrinhos Asterix e Cleópatra 58

4. O USO DAS CANÇÕES: RECORTES E MÉTODOS 87


4.1 Considerações sobre a música caipira 90

4.2 A música caipira e suas possibilidades no ensino de história 94

4.3 Coronelismo na canção popular 98


o MÉTODO HISTÓRICO -: -nenta a (
- a da histó
Uma das condições fundamentais para a formação do conhecimento
Perceba
histórico dos estudantes da Educação Básica é a exploração das fontes. Ensinar
ncípios
os alunos a indagar o passado necessita que o professor tenha a compreensão
__ ectivas (
de que vestígios do presente podem se configurar em algumas respostas
-:: 5 fins d
sobre o passado. Oque se propõe aqui é o desenvolvimento de uma articulação
• s. São o~
metodológica entre teorias historiográficas, fontes e técnicas.
:= _ a pesq

_ cesso c

2.1 O que é o método histórico? e o fund


a como
Para que você entenda o que é o método histórico, podemos mostrar como
o historiador alemão Jõrn Rüsen entende esse conceito:
Hisn
a part
o método histórico pode ser entendido de dois' modos: _evan
essano qu
1] O método histórico é o conjunto de todas as regras de procedimento
observadas pelo pensamento histórico, quando procede cientificamente.
Refere-se ao conjunto genérico das diretrizes que levam o pensamento
histórico à pesquisa empírica, à investigação sobre as causas e à
teorização, caracterizando a dinâmica do "progresso cognitivo", do
alargamento das perspectivas e da potencialização da identidade.
ode-se
2] O método histórico é um conjunto de operações específicas de
conhecimento conhecidas como "pesquisa histórica" e que abrange
suas regras básicas. É o aspecto específico do método histórico
construído pela ciência histórica no processo de profissionalização da
disciplina da História. Marca-se por ser a transformação metodológica
das teorias historiográficas pelas fontes históricas e destas pelas
teorias contemporâneas.

(RÜSEN, 2007, p. 101)

É com esse segundo modo que vamos trabalhar, pois, em relação ao cê pc


primeiro, está muito mais perto da prática trabalhada por você, professor. Ele ~ __ .".en ai

~ Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


documenta a constituição da ciência da História em sua globalidade a partir da
teoria da história.
ecimento
Perceba que é no trabalho com a pesquisa histórica que construímos
es. Ensinar
os princípios do pensamento histórico quando buscamos concretizar suas
preensão
_ respostas perspectivas que orientam o passado humano, ao transformá-Io em História

-:; iculação para os fins de orientação no presente, a partir da investigação empírica das
fontes. São os critérios que garantem a validade empírica das histórias, por
meio da pesquisa histórica, que inserem o pensamento histórico no movimento
do processo cognitivo. Portanto, consideramos que a pesquisa histórica é um
elemento fundamental para o desenvolvimento do ensino e da aprendizagem da
História como o ofício dos professores historiadores.
strar como

2.2 A História como construção e interpretações


a partir de fontes
Levando em consideração essa caracterização do método histórico é
necessário que se faça a seguinte pergunta:
eomento
amente.
samento o que é, então, a pesquisa histórica?
::; sas e à
ivo", do
idade.
Para saber mais

~:'(icas de Pode-se entender a pesquisa histórica como:


e abrange Um processo cognitivo, no qual os dados das fontes são apreendidos e
istórico elaborados para concretizarou modificar empiricamente perspectivas (teóricas)
- zação da referentes ao passado humano. A pesquisa se ocupa primariamente da realidade
stodológica das experiências, nas quais o passado se manifesta perceptivelmente, ou
- as pelas seja: de "fontes". [...] A pesquisa é, por conseguinte, o processo no qual se
obtém, dos dados das fontes, o conhecimento histórico controlável.

(RÜSEN, 2007, p. 104)

relação ao. Você pode ter percebido que a metáfora da "fonte" é uma referência
orofessor. Ele fundamental da pesquisa histórica em relação à experiência: dos vestígios

Fundamentos da pesquisa histórica 61


empíricos atuais do passado fluem para o historiador informações sobre o pelas tempor
que foi o passado a ser interpretado. Esses vestígios fornecem as evidências com as narrat
se o conhecimento histórico produzido por esse sujeito deve ser considerado
É impo
empiricamente plausível.
meio das nar
Essa plausibilidade teórica está constantemente sujeita a verificações, professor his
modificações e reelaborações por meio da confrontação com as fontes históricas. a complexida
Essa confrontação pode ser chamada de evidência histórica. ue aqui serãê
Para haver pesquisa histórica, é necessário que existam problemas que Esses I

deverão ser respondidos historiograficamente. A pesquisa é a atividade em que o istoriográfic


professor historiador responde empiricamente, por meio de fontes, aos problemas : ntes, os qu
históricos. As possíveis respostas a esses problemas transformam o empírico e _ nstituídas
o teórico em histórias concretas, ou seja, em narrativas históricas. : gnitivo que
s oriografic

Para saber mais


o que é narrativa histórica?

A narrativa histórica é a forma de apresentação do conhecimento histórico.


É a forma de se comunicar historicamente entre os sujeitos. O narrar é um Ahisto'
procedimento fundamental da aprendizagem histórica. Essa compreensão a História.
passa a ter uma função de orientação temporal na cultura contemporânea. his órico d
Para a narrativa histórica é decisivo que a constituição de sentido se vincule - a função
à experiência do tempo de maneira que o passado possa tornar-se presente
• . STEGUI, 200
no quadro cultural de orientação da vida prática contemporânea. Ao tornar-se
presente, o passado adquire o estatuto de "história".

(RÜSEN, 2001, 155) A parti


óricos se
+eorias his
Narrar a história é compreender o outro no tempo. A narrativa histórica é
e etermin
construída por argumentos fundamentados em evidências. Para os estudantes,
s oriador a
essa narrativa precisa ser plausível. Nesse sentido, o professor precisa propor
s: rico difer
um diálogo entre as ideias históricas dos estudantes com as presentes nas
+ ra. Por ex
narrativas dos historiadores, sendo assim, percebemos que a natureza da História
ei o his .
é interpretativa.
orais: "d
Diante disso, os estudantes devem conhecer a interpretação do outro pela - onadas à
narrativa histórica desse sujeito. As narrativas dos estudantes são constituídas

Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


:5es sobre o pelas temporalidades e intencionalidades específicas deles, a partir do diálogo
: evidências com as narrativas dos historiadores, inclusive as dos professores.
considerado
É importante que você compreenda que as perspectivas históricas, por
meio das narrativas históricas produzidas no contexto social do trabalho do
erificações, professor historiador, levam a um esforço de teorização, no qual os problemas e
s históricas. a complexidade das hipóteses são demarcados por critérios de sentido histórico
que aqui serão chamados de conceitos históricos.

lemas que Esses conceitos históricos devem estar fundamentados em teorias


de em que o historiográficas que são constantemente confrontadas com os vestígios ou
s problemas fontes, os quais podem ser compreendidos como atualizações concretamente
empírico e constituídas da experiência histórica do passado. É por meio desse processo
cognitivo que essas experiências do passado são passíveis de serem narradas
historiograficamente pelo pesquisador.

Para saber mais


o que é a historiografia?
A historiografia é a designação da função disciplinar da pesquisa e escrita
preensão da História. É, portanto, o estudo de todos os elementos do conhecimento
porânea. histórico desde o caráter teórico-metodológico da pesquisa histórica até a
sevincule sua função expressiva na forma de uma narrativa histórica.
presente
(ARÓSTEGUI,2006)
ornar-se

A partir disso, é importante que você saiba de que modo os conceitos


históricos se mobilizam como critérios de sentido para a pesquisa histórica.
As teorias históricas se estruturam a partir desse materiallinguístico. São eles
a histórica é que determinam a força interpretativa e a significação dessas teorias. Segundo
. estudantes, o historiador alemão Jõrn Rüsen, os conceitos relacionados com o conhecimento
'ecisa propor histórico diferem dos conceitos genéricos - por exemplo, cidade, campo, Estado,
esentes nas cultura. Por exemplo, conceitos genéricos como "ditadura militar" se tornam um
ra da História conceito histórico quando estão marcados por periodizações ou pelas relações
temporais: "ditadura militar brasileira de 1954-1985". Além disso, as ideias
do outro pela relacionadas à História podem ser classificadas como nomes próprios, categorias
constituídas históricas e conceitos históricos.

Fundamentos da pesquisa histórica HI


Os nomes próprios - tais como Júlio César, América portuguesa, Copa
do mundo, Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão de 1789, Governo
Geisel - são conceitos geralmente baseados nas fontes históricas de uma
A par i
determinada época, mas podem, também, receber seus nomes posteriormente
__senvolveu
pelos historiadores. Essas ideias referem-se aos estados de coisas do passado
segunda
em sua ocorrência singular em determinado contexto histórico.

As categorias históricas -tais como permanência, mudança, revolução,


época, bloco histórico - dizem respeito aos contextos temporais de estados
s
de coisas. Essas categorias fornecem a historicidade aos contextos sócio-
históricos, porque se marcam pela explicitação da temporalidade e da
periodização. Essa qualidade - a historicidade - não é fornecida pelos
documentos históricos, mas, sim, pelo trabalho cognitivo dos historiadores
constituído pelas tradições interpretativas da historiografia. Essas tradições
são transformadas pelo pesquisador em vestígios na comparação entre o
presente e o passado.

Os conceitos históricos - tais como renascimento cultural europeu,


--=:= 2005)
Estado absolutista, república romana, feudalismo, capitalismo, Ditadura Militar
brasileira de 1964-1985 - articulam os contextos ligados aos nomes próprios e
à historicidade constitutiva das categorias históricas, fornecem a interpretação Perceb
às experiências históricas relativas ao estado de coisas singular investigado e cei os
transformam em acontecimentos históricos. istoriad
- evoria
o hi
:;:a ).
Para saber mai
Oual a função dos conceitos históricos?

Os conceitos históricos mediam categorias e nomes próprios. Eles


introduzem a realidade temporal dos estados de coisas designados por
nomes próprios no contexto de sentido designado pelas categorias. Em
relação às categorias históricas, eles possuem uma função particularizante,
e em relação aos nomes próprios, uma função generalizante. Eles fazem
com que interpretações históricas gerais "convirjam" com a comprovação
de fatos reais. Ambas as funções, tomadas em conjunto resultam najunção
de concretização da história. e, gr
(RÜSEN, 2007, p. 94) . eias pr
ser apr

Ensi ar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


uguesa, Copa Essa mediação conceitual fundamentada na pesquisa histórica fornece
1789, Governo aos historiadores muitos problemas que analisaremos a seguir.
óricas de uma A partir dessas discussões teóricas, o historiador inglês Peter Lee
osteriormente
desenvolveu o que chamaremos de conceitos ou ideias substantivos e conceitos
as do passado
de segunda ordem.

ça, revolução,
Para saber mais
is de estados
extos sócio- o que são as ideias substantivas e as de segunda ordem?
alidade e da Os conceitos substantivos são as ideias relacionadas aos conteúdos da
necida pelos História -Renascimento, Escravidão, Reforma, por exemplo. Já os conceitos
istoriadores de segunda ordem são aqueles que se remetem às ideias epistemológicas
sas tradições da História, ou seja, àqueles conceitos que fazem parte da natureza do
ação entre o conhecimento - tais como temporal idade, explicação, significância,
inferência, evidência e narrativas históricas, por exemplo.
ural europeu, (LEE,2005)
. adura Militar
es próprios e
.nterpretação Perceba que para isso é importante que articulemos a discussão referente
investigado e aos conceitos substantivos da História e às ideias de segunda ordem propostas
pelo historiador inglês Peter Lee (2006) com as ideias de conceito histórico
e categoria histórica propostos pelo historiador alemão Rüsen (2007) (ver
tabela 1).

Entendemos que se pode aproximar as ideias históricas substantivas dos


que Rüsen chama de conceitos históricos, pois se referem às ideias referentes
prios. Eles aos conteúdos históricos escolares e da historiografia - por exemplo: República
nados por Romana no século I a.C, os reinos africanos nos séculos VI a XI d.C., o processo
gorias. Em de modernização urbana ocidental no século XIX, Revolução Francesa de 1789-
ularizante, 1799, Ditadura militar brasileira de 1964-1985, etc. Também podem ser chamados
Eles fazem de conceitos históricos as ideias de periodização - como Idade Média, Brasil
provação Império, ciclo do ouro na América portuguesa, etc. Os conceitos genéricos - como
nafunção trabalho, cultura, poder, sociedade, etc. - e os nomes próprios - como Napoleão
Bonaparte, Igreja Católica, República Federativa do Brasil, etc.-, apesar de não
serem ideias propriamente históricas por não estarem demarcadas temporalmente,
podem ser aproximadas aos conceitos substantivos.

Fundamentos da pesquisa histórica ~


Compreendemos que as ideiashistóricas desegundaordem podem se articular 2.3 O que
com o que Rüsen denomina de categorias históricas porque se referem às ideias
Neste
que estruturam o pensamente histórico e os conteúdos e temas derivados delas:
- ia relativa'
as ideias de temporalidade - como permanências, mudanças, simultaneidades,
senvolvere
durações, dimensões temporais como passado, presente e futuro.
s: riador esp
asdecom
Importante strução
Oque é a temporalidade? terna histo

A temporalidade é a categoria histórica que distingue a História das o trabal


ou ras ciências humanas. Esse conceito refere-se às relações temporais
en re os diversos contextos sócio-históricos que os historiadores podem
inves ·gar. A temporalidade constitui a natureza das categorias históricas
(permanências, mudanças, periodizações, etc.]. É a temporalidade que a) Ade
possibil a a historicidade dos resultados das ações humanas. b] Abu
(Adaptado de RÜSEN, 2007, p. 93-94)

Vocêjá
Também podem se incluir entre as ideias de segunda ordem os conceitos :-'0° se tran
de explicação, objetividade, significância, inferência, evidência, narrativa es Essas p
históricas, por exemplo. __ mentes sâ

TABELA1 ais ava

Ideias históricas
storiograf
entos. S'
Conteúdos
Conceitos históricos agens-
Ideias históricas substantivas Periodizações
- artefatos
(conteúdos históricos) Conceitos genéricos
entos e
Nomes próprios
s íntimo
Categorias históricas Temporalidade
Ideias históricas de ser rn
segunda ordem Explicação, objetividade, significância, inferência,
- ="'Tlinadas
evidência, narrativas históricas
-:3.os-temp

Passaremos às considerações relativas às fontes históricas após o Por fim,


desenvolvimento dessas ideias. ídos pela

~ Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


:lem se articular 2.3 O que é a fonte histórica?
'erern às ideias
Neste momento é necessário que você adentre na discussão referente à
erivados delas:
teoria relativa à produção da documentação histórica. Para que isso seja possível
ultaneidades,
desenvolveremos uma definição relativa às fontes históricas. Depois, a partir do
historiador espanhol Julio Aróstegui (2006, p. 490-512), pretendemos abordar as
formas de como classificar as fontes históricas. Por fim, será analisado o processo
de construção da crítica documental e de demarcação teórico-metodológica de
um tema historicamente situado.

"stória das o trabalho da pesquisa histórica sobre as fontes pode ser classificado em
emporals dois momentos:
res podem
históricas
'dade que a) A definição do tema a ser pesquisado e trabalhado.

b] A busca das fontes de informação sobre esses temas.

Você já deve saber que o historiador Marc Bloch (1997) afirmava que um
os conceitos vestígio se transforma em fontes históricas quando os historiadores fazem perguntas
ia, narrativa a eles. Essas perguntas são estruturadas por meio de teorias historiográficas. Os
documentos são, portanto, fontes de informação histórica.

O estudo das fontes foi o domínio de investigação da pesquisa histórica


que mais avançou no século XX, pois ampliou-se o seu conceito em relação
à historiografia positivista e foram incluídas novas abordagens sobre os
documentos. São consideradas, na contemporaneidade, como fontes históricas
as imagens - pinturas, esculturas, vídeos, histórias em quadrinhos, cartazes
ões
-, os artefatos arqueológicos, os relatos orais, as canções e novos tipos de
documentos escritos - relatórios de investigação policial, cartas, poemas,
diários íntimos ou públicos, jornais, etc. -. Dentre as novas abordagens,
lade
podem ser incluídos os porquês da produção de certos documentos em
ferência,
determinadas épocas ou mesmo a relação entre documentos de contextos
espaços-tem para is d isti ntos.

áricas após o Por fim, três grandes mitos da tradição positivista foram completamente
destruídos pelas novas correntes historiográficas:

Fundamentos da pesquisa histórica ~


Compreendemos que as ideiashistóricas desegundaordem podem se articu Iar 3 O que
com o que Rüsen denomina de categorias históricas porque se referem às ideias
que estruturam o pensamente histórico e os conteúdos e temas derivados delas:
as ideias de temporalidade - como permanências, mudanças, simultaneidades,
durações, dimensões temporais como passado, presente e futuro.

Importante
Oque é a temporalidade?

A temporalidade é a categoria histórica que distingue a História das


outras ciências humanas. Esse conceito refere-se às relações temporais
entre os diversos contextos sócio-históricos que os historiadores podem
investigar. A temporalidade constitui a natureza das categorias históricas
[permanências, mudanças, periodizações, etc.]. É a temporalidade que a) Ade
possibilita a historicidade dos resultados das ações humanas.
) Abu
(Adaptado de RÜSEN, 2007, p. 93·94)

ocêjá
Também podem se incluir entre as ideias de segunda ordem os conceitos se tra
de explicação, objetividade, significância, inferência, evidência, narrativa - Essas
históricas, por exemplo. _ .•....••••
en os s

es ud
TABELA1 as ava

Ideias históricas storogra


:::::rumentos.
Conteúdos
Conceitos históricos agens-
Ideias históricas substantivas Periodizações
_- artefat
(conteúdos históricos) Conceitos genéricos
~ entos E
Nomes próprios
s íntim
Categorias históricas Temporalidade
Ideias históricas de ser in
segunda ordem Explicação, objetividade, significância, inferência,
- ,.. inada
evidência, narrativas históricas

Passaremos às considerações relativas às fontes históricas após o Por fim,


desenvolvimento dessas ideias. ídos pe

8;J Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


roblerna é c
1) O de que as fontes históricas e sua respectiva crítica documental são stórica. Co
o fundamento da História a ser narrada e explicada; a historiografia ara produzi
atual cada vez mais afirma que os problemas feitos às fontes são 5 óricas.
sustentados por teorias e conceitos históricos.

2) O fim da distinção entre as fontes primárias e as fontes secundárias, pois,


por exemplo, uma obra historiográfica, que numa perspectiva positivista .4 Uma
eracaracterizada como uma fonte secundária, pode atualmente sertratada fonte
como um vestígio histórico sobre uma época - as obras de Heródoto e de
Tucídides são consideradas pelos historiadores como fontes excepcionais Como
para a compreensão da sociedade grega do século Va.L; - ossibili
docu
3) O desaparecimento da concepção de ciências auxiliares da História;
atualmente seria um absurdo considerar a arqueologia e a antropologia
históricas como métodos distintos da pesquisa histórica porque elas =
fornecem e investigam inumeráveis fontes históricas que jamais
poderiam ser compreendidas pelos documentos oficiais escritos e sua
respectiva crítica positivista.lnclusive a arqueologia e a antropologia
históricas produzem e se utilizam das teorias historiográficas mais
avançadas para compreenderem seus objetos.

Por meio dessas considerações, o historiador espanhol Julio Aróstegui, M ass


C

assim compreende fonte histórica: - acão d


~:3ric~dor es

Para s e ais
o que são, portanto, as fontes históricas?

As fontes históricas são todo aquele material, instrumento ou ferramenta,


símbolo ou discurso intelectual, que procede da criatividade humana, através
da qual se pode inferir algo acerca de uma determinada situação social no
tempo.

(ARÓSTEGUI,2006, p. 491)

Oque distingue a concepção de fonte histórica em relação aos documentos


das outras disciplinas é a "finitude" dos vestígios humanos do passado. O

ftI Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


problema é como descobrir e de que maneira transformar um vestígio em fonte
nental são histórica. Contudo a historiografia não depende somente de novos documentos
;toriografia para produzir interpretações melhores que outras, mas, sim, de novas teorias
fontes são históricas.

íárias, pois,
I positivista 2.4 Uma tipologia das fontes históricas: a relação entre as
~sertratada fontes e as interpretações históricas
ródoto e de
.cepcionars Como houve uma modificação no conceito de fonte histórica, uma ampliação
das possibilidades de observação de vestígios materiais ou de realidades mentais
como documentos históricos e o agigantamento dos domínios de investigação
a História;
temática postas aos pesquisadores torna-se necessário construir uma tipologia
ropologia
que permita classificar a diversidade e a complexidade dessas fontes.
arque elas
ue Jamais Para isso, devemos fornecer critérios de classificação não importando a sua
ritos e sua origem, suporte ou forma, que além de classificatórios, devem terum caráteravaliativo.
ropologia Essa avaliação é imprescindível para a percepção, pelos historiadores e professores,
rcas mais de saber se a fonte é adequada ou não para o tema histórico estudado.

Critérios tipológ;coc:;

o Aróstegui, A classificação de todas as fontes de informação histórica só é possível pela


articulação de critérios que explicitem a sua diversidade e a sua avaliação. Para o
historiador espanhol Júlio Aróstegui existe ao menos um "critério básico quádruplo".
Os documentos podem ser classificados a partir dos seguintes critérios:

Para saber mais


rramenta,
Critérios tipológicos das fontes históricas
a, através
social no Posicionol (fontes diretas ou indiretas)

Intencional (fontes voluntários ou não voluntárias)

Oualitativo (fontes materiais ou culturais)

Formal-quantitativo (fontes seriadas ou não seriadas e não seriáveis)


locumentos [ARÓSTEGUI, 2006, p. 493)
passado. O

Fundamentos da pesquisa histórica ~


Perceba que essa classificação tem como critério a valorização das
características internas das fontes históricas. Ela também indica como uma O "critér
fonte está relacionada a determinado tema historiográfico. Por exemplo, retas e indire
quando em uma fonte encontramos uma combinação de características como ema estuda
"material/involuntária/seriada/ direta" estamos diante de uma fonte riquíssima :; ato de algu
em informações históricas sobre a cultura de uma época e local específicos.
Jáumdo
Por exemplo: um conjunto de cerâmicas marajoaras pode indicar com facilidade _ ruma infor
como era o modo de vida dos sujeitos que se organizavam em aldeias na Ilha - o das fonte
de Marajó nos séculos V a XV d.e. - antes da introdução do documento escrito
inserido pelos europeus nesse local. Outra possibilidade seria a descoberta de
uma fonte "verbal/não narrativa/seriada/indireta", quando o historiador estivesse
diante de um documento como os processos inquisitoriais, que permitissem
a descoberta dos conflitos religiosos ligados ao processo da Contra-Reforma
na Europa Ocidental e das mudanças da linguagem jurídica na medida em que
essas relações culturais se transformam no tempo e no espaço.

É possível organizar graficamente no quadro 1 esses critérios Certos d


- 'das de
classificatórios:
g asa, po
a fonte i
QUADRO 1- CRITÉRIOS PARA A CLASSIFICAÇÃO DAS FONTES HISTÓRICAS
Esse critério
ceitos re
diretas
Critério posicional :; reunir a
indiretas

voluntárias - STEGUI, 2006,


Critério intencional
não voluntárias

materiais, arqueológicas Ocritério


narrativas -===:-,=,_.,,:J caralgu
escritas
verbais não narrativas e tipica
Critério qualitativo
culturais orais s na inve
_0 fonte ut
semiológicas ~- •...
,...~ relativ
Não verbais
audiovisuais
- rimária
Critério seriadas (seriáveis)
..•qUl nos
formal-quantitativo não seriadas (não seriáveis)
--..,.",.,.,... docu
FONTE: ARÓSTEGUI, 2006, p. 493. a font

m Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


orização das o critério postc'onot
ca como uma O "critério posicional" organiza as informações históricas como fontes
ar exemplo, diretas e indiretas. Diz respeito, sobretudo, à posição do documento em relação
rísticas como ao tema estudado. Um documento direto geralmente se refere a um escrito ou
te riquíssima relato de alguma testemunha presencial de um fato.
I específicos. Já um documento indireto normalmente se apresenta como uma fonte mediada
:om facilidade por uma informação sustentada por outras informações não testemunhadas. Éo
Ideias na Ilha caso das fontes escritas "em forma de crônicas, de memórias, de reportagem". Os
ento escrito documentos são diretos ou indiretos conforme a sua "proximidade" em relação
escoberta de aos acontecimentos relatados (ARÓSTEGUI,2006, p. 495).
dor estivesse
Contudo as fontes históricas são ambivalentes no que diz respeito à sua
permitissem posição em relação aos fatos narrados.
tra-Reforma
edida em que
~.
Para saber mais
Certos documentos históricos mostram uma extremada polivalência.
se s critérios
As vidas de santos informam, sobretudo, a respeito do simbolismo
religioso, posto que visam "edificar" o fiel, mas, ao mesmo tempo, são
uma fonte inestimável sobre os costumes de uma época, por exemplo.
Esse critério de classificação das fontes, portanto, dá mais espaço aos
conceitos relacionados com a pertinência metodológica do que a forma
de reunir a informação.

(ARÓSTEGUI,2006, p. 495)

Ocritério posicional das fontes também ajuda os professores historiadores

arrativas classificar alguns documentos segundo os períodos e as relações de temporalidade


ão narrativas em que tipicamente aparecem, tais como os de caráter arqueológico muito
usados na investigação de povos que viveram antes do uso da escrita com o
tipo de fonte utilizada na pesquisa de sociedade que já escrevem. Esse critério
smiológicas
também relativiza a distinção entre a documentação e a bibliografia ou entre
udiovisuais
fontes primárias e secundárias.

Aqui nos aproximamos do critério intencional, pois a obra de Tucídides é


tanto um documento como uma bibliografia: se for levada em conta a intenção de
que é uma fonte de testemunho do autor em relação à política militar, época em

Fundamentos da pesquisa histórica ~


que viveu, seu livro pode ser interpretado como uma narrativa-testemunho - um Perceb
documento, portanto; se for considerada a intencionalidade científica e cognitiva storiadores
do autor quando busca investigar fatos de que não participou sua obra pode ser amente
considerada uma narrativa historiográfica. _ - ca docum

A partin
inistrativ

o "critério intencional" organiza as fontes em testemunhais e não :::tadura Milit


testemunhais. O critério básico de avaliação é a voluntariedade ou não da produção . ico do DO

do documento. Essa intencionalidade na produção das informações históricas péis admini


determina a forma e o modo como o pesquisador abordará metodologicamente untá ria. A
uma fonte. As fontes testemunhais apresentam um caráter voluntário em sua _ ação a cad

produção; as não testemunhais, um caráter não voluntário. A seguir o quadro 2 As font


que representa graficamente esse critério: s+uturas rei
= dem a ref
QUADRO2 - FONTESHISTÓRICASSEGUNDOSUA INTENCIONALlDADE esternunhais
_- vestígios,
Intencionalidade Oualidade Classe
_ steridade

Construção suntuosa r craclas n


Materiais,
Lápides e artes fúnebres o que po
arqueológicas
Estatuária comemorativa
No enta
Intencionais
{testemunhais] Inscrições e-pretativo
Crônicas memórias s de "Iing
Culturais Epopeia épica z respeito'
Anais ... cronologias
FONTES Fontes orais
=•. retar O
euman
Utensílios
Mobiliário ... enxoval
Materiais,
Numismática
arqueológicas e on
Arquitetura civil e militar
Não intencionais O "crité
Outros vestígios materiais
{não testemunhais]
Administração estatal -_ -a é a clas
Documentação econômica -" os em r
Culturais
Documentos jurídicos -es cultur
Administrações privadas
_ bais. As fo
FONTE: ARÓSTEGUI, 2006, p. 497. res narrau

m Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


ímunho-e-um
r Perceba que o critério intencional é o que oferece aos professores
ca e cognitiva historiadores o maior número de problemas de interpretação. Esse critério está
pbra pode ser intimamente relacionado à forma de produção de uma fonte histórica e tem a
crítica documental como um dos elementos do seu caráter avaliativo.

A partir desse critério é fácil perceber a diferença entre um documento


administrativo de algum ministério das décadas de 1960 e 1970 durante a

rnhais e não Ditadura Militar brasileira e um relato oral do mesmo período de um prisioneiro

o da produção político do DOPS.A intencionalidade determina até a forma da fonte: uns são

es históricas papéis administrativos oficiais, outros são marcados por uma memória histórica
ologicamente voluntária. A diferença entre essas fontes exige um tratamento diferenciado em
tário em sua relação a cada uma delas.
rir o quadro 2 As fontes testemunhais permitem que os historiadores analisem as
estruturas relacionadas à ideologia e à mentalidade de uma coletividade, pois
tendem a refletir os conflitos internos de uma sociedade. Já as fontes não
testemunhais permitem a construção de inferências e evidências mais objetivas
dos vestígios, pois não há a intencional idade de se produzir um documento para
e
a posteridade. Todos os vestígios arqueológicos, etnográficos e os produtos das

osa burocracias normalizadas são restos deixados pela ação humana no tempo. São
nebres tudo o que podemos chamar de "a memória infraestrutural".
iorativa
No entanto, essas fontes exigem do professor historiador um maiortrabalho
interpretativo e uma leitura técnica muito elaborada, pois deve decifrar vários
ias tipos de "linguagens" que estruturam os documentos, principalmente, no que
diz respeito à demarcação de seu contexto. Por exemplo, é muito mais difícil
s
interpretar o contexto sócio-histórico de um determinado objeto arqueológico
do que uma narrativa histórica que se referisse sobre o mesmo período.

militar
o critério qualitativo
ateriais O"critério qualitativo" organiza-se em fontes materiais e fontes culturais.
tatal Essa é a classificação mais complexa, pois apresenta uma grande variedade
onômica de tipos em relação ao seu conteúdo, suporte, campo, etc. No que se refere às
icos
fontes culturais construiu-se uma classificação em fontes verbais e fontes não
ivadas
verbais. As fontes verbais (orais ou escritas), por sua vez são classificadas em
fontes narrativas e não narrativas (ver quadro 1).

Fundamentos da pesquisa his órica ~


Nesse critério o que se avalia é o "tipo de leitura" que deve ser feito de
Para s be
um documento. Pode-se ler tanto a materialidade de uma fonte histórica como a
significação da mensagem contida nela. As fontes materiais são aqueles documentos Há,ou pc
que se prestam mais para uma análise material, como os objetos arqueológicos. de variação:
São fontes que importam para o professor historiador por serem objetos físicos que um livro de p
se revelam como vestígios materiais das experiências humanas do passado. Algumas fon
taxação ou d
As fontes culturais são aquelas que se distinguem da maioria dos vestígios
por natureza
arqueológicos por possuir uma significação simbólica para os sujeitos históricos
religiosos ds
e por permitirem uma análise do significado das ideias históricas presentes
em suas narrativas: as crônicas, os vitrais das catedrais medievais, as fontes (ARÓSTEGUI,200e

audiovisuais, as histórias em quadrinhos e as canções que têm a intenção de


produzir mensagens e significados.
Tantoa
riados de aco
Ocr <rn mntirntivn rabalhados nu
= . ficos, tanto a
o "critério quantitativo" é o que mais está sofrendo modificações na
eserapres
historiografia contemporânea. Com a digitalização da informação histórica,
o uma org
esperamos que ocorra uma revolução no uso desse critério.
As font
Nesse campo cada vez mais aparecem novos tipos de fontes diferentes dos
- rito e qual!
documentos oficiais arquivados: filmes, fotografias, gravações de áudio, imagens
ígios arque
de todo o tipo, inclusive histórias em quadrinhos e cartazes que conjugam a
quisa exigi
palavra e a comunicação imagética.
esmo o cor
Agrande mudança no campo documental é quetodos essestipos de documentação
estão sendo integrados em uma só linguagem: a informática. A novidade está no
aparecimento abundante de outros tipos diferentes de vestígios documentais. Surgem .5 Os fu
agora novos documentos visuais e sonoros que integram todas as outras fontes e
a "crítl
de qualquer período, e mais, mantidos em "suportes de memória livre" digitalizada.
São as fontes por excelência da técnica chamada história do presente. Entende
sàstran
Esse critério é organizado em fontes seriadas ou seriáveis e fontes não
sproblem
seriadas ou não seriáveis (ver quadro 1). Fonte seriada caracteriza-se por ser toda
fonte, "material ou cultural, que é composta de muitas unidades ou elementos cumento c
homogêneos, suscetíveis de serem ordenados, numericamente ou não". Essas - equação ou

fontes se repetem no tempo e se referem a fatos repetidos e redundantes. Astrans


Permitem, portanto, analisar o cotidiano e o comportamento de uma comunidade - amentam
ou mesmo muitos elementos das estruturas sócio-históricas. tística, a fil

EI Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


er feito de Para saber mais
ca como a
cumentos Há,ou pode haver,uma extrema variedade de fontes seriadas ou suscetíveis
de variação: desde um fichário policial à contabilidade de uma empresa, de
eológicos.
um livro de protocolos de um notário aos anuários estatísticos de vários anos.
tsicos que
Algumas fontes se apresentam, por sua natureza, seriadas: as escrituras de
ssado.
taxação ou de venda de bens nacionais no século XIX.Outras não são seriadas
vestígios por natureza, mas são seriáveis: um conjunto de testamentos, os sermões
istóricos religiosos de uma determinada época, os discursos políticos, etc.
presentes
(ARÓSTEGUI, 2006, p. 502)
as fontes
enção de
Tantoa materialidade como o conteúdo simbólico de um documento podem ser
seriados de acordo com os problemas delimitados por uma investigação. Podem ser
trabalhados numa redução na forma de uma "matriz de dados" como as tabelas e os
gráficos, tanto classificando como quantificando as informações históricas. Aseriação
cações na
pode ser apresentada sob a forma de uma evolução das fontes no tempo, mas também,
histórica,
como uma organização serial de conteúdos, temas e conceitos históricos.

As fontes não seriadas são aquelas que tradicionalmente têm um caráter


erentes dos
escrito e qualitativo: crônicas e memórias, documentos diplomáticos, alguns
o, imagens
vestígios arqueológicos (os rolos de Ounran, por exemplo), etc. No entanto, se sua
,onjugam a
pesquisa exigir, o professor historiador pode perfeitamente seriar a materialidade
e mesmo o conteúdo desses documentos.
umentação
ade está no
tais.Surgem 2.5 Os fundamentos da análise documental:
s fontes e
a "crítica das fontes"
digitalizada.
Entendemos que as mudanças referentes à crítica das fontes estão intimamente
ligadas às transformações nos suportes, aos meios tecnológicos para sua realização
fontes não
e aos problemas relativos à sua avaliação, tanto no que diz respeito à autenticidade
cor ser toda
do documento quanto de sua datação. Essas mudanças também estão relacionadas
elementos
iõc". Essas à adequação ou não dessas fontes em relação ao tema histórico investigado.
íundantes. As transformações técnicas e metodológicas nas disciplinas históricas que
omunidade fundamentam a análise documental, tais como a arqueologia, a arquivística, a
estatística, a filologia, e, também, nas técnicas relacionadas à análise de conteúdo,

Fundamentos da pesquisa histórica


à análise do discurso e à história oral estão revolucionando as abordagens ligadas
Para sob
à história paleolítica e neolítica e a história das sociedades contemporâneas,
respectivamente. o que é
A superação do ofício artesanal na sua relação com as fontes está ocorrendo Aanális
lentamente de forma que a tecnologia cada vez mais está fazendo parte do que permite
trabalho historiográfico. para o estu

A percepção do princípio dessa revolução da matriz disciplinar da História (ARÓSTEGUI.200

estava presente já nas análises do historiador francês Marc Bloch, o qual escreveu
a respeito da necessidade de se interrogar sobre os vestígios para que eles se
Essa ad
transformem em fontes históricas. E que nas investigações sobre as mentiras e
erguntas teó
falsificações inerentes a certos documentos, o historiador descubra o significado
dessa atitude para os sujeitos que os produziram naquela determinada época.

Existem quatro princípios básicos de crítica e avaliação das fontes: Ouais a

Oue tip
históri
Para r ais
Ouais são os princípios fundamentais da avaliação das fontes
o que o
históricas?
Para resp
1) Os fatos estudados só podem ser investigados a partir de vestígios.
_ armunido d
2) A informação histórica é produzida em fontes heterogêneos e - onstrução d
complexas.
Essa an:
3) A pesquisa e o tratamento das fontes estão vinculados à busca de stóricas que
adequação entre suas hipóteses orientadoras e o tipo de fatos que
es atística, ant
possibilitam a fecundidade dessas mesmas hipóteses.
=- udo - anál'
4) As fontes por si só podem distorcer a realidade, pois podem ser das
Uma
falsificadas ou ser incompletas.
as é a anáf
::.....
guísticas", ti

Compreendemos que como todos os elementos da pesquisa histórica, a écnicas de

análise documental da historiografia também possui características instrumentais Essas tê


e epistemológicas na sua abordagem. Essas características estão intimamente - cumento pel
relacionadas à "análise da fiabilidade", à "confiabilidade ou fidelidade" das fontes .:; ação a uma
e também à "análise da adequação" desses documentos com relação ao tema _ strução de
histórico investigado pelo pesquisador. r parte do pr

m Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


gens ligadas
Para saber mais
mporâneas,
o que é a análise documental?

tá ocorrendo A análise documental é o conjunto de princípios e de operações técnicas

do parte do que permite estabelecer a fiabilidade e adequação de certo tipo de informações


para o estudo e explicação de um determinado processo histórico.

Ir da História (ARÓSTEGUI, 2006, p. 508)

ual escreveu
que eles se Essa adequação documental ao tema deve ser orientada pelas seguintes
s mentiras e perguntas teórico-metodológicas:
o significado
iada época.
'entes: Ouais as características de uma determinada investigação?

Oue tipo de documentos deve-se utilizar para investigar esse tema


histórico?

o que os historiadores podem fazer com as fontes encontradas?


IS fontes

Pararespondera essas perguntas entendemos que o professor historiador deve


vestígios.
estar munido de um bom conjunto de teorias e conceitos históricos que permitam
iéneas e a construção de hipóteses plausíveis para a abordagem do tema investigado.

Essa análise também deve estar fundamentada pelo auxílio de disciplinas


busca de históricas que aprofundem a crítica documental- arqueologia, filologia, arquivística,
fatos que estatística, antropologia histórica, etc. - e também das técnicas ligadas a esse
estudo - análise de conteúdo, análise do discurso, história oral, etc.
idem ser
Uma das técnicas mais utilizadas por professores de História em suas
aulas é a análise de fontes verbais escritas e orais, são as chamadas fontes
"Iinguísticas", tais como o estudo do contexto da língua e a lexicografia e, também,
as técnicas de erudição literária e crítica histórica.
histórica, a
strumentais Essas técnicas têm como finalidade detectar tanto a veracidade de um
itirnamente documento pelo aparecimento ou não de termos e conceitos anacrônicos em
"das fontes relação a uma época, como investigar os usos linguísticos mais comuns na
:ão ao tema construção de certas fontes escritas. A erudição literária permite a compreensão,
por parte do professor historiador, dos gêneros e estilos literários e inclusive os

Fundamentos da pesquisa histórica ~


ligados à memória oral- mitos fundadores, por exemplo - específicos de uma Aavalii
sociedade em determinado tempo. a algumas qu

Já a análise histórica de uma fonte permite aos professores pesquisadores Aprime


investigar a historicidade de um documento - quando ele foi produzido, descoberto quando o hist
e como foi apropriado pelas diversas teorias históricas no tempo. perguntas im
Um outro instrumento de grande utilização pelos professores em aulas de necessá ria p
História é a contextualização das fontes históricas, seja por meio das técnicas de suportes e co
classificação dos documentos, tais como as organizadas por critérios de avaliação
A segu
presentes nos quadros 1 e 2; pelo estudo serial das fontes históricas e, mesmo,
caracterizada
pela confrontação entre diversos documentos de características diferentes [fontes
terna históric
materiais comparadas com fontes visuais e orais, etc.).
confrontadas
últiplas pos
Anó/ice> r1~ ,...-4ec"""ção das fontes para um tema
A terce
A análise da adequação temática de uma fonte histórica se refere
.... ando o his
substancialmente à confrontação entre os documentos e as teorias historiográficas,
~elação a OU1
sejam elas interpretações referentes ao significado que os sujeitos dão ao resultado
rirneiras hip
de suas ações, sejam explicações que busquem entender a pluricausalidade de
um processo histórico-social específico.
ce se investig
reóricas.
As fontes adequadas aos temas históricos são aquelas que permitem
ao professor historiador a construção de um maior número de perguntas e de Feitas e
hipóteses para suas respostas. A adequação de uma fonte ou de um conjunto assaremos a
de fontes é realizada quando ela satura as possibilidades da criação de novas -esentes nas
questões, novas explicações e novas interpretações históricas.

.6 As his
Para saber mais
produ
o que são os temas históricos?
Entendt
Os temas históricos são conceitos relativos à história temática. Esse é um
- óricas e a~
procedimento metodológico que valoriza a sistematização do conhecimento
ídêncía his:
histórico a partirda demarcação de contextos espaço-temporais. Esse recorte
ou demarcação de contextos sócio-históricos se dá por meio da problematização o traball
dos conteúdos históricos, da busca da pluricausalidade dos processos históricos :; e ser cons
e da definição dos sujeitos históricos a serem investigados. - r-a a susten
(Adaptado de ARÓSTEGUI, 2006) esenvolvidas
- ação a dete

m Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


íficos de uma Aavaliação adequada de uma fonte histórica está necessariamente ligada
a algumas questões de caráter metodológico.

esquisadores A primeira questão está relacionada à demanda de uma informação histórica,


10, descoberto quando o historiador determina os tipos de fontes requeridas para responder às
perguntas investigativas. Busca, também, ampliar a quantidade de informação
s em aulas de necessária para a adequação da fonte apresentando uma multiplicidade de
s técnicas de suportes e conteúdos a serem pesquisados.
; de avaliação
A segunda questão diz respeito à recompilação documental, a qual é
3S e, mesmo,
caracterizada pela coleta intensiva dos documentos relativos a determinado
entes [ fontes
tema histórico. Leva em conta também a procura das fontes que podem ser
confrontadas e comparadas no escopo desse tema histórico detectando as
múltiplas possibilidades de estudo das mesmas.

A terceira questão se refere à seleção das fontes históricas, momento


ta se refere
quando o historiador determina a importância de certos documentos em
oriográficas,
relação a outros. Procura confrontar essas fontes hierarquizadas com as
ao resultado
primeiras hipóteses da investigação histórica, considerando a necessidade
usalidade de
de se investigar novas fontes devido às consequências dessas confrontações
teóricas.
e permitem
untas e de Feitas essas considerações sobre a definição e o uso das fontes históricas,
rrn conjunto passaremos agora à análise dos documentos relativos aos vários temas históricos
io de novas presentes nas histórias em quadrinhos e em canções brasileiras.

2.6 As histórias em quadrinhos e as canções como


produtoras de evidências históricas
Entendemos que essas considerações sobre a adequação entre as fontes
seéum
históricas e as interpretações históricas constituem o que chamaremos aqui de
.cimento
evidência histórica.
recorte
atização o trabalho com as histórias em quadrinhos e as canções nas aulas de História
stóricos deve ser considerado como fontes históricas que podem fornecer evidências
para a sustentação ou refutação das afirmações e interpretações históricas
desenvolvidas por historiadores, professores historiadores e estudantes em
relação a determinado tema histórico.

Fundamentos da pesquisa histórica


Esse as
Para saber ais
e as canções
o que são as evidências históricas? deacarrega
A evidência histórica existe quando uma afirmação ou hipótese histórica _ urais.Asc

fundamenta-se em vestígios ou fontes plausíveis em relação a determinado cunas, cont

tema histórico. Clciocinar pon


rmeios mi
(Adaptado de ASHBY, 2006)

ara sab
Mas para a historiadora inglesa Rosalyn Ashby é necessário que se faça
uma clara diferenciação entre as fontes e as evidências, as quais estão claramente O que
relacionadas ao contexto da aprendizagem histórica. Isso porque normalmente as
ideias "evidência" e "fonte" são utilizadas como sinônimas. É preocupante quando e um sUJ
os professores, na tentativa de ajudar os estudantes, utilizam materiais produzidos -e relacio
para a sala de aula que reforçam as noções equivocadas que os alunos possam ter. etermina
Contudo, tanto os professores como os estudantes devem fazer distinções. acionalida
se pauta e
2S amos d
Importante
- o ZA,2007)
Se se quer fazer progresso com os alunos, eles precisam entender que
as fontes não são a mesma coisa que evidência, e é preciso desenvolver uma
compreensão conceitual da relação de evidência entre fontes e afirmações. Somen

(ASHBY, 2006, p. 167-168)


ramente pn
esenvol
essárias
Para que você compreenda essa diferença, aqui vai um exemplo. outras f

Quando o professor historiador utiliza uma música ou uma história em


quadrinhos nas suas aulas de História, ele está trabalhando com fontes históricas. rasab
No entanto, a partir do momento em que essas fontes são relacionadas a um
Oualé
contexto histórico específico e, portanto, a uma interpretação histórica, passamos
a lidar com uma evidência. Forneceremos uma série de análises desse tipo ao Acapa
longo dos capítulos 3 e 4. ecessária
averda
Além de os estudantes deverem estar em contato com as fontes, eles
precisam superar o uso delas como simples confirmação de informações relativas =-'1 mações

a uma interpretação história. Oprofessor deve fornecer conhecimento para que os aptado de S

jovens possam criar hipóteses em relação a determinado conteúdo histórico.

m Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


Esseaspecto é muito relevante quando se considera as histórias em quadrinhos
e as canções como fonte histórica, pois o caráterficcional do enredo de suas narrativas
tende a carregarde anacronismos as informações históricas presentes nesses artefatos
iistórica culturais. As crianças e os jovens podem começar a lidar com inferências históricas,
minado lacunas, contradições e tendências em fontes históricas, mas até que consigam
raciocinar por meio da criação de hipóteses, insistem em esperar que a evidência,
por meios misteriosos, quase que literalmente Ihes diga o que aconteceu.

Para saber mais


re se faça
laramente o que são as inferências históricas?
Imente as As inferências históricas são relações lógicas entre as ideias históricas
te quando de um sujeito e as fontes em que são confrontadas. A inferência histórica
roduzidos se relaciona com a experiência cultural que os sujeitos têm em relação a
issarn ter. determinado documento. As inferências nem sempre estão ligadas a uma
res. racionalidade científica da Histórica. Somente quando essa relação lógica
se pauta em ideias históricas plausíveis em relação às fontes históricas
estamos diante de uma evidência histórica.

(FRONZA,2007)
ler que
eruma
rções. Somente quando os estudantes conseguem desenvolver hipóteses, podem
claramente projetar o que algum traço de evidência pode ou não revelar; somente,
no desenvolvimento da hipótese, podem dizer que evidências adicionais são
necessárias e especular onde encontrá-Ias. Daí a necessidade de confrontá-Ias
com outras fontes e narrativas históricas.

.tória em
istóricas. Para saber mais
ías a um
Qual é o limite do conhecimento histórico?
assamos
e tipo ao A capacidade de os estudantes raciocinarem em termos proporcionais é
necessária antes que qualquer um possa compreender que a História não é
uma verdadeira pintura sobre o passado. A História tenta nada além do que fazer
tes, eles
afirmações sobre o passado, válidas em termos de evidências disponíveis.
relativas
ra que os (Adaptado de SHEMILT, 1980, p. 47 apud ASH8Y, 2006, p. 169)

.tórico.

Fundamentos da pesquisa histórica


Assirn,o professor deve compreender que somente quando osjovens conseguem históricas re
desenvolver seu raciocínio histórico, a partir de evidências, eles podem entender a distinguir tr
diferença entre uma mera confirmação de informações e uma interpretação válida
êm da evid
e, portanto, uma representação justificada do passado. Opensamento histórico dos
quadrinhos
jovens se realiza quando eles conseguem produzir um "salto conceitual" por meio
da compreensão das fontes históricas como testemunho da abordagem com o
conceito de evidência, pois as fontes só se tornam evidências históricas em relação Importa
a tipos específicos de interpretações históricas.

Importante
A relação entre as fontes e a evidência histórica

Pode-se depreender que o ensino de História necessita prestar atenção


à natureza das afirmações históricas conjuntamente aos trabalhos e que os
alunos se ocupam com as fontes. Seos alunos devem desenvolver um conceito A
de evidência, eles necessitarão compreender a relação de evidência entre as pa
fontes históricas [compreendidas a partir de um conceito de que foi a sociedade 2J Nu
quem as produziu), e as afirmações sobre o passado que elas apoiamo de
[ASHBY, 2006, p. 155J
qu
os
po
Compreendemos que isso significa que a investigação das ações históricas ve
necessita do uso da evidência para criar conexões entre o contexto no qual as pessoas es
se encontraram no passado, as crenças que tiveram sobre esse mesmo contexto e de
os valores e ideias - enfim, as experiências - que tiveram sobre o seu mundo. oc
Entendemos que segundo os historiadores ingleses Peter Lee e Rosalyn
Ashby, a internalização de idéias de segunda ordem poderosas - como, por
exemplo, a evidência histórica - é talvez o melhor caminho para dar sentido ao 3J
desenvolvimento do pensamento histórico dos jovens. co
de

o que significa
dizer que os estudantes desenvolvem compreensões
mais poderosas da disciplina de história?

Podemos exemplificar aquilo que se entende por meio das mudanças


nas concepções dos estudantes baseadas em declarações sobre as evidências

~ Ensinar e aprender História: histórias em quadrinhos e canções


históricas relativas ao passado. A partir de investigações já realizadas é possível
nseguem
rtender a distinguir três momentos de mudanças na compreensão que os estudantes
ãoválida têm da evidência histórica que podem ser úteis no trabalho com as histórias em
órico dos quadrinhos e as canções.
por meio
m com o
n relação Importante
Ouais são os momentos relativos à compreensão da evidência
histórica?
1) Num primeiro momento, os estudantes tendem a compreender as
fontes como informação e, por isso, ficam impotentes quando são
confrontados por fontes contraditórias. Eles argumentam que ninguém
:enção no passado está vivo agora. Então, para eles nada pode ser conhecido.
lue os A História entendida como uma narrativa que diz a verdade sobre o
mceito
passado se torna, para esses sujeitos, impossível.
itre as
edade 2) Num segundo momento, esse problema é superado pelo reconhecimento
de que as pessoas que viveram no passado deixam relatos, nos
quais suas ideias e experiências sobreviveram até o presente. Para
os estudantes, pensando as fontes como testemunho, a história
pode começar novamente, desde que seja possível encontrar relatos
stóricas verdadeiros. Mas, mesmo quando essa concepção traz consigo novas
)essoas estratégias para avaliar a credibilidade dos relatos, esse conjunto
ltexto e de ideias é em si mesmo impotente devido à falta de testemunhas
Indo. oculares, nas quais o professor historiador poderia contar para tornar
o passado objetivo. Mais uma vez, para esses estudantes, a História
~osalyn
se torna impossível.
110, por
itido ao 3) Num terceiro momento, a História pode recomeçar apenas quando se
compreende que os historiadores podem fazer inferências que não
dependem de alguém para contar a verdade. Isso porque as fontes
são relíquias de atividades e relações que aconteceram no passado,
ões bem como os seus relatos. As fontes, enquanto evidência, permitem à
História continuar a investigar o passado sem possuir necessariamente
os relatos das testemunhas daquele contexto histórico.

danças (Adaptado de LEE e ASHBY, 2000, p. 200·201)

lências

Fundamentos da pesquisa his anca


A partir disso compreendemos que o entendimento de que muito do que os
historiadores contam não poderia ser "testemunhado" - pelo menos não no âmbito
das descrições utilizadas pelos historiadores - abre ainda mais possibilidades
de compreensão da evidência histórica pelos estudantes. É por meio dessas
considerações que passaremos à análise das histórias em quadrinhos e das
canções caipiras na aula de História.

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