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ISSN 2317-661X Vol. 09 – Num. 01 – Janeiro 2016

AS CONTRIBUIÇÕES DO GÊNERO LITERÁRIO CONTO NO


PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO

SOUSA, Ailma Batista de1; OLIVEIRA, Josefa Josimere de Melo2; BEZERRA, Mayam de
Andrade3

RESUMO: Esse artigo é resultado de uma pesquisa cujo objetivo principal foi analisar as contribuições do
gênero literário conto no processo de alfabetização, bem como na formação do leitor. No processo de
alfabetização, a leitura torna-se imprescindível, pois vai muito além do prazer, através de uma história que
criança pode conhecer coisas novas, dando início a construção da linguagem, essa descoberta do mundo das
letras, durante a alfabetização com o uso dos diversos gêneros literários como auxiliares nesta fase é altamente
motivador. Nessa linha de raciocínio fundamentamos nossa pesquisa nos estudos de Coelho (2000), Bettelheim
(2002), Marcuschi (2002) e Hoffman (2012). Essa investigação foi realizada em turma do 1° ano do Ensino
fundamental, pertencente a Escola Municipal Francisco Chaves Ventura, município de Camalaú–PB. Os sujeitos
desta pesquisa foram 20 alunos da referida turma. Na obtenção dos dados utilizamos a observação participante e
atividades de leitura, explorando o gênero conto de forma interdisciplinar. Os contos infantis permitem as
crianças as mais variadas emoções e ajudam no desenvolvimento da criança, de forma lúdica. Através dos contos
infantis as crianças vivem em um mundo de sonhos imaginários, contribuindo assim para que elas adquiram
conhecimentos e abra um caminho para o mundo da leitura. Constatamos que as crianças das séries iniciais ao
ouvirem as histórias, aprimoram a capacidade de imaginação, já que estimulam o pensar, o desenhar, o escrever,
o criar, o recriar e compreender a sua própria realidade. Verificamos que através do gênero conto, com sua
linguagem simples os alunos se interessam mais pela leitura, de forma que aprendem mais facilmente, neste
sentido, a criança se interessa em aprender se transformando-se num leitor crítico, capaz de ler e escrever vários
tipos de gêneros.

Palavras-chave: Alfabetização. Gênero Literário. Contos. Leitura.

ABSTRACT: This article is the result of a survey whose main objective was to analyze the contributions of the
literary genre tale in the literacy process as well as in the reader's training. In the process of literacy, reading
becomes essential because far beyond the pleasure, through a story that children can learn new things, initiating
the construction of the language, this discovery of the world of letters, for literacy using the various literary
genres as auxiliary at this stage is highly motivating. In this line of reasoning we base our research studies in the
rabbit (2000), Bettelheim (2002) Marcuschi (2002) and Hoffman (2012). This research was carried out in class
the 1st year of elementary school, belonging to the Municipal School Francisco Chaves Ventura, municipality of
Camalaú-PB. The subjects were 20 students of that class. To obtain the data we used participant observation and
reading activities, exploring the genre tale in an interdisciplinary way. Fairy tales allow children the most varied
emotions and help in the development of the child through play. Through the children's stories children live in a
world of imaginary dreams, thus helping them acquire knowledge and open a path to the world of reading. We
found that children of the lower grades to hear the stories, enhance the capacity to imagine, since stimulate
thinking, draw, write it, creating, recreate and understand their own reality. We found that by genre tale, with its
simple language students are more interested in reading, so that they learn more easily, in this sense, the child is
interested in learning is becoming a critical reader, able to read and write various types genres.

Keywords: Literacy. Literary Genre. Tales. Reading.

1. INTRODUÇÃO
A leitura é um ato que faz parte de nosso cotidiano, algo natural, uma atividade
permanente da condição humana, habilidade adquirida desde cedo e treinada da várias formas.

1
Aluno/a concluinte do Curso de Pedagogia da UVA/UNAVIDA .ailmabatista2015@gmail.com
2
Aluno/a concluinte do Curso de Pedagogia da UVA/UNAVIDA. josimerepedagogia11@gmail.com
3
Orientadora. Pedagoga. Professora de Pedagogia da UVA/UNAVIDA. mayam.paulino@gmail.com
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Lemos com diferentes finalidades, a leitura pode ser para entender, conhecer, sonhar, viajar na
imaginação, por prazer ou curiosidade, lê-se para questionar e resolver problemas. Lendo
estamos participando efetivamente da construção e reconstrução da sociedade e de si mesmo.
Dentro do processo de alfabetização, a leitura torna-se imprescindível, pois vai muito
além do prazer, através de uma história que criança pode conhecer coisas novas, dando início
a construção da linguagem, oralidade, ideias, valores e sentimentos, os quais ajudarão na
formação pessoal. Ler é algo indispensável, pois através da mesma nós seres humanos,
pudemos observar o mundo ao nosso redor de forma crítica, nos possibilita novos
conhecimentos e habilidades que nos despertasse sentimentos e emoções, sendo essencial para
o desenvolvimento individual e social do homem. Através da leitura, podemos construir e
reconstruir conceitos que servirão para formação de sujeitos sociais. Através das descobertas
do mundo das letras, durante a alfabetização, podemos viver um processo prazeroso para a
criança, dentro e fora da sala de aula. Com o uso dos diversos gêneros literários como
auxiliares nesta fase é altamente motivador. Além de auxiliar no desenvolvimento da
linguagem, trabalha a criatividade, o desenvolvimento emocional, o raciocínio lógico, a
percepção, a expressão oral e escrita, de acordo com as diferentes técnicas que podem ser
utilizadas pelos professores.
Nosso interesse por essa temática surgiu a partir de um projeto desenvolvido na Escola
Municipal, no município de Camalaú–PB. Na ocasião trabalhamos com os gêneros literários
de forma contextualizada nas diversas disciplinas, assim buscávamos com esse projeto
melhorar o desempenho dos alunos, quanto à leitura, escrita e oralidade, possibilitando
melhorar a compreensão do mundo ao seu redor e o ambiente em que vive, sendo capazes de
ler e interpretar os diversos gêneros textuais.
Essa prática pedagógica despertou nosso interesse pelos gêneros literários, dessa
forma sentimos a necessidade de compreender as contribuições dos contos no processo de
alfabetização, bem como na formação do leitor, por isso realizamos essa investigação em
turma do 1° ano do Ensino fundamental, pertencentes a Escola Municipal Francisco Chaves
Ventura, município de Camalaú–PB. Os sujeitos desta pesquisa foram 20 alunos da referida
turma.
Na obtenção dos dados utilizamos a observação participante e atividades de leitura,
explorando o gênero conto de forma interdisciplinar. Optamos pela observação participante,
pois esta nos conduziu a conhecer os atos, a dinâmica espontânea dos indivíduos, suas

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práticas e seu cotidiano e possibilitou aprofundar a compreensão do fenômeno investigado. Os


dados coletados na investigação foram registrados em um diário de campo, bem como todos
os resultados das atividades desenvolvidas com os alunos.
Esse trabalho nos incentivou a pesquisar sobre a importância de se utilizar os gêneros
literários, em especial os contos com crianças que estão em processo de alfabetização. Por
isso, pretendemos com essa pesquisa responder ao seguinte problema: Como os contos
infantis contribuem para alfabetização das crianças?

2 GÊNERO LITERÁRIO: CONTOS

Antigamente os contos eram uma forma de diversão para adultos e crianças, sendo que
não havia infância para as crianças, assim não tinha um espaço diferenciado dos adultos.
Segundo Hoffman (2008, p.12): “Os contos nasceram de relatos orais, realizados pelo povo de
um lugar, sendo que esses existem desde que o ser humano desenvolveu a fala”.
Os contos de fadas tiveram origem entre os celtas. As aventuras de seus heróis e
heroínas estavam ligadas ao sobrenatural e visavam à realização interior do ser humano. Daí a
presença da fada, nome que deriva do termo latino fatum, que significa destino. Esta
personagem, apesar dos séculos e das mudanças de costumes, continua mantendo seu poder
de atração, pois mitologicamente encarna a possível realização dos sonhos ou idéias.
No início dos tempos o gênero conto foi uma fonte misteriosa e privilegiada de onde
nasceu a literatura. Desse nasceram personagens que possuíam poderes especiais, indo contra
a lei da gravidade, dando assim origem a mais um gênero literário. O Conto é a narração
densa e breve de um episódio da vida, mas resumida do que a novela e o romance. Em geral,
não apresenta divisão em capítulos, ou seja, é uma narrativa ficcional, mais curta que o
romance, porém mais densa que a crônica. Com esses dois gêneros têm em comum os
elementos constituintes da narrativa: narrador, enredo, poucos personagens, espaço e tempo
limitados. Trata-se de um texto conciso, com um único conflito que se encaminha rápido para
o desfecho. O conto não tem compromisso ou relação com a realidade.
Enquanto que as versões de contos infantis nasceram no século XVII, na Corte Luís
XVI, período em que a sociedade passava por diversas mudanças, que acabaram por
influenciar o meio artístico. Nesta época, a burguesia ascende como classe, criando uma nova
relação da criança com a sociedade e a importância da educação. No século XVIII, é
reconhecido que a criança é um ser diferente do adulto, que precisa de cuidados especiais e

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tem necessidades e características próprias. Sua educação então passar a ser ministrada de
forma diferente, lhe ajudando futuramente a lidar com a vida adulta. Eram histórias contadas
por pessoas de uma cidade o povoado sendo que nem sempre os contos estavam voltados para
as crianças. A esse respeito Coelho (2000, p.173) ressalta que:

Os contos são de origem celta, cujos vestígios mais remotos provêm de séculos antes
de Cristo e, a partir da Idade Média, foram assimilados por textos de fontes
europeias, ficando-nos praticamente impossível a tarefa de resgatá-los na sua forma
„pura‟, tais fontes que se fundiam nas narrativas recolhidas.

Em sua origem, os contos de fadas nada mais eram do que relatos de fatos da vida dos
camponeses, recheados de conflitos, aventuras e pornografias sendo assim, pouco indicado a
ser contado para as crianças. Esses relatos apenas serviam como entretenimento; anos mais
tarde com a descoberta das fadas, que eram idealização de uma mulher perfeita, linda e
poderosa, a qual era dotada com poderes sobrenaturais, vê-se a necessidade de utilizar tais
estórias alienadas também à educação, já que as crianças gostavam muito desses contos e a
fantasia inserida neles, estava ajudando a formar a personalidade dessas pequenas pessoas.
O reconhecimento da edição dos contos de fadas, como conhecemos hoje, surgia na
França no fim do século XVII sob iniciativa de Charles Perrault (1628 - 1703). Ao contrário
do que se possa ser pensado, Perrault não criou as narrativas de seus contos, mas as editou
para que estas se adequassem à audiência da corte do rei Luiz XIV (J 638 - I 71 5). Foram às
narrativas folclóricas contadas pelos camponeses, governantas e serventes que forneceram a
matéria - prima para estes contos. Apesar do distanciamento da camada popular e do desprezo
pela sua cultura, a classe nobre só conhecia tais narrativas devido ao inevitável contato por
meio do comércio ou pelas presenças das governantas e outros serviçais em suas residências.
Após coletar tais narrativas, Charles Perrault eliminou o quanto pôde as passagens obscenas
ou repugnantes que continham incesto, canibalismo e sexo grupal para manter o seu apelo
literário junto aos salões letrados parisienses. Foram os franceses que criaram o termo “Conte
de Fee” que logo se tornou o “Fairy Tale” em inglês, já no Brasil eles começam a surgir
somente no século XIX.
Segundo Bettelheim (2002, p.14) “a maioria dos contos de fadas se originou em
períodos em que a religião era parte muito importante da vida; assim, eles lidam, diretamente
ou por inferência, com temas religiosos”.

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Sendo assim, os contos de fadas nada mais eram do que relatos de fatos da vida dos
Camponeses, recheados de conflitos, aventuras e pornografias, pouco indicados a ser contado
para crianças. Esses relatos apenas serviam como entretenimento. Anos mais tarde com a
descoberta das fadas, que era a idealização de uma mulher perfeita, linda e poderosa, a qual
era dotada de poderes sobrenaturais, vê-se a necessidade de utilizar tais histórias alienadas
também à educação, já que as crianças gostavam muito desses contos e a fantasia inserida
neles estava ajudando a formar a personalidade dessas pequenas pessoas, caracterizando-se
esses pela presença de elementos etimológicos.
Os contos remontam a tempos antigos, vindos da tradição oral de diferentes culturas
pelo mundo. Eram histórias contadas de pai para filho e, dessa maneira, acabaram
perpetuando-se no imaginário coletivo. Só começaram a ser registradas em livros na Idade
Média, quando a criança começou, de fato, a ser tratada como criança. No começo, os contos
ainda não eram de fadas .As histórias originais pouco lembram as histórias que conhecemos
hoje e, em sua maioria, apresentavam enredos assustadores que dificilmente fariam sucesso
nos tempos atuais. Isso porque hoje respeitamos e conhecemos o significado da palavra
infância e porque, há algum tempo, alguns escritores, como o francês Charles Perrault,
adaptaram alguns contos para que eles pudessem ser mais bem aceitos pela sociedade.
Posteriormente, os Irmãos Grimm e o dinamarquês Hans Christian Andersen deram segmento
à proposta de Charles Perrault, com narrativas mais suaves, cujos desfechos culminavam em
uma “moral da história”. A partir daí, as histórias foram permeadas através de ideais,
defendendo valores morais e a fé cristã. No século XIX, os irmãos Grimm iniciam um novo
ciclo para os contos não tem banquete canibal, nem strip-tease ou mortes.
A literatura infantil surge como uma forma literária menor, apenas expressando um ato
de linguagem ou representação simbólica de alguns fatos, os quais, nem sempre eram reais.
Como se sabe, a literatura infantil contém em seu abrangente conteúdo vários tipos de textos
representativos como é o caso das fábulas, o apólogo, a lenda, o conto maravilhoso, os contos
de fadas e etc. Então, vista a necessidade de escolher diante de tanta oferta em literatura a
mais criativa e eficaz na alfabetização, a indicada vem a ser os contos de fadas, os quais,
tratam de problemas humanos universais como, por exemplo, a solidão e a necessidade de
enfrentar a vida por si só, mas de uma maneira simbólica.
Entre as formas literárias mais importantes, vindas dos tempos remotos, e que se
transformaram em Literatura Infantil estão as narrativas de acontecimentos ou aventuras que

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se passam no mundo mágico ou maravilhoso, espaço fora da realidade comum em que


vivemos, e os fenômenos não obedecem as leis naturais que nos regem. (COELHO, 1993,
p.153)
Ao lermos um conto interagimos não propriamente com o texto, mas com os
personagens eleitores, que são constituídos no próprio ato da escrita. O leitor cria em suas
histórias, o mundo real, lendo se apropriamos, de uma mediação entre sujeitos, tendo a
influência de estabelecer relações entre os leitores reais ou imaginários. Dentro da sociedade,
de uma cultura, não podemos nos esquecer, que a peça fundamental de todo este processo,
primeiramente, somos nós. Ler também faz parte de um contexto pessoal, valorizando assim a
Literatura Infantil, além de tudo o que se pode simplesmente ler, ir até onde nossa imaginação
possa ser capaz de nos levar para um mundo onde podemos vivenciar novas experiências.
As histórias infantis fazem parte da infância de qualquer pessoa. São histórias
contadas, recontadas, que passaram por várias gerações, e ainda assim não perderam o brilho.
Mesmo com as mudanças ocorridas no mundo continuam a cativar e encantar milhões de
crianças. Não se sabe exatamente quando surgiram essas primeiras produções de textos que
nos dias atuais ainda são conhecidas.
O hábito de contar histórias veio do momento em que o ser humano, já consciente de
sua existência e de suas vivências, decide relatar os acontecimentos de sua vida a outras
pessoas, geralmente essas histórias tinham como característica principal, algum tipo de
aprendizado ou descoberta que fosse útil aos demais. As histórias que mais prendiam a
atenção conseguiam sobreviver ao serem contadas de uma geração para outra. Mas tudo
mudou quando alguém resolveu registrar as histórias, que contadas várias vezes por pessoas
diferentes acabavam sendo modificadas. Além de registrar as histórias antigas, novas histórias
foram sendo escritas.
Os contos infantis nos emocionam, divertem criam suspense e mexem com nossos
sentimentos mais profundos. Neles o bem e o mal aparecem claramente, possibilita
percebermos a luta contra os problemas que fazem parte do nosso dia-a-dia. Os contos têm
uma estrutura fixa: um problema que retira toda a fantasia tentando buscar e solucionar todo
problema e por final a paz reina, voltando os felizes para sempre trazendo tranquilidade,
mostrando-nos um mundo cheio de fantasias.
Através dos contos podemos enxergar de maneira simples e com fantasia o mundo ao
nosso redor, podendo descobrir a sua própria identidade. Para Abramovich (1999, p.????):

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“[...] os contos infantis ou contos de fadas falam de auto descoberta e descoberta da própria
identidade, o que é fundamental para o crescimento”.
A literatura infantil é muito importante no desenvolvimento da criança, quanto mais a
criança lê ou ouve histórias, maior será a sua criatividade, sua aprendizagem, sua imaginação,
desenvolvendo assim a imaginação de acordo com seus acontecimentos. Nos contos, a criança
se vê naquele mundo das histórias, na qual sua imaginação tudo pode ser animado e estar a
seu favor. Mostrando que a aprendizagem da criança começa quando ela nasce e segue por
toda sua vida, mas é nos primeiros anos que a personalidade e o caráter dela começam a
serem moldados, a partir do momento que ela começa a procurar entender o que esta
acontecendo com ela e com o mundo a sua volta.
Os contos são uma abertura para novos pensamentos ideias e imaginação, criando o
interesse do que há ao nosso redor. Ler contos é refletir, pensar, ter um sentido crítico
expressando os sentimentos guardados dentro de si mesmo.
A esse respeito, Hoffman (2008) afirma que os contos fazem com que as crianças
recriem a sua realidade, reorganizando seu próprio mundo. O que permite criar mecanismos
de defesa enfrentando e superando seus problemas, formando seu mundo afetivo. Esses
projetam o alívio de todas as pressões e não só oferece formas de resolver os problemas, mas
promete uma solução feliz. Sendo assim nos contos de fadas, a realidade é dicotômica, mas
marcha inevitavelmente para a imposição do bem sobre o mal.

3 AS CONTRIBUIÇÕES DOS CONTOS INFANTIS PARA O PROCESSO DE


ALFABETIZAÇÃO

A leitura de contos em sala de aula é fundamental, visto que torna o processo de


ensino-aprendizagem mais criativo. Com esta leitura percebemos que os alunos experimentam
estados afetivos diferentes dos que a vida lhes proporciona. E o professor tem um papel
essencial, pois desperta a criatividade, a autonomia e cria um cidadão crítico, que está
guardado dentro de si.
A leitura é de fundamental importância para a integração do indivíduo no seu contexto
socioeconômico e cultural. As crianças abrem novas perspectivas, facilitando-lhes a posição
crítica diante da realidade que se lhes apresenta. A escola, como enfatiza a escritora de

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literatura infantil, Coelho (2002, p.153), é um “[...] espaço privilegiado para o encontro entre
o leitor e o livro”, portanto, há que se pensar nesse ambiente como um local propício para a
formação de leitores.
Os contos nos falam de amor e de muitas situações que vivemos no dia a dia, o que faz
com que os alunos reflitam e pensem como enfrentar os desafios da vida. Outra contribuição,
é o desenvolvimento de habilidades das crianças, na relação social, dentro e fora do convívio
escolar, é muito importante a leitura em sala, como e nossa própria casa.
Por isso, o trabalho com os contos infantis nas salas de alfabetização é fundamental,
além disso, é um gênero de fácil acesso, pois quem nunca ouviu as histórias da Bela
Adormecida, Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, entre outras. São histórias que
desenvolvem nossa imaginação, curiosidade e criatividade. Com esse tipo de leitura, nos
identificamos como pessoas que tem sua própria opinião. Conhecemos a nós mesmos,
criamos sentimentos, nossas relações com as pessoas de nosso convívio.
Trabalhar com os contos no processo de alfabetização é derrubar barreiras, das normas
existentes na educação é fazer com que a sala de aula deixe de ser um lugar cansativo, e torne-
se um lugar onde a criança revele-se, se sintam bem e fique curiosa com os livros lidos, ou
apenas mostrados pelo professor.
Através da leitura dos contos infantis o professor estará articulando os processos na
sala de aula, o mesmo orienta, media e propõe aos alunos formas encantadora de
aprendizagem, estimulando a curiosidade e criatividade no mundo real.
O trabalho com os contos torna o processo de alfabetização mais lúdico, onde a leitura
e a escrita são despertados de forma mágica, prazerosa e significativa. Assim ao resgatarmos
esses textos na vida de nossas crianças estaremos dando o direito de sonhar, viajar e
alfabetizar de modo encantador, dentro de um processo vivido por ela em seu crescimento.
Bettelheim (1980, p. 16):
É aqui que os contos de fadas têm um valor inigualável, conquanto oferecem novas
dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente
por si só. Ajuda mais importante: a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem
imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar
melhor direção à sua vida.

Assim Bettelheim (1980, p. 16) afirma que o gênero literário conto é de grande
importância para a formação da personalidade da criança e o seu desenvolvimento no
processo de socialização, já que eles têm a capacidade de levar a criança a perceber outras
dimensões, a usar a imaginação e principalmente a se descobrir, se reconhecer como parte
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integrante daquela história, onde ela pode ser qualquer um dos personagens, basta quere e
imaginar.
Sabemos que todos os textos manifestam-se por meio dos gêneros textuais, então é
importantíssimo aplicar isso em sala de aula, no ensino da língua, e, agora, nesta época que
vivemos, pós-modernidade, nunca foi tão importante ter o conhecimento de tais gêneros,
possui domínio é de fundamental importância, para o desenvolvimento dos alunos dentro e
fora da sala de aula, o que significa levar os educandos a conhecer, analisar, produzirem
diversos textos ou histórias. Vê-se, portanto, que o estudo, compreensão desses gêneros é uma
maneira interessante de se lidar com a língua materna em seus variados usos em nosso dia-a-
dia.
Para Marcuschi (2002, p.29): “Os demais gêneros figuram apenas para „enfeite‟ e até
para distração dos alunos. São poucos os casos de tratamento dos gêneros de maneira
sistemática”. Isso significa que o estudo desses textos ainda é pouco trabalhado na escola,
muitas vezes abordado pelos educadores de forma superficial, a atenção é dada apenas
naqueles gêneros mais formais, os demais são totalmente para „enfeite‟, como ele menciona.
O que se torna lamentável, pois sabemos quanto os gêneros textuais contribuem para o
desenvolvimento da língua, compreensão, da formação do educando, e, sobretudo, numa
cooperação das mais importantes para o ensino da leitura e redação, pois somente quando os
estudantes dominarem os gêneros mais correntes na vida cotidiana, esses alunos serão capazes
de perceber o jogo que frequentemente se faz por meio de manobras discursivas que
pressupõem esse domínio. Portanto, o estudo desses variados textos só vem enriquecer as
aulas de língua portuguesa.
Sabemos como é importante para a formação de qualquer criança ouvir histórias.
Escutar histórias é o início da aprendizagem para ser um bom leitor, tendo um caminho
absolutamente infinito de descobertas e de compreensão do mundo. É poder sorrir, gargalhar
com situações vividas pelos personagens e com a ideia dos contos, então, a criança pode ser
um pouco participante desse momento de humor, de brincadeira e aprendizado.
Os contos também conseguem deixar fluir o imaginário e levar a criança a ter
curiosidade, que logo é respondida no decorrer da história lida. Tornando-se uma
possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que
todos vivem e atravessam, de um jeito ou de outro, através dos problemas que vão sendo

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defrontados, enfrentados, resolvidos pelos personagens de cada história. Para Vera Teixeira
de Aguiar (1987, p.120):
Os contos de fadas mantêm uma estrutura fixa. Partem de um problema vinculado à
realidade (como estado de penúria, carência afetiva, conflito entre mãe e filhos), que
desequilibra a tranquilidade inicial. O desenvolvimento uma busca de soluções, no
plano da fantasia, com a introdução de elementos mágicos. A restauração da ordem
acontece no desfecho da narrativa, quando há uma volta ao real. Valendo-se desta
estrutura, os autores, de um lado, demonstram que aceitam o potencial imaginativo
infantil e, de outro, transmitir à criança a ideia de que ela não pode viver
indefinidamente no mundo da fantasia, sendo necessário assumir o real, no momento
certo [...].

Diante do tema estudado para elaboração deste artigo, direcionando-se a Literatura


Infantil como suporte do ensino não só apenas da Língua Portuguesa, mas também da
aquisição das diversas matérias estudadas em sala de aula como fator essencial de influência
na formação social e educacional de um indivíduo. O trabalho com a leitura de contos infantis
os fez ver que com a utilização dos mesmos, podemos construir o gosto pelo ato de ler, sendo
algo de grande importância, principalmente nas séries iniciais.
Diante desta pesquisa apresentamos aos alunos vários livros com gênero literário
conto o que fez com que os alunos buscassem o gosto e interesse pela leitura, promovendo o
desenvolvimento da criança, motivando-a a ser generosa e solidária, fazendo-a compreender
que nem sempre as pessoas são boas e que nem sempre as situações. Despertando o senso
crítico e valores sociais. Através da leitura levamos a criança a compreender os assuntos
estudados, através da construção de hipóteses. Afirma Coelho (1993, p. 45): “A Literatura
Infantil é, antes de tudo, literatura; ou melhor, é arte: fenômeno de criatividade que representa
o mundo, o homem, a vida, através da palavra. Funde sonhos e a vida prática; o imaginário e
o real; os ideais e sua possível realização”.

Figura 1 - Contação de história, com utilização de fantoches e cantinho de leitura.

Fonte: Acervo do autor

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Após leitura da história foi feita uma sondagem e visualização da história, onde os
alunos irão observar as ilustrações, as cenas, o uso de combinações de cores, entre outros
detalhes. Em seguida os alunos junto com a professora elaboraram os combinados a respeito
das atitudes e comportamento ao escutarem a história, escrevendo os nomes de alguns dos
personagens da história da Branca de Neve, dando algumas das características gerais dos
personagens. Por fim os alunos com a professora cantam a música dos Sete Anões. Depois se
faz ditado de palavras, junto com interpretação da história.
Bettelheim (1978, p.13) acredita que para uma história realmente prenda a atenção da
criança, deve entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas para enriquecer sua vida, deve
estimular-lhe a imaginação, ajudá-la a desenvolver seu intelecto e a tornar claras suas
emoções; estar harmonizada com suas ansiedades e aspirações. Resumindo, deve de uma vez
só vez relacionar-se com todos os aspectos de sua personalidade, e isso sem nunca
menosprezar a criança, buscando dar inteiro crédito a seus predicamentos e, simultaneamente,
promovendo a confiança nela mesma e no seu futuro.
Os alunos apresentaram um reconto da história em forma de desenhos, organizando as
cenas da história, de acordo com a leitura feita por um dos alunos de cada grupo, os mesmos
enumeraram cada cena, colocando o numeral correspondente ao acontecimento. A professora
em seguida distribuiu folhas em branco, onde os alunos iriam descobrir o nome dos sete
anões. A professora escreve no quadro e você copia, para preenchimento de quadro de
contagem de letras. O professor deve organizar os alunos em pequenos grupos, propondo que
cada grupo pesquise em livros ou internet um conto de fada. Cada grupo irá fazer um reconto
da história pesquisada com as devidas ilustrações (Atividade de casa). Sendo no final a
confecção de um mural com o resultado da pesquisa.
Com essa intervenção percebemos que as crianças interagiam com a história contada,
compreendendo melhor e produzindo textos coerentes, mesmo ainda estando em processo de
alfabetização. Conforme Marcuschi (1989) o reconto da história ouvida faz com que os alunos
criem relações entre os personagens e sua realidade, trazendo para seu cotidiano as
informações reproduzidas e encontradas na história, reconstituindo assim o conteúdo da
história original.

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Figura 2: Leitura coletiva de histórias com gênero literário conto

Fonte: Acervo do autor

A escola deve propiciar a seus alunos momentos prazerosos de leitura, dando-lhes


acesso aos mais diversos tipos de histórias, o que despertará o interesse pela leitura. Atividade
integrada com o professor leitura e confecção de um mural com o resultado da pesquisa sobre
contos, através de gráfico. Depois de relacionar com as crianças os contos de fadas
pesquisados, fazer uma votação das histórias preferidas; poderá ampliar o repertório das
crianças com outros contos de fada.
Com este estudo, podemos ver que as histórias são um importante instrumento para o
desenvolvimento da criança, incentivando e tornando a leitura prazerosa, onde o professor
deve usar métodos que conquistem os alunos, mediando conhecimento, assimilando o gosto
pela leitura, despertando no aluno a vontade de estar na sala de aula , o que facilita na
aprendizagem dos mesmos. pois as crianças sentem curiosidades em desenvolver o que esta
sendo proposto na sala .
Segundo Abramovich (1997, p.23) “[...] quando a criança sabe ler é diferente sua
relação com as histórias, com os contos, porém sente um grande prazer em ouvi-las”.
Estimulando e aprimorando a capacidade de imaginar, estimular o pensamento.

4. CONCLUSÕES

A leitura, por ser um grande instrumento facilitador da aprendizagem, precisa ganhar


destaque nas escolas, principalmente no aprendizado dos anos iniciais do Ensino
Fundamental.
De acordo com Freire (1989) a importância do ato de ler trabalha a temática da leitura,
abordando sua relevância, especificando o entendimento crítico da alfabetização, reforçando

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que a alfabetização questiona esforço no ensino de compreensão da palavra escrita, da


linguagem, das relações, do contexto quem fala, ler e escrever entre leitura de mundo e leitura
de palavras.
Para um melhor processo de alfabetização dentro das séries iniciais, é necessário
entendermos e encontrarmos novos caminhos e metodologias, que auxiliem nesse processo
dos alunos.
O referido trabalho foi de grande importância, sendo possível construir conhecimentos
e nortear valores éticos, morais, sociais, religiosos e culturais mostrando o mundo que há nos
contos, trazendo todo encantamento para sala de aula. Com este projeto percebemos que as
crianças estão atentas ao escutar as histórias, se identificando e criando novos significados em
sua vida cotidiana, trazendo de volta ao hábito de ler, colocando todo brilho dos contos em
nossas aulas, onde os alunos têm direito de sonhar e aprender, em um ambiente de fantasia.
Por isso, é de grande valor a leitura de contos, onde construímos novos valores e experiências
com as pessoas, que vivem ao nosso redor.
Ao lerem contos as crianças são estimuladas a oralidade e criatividade, que faz que
desenvolvam o imaginário sobre o mundo da fantasia. A experiência de ouvir contos infantis
permitem as crianças as mais variadas emoções. Os contos ajudam no desenvolvimento da
criança, da forma lúdica elas iniciam o prazer pela leitura, ganhando interesse pelo
conhecimento, que os contos levam as crianças em sala de aula. Com os contos infantis as
crianças vivem em um mundo de sonhos imaginários contribuindo assim para que a criança
adquira conhecimentos e abra um caminho para o mundo da leitura.
Percebemos que ao ouvir histórias a leitura torna-se tão prazeroso que desperta o
interesse das pessoas em todas as idades. Se os adultos adoram ouvir uma boa história, um
“bom causo”, a criança é capaz de se interessar e gostar ainda mais por elas, já que sua
capacidade de imaginar é mais intensa.
Constatamos que as crianças das séries iniciais ao ouvirem as histórias, aprimoram a
capacidade de imaginação, já que estimulam o pensar, o desenhar, o escrever, o criar, o recriar
e compreender a sua própria realidade. Verificamos que através do gênero conto, com sua
linguagem simples os alunos se interessam mais pela leitura, de forma que aprendem mais
facilmente, neste sentido, a criança se interessa em aprender.

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