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UFCD – 9824 Funcionamento do Sistema Financeiro

UFCD – 9824
Funcionamento do
Sistema Financeiro

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Formador – Luís Pereira
UFCD – 9824 Funcionamento do Sistema Financeiro

Objetivos

No final da unidade os formandos deverão ser capazes de:

• Caraterizar o papel dos bancos na intermediação financeira


• Identificar o papel de um banco central
• Identificar as funções dos seguros
• Explicar o funcionamento do sistema Financeiro

Conteúdos

• O papel dos bancos na intermediação financeira


• O papel dos bancos centrais
▪ O papel do Banco Central Europeu e a sua missão de
estabilidade de preços: Taxa de juro e taxa de inflação.
▪ As funções da moeda
▪ Taxa de juro de referência (Euribor)
▪ Moedas estrangeiras e taxa de câmbio
• As funções dos seguros
▪ Indeminização de perdas
▪ Prevenção de riscos
▪ Formação de poupança
▪ Garantia
• Tipos de instituições financeiras autorizadas
• O papel do sistema financeiro no progresso tecnológico e no
financiamento do investimento.

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Moeda e a importância na atividade económica

As sociedades inventaram a moeda para facilitar a atividade


económica. A moeda permite que alguém ceda algo sem que tenha
que receber em troca um produto específico.

A moeda e os sistemas de pagamentos permitem que as pessoas


se desloquem para locais distantes durante longos períodos, do mesmo
modo que permite que as empresas façam negócio com outras
empresas que operam em locais longínquos.

Finalmente a moeda permite também, que o excesso de recursos


(poupança) de determinado agente económico – indivíduos, famílias,
empresas – possa ser canalizado para agentes económicos que deles
necessitem (investimento). Esta operação, por um lado, possibilita a
quem aplica os recursos ter um rendimento futuro e, por outro lado,
incrementa o investimento e o empreendedorismo.

Em Suma,

A Moeda desempenha em simultâneo várias funções:

- Meio de pagamento ou instrumento geral de trocas, pois sendo aceite


por todos, é utilizada na aquisição de todos os bens;

- Unidade de conta ou medida de valor, visto ser através da moeda que


se mede o valor dos bens entre si, isto é, o seu preço.

- Reserva de valor, que se traduz na possibilidade de se conservar a


moeda por algum tempo, utilizando-a mais tarde.

Todos os países têm a sua moeda como releva a próxima figura por esse
motivo existe o câmbio.

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O câmbio é a operação de troca de uma moeda por outra (por


exemplo, troca de dólares por euros).

A taxa de câmbio é o preço a que essa troca é feita, ou seja, o valor de


uma moeda em unidades monetárias de outra moeda.

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O que é o Sistema Financeiro?

O sistema financeiro compreende o conjunto de instituições


financeiras que asseguram, essencialmente, a canalização da
poupança para o investimento nos mercados financeiros através da
compra e venda de produtos financeiros.

Estas instituições asseguram um papel de intermediação entre os


agentes económicos que, num dado momento, se podem assumir como
aforradores e, noutros momentos, como investidores.

Sistema Financeiro Português

Se a supervisão tem o intuito de garantir a estabilidade e a solidez


do sistema financeiro e a eficiência do seu funcionamento, a regulação
pretende prevenir o risco sistémico, ou seja, a possibilidade de ocorrência
de um evento não antecipado ou repentino que possa afetar o sistema
financeiro como um todo.

O fato de existir um conjunto de normas e regulamentos implica o


controlo da sua observância pelas instituições financeiras a elas sujeitas
e, desta forma, garantir a confiança no sistema financeiro.

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O sistema financeiro Português assenta num modelo de Supervisão
Institucional com uma clara distinção entre os três segmentos de
mercado existentes – o bancário, o financeiro, e o segurador.

O atual modelo de supervisão do Sistema Financeiro Português está


dividido da seguinte forma:

O Modelo de Supervisão Português

Autoridade Comissão do Banco de Autoridade de


de Mercado de Portugal Supervisão de
supervisão Valores Seguros e
Mobiliários Fundos de
Pensões
Âmbito de Mercados de Instituições Atividade
supervisão valores de crédito e seguradora e
mobiliários e Sociedades resseguradora
instrumentos financeiras
financeiros
derivados de
atividade dos
agentes que
neles atuam
Segmento Financeiro Bancário Segurador
de
mercado
Supervisão Supervisão Supervisão
Horizontal Vertical Vertical

Tipos de instituições financeiras

As instituições financeiras exercem atividades específicas distintas


que, para além de as caraterizar, permitem classificá-las com base no
papel que desempenham. O Regime Geral das Instituições de Crédito e
Sociedades Financeiras (RGICSF) divide as entidades financeiras em dois
grupos principais:

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▪ Instituições de crédito
▪ Sociedades Financeiras

Instituições de Crédito

O RGICSF classifica como Instituições de Crédito (IC):

▪ As empresas cuja atividade consiste em receber do público


depósitos ou outros fundos reembolsáveis, a fim de os aplicarem
por conta própria mediante a concessão de crédito.
▪ As empresas que tenham por objeto a emissão de meios de
pagamento sob a forma de moeda eletrónica.

Instituições de Crédito
Bancos Instituições Financeiras de Crédito
Caixas de Crédito Agrícola Instituições de Crédito Hipotecário
Mútuo
Caixa Central de Crédito Sociedades de Investimento
Agrícola Mútuo
Caixas Económicas Sociedades de Locação Financeira
Instituições monetárias Sociedades de Factoring
(criam Moeda)
Sociedades Financeiras para
Aquisições a Crédito
Sociedades de Garantia Mútua
Instituições de Moeda Electrónica

De entre as instituições de Crédito, destacam-se os Bancos e as


caixas cuja atividade inclui a receção de depósitos ou outros fundos
reembolsáveis.

Sociedades Financeiras

O RGICSF classifica como Sociedades Financeiras (SF) as empresas


que não sejam instituições de crédito e cuja atividade principal consista
em exercer uma ou mais das seguintes atividades:

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▪ Operações de crédito, incluindo concessão de garantias e outros
compromissos;
▪ Emissão e gestão de outros meios de pagamento;
▪ Transações, por conta própria ou da clientela sobre instrumentos
do mercado cambial e monetário, instrumentos financeiros a
prazo, opções e operações sobre divisas, taxas de juro,
mercadorias e valores mobiliários;
▪ Participações em emissões e colocações de valores mobiliários e
prestação de serviços correlativos;
▪ Atuação nos mercados interbancários
▪ Consultoria, guarda, administração e gestão de carteiras de
valores mobiliários;
▪ Gestão e consultoria em gestão de outros patrimónios.

São sociedades Financeiras, entre outras:

▪ As sociedades financeiras de corretagem


▪ As sociedades corretoras
▪ As sociedades mediadoras dos mercados monetário ou de
câmbios
▪ As sociedades gestoras de fundos de investimento
▪ As sociedades gestoras de patrimónios
▪ As sociedades de desenvolvimento regional
▪ As agências de câmbios
▪ As sociedades gestoras de fundos de titularização de créditos.

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Instituições Financeiras – Desagregação sectorial

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BANCOS

No sistema financeiro os Bancos, desempenham um papel crucial


em tudo o que diga respeito à utilização da moeda pela economia.

Os Bancos asseguram o funcionamento dos sistemas de


pagamentos o que permite que os mercados locais desenvolvam a sua
atividade e que os particulares e as empresas se desloquem e atuem
respetivamente em locais diferentes. A inexistência de um sistema
bancário bem estruturado não permitiria a circulação da moeda, sendo
também mais difícil a criação de mercados de bens e serviços, bem
como a circulação de pessoas e bens.

Os Bancos são também fundamentais na intermediação


financeira, isto é, recolhem a poupança de quem possui recursos
excedentários e disponibilizam esses recursos a quem deles necessita.
Sem esta operação, a capacidade de investir dos particulares e das
empresas ficaria muito limitada.

O Banco Central Nacional (BCN)

Um Banco Central é uma entidade independente ou ligada ao


Estado cuja função é gerir a política económica, ou seja, garantir a
estabilidade e o poder de compra da moeda de cada país e do sistema
financeiro como um todo. Além disso tem como objetivo definir as
políticas monetárias (taxas de juro e cambio, entre outras) e aquelas que
regulamentam o sistema financeiro local. O banco faz isso interferindo
mais ou menos no mercado financeiro, vendendo papéis de tesouro,
regulando juros e avaliando os riscos económicos para o país.

Os papéis tradicionais de um banco central são:

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▪ O banco do governo, é ele que guarda as reservas internacionais,
o ouro e a moeda estrangeira do governo;
▪ Autoridade emissora de moeda: é o banco central quem, com
exclusividade, emite ou autoriza a emissão de papel moeda do
país;
▪ Executa a política monetária e cambial. É o banco central quem
insere ou retira moeda do mercado, regula as taxas de juro e
regula a quantidade de moeda em circulação.
▪ É o banco dos bancos: provê empréstimos exclusivos aos membros
do sistema financeiro a fim de regular a liquidez ou mesmo evitar
falências que poderiam causar uma reação em cadeia de
falências bancárias.

Banco de Portugal

O Banco de Portugal é o banco central da República Portuguesa.


O Banco é uma pessoa coletiva de direito público, com autonomia
administrativa e financeira e património próprio.
São órgãos do Banco o Governador, o Conselho de Administração, o
Conselho de Auditoria e o Conselho Consultivo.
O Banco faz parte do Eurosistema e do Sistema Europeu de Bancos
Centrais, do Mecanismo Único de Supervisão e do Mecanismo Único de
Resolução.
O Banco tem duas missões essenciais: a manutenção da estabilidade dos
preços e a promoção da estabilidade do sistema financeiro.
O Banco de Portugal desempenha várias funções relacionadas com

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O Banco Central Europeu (BCE)

• Presidente: Christine Lagarde


• Membros: o Presidente e o Vice-Presidente do BCE bem como os
governadores dos bancos centrais de todos os países da UE
• Criado em 1998 (Através da criação da União económica e
monetária)
• Sede: Frankfurt (Alemanha)
• Funções: Gerir o euro, manter a estabilidade dos preços e conduzir
a política económica e monetária da UE

O Banco Central Europeu (BCE) gere o euro e define e executa


a política económica e monetária da UE, tendo por principal
objetivo manter a estabilidade dos preços e apoiar o crescimento
económico e a criação de emprego.

O que faz o BCE?

• Fixa as taxas de juro dos empréstimos que concede aos bancos


comerciais na zona euro, controlando, desta forma, a oferta monetária
e a inflação
• Gere as reservas de divisas da zona euro, assim como a compra e venda
de divisas para equilibrar as taxas de câmbio
• Garante uma supervisão adequada dos mercados e instituições
financeiras pelas autoridades nacionais e o bom funcionamento dos
sistemas de pagamento
• Preserva a segurança e a solidez do sistema bancário europeu
• Autoriza a produção de notas de euro pelos países da zona euro

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• Acompanha a evolução dos preços e avalia os riscos para
a estabilidade dos preços.

Composição

O Presidente do BCE representa o banco nas reuniões europeias e


internacionais de alto nível. O BCE tem três instâncias de decisão:

• O Conselho do BCE, que é a principal instância de decisão.


É composto pelos seis membros da Comissão Executiva e pelos
governadores dos bancos centrais dos países da zona euro.
• A Comissão Executiva, que trata da gestão quotidiana do BCE.
É constituída pelo Presidente, o Vice-Presidente e quatro vogais que são
nomeados por um período de oito anos pelos dirigentes dos países da
zona euro.
• O Conselho Geral, que desempenha essencialmente funções
de consulta e coordenação. É constituído pelo Presidente e pelo Vice-
Presidente do BCE e pelos governadores dos bancos centrais de todos os
países da UE.

Como funciona o BCE?

O BCE trabalha com os bancos centrais de todos os países da UE.


Juntos, constituem o Sistema Europeu de Bancos Centrais.

O BCE dirige a cooperação entre os bancos centrais na zona euro,


constituindo o Eurosistema.

O que fazem as instâncias de decisão

• O Conselho do BCE acompanha a evolução da política económica e


monetária, define a política monetária da zona euro e fixa as taxas de
juro a que os bancos comerciais podem contrair empréstimos junto do
Banco Central.

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• A Comissão Executiva executa a política monetária, gere as operações
correntes, prepara as reuniões do Conselho do BCE e exerce os poderes
que lhe são delegados pelo Conselho do BCE.

• O Conselho Geral participa nos trabalhos de consulta e coordenação e


ajuda a preparar a adesão de novos países à zona euro.

O que é a taxa Euribor?

A Euribor ou taxa Euribor refere-se a um conjunto de taxas que se


baseiam na média das taxas de juros praticados em empréstimos
interbancários em euros. Durante este processo, as cotações que caem
nos 15% mais altos e mais baixos são removidas para manter a média mais
precisa possível. Por outras palavras, a taxa Euribor reflete o preço a que
os bancos dispõem o dinheiro no mercado e que serve de referência à
maior parte dos empréstimos à habitação. É, portanto, o preço que o
consumidor terá de pagar pelo adiantamento do crédito.

O que é inflação?

A inflação é um aumento continuado e generalizado no valor dos


preços dos bens e serviços. Do verbo “inflar” se consegue perceber já o
significado de inflação, no seu sentido geral, de inchar e aumentar.

O que é Taxa de Inflação?

A taxa de inflação demonstra a subida generalizada dos preços


dos bens e serviços causada pelo aumento de moeda circulante. Ela
mede a variação dos preços ao consumidor sentida entre diferentes
períodos temporais. Quando se chega a uma inflação de zero, diz-se que
se atingiu uma estabilidade de preços.

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Mercado de capitais

Definição de mercado de capitais

Um mercado de capitais, é um sistema de distribuição de valores


mobiliários que proporciona liquidez aos títulos de emissão de empresas
e viabiliza o processo de capitalização. É constituído pelas bolsas de
valores, sociedades corretoras e outras instituições financeiras
autorizadas.
No mercado de capitais, os principais títulos negociados, são os
representativos do capital de empresas, (as ações)
Identificar as funções do mercado de capitais.

As principais funções económicas desempenhadas pelos mercados de


capitais são:

– Financiamento da economia – Os mercados financeiros participam


ativamente no financiamento das empresas canalizando uma parte das
poupanças dos aforradores para aplicações que contribuem para o
financiamento da Economia; desempenham igualmente um importante
papel no equilíbrio do défice público através do fornecimento ao Estado
de meios financeiros para concretização de projetos de investimento.

– Maximização dos fluxos financeiros – está em causa a prevenção do


risco de imobilização das poupanças dos aforradores o que pode
acontecer quando os recursos aplicados não beneficiem da garantia de
adequada liquidez, a qual é conferida pelo ajustamento imediato entre
a oferta e a procura, designadamente, através dos mercados bolsistas.
A maximização dos fluxos financeiros é tanto maior quanto maior for a
liquidez associada ao funcionamento dos mercados.

– Quantificação do Valor dos Ativos – O mercado financeiro permite a


determinação dos ativos de uma forma transparente e eficiente. Com
efeito, a confrontação global da oferta e procura de fundos, permite,
para o mesmo horizonte temporal e mesmo perfil de risco, obter a melhor
taxa de retorno para o aforrador e o melhor custo de angariação de
capital por parte do investidor. Nos mercados de bolsa, esta função é
imediata, já que a cotação é determinada pelo encontro da oferta e da
procura.

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O mercado de capitais faz parte do mercado financeiro, que também
compreende, segundo uma classificação da CMVM (Comissão do
Mercado de Valores Mobiliários).

O que é a CMVM?

A CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários foi


constituída em Maio de 1991 (decreto Decreto-Lei n.º 142-A/91, de 10 de
Abril) e tem como missão supervisionar e regular os mercados de
instrumentos financeiros, assim como os agentes que neles atuam,
promovendo a proteção dos investidores.

O Mercado de Capitais na oferta de produtos de investimento.

Ações - são as parcelas que compõem o Capital Social de uma empresa,


ou seja, são as unidades de títulos emitidas por Sociedades Anônimas,
que representam a menor fração do capital da empresa emissora. O
investidor de ações é um coproprietário da sociedade anônima da qual
é acionista, participando dos seus resultados.

Fundo Imobiliário - é um património autónomo que resulta da agregação


e aplicação de poupanças de entidades individuais e colectivas em
valores mobiliários ou equiparados. Um Fundo de Investimento Imobiliário
é aquele que faz as suas aplicações fundamentalmente em bens imóveis.

Obrigação - é um título de crédito, que confere ao seu titular o direito de


receber periodicamente juros, e numa determinada data, o reembolso
do capital mutuado. Tem como elemento principal a taxa de juro, o valor
nominal, o preço de emissão, o valor do reembolso e o método de
amortização. Portanto, as obrigações são títulos que representam capital
em dívida. Por definição, as obrigações são valores mobiliários
representativos da dívida de uma empresa, de uma instituição ou do
Estado. Assim, quando alguém investe em obrigações (tornando-se um
obrigacionista), está na realidade a conceder um empréstimo a uma
entidade e torna-se dela credor. No final do prazo (maturidade) do
empréstimo concedido, o obrigacionista tem direito ao reembolso do
capital investido, acrescido de prémios ou juros fixados na data de
emissão dos títulos.

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O Mercado de capitais enquanto alternativa ao financiamento


bancário
O mercado de capitais oferece uma oportunidade de
financiamento às empresas, que pode ser uma alternativa ao tradicional
recurso ao financiamento bancário de curto, médio e de longo prazo, o
factoring, as contas correntes caucionadas, as letras, as livranças ou o
leasing.
Inserem-se nessa categoria a emissão de ações, de obrigações e de
produtos híbridos – nomeadamente ações preferenciais, obrigações com
warrants e obrigações convertíveis – que contêm uma parte de capital
próprio e outra de dívida.
Não é só no domínio dos instrumentos financeiros que o mercado de
capitais oferece alternativas de financiamento. As sociedades de capital
de risco exercem neste domínio um papel determinante ao promoverem
com a sua entrada de capital, o desenvolvimento de projetos
inovadores, de rápido crescimento e com elevada capacidade de
criação de riqueza.

Tipos de serviços financeiros

A banca como a bolsa de valores as seguradoras e outras


elementos do sistema bancário permitem diversos tipos de serviço
bancários, hoje em dia maior parte deles está à distancia de um “click”
ou de uma passagem de dedo pelo smartphone. Onde se pode comprar
e vender ações, transferência de dinheiro, pagamentos de serviços,
consulta de movimentos entre outros.

Noções de gestão de carteira

O que é a gestão da carteira?

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A gestão da carteira é a organização dos ativos financeiros de um
investidor para reduzir o risco e maximizar o rendimento. Isso implica tomar
decisões calculadas sobre investimentos e utilizar estratégias de
negociação.

Há cinco aspetos principais a ter em consideração para gerir a sua


carteira de forma eficaz:

Tolerância face ao risco – tradicionalmente, quanto maior o risco maior o


rendimento. Se assumir grandes riscos, pode obter ou grandes
rendimentos ou grandes perdas, mas se evitar o risco
completamente é pouco provável que obtenha qualquer um dos
dois. A sua carteira ideal deve encontrar um equilíbrio de risco
cuidadoso dependendo da sua tolerância ao risco.

Medida do desempenho – estabelecer uma referência e medir a forma


como os seus investimentos se comportam permite-lhe manter um
registo de quaisquer erros e determinar o rácio de risco-rendimento.
Se recorrer a um gestor de carteiras, lembre-se de ter em
consideração o estilo de investimento desse gestor na gestão de
desempenho da sua carteira.

Alocação de ativos – os ativos movimentam-se de formas diferentes e


têm diferentes níveis de estabilidade. Escolher uma mistura de
ativos pode ajudar a reduzir o risco e a maximizar o rendimento ao
ponderar adequadamente volatilidade e investimento.
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Diversificação – a volatilidade dos mercados e o risco envolvido no


investimento podem ser mitigados pelo investimento em vários
títulos, mercados e setores económicos diferentes. Isso significa que
se houver uma quebra de bolsa, não perderá todo o seu dinheiro.

Reajustamento – os valores de mercado dos títulos mudam ao longo do


tempo, afetando assim o rendimento dos seus investimentos bem
como o seu peso na sua carteira. Reajustamentos regulares da sua
carteira garantem-lhe a manutenção de um bom equilíbrio entre
risco e rendimento, devolvendo a ponderação dos ativos para o
seu nível inicial.

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Seguros e as suas funções

O seguro é conhecido a todo contrato estabelecido entre duas partes e


que tem como objetivo assegurar determinado bem ou produto, como
até a vida da pessoa.

O seguro estabelece que a parte que tem o papel de fornecer o seguro


deverá cumprir o acordo concedendo um determinado tipo de serviço
de seguro, enquanto que a parte que seja assegurada deverá pagar
pelo mesmo, um valor que será estabelecido entre ambas as partes de
acordo com seus interesses e possibilidades.

a atualidade, as companhias de seguro são caracterizadas por oferecer


uma importante variedade de opções que tem como objetivo cobrir
diversas necessidades daqueles que a contratam. Neste sentido, embora
os seguros mais comuns sejam os aplicados sobre as propriedades ou
bens materiais (tais como seguros de casa, contra roubos, incêndios ou
destruição; seguros de carro, joias, obras de arte, outros tipos de veículos,
etc.), também podemos encontrar seguros alternativos como os de vida
(em que se paga aos herdeiros de uma pessoa uma determinada
quantia de dinheiro quando ela morre) ou os seguros sobre determinadas
partes do corpo, se eles são especialmente importantes para certos
trabalhos.

O contrato de todo seguro envolve certo tipo de risco para o segurado


porque ele deve pagar mensalmente uma determinada quantidade de
dinheiro e isto pode durar muito tempo sem realmente necessitar para
cobrir todas as despesas. Os seguros se tornam assim, algo necessário e
útil, mas são realmente um considerável gasto que não dá frutos nem se
recupera diretamente.

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Logicamente, as companhias de seguro oferecem inúmeras formas de


pagamento, possibilidades de financiamento, quotas estendidas, etc.
Todas estas operações têm como finalidade permitir que o maior número
de indivíduos ingresse e contrate o serviço de seguros que as companhias
oferecem. Em alguns casos, há certas limitações monetárias, de idade ou
de situação econômica dependendo do tipo de seguro e de quem
queira contratar.

PRÉMIO - O prémio bruto acrescido das cargas fiscais e parafiscais, e que


corresponde ao preço pago pelo tomador de seguro à empresa de
seguros pela contratação do seguro.

Indeminização de perdas

A indeminização é uma compensação por danos recebidos. Utiliza-se


esse termo principalmente no campo do direito e através dele podemos
nos referir à transação realizada entre um credor e um devedor ou entre
uma vítima e um agressor, ou seja, é a compensação que um indivíduo
pode exigir e, eventualmente, receber como resultado de ter sofrido um
dano ou por qualquer dívida que se tenha com outra pessoa ou
entidade. A vítima pedira uma determinada quantia de dinheiro, a qual,
de alguma forma devera ser equivalente ao dano recebido ou aos
ganhos / lucros que ele receberia caso não se tivesse produzido o dano
ao qual ele tornou-se vítima. Em casos assim geralmente se fala de
indenização por perdas e danos.

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Existem dois tipos de indenizações, que diferem quanto ao tipo de dano
produzido. Por um lado, a indenização contratual, que será solicitada
pelo credor, quando houver um descumprimento das normas estipuladas
por um contrato devidamente assinado por credor e devedor.

Por outro lado há a indenização extracontratual, a qual ocorrerá quando


houver dano ou prejuízo a outra pessoa ou um bem de propriedade do
credor e não houve mediação de um contrato.

A indenização não só poderá ser exigida quando há um dano


direto por parte do devedor ou um agressor, mas que também pode ser
aplicada quando se tem um contrato com uma companhia de seguros.
Ou seja, é comum que as pessoas assegurem alguns de seus bens
pessoais de mais valiosos, tais como casas e carros, contra situações
imponderáveis como roubos, batidas ou até mesmo incêndios através do
pagando uma taxa mensal para uma companhia de seguros, o cliente
terá seus bens pessoais protegidos ante a sucessão de quaisquer das
contingências mencionadas, então, se qualquer um desses incidentes
ocorrerem pode-se solicitar uma indenização da empresa contratada, o
que irá compensar os prejuízos sofridos, de acordo com as condições do
contrato assinado.

Existem também muitas leis trabalhistas para quando um


funcionário é demitido sem nenhuma boa razão, e isto pode exigir o
pagamento da uma indenização, que será estreitamente vinculado ao
número de anos, meses ou dias trabalhados.

Além disso, o termo indenização é utilizado para designar aquilo


com o qual se compensa um dano.

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Definição de Perdas no âmbito das seguradoras

PERDA TOTAL - Situação em que o bem seguro sofre danos cujo custo de
reparação após o sinistro, acrescido do valor do salvado, ultrapassa o
valor venal antes do sinistro.

PERDA TOTAL CONSTRUTIVA - Para fins de Seguro de Cascos de


Embarcações dá-se a Perda Total Construtiva quando o custo da
preservação, recuperação, reparação e/ou reconstituição do objeto
seguro for igual ou superior a 75% do seu valor, permitindo o seu
abandono à empresa de seguros.

PERDA TOTAL ESTRUTURAL - Para fins de seguro dá-se a Perda Total


Estrutural do navio, quando ele alcança com muita dificuldade, depois
de uma tempestade, um porto ou um refúgio, em estado tão lastimável
que o preço do conserto seria mais elevado do que o valor do navio
depois de reparado; em resumo, a Perda Total Estrutural é uma perda
sem conserto possível.

Prevenção de Riscos

O risco no contrato de seguro significa algum acontecimento que traz


prejuízo ao segurado. A existência do seguro é diretamente ligada à
possibilidade de riscos: risco de ser assaltado, risco de acidentes, risco de
ir à falência, entre muitos outros.

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Quando o risco acontece, chama-se sinistro. No contrato do seguro
contratado constam todos os danos que são cobertos pelo acordo
segurado. Antes de fechar o seguro com o corretor é possível escolher
quais riscos você deseja obter no seu plano e conseguir a cobertura se
houver sinistros.

PREVENÇÃO para os seguros - Conjunto de medidas adequadas que


possam diminuir o número ou a gravidade dos sinistros.

Prevenção de risco Profissional

Define-se risco profissional como a possibilidadeade de um trabalhador


sofrer um dano provocado pelo trabalho que efetua. A segurança no
trabalho só é garantida quando se conhecem todos os riscos e se
protegem adequadamente todos os trabalhadores contra eles até que
sejam eliminados.

Todos os tipos de trabalho, como sejam os trabalhos laboratoriais,


trabalhos elétricos, com máquinas, trabalhos pontuais de construção civil
ou outros, apresentam riscos para a saúde dos trabalhadores, pelo que a
prevenção dos mesmos resulta de uma análise sistemática de todos os
aspetos da atividade desenvolvida.

A minimização e potencial eliminação de riscos profissionais é


conseguida através da adoção de medidas técnicas de prevenção:

• Substituição das substâncias perigosas por outras menos perigosas,


sempre que possível.

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• Arejamento dos locais de trabalho.
• Exaustão localizada.
• Isolamento parcial ou total de processos perigosos, sempre que
possível.
• Armazenagem e correta rotulação de embalagens.
• Informação e formação ao trabalhador.
• Utilização de equipamentos de proteção coletiva (EPC) e
equipamentos de proteção individual (EPI). Mais informações
• Vigilância do estado de saúde.

Formação de Poupança

O Investimento são os recursos necessários para uma


aplicação provêm da parcela não consumida do dinheiro, à qual
se dá o nome de poupança. Qualquer pessoa que tenha uma
poupança (por menor que seja seu valor) ou uma disponibilidade
financeira pode efetuar um investimento, esperando obter:

▪ segurança;
▪ rentabilidade;
▪ valorização
▪ proteção
▪ desenvolvimento econômico;
▪ liquidez.

Os seguros têm várias opções de maximizar as poupanças, uma das mais


conhecidas é o PPR (Plano Poupança Reforma)

O que é um PPR?

Um PPR é uma aplicação financeira de longo prazo que permite juntar


dinheiro até à idade da reforma, gerando um retorno adicional
consoante a respetiva taxa de juro anual.

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Neste tipo de aplicação, o aforrador entrega um dado montante a uma
sociedade gestora de fundos de pensões ou a uma companhia de
seguros que, por sua vez, irão investir esse dinheiro para que gere retorno.

Garantia

GARANTIA - Âmbito do compromisso, pela empresa de seguros, na


cobertura de um risco.

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O papel do Sistema financeiro no progresso


tecnológico e no financiamento do investimento

Devido ao progresso tecnológico nos diversos sectores da


atividade económica, parece evidente que ao nível do sector financeiro,
a introdução das novas Tecnologias de Informação e Comunicação
veio transformar radicalmente os procedimentos, as tarefas
desenvolvidas e o próprio funcionamento do sistema. Se por um lado,
é certo que essa introdução permitiu que ficassem acautelados os
interesses de um vasto leque de intervenientes (stakeholders), por outro
lado, verificam-se alguns paradigmas que revelam que nem tudo se
desenrola sem atritos.

Cada vez mais o Cliente é um cliente digital e o sistema financeiro


mundial cada vez mais tem vindo a adaptar-se a essa realidade.
Com o aparecimento de novas formas de pagamento, como por
exemplo o Paypal e MBway, novas moedas (cripto moeda) também
surgiram novas questões segurança. As transações eletrónicas de dados
têm trazido inúmeros problemas de segurança ao sistema financeiro
sendo este um dos desafios deste século, a segurança do “novo sistema
financeiro”.

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Formador – Luís Pereira
UFCD – 9824 Funcionamento do Sistema Financeiro

Índice
Objetivos........................................................................................................................... 2

Conteúdos ......................................................................................................................... 2

Moeda e a importância na atividade económica ............................................................... 3

O que é o Sistema Financeiro? ......................................................................................... 5

Sistema Financeiro Português ....................................................................................... 5

Tipos de instituições financeiras....................................................................................... 6

Instituições de Crédito ................................................................................................... 7

Sociedades Financeiras ................................................................................................. 7

BANCOS ........................................................................................................................ 10

O Banco Central Nacional (BCN) .................................................................................. 10

Banco de Portugal ....................................................................................................... 11

O Banco Central Europeu (BCE) ................................................................................... 12

O que faz o BCE? .................................................................................................... 12

Como funciona o BCE? ........................................................................................... 13

Mercado de capitais ........................................................................................................ 15

O Mercado de Capitais na oferta de produtos de investimento................................... 16

O Mercado de capitais enquanto alternativa ao financiamento bancário .................... 17

Noções de gestão de carteira ....................................................................................... 17

Seguros e as suas funções ............................................................................................... 20

Indeminização de perdas ............................................................................................. 21

Prevenção de Riscos .................................................................................................... 23

Formação de Poupança................................................................................................ 25

Garantia ....................................................................................................................... 26

O papel do Sistema financeiro no progresso tecnológico e no financiamento do


investimento ................................................................................................................... 27

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UFCD – 9824 Funcionamento do Sistema Financeiro

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