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Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré

MONTE SÃO BARTOLOMEU


(ou de SÃO BRÁS)

RECLASSIFICAÇÃO E GESTÃO

Contributo durante Consulta Pública

De 15 de Novembro a 20 de Dezembro de 2010

Versão final

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São Bartolomeu1 São Brás2

1
Apóstolo – Na imagem, São Bartolomeu está a combater o diabo
2
Bispo
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ÍNDICE

ABREVIATURAS .............................................................................................................................. 6
0. PATRIMÓNIO E CIDADANIA ................................................................................................... 7
1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 9
2. ENQUADRAMENTO LEGAL .................................................................................................. 10
3. RECLASSIFICAÇÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU ............................................................ 11
3.1. Processo de reclassificação existente ......................................................................... 11
3.2. Projecto de Decreto Regulamentar............................................................................. 12
3.3. Carta do Monumento Natural ..................................................................................... 13
4. GESTÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU 1979 - 2010 ........................................................ 14
4.1. Cronologia de eventos e das principais agressões ...................................................... 14
4.2. Propostas para resolução dos “passivos” ................................................................... 32
a) Mata Nacional do Valado: parcela B do talhão nº 71 com 16,32 hectares ................ 33
b) Linha de média tensão de 30 kV (LMT 30 kV) ............................................................. 36
c) Tráfego rodoviário ....................................................................................................... 36
d) Sinalética ..................................................................................................................... 37
e) Flora do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) ...................................................... 37
f) Gestão corrente do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás).................................... 37
4.3. Resolução de “passivos” - Síntese ............................................................................... 38
5. RECLASSIFICAÇÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU ............................................................ 43
5.1. Documentos complementares .................................................................................... 43
5.2. Decreto Regulamentar ................................................................................................ 43
5.3. Zona de protecção....................................................................................................... 44
5.4. Zona tampão – Parque Natural Regional .................................................................... 46

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6. GESTÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU APÓS 2010 ......................................................... 48


6.1. Introdução ................................................................................................................... 48
6.2. As Festas de São Brás .................................................................................................. 51
6.3. Plano Estratégico de Valorização do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) .... 52
6.4. Plano Acção de Valorização do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás)............. 55
6.5. Linhas de financiamento ............................................................................................. 56
7. MACRO ORGANIZAÇÃO ASSOCIADA À GESTÃO .................................................................. 58
7.1. Gestão global a partir de 2011 .................................................................................... 59
7.2. Macro organização ...................................................................................................... 60
7.3. Níveis de intervenção .................................................................................................. 62
7.4. Colaboração do Movimento de Cidadania .................................................................. 63
8. CONSULTA PÚBLICA ............................................................................................................ 65
LISTAGEM DE ANEXOS................................................................................................................. 71
LISTAGEM DE FIGURAS................................................................................................................ 72

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ABREVIATURAS

AEN – Agrupamento de Escolas da Nazaré

AMN – Assembleia Municipal da Nazaré

AMN – Associação dos Municípios do Oeste

AFN - Autoridade Florestal Nacional

CCDRLVT – Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo

CMN – Câmara Municipal da Nazaré

CNSN – Confraria da Nossa Senhora da Nazaré

DGAC - Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral Lisboa e Oeste

DGOTDU – Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional

DGAC - Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral Lisboa e Oeste.

DRFLVT – Direcção Regional das Florestas Lisboa e Vale do Tejo

EDP – Energias de Portugal, S. A.

EP - Estradas de Portugal, S. A.

EDFR – Externato Dom Fuas Roupinho

EPN – Escola Profissional da Nazaré

GNR – Guarda Nacional Republicana

ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I. P.

IGP – Instituto Geográfico Português

PNSAP – Paróquia de Nossa Senhora das Areias da Pederneira

PDM – Plano Director Municipal da Nazaré

REN – Reserva Ecológica Nacional

RSU – Resíduos sólidos urbanos

SEA – Secretaria de Estado do Ambiente

SEFDR – Secretaria de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural

TO – Turismo do Oeste

VALORSUL – Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de Lisboa e do Oeste, S. A.

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0. PATRIMÓNIO E CIDADANIA

Consideramos que em Portugal ainda está muito por fazer quanto à preservação e à
valorização do Património Cultural quer seja Construído quer seja Natural, numa
perspectiva de o considerar como “recurso” por explorar em pleno e que tem um grande
significado no nosso país.

O país que não é rico nomeadamente em recursos no subsolo, na indústria de alto valor
acrescentado e nos serviços de elevada repercussão na balança de pagamentos, tem a
possibilidade de promover o “up-grade” do turismo.

Deveremos, em nosso entender, reorientar a nossa postura perante o Património Cultural


considerando-o como um dos importantes pilares para o Desenvolvimento sustentável,
cumprindo exigências culturais, sociais e económicas.

O turismo de sol e praia pode e deve evoluir para um “Turismo cultural” – é bem patente
que existe uma correlação entre países com significativo Património Mundial e principais
destinos turísticos.

Pelo exposto, consideramos que urge uma clara opção estratégica nacional com uma
orientação estruturada e desenhada “up–down”.

Recentemente verificaram-se alterações de conceitos e de critérios na classificação de


Património pela UNESCO: passámos a ter bens classificados como “Património misto” –
património simultaneamente Natural e Construído.

Em nosso entender, o Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) poderá ser classificado, a
nível interno, como Património misto quando a legislação o permitir tendo em conta que
nele convergem as duas grandes valências Natural e Construído muito suportada pela
História e a Lenda do milagre de N.ª Sra. da Nazaré.

Por outro lado, a intervenção dos cidadãos em articulação com a Administração Pública
está cada vez mais presente nos nossos dias, nos Estados Unidos da América e na Europa.
Em Portugal já temos um exemplo interessante.

“O tema da co-produção tem vindo a afirmar-se no discurso em torno da


modernização do sector público, merecendo, há já alguns anos, a
atenção não só de académicos mas também de instituições como a
OCDE e o Banco Mundial assim como de ONGs e alguns governos.”

Fátima Fonseca3

3
Directora Municipal de Serviços Centrais da Câmara Municipal de Lisboa co autora dos livros
“Administração pública: modernização, qualidade e inovação” e “Governação, Inovação e Tecnologias: o
Estado-Rede e a administração pública do futuro”.
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“Se queres ir depressa vai sozinho,


mas se queres chegar longe procura companhia4”

No caso concreto do Monte de São Barttolomeu (ou de São Brás), do ICNB – Instituto da
Conservação da Natureza e da Biodiversidade e do Movimento de Cidadania Património e
Desenvolvimento da Nazaré há que ter em conta a correcta articulação que tem havido e o
conhecimento acumulado e a grande motivação que este Movimento demonstra.

O Movimento de cidadania está disponível para uma parceria com o ICNB tendo em conta
que a reclassificação do Monte não é um fim, outrossim o início para uma nova visão e
gestão desta exemplar manifestação da natureza que atraiu o homem há mais de um
milénio5.

A lagoa e vila da Pederneira estão intimamente associadas ao Monte de São Bartolomeu


(ou de São Brás), bem como o milagre de N.ª Sra. Da Nazaré, pelo que temos a obrigação de
transimitir aos nossos descendentes um Património recolocado no seu real valor.

As Festas de São Brás são uma mais valia para o Monte pois contribui para que este
Património seja vivido, temos a obrigação de promover o Monte como Património pelo seu
valor intrínseco e para que a Festa anual de 3 de Fevereiro e o “lixo” não prevaleçam como
as únicas referência do local6 .

4
Tradução livre do título sobre práticas de co-produção de serviços públicos na Europa: MINISTRY OF
BUDGET, PUBLIC FINANCE AND PUBLIC SERVICES: If you want to go fast, walk alone. If you want to go
far, walk together: citizens and the co-production of public services. 2008
5
Ver o Anexo 5.1 Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) – História e Lenda, de Rui Remígio.
6
O Movimento de Cidadania está a promover visitas ao Monte de alunos das Escolas do concelho
tendo-se verificado que poucos jovens não o conheciam, contudo alguns destes tinhgam frequentado as
Festas de São Brás,
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1. INTRODUÇÃO

O Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré vem, no melhor


espírito de colaboração com todas as entidades Nacionais, Regionais e Locais, apresentar
um Relatório com o seu contributo durante a Consulta Pública sobre a Reclassificação do
Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) situado na freguesia da Nazaré, concelho da
Nazaré, que integra o Turismo do Oeste.

A Consulta Pública é promovida pelo ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da


Biodiversidade que decorreu entre 15 de Novembro e 20 de Dezembro de 2010.

O Movimento de Cidadania considera que a classificação de um Património Natural de


âmbito Nacional é um acto de grande importância pelo que deve envolver todas as
entidades Nacionais, Regionais e Locais no mais elevado espírito de Serviço dirigido ao
Cidadão.

O Cidadão deve ser tido em conta e respeitado, pois é o “Cliente dos serviços prestados
pelas entidades públicas”.

Certamente que não pode caber às Entidades Públicas a postura de determinar o que os
cidadãos devem querer – é a estes que cabe o direito de expressarem o que
legitimamente pretendem e as Entidades Públicas devem zelar com o maior empenho
pelo respectivo cumprimento, salvaguardando o interesse nacional e a legislação em
vigor.

Consideramos que a Reclassificação reúne um consenso espontâneo muito alargado entre


os Cidadãos e as Entidades Nacionais, Regionais e Locais salvo casos muito pontuais, que
publicamente se pronunciaram, invocando expressamente interesses imobiliários.

Dever-se-á desenvolver um esforço em reunir um consenso abrangente quanto à Gestão


do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás), pois são notórios os interesses existentes,
posturas culturais diferenciadas, dinâmicas distintas, invocação de prioridades que
carecem ser harmonizadas e ainda a sempre presente invocação de falta de recursos
humanos e financeiros.

Focalizando neste último aspecto, procuremos demonstrar que é muito mais importante
uma postura do querer fazer do que os citados recursos – até porque consideramos ser
possível obter recursos financeiros, como veremos no parágrafo 6.3..

Apresentamos algumas críticas, mas exclusivamente no espírito de projectar para o futuro


uma melhor valorização deste Património Cultural impar que a Natureza se dignou
brindar o Concelho da Nazaré, a Região Oeste e Portugal.

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2. ENQUADRAMENTO LEGAL

O Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) foi constituído como “Sítio Classificado” (de
âmbito Nacional) pelo Decreto-Lei n.º 108/79 de 2 de Maio, portanto há 31 anos, ao
abrigo da legislação então em vigor – Decreto-Lei n.º 613/76 de 27 de Julho.

Está em curso a “Reclassificação” do mesmo bem cultural por força da legislação que
entretanto entrou em vigor, Decreto-Lei n.º 142/2008 de 24 de Julho, tendo em vista a
respectiva reclassificação como MONUMENTO NATURAL de âmbito NACIONAL.

Pelo exposto, pode considerar-se que se trata de uma confirmação da classificação


anterior mantendo o mesmo nível como Património Cultural Natural de âmbito Nacional.

Notamos que o Decreto-lei 108/79 prevê no seu Artigo 2.º:

“As medidas específicas visando a salvaguarda e o estudo dos valores


referenciados, assim como as formas de utilização pública da área
classificada, constarão de regulamento, que deverá ser aprovado por
portaria do Secretário de Estado do Ordenamento Físico, Recursos
Hídricos e Ambiente, no prazo máximo de cento e oitenta dias.”

O regulamento aqui previsto nunca foi publicado.

Por outro lado, o projecto de Decreto Regulamentar, agora em Consulta Pública, prevê no
Artigo 4.º:

1. “O Monumento Natural é gerido pelo ICNB, I.P..”

2. “Os recursos financeiros, materiais e humanos para a gestão do


Monumento Natural são assegurados pelo ICNB, I.P..”

3. “O Município prestará apoio adequado, em moldes a definir com o


ICNB, I.P., mediante celebração de Protocolo para o efeito.”

Sobre este assunto vamo-nos pronunciar no parágrafo 7 – MACRO ORGANIZAÇÃO


ASSOCIADA À GESTÃO.

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3. RECLASSIFICAÇÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU

Desde já manifestamos o nosso pleno acordo, sem qualquer reserva ou


condicionalismos, à reclassificação do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) como
MONUMENTO NATURAL de âmbito NACIONAL.

Mais, consideramos que a designação actual é muito mais elucidativa e dignificante de um


Património Cultural Natural desta relevância.

Congratulamo-nos pelo empenho desenvolvido pelo ICNB Nacional no processo de


reclassificação e pelo apoio ao mesmo recebido da Câmara Municipal da Nazaré. Temos
conhecimento que a edilidade se empenhou para que o nível Nacional fosse mantido, o
que louvamos.

3.1. Processo de reclassificação existente

Consultado o processo de reclassificação no ICNB, constatámos que o mesmo é


constituído por documentos soltos que abaixo se discriminam.

Temos perfeito conhecimento que aquele Instituto sabe da existência de muito mais
documentação bibliográfica sobre o Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás).

a. Facies de grão fino do gabro- sub ofítico do Monte de S. Bartolomeu (Nazaré)


de J. M. Cotelo Neiva – Publicações do MUSEU e LABORATÓRIO
MINERALÓGICO e GEOLÓGICO DA FACULDADE DE CIÊNCIAS DO PORTO,
Número: LVI – 3.ª série - Porto 1949.

Anexo 3.1

b. Geomonumentos – Uma reflexão sobre a caracterização e enquadramento


num projecto nacional de defesa e valorização do Património Natural de A.
M. Galopim de Carvalho – Lisboa 1999.

Anexo 3.2

c. Basalto da Nazaré – Idade K-Ar de Carlos António Regêncio Macedo.

Anexo 3.3
d. First alkaline magmatism during iberia-Newfoundland rifting de Marion
Grange, Urs Schärer, Guy Cornen e Jaques Girardeau – Terra Nova 2008.

Anexo 3.4

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e. Memórias da Real Casa de N. Senhora de Nazareth de José d’ Almeida Salazar


– 18417.

Anexo 3.5

f. Plano Sectorial da Rede Natura 2000, habitats naturais de ICN

Anexo 3.6

g. Lista de avifauna (1 folha)

Anexo 3.7

Verifica-se assim que:

 De todos os documentos só os designados nas alíneas “a.” e “g.” se referem


exclusivamente ao Monte São Bartolomeu, todos os restantes são
abrangentes;

 Nenhum dos documentos foi elaborado propositadamente para o processo


de reclassificação em curso, excepto o documento, elaborado pelo ICNB,
designado por “g.” Lista de avifauna;

 Os documentos atrás mencionados cobrem somente uma das vertentes que


suportam a reclassificação do Monte São Bartolomeu: a Geologia, faltando
cobrir as outras duas vertentes principais: a Flora e a Paisagem;

 Os documentos mencionados nas alíneas “e.” e “g.” referem-se à História e à


Avifauna que não são suportes considerados mais relevantes da
reclassificação;

 Não temos conhecimento que exista qualquer documento ou publicação


elaborado pelo ICN ou ICNB sobre o Monte São Bartolomeu (ou de São
Brás), alvo da mais elevada classificação desde 1979 como Património
Natural de âmbito Nacional;

 Não temos conhecimento que exista qualquer documento elaborado pelo


ICN ou ICNB sobre a Gestão do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás).

3.2. Projecto de Decreto Regulamentar

O Projecto de Decreto Regulamentar, que foi colocado à Consulta Pública, constitui o


anexo seguinte.

Anexo 3.8
Proposta de Decreto Regulamentar

7
O respectivo manuscrito encontra-se na CNSN – Arquivo Histórico
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3.3. Carta do Monumento Natural

A Carta posta à Consulta Pública tem a mesma largura (direcção poente – nascente)
da Carta estabelecida pelo Decreto-Lei 108/79 de 2 de Maio. Também termina a
Norte na estrada EN 8-4 que liga a Nazaré a Valado dos Frades.

A Sul, a Carta agora posta à Consulta Pública, está ligeiramente aumentada


relativamente à Carta definida pelo Decreto – Lei 108/79 de 2 de Maio.

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4. GESTÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU 1979 - 2010

Começamos com uma citação:

“A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás, mas só pode ser vivida olhando-se
para diante.”

Vamos focar as principais agressões que, em nosso entender, o Monte São Bartolomeu
sofreu, seguidas das nossas propostas para as resolver integralmente.

Assim, caso sejam implementadas as nossas recomendações ou outras que permitam


atingir os mesmos desígnios, ficará resolvido um “passivo” que o homem criou, ou por
acções directas ou por omissões, mas sempre por uma falta de posicionamento
empenhado e cultural das entidades nacionais e locais directamente envolvidas.

4.1. Cronologia de eventos e das principais agressões

Apresenta-se a cronologia dos principais acontecimentos, chamando a atenção para


as agressões mais importantes que, no nosso entender, ocorreram desde a
classificação deste Património Cultural Nacional em 1979.

Séc. XVII Construção da Casa do Ermitão

Mais tarde Construção da Capela

O Movimento de Cidadania fez uma pesquisa tendo identificado os seguintes


documentos:

 Concelho da Nazaré, Arrolamento dos bens culturais da Freguesia


da Nazaré de 25 de Abril 1929 onde consta:

“A Capela de São Brás e suas dependências, sita no cume do


Monte de São Bartolomeu”

“Existência”

Um retábulo em madeira
Uma imagem de São Brás
Uma imagem de São Bartolomeu
Uma Imagem de nossa Senhora das Areias”

Anexo 4.1

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 Ministério da Justiça e dos Cultos, Direcção Geral da Justiça e dos


Cultos onde consta:

“ … promover a execução da Portaria 6156 … de 22 do corrente


(Maio de 1929) entregar à corporação encarregada do culto da
freguesia da Pederneira os bens … da Capela de S. Brás e S.
Bartolomeu …”

Anexo 4.2

A Paróquia transmite-nos que está empenhada em formalizar os registos de


propriedade da Casa do Ermitão e da Capela na Conservatória de Registo
Predial.

Antes 19608 Lançamento de linha de transporte de energia eléctrica

É lançada uma linha de média tensão de 30 kV (LMT 30 kV) que


posteriormente viria a atravessar a zona de protecção do Monte de São
Bartolomeu.

2 Mai 1979 O Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) é constituído Património Natural
Nacional

Esta manifestação da natureza é constituída “Sítio Classificado” pelo


Decreto-Lei 108/79 de 2 Maio (portanto há 31 anos) suportado pelas
vertentes: da geologia, da botânica, da avifauna e da paisagem.

A História e a lenda que lhe está associada também são referidas no citado
Decreto-lei.

1ª Agressão

Com esta classificação, automaticamente a linha de transporte de


energia designada por LMT 30 kV, atrás mencionada, passa a constituir
uma agressão.

Esta linha nunca deveria ter sido autorizada se a sua instalação fosse pedida
após a constituição do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) como “Sítio
Classificado”.

8
Esta linha consta de cartas militares
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Fig. 4.1 – Linha de média tensão


Vista de poente (tirada da variante à Nazaré)

Fig. 4.2 - Linha de média tensão


Vista do Monte para poente

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13 Ago 1986 Cedência, a título precário, à Câmara Municipal da Nazaré de uma parcela
de terreno com a área de 16,32 hectares situado na Mata Nacional de Valado
dos Frades correspondente à parcela B do talhão nº 71 para lixeira de RSU –
Resíduos Sólidos Urbanos. Assinam o “Auto de devolução e Cessação
simultânea” 9 : Ministério das Finanças, Direcção Geral das Florestas e
Câmara Municipal da Nazaré.

2ª Agressão

Consideramos que esta cedência foi irregular pois foi feita após a
constituição do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) como “Sítio
Classificado” tendo o corte dos pinheiros ferido gravemente a paisagem
do Monte São Bartolomeu.

Também a instalação de uma lixeira em terrenos arenosos e em plena


Mata Nacional de Valado dos Frades é totalmente inadequada de um
prisma ambiental.

O exposto, em nossa opinião constitui, um grave erro de “Ordenamento


do Território”.

3ª Agressão

Foram abatidos os pinheiros bravos em toda a extensão da parcela B do


talhão 71 quando na primeira fase só era necessária cerca de 1/3 da
área total para a 1ª célula da lixeira (única que viria a estar activa).

Na parte não necessária (2/3) nunca foram replantados novos pinheiros.

(por identificar as datas do abate integral de pinheiros)

4ª Agressão

A lixeira ocasionou a infiltração de lixiviados em terrenos dunares


arenosos e a libertação de biogás.

5ª Agressão

Foi construída a estrada de acesso à lixeira, parcialmente dentro da


zona de protecção deste Património Natural Nacional.

6ª Agressão

O tráfego rodoviário associado ao transporte de RSU para a lixeira


ocasionou poluição atmosférica, a qual fez despontar plantas invasoras
agressivas para a flora nativa do Monte São Bartolomeu.

Anexo 4.3

Parecer da Prof. Doutora Fátima Sales

9
Possuímos cópia deste Auto
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Fig. 4.3 - Parcela B do talhão 71 cedida em 1986 para lixeira


Vista tirada do cume do Monte São Bartolomeu

1995-2000 Montagem da Torre de vigilância

Para instalação da Torre de vigilância foi aberto um caminho na encosta do


Monte de São Bartolomeu.

7ª Agressão

Este caminho foi aberto à revelia da zona de protecção consagrada no


Decreto-lei 108/79 de 2 de Maio e “arrasou” uma extensa área da flora
autóctone.

Fig. 4.4 - Acesso a máquinas que instalaram o posto de vigia10

10
Fotografia cedida pela Sra. Prof. Doutora Fátima Sales
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1993 Foi remodelada a linha LMT a 30 kV PS Alcobaça – Nazaré

Em situações normais, esta remodelação carecia de autorização prévia do


antecessor do ICNB o que não aconteceu de acordo com informação verbal
obtida, pois o Decreto-Lei 108/79 de 2 Maio nunca foi regulamentado (como
nele expressamente estava previsto no prazo máximo de 6 meses).

2002 A lixeira foi selada quanto ao depósito de RSU


(servia os concelhos da Nazaré e de Alcobaça)

8ª Agressão

A célula 1, utilizada como lixeira, não foi reflorestada de acordo com as boas
práticas aplicáveis.

Somente temos arbustos de geração espontânea.

É possível a plantação de pinheiros visto que a célula não foi selada com
tela.

Fig. 4.5 - Recobrimento da célula 1 com arbustos de geração espontânea

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9ª Agressão

Os edifícios associados à exploração da lixeira nunca foram demolidos.

Fig. 4.6 - Os dois edifícios totalmente brancos não deviam existir

2002 A parcela B do talhão 71 da Mata de Valado dos Frades tinha que reverter
para a Fazenda Nacional por ter terminado o regime de cedência a título
precário
10ª Agressão (por omissão)

Devia ter revertido a parcela B do talhão 71 para a posse do Estado.


Concomitantemente, devia ter-se iniciado a plantação de pinheiros em
toda a extensão da citada parcela reintegrando-a nas Matas Nacionais
de Valado dos Frades.
2002 Entra em funcionamento a Estação de transferência de resíduos sólidos
urbanos (RSU), construída pela RESIOESTE, servindo os concelhos da
Nazaré e de Alcobaça.

Esta estação ocupa uma área de cerca 7.000 metros quadrados (cerca de
4% da área cedida a título temporário em 13 de Agosto de 1986, como já
focado nesta cronologia)11.

Fig. 4.7 - Placa colocada à entrada da instalação

11
Dados obtidos da então Resioeste agora Valorsul.
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Fig. 4.8 - Vista geral da Estação de transferência

(foto tirada de nascente para poente)

Fig. – 4.9 Camião de recolha de RSU saindo da instalação

(A placa encontra-se do nosso lado esquerdo)

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Mais tarde Depósito de RCD e actividade de sucateiro

Na mesma parcela B do talhão 71 entram em actividade o depósito de RCD


(materiais de demolição de edifícios) e de sucateiro estando agora
comprovado que estas actividades nunca foram licenciadas – portando são
actividades ilegais.

Está em curso a instauração de um processo de contra-ordenação.

11ª Agressão

Estas actividades ferem gravemente a paisagem, podendo provocar


infiltrações no solo de produtos de elevada carga poluente (a confirmar)
e concomitantemente poluição atmosférica pelo tráfego rodoviário
associado.

Anexo 4.4
Parecer do Prof. Doutor Jorge Dinis

Fig. 4.10 - É bem visível um pequeno autocarro da Câmara Municipal da Nazaré


(27 Nov 2010)

Fig. 4.11 - Também são visíveis outros veículos em fim de vida (27 Nov 2010)
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Mais tarde – Sinalética do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás)

12ª Agressão

A sinalética não tem a dignidade correspondente a um Património Natural de


nível Nacional. Está indicado como se tratasse de um simples miradouro de
estrada com um poste citadino.

Na actual variante à Nazaré, já parcialmente aberta ao tráfego, não existe


nem está prevista12 qualquer sinalética referente ao Monte São Bartolomeu.

Fig. 4.12 - Sinalética no sentido Nazaré - Fig. 4.13 - Sinalética no sentido Valado dos
Valado dos Frades Frades – Nazaré

4.14 – Sinalética como se tratasse de um 4.15 – Poste como de sinalética citadina


simples miradouro

2008 A Estação de transferência fica titulada com o Alvará de Licença n.º 23/2008
pela CCDRLVT – Caldas com validade até 13 de Março de 2013.

20 Ago 2008 Rui Remígio, a título individual, alerta o Núcleo Florestal do Ribatejo e Oeste
e Área Metropolitana de Lisboa, (agora DRFLVT) para a eventual
irregularidade relativa ao uso da parcela B do talhão 71.

Estas entidades iniciam a averiguação sobre eventuais situações irregulares


quanto ao uso do terreno com a área de 16,32 hectares situado na Mata
Nacional de Valado dos Frades correspondente à parcela B do talhão nº 71.

12
Informação obtida na Estradas de Portugal, SA
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13ª Agressão (por omissão)

Esta análise da situação decorre, incompreensivelmente, há cerca de


dois anos e tem contribuído para um agravamento da poluição
atmosférica, sonora e dos solos.

Rui Remígio e posteriormente o Movimento de Cidadania Património e


Desenvolvimento da Nazaré tem insistido assiduamente, solicitando a
reversão deste terreno, sem sucesso.

No processo existente na DRFLVT consta a correspondência trocada e,


ainda, a correspondência entre esta entidade e a Câmara Municipal da
Nazaré.

Estão por salvaguardar os legítimos interesses do Estado, o ambiente e


a preservação do Património Natural de nível Nacional.

14 Jul 2010 Denúncia deste Movimento de Cidadania quanto à existência do depósito de


RCD e da actividade de sucateiro perante a CCDRLVT – Caldas da Rainha

20 Jul 2010 A CCDRLVT – Caldas da Rainha inicia uma acção de fiscalização quanto ao
Depósito de RCD e quanto à actividade de sucateiro em seguimento da
denúncia de 14 de Julho p.p.

Louva-se a CCDRLVT – Caldas da Rainha por ter desencadeado este


procedimento uma semana após a apresentação da respectiva denúncia.

14ª Agressão

Confirma-se que estas actividades não estão licenciadas portanto são


consideradas, por esta entidade, como ilegais13.

Está em curso o processo de contra-ordenação subsequente (há cerca


de 4 meses)14.

Ago 2010 Processo de reclassificação do Monte de São Bartolomeu como


MONUMENTO NATURAL – NACIONAL

É instruída uma proposta15 de Reclassificação pelo ICNB, com o apoio da


Câmara Municipal da Nazaré, formada por documentos e pelo Projecto de
Decreto Regulamentar.

O Projecto de Decreto Regulamentar inicial é alterado por diversas vezes,


primeiro no ICNB e posteriormente na Secretaria de Estado do Ambiente
tendo como objectivo a sua melhoria.

13
Consultámos detalhadamente o Auto de fiscalização.
14
Possuímos correspondência que suporta esta afirmação
15
Documento interno do ICNB
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Ago 2010 Construção da variante à EN 242

Esta variante encontra-se em fase adiantada de construção e parcialmente


aberta ao tráfego. O respectivo Estudo de impacte ambiental, no nosso
entender, não foi correctamente elaborado pois não identifica o Monte São
Bartolomeu (ou de São Brás) como Património Natural Nacional, tem
incorrecções quanto à sua geologia, não menciona o seu interesse
paisagístico e não atribui o devido valor à sua flora.

Durante a Consulta pública nenhum cidadão nem nenhuma entidade se


pronunciaram sobre estas lacunas do Estudo de impacte ambiental.

O Relatório de Conformidade ambiental é exclusivamente assinado por dois


arqueólogos e é totalmente omisso relativamente ao Património Natural
Nacional – Monte São Bartolomeu (ou de São Brás)16.

15ª Agressão (por omissão)

Assim, consideramos que o desvio da LMT 30 kV deveria estar previsto


deixando de atravessar a zona de protecção do Monte São Bartolomeu.

16ª Agressão (por omissão)

Consideramos, que deveria ter sido estudado o eventual efeito nocivo


da poluição atmosférica e sonora ocasionada pelo tráfego rodoviário e a
possibilidade de o acesso à Estação de transferência passar a ser feito
pelo lado poente daquela Estação.

15 Ago 2010 1º Relatório do Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da


Nazaré

Este Relatório sobre as agressões ao Monte São Bartolomeu foi enviado ao


ICNB, com conhecimento a: Secretaria de Estado do Ambiente, CCDRLVT –
Presidência, AFN – Presidência, Turismo do Oeste – Presidente, Câmara
Municipal da Nazaré – Presidente.

Portanto, este relatório tem cerca de 4 meses.

15 Nov 2010 Gestão corrente do Monte de São Bartolomeu

17ª Agressão

À data de início da Consulta Pública referente à Reclassificação deste


Património verifica-se que existem fortes lacunas referentes à respectiva
Gestão corrente, nomeadamente quando aos aspectos abaixo discriminados.
Em nosso entender, vamos apresentar os expoentes mais visíveis ao
visitante mais desatento do abandono a que o Monte tem estado votado.

16
A Estradas de Portugal solicitou parecer do ICNB (temos cópia da carta) e não consta do processo a
respectiva resposta.
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a) Pilha de toros de árvores nas proximidades do Monte

Fig. 4.16 - Pilha de madeira na estrada Nazaré – Valado dos Frades

Esta pilha encontra-se há meses (manteve-se durante todo o verão)


constituindo um perigo de incêndio que podia / poderá invadir a flora
do Monte de São Bartolomeu.

b) Postes da EDP em degradação no início do acesso ao Monte

Fig. 4.17 - Postes no início do acesso ao monte

Estes postes encontravam-se no início do acesso ao Monte de São


Bartolomeu em 24 de Julho de 2010, portanto no entroncamento deste com
a estrada EN 8-4 Nazaré – Valado dos Frades.

Também aqui permanecem durante largos meses17.

17
Estes postes foram retirados, antes de 6 de Dezembro, data da visita ao Monte de São Bartolomeu
dos alunos da Escola Profissional da Nazaré guiada por este Movimento de Cidadania.
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c) Circuito pedestre

Fig. 4.18 - Circuito pedestre atravessando a Zona de protecção

Consideramos que a Zona de protecção não deve ser atravessada por


circuitos de manutenção. O Monte pode e deve possuir circuitos de visita,
como preconizado pela Sra. Prof. Doutora Fátima Sales.

Ver Anexo 6.2

Institui-se o Monte como “Sítio Classificado” e não houve Regulamento,


não foi demarcada no local a zona de protecção e não temos
conhecimento que esta tenha sido convenientemente divulgada.

d) Sistema de higiene e limpeza

Fig. 4.19 - Exemplos da falta de sistema de higiene e limpeza18

18
Em 6 de Dezembro estava efectuada uma limpeza na zona de protecção, contudo ainda não estavam
colocados caixotes de lixo e contentores.
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É notória a falta de contentores para embalagens usadas e papéis e


de um sistema de limpeza adequado (estes resíduos mantêm-se há
meses).

Fomos ao Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) várias vezes


durante os últimos meses e esta situação mantém-se – não tem
aparecido mais resíduos nem tem havido limpeza19.

e) Acesso ao cume do Monte20

Fig. 4.20 - Estado do acesso ao cume do Monte

O estado ao acesso do Monte carece de ser revisto com muita


brevidade pois não está coerente com a dignidade do local pois
apresenta pontos de insegurança para pessoas, especialmente para
crianças.

19
Em 6 de Dezembro estava feita uma limpeza geral a qual já não era feita há largos meses
20
Em 6 de Dezembro era visível que estava ligeiramente recomposta a areias em alguns degraus
formados com toros de madeira. Chuvas recentes voltaram a ocasionar que a situação do acesso tivesse
regressado ao muito deficiente estado anterior.
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Quanto a corrimãos, pode-se constatar nas fotos o péssimo estado


ou mesmo ausência. Também se pode observar que foram
colocados tubos galvanizados de canalização, com total ausência de
sensibilidade para com um Bem Patrimonial constituído como “Sítio
Classificado” (nível nacional). Também se constata a total ausência
de guardas.
f) Casa do Ermitão e Capela21

Fig. 4.21 - Estado da Capela2223

21
Em 6 de Dezembro o altar da Capela estava algo recomposto.
22
A sepultura da esquerda (não é apresentada nas fotos) tem a lápide calcária inteira, no entanto as
inscrições praticamente ilegíveis pois os visitantes pisam-na e desgastam-na. Esta sepultura é de Dona
Joaquina Nunes de Abreu falecida em 1 de Setembro de 1839.
23
A sepultura da direita (está apresentada nas fotos) tem a lápide calcária fragmentada e as inscrições a
serem desgastadas progressivamente, pois os visitantes pisam-na. Esta sepultura é do Ermitão falecido
em 13 de Janeiro de 1849.
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As imagens substituem muitas palavras – “Haja Deus”.

Abandono e desleixo imperam neste local: falta de sino, parede


exterior deteriorada, porta com pintura degradada, infiltrações,
plantas velhas, santo decapitado, pedra tumulares com inscrições
muito desgastadas (da brasileira), pedra tumular fracturada e com
falhas (do ermitão) e cobertura degradada.

Fig. 4.22 - Cobertura da Casa do Ermitão e da Capela


(é visível o abandono)

g) Torre de vigilância

Fig. 4.23 – Aspectos da Torre de vigilância contra incêndios

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Já que existe uma Torre de vigilância no cume do Monte deve ser


tomada como uma vantagem para este “Monumento Natural
Nacional”, desde que contribua para a sua valorização e
dignificação.

A curto prazo, em nosso entender, a Torre deve ser reparada e


pintada uniforme e coerentemente com o local.

Fig. 4.24 - Torre de vigilância contra incêndios (multicolor)

h) Base de ex. marco geodésico

Fig. 4.25 - Base de marco geodésico removido

Mais um expoente da falta de consideração a que tem sido votado o


Monte.

Coloca-se um marco geodésico e, quando não é mais necessário,


retira-se deixando-se ficar a base abandonada. Em nosso entender
podem existir duas soluções: ou se recoloca o marco geodésico ou
remove-se a respectiva base.
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Filme da situação em 24 de Julho de 2010:

Apresentamos em anexo um filme que traduz a situação, focalizando


essencialmente aspectos associados ao que nós classificamos como
“Gestão corrente” do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás).

Este filme está suportado num levantamento de 24 de Julho de 2010


(a situação mantém-se inalterada salvo em três aspectos pontuais
atrás referidos).

Anexo 4.5
Filme sobre a situação em 24 Julho 2010

4.2. Propostas para resolução dos “passivos”

Abaixo apresentamos as nossas propostas que identificamos como carentes de


intervenção mais urgente referindo-se a “passivos” ocorridos durante os últimos 31
anos em que o Monte São Bartolomeu (ou de São Brás) esteve votado ao abandono
pelas entidades nacionais e locais.

Agrupamos os vários problemas atrás discriminados em grandes frentes de


actuação.

Propomos que seja desenvolvido pelo ICNB – Serviços Centrais, como entidade
responsável pela gestão deste Património, um PLANO ESTRATÉGICO DE
VALORIZAÇÃO do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás).

Também propomos que, independentemente do Plano anterior, seja desenvolvido


um PLANO DE ACÇÃO DE VALORIZAÇÃO DE CURTO PRAZO, com responsabilizações
bem definidas, gerido pelo mesmo Instituto, seguido de acompanhamento
periódico, rigoroso e dinâmico.

Tendo em conta os diferentes níveis dos problemas existentes, as práticas dos


muitos “players” identificadas, as motivações e vocações, consideramos que os
Serviços Centrais do ICNB têm um papel determinante a desempenhar.

O Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré está


disponível para colaborar activamente com o ICNB em termos que venham a ser
estabelecidos. Voltaremos a este assunto no parágrafo 7. – MACRO ORGANIZAÇÃO
ASSOCIADA À GESTÃO.

Consideramos que a Câmara Municipal da Nazaré, coerentemente com o seu


interesse na Reclassificação do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás), deverá
empenhar-se na resolução dos problemas ocasionados pelas agressões em que
tenha responsabilidades e nas acções que venham a ser acordadas com o ICNB.

Tendo em conta o Relatório do Movimento de Cidadania Património e


Desenvolvimento da Nazaré, do filme sobre a situação em 24 de Julho de 2010
elaborado por este Movimento – Anexo 4.6. e o conhecimento próprio, o Sr. Prof.
Doutor Valdemar Rodrigues elaborou um parecer.

Anexo 4.6
Parecer do Prof. Doutor Valdemar Rodrigues
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a) Mata Nacional do Valado: parcela B do talhão nº 71 com 16,32 hectares

Somos do parecer que esta grande frente é a que se reveste de importância


capital pois constitui o palco de inúmeras e mais significativas agressões que o
Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) sofreu e que ainda perduram.

Em nosso entender, é aqui que se torna necessária a maior determinação para


implementar as medidas correctivas que se impõem e que condicionam o
sucesso da “Reabilitação” do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás).

A acção do ICNB – Serviços Centrais será determinante na resolução deste


grande problema criado em 1986, e posteriormente agravado, no qual estão
directamente envolvidos a Autoridade Florestal Nacional e a Câmara Municipal
da Nazaré.

A reintegração desta parcela nas denominadas Matas Nacionais de Valado dos


Frades urge que seja desenvolvida de uma forma global e completa no menor
intervalo de tempo possível (a ser definido no Plano de Acção de Valorização de
curto prazo).

Pelo exposto e tendo em conta o parágrafo 4.1., Cronologia das principais


agressões discriminamos as frentes elementares aqui incluídas:

a1) Reversão da parcela – acção Nacional

Propomos que seja aberto a curto prazo pelo Ministério das Finanças e a
Autoridade Florestal Nacional o processo de reversão deste terreno por ter
cessado em 2002 a razão da sua cedência a título precário.

a2) Reversão da parcela – acção Local

Sem prejuízo da frente anterior, propomos que a Câmara Municipal da


Nazaré tome a iniciativa de comunicar ao ICNB e à ANF a intenção de
devolução imediata deste terreno à Mata Nacional de Valado dos Frades,
honrando o contrato assinado em 13 de Agosto de 1986.

a3) Demolição dos edifícios

Confirmando-se que estes edifícios se encontram em situação irregular, é


de contar com uma correcta actuação por parte da Câmara Municipal da
Nazaré: a respectiva demolição num prazo razoável.

Caso tal não aconteça, consideramos que a CCDRLVT ou a DRFLVT devem


tomar as adequadas providências.

a4) Depósito de RCD

Já confirmado que este Depósito está ou esteve activo e que se encontra


em situação ilegal. Consideramos que articuladamente a CCDRLVT e a
DRFLVT devem ordenar de imediato a respectiva desactivação e a
recuperação do solo para a Mata do Valado dos Frades.

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A devolução do terreno implica que seja reabilitado o solo poluído pelo


depósito de RCD (resíduos de construção e de demolição) e pela actividade
de sucateiro.

a5) Sucateiro

Idem acção anterior

a6) Monitorização do subsolo

Propõe-se que sejam criteriosamente colocados piezómetros de forma a


monitorizar as infiltrações de águas poluídas no subsolo.

a7) Conclusão da selagem da primeira (e única) célula da lixeira

Consideramos que a selagem desta célula está incompleta pois não foi
seguida da respectiva reflorestação.

A célula não foi coberta por tela e está somente revestida por arbusto de
geração espontânea.

Consideramos que é de admitir que a VALORSUL colabore nesta acção.

a8) Reflorestação da área correspondente à segunda e à terceira células

Admitimos que caiba à AFN a respectiva integração plena destas células nas
Matas Nacionais de Valado dos Frades.

a9) Estação de transferência – Impacto visual

Propomos que seja feito de imediato um Estudo de minimização do


impacte ambiental relativo a esta Estação seguido da respectiva
implementação.

Em nosso entender, a implementação destas medidas pode estar concluída


muito antes da renovação da respectiva Licença em 2013.

Consideramos que é expectável que a VALORSUL colabore nesta acção.

a10) Estação de transferência - Acesso

Propomos que seja estudado novo acesso a esta Estação de transferência


pelo lado poente removendo o acesso actual (pelo lado nascente).

Existe já uma passagem asfaltada desnivelada na variante à EN 242


exactamente no alinhamento da parcela B do talhão 71.

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Fig. 4.26 – Pormenor da passagem desnivelada junto da Estação de transferência


Fig. 4.27 – Variante à Nazaré na zona do Monte de São Bartolomeu

Fig. 4.28 - Planta da Estação de transferência


(é visível a possibilidade de acesso por poente)

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Esta grande frente poderá ser desenvolvida com a celebração de Protocolos de


colaboração entre as seguintes entidades:

 ICNB e AFN
 ICNB e VALORSUL
 ICNB e Estradas de Portugal
 ICNB e CMN

b) Linha de média tensão de 30 kV (LMT 30 kV)

Propomos que seja desviada a LMT 30 kV para que esta deixe de atravessar a
zona de protecção do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás).

Admitimos que seja negociável com a EDP – Energias de Portugal o desvio desta
linha tendo como referência o Decreto-Lei 43 335/60 de 19 de Novembro
(Artigo 36.º e seguintes).

Esta empresa suportaria o encargo com o desvio que se poderá balizar entre
50% e 100%.

Este diploma não prevê directamente situações associadas a Património Cultural


(Arquitectónico ou Natural), certamente por lapso legislativo. Contudo, estão
previstas algumas situações que podem ser invocadas como referência para
celebração de um acordo entre o ICNB e a EDP.

Esta grande frente poderá ser desenvolvida com a celebração de um Protocolo


de colaboração entre o ICNB e a EDP.

c) Tráfego rodoviário

c1) Poluição atmosférica e sonora

Propomos que seja feito a curto prazo um levantamento da poluição


atmosférica e sonora existente e feita uma previsão a prazo da poluição
gerada pelo tráfego rodoviário na área do “Monumento Natural Nacional” –
Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) que venha a ser aprovado.

Em sequência deste levantamento, deverá ser estudado:

 Impacto da poluição atmosférica e sonora existente e previsional na


flora e na avifauna;
 Plano de implementação de medidas correctivas adequadas;
 Instalação de sensores detectores de poluição sonora e atmosférica
criteriosamente localizados.

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c2) Impacto visual da variante à Nazaré

As lacunas só podem persistir enquanto não são identificadas.

Assim, o Estudo de impacte ambiental da variante não abordou o efeito


visual desta via de comunicação para quem se encontra no cume do Monte
de São Bartolomeu (ou de São Brás), malgrado uma parte muito
significativa do seu traçado se desenvolver na Mata Nacional de Valado dos
Frades.

Estamos a tempo de estudar e implementar medidas que minimizem o


impacte visual ocasionado por esta via – desenvolvimento sim, mas
cumprindo exigências ambientais aplicáveis.

Esta grande frente poderá ser desenvolvida com a celebração de um Protocolo


de colaboração entre o ICNB, a Estradas de Portugal e a AFN.

d) Sinalética

Referirmo-nos à sinalética nas vias de comunicação e à entrada do Monte de


São Bartolomeu

Esta frente poderá ser desenvolvida com a celebração de um Protocolo de


colaboração entre o ICNB e a Estradas de Portugal.

e) Flora do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás)

Propõe-se uma limpeza da flora chamada invasora e corte de árvores e de


arbustos com desenvolvimento excessivo, assim como outros trabalhos da
especialidade para preservar a preciosa flora nativa deste Património Cultural
Natural, como preconizado no parecer da Sra. Prof. Doutora Fátima Sales.

Esta grande frente poderá ser desenvolvida com a celebração de um Protocolo


de colaboração a ser celebrado entre o ICNB e entidade/s a ser/em
identificada/s.

f) Gestão corrente do Monte São Bartolomeu (ou de São Brás)

Englobamos nesta importante grande frente todos os aspectos incluídos na 17ª


agressão e outros de carácter similar que já existam e/ou possam surgir.

Propomos que todas as acções referentes à Gestão corrente do Monte São


Bartolomeu (ou de São Brás) sejam abrangidas por um Protocolo a ser celebrado
entre o ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade e a
CMN – Câmara Municipal da Nazaré em que esta se responsabiliza perante o
primeiro.
(Ver Artigo 4º - Gestão do Projecto de Decreto Regulamentar)

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Naturalmente que a CMN deverá articular com outras entidades locais ou


delegações locais de entidades nacionais.

Propomos que a CMN, em articulação com o ICNB, desenvolva um Estudo sobre


o que se considerar estar incluído na Gestão corrente deste Património Natural.

O ICNB aprovará o Relatório final deste Estudo.

Caso existam dificuldades na implementação e/ou no cumprimento de algum


dos objectivos incluídos nesta vertente, a CMN deverá dar conhecimento ao
ICNB.

Assim incluímos nesta frente os aspectos que se discriminam indicando, para


cada uma as entidades com as quais a CMN deverá articular-se:

f1) Pilha de toros - articulação com AFN


f2) Postes da EDP (casos futuros) - articulação com EDP
f3) Circuito de manutenção - (aspecto interno)
f4) Sistema de higiene e limpeza - (aspecto interno)
f5) Acesso ao cume do Monte - (aspecto interno)
f6) Casa do Ermitão e Capela - articulação com Paróquia
f7) Torre de vigilância - articulação com GNR
f8) Base de ex. marco geodésico - articulação com IGP

Anexo 4.7
Slide show sobre correcção da situação actual

4.3. Resolução de “passivos” - Síntese

A valorização do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) como Património Natural de nível
Nacional, já com 31 anos de vigência, nunca teve lugar, antes pelo contrário tem sido
desvalorizado, em nosso entender e como demonstrámos.

Em síntese podemos salientar por cada uma das grandes vertentes que suportam a
Reclassificação deste Património:

 GEOLOGIA

A falta de respeito pela zona de protecção tem contribuído para o “esquecimento” do seu
valor o qual está bem patente no preâmbulo do Projecto de Decreto Regulamentar:

“ … formação magmática rodeada por areias dunares e pelo extenso


pinhal de Leiria. Constituído predominantemente por gabro sub-ofítico de
grão médio, representa uma ocorrência geomorfológica singular, de
origem ígnea, materializada num inselberg de relevo abrupto, que atinge
156 metros de altitude, e aflora de maneira espectacular em depósitos de
materiais sedimentares mesocenozóicos, destacando-se cerca de 100 m
acima do plano das areias eólicas circundantes, localizadas em terrenos da
Orla Ocidental Portuguesa.”
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O parecer do Sr. Prof. Jorge Dinis desenvolve detalhada e fundamentadamente a


potencial vulnerabilidade do Monte São Bartolomeu ocasionada pelos múltiplos usos
indevidos da Parcela B do talhão 71 e do respectivo acesso.

 BOTÂNICA24

Do mesmo Projecto de diploma transcrevemos:

“… uma flora tipicamente mediterrânica, que inclui formações naturais de


vegetação rupícola, com grande relevância botânica …”

Como verificámos, esta flora está a ser agredida por três grandes ordens de razão:

 A poluição atmosférica tem feito despontar “plantas invasoras com um potencial


de colonização superior ao da flora nativa, substituindo-a gradualmente se não
forem tomadas medidas limitantes”;

 “Verifica-se ainda uma alteração geral na vegetação do Monte devido à sombra


excessiva dos pinheiros que se desenvolveram demasiado, quer em dimensão,
quer em número.”

 Agressão directa associada à instalação da Torre de vigilância.

 PAISAGEM25

 No Artigo 3º, Objectivos da classificação consta na sua alínea c) “A protecção e


a valorização da paisagem;”

 Como vimos a Gestão da Mata Nacional de Valado dos Frades permitiu, em


nosso entender indevidamente, a degradação da paisagem que sustentou o
Decreto-Lei 108/79 de 2 de Maio e o presente processo de reclassificação.

 O principal fulcro de agressão prende-se novamente com a parcela B do talhão


71 e respectivo acesso que as entidades nacionais continuam sem tomar as
medidas correctivas que se impõem.

 Também foi licenciada a Estação de transferência sem a elementar


preocupação de minimização do impacto ambiental que ocasiona.

 Igualmente a construção da variante também não teve associada a minimização


do inerente impacto visual.

 HISTÓRIA E LENDA

A Casa do Ermitão e a Capela perderam totalmente a dignidade, que em tempos possuiu,


por desleixo.

24
Consideramos que o preâmbulo do diploma pode desenvolver um pouco mais a vertente florística do
Monte São Bartolomeu.
25
Notamos que no Projecto de Decreto Regulamentar não está caracterizada a paisagem
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Além da degradação do edifício, o local de culto apresenta um grande abandono e as


lápides tumulares estão em tal degradação que culminarão no respectivo
desaparecimento caso não sejam tomadas as medidas exigíveis.

 AVIFAUNA

Não nos pronunciamos pois foi assunto sobre o qual não nos debruçámos.

Em resumo, recebemos dos nossos antecessores um Monte de São Bartolomeu (ou de


São Brás) muito melhor do que temos hoje porque não o soubemos gerir.

Temos que andar depressa para não o transmitirmos aos nossos filhos e netos ainda
pior do que está.

O MONTE DE SÃO BARTOLOMEU (ou de SÃO BRÁS) ESTÁ EM RISCO

Apresentamos nas duas folhas seguintes um quadro síntese com as principais acções, por nós
identificadas, tendo em vista a resolução dos “passivos” acumulados. Apelidamos de “passivo”
todos os problemas que chegaram até nós.

Neste quadro síntese também indicamos as entidades envolvidas em cada acção de acordo
com a nossa observação e opinião.

A forma matricial deste instrumento de gestão confere-lhe a cariz de “base de trabalho”


permitindo a sua revisão sempre que se justifique.

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Fig. 4.29 - Resolução de "passivos" - Quadro síntese com indicação de entidades envolvidas em Protocolos

AGRESSÃO / EVENTO ACÇÃO / CORRECÇÃO ENTIDADES ENVOLVIDAS EM PROTOCOLOS


Nº Designação

Confraria da Nª

Sra das Areias


Sra da Nazaré

Paróquia de ª
Estradas de

Turismo do

VALORSUL
Câmara da

cadastrais
DGOT DU
CCDRLVT

Portugal
Nazaré

Srviços
Oeste
ICNB

GNR
AFN

EDP
1ª Linha de transporte de energia eléctrica LMT 30 kV Desviar a linha X X
atravessa zona de protecção

2ª Cedência da parcela B do talhão 71 da Mata Nacional Situação reversível (ver 10ª agressão)
de Valado dos Frades

3ª Abatidos os pinheiros Reflorestação da totalidade da parcela B do talhão 71 X X


(16,32 hectares)

4ª Poluição dos solos ocasionada pela lixeira Situação irreversível

5ª Estrada de acesso à lixeira atravessa a zona de Situação reversível (ver Estacão de transferência)
protecção

6ª Poluição atmosférica associada ao tráfego de Situação irreversível quanto à lixeira e de depósito de


transporte de RSU para a lixeira RCD e sucateiro

7ª Caminho aberto para elevação da Torre de vigilância Minimização dos efeitos relativos à abertura deste X X
caminho

8ª Necessidade de reflorestação da célula 1 da lixeira Recuperação para a Mata Nacional de Valado dos X X
Frades da célula 1

9ª Os edifícios associados à exploração da lixeira ainda Demolição dos edifícios X X


permanecem

10ª Por efectuar a reversão da parcela B do talhão 71 Reversão em articulação com a Direcção Geral do X X
Património (Ministério das Finanças)

Falta de reflorestação da mesma parcela Reflorestação da mesma parcela integrando-a na Mata X X


Nacional de Valado dos Frades

Entrada em funcionamento da Estação de Minimização do impacto visual de quem está no cume X X


transferência e do Ecocentro do Monte

Alteração do traçado do acesso à Estação de X X X


transferência

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Resolução de "passivos" - Quadro síntese com indicação de entidades envolvidas em Protocolos

AGRESSÃO / EVENTO ACÇÃO / CORRECÇÃO ENTIDADES ENVOLVIDAS EM PROTOCOLOS

Nº Designação

Confraria da Nª

Sra. das Areias


Sra. da Nazaré

Paróquia de ª
Estradas de

Turismo do

VALORSUL
Câmara da

cadastrais
DGOT DU
CCDRLVT

Portugal

Serviços
Nazaré

Oeste
ICNB

GNR
AFN

EDP
11ª Depósito de RCD e actividade de sucateiro Desactivação X X X

Recuperação dos solos X X X

12ª Sinalética deficiente Correcção da sinalética existente X X


Colocação de sinalética na variante X X

13ª Insistência quanto à reversão da parcela B do talhão 71 Ver 10ª agressão

14ª Depósito de RCD e actividade de sucateiro Ver 11ª agressão


consideradas ilegais

15ª Rectificação do traçado da linha LMT 30 kV Ver 1ª agressão

16ª Poluição atmosférica e sonora na Zona de protecção Monitorização da poluição sonora e atmosférica com X X
do Monte de São Bartolomeu colocação de sensores criteriosamente localizados

17ª a) Pilha de toros Remoção dos toros e evitar que esta situação se repita X X
X X

b) Postes da EDP Remoção dos postes e evitar que esta situação se X X


repita X X

c) Circuito de manutenção Alteração do respectivo traçado

d) Sistema de higiene e limpeza Implementação de um sistema adequado X X

e) Acesso ao cume do Monte de São Bartolomeu Revisão geral do acesso ao cume do Monte dentro das X X
normas de segurança e usando materiais da região

f) Casa do Ermitão e Capela Reabilitação X X ?? E

g) Torre de vigilância Reparação e pintura X X E

h) Base de ex. Marco geodésico Remoção X X E

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5. RECLASSIFICAÇÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU

Identificados os “passivos” e apresentadas propostas com soluções para os resolver,


vamos agora debruçarmo-nos sobre propostas que visam a valorização do Monte de São
Bartolomeu (ou de São Brás) como “Monumento Natural Nacional”

Naturalmente temos sempre presente fazer propostas que requeiram reduzidos recursos
financeiros quer a nível nacional quer a nível local.

5.1. Documentos complementares

Tendo em conta os documentos apresentados, propomos que sejam juntos ao


processo de reclassificação os documentos, elaborados especificamente sobre o
Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) que abaixo se discriminam:

A. Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) – História e Lenda de REMÍGIO,


Rui – Novembro 2010
Anexo 5.1

B. A floristic island in western Portugal de SALES, F e HEDGE, I. C. –


Flora Mediterranea 10 - 2000

Anexo 5.2

C. Monte de S. Bartolomeu, Nazaré – Sítio Classificado, Património a Defender –


DRARO, Direcção Regional de Agricultura do Ribatejo e Oeste – Texto de
Fátima Sales – 1998

Anexo 5.3

5.2. Decreto Regulamentar

O Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré está


globalmente de acordo com o Projecto de Decreto Regulamentar apresentado à
Consulta Pública sem qualquer condicionalismo ou reserva.

Reforçando este apoio, propomos ajustes ao Decreto Regulamentar apresentado


que se junta em Anexo em “track changes”.

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Focamos as nossas principais sugestões:

a) Ficar expresso o contributo deste Movimento de Cidadania


b) Contributo da reclassificação e da gestão do Monte para o
“desenvolvimento sustentável” do concelho da Nazaré e da região onde
este se insere.
c) Prazo para celebração de protocolo entre o ICNB e a CMN.
d) Celebração de protocolos entre o ICNB e diversas entidades com prazo.
e) Contributo dos cidadãos na Fiscalização.
f) Menção aos problemas ocorridos após 2 de Maio de 1979 no âmbito das
contra-ordenações.

Anexo 5.4
Projecto de Decreto Regulamentar ajustado

5.3. Zona de protecção

Propõe-se que a Carta do Monumento Natural do Monte de São Bartolomeu (ou de


São Brás) seja estendida para Sul de forma a abranger duas pequenas elevações
envolvidas pelas areias do campo dunar fini-quartenário:

a) Um afloramento de menor extensão e altitude com características geológicas e


florísticas semelhantes às do Monte São Bartolomeu

Fig. 5.1 - Pequena elevação a sul do Monte São Bartolomeu

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Fig. 5.2 – Afloramentos na envolvente do Monte São Bartolomeu

b) Duna de formato parabólico

Fig. 5.3 – Duna parabólica

Ver Anexo 8.1


Apresentação do Prof. Doutor Jorge Dinis

Ver Anexo 8.2


Apresentação da Prof. Doutora Fátima Sales
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5.4. Zona tampão – Parque Natural Regional

Complementarmente ao focado no ponto anterior, propõe-se que seja considerada


uma Zona tampão de protecção ao Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás).

Fig. 5.4 - Parque Natural Regional do Monte de São Bartolomeu (ou de são Brás)

Estes limites devem ser ajustados tendo em conta:

ZONA DE PROTECÇÃO ou CARTA DO MONUMENTO (traçada a azul)

 O traçado da Zona de protecção a norte confronta com a estrada


EN 8-4 Nazaré / Valado dos Frades / Alcobaça.
 A mesma Zona deve ser limitada a nascente e a poente pelos aceiros
existentes.

ZONA TAMPÃO ou PARQUE NATURAL REGIONAL (traçada a amarelo)

 A Zona tampão deverá ser ajustada tendo em conta a nova Variante à


Nazaré.
 Esta zona, em princípio, deverá incluir exclusivamente terrenos
alocados à Mata Nacional de Valado dos Frades.

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Propomos que a Zona tampão seja considerada REN – Reserva Ecológica Nacional
na revisão do PDM – Plano Director Municipal da Nazaré e que a Câmara Municipal
da Nazaré, por sua vez, proponha à Assembleia Municipal da Nazaré (AMN) a
classificação desta Zona tampão como “Área protegida de âmbito local” com a
designação de “Parque Natural Local de São Bartolomeu (ou de São Brás)”, ao
abrigo do n.º 2 do Artigo 15.º do Decreto-Lei n.º 142/2008 de 24 de Julho.

Após a aprovação pela AMN, a CMN deverá propor à Associação de Municípios do


Oeste a classificação da mesma zona tampão como “Parque Natural Regional de
São Bartolomeu (ou de São Brás)”, ao abrigo do mesmo diploma.

A título de curiosidade, mencionamos que a ATN – Associação Transumância e


Natureza em Abril de 2009 propôs ao ICNB que fosse constituída uma “área
protegida privada” com 214 hectares num vale profundo do rio Côa denominada
FAIA BRAVA.

A proposta acabou de ser aprovada, em 14 de Dezembro de 2010.

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6. GESTÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU APÓS 2010


6.1. Introdução

O Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré está a intervir


na Consulta Pública da Reclassificação do Monte de são Bartolomeu com o
objectivo de o retirar duma certa desvalorização, seguida de abandono, a que tem
sido votado nomeadamente pelas entidades que maiores responsabilidades
tiveram na sua gestão nos últimos 31 anos, como atrás profusamente
documentado.

Como já focámos, a nossa perspectiva é de futuro, pelo que as nossas observações


são sempre a pensar num “virar de página” sem repisar o passado.

Consideramos que a Gestão deste Património Natural Nacional a partir da


confirmação ao mais elevado nível, assenta em três entidades principais que terão
de se reposicionar quanto às respectivas responsabilidades perante o Monte de São
Bartolomeu (ou de São Brás):

 O ICNB – Instituto da Conservação da Natureza

A sua atitude pode caracterizar-se, em nosso entender, por uma constante


“omissão”, tendo permitido que tudo acontecesse sem qualquer
intervenção, que tenhamos conhecimento.

Solicitámos ao ICNB a consulta de documentos administrativos por carta


datada de 26 de Outubro de 2010, sobre o acompanhamento do Monte de
São Bartolomeu (ou de São Brás) e não obtivemos qualquer resposta
formal.

Na mesma data, também solicitámos ao ICNB a indicação de documento


publicado por este Instituto sobre este “Sítio Classificado” pelo Decreto-Lei
n.º 108/79 de 8 de Maio e também não tivemos qualquer resposta formal.

Parece-nos conveniente que a decisão de reclassificação agora proposta


pelos Serviços Centrais do ICNB seja assumida por toda a hierarquia, o que
não nos parece ter acontecido até hoje.

As responsabilidades futuras do ICNB parecem-nos estar muito bem


caracterizadas no Projecto de Decreto Regulamentar posto à Consulta
Pública – sugerimos que seja elaborado normativo interno mencionando as
responsabilidades assumidas a nível dos Serviços Centrais e do DGAC -
Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral Lisboa e Oeste.

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 A AFN – Autoridade Florestal Nacional

Esta entidade nacional teve e terá obrigatoriamente um papel muito


importante na Gestão do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) como
entidade pública responsável pela gestão das Matas Nacionais de Valado
dos Frades.

Na nossa opinião, a AFN até hoje esteve directamente envolvida em


importantes agressões a este Património Natural Nacional constituído em
“Sítio Classificado” por Decreto-Lei há trinta e um anos.

Também somos do parecer que a parcela B do talhão n.º 71 das citadas


Matas tem constituído o palco de inúmeras irregularidades e actividades
consideradas ilegais pela CCDRLVT. Foi-nos comunicado por escrito que
está em curso um processo de contra-ordenação.

A denúncia por carta registada com aviso de recepção datada de 20 de


Agosto de 2008 dirigida ao então Núcleo Florestal do Ribatejo e Oeste e
Área Metropolitana de Lisboa (agora DRFLVT) não teve qualquer
desenvolvimento efectivo, que seja do nosso conhecimento, apesar das
nossas insistências.

Propomos que seja formalizado, a curto prazo, um protocolo a ser


celebrado entre o ICNB e a AFN sobre a Gestão futura do Monte de São
Bartolomeu (ou de São Brás) envolvendo a resolução de “passivos”, acções
futuras e acompanhamento periódico.

Registamos com agrado que foi uma entidade do Ministério da Agricultura


– a DRARO – Direcção Regional da Agricultura do Ribatejo e Oeste que
publicou, com a colaboração da Prof. Doutora Fátima Sales o único
documento que conhecemos sobre o Monte de São Bartolomeu.

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Fig. 6.1 – Folheto sobre o Monte de São Bartolomeu

 A CMN - Câmara Municipal da Nazaré

“The last but not the least” - consideramos que a Câmara Municipal da
Nazaré teve, tem e terá um papel muito importante na Gestão do Monte de
São Bartolomeu (ou de São Brás) em cinco grandes vertentes:

a) Gestão corrente do Monte em articulação com as entidades


locais;
b) Articulação entre a valorização do Monte de São Bartolomeu e a
realização das Festas de São Brás que se realizam anualmente a
3 de Fevereiro;
c) Promover correctamente o Monte São Bartolomeu como mais-
valia turística e pedagógica para o concelho e para a Região
Oeste;
d) Alertar o ICNB para qualquer situação que considere irregular;
e) Propostas ao ICNB conducentes à valorização deste
“Monumento Natural Nacional”.

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No nosso entender não cabe à CMN a elaboração de “Planos integrados”26


relativos ao Monte no sentido abrangente a nível nacional – a competência
para a elaboração destes estudos compete ao ICNB.

Por outro lado, pode caber à Câmara da Nazaré assumir responsabilidades


operacionais e financeiras que venham a ser estabelecidas em protocolo a
ser celebrado entre o ICNB e a CMN, conforme previsto no Artigo 4º do
Projecto de Decreto Regulamentar:

O Município prestará o apoio adequado, em moldes a definir


com o ICNB, I.P., mediante celebração de Protocolo para o
efeito.
Neste contexto, cabe, em nosso entender, colaborar activamente e a curto
prazo na resolução dos “passivos”, como já focado anteriormente,
nomeadamente quanto à reversão da parcela B do talhão n.º 71 das Matas
de Valado dos Frades.

Somos do parecer que a CMN deve estabelecer plataformas de colaboração


com outras entidades locais num prazo que sugerimos não dever
ultrapassar seis meses.

Notamos que temos encontrado por várias vezes turistas estrangeiros a


subir o Monte e alguns criticavam o estado dos acessos (mal sabiam o que
iriam encontrar no cume).

6.2. As Festas de São Brás

As Festas realizam-se anualmente no dia 3 de Fevereiro, dando início ao período de


carnaval.

Nesta festividade largos milhares de pessoas povoam o Monte de São Bartolomeu


para, a pretexto da ancestral romaria à capela situada no topo da elevação,
celebrarem uma das mais carismáticas festas populares da região. Entre fogueiras
ateadas, piqueniques fartos e música ao vivo, assegurada por músicos locais, dança-
se e dá-se início à folia, que só terminará na Quarta-feira de Cinzas.

Estes festejos possuem uma mescla de paganismo e catolicismo. Exaltam um


fenómeno antigo, que se expressa na Lenda de Nossa Senhora da Nazaré, que é o
facto de as relíquias de São Brás e de São Bartolomeu terem sido trazidas por um
Monge de seu nome Ciríaco.

26
Veio a público na Comunicação social que terá sido celebrado um protocolo entre a Câmara da Nazaré
e a Universidade Fernando Pessoa quanto à elaboração de um Plano integrado sobre o Monte de São
Bartolomeu sem qualquer articulação com o ICNB que seja do nosso conhecimento.
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O segundo factor, de cariz pagão, este talvez de antiguidade ainda mais remota,
coincide com o início do Carnaval.

Fig. 6.2 Festas de São Brás em 2009

6.3. Plano Estratégico de Valorização do Monte de São Bartolomeu


(ou de São Brás)

Propomos que seja promovido pelo ICNB – Serviços Centrais um Plano Estratégico
de Valorização do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) nas vertentes do
Desenvolvimento Sustentável e da Pedagogia.

Este Plano deverá enquadrar o Monte no contexto nacional do Património Natural


Português e potenciar a sua valorização nas vertentes do Desenvolvimento
Sustentável e da Pedagogia a nível Nacional, da Região Oeste e do Concelho da
Nazaré.

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Consideramos:

 Desenvolvimento Sustentável

Entendemos que o Monte tem um elevado potencial para contribuir para o


desenvolvimento da sociedade nas vertentes da Cultura, do Social e da
Economia.

Da Cultura pois incrementa o conhecimento dos portugueses e dos


estrangeiros que residem no nosso país e dos que nos visitam nas áreas, já
focadas, que se encontram excepcionalmente presentes: Geologia,
Botânica, Paisagem, Avifauna e História e Lenda.

Do Social pois cria emprego indirecto, melhoria do ambiente e contribui


para actividades ao ar livre, glosando a natureza.

De economia pois a reabilitação e valorização do Monte criteriosamente


estudada e implementada com rigor será sempre de rentabilidade
assegurada, nomeadamente na vertente do turismo.

O Turismo Cultural por vezes proclamado, mas pouco praticado contribui


para um turismo qualificado e com estadias médias mais alongadas.

A Região onde se insere o Monte São Bartolomeu conta com outros


Patrimónios Naturais, nomeadamente o Parque Natural da Serra de Aires e
de Candeeiros, Parque Natural das Berlengas e Parque Natural de Sintra,
permitindo uma visão integrada.

 Pedagogia

Consideramos que o Monte é um “Museu ao ar livre” que pode e deve


contribuir para a formação dos nossos jovens quer nas vias do ensino quer
da profissionalizante.

A Escola Profissional da Nazaré já expressou o seu interesse no valor


pedagógico do Monte de são Bartolomeu (ou de são Brás) numa carta que
dirigiu ao ICNB.

Anexo 6.1
Carta de 23/11/2010 da Escola Profissional da Nazaré ao ICNB

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A mesma Escola e ainda o Agrupamento de Escolas do Concelho da Nazaré


participaram na Sessão Pública promovida por este Movimento de
Cidadania no dia 3 de Dezembro na Nazaré.

Fig. 6.3 – Alunos na Sessão Pública

O Movimento de Cidadania iniciou as visitas ao Monte com uma turma do


Curso de Turismo da Escola Profissional da Nazaré.

Fig. 6.4 – Vista dos alunos do Curso de Turismo

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6.4. Plano Acção de Valorização do Monte de São Bartolomeu


(ou de São Brás)

Preconizamos que sejam consideradas duas fases para este Plano

 Plano de Acção para resolução dos “passivos”

Este plano pode ser estabelecido a curto prazo pelo ICNB, focalizando-se
nos problemas que foram sendo acumulados durante os 31 anos da
constituição do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) como “Sítio
Classificado” de âmbito Nacional.

Consideramos que este Relatório pode constituir uma “base de trabalho”


para o desenho dum Plano aprovado pelos Serviços Centrais do ICNB.

Em paralelo e articuladamente propomos que sejam estabelecidos


Protocolos de colaboração a serem celebrados ente o ICNB e as diferentes
entidades directamente envolvidas ou a envolver na gestão do Monte de
São Bartolomeu.

 Plano Acção de Valorização do Monte

Este Plano complementa o anterior pois deve abranger as acções, tendo em


vista implementações nunca antes iniciadas, nomeadamente:

 Marcação “in sito” da Zona de protecção;


(alargada em relação à Zona de Protecção de 1979);
 Definição da Zona tampão e sua classificação como REN e como
Parque Natural Local e posteriormente Regional;
 Sinalética na variante à Nazaré;
 Arranjo da entrada no “Parque Natural Regional” Monte de São
Bartolomeu (ou de São Brás);
 Painéis interpretativos: Geologia; Botânica; Paisagem; Avifauna e
História e lenda;

Fig. 6.5 – Exemplo de quadros interpretativos ao ar livre


(Ilha de Mainau, Lago Constança, Alemanha)
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Notas:

a) Estes painéis encontram-se numa zona turística de


elevado nível, das mais importantes no Lago Constança
cujas margens se distribuem por três países: Alemanha,
Suíça e Áustria.

b) Admitimos poder contar com Universidades para a


concepção destes painéis.

c) Também admitimos que possam ser angariados


patrocínios por pessoas colectivas e/ou individuais para a
materialização dos mesmos.

 Solução de arranjo da Casa do Ermitão (poderá ser a


reconstituição deste habitáculo ou a sua utilização com painéis e
audiovisuais interpretativos ou ainda outra utilização considerada
adequada);
 Circuitos culturais abrangendo o Monte de São Bartolomeu, a
pequena elevação a sul e a duna parabólica.

Anexo 6.2
Percurso Pedestre – Gramíneas de altitude da Serra da Estrela

Notas: O Anexo junto é um bom exemplo de um folheto simples,


mas muito bem elaborado e que atinge todos os
objectivos que se pretende na área da botânica.

Rejeitamos liminarmente argumentos de carácter


miserabilista – “não existem meios” – nós diríamos “não
existe empenho”.

6.5. Linhas de financiamento

Admitimos que se possa obter financiamento para a valorização do Monte de São


Bartolomeu (ou de São Brás) por duas vias:

 Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade


Decreto-Lei n.º 171/2009 de 3 de Agosto regulamentado pela Portaria
487/2010 de 13 de Julho.

 Fundos do Turismo

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Assim, propomos que seja feita uma análise das linhas de financiamento que
estejam disponíveis, pois os projectos que possam estar acessíveis e os montantes
mobilizáveis poderão condicionar o Plano de Acção previsto no parágrafo 6.4., sem
nunca condicionar o Plano Estratégico previsto no parágrafo 6.5..

As nossas propostas quanto à alteração da Área do Monte de São Bartolomeu (ou


de São Brás) – ver parágrafo 5.3 e de Parque Natural Regional Monte de São
Bartolomeu (ou de São Brás) – ver parágrafo 5.4 deverão contribuir por valorizar
uma candidatura às duas vias de financiamento:

 Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade


 Fundos do Turismo

De acordo com informações, havia recursos financeiros disponíveis há cerca de um


mês e não se previam alterações da situação a curto prazo.

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7. MACRO ORGANIZAÇÃO ASSOCIADA À GESTÃO

Apresentamos sinteticamente uma base de trabalho para análise a ser feita pelas
entidades envolvidas, em especial pelo ICNB – Serviços Centrais, da Macro Organização
que sugerimos para uma eficaz e responsável Gestão deste magnífico Património Natural
Nacional.

Distinguimos claramente duas vertentes que devem estar permanentemente presentes e


articuladas entre si:

 Posicionamento Estratégico, identificação e implementação das acções mais


importantes – acções “chave” ou “âncora”, coordenação de entidades nacionais e
com o Turismo do Oeste e, ainda, articulação institucional com a Câmara Municipal
da Nazaré – a ser assegurado pelo ICNB – Serviços Centrais.
 Gestão corrente – assegurada pela Câmara Municipal da Nazaré em articulação
com o ICNB – Serviços descentralizados.

Explicitamos a disponibilidade deste Movimento de Cidadania Património e


Desenvolvimento da Nazaré para colaborar activamente em especial na primeira das
citadas vertentes.

Devem ser tidas em conta as características do Movimento de Cidadania (o qual tem


estado em contínuo crescimento possuindo actualmente mais de 2.000 aderentes) e que
não possui personalidade jurídica.

Um Movimento de Cidadania tem a grande vantagem de possuir um elevado quantitativo


de aderentes em todos os Continentes (estimamos que se estendem por 30 a 40 países),
nomeadamente Nazarenos que residem nos estrangeiro.

Também é de salientar que os aderentes activos têm todo o tempo disponível, para além
das suas ocupações principais, directa e integralmente orientado para as actividades de
Cidadania (não são executadas tarefas altamente consumidoras de tempo, por vezes
desgastantes, tais como: trabalhos administrativas, contabilidade e reuniões sobre
assuntos internos e, ainda, inexistência de quotas).

Este perfil de organização é completado por um sistema livre de voluntariado para uma
actuação “Projecto oriente”.

A sistematização geral que preconizamos para a Gestão do Monte de são Bartolomeu (ou
de são Brás) poderá contemplar os ajustes que se venham a revelar convenientes,
nomeadamente em relação à possível colaboração do Movimento de Cidadania
Património e Desenvolvimento da Nazaré.

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7.1. Gestão global a partir de 2011

O grande desafio constitui na resolução dos já denominados “passivos” e avançar para


acções de mais-valia quanto à valorização, nunca implementada até esta data,
potenciando o Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) como um recurso de grande
interesse estratégico Nacional, Regional e Local.

O Esquema funcional que a seguir apresentamos assenta em quatro grandes pilares


por nós seleccionados:

i. A principal responsabilidade da Gestão do Monte cabe ao ICNB

Tal como previsto no Projecto de Decreto Regulamentar.

ii. A Gestão corrente cabe à CMN

É indispensável uma excelente Gestão corrente tornando o Monte apelativo


aos visitantes residentes no concelho, turistas nacionais e estrangeiros e,
ainda, de estudantes a todos os níveis escolares e vias de escolaridade.

iii. Gestor do Monte de São Bartolomeu

Entidade, constituída ou a ser constituída, que se empenhe na boa Gestão do


Monte de acordo com contrato a ser celebrado entre este Gestor e, pelo
menos, com o ICNB e com a CMN.

Se for considerado conveniente e se este Gestor tiver a adequada capacidade,


poderá apresentar candidaturas a fundos comunitários e gerir os
subsequentes investimentos corpóreos e incorpóreos.

iv. Contributo do Movimento de Cidadania

Estamos disponíveis para apoiar o ICNB no arranque de uma “nova vida” do


Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) e em acções de acompanhamento
(ver parágrafo 7.4. – Contribuição do Movimento de Cidadania).

Poderemos ainda desenvolver outras acções de nossa iniciativa ou que nos


sejam solicitadas e por nós aceites.

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7.2. Macro organização

O Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) é um sistema muito completo de


valências no campo da geodiversidade (magmática e dunar), da biodiversidade
(botânica e avifauna), da Paisagem e da História e da Lenda podendo ainda poder
descobrir-se mais tarde a Pederneira inicial na sua base.

Cumulativamente, como verificámos, temos um leque muito alargado de entidades


directamente envolvidas na gestão do Monte.

Estas duas realidades conferem de imediato uma certa complexidade na sua gestão
que tem de ser assumida à partida.

Assim, consideramos adequado que seja considerada a possibilidade de ser atribuída


a um GESTOR DO MONTE DE SÃO BARTOLOMEU que poderá assumir a Gestão
corrente do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) por delegação da Câmara
Municipal da Nazaré bem como algumas das competências que cabem ao Instituto
da Conservação da Natureza e da Biodiversidade.

Este Gestor seria responsável por gerir um orçamento com proveitos provenientes
de:

 Dotações orçamentais disponibilizadas pelo ICNB;


 Dotações orçamentais disponibilizadas pela CMN;
 Comparticipações de entidades com bens incluídos na Carta do Monumento
(exemplos Paróquia e GNR), caso delegassem neste Gestor a manutenção
dos respectivos bens patrimoniais;
 Fundos comunitários caso fossem apresentadas candidaturas (o que
consideramos possível e recomendável);
 Eventuais receitas próprias, nomeadamente Patrocínios e resultantes da
exploração do Monumento.

Por outro lado poderá ter como despesas associadas a:

 Gestão corrente do Monte;


 Resolução de “passivos” caso estejam asseguradas dotações orçamentais
adequadas e atempadas;
 Acções de valorização, nomeadamente quanto a:

 Divulgação em várias línguas,


 Publicações,
 Painéis interpretativos,
 Entrada do “Parque”,
 Marcação da Carta do Monumento e do “Parque”,
 Circuitos de Visita.

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Esquematicamente apresentamos uma possibilidade de Macro Organização funcional


que consideramos adequada.

MOVIMENTO DE CIDADANIA PATRIMÓNIO E DESENVOLVIMENTO DA NAZARÉ

GESTÃO GLOBAL DO MONTE SÃO BARTOLOMEU

ICNB - Instituto para a CMN


Conservação da Natureza Ligação formal Câmara Municipal da Nazaré

COMISSÃO DE GESTOR DO
CIDADÃOS MONTE SÃO
Património e Desen- BARTOLOMEU
volvimento da Nazaré

MEMBROS: ENTIDADES DE INTERFACE:

Rui Remígio AFN Nome


Armando Macatrão CCDRLVT Nome
Luís Pinto CONFRARIA Nome
Neuza Gomes DRCLVT Nome
DRFLVT Nome
COMISÃO CIENTÍFICA: EDP Nome
EP Nome
Prof. Valdemar Rodrigues Ambiente GNR Nome
Prof. Fátima Sales Botânica PARÓQUIA Padre José Luís Guerreiro
Prof. Jorge Dinis Geologia VALORSUL Nome
Mestre Pedro Penteado História
Paisagem

A Colaboração do Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré será


explanada no parágrafo 7.4..

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7.3. Níveis de intervenção

Agora explicitamos dois níveis de intervenção na Gestão do Monte de São


Bartolomeu (ou de São Brás). Parece-nos claro que é necessário prever que tendo em
conta aspectos operacionais e financeiros, devemos distinguir:

 Gestão Estratégica

 Gestão corrente

A cada um destes níveis de gestão estarão obrigatoriamente associadas entidades,


estas também posicionadas a dois patamares: respectivamente nacionais e locais.

Esquematicamente explicitamos o que atrás expusemos.

MOVIMENTO DE CIDADANIA PATRIMÓNIO E DESENVOLVIMENTO DA NAZARÉ

GESTÃO DO MONTE SÃO BARTOLOMEU

AFN EP - Sede
ICNB - Instituto para a ARTICULAÇÃO
Câmara da Nazaré IGP
Conservação da Natureza INSTITUCIONAL
CCDRLVT SEA
Serviços centrais DGOTDU SEFDR
EDP - Sede VALORSUL

ICNB - Instituto para a ARTICULAÇÃO CMN


Conservação da Natureza LOCAL Câmara Municipal da Nazaré

Serviços descentralizados
CONFRARIA GNR
DRFLVT PARÓQUIA
EDP - Local
EP - Leiria

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7.4. Colaboração do Movimento de Cidadania

Confirmada a constituição do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) como


Património Natural de âmbito Nacional em 2 de Maio de 1979, estamos
determinados num “virar de página na sua gestão”.

Tudo o que já fizemos dá-nos a expectativa que o futuro será muito mais dignificante
para o País, para a Região Oeste e para o Concelho da Nazaré.

NADA FICARÁ NA MESMA


Assim apresentamos a nossa disponibilidade para continuar a colaborar com todas as
entidades Nacionais, Regionais e Locais participando numa “co-produção“ tendo em
conta o interesse do cidadão nas vertentes culturais, sociais e económicas.

No centro do conceito de co-produção está


o reconhecimento de que os serviços públicos respondem
melhor às necessidades e expectativas
dos seus utentes quando trabalham em conjunto com eles,
beneficiando da sua experiência de vida e de conhecimento.

Maria Manuela Leitão Marques27

Acrescentamos que o nosso Movimento de Cidadania pode acrescer a capacidade de


execução colmatando a escassez em recursos humanos e orçamento para despesas
administrativos, que as entidades públicas invocam assiduamente como escassos.

A nossa oferta de colaboração situa-se em duas grandes fases: INICIAL e de


SEGUIMENTO como abaixo sinteticamente se discriminam.

27
Secretária de estado da Modernização Administrativa na Revista Interface Administração Pública de
Novembro de 2010
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INICIAL

Colaboração na elaboração do Plano Estratégico e de Acção visando a


valorização do Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) numa perspectiva de
Desenvolvimento Sustentável.

Articuladamente, poderemos colaborar na preparação dos Protocolos a serem


celebrados entre o ICNB e outras entidades nacionais e regionais.

SEGUIMENTO

Em qualquer modelo que seja embelecido para a gestão do Monte, este


Movimento não abdica de elaborar um “Relatório de seguimento” anual que
distribuirá às entidades que considerar conveniente.

Neste Relatório apresentaremos os aspectos que teremos como positivos e


como negativos, com recurso a fotografias sempre que adequado. Também
faremos as nossas propostas.

Apresentaremos as nossas denúncias às entidades que considerarmos


apropriadas sempre que as circunstâncias se imponham.

Sempre que pertinente, apresentaremos as nossas propostas e/ou sugestões.

MOVIMENTO DE CIDADANIA PATRIMÓNIO E DESENVOLVIMENTO DA NAZARÉ

COLABORAÇÃO DO MOVIMENTO DE CIDADANIA

INICIAL
APOIO À ELABORAÇÃO PLANO NACIONAL DE VALORIZAÇÃO
(Estratégico e de Acção)

Identificação do conhecimento existente sobre o Monte de São Bartolomeu no meio turístico


Quantificação e caracterização das visitas actuais
Caracterização de grandes objectivos a atingir (Económicos e Pedagógicos)
Identificação das principais acções a desenvolver
Identificação das entidades envolvidas na Gestão do Monte
Análise de linhas de financiamento disponíveis
Análise de outros eventuais recursos de financiamento identificáveis

APOIO À ELABORAÇÃO DE PROTOCOLOS ICNB - Serviços Centrais / Entidades

Proposta de soluções
Apoio à elaboração de minutas de Protocolos
Apoio a negociações

SEGUIMENTO
RELATÓRIOS DE SEGUIMENTO (periocidade anual)

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8. CONSULTA PÚBLICA

Este Relatório foi elaborado no âmbito da Consulta Pública promovida pelo ICNB e que
decorreu entre 15 de Novembro e 20 de Dezembro de 2010.

O Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré com mais de 2.000


(dois mil aderentes) promoveu e dirigiu uma Sessão Pública no dia 3 de Dezembro na vila
da Nazaré.

O cartaz referente ao evento foi afixado em diversos locais do concelho da Nazaré,


divulgado no Facebook e difundido por mailing por correio electrónico.

Fig. 8.1 – Cartaz da Sessão Pública

Esta Sessão teve a participação de um representante do ICNB e contou com uma


assistência muito significativa e participativa na qual estava incluía uma turma da Escola
Profissional da Nazaré e outra do Agrupamento de Escolas da Nazaré.

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ForamMovimento deforma
convidadas, de Cidadania Património
personalizada, e Desenvolvimento
as entidades da
que abaixo se discriminam
com uma única excepção (a EDP) por não nos
Nazaré ter sido possível identificar a Direcção e
Director em tempo útil:

RECLASSIFICAÇÃO E GESTÃO DO MONTE DE SÃO


BARTOLOMEU

- MONUMENTO NATURAL NACIONAL


Entidades convidadas a participar na Sessão Pública

de 3 de Dezembro 2010 às 14.30 horas no Salão Mar Alto

Assembleia Municipal da Nazaré

AFN – Autoridade Florestal Nacional

Câmara Municipal da Nazaré

CCDRLVT

Confraria de Nª Sra. da Nazaré


DGOT DU – Direcção Geral do Ordenamento do Território e do
Desenvolvimento Regional

EDP – Energias de Portugal

Estradas de Portugal

GNR – Guarda Nacional Republicana


ICNB – Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade

Junta de Freguesia de Famalicão

Junta de Freguesia da Nazaré

Junta de Freguesia de Valado dos Frades

Paróquia de Nossa Sra. das Areias (Nazaré)

Turismo do Oeste

Secretaria de Estado do Ambiente

Secretaria de Estado das Floresta e do Desenvolvimento Rural


VALORSUL - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos das Regiões de
Lisboa e Oeste, SA

Fig. 8.2 – Entidades convidadas para a Sessão Pública

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O Programa da Sessão foi divulgado e teve um leque de oradores difícil de reunir e


cativou a atenção e intervenção da assistência.

Na primeira parte da Sessão foram apresentadas as valências do Monte de São


Bartolomeu (ou de são Brás) nas áreas da Geologia, da Botânica, do Ambiente e do
Desenvolvimento Sustentável e, ainda, da História e da Lenda.

Na segunda parte da mesma foi possível apresentar o filme que constitui o Anexo 4.5
deste Relatório e apresentar as propostas deste Movimento quanto à Gestão deste
Património Natural Nacional em diálogo com os participantes.

Fig. 8.2 – Programa da Sessão pública

Globalmente foram apreciadas as participações dos oradores, revelando-se como


especialistas profundamente conhecedores do Monte de São Bartolomeu (ou de São
Brás) e empenhados em colaborar com este Movimento de Cidadania.

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A Nazaré esteve de parabéns por esta Sessão Pública com ênfase na Geologia, na
Botânica, no Ambiente e no Desenvolvimento Sustentável e, ainda, na História e na
Lenda.

Como conclusão geral desta jornada podemos sintetizar:

É uma obrigação considerar este Património como um recurso com elevado potencial
para o turismo e para acções pedagógicas a diferentes níveis de escolaridade.

O Monte de são Bartolomeu é a “ILHA DA NAZARÉ, a “JANGADA DA PEDRA E AS SUAS


NAVEGAÇÕES” e um “MUSEU AO AR LIVRE”.

O Concelho da Nazaré e a Região Oeste ficarão mais prestigiadas com uma


valorização do Monte de São Bartolomeu e com a criação de um “Parque Natural
Regional” na envolvente do mesmo.

Fig. 8.3 – Aspectos da Sessão Pública

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Fig. 8.4 - A Jangada de Pedra e as suas Navegações

Fig. 8.5 - A Nazaré tem uma Ilha

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Juntam-se em Anexo as apresentações dos oradores

Anexo 8.1

Apresentação do Prof. Doutor Jorge Dinis

Anexo 8.2

Apresentação da Profa. Doutora Fátima Sales

Anexo 8.3

Apresentação do Sr. Júlio Almeida

Notamos que a Apresentação do Sr. Prof. Doutor Valdemar Rodrigues se baseou no seu
Parecer que constitui o Anexo 4.6 deste Relatório.

A apresentação do Eng. Rui Remígio não segue junto, pois é substituída por este Relatório que
está muito mais desenvolvido e enriquecido com os contributos dos oradores e dos
participantes.

Pelo Movimento de Cidadania Património e Desenvolvimento da Nazaré

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LISTAGEM DE ANEXOS

Anexo 3.1 - Facies de grão fino do gabro- sub ofítico do Monte de S. Bartolomeu (Nazaré)
Anexo 3.2 - Geomonumentos – Uma reflexão sobre a caracterização e enquadramento num
projecto nacional de defesa e valorização do Património Natural
Anexo 3.3 - Basalto da Nazaré – Idade K-A
Anexo 3.4 - First alkaline magmatism during iberia-Newfoundland rifting
Anexo 3.5 - Memórias da Real Casa de N. Senhora de Nazareth
Anexo 3.6 - Plano Sectorial da Rede Natura 2000, habitats naturais
Anexo 3.7 - Lista de avifauna
Anexo 3.8 - Proposta de Decreto Regulamentar
Anexo 4.1 - Concelho da Nazaré, Arrolamento dos bens culturais da Freguesia da Nazaré de 25
de Abril 1929
Anexo 4.2 - Ministério da Justiça e dos Cultos, Direcção Geral da Justiça e dos Cultos
Anexo 4.3 - Parecer Prof. Doutora Fátima Sales
Anexo 4.4 - Parecer Prof. Doutor Jorge Dinis
Anexo 4.5 - Filme sobre a situação em 24 Jul 2010
Anexo 4.6 - Parecer Prof. Doutor Valdemar Rodrigues
Anexo 4.7 - Slide show sobre correcção da situação actual
Anexo 5.1 - Monte de São Bartolomeu (ou de São Brás) – História e Lenda
Anexo 5.2 - A floristic island in western Portugal
Anexo 5.3 - Monte de S. Bartolomeu, Nazaré – Sítio Classificado, Património a Defender
Anexo 5.4 - Projecto de Decreto Regulamentar ajustado
Anexo 6.1 - Carta de 23/11/2010 da Escola Profissional da Nazaré ao ICNB
Anexo 6.2 - Percurso Pedestre – Gramíneas de altitude da Serra da Estrela
Anexo 8.1 - Apresentação do Prof. Doutor Jorge Dinis
Anexo 8.2 - Apresentação da Profa. Doutora Fátima Sales
Anexo 8.3 - Apresentação do Sr. Júlio Almeida

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LISTAGEM DE FIGURAS

Fig. 4.1 - Linha de média tensão - Vista de poente (tirada da variante à Nazaré)
Fig. 4.2 - Linha de média tensão - Vista do Monte para poente
Fig. 4.3 - Parcela B do talhão 71 cedida em 1986 para lixeira
Vista tirada do cume do Monte São Bartolomeu
Fig. 4.4 - Acesso a máquinas que instalaram o posto de vigia
Fig. 4.5 - Recobrimento da célula 1 com arbustos de geração espontânea
Fig. 4.6 - Os dois edifícios totalmente brancos não deviam existir
Fig. 4.7 - Placa colocada à entrada da instalação
Fig. 4.8 - Vista geral da Estação de transferência (foto tirada de nascente para poente)
Fig. 4.9 - Camião de recolha de RSU saindo da instalação
Fig. 4.10 - Depósito de RCD e actividade de sucateiro - É bem visível um pequeno autocarro da
Câmara Municipal da Nazaré (27 Nov 2010)
Fig. 4.11 - Depósito de RCD e actividade de sucateiro - Também são visíveis outros veículos
em fim de vida (27 Nov 2010)
Fig. 4.12 - Sinalética no sentido Nazaré - Valado dos Frades
Fig. 4.13 - Sinalética no sentido Valado dos Frades – Nazaré
Fig. 4.14 – Sinalética como se tratasse de um simples miradouro
Fig. 4.15 – Poste como de sinalética citadina
Fig. 4.16 - Pilha de madeira na estrada Nazaré – Valado dos Frades
Fig. 4.17 - Postes no início do acesso ao monte
Fig. 4.18 - Circuito pedestre atravessando a Zona de protecção
Fig. 4.19 - Exemplos da falta de sistema de higiene e limpeza
Fig. 4.20 - Estado do acesso ao cume do Monte
Fig. 4.21 - Estado da Capela
Fig. 4.22 - Cobertura da Casa do Ermitão e da Capela (é visível o abandono)
Fig. 4.23 – Aspectos da Torre de vigilância contra incêndios
Fig. 4.24 - Torre de vigilância contra incêndios (multicolor)
Fig. 4.25 - Base de marco geodésico removido
Fig. 4.26 - Pormenor da passagem desnivelada junto da Estação de transferência
Fig. 4.27 - Variante à Nazaré na zona do Monte de São Bartolomeu
Fig. 4.28 - Planta da Estação de transferência (é visível a possibilidade de acesso por poente)
Fig. 4.29 - Resolução de "passivos" - Quadro síntese com indicação de entidades envolvidas
em Protocolos

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Fig. 5.1 - Pequena elevação a sul do Monte São Bartolomeu


Fig. 5.2 - Afloramentos na envolvente do Monte São Bartolomeu
Fig. 5.3 - Duna parabólica
Fig. 5.4 - Parque Natural Regional do Monte de São Bartolomeu (ou de são Brás)
Fig. 5.5 - Planta com Zona de protecção e Zona tampão
Fig. 6.1 - Folheto sobre o Monte de São Bartolomeu
Fig. 6.2 - Festas de São Brás em 2009
Fig. 6.3 - Alunos na Sessão Pública
Fig. 6.4 - Vista dos alunos do Curso de Turismo
Fig. 6.5 - Exemplo de quadros interpretativos ao ar livre (Ilha de Mainau, Lago Constança,
Alemanha)
Fig. 8.1 - Cartaz da Sessão pública
Fig. 8.2 - Programa da Sessão pública
Fig. 8.3 - Aspectos da Sessão Pública
Fig. 8.4 - A Jangada de Pedra e as suas Navegações
Fig. 8.5 - A Nazaré tem uma Ilha

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