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“identidade” um tema de graves preocupações e agitadas

controvérsias. As pessoas em busca de identidade se veem


invariavelmente diante da tarefa intimidadora de “alcançar o
impossível” [...] Tornamo-nos conscientes de que o “pertencimento”
e a “identidade” não têm a solidez de uma rocha, não são
garantidos por toda a vida, são bastante negociáveis e revogáveis,
e de que as decisões que o próprio indivíduo toma, os caminhos
que percorre, a maneira como age – são fatores cruciais tanto para
o “pertencimento” quanto para a “identidade” (2005, p.16-17).

Hall (2011) apresenta três construções conceituais de identidade: o


sujeito iluminista, o sociológico e o pós-moderno. O sujeito
Iluminista como um ser contínuo, concreto, cujo núcleo de si nasce
com ele e se desenvolve, mas não implica um processo de
descentramento do eu que permanece unificado, masculino. O
sujeito sociológico, já inserido na modernidade, apresenta uma
identidade interativa entre o eu e a sociedade, mas que ainda
mantém um núcleo, um tipo de essência que ele chama de “eu
real”, sempre transformado pelo mundo pessoal e cultural exterior.
Já o sujeito pós-moderno é fruto do colapso estrutural e institucional
onde as nossas necessidades objetivas e subjetivas se tornam
muito variáveis, complexas e, portanto, frágeis no sentido de
estarem em constante mobilidade.

“a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente é


uma fantasia” (2011, p. 13).

a própria noção de uma identidade cultural idêntica a si mesma,


autoproduzida e autônoma, tal como a de uma economia auto-
suficiente ou de uma comunidade politica absolutamente soberana,
teve que ser discursivamente construída no "Outro" ou através dele,
por um sistema de similaridades e diferenças, pelo jogo da
différance e pela tendência que esses significados fixos possuem
de oscilar e de deslizar (HALL, 2013, p. 127).
O simulacro é construído sobre uma disparidade, sobre uma
diferença, ele interioriza uma dissimilitude. Eis por que não
podemos nem mesmo defini-lo com relação ao modelo que se
impõe às copias, modelo do Mesmo do qual deriva a semelhança
das copias. Se o simulacro tem ainda um modelo, trata-se de um
outro modelo, um modelo do Outro de onde decorre uma
dessemelhança interiorizada (2011, p. 263)

Nascem os simulacros de nós mesmos: “falsos pretendentes,


construídos a partir de uma dissimilitude, implicando uma
perversão, um desvio essenciais” (DELEUZE, 2011, p. 262).

a "naturalidade" do pressuposto de que "pertencer-por-nascimento"


significava, automática e inequivocamente, pertencer a uma nação
foi uma convenção arduamente construída - a aparência de
"naturalidade" era tudo, menos "natural”. (...) A aparência de
naturalidade, e assim também a credibilidade do pertencimento
declarado, só podia ser um produto final de antigas batalhas
postergadas. E a sua perpetuação não podia ser garantida a não
ser por meio de batalhas ainda por vir (BAUMAN, 2005, p. 29).

Um rizoma não começa nem conclui, ele se encontra sempre no


meio, entre as coisas, inter-ser, intermezzo. A árvore é filiação, mas
o rizoma é aliança, unicamente aliança. A árvore impõe o verbo
"ser", mas o rizoma tem como tecido a conjunção "e... e... e..." Há
nesta conjunção força suficiente para sacudir e desenraizar o verbo
ser. Entre as coisas não designa uma correlação localizável que
vai de uma para outra e reciprocamente, mas uma direção
perpendicular, um movimento transversal que as carrega uma e
outra, riacho sem início nem fim, que rói suas duas margens e
adquire velocidade no meio.