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AVALIAÇÃO DO RISCO DA DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA EM


SISTEMAS PÚBLICOS DE ABASTECIMENTO

Conference Paper · September 2011

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Davide Manuel Dos Santos Madalena Moreira


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AVALIAÇÃO DO RISCO DA DEGRADAÇÃO DA QUALIDADE DA
ÁGUA EM SISTEMAS PÚBLICOS DE ABASTECIMENTO
Davide Santos*1, Madalena Moreira2 e António Betâmio de Almeida3
1
Universidade de Évora – Évora, Portugal; DHV – Maputo, Moçambique.
1
Universidade de Évora, ICAAM-ASC – Évora, Portugal
3
Instituto Superior Técnico (IST) – DECivil – CEHIDRO – Lisboa, Portugal
*Email: dmgsantos@gmail.com

RESUMO

A água para consumo humano está sujeita a ameaças desde o seu ponto de captação até ao
ponto de consumo, que podem comprometer em diversos graus e formas, a qualidade da água
fornecida ao consumidor e originar riscos para a saúde pública.
Na actualidade, não é suficiente disponibilizar água em quantidade e pressão adequadas ao
longo das 24 horas do dia, pois a sua qualidade é de uma importância crescente para todos os
agentes envolvidos.

A gestão do risco aplicada à qualidade da água assume, assim, uma importância superior,
sendo necessária e emergente a discussão apresentada neste trabalho, sobre a problemática da
avaliação e gestão do risco da qualidade da água em sistemas públicos de abastecimento
procurando que o risco seja minimizado.

Neste trabalho começa-se pela adaptação do conceito técnico do risco à qualidade da água
para consumo humano em sistemas públicos de abastecimento.

Não sendo o risco percepcionado necessariamente coincidente com o risco real, discutir-se-ão
os mecanismos que influenciam a percepção da qualidade da água pelo consumidor e
respectivos riscos para a saúde humana.

Na sequência desta abordagem ao tema, pretende-se apresentar as ameaças e riscos a que a


qualidade da água num sistema de abastecimento está sujeita, assim como, as medidas a tomar
para a sua prevenção e/ou diminuição.

Considerando eficaz a aplicação da metodologia de Gestão do Risco da Norma ISO 31000 à


Gestão do Risco da Qualidade da Água para consumo humano em sistemas públicos de
abastecimento de água, são apresentadas as considerações finais.

I - CONCEITO TÉCNICO DE RISCO E SUAS DEFINIÇÕES

O conceito de risco apresenta-se em várias dimensões, entre elas, as psicológicas,


sociológicas, filosóficas e culturais [Almeida, 2010]. Relativamente a um sistema de
abastecimento de água podemos indicar duas dimensões [TECHNEAU, 2010a]:
 Perda de qualidade (originando impactes na saúde pública), e
 Perda de quantidade (resultante da indisponibilidade de água ou interrupções de
abastecimento).

1
A análise quantitativa do risco não deve ignorar a percepção individual e social do risco
[Almeida, 2010].
Define-se risco como o efeito da incerteza nos objectivos [ISO/FDIS 31000, 2009]:
 Um efeito é o desvio relativamente ao esperado – positivo ou negativo.
 Os objectivos podem ter diferentes aspectos (tais como: objectivos financeiros, saúde
pública ou segurança e ambientais) e pode ser aplicado a diferentes níveis (tais como:
estratégicos, na organização, projecto, produto ou processo).

O conceito técnico de risco apresenta o risco como o produto da probabilidade de ocorrência e


as consequências e pode ser quantificado pelo valor expectável de perdas/danos [Almeida,
2010]:

Relativamente à qualidade da água, a probabilidade de ocorrência pode ser medida por


[TECHNEAU, 2010a]:
 Probabilidade (valor médio) dos consumidores consumir água infectada durante o ano.
 Probabilidade (valor médio) dos consumidores serem infectados pela água de
abastecimento durante o ano.
 DALY = Disability-Adjusted Life Years, [Anand et al., 1997].

Relativamente à quantidade de água, a probabilidade de ocorrência pode ser medida por


[TECHNEAU, 2010a]:
 CML = Customer Minutes Lost, corresponde à média de minutos de água potável que
não é abastecida a um consumidor médio.
 Número médio de consumidores afectados por uma suspensão de fornecimento de
água potável durante o ano.

A componente consequências pode ser decomposta, do ponto de vista operacional, no produto


entre a exposição e a vulnerabilidade (susceptibilidade) [Almeida, 2010]:
 A exposição é o valor em risco ou exposto ao impacto da ameaça – danos potenciais
(totais).
 A vulnerabilidade é o grau de perda no valor exposto (0 < V < 1).

II - PERCEPÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA PELO CONSUMIDOR

Compreendendo que no conceito de percepção do risco na qualidade da água e seu consumo,


a gestão do risco não passa exclusivamente pela garantia de que as infra-estruturas e
processos, bem como os critérios e parâmetros estabelecidos para a saúde pública por
organismos como a OMS, IWA, são realmente fiáveis e seguros, existe em igual proporção de
relevância o factor psicológico associado à percepção do risco. Não basta que a água
fornecida para consumo humano cumpra os parâmetros de qualidade e seja considerada
segura, ela tem que parecer e ser intuída como segura para que a percepção do risco pelo
consumidor seja desprezável.

Dória [2010], no seu estudo sobre a percepção da qualidade da água, vem afirmar a
importância dos parâmetros organolépticos na percepção da qualidade da água e do serviço
pelo consumidor, gerando satisfação e vontade de pagar, já que este relaciona os parâmetros
organolépticos com o risco para a saúde.

2
Os riscos percepcionados de água potável são influenciados pelos mesmos mecanismos
cognito-emotivos afectos aos outros riscos, manifestando-se na saúde pública como distúrbios
gastrointestinais, doenças infecciosas, contaminação e cancro.

Os indicadores contextuais (e.g.: evidência de degradação do sistema de abastecimento de


água, poluição hídrica e ambiental, evidência de manutenção e controlo do sistema, satisfação
da vizinhança, etc.) vêm influenciar uma percepção indirecta pelo consumidor, da qualidade
da água consumida. Estes indicadores, como fonte de informação, estão associados à
designada experiência prévia, podendo afectar fortemente a percepção de qualidade da água e
do risco do seu consumo para a saúde pública.

A experiência prévia define-se como o conhecimento e percepção pessoal (informação interna


ou pessoal) adquiridos pelo consumo de água no passado, através de uma análise continuada
dos parâmetros organolépticos.

A experiência prévia é influenciada pelas mais diversas fontes de informação pessoal ou


directa, interpessoal ou externa (e.g.: satisfação da vizinhança, comunicação social, amigos,
familiares, etc.).
Na temática do risco associado ao consumo de água pelas populações, a comunicação pública
é vital para a percepção do consumidor de que o sistema está a ser eficazmente controlado.
Esta comunicação contribui para a confiança nas companhias de água e outros organismos.
A fonte da informação também é relevante, observando a seguinte ordem decrescente de
importância: informação dos sentidos (informação pessoal), cientistas e ONGs, grupos
governamentais e média, companhias de água, satisfação da vizinhança (informação
interpessoal).

A comunicação revela-se como um meio efectivo para que o consumidor leigo aproxime o
seu conhecimento do consumidor especialista, tendo assim uma percepção do risco mais
próxima do “real”.

A percepção do risco no consumo da água também é influenciada por outros factores, como
sejam, os demográficos (idade, género, educação, etc.), o passado cultural e as diversas visões
do mundo (e.g.: o carácter religioso da água em algumas culturas/religiões pode interferir na
percepção da poluição, ou ainda na promoção das boas práticas de conservação da água).

No estudo desenvolvido por Dória [2010] concluí-se que a confiança no consumo da água
está intimamente ligada à percepção sensorial desta, assim como, à percepção de variância ou
constância de todos estes parâmetros.

O trabalho desenvolvido por Dória [2010] fundamenta-se em estudos dos mais variados
autores, cujas referências se aferem a países como Estados Unidos da América (EUA),
Canadá, França, Itália e Austrália.
Compreende-se, então, que noutras zonas do planeta, como América Latina, África e Ásia, a
percepção do risco é naturalmente diferente.

III - RISCO DA QUALIDADE DA ÁGUA EM SISTEMAS PÚBLICOS DE


ABASTECIMENTO

TECHNEAU [2010b] refere que o objectivo principal do sector de abastecimento de água é


providenciar aos consumidores o abastecimento de água ininterrupto com elevada qualidade
estética e o mínimo de risco para a saúde. No entanto, por causa das potenciais ameaças na
3
água bruta, tratamento e distribuição, o sistema de abastecimento e os consumidores estão
expostos a uma elevada variedade de riscos. Além disso, mudanças climáticas, evolução da
sociedade e a emergência de novos contaminantes criam constantemente novos riscos nos
sistemas de abastecimento de água. Como resultado, as companhias são obrigadas
continuamente a adaptar-se, para uma eficaz gestão dos riscos e cumprimento dos objectivos
comuns.

A gestão do risco é um processo que contempla, desde a descrição inicial do objectivo e


propósito da gestão do risco, à identificação dos perigos e à estimativa dos riscos, através da
avaliação da tolerância ao risco e identificação de potenciais reduções do mesmo, para a
selecção e implementação de medidas apropriadas de gestão do risco [TECHNEAU, 2010b].
IWA/IRAR [2005] propõe um enquadramento para o abastecimento seguro de água de
consumo humano, incorporando: o desenvolvimento de planos de segurança da qualidade da
água de consumo para avaliação do risco nos sistemas de abastecimento de água e mitigação
dos mesmos e a medição da qualidade da água através de padrões relevantes.

A gestão do risco inclui também a monitorização do risco e acompanhamento durante a


operação. Este acompanhamento deverá ser temporal e espacial, ou seja, os sistemas que
asseguram a qualidade da água de consumo não devem ser apenas baseados na verificação
efectuada no fim do processo, mas deverão ser implementados sistemas de gestão para avaliar
o risco em todos os componentes dos sistemas de abastecimento de água, assim como utilizá-
los para gerir o próprio risco.
Os planos requerem, também, procedimentos para verificar a efectividade dos sistemas de
controlo da gestão criados e a qualidade da água produzida.
Há três estágios chave que suportam um Plano de Segurança eficiente [TECHNEAU, 2010b;
IWA/IRAR, 2005]:
 Avaliação sistemática do risco desde a captação até à torneira do consumidor.
 Identificação e monitorização dos pontos de controlo mais eficientes para reduzir o
risco identificado.
 Desenvolvimento de sistemas de gestão eficientes e planos operacionais para lidar
com condições de operação normais e anormais. Deve ser dada atenção à potencial
ocorrência de eventos graves e à gestão a realizar no caso de esses eventos ocorrerem.

Precisa de ser enfatizado que a gestão do risco é um processo interactivo de actualização


constante, sempre que nova informação se torna disponível e as pré-condições mudam
[TECHNEAU, 2010b].

Uma gestão do risco com sucesso também requer uma comunicação cuidada e transparente
entre os vários parceiros envolvidos, ou seja, deve ser assegurada uma completa divulgação
dos resultados da avaliação, da conformidade e dos problemas que ocorrem, de forma a
garantir a total compreensão por todos do modo como são tomadas as decisões em relação a
padrões de qualidade e fiabilidade do abastecimento de água [TECHNEAU, 2010b;
IWA/IRAR, 2005].

Estes sistemas para serem eficientes têm de se enquadrar numa estrutura apropriada na qual as
tarefas e responsabilidades são claras e onde é assegurado o fluxo de informação-chave entre
as partes do processo (governos, autoridade reguladora, distribuidores de água e
consumidores) que devem partilhar informação relativa à prossecução e à manutenção da
qualidade da água através de um diálogo permanente e aberto. Aquando da análise do risco,
deverá ser identificada uma equipa relevante de parceiros, e.g., proprietários dos sistemas de
abastecimento de água, gestores de segurança, consumidores, municípios e autoridades de
4
saúde. Estes, decidem onde algumas restrições devem ser consideradas, ou onde incluir
algumas ameaças ou opções de redução do risco. Parceiros críticos, e.g., hospitais, jardins-de-
infância e escolas devem ser identificados e ser-lhes dada especial atenção durante a análise
[TECHNEAU, 2010b; IWA/IRAR, 2005].

IWA/IRAR [2005] refere que um plano de segurança da qualidade da água de consumo,


identifica riscos credíveis desde a captação ao consumidor, ordena esses riscos por prioridade
e cria controlos que os possam mitigar.

A OMS in TECHNEAU [2010b] define água potável segura como a água que não representa
nenhum risco significativo para a saúde ao longo da vida de consumo, incluindo as diferentes
sensibilidades que podem ocorrer entre estágios de vida.
Seguro, não representa uma ausência de qualquer risco, já que um standard absoluto
significaria que nenhuma água alguma vez cumpriria este standard e que nenhuma água
poderia alguma vez ser considerada segura. Isto pode levar ao conceito segurança da água
sem sentido. Todavia, segurança é um conceito relativo [TECHNEAU, 2010b].
A definição de seguro, que pode ser mais apropriada, considerará um nível de risco tão
desprezável quanto razoável, um indivíduo bem informado não necessita de se preocupar com
isso, nem encontrar nenhuma base razoável para mudar o seu comportamento para evitar esse
pequeno, mas não nulo, risco. A água deve ser de qualidade, segura e esteticamente aceitável.
No entanto, na progressiva tomada de consciência dos objectivos, os padrões de qualidade
aplicados podem legitimamente variar de lugar para lugar e ao longo do tempo [TECHNEAU,
2010b; IWA/IRAR, 2005; Dória, 2005].

Especificamente no contexto de água potável esta definição implica que água segura refere-se
a água que pode ser consumida sem a expectativa de morte ou doença grave. Segurança
implica que uma definição de um especialista de risco como desprezável deve ser igualmente
categorizada por um não especialista como aceitável, numa qualquer assumpção
problemática, ou ainda, a experiência passada e o conhecimento técnico de um especialista
pode levar a um diferente julgamento acerca do risco, e diversos estudos documentaram
diferenças significativas entre especialistas e o público, na percepção do risco [TECHNEAU,
2010b; Dória, 2005].

A Internacional Water Association in TECHNEAU [2010b], aponta que um abastecimento


confiável de água potável é fundamental para a saúde pública e desenvolvimento económico.
A OMS in TECHNEAU [2010b], conclui que um estudo detalhado do risco e a abordagem da
gestão do risco é a mais efectiva forma para assegurar a segurança da água de abastecimento.
O estabelecimento do critério de aceitabilidade e tolerância ao risco no sector da água é um
dos aspectos menos compreendidos na gestão do risco.

IWA/IRAR [2005] refere que os sistemas de controlo de gestão devem ser adequados à
dimensão e à complexidade do sistema de abastecimento. Para sistemas de abastecimento
menores, pode ser apropriado o uso de um programa mais genérico. Os sistemas de controlo
de gestão devem incluir: definição de responsabilidades; procedimentos documentados; plano
de formação para assegurar que o pessoal operacional chave e outros tenham a necessária
experiência.
A avaliação da eficiência dos sistemas de controlo de gestão é também essencial e os
elementos necessários incluem [IWA/IRAR, 2005]:
 Desenvolvimento de medições eficientes para avaliar a eficácia dos controlos que
foram criados e a sua incorporação no plano.

5
 Verificação da eficiência dos sistemas de controlo por uma entidade terceira e
independente. O objectivo de tal verificação é assegurar de que os sistemas são
eficientes.

A qualidade da água numa rede de distribuição está tipicamente em alteração contínua, que
muda devido a processos microbiológicos e físico-químicos. Os processos de degradação da
qualidade da água são complexos e ainda não são bem entendidos, dependendo de factores
como: idade da tubagem, tipo de tubagem e natureza do material, condições de projecto e de
operação, e ainda, o tempo de residência hidráulica. Podemos ainda acrescentar que os
indicadores de degradação das infra-estruturas de abastecimento de água incluem o aumento
da frequência de fugas e de rupturas, redução da capacidade hidráulica, detecção de sabor,
cheiro e turvação e aumento das necessidades de desinfectante devido à presença de
subprodutos da corrosão e outros contaminantes [Sadiq et al., 2004; TECHNEAU, 2010a].

Um sistema de abastecimento de água é tipicamente formado pela captação de água


(subterrânea ou de superfície), estação de tratamento de água, sistema adutor (incluindo
tubagens e reservatórios) e rede de distribuição. Enquanto a qualidade da água pode ser
comprometida em qualquer componente, a falha na rede de distribuição pode ser
extremamente crítica porque está próxima do ponto de consumo, onde não há, virtualmente,
nenhuma barreira antes do consumo. Será ainda de referir que [Sadiq et al., 2004]:
 Uma rede de distribuição pode compreender (dependendo da sua dimensão) centenas
de quilómetros de tubagens de diferentes idades e materiais.
 As condições operacionais e ambientais sob a qual as tubagens funcionam, podem
variar significativamente dependendo da localização das tubagens dentro da rede.
 Uma vez que as tubagens não são visíveis, é relativamente difícil e dispendioso a
avaliação do seu desempenho e deterioração, por esse motivo poucos dados de campo
poderão estar disponíveis.
 Alguns factores e processos que afectam o desempenho da tubagem ainda não são
completamente compreendidos.
 É substancialmente difícil determinar a validade e causa exacta para a contaminação
da água ou aparecimento de doenças por ingestão de água porque são frequentemente
investigados depois de o evento terminar.
No entanto, os sistemas de abastecimento de água além de apresentarem o risco de falhar
devido a causas naturais, também podem falhar por causas antropogénicas associadas a acções
não intencionais (erros operacionais ou de manobra) ou intencionais (actos de terrorismo) [El-
Baroudy et al., 2006].

Os pontos de vulnerabilidade de um sistema de abastecimento de água são usualmente


classificados como [Huipeng, 2007):
1. A captação de água (e.g., rios, albufeiras e poços);
2. Estação de tratamento de água (ETA) que remove impurezas e agentes nocivos e torna
a água apropriada para consumo doméstico e outros usos;
3. Rede de distribuição de água que fornece a água potável, de acordo com a procura,
para as habitações, estabelecimentos comerciais e indústrias;
4. Armazenamento (reservatórios) e
5. Outras instalações (adutoras, canais, bombas, válvulas, etc.).

6
Tabela 1. Ameaças potenciais de um sistema de abastecimento de água
[adaptado de TECHNEAU, 2009; Huipeng, 2007; Sadiq et al, 2004].
Função - Elemento Ameaça Potencial
Origem - Rio Cheias
Descarga de Efluentes Domésticos
Descarga de efluentes Industriais
Derramamentos
Origem - Albufeira Cheias
Gado
Contaminação local
Origem - Poços e furos Contaminação mineral subterrânea
Actividade Humana
Contaminação local
Transporte - Adutoras e canais Cheias
Aluimento de terras
Temperaturas extremas
Incorrecta operação de válvulas
Factura de tubagem
Trabalhos em adutora sem pressão
Permeabilidade de compostos orgânicos do solo para o sistema
Intrusão por baixa pressão (adutoras)
Sabotagem
Tratamento - ETA Inundações
Contaminação química e biológica
Falha no Processo de Controlo
Falha no Equipamento
Incorrecta operação de válvulas
Falha no alarme e monitorização
Recursos humanos inadequados ou insuficientes
infra-estruturas inadequadas ou insuficientes
Falha de energia
Bombeamento - Elevatórias Inundações
Aluimento de terras
Terrorismo e Sabotagem
Falha de Controlo
Incorrecta operação de válvulas
Falha de Equipamento
Falha no alarme e monitorização
Choque hidráulico
Avaria na elevatória em zonas sem reserva
Recursos humanos inadequados ou insuficientes
Infra-estruturas inadequadas ou insuficientes
Falha de energia
Armazenamento - Reservatórios Contaminação
Reservatórios vazios devido a erro de comunicação
Fornecimento - Rede de Distribuição Aluimento de terras
Cargas Externas
Características do Solo
Ligações cruzadas/retorno
Retorno de água inadvertido dos edifícios
Retorno de água intencionado dos edifícios (sabotagem)
Consumos anormalmente elevados (e.g.: incêndios, outros consumos)
Trabalhos em tubagem sem pressão
Factura de tubagem
Permeabilidade de compostos orgânicos do solo para o sistema
Lixiviação de produtos químicos e de corrosão para a água.
Crescimento microbiano na tubagem
Intrusão por baixa pressão
Fugas de colectores domésticos

7
Para TECHNEAU [2009], as ameaças podem ser representadas pelos seguintes grupos:
 Biológicos;
 Químicos;
 Radiológicos ou físicos;
 Indisponibilidade (disponibilidade insuficiente de abastecimento de água aos
consumidores);
 Segurança (segurança para o pessoal);
 Danos externos (danos externos para terceiras partes, incluindo responsabilidade).

Costa [1991] in Santos [1999] refere, relativamente à qualidade da água e às consequências na


saúde pública, que podemos ainda definir uma hierarquia de riscos, que deverão ser
considerados na qualidade da água para consumo humano:
 Riscos de curto prazo: são de natureza microbiológica, por contaminação
bacteriológica da água.
 Riscos de médio prazo: são devidos a substâncias químicas indesejáveis. A partir de
determinadas concentrações estas substâncias tornam-se tóxicas.
 Riscos de longo prazo: são associados a processos de bioacumulação por metais
pesados (e.g.: metais pesados) e outras substâncias não biodegradáveis (e.g.,
pesticidas).

Quando as ameaças são identificadas podem ser analisadas as causas e possíveis


consequências, permitindo introduzir barreiras para reduzir os riscos TECHNEAU [2009].
A redução do risco pode ser ao nível de:
 Prevenir que um evento indesejável ocorra (reduz a sua probabilidade);
 Reduzir as consequências do evento.

IV – A ISO 31000 E A GESTÃO DO RISCO DA QUALIDADE DA ÁGUA EM


SISTEMAS PÚBLICOS DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

A implementação da gestão do risco de acordo com a Norma ISO 31000, permite [ISO/FDIS
31000, 2009]:
 Melhorar a frequência com que são atingidos os objectivos;
 Encorajar a gestão proactiva;
 Estar atentos à necessidade de identificar e tratar o risco através da organização;
 Melhorar a identificação de oportunidades e ameaças;
 Cumprir com a relevância legal, as exigências regulamentares e normas internacionais;
 Melhorar a comunicação;
 Melhorar o governo;
 Melhorar a confiança nos parceiros1;
 Estabelecer uma base confiável para a tomada e decisão e planeamento;
 Melhorar o controlo;
 Alocar e utilizar eficientemente os recursos para o tratamento do risco;
 Aprimorar a performance de saúde e segurança, assim como, a protecção ambiental;
 Melhorar a prevenção de perdas e gestão do incidente;
 Minimizar perdas;

1
Parceiros: Qualquer pessoa ou organização que pode afectar, ou ser afectado, ou percepcionam ser afectadas
por uma decisão ou actividade. O decisor também é um parceiro. (ISO/IEC, 2008)
8
 Melhorar a aprendizagem organizacional; e
 Melhorar a resiliência2 do sistema.

A ISO 31000 [ISO/FDIS 31000, 2009] refere que princípios da gestão do risco:
 Criam e protegem valores;
 São uma parte integral de todos os processos organizacionais;
 São uma parte da tomada e decisão;
 Consideram explicitamente a incerteza;
 São sistemáticos, estruturados e temporais;
 São baseados na melhor informação disponível;
 São adaptados;
 Tomam os factores humanos e culturais em consideração;
 São transparentes e inclusivas;
 São dinâmicos, iterativos e respondem à mudança;
 Facilitam a melhoria contínua da organização.

A estrutura para a gestão do risco pode ser esquematizada conforme figura 1.

Mandato
e
Compromisso

Concepção do
Estrutura de
Gestão do Risco

Melhoria continua Implementação da


da Estrutura Gestão do Risco

Monitorização e
Revisão da
Estrutura

Figura 1. Estrutura para a gestão do risco [adaptado de ISO/FDIS 31000, 2009]

Em que:
Mandato e Compromisso [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]: A
gestão do risco é uma actividade que requer comprometimento contínuo. Este define e reforça

2
Resiliência: capacidade de resistir ser afectada por um evento (ISO/IEC, 2008), ou ainda, também é definida
como a capacidade de recuperar dos efeitos de um evento.
9
a política de gestão do risco; assegura que a cultura organizacional e a política de gestão do
risco são alinhadas; determina os indicadores de gestão de desempenho do risco que alinham
com os indicadores de desempenho da organização; alinha os objectivos da gestão do risco
com os objectivos e estratégia da organização; assegura o cumprimento legal e regulamentar;
atribui a contabilização e responsabilidades nos níveis apropriados dentro da organização;
assegura que os recursos necessários são alocados à gestão do risco; comunica os benefícios
da gestão do risco a todos os parceiros; e assegura que o quadro de gestão do risco contínuo
se mantenha apropriado. Deve ser mandatada da administração, implementada por uma gestão
sénior e suportada por todos os níveis de gestão e donos do risco para ser sustentável.
A definição e aplicação de uma política de gestão do risco e de comprometimento contínuo
por parte de uma entidade gestora de um sistema de abastecimento de água considera o
alinhamento entre a cultura da entidade, a política da gestão do risco, o cumprimento das
disposições legais quanto aos parâmetros que determinam a qualidade da água para consumo
e a definição dos indicadores de performance na gestão do risco afecta à qualidade da água,
sendo que, deverão ser considerados objectivos realistas no que concerne às disponibilidades
financeiras, de infra-estruturas e recursos-humanos.

Concepção da Estrutura da Gestão do Risco [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS


31000, 2009]: Os processos de gestão do risco devem ser bem projectados para possibilitar a
efectiva implementação. Definindo o contexto da estrutura da gestão do risco, a formulação
de uma política de gestão do risco, adequar os processos à prática, alocar recursos e
determinar responsabilidades são todos os elementos chave para desenhar um contexto para
gerir o risco. Um sistema bom e regular de comunicação para com os parceiros e um efectivo
mecanismo de comunicação dará suporte efectivo à implementação.
No âmbito dos processos de gestão associados ao risco da qualidade da água, refere-se que
são imperativos a compreensão da inerente política, do sistema de abastecimento e do seu
contexto, a forma de contabilização do risco da qualidade da água e a identificação do dono
do risco.
Acrescem necessidades, de teor prático e estrutural, como:
• Identificação da forma de integração da gestão do risco no sistema de abastecimento
e na cultura e politicas da entidade gestora, de forma a garantir a integração nas práticas
diárias e estratégicas.
• Alocação de recursos para a gestão do risco: humanos, financeiros, documentais,
metodológicos e processuais, de informação, conhecimento e formação.
• Estabelecimento de mecanismo de comunicação e informação interna e externa.

Cada risco identificado deve ser alocado a um dono do risco. Esta é a pessoa responsável pela
gestão do risco e é geralmente a pessoa directamente responsável pela estratégia, actividade
ou função que se relaciona com o risco. Algumas das principais responsabilidades do Dono de
Risco incluem [RISKCOVER, 2007]:
 Interrupção da aceitação do risco;
 Responsabilidade pela revisão regular do risco;
 Responsabilidade pela informação regular sobre o risco;
 Acompanhamento dos controlos;
 Implementação de todos os tratamentos do risco.
Atribuindo a propriedade do risco garante-se que uma determinada pessoa é responsável por
um determinado risco. Costuma ser inviável ou ineficaz quando a posse de risco é atribuída a
um organismo, como uma unidade de negócios ou de comissão. Uma vez que o risco tenha
sido analisado e avaliado, o Proprietário de Risco toma uma decisão consciente para adoptar
um dos seguintes procedimentos [RISKCOVER, 2007]:

10
 Aceita o risco: a recompensa supera o risco e nos controlos existentes atendem aos
critérios especificados na aceitação do risco;
 Evita o risco: não continuar com a actividade que está associado com o risco;
 Trata o risco: quer reduzir a probabilidade, consequência ou ambos, melhorando os
controlos existentes ou adicionar novos controlos, de modo que o risco pode ser
aceito.

Implementação da Gestão do Risco [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000,


2009]: Uma vez o contexto ter sido projectado, a implementação trata de colocar a teoria em
prática e dar, concretamente, vida ao contexto da gestão do risco. Especificamente, trata-se de
assegurar que a gestão do risco é compreendida pelos donos do risco (através de uma boa
comunicação e treino), e as actividades de gestão do risco tomam lugar (através da
enumeração dos riscos, workshops do risco, controlos internos, etc.) e decisões e processos
que são um factor de pensamento de risco.
Uma entidade gestora de um sistema de abastecimento de água, deve:
 Definir o cronograma e a estratégia de implementação do plano de gestão do risco da
qualidade da água;
 Aplicar e integrar a política da gestão do risco e os respectivos procedimentos às suas
rotinas e procedimentos quotidianos;
 Verificar se cumpre integralmente com os requisitos legais e regulamentares,
nomeadamente a legislação relativa à qualidade da água para consumo humano;
 Assegurar que as tomadas de decisão incluem o desenvolvimento e estabelecimento de
objectivos é estes se encontram alinhados com os resultados da gestão do risco;
 Comunicar e consultar os diversos parceiros para assegurar que a estrutura da gestão do
risco é apropriada.
 Implementar a gestão do risco de acordo com o plano de gestão do risco definido, suas
práticas e processos.

Monitorização e Análise [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]:


Envolve a confirmação de que os vários elementos de gestão do risco e actividades estão
efectivamente funcionando em linha com as expectativas. Quaisquer diferenças identificadas
devem ser documentadas e remediadas.
No sentido de assegurar que a gestão do risco é efectiva e continua a dar suporte à qualidade
da água, a entidade de abastecimento de água deve:
 Medir a gestão do risco de qualidade da água e do sistema com indicadores que sejam
periodicamente revistos, para adequação.
 Periodicamente, avaliar os progressos para verificação do cumprimento do plano de
gestão do risco da qualidade da água.
 Periodicamente verificar se a estrutura da gestão do risco, política e plano são ainda
apropriados, de acordo com o contexto interno e externo.
 Rever a efectivação da estrutura da gestão do risco.

Melhoria Continua [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]: Baseado nos
resultados e revisões, tomam-se decisões e melhoram-se os elementos chave do contexto da
gestão do risco para aperfeiçoar processos correntes e/ou progredir para um contexto de
gestão de risco mais maduro. Uma organização com um comprometimento elevado vai
melhorar os seus processos e amadurecê-los com o tempo.

11
A Composição do Processo de Gestão do Risco pode ser representada de acordo com a
figura 2.

Estabelecimento do Contexto

Avaliação do Risco
Identificação do Risco

Comunicação Monitorização
e Análise do Risco e
Consulta Revisão

Quantificação do Risco

Tratamento do Risco

Figura 2. Processo da gestão do risco [adaptado de ISO/FDIS 31000, 2009]

Comunicação e Consulta [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]: Está


preocupada com o envolvimento dos intervenientes no contexto interno e externo durante
todo o processo de gestão do risco. A Norma promove uma análise de "abordagem de equipa
consultiva". Uma boa comunicação com os parceiros ajudará na fase do Tratamento do Risco
a estabelecer expectativas, a formar o contexto da gestão de riscos e assegurar que as suas
necessidades são consideradas. Ao longo do processo de gestão de risco, várias comunicações
escritas e verbais entre o gestor do risco, dono do risco e as partes interessadas continuarão a
ocorrer.
A comunicação e consulta com e entre os parceiros externos e internos acontece em todos os
estágios do risco. Uma equipa de consulta com os diferentes parceiros (e.g.: autoridade
reguladora, entidades sanitárias, hospitais, escolas, grandes consumidores, outros):
 Ajuda a estabelecer o contexto apropriado.
 Assegura que os interesses dos parceiros são entendidos e considerados.
 Ajuda a assegurar que os riscos são adequadamente considerados.
 Reúne diferentes áreas de especialidade para analisar os riscos.
 Assegura que diferentes visões são adequadamente consideradas na definição e
avaliação do risco.
 Assegura a aprovação e suporte para o plano de tratamento do risco.
 Melhora as mudanças de gestão apropriadas durante o processo da gestão do risco.
 Desenvolve um plano apropriado de comunicação, de consulta interna e externa.

Estabelecimento de contexto [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]:


Estabelecer o contexto é como configurar os parâmetros ou limites do apetite ao risco3 das

3
Apetite ao Risco: Montante ou tipo de risco que uma organização está preparada para perseguir, manter ou
tomar (ISO/FDIS 31000, 2009).
12
organizações e as actividades de gestão de risco. Exige a consideração dos factores externos,
tais como alinhamento social, cultural, político e económico com factores internos, tais como
estratégia, recursos e capacidades. O gestor de risco deve estabelecer o contexto dos processos
de gestão de risco, que inclui, entre outras coisas, uma política de gestão de riscos, processos,
metodologias, planos, critérios de classificação de risco, formação e elaboração de relatórios
de processos.

Avaliação do risco [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]: Abrange os


processos para identificar, analisar e avaliar riscos. Idealmente, a organização vai utilizar uma
série de técnicas de identificação de riscos, incluindo brainstorming, análise de divisão de
trabalho e facilitação de especialistas. A análise de risco considera as possíveis causas, fontes,
probabilidades e as consequências para estabelecer o risco inerente. Os controlos existentes
devem ser identificados e a sua eficácia avaliada para determinar o nível de risco residual.
Após esta análise, uma avaliação do nível de risco é obrigatória na tomada de decisão sobre o
tratamento de risco.

Tratamento do Risco [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]: Quando o


nível de risco continua a ser intolerável, o tratamento de risco é necessário. Os donos de risco
podem tratar os riscos: evitando o risco, tratando as fontes de risco, modificando a sua
probabilidade, modificando as consequências ou partilhando elementos do risco. O nível de
risco restante deve ser mantido dentro de apetite pelo risco.

Monitorização e revisão [adaptado de INCONSULT, 2009 e ISO/FDIS 31000, 2009]: O


acompanhamento regular dos riscos e da estrutura de gestão do risco, incluindo os processos,
é fundamental para manter o quadro de gestão de riscos relevantes para a evolução das
necessidades da organização e as influências externas. Monitorização e revisão serão
realizadas pelos donos dos riscos, gestores e directores. Uma revisão independente da
estrutura de gestão do risco deve ser realizada de tempos em tempos.

V - CONSIDERAÇÕES FINAIS

O risco corresponde à incerteza nos objectivos, isto é, corresponde ao desvio face ao


esperado. Este desvio poderá ser positivo ou negativo.

O risco aplicado à qualidade da água em sistemas públicos de abastecimento, poderá estar


relacionado com a probabilidade da água abastecida se encontrar com qualidade deficiente, ou
com o número de consumidores que probabilisticamente poderão consumir a água
contaminada.

Por parte do consumidor existe a percepção do risco da qualidade da água. Esta percepção de
risco relaciona-se com o impacte que a água consumida poderá ter na sua saúde. Os principais
indicadores desse risco são os parâmetros organolépticos da água abastecida. A percepção do
risco está intimamente relacionada com a experiência passada, assim como, com a informação
interpessoal.

A qualidade da água em sistemas públicos de abastecimento é constantemente sujeita a


ameaças desde a captação até à torneira do consumidor. As ameaças tornam-se tão mais
importantes quanto mais próximas do consumidor estão, uma vez que, as barreiras a esses
riscos vão sendo sucessivamente menos efectivas à medida que dele se aproximam.

13
A identificação das ameaças em cada fase do processo de abastecimento (água bruta,
tratamento e distribuição) é de primordial importância para que o tratamento do risco possa
ser efectivado, ou seja, até que este atinja valores abaixo do risco tolerável.

A ISO 31000 é uma norma que foi desenvolvida para ser aplicada ao risco corporativo, no
entanto, a sua metodologia permite facilmente a aplicação à gestão do risco em sistemas
públicos de abastecimento de água, e no caso particular deste trabalho, à qualidade da água
para consumo humano.

A análise do risco aplicado à qualidade da água é explorado em bibliografia diversa, sendo o


maior foco dessa bibliografia a quantificação do risco, no entanto, defende-se neste trabalho a
aplicação da sistematização metodológica desenvolvida na Norma, permitindo uma
uniformização de metodologias de abordagem não perdendo a universalidade da sua aplicação
de acordo com as condições físicas das infra-estruturas, geografia, modelos e politicas de
gestão, regulamentares e culturais do sistema de abastecimento de água.

REFERÊNCIAS

Almeida, A. B. (2004), Incertezas e Riscos no Contexto da Engenharia. 7º Congresso da


Água da APRH, Lisboa.
Almeida, A. B. (2010), Serviços de Água: Adaptação às Alterações Climáticas – Aplicação
do Conceito de Risco nas Acções de Adaptação. Évora.
Anand, S.; Hanson (1997), Disability-adjusted life years: a critical review, Journal of Health
Economics. Nº 16, pp. 684-02.
Dória, M. de F. (2010), Factors influencing public perception of drinking water quality, IWA.
El-Baroudy, I. Simonovic, S. P. (2006), Application of the Fuzzy Performance Measures to
the City of London Water Supply System, Canadian Journal of Civil Engineering, 33: 255–265
Huipeng, L. (2007), Hierarchical Risk Assessment of Water Supply Systems, Ph.D.
Dissertation, Loughborough University.
IEC/FDIS 31010 (2009), Risk management — Risk assessment techniques.
InConsult (2009), Risk Management Update – ISO 31000 Overview and Implications for
Managers.
ISO/FDIS 31000 (2009), Risk management – Principles and guidelines.
ISO/IEC (2008) Risk Management – Vocabulary.
IWA/IRAR (2005), A Carta de Bona para o Abastecimento Seguro de Água para Consumo
Humano.
RISKCOVER (2007), Risk Management Guidelines, Western Australian Government, First
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Sadiq, R.; Rajani, B. B.; Kleiner, Y. (2004), Risk analysis for water quality deterioration in
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Santos, D. (1999), Controlo da Qualidade da Água para Consumo Humano, Tecnovisão -
Revista de Divulgação Tecnológica da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do
Algarve, nº 8.
TECHNEAU (2009), Methods for Risk Analysis of Drinking Water Systems From Source to
Tap - Guidance Report on Risk Analysis.
TECHNEAU (2010a), Risk Evaluation and Decision Support for Drinking Water Systems.
TECHNEAU (2010b), Decision support for risk management in drinking water supply:
Overview and framework.

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