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A CIDADE COMENTADA

EXPRESSÕES URBANAS E
GLOSSÁRIO EM URBANISMO

Adriana Gelpi
Rosa Maria Locatelli Kalil
UNIVERSIDADE DE PASSO FUNDO

José Carlos Carles de Souza


Reitor
Rosani Sgari
Vice-Reitora de Graduação
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Auxiliar administrativo
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A CIDADE COMENTADA
EXPRESSÕES URBANAS E
GLOSSÁRIO EM URBANISMO
Adriana Gelpi
Rosa Maria Locatelli Kalil
Adriana Gelpi
Rosa Maria Locatelli Kalil

2016
Copyright das autoras

Daniela Cardoso
Cristina Azevedo da Silva
Mara Rúbia Alves
Revisão de textos e revisão de emendas
Sirlete Regina da Silva
Rubia Bedin Rizzi
Projeto gráfico, diagramação e produção da capa

Este livro, no todo ou em parte, conforme determinação legal, não pode ser reproduzido por
qualquer meio sem autorização expressa e por escrito do(s) autor(es). A exatidão das informa-
ções e dos conceitos e opiniões emitidas, as imagens, as tabelas, os quadros e as figuras são
de exclusiva responsabilidade do(s) autor(es).

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G321a Gelpi, Adriana


A cidade comentada [recurso eletrônico] : expressões
urbanas e glossário em urbanismo / Adriana Gelpi, Rosa
Maria Locatelli Kalil. – Passo Fundo: Ed. Universidade
de Passo Fundo, 2016.
18.752 Kb ; PDF. – (Didática). UPF EDITORA
Inclui bibliografia.
Campus I, BR 285 - Km 292,7 - Bairro São José
Modo de acesso gratuito: <www.upf.br/editora>. Fone/Fax: (54) 3316-8374
ISBN 978-85-7515-915-6 (E-book). CEP 99052-900 - Passo Fundo - RS - Brasil
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1. Arquitetura 2. Crescimento urbano. 3. Planejamento E-mail: editora@upf.br
urbano. I. Kalil, Rosa Maria Locatelli. II. Título. III. Série.

CDU: 72
_______________________________________________________________ Editora UPF afiliada à
Bibliotecária responsável Cristina Troller - CRB 10/1430

Associação Brasileira
das Editoras Universitárias
Sumário

Apresentação...........................................................................................................6
Glossário................................................................................................................... 7
Siglas......................................................................................................................151
Referências .......................................................................................................... 154
Apresentação

Como explicar ou congelar um processo sempre em construção ou transformação? Como explicar ou tra-
duzir em palavras uma cidade, sempre em movimento, sempre interpretada e analisada com base em vários
enfoques e emoções? E, também, como definir terminologias que permeiam um tempo que, há muito, está
vertiginoso e mutante?
Pois esta publicação pretende, apesar das dificuldades de se conceituar ou definir terminologias, espe-
cialmente em relação ao espaço urbano, abordar alguns referenciais sobre a cidade, sem ser definitiva, consi-
derando que, a cada dia, novos termos se agregam à listagem, e que, ao final, se revelou tão dinâmica quanto o
espaço urbano. Para tanto, reunimos velhas anotações sobre a cidade, de todos os tempos, desde a graduação,
depois, da primeira pós-graduação em Urbanismo (isso já faz tanto tempo...), até as recentes vivências em ter-
ritório, infraestrutura, meio ambiente e sustentabilidade urbana.
Conceitos, definições, ideias e concepções polêmicas dialogam com referenciais de teóricos consagrados e
de professores diligentes que, com dedicada sistematização, produziram verbetes exemplares e contribuíram
muito para esta compilação e integração de referenciais.
Então, o trabalho tem como objetivo listar palavras, conceitos e definições em arquitetura e urbanismo,
sem querer ser exaustivo e definitivo, pois isso seria o mesmo que tentar limitar e cercear o criativo processo
urbano e os estudos sobre a cidade, fatos imbricados e permanentes. Esta publicação destina-se a alunos de
graduação e de pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Engenharia, Geografia e outras áreas de estudo e
formação que tratam da questão do planejamento e de projeto urbanos.
Agradecemos todas as contribuições recebidas e aguardamos a
crítica construtiva para qualificar os próximos trabalhos.

As organizadoras
Glossário
A
2. ABERTURAS E FECHAMENTOS NO ESPA-
ÇO URBANO: estão relacionados à área cons-
truída de uma edificação ou à área de estudo e de
projeto. Dizem respeito à análise da constituição
de uma área ou das suas relações com os espaços
urbanos do entorno, se abertos (não edificados),
ou com os vãos abertos entre edificações; podendo
referir-se, ainda, a suas relações com áreas den-
samente construídas, barreiras visuais, estreita-
mentos e obstruções, a partir da análise visual e
da percepção da paisagem realizadas pelo obser-
vador.
3. ACESSIBILIDADE: possibilidade de acesso a
um lugar. A acessibilidade é a qualidade de ser
1. A CIDADE COMO UM JOGO DE CARTAS: acessível, de se poder oferecer acesso aos espa-
esta expressão revela os jogos de interesse que ços, zonas e regiões. A NBR 9050 (ABNT, 2004,
permeiam o processo do planejamento urbano e p. 2) define acessibilidade como “possibilidade
municipal, sendo seus jogadores, os grupos que e condição de alcance, percepção e entendimen-
interagem nessa instância, como o governo, as to para a utilização com segurança e autonomia
empresas, os políticos e a população (Santos, de edificações, espaços, mobiliário, equipamen-
1988). De acordo com Santos, no livro A cidade to urbano e elementos”. No Brasil, em relação à
como um jogo de cartas, “[...] o espaço urbano é co- acessibilidade, o Decreto nº 5.296, de 2004 (Bra-
locado como ‘locus’ de expressão das forças políti- sil, 2004), estabelece que essa está relacionada
cas: a cidade, portanto, devendo ser desenvolvida ao fornecimento da condição para utilização, com
como um jogo de cartas, em que os participantes segurança e autonomia, total ou assistida, dos
conhecem e obedecem às regras” (Santos, 1988, espaços, mobiliários e equipamentos urbanos,
apud Del Rio, 1990, p. 192). das edificações, dos serviços de transporte e dos
dispositivos, sistemas e meios de comunicação e acessar todos os lugares da cidade, prédios pú-
e informação, por pessoa portadora de deficiên- blicos e institucionais, rede bancária, entre outros
cia ou com mobilidade reduzida. Nesse sentido, locais, também, utilizar transporte e equipamen-
não podem ser admitidas barreiras ao percurso, tos públicos, como telefones e sanitários. A prio-
as quais são definidas como qualquer entrave ou ridade está em pensar a arquitetura acessível e o
obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liber- transporte público ao alcance de todos os cidadãos
dade de movimento, a circulação com segurança e com mobilidade reduzida e uma cidade democrá-
a possibilidade de as pessoas se comunicarem ou tica, entendendo o desenho universal como a ca-
terem acesso à informação. A acessibilidade é um pacidade de comunicação para todos (Kalil; Gelpi,
conceito complementar à mobilidade urbana, pois 2010).
poder mover-se pela cidade, utilizando qualquer 5. ACESSO: ingresso, passagem, comunicação, ato
meio de transporte, só se valida se o cidadão tam- ou efeito de acessar (Ferreira, 1975, p. 23).
bém puder acessar seu objetivo, a edificação ou
6. ACOSTAMENTO: área reservada para o esta- 9
o espaço urbano pretendido. Como instrumentos
cionamento de veículos que pode ser utilizada por
de acessibilidade, podemos utilizar rampas, por-
um determinado período de tempo, geralmente
tas largas, corrimãos e outros elementos que per-
usada para os veículos coletivos. É importante a
mitam o acesso a um local e ao uso de um serviço,
previsão de acostamentos nos projetos e nas exe-
para todas as pessoas portadoras de necessidade
cuções de grandes equipamentos urbanos, como
especial (Ferrari, 2004).
os aeroportos, as estações ferroviárias e as rodo-
4. ACESSIBILIDADE UNIVERSAL: pode ser viárias, os grandes hotéis, os hospitais e especial-
entendida como o direito de ir e vir de todos os mente as estradas. Os acostamentos devem ter
cidadãos, incluindo pessoas com deficiências per- formas e dimensões específicas, de acordo com os
manentes ou ocasionais. Isso abrange todos, em veículos para os quais se destinam, como os ôni-
todos os momentos e períodos da vida, para todos, bus, os táxis e os caminhões (Ferrari, 2004).
quer sejam usuários de cadeiras de rodas, pessoas
7. ACRÉSCIMO: ampliação da construção em área
com deficiências visuais e auditivas, gestantes ou
ou altura. Pode compreender desde um aumento
idosas. Os espaços devem permitir-lhes transitar
de compartimento em um prédio até a elevação

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


de uma edificação independente da existente em urbano do entorno onde o procedimento foi execu-
um mesmo lote. Exige projeto arquitetônico para tado. Experiências significativas dessa proposta
aprovação pela autoridade competente. Habitu- foram implementadas no Programa Rio-Cidade,
almente, convenciona-se assinalar no projeto em na cidade do Rio de Janeiro (Iplanrio, 1996).
tinta ou lápis vermelho os acréscimos feitos no 10. ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: unidades insti-
edifício, e em amarelo as demolições (Albernaz; tucionais que, além de cumprirem com as respon-
Lima, 2003, p. 14). sabilidades políticas e com o papel de regular a
8. ACRÓPOLE: desde a Grécia antiga, clássica e economia, produzem bens e serviços não mercan-
democrática, do século IV a.C, acrópole corres- tis e redistribuem renda e riqueza (IBGE, 2011).
ponde à “cidade alta”, sítio inicial da cidade, em 11. ADMINISTRAÇÃO LOCAL: no Brasil, diz res-
que se localizam os templos dos deuses e onde os peito à administração ou ao governo municipal
habitantes da cidade podem refugiar-se em caso realizado por uma prefeitura.
10 de última defesa. A acrópole sobrepõe-se à cida-
12. ADRO: terreno localizado na frente ou no entorno
de baixa, a “astu”, onde se desenvolve o comércio
de uma igreja, podendo ser cercado por um muro
e as relações civis. Considerando-se que é pela
baixo. Algumas vezes pode-se encontrar junto ao
referência democrática que a civilização grega é
adro edificações ou elementos construídos que fa-
lembrada, abordar a expressão acrópole na área
zem parte da igreja, como o batistério, o cemité-
do urbanismo significa referir-se a uma área de
rio ou o campanário (Albernaz; Lima, 2003). Em
abrigo religioso ou de último refúgio ou defesa
urbanismo, ao falarmos do adro de uma igreja,
(Benévolo, 1983).
podemos nos referir a toda área que a circunda ou
9. ACUPUNTURA URBANA: denominação dada, às suas imediações.
em planejamento e projeto urbano, a interven-
13. AEROFOTOGRAMETRIA: nome dado ao mé-
ções pontuais no espaço urbano da cidade que
todo de obtenção de dados topográficos por meio
têm como objetivo promover ações localizadas e
de fotografias aéreas, geralmente para fins de
exemplares, com objetivo estratégico e definido.
mapeamento (Faria, 2014). É definida como a ciên-
Implantando-se a proposta, espera-se como re-
cia da elaboração de cartas mediante fotografias
sultado a revitalização ou a renovação do espaço
aéreas tomadas com câmaras aerotransportadas

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


(eixo ótico posicionado na vertical), utilizando-se de aplicações se dão em terminais aeroportuários,
aparelhos e métodos estereoscópicos (IBGE, 1999). centros comerciais, ligação a grandes estaciona-
14. AEROMÓVEL: veículo leve, – um VLT, que mentos periféricos, complexos turísticos, parques
transita sobre via elevada exclusiva, trilhos, é ecológicos, campi universitários, hospitais, de-
movido por propulsão pneumática por meio de pendências de grandes corporações, alimentação
dutos, que se localizam na própria via elevada, de sistemas troncais de transporte (metrô, trem
abaixo do veículo. O ar aciona aletas, que movi- e corredores de ônibus), densos centros urbanos,
mentam o veículo sobre rodas, em trilhos tradi- entre outros (PUCRS, [1994]).
cionais. Para acionar a propulsão pneumática, é 15. AFASTAMENTO: distância entre a edificação e
necessário utilizar a energia elétrica. É um meio as divisas do lote no qual está situada. As divisas
de transporte não convencional pelo fato de ser são laterais, frontal e de fundos. Os afastamentos
totalmente automatizado, dispensando conduto- são determinados pelas legislações municipais
res, apresenta excelente frequência e pode trans- contidas nos códigos de obras, sendo estabeleci- 11
portar até 25.000 passageiros/hora-sentido (pe- dos em função da localização do terreno e do tipo
quena e média capacidade). Por utilizar infraes- da edificação.
trutura aérea, caracteriza-se por ser um sistema 16. AFASTAMENTO PREDIAL: outra maneira de
adaptável à área urbana e à topografia, podendo se referir aos afastamentos, ou seja, a distância
estabelecer conexões com diferentes modalida- mínima estabelecida pelo município entre uma
des de transporte, aumentando a capilaridade do edificação e as divisas do lote no qual se situa.
sistema viário, contribuindo para a mobilidade Em um dos glossários pesquisados é definido
urbana. De acordo com informações da PUCRS como, “a distância mínima a que a construção
([1994]), os sistemas APM (automated people mo- deve observar relativamente ao alinhamento da
vers) são, em sua maioria, “operados em via ele- via pública e/ou às divisas do lote” (São Paulo,
vada, de forma a criar um novo espaço urbano 2007).
de circulação, acima dos obstáculos encontrados
17. AFASTAMENTO PREDIAL FRONTAL: ainda
no nível do solo e sem a necessidade de onero-
em relação a afastamentos prediais, Cesar Júnior
sas intervenções e desapropriações”. As melhores
(1998) ensina que o “afastamento frontal” tem

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por finalidade compatibilizar a relação existente organização e o planejamento de interesse comum
entre o edifício e as habitações do entorno. (Magnoli, 2001).
18. AGLOMERAÇÃO URBANA: conjunto de ocu- 22. ÁGORA: na Grécia antiga, era o espaço para a
pações humanas que dispõem das principais fun- assembleia dos cidadãos, constituindo-se como lo-
ções ligadas à vida urbana, como a administração, cal de reuniões dos cidadãos gregos, usualmente
a economia, o transporte, a cultura e a educação, a praça do mercado, ou, ainda, em cidades maio-
geralmente compostos de uma ou duas cidades e res, um local ao ar livre, construído para esta
suas periferias (Sirchal, [20--],). atividade. Pelo espaço de debate, de reuniões e
19. AGLOMERADO INDUSTRIAL: agrupamento de troca de ideias, ágora e o seu espaço estão até
espacial de indústrias complementares ou simi- hoje associados ao espaço da livre expressão, da
lares, cujo desempenho decorre da interdepen- democracia (Benévolo, 1983).
dência existente entre elas, pelas relações de coo- 23. ALAMEDA: 1. Avenida ou rua, em geral larga,
12 peração mútua. O crescimento das indústrias do com árvores dispostas em renque nos seus pas-
aglomerado deve-se à redução dos custos indus- seios. 2. Caminho ladeado por árvores dispostas
triais, à especialização das atividades, ao aumen- em renque nos jardins. É também chamada de
to de produtividade, ao maior acesso às inovações aleia (Albernaz; Lima, 2003).
tecnológicas, mercadológicas e ao crédito (Ferra- 24. ALINHAMENTO: 1. Implantação de duas ou
ri, 2004). mais edificações de modo que possam ser tan-
20. AGLOMERADO RURAL: “localidade em área genciadas em um dos seus lados, em geral a fa-
rural legal, caracterizada por um conjunto de chada frontal, por uma mesma linha reta. 2. Im-
edificações permanentes ou adjacentes, forman- plantação de ruas, estradas, avenidas e canais
do área contínua construída, com arruamentos de modo que tenham o seu eixo na mesma dire-
reconhecíveis dispostos ao longo de uma via de ção. 3. Dispor edificações, elementos construti-
comunicação” (IBGE, 2010). vos ou vias em alinhamento. 4. Linha divisória
21. AGLOMERADOS URBANOS: regiões consti- definida na legislação urbanística que limita o
tuídas por municípios limítrofes e instituídos por lote em relação ao logradouro público (Albernaz;
legislação estadual com o objetivo de integrar a Lima, 2003).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


25. ALTIMETRIA: parte da topografia que deter- 28. AMBIENTE NATURAL: também chamado es-
mina as distâncias verticais de pontos do terreno paço natural, é aquele espaço que resultou da
por meio de aparelhos apropriados (Bahia, 1997). própria evolução das condições naturais, sem que
26. AMBIÊNCIA URBANA: microclima urbano tenha havido interferência da ação do homem.
de uma determinada parte da cidade, resultado A noção de espaço natural identifica-se com a
da combinação dinâmica e instável de elemen- de meio natural; o espaço natural resulta de um
tos físicos, biológicos e antrópicos que, reagin- equilíbrio entre a ação dos elementos naturais
do dialeticamente um sobre os outros, fazem da – estrutura geológica, relevo, clima e hidrologia
paisagem um conjunto único e indissociável, em – onde se desenvolve o meio biológico, a vida ve-
perpétua evolução (Lombardo apud Mascaró; getal e animal.
Mascaró, 2009). 29. AMBIENTE CONSTRUÍDO: ou espaço cons-
27. AMBIENTE: espaço que cerca ou envolve os se- truído, aquele espaço natural que foi apropriado
res vivos ou as coisas, por todos os lados; envol- e transformado pelo homem, para sua ocupação, 13
vente, meio ambiente, ambiência (Ferreira, 1975, habitação e produção. A cidade é, por excelência,
p. 82). Ambiente, por um lado, é o meio do qual a um ambiente ou espaço construído.
sociedade extrai os recursos essenciais à sobrevi- 30. ANÁLISE BIOCLIMÁTICA: estudo que tem
vência e os recursos demandados pelo processo de como objetivo, avaliar as consequências e impli-
desenvolvimento socioeconômico. Esses recursos cações das variáveis bioclimáticas na estrutura e
são geralmente denominados naturais. Por outro, no espaço urbano. O estudo baseia-se na avalia-
o ambiente é também o meio de vida, de cuja in- ção das características locais dos seguintes ele-
tegridade depende a manutenção de funções eco- mentos: clima, microclima, incidência de espaços
lógicas essenciais à vida. Desse modo, surgiu o abertos e fechados, paisagem, arborização, venti-
conceito de recurso ambiental que se refere não lação, barreiras, topografia e drenagem superfi-
mais somente à capacidade da natureza de forne- cial (Kalil, 2004, p. 579).
cer recursos físicos, mas também de prover ser- 31. ANÁLISE COMPORTAMENTAL URBANA:
viços e desempenhar funções de suporte à vida refere-se à avaliação de percursos de pedestres,
(Sánchez, 2008, p. 21). atividades humanas nos espaços abertos e fecha-

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dos, fluxos humanos significativos, comporta- sistema de circulação, da mobilidade urbana, das
mentos peculiares, abrangendo, ainda, aspectos densidades ocupacionais e do perfil da população,
históricos do comportamento urbano (Kalil, 2004, assim como dos elementos naturais que se desta-
p. 580). cam no entorno (Castello, 2008).
32. ANÁLISE DE IMPACTO AMBIENTAL: cons- 34. ANÁLISE DO SÍTIO: processo de avaliação das
titui-se no levantamento de dados, por meio de características que foram descritas pelo levanta-
metodologias compatíveis, relativos a determina- mento de campo (Waterman, 2010, p. 182).
do projeto, estimando sua área de influência. Nes- 35. ANÁLISE OU ESTUDO DE IMPACTO DE
se processo, identifica-se os benefícios ou danos VIZINHANÇA (EIV): lei complementar ao
ao meio ambiente gerados pelos empreendimen- estudo de impacto ambiental da legislação
tos, propondo medidas mitigadoras ou formulan- ambiental e que dá aos moradores de cada bairro
do programas de monitoramento e a elaboração o direito de ter participação na aprovação de
14 dos estudos de impactos ambientais (EIAs) e do projetos (privados ou públicos) em sua vizinhança
Relatório de Impactos do Meio Ambiente (Rima) e que possam afetar sua qualidade de vida, como
(Gelpi, 1993). shopping-centers, casas de espetáculo, templos
33. ANÁLISE DO ENTORNO: reconhecimento das ou outros empreendimentos que provoquem
características da vizinhança e da área de influ- adensamento populacional, conflitos de trânsito,
ência do espaço onde será realizado o projeto ou poluição visual, sonora, etc. (Brasil, 2001).
a intervenção urbana. De acordo com Castello 36. ANÁLISE URBANA: análise que transforma e
(2008), é uma análise feita em uma escala mais interpreta os dados da pesquisa sobre determi-
abrangente, buscando coletar informações relati- nado espaço da cidade, buscando compreender os
vas à apropriação do espaço circunvizinho. Essas problemas e as potencialidades locais (Ferrari,
informações envolvem a identificação e distribui- 1973). Para Rodrigues (1986), é a análise de uma
ção dos elementos estruturais e do levantamento obra coletiva, permanentemente reescrita no ce-
das características do uso do solo, dos equipa- nário dinâmico de uma cidade.
mentos existentes, da infraestrutura disponível,
37. ANÁLISE VISUAL: análise que enfatiza a per-
da tipologia das edificações, da organização do
cepção visual do ambiente enquanto experiência

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estética e emocional. Para Del Rio (1990), é uma 41. ANTICONTEXTUAL: são edificações ou ideias
categoria de análise subjetiva, pois depende da que se opõem deliberadamente ao local onde se
capacidade de observação e interpretação do pes- encontram. Em termos de materiais e/ou formas,
quisador, permeada por sistemas de valores mui- são descritas como anticontextuais (Farrelly,
to próprios. 2010).
38. ANEL AGRÍCOLA: faixa de terreno com largu- 42. ANTROPOMÓRFICO: refere-se à aplicação de
ra variável criada ao redor de uma cidade para características ou ideias humanas em animais,
desempenhar o papel de anel verde, mas princi- elementos naturais, objetos ou formas inanima-
palmente para abastecê-la com produtos horti- das (Farelly, 2010).
frutigranjeiros (Ferrari, 2004). 43. APO DOS AMBIENTES CONSTRUÍDOS: ou
39. ANEL VIÁRIO: via rural ou urbana que contor- avaliação pós-ocupação dos ambientes construí-
na área urbana ou urbanizada de forma contínua, dos. “APO, sigla pela qual é conhecida a Avalia-
protegendo-a do trânsito de passagem. Funciona ção Pós-ocupação no Brasil (nos Estados Unidos é 15
como uma grande rotatória e permite estabelecer conhecida pela sigla POE – Post-Occupancy eva-
ligação entre as radiais. O mesmo que rodoanel luation), situa-se no âmbito dos procedimentos
(Ferrari, 2004). de avaliação do ambiente construído, efetuados
40. ANIMA URBANA OU ANIMAÇÃO URBANA: depois que o ambiente já estiver sendo ocupado
correspondem às atividades humanas existentes pelos usuários aos quais foi destinado e nas ativi-
em uma área urbana ou em toda a cidade. Trata- dades para as quais foi inicialmente previsto. É,
-se da abordagem da alma da cidade, sua vida, portanto, um procedimento posterior ao planeja-
seu movimento, seu ir e vir. Espaço sem ânima mento, ao projeto e à construção da edificação ou
urbana é um espaço urbano vazio, predisposto às espaço urbano; no entanto irá servir para a sua
atividades marginais, à insegurança pública. O realimentação, seja no que se refere a melhorias
comércio é um grande motivador ou incentivador e remodelações, seja no que se refere a novos pro-
da ânima urbana, embora só exista em áreas de jetos de mesmo tema” (Kalil, 2004, p. 568).
circulação de pessoas. 44. APROPRIAÇÃO DO ESPAÇO: pode referir-se
ao espaço público e às áreas abertas, ocupadas de

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diversas formas pela população, quer seja por fei- cundam, destinada à servidão permanente de ilu-
ras, pelo comércio ambulante, pela arte urbana, minação e ventilação (Albernaz; Lima, 2003).
por jogos e brincadeiras, pelo esporte ou, simples- 48. ÁREAS DE CONSERVAÇÃO: áreas delimita-
mente, para estar, para o encontro e a conversa- das, segundo a legislação pertinente, que restrin-
ção. O termo também pode ser empregado para gem determinados regimes de utilização segundo
analisar a forma como determinado espaço urba- os atributos e a capacidade suporte do ambiente
no foi ocupado, parcelado, edificado, etc., eviden- (Fepam, 2003).
ciando por meio do espaço construído e edificado
49. ÁREA DE DIVISA: área externa delimitada em
a apropriação pelo homem do espaço natural.
um ou mais de seus lados pelas vedações exter-
45. ARCADA: 1. Série de arcos contíguos ao longo de nas da edificação e, dos outros, pela divisa do lote
um mesmo paramento. Comumente é usado em (Albernaz; Lima, 2003).
fachadas. 2. Passagem ou galeria que possui pelo
50. ÁREA DE FRENTE: área delimitada pelo ali-
16 menos ao longo de um dos seus lados uma série
nhamento da rua e pela fachada frontal do edifí-
de arcos contíguos. É comumente usada em pá-
cio (Albernaz; Lima, 2003).
tios internos. 3. Conjunto de arcos em sequência
51. ÁREA DE FUNDO: área delimitada pela divisa
e em alinhamento em um mesmo ambiente, ge-
dos fundos do lote e pela fachada dos fundos do
ralmente formando uma galeria. 4. Duas ou mais
edifício (Albernaz; Lima, 2003).
abóbadas arqueadas e em sequência formando
um espaço. Exemplo: arcos da Lapa no Rio de 52. ÁREA DE ESTUDO E ÁREA DE PROJETO:
Janeiro-RJ (Albernaz; Lima, 2003). a) área de estudo: área de influência, o espaço
46. ÁREA BRUTA DO ASSENTAMENTO: área to- e/ou entorno imediato; área de usuários, que
tal do assentamento, limitada por sua poligonal, envolve e circunda a área de projeto; ou, ainda,
incluindo-se todos os usos e sem fazer qualquer o centro prestador de serviços, que pode variar
dedução (Acioly; Davidson, 1998). de acordo com o porte ou a escala do centro ur-
bano maior.
47. ÁREA COLETIVA: área delimitada no interior
b) área de projeto: áreas em que se encontram
de uma quadra comum às edificações que a cir-
ou concentram as propostas de organização fí-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


sica, de complementação de equipamentos e/ou tantes para a qualidade de vida e o bem-estar das
de beneficiamento do entorno de edificações de populações humanas, com os objetivos básicos de
interesse e uso coletivo ou público, ou ainda de proteger a diversidade biológica, disciplinar o
outras propostas de ordem física, que se façam processo de ocupação e assegurar a sustentabili-
necessárias. Sua identificação e localização se dade dos recursos naturais (IBGE, 2010).
dão dentro da área de estudo e, obviamente, 56. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANEN-
em áreas onde se concentra o maior número de TE (APPs): áreas públicas ou privadas que li-
problemas que venham a ser identificados pe- mitam constitucionalmente o direito de proprie-
los usuários ou pela própria equipe de projeto dade, levando-se em conta, sempre, sua função
(Rodrigues, 1986). ambiental (Art. 170, inciso VI da Constituição
53. ÁREA DE INFLUÊNCIA: espaço físico ou cul- federal/1988). São áreas de expressiva significa-
tural, contínuo ou descontínuo, sujeito à domi- ção ecológica, amparadas por legislação ambien-
nância de uma cidade ou instituição. É expressão tal vigente, consideradas totalmente privadas e 17
mais genérica de região de influência (Ferrari, livres de qualquer regime de exploração direta
2004). Pode também se referir à área do entorno ou indireta dos recursos naturais, sendo sua al-
ou não de uma intervenção urbana e que se en- teração ou supressão apenas admitida com pré-
contra sujeita à influência ou dominância dessa via autorização do órgão ambiental competente,
intervenção. quando for necessária a execução de obras, pla-
54. ÁREAS ESPECIAIS DE INTERESSE SO- nos, atividades ou projetos de utilidade pública
CIAL (AEIS): áreas urbanas destinadas à im- ou interesse social, após a realização do estudo
plantação de projetos sociais de amplo atendi- prévio de impacto ambiental e do relatório de im-
mento comunitário, como os conjuntos de habita- pacto ambiental (Fepam, 2003).
ções de interesse social. 57. ÁREAS DE USO ESPECIAL: áreas com atri-
55. ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL (APA): butos especiais de valor ambiental e cultural,
área em geral extensa, com certo grau de ocupa- protegidas por instrumentos legais ou não, nas
ção humana, dotada de atributos abióticos, bióti- quais o poder público poderá estabelecer nor-
cos, estéticos ou culturais, especialmente impor- mas específicas de utilização para garantir sua

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conservação (Fepam, 2003). Áreas especiais são 60. ÁREA COMUM: área situada em espaço perten-
espaços dotados de qualidades excepcionais de cente a mais de um proprietário. Em prédios de
localização, recobrimento ou ocupação, de beleza apartamentos, em geral, é constituída por play-
natural e de valor ecológico, criados por leis fede- ground, circulações e portarias (Albernaz; Lima,
rais. São áreas especiais, dentre outras a serem 2003).
criadas, as áreas de proteção ambiental, as de in- 61. ÁREA CONSTRUÍDA: área delimitada pelas
teresse urbanístico (para expansão ou renovação vedações externas do edifício; também chamada
urbana, para uso industrial, residencial, para de área edificada (Albernaz; Lima, 2003).
obras e serviços públicos, etc.), as de preservação
62. ÁREA EDIFICADA: consiste na soma total das
histórica, cultural e paisagística bem como as de
projeções horizontais dos pavimentos da edifica-
interesse turístico. Sua criação, definição e dis-
ção, cobertos ou não. É uma espécie de área cons-
ciplina obedecem às Leis federais nº 3.924/1961,
truída porque a edificação é uma espécie do gê-
18 6.513/1977, 6.902/1981, 6.938/1981. A compe-
nero construção (Ferrari, 2004). Toda área cons-
tência básica para a criação de áreas especiais é
truída sobre determinada superfície, quer de um
da União, cabendo aos Estados, municípios e ao
lote ou de uma fração urbana maior, como de uma
Distrito Federal uma competência complemen-
quadra, de um bairro ou de uma cidade.
tar (Ferrari, 2004).
63. ÁREA LATERAL: área que se estende sem in-
58. ÁREA ENVOLTÓRIA OU ESPAÇO ENVOL-
terrupção desde o alinhamento ou área de frente
TÓRIO: em relação a um patrimônio tombado, o
até a área de fundo ou divisa de fundo (Albernaz;
perímetro em torno do bem, delimitado para pro-
Lima, 2003).
piciar a proteção de sua ambiência. Essa área é
64. ÁREA LIVRE: área externa ou interna, livre de
definida caso a caso; em algumas situações, pode
edificações e construções (Albernaz; Lima, 2003).
se limitar ao próprio lote do edifício tombado
Medida de superfície do lote não ocupada pela edi-
(Conpresp, 2001).
ficação, considerada em sua projeção horizontal.
59. ÁREA COMERCIAL: área urbana destinada
65. ÁREA METROPOLITANA: conjunto de muni-
para uso prioritário ou exclusivamente comercial.
cípios de uma região metropolitana cujas zonas

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


urbanizadas são conurbadas e fortemente pola- capital e da propriedade dos meios de produção;
rizadas por uma cidade central ou metrópole, po- maiores densidades; funções e usos de adminis-
dendo apresentar zonas rurais intersticiais (Fer- tração e prestação de serviços públicos e priva-
rari, 2004). dos, comércio formal e informal, uso residencial,
66. ÁREA NON AEDIFICANDI: área impedida por atividades ligadas ao lazer coletivo e transportes
legislação para construção ou edificação (Alber- e indústrias de porte e uso compatível (Rodri-
naz; Lima, 2003). gues, 1986).
67. ÁREA OCUPADA: “projeção, em plano horizon- 72. ÁREAS VERDES: áreas livres de edificações
tal, da área construída situada acima do nível do com algum tipo de vegetação e, em geral, arbo-
solo” (ABNT, 1994). rizadas. Podem constituir-se em jardim, parque,
bosque ou morro (Albernaz; Lima, 2003).
68. ÁREA PRIVADA: área cujo acesso é determina-
do por um pequeno grupo ou por uma pessoa, que 73. ÁREAS MARGINAIS OU MARGINALIZA-
tem a responsabilidade de mantê-la (Hertzber- DAS: áreas urbanas que não atendem aos pa- 19
ger, 1996). drões legais e às normas urbanísticas, ou, ainda,
áreas ocupadas por população que não se insere
69. ÁREA PROTEGIDA: unidade de conservação,
dentro dos parâmetros convencionais e legais da
terrestre ou aquática, estabelecida legalmente
sociedade urbana.
em regime de propriedade pública ou privada,
regulamentada ou administrada com objetivos 74. ÁREAS BALDIAS: áreas, lotes ou terrenos
específicos de conservação (Adam, 2001). abandonados, sem ocupação, sem destino ou
construção dentro da área urbana.
70. ÁREA PÚBLICA: área acessível a todos, a qual-
quer momento, cuja responsabilidade de sua ma- 75. ARQUITETURA: termo conveniente para todas
nutenção é assumida coletivamente (Hertzber- as profissões ou disciplinas envolvidas com o pro-
ger, 1996). jeto tridimensional de edificações e/ou paisagens.
Isso inclui, entre outras disciplinas, a arquitetu-
71. ÁREAS URBANAS CENTRAIS: áreas urbanas
ra de interiores, o paisagismo, o planejamento da
com maior presença (intensidade) e simultanei-
paisagem, o desenho e o planejamento urbano
dade de funções e usos, concentração espacial do
(Wall; Waterman, 2012).

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76. ARQUITETURA BIOCLIMÁTICA: forma de 79. ARQUITETURA SILENCIOSA: projeto de
desenho lógico que reconhece a persistência do edificação, projeto urbano, ou a própria edifica-
existente, culturalmente adequada ao lugar e aos ção que, inserida em um espaço arquitetônico
materiais locais, utiliza a própria concepção ar- ou urbano de valor e preservação histórico, por
quitetônica como mediadora entre o homem e o tombamento ou não, respeita e preserva, com seu
meio (Bustos Romero, 2001). partido arquitetônico e urbano, as diretrizes para
77. ARQUITETURA DA CIDADE: pode ser enten- conservação e valorização dos visuais, do entorno
dida em dois aspectos distintos: no primeiro caso, e do próprio patrimônio já edificado.
a cidade seria um grande artefato, uma grande 80. ARQUITETURAL: relacionado à arquitetura,
e complexa obra de engenharia ou arquitetura, que traz em si o caráter, a qualidade, a expressão,
que cresce ao longo do tempo; no segundo caso, a a forma (Sirchal, [20--]).
terminologia poderia se referir aos entornos mais 81. ARRAIAL, ALDEIA: ocupação rural, lugar de
20 limitados de toda a cidade, aos fatos urbanos ca- trocas e de comércio das cidades vizinhas; povo-
racterizados por uma arquitetura com forma pró- ação não permanente de romeiros com comércio
pria (Rossi, 2001). de comestíveis, jogos e diversões, etc.; povoado
78. ARQUITETURA E LUGAR: expressão com- transitório de trabalhadores, especialmente de
preendida como a relação que os objetos arqui- atividades extrativas (garimpo, minas, etc.); local
tetônicos mantêm com os lugares em que estão onde são realizadas festividades populares (Sir-
inseridos, fazendo parte deles e por eles sendo chal, [20--]).
influenciados. “Objetos arquitetônicos são partes 82. ARRUAMENTO: 1. Abertura de nova rua ou
de lugares e referem-se a contextos mais amplos; melhoramentos em rua já existente; também
formam conjuntos com outros objetos e são per- chamada de arruação. 2. Série de edificações
cebidos e entendidos em relação a esses outros situadas em uma mesma via. Em geral, refere-
elementos e ao contexto; influenciam a imagem -se a edifícios baixos, alinhados e enfileirados. 3.
e a significação de seu entorno tanto quanto são Conjunto de construções voltadas para as vias em
influenciados por este” (Fiore, 2005, p. 23). uma localidade. Nas pequenas povoações, muitas
vezes formadas por uma única rua, compõem-se

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


basicamente de um único conjunto de casas ali- ca e ambiental, posse e registro da área ocupada
nhadas e enfileiradas (Albernaz; Lima, 2003). (Alfonsin et al., 2002).
83. ARTE URBANA: prática social que trata da 87. ASSENTAMENTOS: conjunto de edificações que
construção social com dimensão artística dos ob- têm caráter próprio, usualmente em função de
jetos ilustrativos com valores culturais, que acon- uma mesma origem de implantação. Comumente
tecem ou são construídos nos espaços públicos suas edificações apresentam características for-
urbanos (Pallamin, 2000). mais que o tornam um todo homogêneo. O termo
84. ARTICULAÇÕES URBANAS: relações entre é mais aplicado em consideração sobre o valor his-
os elementos urbanos, as hierarquias, os domí- tórico e artístico de edificações para efeito de sua
nios do público e do privado, as densidades; rela- preservação (Albernaz; Lima, 2003).
ções entre cheios e vazios. As articulações urba- 88. ASSENTAMENTOS URBANOS: conjunto de
nas fazem parte dos componentes constituintes habitações com o objetivo de oferecer moradia
da morfologia urbana (Del Rio, 1990). adequada à população em rápido crescimento e 21
85. ASSENTAMENTO INFORMAL: moradias reu- aos pobres atualmente carentes, de área urba-
nidas em uma área que não foi formalmente re- na, por meio de uma abordagem que possibilite
servada ou preparada para o uso habitacional. o desenvolvimento e a melhoria de condições de
As favelas e as “áreas invadidas” são exemplos moradia ambientalmente saudáveis (Alfonsin et
de assentamentos informais (Wall; Waterman, al., 2002).
2012). 89. ATERRO SANITÁRIO: local utilizado para dis-
86. ASSENTAMENTO IRREGULAR: assenta- posição final do lixo, no qual são aplicados crité-
mentos que não dispõem de moradias com con- rios de engenharia e normas operacionais especí-
dições físicas e serviços adequados para a famí- ficas para confinar os resíduos com segurança, do
lia e a comunidade (sem impactos negativos ou ponto de vista do controle da poluição ambiental
riscos para elas e para o conjunto da cidade), e e da proteção à saúde pública (IBGE, 2011).
segurança de permanência, podendo abranger os 90. ATIVIDADE COMERCIAL: atividade terciá-
aspectos de condições reais, legislação urbanísti- ria caracterizada pela intermediação entre quem
detém a posse ou o domínio de um bem e quem

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o deseja adquirir. Seriam comerciantes os que transportáveis). É a atividade industrial stricto
vendem bens de consumo e de investimentos, tais sensu, também denominada indústria manufatu-
como: lojistas, corretores de imóveis, de títulos, reira (Ferrari, 2004).
atacadistas, etc. (Ferrari, 2004). 94. ATIVIDADE TERCIÁRIA: montagem ou aca-
91. ATIVIDADE INDUSTRIAL: extração mecani- bamento dos produtos acabados provenientes
zada de matérias-primas ou sua transformação, da atividade industrial secundária bem como a
por processos mecânicos, químicos, metalúrgicos, prestação de serviços de qualquer natureza nos
elétricos ou mistos em produtos acabados ou se- setores privado, público e de utilidade pública,
miacabados transportáveis, bem como a monta- incluindo transporte, comércio em geral, serviços
gem ou o acabamento desses produtos. Compre- e profissionais, funções governamentais e outras.
ende, portanto, as atividades industriais primá- Abrange a indústria terciária ou de prestação de
rias, secundárias e terciárias (Ferrari, 2004). serviços propriamente dita e outras atividades
22 92. ATIVIDADE PRIMÁRIA: categoria de ativida- caracterizadas pela atuação predominante da
des econômicas que inclui extração mecanizada mão de obra ou de prestação de serviço (Ferrari,
ou manual de matérias-primas, atividades de 2004).
caça e pesca, exploração agrícola do solo e cria- 95. ATIVIDADES DE APOIO URBANO: confor-
ção de gado, todas com a finalidade econômica, mam os sistemas de atividades que dão conteúdo,
ou seja, com o objetivo de usar recursos para se coerência e vitalidade aos espaços urbanos, por
apropriar deles (Ferrari, 2004). isso é importante sua interdependência. Devem
93. ATIVIDADE SECUNDÁRIA: atividade que ser organizados a partir de fortes nós de ativida-
engloba toda a produção de bens físicos por via des e integrar um sistema complementar e coe-
de transformação da matéria-prima pelos mais rente com o movimento de pedestres e veículos,
diferentes processos (mecânico, químico, elétri- devendo incluir atividades temporárias e outras
co, metalúrgico, etc.) em produtos acabados ou possibilidades de animação urbana (Del Rio,
semiacabados e transportáveis (observa-se que a 1990).
indústria da construção civil é terciária e não se-
cundária, porque em geral seus produtos não são

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


96. AUTENTICIDADE: caráter de veracidade e
conformidade com a origem de uma realidade
(Sirchal, [20--]).
97. AUTOCONSTRUÇÃO: sistema utilizado na
construção de moradias e infraestrutura para a
população de baixa-renda. Baseia-se no uso da
mão de obra dos próprios interessados na obten-
ção de casa ou melhorias e na soma dos esforços
individuais. Em geral é empregado em progra-
mas habitacionais apoiados ou realizado por ór-
gãos responsáveis pela habitação popular (Alber-
naz; Lima, 2003).
23

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B
99. BAIRRO: cada uma das partes em que se divi-
de uma cidade. Na maioria das vezes, há uma
área central em que se localizam o comércio e as
principais atividades de serviço para a população
local (Moreno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002).
Para Gonzalez (1994), o bairro, a casa, a rua e a
unidade de habitação são elementos componen-
tes da estrutura urbana.
100. BALUARTE: 1. Nas fortificações, corpo avan-
çado na muralha. Em geral, situa-se nos cantos
das edificações, muitas vezes formando uma sali-
ência pontiaguda com quatro faces planas e três
ângulos internos. Às vezes, apresenta formas
98. BACIA HIDROGRÁFICA OU BACIA DE DRE- cilíndricas. Pela sua localização avançada, per-
NAGEM: conjunto de terras topograficamente mitia incluir na fortaleza um local de vigilância.
drenadas por um curso d’água e seus afluentes, Externamente, era frequentemente revestido de
cujas interações, pelo menos físicas, são integra- pedra, servindo, como toda a muralha, de muro
das e assim mais facilmente interpretadas, pois de arrimo. 2. Por extensão, corpo da construção
são tratadas como unidades geográficas, cujos que se assemelha ao baluarte de fortificações em
recursos naturais se integram. Constitui-se como qualquer tipo de edifício (Albernaz; Lima, 2003).
uma unidade espacial de fácil reconhecimento e
101. BARREIRAS: “qualquer entrave ou obstácu-
caracterização. Sendo assim, é um limite nítido
lo que limite ou impeça o acesso, a liberdade
para ordenação territorial, considerando-se que
de movimento, a circulação com segurança e a
não há área de terra, por menor que seja, que não
possibilidade de as pessoas se comunicarem ou
se integre a uma bacia hidrográfica. A adoção de
terem acesso à informação, classificadas em: a)
bacia hidrográfica como unidade de planejamen-
barreiras urbanísticas: as existentes nas vias pú-
to é de aceitação universal (Santos, 2004, p. 40).
blicas e nos espaços de uso público; b) barreiras
nas edificações: as existentes no entorno e inte- 104. BELVEDERE: pequena torre, terraço ou pavi-
rior das edificações de uso público e coletivo e no lhão localizado no alto da construção, de onde se
entorno e nas áreas internas de uso comum nas tem uma linda vista ou visual (Albernaz; Lima,
edificações de uso privado multifamiliar; c) bar- 2003). No Brasil, local privilegiado de onde se
reiras nos transportes: as existentes nos serviços avista uma bela paisagem, podendo também ser
de transportes; e d) barreiras nas comunicações denominado mirante.
e informações: qualquer entrave ou obstáculo 105. BEM DE VALOR HISTÓRICO, AMBIENTAL,
que dificulte ou impossibilite a expressão ou o PAISAGÍSTICO, ARQUITETÔNICO: aquele
recebimento de mensagens por intermédio dos bem de interesse paisagístico, cultural, turístico,
dispositivos, meios ou sistemas de comunicação, arquitetônico, ambiental ou de consagração po-
sejam ou não de massa, bem como aqueles que di- pular, público ou privado, composto pelas áreas,
ficultem ou impossibilitem o acesso à informação” edificações, monumentos, parques e bens tomba-
(Brasil, 2004). dos pela União, pelo Estado ou pelo município e 25
102. BARREIRAS ARQUITETÔNICAS OU AM- suas áreas envoltórias (São Paulo, 2007).
BIENTAIS: “elementos construtivos e/ou situa- 106. BEM COMUM: soma dos bens materiais postos
ções resultantes de implantações arquitetônicas a disposição de todos e de cada um, em comu-
ou urbanísticas, onde não ocorre a acessibilida- nhão, e também a existência do bem-estar social
de; assim as deficiências do usuário limitam a e do reconhecimento dos direitos fundamentais
exploração ambiental, o desempenho de papéis das pessoas. É a comunhão do povo no bem-viver,
sociais ativos e a expressão de suas habilidades” o próprio Estado livre e próspero (Ferrari, 2004).
(Guimarães, 1996). Qualquer elemento natural,
107. BEM-ESTAR SOCIAL: estado de satisfação físi-
instalado ou edificado que impeça aproximação,
ca e moral dos membros de uma comunidade que
transferência ou circulação no espaço, mobiliário
se baseia em princípios de igualdade de oportuni-
ou equipamento urbano (ABNT, 2004).
dades, equitativa distribuição da riqueza, justiça
103. BECO: rua estreita e curta que dá acesso a pou- social e que assume pública a responsabilidade
cos lotes urbanos, definidos também como “tra- de amparar e dar conforto aqueles que não têm
vessa, geralmente sem saída” (ABNT, 1994). capacidade de, por suas próprias forças e recur-

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sos, viver a boa vida humana, com dignidade e a casa, bem de consumo, pode constituir um in-
respeito de todos. É produto da ação responsável vestimento para aquele que a constrói visando à
e solidária da comunidade e não, simplesmente, a sua venda e obtenção de lucro. Os bens de consu-
ausência de alguns males sociais por causas for- mo podem ser duráveis e de uso corrente (Ferra-
tuitas (Ferrari, 2004). ri, 2004).
108. BENS: tudo que é capaz de satisfazer às neces- 111. BENS DE INTERESSE MUNICIPAL: bens ar-
sidades humanas, abrangendo coisas e serviços quiteturais, espaciais, vegetais ou de equipamen-
como água, alimento, arte, lazer, transporte, etc. to urbano, revestidos de um caráter documental,
Em economia, tudo o que satisfaz a uma necessi- que servem de testemunho ao desenvolvimento
dade humana e que é escasso constituído em pa- de uma cidade, possuidores de qualidades esté-
trimônio, neste sentido, são bens as mercadorias, ticas, históricas e ambientais notáveis e que con-
as propriedades, os ativos de um balanço (Ferra- tribuem para a identidade de uma cidade. Refe-
26 ri, 2004). rentes a posses individuais, no caso de elementos
109. BENS DE CAPITAL: bens que integram o es- vegetais e por extensão, aos conjuntos vegetais
toque de capital de empresa ou órgão público por ou grupos de árvores significativos e específicos
meio de investimento. Como não satisfazem dire- de certos setores da cidade (Sirchal, [20--]).
tamente as necessidades de consumo, mas contri- 112. BENS DE PRODUÇÃO: bens produzidos para
buem para a produção de bens de consumo, são produzir outros bens, não satisfazendo direta-
considerados bens de produção (Ferrari, 2004). mente às necessidades humanas de consumo, são
110. BENS DE CONSUMO: objetos materiais que de oferta limitada. Exemplos: algodão, sementes,
satisfazem as necessidades humanas e são de ferro, edificações industriais, máquinas, obras
oferta limitada, como alimento, roupa, remédio, de infraestrutura, ferramentas, etc. Alguns des-
casa, etc. É uma espécie de mercadoria. Não tem ses bens são denominados bens intermediários,
caráter reprodutivo e apenas asseguram a manu- porque são bens de consumo de outras atividades
tenção do fator de produção e de mão de obra. To- industriais que os transformam em bens de con-
davia, a distinção entre consumo e investimento sumo humano, ou seja, bens destinados a atender
não tem caráter absoluto, mas relativo. Exemplo: as necessidades finais (Ferrari, 2004).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


113. BICICLETÁRIO: estacionamento ou abrigo 118. BIOURBANISMO: princípio e conceito, no pla-
para bicicletas, de longa duração, com cobertura nejamento urbano, que propõe uma postura de
e vigilância (Geipot, 1980). Estacionamento de comprometimento social por meio do desenvolvi-
longa duração, grande número de vagas e contro- mento sustentável, defendendo a necessidade do
le de acesso, podendo ser público ou privado (Bi- planejamento integrado da cidade e da racionali-
cicleta Brasil, 2007). zação de consumo de energia (Gelpi, 1993).
114. BICICLEX: armário individual semelhante ao 119. BRISE OU BRISE-SOLEIL: elemento aplicado
utilizado em rodoviárias ou aeroportos para dis- à fachada da edificação para reduzir a quantida-
posição de malas; estacionamento conhecido como de de luz solar incidente (Farrelly, 2010). Ante-
lockers, que constituem um armário para guarda paro composto por uma série de peças, em geral
individual de uma bicicleta com porta e cadeado placas estreitas e compridas, colocadas em facha-
(Bicicleta Brasil, 2007). das para reduzir a ação direta do sol. Suas peças
115. BIOARQUITETURA: modo de fazer arquitetu- podem ser móveis ou fixas, dispostas na horizon- 27
ra que procura minimizar os impactos no meio tal ou na vertical (Albernaz; Lima, 2003, p. 99).
ambiente. 120. BULEVAR: grande avenida, larga e arborizada,
116. BIOCONSTRUÇÃO: construção de baixo im- ladeada por passeios públicos, inicialmente pro-
pacto ambiental, que diz respeito ao relaciona- posta por Haussmann na reestruturação urbana
mento entre o edifício e a vida (Adam, 2001). de Paris, em 1853. O bulevar fez parte de um con-
junto de estratégias para reurbanizar a cidade,
117. BIODIVERSIDADE: diversidade de seres vivos.
integrando uma hierarquia de áreas urbaniza-
Abrange, entre outros, a diversidade de ecossiste-
das, que com as praças, os jardins e os parques
mas, de formas de vida e de genes de uma popu-
suburbanos, constituiu-se em uma inovação na
lação. Inclui a diversidade de espécies e a diver-
organização do espaço urbano (Guimarães, 1996).
sidade entre indivíduos de uma mesma espécie.
Compreende, também, a diversidade de ecossis-
temas terrestres e aquáticos e os complexos eco-
lógicos de que fazem parte (IBGE, 2011).

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C
no. O levantamento cadastral pode ser feito por
levantamento topográfico, por aerofotogrametria
ou por imagens de satélite, conforme extensão da
área a ser cadastrada, por razões econômicas. Os
principais objetivos do cadastramento imobiliá-
rio são: a) identificação do proprietário do imóvel,
forma e dimensões, situação na quadra, geomor-
fologia, benfeitorias, tipo de construção, melho-
ramentos públicos existentes, áreas construídas,
etc.; b) criação de um sistema de avaliação dos
imóveis justo e racional; c) eliminação da influên-
cia pessoal e subjetiva no lançamento dos tribu-
tos sobre a propriedade imobiliária; d) obtenção
de avaliações precisas dos imóveis; e) subsídio de
estudo das desapropriações; f) fornecimento de
121. CADASTRO: conjunto de documentos que forne- dados para a elaboração da planta de uso do solo;
cem a informação sobre o registro civil de terre- g) fornecimento de elementos para se estudar a
nos e imóveis (parcelamento, identidade do pro- evolução urbana (Ferrari, 2004).
prietário) com o objetivo de estabelecer as bases 123. CADEIRANTE: pessoa portadora de necessida-
de taxação (Merlin; Choay, 1998). de especial e que necessita de uma cadeira de ro-
122. CADASTRO IMOBILIÁRIO: registro siste- das para poder se locomover.
mático dos bens imóveis urbanos ou rurais. No 124. CADERNO DE ENCARGOS: documento con-
Brasil, o cadastramento dos imóveis urbanos é da tratual estabelecido para cada uma das partes
competência do poder público municipal, e o dos que compõem o processo de licitação ou contrato
imóveis rurais é da alçada federal, do Instituto de prestação de serviços a que se submete o em-
Nacional de Colonização e Reforma Agrária (In- preiteiro e que tem como objetivo especificar as
cra). A unidade de terra do cadastramento urbano condições e responsabilidades a serem respeita-
é o lote, resultante do parcelamento do solo urba- das na execução de uma obra (Sirchal, [20--]).
125. CAIXA DE RUA: caixa carroçável ou de rola- 128. CALÇAMENTO: pavimentação de terrenos, ca-
mento, faixa da via destinada à circulação de veí- minhos e vias, com qualquer material. Consiste no
culos, excluídos os passeios, os canteiros centrais recobrimento de superfícies por uma camada de
e o acostamento (Brasil, 1997). revestimento. Em geral, o termo se refere à pavi-
126. CALÇADA: caminho em geral sobrelevado e pa- mentação com pedras; fazer calçamento em terre-
vimentado para pedestres. Usualmente é ladeada nos, vias ou caminhos é chamado de calçar. Quan-
por uma via para veículos situada em nível mais do referido especificamente ao calçamento com
baixo e separada desta por um meio-fio. Pode ter pedras, é também chamado de calcetar e, mais
canteiros com árvores ou não. Quando não pos- raramente, empedrar (Albernaz; Lima, 2003).
sui canteiros, sua largura mínima deve ser de 129. CAMADAS: explicam a arquitetura em diferen-
1,50 m, e quando possui, de 2 m. Essa largura tes níveis. Fisicamente é possível projetar os es-
permite a colocação de postes de iluminação, que paços em camadas para que as pessoas possam ir
são dispostos enfileirados. Comumente é feita de do exterior da edificação ao seu interior, identifi- 29
cimentado recortado em grandes quadrados ou cando cada camada separadamente. Espaços mo-
retângulos. É também chamada de passeio (Al- dernistas, como o Pavilhão de Barcelona, tentam
bernaz; Lima, 2003). Parte da via, normalmente decompor as camadas entre os espaços internos
segregada e em nível diferente, não destinada à (Farrelly, 2010).
circulação de veículos, reservada ao trânsito de 130. CAMELÓDROMO: expressão popular para de-
pedestres e, quando possível, à implantação de nominar o espaço urbano ocupado ou destinado
mobiliário urbano, sinalização, vegetação e ou- à instalação de comércio popular e de rua. Área
tros fins (Brasil, 1997). da cidade ocupada pelos vendedores ambulantes,
127. CALÇADÃO: termo utilizado, especialmente aquela fração do setor terciário tradicional nas
no Brasil, para designar uma via de pedestres, grandes cidades do mundo emergente e também
geralmente apropriada de uma via que se desti- das brasileiras. Podendo também ser denomina-
nava, originalmente, ao uso de veículos. Usual- do centro ou área de comércio popular.
mente empregada em áreas de intenso comércio, 131. CANTEIRO CENTRAL: obstáculo físico cons-
facilitando o acesso e favorecendo as atividades truído como separador de duas pistas de rola-
terciárias sem a intrusão e o conflito veicular.
Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil
mento, eventualmente substituído por marcas principalmente por meio do capital financeiro que
viárias (canteiro fictício) (Brasil, 1997). os países desenvolvidos exercem dominação econô-
132. CAPITAL: 1. Cidade em que se localiza a sede do mica sobre os subdesenvolvidos. Natural: conjunto
governo de um país, de um Estado ou de uma pro- de recursos naturais, renováveis e não renováveis,
víncia, não sendo, necessariamente, a maior cida- colocados à disposição da produção. Em uma polí-
de dessa unidade política (Ferrari, 2004). 2. Esto- tica sadia de ecodesenvolvimento, deve-se evitar
que de recursos materiais da sociedade, usado na o desgaste do capital natural, principalmente dos
produção de bens e serviços postos à disposição da recursos não renováveis. Social: conjunto dos re-
comunidade, em uma data particular, bem como cursos utilizados na prestação de serviços públicos
dos direitos de haver líquido sobre pessoas físicas e de utilidade pública para a comunidade ou na
ou jurídicas. É um dos fatores de produção, junta- construção de obras públicas pela administração
mente com a mão de obra e os recursos materiais. pública, direta ou indiretamente. Exemplos: ser-
30 O capital pode ser circulante, constante, financei- viços de educação hospitalares, de segurança pú-
ro, natural e social. Circulante ou de giro: na defi- blica, telecomunicações, esgoto, abastecimento,
nição de Adam Smith (apud Ferrari, 2004), bem de abastecimento de água, abertura de vias públicas,
produção que, ao gerar renda, deixa de pertencer edifícios públicos, etc. O capital social fixo de uma
ao patrimônio de seu possuidor, integrando o pro- cidade pode ser exemplificado pela infraestrutura
duto. Exemplos: matéria-prima, força de trabalho, de ruas, praças, áreas verdes, rede de água, de es-
energia, etc.; Constante ou fixo: na definição de goto, de drenagem, de iluminação dos logradouros
Adam Smith (apud Ferrari, 2004), bem de produ- públicos, etc. O capital social de giro de uma cida-
ção que, ao gerar renda, permanece no patrimô- de é dado pelos recursos à disposição dos serviços
nio do produtor, não sendo alienado ao produto. de educação, de saúde, de assistência social, etc.
Exemplos: máquinas, ferramentas, edificações, (Ferrari, 2004).
terrenos, etc.; Financeiro: recurso monetário ou 133. CAPITAL INTELECTUAL: conjunto de conhe-
capital representado por títulos, obrigações, certi- cimentos e informações tidos por uma pessoa ou
ficados, bônus, ações e outros papéis rapidamente instituição e colocado ativamente a serviço da re-
conversíveis em dinheiro. Para Ferrari (2004), é alização de objetivos econômicos (Xavier, 1998).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


134. CARÁTER DA PAISAGEM: a soma de todos os 137. CARTA DE GRANADA: documento redigido em
atributos de uma área que resultam em sua apa- 1987, mais de vinte anos após a Carta de Vene-
rência e ambiente únicos. As paisagens podem za, de 1964, embora respeitando os princípios da
ter atributos em comum, o que as permite serem carta anterior, é mais abrangente, como se veri-
comparadas com outras paisagens semelhantes fica em seu artigo 10°: “No caso de lugares onde
(Waterman, 2010). se faz necessária a transformação de edificações
135. CARTA: representação de uma porção da super- ou a construção de novas, toda a intervenção de-
fície terrestre no plano, geralmente em escala verá respeitar a organização espacial existente,
média ou grande, oferecendo-se a diversos usos, principalmente seu parcelamento e sua escala, de
como a avaliação precisa de distâncias, direções forma a revelar a qualidade e o valor do conjunto
e localização geográfica dos aspectos naturais e das construções existentes. A introdução de ele-
artificiais, podendo ser subdividida em folhas, de mentos de caráter contemporâneo, à condição de
forma sistemática em consonância a um plano não prejudicar a harmonia do conjunto, pode con- 31
nacional ou internacional (IBGE, 2011). tribuir ao seu enriquecimento” (Belmont, 1997
apud SIRCHAL, [20--]). De acordo com os pru-
136. CARTA DE ATENAS: documento redigido em
dentes comentários sobre a carta, percebe-se a
1933, no Congresso Internacional de Arquitetu-
preconização de aceitar soluções diversas daque-
ra Moderna (Ciam) e que sintetiza os princípios
las de “mimetismo arquitetural”. Algumas noções
do Urbanismo Racionalista. Em relação à cidade,
referem-se à questão essencial, de difícil definição
reivindicava a obrigatoriedade do planejamento
de “harmonia de conjunto”, mas reconhece-se que
intraurbano por meio do zoneamento funcional,
não se contenta em “tolerar” incursões contem-
da separação da circulação de veículos e pedes-
porâneas ao conjunto patrimonial, e sim serem
tres, da eliminação da rua-corredor e de uma
vistas como um potencial enriquecimento desse
estética geometrizante. Observava, ainda, que a
(Belmont, 1997apud SIRCHAL, [200-]).
cidade deveria organizar-se para atender às suas
quatro funções básicas: habitar, trabalhar, recre- 138. CARTA DE VENEZA: carta internacional que
ar e circular (Le Corbusier, 1993). trata da conservação de monumentos e sítios
históricos, redigida no segundo congresso inter-

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nacional de arquitetos e técnicos de monumentos ção, como um processo político-administrativo de
históricos, adotada em 1965 pelo Conselho Inter- governo, de atuação permanente e contínua, além
nacional de Monumentos e Sítios. Teve prossegui- de necessariamente participativo. A carta desen-
mento, em 1987, com a Carta de Granada, sobre volve seis temas: conceituação do processo de pla-
cidades históricas. De acordo com Belmont (1997 nejamento e aspectos humanos do planejamento
apud SIRCHAL, [200-]), essas duas cartas de re- e desenvolvimento de cidades; características do
ferência apresentam como princípio, em nome da planejamento regional, metropolitano e urbano
autenticidade e legibilidade do patrimônio, que na América Latina; planejamento geral urbano
toda a intervenção em um monumento, ou toda a como instrumento básico para guiar o desenvol-
construção no âmbito do conjunto histórico, deva vimento urbano; filosofia; objetivos e técnicas da
realizar-se com a preocupação maior com a inte- renovação urbana; programação e orçamento; li-
gração, mas também com uma intenção de vera- derança em planejamento (Ferrari, 2004).
32 cidade. Em função disso, a Carta de Veneza pre- 140. CARTOGRAFIA: conjunto de estudos e opera-
coniza, no seu 12º artigo, que: “Os elementos des- ções científicas, técnicas e artísticas, que, tendo
tinados a substituir as lacunas devem se integrar como base os resultados de observações diretas ou
harmoniosamente ao conjunto, distinguindo-se a análise de documentação já existente, visa à ela-
das partes originais, a fim de que a restauração boração de mapas, cartas e outras formas de ex-
não falsifique o documento de arte e história” pressão gráfica ou representação de objetos, ele-
(Belmont, 1997 apud SIRCHAL, [200-]). mentos, fenômenos e ambientes físicos e socioeco-
139. CARTA DOS ANDES: relatório elaborado em nômicos, bem como sua utilização (IBGE, 2011).
outubro de 1958, na Colômbia, no Seminário de 141. CASARIO: conjunto formado por edificações
Técnicos e Funcionários em Planejamento Urba- agrupadas, em geral corridas, de poucos pavi-
no, promovido pelo Centro Interamericano de Vi- mentos, formando um todo homogêneo (Albernaz;
venda e Planejamento. Trata-se de um documen- Lima, 2003).
to eminentemente técnico e importantíssimo, que
142. CASAS GEMINADAS: edificações que, tendo
conceituou clara e praticamente o processo de
paredes em comum, constituem uma unidade
planejamento integrado e sua institucionaliza-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


arquitetônica destinada a duas unidades habita- principalmente, por atividade no centro da cida-
cionais. de. 2. Em planejamento regional, adensamento
143. CATEGORIAS DE ANÁLISE PARA O ESPA- demográfico e de atividades em polos. 3. Em so-
ÇO URBANO: sistema de classificação baseado ciologia política, concentração do poder político-
em elementos, itens ou terminologias destinadas -administrativo em mãos de poucos indivíduos
a dar suporte a uma análise urbana. ou em um espaço reduzido do país (de posição
central ou não), sendo o poder exercido do centro
144. CATEGORIAS DE UNIDADES DE CONSER-
para a periferia, quase sempre em um processo
VAÇÃO: sistema de classificação das unidades
político autoritário (Ferrari, 2004).
de conservação que define o objetivo, a titularida-
de das terras, o tipo de uso e as restrições desses 147. CENTRO DA CIDADE: importante lugar de
espaços territoriais. Consideram-se as seguintes encontro, ponto de convergência e irradiação, no
categorias: Área de Proteção Ambiental (APA), qual as atividades urbanas se produzem e alcan-
Área de Relevante Interesse Ecológico (Arie), Es- çam sua maior intensidade, de onde elas ema- 33
tação Ecológica, Floresta Nacional (Flona), Par- nam, propagam e exercem sua influência (Sir-
que Nacional (Parna), Reserva Biológica (Rebio) chal, [20--]).
e Reserva Extrativista (Resex) (IBGE, 2011). 148. CENTRO CÍVICO: espaço urbano destinado ao
145. CENTRALIDADE URBANA: áreas da cidade encontro informal ou formal dos cidadãos para
para onde convergem várias atividades e fluxos lazer, negócios e manifestações políticas. Nele se
urbanos, não significando apenas pontos geomé- localizam os edifícios públicos, principalmente os
tricos centrais. Uma centralidade urbana pode de caráter institucional político e cultural, as áre-
ser um centro de bairro, uma esquina dinâmica, as verdes e as praças públicas. Na antiguidade
enfim, um ponto focal para onde convergem vá- clássica, a ágora grega era o centro cívico por ex-
rios tipos de atividades, como fluxos de pedestres, celência (Ferrari, 2004).
comércio, transporte, atividades, serviços e ani- 149. CENTRO HISTÓRICO: núcleo de formação
ma urbana. de uma cidade de caráter evolutivo. Em certos
146. CENTRALIZAÇÃO: 1. Concentração urbana casos, o centro histórico de uma cidade pode ser
caracterizada pelo adensamento demográfico e, reduzido a alguns monumentos simbólicos, em

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outros, pode coincidir com quase toda a aglome- 152. CICLO: veículo de pelo menos duas rodas movi-
ração urbana. Essa noção recente pode abranger do à propulsão humana (Bicicleta Brasil, 2007).
realidades diversas. A delimitação espacial do 153. CICLOFAIXA: parte contígua à pista de rola-
centro histórico é facilitada no caso das cidades mento destinada à circulação exclusiva de ciclos,
de pequeno porte, que tenham expandido pouco sendo dela separada por pintura e ou elementos
ou que o desenvolvimento moderno é periférico, delimitadores (Bicicleta Brasil, 2007).
como no caso das cidades cercadas por muros,
154. CICLOVIA: ciclopista ou ciclofaixa. Pista exclu-
sítios naturais, ou de localidades formadas por
siva para veículos de duas ou três rodas e sem
uma edificação (Martin; Choay, 1996).
motor, totalmente separada das vias de circula-
150. CENTRO URBANO: ou área central, em geral, ção dos automóveis. Nome genérico das vias des-
o núcleo histórico, o ponto onde uma cidade se ori- tinadas ao tráfego exclusivo de biciclos leves, em
ginou e em torno do qual ela cresceu. Antes pon- sítio próprio (Geipot, 1980). Pista própria desti-
34 to das principais atividades econômicas, o lugar nada à circulação de ciclos, separada fisicamente
mais ativo, enfim, o coração da cidade. Hoje, em do tráfego comum por desnível ou elementos deli-
alguns casos, são regiões deterioradas ou lugares mitadores (Bicicleta Brasil, 2007).
de valor sentimental, espécie de museus vivos.
155. CIDADE: para Lúcio Costa (1995 apud Moreno,
Em latim, centrum, e em grego, kentron (Moreno;
2002, p. 136), a “cidade é a expressão palpável
Abdala Júnior; Alexandre, 2002).
da necessidade humana de contato, comunicação,
151. CEPAL: sigla de Comissão Econômica para a organização e troca – numa determinada circuns-
América Latina. Órgão ligado à Organização das tância físico-social e num contexto histórico”. Ci-
Nações Unidas que auxilia os governos dos países dade também é sinônimo do centro de uma cida-
latino-americanos na promoção do desenvolvi- de propriamente dita, pois ainda é comum ouvir
mento econômico e na elevação do gênero de vida dizer “vou à cidade”, em lugar de “vou ao centro”.
de suas populações. Tem sede em Santiago, no Na Idade Média, cidade era o núcleo que estava
Chile, e mantém atividades ininterruptas desde dentro da área murada, tudo mais era arrabal-
sua fundação, em 1948 (Ferrari, 2004). de. Em Londres, city é a designação mais comum

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


da parte central da cidade, onde se concentra es- modo de vida, a cultura, a produção e as relações
pecialmente a atividade mercantil e financeira. sociais de uma sociedade, em um determinado
Gordon Culen (2006) refere-se à cidade argumen- período de tempo.
tando que um grupo de edifícios na cidade não é 156. CIDADE DA CONTINUIDADE: concepção ur-
um somatório de edificações isoladas, ou de arqui- bana que se preocupa com a continuidade do te-
teturas, mas outra obra com nova personalidade, cido urbano, contribuindo para a manutenção ou
ou seja, um fato urbano, e que em vez de termos consecução da integração espacial. Procura evi-
apenas a arte da arquitetura, teríamos a arte do tar as rupturas que tradicionalmente aparecem
relacionamento, das edificações, do tráfego, do em função de intervenções fragmentadas e dia-
abastecimento, dos letreiros, etc. Para Rodrigues crônicas (informação verbal).
(1986), a cidade é a arquitetura resultante dos
157. CIDADE DA DIVERSIDADE: concepção urbana
processos de organização social no espaço urbano,
que entende que a igualdade ou a justiça social, a
a instância construída. Não é apenas a arquite-
continuidade ou a integração correspondem à dife- 35
tura dos edifícios, mas também uma arquitetura
renciação espacial. Desse modo, revoluciona o pen-
resultante do relacionamento das edificações com
samento usual, que justifica a igualização espacial
os espaços livres de uso coletivo e público. Arqui-
como modo de contribuir para a homogeneidade
tetura de composição do cenário da vida coletiva,
social, e sugere que a diversidade espacial é cons-
dos espaços de permanência (reunião) e dos espa-
trutora de igualdade social (Propur, 1990).
ços de movimento (circulação); uma arquitetura
158. CIDADE DA HISTORICIDADE: concepção
dos espaços urbanos. Ainda, para o autor, o es-
urbana que busca compreender a história local
paço urbano é também, por excelência, o espaço
como fonte evolutiva, agregando a esses conteú-
do confronto de interesses, do processo histórico
dos a necessidade de mudança e a crítica às pree-
de definição dos direitos do indivíduo e da coleti-
xistências. Admite e recomenda a convivência de
vidade, permanentemente escrito e reescrito na
várias tipologias históricas. Opõe-se ao urbanis-
arquitetura da cidade. Entre tantos escritos so-
mo funcional-racionalista do século XX, assumin-
bre a cidade, poderíamos resumir que a cidade
do a colagem como uma possibilidade de projeto
é o espaço construído pelo homem que reflete o
urbano (Propur, 1990).

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159. CIDADE DA JUSTIÇA SOCIAL: concepção ur- 162. CIDADE DAS INTERFACES: ideário urbano
bana com influência ideológica que sugere a dis- que chama atenção para as relações entre as coi-
tribuição igualitária dos espaços formadores de sas ou partes que compõem a cidade, atentando
qualidade de vida urbana, entendendo que o es- para a sua compreensão sistêmica. As interfaces,
paço urbano não é mero subproduto do processo que podem ser físicas e sociais, positivas e nega-
social, mas participa como um de seus constru- tivas, são priorizadas na programação projetual.
tores diretos. Sendo assim, deve atentar para as É a relação entre as partes discretas da cidade e
interpretações configuracionais e morfológicas da é em suas junções que aparecem as relações entre
cidade, evitando os enfoques que desvalorizam a os espaços abertos e os construídos, entre o centro
dimensão espacial (Propur, 1990). e a periferia, entre a rua e o lote. Socialmente,
160. CIDADE DA POLICENTRALIDADE: ideário caracterizam as relações entre o rural e o urbano,
urbano que se pauta no combate à concentração entre a maior e a menor renda (Propur, 1990).
36 de meios de consumo coletivo e das facilidades ur- 163. CIDADE DOS ESPAÇOS ABERTOS: concep-
banas em um só lugar. Está associado às ideias de ção urbana que valoriza os espaços abertos de
conservação de energia e de dar centralidade às uma cidade, prioriza os espaços não construídos
periferias. Opõe-se ao padrão de desenvolvimento sobre os construídos, entendendo que o ambiente
que induz a formação de centros superconcentra- natural é parte fundamental do espaço urbano,
dos e de periferias fragmentadas (Propur, 1990). participando de sua cênica cotidiana. Esse prin-
161. CIDADE DA PRESERVAÇÃO AMBIENTAL: cípio inverte a tradição do projetar atual, cujos
concepção urbana que defende a tese de que não espaços abertos são sobras ou resíduos dos espa-
há boa alternativa para o futuro da cidade sem ços edificados ou, ainda, espaços a serem eminen-
a preservação ambiental, vendo de modo insepa- temente ocupados por edificações (Propur, 1990).
rável o ambiente antrópico e o natural. Assim, 164. CIDADE E NÃO CIDADE: em função do avan-
negar algum modo de preservação significaria ço da informatização, dos contatos eletrônicos e
aceitar a destruição do planeta; assumindo que a midiáticos, a cidade como espaço físico onde se
destruição total é indesejada (Propur, 1990). materializam as relações sociais perde sua fun-
ção para uma cidade virtual, uma não cidade.

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


165. CIDADE ECOLÓGICA: conceito que encer- pela população para moradia, trabalho e circula-
ra o princípio de que tanto mais a vida humana ção, e que não se encontram oficialmente regis-
prosperará no mundo, quanto mais se mantiver trados e regulamentados nos órgãos municipais
a superfície da Terra em seu estado natural. As (Propur, 1990).
cidades devem ser compactas, com autossuficiên- 169. CIDADE JARDIM: cidade autônoma imaginada
cia energética e circulares, ou seja, o subproduto pelo urbanista e teórico inglês Ebenezer Howard
de um sistema torna-se matéria-prima de outro (1850-1928), em 1898, com traçado e caracterís-
(Register, 2003). ticas socioeconômicas claramente definidas: a)
166. CIDADE GLOBAL: centro urbano que desem- terrenos pertencentes à comunidade, para que
penha funções cruciais na economia globalizada, se evitem o uso abusivo do solo e a especulação
abrigando mercados financeiros e sedes de em- imobiliária; b) tamanho limitado, bem como sua
presas transnacionais. Nova Iorque, Londres e população: 32 mil habitantes no projeto original,
Tóquio são exemplos de cidades globais. No Bra- sendo a cidade delimitada por um cinturão ou 37
sil, apenas São Paulo desempenha algumas fun- anel agrícola; c) traçado de tipo radioconcêntrico,
ções de cidade global (Magnoli, 2001). com uma praça circular central e anéis concên-
167. CIDADE INDUSTRIAL: 1. Cidade projetada tricos, alternadamente ocupados por residências
em 1901-1904 por Tony Garnier, arquiteto fran- e jardins. As casas são de dois pavimentos, ge-
cês de Lyon, com características lineares e desti- minadas em grupo de seis ou oito, situando-se
nada a abrigar uma população limitada de 35 mil todo o equipamento comunitário e institucional
habitantes. O projeto compreendeu duas grandes na área central da cidade. Howard propôs, para a
áreas, uma residencial e outra industrial, sepa- implantação de sua cidade, a aquisição de 2,4 mil
radas por ampla área verde (Ferrari, 2004). 2. hectares: desses, 400 seriam para a cidade e 2 mil
Qualquer cidade cujas atividades predominantes para a exploração agrícola ao redor, formando o
sejam industriais, não confundindo com zona in- anel agrícola (Ferrari, 2004).
dustrial ou distrito industrial. 170. CIDADE LIMPA: lei restritiva à poluição visual
168. CIDADE INFORMAL: ideário urbano que valo- urbana, implementada no município de São Paulo
riza os espaços urbanos edificados ou apropriados desde 1º de janeiro de 2007. Em grandes rasgos,

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a lei proíbe a propaganda em outdoors na cidade, promoção nas escalas local, regional e global,
e limita a dimensão dos letreiros e placas publi- buscando também, como contraponto, a obtenção
citárias em estabelecimentos comerciais, mas in- de notáveis efeitos intraurbanos. A “city marke-
centiva a propaganda fixada no mobiliário urbano, ting e os planos estratégicos de cidade aparecem
como as paradas de ônibus (São Paulo, 2007). como importantes instrumentos do chamado
171. CIDADE LINEAR: 1. Historicamente, a cidade ‘novo planejamento urbano’, que busca recuperar
preconizada e perfeitamente definida por Arturo sua legitimidade quanto à intervenção pública na
Soria y Mata: cidade de uma só rua, de 500 m perspectiva de ‘colocar as cidades no novo mapa
de largura e de comprimento qualquer que fos- do mundo’” (Sánchez, 2003, p. 25).
se necessário, “cujos extremos podem ser Cádiz e 173. CIDADE MÉDIA: cidades que podem ser perce-
São Petersburgo ou Pequim e Bruxelas” (Ferrari, bidas como intermediárias entre as metrópoles e
2004, p. 74), tendo implantados, no centro e ao as cidades pequenas. Para Soares e Ueda, “[...]
38 longo dessa imensa rua, todos os serviços públi- a presença das cidades médias na rede urbana
cos e equipamentos comunitários. 2. Atualmente, cumpre um importante papel na organização do
cidade que possui, em vez de uma única via lon- território, representando também os espaços de
gitudinal, uma trama linear, ou seja, um traçado inovação urbana em regiões de predomínio dos
composto de algumas vias longitudinais, aproxi- fluxos advindos das atividades agrárias moderni-
madamente paralelas entre si, cortadas de dis- zadas” (2007, p. 379).
tância a distância por vias transversais, em um 174. CIDADE NOVA: empreendimento com habita-
desenvolvimento linear. ções, comércio, indústrias, transporte e todos os
172. CIDADE MARKETING: cidades pautadas so- demais elementos de uma cidade típica que resul-
bre projetos de renovação urbana e que tem na ta de um esforço único e de grande escala (Wall;
produção da imagem um papel relevante. Para Waterman, 2012).
Sánchez (2003), as propostas de planejamento 175. CIDADE POLO: cidades de porte médio que
pautam-se na formulação de novas estratégias exercem forte influência sobre a rede urbana re-
econômicas e urbanas orientadas, especialmen- gional em função de suas atividades de comércio e
te para a internacionalização da cidade e na sua prestação de serviços. Mais do que as cidades mé-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


dias, destacam-se por exercer uma forte atração Também sinônimo de centro do poder da cidade
nas cidades menores em seu entorno, que buscam (Moreno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002).
na cidade polo, além de um setor comercial mais 180. CIRCULAÇÃO: o movimento de pessoas e veícu-
diversificado e mais oferta na prestação de servi- los através de um terreno ou ao seu redor (Wall;
ços, atividades e estruturas jurídico-administra- Waterman, 2012).
tivas que cidades menores não comportam, como
181. CIRCULAÇÃO VIÁRIA: sistema de trânsito de
uma sede da Funai, tribunais regionais, serviços
veículos em uma área urbana; um dos elementos
biomédicos complexos e ensino especializado.
mais poderosos para a estruturação da imagem
176. CIDADE PÓS-MODERNA: parece ser o terri- urbana, não podendo ser tratada apenas como
tório do usuário-consumidor; abriga uma arqui- um sistema de movimento (Del Rio, 1990), visto
tetura do espetáculo e de exibição, que é capaz que é um dos fatores básicos na democratização
de transmitir um brilho superficial e efêmero, um da cidade, já que define acessibilidade. A circu-
brilho de prazer participativo, mas transitório lação viária, o transporte público e o estaciona- 39
(Sánchez, 2003). mento devem ser entendidos como vitais para a
177. CIDADE-SATÉLITE: denominação de todas as animação e a sobrevivência social e econômica de
cidades que se encontram dentro da órbita de in- uma área (Lynch, 1997).
fluência de uma cidade maior, que funciona como 182. CIVILIDADE: termo indissociável de civilização;
polo catalizador ou gerador de empregos, poden- refere-se a comportamentos e modos de fazer co-
do ter as mais variadas características urbanas dificados que revelam certa concepção da existên-
(Braga; Falcão, 1997). cia social. No contexto francês dos anos 1990, é
178. CIDADE UNIVERSITÁRIA: campus universi- frequentemente associado à urbanidade. Juntos,
tário, conjunto de edificações e complexo admi- eles constituem valores fundamentais aos quais
nistrativo que abriga as atividades, as faculda- tendem as sociedades urbanas por regulações e
des, os cursos de graduação e pós-graduação e a ajustes progressivos. Se a urbanidade qualifica, ao
gestão de uma instituição universitária mesmo tempo, o cidadão moderno e seu espaço, a
179. CIDADELA: fortaleza ou lugar mais estrate- civilidade surge de um código de conduta predomi-
gicamente apropriado para a defesa da cidade. nante nos relacionamentos interpessoais. Enten-

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de-se então por civilidade a forma de gerar uma 187. COLETA SELETIVA DE LIXO: separação e
relação social apoiada sobre o respeito ao próximo, acondicionamento de materiais recicláveis em
que permite, assim, a coexistência de diferenças sacos ou nos locais onde o lixo é produzido, obje-
sociais, étnicas e geracionais (Sirchal, [20--]). tivando, inicialmente, separar os resíduos orgâ-
183. CÓDIGO DE EDIFICAÇÕES OU DE OBRAS: nicos (restos de alimentos, cascas de frutas, le-
legislação que dispõe sobre as regras gerais e es- gumes, etc.) dos resíduos inorgânicos (papéis, vi-
pecíficas a serem obedecidas nos projetos, no li- dros, plásticos, metais, etc.). Essa prática facilita
cenciamento, na execução, na manutenção e na a reciclagem porque os materiais, estando mais
utilização das obras e edificações nos limites de limpos, têm maior potencial de aproveitamento e
um município, sem prejuízo do disposto nas le- comercialização (IBGE, 2011).
gislações estaduais e federais pertinentes (Passo 188. COMÉRCIO ESTENDIDO: local ou estabeleci-
Fundo, 1996). mentos de comércio que trabalham em horários di-
40 184. COEFICIENTE DE APROVEITAMENTO: ferentes dos convencionais de trabalho, como das
relação entre a área edificável ou construída e a 8h às 12h e das 13h30min às 18h, podendo esten-
área do lote (Ferrari, 2004). der o horário de trabalho até as 24h, possibilitan-
do que a clientela tenha mais opções de compras.
185. COGERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA E
TÉRMICA: sistema distribuído de geração de 189. COMÉRCIO POPULAR: área urbana apropria-
calor e de energia elétrica que permite às comu- da por lojistas que comercializam artigos popula-
nidades serem independentes e autossuficientes res, tendo como um grande exemplo a Rua 25 de
(Wall; Waterman, 2012). Março, na cidade de São Paulo. Pode ser também
o espaço destinado ou apropriado para ambulan-
186. COLAGEM: palavra que deriva do termo francês
tes, conhecido como camelódromo.
coller (colar). Trata-se de uma técnica usada por
artistas cubistas, como Picasso, durante a déca- 190. COMMODIFICATION: termo em inglês que defi-
da de 1920. Esse termo é aplicado a conceitos de ne as mudanças qualitativas e inserção de popula-
arquitetura que usam elementos ou referências ções no sistema econômico capitalista, decorrentes
provenientes de outras ideias para criar uma de elementos típicos de programas habitacionais
nova obra (Farrelly, 2010). de autoajuda, tais como legalização da terra, pres-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


crição de padrões construtivos legais mínimos e 196. CONDOMÍNIO: propriedade ou domínio em co-
crédito (Mathéy, 1982, p. 201). mum de um bem, tendo cada condômino, ou pro-
191. COMPOSIÇÃO: arranjo dos elementos de um prietário, uma fração autônoma do bem (edifício
projeto entre si, resultando uma unidade agradá- de apartamentos, por exemplo) ou, em caso de
vel (Wall; Waterman, 2012). bem indivisível ou ainda não dividido, uma fração
ideal do bem (Ferrari, 2004).
192. COMUNIDADE: 1. Grupo de pessoas com inte-
resses em comum. 2. Área habitada por pessoas 197. CONFIGURAÇÃO ESPACIAL: compreende ele-
que tem interesses em comum, ao menos em par- mentos além dos previstos nos tradicionais zonea-
te, devido à proximidade geográfica entre elas mentos, tais como cones de visibilidade, relaciona-
(propinquidade) (Wall; Waterman, 2012). mentos entre volumes edificados e topografia, re-
lacionamentos entre o novo e o conjunto edificado
193. CONCEITO: ideia ou noção abstrata, que emba-
existente, compatibilidades tipológicas, continui-
sa uma proposta ou um projeto (Wall; Waterman,
2012).
dade e inserção na morfologia, etc. (Del Rio, 1990). 41
198. CONFLITO VEÍCULO X PEDESTRE: interfe-
194. CONCERTAÇÃO: concertar, agir em acordo.
rências no espaço da cidade geradas pelo trânsi-
Confrontação de ideias e troca de informações
to de veículos e de pedestres, que se confrontam
tendo em vista uma ação comum. Busca em co-
na apropriação dos mesmos espaços urbanos. Os
operação, por meio de uma discussão anterior à
conflitos entre veículos e pedestres podem ser di-
decisão, de um entendimento visando certa ação
vididos em duas categorias: a primeira trata da
(Sirchal, [20--]).
segurança, do risco de acidentes e das restrições
195. CONCESSÃO DE USO: possibilidade de utili-
físicas à mobilidade dos pedestres, expressada
zar terreno alheio mediante autorização. Decorre
pelo tempo levado no desenvolvimento de deter-
do direito de superfície, segundo o qual o direito
minado percurso em função da circulação veicu-
real de utilização do solo pode pertencer a uma
lar. A segunda é a segregação comunitária, de-
pessoa que não seja seu proprietário, mediante
corrente da implantação de infraestruturas para
contrato de concessão outorgado por este último
transporte e que seccionam comunidades, degra-
ao concessionário (Ferrari, 2004).
dando a qualidade de vida urbana (Gelpi, 1993).

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199. CONGRESSO INTERNACIONAL PARA A AR- dimensão de planejamento, é principalmente um
QUITETURA MODERNA: os Ciams, congressos mecanismo de gestão), os conselhos de desenvol-
internacionais que se realizam desde 1928, e que vimento são instâncias participativas referentes
se constituíram no local e fórum das primeiras dis- ao planejamento da cidade: definição, confecção e
cussões e investigações detalhadas sobre a cidade acompanhamento da implementação de políticas
industrial e suas consequências. No quarto con- públicas e intervenções diversas, tais como pla-
gresso, em 1933, surge a Carta de Atenas, docu- nos diretores, políticas setoriais de transporte e
mento que trata do urbanismo e do estado caótico meio ambiente, programas de urbanização de fa-
da cidade moderna (Muller; Gunter, 1995). velas, etc. (Souza, 2003).
200. CONJUNTO HABITACIONAL OU RESI- 203. CONSÓRCIO IMOBILIÁRIO: forma de viabi-
DENCIAL: grupo de habitações unifamiliares lização financeira de planos de urbanização, na
ou coletivas construídas dentro de um mesmo qual o proprietário entrega ao Executivo muni-
42 processo de edificação e implantação obedecendo cipal o seu imóvel e, após a realização de obras,
a uma planificação urbanística pré-estabelecida. recebe como pagamento imóvel devidamente ur-
201. CONJUNTO HISTÓRICO: conjunto de cons- banizado (Souza, 2003).
truções antigas que apresentam um interesse 204. CONTEXTO: o entorno, as circunstâncias, o am-
arquitetônico histórico, que guardaram coerência biente e/ou o significado de um terreno em parti-
no contexto urbano ou rural. O conjunto histórico cular (Wall; Waterman, 2012).
merece ser protegido sem sofrer modificações que 205. CONTIGUIDADE: princípio pelo qual se reco-
afetem ou alterem sua identidade (Sirchal, 2012). nhece que a inserção, na cidade, de uma nova es-
202. CONSELHO DE DESENVOLVIMENTO trutura deverá considerar as preexistências ur-
URBANO: ao lado dos conselhos de orçamento banas e geomorfológicas (Magalhães, 2002).
participativo, são as instituições símbolo de um 206. CONURBAÇÃO: diz-se quando duas ou mais
esforço consistente de democratização da cida- cidades fundem-se num único tecido urbano. Ter-
de. Enquanto os conselhos de orçamento parti- mo criado pelo biólogo e sociólogo escocês Patrick
cipativo vinculam-se à gestão urbana (uma vez Geddes, que previu, no início do século XX, o es-
que o orçamento público, embora possua uma praiamento horizontal e a fusão de cidades (Mo-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


reno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002). Conjunto mento correto de todas as partes e elementos da
formado por uma cidade e suas periferias, ou por construção (Sirchal, [20--]).
cidades reunidas, que constituem uma sequên- 210. CONSERVAÇÃO HISTÓRICA: o trabalho de
cia, mas sem confundir-se. Aglomeração consti- proteger e projetar locais de importância históri-
tuída por unidades urbanas que se desenvolvem ca e/ou arqueológica (Waterman, 2010).
espontaneamente em um setor geográfico de-
211. CONSERVAÇÃO INTEGRADA: modo de con-
terminado. Conjunto de aglomerações próximas
servação, restauração e reabilitação de edifícios
umas das outras cujo crescimento colocou-as em
e sítios antigos visando readequá-los para novas
contato (Sirchal, [20--]).
funções da vida moderna. A noção de conservação
207. CONVENÇÕES URBANÍSTICAS: normas integrada, constituída há vinte anos pelo Conse-
urbanísticas de uso e ocupação do solo, estabe- lho da Europa e incluída na convenção da Grana-
lecidas em contrato de venda de lotes urbanos, da, acentua bem a necessidade de integrar o pa-
mutuamente aceitas pelas partes intervenientes: trimônio antigo na vida, na planificação contem- 43
vendedor, comprador e prefeitura que as aprovou porânea. Se os monumentos não podem ser colo-
(Ferrari, 2004). cados fora da vida e conservados como elementos
208. CONSERVAÇÃO: conjunto de doutrinas, técni- museográficos, isto será ainda mais válido para
cas e meios materiais apropriados para perpetu- conjuntos, cidades e bairros históricos, cujas fun-
ar a existência de monumentos, visando mantê- ções evoluem e cujo valor e significação se atêm
-los materialmente dentro das suas condições ar- muito ao seu uso vivo, à presença de habitantes
quitetônicas de uso, contando com uma avaliação e atividades econômicas. A conservação integra-
adequada das modificações realizadas ao longo da é uma dialética entre a vontade de proteção e
do tempo (Sirchal, [20--]). as necessidades de planejamento, lançando mão
209. CONSERVAÇÃO DE UM EDIFÍCIO: conjunto de meios jurídicos, administrativos, financeiros e
de medidas destinadas a salvaguardar e prevenir técnicos específicos para responder à complexida-
a degradação de um edifício, incluindo a execução de das questões colocadas (Sirchal, [20--]).
de obras de manutenção necessárias ao funciona-

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212. CONSOLIDAÇÃO: obras feitas em um edifício rem implantadas por meio de caminhos, eixos ou
para assegurar a sua duração sem modificar seu corredores arborizados, permitindo um passeio
aspecto (Sirchal, [20--]). por um espaço verde dentro da área da cidade;
213. CORTES: desenhos bidimensionais em escala caminho que, em função da arborização, poderá
que mostram a altura e a largura de objetos, e a atrair pássaros e pequenos animais. Também
distância entre eles, obtida por meio de uma se- pode ser uma área em extensão linear vegetada,
ção vertical indicada em uma planta baixa (Wa- que comporte uma captação pluvial a céu aber-
terman, 2010). to, um caminho que levará a um escoamento de
águas pluviais maior, como um lago ou um peque-
214. CORREDOR CULTURAL: trechos urbanos li-
no rio urbano.
neares, definidos sobre vias existentes, e que têm
como elementos estruturadores um patrimônio 218. CORREDORES BIOLÓGICOS: extensões de
ambiental urbano e edificações singulares rele- ecossistemas naturais que interligam um conjun-
44 vantes, contendo na sua área de influência edi- to de unidades de conservação, públicas ou par-
ficações históricas tombadas, edificações destina- ticulares, possibilitando a manutenção da biodi-
das à cultura e ao lazer, como bibliotecas e casas versidade e de seus processos evolutivos, podendo
de cultura, prédios administrativos com valor, etc. ser implementados em qualquer bioma ou ecos-
sistema (IBGE, 2011).
215. CORREDOR DE ÔNIBUS: via exclusiva para
o sistema de transporte coletivo no sistema viá- 219. CORRER DE CASAS: conjunto formado por mais
rio urbano. A via exclusiva também é conhecida de duas casas implantadas de modo a terem suas
como canaleta. paredes laterais em comum com as casas vizinhas,
resultando em telhado único para todas as unida-
216. CORREDOR URBANO: espaço urbano consti-
des. Em geral, essas casas têm fachadas frontais
tuído por adensamento de atividades ao longo das
no mesmo alinhamento. Muitas vezes é constituído
linhas de transportes coletivos ou de vias de gran-
por casas idênticas, que apresentam internamente
de capacidade de tráfego (Campos Filho, 1989).
a mesma distribuição, sendo esta rebatida a cada
217. CORREDOR VERDE: em uma área urbana, in-
duas unidades. Permite economia na construção e
terligação das áreas verdes existentes e/ou a se-
na urbanização. É também chamado casas em fila

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


ou em fita, casas corridas, casas em fileira e lance de telhado, denominado de meia-água. Sob esses
de casas (Albernaz; Lima, 2003). telhados, dezenas de cubículos abriam para um
220. CORTIÇO: imóvel destinado à locação residen- corredor ou pátio central, cada um dos cubículos
cial com mais de uma unidade habitacional, que abrigando uma família. Em alguns pontos, havia
geralmente apresenta condições precárias de ha- um banheiro e um tanque para lavar roupas, de
bitabilidade com risco para a saúde ou de vida. Os uso coletivo (Reis Filho, 1994).
cortiços também são habitações irregulares em ra- 221. COTA: distância vertical entre um ponto especí-
zão da precariedade da relação de locação entre o fico do solo a um ponto de referência fixo (Wall;
proprietário ou locador do imóvel e os moradores WatermanWall; waterman, 2012).
(locatários ou sublocatários) (Alfonsin et al., 2002, 222. CROWDING: termo em inglês que define a
p. 82). Sobrados ou casarões deteriorados, adapta- situação em que o número de pessoas utilizando ou
dos para habitações coletivas, comuns nas áreas vivendo em uma área urbana ou edificação excede
centrais. Tornaram-se populares quando o aumen- o nível de ocupação aceitável ou para o qual foi 45
to da população e as pressões de uma vida urbana originalmente planejada. Aceitável é um conceito
precária expulsaram para as chácaras de periferia relativo e depende de cada cultura e do status
as famílias mais abastadas, que, ao se retirar das socioeconômico (Acioly; Davidson, 1998).
áreas centrais, não deram uma destinação comer-
223. CUL-DE-SAC: 1. Termo em francês que significa
cial às suas antigas habitações. A palavra cortiço
rua sem saída ou beco. 2. Rua de pequena exten-
tem um significado ambíguo: refere-se a formas di-
são que dá acesso a lotes residenciais, em geral
versas de habitação coletiva precária. Os casarões
tendo na extremidade uma área de manobra. Co-
transformados em cortiço tinham também uma
mumente, possui uma única faixa carroçável de
forma intermediária: hotéis ou pensões precárias,
4 m de largura e um comprimento de até 80 m,
chamados na época de estalagens. Cortiços em
a área de manobra deve conter um círculo de 16
meia-água eram construções precárias nos fundos
m de diâmetro. Quando o comprimento é maior,
dos terrenos das casas comerciais ou residências
deve ter baias ou reentrâncias para veículo, alter-
encortiçadas das áreas centrais, encostadas nos
nadamente, em ambos os lados. O mesmo que rua
muros, cobertas de modo simples, com um só pano
sem saída ou beco (Ferrari, 2004).

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224. CUSTO SOCIAL: prejuízo tangível ou intangí- 226. CONEXÕES URBANAS: articulações existen-
vel causado à sociedade por qualquer atividade tes entre os espaços urbanos, podem ser vias,
econômica ou serviço, público ou privado (Ferra- praças e largos ou, inclusive, edificações, que co-
ri, 2004). municam ou integram dois ou vários espaços da
225. COMPOSIÇÃO FORMAL DA PROPOSTA OU cidade.
DA INTERVENÇÃO URBANA: forma como a 227. CURVA DE NÍVEL: uma linha imaginária tra-
intervenção ou expansão urbana se espacializa. A çada sobre a superfície do solo em uma única
intervenção pode apresentar-se de forma linear, elevação que pode ser representada na planta
agregada, centraliza, em quadrícula, em eixos, em do terreno. Grupos de curva de nível são usados
cruz, enfim, de inúmeras formas, que deverão ou para indicar a topografia (Waterman, 2010).
não ser aglutinadas ao espaço urbano pré-existen-
te, caso ela não seja uma expansão urbana.
46

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


D
de uma coletividade, sua natalidade, migrações,
mortalidade, etc. (Ferreira, 1975, p. 430).
230. DEMOLIÇÃO: ação de demolir, ou seja, de rom-
per a ligação de um edifício ou de uma massa
construída. A demolição faz parte das práticas de
todas as culturas e de todas as sociedades: ela é a
outra face indissociável da construção. A invenção
do monumento histórico freou a prática ancestral
da demolição, particularmente em nome de va-
lores artísticos e históricos aos quais os edifícios
do passado dão suporte. Na França, a permissão
de demolir é regida pelo Código do Urbanismo,
cujas disposições visam não só a proteção do pa-
trimônio histórico, mas também a prevenção da
urbanização selvagem e da especulação imobiliá-
ria (Sirchal, [20--]).
231. DESAPROPRIAÇÃO: ato ou poder público, ou
de seus delegados, de transferir para seu domínio
uma propriedade privada ou pública de escalão
228. DEGRADAÇÃO URBANA: desgaste físico ou
inferior, por necessidade, utilidade pública ou in-
funcional dos equipamentos públicos urbanos
teresse social, mediante prévia e justa indeniza-
ou, na ausência deles, no todo ou em parte, de
ção (Ferrari, 2004).
uma cidade ou área que reflete um baixo nível
de vida da sua população (Ferrari, 2004). 232. DESCENTRALIZAÇÃO: na Europa (França,
Itália, Espanha, Alemanha), a descentralização
229. DEMOGRAFIA: estudo estatístico da popu-
administrativa foi um modelo aplicado ao con-
lação, no qual se descrevem as características
junto do território. Na França, a reforma imple-
mentada pela lei, de 1982 a 1984, com a transfor-
mação de controles e da autoridade executiva, da 235. DESCONCENTRAÇÃO ADMINISTRATIVA:
divisão de competências e da função pública ter- na França, o Estado guarda suas competências
ritorial, visava ao desenvolvimento das responsa- sobre o território (prefeitos, superintendentes, di-
bilidades da administração pública e foi aplicada retores da ação sanitária e social, da agricultura),
ao conjunto do seu território: municípios, depar- embora confie sua gestão, não às administrações
tamentos e regiões, incluindo as grandes cidades. centrais, mas a seus representantes, que ficam
Na América Latina, a descentralização foi perce- submetidos à autoridade central (Sirchal, [20--]).
bida como um meio de reduzir o peso econômico e 236. DESENVOLVIMENTO URBANO: expansão
político das cidades muito grandes, fortalecendo progressiva da superfície das cidades e aglomera-
as cidades médias e, em menor medida, os espa- ções urbanas. Pode acontecer de acordo com um
ços locais (o município) (Sirchal, [20--]). processo preconcebido que visa dispor racional-
233. DESCENTRALIZAÇÃO URBANA: 1. Forma mente os órgãos funcionais da cidade ao longo do
48 de desconcentração urbana constituída pela mi- tempo. Podendo ocorrer também espontaneamen-
gração de população e de atividades do centro ur- te, sem ordenamento preconcebido (Sirchal, [20--]).
bano para outros pontos da mesma cidade, suas 237. DESENVOLVIMENTO: entendido como uma
proximidades ou para outros locais quaisquer. É mudança social positiva. Pode-se dizer que se
um processo ecológico urbano inverso ao da cen- está diante de um autêntico processo de desen-
tralização. 2. Em planejamento regional, migra- volvimento socioespacial quando se constata uma
ção de população e de atividades polos-cidades melhoria da qualidade de vida e um aumento da
para outras cidades, satélites ou não (Ferrari, justiça social (Souza, 2003, p. 60-61). Desenvolvi-
2004). mento é a passagem de uma população a um nível
234. DESECONOMIAS URBANAS: processo de de- superior de condição de vida, considerando os se-
terioração e abandono por que passam os centros guintes indicadores de qualidade de vida: saúde,
urbanos e a segregação social e espacial concre- moradia, educação, escolaridade, expectativa de
tizada pelo modelo de desenvolvimento urbano vida, saneamento básico, emprego e renda, nutri-
baseado na suburbanização de baixa densidade e ção, alimentação, recreação e lazer. O desenvol-
crescimento linear (Acioly; Davidson, 1998). vimento opõe-se aos dados do simples crescimen-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


to de um povo, que baseia seu cálculo apenas na de habitacional bruta mede o número total de uni-
elevação do produto interno bruto (PIB) de uma dades dividido pela área total da gleba. Toda área
nação, dividido pelo número de seus habitantes incluída dentro da poligonal de um assentamento
(Ferreira, 1966). deve ser considerada para efeito da determinação
238. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: de da densidade bruta (Acioly; Davidson, 1998).
acordo com o documento Nosso futuro comum, 241. DENSIDADE DEMOGRÁFICA OU POPU-
da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e LACIONAL: número total de pessoas que resi-
Desenvolvimento, publicado originalmente em dem em uma determinada área urbana. Também
1988, é o desenvolvimento que atende às neces- denominada densidade populacional. Em áreas
sidades do presente, sem comprometer a possibi- urbanas é geralmente uma medida expressa em
lidade das gerações futuras de atender suas pró- habitantes por hectare (habitantes/ha), enquan-
prias necessidades (ONU, 1998). to que em áreas mais amplas utiliza-se a medida
239. DESENVOLVIMENTO LOCAL E MUNICI- habitantes por quilômetro quadrado (habitantes/ 49
PAL: processo endógeno registrado em pequenas km2) (Acioly; Davidson, 1998).
unidades territoriais e em pequenos agrupamen- 242. DENSIDADE EDIFICADA OU CONSTRUÍ-
tos humanos, capaz de promover o dinamismo DA: expressa o total de metros quadrados de edi-
econômico e a melhoria da qualidade de vida da ficação em 1 hectare. O total de construção exis-
população. O desenvolvimento local está associa- tente dentro da poligonal do assentamento ou
do a iniciativas inovadoras e mobilizadoras da co- bairro, medida em m2 por hectares. Engloba toda
munidade, sendo capaz de articular as potencia- a área do assentamento, ou sua área bruta (Acioly;
lidades da comunidade para a promoção da qua- Davidson, 1998).
lidade de vida e do bem-estar (Buarque, 1999). 243. DENSIDADE HABITACIONAL: também de-
240. DENSIDADE BRUTA: expressa o número total nominada densidade residencial. Expressa o nú-
de pessoas residindo em uma determinada zona mero total de unidades habitacionais construídas
urbana dividida pela área total em hectares, in- em uma determinada zona urbana dividida pela
cluindo-se escolas, espaços públicos, logradouros, área em hectares. Medida expressa em unida-
áreas verdes e outros serviços públicos. A densida- des habitacionais por hectare (unidades habita-

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cionais/ha ou habitações/ha) (Acioly; Davidson, biente, no que se supõe que o projeto seja o elemento
1998). formulador e indutor de um processo (Franco, 1997).
244. DENSIDADE LÍQUIDA: expressa o número 247. DESENHO UNIVERSAL: significa um planeja-
total de pessoas residentes em uma determina- mento que não exclua ninguém; um assunto que
da zona urbana dividida pela área estritamente não exibe grande complexidade em termos de so-
utilizada para fins residenciais. Em países como luções, mas requer uma compreensão do conjunto
a Inglaterra, ou onde há influência inglesa nas de necessidades das pessoas portadoras de defici-
regulamentações urbanas, incluem-se a circula- ência e o cuidado com cada detalhe (Bahia, 1998).
ção local, metade das ruas vizinhas e pequenos Segundo a NBR 9050, desenho universal é “aque-
jardins. A densidade habitacional líquida expres- le que visa a atender à maior gama de variações
sa o número total de unidades dividido pela área possíveis das características antropométricas e
destinada exclusivamente ao uso habitacional sensoriais da população” (ABNT, 2004).
50 (Acioly; Davidson, 1998). 248. DESENHO URBANO: o ato de projetar, em ur-
245. DENSIDADE URBANA: relação entre a popu- banismo, deve admitir como fontes básicas: a) o
lação residente na zona urbana e a sua superfície grau de desenvolvimento econômico (real) da so-
total, em hab./km² ou hab./ha. Trata-se de uma ciedade; b) os padrões de cultura dos diversos gru-
densidade média e bruta. Como normalmente a pos envolvidos no processo de projeto (usuários,
zona urbanizada (cidade propriamente dita) é a condutores, promotores, etc.); c) os níveis de tec-
menor zona urbana, a densidade da zona urbani- nologia compatíveis com a capacidade econômica
zada é maior do que a da zona urbana, definida e os padrões culturais anteriormente mencionados
em lei (Ferrari, 2004). (Gastal, 1984). De acordo com Del Rio, desenho ur-
246. DESENHO AMBIENTAL: contrapõe-se ao pai- bano é o “campo disciplinar que trata a dimensão
sagismo, pois mais do que um projeto, o desenho físico-ambiental da cidade, enquanto conjunto de
ambiental é um processo que envolve o conceito de sistemas físico-espaciais e sistemas de atividades
ecossistema e insere na questão a reciclagem de re- que interagem com a população através de suas
cursos, a preservação e a conservação ambiental. vivências, percepções e ações cotidianas” (1990,
Desenho ambiental refere-se a desenho para o am- p. 54). Disciplina que lida com o processo de dar

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


forma e função a conjuntos de estruturas, a bair- 250. DESLOCAMENTO DE SETOR PRODUTI-
ros inteiros ou à cidade em geral (Cutler e Cutler, VO: conhecido como deslocamento dos setores
1983 apud Del Rio, 1990, p. 53; Goodey, 1979 apud produtivos de empresas para outras cidades, e
Del Rio, 1990, p. 53). São seis as características mesmo para outros países, em busca de benefí-
básicas que marcam o campo de atuação do dese- cios tais como impostos, mão de obra, mercado
nho urbano: a) escala espacial: o espaço entre os consumidor, etc. Na França, emprega-se também
edifícios, o bairro, os locais das atividades do co- esse termo para o deslocamento de organismos
tidiano; b) escala temporal: transformações e evo- e órgãos administrativos públicos, muitas vezes
lução, meio ambiente como processo, programas e respondendo a uma estratégia de “descentraliza-
linhas de ação; c) interações homem/meio ambien- ção administrativa” (Sirchal, [20--]).
te: campo em que usuários e grupos sociais são 251. DESMEMBRAMENTO: divisão de área ou ter-
identificáveis, análise dessas realizações e trans- reno sem abertura de vias públicas. O terreno é
formações; d) cliente múltiplo: negociações e con- particularmente utilizado quando se quer des- 51
ciliação de interesses, o profissional como anima- crever a divisão da área de um lote em dois ou
dor ou catalisador; e) multiprofissonal: capaz de mais lotes. Muitos bairros foram formados pelos
compreender as capacidades e os limites de outras desmembramentos feitos em antigas chácaras,
profissões e de coordenar suas ações em relação à transformando-as em lotes urbanos.
dimensão físico-espacial do urbano e suas funções;
252. DESTERRITORIALIZAÇÃO: movimento, flu-
f) monitoração/orientação: capacidade de controle
xo, aquilo que não se fixa em um território, que
de desenvolvimento urbano, de dirigir o processo
não perde a sua virtualidade.
de transformação de uma área ou da cidade.
253. DIAGNÓSTICO: uma das etapas do planeja-
249. DESIGUALDADE SOCIAL: desigual qualida-
mento, quando, após a análise dos dados de dada
de de vida e de direito entre as classes sociais,
pesquisa realizada, pode-se identificar os proble-
que constitui um dos fatores da discriminação ra-
mas sociais, econômicos e urbanos de uma área,
cial ou de cor da pele, sexual, religiosa, cultural,
assim como suas causas.
política, etc. (Ferrari, 2004).
254. DIRADAMENTO OU CURETAGEM: em uma
operação de reabilitação de um bairro, refere-se à

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destruição de construções parasitas estabelecidas 257. DIRETOR DE OBRA: pessoa física ou jurídica a
nos espaços internos, pátios e jardins antigos, que quem o empreendedor confia a responsabilidade
contribuem muito para a degradação do conjun- de elaborar e acompanhar a execução do empre-
to urbano e de suas condições de habitabilidade. endimento. É um profissional da construção: ar-
Diradamento é um termo italiano que significa quiteto, engenheiro, escritório de estudos, firma
desbastamento, ou seja, ato de remover o excesso: de engenharia. Ele é remunerado pelo executor
retirar o que serve; aprimorar (Sirchal, [20--]). da obra em função da missão que lhe foi confia-
255. DIREITO DE PREEMPÇÃO: na ocasião da da. Mais precisamente, seu papel consiste em ga-
venda de um terreno, o município tem o direito de rantir a viabilidade do programa, sua realização
preempção, isto é, ele tem a preferência na com- tendo em vista o terreno e sua implantação; con-
pra do imóvel, com fins de facilitar a gestão urba- ceber o projeto e elaborar os documentos escritos
na. No Brasil, o direito de preempção é conferido e desenhos respeitando a legislação, as regras de
52 ao poder público municipal sempre que houver arte, o programa e o custo dos objetivos definidos
necessidade de área para promover a regulariza- pelo empreendedor; efetuar as demandas legais
ção e reserva fundiária, o ordenamento e direcio- (alvará de construção, por exemplo); preparar
namento da expansão urbana, a implantação de o dossiê de empresas consultoras; participar da
equipamentos urbanos e comunitários, a criação negociação com as empresas e da definição dos
de espaços públicos de lazer, de áreas verdes, de contratos; assegurar-se de que as obras são exe-
unidades de conservação e de proteção de outras cutadas conforme as cláusulas dos contratos; li-
áreas de interesse ambiental (Brasil, 2001; Gau- berar depósitos bancários às empresas; assistir o
dement, 1997 apud Shirchal, [200-]). empreendedor nas operações de recebimento de
obras (Sirchal, [20--]).
256. DIREITO URBANÍSTICO: normas jurídicas
destinadas a regular as atividades estatais volta- 258. DIRETRIZES DE PROTEÇÃO DO PATRI-
das para a organização dos espaços habitáveis, a MÔNIO: conjunto de disposições, decretos e re-
fim de assegurar o bem-estar social da população gras que regulam as intervenções arquitetônicas
(Ferrari, 2004). e urbanísticas das zonas de proteção patrimonial
(Sirchal, [20--]).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


259. DIRETRIZES DO DESENHO URBANO: espe- se possa vendê-lo a uma sociedade de economia
cificam o escopo das formas, os conceitos de pro- mista (Sirchal, [20--]).
jeto, o vocabulário físico-arquitetônico e outros 264. DRENAGEM: obras destinadas à retirada do
fatores básicos para o desenvolvimento de uma excesso de água da superfície de um terreno ou
área (Del Rio, 1990). do subsolo. Nos subsolos, geralmente, é feita me-
260. DIRETRIZES PARA PROJETO: documento canicamente por meio de equipamentos e tubu-
geralmente discricionário que esboça os prin- lação, quando são executadas fundações do edifí-
cípios e as medidas para o projeto de um novo cio. Nas superfícies, implica o estudo do caimento
empreendimento. Às vezes, também é aplicado das águas pluviais e a construção de elementos
aos regulamentos de um projeto de conservação de captação de água. Terrenos argilosos e áreas
(Wall; Waterman, 2012). acidentadas necessitam de cuidados especiais de
261. DISTRITO: no Brasil, subdivisão do território drenagem. Sua correta resolução evita problemas
municipal desprovida de autonomia. A sede do de erosão do solo (Albernaz; Lima, 2003). 53
distrito chama-se vila e é considerada área urba-
na do município, com limites determinados por
lei municipal (Ferrari, 2004).
262. DOMICÍLIO: residência. Pelo censo demográfi-
co brasileiro, local de moradia, estruturalmente
independente, constituído por um ou mais cômo-
dos, com entrada privativa (IBGE, 2011).
263. DOMÍNIO: é preciso distinguir o domínio públi-
co do privado. O domínio público é inalienável e
não pode nem ser vendido nem tratado como do-
mínio privado. Por exemplo, na França, é neces-
sário reverter a propriedade de um terreno de do-
mínio público em propriedade privada para que

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E
lística, multidisciplinar, que considera o homem
como parte integrante da natureza, interagindo
com ela.
267. ECONOMIA: ciência experimental que objetiva
maximizar a produtividade das atividades huma-
nas, a fim de melhorar o nível de vida das popu-
lações, pela satisfação de suas crescentes necessi-
dades, com o uso adequado dos recursos disponí-
veis (Ferrari, 2004).
268. ECONOMIA FORMAL E INFORMAL: For-
mal: processos econômicos e comerciais que estão
devidamente registrados e taxados, e que partici-
pam por meio de cotas de imposto de renda, segu-
ro de saúde e aposentadoria. Informal: processos
econômicos que não estão registrados, inclusive
não contribuem para seguros de saúde e aposen-
tadoria.
269. ECO-TECH: inter-relação da arquitetura cha-
265. ECODESENVOLVIMENTO: forma de desen- mada hi-tech com a ecologia. Não é um conceito
volvimento planejado que, levando em conta fixo, mas “fluente” e recente, que já faz parte do
a necessidade de manter íntegro o equilíbrio léxico de alguns arquitetos. Geralmente estabe-
ecológico da área de estudo e as restrições que lecida nas regiões mais ricas e desenvolvidas do
impõe ao meio ambiente, permite a utilização planeta (Adam, 2012).
ótima dos recursos disponíveis. É um desenvol-
270. ECOSSISTEMA: complexo dinâmico de comuni-
vimento sustentável (Ferrari, 2004).
dades vegetais, animais e de micro-organismos e
266. ECOLOGIA: estudo das inter-relações do ho- seu meio inorgânico, que interagem como uma co-
mem com a biosfera. Trata-se de uma ciência ho-
munidade funcional em um determinado espaço 275. EDIFICAÇÃO INSTITUCIONAL: prédio ou
de dimensões variáveis (IBGE, 2011). edifício destinado a atividades públicas de cará-
271. EDIFICAÇÃO: tipo de construção destinada a ter administrativo, educacional ou de assistência
usos pessoais, como habitação, recreação, traba- pública.
lho ou culto, segundo o conceito jurídico e etimo- 276. EDIFICAÇÃO RESIDENCIAL: prédio ou edi-
lógico do termo. Popularmente e na linguagem fício destinado à habitação unifamiliar ou pluri-
corrente dos técnicos, o mesmo que construção familiar.
(Ferrari, 2004). 277. EDIFÍCIO GARAGEM: edificação dotada de
272. EDIFICAÇÃO COMERCIAL: edificação com rampas ou elevadores que se destina exclusiva-
uso predominante de natureza comercial e que mente a estacionamento de veículos (Bahia, 1997).
obedece às disposições construtivas da Consoli- 278. EIXO: espinha dorsal ao longo da qual um ter-
dação das Leis do Trabalho e da legislação sobre reno ou uma edificação são organizados. Os ele-
usos do solo e das edificações. As partes da edifi- mentos de ambos os lados do eixo podem ser si- 55
cação destinadas às atividades complementares métricos ou não (Wall; Waterman, 2012).
ao exercício do comércio são consideradas como
279. EIXOS DE DESENVOLVIMENTO URBANO:
edificação comercial, para fins de zoneamento ur-
caminhos e estruturas urbanas lineares que con-
bano e tributação (Ferrari, 2004).
duzem à expansão e às novas conexões do espaço
273. EDIFICAÇÃO DE USO MISTO: obedece às da cidade.
disposições da legislação sobre usos do solo e edi-
280. EIXOS ESTRUTURADORES DO ESPAÇO
ficações bem como sobre as áreas destinadas ao
URBANO: elementos urbanos, espaços abertos,
trabalho industrial e comercial, conforme o caso,
vias ou espaços edificados que sustentam, condu-
e cuja utilização seja de natureza mista: comer-
zem e articulam, de forma linear, os espaços, a
cial-residencial, industrial-residencial, comer-
circulação, as trocas e o cotidiano urbano de de-
cial-industrial, etc. (Ferrari, 2004).
terminada área da cidade.
274. EDIFICAÇÃO INDUSTRIAL: prédio ou edifi-
281. ELEMENTOS DE GENTRIFICAÇÃO: equi-
cação destinado à produção fabril.
pamentos ou fatos urbanos geradores de grande

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fluxo de pessoas e intensa dinamização dos es- 285. ENCARGOS FISCAIS: conjunto de impostos e
paços urbanos, como shopping centers, estádios taxas incidentes sobre uma atividade ou um imó-
de futebol, grandes feiras, terminais de ônibus, vel (Sirchal, [20--]).
rodoviárias, eventos de rua, como espetáculos, 286. ENQUADRAMENTO SOCIOAMBIENTAL:
desfiles, missas campais, etc. realidade material e ambiental humana na qual
282. ELEMENTOS ESTRUTURADORES: elemen- evolui um indivíduo ou uma sociedade (Sirchal,
tos construídos ou espaços abertos de uma cidade [20--]).
que organizam, determinam, hierarquizam, arti- 287. ENTORNO: espaço urbano mais imediato do es-
culam ou concentram tanto a forma como o coti- paço público analisado; fronteira entre o edifica-
diano da vida urbana. Podem ser vias, muralhas, do e o espaço exterior, podendo ter como atributos
templos, monumentos, praças, acessos, pórticos, o paisagismo, a vegetação, as obstruções sólidas
parcelamento do solo, etc. Elementos articulado- ou anteparos, a localização na região, a topogra-
56 res como as vias ou os cursos d’água podem ser fia (Bustos Romero, 2001).
denominados “eixos estruturadores”.
288. ENTORNO CONSTRUÍDO: conjunto de cons-
283. ELEVAÇÃO: a fachada de uma edificação (Wall; truções e espaços edificados que conformam os
Waterman, 2012). arredores da área de intervenção ou de interesse
284. EMPREENDEDOR: pessoa física ou jurídica urbanístico.
que decide realizar a operação de uma construção, 289. ENTORNO IMEDIATO OU PRÓXIMO: de
que define o programa, dispõe do terreno,, busca acordo com Graeff (1976, p. 14), “Ao ser erigido, o
e paga o financiamento, define o calendário, es- edifício, além de abarcar ou envolver certa porção
colhe os profissionais encarregados da realização de espaço, exerce influências sobre as adjacên-
da obra (o autor do projeto, os empreiteiros, o as- cias. Ele constitui uma presença, um objeto ocu-
sistente técnico e muitas vezes os fornecedores), pando um lugar: se relaciona com outros objetos,
firma negócios e contratos de estudo e execução com o solo, as árvores, a paisagem, outros edifí-
de obras e administra os eventuais conflitos (Sir- cios. Ele projeta sombras, apara o vento, modifica
chal, [20--]). um pouco a ‘atmosfera’ local. É como se ocorres-
se um fenômeno de irradiação, através do qual o

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


edifício viesse incorporar uma parcela do espaço 293. EQUIPAMENTO REGIONAL: todo equipa-
que o envolve. Nessa presença dos edifícios, nesse mento de uso social que tenha abrangência regio-
relacionamento entre eles e deles com acidentes nal ou atenda mais de uma cidade, como aeropor-
naturais, lança a ideia de espaço urbano, que se tos, represas, hospitais, universidades, etc.
identifica, em certa medida, com a noção de espa- 294. EQUIPAMENTO URBANO OU COMUNITÁ-
ço externo”. RIO: toda área, equipamento, instalação ou edifi-
290. ENTORNO URBANO: paisagem urbana que cação de uso coletivo e social de uma comunidade,
cerca e envolve a área de projeto, o lote, o terreno que promova as relações e o desenvolvimento ci-
ou a gleba que se vai estudar, projetar ou cons- dadão de uma população. Os equipamentos urba-
truir. nos podem ser públicos ou privados e são classi-
291. EQUIPAMENTO COLETIVO: o mesmo que ficados como equipamentos educacionais, sociais,
equipamento urbano ou comunitário; conjunto de recreativos e de lazer e administrativos. Segundo
redes, estruturas e edificações colocadas à dispo- o estabelecido pela NBR 9284, equipamento urba- 57
sição da coletividade visando satisfazer suas ne- no é o termo que designa todos os bens públicos ou
cessidades. Os equipamentos de infraestrutura privados, de utilidade pública, destinados à pre-
compreendem as vias e os estacionamentos, os servação de serviços necessários ao funcionamen-
transportes, as comunicações, a água e as cana- to da cidade, implantados mediante autorização
lizações, a energia. Os equipamentos estruturais do poder público em espaços públicos ou privados.
da cidade são os edifícios de uso coletivo: as edi- 295. ESCALA: 1. Linha graduada, dividida em par-
ficações administrativas, as edificações educacio- tes iguais, que indica a relação das dimensões
nais, os hospitais, os prédios comerciais, cultu- ou distâncias marcadas sobre um plano com as
rais, esportivos e turísticos (Sirchal, [20--]). dimensões ou distâncias reais (Ferreira, 1975,
292. EQUIPAMENTO PÚBLICO: equipamento ur- p. 550). 2. Relação entre as dimensões dos ele-
bano e/ou comunitário de ordem pública, como mentos representados em mapa, carta, fotografia
hospitais públicos, praças, parques, e espaços de ou imagem, e as correspondentes dimensões no
lazer, escolas públicas, prédios administrativos terreno (IBGE, 2011).
municipais, estaduais e federais, entre outros.

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296. ESCALA ESPACIAL: o espaço entre os edifí- 303. ESCALAS: relação de proporções entre um terre-
cios, o bairro, os locais de atividades do cotidiano no, uma edificação, uma parte ou um elemento de
(Del Rio, 1990). uma construção e a sua representação, usualmente
297. ESCALA GRÁFICA: representação gráfica da gráfica, em relação ao projeto e ao desenho urbano.
escala numérica sob a forma de uma linha gra- 304. ESCALAS DE PLANEJAMENTO: escalas ade-
duada, na qual a relação entre as distâncias reais quadas para cada tipo de planejamento. Na obra
e as representadas nos mapas, nas cartas ou em Bairros, loteamentos e condomínios, Castello
outros documentos cartográficos é dada por um (2008) apresenta as escalas numéricas e seus usos:
segmento de reta, em que uma unidade medida 1:000000 – macroescala – dá uma visão muito ge-
na reta corresponde a uma determinada medida ral da localização de um território em um contexto
real (IBGE, 2011). regional ou estadual; 1:250000 – é a escala das
298. ESCALA LOCAL: fato, desenho ou projeto urba- cartas do Serviço Geográfico do Exército, e propi-
58 no de dimensão ou referência setorial do lugar de cia uma visão geral e regional, que permite repre-
um espaço definido dentro da cidade. sentar os acidentes geográficos mais importantes,
os limites municipais, a malha viária e a locali-
299. ESCALA REGIONAL: fato, desenho ou projeto
zação urbana; 1:50000 – escala também utilizada
de dimensão ou abrangência regional.
pelo Serviço Geográfico do Exército, adequada a
300. ESCALA TEMPORAL: transformação e evolu-
estudos de âmbito municipal, com representação
ção, meio ambiente como processo, programas e
detalhada das características naturais do terre-
linhas de ação (Del Rio, 1990).
no, das culturas do meio rural, da malha viária
301. ESCALA URBANA: refere-se às dimensões re- hierarquizada e da mancha urbana delimitada;
lativas ao espaço da cidade. 1:5000 – escala adequada aos planos de diretrizes
302. ESCALA HUMANA: o uso de elementos e volu- e planos urbanos, que representa os elementos
mes dentro de um sítio que se relaciona bem com naturais do terreno, o sistema urbano e viário, os
os seres humanos e com a maneira pela qual eles quarteirões, podendo também apresentar a divi-
usam o espaço (Wall; WatermanWall; Waterman, são desses em lotes e o levantamento altimétrico.
2012).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


305. ESCAVAÇÕES ARQUEOLÓGICAS: corte siste- 309. ESPAÇO ARQUITETÔNICO: espaço diferen-
mático e metódico em um terreno para identificar ciado e modificado pela presença de uma ou mais
e analisar vestígios arqueológicos (Sirchal, [20--]). edificações construídas como uma obra única de
306. ESFERA PÚBLICA: qualquer área de paisa- arquitetura. É também chamado de espaço edifi-
gem ou edificação interna que tenha livre acesso cado (Albernaz; Lima, 2003).
para o uso de todas as pessoas a qualquer hora. 310. ESPAÇO COLETIVO: não existe como fato físi-
O termo, em geral, é usado no contexto urbano co unitário e reconhecível; pode ser definido por
(Waterman, 2010). negação como espaço liberado, expropriado do
307. ESPAÇO ABERTO: espaços urbanos não cons- uso privado. Sua arquitetura estaria determina-
truídos, não afetados pelas infraestruturas no da pelas dimensões dos edifícios que o rodeiam,
interior ou nas proximidades dos setores reser- não necessariamente públicos ou coletivos (Bus-
vados das construções. Corresponde a uma por- tos Romero, 2001).
ção do território no interior de uma região ur- 311. ESPAÇO COMPARTILHADO: a teoria e a prá- 59
bana ou de uma aglomeração em que dominam tica de remover os elementos de separação tradi-
os elementos naturais, seja em razão do estado cionais, como meios-fios, cercas e linhas pintadas
inicial (agricultura, bosques, landes, lagos), seja na rua, entre veículos automotores e pedestres,
em função de um arranjo (parques, praças, jar- buscando encorajar a responsabilidade mútua
dins); também incluídos os espaços minerais não por uma maior segurança física dos usuários
construídos reservados aos pedestres (ruas só de (Wall; Waterman, 2012).
pedestres, trilhas) (Bustos Romero, 2001). 312. ESPAÇO CONSTRUÍDO: na natureza, o am-
308. ESPAÇOS ABERTOS E/OU FECHADOS: es- biente construído pelo homem, o abrigo do seu
paços urbanos compostos de áreas abertas como grupo social, constituído pelas cidades, desde as
as praças, os parques e as áreas não edificadas pequenas vilas, com a paisagem ainda estrutu-
(neste caso não se consideram as vias), e as áreas rada em grande parte pelo ambiente rural, até
construídas, compostas por edificações e estrutu- a grande cidade, onde o homem no seu cotidiano
ras que se relacionam com a área de interesse ou está habituado a um horizonte completamente
de intervenção. edificado (Landim, 2004).

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313. ESPAÇOS DE USO PÚBLICO E COLETIVO: 317. ESPAÇOS LIVRES: conforme Alexander, (1977
todo o espaço da cidade que não pertence ao uso apud Del Rio, 1990), os espaços livres desempe-
privado, onde acontecem as atividades urbanas nham importantes funções na área urbana, como
cotidianas, como ruas e avenidas, largos, praças e a função social (encontros), cultural (eventos),
parques, terminais de transporte, etc. Espaço pú- funcional (circulação) ou higiênica (mental e físi-
blico ou de território público: em teoria, o espaço ca), e é tão importante quanto o espaço construí-
que pertence a todos. É ocupado temporariamen- do na estruturação urbana. Os espaços livres são
te por uma pessoa ou um grupo, entendidos como importantes porque são agentes facilitadores das
proprietários provisórios que ali se instalam con- relações urbanas e promotoras das atividades so-
forme normas sociais e costumes daquela cul- ciais. 3. De acordo com Landim (2004), a função
tura. Nesse espaço, desenvolvem-se atividades básica dos espaços livres é justamente possibi-
diversas de socialização, mas é também onde se litar a circulação na cidade, ou seja, os espaços
60 identificam atitudes de maior agressão ao outro, livres são um elemento de aglutinação entre os
ao desconhecido (Eppinghaus, 2014). diversos tipos de espaços edificados, permitindo,
314. ESPAÇO DEFENSÍVEL: área habitacional que dessa forma, a apreensão, a compreensão e o uso
permite a seus moradores, por meio do projeto de da forma urbana. Os “espaços cheios” são perce-
suas edificações e de seus espaços externos, to- bidos a partir dos espaços vazios, em uma relação
mar medidas para garantir sua própria seguran- dialética, em que um constrói o outro.
ça (Wall; Waterman, 2012). 318. ESPAÇOS OU ÁREAS AFETIVAS: áreas urba-
315. ESPAÇOS DESESTRUTURADOS: espaços ur- nas que comovem o cidadão e que variam de pes-
banos que não se relacionam entre si e com os soa para pessoa ou de comunidade para comuni-
demais espaços da cidade, carentes de eixos es- dade. Pode ser a praça onde se recreou em crian-
truturadores, de pontos focais, de limites, de or- ça, o velho campo de futebol ou ainda a rua mais
ganização e legibilidade. animada do bairro, que é reconhecida e amada
por um indivíduo ou uma coletividade.
316. ESPAÇO INTRAURBANO: espaço contido den-
tro dos limites da cidade. Espaço de dentro da ci- 319. ESPAÇO PRIVADO: espaço que não pertence
dade (Villaça, 1998). ao domínio público, e sim ao indivíduo. Espaço

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


de acesso e uso restrito definido, de propriedade passam, se abrigam e tem curso; espaço no qual
privada do solo e da construção. A diferenciação é se exteriorizam as demandas, as reivindicações
um dos traços característicos da cidade ocidental da comunidade; espaço acolhedor de diversas
desde a Idade Média, com a constituição de bair- instituições estatais e não estatais, do agir pu-
ros e zonas diferenciadas, em geral, por grupos blicamente, das reuniões; espaço, por excelência,
étnicos ou religiosos, enquanto lugar não apenas do debate e do agir livre e coletivo (Paiva, 2000).
de troca comercial, mas também de sociabilidade 2. Indicadores para sua configuração por meio
e prática política. Em especial, aparecem os cen- de elementos necessários à definição geométri-
tros das cidades, locais de convergência e reunião ca do espaço público: alinhamento, ocupação da
máximas, das trocas de todo tipo e sínteses so- testada, transparência, gabarito, permeabilidade
ciais e simbólicas das respectivas cidades. O sen- (Krafta, 1986).
tido do espaço público está sendo modificado na 321. ESPAÇOS RESIDUAIS: espaços urbanos sem
cidade contemporânea por diversos fatores, como destinação específica ou não apropriados pelos 61
o próprio espaço social e de convívio entre os di- cidadãos.
ferentes grupos da população. O acesso à centra-
322. ESPAÇO SEMIPÚBLICO: espaço de transição
lidade, ou seja, à convergência das informações e
entre o público e o privado, ou território secundá-
criações, deixa de estar vinculado a um lugar físi-
rio, ocupado por grupos que se relacionam segun-
co, o centro. As tendências atuais de introversão
do regras relativamente formais que identificam
dos espaços do habitar, do trabalho e do consumo,
o direito de acesso e uso do território. Ele não é
e de conformação das ruas como meros sistemas
nem completamente privado nem totalmente pú-
de circulação entre pontos correspondem a esse
blico, corresponde a ambientes em que ocorrem
novo padrão espacial. Cada vez mais, a vida so-
reuniões de grupos que tenham identidades em
cial tende a circunscrever-se a espaços fechados
comum. É um espaço de socialização mais estrita
ou delimitados, muitas vezes de acesso restrito
e direcionada (Eppinghaus, 2010).
(Sirchal, [20--]).
323. ESPAÇOS SERVIDORES E SERVENTES:
320. ESPAÇO PÚBLICO: 1. Espaço público é o lu-
Louis Kahn usou essa expressão para descrever
gar em que as relações e ações comunitárias se
os diferentes tipos de espaço dentro da arquite-

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tura. Os espaços serventes são funcionais, abri- 327. ESQUINA: ponto de encontro entre duas ruas
gando elevadores, escadas, banheiros, cozinhas, concorrentes (Albernaz; Lima, 2003).
aparelhos de ventilação, sistemas de climatiza- 328. ESTAÇÃO DE COMPOSTAGEM: instalação
ção e corredores. Os espaços servidos são aqueles especializada na qual se processa a transforma-
que vivenciamos e celebramos, ou seja, as áreas ção dos resíduos orgânicos presentes no lixo em
de permanência prolongada de uma moradia ou compostos para uso agrícola (IBGE, 2011).
de exposições em uma galeria de arte. Há uma
329. ESTAÇÃO DE TRIAGEM PARA RECICLA-
hierarquia evidente entre tais espaços (Farrelly,
GEM: instalação apropriada para separação e
2010).
recuperação de materiais usados e descartados
324. ESPAÇOS SIMBÓLICOS: na cidade, os espaços presentes no lixo, e que podem ser transformados
urbanos que traduzem representatividade, como e reutilizados (IBGE, 2011).
a área inicial ou o centro histórico, o tradicional
330. ESTAÇÃO ECOLÓGICA: área de posse e domí-
62 altar da pátria, o mastro da bandeira, o lugar da
nio públicos, que tem como objetivo a preservação
igreja ou outros espaços referenciais que tradu-
da natureza e a realização de pesquisas científicas.
zem história e eventos urbanos.
331. ESTATUTO DA CIDADE: 1. Lei Federal nº
325. ESPAÇO URBANO: parcelas de edificações
10.257, de 10 de julho de 2001, que regulamenta
aglomeradas na forma de quarteirões, fitas, etc.
os artigos 182 e 183 da Constituição federal de
(Krafta, 1987). Às vezes o espaço urbano tem
1988 (Brasil, 1988), estabelecendo diretrizes ge-
tanta força em si mesmo que a arquitetura que
rais da política urbana. 2. Legislação urbanística
o circunda fica determinada por ele. É o caso das
federal, determinada por lei, que estabelece di-
praças circulares (Bustos Romero, 2001).
retrizes gerais para a política urbana brasileira,
326. ESPAÇO URBANO CONSOLIDADO: aquele instituindo normas de ordem pública e interesse
espaço que possui desenho e forma urbana com- social que regulam o uso da propriedade urbana
pleta, com componentes edificados e definitivos, em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-
estrutura urbana utilizada e apropriada pela co- -estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio am-
munidade, sistema viário operante. biental (Brasil, 2001).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


332. ESTUDOS AMBIENTAIS: estudos relativos 334. ESTUDO DE CASO EM URBANISMO: no cur-
aos aspectos ambientais, como localização, ins- so de Arquitetura e Urbanismo da Universidade
talação, operação e ampliação, de uma atividade de Passo Fundo, atividade didático-pedagógica
ou empreendimento, apresentados como subsídio em que o aluno é solicitado a desenvolver uma
para a análise de licenças requeridas, tais como: intervenção urbana em área problemática, fun-
relatório ambiental, plano e projeto de controle damentado em referenciais nacionais ou interna-
ambiental, diagnóstico ambiental, plano de ma- cionais de um estudo de caso sobre a temática. A
nejo, plano de recuperação de área degradada e metodologia de trabalho desenvolvida é apresen-
análise preliminar de risco (Fepam, 2003). tada mais adiante.
333. ESTUDO DE CASO: em arquitetura e urbanis- 335. ESTRUTURA: 1. Arcabouço do espaço urbano
mo, a análise do estudo de caso é uma pesqui- criado pelos volumes edificados e pelos espaços
sa importante não apenas durante a graduação, entre eles. 2. Um arranjo polar no qual um espaço
para cumprir uma etapa de trabalho, mas um urbano é organizado em relação a um eixo que 63
processo para toda a vida profissional. É impor- conecta dois polos de atração principais, como se
tante concluir a graduação com pleno domínio de fossem polos de um ímã (Wall; Waterman, 2012).
metodologias de trabalho, de projeto e de execu- 336. ESTRUTURA PRIMÁRIA: concentra a maior
ção. Atualmente, os temas de projeto e construção parte do conjunto de quantificações indispensá-
são infinitos, especialmente em um período de veis ao planejamento urbano, desde o tráfego até
grandes transformações, de vertiginosas inven- os elementos da estrutura terciária.
ções tecnológicas, que transformam os espaços e
337. ESTRUTURA URBANA: 1. Estruturar o am-
as cidades diariamente. Nesse sentido, buscar in-
biente é uma capacidade vital para todos os ani-
formações e analisar um projeto já desenvolvido
mais que se locomovem. Muitos tipos de indica-
sobre o mesmo tema que será trabalhado são, no
dores são usados: as sensações visuais de cor,
mínimo, obrigações. É quando se pode verificar
forma, movimento ou polarização da luz, além de
a aplicabilidade de novos materiais, soluções de
outros sentidos como o olfato, a audição, o tato,
arquitetura, inovações tecnológicas e detalhes
etc. Apesar de alguns problemas por decifrar,
construtivos, etc.
hoje, parece impossível que exista qualquer ins-

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tinto místico associado à descoberta de caminhos. gicas, arranjos organizados de volumes, subpar-
Pelo contrário, há um uso e uma organização con- celamentos, que expressam formas de acesso e
sistentes de indicadores sensoriais inequívocos propriedade, situadas em um determinado supor-
a partir do ambiente externo. Essa organização te físico. Os espaços edificados (residências, edifi-
é fundamental para a eficiência e para a próxi- cações institucionais ou comerciais e industriais)
ma sobrevivência da vida em livre movimento e os denominados espaços livres (ruas, avenidas,
(Lynch, 1997). A necessidade de reconhecer e jardins ou praças), constituem essa estrutura
padronizar nosso ambiente é tão crucial e tem morfológica e volumétrica (Landim, 2004).
raízes tão profundamente arraigadas no passa- 338. ESTUDO DE MASSA OU PLANO DE MAS-
do, que essa imagem é de enorme importância SA: superfície tridimensional conformada pelo
prática e emocional para o indivíduo. Uma ima- espaço construído de determinada parcela ur-
gem clara nos permite uma locomoção mais fácil bana da cidade e que reflete as dimensões desta
64 e mais rápida. Um ambiente ordenado pode fazer construção coletiva.
mais que isto; pode servir como um vasto sistema
339. ESTUDO DE IMPACTO DE VIZINHANÇA:
de referências, um organizador da atividade, da
estudo que se faz sobre o efeito de uma constru-
crença ou do conhecimento. 2. Para Carlos Nelson
ção, geralmente de grandes proporções, sobre
Ferreira dos Santos (1988), a estrutura de uma
uma vizinhança. Se vai gerar tráfego, atração de
cidade é sua sintaxe espacial. São os elementos
população, de carga e descarga, ruídos, etc.
mais vernaculares e universais que estruturam
340. EVOLUÇÃO URBANA: processo de crescimen-
ou organizam o espaço da cidade: as vias, os lotes,
to do tecido urbano, identificando as permanên-
as ruas e os quarteirões. 3. Para Sampaio (1986),
cias e transformações, tanto em nível de estru-
a estrutura urbana equivale ao conjunto de flu-
tura física como de práticas sociais (Balestra;
xos e atividades num dado espaço físico repre-
Rigatti, 1986).
sentado pela sua rede de relações intraurbanas
(na cidade em si) e suas vinculações exteriores ou 341. EXCLUSÃO SOCIAL: segundo Maricato (1996),
supraurbanas (na escala da região, do país, etc.) pode ser caraterizada por indicadores como infor-
4. A cidade é constituída por estruturas morfoló- malidade, irregularidade, ilegalidade, pobreza,

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


baixa escolaridade, ofício, raça, genêro, origem e
sobretudo ausência de cidadania.
342. EXPANSÃO URBANA: refere-se aos espaços
urbanos que se estendem além da área urbana
consolidada; podem ser dentro ou fora do períme-
tro urbano, formais – planejados e legalizados –,
ou informais, caracterizando-se como uma ocupa-
ção urbana.

65

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


F
343. FACHADA: face de um edifício voltada para um
logradouro público ou espaço aberto, especial-
mente a sua face principal (Bahia, 1997).
344. FAIXA DE CICLISTA: faixa auxiliar reservada
aos ciclistas, adequadamente sinalizada. Difere
da ciclopista, que é separada da pista carroçável
com desnível ou qualquer tipo de separação. O
mesmo que ciclofaixa (Ferrari, 2004).
345. FAIXA DE DOMÍNIO: área reservada pelo po-
der público para a construção de uma via e de
seus equipamentos. Para vias expressas reco-
menda-se uma largura de faixa de domínio de, no
mínimo, 100 m (Ferrari, 2004).
346. FAIXAS DE TRÂNSITO: qualquer uma das
áreas longitudinais em que a pista pode ser sub-
dividida, sinalizada ou não por marcas viárias
longitudinais, que tenham uma largura suficien-
te para permitir a circulação de veículos automo-
tores (Brasil, 1997).
347. FAIXA PARA TRAVESSIA DE PEDESTRES:
indica aos pedestres a faixa da via que deverão
utilizar para atravessar a rua ou avenida e ad-
verte os condutores de veículos sobre a passagem
de pedestres (Brasil, 1997).
348. FATORES AGLOMERATIVOS: para Ferrari
(2004), são aqueles que trarão economias de es-
cala, de localização dentro do município e de ur- ocupado, até período recente, terreno de proprie-
banização, considerados em relação aos desaglo- dade alheia (pública ou particular), dispostas, em
merativos (congestionamento de trânsito, falta geral, de forma desordenada e densa, e carentes,
de equipamentos urbanos, distância das residên- em sua maioria, de serviços públicos essenciais
cias, etc.), e que darão precisão à localização da (IBGE, 2013). 2. O termo designa um aglomerado
atividade industrial desejada (Ferrari, 2004). subnormal que surgiu na comunidade de casebres
349. FATORES LOCALIZACIONAIS OU LOCA- do morro da Favela, atual morro da Providência,
CIONAIS: critérios que tendem a atrair ou re- no Rio de Janeiro, formado em 1897 por soldados
pelir as atividades produtivas em relação a um que retornaram da luta na Guerra de Canudos. 3.
espaço geográfico qualquer (país, estado, região, Termo apropriado do nome de um arbusto grande,
município). São critérios que respondem à per- cujas folhas provocam urticária, comum em regi-
gunta: onde produzir naturalmente e com maior ões do Sertão baiano, era também o nome do local
rentabilidade possível. Segundo Ruy Aguiar da onde as tropas republicanas ficaram em Canudos. 67
Silva Leme (apud Ferrari, 2004), com relação 4. Ocupações e favelas são áreas ocupadas espon-
à localização industrial, os fatores ou critérios taneamente ou de forma organizada por pessoas
são: transporte, fatores aglomerativos ou desa- de baixa renda, nas quais – diferentemente dos
glomerativos, cabendo ao primeiro deles indicar loteamentos e dos conjuntos habitacionais – não
com relativa certeza a localização, sem levar em se estabelece nenhuma relação jurídica formal
conta na primeira aproximação os fatores locais, entre os ocupantes e os proprietários das áreas
aglomerativos e desaglomerativos, que indicarão privadas ou públicas. Uma das principais carac-
finalmente, com maior precisão, o local escolhi- terísticas dessas ocupações é a insegurança jurí-
do. Por exemplo: o fator transporte indica, dentro dica dos ocupantes em razão da possibilidade de
do Estado ou região, o município que oferece os conflito fundiário e da ameaça concreta de expul-
maiores benefícios e os menores custos a determi- são com base em ações judiciais de reintegração
nada atividade industrial (Ferrari, 2004). de posse. Outra característica dessa ocupação é
a existência de um parcelamento, uso e ocupação
350. FAVELA: 1. Conjunto constituído por mais de cin-
do solo informal que não se enquadra nas normas
quenta unidades habitacionais, ocupando ou tendo

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


das legislações de uso e ocupação do solo nem nas 353. FLORESTA NACIONAL – FLONA: área com
da legislação ambiental. A existência de ocupa- cobertura vegetal de espécies predominante-
ções e favelas situadas em áreas particulares tem mente nativas, que tem como objetivo básico o
gerado uma tensão constante, pois muitas vezes uso múltiplo sustentável dos recursos florestais
resultam em despejos violentos e principalmente e a pesquisa científica, com ênfase em métodos
na violação do direito à moradia, com derrubada para exploração sustentável de florestas nativas
de casas e perda dos utensílios e bens móveis dos (IBGE, 2011).
ocupantes (Alfonsin et al., 2002, p. 70). 5. Para 354. FLORESTA PRIMÁRIA: floresta que nunca
Duarte, Silva E Brasileiro (1996. p. 170.), “[...] as foi derrubada ou alterada em grandes extensões
favelas são parcelas não ‘regulares’ da cidade, que pela ação do homem (IBGE, 2011).
contrariando os requisitos urbanísticos estabele-
355. FLUXOS URBANOS: movimentos de pessoas e
cidos como regras na cidade oficial, se estabele-
veículos que interagem, perpassam e transitam
68 cem em áreas desocupadas e sem uso, contrarian-
no espaço urbano.
do legislação urbanística vigente, para atender a
356. FORTIFICAÇÃO: obra de defesa militar. Pode
necessidade de moradia de um setor incapaz de se
compreender, além do forte, muralhas e diques.
incorporar ao mercado imobiliário formal”.
É também chamada de fortaleza.
351. FAVELIZAÇÃO: processo de constituição de áre-
357. FÓRUM: do latim forum, praça. O lugar da feira
as de favela ou de empobrecimento e deterioração
(Moreno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002).
de área urbana existente.
358. FOTOMONTAGEM: técnica similar à colagem,
352. FIGURA E FUNDO: planta empregada para
usada para reunir elementos díspares em uma
análise da cidade que mostra a relação entre a
imagem, muitas vezes, fotorrealista (Waterman,
forma construída e o espaço do entorno. Em geral,
2010).
as edificações são mostradas como massas pretas,
ou figuras sobre um fundo branco. Se o objetivo do 359. FUNÇÃO PÚBLICA DE INTERESSE CO-
desenho da figura e fundo for mostrar os espaços MUM: atividade ou serviço prestado pelos muni-
públicos abertos, o fundo poderá incluir as edifica- cípios de uma mesma região metropolitana, aglo-
ções públicas (Wall; Waterman 2012). meração urbana ou microrregião conurbada, cuja

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


realização por um só município, isoladamente, 361. FUNÇÃO URBANA: refere-se a uma atividade
seria inviável ou causaria impacto desfavorável que é tipicamente realizada na cidade, como o co-
nos demais municípios da região (Ferrari, 2004). mércio, os serviços bancários e educacionais, etc.
360. FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE: uso da (Correa, 1989).
propriedade privada em favor de todas as pessoas
e do bem comum e não apenas do titular, valendo
para todas as formas de propriedade: mobiliária
ou imobiliária, urbana ou rural. Mas, é no âmbito
da propriedade agrária que a função social ganha
mais ênfase, posto que as terras são, por natureza,
o mais importante bem de produção, já que for-
necem o alimento a todos os animais do planeta,
inclusive ao homem. A má utilização das áreas 69
agricultáveis leva ou levará à escassez de alimen-
tos e, consequentemente, à fome. Isso sem falar na
matéria-prima industrial. No Estatuto da Cidade,
ganha força e inovação a questão da propriedade
urbana, quando, de acordo com a Constituição de
1988, o artigo 182, § 2º, relaciona a função social
desse tipo de propriedade com as exigências fun-
damentais de ordenação da cidade, expressas no
plano diretor: “Art. 182. A política de desenvolvi-
mento urbano, executada pelo poder público mu-
nicipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei e
tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento
das funções sociais da cidade e garantir o bem-es-
tar de seus habitantes” (Brasil, 2001).

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G
364. GABARITOS DE VIA: distância medida entre
os alinhamentos das duas faces da via pública
(Passo Fundo, 1996).
365. GALERIA COMERCIAL: conjunto de lojas in-
dividualizadas ou não, em um mesmo edifício,
servido por uma circulação vertical com ventila-
ção permanente, dimensionada de forma a per-
mitir o acesso e a ventilação de lojas e serviços a
ela dependentes (Bahia, 1997, p. 133).
366. GENIUS LOCI: expressão do latim que significa
gênio do lugar; designa as características únicas
de um lugar que devem ser consideradas e valori-
zadas no projeto (Waternan, 2010).
367. GENTRIFICAÇÃO: processo pelo qual áreas
centrais de vizinhanças que sofreram desinves-
timento e declínio econômico experimentam uma
reversão, um reinvestimento e a imigração de uma
362. GABARITO MÁXIMO: em urbanismo, signifi- população relativamente próspera, de classe mé-
ca a altura máxima que a edificação pode atin- dia e média alta. Como processo, contradiz os mo-
gir em determinados logradouros (São Paulo, delos tradicionais norte-americanos e europeus de
2007). crescimento urbano pela suburbanização. Ao con-
trário, gentrificação representa crescimento urba-
363. GABARITOS DE EDIFICAÇÕES: definem a
no no centro. A palavra foi utilizada inicialmente
altura máxima das edificações utilizando como
por Ruth Glass para referir-se a uma reabilitação
parâmetro a cumeeira dos telhados ou o nível su-
habitacional em Londres (Vliet, 1998).
perior da última laje ou do forro. O importante
desse índice é a simplicidade da interpretação. 368. GESTÃO: conjunto de atividades que englobam
concepção, elaboração do projeto, execução, ava-
liação, implementação, aperfeiçoamento e manu- rentes interesses dos agentes sociais presentes no
tenção de bens e serviços e de seus processos de contexto urbano. Dessa forma, pode ser entendida
instalação (Confea, 2005). como gestão da cidade (Marques et al., 1986).
369. GESTÃO AMBIENTAL: conjunto de medidas 372. GLEBA: Área de terreno ainda não parcelada e
de ordem técnica e gerencial que visam assegurar situada em uma zona urbana ou de expansão ur-
que o empreendimento seja implantado, operado bana, assim definido em lei municipal, com área
e desativado em conformidade com a legislação mínima também legalmente estabelecida (Ferra-
ambiental e outras diretrizes relevantes, a fim de ri, 2004).
minimizar os riscos ambientais e os impactos ad- 373. GLOBALIZAÇÃO: política econômica libe-
versos, além de maximizar os efeitos benéficos. O ral cuja territorialidade excede a nacional para
cuidado e o desenvolvimento de paisagens (Sán- se tornar mundial. Surgiu como uma reação ao
chez, 2008, p. 334). estado do bem-estar (Welfare-state), excessiva-
370. GESTÃO DO TERRITÓRIO: gestão sobre a mente intervencionista e protetor dos direitos 71
base geográfica do Estado, sobre a qual ele exerce trabalhistas. Em busca da eficiência econômica,
a sua soberania, e que abrange solo, rios, lagos e traduzida pelo aumento da lucratividade, a glo-
mares interiores (Ferreira, 1986). balização procura afastar o Estado dos problemas
371. GESTÃO URBANA: processo de concepção, deci- econômicos, deixando às forças livres do mercado
são, intervenção, regulação e mediação que se de- o papel de equilibrar a economia; é o retorno ao
senvolve no espaço urbano em função da mediação laissez-faire do capitalismo selvagem do século
do embate ou conflito entre diferentes atores so- XIV (Ferrari, 2004).
ciais. A gestão urbana constitui-se em um processo 374. GRADE: termo da língua inglesa que significa
que configura, material e historicamente, a media- linha reguladora de uma via, composta de uma
ção das relações de forças entre os grupos sociais sequência de retas com declividades permitidas,
representados politicamente no Estado e estabe- traçadas sobre o perfil longitudinal do terreno
lecidos economicamente no espaço (Pires, 2009). (Bahia, 1997).
Toda política administrativa que trata da condução 375. GRELHA: 1. Genericamente, traçado regular
das intervenções e mediações relativas aos dife- entre elementos contínuos; também chamado xa-

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


drez. 2. Atribuição dada ao traçado viário regular
no qual as vias se entrecruzam em ângulo reto
ou aproximado. As quadras resultantes de uma
divisão em grelha são quadrangulares ou retan-
gulares. Tem como vantagens facilitar o desenho
e a locação de vias e redes, a divisão de quadras
em lotes e a nomenclatura e numeração de vias.
Tem como desvantagens dificultar a implantação
em áreas de topografia irregular e aumentar per-
cursos. É também chamado traçado em xadrez ou
regular (Albernaz; Lima, 2003).
376. GUETO: bairro em que os judeus eram forçados
72 a morar em certas cidades europeias; bairro em
qualquer cidade em que são confinadas certas
minorias por imposições econômicas e/ou raciais
(Ferreira, 1975, p. 709).
377. GUIA DE PERCURSO: referencial instrumen-
tal ou físico-espacial que permite monitorar a de-
marcação de um caminho, auxiliando a trajetória
de um deslocamento (Gelpi; Schäffer, 2003).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


H
para designar esse tipo de moradia também são
utilizados os termos habitação popular, habita-
ção econômica ou mínima, habitação de custos
controlados, habitação de interesse ou de caráter
social; essas expressões, de modo geral, são consi-
deradas equivalentes (Kalil, 2001).
380. HÁBITAT: ambiente no qual um organismo vive;
também pode referir-se aos organismos e ambien-
tes físicos de um determinado lugar (Adam, 2001).
381. HABITAÇÃO POPULAR: o mesmo que habita-
ção de interesse social.
382. HABITE-SE: documento expedido por órgão
municipal, autorizando a ocupação de edificação
nova ou reformada (Bahia, 1997).
383. HECTARE: unidade de medida agrária equiva-
lente a cem ares ou a um hectômetro quadrado.
378. HABITAÇÃO COLETIVA: habitação destina- Abreviatura: ha. (Ferreira, 1975, p. 715).
da ao uso residencial de um grupo de pessoas, 384. HIERARQUIA URBANA: parte do pressuposto
usualmente não unidas por laços familiares, li- de que o espaço urbano não é uniforme nem indis-
gadas por interesses diversos. tinto, mas, ao contrário, heterogêneo, seccionado
379. HABITAÇÃO SOCIAL: aquela adquirida ou em partes distintas e temáticas que conformam
construída por famílias cuja renda familiar es- o todo urbano. O tecido urbano é constituído de
teja abaixo de cinco salários mínimos, com área partes chamadas níveis, com grau de referência
inicial de até 70 m2 e com padrão construtivo no contexto da cidade por meio de suas estrutu-
dito econômico, seja de empreendimentos pú- ras física e funcional e das práticas aí verificadas.
blicos, privados ou individuais. Na literatura, O nível urbano é composto por elementos ou con-
junto de elementos (espaços) que são referenciais
à cidade como um todo, enquanto o nível cotidia-
no é aquele no qual o indivíduo fixa seus hábitos,
estabelece relações e estrutura uma identidade
espacial e social (Balestra; Rigatti, 1986).

74

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


I
Cada parte, cada bairro, cada comunidade tem
sua identidade própria, sua história, suas carac-
terísticas.
387. IMAGEM DA CIDADE: imagem urbana ou am-
biental pode conter três componentes: identidade,
estrutura e significado. A identidade de uma área
é o que a difere de outra, lhe dá personalidade e
individualidade. A estrutura é a coerência entre
suas partes e relações espaciais internas defini-
das. O significado é a mensagem prática ou emo-
cional que a imagem urbana traduz (Lynch, 1997).
388. IMÓVEIS COMERCIAIS DESOCUPADOS:
Friches (como são conhecidos na França) ou imó-
veis desocupados comerciais são edifícios, locais
385. IBGE: o Instituto Brasileiro de Geografia e Es- ou escritórios situados no meio urbano, em um
tatística, é o principal provedor de dados e in- município de mais de 5 mil habitantes, apresen-
formações do país que atende às necessidades tando área mínima utilizável de 300 m², vagos há
dos mais diversos segmentos da sociedade civil pelo menos dois anos, não importando o seu esta-
bem como dos órgãos governamentais federais, do físico (Sirchal, [20--]).
estaduais e municipais (IBGE, 2015). 389. IMÓVEIS INDUSTRIAIS DESOCUPADOS:
386. IDENTIDADE LOCAL OU URBANA: em ní- conjunto de terrenos industriais abandonados
vel sociocultural e psicológico, a necessidade do por causa do desaparecimento das empresas que
homem em se identificar com um território e um o ocupavam (Sirchal, [20--]).
grupo social contíguo à sua residência. Para Del 390. IMÓVEIS URBANOS DESOCUPADOS: terre-
Rio (1990), toda cidade tem um conjunto percep- nos deixados ao abandono em meio urbano, pro-
tível de partes conformando um todo coerente. venientes de edificações demolidas, de áreas não
construídas e/ou não utilizadas para o cultivo. Os
diversos terrenos baldios urbanos são principal- veículo versus pedestre e segregação comunitária
mente as antigas ocupações militares, as antigas (Gelpi, 1993).
estações ferroviárias, postos de combustível e as 394. IMPACTOS URBANOS E AMBIENTAIS: con-
cidades operárias abandonadas em situação de sequências sociais, econômicas ou físico-ambien-
aglomeração (Sirchal, [20--]). tais decorrentes de qualquer processo sobre o
391. IMÓVEL: lote, público ou privado, edificado ou meio natural ou construído. Os impactos podem
não, assim definido: a) imóvel edificado: aquele ser positivos ou negativos sobre o meio, afetando,
ocupado total ou parcialmente com edificação quando sociais, o modo de vida e a coesão da co-
permanente; b) imóvel não edificado: aquele não munidade, a acessibilidade aos serviços e o deslo-
ocupado ou ocupado com edificação transitória, camento da população no seu cotidiano. Quando
em que não se exerçam atividades nos termos da econômicos, influem diretamente sobre o empre-
legislação de uso e ocupação do solo (São Paulo, go e a renda, a atividade empresarial, a arreca-
76 2007). dação fiscal, a previsão de desenvolvimento em
392. IMPACTO AMBIENTAL: qualquer alteração nível local e regional. Em relação aos aspectos
das propriedades físicas, químicas e biológicas físico-ambientais, relacionam-se ao planejamen-
do meio ambiente, causada por qualquer forma to ambiental, à estética, aos valores históricos e
de matéria ou energia resultante das atividades artísticos de uma comunidade, aos ecossistemas
humanas, que direta ou indiretamente afetam: I terrestres e aquáticos, à qualidade do ar, à polui-
– a saúde, a segurança e o bem-estar da popula- ção sonora, etc.
ção; II – as atividades sociais e econômicas; III 395. IMPLEMENTAÇÃO DA PROPOSTA URBA-
– a biota; IV – as condições estéticas e sanitárias NA: termo que pode ser compreendido em duas
do meio ambiente; V – a qualidade dos recursos etapas: a primeira, no curso de arquitetura e ur-
ambientais. banismo, o momento de avançar dos conceitos,
393. IMPACTOS DO TRANSPORTE URBANO: os ideias e concepção da proposta, para o projeto e
impactos negativos do transporte urbano sobre o o desenho urbano, com seus detalhamentos per-
meio ambiente podem ser classificados em ruído tinentes, a segunda, em nível de processo de ur-
e emissões veiculares, intrusão visual, conflito banização, refere-se à concretização do projeto de

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


desenho urbano por meio da implantação física dade de vida desenvolvido pela Organização das
de um projeto urbano, com as obras compatíveis Nações Unidas, composto por indicadores de ní-
e decorrentes. vel de escolarização, expectativa de vida e renda
396. IMPOSTO FUNDIÁRIO: tributo cobrado pelo per capita.
poder público sobre o valor da terra. 401. IDHM: índice de desenvolvimento humano mu-
397. INCENTIVOS E BENEFÍCIOS FISCAIS E nicipal; indicador embasado no IDH da ONU,
FINANCEIROS: redução do montante de uma aplicando os parâmetros específicos de cada mu-
imposição ou exoneração de encargos fiscais le- nicípio.
vando em conta a situação pessoal do contribuin- 402. ÍNDICES DE QUALIDADE DE VIDA: dados
te (Sirchal, [20--]). estatísticos sobre a qualidade de vida da popu-
398. ÍNDICE DE ADENSAMENTO: exprime a quan- lação, em geral referente às condições de saúde,
tidade de habitantes por hectare – por exemplo educação e renda (Magnoli, 2001).
– mas, como isso, precisa ser mensurado, normal- 403. ÍNDICES URBANÍSTICOS: indicadores urba- 77
mente utiliza-se a relação dormitório-habitantes nos que se referem a características específicas
(Cesar Júnior, 1998). da organização dos espaços urbanos previstas no
399. ÍNDICE DE APROVEITAMENTO (IA): ge- plano diretor e no código de obras de um muni-
ralmente indica um valor numérico que, quando cípio, como densidades urbanas, recuos, limites
multiplicado pela área do terreno, resulta na área construtivos e/ou de ocupação do solo, etc.
máxima edificável permitida em algumas regula- 404. INDÚSTRIA: em economia, toda a atividade
mentações urbanísticas. Serve para gerenciar o produtiva que não se caracterize como agropasto-
processo de densificação horizontal em relação aos ril, ou seja, que não envolva cultivo da terra nem
terrenos urbanos. Também chamado de coeficien- a criação de animais. Segundo Colin Clark (apud
te de aproveitamento (CA) ou índice de aproveita- Ferrari, 2004), as atividades classificam-se em:
mento do terreno (IAT) (Acioly; Davidson, 1998). indústria primária, com atividades extrativas;
400. ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO HUMA- indústria secundária, com atividades de manufa-
NO (IDH): parâmetro para avaliação da quali- tura ou de transformação; e indústria terciária,
com atividades de prestação de serviços.

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405. INFRAÇÃO: designa o fato que viole ou infrinja fonte de marginalização para os setores popula-
disposição de lei, regulamento ou ordem de auto- res excluídos pelo processo socioeconômico trans-
ridade pública, ocorrendo em imposição de pena formador dos centros históricos. A renovação e a
(Bahia, 1997). revitalização de antigas centralidades são de vi-
406. INFRAESTRUTURA: em uma cidade, conjunto tal importância, permitindo a promoção do papel
de instalações necessárias às atividades huma- atrativo da cidade e a dinamização da sua econo-
nas, como rede de esgotos, água, energia elétrica, mia, sendo também essenciais para a integração
etc. (Ferreira, 2010). urbana dos setores populares enquanto lugar de
residência, em que é possível viver com ativida-
407. INFRAESTRUTURA VERDE: arborização ur-
des econômicas informais, lugar de consumo cole-
bana nas áreas públicas, como em passeios, lar-
tivo (Sirchal, [20--]).
gos e avenidas.
411. INTERAÇÃO HOMEM/MEIO AMBIENTE:
408. INFRAESTRUTURA URBANA: estrutura e
78 malha viária, redes de serviços urbanos de distri-
campo em que usuários e grupos sociais são iden-
tificáveis, análise dessas realizações e das trans-
buição de água, energia elétrica, iluminação pú-
formações (Del Rio, 1990).
blica, rede de esgoto pluvial e cloacal, drenagem,
telefonia, TV a cabo, antenas de transmissão. 412. INTERDIÇÃO: impedimento, por ato de au-
toridade municipal competente, de ingresso em
409. INSERÇÃO URBANA: na disciplina Projeto
obra ou ocupação de edificação concluída (Bahia,
urbano I, de que forma e maneira a proposta ou
1997).
projeto urbano em exercício se insere e interage
no espaço urbano pré-existente. 413. INTERVENÇÃO URBANA: projeto e execução
de modificações no espaço urbano por meio de de-
410. INTEGRAÇÃO SOCIAL: na América Latina,
terminados referenciais de projeto.
a reativação econômica conduz a um forte inves-
timento privado na construção e nos assuntos 414. INTRUSÃO OU INTERFERÊNCIA VISUAL:
urbanos e, mais timidamente, um investimento no espaço urbano, impacto negativo causado pelo
público que recupera os grandes projetos de in- movimento e pelo trânsito de veículos sobre as
fraestrutura. Essas dinâmicas podem revelar-se perspectivas urbanas com valores históricos e ar-
quitetônicos e pelo mobiliário urbano.

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


415. INVASÃO: invasão de terra alheia, apropriação favelas, ocupações, loteamentos clandestinos ou
indevida de vazios urbanos, a favela constitui irregulares, cortiços, loteamentos e conjuntos não
uma forma ilegal de ocupação do solo já que, de regularizados. As especificidades referem-se às
modo geral, “não se baseia nem na propriedade formas de aquisição da posse ou da propriedade e
da terra, nem em seu aluguel aos proprietários aos distintos processos de consolidação dos assen-
legais” (Leeds; Leeds, 1978 apud Valladares, tamentos, frequentemente espontâneos e infor-
1983, p. 29). mais, já que não foram fruto de uma intervenção
416. INVENTÁRIO: designa os repertórios de mo- planejada pelo Estado, nem foram formalmente
numentos históricos ou de bens patrimoniais. O propostos por empreendedores privados no in-
inventário supõe a determinação de um conteúdo terior do marco jurídico e urbanístico vigente.
(categoria de objetos) e de métodos de descrição. Tais ocupações podem ocorrer em áreas loteadas
Ele atende a duas finalidades complementares de e ainda não ocupadas, áreas alagadas, áreas de
informação e classificação (Merlin; Choay, 1998). preservação ambiental, áreas de risco ou terrenos 79
destinados a usos coletivos, a equipamentos co-
417. INVESTIDURA: incorporação a uma proprie-
munitários, a programas habitacionais, a praças
dade particular de porção de terreno pertencente
ou parques (Alfonsin et al., 2002).
ao poder público e adjacente à propriedade. Em
geral é feita para permitir execução de projeto de
modificação de alinhamento do logradouro pú-
blico aprovado pelo poder municipal (Albernaz;
Lima, 2003).
418. IPHAN: Instituto do Patrimônio Histórico e Ar-
tístico Nacional. Órgão federal responsável pelo
tombamento do patrimônio relevante para uma
comunidade ou para todo o país (São Paulo, 2007).
419. IRREGULARIDADE FUNDIÁRIA: situação
de ocupação urbana e de habitação em proces-
sos e mecanismos informais e ilegais, tais como

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


J
420. JARDIM À FRANCESA: jardim caracterizado
pela predominância de elementos construídos,
composição de vastos canteiros, presença de espe-
lhos de água, disposição em terreno plano e sime-
tria. Até as primeiras décadas do século XX, era
uma das duas principais vertentes seguidas pelos
paisagistas na composição de jardins, sendo a ou-
tra o jardim à inglesa (Albernaz; Lima, 2003).
421. JARDIM À INGLESA: jardim caracterizado
pela presença de relvados, águas correntes, gru-
pos de árvores e elementos naturais, como pedras
e troncos, dispostos sem simetria aparente, em
terreno ligeiramente acidentado, reservando, po-
rém, linhas de perspectivas entre as diversas áre-
as (Albernaz; Lima, 2003).
422. JARDIM BOTÂNICO: instituição social, do tipo
recreacional ou de lazer, destinada a proporcionar
ao cidadão uma atividade espontânea, praticada
de forma construtiva e positiva, em que ao lado de
seu aspecto lúdico está o educativo. O jardim bo-
tânico produz benefícios à população, de caráter
higiênico, estético ou lúdico, mas destaca-se pelo
caráter eminentemente didático: deve ser um cur-
so de botânica aplicada, deve nominar as espécies
vegetais, mostrar suas associações, seu habitat; a
utilidade de sua madeira, suas folhas, suas raí-
zes, suas resinas e essências (Ferrari, 2004).
L
424. LATIFÚNDIO: propriedade rural, característi-
ca de países subdesenvolvidos, de monocultura e
com terras incultas, explorada por um só proprie-
tário, que utiliza mão de obra não especializada,
mediante baixos salários. Atualmente, tanto em
países capitalistas como socialistas desenvolvi-
dos, há latifúndios que são grandes empresas ru-
rais industrializadas, cujo sistema de exploração
e relações de produção se transformou. Opõe-se a
minifúndio (Ferreira, 1975, p. 823).
425. LAZER: instituição social que abrange todos os
atos humanos espontâneos e construtivos, prati-
cados com o deliberado e positivo empenho de re-
pousar e de se desenvolver física e mentalmente.
Difere da ociosidade, que é a ausência de ativida-
de e de objetivos de acrescentar algo ao corpo e
à mente. O planejador urbano deve pensar o ce-
nário da cidade como um espaço de lazer: ruas,
praças, casario, jardins e locais de trabalho. É
um poderoso instrumento de integração social,
principalmente das populações marginalizadas.
423. LARGO: espaço de maior largura ao longo de O mesmo que recreação (Ferrari, 2004).
uma rua. Antigamente correspondia a local em 426. LAYOUT: o mesmo que morfologia urbana; a
que se situavam prédios de maior importância, configuração urbana de uma área residencial ou
como igrejas, conventos ou edifícios institucio- de um assentamento humano. Significa a forma
nais (Albernaz; Lima, 2003). urbana do assentamento, determinada pelo siste-
ma de circulação de veículos e pedestres e pelos um traçado ortogonal, formando sobre o traçado
quarteirões (Acioly; Davidson, 1998). xadrez as famosas urbanizações em quadrícula.
427. LEGIBILIDADE URBANA: facilidade com que Os edifícios públicos e a igreja deviam estar ao
as partes de uma cidade podem ser reconhecidas redor da grande praça principal, a plaza mayor.
e organizadas em um modelo coerente. Se legível, (Revista Nuestra Arquitectura, 1970 apud Sir-
pode ser visualmente apreendida como um mode- chal, 2012).
lo de símbolos identificáveis. Para Lynch (1997), 430. LEI DE LOTEAMENTO: instrumento legal de
uma cidade legível é aquela cujos bairros, marcos controle urbanístico que regulamenta a divisão dos
e vias podem ser facilmente reconhecíveis e agru- espaços delimitados por vias projetadas em parce-
pados em um modelo geral. las edificáveis de terrenos, os chamados lotes urba-
428. LEGISLAÇÃO URBANA: conjunto de regras nos. O projeto de vias, concomitante com o projeto
que estabelece os parâmetros e procedimentos ne- dos lotes, constitui o loteamento, pois se as vias já
82 cessários ao convívio harmonioso dos interesses são existentes, o parcelamento do terreno em lo-
dentro de uma mesma comunidade, estabelecen- tes chamar-se-á desmembramento. O arruamento
do procedimentos quanto às relações que devem (projeto e abertura de vias) é imprescindível para a
existir entre as edificações e o interesse público, existência de loteamento (Ferrari, 2004).
do parcelamento e uso do solo, enfim, tudo o que 431. LEI DE ZONEAMENTO: tem como função o
possa e venha a se relacionar com edificações e cadastro de parâmetros de construção para cada
intervenções urbanas” (Cesar Junior, 1998). zoneamento do município, como altura máxima
429. LEI DAS ÍNDIAS: leis de urbanismo ditadas permitida, tipos de usos permitidos, porte máxi-
pelas províncias hispano-americanas compiladas mo, taxa de ocupação, recuo mínimo, área míni-
como Legislação das Índias. Criadas para deter- ma e a testada mínima para subdivisão de lote.
minar o traçado das cidades fundadas pelos espa- 432. LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: legisla-
nhóis na ocasião da conquista das Américas. Es- ção municipal que determina de que forma o solo
sas leis davam indicações precisas sobre a locali- urbano pode ser utilizado. Estabelece os tipos de
zação das cidades e sua estrutura urbana como a uso: residencial, comercial e misto, etc., e de que
localização das praças, das ruas e dos lotes sobre forma esses usos serão materializados nos índices

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


construtivos dentro do lote, estabelecendo recuos, solo. Determina as cotas de diferentes pontos do
afastamentos, número de pavimentos, etc. terreno. É também chamado de altimetria.
433. LEI ORGÂNICA: também chamada de Consti- 436. LEVANTAMENTO DE CAMPO: reconheci-
tuição municipal, é a lei maior do município. É mento de uma área de interesse por meio de pes-
nela que se estabelece a organização do municí- quisa in loco, com registro das características do
pio e a administração de seus interesses. Elabo- local.
rada e votada pela Câmara de Vereadores, sem 437. LEVANTAMENTO PLANIMÉTRICO: levan-
intervenção do Poder Executivo, entre outros tamento topográfico, que visa à leitura de ângu-
assuntos de interesse local, a Lei Orgânica disci- los e distâncias horizontais no terreno. Ele deter-
plina: a eleição, posse e remuneração do prefeito, mina em plano horizontal, as medidas dos pontos
vice-prefeito e dos vereadores, o número de ve- significativos da área levantada. Existem vários
readores e a apresentação de projetos de lei de métodos de executar o levantamento planimétri-
interesse do município por iniciativa popular. co. É também chamado de planimetria. 83
434. LEI MALRAUX (FRANÇA): lei de 4 de agosto 438. LEVANTAMENTO TOPOGRÁFICO: processo
de 1962, votada por iniciativa de André Malraux, que consiste na medição de ângulos e alturas em
então ministro da cultura, dando ao Estado a pos- diversos pontos de um terreno, a fim de represen-
sibilidade de criar e delimitar setores protegidos tar graficamente sua configuração física. Exis-
nas cidades ou bairros, quando apresentarem tem vários tipos de levantamento topográfico. O
“um caráter histórico, estético ou natural que levantamento planimétrico avalia ângulos e dis-
justifique a conservação, a restauração e a valo- tâncias horizontais no terreno. O levantamento
rização do todo ou de uma parte do conjunto de altimétrico busca elementos para a representação
imóveis”. Essa lei permite delimitar perímetros do relevo do solo. O levantamento planialtimétri-
urbanos em que as edificações são restauradas e co une os dados dos dois levantamentos anterio-
não destruídas (Sirchal, [20--]). res. O levantamento barimétrico é o levantamen-
435. LEVANTAMENTO ALTIMÉTRICO: levanta- to feito abaixo do nível do mar. O levantamento
mento topográfico que visa obter elementos para aerofotogramétrico utiliza como instrumental bá-
elaboração de planta que representa o relevo do sico a fotografia. A planta topográfica, indispen-

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


sável ao projeto arquitetônico em terrenos com ou jardim. Em geral, o termo refere-se ao espaço
declives é resultante do levantamento topográfico público oficialmente reconhecido, demarcado por
(Albernaz; Lima, 2003). uma denominação (Albernaz; Lima, 2003).
439. LIMITES: os limites são elementos lineares não 441. LOTE: 1. Parcela de terreno com, pelo menos,
usados ou entendidos como vias pelo observador. um acesso à via destinada à circulação, geral-
São as fronteiras entre duas faces, quebras de mente resultante de loteamento ou desmembra-
continuidade lineares, praias, margens de rios, mento (Bahia, 1997). 2. Área delimitada de terre-
lagos, cortes de ferrovias, espaços em construção, no vinculada à posse ou à propriedade da terra.
muros e paredes. São referências laterais, mais Na cidade, destina-se basicamente às edificações.
que eixos coordenados. Esses limites podem ser Deve possuir um acesso ao logradouro público. O
barreiras mais ou menos penetráveis, que sepa- lote de frente tem testada ampla voltada para o
ram uma região de outra, mas também podem logradouro. O lote de fundos, em geral, tem aces-
84 ser costuras, linhas ao longo das quais duas re- so estreito para o logradouro (Albernaz; Lima,
giões se relacionam e se encontram. Ainda que 2003).
possam não ser dominantes quanto ao sistema vi- 442. LOTEAMENTO: 1. Divisão de um terreno em
ário, esses elementos limítrofes são importantes lotes para construção, envolvendo a abertura de
características organizacionais, sobretudo devido logradouros públicos. Pode também incluir áre-
ao seu papel de conferir unidade a áreas diferen- as livres e de equipamentos coletivos (Albernaz;
tes, como no contorno de uma cidade por água ou Lima, 2003). 2. Subdivisão de glebas em lotes des-
parede (Lynch, 1997). tinados à edificação, com aberturas de novas vias
440. LOGRADOURO PÚBLICO: 1. Parte da super- de circulação, de logradouros públicos ou prolon-
fície da cidade destinada ao trânsito e ao uso pú- gamento, modificação ou ampliação das vias já
blico (Passo Fundo, 1996). 2. Denominação gené- existentes. O loteamento é precedido de diretri-
rica de qualquer rua, avenida, alameda, travessa, zes para fixação das áreas verdes institucionais,
praça, largo, etc., de uso comum do povo. (Bahia, sistemas viários públicos e eventuais faixas não
1997, p. 134). 3. Espaço livre destinado ao trânsi- edificáveis (São Paulo, 2007).
to de pessoas e veículos, como avenida, rua, praça

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


443. LOTEAMENTO CLANDESTINO: área urba-
na ocupada irregularmente, cujo projeto de lote-
amento não foi submetido à aprovação do órgão
público (Souza, 2003).
444. LOTEAMENTO IRREGULAR: “área urbana
ocupada cujos moradores possuem algum tipo de
documento de propriedade, mas que, à luz da le-
gislação urbanística vigente, não preenche os re-
quisitos mínimos previstos em lei, demandando
infraestrutura, como condição para a regulariza-
ção definitiva do assentamento” (Souza, 2003).
445. LUGAR: 1. Em sentido topológico, tem a ver com
a nossa posição em relação ao conjunto de elemen- 85
tos, que conformam nosso ambiente mais imediato
(Del Rio, 1990). 2. Pode ser entendido “enquanto
um espaço vivido e dotado de significado, uma re-
alidade intersubjetivamente construída com base
na experiência concreta de indivíduos e grupos”
(Souza, 2003, p. 61).

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


M
448. MALHA VIÁRIA: conjunto de espaços reserva-
dos e equipados de modo a permitir a circulação
de pessoas e veículos ou qualquer outro meio de
transporte terrestre, assim como seu estaciona-
mento (Sirchal, 2012).
449. MANUTENÇÃO DE UM EDIFÍCIO: série de
operações que visam minimizar o ritmo de degra-
dação na vida de um edifício, executadas sobre
as diversas partes e elementos de sua construção,
assim como em suas instalações e equipamentos.
Em geral, são operações programadas e efetua-
das em ciclos regulares (Sirchal, [20--]).
450. MAPA DE EVOLUÇÃO URBANA: conjunto de
medidas, subsídios e obras que visam melhorar
as condições de higiene e conforto dentro de re-
sidências antigas e responder às demandas con-
temporâneas (Sirchal, [20--]).
451. MAPA NOLI: 1. Mapa fundo figura, técnica de
projeção vertical representada pelo fundo-figura.
446. MACROESCALA: nas análises urbanas, para Foi utilizada pelo topógrafo Giovanni Battista
fins de diagnóstico e projeto urbano, significa a Noli, em 1748, para representar Roma. A técni-
grande área de estudo, que envolve, interage e ca consiste na representação contrastante, geral-
interfere numa área menor, a área de projeto. mente em claro versus escuro, dos espaços cheios
447. MALHA URBANA: superfície da cidade, trama (construídos) e dos vazios (abertos) do tecido
urbana conformada pela sua estrutura viária e urbano. 2. De acordo com Del Rio, o mapa Noli
pelos espaços edificados. tornou-se de grande valia na “identificação de re-
lação entre domínios públicos, semipúblicos dos
grandes edifícios e privados, assim como outras 457. MEGALÓPOLE: grande metrópole ou aglome-
relações morfológicas importantes, como distân- ração urbana. Termo formado pelas palavras gre-
cias, acessibilidade ou a relação entre cheios e gas mega (grande) e polis (cidade) (Moreno; Ab-
vazios” (1990, p. 74). dala Júnior; Alexandre, 2002).
452. MAPA TEMÁTICO: mapa que aborda um ele- 458. MEIO AMBIENTE: o conjunto de condições,
mento norteador da sua expressão e comunicação elementos, leis, influências e interação de ordem
gráfica, como mapa temático da malha viária, em física, química, biológica, social e cultural, que
que se representa graficamente a estrutura viá- permite e rege a vida em todas as suas formas
ria da área estudada, da proposta encaminhada (Fepam, 2003).
ou de uma cidade. 459. MERCADO IMOBILIÁRIO: conjunto de tran-
453. MARCOS: na paisagem urbana, significa ele- sações comerciais que envolvem toda a questão
mentos singulares de referência externa ao ob- da construção da área edificada da cidade.
servador (Lynch, 1997). 460. METÁFORA: na arquitetura, as metáforas são 87
454. MARQUISE: elemento da edificação, construído usadas na etapa de elaboração do conceito do
em balanço em relação à fachada que pretende projeto. Le Cobusier costumava dizer que “uma
dar cobertura e proteção (São Paulo, 2007). edificação é uma máquina de morar”. Algumas
455. MASSA OU VOLUMETRIA: conjunto ou volu- metáforas são associadas à forma, outras se mos-
me de uma área construída ou edificada, analisa- tram mais elaboradas. As metáforas sofisticadas
da ou visualizada como um todo, em um estudo que funcionam como conceitos são sutis, e não
ou em uma proposta urbana. literais. Uma edificação inspirada em um barco
não é obrigada a lembrá-lo fisicamente. Porém,
456. MATA CILIAR: florestas que margeiam o curso
ela pode fazer referências a ele por meio de ma-
dos rios. Desempenham importante papel na pro-
teriais, formas e modo de construção (Farrelly,
teção dos cursos de água, reduzindo a insolação
2010, p. 170).
sobre o rio, fornecendo alimento para os peixes,
e sendo uma barreira física e química à chegada 461. METRÔ: sistema de transporte rápido de pas-
de materiais carreados pelas enxurradas aos rios. sageiros, geralmente urbano, sobre trilhos e de
propulsão elétrica, subterrâneo, de superfície ou

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elevado, normalmente independente dos siste- tituídos como muretas de proteção e bancos. Pode
mas usualmente fornecidos pelas ferrovias (Fer- ter ainda uma construção coberta com função de
rari, 2004). abrigo e decorativa. É também chamado de belve-
462. METRÓPOLE: cidade de grande dimensão que dere (Albernaz; Lima, 2003).
polariza uma região ou área de influência, cha- 467. MOBILIÁRIO URBANO OU ELEMENTO
mada de área ou região metropolitana. Etimolo- URBANO: consiste em um sistema conformado
gicamente, significa cidade-mãe. No Brasil são pelos elementos complementares ao funciona-
consideradas metrópoles as aglomerações com mento da cidade, geralmente entendidos como
população igual ou superior a 400 mil habitantes temporários e, erroneamente, encarados como de
(Ferrari, 2004). menor importância; o sistema inclui sinalização,
463. METROPOLIZAÇÃO: processo urbano que elementos complementares aos espaços abertos
gera cidades com mais de um milhão de habitan- (bancos, telefones públicos, etc.), arborização, ilu-
88 tes e, em torno delas, cidades menores totalmen- minação pública, etc.; devem ser de fácil compre-
te interligadas física e funcionalmente, isto é, co- ensão, cômodos ao uso, integrados ao contexto ur-
nurbadas (Magnoli; Araújo, 2001). bano (cultural e fisicamente), congruentes com os
sistemas de comportamento social e não descui-
464. MICROESCALA: nas análises urbanas, para
dar das necessidades físico-ergonométricas dos
fins de projeto, entorno imediato da área de pro-
usuários (Del Rio, 1990). Para Mourthé (1998),
jeto e que interfere, interage e condiciona a pro-
o mobiliário urbano tem importante papel inte-
posta de intervenção urbana.
rativo entre os espaços públicos e os usuários da
465. MICROCLIMA: condições climáticas específicas
cidade, influenciando e sendo influenciado pelos
de uma área restrita, independente do clima ge-
comportamentos sociais e pelas expressões cultu-
ral da região, proveniente de fatores naturais ou
rais. Os elementos do mobiliário urbano podem
artificiais (Albernaz; Lima, 2003).
ser classificados como: 1. elementos decorativos:
466. MIRANTE: local em ponto elevado de onde se esculturas e painéis em prédios; 2. mobiliário de
tem uma vista panorâmica. Muitas vezes possui serviço: telefones públicos, caixas de correio, la-
tratamento paisagístico e alguns elementos cons- tas de lixo, abrigos de ônibus, cabines policiais,

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


banheiros públicos, fradinhos, protetores de ár- fortável e segura e em tempo hábil, independente
vores; 3. mobiliário de lazer: bancos de praças, do tipo de veículo utilizado. Esses deslocamentos
mesas de jogos, projetos para idosos, crianças, podem ser feitos a pé ou em veículos, utilizando-
atletas e jovens; 4. mobiliário de comercialização: -se toda a infraestrutura necessária para tanto,
bancas de jornal, quiosques, barracas de vendedor como as vias, as calçadas e as pistas de rolamen-
ambulantes e de flores, cadeiras para engraxates, to para todos os veículos; enfim, tudo aquilo que
mesas para cafés e bares em áreas públicas; 5. possibilita esse ir e vir na cidade.
mobiliário de sinalização: placas de logradouros 469. MODO DE PRODUÇÃO: regime socioeconô-
(ruas), placas informativas, placas de trânsito mico e político caracterizado pela particular ma-
e sinalização semafórica; 6. mobiliário de publi- neira como são apropriados os meios de produção
cidade: outdoors e letreiros computadorizados. pelos agentes das atividades produtivas predomi-
Ainda, nessa lista, poderíamos colocar: pontos de nantes.
táxi, rede telefônica, e/ou armários distribuidores
470. MONUMENTO HISTÓRICO: monumento pro- 89
de telefonia e caixas de coleta dos Correios, vasos,
tegido ou tombado por suas características de na-
postes de iluminação, postes para rede elétrica,
tureza arquitetônica, urbana, simbólica, cultural,
apoios de bicicletas, divisores, guias, balizadores
ou em razão de fatos históricos em que se produ-
e fontes (Mourthé, 1998).
ziram (Sirchal, [20--]).
468. MOBILIDADE URBANA: possibilidade de loco-
471. MONUMENTOS: peça individual, arquitetônica
moção das pessoas no território e acesso ao espa-
e escultórica, com posicionamento destacado e ge-
ço urbano e aos equipamentos desejados com faci-
rador de forma urbana (Lamas, 2004).
lidade e segurança, fato que se torna mais difícil
472. MORFOLOGIA: na maioria dos casos, a forma
à medida que a cidade se expande fisicamente e
da cidade não é o resultado de um único projeto,
os meios de transporte se tornam precários em
mas, ao contrário, o resultado de uma reconstru-
função de demandas superiores às ofertas. Em
ção permanente da cidade sobre ela mesma ao
outras palavras, mobilidade urbana é a capaci-
longo da sua história, por superposição, acumu-
dade de as pessoas se deslocarem de um lugar ao
lação, desaparecimento e substituição. Desde en-
outro para realizar suas atividades de forma con-

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tão, a abordagem histórica e arqueológica é uma brio entre áreas construídas e sua relação com os
etapa preliminar necessária (Sirchal, [20--]). espaços abertos do entorno imediato e da cidade.
473. MORFOLOGIA URBANA: 1. Para Samuels, Formas de apropriação do solo, integração com
morfologia urbana é o “estudo analítico da pro- o meio ambiente e materiais utilizados. 3. Para
dução e modificação da forma urbana no tempo” Bustos Romero (2001), os elementos da morfolo-
(1986 apud Del Rio, 1990, p. 71). A morfologia gia urbana são: vegetação, pórticos, marquises,
urbana estuda o tecido urbano e seus elementos galerias, dimensão das calçadas, porosidade dos
construídos por meio da evolução, das transfor- obstáculos, alinhamento e uniformidade das edi-
mações, das inter-relações e dos processos sociais ficações, materiais superficiais, além da disposi-
que foram gerados. Pode conter como categorias ção dos lotes e do tamanho dos espaços públicos.
para análise: a) crescimento: os modos, as inten- 474. MOVIMENTO: no espaço urbano, o fluxo das
sidades e direções, elementos geradores e regula- pessoas e dos veículos, a animação ou a agitação
90 dores, limites e superação de limites, modificação da população em determinado espaço.
de estrutura, pontos de cristalização, etc.; b) tra- 475. MOVIMENTOS SOCIAIS URBANOS: mo-
çado e parcelamento: ordenadores do espaço, es- vimentos que surgiram na década de 1970, rei-
trutura fundiária, relações, distâncias, circulação vindicando condições mais dignas de vida, mo-
e acessibilidade, etc.; c) tipologia dos elementos bilizando-se contra o regime militar (Maricato,
urbanos: inventário e categorização de tipologias 1996).
edilícias (residências, comércio, etc.), de lotes e
476. MULTIPROFISSIONAL: o profissional capaz
sua ocupação, de quarteirões e sua ocupação, de
de compreender as capacidades e os limites de
praças, esquinas, etc.; e d) as articulações, as re-
outras profissões e de coordenar suas ações em
lações entre os elementos, hierarquia, domínios
relação à dimensão físico-espacial do urbano e
do público e do privado, densidades, relações
suas funções (Del Rio, 1990).
entre cheios e vazios, etc. (Del Rio, 1990). 2. A
477. MUNICÍPIO: subdivisão territorial do Estado-
morfologia aborda a questão coletiva, significa a
-membro brasileiro, com personalidade de direito
visão do conjunto urbano: sítio ou localização da
público interno e tendo como representante po-
cidade, altura da massa edificada, jogo ou equilí-
lítico legal o prefeito. Divide-se administrativa-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


mente em distritos, sendo o distrito sede aquele ou transformados em depósito. Como consequên-
em que se localiza a administração municipal ou cia desse modelo de preservação do patrimônio,
a prefeitura. O município brasileiro não é mera o espaço urbano é abandonado pela população,
circunscrição administrativa com autogoverno, transformando-se no máximo em espaço de mar-
mas, excepcionalmente, é membro integrante da ginalização. Impor dinâmicas sustentáveis, para
Federação, tal como os Estados, gozando, teori- que os interesses culturais, históricos, econômi-
camente, de autonomia política, administrativa e cos e sociais se concentrem, é o objetivo atual dos
financeira. programas de revitalização (Sirchal, [20--]).
478. MURALHA: 1. Nas fortificações, muro alto e de 480. MUTIRÃO: 1. Auxílio gratuito que prestam uns
grande espessura que as circunda e protege. Fre- aos outros, por exemplo, os lavradores (em colhei-
quentemente é associada a outros elementos de ta, construção de casas, etc.), reunindo-se todos
proteção como baluartes e revelins. 2. Muro alto os da redondeza e trabalhando em prol de um só.
e de grande espessura que circunda povoados e 2. Auxílio gratuito que prestam uns aos outros, 91
cidades. No início da colonização brasileira, em os membros de uma comunidade, em proveito de
geral, grandes cidades possuíam muralhas de todos, como no caso das melhorias locais (Ferrei-
defesa, como Salvador, Rio de Janeiro e Recife. ra, 2010).
Cidades menores, vilas e povoados eram cercados
por paliçadas.
479. MUSEIFICAÇÃO: no centro da problemática
da revitalização de centros históricos, o conceito
de museificação opõe-se ao desenvolvimento sus-
tentável e à boa governabilidade. A museificação
é resultante do desenvolvimento em excesso do
turismo provedor de riqueza, que fabrica centros
históricos nos quais cada monumento transfor-
ma-se em museu ou centro cultural, cada casa
antiga uma loja de souvenirs com andares vazios

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N
ologismo, resultado da fusão da palavra inglesa
net (rede) com o termo metrópolis (Moreno; Ab-
dala Júnior; Alexandre, 2002).
482. NIMBYISM OU SÍNDROME NYMBY (not in
my back yard): “fenômeno que se refere a ações
de residentes locais que apoiam vários tipos de
políticas de uso do solo, incluindo zonas de inclu-
são e legislação ambiental, desde que tais progra-
mas não afetem a eles próprios” (Vleit, 1998, p.
404). “Atitudes tomadas por grupos minoritários
ou indivíduos poderosos que não querem nem
permitem novos assentamentos urbanos ou ou-
tros tipos de desenvolvimento urbano perto de
suas áreas residenciais (‘em seus quintais’), como
forma de evitar o adensamento urbano e a modi-
ficação do ambiente existente em sua vizinhança”
(MacDonald, 1996, p. 113).
483. NÍVEIS DE PLANEJAMENTO: são os critérios
de identificação de escalas de análise de situações
e planejamento de intervenções (Souza, 2003, p.
103). Podem ser classificados como internacional,
nacional, macrorregional, estadual, microrregio-
nal, municipal e local.
484. NIVELAMENTO: determinação de cotas de alti-
481. NETRÓPOLIS: cidade virtual ou invisível, co- tude de linhas traçadas no terreno (Bahia, 1997).
munidade formada pela interação entre pessoas
485. NON AEDIFICANDI: expressão latina usada
mediante redes eletrônicas como a internet. Ne-
para nomear as áreas impedidas de serem cons-
truídas por legislação. Em geral, tratam-se de compactas; estimular o processo de participação
porções ou faixas de terreno destinadas à preser- comunitária; e retomar os tipos do urbanismo
vação ambiental ou à proteção a uma rede ou um tradicional relativos ao arranjo das quadras e da
equipamento (Albernaz; Lima, 2003). arquitetura. Com atenção para a articulação do
486. NÓS: pontos nodais, lugares estratégicos de uma sistema de transportes e para conceitos de com-
cidade, pelos quais o observador pode entrar; são pacidade do espaço urbano e do projeto da pai-
os focos intensivos para os quais ou a partir dos sagem como um todo, o novo urbanismo depende
quais ele se locomove. Podem ser basicamente de um bom planejamento urbano e regional, da
junções, locais de interrupção do transporte, um qualidade dos projetos locais e do envolvimento
cruzamento ou uma convergência de vias, mo- das comunidades” (Macedo, 2007, p. 11).
mentos de passagem de uma estrutura a outra 488. NÚCLEO HABITACIONAL: conjunto de habita-
(Lynch, 1997). ções de interesse social, que formam uma área con-
487. NOVO URBANISMO: “A Carta do Novo Urba- tínua, podendo ser integrada à malha urbana exis- 93
nismo, de 1996, é o documento de referência do tente ou formando conjunto habitacional fechado.
Congresso do Novo Urbanismo, formado por pro-
fissionais cujo objetivo foi formalizar um enfoque
para o urbanismo explorando as possibilidades
reais do desenvolvimento das cidades norte-ame-
ricanas. A Carta estabelece princípios associa-
dos à formação do espaço regional, da cidade e
do bairro, com a intenção de organizar sistemas
regionais articulando áreas urbanizadas centrais
com as cidades menores em setores bem delimi-
tados do território, evitando a ocupação dispersa;
valorizar a acessibilidade por transportes coleti-
vos; favorecer a superposição de uso do solo como
forma de reduzir percursos e criar comunidades

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O
propor diretrizes para a ocupação do solo, tendo
como objetivo estabelecer as ações necessárias
para garantir sua conservação e organização.
491. OCUPAÇÃO IRREGULAR: loteamentos irre-
gulares, clandestinos e invasões e ocupações ur-
banas.
492. OCUPAÇÃO TERRITORIAL: processo de cons-
trução do território, da expansão da rede urbana
e das áreas apropriadas pelo homem no território
de um município, da região e do país.
493. OPERAÇÃO INTERLIGADA: para Souza
(2003, p. 283-284), e de acordo com o Plano Dire-
tor do Rio de Janeiro (RIO DE JANEIRO, 1992,
art. 28), “constitui operação interligada a altera-
ção pelo Poder Público [...] de determinados pa-
râmetros urbanísticos”, mediante o oferecimento
de contrapartidas por parte dos empreendedores
489. OBRA-PRIMA: termo que encontra sua origem interessados.
no sistema das corporações (Idade Média), desig-
494. OPERAÇÃO URBANA: instrumento de plane-
nando a obra a ser realizada por um componente
jamento entendido como o conjunto integrado de
para testemunhar a conclusão de sua formação e
intervenções e medidas urbanas a ser coordenado
chegar à “maestria”, e que qualifica hoje a obra
pelo poder público, com a participação de recur-
de arte particularmente bem acabada (Sirchal,
sos da iniciativa privada (Souza, 2003).
[20--]).
495. OPERAÇÃO URBANA CONSORCIADA: con-
490. OCUPAÇÃO DO SOLO: o plano de ocupação
junto de intervenções e medidas coordenadas pelo
do solo é uma lei de nível municipal, determina-
poder público municipal, com a participação dos
da pelas características de uma cidade, visando
proprietários, moradores, usuários permanentes compõem, do projeto de seu sistema de transporte
e investidores privados, com o objetivo de alcan- (rodoviário, ferroviário, aquaviário e aeroviário),
çarem uma área com transformações urbanísti- da orientação sobre os usos agrícolas e áreas cul-
cas estruturais, melhorias sociais e a valorização tivadas, tudo isso sem desconsiderar os demais
ambiental (Brasil, 2001). aspectos contemplados pelo planejamento regio-
496. ORGANIZAÇÃO FÍSICA DO ESPAÇO UR- nal integrado (Ferrari, 2004).
BANO: reestruturação, renovação ou expansão 498. ORÇAMENTO PARTICIPATIVO: orçamento
de espaços para a sua adequação às propostas de participativo consiste em uma abertura do apa-
uso formuladas pela própria comunidade local, relho do Estado para possibilitar a participação
seja de uso coletivo ou privado, porém, com nítido direta da população de um município (ou mesmo
interesse coletivo (Rodrigues, 1986). de unidades territoriais administrativas supra-
497. ORGANIZAÇÃO DO TERRITÓRIO/ORDE- locais) nas decisões a respeito dos objetivos dos
NAÇÃO DO ESPAÇO: 1. Em planejamento investimentos públicos (Souza, 2003). 95
municipal, parte do processo de planejamento 499. OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE
integrado que cuida do aspecto físico-territorial CONSTRUIR OU SOLO CRIADO: refere-se à
do município e, mais especificamente, de seus es- concessão emitida pelo município para que o pro-
paços urbanizados, pela colocação em ordem dos prietário de um imóvel edifique acima do limite
usos e da ocupação do solo (lei do zoneamento) estabelecido pelo coeficiente de aproveitamento
da regulamentação edilícia (lei de edificação ou básico, mediante contrapartida financeira a ser
código de edificações), da estruturação do sistema prestada pelo beneficiário (Saboya, 2008).
viário, da programação de obras públicas, consi-
derando também os demais aspectos do planeja-
mento integrado. 2. Em planejamento regional,
parte do processo de planejamento integrado
que cuida do aspecto físico-territorial da região,
ou seja, da hierarquização de seus polos, da de-
limitação das sub-regiões ou microrregiões que a

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P
502. PAISAGEM NATURAL: configuração espacial
da natureza antes da sua apropriação e domesti-
cação pela mão e pelo trabalho do homem.
503. PAISAGEM RURAL: configuração espacial da
natureza, trabalhada pelo homem para a produ-
ção agrícola e agropecuária. Conjunto de edifica-
ções destinadas ao uso nessa área, mas que não
se configuram como paisagem urbana.
504. PAISAGEM URBANA: 1. Configuração espacial
de uma cidade, resposta física às necessidades de
uma sociedade que a constrói segundo alguns pa-
drões e modelos específicos (Macedo, 1987). 2. A
500. PAISAGEM: conjunto dos atributos naturais e
paisagem urbana configura-se basicamente por
antrópicos de um local, incluindo a vegetação (co-
meio de três elementos: 1) o suporte físico, ou
bertura vegetal), os solos, a hidrografia, o relevo,
seja, o relevo, o solo, o subsolo e as águas com sua
a geologia, a geomorfologia, as atividades econô-
dinâmica, a cobertura vegetal original ou não do
micas, a ocupação humana, etc. A paisagem pode
sítio, as estruturas urbanas ou massas de edifica-
se reportar tanto ao conjunto de todo os atribu-
ções e sua relação dialética com os espaços livres;
tos quanto a atributo único, a alguns atributos
2) o uso do solo, os loteamentos, e, 3) o clima com
(exemplos: paisagem humana, paisagem vegetal,
suas alterações de ciclo diurno/noturno e as esta-
etc.).
ções do ano. Contudo, para Paula Landim, a pai-
501. PAISAGEM CULTURAL: uma paisagem que, sagem urbana não é delimitada apenas por esses
com o tempo, desenvolveu-se em uma forma dis- elementos: a paisagem urbana é uma imagem,
tinta devido à ocupação e influência humana. A uma criação mental e social, está na mente das
experiência humana será determinada, por sua pessoas, nas relações de uso que se estabelecem
vez, pela paisagem (Waterman, 2010). entre os cidadãos e entre esses e os elementos ci-
tados. A paisagem não é formada apenas por vo-
lumes, mas também por cores, movimentos, odo- de palafita são habitações pobres e precárias, que
res e sons (Landim, 2004). fazem parte, nas grandes cidades, de uma favela.
505. PAISAGISMO: estudo do meio ambiente físico, 507. PAGINAÇÃO DE PISOS E PASSEIOS: trata-
para planejar e compor ambientes abertos com ele- mento dado a pisos e passeios com o uso de diver-
mentos construídos e vegetais. No paisagismo, são sos tipos de pavimentação, que na sua execução,
levados em contas aspectos físicos – clima, vegeta- seguem um projeto ou uma intenção plástica, pai-
ção, solo e água e os aspectos funcionais – acesso sagística ou arquitetônica.
circulação uso e características da área a ser trata- 508. PARÂMETROS URBANÍSTICOS DE OCU-
da. Muitas vezes, o paisagismo complementa a ar- PAÇÃO DO SOLO: os parâmetros urbanísticos
quitetura, possibilita amenizar fatores climáticos consistem em grandezas e índices (relações en-
da região, criando um microclima favorável. Do tre grandezas) que medem aspectos relevantes
projeto de paisagismo constam: localização e di- relativos à densidade e à paisagem urbana. As-
mensionamento de áreas de vegetação, pavimen- sim como o zoneamento, é uma das ferramentas 97
tação, espelhos de água, equipamentos de lazer mais corriqueiras do planejamento urbano. Para
e esportes, jardineiras, posteação e aparelhos de Souza, os principais parâmetros urbanísticos são:
iluminação, tubulações e elementos de drenagem Gabarito: parâmetro urbanístico entre os mais
e irrigação. Indica, ainda, a topografia projetada conhecidos, expressa, em pavimentos ou metros,
e seus elementos de suporte e especifica e localiza a altura máxima permitida para as edificações
espécies vegetais (Albernaz; Lima, 2003). em uma dada zona. Vários são os fatores que po-
506. PALAFITA: 1. Conjunto de estacas, em geral dem interferir na determinação do gabarito, des-
de paus roliços ou madeiras em bruto, fincadas de a necessidade de preservação da harmonia da
firmemente ao solo, sustentando edificações im- paisagem até a proximidade de aeroportos, pas-
plantadas em terrenos alagados, sujeitos a inun- sando pela largura da rua. Afastamentos: com-
dações ou em áreas com água. É também chama- preendem os recuos obrigatórios da edificação em
da estacaria. 2. Por extensão, nome dado às casas relação às divisas do lote (afastamentos laterais
construídas sobre palafitas. Comumente, as casas e de fundos), em relação ao logradouro (afasta-
mento frontal) e, eventualmente, entre edifica-

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ções no mesmo lote. Os afastamentos obrigatórios quatro pavimentos, correspondendo à área total
são estabelecidos pela legislação edilícia vigente edificada em 1.000 m2. Ou seja, a soma das áreas
em cada município e seus valores poderão variar de todos os pavimentos iguala-se a área total do
bastante no interior da cidade, além de, em algu- terreno. Taxa de permeabilidade (TP): consiste
mas circunstâncias, também dependerem da al- na relação entre a parte do terreno (lote ou gleba)
tura das edificações. Os afastamentos são muito que permite a infiltração da água. (sp: superfície
importantes, pois permitem condições mínimas permeável) e sua área total. Portanto, TP = sp :
aceitáveis em matéria de ventilação, iluminação at. Índice de áreas verdes (IAV): é a relação entre
e privacidade. Área construída (total) (ac): tam- a parcela do terreno (lote ou gleba) coberta por
bém denominada de área edificada (total), con- vegetação. (av: área com vegetação) e sua área
siste na soma das áreas de todos os pavimentos total. Assim, IAV = av : at. Área bruta e área lí-
de uma edificação. Taxa de ocupação (TO): é a quida: a área bruta de uma zona ou de um assen-
98 relação entre a área da projeção horizontal da tamento (por exemplo, um loteamento) é a sua
edificação (ou edificações, caso haja mais de uma área total, inclusive os logradouros (ruas, praças)
edificação no mesmo terreno) e a área total do e os espaços institucionais. A área líquida de uma
lote ou da gleba. Exemplo: considerando-se um zona ou de um assentamento refere-se, via-de-
lote de 500 m2, onde exista uma única edificação -regra, à área utilizada estritamente para fins re-
cuja área total ocupada, por sua base, seja de 100 sidenciais, deduzindo-se, os espaços ocupados por
m2, a taxa de ocupação será de 0,2. Coeficiente de vias de circulação, praças e todo o tipo de uso não
aproveitamento (CA) também chamado de índi- residencial. Densidade bruta e densidade líquida:
ce de aproveitamento do terreno (IAT): trata da a densidade bruta de uma zona ou de um assen-
relação entre a área construída (total) e a área tamento expressa o número total de pessoas que
total do lote ou gleba (at). Portanto, CA = ac : at. residem na zona ou no assentamento em questão,
Exemplo: considerando-se um lote de 1.000 m2 e dividido pela área total desse (incluindo-se os es-
uma edificação cuja base mede 250 m2 de área, paços ocupados por vias de circulação, praças e
ter-se-á um coeficiente de aproveitamento do ter- todo o tipo de uso não residencial). A densidade
reno igual a 1, se a edificação em questão tiver líquida expressa o número total de pessoas que

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residem na zona ou no assentamento em questão, parque urbano, podendo estar localizado fora do
dividido pela área utilizada apenas para fins re- perímetro urbano da cidade, contando com áreas
sidenciais (Souza, 2003). de lazer, recreação e preservação.
509. PARCELAMENTO E PARCELAMENTO DO 514. PARQUE NACIONAL (PARNA): área de posse
SOLO: divisão do solo por meio de coordenadas e domínio públicos, que tem como objetivo básico
de um determinado projeto: loteamento. a preservação de ecossistemas naturais de gran-
510. PARDIEIRO: residência imprópria para habita- de relevância ecológica e beleza cênica, possibili-
ção, seja porque é miserável e insalubre, seja por tando a realização de pesquisas científicas e ati-
estar excessivamente degradada. vidades de educação e interpretação ambiental,
de recreação em contato com a natureza e de tu-
511. PARQUE: área natural extensa, com patrimô-
rismo ecológico (IBGE, 2011).
nio ambiental, deve oferecer oportunidade para
recreação ao ar livre, espaço para práticas de 515. PARTIDO URBANÍSTICO/PARTIDO GE-
jogos urbanizados, em função de suas condições RAL: segundo Rodrigues (1986), o partido deverá 99
próprias e de sua localização aos centros urbanos. se notabilizar por sua originalidade plástica e or-
Essa área pode ser considerada reserva natural, ganicidade funcional de tal forma que os usuários
quando oferece oportunidade para estudo e pes- percebam a dimensão e a qualidade da proposta
quisa da flora e da fauna e das condições naturais de solução para questões que identificaram, com
de seus habitats. (Birkholz, 1983). uma linguagem clara e bela na arquitetura dos
espaços urbanos propostos (Rodrigues, 1986).
512. PARQUE URBANO: espaço urbano público ar-
borizado utilizado para lazer e esporte da comu- 516. PASSARELA: passagem elevada para pedes-
nidade, podendo abrigar jardins, áreas de preser- tres, construída principalmente sobre ruas, es-
vação ambiental, equipamentos de lazer e espor- tradas e linhas de trem. É também chamada de
te ou outras infraestruturas. passagem elevada. Passadiço que possui maior
extensão (Albernaz; Lima, 2003).
513. PARQUE MUNICIPAL: região natural ou de in-
teresse especial sob a proteção do município, ge- 517. PASSEIO: parte da calçada ou da pista de rola-
ralmente com dimensões mais abrangentes que o mento, nesse último caso, separada por pintura
ou elemento físico separador, livre de interferên-

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cias, destinada à circulação exclusiva de pedes- as tradições locais, os saberes artesanais e culi-
tres e, excepcionalmente, de ciclistas. Parte do nários e a própria imagem do território (Veiga,
logradouro público destinado ao trânsito de pe- 2003), o mesmo que patrimônio ambiental.
destres (Bahia, 1997). Mascaró (2003) afirma que 523. PATRIMÔNIO ARQUEOLÓGICO: vestígios ma-
passeios e vias para pedestres podem ser com- teriais de antigas civilizações (construções, objetos
preendidos como os passeios laterais das ruas, de arte, objetos da vida cotidiana, instrumentos,
as pistas de atletismo e os caminhos internos dos refugos, grãos, pólens...). A proteção do patrimônio
conjuntos habitacionais (Mascaró, 2003). arqueológico apresenta problemas específicos em
518. PASTICHO: cópia, imitação, paródia. Trabalho razão da sua natureza. É necessário preservar sí-
de imitação do estilo de uma época ou de um gê- tios arqueológicos ainda desconhecidos ou em vias
nero (Sirchal, [20--]). de exploração, controlar o resgate dos vestígios en-
519. PATAMAR: piso situado entre dois lanços suces- contrados e proteger os sítios e os vestígios arqueo-
100 sivos de uma mesma escada (Bahia, 1997). lógicos mais significativos (Sirchal, [20--]).
520. PÁTIO: recinto geralmente lajeado para o qual 524. PATRIMÔNIO CONSTRUÍDO: todo o conjun-
dá entrada a porta principal de algumas casas. to edificado de uma localidade, com ou sem valor
Espaço descoberto fechado por muro ou por outro histórico para tombamento.
tipo de construção anexo a um edifício. Espaço 525. PATRIMÔNIO CULTURAL: bem comum de
descoberto cercado por edifícios. Recinto junto às uma sociedade, herdado de seus ancestrais, cons-
estações ferroviárias, onde as locomotivas mano- tituído pelo sistema de ideias, conhecimentos, pa-
bram (Ferreira, 1975, p. 1046). drões de comportamento, artefatos, obras de arte,
521. PATRIMÔNIO: conjunto de bens herdados do técnicas e outros que caracterizam ou individua-
passado (Sirchal, [20--]). lizam. Inclui o patrimônio edificado e imaterial
(Ferrari, 2004).
522. PATRIMÔNIO NATURAL E HISTÓRICO
CULTURAL: o conjunto formado pela paisagem 526. PATRIMÔNIO ETNOLÓGICO: práticas econô-
natural, obras artísticas, sítios arqueológicos, micas, sociais e religiosas. Ele é testemunha de
patrimônio construído e bens imateriais como identidades culturais: costumes, festas, modos

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de fazer artesanais, práticas culinárias, receitas, gios englobam edifícios e maquinaria, oficinas,
produtos da terra (Sirchal, [20--]). fábricas, minas e locais de processamento e de
527. PATRIMÔNIO HISTÓRICO: bem comum de refinação, entrepostos e armazéns, centros de
uma sociedade, herdado de seus ancestrais e produção, transmissão e utilização de energia,
constituído de artefatos, documentos, obras, lo- meios de transporte e todas as suas estruturas e
cais, etc., considerados de valor histórico pela co- infraestruturas, assim como os locais onde se de-
munidade culta, esclarecida (Ferrari, 2004). senvolveram atividades sociais relacionadas com
a indústria, tais como habitações, locais de culto
528. PATRIMÔNIO IMATERIAL: ou patrimônio in-
ou de educação (Associação Portuguesa para o
tangível, toda a história, a cultura e a memória
Patrimônio Industrial, 2003).
de uma comunidade, que não pode ser traduzida
em edificações, mas permanece latente na tradi- 532. PATRIMÔNIO INTANGÍVEL: o conjunto de
ção oral, na escrita, na culinária, no folclore, na criações que emanam de uma comunidade cultu-
dança, nos costumes, etc., e que deve ser respeita- ral fundada na tradição, expressas por um gru- 101
da e valorizada em uma intervenção urbana. po ou por indivíduos e que, reconhecidamente,
respondem às expectativas da comunidade como
529. PATRIMÔNIO PÚBLICO: conjunto edificado,
expressões de sua identidade cultural e social;
paisagem urbana ou natural que pertence à co-
as normas e os valores se transmitem oralmen-
munidade, quer seja pelo tombamento, pela pre-
te, por imitação ou a música, a dança, os jogos, a
servação ou apenas pela apropriação do espaço
mitologia, os ritos, os costumes, o artesanato, a
onde está inserido.
arquitetura e outras artes (Sirchal, [20--]).
530. PATRIMÔNIO DA HUMANIDADE: patrimô-
533. PATRIMÔNIO MONUMENTAL: a noção de
nio histórico mundial, tombado e protegido pela
patrimônio monumental, por muito tempo reser-
Unesco.
vado ao patrimônio histórico tradicional (caste-
531. PATRIMÔNIO INDUSTRIAL: o patrimônio
los, catedrais, palácios, abadias), foi progressiva-
industrial compreende os vestígios da cultura
mente estendido a edifícios de todas as categorias
industrial que têm valor histórico, tecnológico,
e épocas cuja conservação mostrou-se indispen-
social, arquitetônico ou científico. Esses vestí-
sável diante das mutações aceleradas da nossa

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sociedade. Participam reconhecidamente desse sua vida econômica e social e das suas tradições
patrimônio, edifícios diversos tais como constru- (Sirchal, [20--]). 2. Como patrimônio vernacular
ções industriais, ferroviárias, cinemas, hotéis, de arquitetura refere-se à arquitetura tradicio-
cavernas pré-históricas ornamentadas, vestígios nal e local feita sem a intervenção de arquitetos,
arqueológicos (Sirchal, [20--]). como por exemplo, construções de indígenas ou
534. PATRIMÔNIO NATURAL: a conferência geral nativos feitas com materiais locais de acordo com
da Organização das Nações Unidas para a Edu- técnicas e padrões tradicionais (Albernaz; Lima,
cação, a Ciência e a Cultura, reunida em Paris, 2003).
de 17 de outubro a 21 de novembro de 1972, em 536. PAVIMENTO: parte da edificação compreendida
sua 17ª sessão, estabeleceu: “Art. 2º Para os fins entre dois pisos sucessivos (Bahia, 1997).
da presente convenção serão considerados como 537. PAVIMENTAÇÃO: estrutura aplicada à super-
‘patrimônio natural’: fície de vias ou grandes áreas externas abertas,
102 - os monumentos naturais constituídos por for- sobre as quais transitam veículos. É constituída
mações físicas e biológicas ou por grupos de tais por uma ou mais camadas de materiais. A camada
formações, que tenham valor universal excep- superior é chamada de revestimento e a inferior
cional do ponto de vista estético ou científico; de leito. Permite maior conforto, segurança e flui-
- as formações geológicas e fisiográficas e as zo- dez no tráfego de veículos. Sua maior adequação
nas nitidamente delimitadas que constituam o depende dos condicionantes físicos, como clima,
habitat de espécies animais e vegetais ameaça- solo e topografia, e de seu uso. Para seu bom fun-
das e que tenham valor universal excepcional cionamento, é indispensável adequada drenagem
do ponto de vista da ciência ou da conservação; de águas pluviais (Albernaz; Lima, 2003).
- os sítios geológicos naturais ou as zonas naturais 538. PERCEPÇÃO AMBIENTAL E URBANA: a ca-
estritamente delimitadas, que tenham valor uni- pacidade de se gerar informação nova e diferencia-
versal excepcional do ponto de vista da ciência, da da a partir dos elementos percebidos. Assim, cada
conservação ou da beleza natural” (Sirchal, [20--]). espaço é entendido a partir das informações que se
535. PATRIMÔNIO VERNACULAR: 1. Patrimônio tem sobre ele, criando uma relação de interdepen-
pertencente a uma comunidade, testemunho da dência entre espaço e informação (Landim, 2004).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


539. PERCEPÇÃO DO MEIO AMBIENTE: percep- urbanos, do agravamento das condições de saúde,
ção como elemento mediador entre o homem e o da ocupação predatória (Valladres, 1983).
meio ambiente (Kohlsdorf, 1985). 543. PERÍMETRO: o perímetro urbano é a área ur-
540. PERCURSO DE PEDESTRE: os percursos de banizada do território de um município, onde o
pedestres conformam um sistema de conveniên- poder público determina o parcelamento do solo a
cia tanto quanto de suporte à vitalidade dos es- fim de atender aos interesses de seus moradores.
paços urbanos. Integram sistema interdependen- Assim, a administração municipal é responsável
te com atividades sociais e econômicas no nível pelos serviços urbanos (coleta de lixo etc.), sendo
térreo das edificações, devendo ser tratados em lícito cobrar as taxas correspondentes e arreca-
conjunto com o sistema viário e de transporte pú- dar impostos sobre a propriedade (IPTU).
blico, sendo reforçados por projetos de espaços li-
vres e de atividades de apoio (Del Rio, 1985).
541. PERIFERIA: em uma cidade, a região mais 103
afastada do centro urbano, em geral, é carente
em infraestrutura e serviços urbanos, e abriga os
setores de baixa renda da população (Ferreira,
1986). Do grego periphereia, circunferência.
542. PERIFERIZAÇÃO: pode ser entendida como
uma projeção ao nível do espaço, do processo de
acumulação de capital e de suas consequências
sobre o habitat da classe trabalhadora, determi-
nando sua segregação espacial em áreas cada
vez mais longínquas dos núcleos dos principais
centros urbano-industriais do país; apresentam 544. PERÍMETRO URBANO: “[...] a fronteira de
quadro de carência generalizada, constatado por uma superfície que se quer ocupar de uma cida-
meio das precárias condições de moradia, da qua- de. Ele é fundamental para a organização admi-
se completa ausência de infraestrutura e serviços nistrativa do município, separando áreas urba-

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nas das áreas rurais. Estabelecido por lei e serve mente ao terreno, quando se refere à seção vertical
para instituir tributos de grande importância feita em terreno ou via. Nos projetos de loteamen-
para a Prefeitura: o imposto territorial e predial. to e arruamento, é indispensável a apresentação
Sem perímetro definido é impossível qualquer das cotas de todas as vias propostas indicando as
planejamento urbanístico, pois apenas será con- cotas dos terrenos (Albernaz; Lima, 2003).
siderado urbano o território que fica desta linha 548. PETIÇÃO: exprime a formulação escrita de pe-
para dentro” (Santos, 1988, p. 127). dido, fundada no direito da pessoa, feita perante
545. PERMANÊNCIAS: no urbanismo, patrimônio o juiz competente, autoridades administrativas
edificado que deve ser respeitado em uma even- ou perante o poder público (Bahia, 1997).
tual intervenção urbana, em função de sua pere- 549. PIB per capita: é o produto interno bruto a pre-
nidade no espaço da cidade, como o sistema vi- ço de mercado, dividido pela população (Magnoli,
ário estruturante, os monumentos, o patrimônio 2001).
104 tombado e suas imediações, os grandes edifícios
550. PÍER: pavimento sobre armação metálica ou de
residênciais (de difícil expropriação), enfim, toda
madeira que se projeta na água em lagos, lagoas,
a edificação ou natureza que não possa ser trans-
rios ou mar, usado como cais para embarcações.
ferida ou que apresente grande dificuldade de
Sua estrutura é escavada na terra sob a água.
transposição, devendo ser acolhida em uma nova
É um elemento componente de clubes e parques
proposta urbana para determinada localidade
náuticos (Albernaz; Lima, 2003).
546. PERMEABILIDADE URBANA: em um tecido
551. PLANEJAMENTO: 1. Quando se considera o
urbano edificado, os espaços abertos que permi-
planejamento sob um ponto de vista geográfico
tem inter-relações, a comunicação entre as par-
ou espacial, podemos distinguir entre planeja-
tes, integrando espaços diversos que não se inte-
mento nacional ou central, planejamento regio-
grariam de outra maneira.
nal, planejamento estadual ou provincial, plane-
547. PERFIL: 1. Contorno de um terreno, de uma edi- jamento local e projetos. A cada nível geográfico
ficação ou de qualquer elemento arquitetônico. 2. poderíamos distinguir ainda entre planejamento
Representação gráfica de seção vertical feita em global e setorial, embora se reconheça, que, no
terreno, via ou edificação. Aplica-se particular- âmbito local, seria mais razoável falar em pla-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


nejamento integrado do que em planejamento de ação para os anos vindouros, analisar critérios
global (Holanda, 1975). 2. Aplicação sistemática para uma escolha entre as alternativas disponí-
do conhecimento humano para prever e avaliar veis, antecipar soluções para problemas previsí-
cursos alternativos de ação com vistas à tomada veis e especificar as medidas de política econômi-
de decisões adequadas e reacionais, que sirvam cas necessárias para remover os obstáculos que
de base para ação futura (Holanda, 1975, p. 36). limitam o crescimento da renda e a mudança es-
“A formulação sistemática de um conjunto de de- trutural da economia (Holanda, 1975).
cisões, devidamente integrado, que expressa os 552. PLANEJAMENTO AMBIENTAL: todo planeja-
propósitos de uma empresa e condiciona os meios mento que parte do princípio da valoração e con-
de alcançá-los. Um plano consiste na definição servação das bases naturais de um dado território
dos objetivos, na ordenação dos recursos mate- como base de autossustentação da vida e das inte-
riais e humanos, na determinação dos métodos rações que a mantém, ou seja, das relações ecos-
e formas de organização, no estabelecimento das sistêmicas. Por isso o planejamento ambiental 105
medidas de tempo, quantidade e qualidade, na lo- emprega como instrumentos todas as informações
calização espacial das atividades e outras especi- disponíveis sobre a área de estudo, vindas das
ficações necessárias para canalizar racionalmen- mais diversas áreas do conhecimento, bem como
te a conduta de uma pessoa ou grupo” (Muñoz as tecnologias de ponta que possam facilitar o seu
Amato, [19--] apud Holanda, 1975, p. 36). Todo e meio principal de comunicação e de projeto que
qualquer tipo de planejamento – a despeito das é o desenho ambiental. Atualmente, entende-se
complexas e variadas formas que pode assumir por planejamento ambiental o planejamento das
(planejamento para períodos de guerra, planeja- ações humanas (da antropização) no território, le-
mento físico, planejamento urbano, planejamen- vando em conta a capacidade de sustentação dos
to de reconstrução de pós-guerra, planejamento ecossistemas em nível local e regional, sem per-
anticíclico e planejamento para desenvolvimento der de vista as questões de equilíbrio das escalas
etc.) – apresenta algumas características básicas: maiores, tais como a continental e a planetária,
procurar estabelecer uma relação, entre presen- visando à melhora da qualidade de vida humana,
te, passado e futuro, definir cursos alternativos dentro de uma ética ecológica. O planejamento

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ambiental é, portanto, também um planejamento processo de planejamento, pretende-se resol-
territorial estratégico, econômico-ecológico, socio- ver problemas previstos para o futuro; e) pré-
cultural, agrícola e paisagístico (Franco, 2001). -plano: proposta inicial, com soluções técnicas
553. PLANEJAMENTO (ETAPAS OU FASES): e adequadas à determinada comunidade, elabo-
para Celson Ferrari (1973), o planejamento é um rada com base em um diagnóstico da realidade
processo contínuo que pode ser dividido em eta- e das previsões futuras, também chamado de
pas ou fases, iniciando pela: plano preliminar ou plano piloto, esse deverá
ser discutido com a população alvo; f) plano bá-
a) pesquisa: fase fundamental de todo o processo
sico: anteprojeto, que consiste em referenciais
de planejamento e que permite ao planejador
gráficos como plantas em diversas escalas grá-
tomar ciência da realidade da área em estudo.
ficas, plantas das curvas de nível, das áreas de
Por meio da pesquisa pode-se determinar as as-
atenção, etc., realizado após os ajustes feitos
pirações e as necessidades de uma comunida-
106 de, aproximando-se da realidade da população
em função do debate comunitário, consideran-
do que, no planejamento, assim como na cida-
alvo; b) análise: a análise dos levantamentos
de, nada é definitivo, passa-se à etapa do plano
realizados pela pesquisa transforma os dados
básico; g) execução: fase do planejamento em
em referenciais comparativos, que revelam
que o plano básico passa do campo teórico para
cada problema em seus múltiplos aspectos. Os
o prático: obras, leis, treinamento de pessoal e
grupos de pesquisa devem trabalhar de forma
compatibilização de diferentes setores da admi-
integrada para que se tenha uma noção real do
nistração. É a implantação. O ideal faz-se rea-
conjunto de toda a problemática; c) diagnósti-
lidade, o abstrato torna-se concreto; h) contro-
co: constitui-se da análise dos dados e dos es-
le: é o acompanhamento da execução do plano
tudos comparativos, pode-se diagnosticar, ou
básico. É uma fase importante, pois é por meio
seja, identificar os problemas de uma área, de
desse que se controla a programação e a fisca-
sua comunidade, de suas causas e consequên-
lização de obras, serviços e outras medidas em
cias; d) prognóstico: constatar que por meio da
andamento. Pelo controle são constatadas as
realidade atual, poder-se-á chegar a uma deter-
distorções do plano; i) avaliação: meio pelo qual
minada situação futura. Observa-se que com o

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


compara-se o estado atual da realidade com o 557. PLANEJAMENTO GLOBAL: planejamento
previsto pelo plano, verificando-se distorções de nível macroeconômico, cujo âmbito de ação
que devem ser corrigidas. Inicia-se, dessa for- ou nível de agregação de variáveis econômicas é
ma, um novo ciclo de planejamento, que é, pois, amplo, não apenas quanto ao critério agregador,
um processo contínuo, permanente, cíclico. As como também em relação ao critério geográfico
novas pesquisas constituem-se em uma atuali- e ao grau de detalhe na previsão dos elementos
zação do plano sob revisão (Ferrari, 1973). que influenciam essas variáveis. Objetiva uma
554. PLANEJAMENTO DOS TRANSPORTES: or- visão ampla do desenvolvimento futuro de um
ganização do sistema de locomoção e mobilidade país ou região, por meio da fixação simultânea de
veicular de uma comunidade. O planejamento um conjunto de metas de produção, coerentes ou
dos transportes deve estar incluído em um plano compatíveis entre si (Holanda, 1975).
maior, o de mobilidade e acessibilidade urbana de 558. PLANEJAMENTO INTEGRADO: método de
uma cidade, compondo com outras maneiras de aplicação contínua e permanente destinado a re- 107
locomoção. solver de maneira racional a problemática que afe-
555. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: formula- ta determinada sociedade, situada em delimitado
ção de intervenções, ações e políticas estratégi- espaço e em uma determinada época. Atua basica-
cas, visando a objetivos fixados a priori, a partir mente por uma previsão ordenada das mudanças
de uma diagnose da situação atual e de uma visão desejadas por ela, em que se consideram os as-
do futuro baseadas na projeção das tendências pectos físico-territoriais, sociais, econômicos e ad-
históricas dos dados considerados, adaptados a ministrativos da realidade, além de vincular tais
uma nova e desejada realidade (Ferrari, 2004). mudanças a objetivos e diretrizes dos planos dos
556. PLANEJAMENTO FÍSICO-TERRITORIAL: demais escalões governamentais (Ferrari, 2004).
planejamento setorial que visa ao ordenamento 559. PLANEJAMENTO INTERATIVO: entende a
espacial da área sob planejamento ou a regula- arquitetura dos espaços urbanos como expressão
mentação dos usos e da ocupação do solo e ao tra- e vontade dos processos de organização social. In-
çado das vias (Ferrari, 2004). teração direta do urbanista e da administração
municipal com os grupos sociais em ação nos cen-

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tros e núcleos de bairro com a elaboração de pro- ficas sobre o setor considerado, como no caso do
jetos de reestruturação física de curto prazo em desdobramento do plano em nível regional (Tin-
atendimento às suas prioridades, e com projetos bergen 1967 apud Holanda, 1975, p. 51).
de renovação ou expansão urbana local baseados 564. PLANEJAMENTO TERRITORIAL: tem como
nas expectativas de desenvolvimento desses gru- objeto “criar, pela organização racional do espaço
pos (Rodrigues, 1986). e a implantação de equipamentos apropriados, as
560. PLANEJAMENTO PAISAGÍSTICO: projeto condições ótimas de valorização da terra e as situ-
da configuração e da gestão dos espaços físicos e ações mais convenientes ao desenvolvimento hu-
naturais em que vivemos, ou seja, dentro do con- mano de seus habitantes (Carta de La Tourrette-
texto do espaço produzido pelo homem (Water- -Thone, 1952). O Planejamento Territorial é uma
man, 2010). criação contínua que se desenvolve no tempo e
561. PLANEJAMENTO PARTICIPATIVO: técni- comporta as seguintes fases: (1) fase de eclosão do
108 cos e comunidade, a população que será alvo da planejamento; (2) fase de análise das necessida-
reorganização espacial debatem e constroem jun- des e inventário das possibilidades, para se che-
tas as propostas para uma intervenção física e gar a um programa, ou plano, de ordenação terri-
espacial. torial. (3) fase de execução, contendo soluções pro-
visórias e definitivas coincidentes ou não, pois o
562. PLANEJAMENTO REGIONAL: planejamento
plano nunca pode ser realizado exatamente como
integrado, estratégico ou setorial de uma região
foi previsto, quer pelas dificuldades surgidas du-
homogênea, polarizada ou problema (Ferrari,
rante a execução, quer pela evolução da conjuntu-
2004).
ra. (4) fase de averiguação dos programas, muitas
563. PLANEJAMENTO SETORIAL: pplanejamen-
vezes esquecida” (Birkholz, 1983, p. 10).
to de uma unidade cuja área é mais restrita em
565. PLANEJAMENTO URBANO: 1. Processo de-
relação ao âmbito de ação e ao grau de detalhe,
cisório por meio do equacionamento de variá-
constituindo-se em desdobramento de uma pro-
veis políticas, para a definição de uma proposta
gramação global que, pela sua natureza parcial,
de trabalho (Rodrigues, 1986). 2. Ordenação das
permite projeções mais detalhadas e precisas à
atividades humanas por meio do zoneamento de
base de coeficientes e informações mais especí-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


uso do solo, da fixação de padrões adequados de tos a realizar para atender às priorizações e suas
densidade demográfica e de distribuição de equi- consequências previsíveis, em particular sobre o
pamentos e serviços comunitários, do controle de desenvolvimento urbano e a localização de ativi-
edificações e de um desenho urbano com conteú- dades e equipamentos. Um plano de circulação re-
do estético (Gonzales, 1993). fere-se unicamente à malha viária. Trata-se com
566. PLANEJAR: “Planejar é decidir antecipada- frequência de planos a médio prazo com previsão
mente o que deve ser feito, ou seja, um plano é de ordenamentos simples (cruzamentos, mão úni-
uma linha de ação preestabelecida” (Newman ca, semáforos tricolores, etc.), que permitem au-
1973 apud Holanda, 1975, p. 36). mentar a eficiência das vias existentes. Compor-
ta, ainda, propostas concernentes aos pedestres
567. PLANEJAR COM DIRETRIZES E ESTRATÉ-
(passeios), ciclovias (pistas circuláveis), estacio-
GIAS: para Del Rio (1990), planejar com diretri-
namentos (regulamentação, tarifas), transportes
zes significa especificar o escopo das formas, os
conceitos do projeto, o vocabulário físico-arquite-
públicos rodoviários (pistas reservadas, restrutu- 109
ração de redes, etc.). Uma política de transportes
tônico e outros fatores básicos para o desenvolvi-
é o conjunto de orientações definidas pelo poder
mento de determinada área. A elaboração de dire-
público segundo estudos de planificação e consul-
trizes de desenho pressupõe a adoção de uma base
ta de usuários. Ela deve ser estreitamente inte-
conceitual e um critério de qualidade, subjetivo,
grada à política de urbanismo (escala urbana) ou
pois nem sempre se baseia em fatos mensuráveis,
à política de planejamento territorial (escala re-
mas o objetivo na busca de compatibilizações e
gional ou nacional) (Sirchal, [20--]).
inter-relações claras. As diretrizes devem com-
portar claramente: objetivos, procedimentos, ele- 569. PLANIFICAÇÃO URBANA: a planificação ur-
mentos de desenho, significados, relações entre si bana é o método de previsão e organização que
e com o contexto (Del Rio, 1990). permite às autoridades públicas orientar e ad-
ministrar o desenvolvimento urbano por meio da
568. PLANIFICAÇÃO DOS TRANSPORTES: es-
elaboração e execução de documentos urbanís-
tabelecimento de programas espaciais e econô-
ticos. Ela se manifesta essencialmente por dois
micos, que determinam demandas previsíveis na
documentos: os planos diretores e os planos de
perspectiva temporal estudada dos investimen-

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ocupação do solo. Esses documentos definem as rando a necessidade de tal expansão, visto que
orientações fundamentais da organização dos os vazios urbanos permitem, em geral, duplicar-
territórios em questão, considerando ao mesmo -se a população de uma cidade, sem que seja ne-
tempo as necessidades de expansão urbana, o cessário recorrer à expansão horizontal (Campos
exercício de atividades agrícolas e a preservação Filho, 1989). 3. Segundo o Estatuto da Cidade,
de sítios e paisagens (Sirchal, [20--]). aprovado em 2001, o Plano Diretor contém as exi-
570. PLANO DE DESLOCAMENTOS URBANOS: gências fundamentais de ordenação da cidade a
elaborado para a área do território incluída no serem cumpridas pela propriedade urbana para
perímetro dos transportes urbanos, ele define os cumprir sua função social, assegurando o aten-
princípios gerais de organização de obras, da cir- dimento das necessidades dos cidadãos quanto à
culação ou do estacionamento. Tem como objeti- qualidade de vida, à justiça social e ao desenvol-
vo uma utilização mais racional do automóvel e vimento das atividades econômicas. O plano dire-
110 garante a boa inserção dos pedestres, veículos tor, aprovado por lei municipal, é o instrumento
de duas rodas e transportes públicos (Sirchal, básico da política de desenvolvimento e expansão
[20--]). urbana; é parte integrante do processo de plane-
jamento municipal, devendo o plano plurianual,
571. PLANO DIRETOR: 1. Instrumento que com-
as diretrizes orçamentárias e o orçamento anual
preende as normas legais e diretrizes técnicas
incorporar as diretrizes e as prioridades nele con-
para o desenvolvimento do município, sob os as-
tidas, devendo englobar o território do município
pectos físico, social, econômico e administrativo
como um todo, e ser revisto a cada dez anos (Bra-
(Bahia, 1997, p. 134). 2. Instrumento orientador
sil, 2001).
dos investimentos em infraestrutura urbana, em
conexão com as densidades obtidas em cálculo 572. PLANO DE MASSA: visão, fachadas ou pers-
por instrumento específico, previstas no zonea- pectivas do conjunto edificado que compõem ou
mento, definindo direções preferenciais de desen- participa ou contextualiza o objeto de estudo, a
volvimento da cidade e distinguindo claramente obra ou projeto referenciado.
a zona rural, de forma que se especifique nessa 573. PLANOS E ESTUDOS URBANÍSTICOS: os
onde deverá ocorrer a expansão urbana, conside- planos e estudos urbanísticos, tanto em nível de

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


planificação quanto de regulamentação, devem 577. PLATAFORMA LOGÍSTICA: área ou superfí-
permitir definir orientações gerais que respon- cie – em várias escalas (municipal, regional, na-
derão às necessidades fundamentais que e apre- cional ou internacional) – equipada e que abriga
sentam no tempo e no espaço. Eles compreendem uma série de infraestruturas que permitem, faci-
principalmente: os planos diretores, que concer- litam e promovem a integração e distribuição da
nem a um conjunto de municípios; os planos de produção, de insumos, de mercadorias e também
ocupação do solo, que concernem a um municí- de informações, contribuindo estrategicamente
pio ou parte dele; os zoneamentos; os documentos para a permeabilidade, o escoamento e o abaste-
antigos: cartografia, plantas, maquetes, perspec- cimento de comunidades e cadeias produtivas em
tivas, cartas postais, fontes impressas, que per- vários níveis.
mitem compreender a lógica da implantação das 578. PÓLIS: cidade, em grego. Na Grécia antiga, a ci-
cidades antigas e sua evolução. dade era a máxima organização social, o Estado
574. PLANTA CADASTRAL URBANA: planta topo- em si (Moreno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002). 111
gráfica, aerofotogramétrica ou imagem de satéli- 579. POLÍTICA URBANA: tem por objetivo ordenar
te planimétrica com representação das vias ur- o pleno desenvolvimento das funções associadas
banas e dos imóveis públicos e privados (Ferrari, à cidade e à propriedade urbana, mediante dire-
2004). trizes gerais (Brasil, 2001).
575. PLANTA GEOMÉTRICA: nos projetos de lotea- 580. POLÍTICAS PÚBLICAS: princípios, diretrizes
mento e arruamento, planta que indica o traçado e objetivos, que norteiam e embasam as ações de
de ruas e calçadas, as divisões dos lotes e de áreas determinada gestão governamental
para equipamentos, as faixas non aedificandi e
581. POLO: trecho privilegiado da cidade onde se con-
as áreas verdes especiais. Usualmente, é feita em
centram transformações qualificadoras e a partir
escala de 1:500 ou 1:1000 (Albernaz; Lima, 2003).
do qual emanam novas ações positivas e cumula-
576. PLATAFORMA: espaço destinado aos passagei- tivas de restituição de qualidades urbanas, que
ros que embarcam ou desembarcam nas estações apresenta delimitação sempre formal (Meyer,
rodoviárias, ferroviárias ou metroviárias (Alber- 1990, p. 28).
naz; Lima, 2003).

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582. POLO REGIONAL: polo de crescimento ou de 587. POPULAÇÃO: conjunto de indivíduos que habi-
desenvolvimento cujo espaço em que se concen- tam um espaço qualquer, considerado do ponto de
tram as atividades polarizantes é uma região vista da demografia. Demografia: (démos, povo;
(Ferrari, 2004). graphein, escrever.) Estudo estatístico dos movi-
583. POLO TECNOLÓGICO: complexo edificado, mentos da população (natalidade, nupcialidade,
área, superfície ou até uma região equipada, em mortalidade, migração, etc.) e da composição por
várias escalas (municipal, regional, nacional ou idade, sexo, profissão, religião, local de nascimen-
internacional) que abriga um centro de tecnolo- to etc. (Sirchal, [20--]).
gia, pesquisa e inovação nas várias áreas do co- 588. POTENCIAL CONSTRUTIVO: área de cons-
nhecimento capazes de promover o desenvolvi- trução computável permitida para um lote pela
mento. legislação urbanística vigente (São Paulo, 2010).
584. POLUIÇÃO VISUAL URBANA: excesso de sím- 589. PRAÇA: na história da arquitetura, encontra-
112 bolos, imagens e propagandas que prejudicam a mos dois atos-chave na tomada de possessão do
fixação da paisagem urbana devido à complexida- entorno: a tendência a marcar um lugar por meio
de de elementos visuais encontrados, principal- de uma grande massa (menir, obelisco, arco do
mente nas grandes metrópoles e nos centros co- triunfo, pirâmide, túmulo) ou o fechamento de
merciais Landim, 2004). Essa configuração acaba um espaço para que fique separado de seus ar-
criando uma poluição visual, uma sobrecarga in- redores, como um lugar particular. O centro tem
formativa que prejudica a leitura urbana. um caráter ideal, abstrato ou simbólico, e o fecha-
585. PONTO NODAL: lugar onde se concentram as mento tem fortes implicações sociais. Esses dois
atividades e a circulação de uma cidade (Wall; elementos, destaque e fechamento, estão relacio-
Waterman, 2012). nados com a origem da praça, um dos principais
elementos do espaço exterior, sendo também con-
586. PONTO FOCAL: elemento edificado ou natural
siderada como um interior aberto (Bustos Rome-
que concentra, direciona ou referencia a paisa-
ro, 2001).
gem natural ou construída, servindo de marco
para a comunidade que o vivencia. 590. PRAÇA DE ARMAS: área geralmente desco-
berta no interior das fortificações destinadas ao

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


exercício ou a revistas militares e à concentração sagem urbana variam de acordo com as técnicas,
das tropas. É também chamada de praça forte modos de produção e ainda de acordo com as rela-
(Albernaz; Lima, 2003). ções sociais e culturais vigentes em cada período.
591. PRESERVAÇÃO: intervenções em defesa do Assim, a cidade e sua paisagem não se apresentam
patrimônio ambiental realizada por meio de con- apenas por seus aspectos formais e construídos,
servação, restauro, adaptação a outra utilização, tais como praças, casas, jardins e avenidas en-
ou seja, reciclagem, revitalização, recuperação ou tre outros, mas é fruto de um contexto social, e
valorização (Ferrari, 2004). caracteriza-se, também, pelas relações de uso e
apropriação dos espaços construídos estabeleci-
592. PROBLEMAS E POTENCIALIDADES DE
dos pelos usuários desse cenário urbano, fazendo
UMA ÁREA OU REGIÃO: utilizado na metodo-
com que se transforme em uma fonte geradora
logia de diagnóstico no planejamento urbano e re-
de estímulos perceptivos para quem a habita
gional. São as etapas desse estudo que apontam
os possíveis problemas (aspectos negativos) de
(Landim, 2004). 113
uma área urbana ou regional e as potencialida- 595. PROJETO DE EXPANSÃO URBANA: proje-
des (os aspectos positivos) de área em estudo. Os tos que partem do pressuposto do crescimento da
problemas levantados também poderão configu- população e do consequente aumento da deman-
rar-se em potencialidades por meio de estratégias do por espaços de uso coletivo ou público em áre-
de planejamento, como a infraestrutura portuá- as centrais, e têm como objetivo a formulação de
ria abandonada de uma cidade, que poderá ser uma proposta de ampliação e organização prévia
convertida em parque náutico, área de lazer ou desses espaços com base em técnicas auxiliares
serviços, etc. de projeções de população e de sua demanda por
espaços residenciais, por reedificação (renovação)
593. PROCESSO DE URBANIZAÇÃO: expansão ou
ou ocupação de vazios internos ou periféricos (ex-
implantação de novas áreas ou de cidades, com
pansão).
a implantação de infraestrutura e equipamentos
coletivos. 596. PROJETO DE REESTRUTURAÇÃO URBA-
NA: projetos com implantação em curto prazo
594. PRODUÇÃO URBANA, DO ESPAÇO OU DO
que têm como objetivo a correção de “disfunções
TERRITÓRIO: a produção e construção da pai-

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urbanas” no espaço físico do cotidiano da vida e Pode-se dizer que pública é a área acessível a to-
do coletivo, nos centros de bairro ou centros ur- dos, a qualquer momento, a responsabilidade por
banos, promovendo a revitalização urbana, com sua manutenção é assumida coletivamente. Pri-
base nas atividades aglutinadoras (formais ou vada é uma área cujo acesso é determinado por
informais) de comércio e serviços, integrando-as um pequeno grupo ou por uma pessoa, que tem
com circulação, lazer e habitação. Beneficiamen- a responsabilidade de mantê-la (Hertzberger,
to dos espaços de uso e domínio público, com re- 1996).
manejamento ou redimensionamento e correção 600. PROGRAMA MONUMENTA: programa em ní-
dos espaços de permanência ou circulação coleti- vel federal, vinculado ao Ministério da Cultura,
va, ou de equipamentos e espaços dos sistemas de que objetiva a melhoria das condições dos sítios
serviços urbanos, por necessidade de novos usos históricos urbanos tombados, incluindo a res-
ou por pressão de maior demanda (Rodrigues, tauração de monumentos, edificações, praças e
114 1986). ruas de valor cultural, além de outras iniciativas
597. PROJETO DE RENOVAÇÃO URBANA: ca- culturais que reforcem a representatividade dos
racteriza-se, basicamente, pela reedificação de centros históricos na memória da coletividade
espaços privados, em geral objetivando seu maior (Bicca, 2010).
aproveitamento físico e econômico, por meio de, 601. PROJETO MONUMENTA: etapa do Programa
verticalização da habitação, conjuntos habitacio- Monumenta, já em sítios urbanos específicos, que
nais, etc. (Rodrigues, 1986). conta com uma unidade de execução de projeto à
598. PROJETO DE REVITALIZAÇÃO URBANA: qual compete implementar o plano de ação para a
projeto que busca uma nova vitalidade para áreas melhoria dos espaços históricos tombados (Bicca,
urbanas deterioradas, tanto em nível econômico, 2010).
quanto funcional, social ou ambiental (Rodrigues, 602. PROJETO FAVELA-BAIRRO: no âmbito da
1986). implantação de novas estratégias de revitaliza-
599. PÚBLICO E PRIVADO: os conceitos de público ção urbana no Rio de Janeiro, a prefeitura, por
e privado podem ser interpretados como a tradu- meio de sua Secretaria da Habitação, promoveu
ção em termos espaciais de coletivo e individual. em maio de 1994 o concurso público Favela-Bair-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


ro. O desafio lançado pelo concurso era grande. da conservação, restauração e valorização desses
Integrar as favelas e a cidade oficial deveria re- (Sirchal, [20--]).
presentar muito mais do que uma integração fí-
sica que permitisse a troca e a convivência har-
mônica (e não mais segregada) entre moradores
de ambos os “lados” da cidade. Integrar deveria
representar um estímulo à interação sociocultu-
ral, que garantisse a preservação das identidades
culturais, dos valores e dos significados dos espa-
ços. Integrar deveria significar atuar de forma a
não impor valores advindos dos padrões culturais
da cidade formal sobre a informal, de maneira a
evitar a exclusão cultural e social de seus mora- 115
dores (Brasileiro et al., 1996).
603. PROGRAMA DE NECESSIDADES: descrição
inicial de um problema de projeto que determina
os parâmetros de acordo com os quais o projetista
deverá trabalhar (Wall; Watermani, 2012).
604. PROTEÇÃO DO ENTORNO: servidão exercida
sobre uma zona próxima a um monumento que
visa manter e melhorar a qualidade da sua ambi-
ência (Sirchal, [20--]).
605. PROTEÇÃO DE MONUMENTOS HISTÓRI-
COS: conjunto de disposições jurídicas, adminis-
trativas e financeiras que permitem situar os mo-
numentos ao abrigo de perigos de todo tipo, em
particular de destruição, e organizar os critérios

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Q
607. QUADRA INTERNA: espaço no interior de um
quarteirão, não ocupado por lotes, constituindo
em geral, uma área de uso coletivo ou público,
muitas vezes com um acesso ao logradouro públi-
co (Albernaz; Lima, 2003).
608. QUARTEIRÃO: espaço frequentemente delimita-
do por ruas, em geral dividido em lotes com acesso
comum, constituindo um dos principais elementos
da estrutura urbana. Sua forma depende do tra-
çado do sistema viário e da topografia do terreno
em que se encontra. Convém que não seja muito
longo, pois dificulta o percurso dos pedestres, nem
muito curto, pois acarreta um aumento dos custos
das redes de infraestrutura e de pavimentação.
Em geral, considera-se adequado o comprimento
de 100m a 120m, pode apresentar quadra interna,
vielas, pátios coletivos ou praças. Também é cha-
mada de quadra (Albernaz; Lima, 2003).
609. QUINCUNCE: disposição de edifícios ou ele-
mentos de forma que tenham distribuição espa-
cial alternada. Os doze prédios que compõem os
606. QUADRA: espaço urbano, delimitado por vias ministérios em Brasília têm uma disposição em
públicas, destinado a construções de usos varia- quincunce (Albernaz; Lima, 2003).
dos. A forma geométrica depende do traçado do 610. QUIOSQUE: pequena construção, em geral or-
sistema viário: se do tipo tabuleiro de xadrez, as namentada e com características pitorescas, si-
quadras serão quadradas; se do tipo grelha, serão tuada em ruas ou praças da cidade. Destinadas
usualmente à venda de jornais, flores, plantas e
retangulares (Ferrari, 2004).
refeições rápidas (Albernaz; Lima, 2003).
R
lidade e de dotação em equipamentos comunitá-
rios, infraestruturas, instalações e espaços livres
de uso público” (Reis Cabrita; Aguiar; Appleton,
1992). 2. Recuperação de serviços específicos do
ecossistema no habitat ou ecossistema degradado
(Adam, 2001).
612. REABILITAÇÃO DE UM EDIFÍCIO: obras
que visam à recuperação e a reintegração física
de uma construção, uma vez resolvidas todas as
anomalias construtivas, funcionais, de higiene e
de segurança acumuladas ao longo dos anos, pro-
movendo a modernização para melhorar o desem-
penho de duas funções, aproximando-a dos atuais
níveis de exigência (Sirchal, [20--]).
613. REABILITAÇÃO URBANA: recuperação e be-
neficiamento geral das áreas urbanas degrada-
das (históricas ou não) nos seus vários aspectos
611. REABILITAÇÃO: 1. “Consiste em uma nova
físico e morfológico, sociocultural e funcional,
política urbana, que procura a requalificação de
constituindo-se como um procedimento e uma
cidades existentes, desenvolvendo estratégias
política de intervenção relativamente inovadora
de intervenção múltiplas, orquestrando um con-
(Reis Cabrita; Aguiar; Appleton, 1997).
junto de ações coerentes e de forma programada,
destinadas a potencializar os valores socioeconô- 614. RECICLAGEM: espécie de preservação que dá
micos, ambientais e funcionais de determinadas ao patrimônio ambiental um novo tipo de utili-
áreas urbanas, com a finalidade de elevar subs- zação; por exemplo: antigas estações ferroviárias
tancialmente a qualidade de vida das popula- são adaptadas para funcionar como museus, cen-
ções residentes, melhorando as condições físicas tros de compras, casas de espetáculo, etc. (Ferra-
do seu parque edificado, os níveis de habitabi- ri, 2004).
615. RECICLAGEM DE RESÍDUOS: conjunto de 619. RECUPERAÇÃO URBANA: processo capaz de
atividades com as quais matérias consideradas recuperar social e economicamente um espaço ur-
resíduos, ou que estão no lixo, são coletadas, se- bano degradado.
paradas e submetidas a processo de transforma- 620. REDES: conjunto de linhas, de vias de comuni-
ção para serem utilizadas como matéria-prima cação, de condutores elétricos, de canalizações,
na manufatura de bens. etc., que servem a uma mesma unidade geográfi-
616. RECINTO URBANO: conceito trabalhado espe- ca (Sirchal, [20--]).
cialmente na área de conforto ambiental urbano, 621. REDES URBANAS: podem referir-se às redes
referindo-se à área urbana em estudo e análise de infraestrutura urbana, como de energia elétri-
para a obtenção de parâmetros de qualidade am- ca, esgoto, telefonia, etc.
biental.
622. REDE VERDE: trata da arborização da cidade,
617. RECONSTRUÇÃO DE UM EDIFÍCIO: todas hoje, já entendida como uma infraestrutura ur-
118 as obras realizadas para refazer total ou parcial- bana, e para tanto, carecendo de planejamento
mente uma construção já existente, no lugar que e projeto para implantação, buscando-se tirar o
ela ocupa, conservando os aspectos essenciais do melhor partido do que as áreas verdes e espécies
traçado original (Sirchal, [20--]). arbóreas podem oferecer para a cidade e seus ci-
618. RECUO: 1. Distância, medida em projeção hori- dadãos.
zontal, entre as partes mais avançadas da edifica- 623. REFORMA: obra que implica em uma ou mais
ção e as divisas do terreno ou lote (PMSP, 2007). das seguintes modificações, com ou sem alteração
2. Incorporação à via pública de faixa de terreno de uso: área edificada, estrutura, compartimen-
pertencente a um lote privado e contíguo à essa tação vertical, volumetria (Lei nº 11.228/1992 -
via. Em geral, tem como finalidade possibilitar o Código de Obras) (São Paulo, 2007).
alargamento de vias ou calçadas previsto em pro-
624. REFORMA URBANA: “solução de problemas
jetos de alinhamento estabelecidos pelos órgãos
urbanos, com destaque para aqueles agravados
municipais competentes (Albernaz; Lima, 2003).
pelo aumento rápido das populações urbanas: ha-
bitação em geral e popular em especial; emprego,

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


principalmente para mão de obra desqualificada; 630. REGIÃO PROGRAMA OU PROBLEMA:
educação em geral; saúde, transporte coletivo, sa- região-plano, que se consiste em uma região de
neamento básico, lazer e outros” (Ferrari, 2004). planejamento previamente delimitada, cujos pro-
625. REFÚGIO: parte da via, devidamente sinaliza- blemas principais já são conhecidos das autori-
da e protegida, destinada ao uso de pedestres du- dades governamentais que estabelecem para ela
rante a travessia da mesma (Brasil, 1997). objetivos econômicos, sociais, administrativos e
físico-territoriais a serem atingidos por um plano
626. REGIÃO: área ou território de caráter contíguo
integrado (Ferrari, 2004)
e perfeitamente localizado, individualizado (Fer-
rari, 2004). 631. REGIÃO METROPOLITANA: 1. Pelo artigo
164 da Constituição da República Federativa do
627. REGIÃO DE INFLUÊNCIA: região sujeita à
Brasil de 1969, região metropolitana é “aquela
dominância de um polo, ou região polarizada por
região estabelecida para a realização de serviços
um polo (Ferrari, 2004).
628. REGIÃO HOMOGÊNEA OU REGIÃO UNI-
comuns, constituídas por municípios, que inde- 119
pendentemente de sua vinculação administrati-
FORME: região de planejamento caracterizada
va, façam parte da mesma comunidade socioeco-
pela presença uniforme de alguns elementos físi-
nômica” (Ferrari, 1977). 2. Regiões constituídas
cos, econômicos e sociais chamados de fatores ou
por agrupamentos de municípios limítrofes e
elementos de homogeneização ou de uniformida-
instituídas por legislação estadual, com vistas ao
de (Ferrari, 2004).
planejamento e à execução de funções públicas
629. REGIÃO POLARIZADA OU NODAL: região de interesse comum. As mais importantes regi-
de planejamento resultante da ação recíproca das ões metropolitanas do país são as de São Paulo,
atividades econômicas e sociais entre um polo de Rio de Janeiro e Belo Horizonte ( Magnoli Mag-
dominância principal e outros de dominância se- noli, 2001).
cundária; de influência resultante de uma forte
632. REGIME URBANÍSTICO: 1. O regime urbanís-
concentração de atividades econômicas existentes
tico constitui-se das normas ou regras relativas à
no polo principal, bastante interdependentes com
densificação, que é a quantidade de pessoas que
as atividades de toda a região (Ferrari, 2004).
vão morar ou trabalhar em cada parte da cidade;

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


às atividades, ou seja, quais os negócios que po- informalmente. As experiências mais compreen-
derão ser instalados; aos dispositivos de controle sivas combinam essas duas dimensões: a jurídica
das edificações, que definem o tamanho e a forma e a urbanística. São ainda poucos os programas
que os prédios podem ter, e ao parcelamento do que têm se proposto a promover a regularização
solo, que define o tamanho dos lotes e os espa- de construções informais (Alfonsin et al., 2002).
ços ocupados pelas futuras ruas, praças e escolas 634. REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA: é o proce-
(Porto Alegre, 1997). 2. O componente principal dimento pelo qual se busca tornar lícita, isto é,
do regime urbanístico é o índice de aproveitamen- amparada pelo direito, à ocupação da terra nos
to, que limita a área de cada edificação em fun- casos em que o acesso àquele bem tenha ocorrido
ção do lote. A ele se agregam outros destinados de modo irregular (Sirchal, [20--]).
a pretensamente, garantir: áreas não edificadas
635. REINTEGRAÇÃO DE FACHADAS: obras
no lote (taxas de ocupação), areação e insolação
de manutenção das fachadas dos imóveis. Todo
120 (afastamentos laterais), áreas para alargamentos
trabalho de reforma da parede de uma fachada,
viários (recuos mínimos) e perfil urbano (gabari-
como raspagem, limpeza de pedra, aplicação de
tos) (Krafta, 1987).
um revestimento ou pintura (Sirchal, [20--]).
633. REGULARIZAÇÃO: programa destinado a en-
636. RELAÇÃO ENTRE CHEIOS VERSUS VA-
frentar o problema do desenvolvimento urbano
ZIOS: em urbanismo, o estudo de uma determi-
informal, para atender o direito social dos ocu-
nada área da cidade, em que são analisados a
pantes de assentamentos informais à moradia. O
relação e o diálogo existente entre as áreas aber-
termo regularização tem sido usado com sentidos
tas ou não construídas e as áreas edificadas. Os
diferentes, referindo-se em muitos casos tão-so-
vazios podem sugerir permeabilidade e possibili-
mente aos programas de urbanização das áreas
dades de conexão, enquanto os cheios podem sig-
informais, principalmente com a implementação
nificar barreiras, limites ou permanências.
de infraestrutura urbana e prestação de serviços
637. RELAÇÕES DO DESENHO URBANO:
públicos. Em outros casos, o termo é usado para
se referir exclusivamente às políticas de legali- a) com o ambiente natural: trata do relaciona-
zação fundiária das áreas e dos lotes ocupados mento da cidade com o meio ambiente, quer

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


em nível de poluição ou das técnicas construti- Eppinghaus, é dessa relação que surge o ESPA-
vas, que, geralmente, estão em confronto com a ÇO SEMIPÚBLICO, uma apropriação do espaço
natureza. Na cidade, são praticadas agressões público pelo uso privado, buscando interação so-
contra o sistema ecológico, a boa climatização, cial, comercial ou até de segurança (Eppinghaus,
a correta drenagem e o bom relacionamento 2004).
com o sítio; 639. RELATÓRIO DE IMPACTO AMBIENTAL
b) com a arquitetura existente: reflexo do próprio (RIMA): exigência pública e governamental de
desenvolvimento da arquitetura brasileira, que estudo de impacto ambiental a ser causado em
só recentemente desperta para a importância função de uma intervenção urbana ou da cons-
do contexto construído na conformação do novo trução de infraestruturas sobre o meio ambiente
objetivo a inserir. Ainda é comum a promoção urbano ou natural. O resultado do estudo e da
de arquitetura independentes do conjunto pre- análise dos impactos ambientais decorrentes da
existente, cada novo prédio tentando ser um obra resultante do projeto de intervenção urbana 121
novo e sensacional objeto de arte, o que resulta ou construção de uma infraestrutura é apresen-
em desrespeito a nossa história e em intensos tado na forma de relatório e encaminhado aos ór-
conflitos tipológicos, culturais e, às vezes, até gãos competentes para avaliação.
mesmo funcionais;
640. REMANESCENTES: fragmentos da cobertura
c) com a morfologia urbana: respeitar as lógicas so-
vegetal original de uma região que ainda per-
cioespaciais preexistentes em uma determinada
manece em meio a áreas com vegetação alterada
morfologia, buscando lidar com modos de vida de
pela ação humana.
comunidades e suas reflexões no urbano.
641. REMEMBRAMENTO: reagrupamento de dois
638. RELAÇÃO ENTRE PÚBLICO VERSUS PRI-
ou mais lotes contíguos para formação de um úni-
VADO: 1. Em urbanismo, análise do espaço ur-
co lote maior. A construção de um prédio de apar-
bano onde ocorre a interface social entre os es-
tamentos muitas vezes exige o remembramento
paços privados (as residências e edificações) e as
de dois ou mais lotes anteriormente ocupados por
áreas de uso público, especialmente as vias, os
casas unifamiliares (Albernaz; Lima, 2003).
passeios, os largos e as praças. 2. De acordo com

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


642. REMEMBRAMENTO DE LOTE: é a união de 645. REORDENAMENTO: redistribuição de ele-
dois ou mais terrenos, oriundos de parcelamento mentos construtivos e equipamentos de um quar-
aprovado ou regularizado, para formação de no- teirão, de um bairro, de uma cidade, que visa um
vos terrenos, com frente para via oficial já exis- uso mais satisfatório (Sirchal, [20--]).
tente, não implicando na abertura de novas vias 646. REPRESENTAÇÃO: imagem que se substitui
e nem no prolongamento das vias já existentes ou simboliza uma ideia, um conceito ou elemen-
(São Paulo, 2007). tos do mundo físico (Wall; Waterman, 2012).
643. RENOVAÇÃO DE UM EDIFÍCIO: toda obra 647. REQUALIFICAÇÃO URBANA: operações rea-
que consiste em renovar completamente um edi- lizadas em locais que não são usados para a ha-
fício em um lugar já ocupado por construções bitação. Essas operações propõem a esses espa-
(Sirchal, [20--]). ços novas atividades mais adaptadas ao contexto
644. RENOVAÇÃO URBANA: 1. Ação que implica a atual (Sirchal, [20--]).
122 demolição das estruturas morfológicas e tipoló- 648. RESERVAS PARTICULARES DE PATRIMÔ-
gicas existentes numa área urbana degradada e NIO NATURAL (RPPN): áreas particulares
a sua consequente substituição por um novo pa- destinadas, por solicitação e vontade dos proprie-
drão urbano, com novas edificações (construídas tários, à proteção da fauna, da flora e dos recur-
seguindo tipologias arquitetônicas contemporâ- sos naturais em geral, com restrições de uso simi-
neas), atribuindo uma nova estrutura funcional lares às verificadas em unidades de conservação
a essa área. Hoje essas estratégias desenvolvem- de proteção integral (IBGE, 2011).
-se sobre tecidos urbanos degradados aos quais
649. RESTAURO: lançamento de uma operação de
não se reconhece valor como patrimônio arquite-
conservação do patrimônio arquitetônico pode
tônico ou conjunto urbano a preservar (Mendes,
muitas vezes implicar na prática do restauro, ou
2013). 2. Reurbanização de zona deteriorada,
seja, o lançamento de um conjunto de ações al-
de área contígua a obras públicas ou de área de
tamente especializadas, desenvolvidas de modo
transição entre diferentes categorias de uso co-
a recuperar a imagem, a concepção original ou o
mum, como por exemplo, de áreas centrais das
momento áureo na história de um edifício, quan-
grandes cidades.

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


do sua arquitetura teve total coerência. (Vale exemplares raros de uma determinada época ou
(2006) apud Moraes; Quelhas, 2012). ciclo de uma região (Albernaz; Lima, 2003).
650. RESTAURO OU RESTAURAÇÃO: recupe- 654. REVITALIZAÇÃO: 1. Preservação que consiste
ração de edificação tombada ou preservada, de em restituir a vitalidade ao patrimônio ambien-
modo a restituir-lhe as características originais tal que entrou em decadência formal ou funcio-
(São Paulo, 2007). nal. Como só é revitalizável aquilo que é vivo ou
651. RESTAURAÇÃO DE UM EDIFÍCIO: traba- que é formado por seres vivos, não tem sentido
lhos realizados por especialistas que têm como revitalizar um monumento, uma obra de arte.
finalidade a conservação e a consolidação de Por outro lado, são passíveis de revitalização as
uma construção assim como a sua preservação. praças públicas, os centros urbanos deteriorados,
Esse trabalho consiste em resgatar integral ou os parques e as áreas verdes (Ferrari, 2004). 2.
parcialmente a sua concepção original ou os mo- Ação promovida pelos órgãos competentes a fim
mentos mais significativos da sua história (Sir- de readequar o uso e ocupação do solo urbano 123
chal, [20--]). (São Paulo, 2007). 3. Operações desenvolvidas em
áreas urbanas degradadas ou conjuntos arquite-
652. RESTITUIÇÃO: representação, em desenhos ou
tônicos de valor histórico, de modo a relacionar
maquetes, de um monumento ou obra tal e qual
as intervenções pontuais de recuperação dos edi-
existia originalmente. Reconstituição da totalida-
fícios com intervenções pontuais mais gerais de
de ou de uma parte de um monumento ou de uma
apoio à reabilitação das estruturas sociais, econô-
obra com materiais novos, tal como ele existia, de
micas e culturais locais, procurando a consequen-
acordo com testemunhos materiais complemen-
te melhoria da qualidade geral dessas áreas ou
tados por deduções lógicas (Sirchal, [20--]).
conjuntos urbano.
653. RESTOS: edificações ou partes de edificação re-
655. RITMO DAS EDIFICAÇÕES: na paisagem ur-
manescentes de épocas passadas, passíveis de se-
bana ou no conjunto das edificações, ordem obti-
rem consideradas para preservação ou já protegi-
da por meio de repetição alternada de elementos
das por órgão de preservação. Em geral, o termo
diferentes e alinhados, havendo uma direção pre-
é aplicado referido a construções muito antigas,
ferida (Reis, 2002)

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


656. ROTA ACESSÍVEL: de acordo com Cohen e Du- sumos e eliminam-se os resíduos, que se promove
arte (2004), o conceito de rota acessível prevê uma na vida urbana.
continuidade de medidas de acessibilidade a se- 658. RUA COBERTA: intervenção urbana que ocor-
rem adotadas num percurso. Um único obstáculo re com êxito em várias cidades e que consiste no
pode, muitas vezes, invalidar qualquer planeja- cobrimento de uma rua, geralmente em frente ou
mento no qual se queira resolver a acessibilidade. próxima a uma praça, criando um espaço abriga-
Guimarães define rota acessível como a “linha de do das intempéries onde a comunidade pode se
interligação contínua e sistêmica entre os elemen- reunir para feiras, festas, jogos e outros eventos
tos que compõem a acessibilidade, compreenden- sociais.
do espaços externos e internos à edificação e, pelo
659. RUAS DA CIDADANIA: projeto urbano de
menos uma de suas entradas. A rota acessível só
complexos edificados e implantados inicialmente
ocorre quando tais elementos se apresentam de
em bairros periféricos à área central da cidade
124 forma associada” (Duarte; Cohen, 2006).
de Curitiba, que, estruturados em torno de uma
657. RUAS: 1. Ruas e elementos urbanos assemelha- rua interna, tem como objetivo disponibilizar às
dos (avenidas, travessas, ladeiras) são os espaços comunidades, uma série de serviços, qualificação
públicos, abertos, que servem à circulação entre profissional, lazer e assessoria municipal. Essa
dois renques de edificações. Interligam, portan- estratégia possibilita que o cidadão tenha, próxi-
to, as quadras, sendo que o conjunto de vias e mo à sua residência, a presença e o atendimento
quarteirões compõe a malha urbana”. Conforme de suas necessidade e reivindicações sem preci-
a largura, a carga de trânsito que deve suportar sar deslocar-se ao centro da cidade. Em função
e funções específicas, Carlos Nelson classifica da oportunidade da proposta, a mesma ideia tem
e hierarquiza o sistema viário da seguinte for- sido implantada em outras cidades com inúmeras
ma: rodovia, via arterial, via coletora e via local variações, mas sempre com o objetivo de descen-
(SANTOS, 1988). 2. A rua é um espaço público tralizar e diversificar o tecido urbano, evitando
onde ocorrem os eventos cotidianos do homem ur- deslocamentos e facilitando o cotidiano da vida
bano, tais como a circulação, o encontro e a troca urbana.
de informações. É por ela que se abastecem os in-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


660. RUA 24 HORAS: outra ideia de proposição ur-
bana surgida em Curitiba, que trata da criação
e implantação de uma rua que abriga comércio e
serviços ao longo das 24 horas do dia, ou seja, ini-
terruptamente, buscando atender aos cidadãos a
todo o momento. Esa rua pode ser coberta.

125

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


S
662. SANEAMENTO BÁSICO: ato ou efeito de tor-
nar uma área habitável, em condições satisfató-
rias de higiene, com a execução de obras e servi-
ços de água potável e esgoto. A mortalidade in-
fantil está vinculada diretamente às condições do
saneamento básico local (Ferrari, 2004).
663. SARJETA: canal de escoamento das águas plu-
viais principalmente em vias. Comumente situa-
-se junto ao meio-fio. Em geral, é feita de concreto
e pedra. Quando as vias não são pavimentadas,
são necessários cuidados especiais para a sua
execução, pois é comum o aparecimento de sulcos
de erosão (Alabernaz; Lima, 2003).
664. SEDE MUNICIPAL: área urbana onde se en-
contra a sede administrativa do município.
665. SEGREGAÇÃO ESPACIAL OU AMBIEN-
661. SALVAGUARDA: preservação da vida de um TAL: zonas de exclusão, pontos de concentração
monumento, ou conjuntos monumentais, pela de pobreza à semelhança de guetos, ou imensas
manutenção de suas funções de origem ou da regiões nas quais a pobreza é homogeneamente
criação de novas funções do mesmo gênero. disseminada. Para Ermínia Maricato, “a segre-
Entende-se por salvaguarda qualquer medida gação ambiental não é somente uma das faces
de conservação que não implique a intervenção mais importantes da exclusão social, mas parte
direta sobre a obra. Entende-se por salvaguar- ativa e importante dela” (1996, p. 56). Considera-
da a identificação, a proteção, a conservação, a -se como sendo a dificuldade de acesso a serviços
restauração, a reabilitação, a manutenção e a de infraestrutura urbana (transporte precário,
revitalização dos conjuntos históricos ou tradi- saneamento deficiente, drenagem inexistente,
cionais e de seu entorno (Sirchal, [20--]). dificuldade de abastecimento, difícil acesso aos
serviços de saúde, educação e creches, maior ções de apoio, como conjuntos para tratamento de
exposição ocorrências de enchentes e desmoro- água e esgoto, aterros sanitários (Santos, 1988).
namentos, etc.), somando-se menores oportuni- 669. SERVIDÃO: encargo imposto a um terreno ou a
dades de emprego (particularmente do emprego uma edificação de propriedade particular em pro-
formal), menores oportunidades de profissionali- veito de outro terreno ou edificação de dono dife-
zação, maior exposição à violência (marginal ou rente ou de interesse público. Pode dizer respeito
policial), discriminação racial, discriminação con- à passagem de pessoas, veículos, cabos conduto-
tra mulheres e crianças, difícil acesso à justiça, res, tubulação, iluminação e ventilação. O prédio
ao lazer, etc. (1996). ou terreno sujeito à servidão chama-se servien-
666. SEMIÓTICA URBANA: estudo dos signos do te e o que dele se utiliza, dominante (Albernaz;
ambiente urbano por três operações básicas: per- Lima, 2003).
cepção (pesquisa), leitura (análise) e interpreta- 670. SERVIDÃO ADMINISTRATIVA: É o ônus ins-
ção (diagnose), visando, em um processo induti- tituído pelo Poder Público sobre imóvel de pro- 127
vo, a um conhecimento integral e sistemático do priedade alheia – normalmente sobre parte de
ambiente (Ferrari, 2004). –, para assegurar a realização de serviço público
667. SENSORIAMENTO REMOTO: pesquisa e ou preservar bem afetado à utilidade pública. As
análise das condições climáticas, topográficas, faixas de recuo estabelecidas às margens de ro-
pedológicas, etc. da terra mediante a utilização dovias e a instalação de aquedutos em terrenos
de satélites artificiais ou aviões, dotados de equi- particulares para aproveitamento de águas no
pamentos fotográficos especiais (Ferrari, 2004). interesse público são exemplos de servidão admi-
668. SERVIÇOS URBANOS: há vários tipos de servi- nistrativa (Sirchal, [20--]).
ços urbanos, como infraestrutura, que, em geral, 671. SERVIDÃO DE AR E LUZ: servidão adquirida
segue o traçado das vias e pode estar no subsolo pelo proprietário de um prédio para a obtenção
(esgotamento sanitário e pluvial, abastecimento de ventilação e iluminação em terreno vizinho
de água), na superfície (esgotamento sanitário) pertencente a outro dono. Em geral é obtida pela
ou em redes aéreas (telefone e energia elétrica). omissão do proprietário que não reclamou judi-
Recolhimento de lixo e transporte coletivo. Esta-

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cialmente em tempo hábil seus direitos (Alber- tumam oscilar entre 500 ha a 1.000 ha (Ferrari,
naz; Lima, 2003). 2004).
672. SERVIDÃO DE PASSAGEM: servidão adquiri- 675. SETORES/BAIRROS: os bairros são regiões
da por um terreno ou prédio para passagem usu- médias ou grandes da cidade, concebidos como
almente de pessoas por terreno ou edificação per- extensão bidimensional. São reconhecíveis por
tencente a outro dono. É o tipo de servidão mais apresentarem características comuns que os
comum, decorrente muitas vezes de desmembra- identificam (LYNCH 1997
mento de um lote ocupado por vários domicílios, 676. SETORES PROTEGIDOS: são geralmente as
como é o caso de vilas e avenidas, que causou o cidades históricas, os centros antigos marcados
impedimento de acesso à via pública. Em geral por uma longa história urbana, os tecidos urba-
é encerrada com o remembramento dos terrenos nos excepcionais. São áreas urbanas que apre-
(Albernaz; Lima, 2003). sentam uma tipologia variada tanto em porte
128 673. SERVIDÃO PÚBLICA: servidão de uso imposta quanto em morfologia: núcleos urbanos, centros
pela administração pública à propriedade parti- urbanos, antigas aldeias, bairros. Na França,
cular a fim de realizar e manter obras e serviços existem, hoje, 91 setores salvaguardados que co-
públicos ou de utilidade pública, Em geral é feita brem mais de 5.000 hectares de bairros históricos
para a passagem de cabos condutores de energia e onde vivem mais de 800.000 habitantes. A po-
elétrica, fios telegráficos ou canalização. É tam- lícia de setores salvaguardados tem por objetivo
bém chamada de servidão administrativa (Alber- a conservação, a restauração e a valorização do
naz; Lima, 2003). conjunto do patrimônio urbano (Sirchal, [20--]).
674. SETOR URBANO: uma parte da cidade. Para 677. SHOPPING CENTER: edificação de grande
Ferrari (2004), segundo o escalonamento das par- porte, de uso exclusivamente comercial. Contem-
tes constitutivas da zona urbanizada (compreen- poraneamente, essas edificações, que inicialmen-
dendo a zona de expansão urbana) proposto pelos te tinham suas lojas comerciais voltadas para
urbanistas norte-americanos, é a área que englo- áreas internas cobertas, estão se diversificando.
ba, dentro de si, as unidades de vizinhança e as Surgem pequenas ruas internas com serviços
unidades de residência. As áreas dos setores cos- básicos, e em alguns casos, as edificações já se

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


abrem para as ruas do entorno, integrando-se meradas. Ou como uma rede de empresas de uma
também a prédios executivos e às residências. mesma atividade ou de uma especialidade que co-
678. SHOPPING MALL: conjunto comercial geral- operam em determinado território (Veiga, 2003).
mente voltado para via pública ou ao espaço aber- 682. SÍTIO: configuração própria a um lugar ocupado
to projeto, com iluminação e ventilação natural pelo estabelecimento humano. Obra combinada
podendo contar com recursos de paisagismo. do homem e da natureza, parcialmente constru-
679. SÍNTESE: o processo de reunir a análise do sítio ída e constituída de um espaço suficientemente
e os conceitos de arquitetura propostos para ofe- característico e homogêneo para ser objeto de
recer soluções de projeto para os problemas apre- uma delimitação topográfica, notável por seu in-
sentados pelo programa de necessidades (Water- teresse histórico, arqueológico, artístico, científi-
man, 2010). co, social ou tecnológico. Lugar notável, seja por
caracterizar-se em uma intervenção particular ao
680. SISTEMA VIÁRIO URBANO: elemento arti-
culador das atividades que ocorrem na cidade e
homem, seja ao contrário, por uma ausência total 129
de intervenção, suscetível de ser protegido em ra-
um foco constante de conflitos. Esses conflitos são
zão de seu interesse (Sirchal, [20--]).
inevitáveis, o que se constata ao analisar as fun-
ções que as vias desempenham: a) circulação de 683. SÍTIO FÍSICO: caráter do lugar, modelo fisio-
pedestres e veículos; b) acesso às edificações; c) gráfico e estrutura urbana. Personalidade e sin-
lazer e convívio social; d) estacionamento; e) co- gularidade da paisagem e de seus usuários por
mércio local (feiras, bancas etc.); f) implantação meio de uma apreensão mais sensitiva do que
de redes públicas de infraestrutura (água, esgoto, técnica, croquis interpretativos do lugar, perspec-
etc.); g) implantação de equipamentos diversos tivas da ambiência urbana.
(orelhões, caixas de correio, etc.) (Moretti, 1997, 684. SÍTIO INSCRITO: são suscetíveis de serem ins-
p. 59) critos os sítios que, sem apresentar um valor ou
681. SISTEMAS PRODUTIVOS LOCAIS (SPL): uma fragilidade tal que justifique o seu tomba-
pode ser definido como um conjunto de unidades mento, apresentem interesse que a sua evolução
produtivas tecnicamente independentes, econo- seja acompanhada de perto. Podem pedir a pro-
micamente organizadas e territorialmente aglo- teção de um sítio, tanto o seu proprietário como

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qualquer pessoa física ou jurídica: administração 689. SOCALCO: 1. em terrenos de encosta, cada um
pública, particulares, associação e também o Es- dos aterros nivelados, sustentados por muros de
tado ou a comissão departamental de sítios (Sir- arrimo, dispostos espaçados formando degraus.
chal, [20--]). 2. Em terrenos inclinados, aterro nivelado, cons-
685. SÍTIO NATURAL: sítio reconhecido pela beleza tituído por terra ou outro material, apoiado em
de sua paisagem ou do ponto de vista da conser- muro de arrimo que forma a base da construção.
vação da natureza (Sirchal, [20--]). Também é chamado de calço (Albernaz; Lima,
2003).
686. SÍTIO TOMBADO, SÍTIO CLASSIFICADO
(NA FRANÇA): o tombamento de um sítio é re- 690. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA (SEM):
conhecido por decreto ministerial após um estudo sociedade anônima que agrupa pessoas jurídicas
administrativo e acordo ou não oposição dos pro- de direito público e pessoas físicas e jurídicas de
prietários e parecer da comissão departamental direito privado que visa assumir a administração
130 dos sítios. Assim que um sítio é tombado, todos de serviços públicos de caráter industrial ou co-
os projetos suscetíveis de modificar o estado do mercial ou a realização de operações de interesse
sítio necessitam de autorização especial emitida geral (sobretudo operações urbanas). Mecanismo
em nível de ministério, após o parecer da comis- de gestão, ágil e eficaz para levar a bom termo
são departamental dos sítios e, para as obras de ações junto a numerosos intervenientes de diver-
impacto, da comissão superior de sítios (Sirchal, sos setores, que necessita de uma estreita cola-
[20--]). boração ente entidades públicas e privadas. Na
França: atores fundamentais do urbanismo e co-
687. SÍTIO URBANO: sítio onde foi construído um
laboradores privilegiados de administrações mu-
conjunto urbano considerado notável (Sirchal,
nicipais, as sociedades de economia mista (SEM)
[20--]).
oferecem aos municípios a vantagem das socieda-
688. SMOG: vocábulo composto de smoke (fumo) e
des anônimas de direito comercial. Elas não estão
fogs (neblina), neblina de fumo. É o smog, resul-
submetidas às regras do direito público, sujeitas
tante da poluição ambiental (Adam, 2001)
a restrições frequentes, permitem evitar um au-
mento excessivo de funcionários públicos, garan-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


tem uma abertura aos capitais externos, tanto obras e serviços de infraestrutura e ocupado por
públicos quanto privados (Sirchal, [20--]). população de alta renda (Ferrari, 2004).
691. SOLO CRIADO: instituto que permite a verti- 695. SUMIDOURO: poço destinado a receber despe-
calização condicionada, desvinculando o direito jos líquidos domiciliares, especialmente os extra-
de construir do direito de propriedade, cujo coe- vasados das fossas sépticas, para serem infiltra-
ficiente de aproveitamento de aproxima de uma dos em solo absorventes (Bahia, 1997, p. 134).
vez a área do terreno (Cesar Júnior, 1998). 696. SUPERQUADRA: espaço com ampla superfí-
692. SOLO PERMEÁVEL: solo com cobertura vege- cie delimitado por vias, destinado predominan-
tal rica e porosa com umidade permanente, gran- temente ao uso residencial. Foi concebida pelo
de diversidade de raízes (policultura), muita ma- movimento modernista em substituição à qua-
téria orgânica, intensa atividade biológica e que dra tradicional. Possui cerca de 200 m x 200 m a
permite a permeabilidade da água e do ar (São 400 m x 400 m. Em geral, as vias que a delimi-
Paulo, 2007). tam são de tráfego rápido e de passagem. Inter- 131
693. STORYBOARD: técnica usada por cineastas e namente possui vias para pedestres e ruas de
artistas de desenhos animados para explicar nar- veículos apenas de acesso aos prédios. Foi adota-
rativas ou histórias como uma série de imagens da em Brasília, DF. Nessa cidade, obedece a dois
ou quadros. É um recurso de planejamento bas- princípios: ocupação por blocos residenciais sobre
tante útil para arquitetos que desejam sequen- pilotis com gabarito máximo de seis pavimentos e
ciar a ideia ou o conceito de uma edificação, pois separação do trânsito de veículos e de pedestres.
permite a apresentação visual dos espaços proje- 697. SUSTENTABILIDADE: a doutrina ou a garan-
tados ou um passeio através deles (Farelly, 2010). tia de que o projeto, a construção e a ocupação
694. SUBÚRBIO: em redor ou nas cercanias da ci- estejam em equilíbrio completo com seu contex-
dade. Parte da zona urbanizada de uma cidade to total, incluindo as considerações ambientais,
situada em sua periferia. Nos países pobres, o su- sociológicas, culturais e econômicas. A autossu-
búrbio é habitado por população de baixa renda, ficiência, tanto individual como da comunidade,
ao contrário do que acontece nos ricos, em que costumam estar no cerne da sustentabilidade
o subúrbio é dotado de todos os equipamentos, (Waterman, 2010).

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T
as águas correntes. Algumas vezes, no talvegue,
corre um curso de água (Albernaz; Lima, 2003).
701. TAXA DE OCUPAÇÃO (TO): indica a percen-
tagem de área horizontal de terrenos urbanos
passível de ser ocupada, segundo a legislação em
vigor em uma cidade, e que determinará a área
que deve permanecer livre de construção nesses
mesmos terrenos (Acioly; Davidson, 1998, p. 88).
702. TAXA DE PERMEABILIZAÇÃO (TP): índice
de proporção relativo à área da parcela (terreno)
que deve ser aplicado para a preservação de uma
superfície suficientemente permeável em solo ur-
bano para o escoamento de água pluvial. Parâ-
metro urbanístico que determina a área mínima
698. TALUDE: inclinação de um terreno ou de uma
obrigatória descoberta, permeável e dotada de
superfície sólida, desviada angularmente em
vegetação dentro de um terreno a ser edificado,
relação ao plano vertical que contém o seu pé
permitido pela Lei de Uso e Ocupação do Solo de
(Bahia, 1997, p. 134).
uma cidade. A área permeável mínima é dada
699. TALUDE NATURAL: 1. Talude cuja inclinação pela multiplicação da área do terreno pela taxa
é o máximo que a natureza do solo permite para de permeabilização (TP) (Sirchal, [20--]).
não haver deslizamento espontâneo de terra. 2.
703. TECIDO URBANO: organização espacial e dis-
Talude formado em aterro, cuja terra é deixada
posição do habitat e de atividades em uma cida-
acomodar-se naturalmente sem obras de con-
de; distribuição de cidades em um determinado
solidadas ou muros de arrimo (Albernaz; Lima,
território (Sirchal, [20--]).
2003).
704. TECNOLOGIA: conjunto sistêmico de todos os
700. TALVEGUE: linha de maior declive de uma de-
conhecimentos empregados na produção, distri-
pressão em terrenos. Na sua direção se dirigem
buição e utilização dos bens e serviços, bem como
na solução dos problemas da natureza (clima, são indispensáveis os terraplenos, aterros, cortes
solo, vegetação, água ou minérios) e da socieda- e taludes (Albernaz; Lima, 2003).
de (saúde, educação, habitação, lazer, transporte, 709. TERRAS DEVOLUTAS: que não tem registro car-
trabalho, etc.), objetivando melhorar o nível de torial e são consideradas de propriedade pública.
vida do homem (Ferrari, 2004)
710. TERREIRO: 1. Terreno plano e largo situado
705. TECNÓPOLIS: empreendimento urbano que junto ao prédio, frequentemente nos seus fundos.
une, num mesmo espaço empresas de alta tecno- Usualmente, o termo é utilizado referindo-se a
logia com centros de instrução universitária e pes- prédios antigos de maior porte ou situados em pe-
quisa (Moreno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002). quenas localidades ou povoados. 2. Em algumas
706. TERMINAL INTERMODAL: estação viária de regiões, pequeno largo formado ao longo de rua
transbordo que abriga e recebe várias modalida- ou estrada onde em geral se encontram árvores
des de meios de transporte, como o veículo par- ou edificações de comércio ou serviços, proporcio-
ticular, o ônibus urbano, o ônibus interurbano, o nando (Albernaz; Lima, 2003). 133
trem e o metrô. Nesse local, que necessita de um 711. TERRENO: área que foi definida para o uso ou
complexo sistema de infraestrutura, os passagei- a intervenção humana (Wall; Waterman, 2010).
ros podem trocar de modalidade de transporte
712. TERRITÓRIO: “O território é uma materialida-
conforme seu destino.
de terrestre que abriga o patrimônio natural de
707. TERMINAL URBANO: estação viária onde co- um país, suas estruturas de produção e os espaços
meça ou encerra o percurso urbano de uma de- de reprodução da sociedade (lato sensu). É nele
terminada modalidade de transporte, geralmente que se alocam as fontes e os estoques de recursos
dos ônibus. naturais disponíveis para uma dada sociedade e
708. TERRAPLENAGEM: conjunto de operações de também os recursos ambientais existentes” (Mo-
escavação transporte, depósito compactação e raes, 2003, p. 44).
consolidação de terras, necessárias à preparação 713. TESTADA OU FRENTE: linha que separa o
de um terreno para a construção. Pode ser feita logradouro público da propriedade particular
para regularização de terreno ou para a constru- (Bahia, 1997, p. 134). Distância medida entre di-
ção dos alicerces do prédio. Em terraplenagem, visas lindeiras segundo a linha que separa o lo-
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gradouro de propriedade privada e que coincide vinculação dos bens ao patrimônio é feita tendo
com o alinhamento (Passo Fundo, 1996). em vista seu interesse público, por sua relação
714. TIPOLOGIA EDILÍCIA: forma predominante com fatos memoráveis da história ou seu valor
do espaço construído de uma parte da cidade ou excepcional arqueológico, etnográfico, bibliográfi-
setor urbano. co, artístico ou paisagístico. Os bens sujeitos ao
tombamento estão submetidos a regulamentos e
715. TIPOLOGIA HABITACIONAL: tipologia habi-
fiscalização feitos pelos órgãos responsáveis. Não
tacional é a questão singular. Aborda o estudo e a
podem ser destruídos, demolidos, mutilados, re-
análise da unidade edificada, o aspecto formal do
parados, pintados ou restaurados sem prévia au-
edifício, mas que é predominante no conjunto da
torização. Do mesmo modo, alterações no seu en-
massa construída, como a forma, altura, ocupação
torno frequentemente dependem de autorização
do lote, aberturas, materiais construtivos, orna-
pelos órgãos competentes, de modo a não impedir
mento, relação do espaço público e do privado, etc.
ou reduzir sua visibilidade ou desvirtuar seu con-
134 716. TIPOLOGIAS: formas urbanas ou edilícias pre-
junto. Os bens são considerados parte integrante
dominantes num determinado espaço da cidade
do patrimônio histórico e artístico depois de ins-
717. TOMBAMENTO: 1. O município procederá ao critos nos livros de tombo do pregão que procedeu
tombamento total ou parcial de bens móveis e ao seu tombamento. Bens submetidos ao tomba-
imóveis, de propriedade pública ou particular mento são ditos tombar. Fazer uso do tombamen-
existentes em seu território que, pelo seu valor to é chamado tombar (Albernaz; Lima, 2003).
cultural, histórico, artístico, arquitetônico, docu-
718. TOPOGRAFIA: estudo da configuração física de
mental, bibliográfico, paleográfico, urbanístico,
um terreno para representá-lo graficamente. Em
museográfico, toponímico, ecológico e hídrico, fi-
geral restringe-se a uma área aproximada de 55
cam sob a especial proteção do poder público mu-
km2. O técnico responsável pela topografia é cha-
nicipal (São Paulo, 2007). 2. Instrumento norma-
mado topógrafo (Albernaz; Lima, 2003).
tivo destinado à preservação de bens imóveis e
719. TRAÇADO URBANO: 1. Planta da cidade, em
móveis considerados patrimônio histórico, artísti-
escala ou não, significativamente representada
co e cultural, utilizado por órgãos governamentais
pelo seu sistema viário e os espaços delimitados
de preservação federal, estadual ou municipal. A
pelas vias. Os traçados podem ser espontâneos,

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


naturais ou planejados. De conformidade com a roviário, ferroviário, hidroviário ou rodoviário)
disposição das vias, o traçado pode ser regular, ir- (Ferrari, 2004).
regular, tabuleiro de xadrez, grelha ou grade, ra- 724. TRAVESSA: rua estreita transversal a duas ou-
dioconcêntrico, linear e misto. O mesmo que ma- tras ruas de maior largura (Albernaz; Lima, 2003).
lha urbana (Ferrari, 2004). 2. É o desenho geral da
725. TRÓLEBUS: ônibus movido à eletricidade. Tra-
cidade, resultante da disposição de vias públicas
ta-se de um sistema de transporte coletivo que
e de outros logradouros, é composto de elementos
não polui e tem custo de manutenção reduzido
como pontes, viadutos, arcos, etc. (PMSP, 2007).
(Ferrari, 2004).
720. TRÁFEGO: tráfego diz respeito aos sistemas ou
726. TURISMO ECOLÓGICO: percurso, viagem ou
modelos de escoamento geral e quantitativo de
visitação a áreas protegidas, sob o princípio da
veículos sem destinação modal de locomoção (Ro-
ecologia, da preservação do meio ambiente e da
drigues, 1986).
sustentabilidade.
721. TRÂNSITO: ação da passagem de pedestres,
727. TURISMO RURAL: percurso, viagem, visitação 135
animais e veículos de qualquer natureza por vias
e estadia em áreas rurais ou agrícolas. A hospe-
terrestres, aquáticas e aéreas abertas à circula-
dagem é feita, geralmente, em casas de fazenda,
ção pública (Ferrari, 2004).
onde é oferecido como atrativo a lida campeira,
722. TRANSPORTE URBANO: entende-se por as atividades realizadas nas cozinhas da casa-
transporte urbano todos os meios e modalidades -grande, o trato com animais e a paisagem natu-
públicas e privadas utilizadas para a circulação ral; cultivos e lidas agrícolas.
de pessoas e cargas dentro do espaço da cidade,
728. TURISMO URBANO: percurso, viagem, visita-
estando aí incluídos os deslocamentos dos pedes-
ção e estadia em cidades, cujo atrativo pode ser o
tres. ABNT: deslocamento de pessoas, animais e
patrimônio histórico construído, a vida cultural,
cargas de qualquer natureza, em trajetória gené-
os museus, a visão da paisagem natural vincu-
rica, por qualquer veículo (Gelpi, 1993).
lada à área urbana, a vida noturna agitada, com
723. TRANSPORTE INTERMODAL OU MULTI- shows, boates, bares e cafés.
MODAL: transporte que utiliza na realização da
viagem, de dois ou mais modos de transporte (ae-

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U
econômicos. Parte das unidades de conservação
de uso sustentável é formada por áreas que não
pertencem ao poder público, são as áreas de pro-
teção ambiental (APAs), e há restrições apenas
quanto às atividades que podem ser nelas pra-
ticadas. Ver também categorias de unidades de
conservação (Fepam, 2003).
731. UNIDADE DE VIZINHANÇA: 1. Para Mattos
(1952 apud Gonzalez, 1993), unidades de vizi-
nhança são conjuntos residenciais dimensionados
por critérios de densidade demográfica relaciona-
dos com a população em idade escolar, que per-
729. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (UCs): são mitiria o funcionamento de uma escola primaria.
porções do ambiente de domínio público ou pri- A população total da unidade de vizinhança cor-
vado, legalmente instituídas pelo poder público, responde também às condições necessárias para
destinadas à preservação ou conservação como re- o funcionamento de outros equipamentos comu-
ferencial do respectivo ambiente (Fepam, 2003). nitários, comércio de uso diário, administração
730. UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DE USO pública local, etc. 2. Critério utilizado no urbanis-
SUSTENTÁVEL: área que tem como objetivo mo para divisão de grupos de prédios residenciais
disciplinar o processo de ocupação das terras e em áreas da cidade. Corresponde a um conjunto
promover a proteção dos recursos bióticos (fau- de residências, geralmente de 4.000 a 6.000 ha-
na e flora) e abióticos (água, solo, clima e relevo), bitantes, em função da quantidade de alunos que
assegurando a qualidade de vida das populações a escola primária de uma determinada unidade
locais e o uso sustentável dos recursos naturais, pode suportar. Abrange uma área aproximada
de forma planejada, regulamentada e racional, de 65 ha, considerada a distância possível de ser
preferencialmente por populações tradicionais, percorrida a pé por uma criança com segurança
mas também por empresas ou por outros agentes e conforto para atingir sua escola primária. Re-
comenda-se que a área ocupada pela unidade de por todos e para todos os cidadãos; reconhecer
vizinhança seja cortada apenas por vias de tráfe- que a cultura que o produziu, seja na diversidade
go de circulação limitada. Áreas verdes e de la- morfológica, seja na unidade espacial; valorizar a
zer são desejáveis no seu interior. Além da escola cidade existente, evitando sua destruição, ocorri-
primária é adequado que contenha um pequeno da por meio da importação de modelos urbanísti-
centro comercial, um centro social e algumas cre- cos, pelo abandono ou pela falta de manutenção;
ches. Seus princípios foram elaborados em 1924 significa ampliar as possibilidades democráticas
pelo urbanista norte-americano Clarence Perry e pela oportunidade de convívio entre as diferenças,
adotados pelo movimento modernista (Albernaz; o que é possível com tolerância, reconhecimento
Lima, 2003). dos direitos próprios e alheios, pela afirmação do
732. UNIDADE HABITACIONAL: uma edificação qualitativo e do heterogêneo (Magalhães, 2002).
ou parte dela originalmente destinada ao uso ha- 736. URBANISMO: 1. “Estudo sistemático e interdis-
bitacional e dimensionada para o uso de uma úni- ciplinar da cidade e da questão urbana, e que in- 137
ca família (Acioly;Davidson, 1998, p. 88). clui o conjunto de medidas técnicas, administra-
733. UNIDADE RESIDENCIAL AUTÔNOMA: con- tivas, econômicas e sociais necessárias ao desen-
junto de dependências constituindo habitação volvimento racional e humano delas” (Ferreira,
distinta, com, ao menos um compartimento prin- 1986, p. 1741). 2. Ciência voltada para organiza-
cipal e um banheiro (Passo Fundo, 1996). ção, construção e remodelação do espaço urbano.
Envolve diversas disciplinas, como legislação ur-
734. URBAN SPRAWL: jargão em inglês que define
banística, desenho urbano, engenharia de trans-
um tipo de urbanização dispersa, uma caracterís-
porte e de infraestrutura. Em geral, exige um tra-
tica das cidades americanas; urbanização basea-
balho de equipe interdisciplinar. É aplicado tanto
da na expansão suburbana e com vazios urbanos
em nível macro, de uma cidade ou região, quanto
intermediários, baixas densidades, crescimento
em nível micro, de um bairro da cidade, ou mes-
horizontal da mancha urbana (Acioly; Davidson,
mo de um loteamento. Usualmente, os projetos
1998).
de urbanismo são executados por órgãos governa-
735. URBANICIDADE: princípio que significa man-
ter público o espaço urbano, garantir o seu uso

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mentais. O técnico especializado em urbanismo segundo as normas e padrões oficiais vigentes
é chamado de urbanista (Albernaz; Lima, 2003). nas leis de zoneamento e códigos de obra (Acioly;
737. URBANISMO PAISAGÍSTICO: teoria do urba- Davidson, 1998).
nismo no qual a paisagem é priorizada em rela- 742. URBANIZAÇÃO INFORMAL: processo de de-
ção à arquitetura das edificações como elemento senvolvimento urbano que ocorre fora dos pa-
organizador básico da forma urbana (Wall; Wa- drões e normas urbanísticos e de construção vi-
terman, 2012). gentes nas leis e regulamentações oficiais, fora
738. URBANIZAÇÃO: “Conjunto de trabalhos ne- do controle do governo local, sem um estatuto
cessários para dotar uma área de infraestrutura jurídico legal e segundo uma lógica e mecanismos
(água, esgoto, gás, eletricidade) e/ou de serviços variados de acesso e ocupação da terra. Muitos
urbanos (transportes, educação, saúde)” (Ferrei- denominam de urbanização espontânea (Acioly;
ra, 1986, p. 1741). Davidson, 1998).
138 739. URBANIZAÇÃO CONSORCIADA: a urbani- 743. USO DESCONFORME: construção em desacor-
zação consorciada será utilizada em empreendi- do com o uso e a ocupação permitida pela lei de
mentos conjuntos de iniciativa privada e dos po- zoneamento para a zona em que se situa o imóvel
deres públicos federal, estadual e municipal, sob (Ferrari, 2004).
a coordenação desse último, visando à integração 744. USO DO SOLO: “Trata basicamente de tipos de
e à divisão de competências e recursos para a exe- funções e intensidades de utilização do solo e das
cução de projetos comuns (Souza, 2003). edificações; busca uma variedade e mistura de
740. URBANIZAÇÃO DE FAVELAS: por meio de funções compatíveis entre si e a mais intensa uti-
um planejamento adequado e participativo, do- lização possível 24 horas por dia, com densidades
tação de infraestrutura básica como arruamento, compatíveis, a fim de gerar uma área urbana com
água e luz em áreas de invasão ou de loteamentos a maior vitalidade possível, postura totalmente
espontâneos. diversa daquela preconizada pelo Movimento
Moderno” (Del Rio, 1990, p. 107).
741. URBANIZAÇÃO FORMAL: processo de desen-
volvimento urbano e ocupação do solo que se dá 745. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO:
distribuição no espaço urbano (zona urbana e de

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


expansão urbana) dos diferentes tipos de uso, pú- 747. USO DE LAZER: o lazer é entendido como um
blico e privado, gerados pelas diferentes funções conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode
humanas de residir, trabalhar, recrear, circular, entregar-se de livre e espontânea vontade, seja
enfim, das funções que asseguram a efetiva rea- para repousar, se divertir, se entreter e recrear, ou
lização da boa vida humana na cidade. Os tipos ainda para desenvolver sua formação, sua parti-
de uso do solo são residencial, comercial, indus- cipação social voluntária ou sua livre capacidade.
trial, institucional e de circulação. Cada um deles O lazer acontece no tempo livre dos indivíduos,
ocupa o solo diferentemente, motivo pelo qual a tempo restante após as obrigações profissionais e
expressão vem sempre com sua complementação sociais (Silva, 2009).
ocupação do solo urbano (Ferrari, 2004). 748. USO DE SERVIÇOS: a categoria uso de servi-
746. USO COMERCIAL: a categoria uso comercial ços compreende quatro subcategorias: a) serviços
compreende três subcategorias: a) comércio de profissionais: serviços prestados por profissio-
âmbito local: comércio exclusivamente varejista, nais de nível universitário ou técnico, de forma 139
de produtos de consumo diretamente relaciona- autônoma ou associativa, em estabelecimentos
dos ao uso residencial, podendo ser de comércio específicos ou na própria residência; b) serviço
local básico e de comércio local ocasional; b) co- de âmbito local: serviços direta e exclusivamente
mércio em geral: comércio exclusivamente vare- relacionados ao uso residencial, podendo ser de
jista, de produtos diversos, podendo ser comércio serviços pessoais e domiciliares, serviços de edu-
ocasional, comércio de materiais em geral, comér- cação informal, serviços de reparação e conser-
cio de produtos perigosos; c)comércio atacadista: vação e condomínios habitacionais com serviços
comércio exclusivamente atacadista ou atacadis- próprios de hotelaria; c) serviços em geral: ser-
ta e varejista simultaneamente, podendo ser de viços diversos podendo ser serviços administrati-
comércio de produtos alimentícios, de comércio vos, financeiros e empresariais, serviços pessoais
de produtos de pequeno ou médio porte, de co- e de saúde, serviços de hotelaria, serviços de la-
mércio de produtos de grande porte, de comércio zer e de diversão, serviços de instrução esportiva
de produtos perigosos e de comércio de produtos e de preparação física, serviços de estúdios, la-
agropecuários e extrativos (Campinas, 2011). boratório e oficinas técnicas, serviços de repara-

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ção e conservação em geral, serviços de aluguel e 750. USO MISTO: variedade de usos do solo dentro
distribuição de bens móveis, serviços de guarda de uma edificação ou área. A combinação de mo-
de bens móveis e serviços de oficina; d) serviços radias, escritórios e lojas em um bairro é conside-
especiais: serviços incompatíveis, por sua natu- rada um uso misto (Wall; Waterman, 2012).
reza, com o uso residencial, podendo ser serviços 751. USO PÚBLICO VERSUS USO PRIVADO: no
de manutenção de frotas e garagens de empre- espaço urbano, as relações que se estabelecem
sas de transportes, serviços de armazenagens e entre a população na apropriação dos espaços pú-
depósitos, serviços de motéis e estabelecimentos blicos e dos espaços privados. Os espaços semipú-
congêneres (Campinas, 2011). blicos ou semiprivados surgem dessa apropriação
749. USO INDUSTRIAL: categoria que compreende ou dos conflitos criados por essas interfaces.
quatro subcategorias: a) indústrias não incômo- 752. USO RESIDENCIAL: uso preferencial ou pre-
das: indústrias cujos processos e resíduos não dominante para residências.
140 ocasionam poluição ambiental em níveis incom-
753. USO TOLERADO: é um uso desconforme do solo
patíveis com outros usos do solo urbano; b) in-
urbano, que por sua anterioridade à lei de zonea-
dústrias incômodas: indústrias cujos processos e
mento, deve ser tolerado, embora com algumas li-
resíduos ocasionam poluição ambiental em níveis
mitações urbanísticas referentes à manutenção ou
que requerem maior controle de sua localização;
preservação do ambiente (Ferrari, 2004).
c) indústrias especiais: indústrias cujos proces-
754. USINA DE RECICLAGEM: instalação apro-
sos e resíduos ocasionam poluição em níveis al-
priada para a separação e a recuperação de ma-
tamente prejudiciais ao meio ambiente, devendo
teriais usados e descartados presentes no lixo, e
localizar-se, preferencialmente, em distritos pró-
que podem ser transformados e reutilizados (Bra-
prios; d) distritos industriais: conjunto de indús-
sil, 2010)
trias preferencialmente agrupadas em função de
características comuns, podendo ser distritos de
indústrias não incômodas, incômodas e especiais
(Campinas, 2011).

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


V
terra cultivada ou pelo menos cultivável (Ferrari,
2004).
757. VAZIOS URBANOS: 1. O imóvel é a especula-
ção, a estocagem de terras é realizada na expec-
tativa de maiores ganhos com a venda do terreno.
A retenção de terras remete principalmente às
necessidades de garantir espaço para a expansão
das atividades da incorporação. 2. Para Souza
(2003, p. 264), os vazios urbanos são terras urba-
nas ociosas, normalmente mantidas desocupadas
como reserva de valor.
758. VERTICALIZAÇÃO: processo de construção ver-
tical dos edifícios, podendo ser em áreas de expan-
são ou de renovação urbana, em que prédios de ha-
bitações unifamiliares dão lugar, por substituição,
a prédios em altura, habitacionais, comerciais, de
serviço ou ainda de uso misto.
759. VIAS: 1. “[...] as vias são os canais de circulação
755. VALORIZAÇÃO: conjunto de ações que inte- ao longo dos quais o observador se locomove de
ressam a um monumento, um conjunto monu- modo habitual, ocasional ou potencial. Podem ser
mental, um objeto de arte, uma paisagem e que ruas, alamedas, linhas de trânsito, canais, fer-
visem tornar perceptíveis suas qualidades sem rovias” (Lynch, 1997, p. 52). 2. Classificação das
modificá-los (Sirchal, [20--]). vias: arterial, coletora, de contorno, de pedestre,
de serviço, de trânsito rápido, distribuidora, ex-
756. VÁRZEA: terra baixa, plana, muito úmida e
pressa, lateral, local, marginal, preferencial, ru-
fértil, situada junto aos cursos d’água e águas
ral e urbana (Ferrari, 2004).
dormentes. Por sua fertilidade, quase sempre é
760. VIA ARTERIAL: via com volume de tráfego, trico para minimizar conflitos entre a circulação
destinada ao trânsito de passagem, podendo de pedestres e de veículos, considerando-se velo-
eventualmente, servir ao trânsito local. As vias cidades de até 40 km/hora (Moretti, 1997).
arteriais devem ser dimensionadas para atender 764. VIA DE CONTORNO: via urbana ou rural, que
à demanda futura de viagens, possuindo uma permite desviar o trânsito de veículos de uma
ou duas pistas, com faixas carroçáveis múltiplas dada área e retornar à diretriz anterior de deslo-
(Ferrari, 2004). camento (Ferrari, 2004).
761. VIA ARTERIAL: aquela caracterizada por in- 765. VIA DE PEDESTRE: via urbana ou trecho des-
terseções em nível, geralmente controlada por tinado exclusivamente à circulação de pedestres
semáforo, com acessibilidade aos lotes lindeiros e separado do trânsito de veículos motorizados.
e às vias secundárias e locais, possibilitando o A via de pedestres pode ser ou não contígua às
trânsito entre regiões da cidade, de acordo com o faixas carroçáveis, caso sejam adjacentes, devem
142 Código de Trânsito Brasileiro. ser separadas por seguros canteiros laterais ou
762. VIAS CLASSIFICADAS: conjunto das vias elementos de proteção (Ferrari, 2004). 2. Suas
classificadas como TR (trânsito rápido), arteriais funções principais são o acesso de pedestres às
ou coletoras. edificações, o lazer e o convívio social e a implan-
763. VIA COLETORA: via destinada a coletar e a tação das redes de infraestrutura. Não se prevê o
distribuir o trânsito que necessita entrar e sair acesso de veículos de passeio e caminhões. Podem
das vias de trânsito rápido ou arterial, possibi- ser executadas na forma de escadaria (MORET-
litando o trânsito dentro das regiões da cidade, TI, 1997).
de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro 766. VIAS DE SERVIÇO: o mesmo que via lateral ou
(Brasil, 1997). 2. Vias em que é maior o volume marginal.
de veículos e a velocidade de circulação e podem 767. VIA DE TRÂNSITO RÁPIDO: aquela caracte-
constituir ligação viária com outras partes do te- rizada por acessos especiais de trânsito livre, sem
cido urbano, embora o tráfego seja predominante- interseções em nível, sem acessibilidade direta
mente local. Podem ter tráfego de ônibus. Nessas aos lotes lindeiros e sem travessia de pedestres
vias são necessários cuidados no projeto geomé- em nível, de acordo com o Código de Trânsito Bra-

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


sileiro. 2. Via urbana ou rural do mais elevado acesso aos lotes lindeiros e limita o número de
nível de serviço, compreendendo duas ou mais acessos à via principal. O mesmo que via margi-
pistas, de múltiplas faixas carroçáveis cada uma, nal e via de serviço (Ferrari, 2004).
com canteiros ou dispositivos de separação entre 773. VIAS LOCAIS: incluem-se nas suas funções a
as pistas. É bloqueada ao acesso direto de pro- circulação regular de veículos (passeios e cami-
priedades lindeiras, permitindo entrada ou saída nhões), de caráter essencialmente local, a circula-
de veículos por adequadas faixas de aceleração e ção de pedestres, o lazer, a implantação de redes
desaceleração. Autopista (Ferrari, 2004). de infraestrutura. Torna-se necessário garantir
768. VIA DISTRIBUIDORA: via urbana secundária, baixo volume de tráfego e baixa velocidade dos
cuja função é permitir a circulação de veículos veículos (cerca de 20 km/hora). São vias que po-
das vias principais para as locais ou de acesso. dem ter pista de rolamento estreita, porém neces-
Via coletora (Ferrari, 2004). sariamente dimensionada para a circulação dos
769. VIAS E ÁREAS DE PEDESTRES: vias ou con- caminhões de serviços. Devem ter conformação 143
juntos de vias destinadas à circulação prioritárias geométrica que permita prever com segurança
de pedestres, de acordo com o Código de Trânsito que não constituirão futura ligação viária e es-
Brasileiro. coamento de tráfego de passagem. Preferencial-
mente, deve ser possível identificar o número má-
770. VIAS ESTRUTURAIS: conjunto das vias classi-
ximo de unidades habitacionais atendidas pela
ficadas como TR e arteriais, que formam o siste-
via (Moretti, 1997).
ma viário estrutural de um município.
774. VIAS MISTAS: apresentam as mesmas funções
771. VIA EXPRESSA: via de trânsito rápido. É blo-
da via de pedestres, embora admitam exceptio-
queada aos acessos diretos e permite a entrada
nalmente o acesso dos veículos de passeio às edifi-
ou a saída de veículos de 500 em 500 metros ou
cações e, apenas em casos eventuais ou emergen-
mais, por faixas de aceleração e de desaceleração,
ciais, a entrada de caminhões. As vias devem ter
tendo as intersecções em desnível (Ferrari, 2004).
pequena extensão e atender a número reduzido
772. VIA LATERAL: via local adjacente a uma prin-
de unidades habitacionais. Tem características
cipal, quase sempre paralela a ela, que permite
semelhantes às de um calçadão (Moretti, 1997).

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775. VIA PÚBLICA: o mesmo que logradouro público 780. VILA: 1. Aldeia, pequena localidade, em geral pe-
(Bahia, 1997). riférica. No passado, mais comumente utilizada
776. VIA RURAL: vias situadas na zona rural, dentro para designar sede de uma grande propriedade
do mesmo município, ou ligando diversos municí- rural. Também sinônimo de pequeno conjunto de
pios ou estados entre si (interurbanas/, interes- casas (Moreno; Abdala Júnior; Alexandre, 2002).
taduais) ou mesmo na zona urbana, mas com um 2. Conjunto de casas enfileiradas voltadas para
prolongamento de uma via rural e de jurisdição rua ou pátio particular. Em geral, suas unidades
estadual ou federal. O mesmo que estrada (Fer- residenciais ocupam um lote de igual dimensão e,
rari, 2004). quando de sua construção, possuíam as mesmas
características formais (Albernaz; Lima, 2003).
777. VIABILIDADE: caráter daquilo que é factível,
realizável, levando em consideração as possibili- 781. VILAS INDUSTRIAIS: conjuntos habitacionais
dades técnicas e comerciais. Estudo de viabilida- construídos junto às fábricas para os operários
144 de, relatório de viabilidade: estudo que determina graduados das indústrias.
a rentabilidade e a possibilidade de realização de 782. VILA OLÍMPICA: complexo edificado destinado
um projeto industrial ou técnico (Sirchal, [20--]). às atividades esportivas e a hospedagem dos atle-
778. VIADUTO: estrutura ou obra de arte que liga, tas, organizado em função de um evento esporti-
sob o aspecto viário, duas vertentes de um vale ou vo. As vilas olímpicas salientaram-se em função
depressão do terreno, ou ainda que permite que dos jogos olímpicos mundiais, mas o conceito e a
duas ou mais vias se interceptem em desnível, proposta têm sido adotados por várias cidades
evitando pontos de conflito (Ferrari, 2004). para organizar e implantar módulos esportivos.
779. VIGILÂNCIA NATURAL: frequentemente cha- 783. VILAS OPERÁRIAS: conjunto arquitetônico
mada “os olhos na rua”, a vigilância natural con- construído principalmente por casas de padrão
siste na otimização da presença humana e da vi- modesto, construídas para operários de um de-
sibilidade a fim de melhorar a segurança pública terminado estabelecimento fabril ou para classes
(Wall; Waterman, 2012). trabalhadoras. Muitas vezes possui, além das
unidades residenciais, prédios destinados a servi-
ços comunitários, como creche, armazém e igreja.

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


Surgiu em finais do século XIX, frequentemente 787. VIZINHANÇA: proximidade de moradias sus-
construídas por proprietários de indústrias para cetíveis de criar elos de interesses comuns. Um
permitir fácil acesso às fábricas e maior contro- grupo de vizinhança é um grupo formado de indi-
le dos operários. Em geral, sua construção era víduos em que as relações e os contatos se devem
incentivada e regulamentada pelo governo, cujo à proximidade espacial, e, às vezes, à conscienti-
interesse estava voltado para a moral e a higiene zação da existência de interesses comuns que os
da habitação (Albernaz; Lima, 2003). aproxima (Sirchal, [20--]).
784. VISÃO SERIAL: “Percurso, de um extremo ao 788. VOCAÇÃO DA ÁREA: áreas da cidade ou de
outro da planta, e que revela uma sucessão de lotes urbanos que apresentam uma predestina-
pontos de vista para o caminhante. A progressão ção de uso, ou seja, que já apresentam inclinação
uniforme do andarilho vai sendo pontuada por para uma determinada função, podendo ser em
uma série de contrastes súbitos que tem grande razão de sua proximidade com algumas áreas que
impacto visual e dão vida ao percurso” (Culllen, já desempenham funções específicas como educa- 145
2006, p. 19). ção, lazer, comércio, etc. Nesses casos, em projeto
785. VISUALIDADES: qualidade visual urbana, que urbano, o projetista deverá procurar atender a
se expressa tanto em termos de vistas panorâ- essas questões, evitando propor usos incompatí-
micas e turísticas quanto de corredores visuais veis com aqueles pré-existentes.
no próprio tecido urbano, como o jogo urbano dos 789. VOLUME: um espaço individual na paisagem,
cheios e vazios, da percepção dos espaços abertos como um navio, tem volume. Já o volume na ar-
e das vistas e panoramas, facilitando a conforma- quitetura paisagística é definido e contido pelos
ção da imagem da cidade (Del Rio, 1990). planos de espaço – o plano do solo, o plano de co-
786. VITALIDADE URBANA: áreas da cidade que bertura e o plano vertical (ou, simplesmente, ver-
sustentam grande movimentação de pessoas e ticais) (Waterman, 2010).
veículos, com apropriação do lugar em função do 790. VOLUMETRIA: o conjunto das dimensões que
uso e da vivência. O uso misto do solo favorece determinam o volume de uma edificação ou de
a vitalidade urbana, evitando zonas monofuncio- um grupo de edificações (São Paulo, 2007).
nais e áreas vazias ou sem anima urbana.

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W
791. WATERFRONT: termo em inglês, que geral-
mente denomina uma área urbana edificada ou
grupo de edificações em frente ou junto ao mar ou
a um curso d’água.
792. WETLANDS: termo em inglês que significa alaga-
dos construídos que recebem águas pluviais e pro-
movem a retenção e a remoção de contaminantes,
por filtragem da poluição (Herzog, 2013, p. 158).
Z
794. ZONA DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO
ARQUITETÔNICO, URBANÍSTICO E PAI-
SAGÍSTICO (ZPPAUP): a criação de zonas de
proteção do patrimônio arquitetônico e urbano
traz à coletividade local a possibilidade, baseada
no voluntariado e em associação com o Estado, de
definir um perímetro dentro do qual se aplicam
regras negociadas. Elas permitem, de um lado,
administrar o conjunto do tecido urbano e, de ou-
tro, conciliar a proteção do trançado antigo com
as adaptações necessárias às demandas contem-
porâneas. O resultado é um tecido urbano vivo,
em que evita-se o perigo da evolução em direção
a uma cidade museu, onde o custo de gestão é ne-
cessariamente muito alto e a desapropriação por
seus habitantes é um risco. Esse procedimento
pode ser estendido à paisagem com o desenvolvi-
mento de estudos sobre a paisagem como entida-
793. ZONA DE PROTEÇÃO: zona do território, e de cultural e econômica, instrumentos de análise
mais particularmente, parte de uma cidade com e metodologias de ação (Sirchal, [20--]).
características arquitetônicas, espaciais e urba-
795. ZONAS ESPECIAIS DE INTERESSE SO-
nísticas, testemunhos de seu desenvolvimento
CIAL (ZEIS) OU ÁREAS DE ESPECIAL
urbano, contribuindo para sua identidade, com
INTERESSE SOCIAL (AEIS): são porções do
uma forte caracterização que permite diferenciar
território destinadas, prioritariamente, à recupe-
esse setor do resto da cidade. Área caracterizada:
ração urbanística, à regularização fundiária e à
setor de uma cidade de grande unidade arquite- produção de habitações de interesse social para
tônica e urbana (Sirchal, [20--]).
o mercado popular, incluindo a recuperação de
imóveis degradados, a provisão de equipamentos utilização do solo, como gabaritos, afastamentos
sociais e culturais, espaços públicos e serviços de e coeficientes de aproveitamento.
caráter local (São Paulo, 2004). 798. ZONEAMENTO URBANO: instrumento utili-
796. ZONA TAMPÃO: zona de amortecimento ou de zado pelo planejamento urbano para dividir a ci-
transição; uma área de proteção; uma zona de dade em setores ou zonas diferenciadas. Em geral
transição entre áreas manejadas com diferentes é estabelecido em planos urbanísticos ou outros
objetivos (Adam, 2001). regulamentos municipais. Especifica primordial-
797. ZONEAMENTO: “Divisão racional de uma área mente os usos reservados para cada setor. Sendo
em setores sujeitos a normas específicas para o assim, comumente a denominação de cada zona
desenvolvimento de certas atividades, para a refere-se à finalidade a que se destina, por exem-
conservação do meio ambiente, ou para a pre- plo, zona comercial e zona residencial. Podem ser
servação de patrimônio cultural etc.” (Ferreira, utilizados outros critérios, além do uso, na dis-
148 1986, p. 1.486). 2. Descrições de índices e códigos tinção entre zonas, como ambiente natural e cul-
urbanísticos, bem como os estudos de uso do solo tural. Na legislação urbanística, usualmente de-
e transporte e dos movimentos sociais urbanos termina, além do uso, condições para edificação,
(Turkienicz, 1987). A técnica convencional de zo- como número de pavimentos máximo e índice de
neamento gira em torno da separação de usos e aproveitamento do terreno permitido (Albernaz;
densidades, que pode adquirir um caráter funcio- Lima, 2003).
nalista, ou rígido, ou um caráter mais includente, 799. ZONEAMENTO AMBIENTAL: divisão de um
ou de prioridades, dentre outros, de acordo com o território em zonas, objetivando a preservação e
enfoque de planejamento adotado (Souza, 2003). recuperação do equilíbrio ecológico do meio am-
Del Rio (1990) entende que os zoneamentos são os biente, pela fixação dos usos mais adequados do
mais populares instrumentos para o controle do solo para cada zona e declaração dos usos descon-
desenvolvimento urbano e na sua essência dizem formes ou não permissíveis em cada uma delas
respeito aos tipos de usos permitidos, sua organi- ou em todo o território. O mesmo que zoneamento
zação por zonas e sua distribuição espacial; mui- ecológico (Ferrari, 2004).
tas vezes incluem alguns parâmetros máximos de

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


800. ZONEAMENTO DE INCENTIVOS: o zonea- informais não classificadas no setor econômico.
mento de incentivos prescreve uma negociação O uso do solo pode ser classificado da seguinte
entre o empreendedor e o poder público, que per- maneira: a) habitação; b) comércio; c) serviços; d)
mite exceder os limites estabelecidos pela regula- circulação; e) recreação; f) indústria; g) preserva-
mentação urbanística em troca de algum tipo de ção; h) misto. Para Ferrari (2004), ainda podemos
amenidade pública (Del Rio, 1990). citar as zonas de deterioração, estacionamento,
801. ZONEAMENTO DO USO DO SOLO: classifica- expansão urbana, origem/destino, de proteção sa-
ção ou registro dos tipos de atividades humanas nitária, de trânsito, institucional, rural e urbana.
em função da grande diversidade de atividades a) habitação: áreas urbanas destinadas prepon-
urbanas, com o objetivo de facilitar a compreen- derantemente para uso habitacional; b) comércio:
são, a análise, o projeto e o desenho urbano. Para áreas destinadas, preponderantemente, para as
Kaiser et al. (1995) “[...] é um método sistemático atividades comerciais, varejistas e de prestação
de agrupamento de categorias afins, de uso com de serviços; c) serviçosáreas urbanas destinadas 149
objetivos e propósitos predeterminados, e a codi- preponderantemente para a prestação de ser-
ficação como um método sistemático de registro viços; d) circulação: áreas urbanas destinadas
de uso do solo de acordo com estes propósitos”. preponderantemente para a circulação viária ou
Para os autores, a necessidade de um sistema co- peatonal; e) recreação: áreas urbanas destinadas
mum de classificação de uso do solo reside em: preponderantemente para as atividades de recre-
a) facilitar a imediata identificação por parte de ação e lazer; f) indústria: área urbana destinada
usuários e participantes; b) permitir fácil comuni- preponderantemente, para o uso industrial; g)
cação e troca de experiências entre profissionais; preservação: áreas urbanas destinadas à preser-
c) possibilitar estudos comparativos e investiga- vação de determinado uso, atividade ou ambien-
ções permanentes; d) permitir atualização perió- te, como a preservação ambiental, ecológica, ou
dica. Ressalta-se que tal classificação de usos não de patrimônio construído; h) mista: áreas urba-
deve se constituir em esquema rígido, principal- nas que permitem o uso misto, a mescla de usos
mente em países em desenvolvimento, onde há que sejam compatíveis entre si, como habitação,
um grande e diversificado número de atividades comércio diário, indústrias leves, etc.; i) deterio-

Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil


ração: espaços urbanos com múltiplos usos e im- praças, bosques, jardins, etc.) das instituições so-
plantados de maneira desordenada, edificações ciais: escolas, templos, hospitais, centros despor-
adaptadas e obsoletas, vias de baixa fluidez e tivos, etc.; p) rural e urbana: zona rural é a área
equipamentos urbanos deficitários, geralmente do município situada fora do perímetro urbano
habitados por população de baixa renda, desem- legalmente constituído; a zona urbana, sob o as-
pregados e mendigos; j) estacionamento: espaço pecto político-administrativo municipal, é aquela
destinado pela autoridade de trânsito compe- situada dentro dos perímetros urbanos da cidade,
tente à permanência de veículo imobilizado, por sede e dos distritos, instituídos por lei municipal
tempo limitado ou indeterminado, em logradouro (Kaiser et al., 1995).
público; k) expansão urbana: zona urbanizada ou 802. ZONEAMENTO MONOFUNCIONAL: zonea-
urbanizável que forma um continuum com zona mento de áreas urbanas que permitem apenas um
urbana e declarada, por lei municipal, com o de tipo de uso do solo.
150 expansão urbana, ou seja, como espaço reserva-
do à futura expansão de perímetro urbano; l) ori-
gem/destino: o mesmo que zona de trânsito; m)
proteção sanitária: faixa de terreno situada en-
tre as zonas industrial e residencial, não habita-
da por pessoas e animais, inteiramente coberta
por vegetação densa e de grande porte, resistente
aos gases, à fumaça e à poeira, e que impede a
propagação de ruídos, luzes ofuscantes e outros
poluentes das indústrias para as residências,
protegendo-as; n) trânsito: cada uma das áreas
delimitadas preferencialmente por vias que jun-
tas abrangem a área de estudo de tráfego; o) ins-
titucional: espaço urbano ocupado, predominan-
temente, pelos equipamentos materiais (edifícios,

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


Siglas

AC: Área construída


AEIS: Áreas de especial interesse social
APA: Área de proteção ambiental
APM: Automated people movers
APO: Avaliação pós-ocupação no Brasil
APPs: Áreas de preservação permanente
ARIE: Área de relevante interesse ecológico
BID: Banco Interamericano de Desenvolvimento
CA: Coeficiente de aproveitamento
CAD: Computer-aided design
CAU: Conselho de Arquitetura e Urbanismo
CETESB: Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental
CIAM: Congrès International d’Architecture Moderne (Congresso Internacional de Arquitetura Moderna)
CINVA: Centro Interamericano de Vivenda e Planejamento
COMPRESP: Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo
CONAMA: Conselho Nacional do Meio Ambiente
CONFEA: Conselho Federal de Engenharia e Agronomia
EIAs: Estudos de impactos ambientais
EIV: Estudo de impacto de vizinhança
EMURB: Empresa Municipal de Obras e Urbanização
FEPAM: Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler
FLONA: Estação ecológica, Floresta nacional

152 FUNAI: Fundação Nacional do Índio


GIS: Geographic information system (Sistema de informação geográfica)
SuDS: Sustainable rban drainage systems (Sistemas de drenagem urbana sustentável)
IA: Índice de aproveitamento
IAT: Índice de aproveitamento do terreno
IAV: Índice de áreas verdes
IBGE: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ICOMOS: Conselho Internacional de Monumentos e Sítios
IDH: Índice de desenvolvimento humano
IDHM: Índice de desenvolvimento humano municipal
INCRA: Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária
IPHAN: Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
IPTU: Imposto Predial e Territorial Urbano

A cidade comentada: expressões urbanas e glossário em urbanismo


LPUOS: Legislação de arcelamento, uso e ocupação do solo
NIMBYISM: Not in my back yard
ONU: Organização das Nações Unidas
PARNA: Parque nacional
PIB: Produto interno Bbuto
POE: Post-occupancy evaluation (nos Estados Unidos)
PROPUR: Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul
REBIO: Reserva biológica
RESEX: Reserva extrativista
RIMA: Relatório de impactos do meio ambiente
SEHAB: Secretaria de Habitação
153
SEM: Sociedade de economia mista
SPL: Sistemas produtivos locais
TO: Taxa de ocupação
TP: Taxa de permeabilidade
UCs: Unidades de conservação
UFRJ: Universidade Federal do Rio de Janeiro
UNESCO: United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization (Organização das Nações Unidas
para a Educação, a Ciência e a Cultura)
UPF: Universidade de Passo Fundo
VLT: Veículo leve sobre trilhos
ZEIS: Zonas especiais de interesse social
ZPPAUP: Zona de Proteção do patrimônio arquitetônico, urbano e paisagístico
Adriana Gelpi, Rosa Maria Locatelli Kalil
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