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Contagem Regressiva

Série documental em quatro partes:


Remoções – https://www.youtube.com/watch?v=OoblOhnXCyE&t=53s
Controle Urbano – https://www.youtube.com/watch?v=OoblOhnXCyE&t=53s
Zona Portuária – https://www.youtube.com/watch?v=sT6BAbnKD68&t=53s
Mobilidade – https://www.youtube.com/watch?v=qt6kuxTHnJs&t=68s
Melhor Documentário e Melhor Trilha Sonora no Rio WebFest 2016
Realização: Justiça Global e Couro de Rato (2016)

Uma viagem no espaço-tempo


Luiz Alberto Sanz
No curso científico (o atual ensino médio), fui implacavelmente mal em
Física, o que me convenceu a largar os estudos e dedicar-me ao Jornalismo
e às Artes do Espetáculo. Apesar dessa inimizade entre mim e a Ciência,
sempre me fascinaram contos e romances de Ficção Científica, sobretudo
os que difundiam conhecimentos e especulações sobre o espaço-tempo,
viagens temporais ou intergaláticas, “buracos de minhoca” e multiversos.
Com o correr dos anos, pesquisando a linguagem cinematográfica, passei a
compreender os filmes, grosso modo, como representações físicas de fatias
do espaço-tempo, em que as três dimensões visíveis (profundidade, largura
e altura) são comprimidas1 e a quarta, o tempo, assume papel
preponderante. Apesar de ser apenas percebida, é a que permite identificar
ou diferençar dois eventos idênticos que ocorrem no mesmo ponto do
espaço. Segundo uma citação muito repetida de Einstein o tempo é “uma
ilusão. A distinção entre passado, presente e futuro não passa de uma
firme e persistente ilusão”).
Roteirizando CD-Roms educativos, passei a ver hiperlinks de texto,
imagem e vídeo como portais ligando determinados eventos (pontos no
espaço-tempo) com pessoas, personagens e acontecimentos passados e
futuros e/ou universos paralelos2.

Transmutação e distanciamento

A série documental Contagem Regressiva, de Luis Carlos de Alencar, é um


bom exemplo desta minha visão. Não só é uma tetralogia em que eventos e
pessoas de um episódio dialogam com os de outros, paralelos no tempo e
no espaço, mas também abre esses portais para o que já aconteceu ou ainda
1
Nas películas em 3D se produz um simulacro de tridimensionalidade, fundamentalmente para aumentar
o potencial mercadológico de “enlatados” cujas dramaturgias corriqueiras buscam efeitos catárticos com
o fim de bloquear toda possibilidade de o espectador refletir sobre a “realidade” que lhe é oferecida.
2
Antes de continuar: tenho consciência de que não devo ser o primeiro a ver esta relação entre filmes (ou
outros registros em áudio, foto e audiovisual) com o espaço-tempo, mas não conheço ou tenho na
memória texto relevante que me possa servir de referência.
está por vir. Além do mais, o que muito me agrada, o distanciamento de
sua linguagem contribui para que o espectador reflita e construa,
autonomamente, conexões com o tempo e o espaço atuais, retirando ao
filme e aos fatos e pensamentos nele expostos o mero caráter de registros.
E aqui surge outra característica essencial dos registros, sobretudo os
audiovisuais. Adquirem novos propósitos com o tempo, sem perder os
originais. Transmutam-se. Em Dramaturgia da Informação Radiofônica3,
tratei deste fenômeno, que é comum às diferentes linguagens da
Comunicação Social e das Artes Espetaculares, que se comunicarão
[...] sempre no presente, independentemente de emitir reprises,
documentos históricos ou qualquer outro aspecto ligado à memória.
A transmissão e a recepção estarão acontecendo naquele e só
naquele instante. Reprises e retrospectivas trazem de volta ao
presente o acontecido, a coisa feita, a ação agida. (...) só existem
concretamente enquanto estão no ar (...). No momento seguinte serão
lembrança, como no anterior foram expectativa, antecipação.
[Capítulo III – Tempo e Espaço, do real ao imaginário, p63]
O espectador terá uma sensação nova a cada exibição.
Por mais conhecida que uma obra seja, ele perceberá sons e ideias
que não correspondem ao registrado em sua alma e em seu
consciente. Pode frustrar-se ou apaixonar-se ainda mais. Pode
assombrar-se com detalhes que não apreendera da primeira vez. Mas
cada audição será única e atual. Modificam-se as condições de
transmissão e recepção. Não apenas do ponto de vista tecnológico.
Também os tempos psicológico e biológico do ouvinte já não serão os
mesmos, alterando sua receptividade. A ação – uma das três unidades
clássicas (ação, tempo e espaço) – é dos fatores mais importantes que
conduzem a isso. Dialeticamente, modifica a percepção do público e
abre caminho para, numa segunda audição, a descoberta de aspectos
não pressentidos. [idem]
Assim, as malfeitorias de autoridades e ex-governantes e a bravura, clareza
crítica e compreensão da realidade dos resistentes nas lutas que
antecederam os grandes eventos mediáticos e financeiros objeto do filme
podem ser vistas e entendidas no cenário das suas consequências. Mas
também lá está, capturada na sua mente como em um cubo no qual convive
paradoxalmente com ela mesma, a História recente, atual e futura da luta de
classes.
Sem distanciamento não há reflexão. O espectador purga o sofrimento dos
personagens, sofre-o com eles, torna-se vítima dos malfeitores de sempre,
os que oprimem, reprimem. Não é chamado a traçar suas próprias

3
Tese para o concurso de Titular de Jornalismo da UFF escrita em 1993, defendida em 1994 e publicada
pela Editora Gama Filho em setembro de 1999. Fora de catálogo, pode ser encontrada em sebos físicos e
virtuais.
estratégias e táticas. Pode, reconheço, ser incitado a rebelar-se. Mas não se
transmuta, transforma. Segue as regras do jogo. Não as define.
Tenho viajado com e por Contagem Regressiva enquanto escrevo e reflito.
São meus guias suas ferramentas dramatúrgicas: roteiro, diálogos,
fotografia, captação de som, trilha musical e de ruídos, locações, edição e
direção (esta regência própria do fazer cinematográfico). E, como
referências, os saberes, emoções e conhecimentos que formam o mosaico
da minha compreensão do mundo. O que vivi, li, vi e escutei.

Caixa de mudança

Na série me fascinam, sobretudo, os prólogos e epílogos poéticos.


Reforçam belamente as conexões entre os eventos, sequências e episódios.
Desempenham um papel fundamental na construção e consolidação desse
distanciamento que sobressai como a veia principal da dramaturgia do
filme. Porém, Contagem Regressiva é obra de criação coletiva, um
caleidoscópio no qual cada participante, incluindo o espectador, é um
criador. E cada fragmento (planos, ruídos, falas, locação...) é uma unidade
diferenciada que interage com outras em uma unidade de alta
complexidade 4. Não há desarmonia, mas tampouco há pasteurização. Cada
um dos mosaicos que se sucedem no caleidoscópio, assim como cada um
dos fragmentos que os compõem, pode ser recombinado, mas suas partes
essenciais seguirão inseparáveis, pois contêm o todo.
Os versos de Eliane Freitas e a música tema de Mano Teko e MC Lasca
circunscrevem cada episódio, no que seriam, convencionalmente, começo e
fim, mas que, de fato, são aberturas, passagens de e para o tempo atual e
outras narrativas.
— Quanto cabe na caixa de mudança?
Pergunta Elaine Freitas aos 16 segundos de Remoções. Sua voz suave,
serena, amigável, contrasta com as ruínas captadas pelas imagens. A
melancólica música de fundo serve de moldura e ajuda a perceber que aqui
se fala de muitas caixas de mudança, não só das que recolherão
Os passos da primeira infância?
As paredes pintadas com nossas cores preferidas?
O sangue e a dor desta ferida
aberta à força do trator
tentando derrubar a história de conquista da moradia?
Estamos juntos, personagens, espectadores e realizadores, penetrando em
uma caixa tetradimensional que nos mudará, para melhor ou para pior.

4
A quem interessar, recomendo a leitura de Introdução à Teoria das Estranhezas, do filósofo Ued Maluf,
especialmente, às páginas 74 e 75, as definições de unidade de alta complexidade e inseparabilidade.
Logo mais, o funk carioca de Mano Teko e MC Lasca faz uma síntese e
opina sobre o que vem e vai, enquanto corre o clip que introduz os títulos
da série e do episódio:
Contagem regressiva para os jogos
Maior número de corpos
Medalha de caveirão
Recado desse prefeito é claro
Periquito um fracasso da militarização (dá não)
Trocar esse governo muda nada
Genocídio salta alto
Vem bala, vem remoção
Porto maravilha atende a quem?
Sem hoje, amanhã não tem
Sangue nos olhos, pé no chão
Este é, formalmente, o primeiro episódio da série. O que, considero, não
passa de uma convenção. Poderá ser embaralhado com os outros, como
acontece no Youtube, e assistido “fora de ordem”, livre da lógica
aristotélica que condiciona a poética e a dramaturgia a terem princípios,
meios e fins.
O que nos impede de começar pelo quarto episódio e ficar sabendo, com
tristeza, que Elaine Freitas morreu, em 20 de julho de 2016, antes de a
tetralogia ser terminada? De ouvir seus versos finais ditos para a câmera e
senti-los no percurso das próximas três partes dessa nossa história, como
um estímulo à nossas razão e imaginação?
O mundo que a gente nasceu sabendo conquistar
Se reduz ao chão na cidade de exceção:
Ali vai ficar a ruína da casa da qual me empurraram pra fora
A ruína do corpo sem nome ou memória
Da vida no vão pra outra ocupar seu lugar na plataforma.
Mas isso importa?
Com tantos fogos de artifícios pra distrair,
Com tanta convicção vazia para disputas entre bandeiras,
Como quebrar o silêncio ruidoso da celebração com as pedras dessas
ruínas?
Uma voz é fraca pra gritar quando se encontra sozinha.
Só o encontro e o confronto desativam a bomba relógio em contagem
regressiva.
Coletiva, uma nova construção pode ser erguida.
Coletiva, uma nova construção pode ser erguida.
[Elaine Freitas]

Polifonia

O que importa a cronologia, se agora está tudo acontecendo no mesmo


momento e no mesmo lugar? Se vamos encontrar, no percurso,
interlocutores articulados que nos revelam a realidade e os sonhos da
Estradinha, da Favela do Metrô, da Vila Recreio 2, da Vila Harmonia, de
Pedra de Guaratiba, Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Morro do Pinto,
Acari, Alemão, Maré,
Providência, Chapéu, Cantagalo,
Pavão, Babilônia, Jacaré,
Manguinhos, São Carlos:

toda favela sempre sabe,


quando cala ou quando grita,
que a mão a ordenar e enfeitar a cidade
é a mesma mão que engatilha a chacina.
[Elaine Freitas, Controle urbano, prólogo]
Dores e anseios de todos, os negros, pobres e marginalizados da cidade, da
região que a engloba, do estado que faliu junto com o município e do país
que jamais conheceu sequer os preceitos fundamentais da Revolução
Burguesa: Liberdade, Fraternidade e muito menos a Igualdade, quanto
mais os estabelecidos pelo socialista utópico Louis Blanc em 1839: De
cada um conforme seus meios, a cada um conforme suas necessidades.
As falas desses interlocutores formam um coral polifônico em que as
diferenças não são convicções vazias, nem lamúrias, mas sim pedras
dessas ruínas e contribuem para quebrar o silêncio ruidoso que ainda
perdura. São vozes da resistência organizada (essa que muitos juram não
existir), que constroem o futuro, esteja escrito ou não no campo da Física.
Informações e reflexões novas, repetidas, enfatizadas ou renovadas. É
preciso reiterá-las, enquanto existam malfeitos e malfeitorias, enquanto
existam poderosos e seus serviçais:
— O Prefeito pode vir, destruir uma casa, remover os entulhos, mas
não consegue remover a História do coração do morador... (Irmã
Fátima – Estradinha)
— Quanto mais essa cidade é uma cidade-espetáculo, quanto mais
está prevista para megaeventos constantes, mais ela precisa garantir
uma sensação de segurança. (Deley de Acari)
— De verdade, as melhorias que foram prometidas de esporte, lazer e
tal... sinceramente, elas não aconteceram. Fora as tensões que a
gente vive com essa situação que a gente não consegue lidar de uma
forma amigável porque uma das partes não propõe afetividade...
Propõe a repressão, propõe a opressão a todo momento... (Léo Lima
– Jacarezinho)
—... a menor das perdas é a casa. O que você perde é a referência.
Vocês chamam de pertencimento... (sorriso irônico) palavra nova,
né?... (Jorge Santos – Vila Recreio 2)
—... esses jovens também, que estão dentro aqui, que são de
periferia... Como é o deslocamento deles? Não se deslocam... Há um
prejuízo cultural e de integração muito grande... (Leila de Souza
Netto – Pedra de Guaratiba)
— A gentrificação mudou muito a favela. As pessoas não se conhecem
mais. Os negros que habitavam a comunidade, muitos deles saíram.
São os gringos que estão vindo e estão comprando. (Ivanete Aleluia –
Vidigal)
— A mídia comercial sempre diz que a gente é minoria, que a gente
não tem cultura ou que a gente precisa de alguma interferência do
estado. Mas, na verdade, essa interferência do estado é sempre por
meio da segurança pública e a gente sempre defende a ideia de que a
gente é maioria, de que a gente tem cultura e que na verdade eles
precisam controlar a gente porque a gente é revoltado, sim, com a
nossa miséria, com a nossa pobreza, com o tanque de guerra que
extermina a gente, com o caveirão que está exterminando a gente e
com as UPPs que estão acabando com as nossas favelas. (Gizele
Martins – Maré)
—... Minha Casa, Minha Vida é pra quem não tem moradia. A gente
tinha teto, sim, em comunidade, mas tinha. (Francis da Costa –
Favela do Metrô)
— A gente está numa região onde entrou a UPP... Então, a pessoa ser
pobre, preto e favelado... fica complicado... A gente tem que estar
sempre atento, o tempo todo. Ultimamente há tiros de manhã, tarde,
horas em que as crianças estão voltando da escola... (Saulo – Ocupa
Alemão)
— A gente vem sofrendo... mas isso não vai passar... A intenção da
Prefeitura é a Cidade Modelo. Essa cidade que não é pra pobre, não
é pra camelô, não é pra morador de rua... (Maria dos Camelôs)
— Lá vêm eles, os homens brancos! Oferecem teleféricos, planos
inclinados e outros planos... Mas, eu – e a favela – não quero
teleférico! Eles querem o teleférico. Eles querem subir a favela e não
querem se cansar. Mas nossas vós, nossas mães, subiam com lata
d’água na cabeça, lá vai Maria, lá vai Maria! Elas não tinham
Kombi, não tinham carro, muito menos teleférico. Mas tinham a força
de Canudos e da Favela. Lá vêm eles, os homens brancos... (Cosme
Felippsen – Providência)

Visibilidade e harmonia

Há tantas outras pessoas aqui não citadas, mas creditadas ao longo dos
episódios pelos realizadores. Vozes e consciências a quem Contagem
Regressiva dá a respeitosa visibilidade de protagonistas da História, que
lhes é negada pelos meios de comunicação reacionários e pela pequena-
burguesia bem-pensante, essa que se julga dona do saber, mas que não
passa de posseira da verdade de seus dominadores.
Tal respeitosa visibilidade não seria suficiente se fosse apenas intenção,
gentileza, reverência. Pelo contrário, a reverência e a excessiva polidez
podem impedir os documentaristas de irem a fundo na revelação dos fatos
ou no registro dos acontecimentos. Podem retirar do filme (afinal, um
documentário como este é, gostem ou não os cineastas, uma grande
reportagem audiovisual) duas coisas essenciais à dramaturgia: veracidade e
verossimilhança.
Contagem Regressiva não me haveria conquistado apenas pelas intenções e
discursos de seus interlocutores. Em primeiro lugar, essas motivações
precisam ser percebidas e entendidas. Seriam insuficientes as palavras e os
gestos desses interlocutores/entrevistados se não as ouvíssemos e os
víssemos com clareza, se as captações, mesclas e edições de som e imagem
não nos possibilitassem entender cada palavra, olhar os falantes nos olhos,
perscrutar seus gestos, situá-los nos ambientes a que pertencem. Sentir o
prazer de raciocinar ao mesmo tempo em que a ação se desenvolve e
apreender as sutilezas dos gestos, as particularidades de cada cenário. E
sem explicitações, perceber que esta caixa de mudança é libertária. Nada
impõe. Deixa ao espectador a responsabilidade pela sua própria
transmutação..
Quer dizer, aquela respeitosa visibilidade dada aos protagonistas e ao tema
iria por água abaixo se os realizadores do filme não garantissem sua
inteligibilidade, sem abandonar a preocupação com a forma.
Contagem Regressiva é belo, franco, claro; muito bem dirigido,
fotografado, editado, roteirizado e musicado. Se há algo a destacar, é a
harmonia de seu resultado e o espírito libertário que o move. Mas preciso
dizer com todas as letras: ao contrário de grande parte dos filmes e
programas audiovisuais brasileiros a que tenho assistido, maravilhou-me
entender cada palavra dita ou cantada e ouvi-las em comunhão com
imagens tão belas e fortes.

Roteiro e Direção: Luis Carlos de Alencar;


Argumento Original: Justiça Global, Luis Carlos de Alencar e
Marcel Gonnet Wainmayer;
Fotografia e Finalização: Vladimir Seixas;
Produção: Couro de Rato; Realização: Justiça Global e Couro de Rato;
Edição: Ricardo Gomes e Ricardo Moreira;
Poesia Original e declamação: Elaine Freitas;
Música Original: Contagem Regressiva – Mano Teko e Mc Lasca
(Prod. Jorginho Matarazo); Trilha Sonora: Andrigo de Lázaro;
Videografismo: Isac Maia;
Produção Executiva: Vladimir Seixas;
Assistentes de Fotografia e Still: Caroline da Luz e Henrique Gluck ;
Acervo Fotográfico: Luiz Baltar; Acervo Videográfico: Jornal A Nova
Democracia.
Interlocutores:
Irmã Fatima – Estradinha, Jorge Santos, Francicleide Costa, Léo Lima, Gizele
Carolina, Deley De Acari, Vanderley Cunha, Saulo Augusto, Lucas Herminio da
Costa, @Maria dos Camelôs, Ivanete Aleluia, Ângela de Morais, Orlando Santos
Junior, Cosme Felippsen – O Favelado, Roberto Santos Oqg, Renato Cosentino,
Marlon Rocha, Marina Ribeiro, Raphael Gennaro, Flavia Mello, Leila de Souza
Netto, Helen Nzinga, Monique Lima.

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