Você está na página 1de 50

CIÊNCIAS

CONTÁBEIS

TEMA: ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS


Rodovia BR 470, km 71, n° 1.040, Bairro Benedito
Caixa postal n° 191 - CEP: 89.130-000. lndaial-SC
Fone: (0xx47) 3281-9000/3281-9090
Home-page: www.uniasselvi.com.br

Ciências Contábeis
Centro Universitário Leonardo da Vinci

Organização
Valdecir Knuth
Conteudista

Reitor da UNIASSELVI
Prof. Hermínio Kloch

Pró-Reitora de Ensino de Graduação a Distância


Prof.ª Francieli Stano Torres

Pró-Reitor Operacional de Ensino de Graduação a Distância


Prof. Hermínio Kloch

Diagramação e Capa
Júlia Carolina Moser

Revisão:
Harry Wiese

Todos os direitos reservados à Editora Grupo UNIASSELVI - Uma empresa do Grupo UNIASSELVI
Fone/Fax: (47) 3281-9000/ 3281-9090
Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2011.

Proibida a reprodução total ou parcial da obra de acordo com a Lei 9.610/98.


Análise das Demonstrações Contábeis 1

1 INTRODUÇÃO
Olá caro(a) acadêmico(a)!

Na atualidade, as empresas precisam identificar e perceber a sua saúde


econômica e financeira de forma que possam planejar todas as suas ações
de longo prazo. Essa percepção surge como uma forma ou ferramenta de
identificação das necessidades de capital que a empresa venha a necessitar.

E como isso pode ser feito?

Uma das formas pode ser a Análise das Demonstrações Contábeis.

Por quê?

Porque é com o uso desta ferramenta de análise que o gestor ou contador


poderá saber se a empresa possui recursos para pagar seus compromissos em
curto prazo, ou se a empresa depende mais de capital de terceiros do que de
capital próprio, ou ainda, como anda a rentabilidade da empresa, se o lucro
que a empresa apresenta está de acordo com o que os administradores ou
sócios esperam.

Mas, para que tudo isso?

Essa disciplina de Análise das Demonstrações Contábeis é uma peça


fundamental para a gestão financeira da empresa e visa atender em parte as
necessidades de análise de crédito, entre outras coisas.

Então, vamos lá?

2 PRINCIPAIS RELATÓRIOS CONTÁBEIS


2.1 ASPECTOS INICIAIS

Vamos estudar de forma bem simplificada e objetiva o que é uma


ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, para que serve e qual é o
tipo de resultado que pode contribuir para a área de gestão.

Você sabia que é na Contabilidade que estes relatórios são produzidos


e quais são esses tipos de relatórios?

Os principais relatórios contábeis utilizados pelos gestores das empresas


são o Balanço Patrimonial e o Demonstrativo de Resultado do Exercício.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


2 Ciências Contábeis

2.2 O BALANÇO PATRIMONIAL

Você já ouviu falar em Balanço Patrimonial de uma empresa?

O Balanço Patrimonial reflete a posição financeira de uma empresa


em um determinado momento (normalmente no fim de ano). E essa posição
financeira é a fotografia financeira da empresa naquele momento.

Mas, no seu entendimento, o que significa essa “fotografia financeira”?

Tente imaginar que a empresa está realizando seu fechamento anual de


balanço em 31 de dezembro deste ano.

Nesta data, 31 de dezembro, a empresa irá apresentar toda a sua


situação de BENS e DIREITOS (Ativos) e suas obrigações para terceiros (neste
caso, os Passivos), juntamente com os recursos dos sócios representados no
Patrimônio Líquido.

Então, podemos dizer que o termo balanço decorre do equilíbrio


entre Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido (PL). Parte da ideia de uma balança
de dois pratos onde sempre encontramos igualdade, conforme demonstra a
figura a seguir.

FIGURA 1 – DEMONSTRAÇÃO DO BALANÇO PATRIMONIAL

FONTE: Adaptado de: <http://ferrao.org/uploaded_images/balance.jpg>.


Acesso em: 24 maio 2012.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 3

IMPORTANTE
Assim, a expressão patrimonial origina-se do
Patrimônio Global da empresa, que é o conjunto de
bens, direitos e obrigações.

Mas, lembre-se de que o Balanço Patrimonial nos apresenta o saldo das


contas contábeis de um determinado momento.

IMPORTANTE
Observe que a Contabilidade divide o Patrimônio
em três partes distintas:
a) Primeira Parte: ATIVO – o Ativo é a parte
positiva do nosso patrimônio, porque a empresa
possui a posse ou direito de posse do conjunto
de itens que compõem esta estrutura de contas.
Ele é composto pelo conjunto de bens e direitos
(máquinas, equipamentos, duplicatas a receber,
dinheiro em caixa e bancos).
b) Segunda Parte: PASSIVO EXIGÍVEL – o Passivo
Exigível é a parte negativa do nosso patrimônio.
Ele é composto pelo conjunto das obrigações
para com terceiros. O termo exigível significa
que possui vencimento e, portanto, algum dia
alguém poderá cobrá-lo, caso você não o pague.
c) Terceira Parte: PATRIMÔNIO LÍQUIDO –
o Patrimônio Líquido é a parte diferencial
(diferença) entre o Ativo e o Passivo Exigível.
Também podemos chamá-lo de Passivo não
Exigível, pois representa as obrigações para com
os sócios da empresa, sendo que esta não tem
vencimento.

Graficamente, podemos desenhar um Balanço conforme segue:

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


4 Ciências Contábeis

QUADRO 1 – MODELO DE BALANÇO PATRIMONIAL


Balanço Patrimonial - Empresa A

X2 X1 X2 X1

Ativo 33.974.000 26.965.000 Passivo 33.974.000 26.965.000

Ativo Passivo
8.996.000 6.566.000 4.999.000 3.822.000
Circulante Circulante

Disponibilidades 922.000 1.430.000 Fornecedores 2.710.000 1.488.000

Financiamentos
Clientes 1.256.000 1.575.000 1.068.000 423.000
- CP

Estoques 5.055.000 2.535.000 Debêntures 35.000


84.000

Dividendos e
Outros 1.763.000 1.026.000 Juros s/ Capital 94.000 932.000
Próprio

Outros 1.092.000 895.000

Ativo Não Passivo Não


24.978.000 20.399.000 13.283.000 8.945.000
Circulante Circulante

Financiamentos
Realizável a LP 3.620.000 1.741.000 9.657.000 7.145.000
- LP

Ativo
21.358.000 18.658.000 Outros 2.672.000 857.000
Permanente

Particip.
954.000 943.000
Minoritárias

Patrimônio
15.692.000 14.198.000
Líquido
FONTE: O autor

Veja, neste modelo, a composição dos Ativos, Passivo e Patrimônio


Líquido da empresa. Mas, para prosseguirmos com o nosso material de Análise
das Demonstrações Contábeis, teremos de verificar o resultado da empresa.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 5

2.3 A DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

No item anterior, você aprendeu que o Balanço Patrimonial representa


a ESTRUTURA PATRIMONIAL da empresa, ou seja, existe toda uma estrutura
física que serve para a empresa gerar riqueza. Contudo, o processo de
geração de riqueza se dá através da apuração do lucro, que vamos estudar na
DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO do exercício da empresa.

Para facilitar nosso trabalho, vamos estabelecer que o resultado do


exercício fosse apurado no mesmo período em que se procede à apuração do
Balanço Patrimonial. Como o próprio nome já diz, este relatório nos demonstra
qual o resultado que a empresa obteve em um determinado exercício.

E como será o resultado apurado? Esse resultado poderá ser positivo,


negativo ou nulo.

IMPORTANTE
RESULTADO POSITIVO: Quando a empresa possui
maior valor em receitas do que em despesas.

RESULTADO NEGATIVO: Quando a empresa possui


menor valor em receitas do que em despesas.

RESULTADO NULO: Quando o valor das receitas


se equivale ao valor das despesas (mas essa é uma
situação que dificilmente pode ocorrer).

Vamos verificar a seguir um modelo de Demonstração do Resultado do


Exercício - DRE.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


6 Ciências Contábeis

QUADRO 2 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO


Demonstração dos Resultados - Empresa A.

X2 X1

Receita Líquida de Vendas 19.841.000 15.374.000


(-) Custos das Vendas (14.188.000) (10.099.000)

Lucro Bruto 5.653.000 5.275.000

Receitas/Desp. Operacionais (1.131.000) (978.000)


Resultado Financeiro (553.000) 923.000
Result. Equiv. Patrimonial 7.000 (389.000)
Amortização de Ágio (1.411.000) (767.000)
Total (3.088.000) (1.211.000)

Lucro Operacional 2.565.000 4.064.000

(-) Prov. IRPJ/CSLL (928.000) (816.000)


Atribuições Estatutárias (7.000) (1.000)
Particip. Minoritários (205.000) (215.000)
Total (1.140.000) (1.032.000)
Lucro Líquido Exercício 1.425.000 3.032.000
FONTE: O autor

Observe que a Demonstração de Resultados apresenta em primeiro


lugar as RECEITAS (entradas de recursos) e, em seguida, todas as DESPESAS
(saída de recursos), o que nos dá a entender que a empresa “espera” uma
determinada quantia de entrada de recursos para, em seguida, apurar o que a
empresa terá de saída de recursos. Desta forma, pode-se apurar o lucro ou o
prejuízo da empresa.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 7

Vamos, a seguir, estudar de que forma podemos analisar um Balanço


Patrimonial.

ESTUDOS FUTUROS
Para facilitar nossos estudos e seguir a coerência dos
exemplos, utilizaremos os mesmos dados do Balanço
Patrimonial e da Demonstração do Resultado do
Exercício constantes nos quadros 1 e 2.

3 ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS


3.1 O UNIVERSO DA ANÁLISE
3.1.1 Um breve histórico
Podemos afirmar que a Análise das Demonstrações Contábeis é tão
antiga quanto a própria Contabilidade. Reportando-se para o início provável
da Contabilidade (mais ou menos 4.000 anos antes de Cristo), em sua forma
primitiva, foram encontrados os primeiros registros de inventários de
rebanhos (naquela época o ser humano concentrava mais a sua atenção para
a principal atividade econômica: o pastoreio) e a maior preocupação era a
variação de sua riqueza (variação do rebanho, aumento ou redução do número
do rebanho).

Então, caro(a) acadêmico(a), praticamente se pode afirmar que análise


da variação da riqueza gerada entre a comparação de dois inventários em
momentos distintos leva-nos a uma primeira ideia de que aquela análise (tão
antiga quanto a própria Contabilidade) é possível.

NOTA
Entende-se que a variação do número de animais
constantes no rebanho poderia definir o crescimento
ou redução da riqueza do proprietário.

Com o passar dos séculos, as atividades da Análise das Demonstrações


Contábeis foram se consolidando. Por volta do final do século XIX é
possível observar que os banqueiros americanos começavam a solicitar as
Demonstrações Contábeis (que é praticamente o Balanço Patrimonial) das

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


8 Ciências Contábeis

empresas que tinham por propósito contrair algum tipo de empréstimo. Os


banqueiros sentiam a necessidade de “conhecer” a empresa em números, ou
seja, saber como andava a saúde da empresa com seus resultados apurados.

No início, os banqueiros exigiam apenas o Balanço Patrimonial para a


análise, daí a expressão “Análise de Balanços” que perdura até a atualidade.

Com o desenvolvimento do ciclo industrial, comercial e de serviços


passou-se a exigir outras Demonstrações Contábeis para a realização da análise
e, como consequência, para concessão de crédito, que são os resultados
apurados na Demonstração do Resultado do Exercício. Porém, como a
expressão “Análise de Balanços” já é tradicionalmente utilizada, passou a
ser utilizada uma nova expressão chamada de “Análise das Demonstrações
Contábeis”.

A Análise das Demonstrações Contábeis, também conhecida como


Análise das Demonstrações Financeiras, passou a desenvolver-se cada vez
mais, e, com o surgimento dos Bancos Governamentais, surgiram bastantes
interessados na situação econômico financeira das empresas tomadoras de
diversos tipos de financiamentos.

Com a abertura do Capital Social das empresas (Co = Corporation e


S.A.= Sociedade Anônima) que permitiu a entrada e participação de pequenos
ou grandes investidores como acionistas, possibilitou a escolha de empresas
mais bem-sucedidas economicamente e financeiramente no mercado. E esses
investidores tornam a Análise das Demonstrações Contábeis um instrumento
de grande importância e utilidade para as decisões em continuar investindo
na empresa ou não.

Os diversos tipos de operações de compra e venda de mercadorias a


prazo e inclusive as operações entre empresas do mesmo grupo, as decisões
dos próprios gerentes (embora com enfoques diferentes em relação aos
outros interessados) na avaliação da eficiência administrativa e na preocupação
do desempenho de seus concorrentes e as atividades operacionais dos seus
funcionários, levam a consolidar a necessidade imperiosa da Análise das
Demonstrações Contábeis.

3.1.2 Abrangência da análise de balanços


Como podemos conceituar a análise de balanços?

As interpretações desta pergunta e seu entendimento quanto à sua


essência podem nos levar a vários conceitos similares, porém basicamente
esses entendimentos convergem para:

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 9

A arte de extrair informações úteis dos relatórios contábeis para os


diversos objetivos econômicos que tivermos em mente.

Mas, por que pode ser considerada uma arte?

Embora existam alguns cálculos que podemos razoavelmente formalizar,


não existe forma científica ou metodologicamente comprovada de inter-
relacionar os índices de maneira a obter um determinado diagnóstico preciso,
ou seja, cada analista pode realizar a sua interpretação e, com o mesmo
conjunto de informações e de quocientes, chegar a conclusões diferenciadas.

3.1.3 Condições necessárias para análise de balanços

Para que se realize uma boa análise de balanços, é necessário entender


as premissas básicas da contabilidade que determinam a forma pela qual os
demonstrativos contábeis (objetos de análise) são levantados ou produzidos.

Essas premissas são denominadas Princípios de Contabilidade e estão


inseridas no Sistema de Informação.

Caro(a) acadêmico(a)! Os princípios contábeis têm seu surgimento a


partir da observação dos fatos ocorridos na prática contábil. Os contadores
observam a realidade a sua volta, formulam hipóteses com respeito ao objeto
de estudo da Contabilidade, isto é, o patrimônio das organizações. Com isso,
chegam a conclusões que permitam a sua aceitabilidade pela maioria dos
estudiosos da Contabilidade e que se tornam princípios fundamentais os quais
contribuem para a fundamentação científica da ciência contábil.

3.1.4 Demonstrações contábeis suscetíveis de análise

Todas as Demonstrações Contábeis (DC) devem ser analisadas:

− Balanço Patrimonial (BP).

− Demonstração do Resultado do Exercício (DRE).

− Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (ou mutações do PL).

− Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC).

A maior ênfase está voltada para a análise das duas primeiras


demonstrações, uma vez que, por meio delas, são realizadas todas as análises

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


10 Ciências Contábeis

de ordem financeira e econômica.

A Demonstração dos Lucros e Prejuízos Acumulados e a Demonstração


do Fluxo de Caixa também podem fazer parte do rol de ferramentas de Análise
de Balanços, mas não é muito comum. Apenas para fins de conhecimentos
gerais, a Demonstração do Fluxo de Caixa - DFC substituiu a Demonstração
de Origens e Aplicações de Recursos - DOAR com o advento da Comissão de
Pronunciamentos Contábeis - CPC de número 03.

Nesta apostila, vamos utilizar as duas primeiras demonstrações


contábeis.

Mas, atenção! Antes de realizar qualquer trabalho de análise de balanço,


o primeiro passo é verificar se estamos de posse de todas as Demonstrações
Contábeis, inclusive notas explicativas.

NOTA
Quais são os períodos de análises a serem realizados?
É desejável que se tenha em mãos as demonstrações
de pelo menos três períodos. Assim é possível
identificar se a empresa teve evolução ou não nos
seus indicadores econômicos e financeiros.

Outro ponto importante a ser observado junto às atividades de Análise


de Balanços é quanto à credibilidade das Demonstrações Contábeis.

E onde podemos ter acesso a essa credibilidade?

Uma das ferramentas que um analista pode utilizar como forma de


credibilidade na divulgação das Demonstrações Contábeis é o Parecer da
Auditoria, pois com esse parecer é possível identificar se o auditor emitiu
algum tipo de opinião modificada ou não em relação aos demonstrativos
emitidos.

3.1.5 Cuidados em um processo de análise

Ao iniciar o processo de análise de balanços, o analista deverá estar


atento a quatro situações distintas com relação às Demonstrações Contábeis,
para que se objetive realizar essa atividade com a máxima segurança possível.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 11

NOTA
Sugestão de roteiro para avaliar a qualidade e a
credibilidade das Demonstrações Contábeis:

1. O ideal
a) Buscar Demonstrações Contábeis publicadas
em jornais que atendam aos requisitos legais (Lei
das S/A).
b) Identificar se as Demonstrações Contábeis
estão assinadas por contador, com Relatório da
Diretoria e Notas Explicativas completas.
c) Identificar se há o Parecer da Auditoria de
Pessoa Jurídica.

2. Situações que requerem cuidados do analista


a) A apresentação de Demonstrações Contábeis em
que há Relatório da Diretoria sucinto demais, ou
que contenham notas explicativas incompletas
ou insuficientes no âmbito informativo.
b) Apresentação de Demonstrações Contábeis
com parecer da auditoria inconsistente.
c) Demonstrações Contábeis que não atendam a
todos os requisitos da legislação em vigor.

3. Situações em que não há suporte de


informações suficientes para análise:
a) Quando existe a hipótese da empresa trabalhar
à base do Lucro Presumido, sem fazer
contabilidade (nestes casos, as Demonstrações
Contábeis poderiam ter sido elaboradas
especialmente para este fim).
b) Quando forem detectadas contradições nas
Demonstrações Contábeis ou “exageros”
facilmente identificáveis em custos dos produtos
vendidos com valores desproporcionais às suas
receitas.

Quando houver claras evidências que a empresa não


valoriza as informações da contabilidade, e/ou as
Demonstrações Contábeis não refletem a realidade
da mesma. É o típico “vamos montar um balanço
para o banco”, como se isso fosse algo trivial e sem
importância.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


12 Ciências Contábeis

3.1.6 Reclassificação das contas contábeis

Este tipo de procedimento significa uma nova classificação das contas


contábeis no balanço patrimonial, onde será realizado um novo reagrupamento
de algumas contas nas Demonstrações Contábeis.

Entre outras palavras, serão realizados alguns ajustes necessários para


melhorar a eficiência da análise, mas nada que comprometa e veracidade e
legalidade das informações contábeis ali contidas.

Com o uso do agrupamento de contas nas Demonstrações Contábeis,


pode-se melhorar a situação econômico-financeira da empresa usando-se de
certos “artifícios legais”.

Por exemplo: uma empresa dispõe-se a vender um imóvel que até o


momento estava classificado no Ativo Permanente. Classificando essa conta
no Ativo Circulante, o analista poderá obter melhores evidências da situação
financeira a curto prazo. Todavia, não é fácil vender um imóvel e receber no
mesmo ano. O ideal é classificá-lo no Realizável a Longo Prazo.

Outras vezes, apesar da imparcialidade do contador no agrupamento


das contas, há necessidade de interferência do analista. É o caso de Receita
Financeira, que legalmente é Operacional, mas na realidade deveria estar
sendo classificada no grupo Não Operacional. Se quisermos apurar a verdadeira
taxa de rentabilidade obtida pela atividade operacional, então teremos de
reclassificar tanto as Despesas Financeiras como as Receitas Financeiras no
Grupo não Operacional.

Por quê?

Porque de acordo com a natureza das operações da empresa em


razão do seu Contrato Social ou Estatuto Social, as operações não envolvem
atividades financeiras. Este é o caso do lojista, suas atividades são comprar
e vender mercadorias e não gerar receitas oriundas de intermediação
financeira.

Veremos a seguir um exemplo de reclassificação:

Duplicatas descontadas (Classificada subtrativamente em Duplicatas


a Receber no Ativo Circulante)

No caso das Duplicatas Descontadas deverão ser reclassificadas no


Passivo Circulante, pois, pelas peculiaridades da operação, ainda há o risco de
a empresa desembolsar o dinheiro obtido se seu cliente não liquidar a dívida

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 13

junto ao banco. Desta forma, fica evidente que há o compromisso da empresa


junto ao Banco que realizou o desconto e não o cliente da empresa.

Outro bom motivo para a reclassificação no Passivo Circulante é a


padronização de critérios de tratamento para todas as empresas por parte
do analista. Assim, se uma determinada empresa opera com Duplicatas
Descontadas e outra empresa opera com Empréstimos Bancários (com depósito
de duplicatas como garantia), ambas as empresas terão no Passivo Circulante
uma dívida com terceiros, embora, no caso de duplicatas descontadas, exista
apenas a coobrigação.

Vamos tomar como exemplo duas empresas fictícias. Admitimos que


ambas tenham um Ativo Circulante de R$ 2.000.000,00 e um Passivo Circulante
de R$ 1.000.000,00. Então, para cada R$ 1,00 de dívidas, há R$ 2,00 de valores
do Ativo Circulante para a efetivação das liquidações dos seus compromissos
financeiros.

Na hipótese de ambas as empresas recorrerem ao mercado financeiro


para um reforço de Caixa na ordem de R$ 200.000,00, veja como ficaria a
seguinte situação de liquidez.

A primeira empresa realiza um desconto de duplicatas, e a segunda,


resolve obter um empréstimo bancário.

Então, caro(a) acadêmico(a)!

Como ficaria a situação de liquidez sem considerarmos as despesas


financeiras?

Observe a seguinte simulação:

QUADRO 3 – SIMULAÇÃO
EMPRESA A
Ativo Circulante R$ 2.000.000,00 Passivo Circulante R$ 1.000.000,00
+ Entrada R$ 200.000,00
( - ) Duplicata Descontada -R$ 200.000,00
Total R$ 2.000.000,00 Total R$ 1.000.000,00

Obs.: Nada alterou no índice de liquidez.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


14 Ciências Contábeis

EMPRESA B
Ativo Circulante R$ 2.000.000,00 Passivo Circulante R$ 1.000.000,00
+ Entrada R$ 200.000,00 + Empréstimos R$ 200.000,00

Total R$ 2.200.000,00 Total R$ 1.200.000,00

Obs.: Alterou o índice de liquidez.


FONTE: O autor

Vejamos:

 Empresa A: a relação será de R$ 2,00 para R$ 1,00  R$ 2.000.000,00 / R$


1.000.000,00 = R$ 2,00.

 Empresa B: a relação será de R$ 1,83 para R$ 1,00  R$ 2.200.000,00 / R$


1.200.000,00 = R$ 1,83.

Desta forma, as operações levaram a Empresa B a ter menor capacidade


de pagamento e maior endividamento em relação à Empresa A. Não seria justo
evidenciarmos um tratamento diferenciado para estas idênticas situações
financeiras.

Para “resolvermos” esta situação, precisamos reclassificar as duplicatas


para que a empresa A fique em condição de igualdade de análise com a
empresa B, ou que todas as empresas que operem com empréstimos fiquem
em condições de igualdade com aquelas que operam com descontos.

Assim, padronizamos os relatórios contábeis para que sejam facilitadas


as condições de análise.

4 ESTRUTURA DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS

Vamos estudar agora a estrutura das Demonstrações Contábeis. A


atividade de análise das Demonstrações Contábeis envolve métodos de
cálculos e interpretações de índices financeiros para avaliar o desempenho
das atividades da empresa e a sua eficiência operacional.

Os demonstrativos básicos para a análise dos índices são:

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 15

 Demonstração de Resultado do Exercício; e


 Balanço Patrimonial.
As duas principais características de análise de uma empresa são a
comparação dos valores obtidos em determinado período com aqueles
levantados em períodos anteriores e o relacionamento destes valores com
outros afins. Dessa maneira, pode-se afirmar que o critério básico que norteia a
análise de balanços é a comparação. Para isso, é necessário atentar para alguns
detalhes, como manter com esmero os registros contábeis da empresa.

Ainda que o Departamento de Contabilidade da empresa realize


um grande esforço para manter os registros de forma correta, é altamente
desejável que os relatórios financeiros sejam auditados por auditor
independente ou, pelo menos, tenha havido uma minuciosa revisão por parte
da auditoria interna.

É preciso tomar muito cuidado na utilização de valores extraídos de


balanços iniciais e finais, principalmente na área de contas a receber e estoques,
pois muitas vezes tais contas, nas datas de balanço, não são representativas
das médias reais de período.

A análise de balanços limitada a apenas um exercício é muito


pouco reveladora, salvo em casos de quocientes de significação imediata.
Adicionalmente, é necessário comparar nossos quocientes e tendências com:

− os quocientes dos concorrentes;


− as metas previamente estabelecidas pela administração (quocientes-padrão).

O montante de uma conta ou de um grupo patrimonial quando tratado


isoladamente não retrata adequadamente a importância do valor apresentado
e muito menos seu comportamento ao longo do tempo. Por exemplo, o total
dos custos de produção, por si só, representa pouco para o analista, mas
se comparado com o montante das vendas ou com o valor desses mesmos
custos levantados em outros exercícios sociais, refletirá com maior clareza sua
posição. Assim, a comparação dos valores entre si e com outros de diferentes
períodos oferecerá um aspecto mais dinâmico e elucidativo à posição estática
das Demonstrações Contábeis.

Este processo de comparação, indispensável ao conhecimento da


situação de uma empresa, é representado pela análise horizontal e pela análise
vertical.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


16 Ciências Contábeis

Podemos citar três tipos de análises: a análise cruzada, a análise horizontal


e a análise vertical.

a) Análise Cruzada (ou Análise Cross-Sectional): envolve a comparação


de índices financeiros de empresas distintas (mas que atuam no mesmo
ramo de mercado) em um mesmo espaço de tempo. Este tipo de análise
é muito utilizado quando a empresa necessita comparar seus índices com
outra empresa (possivelmente uma concorrente).

b) Análise Horizontal (ou Análise de Séries Temporais): avalia o


desempenho da mesma empresa ao longo do tempo, ou seja, há a
comparação do desempenho atual com o desempenho do passado.
Utilizando-se índices de análise horizontal, possibilita verificar se a empresa
está progredindo como planejado (ou não). Este tipo de análise é muito
mais fácil de ser executado, já que a empresa normalmente tem em mãos
seus balanços de períodos anteriores, podendo ser facilmente utilizado
por empresários para avaliar o desempenho das suas próprias ações e o
desenvolvimento destes índices ao longo dos anos.

A seguir, demonstraremos um exemplo de Análise Horizontal.

QUADRO 4 – BALANÇO PATRIMONIAL – ANÁLISE HORIZONTAL


Balanço Patrimonial - Empresa A

X2 Evolução AH X1 AH

Ativo 33.974.000 25,99 125,99 26.965.000 100,00

Ativo Circulante 8.996.000 37,01 137,01 6.566.000 100,00

Disponibilidades 922.000 (35,52) 64,48 1.430.000 100,00


Clientes 1.256.000 (20,25) 79,75 1.575.000 100,00
Estoques 5.055.000 99,41 199,41 2.535.000 100,00
Outros 1.763.000 71,83 171,83 1.026.000 100,00

Ativo Não Circulante 24.978.000 22,45 122,45 20.399.000 100,00


Realizável a LP 3.620.000 107,93 207,93 1.741.000 100,00
Ativo Permanente 21.358.000 14,47 114,47 18.658.000 100,00

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 17

Passivo 33.974.000 25,99 125,99 26.965.000 100,00

Passivo Circulante 4.999.000 30,80 130,80 3.822.000 100,00

Fornecedores 2.710.000 82,12 182,12 1.488.000 100,00


Financiamentos - CP 1.068.000 152,48 252,48 423.000 100,00
Debêntures 35.000 (58,33) 41,67 84.000 100,00
Dividendos e Juros s/ 94.000 (89,91) 10,09 932.000 100,00
Capital Próprio
Outros 1.092.000 22,01 122,01 895.000 100,00

Passivo Não 13.283.000 48,50 148,50 8.945.000 100,00


Circulante
Financiamentos - LP 9.657.000 35,16 135,16 7.145.000 100,00
Outros 2.672.000 211,79 311,79 857.000 100,00
Particip. Minoritárias 954.000 1,17 101,17 943.000 100,00

Patrimônio Líquido 15.692.000 10,52 110,52 14.198.000 100,00


FONTE: O autor

A finalidade principal da análise horizontal é apontar o crescimento de


itens dos Balanços e das Demonstrações de Resultados (bem como de outros
demonstrativos) através dos períodos, a fim de caracterizar tendências.

De acordo com o quadro, vamos analisar o total de alguns grupos de


contas contábeis e algumas contas isoladamente.

O total do Ativo em X1 era de R$ 26.965.000,00 e saltou para X2 no


valor de R$ 33.974.000,00. Portanto, houve um incremento na sua avaliação
horizontal de 25,99%.

Mas, isso é bom ou ruim?

Agora temos de verificar se este crescimento foi em decorrência do


aumento dos Passivos da empresa ou do Patrimônio Líquido.

Então, vamos analisar a evolução do Patrimônio Líquido.

O valor do Patrimônio Líquido evoluiu de R$ 14.198.000,00 para R$


15.692.000,00, ou seja, 10,52% de aumento. Logo, se o Patrimônio Líquido
não teve o mesmo aumento de 25,99%, mas apenas 10,52%, significa que a
empresa buscou mais recursos de terceiros, isto é, realizou mais investimentos
contraindo dívidas.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


18 Ciências Contábeis

No entanto, para definirmos se essa situação é boa ou ruim, devemos


avaliar o retorno do investimento; se o investimento feito consegue ser pago
de forma rápida e de preferência com recursos próprios.

Em contrapartida, é necessário analisarmos a evolução de algumas contas


do ativo e, de acordo com o quadro 4, percebemos que houve um maior
impacto do crescimento das contas do ativo no grupo do Ativo Circulante
correspondente a 37,01% em que o saldo de X1 era de R$ 26.965.000,00 e
X2 passou a R$ 33.974.000,00. A conta contábil que mais recebeu recursos
foi a conta de estoques de mercadorias que saltou de R$ 2.535.000,00 para
R$ 5.055.000,00 gerando um incremento de 99,41% durante o período
analisado.

Com uma calculadora financeira (HP), podemos utilizar a função Δ%


para descobrirmos estes percentuais de uma maneira mais rápida.

FIGURA 2 – CALCULADORA HP

FONTE: Disponível em: <www.hp.com.br>. Acesso em: 23 maio 2012.

Como fazer a operação da variação na HP 12c?

Vamos pegar a conta DEBÊNTURES:

 X1 = R$ 84.000 ENTER
 X2 = R$ 35.000 %
 VARIAÇÃO = (58,33%)

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 19

Viu como é fácil?

NOTA
A variação horizontal serve para auxiliar a
identificação da variação (evolução ou retrocesso)
da empresa em determinadas contas contábeis que
tiveram oscilação em um determinado período. E
essa oscilação pode ser comparada durante vários
períodos da empresa e assim verificar o histórico
dela em relação à sua participação no mercado.

E a análise horizontal da DRE - Demonstração de Resultados?

A análise horizontal da DRE segue a mesma linha de raciocínio do


Balanço Patrimonial.

Vejamos algumas contas do resultado.

QUADRO 5 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO – ANÁLISE HORIZONTAL


Demonstração dos Resultados - Empresa A.

X2 Evolução AH X1 AH

Receita Líquida de Vendas 19.841.000 29,06 129,06 15.374.000 100,00


(-) Custos das Vendas (14.188.000) 140,49 (10.099.000) 100,00
40,49

Lucro Bruto 5.653.000 7,17 107,17 5.275.000 100,00

Receitas/Desp. Operacionais (1.131.000) 15,64 115,64 (978.000) 100,00


Resultado Financeiro (553.000) (159,91) (59,91) 100,00
923.000
Result. Equiv. Patrimonial 7.000 (101,80) (1,80) (389.000) 100,00
Amortização de Ágio (1.411.000) 83,96 183,96 (767.000) 100,00
Total (3.088.000) 155,00 255,00 (1.211.000) 100,00

Lucro Operacional 2.565.000 (36,88) 63,12 4.064.000 100,00

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


20 Ciências Contábeis

(-) Prov. IRPJ/CSLL (928.000) 13,73 113,73 (816.000) 100,00


Atribuições Estatutárias (7.000) 600,00 700,00 (1.000) 100,00
Particip. Minoritários (205.000) (4,65) 95,35 (215.000) 100,00
Total (1.140.000) 10,47 110,47 (1.032.000) 100,00

Lucro Líquido Exercício 1.425.000 (53,00) 47,00 3.032.000 100,00


FONTE: O autor
Aqui na Demonstração de Resultado do Exercício - DRE também
conseguiremos fazer a análise da variação da evolução ou redução dos valores
de um exercício social para outro.

Vamos a um exemplo?

As Receitas Líquidas de Vendas geraram um incremento de 29,06%,


isto é, passaram de R$ 15.374.000,00 para R$ 19.841.000,00.

E como se calcula isso?

 Receita Líquida de Vendas = X2 R$ 19.841.000,00 / X1 R$ 15.374.000,00


= 1,2906 – 1,00 = 0,2906 x 100 = 29,06%

No entanto, se você observar a conta Lucro Líquido houve uma redução


significativa de 53,00%.

E como se calcula isso?

 Lucro Líquido do Exercício = X2 R$ 1.425.000,00 / X1 R$ 3.032.000,00 =


0,4700 – 1,00 = (- 0,5300) x 100 = (- 53,00 %).

Mas o que gerou essa queda no resultado líquido?

Neste caso, você terá de analisar conta a conta, e uma conta que teve
forte impacto foi o Resultado Financeiro.

O Resultado Financeiro teve receitas em X1 no valor de R$ 923.000,00


e para X2 teve despesas no valor de (- R$ 553.000,00). Desta forma, teve um
impacto de (- 159,91 %) durante o período.

O cálculo é feito da seguinte forma:

 Resultado Financeiro = X2 (- R$ 553.000,00) / X1 R$ 923.000,00 = (- 0,5991)


– 1,00 = (- 1,5991) x 100 = (- 159,91 %).

Viu como é importante estudar essa variação?

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 21

Deste modo teremos oportunidade de verificar quais contas contábeis


tiveram maior ou menor impacto de receitas ou despesas no último exercício
social.

Mas, além da avaliação da variação horizontal, temos a variação


vertical.

c) Análise Vertical: também denominada de análise da estrutura, envolve a


relação entre um elemento e o grupo que ele faz parte. Relaciona a parte com
o todo. Este tipo de análise permite identificar o valor de cada conta contábil
que representa o valor total investido. A análise vertical envolve elementos
homogêneos, mas relativos a um mesmo exercício social, ao contrário da análise
horizontal, que é relativa necessariamente a exercícios distintos.

NOTA
Objetivo: medir percentualmente cada componente
em relação ao todo do qual faz parte, e fazer as
comparações caso existam dois ou mais períodos.

Vamos a um exemplo de Análise Vertical?

QUADRO 6 – BALANÇO PATRIMONIAL – ANÁLISE VERTICAL


X2 AV X1 AV

Ativo 33.974.000 100,00 26.965.000 100,00

Ativo Circulante 8.996.000 26,48 6.566.000 24,35

Disponibilidades 922.000 2,71 1.430.000 5,30


Clientes 1.256.000 3,70 1.575.000 5,84
Estoques 5.055.000 14,88 2.535.000 9,40
Outros 1.763.000 5,19 1.026.000 3,80

Ativo Não Circulante 24.978.000 73,52 20.399.000 75,65


Realizável a LP 3.620.000 10,66 1.741.000 6,46
Ativo Permanente 21.358.000 62,87 18.658.000 69,19

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


22 Ciências Contábeis

Passivo 33.974.000 100,00 26.965.000 100,00

Passivo Circulante 4.999.000 14,71 3.822.000 14,17

Fornecedores 2.710.000 7,98 1.488.000 5,52


Financiamentos - CP 1.068.000 3,14 423.000 1,57
Debêntures 35.000 0,10 84.000 0,31
Dividendos e Juros s/ 94.000 0,28 932.000 3,46
Capital Próprio
Outros 1.092.000 3,21 895.000 3,32

Passivo Não Circulante 13.283.000 39,10 8.945.000 33,17


Financiamentos - LP 9.657.000 28,42 7.145.000 26,50
Outros 2.672.000 7,86 857.000 3,18
Particip. Minoritárias 954.000 2,81 943.000 3,50

Patrimônio Líquido 15.692.000 46,19 14.198.000 52,65


FONTE: O autor

Caro(a) acadêmico(a)! Veja que interessante!

Neste tipo de análise é possível identificar quanto a empresa mantém


investido em cada conta contábil em relação ao total de investimentos.

A seguir, vamos fazer algumas análises.

A Conta de Patrimônio Líquido dos Sócios teve um saldo de R$


14.198.000 em X1 e representava 52,65% do total investido de R$ 26.965.000
e, para X2, este percentual reduziu para 46,19% (Total de R$ 15.692.000 / R$
33.974.000).

O cálculo é feito da seguinte forma:

 X1 = Patrimônio Líquido = R$ 14.198.000,00 / R$ 26.965.000,00 = 0,5265


x 100 = 52,65%

 X2 = Patrimônio Líquido = R$ 15.692.000,00 / R$ 33.974.000,00 = 0,4619


x 100 = 46,19%

Contudo, fica a dúvida...

Se o valor do Patrimônio Líquido dos Sócios teve uma redução no total


de investimentos, o que gerou alta em outro grupo de contas?

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 23

Vamos verificar o Passivo não Circulante.

O Passivo não Circulante teve em X1 uma participação de 33,17% do


total de investimentos. E para X2 passou para 39,10%, portanto, houve um
aumento de dívidas o que gerou uma redução dos investimentos dos sócios.

Logo, o cálculo é o seguinte:

X1 = Passivo não Circulante = R$ 8.945.000,00 / R$ 26.965.000,00 = 0,3317


x 100 = 33,17%

X2 = Passivo não Circulante = R$ 13.283.000,00 / R$ 33.974.000,00 =


0,3910 x 100 = 39,10%

E isso é comum acontecer?

É certo que sim! Todavia temos de verificar se esse “endividamento”


não irá comprometer de forma significativa o Fluxo de Caixa da empresa.

Agora vamos analisar algumas contas do grupo do Ativo.

O Ativo Circulante teve um investimento em X1 correspondente a


24,35% e o X2 aumentou para 26,48%.

O que isso pode significar?

Que é bem possível que parte do endividamento que vimos


anteriormente tenha ido parar em conta caixa e bancos para um índice de
liquidez imediata.

E como se calcula isso?

X1 = Ativo Circulante = R$ 6.566.000,00 / R$ 26.965.000,00 = 0,2435 x


100 = 24,35%

X2 = Ativo Circulante = R$ 8.996.000,00 / R$ 33.974.000,00 = 0,2647 x


100 = 26,47%

Outra conta contábil que teve variação significativa foi a conta contábil
de Realizável a Longo Prazo. Essa conta teve em X1 uma participação de
6,46% no total de investimentos e em X2 essa participação do total de
investimentos foi para 10,66%.

Logo, o cálculo é o seguinte:

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


24 Ciências Contábeis

 X1 = Realizável a Longo Prazo = R$ 1.741.000,00 / R$ 26.965.000,00 =


0,0646 x 100 = 6,46%

 X2 = Realizável a Longo Prazo = R$ 3.620.000,00 / R$ 33.974.000,00 =


0,1066 x 100 = 10,66%

A conta contábil Outros também teve um incremento passando de


3,80% do total de investimentos para 5,19%.

O seu cálculo é o seguinte:

 X1 = Outros = R$ 1.026.000,00 / R$ 26.965.000,00 = 0,038 x 100 = 3,80%


 X2 = Outros = R$ 1.763.000,00 / R$ 33.974.000,00 = 0,0519 x 100 =
5,19%

Caro(a) acadêmico(a)! Vimos que não é difícil identificar a análise vertical


de um balanço.

A maior preocupação que o administrador ou analista deve ter na hora


de analisar a participação de cada conta contábil no total de investimentos
é saber se este valor investido contribui para a melhoria dos resultados da
empresa.

Como assim? Identificando se a conta de Estoques houve um aumento


dos valores investidos em relação ao seu total e comparando-o com o grupo
do CMV (Custo das Mercadorias Vendidas). O valor do Custo das Mercadorias
Vendidas irá gerar informações suficientes sobre o Giro de Estoques.

E a análise vertical da DRE - Demonstração de Resultados?

A análise vertical da DRE segue a mesma linha de raciocínio do Balanço


Patrimonial.

Vejamos algumas contas do resultado.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 25

QUADRO 7 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DE EXERCÍCIO – ANÁLISE


Demonstração dos Resultados - Empresa A.

X2 AV X1 AV

Receita Líquida de Vendas 19.841.000 100,00 15.374.000 100,00


(-) Custos das Vendas (14.188.000) 71,51 (10.099.000)
65,69

Lucro Bruto 5.653.000 28,49 5.275.000 34,31

Receitas/Desp. Operacionais (1.131.000) 5,70 (978.000) 6,36


Resultado Financeiro (553.000) 2,79 923.000 6,00
Result. Equiv. Patrimonial 7.000 0,04 (389.000) 2,53
Amortização de Ágio (1.411.000) 7,11 (767.000) 4,99
Total (3.088.000) 15,56 (1.211.000) 7,88

Lucro Operacional 2.565.000 12,93 4.064.000 26,43

(-) Prov. IRPJ/CSLL (928.000) 4,68 (816.000) 5,31


Atribuições Estatutárias (7.000) 0,04 (1.000) 0,01
Particip. Minoritários (205.000) 1,03 (215.000) 1,40
Total (1.140.000) 5,75 (1.032.000) 6,71

Lucro Líquido Exercício 1.425.000 7,18 3.032.000 19,72


FONTE: O autor

Na DRE - Demonstração de Resultado do Exercício - também


conseguiremos fazer a análise da participação de cada conta contábil sobre o
total gerado.

Vejamos um exemplo:

Uma conta contábil que teve variação significativa foi a conta contábil
de custos das vendas (C.M.V. – Custo das Mercadorias Vendidas). Essa conta
teve em X1 uma participação de 65,69% no total das vendas realizadas
(pois, parte-se do pressuposto que as Vendas representam 100% do total
gerado no grupo da Demonstração de Resultado do Exercício), e para X2 essa
participação do total de custos foi para 71,51%.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


26 Ciências Contábeis

E como se calcula isso?

 X1 = Custo das Vendas / Receita Líquida das Vendas = R$ 10.099.000,00 /


R$ 15.374.000,00 = 0,6569 x 100 = 65,69%

 X2 = Custo das Vendas / Receita Líquida das Vendas = R$ 14.188.000,00 /


R$ 19.841.000,00 = 0,7151 x 100 = 71,50%

E a conta de Lucro Líquido do Exercício?

Quanto à conta contábil Lucro Líquido do Exercício, esta teve uma


redução no resultado do exercício de 19,72% do total das receitas de vendas
para 7,18%.

Logo,

 X1 = Lucro Líquido do Exercício / Receita Líquida de Vendas = R$


3.032.000,00 / R$ 15.374.000,00 = 0,1972 x 100 = 19,72%

 X2 = Lucro Líquido do Exercício / Receita Líquida de Vendas = R$


1.425.000,00 / R$ 19.841.000,00 = 0,0718 x 100 = 7,18%

Caro(a) acadêmico(a)! Vimos que também não é difícil identificar a


análise vertical da DRE – Demonstração do Resultado do Exercício.

A maior preocupação que o administrador ou analista deve ter na


hora de analisar a participação de cada conta contábil no total das receitas
de vendas é se alguma despesa está muito alta, devendo-se verificar as suas
razões, e assim contribuir para a melhoria dos resultados da empresa.

Desta forma teremos oportunidade de verificar quais contas contábeis


tiveram maior ou menor impacto de receitas ou despesas no último exercício
social.

5 ANÁLISE DE ÍNDICES FINANCEIROS

5.1 ASPECTOS INICIAIS

A análise de balanços encontra seu ponto mais importante no cálculo


e avaliação do significado de quocientes, relacionando principalmente itens e
grupos do Balanço e da Demonstração do Resultado.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 27

Na análise de índices financeiros é estabelecida a relação heterogênea


de um mesmo exercício, indicando-se quantas vezes o divisor está contido no
dividendo, como na operação matemática da divisão. A questão é identificar
a participação de um determinado grupo de contas contábeis que permite
liquidar determinados compromissos financeiros.

Os indicadores financeiros apurados na relação estabelecida na análise


por quocientes podem ser classificados em:

 Estáticos ou patrimoniais: quando são apurados entre a relação dos


elementos patrimoniais, como na relação entre o ativo circulante e o
passivo circulante na análise de liquidez corrente.

 Dinâmicos ou operacionais: estes indicadores são obtidos com a apuração


da relação entre elementos formadores do resultado, como na relação
entre o lucro líquido e as vendas líquidas no cálculo da margem líquida.

 De velocidade: estes indicadores são obtidos com a apuração dos índices


na relação entre um elemento patrimonial e um elemento de resultado,
como na relação entre o CMV e o Estoque Final ou Médio no cálculo do
número de renovações dos estoques de mercadorias. Esses índices de
velocidades podem ser denominados de Giro.

Então, caro(a) acadêmico(a)!

Vamos à prática?

Como estudamos em análise horizontal e análise vertical, há um Balanço


Patrimonial e uma DRE – Demonstração de Resultado do Exercício, e vamos
utilizar os mesmos dados para a resolução dos índices no nosso material de
estudos.

Na próxima seção apresentaremos as fórmulas para o cálculo dos índices


e o que cada um desses índices revela.

A parte de cálculo é bastante simples, principalmente para aqueles


que já conhecem as Demonstrações Contábeis. O importante agora é saber
interpretá-los, para fazer uma boa análise das Demonstrações Contábeis.

5.2 TÉCNICA DA UTILIZAÇÃO DOS INDICADORES

5.2.1 A análise da liquidez

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


28 Ciências Contábeis

A técnica de análise financeira por quocientes é um dos mais importantes


desenvolvimentos da Contabilidade, pois é muito mais indicado comparar,
digamos, o ativo corrente com o passivo corrente do que simplesmente
analisar cada um dos elementos individualmente.

A periodicidade da análise depende dos objetivos que se pretende


alcançar. Tratando-se de análise para finalidades externas, basicamente um
cálculo anual ou semestral é suficiente. Para a análise gerencial interna, alguns
índices merecerão acompanhamento mensal, outros até de intervalos mais
curtos, dependendo de quão crítico seja o índice como um dos sinais de
alarme do sistema de informação contábil-financeiro.

5.2.2 Principais quocientes de liquidez

Disponibilidades
a) Quociente de Liquidez Imediata =
Passivo Circulante

Este quociente representa o valor de quanto dispomos imediatamente


para saldar nossas dívidas de curto prazo. Considere-se que a composição
etária do numerador e denominador é completamente distinta. No numerador
temos fundos imediatamente disponíveis. No denominador, dívidas que,
embora de curto prazo, vencerão em 30, 60, 90, 180 e até 365 dias.

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Liquidez Imediata

LI = Disponibilidades LI = 922.000 = 0,1844

Passivo Circulante 4.999.000

* Para cada R$ 1,00 em dívidas de CP, a empresa possui R$ 0,18 de


valores disponíveis para pagar.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 29

Ativo Circulante
b) Quociente de Liquidez Corrente =
Passivo Circulante

Este quociente relaciona quantos reais dispomos, imediatamente


disponíveis e conversíveis em curto prazo em dinheiro, com relação às
dívidas de curto prazo. É um índice muito divulgado e frequentemente
considerado como o melhor indicador da situação de liquidez da empresa.
É preciso considerar que no numerador estão incluídos itens tão diversos
como: disponibilidades, valores a receber a curto prazo, estoques e certas
despesas pagas antecipadamente. No denominador, estão incluídas as dívidas
e obrigações vencíveis a curto prazo.

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Liquidez Corrente

LC = Ativo Circulante LC = 8.996.000 = 1,7996


Passivo Circulante 4.999.000

* Para cada R$ 1,00 em dívidas de CP, a empresa dispõe de R$ 1,79 de bens e


direitos de CP para pagar.

Ativo Circulante – Estoques


c) Quociente de Liquidez Seca =
Passivo Circulante

Esta é uma variante muito adequada para se avaliar conservadoramente


a situação de liquidez da empresa. Eliminando-se os estoques do numerador,
estamos eliminando uma fonte de incerteza. Em certas situações, pode-se
traduzir num quociente bastante conservador em função da alta rotatividade
dos estoques. O quociente apresenta uma posição bem conservadora da
liquidez da empresa em determinado momento, sendo preferido pelos
emprestadores de capitais.

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


30 Ciências Contábeis

Liquidez Seca

LS = AC - Estoque LS = 3.941.000 = 0,7884


Passivo Circulante 4.999.000

* Para cada R$ 1,00 em dívidas de CP, a empresa dispõe de R$ 0,78 de


bens e direitos de CP (Menos Estoque) para pagar.

Ativo Circulante +
Ativo Não Circulante
d) Quociente de Liquidez Geral =
Passivo Circulante +
Passivo Não Circulante

Este quociente serve para detectar a saúde financeira (no que se refere
à liquidez) de longo prazo do empreendimento. Mais uma vez, o problema
dos prazos empobrece o sentido e a utilidade do quociente, a não ser que
seja explicitamente levado em sua devida conta. Os prazos de liquidação do
passivo e de recebimento do ativo podem ser o mais diferenciado possível,
ainda mais se considerarmos que temos passivo e ativo em longo prazo.

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Liquidez Geral

LG = AC + ANC LG = 12.616.000 = 0,6901


PC + PNC 18.282.000

* Para cada R$ 1,00 em dívidas totais, a empresa dispõe de R$ 0,69


de bens e direitos de Curto Prazo e Longo Prazo para pagar.

5.2.3 Principais quocientes de endividamento

Estes quocientes relacionam as fontes de fundos entre si, procurando


retratar a posição relativa do capital próprio com relação ao capital de

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 31

terceiros. São quocientes de muita importância, pois indicam a relação de


dependência da empresa com relação ao capital de terceiros.

Passivo Circulante +
a) Quociente de Participação de Capitais Passivo Não Circulante
=
de Terceiros sobre os Recursos Totais __________________________
Ativo Total

Este quociente de grande relevância relaciona o Exigível Total (capitais


de terceiros) com os recursos no ativo Total, expressa a porcentagem que o
endividamento representa sobre os fundos totais e também significa qual a
porcentagem do ativo total financiada com recursos de terceiros.

No longo prazo, a porcentagem de capitais de terceiros sobre os


fundos totais não poderia ser muito grande, pois isto iria progressivamente
aumentando as despesas financeiras, deteriorando a posição de rentabilidade
da empresa.

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Endividamento Total

ET = PC + PNC LI = 18.282.000 = 0,5381


Ativo Total 33.974.000

* Para cada R$ 1,00 do Ativo Total, R$ 0,53 estão atrelados a dívidas,


ou seja, para cada R$ 1,00 recebido c/ a venda do ativo, R$ 0,53
seriam p/ cobrir essas dívidas.

Patrimônio Líquido
b) Quociente de Capitais de __________________________
Terceiros/Capitais Próprios = Passivo Circulante +
Passivo Não Circulante
Garantia de Capitais de Terceiros.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


32 Ciências Contábeis

É outra forma de encarar a dependência de recursos de terceiros. Se


o quociente, durante vários anos, for consistente e acentuadamente MENOR
que 1 (um), denotaria uma dependência exagerada de recursos de terceiros.
Este quociente é um dos mais utilizados para retratar o posicionamento das
empresas com relação aos capitais de terceiros.

Grande parte das empresas que vão à falência apresenta, durante um


período relativamente longo, altos quocientes de Capitais de Terceiros/
Capitais Próprios.

Daí o cuidado que deve ser tomado com relação à projeção de captação
de recursos quando vislumbramos uma necessidade ou uma oportunidade de
expansão.

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Garantia de Capital de Terceiros

GCT = PL GCT = 15.692.000 = 0,8583


PC+PNC 18.282.000

* Para cada R$ 1,00 de dívidas, existem R$ 0,85 de Capital Próprio p/


quitá-las.

Aqui, percebemos que a empresa depende mais de capital de terceiros


que de capital próprio. E isso é um sinal de cuidados a serem tomados.

Passivo Circulante
c) Quociente de Participação das Dívidas de ____________________
=
Curto Prazo sobre o Endividamento Total
Exigível Total

Representa a composição do endividamento total ou qual é a parcela


que vence a curto prazo no endividamento total.

A empresa em franca expansão deve procurar financiá-la, em grande


parte, com endividamento de longo prazo, de forma que, à medida que ela
ganhe capacidade operacional adicional com a entrada em funcionamento
dos novos equipamentos e outros recursos de produção, tenha condições de
começar a amortizar suas dívidas.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 33

E qual é o resultado apurado para a empresa A?

Relação de Dívidas de CP c/ Dívidas Totais c/ Terceiros (PE)

Q= PC Q= 4.999.000 = 0,2734
PC+PNC 18.282.000

* Para cada R$ 1,00 de dívidas totais c/ terceiros, R$ 0,27 são de Curto


Prazo e o restante são de Longo Prazo.

E o que isso representa? Representa que, entre o longo prazo e o curto


prazo, o maior volume de dívidas da empresa está no Longo Prazo. Isso quer
dizer que a empresa terá no mínimo um ano para planejar toda a sua estrutura
de curto prazo, para se preocupar com seu passivo a partir de um ano.

5.2.4 Análise da rotatividade (do giro)

Estes quocientes, importantíssimos, representam a velocidade com


que elementos patrimoniais se renovam durante determinado período de
tempo. Por sua natureza, têm seus resultados normalmente apresentados em
dias, meses ou períodos maiores.

A importância de tais quocientes consiste em expressar relacionamentos


dinâmicos - daí a denominação de quocientes de atividade (rotatividade)
- que acabam, direta ou indiretamente, influindo bastante na posição de
liquidez e rentabilidade. Normalmente, tais quocientes envolvem itens
do demonstrativo de posição (balanço) e do demonstrativo de resultados,
simultaneamente.

Os prazos de rotação constituem-se em categoria de elevada


importância para o analista. O balanço da empresa representa sua situação
patrimonial em determinado momento, isto é, como se fosse uma fotografia
que mostra algo de forma estática, sem refletir sua mobilidade, seu dinamismo.
A empresa, em suas operações, compra, fabrica, estoca, vende e recebe num
processo dinâmico e contínuo.

Podemos destacar os seguintes prazos de rotação:

a) Rotatividade do Estoque de Produtos Acabados.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


34 Ciências Contábeis

b) Prazo Médio de Recebimento de Contas a Receber.


c) Prazo Médio de Pagamento de Contas a Pagar.
d) Rotatividade do Ativo (Giro do Ativo).

Custo dos Produtos Vendidos


a) Rotatividade do Estoque ____________________
=
de Produtos Acabados
Estoque Médio de Produtos Acabados

Este quociente, muito divulgado, procura (mensurado pelo custo das


vendas) representar quantas vezes se “renovou” o estoque por causa das
vendas.

Assim, uma empresa que vendeu mercadorias (ou produtos) que


custaram R$ 100.000,00, e que manteve um estoque médio durante o período
de $ 20.000,00 terá um quociente de rotação de R$ 100.000,00 = 20.000,00
� 5 vezes, durante o período considerado.

Fórmula do Estoque Médio


EM = EI + EF
2
EI = Estoque Inicial
EF = Estoque Final

O resultado apurado para a empresa A é o seguinte:

Prazo Médio de Renovação de Estoques

PMRE = CMV PMRE = 9.870.000 = 2,6008


Estoque Médio 3.795.000
* O estoque girou cerca de 2,6008 vezes durante o ano.

Prazo = Período Prazo = 365 = 140,3419


PMRE 2,6008
* A cada 140 dias (em média), a empresa renova seus estoques.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 35

E o que isso representa?

Representa que o estoque girou 2,6 vezes ao ano em média (comprou e


vendeu o estoque) e isso representou um giro completo a cada 140 dias.

O fato de girar em uma determinada quantidade de dias pode ser bom


ou ruim de empresa para empresa. Isso depende, e muito, do seu ramo de
atividade. Empresas do ramo alimentício têm um giro rápido, outros como a
área de confecções podem ter um giro lento em função do sucesso ou não da
vendagem das suas coleções.

(S.I. Dupl. a Receber + Vendas) – S.F.


b) Prazo Médio de Contas Dupl. a Receber
= ____________________
a Receber
Média de Valores a Receber
Nota: S.I. = Saldo Inicial
S.F. = Saldo Fina

Este quociente indica quantos dias, semanas ou meses a empresa


deverá esperar, em média, antes de receber suas vendas a prazo. O prazo
médio de contas a receber deve ser obtido a partir do maior número possível
de saldos. Deve representar a média do maior número possível de saldos da
conta “Contas a Receber” (ou equivalente) durante o período observado.

As vendas médias (somente a parcela a prazo) são calculadas dividindo-


se as vendas a prazo por 360 dias, 12 meses, etc., conforme o resultado
expresso desejado, em dias, meses etc.

O resultado apurado para a empresa A é o seguinte:

Prazo Médio de Contas a Receber

PMCR = (SI Dupl. + Vendas) - SF Dupl PMCR = 20.160.000 = 14,2423


Média Valores Recb. 1.415.500
* A empresa vendeu e recebeu (renovou suas dupl. a receber) em média 14 vezes
durante o ano.

Prazo = Período Prazo = 365 = 25,6279


PMCR 14,2423
* A cada 25 dias, a empresa efetuou uma venda completa.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


36 Ciências Contábeis

E o que isso representa?

Representa que o prazo médio de contas a receber teve um giro de


14,24 vezes ao ano em média (emitiu duplicatas e as cobrou) e isso representou
um giro completo a cada 25 dias em média.

O fato de girar em uma determinada quantidade de dias pode ser bom


ou ruim de empresa para empresa, e isso depende muito do seu ramo de
atividade. Algumas empresas têm giro de duplicatas mais rápido por que têm
uma política de vender praticamente à vista ou com prazo muito reduzido
de vendas. Outras empresas têm um giro mais demorado por que vendem a
prestação, como é o caso das grandes redes de lojas comerciais.

O fato de uma empresa demorar mais ou menos para receber suas


vendas a prazo pode derivar de vários fatores, tais como: usos e costumes
do ramo de negócios, política de maior ou menor abertura para o crédito,
eficiência do serviço de cobranças, situação financeira de liquidez dos clientes
(do mercado) etc.

5.2.5 Prazo médio de pagamentos a fornecedores

O prazo médio de pagamento das compras indica quantos dias, em


média, a empresa demora para pagar seus fornecedores. A fórmula é a
seguinte:

PMPF = Compras
Média de Fornecedores

( C ) Compras  determinar o valor através da seguinte fórmula:

C = CMV – EI + EF
CMV = EI + C – EF

Onde:
C = Compras
C.M.V. = Custo das Mercadorias Vendidas
EI = Estoque Inicial
EF = Estoque Final
Média de Fornecedores = (Saldo Inicial de Fornecedores + Saldo Final de
Fornecedores) / 2.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 37

O resultado apurado para a empresa A é o seguinte:

Prazo Médio de Pagamento a Fornecedores

PMPF = Compras a Prazo (CP) PMPF = 12.390.000 = 5,9028


Média Fornecedores 2.099.000

Prazo = Período Prazo = 365


PMPF = 5,9028 = 61,8349

CP >>> CMV = EI + Compras - EF


- Compras = EI - EF - CMV
- Compras = 2.535.000,00 - 5.055.000,00 - 9.870.000,00 ( x - 1 )
Compras = - 2.535.000,00 + 5.055.000,00 + 9.870.000,00
Compras = 12.390.000,00
* Indica que a empresa girou seu estoque por 5,9028 vezes durante o ano.
* Indica que a cada 61 dias em média, a empresa efetuou uma compra completa, ou seja,
comprou e pagou.

E o que isso representa?

Teremos de fazer um cálculo do valor das compras médias realizadas


durante o ano.

E como se faz isso?

Deve-se pegar o valor do Estoque Final e somar ao valor do Custo das


Mercadorias Vendidas durante o período X2, e, em seguida, desconta-se o
valor do Estoque Inicial, pois esse valor ainda não transitou pelo C.M.V. (Custo
das Mercadorias Vendidas).

Com isso, foi gerado o valor das compras em R$ 12.390.000,00 durante


o período analisado.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


38 Ciências Contábeis

Para sabermos o prazo em dias da renovação de estoques devemos


pegar o valor das compras e dividir pelo valor médio de fornecedores (Média
de Fornecedores = (Saldo Fornecedores X2 + Saldo Fornecedores X1 / 2).

5.2.6 Imobilização de capital próprio

O índice de Imobilização de Capital Próprio é um indicador que permite


identificar “quanto” a empresa possui investido no seu Ativo Permanente, com
uso de recursos próprios (Patrimônio Líquido).

É um indicador importante, pois com ele pode-se identificar se a


empresa depende mais de recursos de terceiros ou próprio para fins de
investimentos e, a partir daí, pode-se verificar se a empresa está gerando
recursos (riqueza) da produção com seus investimentos.

Veja a seguir a fórmula do índice.

I.C.P. = Ativo Permanente

Patrimônio Líquido

Onde: I.C.P. = Imobilização de Capital Próprio

O resultado apurado para a empresa A é o seguinte:

Imobilização de Capital Próprio

ICP = Ativo Permanente ICP = 21.358.000 = 1,3611


Patrimônio Líquido 15.692.000

Prazo = Período Prazo = 365


PMPF = 5,9028 = 61,8349

* Indica que o PL e mais 36% dos outros Passivos estão aplicados no Ativo Permanente.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 39

Caro(a) acadêmico(a), observe que o índice ficou em 1,3611, ou seja, a


empresa utiliza 100% do seu Patrimônio Líquido e ainda precisou recorrer a
36,11% de recursos de terceiros (provavelmente algum tipo de financiamento
que já foi pago ou que ainda terá que ser pago) para completar a sua necessidade
de investimentos em imobilizado.

5.2.7 Rentabilidade do capital próprio

O índice de Rentabilidade de Capital Próprio é um indicador que


permite identificar “quanto” a empresa gerou de resultados em relação ao
Patrimônio Líquido dos sócios.

Em outras palavras, quanto “rendeu” o investimento dos sócios durante


um determinado período.

Com este indicador pode-se identificar se a empresa está acompanhando


o seu retorno de investimentos, pelo menos, comparando-se com alguma taxa
de remuneração que o mercado financeiro paga.

E como podemos fazer isso?

Veja a seguir a fórmula do índice.

R.C.P. = L.L.E.

Patrimônio Líquido
Onde: R.C.P. = Rentabilidade de Capital Próprio
L.L.E. = Lucro Líquido do Exercício.

O resultado apurado para a empresa A é o seguinte:

Rentabilidade do Capital Próprio

RCP = L.L.E. RCP = 3.390.326 = 0,2161

PL 15.692.000

* Indica que a remuneração do capital dos proprietários aplicados na empresa foi de 21,61%.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


40 Ciências Contábeis

O índice ficou em 0,2161, ou seja, a empresa gerou um rendimento no


Patrimônio Líquido de 21,61%.

Mas podemos dizer que esse percentual é bom?

Para isso, devemos comparar este percentual com os percentuais de


remuneração de mercado nas aplicações financeiras.

Como vimos, este percentual de 21,61% representa o retorno (lucro)


durante 1 ano.

Enfim, de modo geral, o universo da Análise de Balanços é imenso.


Muitos estudiosos pesquisaram várias formas de analisar um balanço
patrimonial. Estudiosos renomados, como Elyzabetsky, Pereira, Kanitz, criaram
algumas ferramentas de análise de balanços. Porém, como esse assunto é
vasto, convidamos você a pesquisar em outras obras o que esses estudiosos
criaram.

Dando continuidade, vamos apresentar mais alguns quadros de


indicadores de análise de balanço que entendemos ser importante para seu
estudo e reflexão. Esses quadros são bem resumidos e apresentam o indicador
econômico financeiro e sua interpretação a respeito do resultado obtido.

O quadro a seguir apresenta os indicadores da estrutura patrimonial


da empresa, ou seja, o nível de segurança para a geração dos resultados de
acordo com sua estrutura de investimentos.
QUADRO 8 – ESTRUTURA PATRIMONIAL = SEGURANÇA
ESTRUTURA PATRIMONIAL = SEGURANÇA
IDENTIFICAÇÃO FÓRMULA REVELA

ENDIVIDAMENTO A parcela do Ativo que


EG = Passivo circ. + Passivo LP x 100 está financiada por capitais
GERAL
de terceiros.
Ativo
(EG) QUANTO MAIOR PIOR.
COMPOSIÇÃO DAS A parcela das dívidas que
CE = Passivo circulant x 100
EXIGIBILIDADES vencem a curto prazo.
Passivo circ. + Passivo LP QUANTO MAIOR PIOR.
(CE)
IMOBILIZAÇÃO A parcela do capital
DO PATRIMÔNIO IPL = Ativo permanente x 100 próprio aplicada no Ativo
LÍQUIDO Permanente.
Patrim. Líquido
(IPL) QUANTO MAIOR PIOR.
FONTE: O autor

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 41

O quadro a seguir apresenta os indicadores de liquidez da empresa, ou


seja, a sua capacidade de geração de caixa e pagamento das dívidas.

QUADRO 9 – LIQUIDEZ = CAPACIDADE DE PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES


LIQUIDEZ = CAPACIDADE DE PAGAMENTO DAS OBRIGAÇÕES
IDENTIFICAÇÃO FÓRMULA REVELA
Que, para cada R$ 1,00 de
LIQUIDEZ dívida de curto prazo, a
LI = Disponibilidades
IMEDIATA empresa dispõe de R$ x,xx de
Passivo circulante disponível para pagar.
(LI ou ILI)
QUANTO MAIOR MELHOR.
que, para cada R$ 1,00 de dívida
LIQUIDEZ de curto prazo, a empresa dispõe
LC = Ativo circulante
CORRENTE de R$ x,xx de bens e direitos no
Passivo circulante curto prazo para pagar.
(LC ou ILC)
QUANTO MAIOR MELHOR.
que, para cada R$ 1,00 de
dívida a curto prazo, sem
LIQUIDEZ SECA LS = Ativo circulante – Estoques vender os estoques, dispõe de
R$ x,xx de bens e direitos no
(LS ou ILS) Passivo circulante curto prazo para pagar.
QUANTO MAIOR MELHOR.

que, para cada R$ 1,00 de dívida


total, a empresa dispõe de R$
LIQUIDEZ GERAL LG = Ativo circulante + Ativo LP
x,xx de bens e direitos no curto
(LG ou ILG) Passivo circ. + Passivo LP e longo prazo para pagar.
QUANTO MAIOR MELHOR.
FONTE: O autor

O quadro a seguir apresenta o indicador de rentabilidade da empresa.


Já vimos esse indicador anteriormente.

QUADRO 10 – RENTABILIDADE = REFLEXO DAS DECISÕES DOS ADMINISTRADORES


RENTABILIDADE = REFLEXO DAS DECISÕES DOS ADMINISTRADORES
IDENTIFICAÇÃO FÓRMULA REVELA
RENTABILIDADE DO a remuneração dos capitais
RPL = Lucro líquido x 100
PATRIMÔNIO LÍQUIDO próprios investidos na empresa.
Patim. líquido QUANTO MAIOR MELHOR.
(RPL)
FONTE: O autor

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


42 Ciências Contábeis

O quadro a seguir apresenta os prazos médios de contas a pagar, contas


a receber, ciclo operacional da empresa, ou seja, seu giro de realização de
caixa.

QUADRO 11 – PRAZOS MÉDIOS = POLÍTICA DE COMPRAS E VENDAS


PRAZOS MÉDIOS = POLÍTICA DE COMPRAS E VENDAS
IDENTIFICAÇÃO FÓRMULA REVELA
PMPC = Fornecedores x 360
PRAZO MÉDIO
DE PAGAMENTOS Compras (*) Em quantos dias a empresa paga
DAS COMPRAS suas compras em média.
QUANTO MAIOR MELHOR.
(PMPC)
(*) C = CMV + EF – EI
PRAZO MÉDIO DE
ROTAÇÃO DOS PMRE = Estoques x 360 Em quantos dias a empresa vende
ESTOQUES seus estoques em média.
CMV QUANTO MAIOR PIOR.
(PMRE)
PRAZO MÉDIO
Em quantos dias a empresa
DE RECEBIMENTO PMRV = Clientes a receber x 360
recebe suas vendas em média.
DAS VENDAS
Rec. Operac. Bruta
QUANTO MAIOR PIOR.
(PMRV)
O tempo decorrido entre a
CICLO
compra e o recebimento das
OPERACIONAL CO = PMRE + PMRV vendas em média.
(CO)
QUANTO MAIOR PIOR.
O tempo decorrido entre o
pagamento de fornecedores
CICLO e o recebimento pelas
FINANCEIRO CF = PMRE + PMRV – PMPC vendas; período que a
empresa necessita ou não de
(CF) financiamento do seu giro.
QUANTO MAIOR PIOR.
FONTE: O autor

O quadro a seguir apresenta os demais indicadores de rentabilidade da


empresa, que representam os resultados das decisões dos administradores da
empresa.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 43

QUADRO 12 – RENTABILIDADE = REFLEXO DAS DECISÕES DOS ADMINISTRADORES


RENTABILIDADE = REFLEXO DAS DECISÕES DOS ADMINISTRADORES
IDENTIFICAÇÃO FÓRMULA REVELA
Mostra quanto a empresa está
obtendo de retorno em relação aos
Taxa de Retorno seus investimentos totais. Por meio
Lucro Líquido x 100
dos Investimentos dele pode-se também determinar o
Ativo Total payback, ou seja, em quanto tempo
(TRI)
se recuperam os investimentos
totais efetuado no negócio.
Taxa de Retorno Mede a remuneração dos capitais
sobre o Patrimônio Lucro Líquido x 100 próprios investidos na empresa,
Líquido ou seja, quanto foi adicionado ao
Patrimônio Líquido patrimônio líquido decorrente do
(TRPL) resultado do período.
Giro do Ativo Vendas Líquidas Demonstra se o faturamento gerado
no período foi suficiente para cobrir
(GA) Ativo Total o investimento total.
Margem Bruta Lucro Bruto x 100 Representa a lucratividade auferida
sobre o produto ou serviço comer-
(MB) Receita Operacional Líquida cializado pela empresa.
Avalia o ganho operacional da em-
presa em relação ao seu faturamen-
Margem to. Este indicador revela a eficiência
Lucro Operacional x 100
Operacional operacional da empresa, medida
Receita Operacional Líquida exclusivamente em função de suas
(MO)
operações normais realizadas para
manutenção da atividade-fim.
Demonstra o retorno líquido da em-
presa sobre seu faturamento, após
Margem Líquida Lucro Líquido x 100 dedução das despesas operacionais
(ML) Receita Operacional Líquida e não operacionais e os impactos do
imposto de renda e da contribuição
social sobre o lucro.
FONTE: O autor

6 PARECER TÉCNICO

O nível de segurança que se obtém de um parecer técnico sobre a


situação econômica financeira de uma empresa está diretamente relacionado
ao período escolhido para a avaliação. Por isso, recomenda-se que essa
avaliação seja efetuada com base nas demonstrações financeiras de pelo
menos três exercícios sociais.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


44 Ciências Contábeis

Os índices facilitam bastante o trabalho de análise, uma vez que


a apreciação de certas relações ou percentuais é mais significativa que a
observação de montantes. De fato, os índices servem como um termômetro
da saúde financeira da empresa, porém, para fornecer um parecer conclusivo
é necessário analisar outros aspectos da estrutura financeira e econômica da
empresa.

Portanto, os índices não devem ser considerados isoladamente, e sim


num contexto mais amplo, onde cabe interpretar também outros indicadores
e variáveis. Muitas vezes, um alto grau de endividamento não significa que a
empresa esteja à beira da insolvência, já que existem outros fatores capazes
de atenuar essa condição.

O analista deve sempre ponderar sobre o ramo de atividade e as


peculiaridades do negócio da empresa, comparar os índices aos das empresas
concorrentes e com os índices-padrão que representam os índices médios de
diversas empresas que atuam no mesmo ramo de atividade da empresa em
análise.

6.1 ANÁLISE GERAL DOS ÍNDICES – PARECER

Prezado(a) acadêmico(a)! Finalizamos os nossos estudos sobre alguns


dos indicadores econômicos e financeiros utilizados pelas empresas.

A análise geral dos índices tende a focalizar todos os aspectos das


atividades financeiras da empresa, através da análise comparativa com a
indústria e da análise do histórico da própria empresa, a fim de identificar
as áreas que mais contribuíram ou afetaram o desempenho no período em
análise.

Ao final da análise, podemos elaborar um parecer a partir da análise geral.

Veja alguns tipos de redação de pareceres de análise que podem ser


emitidos para as empresas.

Tomemos como exemplos os resultados dos indicadores utilizados no


Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado da Empresa modelo A.

a) Liquidez: A liquidez geral da empresa parece exibir uma tendência


razoavelmente estável, tendo-se mantido em um nível relativamente
consistente com a média da indústria no ano X2, pois os indicadores estão
acima de 1. Parece que a empresa tem uma boa liquidez.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 45

b) Endividamento: As obrigações da empresa entre os anos X1 e X2


aumentaram e estão atualmente a um nível aceitável para a empresa. Ainda que
esse aumento, no índice de endividamento, possa ser causa de preocupação.
Aparentemente a empresa manteve sua capacidade para satisfazer suas
obrigações adequadamente.

c) Atividade: A administração dos estoques parece ter melhorado, e no


último ano o desempenho foi satisfatório para as atividades da empresa.
A empresa também está com um bom nível de atividades em duplicatas a
receber, pois o saldo desta conta reduziu de X1 para X2. A empresa também
aumentou suas contas de fornecedores, ela está pagando, aproximadamente,
30 dias mais tarde que a média geral dos últimos anos. Embora os índices de
liquidez da empresa estejam em patamares adequados e alinhados com a
média da dos últimos anos, deve-se dedicar alguma atenção à administração
dos estoques e contas a pagar de fornecedores.

d) Lucratividade: A lucratividade da empresa no ano X2 foi menor que X1,


embora que ainda as receitas de vendas tenham aumentado de um exercício
social para outro. Inclusive podemos observar no quadro 5 da Demonstração
do Resultado do Exercício que a margem bruta (Lucro Bruto) aumentou. O que
levou a empresa a reduzir seu Lucro Operacional (Resultado Operacional) foi
a amortização do ágio pago em ações, que durante o ano de X2 foi bem mais
elevado.

e) Resumo Geral: Em síntese, parece que a empresa está crescendo e


recentemente expandiu seus ativos que estão sendo financiados basicamente
através do uso do capital de terceiros. O período entre os anos X1 e X2 reflete
uma fase de ajuste e recuperação do rápido crescimento dos ativos. Os lucros
e demais indicadores de desempenho da empresa parecem estar crescendo
junto com o aumento no tamanho da operação, se forem comparados com
exercícios sociais anteriores.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Caro(a) acadêmico(a)! Chegamos ao final desta apostila. Esperamos que


você tenha avançado no seu conhecimento sobre estes aspectos, pois é de
fundamental importância conhecer e aplicar os índices de análise nas empresas.
Pois é com base nesses indicadores que os administradores tomarão decisões para
o futuro de suas empresas que visam assegurar a sua continuidade no mercado.

Sucesso!

Até breve!

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


46 Ciências Contábeis

AUTOATIVIDADE
1 O que reflete o Balanço Patrimonial de uma empresa?

2 Quais são os fatores que levam à consolidação da necessidade de realizar a


Análise das Demonstrações Contábeis?

3 Que tipo de informação gerencial a Análise Horizontal poderá proporcionar


ao analista?

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


Análise das Demonstrações Contábeis 47

REFERÊNCIAS
IUDÍCIBUS, Sergio de. Análise de balanços. 7. ed. São Paulo: Atlas, 1998.

MARION, Carlos. Análise das demonstrações contábeis: contabilidade empresarial.


3. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

SANTI FILHO, Armando de; OLINQUEVITCH, José Leônidas. Análise de balanços


para controle gerencial: análise sobre o fluxo de caixa e previsão de rentabilidade.
3. ed. São Paulo: Atlas, 1993.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.


48 Ciências Contábeis

GABARITO
1 O que reflete o Balanço Patrimonial de uma empresa?

R.: O Balanço Patrimonial reflete a posição financeira de uma empresa


em um determinado momento (normalmente no fim de ano). Essa posição
é a fotografia financeira da empresa naquele momento.

2 Quais são os fatores que levam à consolidação da necessidade de realizar a


Análise das Demonstrações Contábeis?

R.: Os diversos tipos de operações de compra e venda de mercadorias


a prazo, e inclusive as operações entre empresas do mesmo grupo, as
decisões dos próprios gerentes (embora com enfoques diferentes em
relação aos outros interessados) na avaliação da eficiência administrativa
e na preocupação do desempenho de seus concorrentes e as atividades
operacionais dos seus funcionários levam a consolidar a necessidade
imperiosa da Análise das Demonstrações Contábeis.

3 Que tipo de informação gerencial a Análise Horizontal poderá proporcionar


ao analista?

R.: A Análise Horizontal (ou Análise de Séries Temporais) avalia o


desempenho da mesma empresa ao longo do tempo, ou seja, há a
comparação do desempenho atual com o desempenho do passado.
Utilizando-se índices de análise horizontal, possibilita verificar se
a empresa está progredindo como planejado (ou não). Esse tipo
de análise é muito mais fácil de ser executado, já que a empresa
normalmente tem em mãos seus balanços de períodos anteriores,
podendo ser facilmente utilizado por empresários para avaliar o
desempenho das suas próprias ações e o desenvolvimento desses
índices ao longo dos anos.

Copyright © Editora GRUPO UNIASSELVI 2012. Todos os direitos reservados.