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Problemas actuais em Psicologia do Desenvolvimento

Actualmente existe consenso ao considerar que o desenvolvimento é resultante de um jogo


compelxo entre factores de ordem biológica e ambiental, procurando compreender-se como, em
diferentes momentos, estes factores se relacionam.

Outra questão foi a de saber se o desenvolvimento se caracterizava por mudanças contínuas ou


por descontinuidades. Numa tentativa de esclarecer tal facto, vários autores tentaram precisar o
conceito de estádio (Flavell):
1. Distinguem-se por mudanças qualitativas (descontinuidades) no processo de
desenvolvimento. A descontinuidade que acompanha a emergência da participação activa
da criança em conversações marca uma etapa.
2. Existem mudanças fundamentais em cada estádio, tanto ao nível do pensamento como
dos comportamentos e estas estão relacionadas entre si.

Siegler e outros são defensores de uma cerca continuidade (teorias de processamento da


informação. Bandura e outros são partidários da aprendizagem social na modulação do
comportamento.

A par destas discussões surge a noção de período crítico, i.e a ideia de que haveria momentos
determinantes para a ocorrência de certas aprendizagens, que caso não ocorressem provocariam
consequências irreversíveis. No entanto, esta noção deve ser relativizada, considerando-se que a
capacidade de adaptação e de transformação se mantém por período muito mais latos e flexíveis.

Em perspectivas actuais, diminuiu o interesse pelo estudo das características gerais do


desenvolvimento e aumentou o interesse pelo funcionamento do sujeito real em situação,
designadamente os procedimentos utilizados e os seus modos de representação, não sendo
considerados como resultados exclusivos das competências cognitivas do sujeito mas postos em
relação com as características da própria situação e problema. Isto porque o sujeito é sobretudo
estudado nos seus contextos reais de vida. Como é que as rotinas quotidianas, as interacções com
os parceiros sociais, a par com os progressos em aquisições tais como a linguagem podem
interferir num processo de desenvolvimento e de aprendizagem.

A própria linguagem, mais do possuir uma função de comunicação assume também uma função
de representação (valor semiótico). Deste modo, explora-se sobretudo o reflexo da apropriação e
utilização da linguagem no pensamento, de modo inverso à teoria piagetiana.

Outro tema de preocupação actual é a representação de experiências de vida, do seu papel no


desenvolvimento e aprendizagem e as relações entre desenvolvimento e educação.

Desenvolvimento e Educação

Tentativas de aplicação da perspectiva piagetiana à educação:


3. Revisão de currículos;
4. Definição de objectivos de ensino;
5. Reformulação de métodos de ensino;
6. Avaliação e diagnóstico de dificuldades de aprendizagem;
7. Construção de programas de educação compensatória para colmatar dificuldades de
aprendizagem;
8. Formação de professores.

Na maturação das aplicações de Piaget à educação subsiste o princípio de respeito pela escola e
pelas aprendizagens em determinada sociedade e uma recusa em transpor directamente aspectos
da teoria à realidade da educação. Explora-se sim a forma como a criança reconstrói o saber
escolar que lhe é transmitido, ou seja, os níveis de construção psicogenética dos conteúdos
escolares.

Com Vygotsky, o desenvolvimento psicológico é encarado como consequência da aprendizagem


e da educação. Ora, existe uma dupla função dos signos (sistemas semióticos) na sua relação
com o desenvolvimento e o pensamento: são instrumentos constituintes do pensamento e
instrumentos mediadores das experiências sociais onde ocorre a sua apropriação. Assim, a
análise do processo educativo implica compreender como é que as significações e habilidades
externas se tornam internas. A educação é, deste modo, um momento constituinte essencial do
desenvolvimento de características humanas não naturais, adquiridas ao longo do
desenvolvimento histórico.

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