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Há 25 anos, a linha Natura Crer Para Ver escreve uma história

que começou com um sonho: transformar a realidade do


Brasil por meio da Educação.

O livro “Um sonho feito de linhas” foi inspirado e construído


a partir das histórias de milhares de Consultoras de Beleza
Natura. Essa rede que, quando compra, divulga e vende algum
item de Crer Para Ver, colabora para que milhares de crianças
e jovens de todo o país escrevam a sua própria história.

Este é um movimento da linha Natura Crer Para Ver pela


alfabetização de todas as crianças do Brasil até os 7 anos
de idade.

Saiba mais sobre o movimento


#EuEscrevoEssaHistoria, assine
nossa declaração e conheça os
conteúdos da série “Conversas
sobre Alfabetização” em:
www.euescrevoessahistoria.com.br
Ana Carolina Carvalho
Em uma cidade pequena e cheia
de silêncios, vivem uma costureira e
sua filha. A música da máquina, a magia
das roupas sendo feitas, os bordados
delicados, tudo isso enche a casa de
alegria e faz festa na cabeça da menina.
Brincando no alto das árvores do
quintal, ela inventa moradas e espetáculos,
alinhavando sonhos e histórias.

FIOS
Ilustrações Andréia Vieira
© Ana Carolina Carvalho (texto) e Andréia Vieira (ilustrações), 2020
Ana Carolina Carvalho
Coordenação editorial: Graziela Ribeiro dos Santos
Assistência editorial: Olívia Lima
Preparação: Marcia Menin
Revisão: Carla Mello Moreira

Edição de arte: Rita M. da Costa Aguiar


Impressão: Plural Indústria Gráfica Ltda.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Carvalho, Ana Carolina


Um sonho feito de linhas / Ana Carolina Carvalho ;
ilustrações Andréia Vieira. -- 1. ed. -- São Paulo :
Edições SM, 2020.

ISBN 978-65-5744-053-7

1. Ficção - Literatura infantojuvenil


2. Literatura infantojuvenil I. Vieira, Andréia.
II. Título.

20-36078 CDD-028.5

Índices para catálogo sistemático:


1. Ficção : Literatura infantil 028.5
2. Ficção : Literatura infantojuvenil 028.5

Maria Alice Ferreira - Bibliotecária - CRB-8/7964 Ilustrações Andréia Vieira

1ª edição julho de 2020

Todos os direitos reservados à

SM EDUCAÇÃO
Rua Tenente Lycurgo Lopes da Cruz 55
Água Branca 05036-120 São Paulo SP Brasil
Tel. (11) 2111-7400 Fonte: QuartoSlab
https://www.grupo-sm.com/br Papel: Offset 90 g/m2
Há vinte e cinco anos, a linha Natura Crer Para Ver escreve uma
história que começou com um sonho: transformar a realidade do
Brasil por meio da educação. Estamos comprometidos em garantir
que todas as crianças estejam na escola e aprendam a ler e a escre-
ver até os sete anos de idade, que os nossos jovens se desenvolvam
de forma completa em um Ensino Médio de qualidade e que as Con-
sultoras de Beleza Natura tenham cada vez mais oportunidades por
meio da educação.
Este livro, que faz parte de um movimento pela alfabetização das
crianças do Brasil, simboliza a nossa responsabilidade com essa causa
e também nosso desejo de uma sociedade mais justa e igualitária. Além
disso, é um convite para que, juntos, possamos escrever novas histó-
rias de transformação por meio da educação.
A narrativa deste livro foi inspirada na vida das Consultoras de Bele-
za Natura de todo o País. Mulheres que desbravam horizontes e supe-
ram desafios. Mulheres que colaboram ativamente com a construção
de uma educação pública de qualidade.

#EuEscrevoEssaHistória
Dedico este livro aos milhares de Consultoras de
Beleza Natura, cujos sonhos e histórias de vida foram
fundamentais para a costura desta narrativa.

Ana Carolina
Em uma cidade pequena e cheia de silêncios, feita de duas ruas
apenas, uma escola e uma praça com igreja, viviam uma mulher...

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… e sua filha.

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A menina e sua mãe.
As duas moravam na última casa da segunda rua, perto da saída
da cidade.
A mãe era costureira e passava as horas diante de sua máquina
de costura. Tecia roupas de festa e de boneca, roupas para gente
grande e para gente pequena. As roupas viajavam e eram vendidas
em uma cidade vizinha maior que aquela tão pequenina.
A menina gostava de ficar perto da mãe, observando seus pés no
pedal da máquina, suas mãos sempre ágeis, mágicas, e ouvindo
a música ritmada da costura sendo feita.

– Às vezes, o som da sua


máquina se parece com
o barulho de trem, mamãe!
E as duas viajavam pelas fazendas de tecido...

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No entanto, havia festa no pensamento
da menina, que inventava histórias para os
bordados, como se a mãe costurasse personagens
de livros bem diferentes. Aí ela começava a contar:

– Era uma vez uma princesa


remendada, que vivia desalinhada
Nos dias em que não estava em um reino feito de linhas…
trabalhando na máquina, a mãe bordava
histórias em desenhos muito delicados. A mãe ria das histórias criadas pela filha,
Nesses momentos, o silêncio cobria e a música do riso solto habitava todos os
todos os cantos da casa. cantos da casa.

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A menina também gostava de
sonhar no quintal coalhado de árvores.
Nos galhos mais altos em que conseguia
subir, inventava moradas, vivendo no
último andar de um prédio imaginário.

Até que um dia, em uma terça-feira do


mês de maio, bem quando a menina estava
pendurada no último andar, ela viu chegar
o que só tinha visto na televisão e em livro.

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Primeiro, apareceram carros que mais
pareciam casas, com portas, janelas, cortinas
e escadas para alcançar o chão. Dos carros Teve até uma moça que fazia estrelas no
saíam pessoas de todo tipo. E como eram ar com suas pernas finas e um homem que
animadas e diferentes no jeito de agir, pulava com uma perna só e depois com as
parecendo festejar a chegada à cidade! duas juntas, como se estivesse buscando o
Algumas tocavam instrumentos musicais céu em um jogo de amarelinha.
e entoavam canções em línguas A menina ria sozinha e se perguntava:
desconhecidas. Outras corriam, saltavam
e dançavam.

“De que mundos


essas pessoas
tão interessantes
vieram?”.

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Depois, surgiu um caminhão grande, carregando
uma lona listrada de vermelho e branco, que logo foi içada
como um bicho gigantesco.
Fera mansa e silenciosa, presa por muitas e muitas cordas,
aquela estrutura parecia ser o telhado de uma casa enorme,
pronta para acolher todos os habitantes da cidade.
Foi então que a menina entendeu o que significava tudo
aquilo que se instalava no terreno ao lado de sua casa.
Esqueceu-se do prédio imaginário e agora sonhava
com um imenso picadeiro. Balançava-se em cordas
presas nos galhos como uma trapezista
experiente, imaginando sustos, suspiros
e palmas de um público enfeitiçado.

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Na noite de estreia do circo, vestiu a roupa mais bonita que a mãe
já havia feito. E várias e várias vezes ela voltou a assistir ao espetáculo.
Os vizinhos artistas tornaram-se amigos da menina e de sua mãe.
Passavam quase todas as tardes colorindo a casa delas, ouvindo
juntos o compasso da máquina de costura.

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Um dia, como era de esperar, o circo
partiu, mas levou na bagagem novas
fantasias, todas bordadas.
A menina continuava a sonhar com
uma vida no picadeiro. Virava e mexia,
pedia para a mãe costurar seus desejos.

— E o que você vai


ser agora, minha filha?

Aí surgiam malhas de trapezista,


saias de bailarina, calças largas de
palhaço para os momentos de alegria...

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O tempo passava, e o quintal e as árvores
pareciam encolher a cada ano. Os pés
da trapezista já roçavam o chão. Não havia
mais sustos, suspiros e palmas de um
público enfeitiçado.

— Minha mãe, eu preciso


costurar meu caminho por aí.
A menina estava certa. Um dia, as mãos da mãe
deixariam de bordar histórias para a filha morar
e ela teria de cerzir o próprio tempo.
A mãe, porém, não queria que a menina fosse embora.
Por isso, cada vez inventava um argumento:
— Você tem jeito para ser costureira, como sua avó foi,
como eu sou.
— O mundo é tão grande... E se você for e não souber voltar?
No entanto, a menina, agora moça, não cabia mais naquela
cidade tão pequena e silenciosa. Ela queria dar outros saltos.
— Um dia eu volto, mãe. Você não acredita em mim?

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A mãe desacreditava. O mundo era vasto e a
cidade parecia se encolher ainda mais quando se
via o que existia por aí. Quem saía não costumava
voltar...
Mas a moça sabia o que queria. Então a mãe,
contrariada, deu-lhe as economias a custo
guardadas e, triste, com medo de nunca mais vê-la,
observou a filha se afastar.
Também com o coração apertado, a moça pegou Ah, como era longa a linha daquele pedaço da vida! E ainda
a estrada rumo à estação de trem da cidade vizinha havia muitos fios para amarrar...
e partiu, seguindo a linha de sua vida. Quando possível, mãe e filha conversavam por telefone. A filha
pedia para a mãe descrever suas costuras; a mãe queria saber das
novidades da filha: era ela trapezista? Morava em um último andar
arranhando o céu?
A moça, porém, costurava segredos. Queria presentear a mãe
com surpresas.
As vozes trocadas de longe não davam conta de matar a saudade.
A filha sentia falta da mãe; a mãe sentia falta da filha.
A volta era uma promessa que demorava a ser cumprida.

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Até que um dia, em uma terça-feira do mês de maio, enquanto
costurava, a mãe ouviu palmas do lado de fora.
Ao abrir a porta, explosão de música de risos e beijos. Euforia!
A filha carregava uma espécie de máquina de costura. Só que essa
máquina não fazia roupas; sua costura era de outro tipo. Com ela,
a moça juntava os fios de muitas histórias de pessoas reais e de
personagens inventadas. Fazia de conta, como sempre fazia quando
morava em galhos de árvore ou balançava-se em cordas como uma
valente trapezista.

— Uma escritora?
— Ainda não, minha mãe!
E foi logo explicando:
— Mas já escrevi meu primeiro livro e sonho com os próximos.
Toma, este eu trouxe especialmente para você.
A mãe ficou sem palavras, emocionada. A filha continuou:
— O mundo é mesmo imenso, mãe. Há pedacinhos dele
costurados nesse meu livro e nos outros tantos que trago comigo
para que todos daqui possam conhecer outros jeitos de tecer a vida.

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A cidade pequena e cheia de silêncios, feita de duas ruas apenas,
uma escola e uma praça com igreja, teria também uma biblioteca.
E o mundo, vasto mundo, habitaria as paredes de uma velha casa
ao lado da escola de uma cidade pequena...

...e agora cheia de histórias.


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Sobre a autora
Ana Carolina Carvalho nasceu em São Paulo, em 1971. De lá para
cá, costurou e descosturou muitos caminhos. Estudou Psicologia
e hoje trabalha na área de educação, com formação de leitores.
A literatura sempre a ajudou a tecer olhares para o mundo. Há
alguns anos passou a inventar e escrever histórias, como fez neste
livro que chegou até você.

Sobre a ilustradora
Andréia Vieira nasceu em São Paulo, em 1975. É artista visual e
ilustradora e autora de livros para crianças. Também ministra ofici-
nas lúdicas e educativas em espaços culturais e literários.
Para ela, as artes, como a da costura, do bordado, do trapézio,
da literatura e tantas outras, nos inspiram a superar desafios com
coragem, beleza e afeto.

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