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6 RODOVIAS&VIAS
editorial
Ano 11 - Edição 48 - Dezembro/2010
Distribuição dirigida e a assinantes
Uma publicação da Rodovias Editora e Publicações Ltda.
CNPJ/MF.: 03.228.569/0001-05
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Tiragem - 30 mil exemplares

A tiragem desta edição de 30.000 exemplares


é comprovada pela BDO Auditores Independentes.

Diretoria Geral
Dagoberto Rupp
dagoberto@rodoviasevias.com.br
RELAÇões de mercado financeiro
João Rodrigo Bilhan Jaqueline Karatchuk
rodrigo@rodoviasevias.com.br jaqueline@rodoviasevias.com.br
ADMINISTRATIVo
Paula Santos Mônica Cardoso

Democracia no trânsito
paula@rodoviasevias.com.br monica@rodoviasevias.com.br
comercial (DEC)
Paulo Roberto Luz João Augusto Marassi

S entados ao volante, muitos de nós nos transformamos. Ao pisar no paulo@rodoviasevias.com.br joao@rodoviasevias.com.br


João Claudio Rupp
acelerador e sentir o motor tremer, ao mesmo tempo em que o au- joaoclaudio@rodoviasevias.com.br
tomóvel entra em movimento, temos uma sensação de poder – muito maior conselho editorial
Dagoberto Rupp João Claudio Rupp
do que deveria, levando em conta a razão primeira para a qual o veículo foi fa- dagoberto@rodoviasevias.com.br joaoclaudio@rodoviasevias.com.br
bricado. A incrível invenção, que nos transporta de um ponto a outro em um João Rodrigo Bilhan
rodrigo@rodoviasevias.com.br
João Augusto Marassi
joao@rodoviasevias.com.br
curto espaço de tempo, está profundamente “glamourizada” e, muito mais Carlos Marassi Fábio Eduardo C. de Abreu
marassi@rodoviasevias.com.br fabio@rodoviasevias.com.br
que um sonho de consumo, tornou-se arma em mãos comandas por cabeças Paulo Roberto Luz Edemar Gregorio
frágeis. Um importado do ano, com freios ABS e airbag, rodando a 200 km/h, paulo@rodoviasevias.com.br edemar@rodoviasevias.com.br

pode ser tão perigoso quanto um “é veio mas é meu” a 60 km/h. É nesta épo- JORNALISTA RESPONSÁVEL - Davi Etelvino (SC 02288 JP)
davi@rodoviasevias.com.br
ca de transição no nosso calendário que as rodovias se tornam o lugar mais revisão - Karina Dias Occaso
democrático do planeta, onde todos se encontram. Sem o mínimo de respei- karina@rodoviasevias.com.br

to, não existe a menor possibilidade de convivência. Projeto gráfico e ilustrações

Rodovias&Vias resgata o assunto alertando não só para os acidentes,


mas também para outras formas de violência. Fomos buscar dados e estatísti- studio@verttice3d.com
Central de Jornalismo
cas para mostrar os perigos que habitam a malha rodoviária nacional. Álcool,
Carlos Marassi Leonilson Carvalho Gomes
drogas, exploração infantil, assaltos e outros crimes tornam o ambiente hostil. marassi@rodoviasevias.com.br leonilson@rodoviasevias.com.br
Fernando Beker Ronque Estanis Neto
Dando sequência às nossas editorias habituais, mostramos os avanços fernando@rodoviasevias.com.br estanis@rodoviasevias.com.br
dos estados de Santa Catarina e Maranhão ao receberem investimentos ex- Davi Etelvino
davi@rodoviasevias.com.br
Marcelo Ferrari
ferrari@rodoviasevias.com.br
pressivos em suas malhas rodoviárias. De outro lado, mostramos as mazelas Leandro Dvorak Oberti Pimentel
leandro@rodoviasevias.com.br oberti@rodoviasevias.com.br
dos terminais aéreos, que impedem o país de avançar. Duas matérias trazem Paulo Negreiros Uirá Lopes Fernandes
negreiros@rodoviasevias.com.br
à tona o modal de transporte nacional menos explorado, as hidrovias. Além Leonardo Pepi Santos
uira@rodoviasevias.com.br
Dagoberto Rupp Filho
disso, nesta edição focamos a história das eclusas de Tucuruí e também a leo@rodoviasevias.com.br dagoberto.filho@rodoviasevias.com.br
atendimento e assinaturas
contribuição dos EUA na hidrovia do São Francisco. Na Rússia, fomos buscar o
Mari Iaciuk Raquel Coutinho Kaseker
caldo que engrossou a matéria sobre a maior malha ferroviária do mundo e a mari@rodoviasevias.com.br raquel@rodoviasevias.com.br
Colaboradores Webdesign
lendária Transiberiana.
Caroline Debignies Fernando Beker Ronque
Para suas férias, trazemos a Bahia até você numa entrevista exclusiva Carlos Guimarães Filho fernando@rodoviasevias.com.br

com o Governador reeleito Jaques Wagner. logística


Juliano Grosco
Como não poderia deixar de ser, Rodovias&Vias publica nesta edição juliano@rodoviasevias.com.br
Juvino Grosco Ricardo Adriano da Silva
de dezembro as modernas tecnologias que chegam ao mercado (como o as- jgrosco@rodoviasevias.com.br ricardo@rodoviasevias.com.br
Marcelo C. de Almeida Tiago Casagrande Ramos
falto poroso) e o que o mercado está fazendo para manter aquecido o setor marcelo@rodoviasevias.com.br tiago@rodoviasevias.com.br
vital no crescimento do país. Encontros como Modernas Técnicas Rodoviárias Alexsandro Hekavei Aélcio Luiz de Oliveira Filho
alex@rodoviasevias.com.br aelcio.filho@rodoviasevias.com.br
(Florianópolis) e ConstruBusiness (São Paulo) levantam a lebre e apontam Bem-Estar
Clau Chastalo Maria Telma da C. Lima
soluções. Cabe à Rodovias&Vias divulgar e aos empresários e governantes clau@rodoviasevias.com.br telma@rodoviasevias.com.br
absorver. Ana Cristina Karpovicz
cris@rodoviasevias.com.br
Paulo Fausto Rupp
paulofausto@rodoviasevias.com.br
Finalmente, e sem modéstia, republicamos a premiada reportagem so- Maria C. K. de Oliveira Janete Ramos da Silva
maria@rodoviasevias.com.br janete@rodoviasevias.com.br
bre concessões rodoviárias no Brasil. Com este material, Rodovias&Vias ga-
nhou o Prêmio ABCR de Jornalismo, o que revela nosso empenho em levar
até você informação de qualidade no que diz respeito ao transporte nacional.
Boa leitura e um 2011 com muito progresso!

Central de Jornalismo
R ODOVIAS
Artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Revista, sendo de V
& IAS
total responsabilidade 7
do autor.
ÍNDICE

Política 20

ferrovias 26

Santa Catarina 28

capa 32

Aeroportos 42

exclusiva 13 redore 48
39.a Reunião dos DERs

pontes 52

Tecnologia 54
Asfalto poroso

portos 56
64

Jaques Wagner
Hidrovias 62
78
Brasil e EUA

EM TEMPO 18
maranhão 66
na medida 92
mercado 72
artigos 96 Modernas técnicas rodoviárias

negócios 74
da Redação 98 ConstruBusiness

prêmio abcr 79
86

Hidrovias90
Tucuruí

8 RODOVIAS&VIAS
nesta edição:

32

Pela Paz nas Rodovias

56 52

Portos

62

Hidrovias Pontes

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10 RODOVIAS&VIAS
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exclusiva

Fotos: Manu Dias

JaquesGovernador
Wagner Baiano
Bahia, potência nordestina

N ascido em 16 de março de 1951, na cidade do Rio de Janeiro, Jaques Wagner entrou


muito novo para o Movimento Estudantil e em 1968 já presidia o Diretório Acadêmico
da faculdade de Engenharia da PUC. Perseguido pelo regime militar, mudou-se para Salvador
em 1974. Seis anos depois, conheceu Lula, de quem virou amigo pessoal e ganhou o apelido
de “Galego”. A convivência o influenciou a ponto de executar manobras políticas expressivas,
como a fundação da CUT e do PT na Bahia. Eleito três vezes Deputado Federal, foi também
Ministro do primeiro governo Lula. Sua reeleição para o governo baiano em 2010, vencida no
primeiro turno com mais de 4 milhões de votos, o fortaleceu como um dos homens fortes do
PT nacional. Independente disso, segundo ele próprio explica nas próximas páginas, a Bahia
deve continuar recebendo grandes investimentos do Governo Federal para se manter à fren-
te do processo de desenvolvimento do Nordeste.

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exclusiva

Rodovias&Vias - A Bahia recebeu impor- aqui na Bahia, em 2007, um modelo de ad-


tantes investimentos em infraestrutura de ministração republicana que já havia sido
transportes durante o seu mandato e o senhor implantado no Governo Federal em 2003,
foi reeleito no primeiro turno, com mais que o com a vitória do Presidente Lula. É justa-
dobro de votos da soma de seus principais ad- mente isso o que eu disse agora, do patri-
versários. Até que ponto esses investimentos mônio político imaterial que está sendo
refletem no resultado das urnas? construído no Brasil e na Bahia. Se, por um
É claro que um governo operoso tem mui- lado, estarmos alinhados com o Governo Fe-
ta visibilidade em obras de infraestrutura. Mas deral facilita a negociação para aprovação
eu acredito que o julgamento popular se dá de projetos e liberação de verbas, por outro,
muito mais em função do conjunto da obra. ser da oposição não dificulta este processo,
No processo eleitoral brasileiro, onde há o porque o que rege esta negociação é o inte-
instituto da reeleição, as obras visíveis, como resse público, e não a amizade entre este ou
construção e recuperação de estradas, bene- aquele gestor. O Presidente Lula governa
ficiam milhares de pessoas que reconhecem o para todos os brasileiros, independente de
bom trabalho que está sendo feito pelo gestor alinhamento político, e nós, na Bahia, esta-
e isso acaba se refletindo na hora da votação. mos fazendo o mesmo trabalho.
No nosso caso isso
aconteceu com maior
ênfase por duas ra-
zões principais: pela
degradação da malha
viária e pelo enorme
atraso da infraestru-
tura essencial para
viabilizar o desenvol-
vimento, a exemplo
de ferrovias, portos
e aeroportos. Mas há
também outro pon-
to muito importante,
que é a obra imaterial
que estamos cons-
truindo e que se ex-
pressa na liberdade
que os baianos têm
hoje para escolher
seus governantes,
que os empresários têm para fazer seus inves- O estado baiano tem uma das principais
timentos e tomar decisões. E é este patrimônio economias do país. Além da indústria petro-
que, acredito, o baiano mais valorizou na hora química, tem uma agricultura forte e variada,
de escolher seu candidato. sem falar no turismo, que gera preciosas divi-
sas e empregos todos os anos. De que manei-
Seu governo teve um aporte volumoso ra o governo estadual participa desse proces-
de recursos por parte do Governo Federal, so?
que é comandado pelo mesmo partido (PT) O governo participa ativamente criando
que compõe o governo da Bahia. O senhor as condições necessárias para que o estado se
acredita que o mesmo aconteceria se fos- desenvolva de forma sustentável e dentro da fi-
sem partidos adversários? losofia de que o bolo cresce mais se for melhor
Eu tenho certeza de que sim. E a maior repartido. Entre estas condições que o governo
prova disso é o estado de São Paulo, admi- cria, está o investimento em infraestrutura, fun-
nistrado pela oposição. Nós inauguramos damental para os empresários se sentirem se-

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guros quanto à competitividade do preço final sos tipos de embarcações. Navios que vão para
de seus produtos. Vou dar um exemplo: o Presi- o porto, ferryboat entre Itaparica e Salvador e
dente Lula acaba de assinar a ordem de serviço barcos de passeio de todos os tamanhos. De que
para o início da construção da Ferrovia da Inte- maneira o governo pode intervir para otimizar
gração Oeste-Leste, que vai cortar a Bahia desde essa hidrovia sem comprometer o meio ambien-
a divisa com o Tocantins, até Ilhéus, no sul, onde te?
será construído um novo porto para escoamen- Projetamos um novo vetor de desenvolvi-
to da produção mineral, agropecuária, entre mento a partir da interligação da Via Expressa com
outras. Mas não basta a infraestrtura. É preciso a ponte Salvador Itaparica, que expandirá para o
que os empresários tenham pessoal qualifica- vetor oeste, ligando Salvador à BR-242, à BA-001 e
do para suprir a demanda de mão de obra em ao baixo sul. Uma obra da magnitude desta pon-
suas indústrias. E esta qualificação profissional te sempre aquecerá o debate, principalmente no
também é atribuição do governo estadual: au- que diz respeito à sustentabilidade, ao meio am-
mentamos as vagas no ensino profissionalizan- biente. Eu acredito que não há forma melhor de se
te de 4 mil para mais de 40 mil, espalhadas em aprimorar os projetos do que o debate envolven-
103 unidades de ensino espalhadas por todos do urbanistas, engenheiros, projetistas e ambien-
os territórios. Ainda para os empresários, em es- talistas. O processo em curso sobre a construção
pecial na indústria e no comércio, temos incen- da ponte me anima. Nós temos a maior densidade
tivos fiscais, preços demográfica den-
incentivados para tre todas as capitais
aquisição de terre- “o Presidente Lula acaba de assinar a ordem de do país, estamos
nos para implanta- serviço para o início da construção da Ferrovia da In- com cerca de 9,5
ção de indústrias e tegração Oeste-Leste, que vai cortar a Bahia desde mil habitantes por
consequente gera- a divisa com o Tocantins, até Ilhéus, no sul, onde quilômetro qua-
ção de emprego e drado. Não há mais
renda para os baia-
será construído um novo porto” território para o
nos. Para o turismo, crescimento de Sal-
temos um trabalho vador e é necessária
constante de divulgação do destino Bahia den- uma integração maior entre a capital e as belezas
tro e fora do Brasil, realizamos a formação de do recôncavo e do litoral sul, com destaque para
mão de obra. a Baía de Camamu e toda a região do chamado
Apesar de ser um dos principais destinos baixo sul. O sistema ferryboat apresentou um
turísticos de estrangeiros e brasileiros de ou- incremento de 30% na sua movimentação
tros estados, o baiano ainda é maioria entre com a inauguração da BA-001. A demanda vai
os turistas que circulam na Bahia. Por que isso aumentar quando fizermos a integração Ca-
acontece? navieiras-Belmonte, e este meio de transporte
O baiano é um povo que nutre um amor ficará cada vez menos capaz de atender satis-
imenso por sua terra, por sua história, por sua fatoriamente o fluxo que teremos descendo
cultura e por suas raízes. E a Bahia é um estado pelo baixo sul, seja para o turismo, seja para
que oferece inúmeras possibilidades turísticas. os negócios. São muitos os empreendimen-
Temos o maior litoral do Brasil, com cerca de tos de hotelaria que se preparam naquela re-
mil quilômetros de praias, temos serras, cacho- gião.
eiras e grutas na Chapada Diamantina, temos o Eu não tenho dúvida de que a forma como
enoturismo na região do São Francisco, temos a isso está sendo preparado, através da Pro-
região de Porto Seguro, onde o Brasil foi desco- posta de Manifestação de Interesse e de um
berto. E, a exemplo do que acontece em todo o amplo diálogo com a sociedade, resultará em
país, o poder aquisitivo do baiano está crescen- um projeto que venha ao encontro do sonho
do, é natural que a população da Bahia aprovei- da nossa gente, que quer desfrutar uma ilha
te das maravilhas desta terra. preservada, mas quer ter um acesso mais fácil
a este presente que Deus nos deu. Nós quere-
Pela Baía de Todos os Santos circulam diaria- mos interligar Salvador ao sul e ao baixo sul, e
mente pessoas e mercadorias, nos mais diver- isso não pode ser feito pelo sistema de ferry-

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exclusiva

“Expandimos os serviços de saúde, de


educação profissional, reduzimos o anal-
fabetismo e temos investimentos federais
assegurados num volume nunca antes visto.
Os grandes projetos de infraestrutura,
como a Ferrovia e o complexo Porto Sul,
aliados aos investimentos privados vão,
finalmente, colocar a Bahia no lugar onde
ela merece estar.”
Jaques Wagner

boat porque, por mais que consigamos melhorá- tamento de todo o potencial do Velho Chico.
-lo, seguramente não é a melhor resposta para Tanto a irrigação quanto a navegação, quanto
as necessidades de Salvador e de toda a Região o suprimento de água para as cidades e para as
Metropolitana. criações dependem da saúde do rio. Para isso, é
urgente recuperar a vegetação das nascentes,
O principal rio do Nordeste, o São Francisco, as matas ciliares, as obras de saneamento para
atravessa o território baiano desde a divisa com evitar o lançamento de resíduos não tratados e a
Minas Gerais até as fronteiras com Pernambu- boa gestão das águas do São Francisco. A natu-
co, Alagoas e Sergipe. Qual sua opinião sobre reza nos foi generosa não só pela beleza e pela
ele e a respeito das obras que acontecem nele? abundância das águas que cortam boa parte do
Uma ampla mobilização que envolve os go- semiárido, mas também com a resistência do rio,
vernos federal, estadual e municipais, além de dando-nos a chance de corrigir os muitos erros
empresas, trabalha para a recuperação da nave- do passado.
gação, em escala comercial. A hidrovia recebe
investimentos do PAC 2, que inclui a construção Como o senhor avalia a qualidade da malha
de estaleiros e portos. Estão previstos investi- rodoviária baiana e quais os planos para ela nos
mentos de R$ 399 milhões até 2014 na hidrovia, próximos quatro anos?
que sai de Pirapora, em Minas Gerais, e segue até Encontramos as estradas baianas numa situ-
Juazeiro, perfazendo o total de 1.371 km. Entre os ação que acarretava aumento de gastos no setor
benefícios apontados com a manutenção, está de transportes, contribuindo também para a ele-
a garantia da navegação durante todo o ano e a vação do número de acidentes nessas estradas
diminuição pela metade do tempo de viagem, e do custo de produção agrícola. Nós temos um
além das vantagens econômicas do transporte programa de recuperação de rodovias, o Progra-
hidroviário em comparação ao rodoviário. Um ma de Restauração e Manutenção de Rodovias,
único comboio hidroviário de 6 mil toneladas conhecido como Premar, que prevê a recupe-
substitui 150 carretas de 40 toneladas, o que re- ração dos chamados corredores estruturantes,
duz o valor do frete, gera impacto positivo no responsáveis pelo escoamento da produção
meio ambiente e reduz o desgaste das estradas. agrícola do oeste para o leste do estado e pelas
As obras atualmente em curso são abso- estradas de maior volume de tráfego. O Senado
lutamente fundamentais para o bom aprovei- aprovou o Projeto de Resolução 22/07, enviado

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exclusiva

pelo Presidente Lula, que autoriza a Bahia a con- Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) por
tratar um empréstimo junto ao Banco Mundial, falta de segurança voltarão a operar voos nor-
com garantia da União, no valor de US$ 100 mi- malmente, como é o caso dos de Abaré, Prado,
lhões, para financiamento parcial do Premar. O Itaberaba, Valente e Souto Soares. A iniciativa
programa visa a recuperação e manutenção de não só restabelece a operacionalidade dos ins-
1.800 km de rodovias do estado, principalmen- trumentos, como pode ser o pontapé inicial para
te as que estão em condições precárias. O valor atrair novos investimentos para a Bahia.
total do Premar é US$ 186 milhões, sendo uma No cronograma de obras do Derba para 2011
contrapartida de US$ 86 milhões que sairá dos está a recuperação de importantes aeródromos,
cofres do estado. Na primeira etapa do projeto, como os de Porto Seguro, Barreiras, Belmonte,
está prevista a recuperação de cerca de 1.200 Jequié, Bom Jesus da Lapa, Canavieiras e Palmei-
km, incluindo os trechos mais críticos. O resulta- ras. As obras contam com recursos próprios e do
do deverá refletir na melhoria do fluxo e custos Programa Federal de Auxílio a Aeroportos (Pro-
dos transportes rodoviários na Bahia porque o faa). Também para o próximo exercício está pre-
Premar traz uma nova filosofia de trabalho do vista a implantação da brigada de incêndio do
estado. Por ela, a empresa responsável pela res- Aeroporto 9 de Maio, em Teixeira de Freitas, no
tauração de um determinado trecho da estrada extremo sul da Bahia. Além disso, a pista de pou-
também será a responsável pela manutenção do so e decolagem será reformada e ampliada. A es-
mesmo durante cinco anos, assegurando, assim, timativa é que sejam gastos aproximadamente
a boa qualidade de serviço. R$ 850 mil com a execução dos serviços.
Somente nos anos de 2007 e 2008, foram
investidos R$ 596 milhões nas rodovias estadu- O que o Brasil deve esperar do governo Dil-
ais. Inclui-se nesse investimento a manutenção ma?
permanente, a fim de obter melhores condições Muita coisa boa. A nova Presidenta encontra-
de trafegabilidade, de 22 mil km de rodovias. Em rá um país muito melhor estruturado em todos
2008, foram concluídos 43 projetos de rodovias os aspectos, em relação ao Brasil encontrado
e 22 de pontes, além da construção e restaura- pelo Presidente Lula em 2003. Ela tem uma in-
ção de 11 pontes, com investimento total de R$ vejável capacidade de coordenação de equipes,
17,9 milhões. Foram realizadas, ainda nesses dois conhece muito bem a realidade brasileira e terá
anos, a reestruturação das residências de manu- uma condição política mais favorável, tendo em
tenção do Departamento de Infraestrutura de vista a maioria que o povo brasileiro lhe assegu-
transportes da Bahia (Derba) e a aquisição de 230 rou nessas últimas eleições, tanto na Câmara dos
novas máquinas, o que possibilitou, em convê- Deputados quanto no Senado. Ela tem todas as
nio com prefeituras, recuperar 2,8 mil km de es- condições para fazer um governo ainda melhor
tradas vicinais em toda a Bahia. que o Presidente Lula.

Existe a intenção do governo do estado em E do governo Jaques Wagner?


construir ou ativar terminais aéreos regionais? Da mesma forma, aqui na Bahia teremos
Seriam economicamente viáveis? uma situação bem mais favorável que em
Nós tempos plena consciência da situação 2007, quando assumimos. Alguns indicadores
dos aeroportos baianos, por isso, dos 78 termi- sociais já tiveram melhoras expressivas apon-
nais administrados pelo Departamento de Infra- tadas pela última Pesquisa Nacional por Amos-
estrutura de Transportes da Bahia, pelo menos tragem Domiciliar. Expandimos os serviços de
32 vão receber ou já receberam algum tipo de saúde, de educação profissional, reduzimos o
melhoria. Só neste ano, o órgão já iniciou obras analfabetismo e temos investimentos federais
em 20 deles, e os 12 restantes já têm projetos ela- assegurados num volume nunca antes visto.
borados. Todos passarão por restauração total Os grandes projetos de infraestrutura, como
do terminal de passageiros e da pista de pouso a Ferrovia e o complexo Porto Sul, aliados aos
e decolagem, além da construção de muros ou investimentos privados, vão, finalmente, colo-
cercas, impedindo o acesso de pedestres e ani- car a Bahia no lugar onde ela merece estar. Va-
mais na área restrita. Com as intervenções, mui- mos trabalhar muito mais e sem descanso para
tos aeródromos que estavam interditados pela atingirmos este objetivo.

RODOVIAS&VIAS 17
em tempo

Foto: Rodovias & Vias


FUTURO DO GIGANTE
O Governador eleito por São
Paulo, Geraldo Alckmin, recebeu,
com a gentileza que lhe é pecu-
liar, a visita da Rodovias&Vias, .
Durante a conversa, uma certe-
za: a de que o “motor do Brasil”
continuará sendo o vanguardis-
ta em soluções de infraestrutura
no Brasil. Pautas a vista!
Foto: Divulgação

Saulo de Castro
nos Transportes de SP
Alguns nomes foram anunciados por Geraldo Alckmin
com antecedência. O ex-Secretário de Segurança Pública
Saulo de Castro Abreu Filho comandará a pasta de Trans-
portes. Outros, como Jurandir Fernandes (Transportes
Metropolitanos) e o Vice-Governador eleito, Guilherme Afif
Domingos (Desenvolvimento), também eram previstos.
Castro e Fernandes podem ser considerados “escudeiros”
de Alckmin, estiveram com o Governador nas campanhas
que ele disputou e perdeu em 2006 e 2008.

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em TEMPO

Jobim e Secretaria de Aeroportos

Foto: ASCOM
Além de manter o Ministro Nelson Jo-
bim no comando da Defesa, a Presidente
eleita, Dilma Rousseff, vai criar uma secre-
taria especial para cuidar da infraestrutura
dos aeroportos e da aviação civil. Durante
reunião do Conselho Nacional de Aviação
Civil (Conac), Jobim confirmou aos mem-
bros do órgão o projeto da Presidente elei-
ta. Será uma Secretaria Especial de Aviação
Civil ligada à Presidência da República.

25% do PIB está em 6 cidades


Os seis municípios com as maiores participações no Produto Interno Bruto (PIB) do país, todos capitais,
representavam em 2008 cerca de 25% do PIB brasileiro: São Paulo tinha 11,8%; Rio de Janeiro, 5,1%;
Brasília, 3,9%; Curitiba, 1,4%; Belo Horizonte, 1,4%; e Manaus, 1,3%. São Paulo, apesar de se manter
como a principal economia, perdeu participação no PIB brasileiro de 2007 (12,1%) para 2008. Os dados
foram divulgados na pesquisa PIB dos Municípios, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE).

WikiLeaks Menos sedes para a


A Organização das Na- Copa de 2014
ções Unidas (ONU) classificou
O Presidente da Odebrecht Infraes-
de “censura” a pressão feita
trutura, Benedito Barbosa da Silva Júnior,
por governos e empresas
afirmou que, diante das dificuldades de
contra o WikiLeaks, indicando
alguns estados em viabilizar a construção
que apenas tribunais poderão
de arenas, o número de cidades-sede da
julgar se os documentos que
Copa de 2014 pode ser revisto. Silva Júnior
o grupo divulgou ferem ou
destacou que esta é uma avaliação indi-
não alguma lei de segurança
vidual, que não faz parte do comitê orga-
nacional. Qualquer outra me-
nizador nem do governo, mas disse que
dida contra o grupo ou seu
o número poderia ser reduzido para algo
fundador, Julian Assange, se-
entre oito e dez cidades.
gundo as Nações Unidas, po-
deria ser considerada como
“intimidação e pressão”.

RODOVIAS&VIAS 19
política
Foto: Rodovias&Vias

20 RODOVIAS&VIAS
Tira esta
tesoura daqui!
O solo impermeável da política nacional receberá, a partir deste
janeiro, os passos de uma mulher, que terá muito o que caminhar
para conduzir os rumos do país.

RODOVIAS&VIAS 21
política

A inda que do ponto de vista


de gestão – imprescindível
ao cargo – a ex-Ministra da Casa Ci- Tão logo foi confirmado no comando do
vil tenha desenvoltura, a Presiden-
te Dilma Rousseff terá que mostrar
Ministério da Fazenda, Guido Mantega,
habilidade no trato com o Parla- sofreu uma súbita metamorfose. Deixou
mento. de ser o portador das boas noticias e tor-
Quando as águas de março fe- nou-se portador de recados que antevêem
charem o verão e os históricos 100 dias de austeridade e pé no freio.
dias de trégua, comum aos gover-
nantes em início de mandato, tive-
rem se esvaído, saberemos em que
tom a oposição e a base governista
vão dialogar com o Planalto. fose. Deixou de ser o portador das boas
O nem tão renovado Congresso Na- notícias, como redução de impostos,
cional, tão legitimado pelas urnas quan- incentivos fiscais e linhas generosas de
to a Presidente, estará refletindo as ex- crédito via BNDES, e tornou-se portador
pectativas e os medos dos brasileiros. E de recados que anteveem dias de aus-
a julgar pelos primeiros sinais emitidos, teridade e pé no freio. Começou mani-
ainda na montagem do futuro Governo, pulando uma velha tesoura já meio es-
as relações podem não ser tão amisto- quecida dos brasileiros, a que retalhava
sas quanto foram nestes últimos anos orçamentos e investimentos públicos.
de fartura da era Lula. Primeiro, Mantega levou a tesoura
Tão logo foi confirmado no coman- para o lado dos gastos com o custeio da
do do Ministério da Fazenda, Guido máquina – até aí, o mercado achou que
Mantega sofreu uma súbita metamor- é atitude de responsabilidade do novo
Foto: Ascom

A presidente Dilma Rousseff terá que mostrar habilidade no trato com o Parlamento.

22 RODOVIAS&VIAS
Tira esta tesoura daqui!

“A prioridade é terminar os (projetos) que já


estão em andamento, levam um ano ou dois para
terminar. Mas tem projetos novos que poderão
começar mais lentamente”

Guido Mantega
Ministro da Fazenda

Foto: Ascom
governo –, porém não demorou para humor
que ela fosse se achegando para pro-
gramas que serviram de catapulta elei-
toral, entre eles o PAC.
“É uma questão de ritmo”, disse o

Ilustração: Marco Jacobsen


Ministro. “A prioridade é terminar os
[projetos] que já estão em andamento,
leva um ano ou dois para terminar. Mas
tem projetos novos que poderão co-
meçar mais lentamente”, avisou o novo
“Guido Mãos de Tesoura”.
De saída para o Ministério das Co-
municações, o Ministro do Planejamen-
to, Paulo Bernardo, preferiu dar uma
ideia mais precisa da profundidade do
corte. Em uma coletiva, ele contou que
o Governo fez uma nova estimativa de
arrecadação e que a diferença gira em
torno dos R$ 12 bilhões.
“Se olharmos o valor global da re-
ceita, não é um valor desprezível, mas
também não é exagerado”, afirmou
Paulo Bernardo. “Mas achamos melhor
trabalhar com projeção mais precisa e
próxima da realidade para evitar que te-
nhamos que tirar a diferença por meio
de contingenciamentos em 2011.”

RODOVIAS&VIAS 23
política

Foto: Ascom

“achamos melhor trabalhar


com projeção mais precisa e próxima
da realidade para evitar que tenha-
mos que tirar a diferença por meio de
contingenciamentos em 2011.”

Paulo Bernardo
Ministro do Planejamento

As declarações nos levam a crer quase proibidas para o Presidente Lula:


que o processo eleitoral, muita vezes, contingenciamento, cortes, redução de
turva a água das projeções de arreca- gastos, diminuição da máquina pública.
dação, tingindo cenários irreais. Se precisaremos manter o fio da te-
O setor de infraestrutura conhe- soura em dia, resta torcer para que acer-
ceu avanços no último mandato do te a intensidade, sob pena de dar às ma-
Presidente Lula, ainda que o PAC dei- deixas da nação uma aparência raquíti-
xe sem conclusão algumas obras pre- ca como a que marcou sua imagem em
vistas. De janeiro de 2007 ao final de décadas passadas.
2010, terão sido alocados, em cente-
nas de obras e projetos, algo próximo
dos R$ 600 bilhões.

Foto: Ascom
É da coordenação do PAC na Casa
Civil que vem a nova Ministra do Pla-
nejamento, Miriam Belchior, e das pa-
lavras dela, algum alento e um punha-
do de dúvidas. “Vamos fazer esforço
para fazer mais com menos”, disse em
entrevista. “Vamos preservar os inves-
timentos, que são fundamentais para
o País.” Mais confunde que explica. Se
for possível manter o ritmo de obras
com orçamentos menores, fica no ar a
pergunta: então o que fizemos nos úl-
timos anos com x poderíamos ter feito
com apenas uma parte desse x?
Miriam Belchior aposta na melho-
ria da qualidade do gasto público,
ótimo. Provavelmente, as dezenas de
milhões de brasileiros que elegeram
Dilma pensam, ainda que instintiva-
mente, isso também. De qualquer
maneira, antes mesmo de assumir, o
novo Governo reintroduziu palavras
Mirian Belchior , nova Ministra do Planejamento.

24 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 25
Usina
sobre trilhos

A força russa começou respirando vapor e bebeu diesel.


Eletrizante e elétrica, a evolução dos caminhos de ferro russos
marca a transformação do provinciano país europeu em potência
do século 20 e, finalmente, em competidor mundial no século 21.
Fotos: Russian Railways

Antigo trem russo a vapor .

C om os burros n’água. É assim


que começa a história das ferro-
vias na Rússia, reconhecidamente uma
entre terminais da mesma empresa ou
dentro de minas, com vagões puxados
pelos simpáticos muares. Foi somente
potência do ferroviarismo. “Na água” em 1837 e pela perseverança de um en-
porque, em meados do século 18, a genheiro austríaco chamado Franz An-
Rússia tinha como principal meio de ton Von Gerstner que a ferrovia de São
transporte as hidrovias, como a do Vol- Petesburgo a Tsarkoye Selo começou a
ga Superior. Com os “burros” porque as operar com suas locomotivas a vapor,
primeiras e incipientes linhas de trilhos sob o olhar desconfiado do czar, inau-
eram, na verdade, pequenos trechos gurando a era das ferrovias na Rússia.

26 RODOVIAS&VIAS
(em tradução livre), ou Rossiyskie Zhele-
znye Dorogi – RZhD, também conheci-
da como Russian Railways, monopoliza
o modal, com quase 1 milhão de em-
pregados e 85.500 km de estradas de
ferro abrangidos em suas operações.
Para se ter uma ideia, este número so-
mente é superado pelos Estados Uni-
dos, com seus 226.067 km de trilhos
com bitola standard, de 1,43m, em boa
parte operados pela empresa Amtrak.

1891: A lendária
TranSiberiana
Construída para ligar a Rússia oci-
dental com a costa do Pacífico, a ferro-
via foi concluída em 1905. Símbolo do
poder das estradas de ferro, ela mudou
Trem elétrico russo. completamente a história russa, aju-
dando a interiorizar e até mesmo des-
bravar territórios distantes. Por ela, fica
Salto fácil ver a imensa diversidade de relevos
dos recantos mais inóspitos e longín-
Atualmente, as ferrovias russas quos da Rússia. A própria Sibéria so-
extendem-se por 87.157 km. A gran- mente se desenvolveu – hoje sabemos
de maioria (86.200 km, para ser exato) onde ela se situa no mapa – por causa
são do tipo bitola larga, com medidas da estrada que leva seu nome. Com
de 1,52 m. Mais da metade, 40.300 seus 9.310 km, a Transiberiana passa
km, corresponde a linhas eletrifica- por sete fusos horários, em uma viajem
das. Há também 957 km de bitola es- que leva até 15 dias. Os trilhos atraves-
treita, de pouco mais de 1 m, segundo sam a região da Manchúria e adentram
dados obtidos em um documento de novamente em terras russas para ter-
estatística ferroviária (Federação Rus- minar em Vladivostok. Eletrificada em
sa) datado de 2003. 2002, a ferrovia comporta tanto com-
Não há como falar de ferrovias na boios de carga como de passageiros em
Rússia sem mencionar sua estatal mos- busca da mística que envolve a ferrovia
covita. A Empresa Russa de Ferrovias com a neblina dos Urais.

Ferrovia Transiberiana.

RODOVIAS&VIAS 27
santa catarina

Quando o retrospecto
espelha o futuro
DNIT de Santa Catarina demonstra que a retomada dos investimentos
na área de infraestrutura rodoviária foi fundamental para consolidação
da força do estado e sua competitividade.
Fotos: Rodovias&Vias/ Leonardo Pepi

BR-101, SC.

A poiado em obras estratégicas e


ações ambientais – basilares em
uma economia que tem no turismo um de
A equipe de reportagem da revista
Rodovias&Vias que esteve no Sul do país
para cumprir algumas pautas desta edi-
seus maiores atrativos –, o recado é simples: ção, incluindo aí os assuntos afetos aos
A “Bela e Santa” vai crescer ainda mais, com destaques do rodoviarismo catarinense,
aportes sólidos do governo federal, respeito já suspeitava que a famosa BR-101 era um
e responsabilidade socioambiental. desses destaques.

28 RODOVIAS&VIAS
quando o retrospecto espelha o futuro

“estamos licitando mais três novas


obras que eram aguardadas na 101 Sul:
a ponte de Laguna, dois túneis em palhoça
e um túnel em Tubarão.”

Foto: Rodovias&Vias/ Leandro Dvorak


João José dos Santos,
Superintendente do DNIT em Santa Catarina

Além da 101
De fato, o trecho sul dessa rodovia A BR-101 é, em volume, a maior fren-
passa por várias intervenções, por ser um te de obras aberta no estado. Contudo,
eixo fundamental para o estado, como outras ações – já executadas ou que es-
deixa claro o Superintendente do DNIT tão por vir – serão decisivas no salto eco-
em Santa Catarina, João José dos Santos: nômico catarinense para os próximos
“Já investimos mais de R$ 1,3 bilhão nes- anos. Pródigo em exemplos, o trabalho
ta obra, temos ainda mais R$ 300 milhões que vem sendo realizado contempla
garantidos até o final desta primeira eta- obras emblemáticas como as que têm
pa e estamos licitando mais três novas efeito na BR-282, cuja pavimentação foi
obras que eram aguardadas na 101 Sul: a concluída de ponta a ponta. Integrante
ponte de Laguna, dois túneis em Palhoça dos corredores do Mercosul, a BR-282
e um túnel em Tubarão, todos com recur- liga Florianópolis ao extremo oeste de
sos assegurados em um montante que Santa Catarina, chegando perto da divisa
chega a R$ 700 milhões.” com a Argentina.

BR-101, SC.

RODOVIAS&VIAS 29
santa catarina

São Francisco do Sul, terceira cidade mais antiga do Brasil.

A integração entre as diversas apti- “Muitas destas obras eram aguardadas


dões do estado também é observada, há muitos anos pela população. Além
como prova a duplicação de cerca de delas, há outras, como as melhorias
70 km da BR-280, entre a região por- nos acessos e contornos de cidades por
tuária de São Francisco do Sul e o polo todo o mapa do estado, que visam dar
industrial de Jaraguá do Sul, município maior segurança para a população”,
detentor de um dos melhores IDHs (Ín- diz Maira Gonçalves, da assessoria de
dice de Desenvolvimento Humano) do comunicação da Superintendência do
Brasil. O trecho está licitado e as obras DNIT no estado.
começam em 2011.
Outra obra de duplicação importan-
te ocorrerá na BR-470, entre Blumenau
Foto: Rodovias&Vias/ Leandro Dvorak

e a interseção com a BR-101, próximo


aos portos de Itajaí e Navegantes. Atual-
mente, ela está em fase de projetos.

Contornos ferroviários

O escopo também compreende


intervenções que visam a intermodali-
dade, tais quais as obras nos contornos
ferroviários em cidades estratégicas
como a própria São Francisco do Sul e
Maira Gonçalves, da assessoria de comunicação da
a maior cidade catarinense, Joinville. Superintendência do DNIT-SC.

30 RODOVIAS&VIAS
quando o retrospecto espelha o futuro

Segurança viária,

Fotos Rodovias&Vias/ Leandro Dvorak


segurança ambiental
A BR-101, que abre esta matéria, é
referência também em um quesito que,
mais do que em voga, está nas mentes
e assuntos de diversos estratos da so-
ciedade brasileira: ações ambientais efe-
tivas que gerem, além de preservação,
melhorias nos custos operacionais. “Nós
temos 22 programas de cunho ambien-
tal, em um arranjo que possibilita um tra-
to adequado de todos os assuntos refe-
rentes a esta questão. O trabalho prevê,
inclusive, o resgate de passivos ambien-
tais anteriores às nossas atividades na
área, além de um caráter fundamental
que visa à criação de uma nova cultura
e consciência ambiental junto à popula-
ção, através das campanhas promovidas
por nós”, declara Breno Maestri, assessor
de comunicação do DNIT-SC. Além das Breno Maestri, assessor de comunicação do DNIT-SC.
ações de resgate, também é constante
tema de estudos e análises a evolução Afinal, como todos sabemos, a
das intercorrências ao longo da rodovia, questão da convivência entre os di-
como a verificação dos trechos em que ferentes no mesmo meio não se trata
a população aumentou de densidade, apenas dos cuidados com os elemen-
tornando necessária a utilização de dis- tos da natureza. Conforme ouvimos nas
positivos como redutores de velocidade, conversas por lá, a palavra de ordem
sinalização e passarelas, por conta da al- no DNIT-SC agora é focar o desenvolvi-
teração das características do tráfego. mento rodoviário nas pessoas.

Foto: Rodovias&Vias/ Leandro Dvorak

Florianópolis, capital de SC.

RODOVIAS&VIAS 31
Fotos: Rodovias&Vias/ Leonilson Gomes

Pela paz
nas rodovias
De um lado, desrespeito, imprudência e crimes. Do
outro, o trabalho das polícias rodoviárias, instituições
e voluntários. E, para sempre, as cicatrizes nos corpos e
almas dos que sentem a violência das rodovias.

32 RODOVIAS&VIAS
ACIDENTES
MORTES
ASSALTOS
EXPLORAÇÃO INFAnTIL
tRÁFICO DE DROGAS

RODOVIAS&VIAS 33
34 RODOVIAS&VIAS
Pela paz nas rodovias

O pisca alerta está


ligado! Nem toda
a atenção é suficiente em
um ambiente que mata
mais do que grandes guer-
ras. Além dos acidentes,
das colisões ocasionadas
por motivos diversos (que
vão desde a falta de res-
ponsabilidade de quem
conduz os veículos até a
omissão do Estado em me-
lhorias na pista), há outras
infelicidades que fazem
das rodovias um cenário
mórbido de degradação
da vida. Consumo de ál-
cool, uso e tráfico de dro-
gas, assaltos, sequestros,
assassinatos, prostituição,
exploração infantil são
práticas comuns nas es-
tradas e em suas margens,
crimes que acontecem a
todo momento na vasta
malha rodoviária brasilei-
ra. Neste período no qual
entramos, de feriados de
fim de ano e fins de se-
mana de verão, os índices
tendem a aumentar junto
com o volume de veículos
que superlotam as rodo-
vias. Gente em busca de
diversão, descanso ou que
viaja frequentemente a
trabalho acaba protago-
nizando, na condição de
causador ou de vítima, ou
testemunhando algum
tipo de violência durante
o percurso. Todo cuidado é
pouco. Paciência, atenção,
prudência e res-
peito precisam
estar na baga-
gem de quem
vai pegar a
estrada.

Acidente em rodovia paulista.

RODOVIAS&VIAS 35
capa

Manchetes final de 2009.

más notícias dos passageiros da frente usam cinto.


“No entanto, esse índice cai para 11%
quando focamos nos passageiros do
As manchetes, do final do ano pas- branco de trás”, lamenta. O Diretor tam-
sado, dão o tom de um período turbu- bém alerta para o uso correto da cadei-
lento. Mas notícias assim não chocam rinha no transporte de crianças: “Elas
mais. O leitor, o ouvinte ou o telespec- têm que ser instaladas nas laterais dos
tador está calejado de tanta tragédia. bancos traseiros, onde há cinto de três
Porém, trabalhar com fato e estatística pontos. Caso contrário, podem girar
ajuda a evitar o que está iminente. Se e tornar o acidente ainda pior”. Dados
não acaba com a desgraça, ao menos a apresentados na Semana Nacional de
torna menor ou menos dolorosa. Trânsito indicam que a cada ano mor-
Passageiros do banco da frente que rem em acidentes aproximadamente
estavam usando cinto na hora do aci- 2.300 crianças (de zero a 14 anos) e ou-
dente morrem atingidos por quem es- tras 17.700 ficam hospitalizadas.
tava atrás, sem cinto. Segundo o Diretor Algumas campanhas de trânsito
do Detran no Distrito Federal, Francisco apelam para imagens fortes, tentando
Joaquim Araujo Saraiva, mais de 90% despertar a consciência dos motoristas.

36 RODOVIAS&VIAS
Pela paz nas rodovias

campanhas de trânsito apelam


para mensagens fortes.

CNT entrou na briga


Pensando em estimular a produção fotógrafo Fernando Donasci (Folha de
de trabalhos jornalísticos que informam à S. Paulo) venceram na categoria Impres-
sociedade o papel fundamental do setor so produzindo “Do inferno ao céu pela
de transportes no desenvolvimento eco- BR-101”, que mostrou os contrastes da
nômico, social, político e cultural do país, rodovia em 12 estados. A matéria da
a Confederação Nacional do Transporte Rádio Gaúcha que denunciou a emissão
(CNT) criou o Prêmio CNT de Jornalismo. fraudulenta de carteiras de motorista,
No início de novembro, foram anun- “Fraude em Santa Catarina”, rendeu o
ciados os vencedores da 17.ª edição do título da categoria Rádio aos jornalistas
concurso. Entre as reportagens premia- Cid Martins e Giovani Grizotti. E a gran-
das, a maioria trata com profundidade de vencedora, que faturou um prêmio
de algum tipo de violência nas rodovias. de R$ 30 mil, foi “O caminho sem volta”,
Os jornalistas da TV Record Maria- de Juliana Colares e Fred Figueiroa, pu-
na Brambilla e Lúcio Sturm ganharam blicada no Diário de Pernambuco. O tra-
na categoria Televisão com a matéria balho premiado retrata uma verdadeira
“Roubo de carros”, abordando os vín- epidemia no Nordeste, onde morrem
culos com o comércio de drogas. O sete motociclistas a cada dia e há super-
jornalista Alencar Martins Izidoro e o lotação de hospitais com acidentados.

RODOVIAS&VIAS 37
38 RODOVIAS&VIAS
Pela paz nas rodovias

Para não interromper o problema”, explica o inspetor Hélio


a infância Derenne, Diretor-Geral do Departamen-
to de Polícia Rodoviária Federal.
Os indicadores mais representati-
Um trabalho desenvolvido pela vos para a definição do nível de risco
Polícia Rodoviária Federal (PRF), em nos locais investigados foram a ocor-
parceria com a Secretaria Especial dos rência de: prostituição de adultos, rela-
Direitos Humanos da Presidência da to policial de exploração sexual infan-
República, a Organização Internacional to-juvenil nos últimos dois anos, tráfe-
do Trabalho e a Childhood Brasil, ma- go e consumo de drogas, presença de
peou 66 mil km de rodovias federais crianças e adolescentes. O comércio de
em todo o Brasil. Nesse espaço, foram bebidas alcoólicas, a presença de cami-
identificados 1.820 pontos vulneráveis nhoneiros e a existência de iluminação
à exploração sexual de crianças e ado- também foram considerados.
lescentes. Nesta que é a quarta edição Faz parte da estratégia de combate
do estudo, foram utilizados novos cri- da PRF não divulgar os locais exatos,
térios, mais qualificados e passíveis de apesar de saber com precisão onde
serem aplicados pelas polícias rodoviá- eles estão. Mais da metade (67,5%) es-
rias estaduais. tão dentro de áreas urbanas e 45,7%
Os locais identificados foram divi- pertencem aos cinco estados com
didos por grau de risco, cujos níveis va- as maiores malhas viárias: Bahia (117
riam entre baixo, médio, alto e crítico. pontos), Paraná (113 pontos), Rio Gran-
“Esta gradação é fundamental para as de do Sul (75 pontos), Minas Gerais
ações preventivas e repressivas reali- (66 pontos) e São Paulo (51 pontos). A
zadas pela Polícia Rodoviária Federal. BR-116 e a BR-101, que fazem ligação
Utilizando a escala de risco, a PRF pode entre as regiões Nordeste, Sudeste e
definir locais prioritários para enfrenta- Sul, são as que têm a maior incidência.
mento, deslocamento efetivo e solicitar A BR-116 tem 262 pontos, e na BR-101
apoio de outros órgãos para combater foram verificados 187.

Perigo na beira da estrada.

RODOVIAS&VIAS 39
capa

“Utilizando a escala de risco, a PRF pode


definir locais prioritários para enfrenta-
mento, deslocamento efetivo e solicitar
apoio de outros órgãos para combater o
problema.”
Foto: Rodovias&Vias/Paulo Negreiros

Inspetor Hélio Derenne,


Diretor-Geral do Departamento de Polícia Rodoviária
Federal (DPRF)

Foto: Rodovias&Vias/ Estanis Neto


Consumo de drogas

De acordo com o Mapeamento dos


Pontos Vulneráveis à Exploração Sexual
de Crianças e Adolescentes nas Rodo-
vias Federais Brasileiras, o fato está dire-
tamente ligado ao consumo de entor-
pecentes. Além do dinheiro, as vítimas
são seduzidas pelas drogas, principal-
mente crack e maconha, e acabam se
tornando dependentes químicas.
Desde o início deste ano até o final
de outubro, o DPRF contabilizava mais
de 84 toneladas de maconha apreendi-
das nas rodovias federais. A cocaína é a
segunda droga (em peso) mais apreen-
dida, com 3,9 toneladas. O crack, por ter
menor valor comercial e geralmente ser
produzido próximo aos locais de venda,
não é tão encontrado. Desde janeiro, fo-
ram apreendidos 802 kg de crack.

Pontos de parada de caminhões são locais de risco.

40 RODOVIAS&VIAS
Pela paz nas rodovias

Ônibus são alvo


de bandidos
Foto: Rodovias&Vias / Leonardo Pepi
Três rodovias se destacam como
os caminhos mais perigosos do país,
de acordo com a Polícia Rodoviária Fe-
deral: a BR-232, que corta o sertão nor-
destino; a BR-153, no trecho conhecido
como Belém-Brasília; e a BR-050, que liga
o Centro-Oeste ao sul de Minas Gerais.
O estado mineiro, que tem a maior
malha rodoviária do país, teve aumen-
to de 50% no número de assaltos a
ônibus, comparando com o ano passa-
do. Os bandidos preferem agir à noite,
com carros e armas pesadas. Resta às
transportadoras investir em proteção.
O uso de escoltas e vigilantes a paisana
dentro dos ônibus tem dado retornos
positivos a algumas empresas.

Rodoferroviária de Curitiba, PR.

RODOVIAS&VIAS 41
Mais longe do que sonhamos
A Copa do Mundo de 2014 se aproxima e, com ela, a necessidade de obter
uma infraestrutura compatível com o maior evento esportivo do planeta. Na
principal porta de chegada dos estrangeiros, os aeroportos, ainda há muito a
ser feito.

42 RODOVIAS&VIAS
A quiles, o herói da mi-

Fotos: Rodovias&Vias / Leonilson Gomes


tologia grega, tinha o
corpo invulnerável. Isso gra-
ças ao fato de sua mãe tê-lo
mergulhado no rio Estige, o
rio da imortalidade. Ao imer-
gi-lo segurando o bebê pelo
calcanhar, tornou este o seu
único ponto mortal, sua única
fraqueza. A imobilidade para
melhorias nos aeroportos bra-
sileiros indica que os terminais
aéreos devem ser nosso calca-
nhar de Aquiles durante o pró-
ximo Mundial de futebol.
A preparação para uma
Copa do Mundo está longe de
ser simples ou fácil, apresenta
uma grande complexidade. A
principal chegada dos turistas,
atletas e profissionais envol-
vidos com a Copa são os aero-
portos. Eles estão prontos para
cobrir tal evento? Não. Perto,
pelo menos? Não mesmo.
O Ministério dos Esportes
calculou que cerca de 600 mil
turistas e 3,1 milhões de brasi-
leiros circularão no país duran-
te o Mundial. Há mais de duas
décadas na Presidência da
Confederação Brasileira de Fu-
tebol (CBF), Ricardo Teixeira diz
estar preocupado em relação
ao assunto: “Existem três priori-
dades para mim: aeroporto, ae-
roporto e aeroporto. Este é um
gargalo que precisa ser resolvi-
do o quanto antes. Na África do
Sul, em um jogo da Holanda,
em Durban, vários aviões não
puderam descer e torcedores
não puderam assistir ao jogo”,
lembra ele.

Sala de espera do Aeroporto Afonso Pena, região metropolitana de Curitiba.


RODOVIAS&VIAS 43
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44 RODOVIAS&VIAS
mais longe do que sonhamos

Realidade brasileira
Marcado por voos atrasados e pistas
de decolagem saturadas, o sistema aero-
portuário do Brasil ainda se mostra frágil
diante do que vem por aí. Para o sucesso
da Copa do Mundo de 2014, precisare-
mos de aeroportos que funcionem de
maneira sincronizada e eficiente.
O Presidente da Associação Interna-
cional de Transporte Aéreo (The Interna-
tional Air Transport Association – Iata),
Giovanni Bisignani, apontou para os ris-
cos que o nosso país corre: “O Brasil é a
maior economia da América Latina e a
que cresce mais rápido, mas sua infraes-
trutura é um desastre crescente. Dos 20
maiores aeroportos domésticos, 13 não
conseguem acomodar as demandas em
seus terminais.” A maior preocupação da
Iata é o Aeroporto Internacional de Gua-
rulhos. A associação criticou a decisão da
Infraero, depois revertida, de fechar uma
das pistas no próximo ano. A capacidade
atual do aeroporto é insuficiente para o
crescimento da demanda.

Fraquezas
Duas situações presenciadas por
equipes da Rodovia&Vias nos últimos Aeronave aquaplanou na pista.
dias retratam bem algumas fraquezas
dos terminais aéreos brasileiros. No dia 25
de novembro, na sala de embarque C do
Aeroporto de Confins, em Minas Gerais,
o painel da Infraero que mostra o horá-
rio de partidas e chegadas acusava o uso
de Windows pirata. Uma semana depois,
em Curitiba, nosso voo e alguns outros
atrasaram por causa de uma aeronave
que teve o trem de pouso quebrado. O
avião aquaplanou durante a aterrissagem
porque a drenagem da pista não foi sufi-
ciente para dar conta da quantidade de
chuva. Além de causar pânico nos passa-
geiros, a aeronave ficou na pista tempo
suficiente para um princípio de caos no
Aeroporto Internacional Afonso Pena.
Se faltam recursos para a compra de
um programa de computador original,
imaginamos que reformas nas obsoletas
pistas dos nossos aeroportos podem estar
bem mais distantes do que sonhamos.
Gafe em Confins.

RODOVIAS&VIAS 45
46 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 47
Eventos

Em busca da Integração do
Rodoviarismo Nacional
A 39.ª Reunião dos Dirigentes de Órgãos Rodoviários Estaduais (Redore),
realizada entre 1.º e 2 de dezembro de 2010 no suntuoso hotel Renaissance,
em São Paulo, trouxe na bagagem, de diversos recantos do Brasil, as melhores
práticas e experiências de sucesso que vêm sendo implementadas pelos
associados da Abder, Associação Brasileira dos Departamentos Estaduais de
Estradas de Rodagem, em todo o território brasileiro.

Diretores estaduais na Redore. Fotos: Rodovias&Vias / Oberti Pimentel

R odovias&Vias foi acompanhar


os debates da 39.ª Redore a fim
de compreender as visões de futuro
com a merecida deferência pelo De-
partamento de Estradas de Rodagem
do Estado de São Paulo (DER-SP), di-
dos protagonistas do segmento pri- retores gerais, superintendentes e
mordial para a infraestrutura do país. demais representantes iniciaram um
Passos apressados quebram o silêncio ciclo detalhado de exposições. Na
do saguão onde nossa equipe aguar- pauta, mais do que a explicitação de
dava ser anunciada para acompanhar ações de sucesso e iniciativas que se
uma reunião de cúpula. Entre sorrisos provaram efetivas: os rumos da agenda
e apresentações, os profissionais do rodoviária nacional, o papel dos DERs
jornalismo observam a chegada inter- no processo pelo incremento da in-
mitente dos integrantes de uma mesa termodalidade e na busca por aumen-
especial e cuidadosamente organiza- tar a interação entre os estados neste
da. Ela está preparada para receber os contexto, além da contribuição para a
representantes máximos das entida- próxima década, considerada “a Déca-
des rodoviárias de diversas unidades da da Infraestrutura”, já anunciada em
federativas do Brasil. Ciceroneados edições anteriores de Rodovias&Vias.

48 RODOVIAS&VIAS
Em busca da Integração do Rodoviarismo Nacional

“Estamos buscando todas as tratativas necessárias


para resolver os problemas logísticos do país. Isto vai
muito além da intermodalidade, compreende também atuali-
zação e a modernização dos órgãos rodoviários.”

Romualdo França,
Presidente do Deinfra-SC e Abder.

O que pensam e
o que dizem jamento. Temos que trabalhar a gestão
integrada, como forma de solucionar os
“Estamos buscando todas as trata- gargalos do país”, diz.
tivas necessárias para resolver os pro- Quem faz coro a este discurso – o que
blemas logísticos do país. Isto vai muito denota o grande grau de afinidade já
além da intermodalidade, compreende compartilhado pelas autarquias e depar-
também atualização e a modernização tamentos – é Berchris Requião, Diretor-
dos órgãos rodoviários. Quando digo -Geral do Derba, Departamento de Infra-
isso, falo de uma completa reestrutura- estrutura de Transportes da Bahia, que
ção, que vai desde o regimento interno e fez suas considerações sobre essa carac-
legislação, e planos de cargos, salários e terística da Redore: “É importantíssimo
atualização profissional”, declara Romu- que haja esta integração, sob a ótica da
aldo Theophanes de França Junior, Presi- reestruturação dos órgãos e das diferen-
dente do Departamento Estadual de In- tes gestões, no sentido de apreendermos
fraestrutura de Santa Catarina (Deinfra- e aplicarmos o que se tem feito de me-
-SC) e Presidente da Abder. lhor. A busca por um desempenho con-
Sobre a reunião, Romualdo França sistente e fortemente orientado para o
destaca: “O grande momento da Redore desenvolvimento de cada região começa
é a integração entre todos os órgãos ro- exatamente nesta troca de informações,
doviários. O compartilhamento de expe- que nos mostra exemplos viáveis, que
riências, dos sucessos que cada um teve, podem ser adaptados e aplicados de
e transmitir aos demais, para que possam forma eficiente dentro de uma realidade
tirar proveito também. Hoje, não há mais específica, que contextualiza os acertos,
como o Brasil crescer de forma una com as ações a serem tomadas para que eles
cada estado fazendo seu próprio plane- tenham efeito”, complementa.

RODOVIAS&VIAS 49
Eventos

É importantíssimo que haja esta integra-


ção, sob a ótica da reestruturação dos órgãos
e das diferentes gestões, no sentido de
apreendermos e aplicarmos o que se tem
feito de melhor

Berchris Requião,
Diretor-Geral do DER-BA

Visita técnica
Parte das agendas do
evento incluiu a visita à sede
do DER-SP, que organizou
um café da manhã antes do
início da parte “motorizada”
do encontro, no dia seguinte
ao ciclo de apresentações. De
micro-ônibus, os participan-
tes puseram-se a caminho de
um dos mais modernos Cen-
tros de Controle de Opera-
ções em atividade no estado,
o CCO da rodovia Imigrantes,
operada pela concessionária
Ecopistas, passeio que tam-
bém incluiu um tour pelo tre-
cho Sul do Rodoanel, entre-
gue em abril deste ano pelo
governo estadual.
Natural que os anfitriões,
detentores da que é reco-
nhecidamente a melhor ma-
lha viária do Brasil, quisessem
mostrar a “prata da casa”,
como parte dos exemplos de
soluções encontradas pelo
estado. Uma forma gentil de
retribuir a intensa troca de
informações propiciada pelo
evento.

Centros de Controle de Operações da rodovia Imigrantes , SP.


50 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 51
POntes

Sobre o rio Negro


Uma ponte promete transformar a Região Metropolitana de Manaus
(RMM). A obra do governo do estado do Amazonas trará desenvolvimento,
mas também desafios. No coração da maior floresta tropical do mundo,
agilizando o transporte e somando-se à travessia fluvial hidroviária, a ponte
representa novo fôlego para a economia regional.
Fotos: Rodovias & Vias/ Oberti Pimentel

Ponte terá 3,6 km de extensão.

A região portuária de Manaus apre-


senta interessantes visões aos
passantes. O rio Negro impõe-se com sua
A ponte encurtará o tempo da tra-
vessia entre os dois municípios. Hoje,
os moradores, viajantes, trabalhado-
vastidão. As embarcações de carga e pas- res, turistas e transportadores preci-
sageiros criam um mosaico de cores, e as sam de pelo menos 40min para alcan-
mais diversas mercadorias circulam frene- çar a outra margem do rio, entre filas
ticamente entre ombros de trabalhado- para embarque nas balsas e a navega-
res, veículos e caminhões, de um lado para ção pelas águas calmas do Negro. Pela
outro. Em 2008, um novo elemento sur- ponte, o tempo para o mesmo trajeto
giu no cenário da miscelânea portuária: a não deverá ultrapassar 5min, já que
ponte que, depois de pronta, fará a liga- serão 3,6 km a percorrer a velocidades
ção entre a capital amazonense, Manaus, consideravelmente superiores às das
e a cidade na outra margem, Iranduba. balsas ou voadeiras.

52 RODOVIAS&VIAS
sobre o rio negro

A construção

A obra é do governo esta-


dual do Amazonas e tem finan-
ciamento do governo federal
por meio do Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES). Inicialmente
prevista para ser entregue em
2009, a ponte sofreu e ainda so-
fre com atrasos, boa parte deles
causados pela natureza. Atual-
mente, a previsão do governo
estadual é de concluí-la somen-
te em 2011.
Os contratempos também
afetaram seu orçamento. Licita-
da inicialmente por R$ 574,8 mi-
lhões, atualmente a obra já está
orçada em R$ 915 milhões, se-
gundo informações veiculadas
por jornais locais e no portal de
internet do Tribunal de Contas
do Estado do Amazonas (TCE-
-AM). O valor ainda pode crescer
por conta da tragédia do desabamento que estavam no porto no momento do
do porto do Chibatão, fato ocorrido em desabamento.
meados de outubro que causou estra- A seca recorde do rio Negro tam-
gos e prejuízos, levando contêineres e bém agravou a situação. Levy conta
carretas para o fundo do rio Negro. que “a estiagem complicou o içamen-
O Secretário da Região Metropolita- to das aduelas (partes de concreto da
na de Manaus, René Levy Aguiar, conta ponte), e um processo que levava 2h,
que alguns insumos importantes para a na seca passou a demorar 4h”. Para se
obra podem ter se perdido no desastre, ter uma ideia da gravidade da estia-
o que, além de aumentar os custos, pode gem, a seca do Negro registrou o me-
atrasar ainda mais a conclusão dos tra- nor nível do rio nos últimos 47 anos (o
balhos. Segundo o Secretário, peças que mais baixo era de 13,64 m, registrado
seriam usadas na obra da ponte estariam em 1963, e no dia 23 de outubro deste
armazenadas em contêineres e carretas ano chegou a 13,63 m).

Plano para a RMM


Foto: Divulgação

O Governador reeleito, Omar Aziz, diz que “a preocupação maior é por conta
da inauguração da ponte sobre o rio Negro”. Segundo sua assessoria de comuni-
cação, as providências mais urgentes passam por adaptações no sistema viário
metropolitano, que incluem Manaus, como núcleo da metrópole, e os municípios
integrantes da RMM. Um dos principais tópicos do plano é a criação de um anel
viário contornando a Região Metropolitana para que as cidades possam se comu-
nicar entre si sem comprometer Manaus.

RODOVIAS&VIAS 53
O asfalto da cidade
Uma tecnologia importada e adaptada para a realidade brasileira pode
colaborar na solução de um problema grave e relativamente comum às
grandes cidades – as enchentes. O revestimento asfáltico drenante é promessa
no setor de asfaltos, sobretudo para espaços urbanos, e seu custo tende a cair
com o crescimento da produção.
Fotos: Rodovias & Vias/ Leonilson Gomes

Tecnologia contra alagamento.

Uma tecnologia existente em pa- Dois tipos desses “revestimentos


íses da Europa vem conquistando a asfálticos drenantes” já estão sendo tes-
atenção do setor de asfaltos brasilei- tados, como explica a professora da Poli-
ro: o asfalto poroso, capaz de absorver -USP Liedi Bernucci, uma das coordena-
água e assim contribuir com a solução doras da pesquisa: “Foram construídos
do problema das enchentes. dois pavimentos-pilotos que são inteira-
O excesso de impermeabilização mente monitorados. Eles ficam no esta-
dos espaços urbanos, o acúmulo de cionamento do Centro Tecnológico de
resíduos e a ocupação desordenada Hidráulica, que pertence à Poli. Um feito
sobrecarregam os sistemas de dre- com blocos pré-moldados de concreto
nagem, e o resultado são as enchen- de cimento poroso e outro com mistura
tes e seus prejuízos para cidadãos e asfáltica porosa”.
administração pública. Os pavimen- Ainda segundo a pesquisadora, exis-
tos porosos desenvolvidos na Escola tem muitas empresas interessadas na tec-
Politécnica da Universidade de São nologia; algumas, inclusive, já fabricam
Paulo (Poli-USP) em parceria com a blocos de cimento impermeáveis e tam-
Prefeitura de São Paulo, desde 2006, bém usinas de asfalto que fazem esta mis-
absorvem praticamente toda a água tura asfáltica porosa, drenante, chamada
de chuvas. ainda de “camada porosa de atrito”.

54 RODOVIAS&VIAS
Fonte: Abeda

Para se ter uma ideia do tamanho


desse mercado no Brasil, segundo da-
dos da Associação Brasileira das Empre-
sas Distribuidoras de Asfaltos (Abeda),
em 2009 foram produzidos e distribu-
ídos mais de 2,1 milhões de toneladas
de asfalto. E o potencial, ainda segundo
a Abeda, mostra-se na malha rodoviária
nacional com seus mais de 180 mil km
asfaltados (soma das malhas federal,
estaduais e municipais) e 1,4 milhão de
km não pavimentados.

Espaços urbanos
O pavimento capaz de absorver
água é pensado para espaços urbanos,
como pátios, estacionamentos, par-
ques e vias de tráfego leve. “Para tráfe-
go pesado (caminhões e ônibus), tem-
-se muita carga por eixo e por roda. Um
caminhão pode ter mais de 2,5 tonela-
das por roda e até mais de 10 tonela-
das por eixo. Com tanta carga, nós terí-
amos que reforçar muito o pavimento
em termos de resistência”, ressalta Lie-
di, que encara o asfalto poroso como
parte de uma solução combinada no
combate às enchentes.
Professora da Poli-USP Liedi Bernucci.

Fonte: Abeda

RODOVIAS&VIAS 55
Portos ligados
por rodovia
Brasil pode ganhar primeira rodovia interportos. Projeto do
governo do Paraná é para antes de 2020.
Fotos: Rodovias & Vias/ Leonilson Gomes

Porto de Paranaguá, PR.

56 RODOVIAS&VIAS
O Brasil está prestes a construir a
sua primeira rodovia interpor-
tos. No começo de novembro, o gover-
doviárias, estão a duplicação de trechos
atualmente em pista simples e a im-
plantação de novas rodovias (em pista
no do Paraná lançou cinco editais de dupla) que unirão os portos paranaen-
licitação para elaboração do estudo de ses por uma autoestrada.
viabilidade técnica, econômica e am- “Com a contratação dos estudos
biental (EVTEA). A rodovia interportos para a implantação da rodovia interpor-
vai ligar Garuva (litoral norte de Santa tos, estaremos dotando o litoral de mo-
Catarina) a Santos, passando pelos por- dernas condições viárias para promover
tos de Paranaguá e Antonina e pelos o desenvolvimento econômico e social,
futuros terminais portuários de Pontal respeitando o meio ambiente e promo-
do Paraná e Embuguaçu/Embucuí. Os vendo um trabalho multimodal integra-
estudos devem durar 17 meses e, pos- do, junto à Administração dos Portos
teriormente, mais três anos para licita- de Paranaguá e Antonina e ao Departa-
ção e execução das obras. O custo total mento de Estradas de Rodagem”, desta-
da construção da interportos deve girar ca o Secretário dos Transportes do Esta-
em torno de R$ 500 milhões. do, Mario Stamm Junior. “É preciso po-
Segundo informações do Departa- tencializar a capacidade dos terminais
mento Nacional de Infraestrutura de marítimos paranaenses e implantar um
Transportes (DNIT) e da Agência Nacio- sistema viário que possibilite aumen-
nal de Transportes Terrestres (ANTT), tar a movimentação nos cais do estado
ligados ao Ministério dos Transportes, para 80 milhões de toneladas/ano ain-
não existe nenhuma rodovia especifi- da nesta década”, complementa.
camente interportos no país. O projeto Os editais foram divididos de acor-
que está sendo desenvolvido pelo go- do com os cinco municípios por onde
verno do estado do Paraná envolve a a obra viária passará: Guaratuba, Ma-
Secretaria dos Transportes, o Departa- tinhos, Pontal do Paraná, Paranaguá e
mento de Estradas de Rodagem (DER) e Antonina, totalizando 145 km de rodo-
a Administração dos Portos de Parana- vias duplicadas e dotadas de cuidados
guá e Antonina (Appa). ambientais. A expectativa é que a cons-
O governo do Paraná prevê um inves- trução da rodovia interportos resolva o
timento inicial de aproximadamente R$ gargalo logístico paranaense e integre
26 milhões para o EVTEA e demais pro- toda a região litorânea. Além disso, exis-
jetos. Esse valor também inclui o projeto te a estimativa de que a obra absorva o
de construção da ponte de 800 m sobre tráfego de 12 mil veículos/dia da Região
a baía de Guaratuba. Entre as obras ro- Metropolitana de Curitiba.

PROJETO DA
ponte de 800 metros
sobre a baía de Guaratuba

RODOVIAS&VIAS 57
Contern Construções e Comércio Ltda. - Rua Olimpíadas, 66 - 6° andar
Vila Olímpia - CEP: 04551-000 - São Paulo/SP - Tel.: +55(11) 3018-5800
www.contern.com.br
58 RODOVIAS&VIAS
PORTOS LIGADOS POR RODOVIA

Rodovia interportos no paraná

RODOVIAS&VIAS 59
PORTOS

Obras nos municípios paranaenses


Foto: Rodovias & Vias

Guaratuba

Em Guaratuba, estão previstas a


implantação em pista dupla do aces-
so norte à ponte de Guaratuba até a
PR-508; implantação em pista dupla
do acesso sul à ponte de Guaratuba
até a conexão com a PR-412; duplica-
ção e restauração da PR-412, entre o
acesso sul à ponte de Guaratuba e a
divisa dos estados do Paraná e Santa
Catarina; além de obras de arte espe-
ciais, que seriam uma ponte sobre a
baía de Guaratuba, túnel e viaduto
nos acessos e interseções, e mais
pontes e obras de contenção. Neste
município, as obras atingiriam apro-
ximadamente 35 km.

Paranaguá

O edital de Paranaguá é o que mais


contempla obras: implantação de pis-
ta dupla entre a BR-277 e Embuguaçu,
a nova Zona Portuária de Paranaguá;
implantação de pista dupla (parcial-
mente em via elevada) na ligação en-
tre a Estrada Velha de Alexandra (ave-
nida Munhoz da Rocha) e Embuguaçu;
implantação de pista dupla da via de
circulação local de Embuguaçu; e im-
plantação de pista dupla (parcialmen-
te em via elevada) da ligação entre
Embuguaçu e a avenida Portuária de
Paranaguá. No total, serão 15,3 km de
obras.

60 RODOVIAS&VIAS
PORTOS LIGADOS POR RODOVIA

Pontal do Paraná
O edital para Pontal do Para-
ná planeja a implantação em pis-
ta dupla das interligações entre a
rodovia interportos e a PR-412; a
implantação em pista simples do
binário da rua Iguaçu com a PR-
412; a adequação da PR-407 entre
a PR-412 e a rodovia interportos; e
a adequação da PR-412 entre a PR-
407 e a Zona Industrial Portuária de
Pontal do Paraná. No total, serão
feitas obras em 48 km.

Matinhos

No município de Matinhos, o
projeto prevê a implantação em pis-
ta dupla das interligações entre a
rodovia interportos e a PR-412; ade-
quação da PR-508; adequação da
PR-412; e adequação do acesso ao
ferryboat. Somente em Matinhos, a
previsão é trabalhar em 38 km.

Antonina

O menor trecho do projeto


está no edital de Antonina, que
prevê a implantação em pista du-
pla e parcialmente elevada entre
o porto de Antonina e a BR-277.
Serão quase 9 km.

RODOVIAS&VIAS 61
Experiência americana
Termo de Cooperação entre Brasil e Estados Unidos visa progresso
no setor. Governo brasileiro e Corpo de Engenharia do Exército dos
Estados Unidos trocam experiências sobre complexos hidroviários.
Foto: Divulgação

Embarcação da Nasa no rio Tennessee.

O setor do transporte hidroviário


brasileiro encontra-se focado em
trazer melhorias para o país. Diversos ór-
No território norte-americano, o
Army Corps of Engineers é o responsá-
vel pela implantação e operacionaliza-
gãos reuniram-se durante o último mês ção de hidrovias. Para o Brasil, é o ór-
com oficiais do Corpo de Engenharia do gão que servirá de exemplo em futuras
Exército dos Estados Unidos para tratar melhorias caso o acordo seja firmado.
de um futuro termo de cooperação. A expertise dos americanos vem
O intercâmbio contribuirá por meio da operação de grandes hidrovias,
da qualificação no controle funcional como as dos rios Mississipi, Missouri e
das hidrovias, na operação das vias na- Tennessee, por onde são transporta-
vegáveis e de comportas, bem como dos volumes extraordinários de carga
em sistemas de eclusagem. com grande sucesso.

62 RODOVIAS&VIAS
Missão
Há aproximadamente um ano,
uma missão brasileira visitou o com-
plexo hidroviário do Mississipi, nos
estados americanos do Mississipi,
Missouri e Louisiana. “Nós ficamos
impressionados com o que vimos. Os
EUA movimentam 650 milhões de to-
neladas/ano de cargas, especialmen-
te produtos agrícolas, pelo Mississipi.
E um viés importante é que a hidro-
via é tratada como uma questão de
segurança nacional, tanto em razão
do transporte de alimentos quanto Os EUA movimentam 650 milhões de
de suprimentos energéticos”, ob- toneladas/ano de cargas, especialmente
serva Fernando Fialho, Diretor-Geral produtos agrícolas, pelo Mississipi.
da Agência Nacional de Transportes
Aquaviários (Antaq).

Expectativas vias. No final da próxima década, serão pos-


síveis 180 milhões de toneladas, dos quais
Vale lembrar que, durante a visita aos 51,2 milhões deverão ser transportados por
Estados Unidos, o Diretor da Antaq com- hidrovias.” Levantando a bandeira em favor
parou a movimentação atual de grãos por da ecossustentabilidade, Fialho ainda acres-
hidrovia com a projetada para o biênio centou, na última reunião, que a emissão de
2018-2019. “Atualmente, nossa produção CO2 é consideravelmente menor nas hidro-
de grãos é de aproximadamente 140 mi- vias. Por isso, também é importante ter os
lhões de toneladas, dos quais 6,5 milhões ribeirinhos como agentes de preservação
de toneladas são transportados por hidro- ambiental nos complexos.

“Atualmente, nossa produção de grãos é de


aproximadamente 140 milhões de toneladas. No
final da próxima década, serão possíveis 180
milhões, dos quais 51,2 milhões deverão ser
transportados por hidrovias.”
Foto: Divulgação / Agência Brasil

Fernando Fialho,
Diretor da Antaq

RODOVIAS&VIAS 63
64 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 65
Maranhão

Caminhos da produção
Investimentos em rodovias no Maranhão buscam revitalizar parte da
malha estratégica para favorecer o escoamento da produção local e regional
até o porto do Itaqui, um dos mais importantes do país.
Fotos: Rodovias&Vias / Alexsandro Hekavei

66 RODOVIAS&VIAS
Caminhos da produção

BR-135, no Maranhão. Revitalização da malha rodoviária do estado.


RODOVIAS&VIAS 67
Maranhão

A s obras no Maranhão são feitas


em três rodovias: BR-135, BR-222
e BR-230. Com elas, o estado ganhará
“A BR-222 é uma rodovia estadu-
al que foi federalizada. Tem curvas em
90 graus e rampas muito fortes, então
força não só em sua já consagrada voca- estamos fazendo, além da restauração,
ção turística, como também na logística uma adequação de traçado. Nós esta-
nacional. mos retificando essas curvas e com isso
As rodovias têm papel importante a estrada vai diminuir de 2 a 3 km, fa-
no escoamento da produção regional e, zendo com que o usuário da rodovia te-
em especial, da maranhense. A BR-135, nha total segurança ao trafegar por ela.
que vai até o porto do Itaqui, um dos Vai acabar com essa fama que ela tem
mais relevantes do Nordeste brasileiro de estrada da morte, justamente devi-
e responsável pelo escoamento de pro- do a essas curvas fechadas onde muitos
dutos como minério e grãos, teve um caminhões não conseguem completar
trecho duplicado inaugurado no fim o giro e terminam sendo motivo de aci-
de novembro pelo Ministro Paulo Sér- dentes graves”, conta com exclusivida-
gio Passos e pela Governadora Roseana de à Rodovias&Vias o Superintendente
Sarney. Os 15,4 km de extensão de du- Regional do Departamento Nacional
plicação são obra do Governo Federal de Infraestrutura de Transportes (DNIT-
com investimentos de R$ 65 milhões, -MA), Gerardo de Freitas.
recursos do PAC I. O movimento princi- As restaurações também chegam
pal da BR-135 é de cargas pesadas rumo na BR-230, como explica Freitas: “A BR
ao porto. atende a grande região produtora de
Já o trecho maranhense da BR-222 soja no Maranhão, que é o sul do esta-
recebe investimentos mais significati- do. Uma rodovia que foi construída há
vos. Os R$ 340 milhões destinados para mais de 30 anos e nunca teve uma res-
a estrada, considerada pela pesquisa tauração. Nós estamos restaurando e
rodoviária da CNT como uma das piores adequando. Ela passará de 7 para 12 m
do Brasil, servirão para melhorar o tra- de plataforma, é mais segurança e tra-
balho e o caminho dos motoristas. fegabilidade”, explica.

“A BR- 230 atende a grande região produtora de soja no


Maranhão, que é o sul do estado. Uma rodovia que foi construí-
da há mais de 30 anos e nunca teve uma restauração. Nós estamos
restaurando e adequando.”

Gerardo Freitas
Superintendente do DNIT do Maranhão

68 RODOVIAS&VIAS
Caminhos da produção

Trecho duplicado próximo ao porto do Itaqui.

RODOVIAS&VIAS 69
Maranhão

Futuro
As obras nas três rodovias
são importantes, sobretudo se
encaradas em um contexto de
longo prazo. Para o Superinten-
dente do DNIT-MA, uma das
prioridades é a duplicação da
rodovia que dá entrada para a
capital São Luís, a BR-135.
Com a capacidade de tráfe-
go no limite, são comuns os con-
gestionamentos e acidentes, e
ao longo da estrada existem em-
presas, uma usina termelétrica e
companhias de energia como a
MPX, empresa do grupo EBX.

Demanda
portuária

Está em andamento, sob


responsabilidade do Governo
Federal, um amplo estudo dos
portos públicos no Brasil – o
Plano Nacional de Logística
Portuária (PNLP) –, que traçará
um diagnóstico da demanda
portuária até 2030. O porto do
Itaqui integra o grupo de 34
portos públicos do país e, por-
tanto, também compõe o le-
vantamento.
Estrategicamente, fica cla-
ra a necessidade de integração
entre os modais e de se inves-
tir na base capaz de garantir o
sucesso de uma logística e mo-
bilidade que atendam o cres-
cimento econômico da região
urbana e portuária da capital
maranhense. E a base está na
malha rodoviária, cujo papel é
fundamental no escoamento
Porto do Itaqui, MA.
da produção.

70 RODOVIAS&VIAS
RODOVIAS&VIAS 71
MERCADO

Modernas técnicas
rodoviárias
Pela sexta vez, Florianópolis recebeu seminário que apresenta e discute
as tendências do setor rodoviário. Durante quatro dias, profissionais de
diversos estados do Brasil e do exterior tiveram palestras e trabalhos
técnicos sobre o tema.
Fotos: Rodovias&Vias/Camila Pfeiffer

6.º Seminário Nacional Modernas Técnicas Rodoviárias.

O 6.º Seminário Nacional Moder-


nas Técnicas Rodoviárias reuniu
profissionais e estudantes de pratica-
O engenheiro Almir José Machado,
que coordenou a organização, se mos-
trou otimista em relação ao número e à
mente todas as regiões do país e tam- qualidade dos participantes. “Estamos
bém do exterior. Mais uma vez promo-
vido pela Associação Catarinense de
Engenheiros (ACE), entre os dias 21 e
24 de novembro, contou com uma fei-
ra de negócios, oportunidade para as
empresas da construção pesada apre-
sentarem seus portfólios e buscarem
mais espaço no mercado.
Segundo o Presidente da ACE, Abe-
lardo Pereira Filho, não houve grandes
dificuldades em organizar o evento. “Te-
mos relativa experiência porque hoje,
pela sexta edição, sabemos da procura
e das oportunidades decorridas de um
evento dessa natureza. Os assuntos tra-
tados aqui, além de modernos, são opor-
tunos”, disse à Rodovias&Vias. Abelardo Pereira Filho, Presidente da ACE.

72 RODOVIAS&VIAS
Modernas técnicas rodoviárias

“Estamos batendo o recorde com 350 partici-


pantes. É o nosso limite para o espaço que temos.
São muitos assuntos novos. Temos 22 palestras e
16 trabalhos técnicos”

Almir José Machado


Coordenador do evento

batendo o recorde com 350 partici- tos Estaduais de Estradas de Rodagem


pantes. É o nosso limite para o espaço (Abder) e do Departamento Estadual
que temos. São muitos assuntos novos. de Infraestrutura de Santa Catarina
Temos 22 palestras e 16 trabalhos téc- (importante parceiro do seminário),
nicos, como pesagem em movimento, nosso país é carente de obras. “A in-
por exemplo. O excesso de carga é o fraestrutura do Brasil precisa estar em
grande vilão das rodovias. Trouxemos franco desenvolvimento, e há uma
um especialista francês, Jacob Bernard, carência muito grande de execução
para tratar do tema.” de obras. Nós precisamos de soluções
Todas as etapas, desde o plane- adequadas às regiões e à realidade
jamento e projeto até a construção e de cada local, para aproveitar não só
manutenção de rodovia, tiveram espa- a matéria-prima, mas também a mão
ço no seminário. Para o Presidente da de obra disponível”, explica Romualdo
Associação Brasileira dos Departamen- França Junior.

Romualdo França Junior, do governo de Santa Catarina, Presidente da Abder.

RODOVIAS&VIAS 73
negócios

Plano para investimento


a longo prazo
Documento elaborado por encomenda da Federação das Indústrias
do Estado de São Paulo e apresentado no ConstruBusiness 2010
revela situação da infraestrutura nacional e aponta caminhos para o
desenvolvimento nos próximos 12 anos.
Fotos: Rodovias&Vias/ Oberti Pimentel

C riado em 1997, o Congresso Bra- Os resultados obtidos também são senti-


sileiro da Construção (ConstruBu- dos pelo mercado da construção pesada. Se-
siness) se fortaleceu como o mais impor- gundo o Presidente da Federação das Indús-
tante fórum de debate do país para ques- trias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo
tões de habitação e infraestrutura. A força Skaf, mais de 40 produtos da cesta básica da
do ConstruBusiness é tanta que alcançou construção tiveram desoneração. “Itens que
projetos do Governo Federal como o PAC tiveram redução de IPI são frutos de debates
(Programa de Aceleração do Crescimen- provocados pela Federação”, afirmou no dis-
to) e o Minha Casa, Minha Vida. curso de abertura do 9.º ConstruBusiness.

74 RODOVIAS&VIAS
construbusiness

“Itens que tiveram redução de IPI são frutos


de debates provocados pela Federação.”

Paulo Skaf
Presidente da Fiesp, SP

Habitação
Esta edição do evento, ocorrida De acordo com o Vice-Presidente da
no fim de novembro no auditório do República eleito, Michel Temer (PMDB-SP),
Sesi, na Avenida Paulista, teve a apre- que também discursou no 9.º ConstruBusi-
sentação de um estudo inédito para ness, há muito para fazer no setor habitacio-
os setores de transporte e moradia. O nal. “Todos têm direito a habitação, todos
documento, desenvolvido para a Fiesp têm direito a moradia. Ainda tem muito
pelos institutos FVG Projetos e LCA Brasil pela frente”, disse. Temer também
Consultoria, planeja formas e quanti- prometeu incentivos para as empresas de
dades de investimentos para o Brasil construção civil. “As desonerações neces-
até 2022. Entre os critérios observados, sárias para o crescimento do país estão na
estão o aquecimento do setor da cons- pauta do novo governo”, afirmou. De acor-
trução civil, estagnado por quase 20 do com o estudo desenvolvido pela Funda-
anos, que cresce cerca de 6,1% ao ano, ção Getúlio Vargas, seriam necessários R$ 3
e a necessidade de investimentos pri- trilhões para zerar o número de moradias
vados no setor de transporte. inadequadas no país em 12 anos.
Foto: Rodovias&Vias/ Estanis Neto

Ocupação irregular em São Paulo, SP.

RODOVIAS&VIAS 75
negócios

“Todos têm direito a habitação, todos tem


direito a moradia. Ainda têm muito Brasil
pela frente.”

Michel Temer
Vice -Presidente eleito

Com base no Programa Nacional de


Transportes Logística e Transporte (PNLT) do Go-
verno Federal, serão necessários inves-
A criação de marcos regulatórios e a timentos da ordem de R$ 2 trilhões até
maior participação do setor privado são 2022. Os valores são representativos,
as principais ações para solucionar os mas estão subestimados e defasados
problemas de infraestrutura no Brasil, porque foram pautados pelo PNLT, si-
de acordo com a LCA Consultoria. Hoje, nalizou Cláudia Viegas, da LCA Consul-
para cada R$ 1 investido, há R$ 0,28 toria. “Questões de mobilidade urbana,
oriundos dos setores privado e misto. por serem estaduais e municipais, não
Até 2022, é preciso que esta relação estão compondo este montante. Só o
passe para R$ 3,35 investidos pelo setor estado de São Paulo prevê mais de R$
privado para cada R$ 1 aplicado pelo se- 50 milhões até 2025 para integração do
tor público. transporte urbano”, explica.

R$ 130 BILHõES PARA FERROVIAS


Foto: Rodovias&Vias/ Alexandro Hekavei

Ferrovia sobre a BR-153 no Maranhão.

76 RODOVIAS&VIAS
construbusiness

Investimentos em infraestrutura
até 2022

Fonte: Fiesp

Função do Estado e habitação”, afirmou o Presidente da


Fiesp. Ao longo das próximas edições,
“Cada vez mais o estado deve fo- Rodovias&Vias embasará suas matérias
mentar e desburocratizar, criar vias e também no estudo “Brasil 2022: Pla-
financiamentos para que a iniciativa nejar, Construir, Crescer”, apresentado
privada ocupe um maior espaço nesses neste ConstruBusiness, além de acom-
investimentos. Há disposição do setor panhar seus desdobramentos no mer-
privado em investir em infraestrutura cado nacional.

Congresso Brasileiro da Construção no auditório do Sesi.

RODOVIAS&VIAS 77
BR 135/MA – Acesso ao Porto de Itaqui
Rodovia duplicada.
Benefícios que vão
muito além das
pistas.

A ATERPA – empresa com mais de 60 anos de estrada e atuação


em vários setores de engenharia de infraestrutura – concluiu o
novo trecho de acesso ao Porto de Itaqui, na BR 135/MA. Mais
do que melhorias no tráfego, a duplicação dos 15,3 km de pista
multiplica também o potencial de crescimento da região: facilita
o transporte de cargas portuárias, atrai novos investimentos para
o Estado e garante mais segurança aos cidadãos. Com benefícios aterpa.com.br mmartins.com.br sonel.com.br
que chegam a todos, a ATERPA se orgulha de assinar mais uma
contribuição que viabiliza o desenvolvimento.

78 RODOVIAS&VIAS
prêmio

Rodovias&Vias
ganha prêmio nacional
A frase “o pedágio é bom, mas é caro”, que é repetida exaustivamente por
usuários de rodovias sob concessão no Brasil, foi o que inspirou Rodovias&Vias a
fazer uma longa matéria explicando, em detalhes, os diversos tipos de concessão e
as inúmeras variáveis que contribuem para definir a tarifa. O trabalho foi publicado
na edição 45, de maio-junho deste ano.
Fotos: Rodovias&Vias/ Oberti Pimentel

Prêmio ABCR

Carlos Alberto Felizola, da Abcr, e o jornalista João Marassi.

Para orgulho de nossa redação, esta


matéria mereceu o primeiro lugar na
categoria jornalismo impresso, na 5.ª
edição do prêmio ABCR de jornalismo,
promovido pela Associação Brasileira
de Concessionárias de Rodovias.
A entrega do prêmio ocorreu em
solenidade no dia 01 de dezembro, no
Hotel Unique em São Paulo, quando o nosso site rodoviasevias.com.br. Aos
jornalista João Marassi, autor da maté- que não tiveram a oportunidade de
ria, recebeu o prêmio. ler a matéria na edição maio-junho,
Rodovias&Vias documentou a en- Rodovias&Vias publica novamente
trega em fotos e vídeo, que já está no nesta edição.
Boa leitura.

RODOVIAS&VIAS 79
Pedágio divide
opiniões no Brasil
Os brasileiros gostam, mas relutam em pagar pelo pedágio, que consideram
caro. A maioria aprova a qualidade e a segurança das rodovias concedidas
Fotos: Rodovias&Vias/ Leonilson Gomes

Praça de pedágio na Autopista Fluminense (BR-101/RJ).


O pedágio é bom, mas é caro!” A frase,
repetida em praticamente todos os
estados do Sul e do Sudeste onde há rodovias
quando se trata de um serviço que é cobrado em
determinados pontos e gratuito em outros.
Rodovias&Vias resolveu aprofundar um
concedidas à iniciativa privada, demonstra cla- pouco a questão da concessão rodoviária uti-
ramente que os usuários estão satisfeitos com lizando seu know-how em infraestrutura e sua
os serviços das concessionárias, mas insatisfei- longa experiência acompanhando a construção
tos com os preços. e a manutenção das rodovias no Brasil. A ideia é
O conceito de caro ou barato é relativo ajudar o leitor a responder à pergunta: afinal, o
quando se compra um produto. Pior ainda pedágio é caro ou não?

80 RODOVIAS&VIAS
Tipos de concessão
A primeira informação que o leitor
precisa ter é de que há pedágios e pe-
dágios. Eles se distinguem pela quan-
tidade de investimentos exigidos no
contrato. Duplicações, alargamento
de pontes e viadutos, terceiras faixas,
passarelas, vias paralelas, acessos são
algumas das obras que costumam ser
exigidas do concessionário ao longo
do contrato de exploração, cujos cus-
tos são necessariamente incluídos nas
tarifas.
Existem os chamados “pedágios de
manutenção”, em que o concessioná-
rio tem um volume pequeno de inves-
timentos a realizar, detendo-se apenas
na conservação do que já existia nos
trechos que opera. Obviamente, nes-
ses casos as tarifas podem ser mais
confortáveis.
Há ainda as chamadas “concessões
onerosas”, em que as empresas con-
cessionárias pagam à concedente –
geralmente a União ou o estado – um
valor de outorga (espécie de compra
dos direitos para explorar o pedágio)
e ainda são obrigadas a fazer grandes
investimentos na melhoria ou amplia-
ção da capacidade da rodovia, bem
como sua conservação. Tudo tem
que ser retirado da tarifa que o usuá-
rio paga, acrescido dos impostos e do
lucro pretendido pelo concessionário.
Este modelo é bastante usado no es-
tado de São Paulo, em rodovias com
grande fluxo de veículos, como, por
exemplo, o trecho oeste do Rodoanel.
E, finalmente, as concessões não
onerosas, em que as rodovias são
simplesmente entregues aos conces-
sionários sem qualquer indenização,
depois de um processo de licitação,
cabendo-lhes fazer a conservação e os
investimentos estabelecidos em con-
trato. Este modelo foi usado nas con-
cessões realizadas no Rio Grande do
Sul e no Paraná.
Portanto, para definir se uma tarifa
de pedágio é cara ou não, é preciso co-
nhecer o tipo de concessão e quais são
os investimentos exigidos no contrato.
Praça de pedágio na Autopista Fluminense (BR-101/RJ).

RODOVIAS&VIAS 81
rodovias

82 RODOVIAS&VIAS
pedágio divide opiniões no brasil

Volume de tráfego Isto explica, em parte, porque nas


concessões federais as tarifas de pedá-
gio da primeira etapa são mais elevadas
Mas o tipo de concessão é apenas do que as da segunda fase. Na licitação
uma parte da equação que define o va- da primeira etapa (1994), a taxa Selic
lor das tarifas. Para complicar todo esse real superava 20% ao ano, enquanto na
cálculo, é preciso saber se a rodovia é segunda etapa (2007) era de cerca de
duplicada ou tem pista simples e obser- 10% ao ano.
var, ainda, a variável mais importante na
definição de quanto o usuário vai pagar
ao passar na praça de pedágio: o volu- Conhecer detalhes
me de tráfego. É óbvio que uma rodovia
que recebe 30 mil veículos por dia po-
derá ter uma tarifa 50% menor que ou- Todas estas variáveis que apresen-
tra similar onde circulem apenas 15 mil tamos mostram que, para saber se uma
veículos por dia. tarifa é honesta ou está superfaturada,
é preciso conhecer os detalhes do con-
trato de concessão, os investimentos
requisitados e o volume de tráfego,
Taxa de juros bem como a taxa de juros. Mas não é
tudo! A maioria das rodovias brasileiras
Outro fator que pesa na definição da sob administração privada não possui
tarifa é a taxa básica de juros vigente no cancelas de entrada e de saída, como
País quando a licitação da concessão é re- nas concessões em países desenvolvi-
alizada. Ela é crucial na definição da “taxa dos. Aqui no Brasil, geralmente temos
de retorno do investimento”, um compo- grandes praças de pedágio localizadas
nente que pesa bastante na formação do em pontos intermediários e de maior
preço do pedágio. Para que o investidor conveniência operacional, cuja localiza-
seja atraído ao projeto de concessão, a ção considerou variáveis que vão desde
taxa de retorno do investimento definida evitar a penalização de moradores de
pelo concedente deve ser superior à taxa cidades próximas até tarifar, com algum
real de juros oferecida aos aplicadores critério, usuários que venham de rodo-
no mercado financeiro. Assim, se a taxa vias vicinais, que utilizam apenas parte
Selic (Sistema Especial de Liquidação e do trecho sob concessão.
Custódia) de longo prazo estiver elevada Na Europa ou nos Estados Unidos,
no período da licitação, a tarifa inicial será esta dificuldade não existe, porque o
alta, não só em razão da taxa de retorno, pagamento da tarifa ocorre geralmente
como também por tornar mais caros os fora do eixo da rodovia. As cancelas es-
empréstimos que o concessionário busca tão instaladas nas entradas e saídas, de
no mercado para financiar seus investi- forma que o usuário pague exatamente
mentos na rodovia. o número de quilômetros que ele utili-
Foto: Rodovias&Vias/ Leonardo Pepi

Rodovia dos Bandeirantes, administrada pela AutoBan.

RODOVIAS&VIAS 83
rodovias

Foto: Divulgação

Praça de pedágio nos EUA

zou da rodovia privatizada. Ele retira um culos que trafegam na via pagam pedá-
ticket ao acessar a rodovia e paga, ao gio. Isto porque 91% dos usuários utili-
sair, rigorosamente o número de qui- zam a Via Dutra não como estrada, mas
lômetros percorridos. Funciona como como avenida, realizando percursos
no estacionamento de um shopping: o urbanos ou interurbanos de curta dis-
usuário retira um ticket ao entrar com tância nos municípios paulistas e flumi-
seu veículo e paga, na saída, pelo tem- nenses cortados pela rodovia. Segundo
po que o seu veículo ficou estacionado. a concessionária Nova Dutra, “este trá-
Nessa comparação, o modelo brasileiro fego que não paga é exatamente o que
isenta a maior parte dos usuários que fi- provoca os congestionamentos nos
cam pouco tempo no estacionamento dois extremos da rodovia, próximo das
e cobra caro dos que permanecem por cidades de São Paulo e Rio de Janeiro”.
um período maior. Outra constatação da Nova Dutra
é que os caminhões, embora repre-
sentem apenas 10% dos veículos que
trafegam pela rodovia, respondem por
Poucos pagam 70% da receita do pedágio, porque pa-
gam tarifas mais elevadas que os carros
No Brasil, há vários casos de rodo- de passeio (um caminhão bitrem, por
vias concedidas em que o número de exemplo, paga o equivalente a sete au-
usuários que nada pagam supera, em tomóveis). Além disso, os caminhões fa-
muito, os que pagam, porque trafegam zem percursos mais longos que a média
em trechos onde não existem praças de dos automóveis.
cobrança. “Isto é uma penalização do cami-
Dados da concessionária que opera nhão, que acaba subsidiando o carro de
a Via Dutra, rodovia que liga São Pau- passeio”, diz o advogado Geraldo Vian-
lo ao Rio de Janeiro, mostram que, por na, consultor da Confederação Nacional
incrível que pareça, apenas 9% dos veí- dos Transportes (CNT).

84 RODOVIAS&VIAS
pedágio divide opiniões no brasil

um centavo de tarifa. A segunda “fuga”


Ecovia (PR) , 175 km ocorre no litoral. Quem trafega pelos 90
e só uma praça km de rodovias estaduais mantidos pela
concessionária ou nos 64 km da BR-277
de Paranaguá até a praça de pedágio
Outro exemplo de que poucos pa- não paga nada, mas utiliza todos os ser-
gam e muitos usam é a BR-277, que liga viços prestados pela concessionária,
Curitiba ao litoral do Paraná e ao porto como guincho, socorro mecânico e so-
de Paranaguá. A rodovia é operada pela corro médico. Ou seja, os moradores do
concessionária Ecovia, responsável por litoral do Paraná circulam em rodovias
investimentos e manutenção dos 85 bem cuidadas, com todo tipo de assis-
km de pista dupla entre Curitiba e Para- tência, sem despender um único centa-
naguá e de quatro outros trechos de ro- vo de tarifa.
dovias estaduais do litoral (três de pistas A concessionária Ecovia estima que,
simples e um duplicado, sem canteiro), excluído o período de safra, quando é
que se interligam à BR-277 e que somam, intenso o movimento de veículos pe-
juntos, mais 90 km. São, portanto, 175 sados do interior do estado ao porto de
km de rodovias para conservar e apenas Paranaguá, e também nos dois meses
uma praça de cobrança, que está locali- da temporada de praia, estas fugas re-
zada serra acima, a 23 km de Curitiba, no presentem um volume de tráfego bem
km 64,5 da BR-277. maior do que o que passa pela praça
Isso permite dois tipos de “fuga” no de pedágio. Neste caso, é óbvio que a
faturamento da concessionária. Primeiro, tarifa é caríssima para quem paga, pois
todos os veículos que utilizam aquela ro- de alguma forma tem que compensar
dovia nos 23 km entre Curitiba e a praça aqueles que nada pagam. Se a BR-277
de pedágio, com destino aos municípios tivesse cancelas de entrada e saída,
vizinhos de São José dos Pinhais e Pira- como na Europa e nos Estados Unidos, e
quara, bem como os veículos que vão cada qual pagasse exatamente o trecho
de Curitiba ao aeroporto Afonso Pena percorrido, a tarifa seria muito mais jus-
(via Avenida Rui Barbosa), não pagam ta para todos.
Foto: Rodovias&Vias/ Leonardo Pepi

BR-277 administrada pela Ecovia, PR.

RODOVIAS&VIAS 85
rodovias

Foto: Divulgação
Preço salgado
para rodar macio
A conveniência do pedágio é anali-
sada de diferentes formas, dependendo
do ângulo que se olha. É notório que as
rodovias sob concessão privada apre-
sentam condições de tráfego muito
melhores do que as mantidas pelo go-
verno. Isto ocorre em qualquer parte
do mundo. Mas a reclamação é que se
paga um preço salgado para rodar ma-
cio na maioria das rodovias concedidas.
A exceção fica por conta dos trechos
licitados pelo governo federal nas ro-
dovias Régis Bittencourt, Fernão Dias, Milton Monti, Deputado Federal (PR-SP).
BR-116 Sul, BR-376, BR-101. O grande
deságio conseguido na disputa pelos resses dos usuários quanto à qualidade
diversos lotes licitados, a taxa de juros das rodovias, “e com tarifas mais baixas
mais baixa e a menor quantidade de que as outras concessões”, afirma o par-
obras tornaram as tarifas dessa segunda lamentar. “Tudo o que puder ser feito
etapa de concessão federal muito mais dentro desses critérios é bem-vindo,
baratas que as demais concessões bra- porque o governo não tem recursos
sileiras. O preço médio por quilômetro para atender todas as necessidades ro-
rodado nestas concessões é de R$ 0,030, doviárias do País”, disse Monti.
enquanto nas concessões paulistas é Dados de transportadores mostram
R$ 0,135 (4 vezes e meia mais caro), nas que o pedágio tem um peso de apro-
concessões gaúchas é R$ 0,107 (3,5 vezes ximadamente 24% sobre o custo dos
mais caro) e nas concessões do Paraná é fretes, mesmo levando em considera-
R$ 0,081 (2,7 vezes mais caro). ção que a manutenção dos caminhões
O fato é que qualquer análise de é muito menor quando trafegam por
preço de pedágio tem que ser vista rodovias concedidas e que também o
com muito cuidado, porque, como número de viagens aumenta, porque
vimos, não se pode comparar sim- com pista boa a viagem demora menos,
plesmente as tarifas. No Paraná, por o que proporciona melhor rentabilida-
exemplo, a maioria das rodovias con- de do capital investido no caminhão.
cedidas não é duplicada. Em São Paulo, As concessionárias contestam esses
as concessões são onerosas e a maioria números e garantem que a conta final,
das rodovias é duplicada, envolvendo considerando a economia de pneus,
grande volume de obras. freios e combustível com a estrada boa
e o aumento no número de viagens,
compensa boa parte da tarifa cobrada
nas praças de pedágio.
Peso no frete
O deputado federal Milton Monti IPVA e Cide: confusão
(PR-SP), Presidente da Comissão de Via-
ção e Infraestrutura da Câmara dos De-
putados, acha que o programa de con- “A gente já paga IPVA e ainda tem
cessões do governo federal pode ser que pagar pedágio”, reclama Mário de
ampliado, “desde que não onere exces- Freitas, um representante comercial
sivamente a iniciativa privada”, ponde- que viaja duas vezes por mês pelo in-
ra. Para ele, o programa de concessões terior do Paraná com seu automóvel.
feito no governo Lula atende os inte- A queixa do viajante tem um erro de

86 RODOVIAS&VIAS
pedágio divide opiniões no brasil

interpretação. Ele deveria reclamar da compõem essa tarifa. Segundo o Depu-


Cide (Contribuição de Intervenção no tado Federal Elizeu Padilha, ex-Ministro
Domínio Econômico), que é cobrada dos Transportes, serviços como socorro
sobre os combustíveis exatamente para mecânico, assistência médica, monito-
manutenção de rodovias. O IPVA tem ramento da rodovia por câmeras de TV
outra característica. É um imposto co- controladas por uma central de ope-
brado pelos estados sobre a proprieda- rações, telefones ao longo do trecho
de de veículos automotores terrestres, (call-boxes) e o custo de manutenção
sendo que 50% da receita fica com os das praças de pedágio e do SAU (Servi-
estados e a outra metade é destinada ço de Atendimento ao Usuário) duran-
ao município onde o veículo é emplaca- te as 24 horas por dia consomem 50%
do. Tecnicamente, o município utiliza os da tarifa. “O acessório tornou-se mais
recursos do IPVA para manter a sinaliza- importante que o essencial”, critica o
ção viária das ruas (semáforos, placas de ex-Ministro.
sinalização em todas as esquinas, faixas Outro item que pesa sobre as tari-
de pedestres, etc.), enquanto o estado fas são os impostos. A arrecadação do
utiliza os recursos do IPVA para manter pedágio é tributada pelos municípios
a estrutura de controle e fiscalização do (ISS), pelos estados (ICMS) e pela União
tráfego dos veículos, feita pelos Detrans (IR, Cofins, PIS e CSLL). Somados, esses
e pelas Polícias Rodoviárias Estaduais. impostos “engolem” perto de 20% do
Não é, portanto, um tributo destinado valor arrecadado. Além disso, as con-
à construção ou manutenção de rodo- cessionárias recolhem um percentual
vias. para a manutenção e substituição dos
veículos da Polícia Rodoviária Federal e
pagam ao DNIT e ao DER outro percen-
tual pela fiscalização que estes órgãos
O que as tarifas contêm mantêm sobre a concessão.
É fácil notar que o pedágio é um ex-
Há certa ingenuidade dos brasilei- celente negócio também para os go-
ros ao discutir o valor de tarifas de pe- vernos. Se as tarifas fossem depuradas
dágio. É muito simples multiplicar o va- de todos esses penduricalhos e remu-
lor cobrado na praça de pedágio pelo nerassem simplesmente os serviços na
número de veículos que passam pelas pista, acrescidos dos lucros das conces-
cancelas. O resultado é um número sionárias, o valor cobrado poderia ser
escandaloso, não fossem os itens que infinitamente menor.

Muita rodovia para cuidar Freeway, RS. Administrada pela Concepa.

É bom que os críticos das concessões tenham em mente também


que o Brasil, com dimensões continentais, possui 1 milhão e 734 mil
quilômetros de rodovias, segundo dados do Plano Nacional deViação
(PNV). Destes, 77 mil km são de rodovias federais, e o restante de ro-
dovias estaduais e municipais. Desse total, 217.800 km são de rodovias
Foto: Rodovias&Vias/ Leandro Dvorak

pavimentadas, das quais 62 mil km são federais. Apenas 11.191 km


(pouco mais de 5%) estão hoje sob regime de concessão, com manu-
tenção bancada pelos recursos de pedágio. Significa que os demais
95% das rodovias pavimentadas e 100% das rodovias com leito natu-
ral são mantidos pelos governos com recursos orçamentários. É muita
rodovia para cuidar, consumindo bilhões de reais dos orçamentos pú-
blicos todos os anos.

RODOVIAS&VIAS 87
rodovias

Como é o pedágio em outros países?


Se já é errado comparar as tarifas das várias con- além de Cingapura, Japão, Malásia, Filipinas,
cessões no Brasil, muito pior seria comparar tarifas de China, Paquistão, entre outros.
países diferentes. Na Inglaterra, o governo usa um mecanismo
Cada país tem um formato de concessão. Al- muito semelhante ao que já foi adotado pela pre-
guns subsidiam, outros desoneram impostos, e há feitura de São Paulo para os ônibus urbanos, no
os que mantêm toda a malha rodoviária secundá- qual o valor recebido do usuário é diferente do
ria do país com a tarifa cobrada nas grandes vias. preço pago ao concessionário. Este é remunerado
O pedágio passou a ser tendência mundial a por um “pedágio-sombra”, enquanto a tarifa real é
partir dos anos 1990. A lista de países que cobram destinada à constituição de um fundo. Em alguns
pedágio inclui Hungria, Rússia, Inglaterra, Itália, contratos, o concessionário faz o projeto, financia
França e outros integrantes da Comunidade Eu- a estrada, constrói, opera por alguns anos e, no fi-
ropeia, Estados Unidos, México, Chile, Argentina, nal do contrato, entrega a rodovia ao governo.

Espanha, muitos benefícios fiscais

Foi no final dos anos 60 que as concessões se multiplicaram na Espanha. Entre 1964 e 1980, 3 mil km
de vias expressas foram concedidos a concessionários, que recebiam grandes benefícios fiscais. A rede
concedida compreende atualmente 2 mil km de rodovias, operadas por oito concessionárias, seis priva-
das e duas estatais. O governo tem 28,8% de participação nas concessionárias, seguido dos fundos de
pensão (21,1%), bancos (16,4%), as empresas construtoras (12%) e outros acionistas (21,7%).

Itália, berço das concessões rodoviárias

Em 1925, a Itália fez a primeira concessão rodoviária do mundo – a autoestrada Milano-Lagi. Hoje
a Itália possui 6.175 km de vias expressas concedidas, gerenciadas pela Societá Autostrade, empresa
de economia mista que detém 51% de ações estatais. Desde 1950, o conceito italiano de concessão é o
de arrecadar recursos para conservar não uma única rodovia, mas a malha completa. É o chamado sub-
sídio cruzado, ou seja, receitas de uma estrada que são transferidas para outra. Entre as 25 concessioná-
rias italianas, apenas uma (a que explora o trecho de Turim a Milão, de 127 km) é privada. As restantes
têm capital público e apoio de organismos regionais ou locais.

Chile, garantia de tráfego mínimo

As concessões chilenas são bastante semelhantes às brasileiras. As concessionárias são privadas e


as concessões têm garantia de tráfego mínimo, com eventual excesso sendo repartido com o gover-
no. Em 1998, o Ministério de Obras Públicas do Chile cobrou US$ 130 milhões pela outorga da Ruta 5
(Autopista del Maipo), entre Santiago e Talca, cidade 200 km ao sul de Santiago. Na Ruta 68, a privati-
zação proporcionou investimentos de US$ 110 milhões na Autopista del Pacifico, entre Santiago e a
cidade portuária de Valparaiso, que chega também à cidade balneária de Viña Del Mar.

88 RODOVIAS&VIAS
pedágio divide opiniões no brasil

França, forte participação do governo


Na França, a concessão de pontes e rodovias para sociedades controladas pelo poder público foi esta-
belecida em 1995 e aberta à iniciativa privada em 1970. Foram criadas quatro empresas de economia mis-
ta, com apenas 10% dos investimentos privados, e que acabaram sendo incorporadas pelo governo entre
1982 e 1986. Atualmente, há 5.726 km de vias expressas concedidas, com fluxo superior a 25 veículos/dia.
Esta rede é gerida por nove empresas, sendo oito de economia mista controladas pelo governo e apenas
uma de controle privado. Cinquenta por cento das despesas de construção, conservação e operação da rede
federal de 36 mil km são mantidos com dinheiro oriundo dessas vias expressas pedagiadas.

Estados Unidos: mito


Ao contrário do que muitos pensam, a malha rodoviária concedida nos Estados Unidos é bastante modesta.
Isto porque as principais rodovias têm controle dos estados, e não da União. No início dos anos 90, as estradas
pedagiadas nos Estados Unidos representavam apenas 6,5% do sistema rodoviário interestadual. No início dos
anos 2000, as rodovias concedidas não passavam de 7.150 km, de uma malha total pavimentada superior a 5
milhões de km. As turnpikes americanas (rodovias construídas com recursos do pedágio) são gerenciadas por
uma autoridade estatal, que capta recursos por meio de bonds (títulos). Somente nos anos 2000 ocorreram os
primeiros casos de participação da iniciativa privada nos investimentos em obras públicas. As rodovias pedagia-
das nos Estados Unidos caracterizam-se por um grande fluxo de veículos em razão da imensa frota americana, o
que permite tarifas relativamente baixas.

México, modelo que fracassou


Em 1988, o governo mexicano lançou um ambicioso programa de construção de rodovias, o Programa
Nacional de Autopistas Concesionadas. Considerado o maior do mundo no gênero, tinha como meta chegar
ao ano 2000 com 15 mil km de novas rodovias, sendo ¾ delas operadas mediante pedágio. Mesmo sem ter
sido totalmente implementado, o programa dobrou a rede rodoviária mexicana, que passou de 4.500
km em 1989 para 9.900 km em 1994. Foram feitas 53 concessões com investimentos de US$ 13 bilhões,
financiados por bancos comerciais locais e pelos governos federal e estadual, além de investimentos das
concessionárias. Entretanto, o projeto foi inviabilizado porque os investimentos e os custos de operação
foram subestimados. Em razão disso, houve calote nos bancos locais de cerca de US$ 5 bilhões. Como
a legislação mexicana exige rota alternativa para rodovias com pedágio, e em razão dos altos custos, os
usuários passaram a dar preferência aos trajetos livres de pedágio. A via expressa Cidade do México-Aca-
pulco, por exemplo, cobra tarifas de US$ 15,00 a cada 100 km. O alto custo e a rota alternativa reduziram
o tráfego médio mensal a menos de mil veículos por dia. Como o modelo mexicano dá garantia ao volume
de tráfego, se este volume não é atingindo, o prazo da concessão é prorrogado. Se o volume for ultrapassado, a
receita excedente é repartida entre o governo e a concessionária.

Argentina, tarifa congelada e prejuízos

A Argentina possui uma rede de 448 mil km de estradas, dos quais 60 mil km são pavimentados. Em
1990, foram concedidos a 13 empresas, por um período de 12 anos, 9.293 km de estradas em 19 corredo-
res viários. As tarifas de US$ 2,30 para automóveis e US$ 9,20 para caminhões para cada 100 km provoca-
ram forte reação popular, obrigando o governo a congelar os valores de 1992 a 1995, sob a promessa de
subsidiar as concessionárias. Sem pagar os subsídios, em 1995 os preços sofreram reajuste de 30%. Estas
mudanças obrigaram o governo a prolongar o prazo das concessões para 28 anos, além de incluir novas
obras.

RODOVIAS&VIAS 89
Eclusas de Tucuruí
Seis quilômetros em trinta anos.
Fotos: ASCOM

Mega obra levou 30 anos para ficar pronta.

A extensão da obra em relação ao


tempo que levou para ser con-
cluída sugere uma complexidade que de
Esqueça a celeridade do chavão de
Kubitschek “50 anos em 5”. Exemplo da
morosidade das obras públicas no país –
fato existe. Contudo, quase uma espécie de
não justifica que três símbolo nacional –, as
absurdas décadas eclusas de Tucuruí ti-
consumem o desen- em 30 anos cerca de veram um lema mais
volvimento do Brasil. R$ 1,6 bilhão foram compatível com a cé-
Poderia ser feita em
muito menos tempo.
gastos. lebre e caricatural per-
sona de Macunaíma.
Felizmente, os anos Foram trinta anos em
se passaram e agora o trinta mesmo. A jorna-
tempo ali se mede em minutos. A travessia da épica teve início nos anos 80, ainda sob
completa de uma embarcação pelas eclu- o jugo dos militares e a meta de interiorizar
sas de Tucuruí dura pouco mais de 30min. o desenvolvimento do país por meio da

90 RODOVIAS&VIAS
viabilização de grandes obras estruturan- um dos 10.950 dias em que as eclusas
tes. De lá para cá, muitas águas rolaram e, não funcionaram. A obra, em conjun-
em meio a elas, R$ 1,6 bilhão. De carona, to com outras intervenções hidroviá-
vieram denúncias, invasões do canteiro rias – como a que se pretende tornar
de obras levadas a cabo pelo MAB (Mo- na hidrovia Araguaia-Tocantins –, tem
vimento dos Atingidos por Barragens), potencial suficiente para reduzir em
além de inúmeras portarias emitidas pelo 15% os custos com frete para os pro-
Governo e a refação amiúde dos estudos dutores. E isso representaria, na pior
técnicos que acabavam por ficar defasa- das hipóteses, uma conta mais favo-
dos. De casos como este, surgiu a expres- rável da balança comercial brasileira
são inglesa “stop and go”, que define o para as exportações, ao tornar mais
“anda e para” das grandes obras públicas. competitivas as commodities que ala-
vancam o consistente agronegócio na
região Norte.
Além de tempo, A dimensão exata do que o país
deixou de ganhar pode ser medida
o que se perdeu? na falta que esse dinheiro, perdido de
fato, fez em outras tantas carências
Quarenta milhões de toneladas por que o Brasil tem. Em novembro de
ano ou 24 comboios. Esta foi a tonela- 2010, a entrega foi feita e o coro incon-
gem de transporte que deixou de se tido dos que comemoravam as novas
valer inclusive dos cerca de 350 km na- possibilidades fez frente ao choro dos
turalmente navegáveis do rio em cada que perderam muitas oportunidades.

Obra faz parte da hidrovia Tocantins-Araguaia.

RODOVIAS&VIAS 91
NA MEDIDA

Bilhete integrado
O 11.º Encontro de Boas Práticas da NTU (Associa-
ção Nacional das Empresas de Transportes Urbanos)
reuniu mais de 130 profissionais no Rio de Janeiro. As
discussões trataram da implantação do bilhete inte-
grado temporal em quatro capitais brasileiras – Rio de
Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador. Os pa-
lestrantes detalharam sobre o processo de implemen-
tação do sistema de integração tarifária, como funcio-
na e os desafios para custeá-lo.

Aceop 40 anos
Quarenta anos atrás, em 1970, Santa
Catarina contava com apenas 26 km de
Foto: Rodovias&Vias

rodovias pavimentadas. Hoje a malha


rodoviária estadual ultrapassa os 6 mil
km, e seu desenvolvimento foi acompa-
nhado de perto, desde o início, pela As-
sociação Catarinense dos Empresários
de Obras Públicas (Aceop), que come-
morou em novembro seu quadragési-
mo ano de fundação.

Volvo Ocean Race em Itajaí


Foto: Divulgação

O Diretor Comercial e o Diretor Admi-


nistrativo-Financeiro do porto de Itajaí/SC,
Robert Grantham e Alexandre Antônio dos
Santos, respectivamente, participaram de
uma reunião com dirigentes e equipes par-
ticipantes da Volvo Ocean Race, maior regata
do planeta. Itajaí será o único porto de para-
da no Brasil. O encontro, ocorrido no fim de
novembro na cidade espanhola de Alicante,
serviu para o entrosamento das equipes com
os representantes dos portos de parada, bem
como para disponibilização das informações
relacionadas aos respectivos portos para as
equipes concorrentes.

92 RODOVIAS&VIAS
NA MEDIDA

Voos garantidos

Foto: Rodovias&Vias / Leonilson Gomes


A Agência Nacional de Aviação
Civil (Anac) tornou pública, em sua
página na internet (www.anac.gov.
br), a programação de horas de
voo e da disponibilidade das tripu-
lações para todo o mês de dezem-
bro nas seis maiores companhias
aéreas brasileiras: TAM, Gol, Azul,
Webjet, Avianca e Trip. Os dados
foram informados pelas compa-
nhias aéreas ao órgão regulador e
indicam que as empresas mantêm
equipes suficientes para realizar os
voos programados, respeitando a
carga horária prevista pela Lei do
Aeronauta.

Infraestrutura de transportes em alta


Os investimentos previstos para a Copa e as Olimpíadas, de R$ 169 bilhões para os se-
tores de infraestrutura e mobilidade, dos quais pelo menos R$ 11 bilhões serão destinados
para infraestrutura em transportes públicos somente para a Copa do Mundo (como parte
do PAC da Mobilidade Urbana), devem trazer boas perspectivas para empresas relacionadas
aos setores. Uma delas é a Compsis, que tem o foco de negócios voltado para a indústria ae-
roespacial e hoje atua também em outros segmentos, como o de infraestrutura de transpor-
tes. A empresa estima que este mercado, somado ao de rodovias, tem o potencial de gerar
negócios da ordem de R$ 800 milhões para seu caixa.

Foto: Rodovias&Vias / Oberti Pimentel

Avenida Paulista.

RODOVIAS&VIAS 93
NA MEDIDA

Eletrobrás fora do Brasil


A estatal do setor elétrico tem pla-
nos grandiosos para os próximos anos.
Foto: Divulgação

A começar pelo vulto dos investimen-


tos previstos, o maior plano de sua
história: R$ 45 bilhões. Além de refor-
mulações no grupo que deverão ser
aprovadas pelo Conselho de Adminis-
tração e a padronização dos estatutos
de suas controladas – Chesf, Furnas,
Eletronorte e Eletrosul –, a companhia
mira outros países da América do Sul.
A América Central e os Estados Unidos
também são oportunidades para a Ele-
trobrás, segundo seu Presidente, José
Muniz Lopes. Outras mudanças devem
agilizar as participações da empresa
em processos de licitação. “Estamos
discutindo com o Tribunal de Contas
da União e com orientações da Pe-
trobrás. Teremos mais liberdade para
investir. Somos uma estatal que não
depende dos recursos do Tesouro”,
lembra Muniz. Os primeiros passos da
empresa fora do país serão no Peru e
na Nicarágua.

Transporte de etanol
Um sistema já em construção deve
otimizar o escoamento da produção de
etanol direto das regiões produtoras
para a Refinaria de Paulínia (SP). Depois
de pronto, o sistema, que exige inves-
timentos de R$ 5 bilhões e terá 850 km
de extensão, passará por 45 municípios,
desde Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais,
até São Paulo. O sistema integrado terá
um “etanolduto” de longa distância entre
Jataí/GO e Paulínia, e o primeiro trecho
do Sistema Integrado de Transporte de
Etanol, obra da Petrobrás, irá de Ribeirão
Preto até Paulínia, dois importantes po-
los do setor no estado de São Paulo.

94 RODOVIAS&VIAS
ARTIGO

João Leão

Deputado Federal (PP-BA) e
Energia nuclear
a Bahia quer!
ex-Secretário de Infraestrutura da Bahia

A Bahia é energética por tradição.


Nosso estado consagra o maior
polo energético do Nordeste. O rio São
o aval do Ministério de Minas e Energia. A
quarta usina, depois de Angra I, II e III, no
Rio de Janeiro, será na nossa região. Ain-
Francisco, símbolo da força e bravura do da segundo o PNE 2030, a partir de 2025
sertanejo, abriga o Complexo de Paulo o potencial hidrelétrico do Brasil deve di-
Afonso, administrado pela Companhia minuir bastante, o que vai exigir o cresci-
Hidrelétrica do São Francisco (Chesf ). As mento de outras matrizes. Nessa situação,
cinco hidrelétricas juntas podem produ- as usinas nucleares ganham espaço devi-
zir 4,2 milhões de kW. Como diz a música do as suas características, pois têm capa-
de Ary Lobo: “Paulo Afonso, se ligarem cidade de gerar energia em grande escala.
mais um fio você ilumina o Rio, São Paulo O Brasil possuiu a sexta maior reserva de
e toda a nação.” Temos em Sobradinho o urânio do mundo, tendo apenas 30% do
maior lago artificial da América Latina. A território prospectado. Uma importante
usina, que está situada a 748 km da foz do jazida já está sendo explorada na Bahia. A
Velho Chico, além de gerar energia elétri- expectativa é que, se for prospectado 70%
ca, é a de principal responsável por regu-
larizar os recursos hídricos na região.
Mas é importante que não fique-
mos concentrados em uma única matriz
energética. Sabemos que a Eletronucle- “é importante que não
ar pretende instalar uma ou mais usinas fiquemos concentrados em
no Nordeste. E a energia nuclear é mui- uma única matriz energética”.
to bem-vinda na Bahia. Temos todas as
condições para receber esse empreendi-
mento. Somos o estado mais populoso
do Nordeste e temos a maior economia
da região. Nossa infraestrutura, de distri- do território nacional, passaremos a ter a
buição de energia, está mais organizada segunda maior reserva do globo. Em ter-
que nos outros estados e as condições mos energéticos, equivaleria à descober-
geológicas nos favorecem. ta do petróleo no pré-sal. Dominamos a
O PNE 2030 (Plano Nacional de Ener- tecnologia do ciclo do combustível, o que
gia), do Governo Federal, definiu a par- aponta um caminho muito promissor.
ticipação da matriz energética nuclear A Bahia tem tudo para receber não
para 4 mil Megawatts, o que necessitará uma, mas duas ou três usinas nucleares
a construção e instalação de quatro no- desse porte e continuar sendo o pilar da
vas usinas no país. O Nordeste está sen- geração de energia do Nordeste, com to-
do pesquisado pela Eletronuclear, com das as precauções necessárias a preserva-
ção ambiental.

96 RODOVIAS&VIAS
ARTIGO

Luiz Aubert Neto


suíça ou rússia
Presidente da Abimaq
(Associação Brasileira da Indústria de
bons exemplos não faltam
Máquinas e Equipamentos)

gumas grandes empresas, como a Nestlé.


A verdade é que a base da economia suíça

O resultado de uma recente pesqui- está nas mais de 350 mil empresas de mé-
sa, realizada pelo Fórum Econômi- dio e de pequeno portes, que empregam
co Mundial, que mede a competitividade mais de 3,3 milhões de pessoas e produzem
dos países apresentou um resultado extre- bens de alto valor agregado.
mamente preocupante, mas não surpre- Apesar de desenvolvida, a Suíça conti-
endente, para nós, brasileiros. nua a investir pesadamente para ampliar
A colocação do Brasil no ranking é vexa- a sua infraestrutura. A título de exemplo, o
tória. Ficamos em 58.º lugar e, para piorar, país está investindo cerca de 7 bilhões de
perdemos duas posições em relação ao ano euros na construção do túnel Gotardo Base.
de 2009. O resultado mostra que, quando Nossa intenção, ao trazer os exemplos da
clamamos por mudanças urgentes na polí- Rússia e da Suíça, é mostrar que esses países
tica macroeconômica, não se trata de choro estão conscientes de que a industrialização e
de empresário nem estamos pedindo prote- o investimento em infraestrutura são os úni-
cionismo ou reserva de mercado. cos caminhos para o desenvolvimento.
Estamos convictos de que só a expor- A mesma postura, por parte do governo
tação de commodities não será suficiente brasileiro, se faz necessária e urgente. É pre-
para gerar o superávit necessário no ba- ciso eliminar o “custo Brasil”, desonerar to-
lanço de pagamentos e a quantidade de talmente os investimentos, fazer a reforma
empregos de que uma nação tão populo- tributária, acabar com a guerra fiscal entre
sa como a nossa necessita. os estados, oferecer financiamentos a lon-
Exemplos a serem seguidos não faltam. go prazo e com taxas de juros honestas e
Durante a sétima rodada anual do Clube adotar um câmbio minimamente favorável
Valdai de Discussões Internacionais, realiza- ao setor produtivo.
da em setembro de 2010, o premier da Rús- O momento é este, a hora é agora. Ou
sia, Vladimir Putin, anunciou que deverá o governo brasileiro age imediatamen-
implementar novas reformas econômicas te no sentido de dar competitividade à
e acelerar a modernização da infraestrutura indústria brasileira de transformação ou
do país. Putin afirmou que o principal obje- continuaremos a assistir à invasão do
tivo da Rússia será promover uma econo- nosso mercado, com consequente perda
mia baseada na inovação e na exportação de empregos no mercado interno. Afinal,
de bens de alto valor agregado. que Brasil nós queremos?
Outro bom exemplo é a Suíça. O país Nós, da Abimaq, queremos um país
não chama a atenção somente pelas belas mais justo, com educação, saúde e empre-
cidades. Não há dúvidas de que a Suíça é gos. Um Brasil forte, competitivo, com cres-
um país inquestionavelmente rico, mas há cimento sustentado não só na produção de
quem pense que o país, com seus pouco commodities, mas também na produção
mais de 7 milhões de habitantes, tem a de bens de maior valor agregado, capaz de
economia baseada apenas na arrecadação gerar desenvolvimento, empregos e distri-
proveniente do sistema financeiro e de al- buição de riquezas.

RODOVIAS&VIAS 97
da redação

Fizemos e
faremos
H á uma conhecida instituição bancá-
ria que utiliza em suas chamadas co-
merciais o conceito de “presença”. Presença,
Estar “presente” também significa estar
“ausente”, pois acumulados também são os
dias em que repórteres, fotógrafos e cinegra-
segundo o reclame é estar em todos os luga- fistas, contabilizam a saudade dos que deixa-
res, em contato direto com as pessoas onde ram para trás, por acreditarem não só fazer
elas estão e, de certa forma, participar da vida parte do mais importante veículo do setor,
delas. A Rodovias&Vias, desde sempre, teve mas também ser parte de um momento his-
como princípio um raciocínio parecido, ao tórico no desenvolvimento do país que cha-
qual nossos leitores mais assíduos já estão fa- mam de seu.
miliarizados: o “Jornalismo de imersão”. Isto É ao final do ano, que estes mesmos, por
significa produzir o um breve hiato em
conteúdo a partir suas atividades,
das constatações compensam as
“in loco”, observan- suas próprias au-
do as cores, palmi- sências e tornam-
lhando o chão e -se presentes no-
conversando com vamente junto aos
todos os envolvi- seus, “com a alma
dos no processo repleta de chão”,
de transformação como cantou Mil-
que a infraestru- ton Nascimento.
tura opera na vida Tempo de contar
de cada um. Isto é as histórias, expe-
também uma for- riências e porque
ma de presença, não, as impressões
bem como a apos- de suas “andan-
ta em uma deman- ças”. Tempo de re-
da que fez com que esta publicação passasse lembrar a rotina (ou a falta dela), puxada no
de bimestral, para mensal. volante dos carros, nos assentos das aerona-
Estar “presente” implica percorrer as con- ves e nas proas das embarcações. Tempo de
tinentais distâncias de nosso país. Por terra, sorrir pelo trabalho bem feito e pela certeza
água e ar, as equipes se lançam em busca da de que este ano foi de muito trabalho, e que
essência que você vê impressa de forma isen- 2011 será ainda mais prodigioso.
ta e sincera nestas páginas. Somente este ano É tempo de desejar ao caro leitor, razão
percorremos apenas em território nacional de nossa existência, um Feliz Natal e um ano
380 mil quilômetros, desprezando nesta con- novo pleno de satisfação.
ta as milhas acumuladas (algo em torno de
mais de 400 trechos). Mais de um milhão de
quilômetros é pouco para traduzir a imensi-
dão e a diversidade do Brasil.

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