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AULA 12.

ADMINISTRATIVO – MARINELA

06.06.2012

VII – Licitação - Continuação

6 Modalidades de Licitação

6.2 Tomada de Preço

É utilizada para valores intermediários, entre o convite e a concorrência. Art. 23, lei:

Obras e Serviços de Engenharia Outros bens e serviços que não


engenharia

Acima de R$ 150.000,00 até R$ Acima de R$ 80.000,00 e até R$


1.500.000,00. 650.000,00.

Essa modalidade é escolhida em razão do valor.

Quem participa da tomada de preço são os licitantes cadastrados. A Administração


Pública, com o objetivo de acelerar a contratação, faz uma habilitação prévia,
oportunidade que o licitante apresenta todos os documentos e já fica cadastrado.
Desse modo, na hora da licitação ele não precisa apresentar documentos de novo.

O cadastramento nada mais é do que um banco de dados na Administração pública. É


uma habilitação prévia, exige-se os requisitos da habilitação para acelerar o processo.

O licitante já cadastrado não apresenta os documentos novamente. Apresenta apenas


o certificado de registro cadastral.

Também podem participar da tomada de preço os licitantes não cadastrados, mas que
preenchem os requisitos para cadastramento até o terceiro dia anterior à data marcada
para a entrega dos envelopes.

O licitante faz um requerimento nesse prazo (até o terceiro dia anterior a entrega dos
envelopes), junta os documentos provando que preenche os requisitos e ai pode
participar da licitação.

O ideal é que a comissão julgue logo o cadastramento desse licitante que não tinha
habilitação prévia.
Prazo de intervalo mínimo:

- no caso de técnica ou técnica mais preço o prazo de intervalo mínimo será de 30 dias.

- se a licitação é só tipo preço o prazo é de 15 dias.

Pergunta: se o contrato é de engenharia no valor de R$ 1.500.000,00, qual a


modalidade de licitação?

Até R$ 1.500.000,00 é tomada de preço e acima desse valor a modalidade é


concorrência. Logo, a licitação se dará na modalidade tomada de preço.

O TCU tem seguinte orientação (deve ser exposta em prova discursiva): As alterações
contratuais só podem acontecer dentro do limite de valor da modalidade escolhida. Se
estiver no limite o ideal é escolher a modalidade mais rigora. Isso porque, se no curso
da contratação percebe-se que é preciso aumentar o valor, se está no limite da
modalidade, não pode alterar o valor senão muda a modalidade de licitação.

Pergunta: a modalidade tomada de preço fica entre o mínimo do convite e o máximo


da concorrência. FALSO, o certo é máximo do convite e mínimo da concorrência.

6.3 Convite

O parâmetro é o valor:

Obras e Serviços de Engenharia Outros bens e serviços que não


engenharia

De zero a R$ 150.000,00. De zero a R$ 80.000,00.

Quem participa da licitação nessa modalidade:

Primeiro participa os licitantes convidados. São eles os cadastrados ou não desde que
respeitado o número mínimo de três. Ou seja, devem ser convidados, no mínimo, três
licitantes cadastrados (empresa que atua no ramo da atividade contratada).

Se convida número mínimo de três, mas há no mercado uma restrição (ex.: só há no


mercado dois ou um cadastrados – convido três e só aparecem dois ou convido dois e
só aparece um) deve-se justificar e convidar em número inferior. Veja: é possível
convidar menos do que o exigido, desde que fundamente/justifique isso.
Também podem participar licitantes cadastrados que não foram convidados, desde que
manifeste vontade de participar com 24 horas de antecedência da entrega dos
envelopes.

Licitante não cadastrado pode participar do convite? Pode, desde que seja convidado.
O licitante não cadastrado e não foi convidado pode participar do convite desde que se
cadastre até o terceiro dia anterior usando analogia ao prazo da tomada de preço (essa
é uma orientação doutrinária).

O instrumento convocatório é a carta convite (não há edital aqui). Essa carta não
precisa ser publicada no diário oficial. É encaminhada aos convidados e fixada no átrio
da repartição = local central de ampla circulação. Desse modo, permite que os não
convidados já cadastrados tomem conhecimento da licitação e, se tiver interesse,
participem dela.

Intervalo mínimo: cinco dias úteis. Cuidado: para o direito administrativo o conceito de
dia útil é a repartição estar funcionando. Ponto facultativo é faculdade, pode ou não
funcionar.

Quanto à comissão, o convite também tem uma peculiaridade. A comissão está


prevista no art. 51 da lei sendo a regra ser composta por três servidores. Se a
repartição tem quadro pequeno e selecionar três pode colocar em risco a continuidade
do serviço, em nome desse princípio, pode fazer o convite com um servidor apenas
compondo a comissão.

(voltamos a tratar dos valores para depois analisar demais modalidades de licitação)

O legislador diz que se a lei diz que a contratação é mais simples, posso substituir pela
mais rigorosa. Posso trocar da mais simples para a mais rigorosa. Ex.: se a lei diz
convite, posso tomada ou concorrência. Se tomada, pode concorrência. Mas, se a lei
diz concorrência não posso fazer convite nem tomada.

Esses valores são importantes para saber os casos de dispensa de licitação. Se a


contratação for no valor de 10% do convite, há dispensa de licitação. Nesse caso, será
R$ 15.000,00 para contrato de bens e serviços de engenharia e R$ 8.000,00 para
demais contratações que não engenharia (art. 24, I e II).
Esse valor é dobrado, ou seja, 20% do convite para dispensa de licitação quando a
contratação for feita por empresa pública, sociedade de economia mista, agências
executivas e consórcios públicos (art. 24, parágrafo único da lei).

E, se o consórcio for formado por até três entes, o valor de dispensa é dobrado. Se tiver
mais de três entes, o valor é triplicado (art. 23, § 8º).

Pergunta FCC: se o contrato é de engenharia no valor de 100.000,00 e há outro


contrato de bens e serviços que não engenharia no valor de 200.000,00. Quais
modalidades podem ser usadas nesses contratos?

Para o de engenharia, pode usar convite, tomada de preço ou concorrência. No


segundo contrato, a modalidade é tomada podendo ser substituída por concorrência.

A única alternativa correta da prova era que em ambos pode-se usar concorrência.

6.4 Leilão

É modalidade de licitação que serve para alienação de bens da Administração.

Pode-se alienar por leilão bens imóveis quando a hipótese estiver contida no art. 19 da
lei, ou seja, imóvel que decorre de decisão judicial ou dação em pagamento. A regra
de alienação de bens imóveis é a concorrência, mas será feito por leilão nessas duas
hipóteses.

O leilão também serve para alienação de bens móveis inservíveis, apreendidos e os


penhorados.

Bem inservível é o que não serve mais ao alienante, mas que pode ser útil para outra
pessoa. Não é bem imprestável, inútil. Ex.: carro antigo pode ser inservível para órgão
que o utiliza para viajar, mas é útil para o órgão que usa o carro apenas para andar na
cidade.

Bem apreendido é o que não está regularizado, está sem documentação.

O legislador cometeu equívoco aqui ao falar bem penhorado. O correto é o bem


empenhado (objeto de penhor). Penhor é direito real de garantia que acontece fora da
ação de execução. Ex.: vou a CEF pedir empréstimo e dou como garantia uma joia. Se
não pago a dívida no prazo a CEF leiloa a minha joia para pegar o dinheiro. Na prova, se
objetiva e a alternativa transcreve a lei, marcar essa alternativa. Mas, hoje já colocam
‘bem empenhado’.
Prazo mínimo: quinze dias corridos.

Quem faz o leilão é o leiloeiro. Normalmente ele é servidor do quadro que é designado
para fazer o leilão.

O procedimento do leilão não está na lei 8.666, segue a praxe administrativa (não o
estudaremos. É quem dá mais leva e pronto).

6.5 Concurso

Serve para contratação de um serviço técnico, artístico ou científico e a


contraprestação é um prêmio ou remuneração.

Essa modalidade de licitação não se confunde com o concurso público que serve para
preenchimento/provimento de cargos públicos.

Prazo de intervalo mínimo é de 45 dias (é o que mais cai em provas sobre essa
modalidade).

A comissão do concurso é chamada de comissão especial. O que muda nessa comissão


é que não precisa ser composta por servidores. Pode participar pessoas idôneas com
conhecimento na área. Pode ser servidor, desde que tenha conhecimento da matéria.

Não estudaremos o procedimento dessa modalidade de licitação. As regras estão


previstas em regulamento. Então, cada concurso tem uma regra diferente.

6.6 Pregão

Surgiu pela primeira vez no ordenamento jurídico pela lei 9472/1997. Essa lei instituiu
a ANATEL e disse que para as agências reguladoras vale o pregão e a consulta.

Depois disso, ele passa a ser regulamentado pela MP 2026/2000 passando a ser
modalidade própria da União. Em 2002, pela Lei 10.520, ele passa a ser usado por
todos os entes.

O pregão é a modalidade de licitação que serve para a aquisição de bens e serviços


comuns. É o que pode ser conceituado no edital como expressão usual de mercado.

O pregão não importa o valor, qualquer valor pode ser adquirido por pregão. Vale
lembrar que por ser bem comum, o tipo de licitação é só o preço, não trata da técnica.
Bem comum é o que pode ser comprado sem problema, dificuldade, encontrado de
forma disponível no mercado; não significa que é um bem simples. Ex.: copo
plástico,aparelho de LCD, etc. Não precisa de qualificação especial para entender que
bem é esse.

Tem como intervalo mínimo oito dias úteis.

O pregão é realizado pelo pregoeiro que é assistido por uma equipe de apoio que ajuda
na formação do processo, construção de cada ato. Mas, quem decide/bate o martelo é
o pregoeiro.

O procedimento do pregão é diferente, é invertido.

Pode ser de duas formas: presencial e eletrônico.

O eletrônico se parece com sala de bate-papo. Você recebe uma senha para participar
e lá diz a proposta. Segue o mesmo procedimento que o presencial, a diferença é que é
feito pela internet. Não veremos detalhadamente porque não cai em provas (está
regulado por decreto, por isso, muito dificilmente é cobrado).

Para o âmbito federal, a modalidade preferencial é o pregão.

7 Contratação direta

A regra geral é você licitar e, ao final celebrará o contrato. Excepcionalmente, o


contrato é firmado sem licitação previa = contratação direta.

Isso acontece nas hipóteses de dispensa ou inexigibilidade.

Dica: aqui é onde mais tem fraude na licitação. Assim, no concurso de MP e


Procuradoria atenção em caso de improbidade no MP e parecer feito para
Procuradoria.

7.1 Dispensa

Ocorre quando a competição é possível/viável. A licitação nada mais é do que uma


competição para se escolher a melhor proposta. Mas, a licitação será dispensável nas
hipóteses em que o legislador previu.

A licitação é viável, existe competição, mas a lei dispensa essa exigência.

Se a liberação da exigência tem que estar prevista em lei o rol é taxativo/exaustivo. A


dispensa de licitação se subdivide em duas categorias: dispensada X dispensável.
A dispensada ocorre quando a lei já diz que a licitação não ocorrerá, ela já está
dispensada. O administrador não tem liberdade sobre isso. Está prevista no art. 17 da
lei (trata de alienação de bens públicos – estudaremos no intensivo II). Esse assunto
não é muito cobrado e foi o art. mais alterado da lei até hoje.

Já a licitação dispensável ocorre quando o legislador a prevê, mas o administrador


pode ou não licitar. O administrador tem liberdade, tem escolha, licita se quiser. Está
contida no art. 24 da lei (muito cobrado, especialmente os 10 primeiros incisos -
decorar).

É comum o administrador precisar contratar dez serviços o que deveria ser feito na
modalidade concorrência. Aí ele licita um de cada vez para ter dispensa. O
fracionamento de despesas é proibido. O que pode ser contratado por inteiro não
pode ser feito de forma fracionada (art. 23, § 5º da lei – ver vídeo no site de Marinela).
Essa prática configura fraude ao dever de licitar caracterizando improbidade
administrativa.

7.2 Inexigibilidade

A inexigibilidade de licitação acontece nas hipóteses em que a competição é inviável.


Está prevista no art. 25 da lei: rol exemplificativo.

Para ser viável a competição deve cumprir algumas exigências. São elas:

1º - Pressuposto lógico: é preciso pluralidade de interessados.

Se existir apenas um fornecedor, a licitação é inexigível (falta pluralidade).

Bem/Objeto Singular pode ser considerado assim em caráter absoluto, ou seja, a


fábrica só produziu um, só existe um no mercado. Ex.: carro feito só para você. Objeto
singular pelo caráter pessoal. Ex.: uma pintura é única porque expressa o sentimento
do artista. Objeto singular porque participou de um evento externo. Ex.: capacete
utilizado por Airton Sena na corrida da vitória. A fábrica fez vários capacetes iguais,
mas se tornou singular porque foi o usado na vitória.

Veja, o objeto pode ser singular por três formas: em caráter absoluto, pessoal ou
participou de evento externo.

O serviço singular para ter licitação inexigível tem que estar na lista do art. 13. Além
disso, essa singularidade tem que ser importante/relevante para o Estado; e o
prestador deve ter notória especialização.
Se há mais de um prestador com notória especialização no mercado cabe ao
administrador decidir a questão em definitivo. Em serviço singular é inevitável a
subjetividade.

2º - Pressuposto Jurídico: a licitação tem que proteger o interesse público. Se a


licitação prejudica esse interesse será inexigível por ausência de pressuposto jurídico.

A empresa pública e sociedade de economia mista na atividade fim não precisa licitar.
Ambas podem desenvolver duas atividades: prestação de serviço público ou
exploração da atividade econômica.

Se a licitação prejudica o interesse público na prestação de serviço público será


inexigível. Já quanto a exploração da atividade econômica essas pessoas só podem
desenvolver com base na segurança nacional e interesse coletivo que são razões de
interesse público. Então, se a licitação prejudica atividade fim dessas empresas
prejudica interesse público. A competição é inviável com a atividade privada então a
licitação é inexigível.

A licitação não é um fim em si mesmo e sim meio para busca do interesse público. Se
prejudica o que tem que proteger se torna inviável.

3º - Pressuposto Fático: tem que existir interesse de mercado para ter licitação e a
competição ser viável. O mercado tem que desejar, querer isso.

Ex.: se quer contratar médico para receber salário mínimo não há interesse de
mercado sendo a licitação inexigível.

Em caso de ausência de um dos pressupostos a competição se torna inviável e a


licitação se torna inexigível. O rol do art. 25 é exemplificativo.

A contratação depende de um processo porque precisa de uma boa fundamentação


que legitime/justifique a contratação direta. A lei prevê o processo de justificação no
art. 26 da lei. É nesse processo que o administrador prova que não teve fraude.

8 Procedimento

Nesse tópico estudaremos juntos concorrência, tomada e convite porque é muito


parecido. Depois falaremos do pregão que tem procedimento invertido. Não
trabalharemos com concurso e leilão.
O procedimento licitatório da concorrência, tomada de preço e convite começa com a
fase interna que é a fase de formalização do processo licitatório. A primeira providência
é a formalização do processo. Ela se inicia com a autuação. Há demonstração de uma
necessidade, um pedido.

A licitação só começa depois de reservado o recurso orçamentário. Se não reserva o


recurso não há licitação porque ninguém quer contratar com a Administração de graça.
O recurso orçamentário deve custear a aquisição do objeto licitatório.

Nesse momento, também há a nomeação da comissão de licitação que segue as


exigências do art. 51 da lei.

A comissão começa os trabalhos e segue a elaboração do edital que deve atender os


requisitos do art. 40 da lei.

Entre as cláusulas necessárias do edital está a minuta do contrato. Por isso, é


indiferente dizer que vai fazer edital ou contrato já que os dois andam sempre juntos,
um anexo ao outro.

Elaborado o edital ele será encaminhado a procuradoria para ser submetido a um


parecer jurídico. Dado o parecer é preciso autorização formal do Chefe (autoridade
superior) permitindo a deflagração do certame.

Com isso, fecha a fase interna e começa a fase externa da licitação.

A fase externa se inicia com a publicação do edital. A publicação do edital tem


requisitos contidos no art. 21 da lei.

→ Vídeo no Site de Marinela: Fracionamento e Parcelamento de Objeto

O art. 25, § 5º da lei 8666/93 proíbe expressamente o fracionamento de despesas. O


que caracteriza o fracionamento é quando o administrador fraciona a despesa para
fraudar a modalidade licitatória – ou faz a contratação direta ou usa modalidade
menos rigorosa.

Se são parcelas de mesma obra ou serviço ou obras e serviços de mesma natureza e


que devem ser prestados no mesmo local, seja ao mesmo tempo ou não, isso não pode
ser fracionado.

O legislador pode licitar fracionado sem ilicitude desde que utilize a modalidade
licitatória que abarque todo o objeto.
Fracionamento de despesas não se confunde com parcelamento de objeto. Este é
possível e previsto no art. 23, § 1º da lei. É obrigatório se o objeto for de natureza
divisível desde que não represente prejuízo para o conjunto/totalidade a ser
contratada.

O parcelamento de objeto é ideal quando o serviço tem parcelas específicas que deve
ser prestada por empresas especializadas distintas. Tem que depender de viabilidade
técnica e econômica o parcelamento e desde que vantajoso para a administração.

É bom para ampliar a concorrência e permitir que a EPP participe possibilitando


contratação com menores preços.

O parcelamento de objeto não significa que terei que fazer várias licitações; é possível
fazer a licitação parcelada = várias contratações com único procedimento.

A habilitação das empresas deve respeitar parcelamento do objeto.