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Introdução e conceitos

fundamentais de armazenagem
e movimentação

Irineu de Brito Junior

É importante para todo profissional de logística responder à seguinte


questão:

A armazenagem agrega valor ao produto?

Comumente podem-se ouvir diversas respostas do tipo: “não, a armaze-


nagem não agrega valor ao produto, agrega somente custos”. Para reforçar
ainda mais esse tipo de resposta, a disciplina Custos classifica os custos de
armazenagem como sendo custos indiretos, ou seja, não aplicados direta-
mente aos produtos fabricados.

Para se convencer do valor da armazenagem, considere a geladeira de


sua residência. Sua geladeira pode ser considerada como um armazém. Você
adquire alimentos em um supermercado, armazena em sua geladeira, faz
o picking de produtos quando necessita e entrega no local em que vai ser
processado ou consumido. Então, qual valor sua geladeira agrega? Qual o
valor de possuir, por exemplo, um litro de leite na hora e no momento em
que você deseja? Imagine que tenha que ir ao supermercado ou a uma pa-
daria toda vez que desejar tomar um copo de leite. Qual seria o custo de se
deslocar toda vez que desejar consumir o produto? Percebe-se, dessa forma,
a importância de possuirmos itens armazenados em nossa geladeira e a re-
dução de custos que isso proporciona (TOMPKINS; SMITH, 2009).

O valor que a armazenagem proporciona consiste no produto certo, no


local certo, no momento certo. Sem um completo entendimento desse con-
ceito, empresas falham ao considerar a armazenagem como atividade que
não agrega valor, incorrendo então em custos desnecessários por não abor-
dar convenientemente o assunto.
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Segundo Lambert, Stock e Ellran (1998), armazenagem é o processo


empresarial que estoca produtos (matérias-primas, componentes, produ-
tos em processo, produtos finais) entre o ponto de origem e o ponto de
consumo e fornece informações gerenciais da condição e disposição dos
itens armazenados.
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Fluxo que compreende Na cadeia de suprimentos1 de uma organização observa-se a logís-
todos os processos logís-
ticos, desde o fornecedor tica de suprimentos, que gerencia os materiais entre as fontes de supri-
à internacionalização de
insumos e matéria-prima, mentos e a empresa; a logística industrial, que administra as operações
o abastecimento das li­
nhas de produção até a
distribuição de bens para
de abastecimento das atividades produtivas e a logística de distribuição,
o mercado consumidor,
envolvendo transportes,
que gerencia as operações entre os pontos de processamento da empre-
análises de demanda,
gestão de estoques e o
sa e seus clientes.
alinhamento de todo esse
processo com a estratégia
da empresa, o marketing, A função armazenagem tem como objetivo promover a disponibi-
a gestão de finanças, pes-
soas e demais áreas. Dis- lidade de materiais para a indústria e para seus clientes, contribuindo,
ponível em: <www.fdc.
org.br/pt/cadeia_supri- assim, com a funcionalidade da cadeia de suprimentos. Na figura a seguir,
mentos/Paginas/apresen-
tacao.aspx>. é exemplificada a atividade de armazenagem dentro de uma cadeia de
suprimentos.

(Ballou, 2006. Adaptado.)


Fornecedores Logística Industrial

Transporte

Armazenagem
Logística de Aquisição Transporte

Logística de Distribuição
Fábrica

Transporte

Armazenagem

Transporte

Cliente

Figura 1 – Cadeia de suprimentos imediata da empresa.

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Histórico da armazenagem
A armazenagem evoluiu ao longo dos anos, de uma parte integrante da
organização que proporcionava custos, para uma parte extremamente im-
portante do sistema logístico, desempenhando um papel fundamental entre
fornecedor e cliente que objetiva atender níveis de serviço ao cliente (cada
vez mais exigentes) ao menor custo possível.

Armazenagem é algo recente?


Um exemplo bastante antigo sobre armazenagem é contado na Bíblia,
no livro de Gênesis, quando em 1700 a.C., José do Egito interpretou alguns
sonhos do faraó, que previam sete anos de fartura e, posteriormente, um pe-
ríodo também de sete anos de seca e escassez muito grande na região. José
organizou o armazenamento de todo o trigo excedente durante os sete anos
de boas colheitas. Ele determinou que um quinto da colheita de cada ano
deveria ser solicitada dos agricultores e armazenada para o governo. O trigo
foi então armazenado. No começo do período de seca os armazéns foram
abertos e as pessoas puderam comprar os grãos. Quando a situação piorou,
gado, trabalho e terras eram aceitos em troca do trigo. As pessoas de países
vizinhos podiam comprar trigo também, demonstrando assim os benefícios
comercial e social da armazenagem.

Na era mercantil, com o desenvolvimento do comércio com o oriente,


especialmente de especiarias, os armazéns passaram a ser entrepostos co-
merciais e eram locais onde se negociava tudo que pudesse ser comprado
ou vendido. Eram unidades estáticas, localizadas ao longo de caminhos cujo
objetivo era colocar produtos ao alcance dos compradores. Não existia o en-
tendimento do papel do armazém no contexto logístico. Questões relacio-
nadas a ciclos e rotação de estoques sequer existiam.

A partir da Revolução Industrial o armazém passa a ser considerado como


um “reservatório” para produtos de fabricação em massa. Quando a deman-
da por produtos era desconhecida, os fabricantes instalavam armazéns de
produtos acabados que pudessem atender a qualquer demanda. Por exem-
plo: se você quisesse adquirir um eletrodoméstico de qualquer cor, poderia
encontrar disponível. Não havia o conceito de custo de capital e just in time.
A filosofia de marketing era garantir que nenhuma venda pudesse ser perdi-
da devido à falta de produtos.

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Segundo Bowersox e Closs (2001), a armazenagem sempre foi um aspecto


importante do desenvolvimento econômico. Anteriormente à era industrial,
as residências eram unidades econômicas autossuficientes. Os consumido-
res faziam a estocagem e assumiam os riscos respectivos. A carne era manti-
da em instalações de defumação e os produtos perecíveis eram guardados,
protegidos, em locais construídos para esse fim. Muitas vezes o produto era
fabricado na própria residência como, por exemplo, roupas, sabão e café.

Com o aprimoramento dos meios de transporte e a especialização das


atividades econômicas, a residência deixou de ser autossuficiente e o consu-
midor passou a buscar em varejistas os produtos para abastecer seus lares,
armazenando em seu lar somente o necessário para seu consumo de curto
prazo. O estoque deixa as residências e passa para as instalações de varejistas,
atacadistas e fabricantes, dando início ao conceito de cadeia de suprimentos.

As decisões sobre armazenagem


Cada vez é mais importante para a empresa a redução de seus estoques.
A tendência é que os clientes aumentem a quantidade de pedidos e esses
pedidos com quantidades cada vez menores de itens, objetivando possuir
em estoque somente o necessário.

Segundo Ballou (2006), o planejamento logístico deve buscar respos-


tas sobre o quê, quando e como realizar as operações. Ele acontece em
três níveis:

 estratégico;

 tático;

 operacional.

O gerenciamento efetivo da armazenagem deve compreender as funções


da armazenagem conforme o nível de decisão e seu horizonte de tempo.

Decisões estratégicas devem estar de acordo com as diretrizes da organi-


zação, pois são decisões de longo prazo e que afetam todo o desempenho
operacional da cadeia logística. Como exemplo de decisões estratégicas a
serem tomadas em um armazém, podemos citar a sua localização, a opera-
ção própria ou terceirizada de um armazém, a decisão sobre a tecnologia a
ser adotada para o processamento do pedido ou ainda o grau de automação
do armazém.
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Decisões táticas são, na maioria das vezes, consequências das decisões


estratégicas definidas. Possuem um horizonte temporal menor e possibili-
tam que a estratégia estabelecida seja refletida na operação efetiva do ar-
mazém. Por exemplo, uma decisão estratégica da empresa define que não
seriam estabelecidos armazéns para comportar todos os itens de produtos
sazonais com picos de demanda. Estes seriam armazenados durante o perí-
odo necessário em armazém terceirizado. A decisão tática a ser tomada em
função dessa decisão estratégica é a seleção e contratação de armazéns para
o período de pico de demanda.

Decisões operacionais em armazenagem são decisões sobre a atividade


rotineira desempenhada pelo armazém. São decisões de curto prazo, ocor-
rem no dia a dia e possuem um histórico de dados preciso. No exemplo da
armazenagem terceirizada de produtos com sazonalidade, podemos de-
finir como decisão operacional, a definição do armazém que irá atender
a determinado pedido ou sequência da reposição dos estoques em cada
armazém estabelecido.

Funções de um armazém
Qual a diferença entre estocagem e armazenagem?

Segundo o Novo Dicionário Aurélio (2009), as definições de armazenar e


estocar são as seguintes:

 Armazenar – depositar provisoriamente mercadorias em armazém,


em entreposto. / Pôr em depósito, conservar. / Fig. Acumular: arma-
zenar energias.

 Estocar – pôr no estoque; formar estoques de mercadorias: estocar gê-


neros alimentícios.

A função armazenar é relativa à guarda e preservação do material e a


função estocar é relativa à disponibilidade do material.

Por exemplo: um determinado material possui uma não conformidade


e foi direcionado para uma área de segregação, não estando disponível
para consumo ou comercialização. Esse material encontra-se armazenado
nesse local segregado, porém não se encontra estocado, pois não está dis-
ponível para uso.
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Segundo Ackerman (1997), o armazenamento na atividade comercial é


relativo à sua função no ciclo de negócio. Pode-se considerar as seguintes
funções da armazenagem:

 estocagem de materiais;

 combinações de produto;

 consolidação;

 distribuição;

 satisfação do cliente.

Estocagem de materiais
Estocagem de materiais é o uso do armazém como um reservatório para
segurar o excesso de matéria-prima ou de produção. Tais reservatórios de
excesso são necessários em duas situações: uma quando a produção é sazo-
nal e a demanda sazonal e outra quando a produção é sazonal e a demanda
regular. Por exemplo, o fabricante de extrato do tomate estabelece um esto-
que no tempo de colheita, enquanto a demanda do cliente para o produto é
razoavelmente regular durante o ano. Para um fabricante de brinquedos, a
demanda mais elevada ocorre em períodos do ano (dia das crianças, Natal),
mas a fabricação é aproximadamente regular ao longo do ano. Então, esse
fabricante necessita da estocagem para equilibrar produção e demanda.

Combinações de produto
Um fabricante que tenha diversas fábricas e produza em locais diferentes
seus produtos, tem a oportunidade de usar um armazém para combinar seus
produtos conforme a necessidade dos clientes. Por exemplo, um fabricante
de cestas básicas tem fábricas em diversas localidades, onde cada fábrica
produz uma linha de produtos distinta e outros produtos que são adquiridos
de fornecedores. Em um armazém, ele monta suas cestas básicas conforme a
solicitação dos clientes, a partir dos produtos ali estocados.

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

(BOWERSOX; CLOSS, 2001.


Adaptado.)
Fábrica A A B C D

Armazém
Fábrica B A B C
Produto D
Fábrica C A B

Figura 2 – Combinação de produtos em armazém.

Consolidação
A consolidação é o uso do armazenamento para recolher produtos e en-
viá-los ao destino final. Os custos desse armazenamento são justificados por
economias nos custos de transporte obtidos através do volume de cargas. Por
exemplo: empresas que estão localizadas no interior possuem locais de en-
trega para suas matérias-primas em grandes centros, e a partir desses locais o
transporte é realizado em veículos maiores até a unidade fabril.

(BOWERSOX; CLOSS, 2001.


Adaptado.)
Fábrica A

Armazém de
Fábrica B A B C
consolidação

Fábrica C

Figura 3 – Armazém de consolidação.

Distribuição
A distribuição é o reverso da consolidação. Como a consolidação, é justi-
ficada primeiramente pelas economias do frete conseguidas em expedições
de volume mais elevado. A distribuição envolve o posicionamento dos pro-
dutos acabados pelo fabricante próximo ao mercado consumidor, fracionan-
do as entregas somente em curtas distâncias.

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(BOWERSOX; CLOSS, 2001.


Adaptado.)
Cliente A

Armazém de
Fábrica Cliente B
distribuição

Cliente C

Figura 4 – Armazém de distribuição.

Satisfação do cliente
A melhoria na satisfação do cliente pode ser a força motriz para estabe-
lecer um armazém. Todas as cinco funções de armazenamento considera-
das relacionam-se à produção, ao mercado e aos custos do transporte. Um
armazém de distribuição, por exemplo, proporciona redução nos custos de
frete, porém a proximidade e a agilidade em atender aos pedidos dos clien-
tes são fatores decisivos para sua implantação. Por vezes, um armazém é jus-
tificado somente por exigência do cliente, que durante o processo de con-
corrência para a aquisição de um produto determina que o fabricante deve
estabelecer um armazém nas instalações do cliente. Nesse caso, não existe
opção, ou é instalado um armazém na unidade do cliente, ou não participa
da concorrência.

As operações em um armazém
Segundo Bowersox e Closs (2001), um armazém típico possui matérias-
-primas, peças e produtos acabados. As operações de um armazém consis-
tem em recebimento, armazenagem, separação de pedidos e expedição,
além de, em alguns casos, pequenas montagens. O conceito de fluxo contí-
nuo de materiais deve ser coordenado para garantir o eficiente manuseio e
armazenagem de materiais.

O conceito de fluxo contínuo pode ser resumido na fluidez do material,


isto é, o material deve fluir através das operações em um armazém. Fluir tem
o significado de correr, circular, ou seja, o fluxo do material não deve possuir
interrupções ou barreiras, nem ocorrer em etapas de pequenos movimentos.
O material não pode ser manuseado em demasia sob risco de danos e a ava-
rias. O leiaute é fundamental para essa característica.

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

O manuseio de materiais
Economias de escala justificam o movimento de grandes quantidades
ao invés de pequenas quantidades. Procedimentos de manuseio devem ser
estabelecidos para movimentar materiais em paletes, contêineres ou outro
meio de unitização. As atividades de manuseio de materiais são: recebimen-
to, armazenamento e expedição.

Recebimento de materiais
Geralmente as mercadorias chegam aos armazéns em grandes quanti-
dades ou embarques. O primeiro manuseio é a descarga de materiais, que
é realizada utilizando processo manual e empilhadeira. Quando, no rece-
bimento, o material estiver no assoalho do veículo de transporte, o proce-
dimento típico é colocar manualmente produtos em paletes e utilizar um
transporte. Quando o produto já estiver em paletes, empilhadeiras podem
ser usadas para facilitar o recebimento. Um benefício de receber cargas
paletizadas é a possibilidade de utilizar mais rapidamente o equipamento
de movimentação.

Manipulação no armazém
Consiste em movimentos dentro do armazém. Normalmente existem três
movimentos de manipulação em um armazém:

 após o recebimento até a posição de armazenagem;

 retirada de uma posição de armazenagem durante a separação do pedido;

 expedição.

Expedição
Consiste na verificação do pedido e embarque. A utilização de embala-
gens de unitização também proporciona ganhos no carregamento do veícu-
lo, bem como na descarga no destino.

Armazenagem de materiais
É a essência de um armazém, a sua atividade principal. As característi-
cas a serem observadas para um plano de armazenagem são giro, peso e

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

requisitos de armazenagem. O giro do produto e a velocidade são fatores


que direcionam o leiaute de um armazém. Produtos de alto giro devem estar
posicionados no armazém de modo que a movimentação seja a mínima
possível como, por exemplo, próximo às docas, nos corredores principais e
nos níveis mais baixos das estantes de armazenagem. Outros aspectos como
peso e características de armazenagem devem ser levados em consideração.
Itens pesados devem ser designados a posições próximas ao piso para mini-
mizar movimentos de elevação. Itens de baixa densidade (grande volume e
pequeno peso) que ocupam muito espaço devem ficar próximos às paredes.
Itens pequenos devem ser armazenados em estantes, bins plásticos ou ga-
vetas. Produtos com características diferenciadas, tais como refrigerados ou
com necessidade de controle de temperatura e umidade, ou ainda, produtos
perigosos devem ficar em áreas preparadas adequadamente para esse fim. O
plano de armazenagem deve considerar as características de cada produto.

As interfaces com outras funções logísticas


Em logística, as funções não podem ser consideradas isoladamente, pois
estão interligadas. Qualquer movimento em um dos componentes tem efeito
sobre os outros componentes do sistema. A tentativa de otimização de cada
um dos componentes, isoladamente, pode não levar à otimização de todo
o sistema, e sim à subotimização. A função armazenagem é vital dentro de
um sistema logístico e está interligada às outras funções desse sistema, das
quais se destacam:

Transporte
A instalação correta de uma rede de armazéns pode proporcionar econo-
mias de transporte. Lambert, Stock e Ellran (1998) exemplificam que um ar-
mazém próximo a fornecedores pode consolidar o recebimento de produtos
adquiridos desses fornecedores e enviar a unidade de consumo através de
transporte de grande volume, reduzindo, assim, o valor unitário de frete.

Compras
A quantidade adquirida de materiais impacta o dimensionamento dos
armazéns. Para um comprador, quanto maior o lote de aquisição, melhor a
condição comercial que pode obter, porém, a necessidade de área de arma-
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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

zenagem pode inviabilizar essa vantagem, podendo, inclusive, transformá-la


em desvantagem. Os objetivos das áreas de compras e armazenagem em
uma organização devem ser comuns e a informação sobre a capacidade de
armazenagem necessita estar disponível ao comprador.

Produção
O objetivo da indústria é, cada vez mais, reduzir o material em processo,
também conhecido por work in process. Para isso, os lotes de produção são
cada vez menores e a preparação de máquinas, também conhecida por set
up, mais frequentes. Isso resulta em aumento da quantidade de solicitações
de matérias-primas ao almoxarifado e abastecimento de linhas de produção
e redução de quantidade de materiais em cada solicitação. A movimentação
interna e o abastecimento de materiais aumentam sua frequência de opera-
ção para atender às solicitações de materiais em lotes menores.

Serviço ao cliente
Um atendimento ao cliente diferenciado, capaz de atender as necessida-
des de entrega 24 horas ao dia pode ser uma vantagem competitiva para a
empresa. Muitas vezes, o mercado não consegue prever com precisão a de-
manda e a reposição imediata e urgente de produtos pode ser necessária. A
localização de armazéns e a rede de atendimento para reposição nos pontos
de consumo, assim como a agilidade no transporte são fatores críticos para
o pronto atendimento às necessidades dos clientes.

Tipos de armazenagem
Segundo Ackermam (1997), pode-se considerar três tipos de armazéns
diferenciados pela extensão do controle do usuário. Estes são: o armazém
próprio, o armazém geral e o armazém contratado ou dedicado. Muitas em-
presas usam uma combinação dos três métodos.

O armazém próprio é operado pelo usuário, em suas instalações, e oferece


vantagem do controle total. Caso o volume do armazenamento seja grande
e a quantidade manuseada seja constante ou existam requisitos de segu-
rança ou higiene em que o controle deve ser rigoroso, o armazém próprio
é normalmente a forma mais econômica de operação. Por exemplo, se um

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

fabricante está distribuindo os produtos farmacêuticos em que a penalidade


para um erro de expedição poderia ser vítimas fatais, o controle total sobre
o armazém é a única alternativa aceitável. As desvantagens dão-se pois, um
armazém possui custos fixos e requer gerenciamento especializado, que
muitas vezes não faz parte do negócio da empresa.

O armazém geral é um prestador de serviços de armazenagem que oferta


seus serviços a diversos usuários. O armazém geral não possui a propriedade
da mercadoria que é armazenada e geralmente é independente das empre-
sas proprietárias do material. Por possuir diversos clientes, o armazém geral
pode equilibrar as variações do inventário ou balancear a carga de trabalho
do pessoal. Um armazém geral é indicado para empresas que não possuem
pessoal especializado em armazenagem ou empresas que possuem altas osci-
lações de demanda (picos e vales), não sendo viável economicamente possuir
área para a necessidade de armazenagem no momento do pico de demanda,
visto que essa área ficaria ociosa em momentos que não exista tal demanda.
Por exemplo: uma empresa que comercialize artigos natalinos possui um pico
de demanda ao final do ano, não necessitando de locais para armazenagem
fora desse período. A desvantagem da operação em armazém geral é o custo
elevado para empresas que possuem grande volume armazenado ou eleva-
do giro de estoques, visto que a cobrança da armazenagem é realizada em
função da área ocupada e da movimentação de materiais.

Pode ser considerada também como uma forma de armazenagem tercei-


rizada o armazém alfandegado. Nesse tipo de armazém as empresas arma-
zenam seus produtos importados e recolhem as taxas ou tarifas aduaneiras
somente quando da retirada do material ou armazenam os materiais desti-
nados à exportação que já cumpriram as formalidades aduaneiras e aguar-
dam embarque ao destino.

O armazém contratado ou armazenamento dedicado é uma combinação


de armazenagem geral e própria. Nesse caso, um armazém é contratado para
realizar as operações do cliente em local destinado exclusivamente para esse
fim, sem o compartilhamento da área com outros usuários do armazém e com
operadores treinados conforme as necessidades do cliente. Ao contrário do
armazém geral, cuja contratação é geralmente através de uma negociação de
curto ou médio prazo, o armazém contratado tem geralmente uma negocia-
ção de longo prazo. Esse contrato pode ser usado também para prestação de
serviços de logísticos suplementares, tais como o fracionamento do material,
a formação de kits, embalagem ou ainda pequenas montagens. Possui a van-
tagem de a empresa não necessitar de pessoal especializado em armazena-
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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

gem e não ter que investir em armazéns ou equipamentos de movimentação.


Esse tipo de armazém requer uma parceria com a empresa contratada e um
contrato de longo prazo, com cláusulas que não permitam que o contratante
possa ficar dependente do armazém contratado e evitar alguma dificuldade
para que o contratante possa buscar outros prestadores de serviços.

Indicadores de desempenho de um armazém


Segundo a Fundação Nacional da Qualidade (FNQ, 2008) “a definição de
indicadores de desempenho para a avaliação da implementação das estra-
tégias propicia elementos para o gerenciamento do seu progresso com base
em fatos”. Desse entendimento vem a máxima: “aquilo que não pode ser
medido, não pode ser avaliado” e, consequentemente, não há como decidir
sobre ações a tomar.

Em um armazém o estabelecimento de indicadores de desempenho ou


KPIs, do inglês Key Performance Indicator, é parte essencial para seu gerencia-
mento. Estabelecer e implantar um sistema de medição em um armazém não
é uma tarefa corriqueira. Uma metodologia eficaz e consistente deverá consi-
derar vários aspectos para a escolha desses indicadores, evitando-se armadi-
lhas que podem comprometer sua eficácia. As principais armadilhas a serem
evitadas e as formas para evitá-las estão mencionadas na tabela a seguir.

Tabela 1 – Principais Armadilhas a Serem Evitadas no Estabelecimento


e Implantação dos Indicadores

Armadilha Formas para evitar (FNQ, 2008)


“Quanto mais informações melhor” Considerar os poucos vitais e evitar os muitos triviais.
(Excesso de dados, muitas informa-
ções, muitos sistemas).

“O que realmente conta é o lucro” Considerar que o lucro é um indicador resultante e, por-
(Foco exclusivo ou predominante- tanto, dependente dos indicadores direcionadores, que
mente financeiro). incluem todas as partes interessadas.
“O importante é controlar os pro- Estabelecer uma “árvore de indicadores” de forma a con-
cessos de produção” (Foco nos pro- siderar os processos de agregação de valor.
cessos internos, sem correlação com as
necessidades das partes interessadas).
“Todos os indicadores relevantes Cada pessoa procura agir com base na forma como seu
devem ser utilizados para avaliar o desempenho é avaliado. Verificar se o indicador, embora
desempenho” (nem todos os indica- adequado a um processo em particular, não direciona as
dores relevantes possuem adequada pessoas para um comportamento não alinhado às estra-
correlação com o sistema de conse- tégias da organização. Não desconsiderar a visão sistêmi-
quências da organização). ca, focando exclusivamente no processo.

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Segundo Frazelle e Sojo (2006) os principais indicadores de desempenho


de um armazém podem ser divididos em:

 indicadores financeiros;

 indicadores de produtividade;

 indicadores de qualidade;

 tempos de ciclo.

É interessante observar que os indicadores podem ser estabelecidos


através das médias, de limites máximo ou mínimo ou uma combinação de
ambos. Por exemplo: um indicador de recebimento de materiais foi definido
como uma média de três horas e que 90% dos recebimentos sejam feitos em
menos de seis horas. Isso significa que, apesar da média dos recebimentos
ser menor que três horas, cerca de 10% desses recebimentos ocorreram em
tempo superior a seis horas, a situação não é a ideal.

Indicadores financeiros
Os indicadores financeiros são elaborados principalmente a partir de
um programa de custos das atividades do armazém (recebimento, armaze-
nagem, separação do pedido, expedição). Os custos por atividade tornam-
-se a base para preparação de propostas comerciais e fixação de preços de
um armazém, ou ainda, avaliar se um armazém próprio está em desvanta-
gem competitiva em relação a um armazém terceirizado. Alguns valores de
custos são importantes também para o dimensionamento das instalações
de armazenagem.

Indicadores de produtividade
Produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção
e os insumos utilizados para essa produção. Os principais recursos de um
armazém são: mão de obra, equipamentos de manuseio e armazenagem,
espaço e sistemas de informação. Frazelle e Sojo (2006) estabelecem que a
produtividade pode ser medida através de quantidade ou linhas de pedidos

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

e mão de obra despendida para a operação do armazém. Utilizados individu-


almente, indicadores de produtividade da mão de obra podem ser engano-
sos, pois pode-se alcançar altos índices de ocupação de mão de obra através
de sistemas de manuseio de materiais e de informação inadequados.

Outros indicadores de produtividade são relacionados à densidade de


armazenagem, ou seja, entre a capacidade de armazenamento e o volume
total do armazém. Uma densidade de armazenagem muito alta pode indi-
car condições de saturação, e uma densidade de armazenagem muito baixa
pode indicar instalações subutilizadas.

Indicadores de qualidade
Quatro indicadores-chave da qualidade de um armazém são utilizados
(FRAZELLE; SOJO, 2006). Dois para armazenagem:

 Acurácia de armazenagem – porcentagem de itens armazenados na


posição correta.

 Acurácia de estoque – percentual de itens sem divergências entre o


saldo físico e o saldo contábil.

E dois para a separação de pedidos:

 Divergências no pedido – percentual de pedidos separados sem erros.

 Divergências na expedição – percentual de pedidos expedidos sem erros.

Tempos de ciclo
Os tempos de ciclo referem-se aos tempos gastos entre o início e o final de
uma atividade. Para os tempos de ciclo, dois indicadores são importantes:

 ciclo do recebimento do material até a posição de armazenagem;

 ciclo do recebimento do pedido até sua expedição.

A tabela a seguir resume os indicadores-chave para o desempenho de


um armazém.

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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Tabela 2 – Indicadores-chave de desempenho de um armazém

(Frazelle; Sojo, 2006. Adaptado.)


Tempo de
Processo Financeiro Produtividade Qualidade
ciclo
Tempo de
% de recebimento
Custo de linha Recebimentos ciclo do
Recebimento processados correta-
ou item recebido por homem / hora processo de
mente
recebimento
% de itens armaze-
Custo de linha
Armazenagens nados na posição
ou item Tempo de
por homem / hora correta (acurácia de
armazenado ciclo do
Armazenagem armazenagem)
processo de
Custo do espaço % de itens sem diver- armazenagem
Itens armazenados
por item armaze- gências de inventário
por m2
nado (acurácia de estoque)
Tempo de ci-
Linhas ou itens % de linhas ou itens
Separação Custo de linha clo da separa-
separados por separados correta-
de pedidos ou item separado ção dos pedi-
homem / hora mente
dos
Tempo de
Pedidos prepara-
Custo do pedido % de pedidos expe- ciclo da ex-
Expedição dos por homem
expedido didos corretamente pedição dos
/ hora
pedidos

Inventário de materiais
Inventário é um processo para certificar que o estoque físico corresponde
ao estoque contábil. É uma ferramenta que proporciona indicadores de de-
sempenho da qualidade de um armazém.

Segundo o IMAM (2002) pode-se dividir o inventário nos seguintes tipos:

 Inventário geral – trata-se de um processo de contagem física de to-


dos os itens armazenados. Normalmente é realizado uma vez por ano,
no fechamento contábil da empresa a “portas fechadas” (Ex.: lojas em
fim de ano).

 Inventários específicos – são contagens empregadas para fiscaliza-


ção mais rígida sobre itens específicos, tais como remédios controla-
dos (barbitúricos, alucinógenos etc) ou produtos de alto valor agrega-
dos (joias, por exemplo). Podem ser semanais ou diárias.

 Inventário rotativo – é uma rotina semanal ou diária que distribui a


contagem de uma parcela dos itens ao longo de um período. É ge-
ralmente utilizado pelas empresas que possuem milhares de itens e é
mais produtivo e eficaz que o inventário geral.
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Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Acurácia dos estoques


Acurácia é o indicador gerencial da proporção das informações corretas.

A acurácia dos estoques é calculada pela relação entre o número de con-


tagens físicas com divergência fora da tolerância e o número de contagens
físicas efetuadas no período (em %).

quantidade de informações corretas


Acurácia = . 100
quantidade de informações verificadas

Divergências e tolerâncias
Divergência: grau de desvio do saldo físico em relação ao saldo contábil.

quantidade medida – quantidade contábil


Divergência = . 100
quantidade contábil

Tolerância é o grau de aceitação do erro de divergência, sem que seja


considerada uma diferença. Por vezes, a capacidade de medição impossibi-
lita que se tenha uma acurácia detalhada. Por exemplo: parafusos normal-
mente são estocados e abastecidos através da pesagem. Caso a balança que
realiza essa pesagem tenha uma imprecisão de 1%, a tolerância para desvios
de contagem deve ser, no mínimo, 1%.

Valores de referência para acurácia:

 Abaixo de 90% – Inaceitável

 Entre 90% e 98% – Requer melhorias

 Acima de 98% – Ideal

 99,7 % – Benchmarking

Exemplo:

Em um armazém foi feito um inventário nos materiais. O saldo contábil


era de 1 000 unidades (100 unidades de cada um dos 10 itens) . Encontrou-se
os seguintes resultados:

29
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Item 1 – 99 unidades, item 2 – 101 unidades, item 3 – 100 unidades, item


4 – 100 unidades, item 5 – 105 unidades, item 6 – 100 unidades, item 7 –
99 unidades, item 8 – 101 unidades, item 9 – 99 unidades, item 10 – 100
unidades.

Admite-se uma tolerância de 1% devido aos desvios de pesagem. Qual a


acurácia de estoque?

A tabela a seguir resume os resultados encontrados.

Contagem Estoque
Item Divergência Tolerância Aceitácel?
física contábil
1 99 100 –1% 1,0% sim
2 101 100 1% 1,0% sim
3 100 100 0% 1,0% sim
4 100 100 0% 1,0% sim
5 105 100 5% 1,0% não
6 100 100 0% 1,0% sim
7 99 100 –1% 1,0% sim
8 101 100 1% 1,0% sim
9 99 100 –1% 1,0% sim
10 100 100 0% 1,0% sim

Dos 10 itens inventariados, nove estão dentro dos limites aceitáveis e um


não está, portanto a acurácia é 90%.

Inventário rotativo
No inventário rotativo as contagens estão distribuídas ao longo de um
período estabelecido, geralmente 1 ano. Os materiais são classificados (po-
2
A classificação ABC con- de-se utilizar classificação ABC2) e a cada tipo de material é estabelecida
siste da separação dos itens
de estoque em grupos de uma frequência.
acordo com o valor mone-
tário, consumo e giro.

Tabela 3 – Comparativo Inventário Geral X Rotativo


(IMAM, 2002)

Geral Rotativo
� Esforço concentrado (pico de custo) � S em grandes esforços (custo linear)
� Paralisação de atividades �B  aixo impacto na operação
� Causas não identificadas �C  ausas identificadas rapidamente
� Pessoal não especializado � E quipe se especializa
� Acurácia não melhora �A  primoramento da acurácia
�A  ções preventivas

30
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Exemplo:

 Itens classe “A” três vezes por ano

 Itens classe “B” duas vezes por ano

 Itens classe “C” uma vez por ano

 Itens classe “D” uma vez a cada dois anos

Ciclo

Na tabela a seguir é exemplificada a distribuição num período de 2 anos,


os ciclos de contagem de todos os materiais conforme sua classe.

Irineu de Brito Junior.


Ano 1 Ano 2

Dimensionamento do inventário rotativo

Definições
 definir, em semanas, o período do inventário;

 estimar a produtividade das contagens (contagens/dia/homem)


(sugestão: 40 a 60 contagens/dia/homem);

 determinar a quantidade de itens A, B, C, D;

  determinar quantas contagens serão feitas dos itens A, B, C, D


por período;

 definir a quantidade de dias úteis por semana.

Metodologia de cálculo
 definir o total de contagens por classe no período (∑ quantidade de
itens . quantidade de contagens)

31
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

 determinar a quantidade semanal a ser contada (total de contagens


/ semanas)

 determinar a quantidade de pessoas necessárias para o inventário


(total de contagens / (contagens/dia . dias úteis))

Exemplo:

Uma empresa possui em seu armazém

 5 000 itens classe A

 10 000 itens classe B

 59 000 itens classe C

 20 000 itens classe D

Foi estabelecido que:

 Os itens A serão contados três vezes ao ano

 Os itens B, duas vezes ao ano,

 Os itens C, uma vez ao ano,

 Os itens D, 0,5 vezes ao ano (uma vez a cada dois anos).

Cada trabalhador do inventário é capaz de realizar 50 contagens ao


dia e trabalha 5 dias por semana no inventário. Considerando um ano de
52 semanas, qual o tamanho da equipe necessária para realizar o inven-
tário rotativo?

Solução:

Os materiais classe A são contados três vezes ao ano, portanto são


necessárias

5 000 . 3 = 15 000 contagens anuais para esses itens.

Os materiais classe B são contados duas vezes ao ano, portanto são


necessárias

10 000 . 2 = 20 000 contagens anuais para esses itens.

Os materiais classe C são contados uma vez ao ano, portanto são


necessárias

32
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

59 000 . 1 = 59 000 contagens anuais para esses itens.

Os materiais classe D são contados 0,5 vezes ao ano, portanto são


necessárias

20 000 . 0,5 = 10 000 contagens anuais para esses itens.

O total de contagens anuais será de: 15 000 + 20 000 + 59 000 + 10 000 =


104 000.

Sabendo-se que um ano possui 52 semanas, então são 104 000 = 2 000
52
contagens semanais.

A empresa trabalha 5 dias por semana, logo são 2 000 = 400 contagens
5
por dia.

Se cada trabalhador de inventário é capaz de realizar 50 contagens ao dia,


é necessário então 400 = 8 pessoas na equipe.
50

Ampliando seus conhecimentos

Cross docking
(OLIVEIRA; PIZZOLATO, 2002)

O cross docking é um sistema de distribuição no qual a mercadoria recebi-


da num armazém ou centro de distribuição não é estocada, mas sim imedia-
tamente preparada para o carregamento e para a distribuição ou expedição,
a fim de ser entregue ao cliente ou consumidor. Os produtos são transferidos
do ponto de recebimento diretamente para o ponto de expedição e entrega,
com tempo de estoque limitado ou se possível nulo, permitindo que os res-
ponsáveis pelos centros de distribuição se concentrem no fluxo de produtos
ou mercadorias e não na armazenagem das mesmas.

As instalações que operam o cross docking recebem carretas completas de


diversos fornecedores e realizam, dentro das instalações, o processo de se-
paração dos pedidos através da movimentação e combinação das cargas, da
área de recebimento para a área de expedição. Os veículos de entrega partem
com a carga completa formada por diversos fornecedores, conforme as solici-
tações dos clientes. Vide figura a seguir.

33
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

(Oliveira; Pizzolato, 2002.


Adaptado.)
Fabricante Varejo
A
A 1
B/C
A/

Fabricante B Centro de A/B/C Varejo


B Distribuição 2
A/
B/C
Fabricante C Varejo
C 3

Figura 1 – Esquema de operação do cross docking.

A aplicação desse sistema busca reduzir ou eliminar, se possível, duas das


atividades mais caras realizadas em um armazém. Segundo Schaffer (1998),
estas seriam a estocagem e o picking. Assim, ao buscar redução de custos atra-
vés da redução do manuseio de materiais, e redução do nível de estoques, o
cross docking trabalha com pedidos de ordens dos clientes em menores quan-
tidades, entregues em ritmo mais frequente, mantendo o nível de serviço ao
cliente. Essa técnica proporciona diversas vantagens tanto para o fornecedor
quanto para o cliente. Dentre as diversas vantagens identificadas, destacam-se,
segundo EAN International:

 Redução de custos – todos os custos associados com o excesso de es-


toque e com distribuição são reduzidos, já que o transporte é feito de
forma mais frequente.

 Redução da área física necessária no CD – com a redução ou eliminação


do estoque, a área necessária no centro de distribuição é reduzida.

 Redução da falta de estoque nas lojas dos varejistas – devido ao ressu-


primento contínuo, em quantidades menores e mais frequentes.

 Redução do número de estoques em toda a cadeia de suprimentos – o


produto passa a fluir pela cadeia de suprimentos, não sendo estocado.

 Redução da complexidade das entregas nas lojas – é realizada uma úni-


ca entrega formada com toda a variedade de produtos dos seus diver-
sos fornecedores, em um único caminhão.

 Aumento do turn-over no CD – a rotatividade dentro do centro de dis-

34
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

tribuição aumenta, já que o sistema opera com entregas em menores


quantidades e com maior frequência.

 Aumento da shelf-life do produto.

 Aumento da disponibilidade do produto – devido ao ressuprimento


contínuo ao varejo.

 Suaviza o fluxo de bens – torna-se constante devido às encomendas


frequentes.

 Redução do nível de estoque – mercadoria não para em estoque.

 Torna acessível os dados sobre o produto – devido ao uso de tecno-


logias de informação que proporcionam a intercomunicação entre os
elos da cadeia como, por exemplo, o EDI, que unifica a base de dados.

Sendo o cross docking um sistema complexo, para se obter sucesso com o


seu uso, fabricantes, distribuidores e varejistas devem trabalhar em constante
e sincronizada integração do fluxo de materiais com o fluxo de informação.
Além disso, o uso de um programa de implementação passo a passo também
deve ser seguido, já que essa tarefa não é simples.

Além disso, pelo fato do cross docking operar em tempo real, ou seja, tendo
o material chegado ao armazém ou centro de distribuição, ele deve se mover
rapidamente através da instalação, por isso o acesso à informação deve ser
o mais rápido possível, com maior exatidão e sem interrupções. Segundo o
artigo da revista Modern Materials Handling (1998), o fluxo de informações é
utilizado como um substituto do estoque.

Assim, existem algumas questões-chave que devem ser levadas em


consideração para o melhor aproveitamento desse sistema de distribui-
ção como o uso de sistemas de informação adequados, equipamentos e
mão de obra treinados, seleção dos produtos capazes de suportar o siste-
ma, criação de uma parceria entre os elos da cadeia de suprimentos, entre
outros fatores que foram apresentados neste artigo, com o intuito de me-
lhorar o sistema de distribuição, tornando-o mais eficiente e atingindo as
reduções de custo esperadas.

35
Introdução e conceitos fundamentais de armazenagem e movimentação

Atividades de aplicação
1. Quais são os níveis de decisão no planejamento logístico e qual a hie-
rarquia tomadora de decisão e o horizonte de tempo?

2. Como podem ser divididas as atividades de manuseio de materiais


dentro de um armazém? Comente resumidamente cada uma delas.

3. Quais são as funções logísticas que possuem interface com a armaze-


nagem?

4. Qual a principal diferença entre armazenagem própria e armazena-


gem contratada?

5. Como são divididos os principais indicadores de desempenho de um


armazém? Cite exemplos de cada um deles.

6. Quais são as principais vantagens do inventário rotativo?

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