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Análise e fichamento do artigo Consumo: Um convite para

desbravar esse vasto campo de estudo.

Os bens servem para comunicar valores acerca do próprio indivíduo e


das sociedades que os consomem, dando sentido às trocas rituais. É trazida à
tona a teoria de Dumont e esse termo ambíguo «cultura material», uma
dicotomia entre o abstrato e o físico, usado para explicar o nascimento do
indivíduo moderno e da sociedade de consumo. A cultura material
contemporânea operaria pela lógica de ter ou não condições de consumir
determinados objetos, assim criando grupos sociais nos quais determinados
bens são ou não consumidos. Apesar da sociedade ser dita racional no que diz
respeito à valorização da lógica tradicional, alguns de seus aspectos
fundamentais são permeados de simbologias, como é o caso do consumo.
A linguagem publicitária se aproxima da narrativa mítica, utilizando-se de
simbolismos para criar uma sociedade midiática que retroalimenta a sociedade
real. Partindo dessa premissa, se afirma a aproximação entre consumo e
magia, entre o profano e o sagrado. Na sociedade do consumo, a
representação de determinados objetos é sacralizada pela
publicidade, embutindo um valor simbólico que lhes confere uma aura mágica.
Também é mencionado um dos autores mais relevantes do pensamento
teórico sobre comunicação e consumo, Jean Baudrillard, para ampliar a
discussão sobre a Sociedade de Consumo. A publicidade, através das mídias
de massa, cria esse ambiente porque o consumo só se dá no campo
simbólico, ainda que seja comum que suas mensagens utilizem uma retórica
utilitária com foco na eficácia e funções dos produtos.
Para Campbell, há um romantismo no consumo e o indivíduo está
sempre em devaneios, pensando na próxima experiência de consumo que o
dará prazer. A autora conclui que o indivíduo contemporâneo encontra no
consumo o prazer efêmero e imediato que busca, porque com a
globalização, estão todos sempre com pressa. Afirma também que o consumo
não supre necessidades físicas, mas sim simbólicas, e que há reflexos da
mudança no modo de consumir nas possibilidades de cidadania, baseando-se
nos pesquisadores dos Estudos Culturais, Mary Douglas e Canclini. Os
Estudos Culturais aqui reportados vêm romper com essa perspectiva
behaviorista, pois cada receptor produz seu próprio significado da
mensagem, decodificando-a a partir de suas formações e práticas culturais.

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