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INTERVENÇÃO

PROFISSIONAL EM
EDUCAÇÃO FÍSICA

PROFESSORAS
Dra. Fabiane Castilho Teixeira
Me. Isabella Caroline Belem

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INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação
Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;


TEIXEIRA, Fabiane Castilho; BELEM, Isabella Caroline.
Intervenção Profissional em Educação Física. Fabiane Castilho Teixei-
ra; Isabella Caroline Belem
Maringá - PR.:Unicesumar, 2019. Reimpressão 2020.
188 p.
“Graduação em Educação Física - EaD”.
1. Educação Física. 2. Ética 3. Avaliação . 4. EaD. I. Título.

ISBN 978-85-459-1835-6 CDD - 22ª Ed. 796


Impresso por: CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha Catalográfica Elaborada pelo Bibliotecário
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828

DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD
William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente
da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA


Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação Kátia
Coelho, Diretoria de Pós-Graduação Bruno do Val Jorge, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine,
Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie
Fukushima, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria
Carolina Abdalla Normann de Freitas, Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva,
Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki
Hey, Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel

Coordenador(a) de Conteúdo Coordenador, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração Humberto
Garcia da Silva, Designer Educacional Lilian Vespa, Revisão Textual Monique Coloni Boer, Ilustração
Ilustrador, Fotos Shutterstock.
2
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar

Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10
com princípios éticos e profissionalismo, não maiores grupos educacionais do Brasil.
somente para oferecer uma educação de qualidade, A rapidez do mundo moderno exige dos educadores
mas, acima de tudo, para gerar uma conversão soluções inteligentes para as necessidades de todos.
integral das pessoas ao conhecimento. Baseamo- Para continuar relevante, a instituição de educação
nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,
e espiritual. coragem e compromisso com a qualidade. Por
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro do ensino presencial e a distância.
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é
e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, promover a educação de qualidade nas diferentes áreas
com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. do conhecimento, formando profissionais cidadãos
Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais que contribuam para o desenvolvimento de uma
de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos sociedade justa e solidária.
pelo MEC como uma instituição de excelência, com Vamos juntos!
boas-vindas

Willian V. K. de Matos Silva


Pró-Reitor da Unicesumar EaD

Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à A apropriação dessa nova forma de conhecer


Comunidade do Conhecimento. transformou-se hoje em um dos principais fatores de
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar agregação de valor, de superação das desigualdades,
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.
e pela nossa sociedade. Porém, é importante Logo, como agente social, convido você a saber cada
destacar aqui que não estamos falando mais daquele vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas tecnologia que temos e que está disponível.
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg
atemporal, global, democratizado, transformado pelas modificou toda uma cultura e forma de conhecer,
tecnologias digitais e virtuais. as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,
De fato, as tecnologias de informação e comunicação equipamentos e aplicações estão mudando a nossa
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o
informações, da educação por meio da conectividade conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares (EAD), significa possibilitar o contato com ambientes
e da mobilidade dos celulares. cativantes, ricos em informações e interatividade. É
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá
a informação e a produção do conhecimento, que não as portas para melhores oportunidades. Como já disse
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.
segundos. É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.
boas-vindas

Kátia Solange Coelho


Janes Fidélis Tomelin Diretoria de Graduação
Pró-Reitor de Ensino de EAD
e Pós-graduação

Débora do Nascimento Leite Leonardo Spaine


Diretoria de Design Educacional Diretoria de Permanência

Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,
iniciando um processo de transformação, pois quando estes materiais têm como principal objetivo “provocar
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta
profissional, nos transformamos e, consequentemente, forma possibilita o desenvolvimento da autonomia
transformamos também a sociedade na qual estamos em busca dos conhecimentos necessários para a sua
inseridos. De que forma o fazemos? Criando formação pessoal e profissional.
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível e construção do conhecimento deve ser apenas
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos
se educam juntos, na transformação do mundo”. fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe
Os materiais produzidos oferecem linguagem das discussões. Além disso, lembre-se que existe
dialógica e encontram-se integrados à proposta uma equipe de professores e tutores que se encontra
pedagógica, contribuindo no processo educacional, disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em
complementando sua formação profissional, seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe
desenvolvendo competências e habilidades, e trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, acadêmica.
autoras

Dra. Fabiane Castilho Teixeira


Doutora em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física As-
sociado pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), e pela Universidade Estadual de
Londrina (2018); mestre em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado
UEM/UEL (2012); especialista em Prescrição Personalizada de Exercícios Físicos-Personal
Training pela UEM (2010); e graduada em Educação Física pela mesma instituição (2008).
É participante do Grupo de Pesquisa Gímnica: formação, intervenção e escola DEF/UEM/
CNPq, com estudos direcionados ao processo de formação inicial e continuada, à prática
pedagógica docente e à intervenção profissional em Educação Física. Atua, sobretudo,
nos seguintes temas: formação, prática pedagógica docente, educação física escolar, in-
tervenção profissional, pós-graduação, metodologia da pesquisa. Atualmente é docente
do curso de Educação Física do Centro Universitário Cesumar (Unicesumar).
Link: http://lattes.cnpq.br/3494154981369079

Me. Isabella Caroline Belem


Doutoranda em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Associado pela Univer-
sidade Estadual de Maringá (UEM), e pela Universidade Estadual de Londrina (2017) na
linha Trabalho e Formação em Educação Física; mestre em Educação Física pelo Programa
de Pós-Graduação em Educação Física Associado UEM/UEL (2014) na linha Fatores Psi-
cossociais e Comportamentais Relacionados ao Exercício Físico e ao Esporte; especialista
em Ginástica Rítmica (2015) pela Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR); e graduada
em Educação Física pela UEM (2011). Atualmente é docente no Núcleo de Educação à
Distância do Centro Universitário Cesumar (Unicesumar), no qual ministra a disciplina
Estágio Supervisionado e Ginástica. Atuou como professora assistente do Departamento
de Educação Física na Universidade Paranaense (UNIPAR), nas disciplinas: Ginástica, Es-
portes Individuais, Treinamento de Esportes Individuais, Dança e Folclore, Treinamento
Esportivo e Estágio Supervisionado.
Link: http://lattes.cnpq.br/9338217673617968
apresentação do material

INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Caro(a) aluno(a), é com muita satisfação que apresentamos a você o livro Inter-
venção Profissional em Educação Física. Este material foi construído a partir do
conjunto de inquietações e de análises que desenvolvemos sobre o campo da in-
tervenção profissional em Educação Física, especialmente o contexto de trabalho
disponível para os profissionais que escolheram atuar em bacharelado. Portanto,
para os estudos que realizaremos na disciplina, será indispensável considerarmos
as significativas mudanças que ocorreram na atuação profissional da área nas
últimas décadas.
Mais do que isso, veremos que a consolidação de novos campos de atuação da
área impactou na caracterização da sua intervenção profissional, na regulamenta-
ção da profissão e, ainda, fomentou a produção de conhecimentos pertinentes ao
contexto da prestação de serviços. Todo esse aparato de circunstâncias provocou,
na comunidade acadêmica, debates profícuos a respeito de uma organização
curricular qualificada para a formação em Educação Física. Consequentemente,
tivemos importantes mudanças no seu processo formativo.
Dessa forma, esperamos mostrar-lhe que, na atual configuração social, é neces-
sário que o futuro profissional bacharel em Educação Física assuma papéis ativo,
ético, crítico e reflexivo na prestação de serviços à sociedade. Tal profissional, ao
inserir-se no mercado de trabalho que é, de fato, muito dinâmico e complexo,
deve estar preparado para gerenciar o seu próprio desenvolvimento. Além disso,
lembramos que é necessário ter autonomia, responsabilidade e motivação para
buscar conhecimentos que o qualifiquem a lidar com as mais diversas situações
demandadas pelo contexto profissional.
Por isso, caro(a) aluno(a), é importante que você tenha em mente que a condição
de autônomo evidencia a preocupação com a qualidade do serviço prestado, pois
esse profissional deverá aprender a administrar os riscos e os desafios provocados
pelas contínuas mudanças da sociedade.
Em nosso entendimento, há muito o que avançarmos na forma como concebe-
mos a intervenção profissional em Educação Física, pois é vestígio histórico fatídico
ainda concebermos a área como desvinculada de conhecimentos acadêmicos. Esse
fato se faz tão presente, que é comum as pessoas pensarem que os cursos de for-
mação são conduzidos somente por disciplinas de característica prática, uma vez
que a dimensão técnica do fazer ainda é concepção predominante da preparação
profissional. No âmbito social, efetiva-se como se toda e qualquer ação realizada
não exigisse arcabouço de conhecimentos formalizados, o que você já aprendeu,
que não é verdade.
Com efeito, o profissional de Educação Física é concebido como um sujeito com
muitas destrezas e habilidades relativas à prática de atividades físicas, que cuida da
alimentação e mantém sua estética corporal a qualquer custo. Não que essas ques-
tões não sejam importantes e não façam parte do cotidiano do profissional, mas já
vimos que o desempenho da profissão não se restringe a tais práticas “adequadas”.
Queremos debater com você que, enquanto profissionais da área, devemos ser
críticos em relação a essa imagem construída socialmente sobre a área e aquela
que a desempenha. Para isso, precisamos estar munidos dos saberes e dos conhe-
cimentos específicos que compõem nossa intervenção. Pensamos que a prática
profissional qualificada colaborará de forma ímpar para que essa visão frágil e
fragmentada não seja legitimada.
Para darmos conta das discussões sobre a intervenção profissional em Educa-
ção Física, estruturamos este livro em cinco unidades. Na primeira, abordaremos
a formação profissional em Educação Física, momento em que destacaremos a
configuração da área na sociedade vigente e algumas problemáticas pertinentes à
prestação de seus serviços. A segunda unidade tem como foco discutir a expan-
são dos campos de trabalho da área e indicar algumas possibilidades de inserção
nesses espaços.
Na terceira unidade, abordaremos a temática das competências profissionais,
em que discutiremos a pertinência da competência para a qualificação do atendi-
mento ofertado em diferentes contextos e realidades. A quarta unidade apresenta
o planejamento e a avaliação como importantes elementos a serem considerados
pelo profissional nos seus programas de intervenção. A quinta unidade finaliza
o livro discutindo a relevância dos princípios éticos e das práticas morais no de-
sempenho cotidiano dessa profissão.
Desejamos a você uma excelente caminhada. Bons estudos!
sum ário

UNIDADE I UNIDADE IV
FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA PROGRAMAS DE INTERVENÇÃO E DE AVALIAÇÃO DA
14 Educação Física, Área em Pleno Desenvolvimento PRÁTICA

18 O Que é a Profissão e como Podemos ser 106 Programas de Intervenção e de Avaliação da


Bons Profissionais Prática
22 A Profissão em Educação Física e como Quali- 124 Avaliando as Intervenções
ficar a Intervenção Profissional 143 Considerações finais
25 Considerações finais 148 Referências
30 Referências 150 Gabarito
32 Gabarito
UNIDADE V
UNIDADE II PREPARAÇÃO PROFISSIONAL PARA INTERVENÇÃO
OS CAMPOS DE ATUAÇÃO PROFISSIONAL ÉTICA EM EDUCAÇÃO FÍSICA
34 Expansão dos Campos de Atuação Profissional 156 Ética, Moral e Ética Profissional
38 Desafios e Perspectivas da Profissão 164 A Ética e o Perfil do Profissional de Educação
Física na Sociedade Contemporânea
42 Algumas Possibilidades de Inserção Profissional
172 A Responsabilidade Civil e sua Importância
50 Considerações finais Para o Exercício da Profissão
54 Referências 178 Considerações finais
57 Gabarito 184 Referências
186 Gabarito
UNIDADE III
COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS
187 CONCLUSÃO GERAL
66 Dimensões da Competência Profissional
78 Competência Profissional no Âmbito da Ori-
entação de Exercícios Físicos
84 Competência Profissional no Âmbito do Tre-
inamento Esportivo
88 Considerações finais
97 Referências
100 Gabarito
FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM
EDUCAÇÃO FÍSICA

Professora Dra. Fabiane Castilho Teixeira


Professora Me. Isabella Caroline Belem

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Educação Física, área em pleno desenvolvimento
• O que é a profissão e como podemos ser bons
profissionais
• A profissão em Educação Física e como qualificar a
intervenção profissional

Objetivos de Aprendizagem
• Evidenciar a configuração da Educação Física na sociedade
atual e os principais aspectos relacionados à inserção
dessa área no mercado de trabalho.
• Discutir as principais características das profissões,
destacando as problemáticas que permeiam a prestação
de serviços na área da Educação Física e que constituem o
cotidiano dessa profissão.
• Analisar a importância do processo formativo para a
qualificação profissional em Educação Física.
unidade

I
INTRODUÇÃO

C
om a divisão do curso de Educação Física em duas graduações
distintas (licenciatura e bacharelado) a partir da promulgação
do Parecer do Conselho Federal de Educação (CFE) n. 215/87
e a Resolução 03/87, iniciou-se o desenvolvimento do campo
de atuação de ambas as áreas. Enquanto os profissionais licenciados atu-
am nas escolas com a Educação Básica e Educação Especial, os bacharéis
atuam nos demais campos com o esporte, o exercício físico, a recreação e
lazer, o treinamento e a saúde pública.
Devemos partir desse pressuposto para entender quais são os cam-
pos de atuação em Educação Física, bem como compreender o que é ser
um profissional qualificado. Primeiramente é preciso entender como a
expansão da área de atuação do bacharelado tem se dado e como fomos
reconhecidos como profissionais, sobretudo da área da saúde.
Nesse sentido, ser profissional implica em conhecimento específico
inerente ao trabalho realizado. Toda profissão tem arcabouço de conhe-
cimentos especializados, que é organizado e regulamentado por institui-
ções, como o Conselho Federal de Educação Física e os Conselhos Regio-
nais de Educação Física, além de serem seguidos pelos conselhos de ética.
O(a) profissional de Educação Física, por meio de sua formação ini-
cial, é qualificado(a) para trabalhar com a prevenção, a promoção e a
reabilitação da saúde. Dessa forma, você, enquanto futuro(a) profissio-
nal, terá como uma de suas responsabilidades a prestação de serviços à
sociedade. É importante, então, que você compreenda, ao longo de sua
graduação, quais as áreas de intervenção inerentes à sua profissão, a fim
de tornar-se um(a) profissional capacitado(a).
A partir dessas considerações, você verá como se deu a expansão da
área de atuação do bacharelado e como a nossa profissão foi reconhecida.
Seguem, ainda, alguns pressupostos sobre a legalidade da profissão. A partir
dessa leitura, esperamos que você conheça um pouco mais sobre sua futura
profissão, faça uma reflexão sobre o que é ser um(a) profissional, e mais ain-
da, o que é ser um(a) profissional qualificado(a). Vamos aos estudos!
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Educação Física,
Área em Pleno Desenvolvimento

Caro(a) aluno(a), para iniciarmos os estudos que re- Ademais, no cenário de democratização das prá-
alizaremos neste tópico, é indispensável lembrarmos ticas e das políticas sociais, o ensino da Educação
que a Educação Física se encontra em plena expan- Física no Brasil passou pelo processo de reestrutura-
são. As transformações sociais e os rápidos avanços ção curricular, que redefiniu seus conteúdos e méto-
da ciência e da tecnologia influenciaram diretamen- dos de ensino, respaldado pelo avanço da produção
te nos campos de trabalho dessa área. Além disso, do conhecimento e pela luta de alguns profissionais
na década de 1980, questionamentos e debates da por mais autonomia da área no campo da formação
comunidade acadêmica em torno do processo for- profissional (PRONI, 2010).
mativo e da intervenção profissional, fortaleceram- Aspecto relevante desse percurso histórico é
-se e a formação se tornou uma das preocupações que, com a Resolução CFE 03/87, a Educação Física
centrais do universo acadêmico. incorporou importantes parâmetros normativos e

14
EDUCAÇÃO FÍSICA

deu um salto de qualidade, sobretudo ao organizar Avanço importante para a qualificação dos cursos
a sua área de estudos por eixos temáticos de conhe- de formação inicial em Educação Física veio com a Re-
cimento e delimitar duas áreas acadêmico-profissio- solução CNE/CES n. 4/2009, que instituiu a carga horá-
nais – o bacharelado e a licenciatura. ria mínima de 3.200 horas e os limites da integralização
A aprovação das Diretrizes Curriculares Na- e da duração do curso de bacharelado, concretizando,
cionais no início do século XXI (Resolução nº 01/ assim, as mudanças advindas da divisão da graduação
CNE/2002 e Resolução nº 07/CNE/2004) trouxe em Educação Física em dois cursos distintos (BRASIL,
propostas ajustadas à preparação de profissionais, 2009; BARBOSA-RINALDI; PIZANI, 2012).
incluindo o rol de competências para atuação no Atualmente, podemos mencionar os Referenciais
dinâmico e acelerado universo mercadológico ins- Curriculares Nacionais dos Cursos de Bacharelado e
taurado, sobretudo com a criação do curso de Ba- de Licenciatura (2010, p. 30), que apresentam a ideia
charelado em Educação Física. Com essas resolu- de sintonia da educação superior às demandas sociais
ções, notamos que, aos poucos, mediante a defesa da e econômicas, afirmando a necessidade da identidade
abrangência do campo de atuação, os cursos de for- específica para cada formação. Essas orientações defi-
mação foram solicitados a reajustar seus currículos nem as atuações do perfil do egresso bacharel em Edu-
e incluir na listagem de componentes curriculares cação Física, que atua no planejamento, na prescrição,
conhecimentos que discutam tanto o espaço escolar na supervisão e na coordenação de projetos e de pro-
quanto o não escolar. gramas de atividades físicas, recreativas e esportivas.

Figura 1 – Treinamento esportivo

15
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Esses documentos apresentam como principais REFLITA


campos de intervenção do profissional de Educação
Física: as academias, os clubes esportivos, os hospi- Você sabia que o dia do Profissional de Educa-
tais, os parques, entre outros. O profissional pode ção Física é comemorado no dia primeiro de
prestar serviços como autônomo ou gerenciar sua setembro? Nessa data foi publicada a Lei Nº
9.696, de primeiro de setembro de 1998, que
própria empresa. É importante termos em mente a estabelece a regulamentação da Profissão de
abrangência da área. Educação Física e cria o Conselho Federal e
Você deve estar se questionando: quais são os os Conselhos Regionais de Educação Física.
Fonte: as autoras.
impactos que a sociedade apresenta para a configu-
ração da Educação Física no mercado de trabalho
atualmente? Resposta possível pode ser encontrada
a partir dos estudos de Oliveira (2000), em que o Portanto, caro(a) aluno(a), até este momento é
autor destaca que a dinâmica social e seus avan- fundamental que você saiba que a sua preparação
ços tecnológicos exigem que as áreas responsáveis profissional não se restringe à organização curri-
pelo preparo de profissionais se ajustem a ela, ofe- cular do seu curso. Além do perfil do egresso que a
recendo outro perfil de profissional, que seja capaz instituição de ensino superior pretende formar, do
de atender às suas necessidades. Como a escola já ensino ofertado por ela, da articulação com o mer-
não é mais o único locus de atuação da área, no- cado de trabalho, das propostas de ensino desen-
vas possibilidades emergiram vinculadas ao campo volvidas pelos docentes vinculados, dentre outros
não formal. aspectos, a formação qualificada apresenta íntima
Na prática, isso significou que, à medida que relação com a maturidade acadêmica que o gradu-
a escola deixa o locus quase exclusivo da atuação ando em Educação Física precisa desenvolver ao
profissional em Educação Física, surgem organi- longo do curso.
zações para regulamentar a profissão, momento
em que passa a ser utilizado o termo “profissional
de educação física” (PRONI, 2010). Veremos com
mais detalhes neste livro o reconhecimento da pro-
fissão nessa área. É oportuno mencionar que, na
década de 1990, foi sancionada a Lei Federal N.º
9.696, de 1.º de setembro de 1998, a qual indica que
o profissional de Educação Física deve estar apto a
planejar e a executar programas, bem como ofertar
atendimento especializado nas áreas de atividades
físicas e de desporto. Essa lei instituiu o Conselho
Federal de Educação Física (CONFEF) e os conse-
lhos regionais. Figura 2 – Qualificação profissional

16
EDUCAÇÃO FÍSICA

Evidentemente, as instituições formadoras não de-


vem pautar-se somente nas necessidades do merca-
do para definir suas propostas curriculares. Porém,
as demandas advindas do campo de trabalho não
podem ser desconsideradas na definição do perfil do
profissional que as instituições se responsabilizam a
formar. Formação profissional e mercado de traba-
lho são elementos que apresentam vínculos impor-
tantes, assim, continuaremos com afinco nossos es-
tudos sobre a intervenção profissional na área.

17
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

O Que é a Profissão
e como Podemos ser Bons Profissionais
Figura 3 – As profissões enquanto tarefas especializadas

Entendemos aqui que discutir o campo das profis- O interesse pelo campo de estudos das profissões
sões e o domínio da profissão em Educação Física tem aumentado nas últimas décadas e se tornado
é, de fato, válido para o percurso que percorreremos foco de atenção de historiadores, de cientistas de po-
na disciplina. líticos e de sociólogos de diversas partes do mundo,
Sendo assim, para iniciarmos nossos estudos, é o que fomentou a produção de material e de conhe-
oportuno você saber que a preocupação em caracte- cimento sobre essa temática (FREIDSON, 1996).
rizar a profissão como atividade desenvolvida a par-
tir da apropriação de conhecimentos sistematizados, REFLITA
distinta das atividades que não abrangem conheci-
mentos específicos é percebida, sobretudo, com o O exercício da profissão exige determinada
intenso processo de industrialização ocasionado no predisposição de caráter, pendor ou vocação,
que não se restringe apenas a possíveis qua-
século XIX. Nesse período, surgiu a área de estudos lidades técnicas, mas às convicções pessoal e
da Sociologia das Profissões, que se preocupa em social de quem atuará.
definir critérios para classificar as atividades profis- Fonte: adaptado de Drumond (2004, p. 53).
sionais (VERENGUER, 2004).

18
EDUCAÇÃO FÍSICA

Sendo assim, pensemos no conceito de profissão. Um conjunto de tarefas – por exemplo, diri-
Verenguer (2004) nos lembra que, ao tentarmos gir um automóvel – pode ser uma atividade
especializada em uma sociedade, sem sê-lo
defini-lo, lidaremos com terreno movediço e mui-
necessariamente em outra. Isso significa que
to complexo. Nas palavras da autora, profissão é, na a concepção social de uma série de tarefas, ou
perspectiva do senso comum, toda atividade remu- de um trabalho, é tão importante para sua clas-
nerada, empregada para o sustento diário das pesso- sificação como seu conteúdo. Embora seja, lo-
gicamente, especializado, o amplo conjunto de
as ao contribuir para os aprimoramentos artístico,
tarefas que qualquer membro normal de uma
sociais e econômicos da sociedade. sociedade industrial pode executar, sem ins-
Importante autor e pesquisador desses estudos trução ou preparo suplementar, é considerado
é Freidson (1996). Para ele, uma atividade pode como não-especializado, pois se baseia apenas
ser reconhecida como profissão se apresentar al- no conhecimento e na perícia cotidianos que
crianças e jovens aprendem em casa, na comu-
gumas características específicas. Nesse sentido, o nidade, e em qualquer escola que frequentem
conceito de profissão remete a um tipo específico durante sua preparação para a idade adulta
de trabalho especializado, que apresenta bases te- (FREIDSON, 1996, p. 3).
óricas definidas. Por isso mesmo, a profissão apre-
senta conhecimentos especializados e institucio- Na tentativa de delimitar a abrangência de uma
nalizados e se organiza a partir de interesses de profissão, Freidson (1998) apresenta três elemen-
associações profissionais que buscam padronizar tos característicos dessa prática: a autonomia,
e autorregular a conduta dos pares a partir de dis- que significa ter autoridade para decidir sobre as
positivos formais, entre os quais se destacam os problemáticas pertinentes ao seu trabalho e defi-
códigos de ética. nir quais serão os procedimentos adotados em sua
As profissões são ofícios reconhecidos oficial- execução; a expertise, que significa dominar um
mente e se distinguem pela posição relativamente conhecimento específico, ou seja, ser perito em de-
elevada que ocupam nas classificações da força de terminado assunto, o que diferencia o profissional
trabalho. Elemento importante da profissão é o tipo das demais pessoas; e o credencialismo, que signi-
de conhecimento e de habilidade considerados re- fica ter condições de credenciar-se a uma categoria
quisitos para o desempenho do trabalho. Sendo as- profissional, condições dadas, primeiramente, pela
sim, uma profissão é uma especialização, que abar- formação profissional. O credencialismo possibi-
ca o conjunto de tarefas desempenhadas de forma lita proteção para o trabalho, cria órgãos e insti-
satisfatória e qualificada por membros do mesmo tuições vinculados ao Estado, que avaliam quem
ofício (FREIDSON, 1996). O autor destaca que a es- são as pessoas aptas ao exercício de uma profissão
pecialização é relativa, pois as tarefas consideradas (FREIDSON, 1998).
indispensáveis em determinado ambiente são dife- De forma adicional, podemos pensar que as
rentes das exigidas em outro local. Nas palavras do profissões são atividades que buscam soluções ade-
pesquisador: quadas para problemas específicos da sociedade.

19
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Por isso, elas surgem a partir de problemas ou de nharia, dentre tantas outras, há problemáticas que
questões sociais que precisam ser resolvidas. Ca- permeiam a prestação de serviços na área da Edu-
zelato (2006) observa que, de um lado, há pessoas cação Física e acabam por fazer parte do cotidiano
leigas que buscam resolver esses problemas, indi- dessa profissão. Tais problemáticas se relacionam,
víduos que até podem compreender alguns aspec- especialmente, à qualidade do serviço ofertado à
tos da atividade desenvolvida, mas não receberam sociedade. Sobre isso, analisemos duas situações
formação específica que os capacite para tal. Assim, específicas:
pode ser que resolvam com certa presteza, mas atu- A primeira remete ao fato de que é possível ob-
am de forma intuitiva e sem critérios definidos. Por servar, em alguns espaços de intervenção profissio-
conseguinte, como salienta a autora, há as pessoas nal, como academias e centros de treinamento es-
que se enquadram na categoria de profissionais, que portivo, pessoas que não apresentam qualificação na
buscam solucionar os problemas amparadas na for- área oferecendo serviços à sociedade. A segunda re-
mação que receberam, com base em conhecimentos mete à condição de graduandos estagiários de Edu-
científicos e capazes de oferecer soluções qualifica- cação Física, que em alguns ambientes de trabalho,
das e competentes. orientam a prática de exercícios físicos sem a super-
visão de pessoas formadas. Essa realidade compro-
REFLITA mete sobremaneira o serviço prestado e, inclusive,
impacta o reconhecimento que a sociedade faz da
O termo correto designado para o bacharel nossa área. Verenguer (2004, p. 126), nos ajuda a
em Educação Física é Profissional de Educação pensar essa importante questão:
Física, e não educador físico, pois não edu-
camos os corpos, mas trabalhamos com as-
A Educação Física talvez seja uma das pou-
pectos relacionados ao movimento humano.
cas áreas que, apesar de ter uma estrutura de
Fonte: as autoras. curso de graduação consolidada, ainda admi-
te que pessoas que não tenham participado de
um destes cursos prestem serviços à sociedade.
Mais grave ainda, e curiosamente, essa realida-
Vale mencionar que a Educação Física foi regula- de é defendida inclusive por graduandos que
precocemente se aventuram na área. Sabemos
mentada como profissão pela Lei Nº 9.696/1998,
que a inserção no mercado de trabalho é mais
a qual criou os sistemas CONFEF (Conselho Fe- uma fase de transição na vida de qualquer pes-
deral de Educação Física) e CREF’s (Conselhos soa e tem múltiplos significados (acesso aos
Regionais de Educação Física), com o objetivo de bens de consumo, autonomia em relação aos
pais, entrada ao mundo dos adultos). Mas sabe-
organizar a profissão e monitorar a prestação de
mos, também, que a qualidade desta inserção
serviços na área. Nesse sentido, é importante você pode determinar a qualidade da carreira a ser
saber que, semelhante a outras profissões legiti- construída.
madas socialmente, como medicina, direito, enge-

20
EDUCAÇÃO FÍSICA

Contribuindo com essa discussão, Nascimento, So-


riano e Fávaro (2007) afirmam que os graduandos se
inserem precocemente no campo de trabalho porque
enxergam ser esta uma via privilegiada para adquirir
experiência e domínio sobre as tarefas profissionais.
No entanto, as autoras alertam sobre o emprego de
estagiários como mão-de-obra barata, que são ab-
sorvidos muito cedo pelo campo de trabalho e, por
isso, podem não estar suficientemente capacitados
para tomar decisões e desempenhar com maestria
suas intervenções.
Devemos lembrar que o estágio se constitui como
espaço no qual, você, acadêmico(a), pode se deparar
com a realidade do exercício profissional. Portanto,
os estágios devem ser vistos como momento privile-
giado em que o discente estará à frente dos desafios
de sua profissão e terá a oportunidade de aprender
como ser bom profissional por meio da observação
e da orientação de profissionais qualificados e expe-
rientes. Durante essa prática, os estagiários podem
estabelecer links entre os diferentes conhecimentos
já adquiridos em sua formação inicial e os novos, de
modo a melhorar sua intervenção e conhecimento
(REZER; MADELA; DAL-CIN, 2016).
Não podemos deixar de considerar que a Edu- Figura 4 – Atendimento personalizado de idosos

cação Física foi apresentada oficialmente por meio


da Resolução Nº 218 de 06 de março de 1997 como Pelos aspectos expostos, queremos chamar a sua
uma das treze profissões da área da Saúde (CAZE- atenção, pois entendemos que a graduação é mo-
LATO, 2006). Dessa forma, a partir do momento mento ímpar de aquisição de conhecimentos e de
que a área passa a abranger a qualidade de vida e instrumentalização de procedimentos interventivos
a manutenção da saúde das pessoas, aumenta-se a específicos da profissão de Educação Física. A for-
responsabilidade dos cursos, que formam os profis- mação ocupa lugar relevante na identidade da pro-
sionais tendo em vista a realidade social, bem como fissão, pois trata do momento em que o(a) futuro(a)
se ampliam as incumbências daquele que atuará nos profissional apresenta as primeiras aproximações
espaços de trabalho. efetivas com as tarefas demandadas pela área.

21
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

A Profissão em Educação Física


e como Qualificar a Intervenção
Profissional

Figura 5 – A formação e o aprendizado permanente

Já sabemos que a graduação contempla o conjunto de como o momento para adquirir conhecimentos e de-
atividades que tem papel fundamental no processo de senvolver as competências necessárias à prática pro-
qualificação dos futuros profissionais. Por isso, o(a) fissional. Nascimento, Soriano e Fávaro (2007) apre-
graduando(a) deve olhar para o processo formativo sentam importantes contribuições às nossas reflexões:

22
EDUCAÇÃO FÍSICA

A formação acadêmico-profissional, portan- constituição do grupo profissional é efetivado a par-


to, configura-se como o espaço inicial, para o tir do momento em que se consolida a representação
exercício das primeiras avaliações das consequ- entre os membros do mesmo grupo, da ideologia
ências da intervenção profissional, pois é nesse
que deve orientá-los, para que se fortaleça o senti-
espaço que se possibilita o contato com o co-
nhecimento sistematizado de mecanismos que mento de pertencimento a esse grupo. Para que isso
compõem a intervenção profissional. Sobre- aconteça, o conteúdo da intervenção profissional
tudo, porque é nesse ambiente onde se revela precisa ser reconhecido como qualificado (NASCI-
o grau de responsabilidade e de comprometi-
MENTO; SORIANO; FÁVARO, 2007).
mento do profissional com a área, com a produ-
ção de conhecimento, e principalmente com o As categorias profissionais se organizam somen-
cliente (NASCIMENTO; SORIANO; FÁVARO, te a partir da condição de profissional graduado.
2007, p. 394). Com o reconhecimento legal da profissão em Educa-
ção Física, os graduados devem apresentar domínio
Será que após finalizar o curso de graduação em sobre os conhecimentos científicos específicos, que
Educação Física, estaremos preparados para resol- abrangem essa área de formação. Sendo assim, será
ver todas as problemáticas pertinentes ao nosso con- a condição de graduado que dará o suporte necessá-
texto de trabalho? A formação ocorre em período rio para que os profissionais estejam capacitados à
determinado, que contempla somente os anos dedi- intervenção qualificada, competente e responsável,
cados à nossa graduação? demonstrando comprometimento ético na presta-
Para refletir sobre essas questões, é necessário ção de seus serviços (CAZELATO, 2006).
pensar que o(a) futuro(a) profissional deve ter cons- Ao dispor sobre a intervenção e o perfil do pro-
ciência de que a formação é processo permanente, fissional de Educação Física, a Lei Nº 9.696/98 em
que se inicia na graduação e deve ser levado adian- seu artigo 3º, sinaliza que:
te, ou seja, a disposição para aprender fará a dife-
rença na qualificação para o exercício da profissão, Compete ao Profissional de Educação Física
coordenar, planejar, programar, supervisionar,
ou, conforme as palavras de Antunes (2007), com
dinamizar, dirigir, organizar, avaliar e executar
a rápida disseminação de conhecimentos e a acele- trabalhos, programas, planos e projetos, bem
rada superação por novos conhecimentos, a prepa- como prestar serviços de auditoria, consultoria
ração profissional tem que ser vista como processo e assessoria, realizar treinamentos especializa-
de constante aprendizado. De tal modo, a concepção dos, participar de equipes multidisciplinares e
interdisciplinares e elaborar informes técnicos,
de formação profissional como processo completo e
científicos e pedagógicos, todos nas áreas de
acabado perde seu sentido. atividades físicas e do desporto (LEI FEDERAL
Ao mesmo tempo é indispensável você saber Nº 9.696/98).
que grupos específicos de pessoas buscam apoio na
preparação profissional, para que tenham condições Como vemos, a condição de profissão reconhecida
de identificar, de analisar e de desenvolver conhe- socialmente solicita a competência profissional no
cimentos científicos, que favoreçam a resolução de mercado de trabalho. No entanto, essa competência
problemas de sua prática cotidiana. O processo de será completa se estiver alicerçada pelo corpo de co-

23
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

nhecimentos científicos específicos, que dê suporte Alguns aspectos relevantes para a legitimidade pro-
teórico e prático ao profissional que está no mercado fissional e o desenvolvimento de carreira profissio-
(ANTUNES, 2007). Sendo assim, combinar o rol de nal promissora na área da Educação Física foram
saberes, que incluam os acadêmicos e a experiência considerados por Verenguer (2004, p. 129):
profissional, pode dar importante suporte para a es-
colha da melhor resposta ao profissional, ao depa- Seria desejável que o cotidiano da intervenção
profissional pudesse ser desafiador e enrique-
rar-se com uma situação problema em sua interven-
cedor para aqueles que se dedicam a prestar
ção (FONSECA et al., 2009). serviços na área e, ao fazerem, estabelecessem
Logo, é fundamental que os profissionais de com a sociedade relações e condutas inspiradas
Educação Física sigam rigorosa sequência de pro- em valores universais, através da capacidade
cedimentos em suas intervenções, as quais incluem, de discernimento e julgamento adquiridos ao
longo da vida acadêmica e profissional, tornan-
dentre outros aspectos, o diagnóstico e a avaliação
do-se, assim, os porta-vozes da área. Estamos
do contexto de trabalho; a identificação das especi- falando em legitimidade profissional. Seria de-
ficidades do problema a ser resolvido; a análise das sejável que intervenção profissional fosse sinô-
competências que possui para resolver o problema; nimo de ação responsável, na medida em que o
profissional fizesse uso dos seus conhecimen-
e a decisão dos procedimentos mais adequados a se-
tos, assumisse a tarefa de mudar o contexto so-
rem utilizados na prestação de serviços. Com esse cial em que intervém, beneficiando aqueles que
aparato, o profissional poderá desenvolver sua inter- o procuram. Sua intervenção vai muito além do
venção e avaliar em que medida os resultados foram domínio do saber-fazer, ou melhor, ao saber-
-fazer profissional em Educação Física devem
alcançados (CAZELATO, 2006).
estar incorporados atitudes e valores.

SAIBA MAIS
Caro(a) aluno(a), de acordo com os aspectos expos-
A experiência prática é fundamental para a atu- tos, é essencial que você reflita sobre o seu processo
ação na área. O profissional de Educação Física formativo. Cumpre observar que este lhe oferecerá
também constrói seu próprio conhecimento, condições de analisar, de forma crítica, as estratégias
denominado “conhecimento de trabalho” ou
“operacional”. Tal conhecimento é tácito, a par- mais adequadas para a tomada de decisão, em situ-
tir do qual aprendem com outros colegas, por ações que envolvam a resolução de problemas, que
ensaio e erro, adaptam suas ações de acordo dependerão das exigências específicas do seu futuro
com o contexto e utilizam os conhecimentos
aprendidos na sua formação acadêmica. contexto profissional.
Fonte: adaptado de Antunes (2007, p. 146-147).

24
considerações finais

Ao longo desta unidade, apresentamos discussões acerca de diversos conceitos


e temas pertinentes à intervenção do profissional na Educação Física, tais como
a evolução e o crescimento da área de atuação desde sua divisão em dois cursos
distintos e o impacto que essas mudanças tiveram na formação inicial e no exer-
cício da profissão.
Ademais, discutimos e refletimos sobre o que constitui uma profissão, sendo
esta um tipo específico de trabalho, que requer conhecimentos próprios, e pos-
sui organização. Tratamos sobre o fato do reconhecimento da Educação Física
enquanto profissão, sobretudo ligada à área da saúde, em que a atuação pode
ocorrer em ambientes diversos com a promoção e a prevenção. A legalização da
profissão e seu reconhecimento na área da saúde abriu novos horizontes para o
exercício profissional.
Observamos ainda que, com a regulamentação da profissão, surgiram os con-
selhos federal e regionais, a fim de normatizar e de fiscalizar a atividade profissio-
nal. A normatização e as mudanças nas matrizes curriculares buscaram atender a
uma nova demanda de mercado e formar profissionais qualificados para satisfa-
zer as áreas emergentes. Nesse sentido, é preciso que, durante a formação inicial,
o(a) aluno(a) tenha contato com o corpo de conhecimentos específicos da área,
que dê suportes teórico e prático das atividades a serem desenvolvidas no exer-
cício profissional. É necessário, portanto, que os futuros profissionais se sintam
competentes e capacitados para trabalhar.
A partir do entendimento desses pressupostos, esperamos que, ao final desta
unidade, você tenha compreendido que a formação inicial é o primeiro passo
para tornar-se um profissional qualificado e que é preciso estar sempre atento e
buscar novos conhecimentos específicos, de modo a melhorar sua atuação.
Sendo assim, esperamos que você, caro(a) aluno(a), tenha adquirido o máxi-
mo de conhecimento e de informações possíveis. Até a próxima unidade!

25
atividades de estudo

1. Estudamos que, desde a década de 1980, a Educação Física passa pelo impor-
tante processo de reestruturação curricular, que apresentou uma série de pro-
posições para a organização dos conteúdos e dos métodos de ensino da área.
Considerando a aprovação das diretrizes curriculares nacionais – Resolução Nº
01/CNE/2002 e Resolução Nº 07/CNE/2004 –, descreva as principais propostas
apresentadas para a Educação Física.
2. Há problemáticas que permeiam a prestação de serviços na área da Educação
Física e impactam o cotidiano da profissão. São questões vinculadas, sobretudo,
à qualidade do serviço ofertado à sociedade. Com base nas discussões apresen-
tadas por Nascimento, Soriano e Fávaro (2007), apresente argumentos sobre a
inserção precoce de graduandos no campo de trabalho.
3. Na década de 1990 foi sancionada a Lei Federal Nº 9.696, de 1º de setembro de
1998, que reconhece e regulamenta a Educação Física enquanto profissão. Esta
lei criou ainda alguns órgãos, com objetivo de organizar e monitorar a prestação
de serviços. Estes órgãos são:

a) Conselho Federal de Educação Física e Conselho Regional de Educação Física.


b) Conselho Nacional de Educação Física e Conselho Regional de Educação Física.
c) Conselho Federal de Educação Física e Conselho Nacional de Educação Física.
d) Conselho Brasileiro de Educação Física e Conselho Federal de Educação Física.
e) Conselho Federal de Educação Física e Conselho Estadual de Educação Física

4. Uma profissão está relacionada a conhecimentos e a atividades específicas, que


se organizam a partir de associações, que buscam padronizar e regulamentar a
conduta dos profissionais. Com relação à profissão de Educação Física, verifique
as proposições a seguir e responda:
I - Ainda é possível encontrar leigos, pessoas que não têm qualificação profis-
sional para tal, trabalhando em academias e com treinamento.
II - Em alguns locais, encontram-se estagiários orientando a prática de exercí-
cios físicos sem a supervisão de pessoas formadas para acompanhá-los, o
que, muitas vezes, torna-se um problema.
III - Como profissão da área da saúde, a Educação Física só foi reconhecida
por meio da Resolução Nº 218, de 06 de março de 1997, que a expandiu
para a atuação com qualidade de vida e manutenção da saúde.

26
atividades de estudo

Estão corretas as alternativas:


a) I.
b) II.
c) I e II.
d) II e III.
e) I, II e III.

5. A qualificação profissional se inicia com a graduação, no entanto, esse processo


deve ser continuado para que o(a) futuro(a) profissional adquira os conhecimen-
tos e as competências necessárias ao exercício da profissão. O profissional deve
sentir-se preparado e competente para que suas ações levem ao resultado es-
perado, por meio de intervenção adequada. Quanto à qualificação profissional
para o exercício da profissão, analise as afirmações abaixo e assinale com V, as
verdadeiras, e com F, as falsas:
( ) As categorias profissionais são formadas somente por profissionais gra-
duados e estes devem apresentar domínio sobre os conhecimentos cien-
tíficos específicos que abrangem sua área de formação. Dessa forma, os
profissionais formados estarão capacitados para intervenção qualificada,
competente e responsável, demonstrando comprometimento ético na
prestação de seus serviços.
( ) É essencial que os profissionais de Educação Física sigam sequência de
procedimentos rigorosa em suas intervenções, desde o diagnóstico, a ava-
liação, a análise das competências que possui para resolver o problema e
até a decisão dos procedimentos mais adequados a serem utilizados.
( ) Dentre as atividades que o profissional de Educação Física deve estar ca-
pacitado para realizar em suas intervenções, incluem-se o planejamento e
a organização de programas de exercícios físicos/treinamento esportivo, a
supervisão e a avaliação de programas e projetos relativos à área, o traba-
lho em equipes multiprofissionais, dentre outros.

Assinale a alternativa correta:


a) V; V; F.
b) F; F; V.
c) V; F; V.
d) F; F; F.
e) V; V; V.

27
LEITURA
COMPLEMENTAR

A universidade tem como uma de suas principais funções a formação de recursos hu-
manos, que possibilitarão o atendimento às necessidades da sociedade em alguma área
específica. Isso quer dizer que a sociedade demanda diferentes tipos de serviços, cada
qual com o seu grau de especificidade, e o profissional deve, fundamentado num co-
nhecimento específico, oferecer programas e projetos que possam solucionar problemas
existentes. Verificamos, então, que uma profissão só existe porque há uma necessidade
de prestar serviços específicos às comunidades. Quando transportamos essa ideia para a
Educação Física, admitimos que as pessoas, em geral, necessitam de programas de ativi-
dades físicas ou motoras, seja para alcançar melhores níveis de qualidade de vida, atingir
maiores performances ou para ampliar o seu repertório motor. Necessita-se, portanto,
de profissionais especializados em motricidade humana e que ofereçam tais programas.
Entretanto, há alguns critérios que ajudam a definir e a caracterizar uma profissão
que, na verdade, diferenciarão uma profissão de uma ocupação, baseados nos estudos
de Flexner, citados por Barros (1993). Em primeiro lugar, é fundamental que as ativi-
dades desenvolvidas numa profissão sejam essencialmente de natureza intelectual, na
qual as decisões e as opções de atividades são pautadas por um conjunto de conheci-
mentos. Em seguida, temos que toda profissão é prática, ou seja, é prestadora de servi-
ços à sociedade. Além disso é dinâmica, estando aberta continuamente a novas ideias
e conhecimentos, assim como é organizada, ou seja, deve possuir uma instituição que
a represente, que discuta a qualidade dos serviços prestados, criando códigos e normas
de conduta. Além disso, é preciso comunicabilidade, ou seja, os conhecimentos e as ha-
bilidades desenvolvidos na profissão precisam ser comunicados e ensinados. E, por fim,
a característica altruísta, isto é, existir para prestar sempre o melhor serviço.
A partir desses critérios, podemos dizer que a Educação Física é uma profissão e sua
presença na universidade se justifica à medida em que atende às necessidades básicas que
caracterizam uma profissão, ou seja, possui corpo de conhecimento ou objeto de investi-
gação, que é o movimento humano, podendo este conhecimento ser aplicado na atuação
profissional por meio de programas de atividade física para o público em particular.
Fonte: Ghilardi (1998).

28
material complementar

Indicação para Acessar

O Conselho Regional de Educação Física (CREF) publica boletins eletrônicos com


temas pertinentes à área. Recomendamos que leia o artigo do Boletim CREF9/PR
- Nº 38, que trata da reforma trabalhista e sua influência para nossa profissão.
Web: http://www.crefpr.org.br/publicacoes?p=2

Fabio Saba é palestrante, autor de livros e artigos científicos sobre atividade fí-
sica, qualidade de vida, gestão de carreira e de academias. Recomendamos que
assista seus vídeos e leia suas publicações acadêmicas.
Web: https://www.youtube.com/watch?v=IxHlIjeUwEE

29
referências

ANTUNES, A. C. Mercado de trabalho e educação física: aspectos da preparação


profissional. Revista de Educação, Anhanguera, v. 10, n. 10, p. 141-149. 2007.
BARBOSA-RINALDI, I. P; PIZANI, J. Desafios dos estágios nos cursos de bacha-
relado em Educação Física. In: NASCIMENTO, J. V. do; FARIAS, G. O. Constru-
ção da identidade profissional em Educação Física: da formação à intervenção.
Florianópolis: Ed. da UDESC, 2012.
BRASIL. Conselho Federal de Educação. Resolução n. 03, de 16 de junho de
1987. Fixa os mínimos de conteúdo e duração a serem observados nos cursos de
graduação em Educação Física (Bacharelado e/ou Licenciatura Plena). Brasília:
MEC, 1987.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior. Reso-
lução n. 04, de 06 de abril de 2009. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dm-
documents/rces004_09.pdf. Acesso em: 16 abr. 2019.
BRASIL. Conselho Nacional de Educação/Câmara de Educação Superior. Reso-
lução n. 07, de 31 de março de 2004. Diretrizes Curriculares Nacionais para os
cursos de graduação em Educação Física. Brasília: D.O.U., 2004.
BRASIL. Lei n. 9.696, de 01 de setembro de 1998. Dispõe sobre a regulamenta-
ção da Profissão de Educação Física e cria os respectivos Conselho Federal e Con-
selhos Regionais de Educação Física. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/Leis/L9696.htm. Acesso em: 16 abr. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Superior, Referenciais
Curriculares Nacionais dos Cursos de Bacharelado e Licenciatura/Secretaria
de Educação Superior. Brasília: Ministério da Educação; Secretaria de Educação
Superior, 2010. Disponível emhttp://www.dca.ufrn.br/~adelardo/PAP/Referen-
ciaisGraduacao.pdf. Acesso em: 16 abr. 2019.
CAZELATO, J. A. M. Preparação Profissional para uma intervenção Ética. In:
TOJAL, J. B.; BARBOSA, A. P. (orgs.). A Ética e a bioética na preparação e na
intervenção do Profissional de Educação Física. Belo Horizonte: Casa da Edu-
cação Física, 2006.
DRUMOND, J. G. F. A ética do profissional de saúde e a Educação Física. In:
TOJAL, J. B. (org.). Ética profissional na Educação Física. Rio de Janeiro: Shape,
2004.

30
referências

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física: um estudo de caso etnográfico. Revista da Educação Física/UEM, Marin-
gá, v. 20, n. 3, p. 367-380. 2009.
FREIDSON, E. Para uma análise comparada das profissões: a institucionalização
do discurso e do conhecimento formais. Revista Brasileira de Ciências Sociais,
São Paulo, ano 11, n. 31, p. 141-155, jun. 1996.
FREIDSON, E. Renascimento do Profissionalismo: teoria, profecia e política.
São Paulo: EDUSP, 1998.
GHILARDI, R. Formação profissional em educação física: a relação teoria e prá-
tica. Revista Motriz, Rio Claro, v. 4, n. 1, jun. 1998. Disponível em: https://www.
rc.unesp.br/ib/efisica/motriz/04n1/4n1_ART01.pdf. Acesso em: 16 abr. 2019.
NASCIMENTO, G. Y.; SORIANO, J. B.; FÁVARO, P. E. A perspectiva do erro e a
avaliação das consequências da intervenção profissional em educação física: uma
análise de conteúdo. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho
Humano, Florianópolis, v. 9, n. 4, p. 393-400. 2007.
OLIVEIRA, A. A. B. Mercado de trabalho em educação física e a formação pro-
fissional: breves reflexões. Revista Brasileira de Ciência e Movimento, Brasília, v.
8, n. 4, p. 45-50, set. 2000.
PRONI, M. W. Universidade, profissão Educação Física e o mercado de trabalho.
Motriz, Rio Claro, v.16, n.3, p. 788-798, jul./set. 2010.
REZER, R.; MADELA, A.; DAL-CIN, J. Apontamentos sobre o ingresso na car-
reira docente: possibilidades para o campo da educação física. In: CONCEIÇÃO,
V. J. S.; FRASSON, J. S. Textos e contextos sobre o trabalho do professor de edu-
cação física no início da docência. Porto Alegre: Sulina, 2016.
VERENGUER, R. C. Intervenção profissional em Educação Física: expertise, cre-
dencialismo e autonomia. Revista Motriz, Rio Claro, v. 10, n. 2, p. 123-134, mai./
ago. 2004.

31
gabarito

1. As diretrizes curriculares nacionais – Resolução Nº 01/CNE/2002 e Resolu-


ção Nº 07/CNE/2004 – apresentaram propostas ajustadas à preparação de
profissionais, incluindo o rol de competências para atuação no dinâmico e
acelerado universo mercadológico instaurado. Com as referidas resoluções,
os cursos de formação foram incumbidos de reajustar suas propostas forma-
tivas, necessitando incorporar conhecimentos que discutam tanto o espaço
escolar, quanto o não escolar.
2. Embora a inserção no campo de trabalho se constitua como importante meio
para ganhar experiência das ações demandadas pela prática profissional, a
inserção precoce dos graduandos leva ao emprego de estagiários como mão-
-de-obra barata, que podem não estar suficientemente capacitados para to-
mar decisões e desempenhar suas ações de forma qualificada.
3. A.
4. E.
5. E.

32
UNIDADE
II
OS CAMPOS DE ATUAÇÃO
PROFISSIONAL

Professora Dra. Fabiane Castilho Teixeira


Professora Me. Isabella Caroline Belem

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Expansão dos campos de atuação profissional
• Desafios e perspectivas da profissão
• Algumas possibilidades de inserção profissional

Objetivos de Aprendizagem
• Demonstrar a expansão dos campos de atuação da
Educação Física e os seus impactos para a intervenção
profissional.
• Discutir os principais desafios e perspectivas da profissão,
destacando a importância da intervenção qualificada para
o reconhecimento da Educação Física na sociedade.
• Apresentar alguns campos de inserção no mercado de
trabalho em Educação Física e as demandas pertinentes a
cada um deles.
unidade

II
INTRODUÇÃO

C
aro(a) aluno(a), com a expansão dos campos de atuação da
Educação Física, os espaços de inserção profissional se amplia-
ram, apresentando novas oportunidades de inserção no merca-
do de trabalho para os profissionais da área. Assim, a busca pela
prestação de serviço qualificado tem crescido exponencialmente. Uma
das razões para tal procura se deve ao destaque recebido em vários seto-
res da sociedade acerca de temas relacionados à saúde, à atividade física,
ao exercício físico e à qualidade de vida.
A demanda de trabalho requer que os cursos de formação ofereçam
conhecimentos referentes às áreas já consagradas, como os esportes e ati-
vidades físicas, além dos novos conhecimentos voltados a métodos de
treinamento diferenciados, novas modalidades de ginásticas de condicio-
namento, entre outros. Por esses aspectos, é fundamental que os futuros
profissionais estejam preparados para atuar nos diversos campos, sejam:
clubes, academias, centros de treinamento, hotéis e demais espaços pri-
vados ou públicos.
Para que haja reconhecimento social da prestação de serviços na área
da Educação Física é imprescindível que, no processo formativo, você,
graduando(a), obtenha conhecimentos profissionais, científicos, técnicos,
competências e habilidades, sobretudo específicos da área que subsidiará
sua futura intervenção profissional. Obviamente, todos esses conheci-
mentos não são adquiridos somente na formação inicial, mas também a
partir da experiência profissional obtida por meio dos estágios, do traba-
lho efetivo e de pós-graduações.
Devemos ressaltar que cada campo de atuação profissional necessita
de um conjunto variado de conhecimentos, de experiências prévias e de
perfil profissional. Nesse sentido, apresentaremos a você, ao longo desta
unidade, algumas possibilidades de inserção no mercado de trabalho.
Esperamos que aproveite e lhe desejamos bons estudos!
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Expansão dos Campos


de Atuação Profissional

Estudamos, na unidade anterior, que a Educação a qualidade de vida, e ainda a velocidade com que
Física é uma área que se encontra em notória ex- os conhecimentos da área são produzidos e disse-
pansão. Tal realidade pode ser empiricamente cons- minados, que também acarretam em novas frentes e
tatada quando observamos a crescente procura de demandas de trabalho.
pessoas que buscam fazer dela sua profissão e cons- Contudo, para além dessas constatações empíri-
truir uma carreira. Em decorrência disso, notamos a cas, que são, de fato, relevantes para pensarmos so-
ampliação dos cursos de formação profissional ofer- bre a atual configuração da nossa área, é indispensá-
tados em nosso país. vel pontuar que a notoriedade da Educação Física na
Além disso, temos assistido ao destaque que a realidade brasileira apresenta estreita relação com a
mídia televisiva tem dado aos profissionais e aos ser- expansão dos seus campos de atuação profissional,
viços prestados no âmbito dessa profissão, a exem- desencadeada, sobretudo, nas últimas décadas.
plo de programas que chamam a atenção para a prá- As perspectivas favoráveis do mercado de traba-
tica de exercícios físicos e a relação com a saúde e lho em expansão, concretizada pela ampliação das

38
EDUCAÇÃO FÍSICA

atividades desenvolvidas em clubes, academias e ou-


tros espaços privados – que são foco dos bacharéis
em Educação Física – tem motivado mais pessoas, a
cada ano, a buscarem essa formação.
À medida que se expandiram a mercantilização
das práticas esportivas e o consumo de bens e servi-
ços relacionados ao corpo e à forma física, os cam-
pos de atuação profissional se desenvolveram e apre-
sentaram, como compensação, expectativas mais
ampliadas do mercado de trabalho para os egressos
dos cursos de Educação Física (PRONI, 2010). Em
contrapartida, essa realidade apresenta mercado de
trabalho mais dinâmico e competitivo aos profissio-
nais da área.

REFLITA

Mesmo com a ampliação da formação


profissional no País, ainda é possível encon-
trar pessoas que não estão preparadas para Figura 1 – Desenvolvimento da Educação Física
exercer a profissão atuando nos campos de
trabalho da área, como academias e clubes.
Anzolin (2012, p. 28) destaca que,
Fonte: as autoras.

[...] é notável e crescente o interesse demonstra-


do por todos os segmentos sociais com relação
aos benefícios advindos da prática de ativida-
De acordo com Anzolin (2012), foi na transição do des físicas, seja na perspectiva do desempenho,
século XX para o século XXI que o vertiginoso pro- da promoção da saúde, da qualidade de vida, da
cesso de expansão e de diversificação dos campos de educação ou lazer.
atuação do profissional da Educação Física impac-
tou as perspectivas profissionais daqueles que atu- Com isso, novas demandas passaram a ser exigi-
am nessa área e o seu papel perante à sociedade. As das do profissional, que necessita compor amplo
realidades econômica, política e social vividas pelo e diversificado rol de competências e o assegurem
Brasil têm exigido esforços coletivos, no sentido de de que está desenvolvendo bom trabalho. A autora
buscar qualificação profissional que se apresente discute a ampliação dos locais que ofertam a prá-
condizente com as novas aspirações daqueles que tica de atividades físicas, juntamente com a maior
buscam acompanhamento profissional para a práti- diversidade de práticas corporais oferecidas por es-
ca de esportes e de exercícios físicos. ses ambientes:

39
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Assim, o bacharelado em educação física deve ter


por objetivo a formação de profissionais qualifi-
cados para o exercício da área, entendida como
um campo de estudo multidisciplinar e de inter-
venção profissional através das diferentes mani-
festações e expressões do movimento humano.
O profissional de educação física deve ser apto a
atuar como autônomo e/ou em Instituições e Ór-
gãos Públicos e Privados de prestação de serviços
em atividade física, desportiva e/ou recreativa e
outros na natureza, além de outros campos que
oportunizem ou venham a oportunizar a prática
dessas atividades, em ambientes diferenciados da
rede escolar formal (ANZOLIN, 2012, p. 25).

Com diagnóstico semelhante acerca da expansão dos


campos de trabalho no âmbito do bacharelado em Figura 2 – Aula de natação para crianças

Educação Física, Antunes (2007, p. 141) assinala que


O documento recomenda que a graduação deverá
Na área da saúde surgem maiores possibilida- qualificar o bacharel em Educação Física, para que
des de trabalho com equipes multiprofissionais
possa atuar na área do treinamento esportivo, do
em hospitais, clínicas e centros de tratamento.
No lazer, podem ser desenvolvidos trabalhos lazer e da recreação, da orientação de exercícios fí-
em prefeituras, clubes hotéis, entre outros locais sicos, da gestão, da avaliação física, dentre outros es-
que oferecem atividades de lazer. No esporte, as paços. Em seguida, indica o agrupamento de aspec-
ações do profissional de Educação Física po- tos relacionados à aquisição e ao desenvolvimento
dem ocorrer no contexto profissional, amador
dos conhecimentos, das atitudes e das habilidades
e de iniciação. Ainda, surgem oportunidades
em empresas, principalmente em academias e dos profissionais de Educação Física.
em escolas de iniciação esportiva. Os aspectos incluem o domínio de conheci-
mentos conceituais, procedimentais e atitudinais,
A medida que os campos de atuação dos bacharéis orientados por valores éticos e morais; o diagnós-
se ampliaram, a intervenção profissional se confi- tico eficaz da realidade de intervenção profissional;
gurou mais dinâmica e complexa, tornando-se foco a importância da intervenção qualificada, teorica-
de preocupações de importantes instituições sociais mente orientada para a atuação em diferentes cam-
do país, a exemplo das políticas educacionais. Nas pos de trabalho, sejam da saúde, do lazer ou das
orientações para a elaboração dos currículos das atividades esportivas, considerando o esporte de
instituições de Ensino Superior preconizadas pelas alto rendimento; a possibilidade de compor equipes
Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de gra- multiprofissionais; a colaboração na operacionali-
duação em Educação Física (DCNs em Educação zação de políticas públicas para os campos da saú-
Física), mediante o parecer CNE/CES 584/2018, é de, do lazer, do esporte, da educação não escolar, da
possível constatar tais preocupações. segurança, do trabalho, dentre outros; o diagnósti-

40
EDUCAÇÃO FÍSICA

co das expectativas do público atendido; o domínio Vale frisar que o trabalho faz parte da vida hu-
sobre os procedimentos e as técnicas empregados mana, visto que, desde muito cedo, o homem se viu
na intervenção profissional da área, exceto no repleto de necessidades de sobrevivência, de desen-
magistério da Educação Básica; o acompanhamento volvimento, de relacionamento e de socialização, e
das transformações acadêmico-científicas da área e essas aspirações foram supridas pelo trabalho.
de áreas afins; e, ainda, a interação com a produção
e a disseminação de conhecimentos da Educação Diferentemente de outros animais, o homem
potencializa seu trabalho, utilizando-se de fer-
Física e de áreas correlatas, com a contínua atuali-
ramentas [...] mudando, se desejar, o curso de
zação profissional. sua atividade e, principalmente, dando-lhe um
significado pessoal e social (VERENGUER,
2003, p.11).

Sendo assim, devemos lembrar que, na trajetória


construída pela humanidade, o homem passou
por diversas transformações no mundo do tra-
balho, as quais modificaram intensamente sua
forma de relacionar com esse contexto. Por isso,
determinantes sociais, econômicos e técnicos
impulsionaram as formas de compreender o tra-
balho e o capital humano, em diferentes épocas
e contextos vividos pela humanidade (VEREN-
GUER, 2003). No caso específico da Educação Fí-
sica, cada vez mais o profissional precisa estabe-
Figura 3 – Aula de dança para adultos lecer uma dinâmica com o seu campo de atuação,
como trabalhar em mais de um local e desempe-
É provável que, com esse mapeamento dos campos nhar mais de uma função. Além disso, deverá es-
de atuação profissional, você esteja refletindo sobre tar preparado para modificar suas estratégias de
os espaços em que poderá inserir-se no mercado de ação, tendo em vista a colocação e a estabilidade
trabalho, quais tipos de intervenção tem mais afini- no contexto dessa profissão.
dade, com quais públicos gostaria de trabalhar ou, Portanto, caro(a) aluno(a), fecharemos este tópi-
até mesmo, em qual área gostaria de especializar-se. co destacando que nosso objetivo é que você amplie
São questionamentos importantes que você deverá os saberes que já possui da área, adquira conheci-
fazer ao longo do processo formativo e considera- mentos especializados da Educação Física enquanto
mos indispensáveis aos estudos que estamos desen- campo de intervenção profissional e concretize uma
volvendo nessa disciplina. relação mais elaborada com esses conhecimentos.

41
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Desafios e Perspectivas
da Profissão

Para darmos continuidade aos nossos estudos tantemente desafiados a garantir nosso espaço
sobre a intervenção profissional em Educação nessa ocupação.
Física, queremos chamar sua atenção para o de- Além do mais, devemos estar cientes da nossa
senvolvimento da área nos campos da saúde e da parcela de responsabilidade, para que a Educação
qualidade de vida, os quais apresentaram novas Física se legitime no meio social, pois uma área com
oportunidades de trabalho para o profissional. tal abrangência carece de ser melhor reconhecida
Fato é que, enquanto profissionais, somos cons- por aqueles que usufruem dos seus serviços.

42
EDUCAÇÃO FÍSICA

não podemos perder de vista a forma como a área é


avaliada pelos profissionais, pelo meio acadêmico e
pelas pessoas que não têm conhecimento específico
do tema, pois isso impacta na sua evolução no mundo
trabalho (SORIANO, 2003).

REFLITA

A intervenção qualificada em Educação Física


Figura 4 – Profissional de Educação Física requer formação continuada, especialmente
quando temos a intenção de colaborar com o
bem-estar e a qualidade de vida da população.
Para darmos continuidade, é válido pensarmos em
Fonte: as autoras.
como se configura a intervenção profissional. Para
Soriano (2003), ela pode ser pensada como situa-
ção de trabalho determinada como “combinação
parcialmente inédita”, cada situação apresenta par- Não obstante, a educação profissional precisa contar
ticularidades e reúne combinação de procedimentos com a aproximação entre os conhecimentos profis-
técnicos profissionais com relacionamentos inter- sionais, advindos da prática cotidiana e o científi-
pessoais experienciados pelas pessoas. Tais combi- co, resultado de pesquisas específicas na área, para
nações formam situações únicas e não idênticas. que possa, de fato, apresentar possibilidades de res-
A intervenção profissional pode ser pensada postas às demandas e às problemáticas inerentes à
como circunstância vivida na realidade de trabalho profissão, pois é fundamental ampliar a qualidade
que apresenta combinação parcialmente inédita de das respostas empenhadas pelos profissionais de
diversos elementos, os quais influenciarão decisões Educação Física em seu cotidiano de trabalho (SO-
e estratégias de ação do profissional, ao deparar-se RIANO, 2003).
com as problemáticas da atuação. Isto é, para resol- Corroborando, Freire, Verenguer e Reis (2002)
ver os novos desafios da realidade interventiva, será enfatizam que os conhecimentos empregados pelo
necessário mobilizar um conjunto de elementos já profissional de Educação Física precisam ser condi-
mobilizados em outro momento, e podem ser consi- zentes com o espaço de intervenção do trabalho. Isso
derados parcialmente inéditos, uma vez que deverão será possível se o especialista conseguir mobilizar os
ser readequados às particularidades do mais novo conhecimentos acadêmico-científicos e os adqui-
contexto. ridos com a experiência na área para definir estra-
Nessa direção, convém assinalar que um aspecto tégias acertadas de ação na sua realidade cotidiana
convergente entre os estudiosos que se empenham (NASCIMENTO; SORIANO; FÁVARO; 2007).
em discutir a preparação profissional, enfatiza a re- Por exemplo, quando o profissional tem o pri-
levância da intervenção qualificada dos bacharéis meiro contato com seu aluno/cliente, precisa mo-
em Educação Física. Ademais, a autora alerta que bilizar conhecimentos adquiridos pela experiência

43
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

profissional, como ter sensibilidade para perceber [...] o aprimoramento das rotinas, procedimen-
qual é o perfil do indivíduo e como deverá comuni- tos e condutas profissionais e, sobretudo, da
realidade na qual o profissional está inserido,
car-se com esse aluno/cliente (de forma mais formal
ou seja, enquanto profissional-cidadão, este
ou informal), e aliar esses saberes aos conhecimen- deve atuar como agente de mudança (VEREN-
tos acadêmico-científicos conquistados na formação GUER, 2003, p. 4).
inicial e continuada. Tal alinhamento será funda-
mental para que possa, posteriormente, prescrever Na atual conjuntura, o mercado de trabalho se ca-
um programa de intervenção que seja adequado ao racteriza por ser um ambiente dinâmico, instável e
perfil, às necessidades, às potencialidades e às limi- imprevisível. Por isso mesmo, requer cada vez mais
tações do indivíduo que está atendendo. profissionais amplamente qualificados, eficientes e
É a partir dessa complexa teia de construção de readaptáveis, que apresentem aptidão para resolver
conhecimentos que o profissional poderá organi- as problemáticas que surgem na ação profissional.
zar satisfatoriamente seu trabalho. Por isso mesmo, Ao tratar do assunto, Antunes (2007) ressalta que a
de acordo com Soriano e Winterstein (2004), não polivalência, a agilidade e a flexibilidade profissional
podemos desconsiderar que o especialista poderá são requisitos a serem desenvolvidos no paradigma
lançar mão do amplo conjunto de combinações e de formação profissional vigente.
de conexões para desenvolver seu trabalho. Assim,
é bastante válido compreendermos como podemos
articular os diferentes elementos presentes em nos-
sa realidade de atuação para construir nossas ações
interventivas. Assim, especificidades relacionadas
ao estilo de vida adotado pela pessoa ou pelo gru-
po de pessoas atendidas, as normas, as condutas, os
procedimentos técnicos empregados, os referenciais
teóricos mobilizados pelo profissional e as norma-
tizações que balizam a profissão na sociedade são Figura 5 – Conhecimento científico na Educação Física

elementos importantes para entendermos a cons-


trução e a efetivação da sua proposta interventiva Com a nova configuração dos campos de traba-
(DIMENSTEIN, 2000; FONSECA et al., 2009). lho, tornou-se mais rentável, para alguns, deixar a
Nosso objetivo é que você aproveite este pri- posição de assalariado para assumir a posição de
meiro e importante passo do seu processo formati- profissional liberal, tornando-se empreendedor e
vo – o curso de graduação – para qualificar-se e in- ofertando serviços especializados. Nessa nova re-
tervir de forma satisfatória e coerente na realidade alidade, iniciativa, criatividade, liderança, apren-
profissional. Sendo assim, compreendemos que as dizado contínuo, agilidade e flexibilidade se torna-
atividades que constituem seu curso deverão dis- ram importantes atributos a serem contemplados
ponibilizar saberes especializados da área com o (ANVERSA, 2011).
intuito de garantir

44
EDUCAÇÃO FÍSICA

Conforme vimos no tópico anterior, são


inúmeras as atribuições e as responsabilidades
do profissional de Educação Física no momen-
to histórico em que vivemos. Aliás, caro(a) alu-
no(a), convém enfatizar que as transformações
no mundo do trabalho impactaram em mudanças
expressivas nas complexas atividades da vida in-
dividual, social e cultural. Com isso, a competiti-
vidade e a produtividade se tornaram paradigmas
do mercado de trabalho, em que a tecnologia, o
conhecimento científico e a qualificação de recur-
sos humanos se expressam cada vez mais basilares
(ANTUNES, 2007). Figura 6 – Organizando o plano de intervenção

Não podemos deixar de analisar que as mudan-


ças sofridas pelo contexto profissional nas últimas Para que você possa responder a tais questões, é in-
décadas, em maior ou menor grau de intensidade, dispensável não perder de vista que as ações profis-
afetam as relações de trabalho instituídas no mundo sionais devem ser fundamentadas no conhecimento
inteiro. Tais mudanças acarretaram em transforma- acadêmico, pois dará suporte ao profissional para
ções que beneficiam, sobretudo, o capital financeiro, decidir sobre os instrumentos e os procedimentos
em detrimento do trabalhador. Logo, é importante mais adequados para serem mobilizados no seu co-
deixar claro que, a inserção no mundo do trabalho tidiano profissional. Além do mais, ao estabelecer
não se apresenta no âmbito exclusivo do esforço pes- correspondência entre os saberes específicos da pro-
soal, mas estabelece estreita relação com o modelo fissão e as demandas da prática, o profissional dará
econômico e a política de desenvolvimento adotada importantes passos para o reconhecimento da nossa
pelo país (VERENGUER, 2003). profissão no meio social.
Alguns questionamentos provavelmente ba-
lizarão sua prática profissional: quais conheci-
mentos posso mobilizar para montar o plano de
intervenção adequado ao perfil, aos objetivos e às
necessidades do(a) aluno(a)? Quais as atuais pers-
pectivas e necessidades da população com relação
à sistematização de exercícios físicos, a atividades
de lazer e à prática esportiva? Como posso prepa-
rar-me para atender a tais perspectivas e necessi-
dades? Quais competências preciso desenvolver
para adaptar-me ao dinâmico e complexo mundo
do trabalho instaurado?

45
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Algumas Possibilidades
de Inserção Profissional

46
EDUCAÇÃO FÍSICA

EXPANSÃO DAS ACADEMIAS DE GINÁS-


TICA

Caro(a) aluno(a), sua escolha pelo campo(a) de De início é válido pontuarmos que as academias
atuação profissional dependerá de um conjunto de ginástica ocupam importante espaço na atual
diversificado de fatores, que serão substanciais em estrutura do mercado de trabalho da nossa área.
sua trajetória profissional. Tais aspectos incluem: Existem diversificadas atividades que podem ser
as experiências que você teve com a área antes de desenvolvidas nesse ambiente pelo profissional de
entrar no curso de graduação, se suas aulas de Edu- Educação Física.
cação Física escolar foram significativas ou não, se Essa realidade apresenta relação direta com o
você foi atleta, se você tem pessoas na família que estilo de vida da sociedade contemporânea, caracte-
apresentam vínculo com à área, dentre outras; de- rizado pelo sedentarismo, estresse, alimentação ina-
penderá também dos conhecimentos adquiridos na dequada, consumos de cigarro e álcool, dentre ou-
sua graduação e das vivências propiciadas nas dis- tros fatores, causando inúmeros malefícios à vida da
ciplinas e nos estágios supervisionados; bem como população. Esse quadro, associado à disseminação
das oportunidades que surgirão no decorrer de todo pelos meios midiáticos da importância da promoção
esse processo. da saúde, tem levado as pessoas à busca – por meio
da prática de exercícios físicos e da adequação dos
hábitos alimentares – pela diminuição desses male-
fícios e melhora da qualidade de vida (SABA, 2006).
A estética é fator igualmente influente, que mo-
tiva as pessoas a buscarem, nas academias de ginás-
tica, o acompanhamento profissional para a prática
de exercícios físicos. Outros fatores têm se tornado
influentes, como: as melhoras do desempenho e do
condicionamento físico, a sociabilidade, o lazer, a di-
minuição do estresse, dentre outros. Os profissionais
podem trabalhar com a prescrição e a orientação de
Figura 7 – Campo de trabalho com idosos exercícios de musculação, com fitness, aulas de dan-
ça, lutas, natação, além de outras modalidades.
A inserção do egresso no campo de intervenção e É evidente a vertiginosa expansão das academias
as possibilidades de construção da carreira profis- de ginástica no Brasil, notadamente nos centros ur-
sional são pontos que não podem passar desper- banos. Pesquisa realizada por Bertevello (2006)
cebidos na formação. Por isso, discutiremos, neste indicou que as academias no Brasil agregaram 140
momento da disciplina, algumas possibilidades de mil empregos diretos e comportaram 3,4 milhões
inserção do egresso no mercado de trabalho em de usuários. Posteriormente, dados divulgados pelo
Educação Física. Conselho Federal de Educação Física no ano de

47
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

O TREINAMENTO PERSONALIZADO

2010 apontam o país como o segundo maior merca- Outra alternativa emergente no campo de atuação
do mundial de academias, atrás apenas dos Estados da nossa área é o serviço prestado pelo personal trai-
Unidos, líder mundial nesse segmento. ner, profissional que atende de forma individualiza-
da a seus clientes. Temos observado que o número
de pessoas que buscam esse serviço tem aumentado
a cada ano no país, motivadas pelo desejo de alcan-
çar os objetivos estabelecidos rápida e eficazmente.
Esse grupo de pessoas busca melhorias sobretudo,
na saúde, na estética, no condicionamento físico, na
reabilitação e na performance.
Já sabemos que o mercado de trabalho em Edu-
cação Física tem se modificado intensamente e se
adaptado às complexas demandas da sociedade vi-
gente. De acordo com Bossle (2008), a partir do mo-
Figura 8 – Academia de ginástica mento em que os meios de comunicação colocam
em evidência a atividade física orientada e indivi-
De forma complementar, Aguiar (2007) aponta que dualizada, emerge o profissional considerado espe-
as academias de ginástica são empresas que prestam cialista em forma física, conhecido como personal
serviços especializados à população e se tornaram, trainer ou treinador personalizado. Tratando desse
nos últimos anos, as principais alternativas para o novo paradigma de intervenção profissional, a auto-
expressivo número de pessoas que vivem nas cida- ra afirma que “[...] esta perspectiva parece ter agre-
des e buscam bem-estar e qualidade de vida. gado novos papéis às corriqueiras atividades exerci-
Com isso, atualmente, em várias partes do país, das pelo professor de Educação Física no segmento
as academias de ginástica são os principais locais que do Fitness” (BOSSLE, 2008, p. 187).
admitem estagiários e egressos bacharéis na área. Pes-
quisa realizada por Furtado e Santiago (2015) con- SAIBA MAIS
firma esse diagnóstico ao revelar que esse segmento
representara o espaço de maior inserção dos egressos Personal trainer é o nome atribuído ao pro-
da Faculdade de Educação Física e Dança, da Univer- fissional de Educação Física que atua com
sidade Federal de Goiás, que atuam com a saúde. a prescrição e a orientação de programas
de treinamento especializados. Já personal
Portanto, há um conjunto diversificado de ati- training é o nome atribuído ao treinamen-
vidades que podem ser desenvolvidas nesses locais to pessoal ou particular realizado por esse
e possibilitam inserção no campo profissional. É profissional.

válido conhecer mais sobre essas possibilidades de Fonte: as autoras.


trabalho.

48
EDUCAÇÃO FÍSICA

Pesquisa realizada por Anversa e Oliveira (2011) in- [...] atividade física desenvolvida com base em
dica que a tendência de mercado foi um dos prin- um programa particular, especial, que respeita
a individualidade biológica preparada e acom-
cipais motivos que levaram as empresas/clínicas a
panhada por profissional de Educação Física
ofertarem o serviço de personal trainer. Já os profis- realizada em horários preestabelecidos com fi-
sionais, buscaram a inserção nesse mercado como nalidade estética, de reabilitação, de treinamen-
forma de obter maior status profissional e melhor to ou de manutenção de saúde.
remuneração, além de terem condições para tra-
balhar de forma individualizada com seus clientes. O profissional que trabalha com atendimento persona-
Bossle (2008) destaca que esse profissional oferece lizado precisa desenvolver competências que o qualifi-
atividades físicas voltadas para a qualidade de vida quem a diagnosticar, de forma precisa, o perfil, as difi-
e o alto rendimento, o qual, por meio de programas culdades, as necessidades, os objetivos e as expectativas
de treinamento para o indivíduo, é capaz de pro- daqueles que buscam esse tipo de prestação de serviço.
porcionar acompanhamento com sustentação teó-
rico-prática no desenvolvimento de suas propostas SAIBA MAIS
interventivas.
O atendimento individualizado pode ser ofer- Na sociedade Grega antiga era possível en-
tado em diferentes locais pelo profissional, tais contrar a atividade física personalizada. Nesse
como: academias de ginástica, condomínios, clubes, período, os soldados eram treinados por seus
comandantes para as batalhas, contando com
parques etc. É possível trabalhar com musculação, caminhadas e corridas. As atividades eram
corrida, treinamento funcional, lutas, dentre outras baseadas em experiências empíricas, ou seja,
atividades. não contavam com métodos especializados
baseados em conhecimentos científicos. Com
o passar do tempo, surgiram métodos especí-
ficos para o desenvolvimento da performance
centrada em objetivos individualizados.
Fonte: adaptado de Deliberador (1998).

Ao entrevistarem gestores, visando identificar as


competências demandadas nesse campo de atuação
profissional, Anversa e Oliveira (2011) destacam
que a qualificação do personal trainer demanda do-
mínio sobre os conhecimentos pertinentes à ativida-
Figura 9 – Personal trainer de física, com destaque para a formação continuada.
Além disso, o relacionamento interpessoal, o perfil
Encontramos em Domingues Filho (2015, p. 19) motivador e proativo, a ética profissional e a noção
uma caracterização do treinamento personalizado. de administração e de marketing pessoal foram atri-
Nas palavras do autor, trata-se de butos considerados pelos gestores entrevistados.

49
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Além dos aspectos expostos sobre esse profissio- participação ou de performance). No entanto, é
nal e as possibilidades de atuação, é importante men- imprescindível que, “o treinador tenha plena cons-
cionar que os futuros profissionais que se interessam ciência dos diferentes públicos que vai liderar” (RE-
por esse nicho do mercado, deverão preparar-se para SENDE; GILBERT, 2016, p. 34). Além do mais, é
desenvolver programas de intervenção cientifica- essencial que a preparação dos treinadores esteja
mente fundamentados, que se iniciam com a ava- vinculada às necessidades específicas do seu contex-
liação diagnóstica do seu cliente, desenvolvem-se na to de intervenção (MILISTETD, 2015).
prescrição e na orientação do treinamento proposto Nesse sentido, considera-se que o treinador
e finalizam com a avaliação dos resultados obtidos. esportivo é fundamental no âmbito do desporto,
é o principal responsável pelo desenvolvimento
O TREINAMENTO ESPORTIVO dos atletas. Também é indispensável proporcionar
experiências positivas que colaborem para que o
Outro importante campo de trabalho na área da jovem assuma um estilo de vida ativo no futuro,
Educação Física está vinculado ao âmbito do trei- mesmo quando não estiver mais participando da
namento esportivo. De acordo Egerland (2009), a vida esportiva. Para tornar-se um treinador eficaz, é
profissão de treinador se encontra em plena expan- necessário adquirir rol de competências fundamen-
são, devido à ênfase que o esporte tem ganhado na tadas em conhecimentos, o que solicita tempo, mo-
sociedade atual, associada à adoção do estilo de vida tivação, aplicação e prática suficientes (RESENDE;
mais ativo. GILBERT, 2016).
Vale destacar que as duas principais ocupações
do treinador se vinculam ao âmbito da iniciação
esportiva (desporto participação) e do alto rendi-
mento (desporto performance). O primeiro tem
como prioridade trabalhar aspectos relacionados ao
desenvolvimento de habilidades e à promoção do
estilo de vida saudável. Valores como ludicidade, di-
vertimento, prazer e prática desinteressada deverão
ser considerados. Já o segundo, privilegia o desen-
volvimento de competências que serão mobilizadas
em contextos competitivos – aqui, devem prevalecer
valores como esforço, disciplina, comprometimento,
responsabilidade, vitória, derrota, seleção e rendi-
mento (RESENDE; GILBERT, 2016; RODRIGUES,
PAES E SOUZA-NETO, 2016).
É importante enfatizar a necessidade de reco-
nhecer que os treinadores podem trabalhar simul-
taneamente entre as duas ocupações (desporto de Figura 10 – Técnico de basquetebol

50
EDUCAÇÃO FÍSICA

A SAÚDE PÚBLICA

Recentemente, a saúde pública se tornou um dos


Estudos têm demonstrado que o processo de apren- possíveis campos de atuação para o profissional de
dizagem do treinador esportivo ao longo da sua car- Educação Física. O trabalho, nesse campo, ganha
reira é influenciado por fontes diversificadas de co- espaço a partir do momento em que as ações in-
nhecimento, as quais consideram as aprendizagens terventivas do setor público de atenção em saúde
no contexto formal, não formal e informal. enfatizam a sua promoção.
O contexto formal é propiciado por espaços edu- É válido destacar que o Sistema Único de Saúde
cacionais institucionalizados, que certificam a partir (SUS) foi criado em 1990, apresentando novas pers-
de currículos padronizados. No caso do Brasil, dis- pectivas para a saúde pública, com destaque para
pomos do curso de bacharelado em Educação Físi- a tentativa de avançar ao modelo que preconizava
ca. A aprendizagem no contexto não formal ocorre ações direcionadas à cura de enfermidades, para
em atividades organizadas de forma sistemática, em um modelo que prioriza a prevenção de doenças e a
curto período de tempo, como em cursos, palestras, promoção da saúde. Em 1994 foi criado o Programa
conferências, dentre outras. A aprendizagem no Saúde da Família (PSF), que apresentava a família
contexto informal é propiciada fora de instituições como foco principal, tendo como objetivo, também,
de ensino, a partir da aquisição de conhecimentos, a promoção da saúde. Devido a questões estruturais,
de habilidades, de valores e de atitudes, aprendidos o PSF foi alterado para o programa Estratégia Saú-
por experiências ao longo da vida, como pesquisas de da Família (ESF) (FLORINDO, 2009; SOUZA;
na internet, em livros, em artigos científicos etc. LOCH, 2011; RODRIGUES et al., 2013).
(RESENDE; GILBERT, 2016; RODRIGUES, PAES E Para suprir a demanda de atenção básica à saú-
SOUZA-NETO, 2016). de, o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)
É válido saber que a formação continuada foi criado em 2008, com a perspectiva de unir profis-
para treinadores esportivos no Brasil tem sido sionais de diferentes áreas do conhecimento, como
ofertada pelas confederações esportivas e, também, médicos, assistentes sociais, nutricionistas, fisiote-
pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). A rapeutas, profissionais de Educação Física, médicos
partir de 2012, o COB, por meio do Instituto ginecologistas, psicólogos, médicos psiquiatras, mé-
Olímpico Brasileiro, criou a Academia Brasileira dicos homeopatas, farmacêuticos, fonoaudiólogos,
de Treinadores, instituição que tem como acupunturistas, médicos pediatras e terapeutas ocu-
propósito complementar a formação profissional pacionais, a fim de proporcionar atendimento am-
de treinadores esportivos (RODRIGUES, PAES E plo e qualificado, melhorando à saúde pública (AL-
SOUZA-NETO, 2016). MEIDA; MISHIMA, 2001; AZEVEDO et al., 2017;
Conforme estudamos, a nossa área está em expan- SOUZA; LOCH, 2011).
são. Hoje, contamos com diversificados tipos de inser- Tais programas se destacam, pois, ao organiza-
ção no mercado de trabalho. O âmbito do treinamen- rem ações estratégicas para a prevenção de doenças,
to esportivo é uma possibilidade, de fato, relevante! não apresentarem custo elevado, quando são estru-

51
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Dentre as estratégias de promoção e prevenção


turados adequadamente, reduzem os gastos públicos de saúde a prática de atividades físicas tem sido
com a saúde pública. Nessa direção, Azevedo et al. referida como uma das ações importante nesse
(2017, p. 17) ressaltam que “[...] a disseminação da processo. Neste sentido, uma das áreas que pas-
prática habitual de atividades físicas orientadas por sou a ter a possibilidade de inserção no NASF
foi a Educação Física. Entretanto, na mesma
profissionais de Educação Física contribui decisiva- medida que isto representa importante con-
mente para a saúde pública, levando à redução dos quista para a área, não se pode perder de vis-
gastos com tratamentos e internações hospitalares”. ta as possíveis dificuldades encontradas pelos
As ações buscam suprir as necessidades de parcela profissionais recentemente inseridos, haja vista
que de algum modo, estes são pioneiros e apre-
significativa da população, que não possui acesso a
sentam um papel histórico importante para a
programas voltados para a promoção da saúde e que consolidação da área neste novo e importante
promovam a adoção de estilo de vida mais ativo. As- contexto.
sim, a prática orientada de exercícios físicos se des-
taca cada vez mais. Como podemos notar, trata-se de campo de traba-
Convém observar que esse novo modo de pensar lho possível e relevante para o profissional, que é re-
e de intervir na saúde pública requer que a interven- lativamente novo e se encontra em desenvolvimen-
ção profissional, no âmbito da Educação Física, seja to. Assim como os demais campos, requer atuação
repensada e readequada. Por isso mesmo, é indis- satisfatória e competente, que contemple o diagnós-
pensável que o profissional tenha um olhar centra- tico preciso das pessoas que procuram esse tipo de
do nas pessoas, o que vai muito além de considerar atendimento.
apenas os aspectos biológicos dos sujeitos (ANJOS; Ao discorrer sobre a inserção do profissional
DUARTE, 2009). de Educação Física no NASF, pesquisa desenvolvi-
Dessa forma, o processo formativo estritamen- da por Santos (2012). apontou para a representati-
te vinculado aos aspectos biomédicos é insuficien- vidade desse profissional nas equipes existentes no
te, pois o profissional que atuará nesse espaço de Brasil. O estudo revelou que a Educação Física se
trabalho precisa ter clareza de que os hábitos e as encontrava entre as cinco profissões que mais se des-
condições de vida das pessoas impactam sobre- tacavam no NASF, com a presença do profissional
maneira no processo saúde-doença (AKERMAN; da área em 49,2% dos programas instituídos no país.
FEUERWERKER, 2006). Dessa forma, a sensibili- Os estados do Acre e do Paraná se sobressaíram,
dade do profissional para lidar com o público-alvo, apresentando proporções superiores a 75%. Na se-
bem como o trabalho integrado com outras áreas do quência, estão os estados do Tocantins, com 69,2%,
conhecimento, em equipes multiprofissionais, cola- do Ceará, com 68,9%, da Paraíba, com 62,5%, e de
borará para o atendimento efetivo no contexto da Alagoas, com 61,8%.
saúde pública. Além disso, Rodrigues et al. (2013) pontuam
Sobre o tratamento especificamente da Educa- que a inserção do profissional de Educação Física na
ção Física e o papel do profissional inserido na re- atenção básica à saúde é ação estratégia para viabi-
alidade da saúde pública, Souza e Loch (2011. p. 6) lizar a prática de atividade física para a população,
apresentam importante diagnóstico:

52
EDUCAÇÃO FÍSICA

com vistas a minimizar os problemas causados pelo características dos indivíduos, considerando as ne-
sedentarismo. É oportuno mencionar que o CON- cessidades, as aspirações e os objetivos, bem como a
FEF organizou uma comissão de trabalho formada aptidão física, a capacidade cardiorrespiratória e as
por docentes e pesquisadores, para a elaboração limitações individuais de cada um, tendo em vista
de orientações relativas às condutas e aos métodos potencializar os resultados do trabalho desenvolvi-
empregados pelo profissional de Educação Física na do (AZEVEDO et al., 2017).
orientação de atividades e de exercícios físicos, no Sendo assim, a partir do panorama exposto,
tocante à atenção básica à saúde, apresentada como destacamos a relevância de você, caro(a) aluno(a),
objetivo de ampliação e de aprimoramento do exer- considerar a possibilidade de inserção profissional
cício profissional, para o atendimento à sociedade. no contexto da saúde pública. Apresentamos, para
Tratando da intervenção do profissional de Edu- isso, o cenário de algumas das possibilidades exis-
cação Física no Programa Saúde da Família (PSF), o tentes no contexto da intervenção dos bacharéis em
referido documento esclarece que esse profissional Educação Física.
poderá orientar sobre Desejamos que você possa ampliar o leque de
expectativas de sua futura atuação e do desenvolvi-
[...] a importância de hábitos de vida ativa, mento de sua carreira profissional.
quanto promover e estimular a adoção de um
estilo de vida ativo, contribuindo para minimi-
zar os riscos de doenças crônicas não transmis-
síveis e os agravos delas decorrentes (AZEVE-
DO et al., 2017, p. 23).

Dessa forma, faz parte das atribuições direcionadas


ao profissional de Educação Física na intervenção
junto ao NASF, o desenvolvimento de intervenções
que colaborem para a melhoria da qualidade de vida
da população; a efetivação do trabalho que impacte
positivamente na diminuição dos danos acarretados
pelas doenças não transmissíveis, e que possa, ainda,
reduzir o consumo de medicamentos. Esse conjunto
de ações estratégicas apresenta como principal meta
a prevenção e a promoção da saúde por meio da
orientação de atividades e de exercícios físicos sis-
tematizados.
Além do mais, cabe destacar que, quanto aos
procedimentos técnicos, o profissional de Educação
Física deve adaptar seu programa de intervenção às

53
considerações finais

Caro(a) aluno(a), nesta unidade, tratamos sobre como os campos de atuação da


Educação Física se expandiram nas últimas décadas e sobre o conjunto de de-
safios e de expectativas com relação à profissão nesta área, além de alguns dos
campos mais evidentes.
Ao discutirmos acerca das possibilidades de atuação, vimos que é emer-
gente a busca por profissionais qualificados que orientem a prática de ati-
vidades físicas e de esportes, devido ao destaque destes temas na socieda-
de como um todo. Assim, a demanda por profissionais qualificados para
atender às áreas em espaços privados ou públicos também se intensificou e,
consequentemente, as expectativas quanto à intervenção desses profissionais.
É possível observar que o destaque recebido por estes se tornou desafio para a va-
lorização no mercado de trabalho, pois eles devem ser qualificados, competentes
e habilidosos, de forma a suprir a procura da prestação de serviços nas diferentes
áreas. Devemos dispor de conhecimentos que abrangem a Educação Física como
um todo, além dos específicos inerentes à área escolhida.
As academias de ginástica compreendem os principais locais de trabalho dos
profissionais da área, em que diversas atividades podem ser desenvolvidas. A atu-
ação como personal trainer requer conhecimentos especializados, o atendimento
pode ocorrer com públicos e atividades diferenciadas, desde a prescrição de exer-
cícios ao alto rendimento. O ofício de treinador se configura como campo que
engloba muitos profissionais, pois exige conjunto diferenciado de conhecimen-
tos, a exemplo do desenvolvimento dos atletas. A saúde pública também ganha
representatividade e expõe particularidades que requerem atenção e empenho
dos profissionais.
Finalizamos enfatizando a relevância da ampliação de seus conhecimentos
continuamente, para que possa preparar-se para enfrentar os desafios do merca-
do de trabalho. Sendo assim, esperamos que você tenha extraído o máximo de
informações deste encontro. Até a próxima unidade!

54
atividades de estudo

1. De fato, o mundo do trabalho se modificou am- c) Os profissionais devem ser preparados para
plamente nas últimas décadas. Nesse novo con- atuar, especialmente com atividades divulga-
texto, muitas pessoas assumem a condição de das pela mídia, uma vez que, essencialmente,
profissionais liberais, sendo empreendedores trabalhará com esses serviços.
que ofertam serviços especializados à sociedade d) Nos cursos de graduação, os bacharéis devem
(ANVERSA, 2011). aprender prioritariamente sobre as práticas
mais atuais utilizadas em academias, como o
Considerando os apontamentos da autora, liste três
treinamento funcional, pois são importantes
atributos a serem desenvolvidos pelos profissionais
para sua atuação.
na realidade vigente.
e) Devido à dinamicidade e à complexidade da
2. Estudamos que os campos de atuação dos ba- área de atuação, os profissionais devem estar
charéis em Educação Física são diversificados. qualificados para a intervenção nos campos da
Uma possibilidade de trabalho emergente é o prevenção, da promoção, da proteção e da re-
serviço prestado pelo personal trainer. Sendo as- abilitação da saúde.
sim, discorra sobre algumas especificidades do
trabalho desenvolvido por este profissional. 5. A profissão de treinador esportivo se encontra
em expansão, no entanto, os treinadores têm
3. Devido à expansão da área de atuação em Edu- papel fundamental no desenvolvimento de seus
cação Física, alguns desafios também são emer- atletas. Por isso, devem estar preparados para
gentes, dentre eles o de obter os conhecimentos proporcionar experiências positivas e eficazes.
necessários e saber atuar para atender às neces- Com relação à atuação do treinador esportivo,
sidades dos clientes/alunos e atletas. Portanto, verifique as proposições a seguir e responda:
a preparação profissional é de extrema impor-
I - É essencial que o treinador conheça o públi-
tância. Considerando o exposto, discorra sobre co com o qual trabalhará, as necessidades
quais conhecimentos são necessários para que de seu contexto de intervenção e o nível dos
estes profissionais possam melhorar sua atua- atletas (iniciação ou alto rendimento).
ção enfrentando, assim, os desafios.
II - A experiência prévia do treinador com a mo-
4. Com a ampliação e a diversificação do campo de dalidade deve ser levada em consideração.
atuação da Educação Física, o papel do profis- Assim, quanto maior a experiência, menor a
sional se modificou, uma vez que as exigências necessidade de atualização do profissional.
e as expectativas se elevaram. Nesse sentido, é III - Atualmente, o Comitê Olímpico Brasileiro
imprescindível que estejam qualificados para (COB) tem oferecido cursos de formação con-
atender às demandas do mercado de trabalho. tinuada, de modo a incentivar que os treina-
Com relação ao mercado de trabalho e às suas dores busquem novos conhecimentos a fim
demandas, é correto o que se afirma em: de melhorar sua atuação profissional.
a) Os cursos devem preparar os profissionais de
Estão corretas as alternativas:
Educação Física para atuações relacionadas à
orientação de atividades físicas e ao treinamen- a) I.
to esportivo, visto que são áreas de destaque. b) II.
b) Os profissionais devem estar preparados para c) I e III.
atuar tanto como autônomos quanto em insti-
d) II e III.
tuições, órgãos públicos e/ou privados, com as
respectivas áreas de intervenção da profissão. e) I, II e III.

55
LEITURA
COMPLEMENTAR

A compreensão sobre a complexidade própria das rela- A reestruturação do mundo do trabalho, fruto, sobretu-
ções de trabalho e a construção da carreira é algo novo do, do impacto da tecnologia e da competição entre os
para o profissional de Educação Física e para a própria mercados, criou uma nova ordem, favorecendo a flexibi-
área. Os aspectos que podem interferir nas condições lização dos contratos de trabalho, ocasionando, contu-
de facilitação ou de obstrução da carreira do profissional do, a perda das conquistas sociais. É neste cenário que o
precisam fazer parte da agenda dos estudiosos da área. profissional, de modo geral, e o de Educação Física, em
Encontramo-nos em um momento no qual se começa a particular, encontra ou não condições que lhe permitam
abrir espaços para o estabelecimento de estudos e de a construção de sua carreira.
discussões sobre quais devem ser as principais carac- Esse profissional de Educação Física, que se apresenta,
terísticas que poderiam definir as diferentes ações dos muitas vezes, sem a consciência suficientemente clara a
profissionais, sobre como essa profissão pode apre- respeito das diversas forças que sobre ele atuam, define
sentar-se acadêmica e cientificamente sustentada, e metas e opta por estratégias que podem ou não permitir
sobre como e o que define uma profissão socialmente que atinja os objetivos desejados. Visando ocupar legiti-
reconhecida. mamente seu espaço no mundo do trabalho, não pode
Concomitantemente a toda essa situação anteriormen- estar alheio às condições materiais, sociais e simbólicas
te exposta, é preciso que se considere que estamos vi- que estruturam uma profissão.
vendo um momento de profundas mudanças no mundo Fonte: adaptado de Verenguer (2003).
do trabalho e nas relações que nele se estabelecem. Por
ser algo relativamente recente, não temos condições de
apresentar considerações universais.
O trabalho, para o profissional, além de ser meio de sus-
tento e de sobrevivência representa, também, a possibi-
lidade da realização de projetos e a construção da sua
identidade pessoal. Os sentimentos contraditórios que
suscita estão relacionados à própria origem e remontam
à Antiguidade. A partir do século XIX, com o surgimento
do capitalismo, as relações entre o capital e o trabalho
sofreram várias transformações. O taylorismo e o fordis-
mo proporcionaram a explosão da produção e o Estado
foi chamado para garantir o consumo por meio da políti-
ca do Welfare State.

56
material complementar

Indicação para Ler

Construção da identidade profissional em educação física: da for-


mação à intervenção
Juarez Vieira do Nascimento e Gelcemar Oliveira Farias
Editora: UDESC
Ano: 2012
Sinopse: esse livro foi publicado a partir das discussões apresentadas no II Con-
gresso Internacional de Formação Profissional em Educação Física e no VI Seminá-
rio de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Físi-
ca. É de grande relevância principalmente por reunir as contribuições de diferentes
especialistas nacionais e internacionais, além de contemplar várias concepções de
formação profissional. O livro é dividido em seis eixos temáticos: Construção da
identidade profissional em Educação Física; Desafios dos estágios na formação
inicial em Educação Física; Desafios das práticas pedagógicas na formação inicial
em Educação Física; Conhecimentos para formação e intervenção profissional em
Educação Física; Formação inicial e intervenção profissional em Educação Física e;
As Redes de Pesquisa e Associações de Ensino e a formação em Educação Física.

Indicação para Ler

Formação e saberes em desporto, educação física e lazer


Rui Resende, Alberto Albuquerque, A. Rui Gomes (orgs.)
Editora: Vozes
Ano: 2016
Sinopse: tendo por base os dilemas e os desafios presentes na área da formação
profissional de técnicos desportivos e professores, este livro reuniu pesquisado-
res de diferentes áreas no sentido de refletir sobre a formação e os saberes des-
ses profissionais no exercício da atuação.

57
referências

AGUIAR, F. A. Análise da satisfação dos clientes das academias de ginástica da


cidade de João Pessoa (PB). 2007. 174 f. Dissertação (Mestrado em Administra-
ção) – Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Federal da
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ro trabalhar: que oportunidades o Sistema de Saúde me oferece na Saúde Coleti-
va? Onde posso atuar e que competências preciso desenvolver? In: CAMPOS, G.
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ALMEIDA, M. C. P.; MISHIMA, S. M. O desafio do trabalho em equipe na aten-
ção à saúde da família: construindo novas autonomias no trabalho. Revista Inter-
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mília: formação e atuação profissional. Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro,
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ANTUNES, A. C. Mercado de trabalho e educação física: aspectos da preparação
profissional. Revista de Educação, Anhanguera, v. 10, n. 10, p. 141-149. 2007.
ANVERSA, A. L. B. A formação acadêmica do bacharel em Educação Física no
Paraná e sua relação com o campo de atuação profissional. 2011. 109 f. Disserta-
ção (Mestrado em Educação Física) – Centro de Ciências da Saúde, Universidade
Estadual de Maringá, Universidade Estadual de Londrina, Maringá, 2011.
ANVERSA, A. L. B.; OLIVEIRA, A. A. B. O. Personal Trainer: competências pro-
fissionais demandadas pelo mercado de trabalho. Revista Pensar a Prática, Goi-
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ANZOLIN, A. A. A formação do bacharel em educação física e o campo de in-
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cação Física) – Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual de Maringá,
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retrizes Curriculares Nacionais do curso de graduação em Educação Física.
Brasília: D. O. U., 2011. Disponível em http://portal.mec.gov.br/index.php?op-
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referências

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241 f. Tese (Doutorado em Educação Física) – Centro de Ciências da Saúde, Uni-
versidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.
SORIANO, J. B.; WINTERSTEIN, P. J. A constituição da intervenção profissional
em educação física: interações entre o conhecimento “formalizado” e as estraté-
gias de ação. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, v. 18, n.
4, p. 315-332, out.dez. 2004.
SOUZA, S.C; LOCH, M.R. Intervenção do profissional de educação física nos
Núcleos de Apoio à Saúde da Família em municípios do norte do Paraná. Revista
Brasileira de Atividade Física e Saúde, v. 16, n. 1, p. 5-10. 2011.
VERENGUER, R. C. G. Mercado de trabalho em Educação Física: significado
da intervenção profissional à luz das relações de trabalho e da construção de uma
carreira. 2003. 156 f. Tese (Doutorado em Educação Física) – Centro de Ciências
da Saúde, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.

60
gabarito

1. Dentre os atributos apontados pela autora, podemos destacar a criatividade,


a liderança e a formação continuada do profissional.
2. Trata-se de um profissional que sistematiza programas de treinamento indi-
vidualizado com focos específicos, como o condicionamento físico, o ganho
de força, a perda de peso, dentre outros. Os programas devem ser condi-
zentes com o perfil, os objetivos, as necessidades e as limitações dos alunos.
3. Para a atuação profissional é essencial que obtenham conhecimentos pro-
fissionais e científicos, apropriados ao espaço e ao campo de atuação, para
que sejam capazes de atender às demandas e às problemáticas inerentes à
profissão, escolhendo as estratégias corretas para cada situação.
4. B.
5. C.

61
COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS

Professora Profa. Dra. Fabiane Castilho Teixeira


Professora Me. Isabella Caroline Belem

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Conceito de competência profissional e sua importância
para o exercício da profissão
• Competência profissional no âmbito da orientação de
exercícios físicos
• Competência profissional no âmbito do treinamento
esportivo

Objetivos de Aprendizagem
• Compreender o que é a competência profissional e qual a
sua importância para o exercício da profissão.
• Conceber quais as competências necessárias para a
atuação profissional com a orientação de exercícios físicos.
• Entender quais as competências necessárias para a
atuação profissional no âmbito do treinamento esportivo.
unidade

III
INTRODUÇÃO

C
aro(a) aluno(a), ao estudar as unidades anteriores, percebemos
que o mercado de trabalho requer cada vez mais profissionais
qualificados e prontos para desempenhar diversas funções.
Ademais, as mudanças na configuração de nossa sociedade têm
constituído novas áreas de atuação no âmbito da Educação Física. Sendo
assim, é fundamental que os profissionais desenvolvam rol de habilidades
profissionais, a fim de atender as demandas do contexto profissional e é
sobre este tema que trataremos nesta unidade.
O profissional competente é aquele que possui uma série de conheci-
mentos, habilidades e atitudes mobilizadas para o exercício da profissão.
As competências são elaboradas por componentes diversos, tais como,
funcional, pessoal ou comportamental, cognitiva e ética. Destacamos que
cada área de atuação profissional requer a utilização de conjunto variado
destas competências, para que seja capaz de realizar intervenção apro-
priada. Assim, esta unidade tem como foco apresentar os elementos rela-
cionados à competência profissional, bem como conceitos relevantes ao
entendimento desta temática.
Os conteúdos expostos estão organizados da seguinte forma: a pri-
meira parte aborda o modelo explicativo de competência profissional,
as principais definições deste construto e sua importância para a atua-
ção profissional; na sequência tratamos dos elementos específicos (co-
nhecimentos, habilidades e atitudes). Na segunda parte são explanadas
as capacidades relacionadas à atuação profissional no contexto da
orientação de exercícios físicos e do treinamento esportivo.
É importante que você, futuro(a) profissional, compreenda o signifi-
cado e a relevância do desenvolvimento de seu know-how, e que busque o
aperfeiçoamento, para que possa atuar de maneira adequada e satisfatória
no exercício da profissão. Bons estudos!
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Dimensões da Competência
Profissional
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade III, esperado do ofício (BERGAMINI, 2012). Estudar
em que trataremos sobre a competência profissio- sobre essa temática permite que você reflita sobre
nal. Este conceito tem sido estudado nas mais dife- como tornar-se melhor no campo de atuação que
rentes áreas e em diversas profissões, além de estar escolher, e sobre como pode desenvolver suas ca-
relacionado ao desempenho dos profissionais, no racterísticas e ser capaz de tomar as decisões corre-
sentido de que a competência leva ao desempenho tas ao longo de sua carreira.

66
EDUCAÇÃO FÍSICA

CONCEITO DE COMPETÊNCIA PROFISSIONAL E SUA IMPORTÂN-


CIA PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO

COMPETÊNCIA
EXPERIÊNCIA CONHECIMENTO HABILIDADES COMPORTAMENTO DESEMPENHO METAS

Devido à dinamicidade da área da Educação Física, da flexibilidade profissional, além do viés da qualifi-
à disseminação de conhecimentos, à descoberta de cação (LE BOTERF, 2003).
novos conhecimentos e às mudanças tecnológicas A competência profissional pode ser definida
pelas quais temos passado, novas áreas de atuação como “um conjunto diversificado de conhecimen-
têm surgido, e as já existentes exigem que os pro- tos da profissão, de esquemas de ação e de postu-
fissionais se adequem e desenvolvam competências ras que são mobilizados no exercício do ofício”
para executá-las da melhor maneira possível (AN- (PAQUAY, 2008, p. 12). Durante a formação ini-
TUNES, 2007). Durante a formação inicial, muitas cial, essas competências são desenvolvidas, uma
competências precisam ser desenvolvidas mediante vez que os conhecimentos científicos específicos
a especificidade da formação, sobretudo as que es- adquiridos da área darão suportes teórico e práti-
tão relacionadas ao exercício das atividades profis- co para a atuação profissional (ANTUNES, 2007).
sionais (FARIAS et al., 2012). Para entender como os profissionais adquirem
As pesquisas sobre essa temática, realizadas na e mantêm sua competência profissional, diver-
década de 70, descreviam a competência profissio- sos estudos têm sido desenvolvidos, consequen-
nal somente pela ótica da qualificação, e eram ini- temente, diversos modelos foram apresentados.
ciais acerca do tema. No entanto, estudos voltados à Um dos mais utilizados para diversas áreas profis-
análise da competência profissional ganharam des- sionais é o de Cheetham e Chivers (1996). Neste
taque a partir da década de 80. A partir de diversas modelo (Figura 1) são descritos quatro compo-
pesquisas, verificou-se que a competência também nentes chaves quanto à competência profissional
deve ser analisada a partir da relação com a gestão e se referem à:

67
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

COMPONENTES CHAVES DA
COMPETÊNCIA PROFISSIONAL
de Cheetham e Chivers

Conhecimento
Competência funcional
/competência cognitiva

conhecimento adequado eficácia na realização de


a sua aplicação no trabalho tarefas no trabalho, de
e a habilidade de aplicá-lo. modo a produzir bons
resultados.

Competência pessoal Valores/competência


ou comportamental ética

apresentar comportamentos valores pessoais e profissionais


adequados nas situações que possibilitam um bom
experienciadas no trabalho. julgamento nas situações
de trabalho.

Figura 1 – Componentes da Competência Profissional


Fonte: adaptada de Cheethan e Chivers (1998).

68
EDUCAÇÃO FÍSICA

Observe na Figura 2 - Modelo de competência profissional

Am
lho bie
traba nte
o de t
od rab
ntext Personalidade Motivação alho
Co
Metacompetência/transcopetência
Comunicação, criatividade, resolução de problemas, aprendizagem,
autodesenvolvimento, agilidade mental, análise

Conhecimento/ Pessoal/ Valores/


Competência
Competência Compentência Competência
Funcional
cognitiva Comportamental Ética

Técnico/Teórico/ Ocupação
Social/Profissional Pessoal
Especialista específca

Processo/
Conhecimento
Organizacional/ Intraprofissional Profissional
tácito prático
Gestão
Conhecimento
Mental
Processual
Conhecimento
Físico
contextual

Aplicação do
conhecimento
Competência Profissional
Resultado (Macro/Parcial)
Observado Feed- back
Observado
Percebido
Por outros
Por si

Reflexão

Figura 2 – Modelo de Competência Profissional


Fonte: adaptada de Cheethan e Chivers (1998).

Os elementos estão relacionados à diversidade de reflexão. As metacompetências apresentadas pare-


metacompetências, que, por sua vez, levam ao de- cem ser aplicáveis na maioria das profissões, uma vez
senvolvimento de outras competências, tais como: que são transferíveis entre situações e tarefas diferen-
comunicação, autodesenvolvimento, criatividade, tes (CHEETHAM; CHIVERS 1996).
análise, resolução de problemas, agilidade mental e

69
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

SAIBA MAIS

Os autores apontam o impacto que a perso-


nalidade e a motivação podem exercer na
competência profissional. Devemos ressaltar
que a reflexão se constitui como “superme-
tacompetência” (grifo dos autores), visto que
permite às pessoas analisar, modificar e de-
senvolver competências que já possuem ou
estimular outras. As metacompetências e as
transcompetências apontadas no modelo,
em conjunto com os quatro componentes
centrais (competências cognitiva, funcional,
pessoal, ética e de valores) e seus referentes
elementos, interagem para produzir resulta-
dos globais da atividade profissional e das
atividades específicas. A percepção de resulta-
dos leva à reflexão, ligada a diversos aspectos
profissionais. Além de refletir sobre a ação
realizada, os profissionais se atentam, ainda,
ao o sentido da atividade, por meio da qual
modificam seu comportamento, melhorando
sua competência
Fonte: adaptado Godoy e D’Amelio (2012).

70
EDUCAÇÃO FÍSICA

Os resultados da competência profissional podem de em solucionar determinado problema, ou, ainda,


ser constatados pelo próprio sujeito, seus pares ou para a realização de tarefa específica. A competência
por meio do feedback. A percepção desses resulta- pressupõe a ação, ou seja, o profissional deve refletir
dos pode se dar de forma macro (resultados gerais e sobre a situação para ser capaz de intervir de maneira
a longo prazo da atividade profissional), micro (re- apropriada (PAQUAY, 2008). Como exemplo, temos
sultados de atividades específicas) e parcial (ativida- a prescrição de exercícios físicos; antes de realizá-la é
des parcialmente concluídas), o que parece levar o essencial que o profissional de Educação Física faça a
profissional a refletir sobre sua ação (CHEETHAM; avaliação prévia sobre os níveis de saúde e de aptidão
CHIVERS, 1998; PAIVA; MELO, 2008). física do indivíduo, pois essas informações embasa-
O modelo aponta também a influência e a im- rão o planejamento e a prescrição dos exercícios a se-
portância que o contexto e o ambiente de trabalho rem realizados, com aplicação adequada do volume e
exercem na competência profissional. O contexto está da intensidade do treinamento, a fim de atingir o ob-
relacionado a situações específicas, com as quais o pro- jetivo estabelecido. Nesse caso, quais as competências
fissional deve trabalhar; já o ambiente, corresponde utilizadas pelo especialista? Podemos citar a comuni-
aos aspectos físicos, culturais e sociais que permeiam o cação (entender qual o objetivo do aluno/cliente com
indivíduo em seu trabalho (CHEETHAM; CHIVERS, o treinamento, as expectativas e afinidades), a análise
1998; CHEETHAM; CHIVERS, 2000). Devemos lem- (analisar os aspectos de saúde e de aptidão física, os
brar que este é um modelo que pode ser aplicado a di- objetivos e quais os exercícios a serem realizados) e a
versas profissões, no entanto, há outras competências reflexão (considerar todos os aspectos e verificar qual
que são específicas para cada área de atuação. a melhor alternativa para a ação).
Nascimento (1999) aponta que a competência é Podemos observar que é necessário que os pro-
um conceito multidimensional e pode ser diferente fissionais desenvolvam gama diversificada de com-
de acordo com a fase de vida (infância ou vida adul- petências, para que obtenham sucesso na atuação e
ta). Para que o profissional tenha sucesso em suas na colocação no mercado de trabalho. É preciso que
atividades é preciso que utilize adequadamente os os profissionais aliem os conhecimentos (técnicos,
conhecimentos e as habilidades intrínsecos à atuação teóricos e práticos), as habilidades e as atitudes em
profissional. Dessa forma, a competência profissio- suas atividades, para que, então, agreguem valores
nal, no contexto da educação física e dos esportes, ao seu trabalho, tanto econômicos quanto sociais
pode ser definida como “conjunto de conhecimentos, (FLEURY; FLEURY, 2001).
habilidades e atitudes necessárias para uma atuação
profissional adequada” (NASCIMENTO, 1998, p. 87). REFLITA
Até o momento, tratamos a respeito do concei-
to de competência e como ele pode desenvolver-se No mercado de trabalho, obtém sucesso os
no âmbito da atuação; porém, qual a importância de profissionais que são qualificados. Quais as
suas competências e seus diferenciais? Você já
ser um profissional competente? Muitas vezes, en-
refletiu sobre as implicações da competência
tendemos o que significa ser um bom profissional em sua vida profissional?
e associamos esta ideia à qualificação e à capacida-

71
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

COMPETÊNCIAS PROFISSIONAIS EM Para que as competências sejam desenvolvidas


EDUCAÇÃO FÍSICA é essencial que, ao longo da formação, sejam opor-
tunizadas experiências que integrem teoria e práti-
ca, porque

[...] além do domínio dos conhecimentos espe-


cíficos para sua intervenção acadêmico-profis-
sional deve, necessariamente, compreender as
questões e as situações-problema envolvidas
no seu trabalho, identificando-as e resolvendo-
-as. Precisa demonstrar autonomia para tomar
decisões, bem como responsabilizar-se pelas
opções feitas e pelos efeitos da sua interven-
ção acadêmico-profissional. Precisa também
avaliar criticamente sua própria atuação e o
contexto em que atua, bem como interagir coo-
perativamente tanto com a comunidade acadê-
mico-profissional, quanto com a sociedade em
geral (BRASIL, 2011, p. 2-3).

Portanto, o profissional deve estar preparado para a


Com a criação do bacharelado em Educação Física intervenção em situações e em ambientes diversos,
foi aberto novo leque de possibilidades de atuação de modo a atender às demandas de sua profissão.
em áreas diversas relacionadas ao movimento huma- Nesse sentido, as competências fundamentais e
no. Nesse sentido, o profissional deve possuir conhe- necessárias para o exercício da profissão (BRASIL,
cimentos específicos e desenvolver competências e 2002, 2004, 2011; MARTINS, 2015) podem ser di-
habilidades específicas para sua atuação. Conforme vididas em dois grupos: as gerais e as específicas
o Parecer CNE/CES Nº 274, de 2011, o(a) gradu- (Figura 3). As competências gerais compreendem
ado(a) deve ter formação acadêmico-profissional conhecimentos que permitem ao profissional adap-
generalista, humanística, crítica, reflexiva e que qua- tar-se às circunstâncias e a ter visão geral das funções
lifique a intervenção, pautada no rigor científico e na que deve desenvolver, além disso, podem ajudá-lo a
conduta ética. Os Pareceres CNE/CES Nº 274/2011, obter bom desempenho em diversas atividades em
CNE/CES Nº 0058/2004 e CNE/CES Nº 0138/2002, sua profissão, desde que não necessitem de conheci-
além da apresentação do perfil profissional, tratam mentos próprios. Já as específicas englobam conhe-
das competências e das habilidades necessárias para cimentos pertinentes à ocupação exercida.
o desempenho das funções.

72
EDUCAÇÃO FÍSICA

COMPETÊNCIAS GERAIS E ESPECÍFICAS


DA FORMAÇÃO INICIAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

COMPETÊNCIAS

Competências Competências
Gerais Específicas

• Atenção à saúde • Estar apto a trabalhar com


• Tomada de decisões o Treinamento Esportivo
• Comunicação • Ser capacitado a trabalhar
• Liderança com a Preparação Física
• Planejamento,Supervisão, • Ser habilitado para a realização
e Gerenciamento de Avaliações Físicas
• Educação Continuada • Atuar com atividades
voltadas à Recreação e Lazer
• Orientar e prescrever
Atividades Físicas
• Estar qualificado para trabalhar com
Gestão em Educação Física e Esporte
• Saúde Pública
• Dominar os conhecimentos da área
• Participar de Equipes multiprofissionais
e interdisciplinares
• Realizar pesquisas e acompanhar
as publicações da área
• Utilizar recursos da tecnologia
da informação e da comunicação

73
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

A partir da Figura 3, podemos observar que as com- pondem à aquisição de conteúdos, que propiciam ao
petências estão relacionadas a ações desempenhadas profissional o domínio de determinado saber, a ca-
no decorrer do exercício profissional, bem como aos pacidade de tomar decisões e de resolver problemas
diversos campos de atuação. Devemos lembrar que pertinentes à atuação profissional (SAUPE, 2006).
cada uma das competências envolve diversas ações, O conhecimento está relacionado à especialização
em que o profissional deverá utilizar seus conheci- e à capacidade de transmiti-lo de modo eficaz. Pode
mentos técnicos e científicos, além de habilidades e ser subdivido em declarativo, processual e conheci-
de atitudes específicas (MARTINS, 2015). mento condicional, segundo Ennis (1994). Conheci-
mento declarativo é a informação que serve de base
REFLITA para o conhecimento disciplinar e, geralmente, está li-
gado a experiências anteriores; por exemplo: quando
Devido à recente criação do curso de bachare- um aluno, ao iniciar as práticas da disciplina de bas-
lado, poucos estudos foram realizados sobre quetebol em suas aulas da graduação, recorda-se do
as competências profissionais necessárias. que aprendeu durante as aulas do Ensino Médio e de
Além das citadas, quais mais você considera
importante? suas práticas, e, então, consegue realizar as atividades.
O conhecimento processual diz respeito sobre como
realizar a tarefa. Seguindo o exemplo anterior, duran-
te a aula, o professor solicita que seja realizada uma
CONHECIMENTOS PROFISSIONAIS bandeja; o aluno se recordará deste exercício devido à
sua experiência prévia e saberá realizá-lo. Já o conhe-
cimento condicional diz quando e em que situação
os conhecimentos declarativos e processuais devem
ser utilizados. Para encerrar o exemplo, imaginemos
que, ao fim da aula, o professor faça um jogo; duran-
te a prática, o aluno saberá qual o melhor momento
para realizar a jogada certa e conseguirá fazer a ban-
deja, marcando pontos para seu time (ENNIS, 1994).
Os conhecimentos não podem ser vistos de maneira
isolada, pois se complementam. Profissionais com-
petentes possuem vasta gama de conhecimentos, que
podem ser utilizados em situações similares (FEITO-
Como vimos, até o presente momento a competência SA; NASCIMENTO, 2003).
está ligada à mobilização de conhecimentos, de ha- Le Boterf (2003) aponta que, para ser considerado
bilidades e de atitudes e que são utilizadas de modo competente, o profissional deve ser capaz de exercer
a atender à demanda solicitada em determinadas si- novas atividades e competências, adaptar-se, saber li-
tuações e contextos (BEHAR, 2013). Nesse sentido, dar, agir e reagir mediante diversos contextos. Confor-
podemos entender que os conhecimentos corres- me a experiência profissional ocorre, as competências

74
EDUCAÇÃO FÍSICA

se desenvolvem e necessitam de recursos ligados aos e saber-fazer (formalizado, empírico, relacional e cog-
saberes do profissional. Os conhecimentos são dividi- nitivo). Estes são apresentados no quadro a seguir, de
dos em: saberes (teóricos, do meio e procedimentais) forma sintética, com as funções e os tipos de aquisição.

Quadro 1 – Tipos de Saberes, funções, modos de aquisição e de manifestação

Tipo Função Modo principal de aquisição


Educação formal
Saberes teóricos Saber compreender
Formação inicial e contínua
Formação contínua e experiência profis-
Saber adaptar-se
Saberes do meio sional
Saber agir conforme a situação
Saberes processuais Educação formal
Saber como proceder
Formação inicial e contínua
Saber proceder
Saber-fazer operacionais Experiência profissional
Saber operar
Saber-fazer experiencial Saber agir em função de algo Experiência profissional
Saber cooperar
Saber-fazer sociais e relacionais Experiência social e profissional
Saber conduzir-se
Educação formal
Saber tratar a informação
Saber-fazer cognitivo Formação inicial e contínua
Saber raciocinar
Experiência social e profissional analisada
Fonte: adaptado de Le Boterf (2003).

Os saberes podem manifestar-se de modo declara- [...] ter iniciativa, agir com autonomia, com res-
tivo ou procedural. O modo declarativo representa ponsabilidade, mobilizar e transpor os conheci-
mentos para situações novas e resolvê-las com
os saberes sobre algo, como método de treinamento,
inovação, tomar decisões, usar as capacidades
que auxilia a elaborar formas de resolver a situação. e características pessoais em proveito dos me-
Quando o saber se apresenta de modo procedural, lhores resultados, capitalizar a sua experiência
diz respeito ao comportamento do profissional e de vida pessoal, social e profissional (SAPETA,
são características da pessoa, de sua personalidade. 2013, p.9).

Nesse sentido é importante que o profissional saiba


comportar-se da maneira esperada em seu local de É evidente que, mais do que obter conhecimento, é
trabalho (SAPETA, 2013; LE BOTERF, 2003). imprescindível que o profissional saiba utilizá-lo em
Portanto, o bom profissional deve ser capaz de contextos, situações e locais diferentes. Por isso, é
utilizar seus conhecimentos/saberes, de modo a ter importante conhecer o grande número de procedi-
sucesso na situação, sejam problemas a serem re- mentos que podem ser aplicados, a fim de executar
solvidos, atividades a serem realizadas etc. (LE BO- as atividades pertinentes à sua atuação (BEHAR et
TERF, 2003). O profissional competente possui co- al., 2013; LE BOTERF, 2003).
nhecimentos que o permite

75
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

HABILIDADES PROFISSIONAIS

CAPACIDADE CARREIRA
SUCESSO

CRESCIMENTO
HABILIDADES
PROFISSIONAL PROGRESSO
AVANÇO

Caro(a) aluno(a), embora, muitas vezes, os termos Manfredi (1998, p. 25) aponta que as habilidades
competência e habilidades sejam utilizados como podem ser compreendidas por alguns autores como
sinônimos, devemos entender que há diferencia- capacidades. Sendo que,
ção entre eles, visto que a competência engloba as [...] a palavra capacidade tem duas conotações,
habilidades do indivíduo e está relacionada à utili- que na língua inglesa são expressas em palavras
zação eficiente das habilidades, enquanto estas são distintas: capability e capacity. Capacity consti-
definidas como o conjunto de comportamentos, tui uma habilidade potencial e a capability cons-
titui uma habilidade que depende de exercício
que descrevem o desempenho do sujeito (SAN- ou treinamento. A expressão skill significa de-
TOS et al., 2009). sempenho eficiente em tarefas mentais e físicas.
As habilidades também podem ser entendidas Tomando-se as definições acima pode-se delas
como ações automatizadas, ou seja, a capacidade de derivar as seguintes conotações: a expressão
habilidade seria abrangente relativa ao compor-
realizar uma tarefa por meio de processo mental já tamento humano em geral. Quanto às capaci-
construído, e que não exige reflexão mais avançada dades existiriam duas: as inatas e aquelas resul-
(BEHAR, 2013). É por meio da prática que os pro- tantes de exercício e ou treinamento, portanto
fissionais adquirem conhecimentos específicos, que adquiridas. Na categoria das capacidades re-
sultantes de treinamento estariam as chamadas
estão ligados a saberes técnicos e procedimentais skills (competências), que expressariam níveis e
(BEHAR, 2013; PAQUAY, 2008). graus de eficiência no desempenho de determi-
nadas capacidades (capabilities) adquiridas.

76
EDUCAÇÃO FÍSICA

No contexto profissional, Guimarães (2009) destaca


que as habilidades e as qualidades vão além do sa-
ber fazer apenas, que envolvem os conhecimentos,
as atitudes (saber ser) e a prática (saber agir) pro-
veniente da experiência laboral, que podem ser de-
senvolvidos ao longo da carreira, em que é preciso
formação continuada. O autor classificou as habili-
dades em: básicas, específicas e de gestão.

Habilidades básicas
Compreende diversos atributos, desde as capacidades
essenciais (ex.: leitura, interpretação e cálculo) ao de-
senvolvimento de raciocínios mais elaborados.

Habilidades específicas

Envolve o conhecimento e a sua aplicação de acordo


com a função exercida em uma ou mais áreas.

Habilidades de gestão

Abrange as capacidades de autogestão, de empreen-


dimento, de trabalho em equipe, de organização, de
planejamento e de gerenciamento.

Figura 4 – Classificação das habilidades


Fonte: as autoras.

Assim, a habilidade pode desenvolver-se em situ-


ações diversas (formação inicial, estágios, prática
profissional, formação continuada etc.), e pode ser
empregada em situações específicas do trabalho. A
capacidade de combinar e de utilizar esses atribu-
tos para cumprir as demandas de seu trabalho é que
fazem um profissional ser habilidoso e, consequen-
temente, competente. Portanto, a configuração do
mercado de trabalho atual exige que o profissional
possua um conjunto de conhecimentos e de habi-
lidades que farão com que ele seja reconhecido e
valorizado, destacando-se em sua profissão (LE BO-
TERF, 2003).

77
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Competência Profissional no
Âmbito da Orientação de Exercícios Físicos
Uma das características da área de atuação em de qualidade. Portanto, no contexto do mercado de
Educação Física voltada aos exercícios físicos é a trabalho, as mudanças tecnológicas e o acesso à in-
dinamicidade, além da constante criação de novos formação revelam novo paradigma profissional, e,
métodos de treinamentos, das novas modalidades por consequência, “novo tipo de profissional”, em
de ginásticas de condicionamento, entre outros. que características, como a flexibilidade, a criativi-
Nessa perspectiva, os profissionais devem buscar dade e a diferenciação são fatores essenciais (BA-
conhecimentos e habilidades para prestar serviço TISTA et al., 2011).

78
EDUCAÇÃO FÍSICA

Feitosa e Nascimento (2003; 2006) investiga- aos conhecimentos, às habilidades e às atitudes. As


ram profissionais que atuavam com a orientação de conhecimentos se dividem em conceitual, proce-
de exercícios físicos e identificaram competências dimental e contextual; as de habilidades englobam
distintas relacionadas à atuação do profissional de planejamento, comunicação, avaliação, incentivação
educação física (para as áreas de docência, de trei- e gestão; e as de atitude dizem respeito às compe-
namento esportivo e de orientação de atividade fí- tências não técnicas (NASCIMENTO, 1998; 1999;
sica). As dimensões identificadas estão relacionadas FEITOSA, NASCIMENTO, 2003; 2006).

CONHECIMENTOS HABILIDADES ATITUDES


Conceitual Planejamento Qualidades pessoais
Procedimental Comunicação Valores
Contextual Avaliação
Incentivação
Gestão

Fonte: adaptado de Feitosa e Nascimento (2003).

O conhecimento conceitual está relacionado aos conteúdos ensinados sejam compreendidos e vistos
conteúdos e às ideias genéricas que constituem o como acessíveis. É, portanto, relacionado à preocu-
conteúdo a ser ensinado (FEITOSA, NASCIMEN- pação por parte dos profissionais quanto às questões
TO, 2003). O profissional competente possui uma didáticas do ensino de conteúdos específicos, como
gama de conhecimentos ricos e refinados para a uti- a orientação e o acompanhamento de novos exercí-
lização apropriada em situações diversas. Os saberes cios, executados durante o treinamento (FEITOSA,
podem ser provenientes de diversas fontes, como a NASCIMENTO, 2006).
formação inicial, a formação contínua, a experiên- O conhecimento contextual, por sua vez, diz
cia na profissão, os conhecimentos específicos das respeito aos saberes voltados para as característi-
disciplinas, entre outros. Além disso, englobam os cas particulares do ambiente em que o profissional
conhecimentos, competências, habilidades e as ati- atua e de seus clientes (FEITOSA, NASCIMENTO,
tudes ligadas ao saber ser e ao saber-fazer do profis- 2003). Compreendem, ainda, as características es-
sional (TARDIF, 2010). pecíficas de estrutura e funcionamento do sistema
O conhecimento procedimental é composto pelo educativo ou desportivo em que o profissional está
conhecimento de estratégias diferentes, para que os inserido, além das preocupações acerca das opor-

79
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

tunidades, das expectativas e dos constrangimentos aponta Altet (2001), no ensino, as competências de-
provenientes dos ambientes, das dificuldades, dos vem envolver os saberes plurais de teoria e de práti-
problemas, dos anseios, dos interesses e das necessi- ca, de ação, de automatização de rotinas e de toma-
dades dos sujeitos (NASCIMENTO, 1998). das de decisão para a ação.
Tais componentes da competência (conceitual, Além dos domínios de conhecimento, o modelo
procedimental e contextual) são parte da compe- de competência profissional proposto por Feitosa e
tência geral do profissional (NASCIMENTO, 1998; Nascimento (2003; 2006) inclui diversas habilida-
FEITOSA, NASCIMENTO, 2003; 2006). Conforme des. Observe a seguir:

HABILIDADES NECESSÁRIAS
AO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

PLANEJAMENTO
Relacionado ao planejamento INCENTIVAÇÃO
e estruturação de diversas
situações que podem ocorrer. Habilidade de influenciar
Antecipação de resultados. o interesse e a motivação
dos sujeitos para a
realização dos exercícios.
COMUNICAÇÃO

Capacidade de transmitir
os conteúdos de forma GESTÃO
clara e sucinta.
Capacidade de organizar
e gerir os recursos, sejam
AVALIAÇÃO eles pessoais, materiais
ou temporais.
Realizar a análise de
desempenho, correção
dos erros e propiciar
informações pertinentes
para a correção da
execução das atividades.

Figura 5 – Habilidades necessárias ao profissional de Educação Física


Fonte: adaptada de Feitosa e Nascimento (2003).

80
EDUCAÇÃO FÍSICA

Em relação às atitudes, esses domínios estão asso- rência, contexto, respeito pelo cliente e capacidade
ciados às competências não técnicas, definidas como de ouvir. Portanto, para esse grupo profissional, a
grupo de qualidades pessoais expressas por atitudes competência é entendida como “algo que é criado e
e valores. Podem ser consideradas características construído através das práticas e não apenas como
pessoais, não exatamente competências interliga- um conjunto de recursos pré-existentes” (BATISTA
das à atuação profissional (NASCIMENTO, 1998). et al., 2011, p. 211).
Behar (2013) aponta que as atitudes representam os As competências de profissionais que atu-
valores, as crenças, as aspirações, as intenções e os am como personal trainer foram investigadas por
desejos dos sujeitos. Por meio das atitudes é que a Anversa e Oliveira (2011), das quais emergiram:
competência é determinada, uma vez que o indiví- apresentação de domínio teórico relacionado à ati-
duo estará pronto para agir. vidade física, bom relacionamento interpessoal,
Batista et al. (2011) analisaram as competências formação continuada, ser pró-ativo, ter ética profis-
de profissionais de Educação Física (professores, sional, perfil motivador e noção administrativa e de
treinadores, profissionais do fitness e da atividade fí- marketing pessoal. Os autores investigaram como
sica adaptada), conforme o modelo de competência se dava o processo de seleção e de contratação dos
de Cheetham e Chivers (1998). De modo geral foi profissionais mediante as competências apresenta-
verificado que a competência está associada à iden- das. Os gestores ressaltaram a análise da formação
tidade do profissional e cada área apresenta suas acadêmica e a especialização na área, a realização
representações e particularidades que contribuem da entrevista de emprego, a análise do currículo, o
para o entendimento da competência profissional. teste prático e a prova teórica. Um dado alarmante
No que se refere aos profissionais do fitness é que a maioria dos gestores (76%) afirmaram que
foi evidenciado que as competências mais rele- parte considerável dos profissionais que buscam as
vantes foram de conhecimento e de ética, seguida vagas de emprego não atendem às competências
da competência pessoal. Quanto ao componente mencionadas anteriormente, sobretudo quanto ao
conhecimento, o especializado foi o mais valoriza- domínio técnico profissional, à falta de capacitação
do – a formação acadêmica foi apontada como im- profissional, à especialização necessária para a área,
portante, assim como os saberes específicos da área ao relacionamento interpessoal e à falta de noções
de intervenção, por exemplo, as ginásticas de aca- de marketing pessoal e administrativas.
demia. Ser capaz de transmitir seus conhecimentos, Para finalizarmos este tópico, devemos lembrar
aplicá-los e adaptá-los também foi apontado como que o profissional de Educação Física, também atua
tópico fundamental para esse domínio. Com relação com a prescrição e a orientação de exercícios no âm-
às competências pessoal e social foram apontados bito da saúde pública. É essencial que o profissional
aspectos como: respeito às normas, saber trabalhar apresente competências de “aquisição, organização,
em grupo, organização, ser capaz de responder às articulação e aplicação de conhecimentos relacio-
demandas dos clientes, auxílio entre os profissionais nados a conceitos, procedimentos e atitudes que
e qualidade das relações. Destacaram-se ainda os conformam os saberes específicos de uma profissão”
fatores de personalidade (simpatia e carisma), apa- (GUARDA et al. 2014, p. 70). Portanto, durante a

81
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

formação inicial, os discentes devem ter contato


com essa área, ou disciplinas que auxiliem no de-
senvolvimento dos conhecimentos acerca da área da
saúde coletiva, a fim de formar um profissional com
o perfil necessário para a atuação.
Podemos observar que, para praticar na orien-
tação de exercícios físicos, além da exigência pela
formação acadêmica, o mercado de trabalho tem
selecionado os profissionais mais qualificados e re-
quisitando cada vez mais que eles tenham especia-
lização na área, por meio da formação continuada.
As competências que se destacam nos estudos estão
relacionadas aos conhecimentos, ao relacionamento
interpessoal, ao trabalho em equipe, à postura ética,
à organização, à gestão, à comunicação e às noções
de marketing pessoal.

SAIBA MAIS

O termo competência deve ser compreendido


em sentido mais amplo, em que se incluem
os saberes: saber-fazer, saber ser e saber tor-
nar-se, devido à necessidade do cumprimento
das atividades atribuídas à profissão. Cada
domínio apresentado no quadro possui lista
com diversas competências específicas para
a atuação profissional.
Para saber quais são, recomendo que você
acesse o texto na íntegra, assim, poderá ex-
plorar com mais profundidade essas infor-
mações.

Fonte: adaptado de Feitosa e Nascimento


(2006).

82
EDUCAÇÃO FÍSICA

83
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Competência Profissional
no Âmbito do Treinamento Esportivo
O treinador é peça fundamental no processo despor- (RESENDE et al., 2017). Sendo assim, é preciso
tivo, por ser o responsável pelo desenvolvimento e que esse profissional seja dotado de um conjunto
bem-estar dos atletas (RESENDE; GILBERT, 2016). de competências, a fim de exercer com maestria
Sua importância não se reduz apenas à organização sua profissão. Conforme aponta Rosado (2000), as
dos exercícios, mas também inclui a articulação (an- competências não são absolutas e dependem do
tes e depois), relacionando os resultados dos jogos e contexto em que se está inserido, sendo respon-
demonstrando aos atletas a razão pela qual o trei- sabilidade do treinador avaliar o que será neces-
namento foi realizado daquela forma, isto é, os seus sário. É preciso, então, dominá-las e ser capaz de
conhecimentos. saber quando, como e o motivo pelo qual aplicá-
Destaca-se que o conhecimento específico é -las em determinada situação, tomando, assim, a
determinante para a atuação enquanto treinador decisão assertiva.

84
EDUCAÇÃO FÍSICA

Rosado (2000) menciona que, para o desempe- Profissionais de Gestão e Legislação do Esporte.
nho eficaz de suas atribuições enquanto treinador, é Em relação à percepção das competências, destaca-
essencial que este tenha perfil de competências que ram-se os conhecimentos profissionais de Gestão
contribua em suas funções. Podemos citar: Com- e Legislação do Esporte, Biodinâmica do Espor-
petências Científico-pedagógicas (conhecimento te, Fatores Psico-Sócio-Culturais do Esporte e de
científico, de relação interpessoal e técnico), Com- Teoria e Metodologia do Treinamento Esportivo.
petências Pessoais, Competências de Gestão e de As competências apontadas como mais importan-
Administração, Competências de Produção e Di- tes foram relacionadas aos conhecimentos pro-
vulgação de Saberes Profissionais. O autor destaca fissionais, Habilidades de Planejamento e Gestão
que nem todas podem ser identificadas e esse perfil do Esporte e de Comunicação e Integração do
é dinâmico – o que é exigido hoje pode mudar fu- Esporte (ENGERLAND; NASCIMENTO; BOTH,
turamente. Nesse sentido, é importante que o pro- 2009a). Os resultados validam a ideia de que é ne-
fissional desenvolva atitude reflexiva e de formação cessário que o técnico tenha grande domínio das
permanente. modalidades e da metodologia específica reque-
No cenário esportivo atual do alto rendimen- rida. É importante, contudo, que ele se preocupe
to, os treinadores são pressionados constantemente e trabalhe com os aspectos motivacionais e com
para alcançar bons resultados ou resultados rápidos os desenvolvimentos pessoal e social (ROSADO
já que são constantemente vigiados. As exigências et al., 2000).
modificaram-se, evidenciando a necessidade, por A competência profissional também parece es-
parte do treinador, de dominar diversas compe- tar relacionada à formação acadêmica dos treinado-
tências (ENGERLAND; NASCIMENTO; BOTH, res. Técnicos que tenham pós-graduação atribuem
2009b). Um exemplo são os treinadores de futebol maior importância às competências, do que trei-
do Brasil, que, muitas vezes, são substituídos antes nadores somente graduados, o que permite que os
mesmo de finalizarem seus trabalhos em grandes profissionais analisem e interpretem diversos fatores
clubes após derrotas em partidas seguidas. Quer di- que envolvem o esporte (ENGERLAND; NASCI-
zer, então, que o profissional não é competente ou MENTO; BOTH, 2009b).
não possui conhecimento suficiente? Em muitos Por outro lado, Engerland et al. (2013) evidencia-
casos, não. Por isso, as competências profissionais ram, entre os técnicos entrevistados, a necessidade
são tão importantes para profissionais que exercem de melhorar suas competências quanto à avaliação
esse ofício. e à autorreflexão, sobretudo quanto à sua capacida-
Ao investigar treinadores de diversas modalida- de de reajustar a prática profissional pela busca de
des, Engerland, Nascimento e Both (2009) eviden- atitude mais investigativa e atualização de conheci-
ciaram a importância atribuída às competências e mentos voltados à biomecânica do esporte, à fisiolo-
quais são as percebidas. Os resultados apontaram gia do exercício, à recuperação após esforço físico,
que os treinadores atribuíram maior importância à à alimentação desportiva e às técnicas de avaliação
Avaliação Global das Competências Profissionais no desporto. As avaliações são essenciais, uma vez
e baixa importância quanto aos Conhecimentos que é por meio delas que se pode examinar o de-

85
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

sempenho e a evolução dos atletas. A partir disso, o deve estar preparado, o que exige diversidade
técnico pode examinar os sucessos e os insucessos, de conhecimentos profissionais, interpessoais e
o contexto, o perfil de seus atletas e o planejamento intrapessoais (RESENDE; GILBERT, 2016).
(NASCIMENTO, 1998). Primeiramente, devemos entender que o desen-
Treinadores portugueses investigados por Batis- volvimento positivo de jovens (DPJ) é um processo
ta et al. (2011) demonstraram que sua percepção de pelo qual os jovens se sentem envolvidos, interagem
competência estava embasada pelas competências com o ambiente e com seus agentes, de modo a de-
de conhecimento e de ética. A de conhecimento senvolver qualidades positivas. O DPJ leva a compe-
está relacionada aos conhecimentos específicos da tências físicas e psicológicas, que auxiliam na transi-
atuação profissional e ao conhecimento tátito, que ção para a vida adulta (SNYDER; LOPEZ, 2009). A
representa o saber proveniente da experiência ante- partir dessa abordagem, pesquisas foram realizadas
rior com a modalidade. A competência intraprofis- a fim de verificar a relação entre o DPJ e o esporte,
sional (trabalho em equipe), também emergiu como assim, evidenciou-se que há associação entre a prá-
importante. Fato curioso evidenciado nesse estudo tica esportiva e o desenvolvimento de competências
é que, embora os treinadores não considerassem em jovens (GOULD; CARSON; BLANTON, 2013),
a aparência como fator importante, acreditam e que as relações interpessoais entre atletas e trei-
que esta possa afetar a imagem do treinador em nadores exercem grande influência nesse processo
momentos de exposição à mídia, o que pode ser (BRUNNER; HALL; CÔTÉ, 2011).
considerado motivo de promoção ou de descrença
de suas competências profissionais.
Batista, Matos e Graça (2011) afirmam que a per-
SAIBA MAIS
cepção da competência pode ser influenciada pela
área profissional e experiência na profissão. No que
se refere ao ofício de treinador, os autores eviden- Algumas características de um treinador de
jovens considerado eficaz, quando relacio-
ciaram que o núcleo de competências se concentra
nado à busca por desempenho e resultados
nos fatores éticos, organizacionais e experienciais. psicossociais positivos são: estimular a auto-
Destacaram, também, características como lideran- nomia, avaliar a performance de acordo com
os avanços do atleta, aprendizagem, esforço
ça, pontualidade, postura pedagógica, resultados,
realizado, suporte e instrução. Para isso, é
perfeccionismo e conhecimento, além de aparato importante criar uma atmosfera de esforço
que possibilite o desenvolvimento de atitudes, valo- pela habilidade pessoal, em vez de evitar a
incompetência (erro, fracasso ou derrota). A
res e comportamento sociais satisfatórios (ENGER-
qualidade do treino deve ser embasada em
LAND; NASCIMENTO; BOTH, 2009b) como os treinadores abordam as necessida-
No contexto do treinamento esportivo para des de seus atletas e os auxiliam a alcançar
seus objetivos, de modo a integrá-los ao con-
crianças e jovens, estudos internacionais têm
texto de treino específico.
apontado a necessidade de alicerçar os treinamentos,
Fonte: adaptado de Erickson e Gilbert (2016).
de modo a conduzir ao desenvolvimento posi-
tivo no âmbito esportivo. Para isso, o treinador

86
EDUCAÇÃO FÍSICA

O treinador deve ser capaz de criar um ambiente ência e aumentar seu repertório, de modo a utilizar
que promova o progresso em seus atletas. É preci- novas estratégias no seu processo de treinamento e
so, assim, que ele utilize ou desenvolva suas compe- estabelecer ações de formação de caráter. Portanto,
tências em diversas áreas. Resende e Gilbert (2016) para que seu trabalho seja eficiente, algumas com-
apontam que os técnicos devem ampliar sua experi- petências necessárias são:

Conhecimento profissional: Conhecimento interpessoal: Conhecimento intrapessoal:


engloba o entendimento dos consiste no modo com que o abrange a autoconsciência do
conteúdos de treino e da treinador se relaciona com os treinador e sua capacidade de
forma de ensino das habili- outros no ambiente esportivo. reflexão.
dades esportivas.

Figura 6 – Conhecimentos necessários ao treinador


Fonte: as autoras.

Entretanto, o treinador não deverá possuir apenas peça fundamental no processo desportivo e no de-
esses conhecimentos, mas ser capaz de aplicá-los de senvolvimento dos atletas, proporcionando experi-
modo consistente. Nesse sentido, o treinador tem ências positivas e motivando-os (RESENDE; GIL-
grande responsabilidade, visto que é considerado BERT, 2016).

87
considerações finais

Caro(a) aluno(a), nesta unidade estudamos sobre competências profissionais. Vi-


sualizamos, por meio do modelo de competência, como estas se desenvolvem e
os fatores que a compõe. Também discutimos a respeito da importância de for-
mar e ser um profissional competente a fim de atender às demandas do mercado
de trabalho atual.
Constatamos que o conceito de competência é composto por fatores ligados
aos conhecimentos, habilidades e atitudes. Para complementar o entendimento,
tratamos especificamente acerca dos conhecimentos e das habilidades. Os co-
nhecimentos refletem os saberes especializados para a atuação profissional, por
meio do qual os problemas são solucionados. Quanto às habilidades, vimos que,
muitas vezes, é um termo empregado como sinônimo de competência. Contudo,
ser competente envolve a utilização de diversas habilidades para realizar a tarefa
de maneira eficiente.
No segundo tópico, ponderamos a respeito das competências necessárias à
atuação profissional no âmbito da orientação de exercícios físicos. Foram identi-
ficadas as competências de maior importância: de conhecimento, de planejamen-
to, de gestão, de comunicação, de relacionamento interpessoal, de trabalho em
equipe e de postura ética.
Por fim, no terceiro tópico analisamos as competências fundamentais para o
trabalho no âmbito do treinamento esportivo. Evidenciamos que as competên-
cias destacadas para o exercício dessa profissão são: conhecimento científico e
técnico, relacionamento interpessoal, planejamento e gestão, comunicação, re-
flexão, trabalho em equipe, ética, liderança e postura pedagógica. Discorremos
sobre a nova perspectiva de trabalho no contexto do treinamento esportivo com
relação ao desenvolvimento positivo dos jovens e vimos que é imprescindível que
o treinador utilize variedade de competências, a fim de que, mais do que o aper-
feiçoamento esportivo, desenvolva, nos jovens, competências para a vida.
Esperamos que você tenha aproveitado todo o conteúdo. Até a próxima!

88
atividades de estudo

1. O modelo de competência profissional proposto profissionais desenvolvessem competências


por Cheetham e Chivers (1998) aponta a intera- para o exercício de sua profissão. Nesse senti-
ção entre diversos fatores, os quais resultam em do, os Pareceres CNE/CES Nº 274/2011, CNE/CES
competências relacionadas à maestria na profis- Nº 0058/2004 e CNE/CES Nº 0138/2002 tratam
são. Com relação a este modelo, verifique as pro- das competências e das habilidades necessárias.
posições a seguir e responda: Com base nas discussões apresentadas por es-
I - As metacompetências e as transcompe- ses documentos, discorra sobre o que pode ser
tências são construídas a partir do con- realizado durante a formação inicial para que as
junto de competências que o profissional competências possam ser estimuladas.
já possui ou desenvolve com base experi-
3. O campo de atuação voltado à orientação de
ências com a profissão.
exercícios físicos é um dos que mais emprega em
II - Os resultados advindos da competência Educação Física. Desse modo, o novo paradigma
profissional podem ser percebidos tanto exige que o profissional apresente diferencial,
pelos sujeitos quanto por seus pares. Ao
demonstrando uma série de competências.
analisá-los, os profissionais são levados a
refletir sobre suas ações, sendo capazes Considerando os estudos apresentados acerca das
de modificá-las. competências profissionais para atuar no contexto
III - Os autores apontam as influências exer- da orientação de exercícios físicos, descreva cinco
cidas tanto pelo contexto profissional, competências essenciais a essa prática.
quanto pelo ambiente. O contexto está 4. Poucos estudos foram realizados até o momen-
diretamente ligado às situações da profis- to com o intuito de investigar as competências
são e o ambiente se relaciona aos fatores dos profissionais bacharéis em Educação Física.
sociais, físicos e culturais que envolvem o
Um dos primeiros é o de Feitosa e Nascimento
trabalho.
(2003), no qual foram identificadas competên-
É correto o que se afirma em: cias, divididas em três dimensões.
a) I apenas. Quanto às dimensões apontadas por esses autores
b) II apenas. sobre a competência profissional, analise as afirma-
ções abaixo e assinale com V, as verdadeiras, e com
c) I e III apenas.
F, as falsas:
d) II e III apenas. ( ) A dimensão de conhecimentos se dividem
e) I, II e III. em conceitual, procedimental e contextual.
Esses aspectos se relacionam à capacidade
2. De fato, com a criação do curso de bacharelado de transmitir o conteúdo, de dominar estra-
e as novas demandas advindas do mercado de tégias diferentes para ensinar os conteúdos,
trabalho em Educação Física, houve a necessi- de saberes específicos do ambiente em que
dade de modificar a formação, a fim de que os atua e características de sua clientela.

89
atividades de estudo

( ) As habilidades propostas pelos autores se II - Os treinadores devem ter como priorida-


refere à capacidade de realizar diversas ta- de o desenvolvimento de competências
refas inerentes ao exercício da profissão, relacionadas ao conhecimento técnico da
que abrangem habilidades de planejamen- modalidade, visto que o profissional com-
to das atividades, de comunicação, de ava- petente é aquele que obtém melhores
liação, de incentivação (motivação e incen- resultados.
tivo) e de gestão.
III - Mais do que possuir conjunto de compe-
( ) O componente atitude é o mais importan- tências, os treinadores, a partir do contex-
te dentre as dimensões da competência, to em que estão inseridos, devem refletir
pois está relacionado às competências quando, como e por quais motivos utilizá-
não-técnicas e às características pessoais -las em determinadas situações, para to-
– aspectos essenciais para a atuação na mar decisões acertadas.
orientação de exercícios físicos.
É correto o que se afirma em:
Assinale a alternativa correta: a) I apenas.
a) V; V; F.
b) II apenas.
b) F; F; V.
c) I e III apenas.
c) V; F; V.
d) II e III apenas.
d) F; F; F.
e) I, II e III.
e) V; V; V.

5. Tanto para o trabalho com o treinamento de uma


equipe de atletas de rendimento quanto para a
iniciação esportiva, é primordial que o treinador
utilize suas competências. Sendo assim, verifique
as proposições a seguir e responda:
I - O treinador tem grande responsabilidade,
uma vez que é considerado peça funda-
mental no processo de desenvolvimento
desportivo dos atletas. Por isso, deve pos-
suir variedade de competências, a fim de
desenvolver o atleta como um todo.

90
LEITURA
COMPLEMENTAR

Ao longo desta unidade, falamos sobre a competência profissional. Agora, pergunto-


-lhe, como é a sua percepção a respeito desse assunto? Estudos têm utilizado a escala
de autopercepção de competência profissional em Educação Física e desportos para
avaliar esse constructo em profissionais da área. Esse instrumento foi elaborado por
Nascimento (1999) e compreende as dimensões de conhecimento profissional (disci-
plinar, pedagógico e de contexto) e habilidades profissionais (planejamento, comuni-
cação, avaliação, organização e gestão, incentivação e autorreflexão). Observe a seguir.

Escala de autopercepção de competência profissional em Educação


Física e desportos
Orientação para preenchimento: assinale com “X” nas colunas de respostas o que cor-
responde à sua opinião quanto à sua competência percebida considerando:

Resposta Atribuição Significado


Posso considerar-me um profissional que não
0 Nenhum domínio.
possui qualquer domínio nesta competência.
Posso considerar-me um profissional com
Domínio muito insu-
1 domínio muito pequeno ou muito superficial
ficiente.
nesta competência.
Posso considerar-me um profissional com
2 Domínio insuficiente.
domínio insatisfatório nesta competência.
Posso considerar-me um profissional com
3 Domínio suficiente.
domínio satisfatório nesta competência.
Posso considerar-me um profissional com
4 Domínio quase total. grande domínio nesta competência, mas ainda
não atingi o nível de “especialista”.
Posso considerar-me um profissional “especia-
5 Domínio total.
lista” nesta competência.

91
LEITURA
COMPLEMENTAR

Leia com atenção todas as questões e escolha a alternativa que melhor define sua po-
sição. Cada item deverá ter apenas uma resposta. Lembre-se de que não há respostas
incorretas, desde que correspondam àquilo que você pensa e se identifica.

Competência Resposta
Ser capaz de estruturar e sequenciar os conteúdos de
1 0 1 2 3 4 5
ensino e implementar as tarefas de aprendizagem.
Dominar conhecimentos sobre as indicações e as con-
2 traindicações fisiológicas dos exercícios prescritos ou a 0 1 2 3 4 5
serem prescritos.
Ser capaz de identificar os erros de execução dos
3 praticantes e fornecer-lhes as informações (ou retroin- 0 1 2 3 4 5
formações) necessárias à sua correção.
Dominar conhecimentos sobre técnicas e modelos de
4 ensino que facilitem o desenvolvimento de atitudes, de 0 1 2 3 4 5
valores e de comportamentos sociais aceitáveis.
Ser capaz de transmitir de forma lógica, clara e concisa
5 0 1 2 3 4 5
o conteúdo informativo.
Dominar conhecimentos sobre o desenvolvimento
6 0 1 2 3 4 5
motor humano.
Ser capaz de estabelecer e de operacionalizar diferentes
7 0 1 2 3 4 5
níveis de objetivos em programas de atividades físicas.
Dominar conhecimentos sobre as principais características
8 0 1 2 3 4 5
da estrutura e do funcionamento do sistema desportivo.
Ser capaz de despertar o gosto ou o interesse dos
9 0 1 2 3 4 5
indivíduos para a prática de atividades físicas
Dominar conhecimentos sobre os conteúdos da área
10 0 1 2 3 4 5
de Educação Física.
Ser capaz de reajustar a sua atuação profissional em
11 função dos elementos decorrentes da permanente 0 1 2 3 4 5
atitude investigativa e de atualização.
Dominar conhecimentos sobre programação, planifica-
12 0 1 2 3 4 5
ção e estruturação de treino.

92
LEITURA
COMPLEMENTAR

Ser capaz de racionalizar e gerir os recursos (pessoas,


13 espaços, tempo, materiais), de modo a assegurar uma 0 1 2 3 4 5
estrutura de funcionamento econômica.
Dominar conhecimentos sobre os efeitos das ativida-
14 0 1 2 3 4 5
des físicas e/ou exercícios físicos.
Ser capaz de caracterizar e de diagnosticar os contex-
15 0 1 2 3 4 5
tos e os sujeitos com quem trabalha.
Ser capaz de ajustar ou de adaptar os programas de treino
16 às situações particulares de ensino, selecionando as pro- 0 1 2 3 4 5
gressões, os métodos e as estratégias mais adequadas.
Dominar conhecimentos sobre as indicações e as con-
17 traindicações biomecânicas dos exercícios prescritos 0 1 2 3 4 5
ou a serem prescritos.
Ser capaz de criar clima favorável de aprendizagem,
18 0 1 2 3 4 5
tornando o ambiente de trabalho agradável.
Dominar conhecimentos metodológicos específicos de
19 0 1 2 3 4 5
alguns desportos individuais e coletivos.
Ser capaz de operacionalizar a transmissão dos conte-
20 0 1 2 3 4 5
údos, selecionando as atividades mais adequadas.
Dominar conhecimentos sobre os mecanismos e os
21 0 1 2 3 4 5
processos de aquisição de habilidades motoras
Ser capaz de planejar programas de prática de ativida-
22 0 1 2 3 4 5
des físicas.
Dominar conhecimentos sobre as necessidades, as ex-
23 pectativas e os interesses dos sujeitos para programar 0 1 2 3 4 5
a intervenção.
Ser capaz de criar e de reforçar a motivação para a
24 0 1 2 3 4 5
prática de exercícios físicos para a população.
Dominar conhecimentos que fundamentam a prescri-
25 0 1 2 3 4 5
ção de programas de atividades físicas.
Ser capaz de manifestar espírito de autocrítica con-
26 dizente com a permanente avaliação da respectiva 0 1 2 3 4 5
atuação pedagógica.

93
LEITURA
COMPLEMENTAR

Dominar conhecimentos sobre técnicas de avaliação


27 do processo de ensino-aprendizagem da área de Edu- 0 1 2 3 4 5
cação Física.
Ser capaz de estruturar grupos de aprendizagem na
28 0 1 2 3 4 5
implementação de programas de atividades físicas.
Dominar conhecimentos sobre os principais problemas
29 e dificuldades encontrados pelos indivíduos para a 0 1 2 3 4 5
realização de atividades físicas.
Ser capaz de avaliar os resultados das atividades e
30 as tarefas desenvolvidas, identificando as causas de 0 1 2 3 4 5
sucesso e de insucesso.

Para saber qual o nível de competência, some as questões de cada dimensão. Após
somá-las, divida o total pelo número de questões de cada dimensão.

Exemplo:
Conhecimento disciplinar = 35 (soma total)
35 ÷ 7 = 5

Conhecimento disciplinar: 2, 6, 10, 14, 17, 21, 25


Conhecimento pedagógico: 4, 12, 19, 27
Conhecimento de contexto: 8, 23, 29
Planejamento: 7, 22
Comunicação: 5, 20
Avaliação: 3, 15, 30
Organização e gestão: 1, 13, 16, 27
Incentivação: 9, 18, 24
Autorreflexão: 11, 26

Após a soma e a divisão das questões, a média para cada uma das dimensões será de,
no máximo, 5. Quanto mais próximo de 5, maior será a sua percepção de competência
profissional nessa dimensão.

Fonte: adaptado de Nascimento (1999).

94
material complementar

Indicação para Ler

Desenvolvendo a Competência dos Profissionais


Guy Le Boterf
Editora: Penso
Ano: 2003
Sinopse: essa obra apresenta novo panorama em que propõe que o desenvol-
vimento das competências depende de tripla responsabilidade – da própria pes-
soa, do gerenciamento do trabalho e do sistema de formação. O autor desenvolve
ainda três conceitos amplamente aceitos nas empresas, nas organizações e nas
universidades: o modelo combinatório da competência, a navegação profissional
e a competência coletiva.

Indicação para Ler

Competência: a chave do desempenho


Cecília Whitaker Bergamini
Editora: Atlas
Ano: 2012
Sinopse: esse livro explora como os recursos da competência individual passam
a ser um dos mais importantes elementos do diferencial competitivo entre orga-
nizações congêneres. Esse potencial interior do ser humano, aliado a certo tipo
de predisposição interior consciente, exige conhecimento ligado a predisposições
afetivo-emocionais. Cada um precisa conhecer e gostar da sua área de atuação
para tornar-se competente naquilo que faz. Preservar essa competência e enten-
der como seja possível potencializá-la de forma a compor grupos de pessoas que
procuram evoluir no sentido da busca do novo, ao mesmo tempo em que faz fluir
sua criatividade, utilizando a expressão “viva da sua individualidade”, é a via certa
para a competência. Os desafios atuais mostram que uma nova era já começou e
veio para ficar – a era da competência.

95
material complementar

Indicação para Assistir

Incivtus
Ano: 2009
Sinopse: recentemente eleito presidente, Nelson Mandela (Morgan Freeman)
tinha consciência de que a África do Sul continuava sendo um país racista e eco-
nomicamente dividido, em decorrência do apartheid. A proximidade da Copa do
Mundo de Rúgbi, pela primeira vez realizada no território, fez com que Mandela
resolvesse usar o esporte para unir a população. Para tanto, chama para uma
reunião Francois Pienaar (Matt Damon), capitão da equipe sul-africana, e o in-
centiva para que a seleção nacional seja campeã.
Comentário: o filme trata sobre como trabalhar em equipe para atingir os obje-
tivos. Como vimos ao longo desta unidade, esse tipo de trabalho e o relaciona-
mento interpessoal são competências fundamentais, o que é demonstrado no
filme a partir do conceito de time.

96
referências

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sional: entre conhecimentos, esquemas de ação e Educação Física. Parecer CNE/CES n. 058, de 18 de
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SNYDER, C. R.; LOPEZ, S. J. Psicologia positiva:
uma abordagem científica e prática das qualidades
humanas. Artmed, 2009.

99
gabarito

1. E.
2. Para que essas competências sejam desenvolvidas é essencial que, ao
longo da formação, sejam oportunizadas experiências que integrem teo-
ria e prática. Assim, o(a) aluno(a) passa a ter conhecimento de questões
e de situações-problema pertinentes à profissão e são capazes de iden-
tificá-las e resolvê-las, torna-se autônomo e compreende seu papel na
intervenção profissional.
3. Podemos citar a flexibilidade, a criatividade, a organização, a gestão, o
conhecimento e o planejamento.
4. A.
5. C.

100
UNIDADE
IV
PROGRAMAS DE INTERVENÇÃO
E DE AVALIAÇÃO DA PRÁTICA

Professora Dra. Fabiane Castilho Teixeira


Professora Me. Isabella Caroline Belem

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Programas de intervenção e de avaliação da prática
• Planejamento das intervenções
• Avaliando as intervenções

Objetivos de Aprendizagem
• Compreender os diferentes tipos de planejamento e sua
importância.
• Considerar os aspectos a serem avaliados nas
intervenções.
unidade

IV
INTRODUÇÃO

C
aro(a) aluno(a), iniciamos a Unidade IV de nossa disciplina
Intervenção Profissional em Educação Física. Neste encontro,
abordaremos elementos pertinentes à discussão, para que você
compreenda como é possível realizar um trabalho de qualidade
no que tange à programação de treinamentos.
Estudaremos sobre como o planejamento dos programas de inter-
venção – para o esporte ou para o exercício físico – podem ser seus
grandes aliados. O primeiro ponto a ser destacado nesta unidade será
a respeito do que compõe o bom planejamento. É importante compre-
endermos o quão importante é saber elaborar o plano de treino, não
somente para alcançar resultados significativos, mas para manter seus
atletas/alunos motivados.
Na sequência, trataremos de pontos específicos do planejamento de
esportes e de exercícios. Ao elaborar os programas de treino, diversos
pontos devem ser levados em consideração: qual o objetivo a ser atin-
gido, quanto tempo cada ciclo durará, qual a escolha dos exercícios,
entre outros.
Após compreendermos sobre a planificação dos treinos, iniciaremos
nossos estudos relacionados à avaliação. Avaliar o programa de treino é
fundamental para saber o que é eficaz e o que não é, além de verificar se
os objetivos foram atingidos e apresentar os pontos positivos ou negati-
vos do que foi planejado.
Por fim, veremos o que é preciso avaliar em uma intervenção. Trare-
mos diversos testes, protocolos e instrumentos que você poderá utilizar
ao longo de sua atuação profissional. Gostaríamos de lembrá-lo(a) que
serão apresentados apenas alguns dos vários instrumentos avaliativos
com os quais você poderá trabalhar – as avaliações iniciais, os testes físi-
cos, a análise de composição corporal e a avaliação psicológica.
Bons estudos!
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

estratégia cronograma checagem

objetivo colaboração ação implementação

Programas de Intervenção e de
Avaliação da Prática
Caro(a) aluno(a), nesta unidade, estudaremos sobre vidades do cotidiano e isso também ocorre em nossa
alguns pontos essenciais para a atuação do profis- vida profissional. Para que nossas atividades tenham
sional de Educação Física, tais como planejamento sucesso, é essencial que saibamos planejar o desen-
dos programas de intervenção e de avaliação. Diaria- volvimento e a realização das avaliações, a fim de ve-
mente, planejamos como distribuiremos nossas ati- rificar se os resultados esperados foram alcançados.

106
EDUCAÇÃO FÍSICA

DEFINIÇÕES E CONCEITOS DE PLANEJA-


MENTO
O planejamento está incorporado às atividades
humanas (cotidianas) (ANDRADE, 2016). O ato de
planejar emerge como necessidade de projetar algo a
ser realizado futuramente. Geralmente, a elaboração
do plano provém de um problema a ser resolvido
e, para isso, é evidenciada a realidade concreta da
situação e qual o tempo preciso para a realização,
orientada com base nos prazos e nas metas (SAN-
TOS, 2016).
Para Santos (2016), realizar um bom planeja-
mento requer que sejam feitas análises, reflexões e
previsões, além de ser:
• Flexível – possam ser adaptados mediante
Caro(a) aluno(a), ao longo do dia você já fez uma necessidade ou imprevistos.
lista de compras para ir ao supermercado? Já buscou • Organizado – possibilitando que qualquer
por um endereço no GPS com o intuito de percor- pessoa possa entendê-lo e aplicá-lo.
rer a melhor rota? Já listou as atividades que deveria • Realista – leve em consideração o tempo e os
recursos disponíveis.
realizar durante o dia ou sobre o que deveria estu-
• Preciso – apresente os objetivos gerais e espe-
dar? Todas essas ações estão ligadas ao planejamen-
cíficos, assim como a avaliação dos resulta-
to. Nesse sentido, podemos definir o planejamento
dos alcançados.
como a organização da sequência de fases a serem
seguidas, de modo a atingir o objetivo (SANTOS, O planejamento envolve a concepção das ativida-
2016), ou como um processo desenvolvido, a fim de des e a organização, que abrange execução, coor-
atingir resultado(s) esperado(s), de maneira eficien- denação e avaliação, sempre visando os objetivos
te, eficaz e efetiva com a concentração de esforços e estabelecidos. Algumas etapas, que podem com-
de recursos (OLIVEIRA, 2018). preender a estruturação dos objetivos, o diagnósti-
Planejar nada mais é do que pensar no futuro e co, a decisão e a ação, são estabelecidas, mesmo que
em qual lugar se pretende chegar ou qual resultado informalmente. Santos (2016) reitera que, a partir
deseja alcançar. No entanto, é preciso conhecer a si- da preparação de um plano, pode-se organizar as
tuação presente e considerar outros aspectos, como ações a serem desenvolvidas e estabelece as seguin-
o tempo e o recurso necessário, qual a metodologia tes etapas desse processo:
e como será realizada a avaliação (SANTOS, 2016).

107
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Etapas do planejamento cional por sequência coerente de etapas; sistêmico,


uma vez que as etapas constituintes formam o con-
1 Diagnóstico junto de ações a serem devolvidas; e flexível, porque
a avaliação e a adequação devem ser constantes, com
Permite o conhecimento do ambiente e do público o propósito de adaptar-se às novas situações (AN-
alvo. Pode ser entendido como o ponto de partida
para as próximas etapas. DRADE, 2016).
Como já apontamos, planejar é um processo e
Estabelecimento implica em conjunto de decisões relacionadas, liga-
2 de objetivos
das a aspectos básicos inerentes ao planejamento.
Direcionamento claro e direto do que se pretende A seguir, apresentaremos as partes que o compõe
atingir com as ações.
(OLIVEIRA, 2018):
• Planejamento dos fins: estabelecimento dos re-
Mapeamento
3 dos conteúdos sultados esperados, dos objetivos e das metas.
• Planejamento dos meios: caminhos a serem
São os conhecimentos sistematizados que serão percorridos para o alcance dos resultados.
trabalhados durante a ação.
Definição das estratégias, procedimentos e
processos.
Definição da metodologia
4 e dos recursos • Planejamento dos recursos: descrever os re-
cursos humanos, tecnológicos, materiais e fi-
Como será realizada a ação, que tipo de método nanceiros. Estabelecer plano de ação.
será utilizado. Estabelecer que recursos serão
utilizados (pessoais, materiais e financeiros). • Planejamento de controle: determinar como
será realizado o acompanhamento e a avalia-
ção dos resultados apresentados.
Estruturação
5 da avaliação
A necessidade de preparar um plano provém da
Qual será a forma de avaliar as ações, a fim
de verificar se os objetivos foram atingidos.
importância de tomar decisões corretas. Portan-
Figura 1 – Etapas do planejamento
to, é imprescindível ter visão acerca do futuro, de
Fonte: adaptada de Santos (2016). modo a tentar prever situações que possam ocor-
rer, para controlá-las ou realizar as adaptações para
No contexto organizacional, o planejamento é en- atingir os resultados desejados. Para Corrêa (2019),
tendido como “processo formal, racional, sistêmico o processo adequado de planejamento depende de
e flexível que visa facilitar a tomada de decisões, o visão apropriada do futuro, de conhecimento sobre
alcance de objetivos e o direcionamento da orga- a situação atual e de modelo lógico que relacione a
nização a um futuro desejado” (ANDRADE, 2016, perspectiva e a análise da situação, a fim de orientar
p. 11). Considera-se formal devido à elaboração e à os passos a serem seguidos, assim como a formula-
distribuição de atividades de modo organizado; ra- ção de objetivos concretos.

108
EDUCAÇÃO FÍSICA

TIPOS DE PLANEJAMENTO E SUA IMPOR- Planejamento estratégico


TÂNCIA

Conforme estudamos no tópico anterior, planejar é


essencial para atingir os objetivos e as metas, sejam
de uma pessoa, de um profissional ou de uma em-
presa. A preparação é a chave para o sucesso, uma
vez que, ao estabelecer a organização, a ordem das O planejamento estratégico corresponde ao pro-
ações e a utilização de recursos, será possível execu- cesso que estabelece qual a melhor direção a ser se-
tar o plano de maneira eficaz. guida. Está relacionado à formulação de objetivos
No âmbito da educação, Gil (2009) aponta que e à seleção das estratégias a serem seguidas para
há, de um lado, três tipos básicos de planejamento a consolidação (OLIVEIRA, 2018). De maneira
que regem a organização escolar: o plano da escola, simples, podemos dizer que está ligado à técnica
o plano de ensino e o plano de aula. Por outro, as de- gerencial, necessária para a boa administração,
mais organizações profissionais demandam outros ti- realizada com base no diagnóstico das oportuni-
pos e características do planejamento, que se dividem dades e das ameaças, e nos pontos fortes e fracos
em estratégico, tático e operacional. Essas categorias (MAGRI, 2016).
estão relacionadas aos níveis de decisão previstos na Para Magri (2016, p. 43) podemos conceituar
pirâmide organizacional (OLIVEIRA, 2018). como

Nível Decisões Planajemento o esforço disciplinado e consistente que tem


Estratégico estratégicas estratégico como objetivo a produção de decisões funda-
mentais e ações norteadoras da organização
Nível Decisões Planejamento
Tático táticas tático
escolar, em seu modo de ser e de fazer, um pro-
cesso que está voltado para o futuro e orientado
Nível Decisões Planejamento
para os resultados.
Operacional Operacionais operacional

Figura 2 – Tipos de planejamento e níveis de decisão


Assim, o processo orienta as ações para o alcance dos
Fonte: adaptada de Oliveira (2018). resultados. O foco deve ser acompanhar a demanda

109
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

e oferecer serviços de qualidade. Esse planejamento Planejamento tático


é uma forma de gerenciamento e de direcionamento
do caminho a ser seguido para alcançar os objetivos,
devendo ser baseado em dados, fatos e informações,
que propiciem a programação dos recursos a serem
utilizados. O planejamento estratégico pode ser um
documento formal, em que são descritos os dados,
as informações importantes e as atividades neces-
sárias quando devem ser realizadas. Desse modo,
pode-se visualizar o início, o desenvolvimento e o
fim do processo de implementação do plano (KUA-
ZAQUI, 2016).
Em empresas, esse tipo de planejamento é utili-
zado para (OLIVEIRA, 2018): Esse tipo de planejamento está relacionado a um
• Equilibrar as incertezas e desenvolver planos método de administração, cujo objetivo é aperfeiço-
alternativos. ar os resultados (KUAZAQUI, 2016). Trata da ava-
• Atenção aos resultados esperados, exposto liação dos objetivos, das estratégias e das políticas
nos objetivos, desafios e metas. definidas, e o propósito do planejamento tático é
• Otimizar o modelo de gestão. determinar a utilização eficiente dos recursos, a fim
• Favorecer o controle, a avaliação e o aprimo- de atender às metas previamente estipuladas (OLI-
ramento dos resultados. VEIRA, 2018).
• Potencializar o processo de identificação de A eficácia dos projetos depende do planejamen-
oportunidades no mercado. to. Podemos entendê-lo como medida de rendi-
• Estabelecer a vantagem competitiva. mento que associa se os resultados correspondem
às metas especificadas (KUAZAQUI, 2016). Como
Assim, o profissional de Educação Física deve ba- exemplo, podemos citar um personal trainer que está
sear-se nesses conceitos, de modo a desenvolver frequentemente preocupado em trazer exercícios di-
seus planejamentos quanto às intervenções a se- ferentes e estimulantes para seus alunos/clientes du-
rem desenvolvidas em sua atuação, estruturando, rante os treinos, além de programar um cronograma
então, as atividades necessárias para que os resul- de avaliações para verificar como estão os resultados
tados esperados sejam obtidos. O planejamento dos treinos desenvolvidos.
estratégico é excelente ferramenta para programar Podemos dizer que o planejamento tático é a or-
o futuro, desde que seja possível executá-lo – lem- ganização que fazemos a médio e a longo prazo, que
brando que está, também, intimamente ligado aos origina nos objetivos e, consequentemente, nos re-
recursos disponíveis e aos prazos a serem cumpri- sultados. Esse tipo de plano é, geralmente, realizado
dos, sobretudo com nossos alunos/clientes (KUA- para uma das áreas que envolve o processo de ne-
ZAQUI, 2016). gócio como um todo e é por meio do planejamento

110
EDUCAÇÃO FÍSICA

tático que as metas são criadas, assim como as planos de ação. Nesse tipo de planejamento devem
condições para sua realização (CRUZ, 2017). Deve ser detalhados os recursos necessários para o desen-
ser mais detalhado do que o planejamento estraté- volvimento e a implementação, os procedimentos
gico, uma vez que é o centro de toda a organização básicos que podem ser adotados, qual o resultado
e nos orienta sobre o que realmente devemos fazer. esperado, os prazos estabelecidos e quem são os res-
Nessa fase, também são desenvolvidos os planos de ponsáveis pela execução e pela implantação (OLI-
marketing, financeiros, entre outros (CRUZ, 2017; VEIRA, 2018).
OLIVEIRA, 2018). Para Kuazaqui (2016), de uma forma resumida,
Ao elaborar o planejamento tático podemos fa- o planejamento operacional está relacionado a uma
zer algumas perguntas, como: sequência de atividades que envolvem os processos
básicos de uma empresa ou ainda da execução de
1. O que fazer? (Objetivos, orçamento) atividades necessárias a profissionais autônomos. É,
2. É possível fazer? também, realizar corretamente as funções e, para
3. Vale a pena fazer? isso, pode-se dividir a organização em órgãos que
4. Vai funcionar? desempenham suas ações individualmente ou ainda
5. Quando fazer? programar as ações a serem executadas em ativida-
6. Para quem será feito? des menores.
Nesse tipo de planejamento são descritas e orga-
nizadas as tarefas a serem realizada detalhadamente
Portanto, é importante que os profissionais estabele- e a curto prazo (ANDRADE, 2016). Como exemplo,
çam suas metas, a fim de estruturar o planejamento, podemos citar o planejamento de marketing de uma
que é tão importante para o exercício do ofício. academia. Ao elaborá-lo, pode-se desenvolver pla-
nos operacionais, tais como pesquisa de mercado,
Planejamento operacional perfil da clientela, plano de promoções, planos de
horários, modalidades mais buscadas, entre outros.
Sendo assim, esse planejamento corresponde à
fase do processo de gestão, que busca operaciona-
lizar quais as estratégias de organização, definir os
prazos e otimizar o plano de ação para otimizar os
resultados a curto, médio e longo prazo (ANDRA-
DE, 2016; OLIVEIRA, 2018).
Podemos observar que, em conjunto, os três ti-
pos de planejamento auxiliam as empresas e os pro-
fissionais liberais a estabelecerem suas metas e orga-
O planejamento operacional concebe a formaliza- nizarem as ações necessárias. Assim, cada modelo
ção dos métodos utilizados para implementar os apresenta características específicas e suas necessi-
resultados específicos – aqui temos a reparação dos dades de prazo e de detalhamento.

111
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

PLANEJAMENTO DAS INTERVENÇÕES REFLITA

Não elabore um programa com base no que


você gosta ou desgosta como técnico ou treina-
dor, monte um programa que funcione para o
atleta e atenda às suas necessidades no esporte.

(Michael Boyle)

Quando se trata, especificamente, da atuação do pro-


fissional de Educação Física, é necessário que este Ao realizar a periodização, leve em consideração
saiba como planejar os programas de intervenção ou o tempo necessário para trabalhar com as fases de
os treinamentos. De maneira geral, quando se trata alto volume, de alta intensidade e de recuperação (e
do planejamento no âmbito dos esportes e dos exer- sua alternância), bem como o número de repetições
cícios físicos, a literatura aponta como periodização, para cada um dos exercícios. Estabeleça um pro-
que corresponde ao plano de treinamento de um atle- grama simples e de fácil compreensão, organizando
ta e é uma forma de dividi-lo em segmentos menores ainda, quais os recursos necessários e os locais em
com fases distintas e objetivos específicos, podendo que os treinos serão realizados (BOYLE, 2018).
ser desenvolvido para períodos anual ou semestral Devemos ressaltar que os treinos não são uma
(BOMPA; HAFF, 2012). Neste tópico, trataremos so- receita, por isso, para cada pessoa ou atleta é preci-
bre o que diferentes autores da área consideram im- so montar um programa, pois o que funciona para
portante para o planejamento da boa periodização. determinada pessoa pode não funcionar para outra.
Diversos aspectos devem ser levados em consi- O planejamento das avaliações das metas e dos ob-
deração ao elaborar um programa de treinamento. jetivos, assim como a individualidade das sessões de
Boyle (2018) afirma que todo plano deve iniciar com treinamento são essenciais ao aperfeiçoamento do
um período de formação de base, com duração de programa (FLECK; KRAEMER, 2017; RADCLIF-
duas a três semanas, para que possa manter o condi- FE, 2017; BOMPA; HALL, 2012).
cionamento do atleta ou melhorá-lo. Após essa fase, O plano de trabalho com os atletas/clientes deve
inicia-se o planejamento das habilidades necessárias ser um processo sistemático, que considere os princí-
ao esporte. O autor aponta os seguintes princípios pios básicos necessários ao programa de treinamento
para a construção do plano de treino: e corresponda aos objetivos de cada indivíduo. As va-
• Trabalhe primeiro os padrões básicos, antes riáveis devem ser trabalhadas, a fim de criar estímu-
de considerar as progressões. los eficazes, para que os resultados sejam alcançados.
• Inicie com exercícios simples que usam ape- Nesse sentido, “o planejamento adequado de um pro-
nas o peso corporal. grama de treinamento deve oferecer um amplo con-
• Avance do simples ao complexo. junto de recursos para que se desenvolva, prescreva e
• Organize as progressões semanalmente depois se modifique as sessões de exercício” (FLECK;
(quanto aos pesos e quanto a cada repetição.
KRAEMER, 2017; p.173) durante os treinos.

112
EDUCAÇÃO FÍSICA

Um ponto relevante é que devem ser estabeleci- Os componentes de um programa a serem ponde-
das metas reais para os treinamentos, pois assim a rados são a análise das necessidades, a intensidade,
adesão ao programa é maior. Exemplo a ser citado é o volume, o intervalo de recuperação entre as séries,
a busca por academias para o chamado “projeto ve- a seleção de exercícios e as ordens de execução, de
rão”, em que as pessoas buscam perder o máximo de velocidade de repetição e de frequência de treina-
peso em tempo muito curto. Se uma mulher busca a mento (FLECK; KRAEMER, 2017).
academia com o propósito de perder 15 kg em dois Segundo os autores, podemos entender a análise
meses, esse é um objetivo real? Na maioria dos casos, das necessidades como uma série de questões que
não. Então qual seria a conduta adequada? Estabele- auxiliam na elaboração dos programas. Tais como:
cer objetivo de perda real de peso, como 5 kg, desde • Quais grupos musculares devo treinar?
que os exercícios sejam aliados à dieta adequada. • Quais fontes energéticas (ex.: aeróbica) de-
Sendo assim, é importante considerar fatores vem ser treinadas?
como idade e sexo, além dos princípios de treina- • Que tipo de ação muscular (ex.: isométrica,
mento, tais como sobrecarga progressiva, especifici- excêntrica) devo treinar?
dade e variação, assim como as mudanças necessá- • Quais as principais lesões devido à prática
dessa atividade?
rias para que o treino seja eficiente e as necessidades
• Qual é o histórico de lesões anteriores desse
específicas do esporte a ser trabalhado (FLECK;
indivíduo?
KRAEMER, 2017).
• Quais são as necessidades específicas a serem
treinadas (força muscular, hipertrofia, resis-
SAIBA MAIS
tência, potência, velocidade, agilidade, flexi-
bilidade, composição corporal, equilíbrio e
Os princípios do treinamento esportivo coordenação)?
são pontos importantes que orientam a
organização e a execução do processo de
treinamento. São apontados sete princípios: Após a análise inicial, Fleck e Kraemer (2017) afir-
da individualidade biológica (considera a dife- mam que é preciso considerar a escolha dos exer-
rença entre os elementos da mesma espécie), cícios a serem introduzidos no treino, a ordem de
da adaptação (adaptação do organismo à carga
de treino), da sobrecarga (após o desgaste há cada um deles, o número de séries e a duração entre
o período de restauração, que gera o período elas. Essas variáveis em conjunto determinam qual o
de restauração ampliada), da continuidade do estímulo necessário em uma sessão de treino, bem
treinamento, da interdependência volume-in-
tensidade (quantidade ou volume de treino como para sua modificação e controle que são a base
realizado em alta qualidade/intensidade), trei- para um programa de êxito. Alertam ainda que não
nabilidade (quanto mais treinado um indivíduo
é recomendado utilizar o mesmo programa de trei-
é, maior a dificuldade em alcançar novo pata-
mar de desenvolvimento atlético) e da espe- no por longo período de tempo e os treinamentos
cificidade (trabalho específico para melhorar que seguem programas individualizados propiciam
os fatores determinantes do desempenho)
melhores respostas (BOMPA; HAFF, 2012).
Fonte: adaptado de Barbanti (1997). Até o momento, estudamos variáveis impor-
tantes a serem consideradas em um planejamento.

113
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Para dividir a prática, podemos dividi-la em anu- melhora significativa por parte dos atletas/clientes
al, por temporadas, mensal, semanal ou por ses- não somente nas habilidades, mas na capacidade de
sões. Para Radcliffe (2017), o tempo destinado ao analisar a situação e realizar a correção necessária
treinamento deve ser bem utilizado, para que haja em seus movimentos.

Quadro 1 – Divisões de uma periodização anual

Período Orientações

Deve-se partir de dois pressupostos Fracione o ano em três ou quatro períodos:


importantes para este tipo de planeja-
Período de transição: adaptação inicial ao treino
mento:
e retorno das férias.
• O período da competição de maior im- Período preparatório: período de preparação
portância anual em que o atleta deve física, técnica e tática do atleta.
Anualmente
estar em seu ápice físico, fisiológico e Período pré-competitivo: período de preparação
psicológico. do atleta com competições.
• Qual o período de duração, por Temporada: período que culmina na competição.
exemplo, uma final ou uma temporada Para cada período de treinamento, devem-se esta-
longa. belecer objetivos diferentes.
Segmentação dos períodos em fases Cada período de treinamento deve incluir fases
consistentes de treino. Cada um deles, de trabalho preparatório, de trabalho máximo, de
Sazonalmente independentemente da época do ano conversão de potência e de manutenção/avaliação.
em que se encontra, terá alguns com- As fases não devem ter duração maior do que
ponentes básicos. quatro semanas.
Trabalho com métodos de treino específicos à
modalidade.
Fase do treinamento com duração de O principal conceito dessas fases de treinamento
Mensalmente
duas a quatro semanas. inclui a progressão para os objetivos com consis-
tência e variedade para abordagem de treinamen-
to abrangente, mais saudável.

Pode-se dividir em períodos de duas a três semanas.


Os ciclos de treino devem enfatizar a Cada semana pode ter sua carga aumentada (seja
Semanalmente
consistência do atleta. por volume e/ou intensidade).
A avaliação deve ser feita ao fim da quarta semana.

Pode-se criar rotinas diferentes de início e de fim


Correspondem às sessões diárias de de cada sessão.
Diariamente
treino. É preciso planejar corretamente a escolha dos
exercícios de cada uma das sessões.

Fonte: adaptado de Radcliffe (2017).

114
EDUCAÇÃO FÍSICA

Devemos, pois, considerar as divisões dos períodos to do programa é facilitado e garante que o atleta/
destinados aos treinamentos, a fim de aplicar a uti- cliente tenha bom desempenho na competição al-
lização correta do tempo disponível para atingir as mejada ou de acordo com as metas pessoais. Além
metas estabelecidas. disso, permite o trabalho correto das habilidades
A periodização, segundo Bompa e Haff (2012), é conforme o esporte. Vejamos, a seguir, um exemplo
importante no sentido de que, ao dividir os períodos de planilha de planejamento anual desenvolvida pe-
em fases menores, o planejamento e o gerenciamen- los autores.

Quadro 2 – Exemplo de plano anual de treinamento em fases e ciclos

PLANO DE TREINAMENTO ANUAL

fases do treinamento Preparatória Competitiva Transição

Preparação Preparação
Subfases
geral Especifica

Macrociclos

Microciclos

Fonte: adaptado de Bompa e Haff (2012).

A divisão realizada dessa forma favorece a visualiza- A estruturação do programa pode ser dividida
ção de todos os períodos importantes, bem como do em sete níveis, segundo Gomes (2009), em que cada
que será trabalhado em cada fase e subfase. um corresponde à conquista dos objetivos específi-
É importante considerar, em caso de periodização cos. Observe a figura a seguir e note que os níveis
de esportes individuais e coletivos, o calendário das mais altos (resultado desportivo, sessão e microci-
competições que o cliente/aluno participará ao lon- clo) englobam o planejamento de treinos específicos
go da temporada. Essa programação de treinamento para alcance do resultado esperado. As fases inferio-
deve ser proposta com base em premissas lógicas e, res, abaixo (mesociclo, macrociclo, ciclo anual, ciclo
o planejamento, sistematizado conforme o conteúdo olímpico e preparação a longo prazo), auxiliam no
do treinamento, o que deve ocorrer do nível mais aperfeiçoamento e na obtenção das metas gerais do
simples ao mais complexo (GOMES, 2009). treinamento.

115
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Ciclos de preparação esportiva SAIBA MAIS

Resultado O treinamento, segundo Bompa e Haff


desportivo R.D.
(2012), pode ser dividido em ciclos como
os macrociclos, mesociclos e microciclos. O
Sessão
macrociclo e o mesociclo correspondem ao
treinamento de médio prazo e têm a dura-
Microciclo ção de duas a oito semanas. O microciclo se
refere ao programa de treinamento semanal,
que pode durar de três a sete dias. Cada
Mesociclo microciclo pode ter diversos objetivos, como
desenvolver força, flexibilidade, velocidade,
entre outros.
Macrociclo

Ciclo anual
Gostaríamos de chamar-lhe a atenção para um
Ciclo olímpico aspecto fundamental de planejamento e de orga-
nização dos treinos: as sessões, consideradas as
Preparação a longo prazo menores partes dos planos estabelecidos. As ses-
sões de treinamento são a parte mais importante
Figura 3 – Ciclos de preparação esportiva do programa e devem ser estabelecidas de acordo
Fonte: adaptada de Gomes (2009).
com as tarefas a serem desenvolvidas (aprendiza-
gem de elementos novos, repetição do conjunto de
Cabe ao técnico aperfeiçoar a planificação em todos habilidades, aperfeiçoamento das capacidades ou,
os ciclos, tendo ideia clara de todos os componen- ainda, de avaliação) em cada encontro. Têm, geral-
tes que os envolvem (GOMES, 2009). Para Bompa e mente, a duração de duas a cinco horas (BOMPA;
Haff (2012), o planejamento é a ferramenta mais re- HAFF, 2012).
levante que o treinador possui, sobretudo com pro-
cedimentos baseados em métodos científicos, que
permitirão a otimização do desempenho.

116
EDUCAÇÃO FÍSICA
60kg 4 sets
8 - 10 reps
Quadro 3 – Exemplo de um plano de sessão de treinamento para corredores

Plano de treinamento 148 Treinador:______________________________________


Objetivos: aperfeiçoamento da saída, resistência específica e
Data: 14 de junho
treinamento de potência.
Local:
Equipamentos: blocos de saída e halteres.

Parte Exercícios Dosagem Formações Notas


1. Descreva os objetivos da sessão. 3 min João, preste a atenção ao
2. Enfatize em que os atletas trabalho de braço.
Introdução
devem concentrar-se durante o
treinamento.
1. Duração do aquecimento. 20 min Rita, vista dois agasalhos.
2. Caminhada. 1200 m Enfatize a flexibilidade do
3. Exercícios calistênicos, rotações 8x quadril e a perna fraca.
de braço e rotações da parte 8x
superior do corpo. 12 x
Aquecimento
4. Flexibilidade do quadril. 8-10 x
5. Flexibilidade do tornozelo. 8-10 x
6. Exercícios de saltos contínuos. 4 x 20 m
7. Sprints. 4 x 60-60 m
1. Partidas. 12 x 30 m Enfatizar o trabalho do
repouso 1 - 2 min braço.
2. Resistência específica. 8 x 120 m Manter velocidade cons-
3/4 (14s) tante ao longo de todas as
Corpo principal
repetições.
3. Treinamento de potência. Entre os exercícios, relaxar
os braços e as pernas.

1. Caminhada. 800 m Fique leve e relaxado.


2. Alongamento. 10 - 15 min Concentre-se nos flexores
Desaquecimento
de quadril.
3. Massagem. 5 - 10 min Trabalhe com um parceiro.
Notas da sessão Lembre-se de que 8 x = 8 vezes; 8 - 10 x = 8 - 10 vezes
Fonte: Bompa e Haff (2012).

117
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

O Quadro 3 nos exemplifica uma sessão de treino para Atualmente, existem diversos programas, aplica-
corredores. Cada sessão deve ser dividida de modo se- tivos e vídeos disponíveis na internet, que demons-
quenciado, com o intuito de trabalhar com o aumento tram treinos rápidos ou para serem realizados em
e a diminuição do trabalho. São, geralmente, fracio- casa. No entanto, muitos não têm base científica –
nadas em aquecimento (preparação), treino e desa- que proporciona perspectiva de resultados positi-
quecimento (conclusão), ou, ainda, em introdução vos devido à seleção dos exercícios e não por acaso.
(comunicação), aquecimento (preparação), treino e Em concordância com essa ideia, Fleck e Kraemer
desaquecimento (conclusão) (BOMPA; HAFF, 2012). (2017, p. 172) afirmam que “programas fundamen-
Por isso, é importante que o treinador tenha grande tados em princípios científicos sólidos terão efeitos
conhecimento a respeito da área com a qual deseja positivos relacionados ao modelo do programa”. Por
trabalhar, para que consiga estruturar treinos eficazes, isso, a supervisão do profissional qualificado é tão
tendo sempre base científica para suas escolhas. importante.

A seguir, observe mais exemplos de planilhas que podem ser utilizados em seus planejamentos:

Quadro 4 – Exemplo de periodização simples para o treinamento de força para a ginástica

Datas Set. Out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abr. Mai. Jun. Jul. Ago.

Campeonatos
De- Prov.
Competições L.A. Toronto Nacionais
troit Orillia
Vancouver

Preparatória Competição Transição


Periodização
Prep. geral Prep. específica Pré-comp. Competição principal Transição

Período de Adapt. Conversão a


Força máxima Conversão à potência Regeneração
força anat. potência

Fonte: Bompa e Haff (2012).

118
EDUCAÇÃO FÍSICA

Quadro 5 – Exemplo de periodização simples para o treinamento de habilidades dominantes para patinação
artística no gelo

Datas Jun. Jul. Ago. Set. out. Nov. Dez. Jan. Fev. Mar. Abr. Mai.

comp. da Camp. Camp.


Competições
Divisão Mundial Nac.

Preparatória Competição Transição


Periodização
Prep. geral Prep. específica Pré-comp. Competição principal Transição

Período de treinamento
treinamento aeróbio específico treinamento aeróbio Treinamento aeróbio
treinamento aeróbio geral
(corrida, skate) específico geral
aeróbio (corrida, bicicleta)

Período de Adapt. Conversão a Conversão à


Força máxima Conversão à potência
força anat. potência potência

Fonte: Bompa e Haff (2012).

Quadro 6 – Exemplo de periodização simples para as principais habilidades biomotoras

PREPARATÓRIO COMPETITIVA TRANSIÇÃO

Preparatória Competição
Preparatória específica Pré-competitiva Transição
geral principal

Conversão. Manutenção.
• Potência • Força máxima

Cessação
Adaptação
Força Força máxima Compensação
anatômica • Aptidão aeróbia muscular • Potência
• Ambos

• Treinamento aeróbio.
Aptidão Treinamento Treinamento aeróbio do esporte ou específico treinamento
• Treinamento aeróbio
aeróbia aeróbio de evento (ergogênese) aeróbio
específico (ergogênese).

TAI Velocidade especifica


Treinamento
• Potência anaeróbia. Agilidade
Velocidade aeróbio e
• Resistência anaeróbia. Tempo de reação
anaeróbio
• Tolerância ao lactato. Treinamento aeróbio de velocidade

Fonte: Bompa e Haff (2012).

119
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Quadro 7 – Exemplo de um plano de planejamento de treinamento anual

Gráfico do Plano Anual

Tipo: Ano

Meses
Datas
Semanas

Domésticas

Intemacionais
Competições

Local

Fase do treinamento

Força

Endurance
Periodização

Velocidade

Psicológico

Nutrição

Macrociclos

Microciclos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24

Índice de rendimento máximo

Datas de testagem

Datas de controles médicos

Campo/semicampo

1
2
3
4
5
Fatores de treinamento

--------- Intensidade
············ Rend. Máx.

——— Volume

Rendimento

Fonte: Bompa e Haff (2012).

120
EDUCAÇÃO FÍSICA

Gráfico do Plano Anual

Treinador

25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52

121
122
Quadro 8 – Exemplo de plano integrado de periodização

Meses 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12

FASES DO
PREPARATÓRIO COMPETITIVA TRANSIÇÃO
TREINAMENTO

Competições oficiais
subfases Preparatório Específica Pré-competitiva Recuperação Transição
e da liga

• Velocidade
• Velocidade máxima • Preparações especificas dos esporte
Resistência aeróbia máxima • Velocidade espe- • Velocidade especifica Recreação
Velocidade cífica Recuperação
e anaeróbia • Resistência • Agilidade diversão
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

anaeróbia • agilidade • Agilidade reativa


• Agilidade reativa

Manutenção de
Adapitação Força Força Conversão de
Força Potência potência ou força Compensação
anatômica máxima máxima potência
máxima

• Avaliar habilida- • Treinamento mental • Treinamento mental • Habilidades • Habilidades • Repouso


des mentais • Visualização • Energização mentais para mentais para ativo
• Aprender novas lidar com adver- ajudar na • Desetresse
• Imagistica • Auto-fala positivo
habilidades sários regeneração,

Periodizaação
• Relaxamento • Visualização relaxamento e
mentais • Administração
Treinamento • Administração de energia • Focalizar planos administração
• Praticar relaxa- do estresse
mental do estresse
mento • Simulação • Relaxamento
• Coroamento (compe- • auto-fala
• Focalizar planos
tição) positivo
• Motivação
• Visualização
• Auto-fala positivo

• Proteína • Carboidrato
• Carboidrato alto Flutua de acordo
alta • Carboidrato • Carboi- alto Dieta
Nutrição • Proteina mode- com a agenda com- Carboidrato alto
• Carboidrato alto drato alto • Proteína Balanceada
rada petitiva
moderado moderada

Fonte: Bompa e Haff (2012).


EDUCAÇÃO FÍSICA

123
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Avaliando as Intervenções

124
EDUCAÇÃO FÍSICA

Caro(a) aluno(a), assim como o planejamento, a Sendo assim, as avaliações devem ser especificadas
avaliação é ponto crucial para o trabalho com o trei- no planejamento, além de serem realizadas com re-
namento – no esporte ou fora dele –, pois, após a gularidade, estabelecendo acompanhamento das ati-
avaliação, por meios de protocolos utilizados para vidades. Por conseguinte, é preciso estabelecer qual
diversas variáveis pertinentes ao treino, é possível será o tipo de análise a ser efetuada.
realizar as modificações necessárias nos programas, Uma avaliação deve ser baseada em métodos
a fim de obter resultados satisfatórios. testados e comprovados cientificamente, que consi-
Nesse sentido, podemos entender a avaliação derem clara e precisamente a variável, sem subjetivi-
como forma de melhorar, crescer e evoluir. A ava- dade. Segundo Malheiros (2014), o processo formal
liação está relacionada ao ato de mensurar e de de- de avaliação deve ser composto por provas, testes
terminar o valor, o preço ou a importância de algo, ou exames observáveis e mensuráveis, para excluir
sendo feita, geralmente, por meio de provas, de exa- qualquer julgamento de valor pessoal. Pode ser exe-
mes ou de testes (FERREIRA, 2010). Após a reali- cutada em qualquer momento, desde que planejada
zação das avaliações, o feedback é importante, uma em todas as etapas, podendo ter processos distintos
vez que, ao demonstrar o resultado aos seus atletas/ de acordo com o momento em que ocorrem.
clientes, é possível verificar ou não a eficácia dos Em vista disso, quando a avaliação acontece no
treinamentos, para alterá-los de modo a melhorar início da atividade, temos uma avaliação diagnósti-
o desempenho almejado. Esse processo avaliativo ca, que pode ter como ponto de partida o conheci-
orienta as ações a serem realizadas, para que sejam mento prévio dos alunos/clientes e visa identificar o
tomadas as decisões assertivas, no que diz respeito perfil inicial do que se deseja modificar (SANTOS,
aos próximos passos (SANTOS, 2014). 2014; MALHEIROS, 2014). Um exemplo é quando
De acordo com Santos (2014), as avaliações têm damos início ao treinamento em uma academia,
como características: em que sempre é feita uma anamnese, para inves-
• Expressar os objetivos, os conteúdos e os tigar qual é o objetivo do cliente, seu peso, altura
métodos. e outras variáveis. Com base nessas informações
• Permitir a revisão e a correção/modificação é que os objetivos do treino serão traçados, bem
do planejamento, e a avaliação do perfil dos como a avaliação, para saber se os objetivos foram
alunos/atletas e suas expectativas.
atingidos.
• Contribuir para o desenvolvimento das capa-
A avaliação formativa ocorre ao longo do pro-
cidades e das habilidades, por meio do ajus-
tamento. cesso e o propósito é o de ajustar-se ao que está sen-
• Ser um processo contínuo e sistemático, no do realizado. A averiguação dos resultados pode ser
qual não se deve avaliar apenas o início e o entendida, ainda, como maneira de auxiliar o de-
fim do programa, mas continuamente. sempenho dos atletas/clientes, reforçando pontos
• Possibilitar a verificação do rendimento e sua positivos e negativos que podem ser melhorados
atuação ao longo do planejamento. (SANTOS, 2014; MALHEIROS, 2014).

125
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Por sua vez, a avaliação somativa visa investi- ou de melhora, assim como o que deve planejar
gar se o objetivo final foi obtido e, por esse mo- para a melhora ou o avanço dos aspectos nega-
tivo, acontece ao final do planejamento, encer- tivos destacados nas avaliações (SANTOS, 2014;
rando o ciclo, na maioria das vezes. Ao realizar a MALHEIROS, 2014).
verificação, os treinadores/técnicos podem redi- Para que as avaliações sejam bem-sucedidas é
recionar seu trabalho, a fim de melhorar o desem- imprescindível que se estabeleça um cronograma.
penho de seu atleta/aluno. Aspecto importante é É fundamental que as etapas desenvolvidas sejam
o feedback dado aos sujeitos que têm realizado as claras e ordenadas. A figura a seguir aponta orienta-
atividades, expondo o que se obteve de sucesso ções, de acordo com Santos (2014):

Mapear o Definir
que será critérios e Definir as Escolher Aferir os Fornecer
avaliado indicadores condições os istrumentos resultados feedback
Figura 4 – Passos para a elaboração de uma avaliação
Fonte: adaptada de Santos (2014).

O primeiro passo é o mapeamento do que será fim, temos o feedback, o retorno dado ao atleta/alu-
avaliado e deve ser alicerçado nas metas almeja- no quanto ao desempenho do que foi averiguado.
das. Na sequência, deve-se definir quais serão os Essa etapa deve explicar detalhadamente o que foi
critérios e os indicadores utilizados, que devem satisfatório e o que não foi (SANTOS, 2014).
ser claros, objetivos e mensuráveis. Após a defini- Ao elaborar um programa de testes e de avalia-
ção são estipuladas as condições, os locais e/ou os ções é necessário considerá-lo importante para a ta-
momentos específicos para realizar a avaliação. A refa que se deseja melhorar do atleta/aluno, assim
etapa referente à escolha dos instrumentos é uma como os efeitos específicos do treinamento que se
das mais importantes, pois é preciso selecionar o aplica. Além disso, devem avaliar as capacidades físi-
método correto para a análise dos dados. O instru- cas que se busca desenvolver com o treino (FLECK;
mento deve medir realmente o que se deseja avaliar. KRAEMER, 2017), assim, a escolha adequada dos
Para cada variável existente em um treino, há ins- testes que serão executados é de suma importância.
trumento, teste, exame, questionário, entre outros, Para Barbanti (1997), o avanço tecnológico tem
que podem ser utilizados. A análise dos resultados favorecido a exatidão dos sistemas de avaliação uti-
ocorre posteriormente e será importante para com- lizados, sobretudo para o esporte. Assim, os testes
preender se condizem ou não com o esperado. Por empregados na análise do rendimento físico, por

126
EDUCAÇÃO FÍSICA

exemplo, apresentam recursos, como a observação ANAMNESE E AVALIAÇÕES PRÉVIAS


das imagens em slow motion, a cinematografia, a ele-
tromiografia, entre outros disseminados na literatu-
ra. Para o autor, as avaliações têm grande importân-
cia e impacto no treinamento, pois é por meio delas
que é possível:
1. Identificar o nível de preparação física e de
técnica psicológica ao longo dos períodos de
treinamento.
2. Comparar o rendimento pré e pós-treina-
mento no mesmo ano, ou ainda na mesma
temporada.
Ao iniciar um programa de treinamento para exer-
3. Investigar a efetividade dos métodos de trei-
cícios físicos ou para esportes, a avaliação inicial é
namento utilizados, assim como estabelecer
normas de controle. importante, pois norteará o delineamento do pro-
4. Possibilitar a constatação dos progressos al- grama de treino a ser seguido. Para isso, pode-se uti-
cançados ou sua ausência. lizar anamneses e outros modelos de avaliação.
5. Estimular e incentivar o atleta. A anamnese nada mais é do que um questioná-
rio ou uma entrevista, por meio do qual se obtém
Ressalta-se que tão importante quanto a avaliação, informações que possibilitam a identificação de fa-
é a ação necessária após a sua realização, ou seja, se tores de risco, de informações sobre práticas de ati-
os resultados forem positivos (ou não) é preciso uti- vidade física, além de conhecer melhor os hábitos de
lizá-lo a fim de obter preparação ou prescrição de seus atletas/alunos/clientes (QUEIROGA, 2005). O
treino efetiva. objetivo dessa avaliação inicial é detectar a presença
Caro(a) aluno(a), agora que já entendemos a im- de doenças ou de possíveis riscos à saúde. Para isso,
portância da avaliação e a sua função primordial nos além dos questionários, podem ser solicitados testes
programas de treinamento elaborados por nós, pro- clínicos, histórico médico e, em alguns casos, libera-
fissionais, veremos, a seguir, o que podemos avaliar ção médica (HEYWARD, 2011).
em nossas intervenções. Realizar uma anamnese detalhada e bem redi-
gida garante a confiabilidade das informações. Por
isso, a comunicação clara com o entrevistado é pri-
REFLITA
mordial, pois, mesmo que a resposta seja óbvia, o
processo fornece informações essenciais sobre a si-
As medidas são compostas por técnicas que tuação de saúde atual, os objetivos, os dados ante-
fornecem informações sobre um dado rele-
vante para a sua intervenção. Portanto, sem- riores, os tratamentos, entre outros. A avaliação dos
pre tenha em mente: o que medir? Por que antecedentes médicos deve incluir qualquer doença
medir? Como medir? Quando medir? anterior, cirurgias, acidentes, alergias e, também, os
hábitos de vida (KAMINSKY, 2017).

127
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

DATA DO DIA: ___ / ___ / _______


Nome:________________________________________________________________ IDADE:___________ Data de Nascimento: ___ / ___ / _______
Endereço:_________________________________________________________________________________________________________________________________________
Rua Cidade Estado CEP
Telefone: Residência/Celular:________________________/_________________________ E-mail:________________________________________________________
Ocupação/Empregador: ______________________/_______________________ Telefone Comercial:____________________________________________________
Estado Civil: (marca apenas um) Solteiro Casado Divorciado Viúvo
Médico Pessoal: _____________________________________________________ Telefone:_______________________________________________________________
Endereço ________________________________________________________________________________________________________________________________________
Motivo da última visita ao médico:_________________________________ Data do último exame físico: ___ / ___ / _______
Você já foi submetudo a outro teste de estresse com exercício: Sim Não Data e local do teste: ___ / ___ / ______ _________________
___________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Pessoa a ser contatada em caso de emergência: ___________________________Telefone ________________________(parentesco)___________________

Responda sim ou não às seguintes questões a respeito do seu histórico familiar, do seu próprio histórico e de quaisquer sintomas
que já tenha apresentado:

HISTÓRICO FAMILIAR HISTÓRICO PESSOAL SINTOMAS


Algum menbro familiar próximo já
Você já teve: Você já teve:
sofreu:
SIM NÃO SIM NÃO SIM NÃO
Ataque do coração? Pressão arterial elevada? Dor torácica?
Cirurgia cardíaca? Colesterol alto? Falta de ar?
Endoprótese (stent)
Diabetes? Palpitação?
coronária?
Algum problema com o Ausência de alguns bati-
Cateterismo cardíaco?
coração? mentos cardíacos?
Defeito congênito do
Doença das artérias? Sopro cardíaco?
coração?
Acidente vascular cerebral? Doença da tireoide? Dor intermitente na perna?
Outra doença crônica? Se sim, descreva-a. Doença pulmonar? Tontura ou desmaio?
____________________________________________ Fadiga - com atividades
____________________________________________ Asma?
habituais?
____________________________________________ Câncer? Roncos?
____________________________________________ Doença renal? Dor nas costas?
____________________________________________ Hepatite? Problemas ortopédicos?
____________________________________________ Outros? Se sim, descreva. ___________________ Outros? Se sim, descreva-os.________________
____________________________________________ ____________________________________________ ____________________________________________

COMENTÁRIOS DA EQUIPE: ___________________________________________________________________________________________________________________


__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Já foi feita a medição do seu colesterol? Sim Não Se sim, valor: ____________ Onde:______________
Você está tomando alguma medicação de prescrição controlada (incluindo pírulas anticoncepcionais) ou de venda livre?
Sim Não
Para cada uma de suas atuais medicações, prestar a seguinte informação:
MEDICAÇÃO Posologia-vezes/dia Hora da administração Anos com essa medicação Motivo da administração
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Figura 5 – Exemplo de anamnese


Fonte: adaptada de Magee (2010).

128
EDUCAÇÃO FÍSICA

HOSPITALIZAÇÕES: enumere suas hospitalizações recentes (mulheres: não enumerar as gestações normais).
Ano Localização Motivo
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Outros problemas médicos/preocupações ainda não haviam sido identificados? Sim Não
Se sim, enumere-os: ___________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
HÁBITOS RELACIONADOS AO ESTILO DE VIDA
Você costuma ter falta de ar desconfortável durante o exercício ou quando em atividades?
Sim Não
Você tem sempre desconforto torácico durante o exercício? Sim Não
Caso afirmativo, isso passa com o repouso? Sim Não
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Você fuma atualmente? Sim Não Caso afirmativo, o quê? Cigarros. Cachimbos. Charutos.
Há quanto tempo você fuma? ____ anos
Que quantidade por dia: < ½ maço. 1 a 1½ maço. 1½ a 2 maços. > 2 maços.
Você já deixou de fumar? Sim Não Quando? ___________________________________________________________________
Por quanto tempo e que quantidade você fumou? _____________________________________________________________________________________
Você faz uso de alguma bebida alcoólica? Sim Não
Caso afirmativo, que quantidade em uma semana? (indicar abaixo)
Cerveja _______ (latas). Vinho_____ (copos). Bebida alcoólica forte______ (drinques).
Você faz uso de alguma bebida cafeinada? Sim Não
Caso afirmativo, que quantidade em uma semana? (indicar abaixo)
Café______ (xícaras). Chá_______ (copos). Refrigerantes______ (latas).
Você está adotando atualmente um plano dietético para redução ponderal? Sim Não
Caso afirmativo, há quanto tempo faz dieta?_________ meses.
O plano foi prescrito por seu médico? Sim Não
Você utilizou, no passado, dietas para redução ponderal? Sim Não
Em média, com que frequência e que tipo? __________________________________________________________________________________________________

AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE


Qual é seu tipo de atividade profissional? Sedentário. Leve. Moderado. Pesado.
Você participa atualmente de alguma atividade física vigorosa em bases regulares? Sim Não
Caso afirmativo, que tipo(s)? ______________________________________________ Quantos dias por semana? __________________________________
Por quanto tempo a cada dia? < 15 min. 15-30 min. 31-60 min. > 60 min.
Por quanto tempo você participou desse tipo de atividade? < 3 meses. 3-12 meses. > 1 anos.
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Você participa de algumas atividades físicas recreativas ou nas horas de lazer em bases regulares? Sim Não
Caso afirmativo, que atividades? _____________________________________________________________________________________________________________
Com que frequência? ____________________ vezes/semana. Por quanto tempo? ________________________ hora/sessão.
Por quanto tempo você participou desse tipo de atividade? < 3 meses. 3-12 meses. > 1 ano.
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Suas metas e objetivos de aptidão são:_______________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Comentários da equipe:
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________________________
Figura 6 – Exemplo de anamnese
Fonte: adaptada de Magee (2010).

129
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Além da anamnese inicial, pode-se utilizar questio- física, alimentação, entre outros. Os dados podem
nário específico para hábitos de vida. Essa investi- apontar fatores que necessitam ser modificados,
gação aponta informações importantes a respeito de bem como a probabilidade de adesão ao programa
fatores de risco, como tabagismo, nível de atividade de exercícios (HEYWARD, 2011).

AVALIAÇÃO DE ESTILO DE VIDA

Hábito de fumar
1. Você alguma vez fumou cigarros, charutos ou cachimbo? Sim Não
2. Você fuma atualmente? Sim Não
Cigarros ______________ por dia.
Charutos ______________ por dia.
C a c h i m - ______________ por dia.
bos
3. Com que idade você começou a fumar? __________ anos.
4. Se você parou de fumar, quando fez isso? ___ ____________________________________________________________________________

Hábito de beber
1. No mês passado, quantos dias você ingeriu bebidas alcoólicas _______________________________________________________
2. No mês passado, quantas vezes você ingeriu cinco ou mais doses por ocasião? __________________________________
3. Em média, quantos copos de cerveja, vinho ou uísque você consome por semana?
Cerveja ______________ copos ou latas.
Vinho ______________ copos.
Uísque ______________ copos.
Outras ______________ copos.

Hábito de exercício
1. Você se exercita vigorosamente de forma regular? Sim Não
2. Que atividades você pratica regularmente? ____________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________
3. Se você caminha, corre ou pratica jogging, qual é o número médio de quilômetros que percorre em cada treino?
__________________ quilômetros.
4. Quantos minutos, em média, duram suas sessões de treinamento? ______________ minutos.
5. Quantas sessões de treinamento por semana você realiza em média? sessões.
6. Sua ocupação é:
______________________________ Inativa (por ex., trabalho em escritório).
______________________________ Atividade leve (por ex., trabalho doméstico, carpintaria leve).
______________________________ Atividade pesada (por ex., carpintaria pesada, carregamento).

130
EDUCAÇÃO FÍSICA

7. Verifique as atividades que você preferiria realizar em um programa regular de exercícios:


___________________ Caminhada, corrida ou jogging. ___________________ Basquete.
___________________ Corrida estacionária. ___________________ Natação.
___________________ Pular corda. ___________________ Tênis.
___________________ Ciclismo. ___________________ Dança aeróbica.
___________________ Bicicleta estacionária. ___________________ Subida de escadas.
___________________ Step aeróbio. ___________________ Outra(s) (especifique).
___________________ Handebol, raquetebol ou squash.

Hábitos de dieta
1. Qual é o seu peso atual? __________ kg. Estatura? __________ cm.
2. Quanto você gostaria de pesar? __________ kg.
3. Qual o maior peso que você já atingiu como adulto? __________ kg.
4. Qual o menor peso que você já atingiu como adulto? __________ kg.
5. Quais os métodos de perda de peso que você já tentou? ________________________________________________________________
__________________________________________________________________________________________________________________________________
6. Que refeições você faz regularmente?
Café da manhã. Lanche do meio da tarde.
Lanche do meio da manhã. Jantar.
Almoço. Lanche após o jantar.
7. Quantas vezes você come fora por semana? __________ vezes.
8. Qual o tamanho das porções que você come normalmente?
Pequeno Moderado Grande Extragrande Variável
9. Com que frequência você come mais de uma porção?
Sempre Geralmente Algumas vezes Nunca
10. Quanto tempo você leva normalmente para comer uma refeição? ______ minutos.
11. Você come enquanto realiza outras atividades (por ex., assistindo TV, lendo, trabalhando)?
12. Quando lancha, quantas vezes por semana você ingere estes alimentos/bebidas?
Biscoitos doces, bolo, torta __________________ Bombons _______________________________________
Refrigerantes ___________________________________ Refrigerante dietético __________________________
Leite ou bebida láctea __________________________ Sonhos _______________________________________
Amendoins ou outras nozes __________________ Frutas _______________________________________
Queijos e biscoitos tipo cracker ______________ Batatas fritas, pretzels, etc. __________________
Sorvete _______________________________________ Outros _______________________________________
13. Com que frequência você come sobremesa? __________ vezes por dia __________ vezes por semana.
14. Que sobremesa você come com mais frequência? ____________________________________________________________________
15. Com que frequência você come alimentos fritos? __________ vezes por semana.
16. Você salga sua comida à mesa? Sim Não
Antes de experimentá-la. Depois de experimentá-la.

Figura 7 – Exemplo de anamnese


Fonte: adaptada de Heyward (2011).

131
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Além desse exemplo, outros instrumentos podem • Pletismografia por deslocamento de ar: é o
ser utilizados como o Questionário de Estilo de Vida método de medição do volume e da densida-
Fantástico (ANEZ; REIS; PETROSKI, 2008), Ques- de corporal, que utiliza o deslocamento de ar
para estimar o volume – que é feito por meio
tionário de prontidão para atividade física – PAR-
de câmara oval de fibra. O deslocamento de
-Q (CATTAI; HINTZE; NARDO JUNIOR, 2010), ar e as relações de pressão e volume são medi-
Perfil do Estilo de Vida Individual – PEVI (NAHAS; dos para identificar o volume corporal.
BARROS; FRANCALACCI, 2000), além de outros • Absortometria de raio X de dupla energia
disponíveis na literatura. (DEXA): esse método produz estimativas de
mineral ósseo, de gordura e de massa magra
do tecido mole por meio de raio-x.
COMPOSIÇÃO CORPORAL • Dobras cutâneas: mede indiretamente a es-
pessura do tecido adiposo subcutâneo. Pode
ser utilizada para estimar o percentual de
gordura corporal com base na quantidade de
gordura em determinada prega cutânea.
• Impedância bioelétrica: compreende a pas-
sagem de corrente elétrica de baixo nível pelo
organismo, que mede a resistência à corrente
quando passa no corpo. A resistência é maior
em indivíduos com maior quantidade de gor-
dura corporal.
• Mensuração das circunferências: são utiliza-
das preferencialmente para medir as mudan-
ças no tamanho de uma parte corporal ou seu
perímetro máximo, por meio de fita métrica.
• Peso (massa corporal): é expressa em
A avaliação da composição corporal é fundamental
quilogramas e indica a quantidade de matéria
para análise do perfil de saúde e de aptidão física dos que compõe o corpo humano.
sujeitos (KAMINSKY, 2017; HEYWARD, 2011), pois • Estatura (altura): é medido por meio do esta-
diversas doenças estão ligadas a um elevado percentu- diômetro e demonstra a altura em centímetros.
al de gordura corporal, como dislipidemia, hiperten- • Razão circunferência cintura/quadril
são e diabetes (LANCHA JUNIOR; LANCHA, 2016). (RCQ): a medida da circunferência da cin-
Os métodos mais utilizados para a avaliação da tura e o diâmetro abdominal sagital são uti-
composição corporal, de acordo com Kaminsky (2017), lizados para identificar riscos de doenças
cardiovasculares, como aumento da pressão
Lancha Junior e Lancha (2016), e Heyward (2011) são:
arterial, diabetes e colesterol.
• Pesagem hidrostática: é o método de
laboratório para determinar a densidade cor- • Índice de massa corporal (IMC): indica se o
poral. Consiste em pesar o indivíduo sob a peso corporal está na faixa ideal, abaixo ou
água, medindo sua densidade e estimando acima do desejado. O IMC pode ser calcula-
sua gordura. do dividindo-se o peso (em kg) pelo quadra-
do da altura (em metros).

132
EDUCAÇÃO FÍSICA

• Força – Teste de Repetição Máxima (1-RM):


avalia qual a quantidade máxima de peso que
pode ser levantada com apenas uma repeti-
ção máxima (RM). É considerada a medida
mais indicada para a análise da força muscular
(SOUZA; PEREIRA, 2019; KAMINSKY, 2017).
• Teste de agilidade – Shuttle Run: é o teste mais
utilizado a nível mundial para avaliar a agili-
dade. Tem execução simples, que consiste no
Figura 8 – Classificação do Índice de Massa Corporal indivíduo percorrer idas e voltas em distância
Fonte: Portal Ministério da Saúde (2017, on-line)¹.
de 9,14 metros (SOUZA; PEREIRA, 2019).
• Flexibilidade – Sentar e Alcançar: é o teste
TESTES FÍSICOS mais recomendado na observação da flexibi-
lidade. Nesse protocolo é utilizado o banco
de sentar e alcançar. Após estabelecer-se na
posição sentado, com os joelhos estendidos e
as plantas dos pés contra a borda da caixa, o
sujeito deve, com as mãos sobrepostas, alcan-
çar o mais distante possível ao longo do topo
da caixa (HAYWARD, 2011).
• Força Resistência Abdominal: é um teste de
resistência em que o avaliador deve pedir ao
avaliado que faça o máximo de abdominais
no período de um minuto.

Esses são apenas alguns exemplos de testes utiliza-


dos nas avaliações dos programas de treinamento. É
preciso ressaltar que muitos outros testes e protoco-
los podem ser utilizados, especialmente no caso de
De acordo com os esportes ou a prática de atividades modalidades esportivas diferentes, que exigem ava-
físicas, muitos testes e protocolos foram desenvolvi- liações de capacidades físicas específicas.
dos, a fim de avaliar aspectos da aptidão física. Vere-
mos alguns dos mais utilizados: REFLITA

• Consumo máximo de oxigênio: a avaliação


do VO2 max permite que seja estimada a ap- Orienta-se que os treinadores supervisionem
tidão cardiorrespiratória dos indivíduos e é no máximo 5 praticantes em cada sessão. Des-
um dos mais utilizados. Avalia qual o maior te modo, são resultados satisfatórios devido à
valor de captação, de transporte e de utiliza- correção e explicação dada ao atleta/aluno
ção de oxigênio pelo organismo (LANCHA
JUNIOR; LANCHA, 2016). (Steven J. Fleck e William J. Kraemer)

133
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA -los em sua atuação, bem como para encaminhá-los


em casos de alerta.
Na sequência, serão apresentados diversos instru-
mentos utilizados no âmbito da pesquisa e da aplica-
ção no contexto esportivo e dos exercícios físicos.
Motivação: é uma das variáveis psicológicas mais
estudadas a nível mundial. Temos dois instrumentos
a serem apresentados, um voltado ao contexto do es-
porte e, o outro, à prática de exercícios físicos.
1. Escala de Motivação para o esporte: instru-
mento que foi validado para a língua portu-
guesa por Costa et al. (2011). A escala consiste
em 28 questões, divididas em sete subescalas
avaliadas em uma escala Likert de sete pon-
Antes de mais nada, devemos destacar que não é tos. As subescalas do instrumento são: moti-
função do profissional de Educação Física realizar vação (questões 3, 5, 19 e 28), motivação ex-
intervenções psicológicas junto aos atletas/alunos, trínseca de regulação externa (questões 6, 10,
pois é atribuição dos psicólogos. Contudo, enquanto 16 e 22), motivação extrínseca de introjeção
técnicos e treinadores, muitas vezes, temos a possi- (questões 9, 14, 21 e 26), motivação extrínse-
bilidade de detectar comportamentos positivos ou ca de identificação (questões 7, 11, 17 e 24),
motivação intrínseca para atingir objetivos
negativos. Nesse sentido, é necessário que o profis-
(questões 8, 12, 15 e 20), motivação intrín-
sional de Educação Física tenha conhecimento de seca para experiências estimulantes (questões
instrumentos que o auxiliem na investigação de as- 1, 13, 18 e 25) e motivação intrínseca para co-
pectos como motivação, estresse, ansiedade, distúr- nhecer (questões 2, 4, 23 e 27). Para saber o
bios de imagem corporal, entre outros, para utilizá- resultado final é preciso fazer a média para
cada subescala supracitada.

Escala de Motivação para o Esporte


Instruções: leia cada afirmação e, utilizando a escala correspondente (1 a 7), circule o número que melhor indica
como você geralmente se sente quando pratica o seu esporte. Lembre-se de que não há respostas corretas ou
incorretas, pois só estamos interessados na sua opinião.

Não corresponde Corresponde um Corresponde Corresponde


Corresponde muito
nada pouco moderadamente exatamente
1 2-3 4 5-6 7

134
EDUCAÇÃO FÍSICA

POR QUE VOCÊ PRATICA O SEU ESPORTE?

1. Pelo prazer que sinto em viver experiências emocionais. 1 2 3 4 5 6 7


2. Pelo prazer que sinto em saber mais a respeito da modalidade que pratico. 1 2 3 4 5 6 7
3. Costumava ter boas razões para pratiar desporto, mas agora pergunto-me se deverei continuar. 1 2 3 4 5 6 7
4. Pelo prazer de descobrir novas técnicas. 1 2 3 4 5 6 7
5. Já não sei porque pratico essa modalidade. Tenho a sensação de não ser capaz de ter
1 2 3 4 5 6 7
êxito nessa prática.

Figura 9 – Exemplo da Escala de Motivação para os Esportes


Fonte: adaptada de Costa et al. (2011).

2. Escala de Motivação para o Exercício: instru- -Estar, Controle do Estresse, Reconhecimento


mento que foi validado para o português por Social, Afiliação, Competição, Reabilitação da
Legnani (2009), sendo composto por 44 ques- Saúde, Prevenção de Doenças, Controle do
tões, cujas respostas são apresentadas em esca- Peso Corporal, Aparência Física e Condição
la Likert com valores entre 0 a 5, em que o va- Física. Para verificar os resultados de cada um
lor mínimo representa “nada verdadeiro” e, o dos fatores motivacionais é preciso somar as
valor máximo, “muito verdadeiro”. Dividem-se respostas e dividir pelo número de questões
em dez fatores motivacionais: Prazer e Bem- referentes a cada uma das subsescalas.

Exercise Motivation Inventory - (EMI-2)


Versão traduzida e adaptada para a língua portuguesa

Essas questões são sobre os motivos que o estimulam a praticar exercícios físicos. Leia cuidadosamente cada afirma-
ção e indique, circulando o número apropriado, se cada uma das afirmações, para o seu caso, é verdadeira ou falsa
para que você pratique ou venha a praticar exercícios físicos. Se uma afirmação não tem nada de verdadeira, indique
“0”; Se acredita que uma afirmação é parcialmente verdadeira, assinale “1”, “2”, “3” ou “4”, de acordo com o grau de
veracidade de cada afirmação.
Você pode escolher qualquer número entre “0” e “5”. Lembre-se: queremos saber quais as razões pelas quais você
escolhe ou escolheria para praticar exercício físico e não as razões pelas quais outras pessoas escolhem ou escolhe-
riam para praticar exercícios físicos.

Faço exercício físico (ou faria): Nada/pouco Verdadeiro Muito verdadeiro


1. Para manter-me magro. 0 1 2 3 4 5
2. Para sentir-me saudável. 0 1 2 3 4 5
3. Porque me sinto bem. 0 1 2 3 4 5
4. Para parecer mais jovem. 0 1 2 3 4 5
5. Para demonstrar o meu valor para outras pessoas. 0 1 2 3 4 5

Figura 10 – Exemplo da Escala de Motivação para os Exercícios


Fonte: adaptada de Legnani (2009).

135
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Ansiedade: outro fator psicológico amplamente es- anotado 3, serão registrados 2 pontos (exem-
tudado no contexto esportivo. Temos dois instru- plo: 1 = 4, 2 = 3, 3 = 2, 4 = 1). Além disso, em
mentos utilizados para sua avaliação: relação aos itens da ansiedade relacionada à
autoconfiança, inverte-se a pontuação (1 = 4,
1. Ansiedade Estado Competitiva: a avaliação
2 = 3, 3 = 2, 4 = 1). A totalidade da pontua-
dos níveis de ansiedade geralmente é reali-
ção deve ser realizada da seguinte forma: a)
zada por meio do CSAI-2 (Competitive Sta-
ansiedade estado cognitiva: somar itens 1, 4,
te Anxiety Inventory – 2) validado por Cruz
7, 10, 13, 16, 19, 22, e 25; b) ansiedade estado
(2006). Esse protocolo avalia a ansiedade em
somática: somar itens 2, 5, 8, 11, 14, 17, 20,
três componentes: ansiedade cognitiva, so-
23 e 26; c) ansiedade relacionada à autocon-
mática e um componente relacionado à auto-
fiança: somar os itens 3, 6 ,9, 12, 15, 18, 21,
confiança. Para analisar o protocolo, as pon-
24, e 27. As pontuações para cada escala te-
tuações de cada questão possuem valor real,
rão variação de 9 (baixa ansiedade) a 36 (alta
com exceção do item 14, no qual você deve
ansiedade).
inverter a pontuação. Por exemplo, se for

TESTE DE ANSIEDADE ESTADO - CSAI - 2


Complete a seguinte escala em duas ocasiões separadas: em um tempo silencioso antes da prática, quando você
está relaxado, e em uma situação competitiva, na qual está estressado. Se você não é atualmente ativo em compe-
tição, recorde outra situação estressante e registre suas respostas.
Abaixo estão várias declarações que atletas utilizam para descrever sentimentos que antecedem competições. Leia
cada uma delas e circule o número apropriado para indicar como você se sente agora mesmo, neste instante. Lem-
bre-se de que não há resposta correta ou incorreta, e não passe muito tempo em qualquer uma das declarações.

Absolutamente não Um pouco Bastante Muitissimo


1. Preocupo-me bastante com a competição. 1 2 3 4
2. Sinto-me nervoso. 1 2 3 4
3. Sinto-me à vontade. 1 2 3 4
4. Tenho dúvidas sobre mim mesmo. 1 2 3 4
5. Sinto-me tenso. 1 2 3 4
6. Sinto-me confortável. 1 2 3 4

Figura 11 – Exemplo da Escala de Ansiedade Estado Competitiva (CSAI 2)


Fonte: adaptada de Cruz (2006).

136
EDUCAÇÃO FÍSICA

2. Ansiedade Traço Competitiva: para avaliar se for assinalado 1, deverá ser avaliado como
a ansiedade, traço dos atletas, temos o SCAT 3, se for assinalado 2, como 2, e, se for assi-
(Sport Competition Anxiety Test), validado nalado 3, como 1. Há ainda questões placebos
para a língua portuguesa por Freitas (1991), (1, 4, 7, 10 e 13), que não são consideradas as
que possui quinze questões e suas respostas em pontuações. A partir desses dados, a pontua-
escala Likert. Ao analisar as questões será so- ção deverá ser classificada como: 10-12 pon-
mado 1 ponto para as que forem respondidas tos, ansiedade baixa; 13-16 pontos, ansiedade
com “dificilmente”, 2 pontos para “às vezes” e 3 média- baixa; 17-23 pontos, ansiedade média;
pontos para “freqüentemente”. As questões 6 e 24-27 pontos, ansiedade média-alta; e acima
11 têm efeito invertido na pontuação, ou seja, de 28 como alta ansiedade.

Teste de Ansiedade Traço Competitiva - SCAT


Instruções: abaixo estão algumas afirmativas sobre como as pessoas se sentem quando competem. Leia cada uma
delas e decida se você dificilmente, às vezes ou frequentemente se sente da forma apresentada.
Para dificilmente, assinale 1; para às vezes, assinale 2; e para frequentemente, assinale 3. Lembre-se de que não
há respostas corretas ou incorretas. Não perca muito tempo. Escolha a palavra que melhor descreve como você se
sete quando compete e circule o número correspondente.

Dificilmente Às vezes Frequentemente


1 Competir é socialmente agradável.
2 Antes de competir, sinto-me agitado.
Antes de competir fico preocupado em não desem-
3
penhar bem.
4 Quando estou competindo sou um bom esportista.
Quando estou competindo fico preocupado com er-
5
ros que possa cometer.

Figura 12 – Exemplo da Escala de Ansiedade Estado Competitiva (CSAI 2)


Fonte: adaptada de Freitas (1991).

137
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Perfil do Estado de Humor: o estado de humor tam sentimentos aos quais são atribuídos valores
tem sido investigado, a fim verificar sua relação dispostos em escala do tipo Likert, de 0 a 4 – em
com o desempenho. Esse instrumento POMS que zero significa de jeito nenhum e quatro, ex-
(Profile of Mood States - Perfil de Estado de Hu- tremamente. Desse modo, observam-se seis di-
mor) foi validado para a língua portuguesa por mensões do humor: tensão, depressão, raiva, vi-
Peluso (2003) e contém 65 adjetivos, que apresen- gor, fadiga e confusão.

QUESTIONÁRIO DE PERFIL DO ESTADO DE HUMOR (POMS)


Instruções: para cada adjetivo abaixo, indique o que melhor representa seus sentimentos atuais, segundo a escala
abaixo:

0 – De jeito nenhum 1 – Um pouco 2 – Moderadamente 3 – Bastante 4 – Extremamente


1. Codial ____ 8. Desesperançado ____ 15. Boa índole ____
2.Tenso ____ 9. Relaxado ____ 16. Melancólico ____
3. Zangado ____ 10. Indigno (sem valor) ____ 17. Desesperado ____
4. cansado ____ 11. Vingativo ____ 18. Vagoroso ____
5. infeliz ____ 12. Simpático ____ 19. Rebelde ____
6. Lúcido ____ 13. Desconfortável ____ 20. Desamparado ____
7. Animado ____ 14. Inquieto ____ 21. Entendiado ____

Figura 13 – Exemplo da Perfil do Estado de Humor (POMS)


Fonte: adaptada de Peluso (2003).

Enfrentamento de Estresse – Questionário de Es- subescalas, que avaliam as seguintes competên-


tratégias de Coping (ACSI-28): esse questionário cias psicológicas: rendimento máximo sob pressão
auxilia na investigação de como os atletas/alunos (questões 6, 18, 22 e 28); ausência de preocupações
lidam com os eventos estressantes com os quais se (questões 7, 12, 19 e 23); confronto com adversida-
deparam. Foi desenvolvido por Smith et al. (1995) de (questões 5, 17, 21 e 24); concentração (questões
e validado para a língua portuguesa por Coimbra 4, 11, 16 e 25); formulação de objetivos (questões 1,
(2011). Avalia as estratégias de coping ou as com- 8, 13 e 20); confiança e motivação para a realização
petências de adaptação psicológica à situação es- (questões 2, 9, 14 e 26); e treinabilidade ou disposi-
portiva; é composto de 28 itens em escala Likert de ção para aprendizagem a partir do treino (questões
4 pontos. Os resultados são classificados em sete 3, 10, 15 e 27).

138
EDUCAÇÃO FÍSICA

Athletic Coping Skills Inventory - ACSI-28BR


Os itens abaixo se referem às indicações que os atletas descrevem suas experiências de enfrentamento. Por favor,
leia cada frase cuidadosamente e tente recordar com que freqüência você experimenta a mesma coisa tão
exatamente quando possível. Não há nenhuma resposta certa ou errada. Não gaste muito tempo em cada item.
Confira se deixou de marcar alguma questão.

0 = quase nunca 1 = às vezes 2 = frequentemente 3 = quase sempre


Diariamente ou semanalmente, estabeleço metas muitos específicas que me guiam no
1. 0 1 2 3
que fazer.
2. Tiro o maior proveito dos meus talentos e habilidades. 0 1 2 3
Quando o treinador ou o técnico me diz como corrigir um erro que eu tenha cometido,
3. 0 1 2 3
tenho tendência a ficar aborrecido/incomodado.
4. Quando estou praticando esportes, consigo focar minha atenção e bloquear distrações. 0 1 2 3
Permaneço positivo e entusiasmado durante a competição, não importa quão ruim a
5. 0 1 2 3
situação seja.

Figura 14 – Exemplo da Questionário de Estratégias de Coping (ACSI-28)


Fonte: adaptada de Coimbra (2011).

Questionário de Estresse e de Recuperação para As subescalas são: Estresse Geral (questões 22,
Atletas (RESTQ – 76 Recovery – Stress Question- 24, 30 e 45); Estresse Emocional (questões 5, 8, 28 e
naire for Athletes): foi validado para a língua por- 37); Estresse Social (questões 21, 26, 39 e 48); Confli-
tuguesa por Costa e Samulski (2005). Cada uma tos/pressão (questões 12, 18, 32 e 44); Fadiga (ques-
das dezenove subescalas do instrumento contém tões 2, 16, 25 e 35); Falta de Energia (questões 4, 11,
quatro questões, que avaliam eventos estressantes 3 e 40); Queixas Somáticas (questões 7, 15, 20 e 42);
e não estressantes e suas consequências subjetivas Sucesso (questões 3, 17, 41 e 49); Recuperação Social
dos últimos três dias/noites. O instrumento é com- (questões 6, 14, 23 e 33); Recuperação Física (ques-
posto por 77 questões, divididas em 19 subescalas, tões 9, 13, 29 e 38); Bem-estar Geral (questões 10,
sendo que o item 1 não se inclui na soma do escore 34, 43 e 47); Qualidade do Sono (questões 19, 27, 6 e
total. Cada domínio avaliado compreende quatro 46); Perturbações nos Intervalos (questões 51, 58, 66
questões, cujas respostas se dão em escala Likert, e 72); Exaustão Emocional (54, 63, 68 e 76); Lesões
variando de 0 (nunca) a 6 (sempre), e, a partir da (questões 50, 57, 64 e 73); Estar em Forma (questões
média calculada, temos os resultados para cada 53, 61, 69 e 75); Aceitação Pessoal (questões 55, 60,
domínio. 70 e 77); Autoeficácia (questões 52, 59, 65, e 71); e
Autorregulação (questões 56, 62, 67 e 74).

139
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Questionário de Estresse e de Recuperação para Atletas (R E S T Q – 76 Sport)


Este questionário consiste em uma série de afirmações, que, possivelmente, descreverão seu estado mental, emo-
cional e bem-estar físico, ou as atividades que você realizou nos últimos três dias e noites. Por favor, escolha a res-
posta que demonstre com maior precisão seus pensamentos e suas atividades. Indique com qual frequência cada
afirmação se encaixa no seu caso nos últimos dias.
As afirmações relacionadas ao desempenho esportivo se referem tanto às atividades de treinamento quando de
competição. Para cada afirmação há setes respostas possíveis. Faça a sua escolha e marque o número correspon-
dente à resposta apropriada.

Nos últimos três dias e noites...

Pouquíssimas vezes

Muitíssimas vezes
Metade das vezes
Poucas vezes

Muitas vezes

sempre
Nunca
1. Assisti à televisão. 0 1 2 3 4 5 6
2. Dormi menos do que necessitava. 0 1 2 3 4 5 6
3. Realizei tarefas importantes. 0 1 2 3 4 5 6
4. Estava desconcentrado. 0 1 2 3 4 5 6
5. Qualquer coisa me incomodava. 0 1 2 3 4 5 6

Figura 15 – Exemplo do Questionário de Estresse e Recuperação para Atletas (RESTQ – 76)


Fonte: adaptada de Costa e Samulski (2005).

Imagem Corporal (Body Shape Questionnaire – das as respostas, que apresentarão a classificação
BSQ): esse questionário avalia a satisfação com dos resultados.
a imagem corporal. O instrumento foi validado Se o resultado for menor ou igual a 80 pontos
para o português por Di Pietro (2002) e possui 34 é considerado normal. Entre 81 e 110 pontos, ob-
questões com seis opções de resposta (1 – nunca serva-se leve distorção da imagem corporal. Pontua-
a 6 – sempre). Cada resposta corresponde ao va- ções entre 111 e 140 se apresentam como moderada
lor demarcado para a opção, como, por exemplo, distorção da imagem corporal, e resultados acima de
“nunca” vale um ponto e assim sucessivamente. 140 pontos são considerados como presença de gra-
Para a análise do questionário, deve-se somar to- ve distorção da imagem corporal.

140
EDUCAÇÃO FÍSICA

BSQ – QUESTIONÁRIO DE IMAGEM CORPORAL


Gostaríamos de saber como você vem se sentindo em relação à sua aparência nas últimas quatro semanas. Por
favor, leia cada questão e anote um “X” na resposta apropriada. Utilize a legenda abaixo:

1 – Nunca 2 – Raramente 3– Às vezes 4 – Frequentemente 5 – Muito frequentemente 6 – Sempre

Nas últimas quatro semanas:

1. Sentir-se entediado(a) faz você se preocupar com sua forma física? 1 2 3 4 5 6


2. Você tem estado preocupado(a) com sua forma física a ponto de
1 2 3 4 5 6
achar que deveria fazer dieta?
3. Você acha que suas coxas, seus quadris e suas nádegas são grandes
1 2 3 4 5 6
demais para o restante do seu corpo?
4. Você tem sentido medo de ficar gordo(a) ou mais gordo(a)? 1 2 3 4 5 6
5. Você se preocupa com o fato de seu corpo não ser suficientemente
1 2 3 4 5 6
firme?

Figura 16 – Exemplo do Questionário de Imagem Corporal (BSQ)


Fonte: adaptada de Di Pietro (2002).

Qualidade de Vida (SF-36 Medical outcomes study 36 tões 1 e 11 – 5 itens); vitalidade (questão 9 – 4 itens:
– item short – form health survey) (CICONELLI et al., “a”, “e”, “g” e “i”); aspectos sociais (questões 6 e 10 – 2
1999): esse instrumento avalia oito aspectos distintos: itens) e saúde mental (questão 9 – 5 itens: “b”, “c”, “d”,
capacidade funcional (questão 3 – 10 itens); limitação “f ” e “h”). As questões possuem escala Likert, que va-
por aspectos físicos (questão 4 – 4 itens); limitação riam de 1 a 3 e de 1 a 7 pontos. A pontuação final é de
por aspectos emocionais (questão 5 – 3 itens); dor zero a 100 pontos, em que zero é considerado o pior e
(questões 7 e 8 – 2 itens); estado geral de saúde (ques- 100 o melhor estado de qualidade de vida.

141
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Versão Brasileira do Questionário de Qualidade de Vida – SF – 36


1. Em geral, você diria que sua saúde é:
Excelente Muito boa Boa Ruim Muito ruim
1 2 3 4 5

2. Comparada há um ano, como você classificaria sua idade, em geral, agora?


Muito melhor Um pouco melhor Quase a mesma Um pouco pior Muito pior
1 2 3 4 5

3. Os seguintes itens sobre atividades que você poderia fazer atualmente durante um dia comum. Devido à sua
saúde, você teria dificuldade para fazer estas atividades? Nesse caso, quando?
Sim, dificulta um Não, não dificulta de
Atividade Sim, dificulta muito
pouco modo algum
a) Atividades rigorosas, que exigem muito
esforço, tais como correr, levantar objetos 1 2 3
pesados e participar de esportes árduos.
b) Atividades moderadas, tais como mover
uma mesa, usar um aspirador de pó, jogar 1 2 3
bola e varrer a casa.
c) Levantar ou carregar mantimentos. 1 2 3
d) Subir vários lances de escadas. 1 2 3
e) Subir um lance de escada. 1 2 3

Figura 18 – Questionário de Qualidade de Vida (SF-36 Medical Outcomes Study 36 – Item short – Form health survey)
Fonte: adaptada de Ciconelli et al. (1999).

Caro(a) aluno(a), esperamos que você tenha compre- Destacamos que esses são apenas alguns dos aspectos
endido um pouco mais acerca das avaliações a serem a serem avaliados e outros também serão importan-
realizadas ao longo dos programas de intervenção. tes, devido à especificidade do programa planejado.

142
considerações finais

Caro(a) aluno(a), chegamos ao fim de mais uma unidade. Nesta etapa da discipli-
na, focamos nos aspectos relacionados ao planejamento e à avaliação das inter-
venções no que diz respeito aos esportes e à prática de exercícios físicos, pontos
fundamentais para a prática profissional.
Discutimos sobre os conceitos de planejamento, assim como os passos a se-
rem seguidos para sua elaboração. Planejar significa prever o que pode ser rea-
lizado, a fim de atingir o objetivo estabelecido. Para isso, é preciso criar metas/
objetivos realistas, traçar estratégias adequadas e utilizar os recursos disponíveis.
O planejamento das invenções deve seguir os passos supracitados e envolve
questões singulares, como sua divisão em ciclos menores – em casos específi-
cos do esporte, o planejamento deve ser preciso, a fim de que, no momento da
competição, o atleta esteja em seu desempenho máximo. No caso dos exercícios
físicos, é importante que a periodização seja realizada de maneira a alcançar os
objetivos traçados para o período estipulado, como, por exemplo, o ganho de
massa magra em um trimestre de treinamento.
Para averiguar se os resultados provenientes do programa de treinamento
foram positivos, é essencial estabelecer o cronograma de avaliações. Compreen-
demos, ao longo desta unidade, um pouco mais a respeito dos tipos de avaliação,
quais são as suas características e em quais momentos podem ser realizadas.
Discutimos também acerca das análises a serem efetuadas nas intervenções.
Lembre-se de que é importante iniciar seu trabalho realizando as avaliações pré-
vias, tanto para definir qual é a situação atual quanto para saber o ponto de parti-
da de sua intervenção. Do mesmo modo, as avaliações periódicas e as avaliações
finais auxiliam o profissional a saber se o programa tem dados os resultados es-
perados. Assim, encerramos com a ideia de que o profissional deve planejar não
somente a rotina de exercícios, mas o cronograma de avaliação – ambos impres-
cindíveis para o sucesso das intervenções.

143
atividades de estudo

1. A avaliação tem papel primordial para um progra- 3. No que se refere aos esportes e à prática de
ma de intervenção de sucesso. Observamos que exercícios físicos, o planejamento é chamado de
há diversas formas de avaliar e muitas opções periodização e corresponde ao plano de treina-
de testes, de exames, de protocolos e de instru- mento e à sua divisão, que pode ser anual, se-
mentos que podem ser aplicados. Considerando mestral ou trimestral, dependendo do objetivo.
os estudos apresentados acerca das avaliações Quanto ao planejamento das intervenções no
a serem executadas ao longo do programa de campo da Educação Física e à sua divisão, analise
intervenção, descreva três testes/avaliações que as afirmações abaixo e assinale com V, as verda-
você utilizaria em seu programa e qual o objetivo deiras, e com F, as falsas:
de cada um. ( ) As sessões diárias de treino correspondem
2. O planejamento é essencial para atingir os obje- ao menor planejamento a ser realizado. É
importante criar rotinas diferentes de início
tivos e as metas estabelecidas. Essa preparação
e de fim de cada sessão, além de escolher
é responsável por bons resultados, uma vez que
os exercícios de cada uma das sessões.
organiza a ordem das ações e a utilização dos re-
cursos necessários. Há três tipos: os planejamen- ( ) Para o planejamento anual, é importante
tos estratégico, tático e operacional. observar dois requisitos: planejar, para
que atleta esteja em seus ápices físico, fi-
Com relação ao planejamento estratégico, verifique siológico e psicológico na competição de
as proposições a seguir e responda: maior importância, e quanto tempo esse
I - Está relacionado à forma de administra- período deve durar.
ção, com o intuito de aperfeiçoar os resul- ( ) O planejamento sazonal não deve ter a du-
tados obtidos. Determina como os recur- ração maior do que quatro semanas, por
sos deverão ser utilizados. isso, deve ser dividido em fases menores
II - É ótima ferramenta para programar o que de treino. Cada período, independente-
se deseja atingir, desde que seja possível mente da época do ano em que se encon-
executá-lo. Inicia-se com a formulação dos tra, terá seus componentes básicos.
objetivos e a seleção das estratégias.
Assinale a alternativa correta:
III - É uma forma de gerenciar e de direcionar a) V; V; F.
o caminho a ser tomado, com base em
dados e em informações que propiciem b) F; F; V.
a programação dos recursos necessários. c) V; F; V.
É correto o que se afirma em: d) F; F; F.
a) I apenas. e) V; V; V.
b) II apenas.
c) I e III apenas.
d) II e III apenas.
e) I, II e III.

144
atividades de estudo

4. A elaboração do cronograma de avaliações a se- 5. As avaliações devem ser baseadas em métodos


rem realizadas ao longo das intervenções é im- testados e comprovados cientificamente, que
portante porque oferece os dados necessários possuam critérios claros, precisos e mensurá-
para alterações e melhorias. No que se refere à veis. No decorrer desta unidade, vimos diver-
avaliação das intervenções, verifique as proposi- sos testes e avaliações específicos para a apli-
ções a seguir e responda: cação nos programas de intervenção. Relacione
I - Deve-se considerar a realização das ava- os testes às suas categorias/classificações das
liações no término do programa, uma vez avaliações:
que é somente ao fim dos trabalhos que
os resultados podem ser observados. I. Anamnese ( ) Composição corporal
Anamnese e avaliações
II - É, por meio das avaliações pré e pós-trei- II. Dobras cutâneas ( )
prévias
namento, que é possível estabelecer o
Teste de sentar e
que pode ser alterado nos treinos, assim III. ( ) Avaliação psicológica
alcançar
como realizar o acompanhamento do ren-
dimento do atleta/aluno. Qualidade de
IV. ( ) Testes físicos
vida
III - Ao elaborar o programa de testes e ava-
liações, deve-se utilizar somente os testes
A sequência correta é:
mais recentes, não sendo necessário con-
siderar as capacidades físicas específicas a) I, II, III e IV.
com as quais se esteja trabalhando. b) II, IV, III e I.

É correto o que se afirma em: c) II, I, IV e III.


a) I apenas. d) IV, III, II e I.
b) II apenas. e) I, III, II e IV.
c) I e III apenas.
d) II e III apenas.
e) I, II e III.

145
LEITURA
COMPLEMENTAR

Nesta unidade, tratamos a respeito de diversas formas 2. Você sente dores no peito quando pratica atividade física?
de avaliação essenciais ao planejamento do bom pro- ( ) Sim ( ) Não
grama de intervenção. Dentre as avaliações iniciais, em
3. No último mês, você sentiu dores no peito quando pra-
que são realizadas as anamneses, muitos profissionais
ticou atividade física?
e autores importantes da área – como Heyward (2011) –
( ) Sim ( ) Não
destacam a importância da utilização do Questionário de
Prontidão para Atividade Física (PAR-Q). Este instrumen- 4. Você apresenta desequilíbrio devido à tontura e/ou à

to busca investigar, na população de indivíduos, alguma perda de consciência?

contraindicação médica para a prática de exercícios físi- ( ) Sim ( ) Não

cos, mesmo que de intensidade leve. Pode ser aplicado 5. Você possui algum problema ósseo ou articular que
para indivíduos com idades entre 15 e 69 anos. Observe poderia ser piorado pela atividade física?
a seguir. ( ) Sim ( ) Não

6. Você toma atualmente algum medicamento para pres-


Questionário de Prontidão para Atividade são arterial e/ou problema de coração?
Física (PAR-Q) ( ) Sim ( ) Não
Este questionário tem o objetivo de identificar a ne- 7. Sabe de alguma outra razão pela qual você não deve
cessidade de avaliação, pelo(a) médico(a), antes do praticar atividade física?
início da atividade física. Caso você responda “sim” ( ) Sim ( ) Não
a uma ou a mais perguntas, converse com seu mé-
dico antes de aumentar seu nível atual de atividade Análise do instrumento:
física, mencionando este questionário e as perguntas Se a resposta for “sim” a qualquer uma das perguntas, o
às quais você respondeu “sim”. indivíduo deve ser encaminhado ao seu médico para ob-
ter liberação antes de iniciar a prática de atividades físi-
Leia, por gentileza, as questões a seguir e assinale “sim” ou “não”: cas. Por meio da aplicação desse questionário, é possível

1. Algum médico já disse que você possui algum proble- verificar a situação do(a) aluno(a) antes de dar início aos

ma de coração e só deveria realizar atividade física su- programas de intervenção.

pervisionado(a) por profissionais de saúde? Fonte: adaptado de Heyward (2011).


( ) Sim ( ) Não

146
material complementar

Indicação para Ler

Periodização: teoria e metodologia do treinamento


Autor: Tudor O. Bompa e G. Gregory Haff
Editora: Phorte
Ano: 2013
Sinopse: esse título é um clássico da literatura técnica na área do planejamento
do treinamento desportivo. Traduzida em onze idiomas, Periodização – Teoria e
Metodologia do Treinamento é a obra mais aclamada de Tudor O. Bompa, porque
possibilita a aquisição dos fundamentos para o planejamento de forma extre-
mamente didática e simples. Há verdadeiro diálogo entre o autor e o leitor, que
ocorre por meio de sugestões metodológicas, de exposição do ponto de vista do
autor e de indicações de como realizar procedimentos técnicos e organizacionais
do treinamento.
Comentário: o livro aborda, além de aspectos essenciais, a periodização do trei-
no, ótimos exemplos e aspectos relacionados ao planejamento dos treinamentos.

Indicação para Ler

Avaliação Física e Prescrição de Exercício: Técnicas Avançadas


Vivian H. Heyward
Editora: Artmed
Ano: 2013
Sinopse: integrando as últimas pesquisas, recomendações, informações e orien-
tações claras e diretas para sua aplicação, essa nova edição de Avaliação Física e
Prescrição de Exercício: Técnicas Avançadas é recurso valioso para que estudantes
e profissionais da área da Ciência do Exercício aumentem seus conhecimentos,
habilidades e competência profissional.
Comentário: o livro apresenta diversos testes e avaliações essenciais à atuação
profissional, sobretudo na área da prescrição de exercícios.

147
referências

ANDRADE, A. R. Planejamento estratégico: formu- Revista Brasileira de Ciência e Movimento, v. 13, n.


lação, implementação e controle. 2. ed. São Paulo: 1, p. 79-86, 2005a.
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ANEZ, C. R.; REIS, R. S.; PETROSKI, E. L. Versão no esporte (SMS) no futebol para a língua portugue-
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BARBANTI, V. J. Teoria e prática do treinamento versão portuguesa do “Competitive State Anxiety
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2018. CRUZ, T. Manual de planejamento estratégico: fer-
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portuguesa e validação do questionário genérico de versidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2002.
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Rev Bras Reumatol., v.39, n.3, p.143-50, 1999. Portuguesa. 5. ed. Curitiba: Positivo, 2010.
COIMBRA, D. R. Processo de validação do questio- FLECK, S. J.; KRAEMER, W. J. Fundamentos do
nário “athletic coping skills inventory” para a lín- treinamento de força muscular. 4. ed. Porto Alegre:
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148
referências

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Guanabara Koogan, 2017. Medicina) – Faculdade de Medicina, Universidade
KUAZAQUI, E. Planejamento estratégico. São de São Paulo, 2003.
Paulo, SP: Cengage, 2016. QUEIROGA, M. R. Testes e medidas para avaliação
LANCHA JUNIOR, A. H; LANCHA, L. O. Avalia- da aptidão física relacionada à saúde em adultos.
ção e prescrição de exercícios físicos: normas e dire- Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.
trizes. Barueri: Manole, 2016. RADCLIFFE, J. C. Treinamento funcional para atle-
LEGNANI, R. F. S. Fatores motivacionais associa- tas de todos os níveis: séries para agilidade, velocida-
dos à prática de exercícios físicos em universitários. de e força. Porto Alegre: Artmed, 2017.
139 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – SANTOS, A. M. R. Planejamento, avaliação e didá-
Centro de Ciências da Saúde, Universidade Estadual tica. São Paulo: Cengage Learning, 2014.
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MAGEE, D. J. Avaliação musculoesquelética. 5. ed. tica. São Paulo: Cengage Learning, 2016.
Barueri: Manole, 2010. SANTOS, P. S. M. B. As dimensões do planejamen-
MAGRI, C. Planejamento educacional no ensino to educacional: o que os educadores precisam saber.
superior. São Paulo: Cengage Learning, 2016. São Paulo: Cengage Learning, 2016.
MALHEIROS, B. T. Avaliação e gestão de desempe- SMITH, R. E. et al. Development and validation of a
nho. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2014. multidimensional measure of sport-specific psycho-
NAHAS, M. V.; BARROS, M. G. V.; FRANCALAC- logical skills: the athletic coping skills inventory-28.
CI, V. O pentáculo do bem-estar: base conceitual Journal of Sport and Exercise Psychology, Cham-
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de, Londrina, v. 5, n. 2, p. 48-59, 2000. Curitiba: InterSaberes, 2019.
OLIVEIRA, D. P. R. Planejamento estratégico: concei-
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Referências on-line:

¹ Em: http://portalms.saude.gov.br/component/content/article/804-imc/40509-imc-em-adultos. Acesso em:


29 abr. 2019.

149
gabarito

1. Perfil de estado de humor. Identificar o estado de humor do atleta/aluno


naquele momento.
Flexibilidade. Avaliar a flexibilidade do atleta/aluno antes de iniciar os
treinamentos.
Dobras cutâneas. Avaliar o percentual de gordura do atleta/aluno, antes, du-
rante e após o fim do período de treinamento.
2. D.
3. E.
4. B.
5. C.

150
UNIDADE
V
PREPARAÇÃO PROFISSIONAL
PARA INTERVENÇÃO ÉTICA
EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Professora Dra. Fabiane Castilho Teixeira


Professora Me. Isabella Caroline Belem

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta
unidade:
• Ética, moral e ética profissional
• A ética e o perfil do profissional de Educação Física na
sociedade contemporânea
• A responsabilidade civil e sua importância para o exercício
da profissão

Objetivos de Aprendizagem
• Analisar a ética, a moral e a ética profissional enquanto
conceitos indispensáveis para o desempenho da profissão.
• Discutir qual é o perfil de atuação em Educação Física
requerido na sociedade contemporânea, evidenciando a
necessidade do profissional de assumir papel mais efetivo
no campo de trabalho.
• Refletir sobre a responsabilidade civil do profissional
de Educação Física, destacando sua pertinência para o
exercício cotidiano da profissão.
unidade

V
INTRODUÇÃO

O
desenvolvimento da ciência e da tecnologia marcam a cons-
tituição da sociedade contemporânea. Nesse cenário, temos
presenciado a rápida amplificação e a estratificação das ativi-
dades e das funções humanas, pois em ritmo muito acelera-
do, novas profissões surgem para atender às necessidades e às demandas
geradas pelo contexto social. Com isso, as atividades profissionais se tor-
nam cada vez mais especializadas e complexas.
No bojo desse conjunto amplo de transformações, as relações entre
os profissionais e seus beneficiários são fortemente enfatizadas. Exercer
com maestria uma profissão excede a competência técnica do profissio-
nal. Para que sua atuação seja legítima e contribua concretamente com as
expectativas daqueles que procuram seus serviços, o profissional precisa
agregar ao seu fazer cotidiano o conjunto de princípios e valores que de-
verão sustentar a prática interventiva. Ética, moral, respeito, responsabili-
dade, consciência e criticidade são conceitos que não podem ser descon-
siderados por nenhuma categoria profissional.
O reconhecimento da profissão em Educação Física, a partir da Lei
9696/98, apresenta importante salto qualitativo para o profissional da
área, trazendo novas perspectivas e desafios para esse campo interventi-
vo. Nesse ínterim, é elaborado o Código de Ética desta categoria profis-
sional, um documento de caráter normativo, que tem por objetivo orien-
tar a prestação de serviços.
Sendo assim, com a presença mais efetiva do profissional de Edu-
cação Física no mercado de trabalho, é fundamental pôr em análise a
atuação e os possíveis erros que podem ocorrer em seu desempenho. A
propósito, a necessidade de conhecer seus direitos, deveres e responsabi-
lidades aumentou consideravelmente nas últimas décadas. Trataremos de
todos esses assuntos nesta unidade. Esperamos que você aproveite e lhe
desejamos bons estudos!
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Ética, Moral
e Ética Profissional
Caro(a) aluno(a), para concluirmos nossos estudos em demasia com suas necessidades, vontades e an-
na disciplina, discutiremos e analisaremos questões seios, e, consequentemente, apresentam dificuldades
pertinentes à ética, à moral e à ética profissional. em considerar necessidades mais amplas, que envol-
São reflexões importantes, que pretendem colaborar vam o coletivo. Por isso, valores, princípios e regras
com os desafios e as problemáticas que você poderá que regem o comportamento humano são cada vez
enfrentar em sua futura intervenção profissional. mais enfatizados e debatidos.
Iniciamos este encontro lembrando que a so-
ciedade contemporânea, ao ser marcada pelos pa- ÉTICA
radigmas da produtividade e da competividade
(ANTUNES, 2007), faz emergir o processo de in- Para darmos continuidade à nossa conversa, é im-
dividualização do ser humano (HEROLD JUNIOR, portante que você saiba que a ética tem sido enfati-
2016), em que as pessoas acabam preocupando-se zada em diferentes âmbitos sociais, como no campo

156
EDUCAÇÃO FÍSICA

da religião, das profissões, da educação, da saúde, do Por isso, a ética é pensada como conhecimento,
esporte, do bem comum, dentre outros. De acordo verificação e investigação sobre os costumes dos
com Cazelato (2006), a ética é temática que continu- homens e aquilo que baliza as escolhas e as ações.
amente faz com que as pessoas participem de calo- Isso significa que a empregamos para explicar
rosas discussões, ora divergentes, ora convergentes, as nossas próprias decisões e comportamentos,
mas imprescindíveis para a convivência em socieda- tendo como base o que é considerado aceitável e
de. Tendo em vista sua importância, sua complexi- correto no que diz respeito ao convívio social (SI-
dade e sua dinamicidade, é necessário que ocorra a QUEIRA, 2008).
constante atualização das questões que se dedicam Sendo assim, é comum avaliarmos tanto a nos-
à ética, para que os sujeitos possam acionar esses sa conduta quanto a conduta de outras pessoas que
preceitos em seus cotidianos pessoal e profissional e, convivem em nosso meio, aplicando adjetivos como
com isso, participar da vida social. “bom” e “mau”, “certo” e “errado”. Definimos o que é
Afinal, o que seria a ética? É possível conceituá- virtude, o que é permitido e o que é proibido. Quan-
-la? Embora não tenhamos definição única, alguns do fazemos isso, empregamos princípios éticos, uma
pesquisadores se empenharam em apresentar pos- vez que trazem em si o significado e a relevância que
síveis definições. O termo “ética” origina do grego esses adjetivos adquirem em determinado contexto.
ethos, cujo significado é “modo de ser” ou “caráter”, e A finalidade da ética – ou seu foco – é o bem comum,
se refere aos costumes dos sujeitos em determinado com a abordagem do convívio e do relacionamento
contexto social (TOJAL, 2017). Também pode ser existente entre determinado grupo (PERRENOUD,
considerada o conjunto de princípios produzidos 2001; TOJAL, 2017).
ao longo da história e que apresentam o objetivo de
orientar as ações dos homens, buscando o equilíbrio REFLITA
social (SIQUEIRA, 2008). Pode ser entendida, ainda,
como disciplina que investiga a ação dos homens, e Empregamos a ética para responder três
pretende orientar e conduzir seus comportamentos questões: (1) quero?; (2) devo?; (3) posso? Nem
no âmbito coletivo (CAZELATO, 2006). tudo o que eu quero eu posso; nem tudo que
eu posso eu devo; nem tudo que eu devo eu
quero. Há paz de espírito quando aquilo que
se quer é o que se pode e o que se deve.

(Mario Sérgio Cortella)

Em outra análise, a ética é um dos fatores que nos di-


ferenciam dos animais, pois os animais têm compor-
tamentos padronizados e os manifestam da mesma
maneira em qualquer lugar. Já os homens, por meio
de ações racionais e refletidas, seguem orientações

157
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

pautadas no livre-arbítrio, impactadas pelo contexto De fato, a ética faz parte da vida humana e é
social. Assim, a liberdade de escolha é o fator que interessante percebermos como foi pensada nos
mais nos diferencia dos animais. Essa liberdade dá diferentes períodos históricos.
origem à responsabilidade pelas nossas próprias de-
cisões, escolhas e ações (CAZELATO, 2006). Nas
palavras de Cortella (2018, p. 15):

Somos um animal que não nasce pronto; temos


de ser formados. Essa formação pode nos levar
à vida como benefício ou à vida como malefí-
cio, da pessoa que é capaz de produzir benefício
ou da que é capaz de produzir malefício. Todos
e todas somos capazes de ambas as coisas. Afi-
nal de contas, ética está ligada à ideia de liber-
dade. Ética é como eu decido a minha conduta.
Na Antiguidade, os conhecimentos místico e mítico
E a palavra “decido” é marcante porque sinaliza
quais são os critérios e valores que eu uso para eram mobilizados para explicar os fatos e a realida-
me conduzir na vida coletiva. de. Sendo assim, era mais simples analisar o que era
certo ou errado, pois as apreciações eram baseadas
Assim, a ética se materializa nas escolhas e nas ações na tradição e os sujeitos não a contestavam, mas en-
que impactam a convivência entre as pessoas, pois, tendiam que tudo o que acontecia era presente ou
quando convivemos em sociedade, precisamos de- castigo dos deuses – situações que não poderiam ser
cidir o que queremos fazer, o que nunca ocorre em explicadas pelo intelecto humano.
âmbito completamente individual. Precisamos de- Posteriormente, por volta do século IV a.C., com
terminar quais atitudes são aceitáveis e quais não o nascimento da filosófica ocidental e o abandono
são, justamente por prejudicarem o coletivo. Todas da herança mítica, os problemas éticos começam
essas decisões e ações passam por nossa apreciação a ser evidenciados. Os fatos e as situações da vida
dos princípios éticos. humana passam a ser questionados com intensas
Sabemos que, historicamente, a ética tem se reflexões e análises sobre a organização do mun-
apresentado como elemento basilar na regulação do, a natureza e os homens, e há diferenciação das
dos desenvolvimentos social e cultural da humani- explicações míticas e das explicações científicas para
dade. Nesse caminhar pela história, a ética não se compreender tais fenômenos. Se antes os deuses
manteve estática, mas se atualizou inúmeras vezes, orientavam as decisões humanas, agora o homem
pois busca continuamente atender às necessidades passa a tomar suas próprias decisões (BOFF, 2014;
de determinada sociedade. Tojal (2017, p. 30) afirma VÁSQUEZ, 2017).
que “Sem ela, ou seja, sem as referências a princípios No período que corresponde à Idade Média –
humanitários fundamentais comuns a todos os po- entre os séculos V e XV –, predominou a ética teo-
vos, nações, religiões etc., a humanidade já teria se cêntrica, em que a organização da vida humana tem
autodestruído”. Deus como o centro. As ações morais são balizadas

158
EDUCAÇÃO FÍSICA

pela Igreja Católica, que orienta o homem em rela- Até aqui, caro(a) aluno(a), é importante que
ção ao que era considerado correto ou incorreto, ou você tenha percebido que a ética é o conjunto de va-
seja, questão de pecado ou de obediência. A partir lores, de normas e de princípios que buscam guiar as
do século XVI, com o advento da Modernidade e decisões e as ações humanas. Você sabia que é muito
do desenvolvimento do pensamento científico, sur- comum confundirmos a ética e a moral? Isso acon-
ge a ética antropocêntrica, e a organização da vida tece porque, apesar dos termos apresentarem suas
humana passa a ter o homem como centro. Nesse diferenças e especificidades, são correspondentes e
momento, o homem vincula suas ações à consciên- estão inter-relacionados.
cia que tem delas (BOFF, 2014; VÁSQUEZ, 2017).
MORAL
SAIBA MAIS
A concepção e a prática são dois núcleos que nos
A sociedade contemporânea cria continua- auxiliam na compreensão das especificidades dos
mente novas concepções de padrões de com- conceitos de ética e de moral. Apesar da correlação
portamentos morais. Isso impacta a forma entre os dois termos, eles não apresentam o mesmo
como as pessoas se comportam e agem no
contexto em que vivem. Sentimentos como sentido, pois, enquanto a ética apresenta os valores
vergonha e medo se modificam conforme se e os princípios que buscam orientar a conduta das
modificam os padrões de comportamento pessoas no âmbito social, a moral ocorre no plano
considerados aceitáveis.
da prática desses valores na vida cotidiana (COR-
Fonte: Souza e Stumpf (2009). TELLA, 2018). Podemos pensar no seguinte exem-
plo: “[...] tenho como princípio ético que ‘o que não
é meu não é meu’; encontro um celular no chão da
Como estamos percebendo, no mundo contempo- sala de aula, devolvê-lo ao dono é um ato moral.
râneo, os preceitos éticos são pensados a partir do A razão para fazê-lo é um princípio ético” (COR-
princípio de liberdade de escolha e da valorização TELLA, 2018, p. 18).
das decisões coletivas. Assim, a ética é considerada Por isso, para o autor, a moral é prática que se
a ciência que faz a crítica aos valores universais que desdobra a partir das orientações da ética, ou seja, é
imperam em determinado momento. Vale lembrar algo a ser ou não vivenciado pelas pessoas.
que os valores não se efetivam em âmbito individu-
al, mas no coletivo (TOJAL, 2017). Dessa forma, o
autor destaca que a ética pode ser considerada um
conhecimento, um estudo ou uma reflexão – cien-
tífica ou filosófica, e até mesmo teológica – acerca
dos costumes e das atividades humanas. É oportuno
observar que, se no passado o homem era guiado
pela tradição, no presente é guiado pelas próprias
produções e análises que faz da realidade.

159
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Vejamos outro exemplo analisando uma corrida de ao atender a um aluno que frequenta determinada
cross-country, que ocorreu em 2012, em Navarra, na academia de ginástica, eu tenho atitude preconcei-
Espanha. tuosa quanto à sua forma física ou habilidade para
executar a técnica de determinado movimento, não
[...] O queniano Abel Mutai, a pouca distância estou aplicando, na prática, o princípio ético. Por-
da linha de chegada e, confuso com a sinaliza-
tanto, não é uma atitude que segue a conduta moral.
ção, parou para posar para fotos pensando que
já havia cumprido a prova. Logo atrás vinha o Colaborando com esse debate, Boff (2014, p. 37) nos
corredor espanhol Ivan Fernández Anaya que esclarece que:
começou a gritar para que o queniano ficasse
atento, mas este não entendia que não havia Uma pessoa é ética quando se orienta por prin-
ainda cruzado a linha de chegada. O espanhol, cípios e convicções. Dizemos, então, que tem
então, o alertou e o conduziu em direção à vi- caráter e boa índole. A moral é parte da vida
tória. Um jornalista, aproximando-se do espa- concreta. Trata da prática real das pessoas que
nhol, perguntou: “Por que o senhor fez isso?”. se expressam por costumes, hábitos e valores
O espanhol replicou: “Isso o quê?”. O jorna- culturalmente estabelecidos. Uma pessoa é mo-
lista insistiu: “Por que deixou o queniano ga- ral quando age em conformidade com os cos-
nhar?”. “Eu não o deixei ganhar. Ele ia ganhar”. tumes e os valores consagrados. Estes podem,
O jornalista continuou: “Mas você poderia ter eventualmente, serem questionados pela ética.
ganho! Estava na regra, ele não notou...”. “Mas
qual seria o mérito da minha vitória, qual seria Há importante relação de circularidade e de comple-
a honra do meu título se eu deixasse que ele
mentaridade entre a ética e a moral, uma vez que a
perdesse?”. E continuou, então, dizendo: “Se
eu ganhasse desse jeito, o que ia falar para a ética implica a moral – pois é, de fato, produto das
minha mãe?” (CORTELLA; BARROS FILHO, suas análises e das suas reflexões–, e a moral impli-
2014, p. 9). ca à ética o constante avaliar e repensar dos princí-
pios e dos valores instituídos (PEDRO, 2014). Vale
Quais constatações sobre os conceitos de ética e de pontuar que tanto a ética quanto a moral não são
moral esse exemplo nos apresenta? Há diferenças verdades estáticas e imutáveis, mas verdades que se
entre as definições de certo e de errado, de justo e movem no decorrer da história da humanidade, que
de injusto feitas pelo corredor espanhol Ivan Fer- se ampliam e se tornam cada vez mais complexas.
nández Anaya e pelo jornalista que o abordou? O Podemos lembrar, por exemplo, que em determina-
que fazer quando os interesses individuais precisam do momento da história a escravidão foi aceita (CA-
antes responder às necessidades do coletivo? São re- ZELATO, 2006; TOJAL, 2017).
flexões importantes que nos ajudam a pensar sobre Se no campo da ética estudamos, analisamos,
as barreiras existentes entre o princípio e a prática questionamos, aprovamos ou desaprovamos as con-
em nosso cotidiano. dutas humanas, no campo da moralidade mobiliza-
Pensamos no exemplo aplicado à intervenção mos esse conjunto de orientações e de normatizações
do profissional de Educação Física: o princípio ético na condução do nosso comportamento. Com essa
na nossa profissão é a ausência de discriminação ou lógica, Tojal (2017) avalia que a ética se empenha em
qualquer tipo de preconceito (CONFEF, 2015). Se, construir prescrições que buscam asseguram o bem

160
EDUCAÇÃO FÍSICA

comum, uma vida justa e equilibrada em socieda- O homem é livre para optar pelo que acha cor-
de. Já a moral busca elaborar o conjunto de reflexões reto e fazer o que entender ser o melhor, mas
com a consciência de que é um ser livre e que
sobre as razões para buscar essa vida harmoniosa e
deve agir, pensando na sua realização e na ple-
justa, além disso, empenha-se em descrever os cami- nitude do ser humano social que quer crescer
nhos necessários para concretizá-la. A moral é con- e se desenvolver, superando o individualismo
siderada a finalidade e o sentido da vida humana, e sendo autônomo, mas com a capacidade de
decidir por si mesmo a partir das limitações da
contempla os fundamentos da obrigação e o dever
vida em sociedade. Somente há responsabili-
da natureza do bem e do mal, incluindo o valor da dade moral se existe liberdade (CAZELATO,
consciência moral. 2006, p. 28-29).
A moral é, portanto, voltada para a ação con-
creta do cotidiano e para a aplicação de preceitos Não podemos desconsiderar que apesar de o ho-
considerados válidos por certo grupo social. Vale mem ser livre, a linguagem, a política, a educação,
pontuar que: a cultura, bem como o conhecimento que se produz
e a disseminação desse conhecimento são fatores
Toda sociedade tem, implícita, uma moral, que impactam diariamente a condição de liberda-
uma tábua própria de valores que aplica para
de. No entanto, o homem não é passivo, visto que se
julgar a cada um de seus componentes, não
mais segundo as convenções individuais, mas desenvolve, adquire sua própria visão de mundo e,
segundo sua utilidade social [...] (INGENIE- com isso, a capacidade de analisar e de decidir sobre
ROS, 2006, p. 47). aquilo que considera aceitável, adequado e legítimo.
Por isso, as pessoas atribuem significados diferentes
REFLITA para os mesmos fatos e situações. A liberdade do ho-
mem não lhe permite escolher o que acontece em
Não podemos falar em ética e moral sem res- alguns momentos da vida, pois nem tudo que ocorre
peitar as potencialidades e as limitações dos depende de sua vontade, mas lhe permite escolher
nossos alunos! como responder e agir.

Para Cazelato (2006), não é possível pensar em


comportamento moral sem considerar que os su-
jeitos são responsáveis pelos seus atos, ou seja, as
pessoas têm liberdade de escolha para decidir o
que querem fazer e como querem concretizar suas
ações. Por isso, o comportamento moral envolve
a vontade própria do indivíduo, suas opções, sua
liberdade e sua responsabilidade. Portanto, a liber-
dade e a responsabilidade caminham juntas. São
palavras da autora:

161
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Na maioria dos casos, há mais de uma possibilidade ganizam para determinar as práticas e as condutas
de escolha e, havendo uma decisão, esta precisa ser consideradas adequadas àquela atividade. Por isso,
assumida como tal (CAZELATO, 2006). em cada profissão verificamos valores específicos e
Assim, para nossos estudos sobre intervenção uma ética profissional que se aplica à dada área (LO-
profissional em Educação Física, é crucial analisar os PES DE SÁ, 2009). Esses valores são disseminados a
conceitos de ética e de moral, bem como estabelecer partir da instituição do Código de Ética profissional,
relações entre os preceitos éticos da nossa profissão conforme veremos mais adiante.
e a forma como esses conceitos serão aplicados coti- De acordo com Drumond (2004, p. 56):
dianamente na atuação. Sendo assim, estudaremos a
ética profissional. O exercício de uma profissão exige uma deter-
minada predisposição de caráter, um pendor
ou uma vocação que não se restringe apenas
ÉTICA PROFISSIONAL a possíveis qualidades técnicas, mas, também,
a uma convicção pessoal e social de quem vai
Conforme discutimos na Unidade I deste livro, as atuar nela. Toda profissão para ser exercida
profissões são atividades que buscam soluções ade- deve estar fundamentada em três sustentácu-
los: a técnica, o aprimoramento profissional e a
quadas para problemas específicos existentes na so-
ética. A técnica se assenta na formação cientí-
ciedade. Nesse sentido, para oferecer soluções qua- fica e cultural, originada do um conhecimento
lificadas é indispensável que as pessoas balizem sua específico ou particular da ciência [...]. O apri-
prática a partir de conhecimentos científicos perti- moramento profissional significa a atualização
permanente da técnica, demandada de modo
nentes à cada área de atuação (CAZELATO, 2006).
constante pelos avanços do conhecimento e
Dessa forma, da própria técnica. Por fim, a ética profissional
constitui um conjunto de valores morais aplica-
Profissão é, pois, uma atividade humana es- dos especificamente à prática de um ofício.
pecífica surgida em razão de uma necessidade
social, para a qual deve estar voltada com a
missão fundamental de colaborar para o bem- Ao considerarmos que uma das responsabilidades
-estar coletivo, o equilíbrio e a paz social (DRU- da profissão é colaborar com o bem-estar coletivo,
MOND, 2006, p. 52). percebemos a importância de a ética ser aplicada ao
campo das profissões. É indispensável que o futuro
Em uma profissão, um indivíduo pratica constante- profissional em Educação Física compreenda que
mente um ofício e oferece determinados serviços a aquilo que se pensa e as ações são componentes in-
terceiros. Por isso, as diferentes profissões apresen- ter-relacionados. Nesse âmbito, as condutas consi-
tam funções específicas à sociedade. Os profissio- deradas adequadas pela sua categoria profissional só
nais são responsáveis por priorizar a qualidade do terão legitimidade e poderão contribuir com deter-
serviço ofertado e não devem dar preferência aos minado grupo se forem efetivamente aplicadas. É no
seus interesses pessoais. Os grupos ou as classes pro- exercício diário da profissão que nossas atitudes pre-
fissionais são constituídas por pessoas que oferecem cisam ser constantemente avaliadas e repensadas. É,
serviços na mesma área de conhecimento e se or- de fato, uma grande responsabilidade!

162
EDUCAÇÃO FÍSICA

Dessa forma, na atividade, os profissionais de- as limitações dessas pessoas. Esperamos que todos
vem cumprir um conjunto de deveres. Podemos esses aspectos sejam considerados na intervenção
destacar: a) assumir responsabilidade profissional profissional em Educação Física, nos mais diferen-
somente se possuir a qualificação necessária para o tes âmbitos e contextos. Discutiremos esses aspectos
desempenho da profissão; b) ter conhecimento to- com mais atenção no próximo tópico desta unidade.
tal e não parcial da tarefa a ser desempenhada; c)
ter consciência dos prejuízos que podem causar às
pessoas se não desempenhar satisfatoriamente seu
trabalho; d) atualizar-se continuamente, para que
tenha domínio da sua área de conhecimento (BEN-
NETT, 2012).
Conforme vimos, o conhecimento científico es-
pecializado é indispensável para oferecer serviços
qualificados à sociedade. No entanto, é fundamental
que você, caro(a) aluno(a), analise que somente estar
munido de competência técnica não define o sujeito
como bom profissional. Além da competência técni-
ca, o trabalho qualificado precisa estar acompanha-
do de valores éticos (LOPES DE SÁ, 2009). Assim,

[...] nem o conhecimento técnico, nem uma


prática especializada, são o suficiente para uma
adequada atuação profissional, porque o co-
nhecimento, por mais especializado que seja,
não é um fim em si mesmo, até aquele desti-
nado a atender determinado interesse social.
Para além da técnica e da prática, impõe-se um
terceiro e fundamental elemento integrador do
exercício de uma profissão, que é a atuação na
sociedade, origem de suas responsabilidades
(DRUMOND, 2006, p. 53).

É possível perceber que, para além do conheci-


mento técnico, a ética é fator crucial para qualquer
tipo de atuação profissional. É necessário, também,
que o profissional se atente aos princípios e valores
que nortearão seu trabalho e à sua conduta perante
aqueles que procuram seu serviço, com a real preo-
cupação com as necessidades, as potencialidades e

163
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

A Ética e o Perfil do Profissional de


Educação Física na Sociedade
Contemporânea

164
EDUCAÇÃO FÍSICA

Caro(a) aluno(a), vimos que a nossa área passa por É válido lembrar que, infelizmente, ainda
um momento de transformações significativas no encontramos pessoas em nossa área prestando ser-
mercado de trabalho, impulsionadas, sobretudo, pe- viços sem apresentar qualificação necessária (FEI-
los avanços da ciência e da tecnologia e pela atual TOSA, NASCIMENTO, 2003). Isso ocorre nos mais
dinâmica social, que originou novas necessidades da diferentes âmbitos de atuação, desde academias, clu-
população e que inclui um número cada vez maior bes, até a área do rendimento esportivo. Essa reali-
de interessados pelo acompanhamento profissional dade impacta sobremaneira na falta de compreen-
na prática de atividades físicas. Também vimos que são de muitas pessoas sobre o significado da nossa
a expansão dos campos de atuação na área tem so- profissão e sobre a intervenção do profissional de
licitado profissionais mais qualificados para intervir Educação Física, ainda considerada essencialmente
adequadamente nesses espaços. prática e desprovida de fundamentação acadêmico-
Tal realidade tem sido central para que o pro- -científica.
cesso formativo seja considerado cada vez mais um Colaborando com essa análise Steinhilber
momento ímpar para a aquisição de conhecimentos (2006), presidente do CONFEF, discute que ainda
especializados, mas também para a aquisição de va- há um discurso recorrente no Brasil de que a ativi-
lores e da concepção ampla do papel do profissio- dade física e o esporte praticados de forma aleató-
nal de Educação Física na sociedade. Para além dos ria, sem definição prévia de objetivos e sem adoção
conhecimentos e das habilidades necessárias ao de- dos cuidados necessários, podem colaborar com a
sempenho da profissão, é preciso que a atuação seja promoção da saúde, com a formação das pessoas, a
responsável e consciente. inclusão social, entre outros valores. O autor desta-
ca que as pessoas somente poderão ser efetivamente
PERFIL PROFISSIONAL: ALGUMAS EX- beneficiadas das atividades pertinentes à Educação
PECTATIVAS Física se forem devidamente orientadas por um pro-
fissional da área. “É o profissional que se vale de par-
Além da importância de o processo formativo consi- te do seu repertório de conhecimentos e de técnicas,
derar as necessidades e as expectativas da sociedade como o exercício físico e o esporte, para atingir os
com relação à área de conhecimento da Educação fins a que se destina sua intervenção e beneficiar a
Física, a dinamicidade e a complexidade dos cam- sociedade” (STEINHILBER, 2006, p.15).
pos de intervenção têm apresentado a importância Por isso, como pontuamos ao longo das uni-
do profissional bacharel assumir papel mais amplo dades deste livro, é muito importante que, no
na sociedade e no mundo do trabalho. Por isso, ter exercício cotidiano da profissão, empenhemo-
perspectiva empreendedora, buscar gerenciar o de- -nos em mobilizar conhecimentos fidedignos
senvolvimento na profissão e preocupar-se com a para montar programas de intervenção. Além
qualidade do serviço prestado são aspectos impor- disso, precisamos considerar pressupostos éticos
tantes a serem considerados. no desenvolvimento do nosso trabalho, o que in-

165
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

clui necessariamente a análise de quais procedi- tua e recíproca a prestação de serviços calcada na
mentos são adequados e corretos, pensando no ética profissional. Dessa forma, princípios como
bem-estar dos nossos alunos, de como devemos qualidade, competência e ética passaram a ser en-
agir e comunicar-nos com as diferentes pessoas fatizados e deveriam orientar e dinamizar as ati-
que trabalhamos, termos humildade e paciência, vidades físicas e desportivas nos diversos campos
sermos sinceros nas relações de trabalho, sermos do bacharelado.
pontuais e assíduos e, acima de tudo, apresentar-
mos comprometimento profissional.
Reiteramos a importância do profissional de
Educação Física desenvolver atitude crítica e refle-
xiva diante de sua realidade de trabalho – aspecto
fundamental para que amplie as possibilidades de
desenvolvimento na carreira –, para que tenha con-
dições de consolidar-se nesse espaço.
Silva (2017) avalia que, desde que a profissão foi
regulamentada pela Lei 9.696/1998, delinearam-se
de forma mais efetiva as possibilidades de interven-
ção no campo da saúde e da educação. Nesse per-
curso, a questão da ética se tornou foco na prestação
de serviço do profissional de Educação Física. São
alguns argumentos da autora:

Outrossim, afirma-se que o processo de pro-


fissionalização da Educação Física por meio da
regulamentação desse campo profissional ocor-
reu em meio ao reconhecimento da necessida-
de do domínio de um conhecimento técnico
e científico especializado, demandando o de-
senvolvimento de uma competência específica
para sua aplicação e tendo como referência um
conjunto de princípios, normas e valores éticos
livremente assumidos, individual e coletiva- Ao tratar da relevância da ética para o profissional
mente, pelos profissionais de Educação Física, de Educação Física, Cazelato (2006) lembra que o
no ato em que se tornam habilitados (SILVA, fazer e o agir são componente integrados. O primei-
2017, p. 42).
ro se refere à competência técnica e à eficiência no
alcance dos resultados almejados; o segundo trata
Vale observar que a formação e a intervenção pro- da dimensão da conduta, a qual compreende o con-
fissional passam a ser consideradas intimamente junto de atitudes que deverão ser assumidas no exer-
relacionadas, ou seja, influenciam de forma mú- cício dessa profissão.

166
EDUCAÇÃO FÍSICA

Com essa linha de raciocínio, Silva (2017, p. 35) rede de conselhos regionais, distribuídas no territó-
observa a “[...] ética profissional como fio condutor rio nacional.
de um círculo virtuoso que norteia a prestação de O Estatuto do Conselho Federal de Educação
serviço competente, segura e de qualidade”. Nas pa- Física (CONFEF) se trata de uma instituição ou pes-
lavras de Verenguer (2003, p. 129): soa jurídica de direito público, de abrangência em
todo o território nacional e não apresenta fins lu-
Seria desejável que intervenção profissional crativos. A sede do Conselho se localiza na cidade
fosse sinônimo de ação responsável, na medi-
do Rio de Janeiro e as sedes dos Conselhos Regio-
da em que o profissional fizesse uso dos seus
conhecimentos, assumisse a tarefa de mudar o nais de Educação Física (CREFs) estão localizadas
contexto social em que intervém, benefician- nas capitais dos estados que por ele são abrangidos
do aqueles que o procuram. Sua intervenção (CONFEF, 2010). Nas palavras de Steinhilber (2006,
vai muito além do domínio do saber-fazer, ou p. 7), o CONFEF estabelece a
melhor, ao saber-fazer profissional em Educa-
ção Física devem estar incorporados atitudes
e valores. [...] instância máxima deliberativa, normativa,
de julgamento e executiva do sistema nacional
que, em sua expressão e complexidade, reúne
Ao consolidar-se como profissão, a área reafirma as representações de todos os segmentos profis-
sua responsabilidade em despertar o gosto da po- sionais da área da Educação Física.
pulação pela atividade física sistemática, perma-
nente e orientada, e desenvolver a consciência Sendo assim, o presidente do Conselho afirma que
da importância de ter melhores hábitos de vida, essa instituição busca defender a sociedade, uma
o que poderá ampliar a demanda social por pro- vez que apresenta caráter disciplinar de garantir a
fissionais habilitados e qualificados nessa área de responsabilidade ética do profissional de Educa-
conhecimento. ção Física, apresentando punições quando houver
alguma prática irresponsável que prejudique ou-
O CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL trem. Além disso, ressalta que, justamente por ser
DE EDUCAÇÃO FÍSICA uma entidade de direito público, o Conselho tem
o dever de zelar pelo interesse da sociedade e, por
Para iniciarmos nossa conversa sobre o código de isso, fiscaliza o exercício dessa categoria profissio-
ética do profissional de Educação Física, é váli- nal e das pessoas jurídicas que prestam serviços no
do mencionar que esse documento foi instituído a âmbito da Educação Física. Portanto, a missão do
partir da organização do Sistema CONFEF/CRE- Conselho seria “[...] regular a relação entre os pro-
Fs – um órgão federativo, criado pela Lei Federal fissionais de Educação Física e a sociedade, zelan-
9.696/1998, que normatiza, delibera ações e fiscaliza do pela adoção de atitude ética e pela consequente
o exercício profissional da nossa área. Para que de- responsabilização para com os serviços prestados”
senvolva a função de regulação e de fiscalização da (STEINHILBER, 2006, p. 7).
atividade profissional, o CONFEF conta com uma

167
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

ca. É importante observar que um Código de Ética


passa por constantes revisões, que tentam atender às
demandas atuais da profissão e da realidade em que
se insere. No caso da Educação Física, sua última
versão foi aprovada pela Resolução CONFEF n. 307,
no ano de 2015, contendo seis capítulos e dezessete
artigos, que versam sobre questões pertinentes ao
desempenho da atuação na área.
Para Steinhilber (2006), promover a responsabi-
lidade ética do profissional de Educação Física foi
uma conquista da categoria e da sociedade, esta que
se interessa pelas atividades ofertadas por esse cam-
po de conhecimento. O Sistema CONFEF/CREF
tem se esforçado para que os profissionais que atu-
am na área sejam formados na área, devidamente
Ao tratar o estabelecimento do Código de Ética qualificados pela formação e pela contínua atuali-
para determinada categoria profissional, Lopes de zação profissional, e para que tenham responsabili-
Sá (2009, p. 124) afirma que “[...] cada indivíduo dade ética em todas as ações que desenvolvem, nos
passa a ele subordinar-se, sob a pena de incorrer diversos locais em que atuam.
em transgressão, punido pelo órgão competente, Sendo assim, quais são as finalidades
incumbido de fiscalizar o exercício profissional”. apresentadas pelo Código de Ética do profissional de
Dessa forma, o Código de Ética é o instrumen- Educação Física? Essas finalidades buscam balizar a
to que busca regular as condutas humanas. Logo, intervenção profissional?
fundamenta-se nas qualidades e nas virtudes exi- A proposta do Código de Ética dos profissio-
gidas no exercício de determinada profissão. Por nais de Educação Física é promover a conexão das
isso, trata dos atos praticados no desempenho dimensões técnica e social com a dimensão ética
profissional, do interesse das pessoas em buscar os no exercício dessa profissão, ou seja, “[...] a união
serviços, do relacionamento dos profissionais com de conhecimento científico e atitude, referendan-
seus clientes, com os colegas da categoria profis- do a necessidade de um saber e de um saber fazer
sional e a sociedade como um todo. Assim, todos que venham a efetivar-se como um saber bem e
os envolvidos passam a ter interesse na efetiva exe- um saber fazer bem” (CONFEF, 2015, p. 2). Tra-
cução de determinado Código de Ética (OLIVEI- ta-se do instrumento que segue as normativas do
RA; SILVA, 2005). Sistema CONFEF/CREFs, com o objetivo de re-
Para atender os seus preceitos e objetivos, o gular e de legitimar o desempenho da profissão, a
CONFEF elaborou o Código de Ética Profissional partir do estabelecimento e da garantia dos direi-
no ano de 2010, com o intuito da garantia dos direi- tos e dos deveres estabelecidos para o profissional
tos e dos deveres do profissional de Educação Físi- de Educação Física.

168
EDUCAÇÃO FÍSICA

REFLITA [...] conduta compatível com os preceitos da Lei


nº. 9.696/1998, do Estatuto do CONFEF, deste
Código, de outras normas expedidas pelo Sis-
É fundamental que as categorias profissionais
tema CONFEF/CREFs e com os demais prin-
tenham clareza do código de ética que orienta
cípios da moral individual, social e profissional
a profissão. Será que todos os profissionais
de Educação Física conhecem o nosso código
(CONFEF, 2015. p. 2).
de ética?
Nessa direção, é oportuno considerar que a imple-
mentação de qualquer ação interventiva precisa
Para desenvolver atividades nos campos de atuação estar conectada à compreensão do Código de Ética
do bacharelado, o profissional formado em Educa- pela categoria profissional. Esse documento é im-
ção Física se credencia ao Sistema CONFEF/CREFs. portante, tanto para as pessoas que fazem parte da
A partir desse credenciamento, o profissional adere, mesma classe de profissionais quanto para os bene-
consequentemente, aos preceitos indicados pelo Có- ficiários na sociedade, uma vez que pretende deixar
digo da Ética na sua intervenção, como forma de as- essas relações mais equilibradas e justas. Assim, um
sumir a responsabilidade ética com os beneficiários profissional qualificado seria aquele que, de fato,
dos seus serviços, devendo focar os interesses das compromete-se com o seu papel na sociedade e se
pessoas que usufruem do seu trabalho e não os seus preocupa não somente com suas realizações indivi-
próprios interesses, ou qualquer outro de natureza duais, mas também com as necessidades e os anseios
corporativista. Sendo assim, o desempenho da pro- do coletivo.
fissão em Educação Física exige do seu profissional

169
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Agora que já sabemos o que é um Código de Ética e II. auferir proventos que não decorram exclu-
como foi pensado para nossa área, estudaremos so- sivamente da prática correta e honesta de
sua atividade profissional;
bre alguns princípios do atual Código de Ética que
orienta nossa profissão. O quarto artigo desse docu- III. assinar documento ou relatório elaborado
por terceiros, sem sua orientação, supervi-
mento esclarece os princípios que pautam o exercí-
são ou fiscalização;
cio profissional em Educação Física, são:
IV. exercer a profissão quando impedido, ou
I. o respeito à vida, à dignidade, à integridade facilitar, por qualquer meio, o seu exercício
e aos direitos do indivíduo; por pessoa não habilitada ou impedida;
II. a responsabilidade social; V. concorrer, no exercício da profissão, para a
III. a ausência de discriminação ou preconceito realização de ato contrário à lei ou destina-
de qualquer natureza; do a fraudá-la;

IV. o respeito à ética nas diversas atividades VI. prejudicar, culposa ou dolosamente, inte-
profissionais; resse a ele confiado;

V. a valorização da identidade profissional no VII. interromper a prestação de serviços sem


campo das atividades físicas, esportivas e justa causa e sem notificação prévia ao be-
similares; neficiário;

VI. a sustentabilidade do meio ambiente; VIII. transferir, para pessoa não habilitada ou im-
pedida, a responsabilidade por ele assumida
VII. a prestação, sempre, do melhor serviço
pela prestação de serviços profissionais;
a um número cada vez maior de pesso-
as, com competência, responsabilidade e IX. aproveitar-se das situações decorrentes
honestidade; do relacionamento com seus beneficiários
para obter, indevidamente, vantagem de
VIII. a atuação dentro das especificidades do
natureza física, emocional, financeira ou
seu campo e área do conhecimento, no
qualquer outra;
sentido da educação e desenvolvimento
das potencialidades humanas, daque- X. incidir em erros reiterados que evidenciem
les aos quais presta serviços (CONFEF, inépcia profissional;
2015, p. 3). XI. fazer falsa prova de qualquer dos requisitos
para registro no Sistema CONFEF/CREFs.
O sétimo artigo, por sua vez, expõe que é vedado ao XII. vincular o seu nome e/ou registro a ativi-
Profissional de Educação Física no desempenho das dades de cunho manifestamente duvidoso
suas funções: (CONFEF, 2015, p. 3).

I. contratar, direta ou indiretamente, serviços Caro(a) aluno(a), como vemos, o Código de Ética
que possam acarretar danos morais para si do profissional de Educação Física se atenta para
próprio ou para seu beneficiário, ou des- importantes fundamentos que buscam a interven-
prestígio para a categoria profissional;
ção profissional qualificada, competente, responsá-

170
EDUCAÇÃO FÍSICA

vel e ética nessa área de intervenção. Sendo assim,


ressaltamos que é indispensável que, em todas as
profissões, as pessoas conheçam os princípios que
orientam o Código de Ética da sua categoria pro-
fissional, façam análises e busquem vivenciá-los no
seu cotidiano, colaborando para a legitimação da
sua profissão no âmbito social. Esperamos que essa
seja uma prática efetiva de todos os profissionais de
Educação Física.
Não podemos deixar de considerar que, confor-
me o mercado de trabalho se apresenta mais seleti-
vo e competitivo, a ética e os motivos pelos quais é
importante ser ético se tornam elementos valorati-
vos no meio social. Na realidade, todos esperamos
que as pessoas sejam éticas, isto é, que a sua conduta
sirva de exemplo e busque colaborar com a vida do
outro. Por esses motivos, o tema ética é urgente e
imprescindível para o profissional de Educação Físi-
ca, justamente por lidar com a vida das pessoas nos
programas interventivos que propõe.

171
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

A Responsabilidade Civil e
sua Importância Para o
Exercício da Profissão

Continuando nossas discussões, outro ponto que des – como academias de ginástica e clubes –, bem
não podemos deixar de conversar é sobre a respon- como que amplie a procura pelo acompanhamento
sabilidade civil do profissional de Educação Física. do profissional de Educação Física.
Conforme já tratados na disciplina, os benefícios Vale destacar que a formação enquanto espaço
advindos da prática de atividades físicas devida- que possibilita o contato com o conhecimento sis-
mente orientadas são cada vez mais enfatizados no tematizado é momento importante para que sejam
âmbito social, o que faz com que aumente a procura feitas análises das consequências da intervenção
por locais especializados na oferta dessas ativida- profissional,

172
EDUCAÇÃO FÍSICA

Sobretudo, porque é nesse ambiente onde se re- tem o dever de reparar esse dano. Nesse caso, todos
vela o grau de responsabilidade e comprometi- temos o dever jurídico de não causar danos a outros
mento do profissional com a área, com a produ-
e, se isso for violado, o dano precisa ser reparado
ção de conhecimento, e principalmente com o
cliente (NASCIMENTO; SORIANO; FÁVARO, (CAVALIERI FILHO, 2012). Sendo assim, “o obje-
2007, p. 394). tivo precípuo da responsabilidade civil é garantir o
direito do lesado à segurança e, ainda, servir como
sanção civil de natureza compensatória” (SILVEI-
RA, 2002, p. 1).
Diniz (2005, p. 34) afirma que:

A responsabilidade civil é a aplicação de medi-


das que obriguem uma pessoa a reparar dano
moral ou patrimonial causado a terceiros, em
razão de ato por ela mesma praticado, por pes-
soa por quem ela responde, por alguma coisa
pertencente a ela ou de simples imposição legal.

De acordo com Silveira (2002), a inter-relação entre a


De acordo com Drumond (2004, p. 62), existem profissão Educação Física e o direito ocorre justamen-
duas formas de empregar a expressão responsabili- te por tratar-se de uma área que trabalha diretamen-
dade, que estão fortemente relacionadas. Para o au- te com a vida das pessoas, sendo este o maior bem
tor, tal expressão: que possuem. Assim, problemas de ordem moral são
frequentemente encontrados na relação do profissio-
[...] tanto pode ser empregada no sentido ético nal com os beneficiários. Nesse contexto, já foram
como no sentido jurídico, visto que, em se tra-
divulgados pela mídia muitos casos de acidentes que
tando do exercício de uma profissão, intrincam-
-se necessariamente os valores morais e legais, envolveram lesões graves em academias e que foram
pois as razões de natureza jurídica não devem decorrentes da omissão ou do erro profissional.
ser dissociadas dos motivos de ordem moral. A constatação do número considerável de
processos jurídicos movidos por pessoas que
Objetivamente, a responsabilidade civil está am- sofreram algum tipo de dano praticando algum
parada no artigo 186 do Código Civil de 2002, no tipo de atividade física em academias nos leva
qual fica regulamentado que “Aquele que, por ação a analisar que a atuação precisa considerar suas
ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, responsabilidades legais (OLIVEIRA; SILVA,
violar direito e causar prejuízo a outrem, ainda que 2005). “[...] no exercício de uma profissão de
exclusivamente moral, comete ato ilícito”. Dessa for- saúde, um elenco de obrigações a que está sujeito o
ma, a responsabilidade civil parte do pressuposto de profissional, e cujo não cumprimento pode levá-lo a
que qualquer indivíduo que cometer ato lícito ou ilí- sofrer as consequências previstas normativamente”
cito que causar algum tipo de dano a outra pessoa, (DRUMOND, 2004, p. 62).

173
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Portanto, dependerá da pessoa lesada solicitar a tu-


tela jurisdicional. No caso da vítima não manifestar-
-se, não haverá reparação do dano. Além dessa dife-
renciação, para tratarmos a responsabilidade civil, é
importante saber a diferença entre dolo e culpa. O
dolo se caracteriza quando existe intenção de pre-
judicar alguém, ou seja, trata-se de conduta inten-
cional. A culpa ocorre quando o agente não possui a
intenção de prejudicar o outro ou produzir o resul-
tado, ou seja, o dano acontece, mas não foi intencio-
nal (SILVEIRA, 2002).
Os danos acarretados pelas falhas no desempe-
nho profissional na Educação Física ocorrem, em
sua maioria, por ato culposo e não por ato doloso do
agente. Sabemos que não há intenção por parte do
profissional de prejudicar outra pessoa, mas isso não
É importante diferenciar a responsabilidade penal desobriga o profissional de ser cauteloso, conscien-
da responsabilidade civil (SILVEIRA, 2002). Em te, crítico, ético e responsável em suas intervenções,
ambas existe infração e dever de reparar o dano por buscando evitar o erro profissional. Vejamos alguns
parte da pessoa que o causou. No entanto, a respon- pressupostos da responsabilidade civil:
sabilidade penal é de interesse social, pois a norma
infringida é de direito público. Já na responsabilida- • Ação ou omissão do agente
de civil, o interesse em reparar o dano é de interesse Esse pressuposto indica que uma ação não foi reali-
privado, isto é, do indivíduo que foi lesado. zada como deveria. Significa que a pessoa não agiu
em determinada situação e, por isso, prejudicou-a
negativamente. Dessa forma, o dano surge porque
SAIBA MAIS
ocorreu lesão ao patrimônio de outrem (pode ser
material ou não material), por ato de ação ou de
Em pesquisa desenvolvida por Nascimento, omissão do agente. Divide-se em três tipos: a) quan-
Soriano e Fávaro (2007), o erro foi apontado
pelos profissionais de Educação Física inves- do a responsabilidade deriva de ação do próprio
tigados como tendo origem no excesso de agente. Exemplo: em uma academia, o instrutor de
confiança do profissional na sua rotina diária. escalada permite que o aluno não utilize o cinto de
segurança para fazer a atividade e este sofre lesão; b)

174
EDUCAÇÃO FÍSICA

pode derivar de ação de outra pessoa que está sob a do agente e o dano sofrido pela vítima, o que sig-
responsabilidade do agente. Exemplo: em uma aca- nifica que esta precisa ter certeza e provar que o
demia de ginástica, o estagiário não orienta devida- dano aconteceu pelo comportamento inadequado
mente o aluno e este deixa cair a barra de supino do agente. Se o dano ocorrer por ação negligente
no tórax ou no pescoço; e c) danos que podem ser ou imprudente da própria vítima não haverá re-
causados por objetos que estejam sob a responsabi- lação de causalidade. Neste caso, como exemplo,
lidade do agente. Exemplo: em uma sala de muscu- podemos citar o aluno da academia que, por conta
lação, o responsável não percebe que os cabos de aço própria, sem a orientação e a supervisão do pro-
que dão o suporte para determinado aparelho estão fissional de Educação Física, aumenta a carga de
desgastados, e eles se rompem e lesionam um aluno determinado aparelho de musculação e, por conta
(SILVEIRA, 2002). disso, lesiona-se.
Diante do exposto, devemos lembrar que o pro-
• Culpa do agente fissional precisa preocupar-se com a preservação da
Esse pressuposto indica que foi acarretado dano saúde das pessoas que procuram seus serviços, e as-
para outrem, que pode ter sido causado por negli- segurar a intervenção segura, para evitar danos de-
gência, imprudência ou imperícia do agente. Ação correntes de situações de imprudência, de imperícia
negligente é quando se deixa de fazer algo que po- e de negligência. Para tanto, será fundamental mobi-
deria ter sido feito. A imprudência significa que lizar os conhecimentos e as experiências adquiridas
foi praticada uma ação sem cautela, sem o devido na formação inicial e continuada (CONFEF, 2010).
cuidado, sem prever o que poderia ser previsível. A
imperícia se refere a praticar uma ação sem possuir
conhecimento específico para tal (SILVEIRA, 2002).
Como exemplo de imprudência, podemos pensar na
situação de um técnico de um jogador de tênis que
sofreu lesão no ombro e retomou os treinos do atleta
com alta intensidade, o que direcionou ao agrava-
REFLITA
mento da lesão. Como exemplo de imperícia, pode-
mos pensar em uma situação em que o profissional
de Educação Física prescreve dieta para seus alunos Quando o profissional de Educação Física não
corrige o aluno que executa de forma incor-
sem o devido conhecimento. reta um exercício de musculação, está sendo
De acordo com o autor, a reparação do dano omisso. Isso pode acarretar em dano para a
somente será necessária se, de fato, existir relação pessoa atendida?

de causalidade entre a ação ou omissão culposa

175
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL EM EDUCAÇÃO FÍSICA

Para Drumond (2004), o profissional de saúde tem específica as condições de saúde do cliente para rea-
alguns deveres que imprescindíveis para qualificar lizar as atividades e mantê-lo informado.
a ação por ele praticada. Esses deveres precisam ser
estimulados e efetivados, uma vez que contribuem • Dever de atualização
sobremaneira para reduzir as possibilidades de que
ocorram determinadas falhas profissionais e suas Além da formação legal, é indispensável o aprimo-
consequências. Os seguintes deveres são explicados ramento contínuo para que se possa desempenhar
pelo autor: de informação, de atualização, de vigi- com maestria as intervenções propostas. É preciso
lância e de abstenção de abuso. estar atento às inovações e aos avanços tecnológicos
e científicos que ocorrem continuamente em deter-
• Dever de informação minada profissão. Assim, a atualização profissional
se torna fundamental para que se possa conhecer
e empregar, com perícia, novas técnicas e procedi-
mentos pertinentes à ação profissional. Esta pode
ocorrer a partir da leitura e da análise contínua de
publicações científicas da área, da participação em
congressos e simpósios científicos, bem como em
cursos de especialização.

• Dever de vigilância

É dever do profissional da saúde informar o


beneficiário sobre as condutas e os procedimentos
que mobilizará no programa de intervenção pro-
posto, sobretudo se a pessoa atendida for menor
de idade ou incapaz de responder por si mesma. É Esse dever indica que é necessário estar atento a
indispensável que o profissional informe o benefi- todas as orientações feitas ao beneficiário, não dei-
ciário sobre as condições de trabalho, que incluem xando de realizar qualquer tipo de ação. Por isso, a
a infraestrutura que dispõe para desenvolver as ati- prescrição adequada, o acompanhamento, a orienta-
vidades, a condição dos equipamentos utilizados, ção e a avaliação contínua devem compor a proposta
entre outras questões; deve registrar em uma ficha interventiva do profissional.

176
EDUCAÇÃO FÍSICA

• Dever de abstenção de abuso


O profissional da saúde precisa ser sensato e não
agir com precipitação, ou seja, ser prudente em suas
decisões, sempre pensando nas futuras consequ-
ências da sua prática. Sendo assim, todas as ações
realizadas pelo profissional devem passar pelo con-
sentimento prévio do cliente ou do responsável pelo
cliente, quando for o caso. Isso significa que qual-
quer atividade considerada inadequada e que não
estiver de acordo com o consentimento do cliente,
não terá amparo ético e legal.
Além do mais, com a complexidade cada vez
maior das demandas de trabalho, torna-se indis-
pensável refletir sobre as implicações das respos-
tas apresentadas pelos profissionais no decorrer
da intervenção, sobretudo quando ocorre o erro
profissional.
Compreendemos que refletir e analisar a res-
ponsabilidade civil do profissional de Educação Fí-
sica é relevante para a qualificação da sua prática e
para o reconhecimento dessa área de intervenção no
âmbito social.

177
considerações finais

C
aro(o) aluno(a), nesta unidade conversamos sobre questões pertinen-
tes à atuação do profissional de Educação Física e sua relação com as
pessoas beneficiadas com seus serviços. Para tanto, demos início en-
tendendo que a ética é conduta própria do ser humano, que busca har-
monia e equilíbrio na vida em sociedade. Compreendemos que será no âmbito
da moralidade, ou seja, das condutas e das ações humanas, que a ética será ou
não efetivada. Além do mais, consideramos a relevância da ética ser aplicada ao
campo das profissões.
O conjunto de informações sustentou nossa discussão sobre a atuação pro-
fissional responsável, qualificada e ética na área da Educação Física. Discutimos
sobre a relevância da expertise profissional, isto é, da mobilização dos conheci-
mentos acadêmico-científicos. Além disso, as atitudes e os valores devem perme-
ar a elaboração e a concretização dos planos de intervenção propostos nas mais
diferentes realidades de trabalho. Lembramos, sobretudo, que lidamos com vidas
e, por isso mesmo, devemos estar atentos às nossas decisões e às ações que em-
pregamos no cotidiano de trabalho.
Concluímos, assim, mais uma unidade de estudo e, com ela, chegamos ao
final da nossa caminhada na disciplina Intervenção Profissional em Educação
Física. Esperamos ter enriquecido o seu processo formativo. Desejamos que ao
final dessa disciplina você possa ter ampliado suas expectativas acerca das pos-
sibilidades de inserção profissional na área e se sinta preparado para enfrentar
com segurança e otimismo os desafios e as demandas do mercado de trabalho.
Desejamos a você uma excelente trajetória nesta importante etapa da formação
profissional!

178
atividades de estudo

1. Estudamos nesta unidade que a ética e a moral d) O profissional de Educação Física faz uso
são conceitos que se complementam, mas que indevido de sua autoridade com o aluno,
apresentam suas características e especificida- fazendo com que ele realize treinamento
des. Observamos que esses conceitos não são mais intenso do que gostaria.
verdades estáticas e imutáveis, mas que se mo- e) As regras contratuais não são considera-
dificam historicamente e, na medida em que a das pelo profissional durante o período de
sociedade se desenvolve, tornam-se mais com- intervenção.
plexos e precisam ser ressignificados. Conside-
5. A ética profissional pode ser considerada a soma
rando nossos estudos, explique o que são a ética
de deveres e de responsabilidades que estabe-
e a moral, destacando suas particularidades.
lece a norma de conduta do profissional no de-
2. A relação entre a Educação Física e o direito ocor- sempenho de suas atividades e relações com o
re na medida que essa área de intervenção bus- cliente. Sobre esse assunto, analise as afirmati-
ca preservar a saúde do indivíduo, e seus profis- vas que seguem:
sionais têm a missão de prevenir e de orientar I - Comumente, na prestação de serviços à
adequadamente as pessoas durante a prestação sociedade, as pessoas não discutem éti-
de serviços. Considerando esse assunto, expli- ca profissional e as discussões existentes
que o que é a responsabilidade civil. sobre esse assunto não saem do nível do
senso comum.
3. Conforme aprendemos a dominar o conheci-
mento técnico, acadêmico-científico e especiali- II - Quando se trata de uma profissão, ter ati-
zado, percebemos a relevância dos estudos e do tude ética é somente assumir responsabi-
aperfeiçoamento para que se possa prestar bom lidade se julgar que possui a qualificação
atendimento no que diz respeito à prescrição e à necessária para desempenhar determina-
orientação de atividades e de exercícios físicos. da função.
No entanto, outros princípios precisam ser inte- III - A Educação Física não possui Código
grados ao exercício profissional cotidiano. Dessa de Ética específico, pois ainda não foi
forma, pontue quais são esses elementos. legalmente reconhecida como profissão.

4. Analise os exemplos a seguir e assinale a alterna- IV - Os profissionais de Educação Física devem


tiva que representa uma imperícia do profissio- buscar a responsabilidade ética por meio
nal de Educação Física: do diálogo com alunos, clientes e colegas
de trabalho, visando a intervenção profis-
a) O aluno/cliente por conta própria aumenta
sional qualificada.
a carga no exercício de supino reto – barra
–, derruba a barra sobre o tórax e se lesiona. Estão corretas as alternativas:

b) O profissional de Educação Física observa a) Somente I, II, e IV estão corretas.


que o aluno realiza o exercício de agacha- b) Somente II, III e IV estão corretas.
mento com peso de forma incorreta e não
lhe apresenta feedback, a fim de corrigi-lo. c) Somente I e IV estão corretas.

c) Mesmo não tendo conhecimento especia- d) Somente II e III estão corretas.


lizado do método de musculação terapêu- e) Todas estão corretas.
tica, o profissional de Educação Física pres-
creve exercícios a seus alunos/clientes.

179
LEITURA
COMPLEMENTAR

A avaliação física é ferramenta importante na rotina de Todavia, será que os profissionais estão realizando a
trabalho do profissional de Educação Física. Geralmente avaliação física? Será que entendem a real importân-
é o primeiro contato entre profissional e cliente, no qual cia desse procedimento? Será que conhecem as con-
alguns testes e medidas específicos serão utilizados para sequências legais do ato decorrente de imperícia e de
identificar as necessidades e as limitações do indivíduo, negligência? Provavelmente, se uma pesquisa for reali-
seja criança, adulto ou idoso. Por exemplo, a anamnese zada para verificar quantos profissionais ou estabeleci-
ajudará o profissional a obter informações preliminares mentos de prestação de serviços em atividades físicas
sobre o risco para o desenvolvimento de doenças coro- utilizam a avaliação física, os resultados poderão ser in-
narianas e também a identificar a intensidade do treina- satisfatórios. Cabe aos profissionais exigir a realização
mento, podendo ser leve, moderado ou vigoroso. da avaliação física de qualidade e não apenas aceitar
Caso sejam observados fatores de risco que possam o atestado médico. Este, muitas vezes é solicitado de
comprometer o indivíduo ao iniciar a prática de ativida- forma irrestrita e protocolar, principalmente após as
de física, o profissional deverá solicitar avaliação médica. determinações legais que surgiram no estado do Rio
É importante ressaltar que a avaliação clínica, realiza- de Janeiro na década de 1990 e perduram até os dias
da pelo médico, informará, pelo atestado médico, se o de hoje.
cliente está apto ou não a iniciar o programa de exercício Segue a sequência cronológica das leis referentes à apre-
físico. A avaliação física, por sua vez, realizada pelo pro- sentação do atestado médico para iniciar a prática de ati-
fissional de Educação Física, tem como objetivo as ava- vidade física:
liações morfológica e funcional. Ambas são necessárias
1. Em 15 de julho de 1992 entra em vigor no estado do
para a melhor compreensão das necessidades do cliente.
Rio de Janeiro a Lei n. 2.014, a qual apresenta a reda-
Entende-se que todo profissional de Educação Física de-
ção, no art. 1º:
verá realizar avaliação antes (diagnóstica), durante (for-
mativa) e ao final (somativa) de uma intervenção, pois só Fica obrigatória a apresentação de atestado médico
assim oferecerá serviço seguro e de qualidade. Para isso, de aptidão física, no ato da matrícula nas academias
o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF) elabo- e ginásios de artes marciais, musculação e ginástica
rou a Nota Técnica n. 002/2012, a qual informa, orienta de qualquer tipo, que deverá ser renovado a cada 3
e padroniza as condutas e os procedimentos no uso da (três) meses e arquivado e anotado na ficha do alu-

avaliação física como elemento principal para prescrição no ou usuário.

de exercícios.

180
LEITURA
COMPLEMENTAR

2. Depois o art.1º da Lei n. 2.014/92, passará a ter a se- Art. 2º Fica dispensada a apresentação de atesta-
guinte redação em 2007, por meio da da Lei n. 4.978: do médico ou a obrigatoriedade de qualquer outro
exame de aptidão física aos interessados que res-
Fica obrigatória a apresentação de atestado médico
ponderem negativamente a todas as perguntas do
de aptidão física, no ato da matrícula nas academias
Questionário de Prontidão para Atividade Física.
e ginásios de artes marciais, musculação e ginástica
de qualquer tipo, que deverá ser renovado a cada Parágrafo único. Aos que responderem positiva-
12 (doze) meses, arquivado e anotado na ficha do mente a qualquer uma das perguntas do Questio-
aluno ou usuário. nário, será exigida a apresentação de atestado mé-
dico de aptidão física, na forma das Leis Estaduais
3. Em maio de 2014, entra em vigor a Lei n. 6.7654 no nº 2.014, de 15 de julho de 1992, e 2.835, de 17 de
estado do Rio de Janeiro, a qual dispõe da obrigato- novembro de 1997, o qual deverá ser anotado e ar-
riedade do Questionário de Prontidão para Atividade quivado junto ao prontuário do interessado.
Física e o Termo de Responsabilidade para prática de
Infelizmente, muitos estabelecimentos de atividade fí-
atividade física, conforme os artigos citados abaixo:
sica deixaram de realizar, por completo, a avaliação fí-
Art. 1º Considera-se obrigatório e imprescindível sica após a Lei n. 6.765 entrar em vigor, que pode até
para a prática de qualquer atividade física e esporti- proteger o profissional de Educação Física das conse-
va, em clubes, academias e estabelecimentos simila- quências legais da prática de atividade física, mas não o
res, o preenchimento, pelo interessado, do Questio- exime das responsabilidades relacionadas à prescrição e
nário de Prontidão para Atividade Física constante orientação do exercício físico. Durante a atividade, princi-
do Anexo I e do Termo de Responsabilidade para
palmente aquela de intensidade vigorosa, o profissional
a Prática de Atividade Física constante do Anexo II
deverá estar atento à sensação de esforço de seu cliente,
desta Lei.
pois o artigo 2º desta lei não garante, em nenhum mo-
Parágrafo único. Se o interessado for menor de mento, que o indivíduo responderá com veracidade a
idade, o Questionário e o Termo de Responsabi- todas as perguntas.
lidade deverão ser preenchidos e assinados pelo
Fonte: adaptado de Monteiro (2017).
responsável legal, juntamente com sua autorização
por escrito.

181
material complementar

Indicação para Ler

Dimensionamento ético da intervenção profissional em educação


física
Angelo Vargas (org.)
Editora: SHAPE/CONFEF
Ano: 2017
Sinopse: o livro discorre sobre os assuntos: corpo e mente; preparação e interven-
ção profissional; profissional de educação física; função pedagógica; ética; bioéti-
ca; indivíduo, sociedade e esporte.

Indicação para Ler

Ética
Adolfo Sanchez Vásquez
Editora: Civilização Brasileira
Ano: 2017
Sinopse: nesse volume, Adolfo Sánchez Vázquez introduz o leitor aos problemas
fundamentais da ética. Por meio de linguagem clara e acessível, com rigor teórico
e observando as exigências de fundamentação e de investigação sistemática, Sán-
chez Vázquez examina os fatores sociais que contribuem para a prática da moral.
Mostra, também, que esta é uma forma de comportamento humano que se con-
cretiza apenas quando as pessoas vivem em sociedade.

182
material complementar

Indicação para Ler

Educação, convivência e ética: audácia e esperança!


Mário Sergio Cortella
Editora: Cortez
Ano: 2014
Sinopse: Cortella contextualiza a ética em diversas situações do cotidiano – pas-
seia, por exemplo, pelo inesquecível “7x1”, ocasião na qual o capitão da seleção
alemã revelou, após a fatídica partida, que sua equipe não humilharia a seleção
brasileira quando percebeu que ganhariam o jogo facilmente. A partir de diversos
outros exemplos do dia a dia, a obra aborda sobre uma melhor convivência social,
seja na escola, no bairro em que vivemos ou em qualquer outro lugar. Segundo o
autor, “faz parte da competência docente a capacidade de não só fazer bem aquilo
que se faz, mas fazer o bem com aquilo que se faz”, e embasa essa ideia ao citar a
frase do filósofo Francis Bacon: “saber é poder”.

183
referências

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física: aspectos da preparação profissional. Revista audácia e esperança! [s.l.]: Cortez, 2018.
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Institui o Código Civil, no ano de 2002. pe, 2004.
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Dispõe sobre a regulamentação da Profissão de Edu- ção do profissional de Educação Física e a respon-
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SOUZA, F.C.; STUMPF, K. Presença do tema ética
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STEINHILBER, J. Sistema CONFEF/CREFs e a res-
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P. (Orgs.). A Ética e a bioética na preparação e na in-
tervenção do Profissional de Educação Física. Belo
Horizonte: Casa da Educação Física, 2006.

185
gabarito

1. A concepção e a prática são dois núcleos que nos auxiliam na compre-


ensão das especificidades dos conceitos de ética e de moral. Enquanto a
ética é um conjunto de valores, de normas e de princípios que busca guiar
as decisões e as ações humanas, a moral é a prática que se desdobra a
partir das orientações da ética, ou seja, é algo a ser ou não vivenciado pe-
las pessoas. Assim, empregamos a ética para explicar as nossas próprias
decisões e comportamentos, tomando como base aquilo que é conside-
rado aceitável e correto em nosso convívio social.
2. A responsabilidade civil parte do pressuposto de que qualquer indivíduo
que cometer ato lícito ou ilícito que causar algum tipo de dano a outra
pessoa, tem o dever de repará-lo. Dessa forma, pode ser considerada a
aplicação de medidas que obriguem uma pessoa a reparar danos morais
ou patrimoniais causados a terceiros. O ato pode ser praticado pela pró-
pria pessoa, por alguém que esteja sob a responsabilidade dela ou por
algo que a ela pertence.
3. Além da competência técnica, é preciso que o profissional considere prin-
cípios éticos e comportamentos morais em sua ação cotidiana.
4. C.
5. A.

186
conclusão geral

Caro(a) aluno(a), após nossos estudos acerca de diver- Os conhecimentos indispensáveis incluem a
sos pontos fundamentais da atuação profissional no prática, o planejamento e a avaliação. No que con-
campo do bacharelado em Educação Física, espera- cerne à programação das intervenções, inicialmente
mos que este livro tenha contribuído seu entendimen- é preciso estabelecer o objetivo, que norteará todo
to acerca da intervenção profissional. É fundamental o processo, sobretudo quanto à escolha dos exercí-
a compreensão de que a Educação Física é uma área cios, das estratégias motivacionais e do cronograma
dinâmica e em constante desenvolvimento e cresci- de avaliações. Por meio deste é que conformare-
mento. É preciso que os profissionais sejam qualifica- mos se estamos, de fato, no caminho para atingir
dos e que tratem seu ofício com seriedade, para que a os objetivos traçados inicialmente. Tão importante
área seja reconhecida enquanto profissão legítima. Por quanto a escolha dos exercícios é escolher a avalia-
isso, é importante ressaltar a necessidade de sempre ção condizente com o programa elaborado, para
ampliar seus conhecimentos, no sentido de estar pre- trabalhar adequadamente e atingir as expectativas
parado para os desafios do mercado de trabalho. de seu atleta/aluno.
A formação continuada, por meio de pós-gra- Esperamos que tenha aproveitado os conteúdos
duações, cursos e atualizações, contribuirá para que aqui tratados e que os conhecimentos possam ser
você se torne um profissional competente, capaz de aplicados em sua prática profissional. Desejamos a
utilizar habilidades diferentes na solução dos pro- você todo o sucesso na profissão escolhida. Forte
blemas encontrados. Assim, poderá mobilizar os co- abraço!
nhecimentos e as atitudes necessárias para exercer as
tarefas inerentes à sua atuação.