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Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS

Faculdade de Ciências Econômicas - FCE


Departamento de Ciências Econômicas
Disciplina de Economia Monetária I – ECO 02002
2017 – Textos Selecionados, Resumidos e/ou Adaptados.
1 A Moeda
1.1 A Economia de Escambo e a Economia Monetária
1.2 As Funções e o Conceito de Moeda
1.3 As Características e a Importância da Moeda
1.4 A Evolução Histórica da Moeda
Anexo 1: A Evolução da Moeda no Brasil
Anexo 2: Tabelas
1 A Moeda
É impossível imaginar uma economia moderna operando sem o uso da moeda. Em uma
economia em que näo há moeda, toda transaçäo deve envolver uma troca de bens (e/ou serviços),
alimentada por uma dupla e mútua coincidência de desejos. Como a operação desta dupla coincidência
de desejos é precária, assim o são as trocas, o que termina por determinar o caráter primitivo desse tipo
de economia.
1.1 A Economia de Escambo e a Economia Monetária
Os primeiros agrupamentos humanos, em geral nômades, sobreviveram sob padrões muito
primitivos de atividade econômica. Eram grupos que não conheciam a moeda e, quando recorriam a
atividades de troca, realizavam trocas diretas em espécie, sob o regime de escambo. Esta forma
rudimentar de relacionamento econômico seria alterada a partir da fixação de certos grupos humanos
em determinadas áreas, como os deltas dos rios Nilo, Tigre e Eufrates. Assim, o nomadismo foi cedendo
lugar a uma forma sedentária de vida, com base econômica agrícola.
Em decorrência, a vida social e econômica nesses grupos tornou-se mais complexa, mediante o
advento de funçöes especializadas, tais como guerreiros, agricultores, pastores, artesãos e sacerdotes,
desaparecendo, gradativamente, os casos de autossuficiência. Este processo de divisão do trabalho e de
maior complexidade econômica transformou a vida daqueles povos, pois:
a) aumentou o número de bens e serviços exigidos à satisfação individual e/ou coletiva;
b) a dupla coincidência de desejos, dada a maior diversificação de bens e serviços, tornou-se cada vez
mais difícil;
c) a troca tornou-se fundamental para o desenvolvimento e a própria sobrevivência do grupo social, de
forma que a divisão do trabalho determina que a autossuficiência ceda lugar à interdependência;
d) assim, o corolário da divisäo do trabalho é o estabelecimento das trocas.
Historicamente, portanto, as trocas evoluiram em duas etapas: a das trocas diretas, mercadorias
por mercadorias; e a das trocas indiretas, por intermédio da moeda.
A generalizada aceitação de determinados produtos com alto valor agregado, recebidos em
pagamento das transaçães econômicas que, dia a dia, tornam-se mais intensas, configura a origem da

12
moeda. Isto porque esses produtos com alto valor de uso passam a ter alto valor de troca e, assim,
transformam-se em moeda. Surge a economia monetária.1
1.2 As Funções e o Conceito da Moeda
A moeda exerce as funções tradicionais de:
a) intermediária de trocas;
b) medida de valor ou unidade de conta; e
c) reserva de valor.
Alguns autores acrescentam uma quarta função, a de padrão de pagamento diferido, função
esta que valoriza o papel da moeda no tempo, ligando passado, presente e futuro, mediante fluxos
monetários e financeiros. Observa-se ainda que o exercício dessas funções pressupõe a ampla aceitação
da moeda como tal.
A moeda pode ser conceituada, então, como um bem econômico qualquer, que exerce as
funções de intermediário de trocas, de medida de valor e de reserva de valor, que opera como um
padrão temporal de valor e que tem aceitaçäo geral2.
A Moeda como intermediária de trocas, como se viu, permitiu a superação da economia de
escambo e a passagem à economia monetária. Os principais benefícios resultantes dessa funçäo da
moeda foram: o maior grau de especialização e de divisäo social do trabalho; a sensível reduçäo do
tempo empregado em transaçöes; e a eliminação dos inconvenientes da dupla coincidência de desejos
exigida nas economias de escambo.
A Moeda como medida de valor ou como unidade padrão de conta, significa que os bens e
serviços passam a ter, como denominador comum nos seus mercados, valores expressos na unidade
monetária em uso, o que traz vantagens, tais como: eleva o nível de informações econômicas, via
sistema de preços, ampliando a eficiência da economia; possibilita a contabilidade da atividade
econômica e a gestão racional das unidades produtivas; permite a construçäo de sistemas de
contabilidade social, para o cálculo dos agregados da oferta (produção de bens e serviços) e demanda
(consumo, investimento e transações com o exterior) e de outros fluxos econômicos, como a poupança.
A Moeda como reserva de valor traduz uma forma de guardar riqueza. Esta função não é exercida
apenas pela moeda, existindo outras formas de ativos, financeiros e näo financeiros, que podem exercer
o mesmo papel, inclusive dominando os ativos monetários. Mas, por sua liquidez e pela incerteza quanto
às possiblidades de conversão em moeda de outros ativos, a moeda é um reservatório de poder de
compra em momentos de crise econômica ou financeira.
A Moeda como padrão temporal de valor ou de pagamentos diferidos resulta de sua capacidade
de facilitar o crédito e a distribuiçäo de pagamentos ao longo do tempo, viabilizando os fluxos de
produçäo, de renda e de despesa, que se desenvolvem no tempo, exigindo que, ao longo deste, sejam
antecipados ou postecipados diferentes tipos de pagamentos.
1.3 As Características e a Importância da Moeda
Para o bom desempenho das suas funções, a moeda deve reunir uma série de características:
a) indestrutibilidade e inalterabilidade;
b) homogeneidade;
c) divisibilidade;
d) transferibilidade;
1
Observa-se que esta acepção simples de uma economia monetária como aquela que usa moeda é muito diferente da
acepção keynesiana de economia monetária, na qual a moeda influencia o comportamento da economia tanto no curto
como no médio prazo. Mas isto é outra história e os interessados em conhecê-la ou revisá-la poderão fazê-lo mediante a
disciplina de Economia Monetária II, opcionalmente.
2
A eficiência dessas funções da moeda e, portanto, a validação desse seu conceito, está diretamente associada com a
eficiência da gestão da moeda pela autoridade monetária.
13
e) facilidade de manuseio e transporte (Lopes & Rossetti, p.16).
Quanto à importância do sistema monetário, viu-se que a moeda torna a troca de bens muito
mais simples, ao eliminar o problema e o custo do escambo. Se o sistema monetário sofresse um
colapso, aconteceria o mesmo com o sistema de trocas e, como a economia moderna se apoia na divisão
do trabalho, sem um eficiente mecanismo de troca a capacidade produtiva ficaria prejudicada em alto
grau. Uma visão ainda mais sintética da importância do sistema monetário pode ser feita mediante o
brutal aumento de produtividade geral do sistema econômico baseado na moeda, em relação ao sistema
econômico baseado no escambo.
Em termos agregados nacionais, estuda-se o sistema monetário devido, principalmente, ao
impacto da moeda e da sua gestão sobre a taxa de variação da renda, a taxa de desemprego e, em
especial, a taxa de inflação, e também para entender sobre como funcionam os bancos e outras
instituições financeiras dedicadas ao financiamento da economia e para saber porque as taxas de juros
se alteram e como as taxas de câmbio afetam os fluxos de bens e serviços internacionais.
No nível individual, a compreensão do sistema monetário também ajuda os agentes econômicos
em suas decisões sobre como poupar, consumir, investir e produzir. Isto porque os comportamentos
monetários individuais podem ser influenciados pelo comportamento de fatores monetários agregados,
pois, por exemplo, a compra de um carro pode depender da taxa de juro do crédito necessário a sua
aquisição e do valor do bem, fatores estes que poderão ser influenciados pela política monetária do
banco central, pela política fiscal do governo, pela taxa cambial e pela taxa de inflação3.
1.4 A Evolução Histórica da Moeda
Sabe-se que a cunhagem de moedas metálicas 4 surgiu por volta de 800 a.C., na Lídia, mas antes e
depois do surgimento das moedas cunhadas em metal muitas outras mercadorias, metálicas e não-
metálicas, foram usadas como moeda. Veja-se a seguir a evolução histórica dos tipos de moeda.
1.4.1 As Moedas-Mercadorias
Os primeiros bens econômicos usados como moeda foram mercadorias que deveriam ser
suficientemente raras (para que tivessem valor de troca) e deveriam atender a uma necessidade comum
e geral (isto é, tivessem valor de uso), para que pudessem ser aceitas em operaçöes de trocas indiretas.
Desta forma, os primeiros tipos de moeda tinham, essencialmente, valor de uso e, sendo este comum e
geral, passavam a ter, também, valor de troca. Com o decorrer do tempo e com a passagem de um tipo
de moeda para outro, os instrumentos monetários foram submetidos a um processo gradual de
evolução, o qual foi convergindo para a crescente desmaterializaçäo da moeda, em decorrência do que o
atributo de valor de uso foi paulatinamente abandonado, em favor do valor de troca.
Seguem-se exemplos de mercadorias utilizadas como moeda, em diferentes épocas:
a) na Antiguidade: cobre, anéis de cobre; prata, cevada, gado, barras de ferro, espadas de ferro,
escravos, animais domésticos, arroz, ouro, conchas, seda, instrumentos agrícolas, sal;
b) na Idade-Média: moedas de couro (precursoras das cédulas de papel), gado, ouro e prata em
unidades-peso, cereais (arroz, aveia e centeio), mel, tecidos, peixes secos, escravos, manteiga, peles,
chá, sal, peças de ferro, estanho, prata, anéis de cobre cobertos com ouro e prata, pérolas, ágatas;
c) na Idade Moderna: fumo, cereais, carnes-secas, madeira, gado, rum, trigo, carne, peles, metais
preciosos, arroz (warrants, emitidos por depósitos desse cereal, até o Século XVII foram usados como
moeda) (Lopes, Rossetti, p.28).

3
As relações entre taxa de juros, taxa de inflação, taxa de câmbio, taxa de variação da renda e taxa de desemprego poderão
ser vistas ou revistas em Economia Monetária II.
4
A cunhagem de uma moeda corresponde a um processo de certificação do seu valor de troca, seja com base no peso do
metal precioso que lhe é intrínseco, seja com base em certificação ou convenção oficial.
14
Há relativamente pouco tempo atrás, as pessoas ainda usavam como moeda conchas coloridas
na Índia, cigarros nos campos de concentração na Segunda Guerra Mundial, dentes de baleia nas ilhas Fiji
e grandes discos de pedra na ilha de Yap (Sachs, Larrain, p.250).
Mas, embora tenham chegado até a Idade Moderna, as moedas-mercadorias foram sendo
progressivamente descartadas. A principal razão para a sua substituiçäo por outras formas de moeda foi
que a maior parte das moedas-mercadorias näo preenchia as características essenciais que se exigem da
moeda para o desempenho de suas funçöes, o que comprometia sua aceitação geral.

Moedas de pedra na ilha de Yap.

1.4.2 As Moedas Metálicas


Os metais foram as mercadorias que mais se ajustaram à função de moeda, principalmente
porque suas características intrínsecas mais se aproximam das características essenciais que se exigem
dos instrumentos monetários. Cabe ainda assinalar que a utilizaçäo de metais viabilizou o processo de
cunhagem, por meio do qual se certificava o peso da moeda e, logo, seu valor em termos do metal
monetário e se garantia sua circulação, quando esse processo era administrado por chefes de estado.
Conforme já antes citado, os lídios, no século VIII a.C., teriam sido os primeiros a cunhar moedas,
atestando o seu peso e valor. No Império Romano, os imperadores usaram a moeda cunhada como meio
de integraçäo das regiöes conquistadas e como veículo de propaganda, pela cunhagem da própria efígie,
junto às diferentes populações subjugadas a Roma ou integradas ao império. Seguem-se imagens de
moedas lídias encontradas e datadas do século VIII a.C.

Moedas da Lídia do século VIII a.C. (Leão Lídio)


No início, as formas metálicas de dinheiro não eram padronizadas nem certificadas e, por isso, era
necessário pesar os metais e verificar sua autenticidade antes da maioria das transações. A cunhagem,
iniciada pelos lídios, como visto, e também adotada por volta do século VII a.C. na Grécia, amenizou este
problema e foi rapidamente difundida.
O uso de moedas reduziu substancialmente a necessidade de pesagem e certificação, facilitando
as transações. Durante quase quatrocentos anos, até o século III a.C., o dracma de Atenas manteve seu
conteúdo de prata praticamente inalterado e foi a moeda mais usada no mundo antigo.

15
Dracma da Grécia antiga
Na época do Império Romano, foi introduzido um esquema bimetálico, baseado no denarius de
prata, que coexistia com o aureus de ouro. No século I a.C., na época do Imperador Nero, o conteúdo de
metal precioso das moedas começou a diminuir e foi sendo utilizada uma quantidade cada vez maior de
metais comuns. Logo em seguida, os preços expressos nessas unidades aumentaram. Por trás desse
processo inflacionário havia déficits governamentais crescentes, que o governo romano não eliminou por
meio de controle de gastos e aumento de impostos. Historiadores afirmam que a inflação foi um fator
importante para o declínio do Império Romano5.

Moedas da Roma antiga

Na Idade Média, os senhores feudais assumiram o poder de cunhar moedas e também valeram-
se, em alguns momentos, da prática de alterar seu valor nominal, apropriando-se de substanciais
parcelas da base metálica, impondo valores nominais mais altos para iguais quantidades de metal ou
reduzindo essas quantidades em relaçäo à unidade expressa de valor nominal. É a esse processo de
apropriaçäo (caracterizado como uma cobrança de tributo) que se dá a denominaçäo de senhoriagem.
Inicialmente apresentados sob forma mercantil (isto é, como mercadoria monetária, geralmente
como lingotes ou barras) ou submetidos a processos de cunhagem (moeda), os primeiros metais
empregados como instrumentos monetários foram o cobre, o bronze e, notadamente, o ferro. No
entanto, pelo fato desses metais existirem em abundância na natureza, pela descoberta de novas jazidas
e pelo aperfeiçoamento do processo industrial de fundiçäo, instabilizavam-se de forma acentuada os
seus preços, que apresentavam tendência à baixa persistente, comprometendo a aceitaçäo geral e o
valor como moeda daqueles metais. A progressiva substituiçäo de metais comuns pelo ouro e pela prata
(definidos como metais monetários por excelência) decorreu dessas razões.
Ademais, em todos os países e em todas as épocas, os metais ditos preciosos (o ouro e a prata)
sempre foram muito procurados e desejados, em razão de seus usos materiais e de seu valor mítico de
expressäo de poder e de riqueza. O ouro e a prata eram suficientemente escassos e novas quantidades
descobertas eram pequenas em relação ao estoque existente, de forma que seu valor se mantinha mais
ou menos estável ao longo do tempo, confirmando a confiança do público e a sua aceitação geral.

5
A inflação na Roma Antiga chegou a suscitar, no início do século IV, uma determinação (na forma de édito) do imperador
Diocleciano, que estabeleceu preços máximos para centenas de produtos e que também limitou os salários e as
remunerações de dezenas de serviços.
16
Ouro em barras
Pelo menos até a segunda metade do século XIX, o crescimento da produçäo desses metais
acompanhou de forma adequada o crescimento dos negócios, não obstante tenham sido registradas
dificuldades de suprimento monetário a partir dos séculos XI e XII, com o gradual crescimento dos fluxos
de comércio na Europa.6 Mas, no final do século XV, exatamente quando o desenvolvimento comercial
pós-renascentista, no século XVI, poderia ser sufocado pela escassez de lastro monetário, a América foi
descoberta e, do altiplano andino, os espanhóis enviaram para as cortes dos Reis Católicos, por meio do
porto de Sevilha, grandes quantidades de ouro e de prata. Posteriormente, a exploração das minas (de
prata) do Potosi (Departamento de Alto Peru, atual Bolívia) também serviu para incrementar o fluxo de
metais preciosos necessários ao desenvolvimento dos negócios e ao surgimento do processo de
acumulação inicial do sistema capitalista. Mais tarde, quando a Revolução Industrial impulsionou a
economia européia, no final do Século XVIII e primeira metade do século XIX, a escassez de moeda foi
superada pelas descobertas das minas de ouro da Austrália e da Califórnia. Por fim, como a produção e
os negócios não paravam de crescer, a necessidade de expansão da oferta monetária foi satisfeita por
inovações tecnológicas (como o uso de cianeto para separar o ouro), que permitiram a exploração
intensiva de minas de ouro na África do Sul (Lopes, Rossetti, p.30).
Enfim, durante muito tempo, o ouro e a prata foram os metais mais usados como moeda, apesar
de outros metais terem sido usados ocasionalmente. Por exemplo, a Suécia adotou moedas de cobre no
início do século XVII, porque tinha a maior mina mundial desse metal. Na batalha entre o ouro e a prata,
esta esteve na liderança na segunda metade do século XVI. O recém-descoberto Novo Mundo era muito
mais rico em prata do que em ouro, principalmente depois da descoberta e exploração de ricas minas no
México, no Peru e na Bolívia (Sachs, Larrain, p.251). Entretanto, esta maior abundância relativa da prata
também terminou por conduzir, no final do século XIX, ao seu paulatino abandono como metal
monetário.
1.4.3 A Moeda-Papel
Com a multiplicaçäo das trocas entre regiões e países diferentes, manifestaram-se alguns
inconvenientes da moeda metálica como meio de pagamento. O transporte de metais (em especial na
forma de lingotes de ouro) a longas distâncias tornou-se difícil (em função do peso) e sujeito a riscos
(devido a roubos ou desastres).
Particularmente após o Renascimento, os comerciantes, dadas essas circunstâncias, passaram a
recorrer a instituições que, por força de suas funções, estavam equipadas para guardar, sob garantia,
metais monetários e outros valores. Tratavam-se de casas de custódia, que floresceram paralelamente
ao desenvolvimento das relações comerciais entre as cidades italianas e a regiäo de Flandres. Os judeus,
os cambistas, os ourives, as abadias 7 e as casas bancárias italianas passaram a custodiar ouro e prata,
6
O ouro (amoedado ou em lingotes), em razão do seu alto valor (de uso e de troca), era usado em transações também
elevadas. Para transações de pequena monta, moedas de cobre, por exemplo, e, depois, as notas bancárias, eram utilizadas.
Entre estes dois extremos situava-se a prata.
7
Uma ordem religiosa militar em particular, os templários, exerceu a função de fiel depositária de metais preciosos, em
especial na idade média, até a sua destruição, em 1307, pelo Rei Felipe IV, da França, e sua extinção como ordem religiosa,
17
fornecendo aos depositantes certificados de depósito, os quais, por comodidade e segurança, passaram
a circular em lugar dos metais monetários.
Assim, estava criada uma nova modalidade de moeda, denominada de moeda-papel, com lastro
de 100% e com garantia de plena conversibilidade, já que seus detentores podiam, a qualquer momento
e sem prévio aviso, trocá-la pelos metais depositados que deram origem a sua emissão. Essa garantia,
regularmente confirmada pela tradição de honradez das principais casas de custódia, acabou por
transformar essa nova moeda em instrumento preferencial de troca e de reserva de valor,
generalizando-se seu uso com o passar do tempo.
1.4.4 O Papel-Moeda (Moeda Fiduciária)
O uso generalizado da moeda-papel abriu campo para o desenvolvimento de uma nova
modalidade de moeda, não integralmente lastreada. A experiência da custódia e da conversibilidade
mostrou que o lastro metálico integral (100%) em relaçäo aos certificados em circulaçäo näo era
necessário para a operacionalizaçäo desse novo sistema monetário. A confiança (fiducia) dos
comerciantes e, de forma geral, da comunidade, nos fiéis depositários do ouro e da prata (agora já
banqueiros), ensejou a criaçäo da moeda fiduciária, ou papel-moeda.
Portanto, a denominação de moeda fiduciária advém do fator confiança da sociedade nos
agentes responsáveis pela guarda das suas reservas monetárias metálicas, o que implica confiança na
solidez da função de intermediação exercida por esses agentes. Neste primeiro estágio, as características
do papel-moeda eram as seguintes:
a) lastro inferior a 100%;
b) menor garantia de conversibilidade, já que todos os depositantes, ao mesmo tempo, näo podiam
transformar papéis em metal8;
c) emissäo feita por particulares.
Só após a ruína do sistema é que o estado passou a controlar o mecanismo das emissões ou,
mesmo, a exercer seu monopólio. Esta ruína decorreu das emissões audaciosas de papel-moeda, as
quais, em épocas críticas, resultaram na falência das instituições monetárias, levando o estado a intervir
e a regulamentar as emissöes9. Esta regulamentação, por sua vez, foi estabelecida conforme três
sistemas básicos:
a) sistema de cobertura integral: consiste em tornar as emissões iguais ao montante de encaixe
metálico10;
b) sistema de reserva proporcional: consiste em estabelecer uma relação legal entre a emissão e o
encaixe metálico11;

em 1312, pelo Papa Clemente V.


8
Quando todos resolviam fazer valer seu direito, simultaneamente, verificava-se a quebra da instituição objeto da corrida e
também, frequentemente, uma quebra geral do sistema, como ocorreu na França, nos anos logo posteriores à morte de Luiz
XIV, com o Banco de Law. Mesmo na Inglaterra, a despeito da prudência característica das mais tradicionais casas bancárias
inglesas, mais de cem bancos provinciais foram à falência no pânico de 1793. Entre 1810 e 1817, calcula-se que cerca de
seiscentos estabelecimentos emissores de moeda fiduciária fecharam as portas.
9
Esta transição das emissões monetárias particulares para o controle do estado também significou a hegemonia do sistema
de banco central (central banking system), em relação aos sistema de bancos livres (free banking system).
10
Foi adotado na Inglaterra, em 1844 (Pell’s Act), tendo sido o Banco da Inglaterra autorizado a emitir notas até o limite de
seu encaixe-ouro, mais um montante fixo, de 18 milhões de libras, inexpressivos em relação ao capital do banco. O mesmo
sistema foi adotado pelos Estados Unidos, em 1874, quando as emissões passaram a ser limitadas pelo montante dos
depósitos dos bancos no Tesouro Nacional.
11
Esta relação variou muito entre os países, dentro de uma faixa de 30% (Alemanha e Bélgica) até 40% (Estados Unidos,
Itália, Suiça e Holanda).
18
c) sistema de teto máximo: consiste na fixação de um teto máximo de emissão, sem relação com o
encaixe metálico12.
1.4.5 O Papel-Moeda de Curso Forçado13
A inflexibilidade desses sistemas (particularmente dos dois primeiros) levou, progressivamente,
no século XX, à instituiçäo e emissão de notas inconversíveis. Com a Primeira Guerra Mundial (1914-18),
todos os países recorreram a este expediente. Após essa guerra, foram feitos esforços para restabelecer
a conversibilidade das notas. Com a crise de 1929-33 (Grande Depressão), esses esforços resultaram
inúteis, tendo sido abandonada a idéia. Desde então, exceção feita ao dólar, que manteve, desde 1946
até 1971 a tradição e a garantia de um simulacro de lastro metálico (mediante uma paridade cambial fixa
com o ouro), as moedas desvincularam-se por completo de qualquer lastro.
Hoje, os sistemas monetários são estabelecidos e aceitos em geral por lei, portanto denominados
de curso forçado, sob as seguintes características:
a) inexistência de lastro metálico;
b) inconversibilidade absoluta (inexistência de garantia de conversibilidade em ouro ou outro ativo
monetário, salvo a regulação de mercado);
c) monopólio estatal das emissões.
Portanto, o papel-moeda (que ganhou força no final do século XVIII) teve, primeiro, uma forma
fiduciária, quando consistia em certificado de papel que prometia pagar certa quantia de ouro ou prata.
Essas obrigações iniciais foram emitidas por bancos privados e, depois, o governo foi tendo papel cada
vez maior (até assumir a regulação plena da moeda). Com o tempo, apareceu outra forma de moeda, de
curso forçado, que tinha um valor definido em unidades da moeda nacional, mas não tinha obrigação de
pagar uma quantidade de ouro, prata ou outra mercadoria. O valor residia simplesmente na sua
aceitação pelos outros agentes como forma de pagamento.

A moeda de curso forçado foi usada, por exemplo, pelos revolucionários, na época da Revolução
Francesa, e também pelas colônias norte-americanas na Guerra da Independência dos Estados Unidos da
América, assim como na sua Guerra Civil. 14 Houve grandes transições para moedas de curso forçado
quando os governos suspenderam a conversibilidade das notas lastreadas em ouro e prata. Em geral, o
governo suspendia a conversibilidade quando precisava aumentar muito seus gastos, como numa guerra
ou revolução.
Na segunda metade do século XIX, houve uma mudança maciça ao padrão-ouro. Neste padrão, as
moedas metálicas e as notas fiduciárias podiam ser convertidas em ouro numa paridade definida. No
final do século XIX, a prata praticamente deixou de ser usada como moeda. Das principais nações,
apenas a China continuou com um esquema bimetálico, usando tanto o ouro quanto a prata.

12
Foi praticado pela França, de 1870 a 1928. Esse sistema apresentou a vantagem de ser mais flexível que os de cobertura
integral e de reserva proporcional, ensejando mais fácil regulação da oferta monetária quanto às exigências da economia.
13
Também denominado, em muitas análises monetárias, pela expressão anglo-latina Fiat Money, que significa o papel-
moeda emitido sem nenhuma vinculação com metais preciosos ou obrigação de convertê-lo em moedas metálicas
compostas desses metais. Diferencia-se a rigor da moeda fiduciária, papel-moeda que contém uma promessa de conversão
em moeda metálica composta de metais preciosos (ouro e prata) (Sandroni, 2005).
14
Não por acaso, esses períodos e acontecimentos também foram marcados por inflação.
19
Conforme visto, com a Primeira Guerra Mundial a maioria das nações suspendeu a
conversibilidade de suas moedas em ouro e o padrão-ouro entrou em colapso. Houve tentativas de
restaurá-lo depois daquela Grande Guerra, da Grande Depressão e da Segunda Guerra Mundial.
Algumas economias adotaram (após a Primeira Guerra Mundial) o padrão câmbio-ouro (variação
do padrão-ouro, em que a moeda nacional pode ser convertida numa moeda estrangeira a dada taxa fixa
e esta moeda estrangeira, por sua vez, pode ser convertida em ouro, também a dada taxa fixa).
Na fase final da Segunda Guerra Mundial, em 1944, foi feito o acordo de Bretton-Woods, que
trouxe a aceitação geral de um padrão-ouro baseado no dólar dos Estados Unidos, mediante o qual todas
as principais moedas tinham um valor em dólar e este era conversível em ouro. Esse acordo acabou em
1971, quando o presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, primeiro desvalorizou o dólar em relação
ao ouro e, depois, encerrou a conversibilidade do dólar em ouro, com a moeda norte-americana
passando a flutuar perante o euro. Desde então, há um sistema de moedas de curso forçado, com taxas
de câmbio flexíveis, em grande parte das economias mundiais.
1.4.6 A Moeda Bancária
Ao lado da moeda de emissäo não lastreada e monopolizada pelo estado, de curso forçado e de
poder liberatório garantido por disposiçöes legais, desenvolveu-se outra modalidade de moeda: a moeda
bancária, escritural ou invisível. O desenvolvimento desta moeda foi precipitado pela independência
decisória dos departamentos bancário e monetário do Banco da Inglaterra, no século XIX, em 1844,
mediante o Peel’s Act. A falta de compreensão de que os depósitos bancários, movimentados por
cheques15, eram uma forma de moeda, ajudou a expansão dos meios de pagamento, pelo efeito
multiplicador daqueles depósitos.
Atualmente, a moeda bancária representa a parcela maior dos meios de pagamento, segundo o
conceito convencional de moeda, praticamente em todos os países. Essa forma de moeda é criada pelas
instituições bancárias detentoras de depósitos a vista e a prazo e corresponde ao total desses depósitos
nesses estabelecimentos. A moeda bancária é também chamada moeda invisível, por não ter existência
física, ou moeda escritural, por corresponder a lançamentos a débito e a crédito, registrados na
contabilidade e nas contas correntes dos bancos.
1.4.7 A Moeda Eletrônica (Digital)
Nos últimos anos, experimenta-se mais uma evolução do sistema monetário, com a disseminação
do comércio na internet e das transferências eletrônicas de fundos. Os bancos têm caixas automáticos e
os varejistas têm terminais de pontos-de-venda, de modo que os clientes podem efetuar pagamentos
tendo suas contas debitadas automaticamente, para liquidação a vista ou a prazo. Outra manifestação
da ascensão da moeda digital é a tendência na direção de sistemas de pagamentos totalmente
automatizados, com uma importante redução no uso de cheques e de moeda manual, potencializando o
fenômeno de desmaterialização da moeda.
1.5 Moedas Virtuais (Meio de Troca ou Reserva de Valor?)
Bitcoin
Moeda virtual criada em 2008 por um programador – ou grupo de programadores – que usou o
pseudônimo de Satoshi Nakamoto. O bitcoin é emitido pelos próprios usuários, que utilizam seus
computadores para “minerar” bitcoins. No início da sua existência era possível minerar bitcoins com
máquinas simples, mas, com o tempo (conforme previsto no algoritmo de criação da moeda), os
computadores necessários à geração de um bitcoin passaram a ser mais poderosos e caros.

15
Hoje, com a evolução da tecnologia bancária, a movimentação dos depósitos à vista é feita também e principalmente
mediante cartões de débito, cartões de crédito e comandos eletrônicos remotos, o que nos conduz à moeda digital.
20
Como a emissão de bitcoins é livre (emissão esta sujeita a um teto global), ela é descentralizada e
não há um órgão que a centralize. Todas as transações com bitcoins, seja emissão, sejam transferências,
são registradas em um banco de dados público, chamado blockchain.
Scotcoin
Pretende ser uma alternativa da Escócia à libra esterlina. A scotcoin é muito parecida com o
bitcoin, porém muda um conceito importante, que é o da universalidade. A scotcoin é a adaptação do
conceito para o modelo de uma moeda nacional.

ANEXO 1 – A Evolução da Moeda no Brasil1


1 Do Descobrimento ao Reino Unido
(Fonte: O Dinheiro no Brasil - do Descobrimento ao Reino Unido. Banco Central do Brasil, www.bc.gov.br,
acessado em 27/08/2004).
As Primeiras Moedas
No início do período colonial, o meio circulante brasileiro foi sendo formado com as moedas
trazidas pelos colonizadores (real português), invasores e piratas que comercializavam na costa
brasileira. A partir de 1580, com a formação da União Ibérica, verificou-se uma grande afluência de
moedas de prata espanholas (real espanhol ou reales), provenientes do Peru, graças ao comércio que se
desenvolveu através do Rio da Prata. Até o final do século XVII, os reales (reais ou reaes e, depois, réis)
espanhóis constituíram a parcela mais expressiva do dinheiro em circulação no Brasil.2
As moedas portuguesas que aqui circulavam eram as mesmas da Metrópole, oriundas de
diversos reinados. Cunhadas em ouro, prata e cobre, essas moedas tinham seus valores estabelecidos
em réis e possuíam às vezes denominações próprias, como Português, Cruzado, Tostão, Vintém.

Reales espanhóis

Reales espanhóis
Marcas para Evitar o Cerceio
A adulteração das moedas de ouro e prata, pela prática ilegal de raspagem dos bordos para
retirada do metal (cerceio), assumira proporções calamitosas em Portugal e nos seus domínios, levando
o rei português D. Pedro II (1667-1706) a adotar várias medidas para impedir a sua continuidade. Dentre

1
O Brasil já teve como padrões monetários as seguintes denominações: real ou réis e mil-réis (R e R1$000); cruzeiro (Cr$);
cruzeiro novo (NCr$); cruzado (Cz$); cruzado novo (NCz$), cruzeiro real (CR$); e real (R$). À exceção do mil-réis, que tinha
como moeda divisionária o réis (real), os demais tinham como divisionário o centavo (Sandroni, 2005). O mil-réis foi o
padrão monetário mais longevo, desde o período colonial até 1942, quando foi substituído pelo cruzeiro. O mil-réis, como
unidade monetária padrão, tinha o réis como moeda divisível, a partir da divisão do mil-réis por mil.
2
Com a progressividade da inflação, o real passou a perder poder de compra, sendo substituído, na prática, pelos seus
múltiplos, os reais, que o povo, por facilidade de pronúncia, passou a denominar réis (Sandroni, 2005).
21
essas medidas encontram-se a colocação de cordão (espécie de serrilha em forma de cordão) e de marca
(esfera armilar coroada, aplicada junto à orla) e a cunhagem de novas orlas nas moedas de cunhos
antigos.
Moedas-Mercadorias
Nos dois primeiros séculos após o descobrimento, face à inexistência de uma política monetária
especial para a Colônia, a quantidade de moedas em circulação era insuficiente para atender às
necessidades locais. Por esse motivo, diversas mercadorias foram utilizadas como dinheiro, inclusive pelo
próprio governo, sendo comuns os pagamentos realizados em açúcar, algodão, fumo, ferro, cacau e
cravo, entre outros.
Os escravos africanos chegados ao Brasil utilizaram em suas trocas o zimbo, concha de um
molusco encontrada nas praias brasileiras e que circulava como dinheiro no Congo e em Angola.
As Moedas Holandesas
Cercados pelos portugueses no litoral de Pernambuco e não dispondo de dinheiro para pagar
seus soldados e fornecedores, os holandeses realizaram a primeira cunhagem de moedas (o florim) em
território brasileiro. Conhecidas ainda como moedas obsidionais ou moedas de cerco, estas foram
também as primeiras moedas a trazerem o nome do Brasil.

Moedas de cerco nerlandesas


As Primeiras Casas da Moeda
Em 1694, finalmente, D. Pedro II (1667-1706) resolveu criar uma casa da moeda na Bahia, para a
cunhagem de moeda provincial para o Brasil. A Casa da Moeda da Bahia foi transferida em 1699 para o
Rio de Janeiro e no ano seguinte para Pernambuco, onde funcionou até 1702. Em 1703, por ordem de D.
Pedro II, foi instalada novamente no Rio de Janeiro, não mais com a finalidade de cunhar moedas
provinciais, mas para transformar o ouro em moedas para o reino. Em 1714 foi reaberta a Casa da
Moeda da Bahia, em Salvador, onde funcionou por mais de um século, até 1830.
Foram cunhadas moedas de ouro, nos valores de 4.000, 2.000 e 1.000 réis, e de prata, nos valores
de 640, 320, 160, 80, 40 e 20 réis. O conjunto de moedas de prata é conhecido como série das patacas,
em função da denominação "pataca", atribuída ao valor de 320 réis.

Pataca
Moedas de Cobre Angolanas
Como as casas da moeda não cunharam moedas de cobre, foi autorizada a circulação no Brasil de
moedas destinadas a Angola, fabricadas na cidade do Porto, nos valores de 10 e 20 réis. Essas moedas
eram necessárias para as transações de pequeno valor.
O Ouro se Transforma em Moeda

22
O estabelecimento de uma casa da moeda em Minas Gerais foi determinado em 1720 (além das
existentes na Bahia e no Rio de Janeiro), quando da proibição da circulação do ouro em pó dentro da
capitania. Além de moedas iguais às cunhadas no Reino, no Rio e na Bahia, a nova casa da moeda deveria
fabricar peças com valores nominais de 20.000 e 10.000 réis, as quais circulariam com os valores efetivos
de 24.000 e 12.000 réis3. Instalada em Vila Rica, a casa da moeda de Minas funcionou no período de 1724
a 1734.
Em 1722 D. João V alterou a forma e o valor das moedas de ouro portuguesas, criando a série dos
escudos, com os valores de 12.800 réis (dobra de 8 escudos) 4, 6.400 réis (dobra de 4 escudos), 3.200 réis
(dobra de 2 escudos), 1.600 réis (escudo) e 800 réis (1/2 escudo). Cunhadas no Brasil a partir de 1727,
essas moedas trazem no anverso a efígie do rei. Dentro dessa série foi introduzida, em 1730, a peça de
400 réis (cruzadinho).
Barras de Ouro e Certificados
Com o fito de garantir a cobrança do imposto do quinto, foram estabelecidas casas de fundição
nas principais regiões auríferas do país, para as quais deveria ser levado todo o ouro extraído. Depois de
deduzida a quinta parte, o ouro era fundido e transformado em barras, nas quais eram registrados o ano,
a marca oficial da casa de fundição, o número de ordem, o título e o peso do ouro. Assim legalizado, o
ouro era devolvido a seu proprietário, acompanhado de um certificado. Essas barras tiveram ampla
circulação no Brasil, desempenhando a função de moeda, particularmente nas capitanias do interior.
Bilhetes da Extração - Primeira Moeda-Papel
A partir de 1772, a extração de diamantes na região do Tejuco do Serro Frio (atual Diamantina)
passou a ser feita diretamente pela Coroa Portuguesa, que para isso criou a Real Extração dos
Diamantes. Quando havia insuficiência de recursos para o custeio das despesas, a Administração dos
Diamantes emitia bilhetes que eram resgatados quando chegavam os suprimentos em moeda remetidos
pela Fazenda Real. No início esses bilhetes tinham grande credibilidade, sendo aceitos em todas as
transações comerciais da região.

Bilhete de extração
D. João, Príncipe Regente e Rei
D. João assumiu a regência em 1799, mas durante alguns anos as moedas continuaram sendo
cunhadas com o nome de D. Maria I. As primeiras moedas de ouro cunhadas com a legenda "João
Príncipe Regente" foram produzidas em 1805, antes de sua chegada ao Brasil. A elevação do Brasil à
condição de Reino Unido foi registrada nas peças em ouro, prata e cobre cunhadas em 1816 com a
legenda "João, por Graça de Deus, Príncipe Regente de Portugal, Brasil e Algarves". Com a aclamação de
D. João como D. João VI, em 1818, as moedas passaram a ter as armas do Reino Unido e a legenda "João
VI, por Graça de Deus, Rei de Portugal, Brasil e Algarves".
3
O dobrão foi uma moeda cunhada também no Ciclo do Ouro brasileiro (século XVIII). Esta moeda de 20.000 réis pesava
53,87 g, sendo uma das moedas de maior peso em ouro que circularam no mundo (BCB, acessado em 27.02.2013).
4
Com a imagem do Rei em uma face e as Armas da Coroa portuguesa na outra face, esta moeda deu origem à expressão
“cara ou coroa”.
23
Notas do Banco do Brasil
A criação do Banco do Brasil, por meio de Alvará de 12 de outubro de 1808, teve por objetivo
dotar a Coroa de um instrumento para captação dos recursos necessários à manutenção da corte. De
acordo com seus estatutos, o banco deveria emitir bilhetes pagáveis ao portador, com valores a partir de
30 mil réis. As emissões do Banco tiveram início em 1810 e a partir de 1813 foram emitidos bilhetes com
valores abaixo do limite mínimo inicialmente estabelecido.
A esse Banco foi facultado o privilégio de emitir notas representativas, com garantia de
conversibilidade de 100%. Mas, para atender a exigências da Corte, notadamente as decorrentes do
financiamento de gastos militares (para sufocar movimentos revolucionários em Pernanbuco, em 1817,
depois na Bahia e, por fim, para sustentar as lutas contra as Províncias do Rio da Prata), o regente D.
Joäo recorreu às facilidades de empréstimo junto ao Banco do Brasil, de tal forma que as emissöes se
tornaram preponderantemente fiduciárias.
Em abril de 1821, antes de regressar a Portugal, o rei e toda a sua corte resgataram todas as
notas em seu poder, trocando-as por moedas, metais e jóias depositados no Banco, obrigando a
instituição a suspender, a partir de julho, a conversibilidade dos bilhetes.

Nota do Banco do Brasil

2 Do Reino Unido e do Brasil Império ao Plano Real


Moedas de Cobre
Com a volta de D. João VI a Portugal, o príncipe regente D. Pedro deparou-se com uma situaçäo
crítica: o Tesouro achava-se em bancarrota e o Banco do Brasil encontrava-se à beira de uma crise, que
levaria posteriormente à perda do seu direito de emissão. E não havia outras fontes de recursos para
financiar as despesas governamentais. Uma das medidas tomadas pelo regente foi a cunhagem de
moedas de cobre pela Casa da Moeda, que então se transfomaram, juntamente com notas bancárias
ainda em circulação, nas únicas formas de moeda no Brasil. Mas crescentes exigências de recursos pelo
Tesouro, somadas às flexíveis regras que regulavam o processo de cunhagem, conduziram à deterioração
dessa segunda tentativa de implantação de um sistema monetário sólido no País.
Notas do Tesouro Nacional
Em 1827, cinco anos após a independência do Brasil, era falsa a maior parte das moedas de cobre
em circulação, o que motivou um decreto imperial, de 27 de novembro, ordenando a troca de moedas de
cobre por notas emitidas pelo Tesouro. O decreto foi de extraordinária importância, sendo a primeira
autorização legal para a emissão de papel-moeda pelo governo. Posteriormente, o papel-moeda do
Tesouro Nacional substituiria completamente as notas do Banco do Brasil. Em 1829 foi decretada a
liquidaçäo do primeiro Banco do Brasil e criado um novo sistema monetário, com notas assinadas pelo
Governo, sendo proibidos todos os tipos de emissäo.

24
Bancos de Emissão e Padrão-Ouro
O passo seguintes foi, a partir de 1836, a criação de bancos de emissão em vários Estados,
sujeitos a sistema misto definido em lei: teto máximo e cobertura integral. A partir de 1846, sob forte
inspiraçäo metalista, o sistema monetário brasileiro retornou ao padrão-ouro, tendo sido fixada em
1:15,625 a relação legal entre o ouro e a prata. Em 1849, fortaleceu-se ainda mais a corrente metalista,
implantando-se o regime monometálico e reduzindo-se as peças monetárias de prata à condição de
moeda auxiliar. Como registra Hugon, a reforma de 1846 preparou as condições favoráveis à retomada
do desenvolvimento econômico, que ganhou impulso na segunda metade de século e inaugurou novo
período na história econômica do País. O comércio exterior desenvolveu-se e a balança comercial
tornou-se favorável, a partir de 1854 até o final do Império, com exceçäo de apenas quatro anos5.
Novo Banco do Brasil
No decurso deste mesmo período, o Banco Comercial do Rio de Janeiro e o Banco de Mauá
(Banco do Brasil), estimulados pelo Visconde de Itaboraí, fundiram-se, dando origem, em 1851, a um
segundo (novo) Banco do Brasil. Este adquiriu os direitos de emissäo dos outros bancos privados,
restabelecendo-se o monopólio para a emissäo de notas bancárias. Este novo Banco do Brasil foi
encarregado de substituir por suas notas as do Tesouro. Seu limite de emissão foi fixado no dobro do
capital disponível.
Com a Guerra do Paraguai (1864-70), as finanças públicas voltaram a se enfraquecer. O
financiamento se fez através do processo emissor. O teto para emissão do Banco do Brasil foi elevado
até cinco vezes em relação ao capital. Em 1866, o direito de emissão retornou ao Tesouro. Com o fim da
guerra, o ritmo de emissöes diminuiu. Somente em 1888, restabeleceram-se condiçöes para a
conversibilidade plena, com a abundância de ouro. Outra reforma monetária foi então implantada,
retornando o País ao regime de pluralidade de emissões, novamente regido pelo sistema de teto
máximo.
Voltam os Bancos de Emissão
Em 1890, reimplantaram-se quatro bancos de emissão. Autorizaçöes para a expansäo dos
empréstimos à indústria, aliadas às dificuldades econômicas da Primeira República, ensejaram o
encilhamento, que foi um período de forte especulaçäo, crédito fácil, tetos de emissäo frequentemente
ultrapassados e, em consequência, ampla desconfiança pública em relaçäo ao meio circulante. Os preços
subiram em ritmo inusitado (Lopes, Rossetti, p.37). O ouro evadiu-se. Foi uma época de atividade
comercial febril, criadora de riquezas ilusórias e de nocivas especulações em bolsas, que lembravam as
da Rua Quincampoix na época crítica do sistema de Law, na França. Terminou igualmente em crise, que
atingiu duramente o sistema bancário, com a falência do segundo Banco do Brasil e de outros
estabelecimentos.
Volta a Emissão ao Tesouro
Em 1898, na virada para o século XX, implantou-se importante contrarreforma, dirigida pelo
ministro metalista Joaquim Murtinho. Incineraram-se cédulas monetárias, a taxa de câmbio foi
valorizada e o processo emissor foi contido. Em 1900, a cobertura metálica das emissöes do Tesouro era
de apenas 2,14%, mas, progressivamente, chegou a 32,5% em 1913. Mas, com a Primeira Guerra
Mundial, interromperam-se bruscamente as condiçöes subjacentes ao fortalecimento monetário e ao
equilíbrio cambial. Entre 1914-20, as emissões de notas do Tesouro aumentaram 88%, enquanto o
encaixe metálico voltou a sofrer reduçöes, recuando à taxa de 9,5% em 1920. Nova reforma monetária
se aproximava.

5
Esta informação reforça a importância das exportações como um fator determinante do modelo de crescimento da
economia brasileira ao longo da sua história (e do seu presente).
25
Volta o Banco do Brasil
A partir de julho de 1923, o Banco do Brasil, cujas operações foram reativadas em 1906,
reassumiu o monopólio das emissöes e, em 1926, para novamente compatibilizar o padrão monetário
com as reservas metálicas do País, o mil-réis passou a corresponder a 200 mg de ouro.
Criou-se então uma Caixa de Estabilização, encarregada de operar os processos de conversão de
notas em ouro e de ouro em notas. Tratava-se de um órgão encarregado de manter estável a última
decisão do governo quanto ao lastro do sistema monetário. Dado o volume do meio circulante, a
garantia de 200 mg de ouro por mil-réis correspondia a uma cobertura, nos termos do sistema de
reserva proporcional, de 37%.
A estabilizaçäo do lastro e da garantia de conversäo durou novamente muito pouco. O sistema foi
desarticulado com a Grande Depressäo dos anos 1930, iniciada no final de 1929. Com a brusca queda do
comércio mundial de café e de suas cotações (o valor-ouro da saca de café caiu 80%), tornaram-se
inevitáveis o déficit da balança comercial e a desvalorização da taxa cambial. Esta recuou a níveis
inferiores aos da taxa de conversão, de tal forma que as reservas em ouro e em divisas da Caixa de
Estabilização reduziram-se de 37% (1926) para menos de 0,5% (1931), tendo sido absorvidas pelos países
credores ou com superávit nas relações bilaterais. A Caixa de Estabilização foi liquidada. A recomposição
das reservas somente ocorreria durante a Segunda Guerra Mundial, com a reduçäo das importaçöes e
expansäo das exportaçöes, possibilitando a expansäo da cobertura metálica para 45%, apesar do
crescimento, na época, das emissöes de papel-moeda pelo Tesouro Nacional.
Surge o Cruzeiro
No decurso desse novo capítulo da história da moeda no Brasil, o governo instituiu o cruzeiro, em
1942, como unidade monetária, no lugar do mil-réis, mantendo a equivalência entre as duas unidades
monetárias, durante o período de substituiçäo do meio circulante. Näo obstante o cruzeiro fosse
declarado inconversível, o processo emissor passou a ter como freio uma garantia em ouro e em divisas
conversíveis de 25% do total do meio circulante. Mas este limite proporcional näo foi respeitado e, em
1945, estabeleceu-se a liberdade de emissäo sem limitaçäo de lastro.
Em 1948, o Brasil comunicou ao Fundo Monetário Internacional, o valor do cruzeiro: esse valor
correspondia a Cr$18,50 por US$1.00. A partir de 1961 este padräo foi definitivamente suspenso, após
sucessivas e constantes desvalorizaçöes cambiais. O sistema monetário tornou-se entäo totalmente
fiduciário, sem lastro metálico e inconversível.
A emissão do cruzeiro, desatrelada de lastros metálicos, permaneceu unificada, confiada ao
Tesouro Nacional. A SUMOC, Superintendência da Moeda e do Crédito, foi criada na época como órgão
para implementar a política monetária. O Banco do Brasil manteve a tradição de atuar, em parte, como
autoridade monetária e, em parte, como agente financeiro do Tesouro Nacional.
Surge o Bacen
Em 1964, foi criado o Banco Central do Brasil, em substituição à SUMOC. Passou a ser sua
privativa competência a emissão de moeda, bem como a execução dos serviços do meio circulante. O
Tesouro Nacional, todavia, não perdeu o controle do processo emissor. O Banco Central permaneceu de
fato atrelado às autoridades fiscais, sem obter independência operacional. O meio circulante e a emissão
de moeda primária permaneceram subordinados às exigências de cobertura de déficits resultantes das
operações do complexo constituído pelas autoridades fiscais e monetárias.
O Cruzado e a Volta do Cruzeiro
Em fevereiro de 1986 (Decreto-lei nº 2.283) nova reforma monetária foi implantada no País, com
a criaçäo de nova moeda, o cruzado (Cz$). Esta reforma monetária, todavia, näo implicou mudanças
substantivas no processo de aumento do meio circulante. O Banco Central näo foi proibido de financiar o
Tesouro Nacional. Este ainda continuou descarregando sobre as autoridades monetárias as exigências de
26
nivelamento dos orçamentos públicos. A austeridade emissora, requerida para a sustentação da nova
moeda, o cruzado, permaneceu comprometida pela não-extensão da reforma monetária à estrutura
institucional e às relações entre o Banco Central e os demais centros de poder do governo central. O
cruzado teve vida curta. Em 1990, foi reinstituído o cruzeiro.
O Cruzeiro Real e o Real
Em 1993 surgiu o cruzeiro real e, finalmente, em julho de 1994, entrou em cena o real, voltando-
se a usar, no Brasil, a denominação da primeira moeda que por aqui circulou.6

6
A título de curiosidade, faz-se referência ao “pila”, termo usado no Rio Grande do Sul como designação popular de moeda,
independentemente desta ser oficialmente designada como cruzeiro, cruzado ou real.
27
1 centavo - R$ 0,01

Anverso:
À direita, a efígie representativa da República, ladeada por representação estilizada de
ramo de louros. Na parte inferior, a inscrição "BRASIL".

Reverso:
Inscrição indicativa de valor, ladeada por ramos de louros. Abaixo, os dísticos "centavo"
e o correspondente ao ano de cunhagem.

5 centavos - R$ 0,05

Anverso:
À direita, a efígie representativa da República, ladeada por representação estilizada de
ramo de louros. Na parte inferior, a inscrição "BRASIL".

Reverso:
Inscrição indicativa de valor, ladeada por ramos de louros. Abaixo, os dísticos
"centavos" e o correspondente ao ano de cunhagem.

10 centavos - R$ 0,10

Anverso:
À direita, a efígie representativa da República, ladeada por representação estilizada de
ramo de louros. Na parte inferior, a inscrição "BRASIL".

Reverso:
Inscrição indicativa de valor, ladeada por ramos de louros. Abaixo, os dísticos
"centavos" e o correspondente ao ano de cunhagem.

25 centavos - R$ 0,25

Anverso:
No centro, a efígie representativa da República, ladeada pela inscrição "BRASIL". Na
parte inferior, dístico correspondente ao ano de cunhagem.

28
Reverso:
Linhas sinuosas de fundo dão destaque ao dístico correspondente ao valor facial,
seguido do dístico "centavos".

50 centavos - R$ 0,50

Anverso:
À direita, a efígie representativa da República, ladeada por representação estilizada de
ramo de louros. Na parte inferior, a inscrição "BRASIL".

Reverso:
Inscrição indicativa de valor, ladeada por ramos de louros. Abaixo, os dísticos
"centavos" e o correspondente ao ano de cunhagem.

1 Real - R$ 1,00 (Retirada de circulação em 23 de dezembro de 2003)

Anverso:
À direita, a efígie representativa da República, ladeada por representação estilizada de
ramo de louros. Na parte inferior, a inscrição "BRASIL".

Reverso:
Inscrição indicativa de valor, ladeada por ramos de louros. Abaixo, os dísticos "Real" e o
correspondente ao ano de cunhagem.

A partir de 23/12/2003 a moeda de R$ 1,00 em aço inox saiu de circulação.


 

ANEXO 2 – TABELAS
Tabela – Padrões Monetários do Brasil no Século XX – do Réis ao Real
Plano Padrão Monetário Início Fim Duração Inflação Inflação Média
Econômico (meses) Acumulada (%) Mensal
- Real ou Réis (R) (+/-)1580 Out/1833 (+/-)3.036 - -
- Mil-Réis (R$1000) Out/1833 Out/1942 1.428 - -
- Cruzeiro (Cr$) Nov/1942 Jan/1967 292 31.191 1,99%
- Cruzeiro Novo (NCr$) Fev/1967 Mai/1970 40 90 1,61%
- Cruzeiro (Cr$) Jun/1970 Fev/1986 190 206.288 4,10%
Cruzado (I e II) Cruzado (Cz$) Mar/1986 Dez/1988 35 5.699 12,30%
Verão (I e II) Cruzado Novo (NCz$) Jan/1989 Fev/1990 15 5.937 31,44%
Collor (I e II) Cruzeiro (Cr$) Mar/1990 Jul/1993 41 118.590 18,85%
Transição Real Cruzeiro Real (CR$) Ago/1993 Jun/1994 11 2.396 33,97%
Real Real (R$) Jul/1994 - - - -
Fontes: IBGE, Banco Central do Brasil, Autor, Gremaud, et allii.

Tabela – Meio circulante ou moeda em circulação (moeda em poder do público e da rede bancária)

29
Em 15/02/2016 Em 24/02/2017
Tipo de Moeda Qdade (nº) Valor (R$) Qdade (nº) Valor (R$)
Cédulas (1ª e 2ª famílias) 5.880.213.113 204.561.200.600,00 6.006.749.578 211.600.588.443,00
Cédulas em polímero 3.649.435 36.494.350,00 3.590.204 35.902.040,00
Moedas – 1ª família (inox) 5.654.196.727 608.767.495,92 5.654.143.595 608.756.764,58
Moedas – 2ª família 18.042.888.109 5.173.592.085,92 18.685.362.742 5.256.643.596,36
Moedas – 2ª fam.(Olímpiadas) 195.757.824 195.757.814,00 369.504.030 369.504.030,00
Moedas comemorativas 728.443 2.711.733,00 958.776 3.523.430,00
Total Meio Circulante Nacional - 210.578.524.097,84 - 217.874.918.303,94
Variação anual (%) - -5,66 - 3,46
Fonte: Banco Central do Brasil. www.bcb.gov.br.

Tabela – Índices de Preços – variações percentuais

Periodo INPC IPCA INCC IGP-DI IGP-M IPC-Fipe Média*


2007 5,16 4,46 6,16 7,89 7,75 4,38 5,97
2008 6,48 5,90 11,86 9,10 9,81 6,16 8,22
2009 4,11 4,31 3,25 -1,43 -1,72 3,65 2,03
2010 6,47 5,91 7,77 11,30 11,32 6,40 8,20
2011 6,08 6,50 7,48 5,00 5,10 5,81 6,00
2012 6,20 5,84 7,12 8,10 7,82 5,10 6,70
2013 5,56 5,91 8,09 5,52 5,51 3,88 5,75
2014 6,23 6,41 6,94 3,78 3,69 5,20 5,38
2015 11,28 10,67 7,49 10,70 10,54 11,07 10,29
2016 6,58 6,29 6,11 7,18 7,17 6,54 6,65
Média 6,42 6,22 7,23 6,71 6,70 5,82 6,52
Fonte: Banco Central do Brasil.
* Média dos índices INPC, IPCA, INCC, IGP-DI, IGP-M, IPC-Fipe.

Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – variações percentuais nos últimos 12 meses

Alimentação Artigo de Saúde e Despesas


Período Geral e bebidas Habitação Residência Vestuário Transporte Cuid.Pes. Pessoais Educação Comunicação
2010 5,91 10,39 4,98 3,51 7,51 2,41 5,06 7,37 6,21 0,86
2011 6,50 7,19 6,75 0,00 8,26 6,04 6,33 8,62 8,08 1,51
2012 5,84 9,66 6,81 0,85 5,80 0,46 5,94 10,16 7,79 0,76
2013 5,91 8,48 3,41 7,12 5,37 3,30 6,95 8,40 7,92 1,51
2014 6,41 8,03 8,80 5,50 3,65 3,76 6,97 8,31 8,45 -1,51
2015 10,67 12,01 18,34 5,38 4,47 10,17 9,20 9,51 9,25 2,10
2016 6,29 8,61 2,84 3,41 3,54 4,24 11,05 8,01 8,87 1,27
Fonte: Banco Central do Brasil.

30