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Efeito da adição de lipídeos à dieta sobre o

metabolismo ruminal do nitrogênio


Doreau, M.; Ferlay, A.
INRA – Laboratório de Nutrição de Ruminantes – Champanelle - França
Introdução
• Incorporação de lipídeos na dieta: bastante comum.

– Alto valor energético

– Baixo custo

– Limitações

• Tendência a redução da proteína no leite

• Distúrbios frequentes na função ruminal

– Alteram a digestão dos carboidratos estruturais no rúmen.

– Não se conhece completamente seus efeitos sobre o

metabolismo ruminal de nitrogênio.


Objetivo

• Resumir o conhecimento adquirido sobre os efeitos dos

lipídeos na dieta sobre o metabolismo ruminal de

nitrogênio, e propor uma nova interpretação dos achados,

os quais se aparentam inconsistentes.


Influência no Ecossistema Microbiano
• Bactérias

– Ácidos graxos (AG)


• Efeito negativo sobre o crescimento bacteriano

• Adsorção sobre a parede celular

• Reduzindo a captação de aminoácidos (aa) e produção de ATP

– Adsorção de AGs
• ↑ pH → ↓ adsorção à parede celular

• ↑ Concentração de cátions (Ca++) → ↓ adsorção à parede celular

• Ion cálcio aumenta a adesividade das bactérias à celulose.


Influência no Ecossistema Microbiano
• Bactérias
– Sensibilidade aos lipídeos
• Bactérias celulolíticas > amilolíticas

• Gram + > Gram –

– In vivo
• População bacteriana não é modificada pela adição de lipídeos.

• Aderentes a partículas sólidas ou meio líquido.

• Diferentemente dos achados in vitro

• AGs adsorvem-se mais a partículas alimentares in vivo que in


vitro.
Influência no Ecossistema Microbiano
• Protozoários

– Adição de lipídeos
• Reduz população de protozoários (Tabela 1)

• Linseed oil x outras gorduras

– Poucos efeitos

– Independente do comprimento da cadeia ou grau de insaturação

• Efeito negativo: AGs livres > AGs esterificados

• Reduções protozoários ⇐ Redução na concentração ruminal de

amônia
Influência no Ecossistema Microbiano
• Protozoários

– Adição de lipídeos

• ↑ conteúdo de AGs dos protozoários: 50 a 100%

– Incorporação direta de AGs no protozoário

• Extensão da incorporação de AGs

– Natureza dos AGs

– Modifica a fração de AGs livres (AGLs)

– Constituem forma armazenamento lipídeos.


Índices do metabolismo ruminal do nitrogênio
• Concentrações de Amônia

– Produto do balanço entre as fontes de entrada e saída

• Entrada

– degradabilidade do N da dieta

– Reciclagem sistâmica do N

• Saída

– Incorporação de N pelos microorganismos (MOs)

– Absorção de N pelo organismo

– Fluxo de N através do orifício omaso-reticular (volume de fluido

ruminal)
Índices do metabolismo ruminal do nitrogênio

• Concentrações de Amônia

– Suplementação com lipídeos

• Não altera, ou reduz levemente a concentração ruminal de amônia

(Tabela 2)

• Reciclagem de N não é alterada

– Não há variação no catabolismo de aa

– Uréia plasmática não se altera pela ação metabólica dos lipídeos


Índices do metabolismo ruminal do nitrogênio
• Concentrações de Amônia

– Variações não são produtos da absorção

• Absorção de amônia depende principalmente do pH

• pH ruminal não é alterado pela adição de lipídeos

– Taxa de renovação do fluido ruminal

• Não é modificada pela adição de lipídeos

• Volume de fluido ruminal não se altera (Tabela 3)

• Variações na concentração de amônia no líquido ruminal, quando

ocorrem

– Alterações na síntese ou degradação ruminal de proteínas.


Degradação do nitrogênio dietético
• Estimação in vitro

– Fermentador fechado

• Redução na degradabilidade de compostos nitrogenados em dietas

contendo óleo de soja

– Caseína, ovoalbumina, aminoácidos

• Redução

– População bacteriana

– Linhagens proteolíticas

– Não pode ser extrapolado para in vivo: não há redução bacteriana


Degradação do nitrogênio dietético
• Estimação in vivo

– Resultados de diversos estudos (Tabela 4)

• Houve aumento ou ausência de efeito sobre a degradação nos

estudos.

• Aumentos: não foram ligados, com clareza, à natureza dos AGs

fornecidos

• Inconsistência dos achados: não permite conclusões.


Degradação do nitrogênio dietético

• Medição Direta in vivo

– Fluxo duodenal de N

– Conteúdo de MOs no fluido

• N não microbiano (NNB): Σ a N dieta + N endógeno

• Fluxo de N endógeno não varia em função da adição de lipídeos

• Variações do NNB são devidas a variações no N da dieta


Degradação do nitrogênio dietético

• Medição Direta in vivo

– Degradação do N não depende da natureza dos AGs, mas é

influenciado:

• Espécie (Ovinos > Bovinos)

• Matéria orgânica degradável no rúmen


Degradação do nitrogênio dietético
• Discussão

– Medição direta do fluxo duodenal de N

• Pouco confiável

• Medição de fluxo microbiano pouco acurada

– Não há evidências da ação dos lipídeos sobre a degradabilidade

ruminal do N

– ↑ degradabilidade protéica: ↓ protozoários após adição de AGs.

• Essa hipótese necessita de comprovação.


Conclusão
• Principais resultados publicados há 10 anos

– Redução, in vitro, da população bacteriana após a adição de

lipídeos.

– Aumento, in vivo, na eficiência da síntese microbiana, devido a:

• Redução na população de protozoários

• Redução na concentração de amônia

• Achados recentes:

– Poucos efeitos da gordura sobre metabolismo ruminal de N.

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