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Índice dos conteúdos

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES ..................................................................................................................... - 4 -


PREFÁCIO .................................................................................................................................................................... - 6 -
SUMÁRIO EXECUTIVO ............................................................................................................................................ - 8 -
1 INTRODUÇÃO E CONTEXTO ...................................................................................................................... - 11 -
2 ANÁLISE DA SITUAÇÃO ............................................................................................................................... - 12 -
2.1 A REDE SANITÁRIA EXISTENTE .................................................................................................................... - 12 -
2.2 O ESTADO FÍSICO DA REDE .......................................................................................................................... - 14 -
2.3 A COBERTURA DA REDE .............................................................................................................................. - 15 -
3 OBJECTIVOS, PROCESSO E CRITÉRIOS DO PLANO ........................................................................... - 19 -
3.1 OS OBJECTIVOS DO PLANO DE INVESTIMENTO PROVINCIAL DA SAÚDE DO NIASSA.................................... - 19 -
3.2 O PROCESSO DE ELABORAÇÃO DO PLANO ................................................................................................... - 19 -
3.3 OS CRITÉRIOS DE IDENTIFICAÇÃO E SELECÇÃO DAS INTERVENÇÕES DE INVESTIMENTO ............................. - 20 -
3.3.1 Equidade de acesso geográfico ............................................................................................................. - 20 -
3.3.2 Eficiência do investimento..................................................................................................................... - 20 -
3.3.3 Critério da qualidade ............................................................................................................................ - 21 -
3.3.4 Critério da sustentabilidade do investimento ou de disponibilidade de recursos correntes ................ - 21 -
3.3.5 Ponderação dos critérios ...................................................................................................................... - 22 -
4 O ENVELOPE DE RECURSOS ...................................................................................................................... - 23 -
4.1 A DESPESA DE INVESTIMENTO PROVINCIAL DOS ANOS PASSADOS............................................................... - 23 -
4.2 AS FONTES DE FINANCIAMENTO DO INVESTIMENTO DA PROVÍNCIA ............................................................ - 23 -
4.3 O ENVELOPE DE RECURSOS DISPONÍVEIS ..................................................................................................... - 24 -
5 O PLANO DE INVESTIMENTO PROVINCIAL ......................................................................................... - 26 -
5.1 AS INTERVENÇÕES DO PRIMEIRO QUINQUÉNIO (2004-2008) ....................................................................... - 26 -
5.1.1 O impacto do primeiro quinquénio do PIPS na rede sanitária da província ....................................... - 28 -
5.2 O SEGUNDO QUINQUÉNIO DO PIPS (2009-2013) ......................................................................................... - 29 -
6 AS IMPLICAÇÕES DO PIPS NOS RECURSOS CORRENTES ................................................................ - 31 -
6.1 IMPLICAÇÕES NOS RECURSOS HUMANOS ..................................................................................................... - 31 -
6.2 IMPLICAÇÕES NOS MEDICAMENTOS ............................................................................................................ - 32 -
6.3 IMPLICAÇÕES DO INVESTIMENTO NA MANUTENÇÃO DE INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTO ................... - 33 -
6.4 IMPLICAÇÕES DO INVESTIMENTO NOS RECURSOS FINANCEIROS CORRENTES .............................................. - 35 -
6.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE O PIPS E OS RECURSOS CORRENTES ENVOLVIDOS ..................................... - 36 -
7 POSSÍVEIS CONSTRANGIMENTOS NA IMPLEMENTAÇÃO DO PIPS .............................................. - 38 -
7.1 A CAPACIDADE DE EXECUÇÃO DOS FUNDOS DE INVESTIMENTO .................................................................. - 38 -
7.2 A DIFICULDADE DE UTILIZAÇÃO DOS FUNDOS DO ORÇAMENTO DE ESTADO .............................................. - 38 -
7.3 OS ELEVADOS CUSTOS DO INVESTIMENTO NA PROVÍNCIA ........................................................................... - 39 -
7.4 A MANUTENÇÃO DE INFRA-ESTRUTURAS E EQUIPAMENTO ......................................................................... - 40 -
7.5 A PROVISÃO DE SERVIÇOS NAS ÁREAS DE BAIXA DENSIDADE POPULACIONAL ............................................ - 40 -
8 O FINANCIAMENTO DO PIPS...................................................................................................................... - 42 -
8.1 OS FUNDOS DA AJUDA IRLANDESA ............................................................................................................. - 42 -
8.2 OS FUNDOS DE INTERMÓN OXFAM PARA O DISTRITO DE MARRUPA ........................................................... - 42 -
8.3 OUTROS FUNDOS PARA O INVESTIMENTO .................................................................................................... - 43 -
8.4 OS FUNDOS INTERNOS PARA O INVESTIMENTO ........................................................................................... - 43 -
8.5 O PLANO DE INVESTIMENTO PROVINCIAL E O PTIP.................................................................................... - 43 -
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................................................... - 45 -

Anexo I: Banco de dados das unidades sanitárias do Serviços Nacional de Saúde do Niassa
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Anexo II: Mapeamento das US da província do Niassa, por posto administrativo, densidade
populacional e intervenções propostas pelo PIPS 2004-2008

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Lista de tabelas, mapas e figuras

TABELA 1: REDE SANITÁRIA DA PROVÍNCIA DO NIASSA (ANO DE 2003)........................................................................ - 12 -


TABELA 2: NUMERO DE CASAS, TRABALHADORES E NECESSIDADES DE ALOJAMENTO ESTIMADAS ............................... - 13 -
MAPA 1: ESTADO FÍSICO DA REDE PRIMÁRIA– DISTRITOS COM COEFICIENTE FÍSICO MENOR ......................................... - 15 -
MAPA 2: REDE SANITÁRIA POR POSTOS ADMINISTRATIVOS, DENSIDADE POPULACIONAL E ÁREAS DE CAPTAÇÃO ......... - 16 -
TABELA 3: INDICADORES POR DISTRITOS DE SERVIÇO PRIMÁRIOS PER CÁPITA .............................................................. - 16 -
TABELA 4: INDICADORES DE INFRA-ESTRUTURAS E POPULAÇÃO POR PROVÍNCIA .......................................................... - 17 -
TABELA 5: GASTOS DE INVESTIMENTO 2001-2003 DA DPS DO NIASSA, POR FINANCIADOR.......................................... - 23 -
TABELA 6: ESTIMATIVA DE RECURSOS DISPONÍVEIS PARA INVESTIMENTO PARA O PERÍODO 2004-2008 ....................... - 24 -
TABELA 7: INTERVENÇÕES DO PERÍODO 2004-2008 E SEUS CUSTOS .............................................................................. - 26 -
TABELA 8: INTERVENÇÕES DO PRIMEIRO QUINQUÉNIO POR DISTRITO E SEUS CUSTOS ................................................... - 27 -
FIGURA 1: REPARTIÇÃO POR REGIÕES DA DESPESA DE INVESTIMENTO DO PRIMEIRO QUINQUÉNIO DO PIPS ................. - 28 -
MAPA 3 : MAPEAMENTO DAS INTERVENÇÕES PREVISTAS PELO PROGRAMA DO PIPS 2004-2008 .................................. - 29 -
TABELA 9: INTERVENÇÕES DO PIPS PARA O QUINQUÉNIO 2009-2013 ........................................................................... - 30 -
TABELA 10:NECESSIDADES ADICIONAIS DE QUADROS TRAZIDAS PELO PIPS ATÉ 2009 ................................................. - 31 -
TABELA 11: ESTIMATIVA DE FORMAÇÃO DE QUADROS DA SAÚDE AO NÍVEL DO PAÍS ATÉ 2010 .................................... - 32 -
TABELA 12: NECESSIDADES ADICIONAIS DE KITS DE MEDICAMENTOS POR DISTRITO TRAZIDAS PELO PIPS .................. - 33 -
TABELA 13: NECESSIDADES ADICIONAIS ANUAIS DE GASTOS CORRENTES PARA MANUTENÇÃO .................................... - 34 -
TABELA 14:CÁLCULO DO IMPACTO DO PIPS NOS GASTOS CORRENTES ATÉ 2009 POR TIPO INTERVENÇÃO ................... - 35 -
TABELA 15: PROJECÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE FUNDOS DE FUNCIONAMENTO PARA A SAÚDE DO NIASSA ................ - 35 -
TABELA 16: EXEMPLO DE ELABORAÇÃO DA PROPOSTA DE PTIP 2004 PARA O NIASSA ................................................. - 44 -

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

LISTA DE SIGLAS E ABREVIAÇÕES

ART Terapia Antiretroviral (HIV/SIDA)


BAD Banco Africano de Desenvolvimento
CDFMP Cenário de Despesa e Financiamento de Médio Prazo
CF Centro de Formação
CFMP Cenário Fiscal de Médio Prazo
CIC Conselho Intra-hospitalar de Cooperação (ONG Espanha)
CS Centro de Saúde
GATV Gabinete de Aconselhamento e Testagem Voluntária
GdN Governo Provincial do Niassa
DAG Direcção de Administração e Gestão
DDS Direcção Distrital de Saúde
DNPO Direcção Nacional do Plano e Orçamento (MPF)
DPOPH Direcção Provincial de Obras Públicas e Habitação
DPPF Direcção Provincial de Plano e Finanças
DPS Direcção Provincial de Saúde
DPC Direcção de Planificação e Cooperação (MISAU)
GACOPI Gabinete de Coordenação de Projectos de Investimento (MISAU)
HD Hospital Distrital
HIV/SIDA Síndroma de Imúno Deficiência Adquirida
HP Hospital Provincial
HPL Hospital Provincial de Lichinga
HR Hospital Rural
HRC Hospital Rural de Cuamba
IAF Inquérito dos Agregados Familiares
Intermón Oxfam ONG Espanhola
Irish Aid Ajuda Irlandesa
MISAU Ministério da Saúde
MPF Ministério do Plano e Finanças
OE Orçamento de Estado
ONG Organização Não Governamental
PET Plano Estratégico Trienal (DPS Niassa)

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

PIPS Plano de Investimento Provincial da Saúde (DPS-Niassa)


PIS Plano de Investimento da Saúde (DPC-MISAU)
PS Posto de Saúde
PTIP Plano Trienal de Investimento Público
SDC Agência Suíça de Cooperação para o Desenvolvimento
SIMP Sistema de Monitoria e Planificação
SIS Sistema de Informação da Saúde
SISTAFE Sistema de Administração Financeira de Estado
SNS Sistema Nacional de Saúde
SPM Serviço Provincial de Manutenção
UA Unidade de Atendimento
US Unidade Sanitária
USD Dólares Norte-Americanos

DPS-Niassa -5-
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

PREFÁCIO

O investimento na saúde é considerado uma opção fundamental e pertinente para a elevação dos
índices de desenvolvimento humano e na luta para a redução da pobreza absoluta. O homem saudável
é, por conseguinte, uma variável estratégica para o desenvolvimento sócio-económico da nossa
Província.
Prefaciar este documento, o plano de investimento do sector de saúde da Província de Niassa, uma das
mais promissoras fontes de esperança para a população, que tem, de forma incansável, lutado para a
ruptura com um conjunto de factores que limitam a sua plena integração na sociedade moçambicana no
geral, é, para mim, um momento de indiscritível satisfação e orgulho.
Este instrumento, produto de intenso trabalho, deve continuar o processo de
motivação, compromisso e estímulo à reflexão conjunta sobre a necessidade e
importância da saúde, e deve ser assumido como uma oportunidade de mudança,
através da definição de uma visão e missão específicas da saúde.

Assim, este plano deverá, entre outros, garantir:

a) Uma compreensão mais consistente e sólida do quadro interno e


externo geral da saúde ao nível da província;

b) Uma perspectivação fundamentada e consentânea com a realidade da


província, no que respeita à planificação, qualidade e quantidade dos
recursos humanos, técnicos, patrimoniais e administrativos,
organização institucional, estrutura e métodos de direcção e liderança.

De notar que as particularidades da nossa província, caracterizada, essencialmente,


por uma fraca cobertura dos serviços de saúde e por um sistema de referência
precário, conferem a este plano de investimento uma importância curial, porquanto,
por um lado enquadra-se no PARPA e no Plano Estratégico da Província (Niassa
2005) e, por outro lado, consubstancia o inelutável esforço de planificação conjunta
entre o Governo da Província e as direcções provincial e distritais de saúde,
convindo identificar e seleccionar as necessidades de investimento ao nível das infra-
estruturas sanitárias da província.

Com este instrumento espera-se, também, consolidar a informação sobre as infra-


estruturas da saúde, definir critérios de investimento, de modo a priorizar as
intervenções específicas de potenciais financiadores do programa decenal de
investimentos da saúde, no âmbito do envelope de recursos financeiros disponíveis.

Entretanto, o impacto real da utilização deste instrumento só será perceptível se localizado no


melhoramento efectivo das condições de saúde da população, a maioria residente em áreas recônditas e
mais desfavorecidas da província, na qual vivifica uma enorme esperança de um futuro melhor.

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Portanto, o mais importante não será a existência de um plano de investimento, mas


que, por seu intermédio, se consiga sensibilizar, mobilizar e congregar todos os
intervenientes neste processo, para a sua coerente e eficiente implementação.

A materialização deste plano deverá servir, paralelamente, para capitalizar outros


necessários planos de investimento dos demais sectores ao nível da província, que
directa ou indirectamente concorrem com a saúde, no sentido da satisfação das
necessidades e anseios da população, traduzidos no benefício de profícuas
oportunidades na vida, de modo a reduzir, desta sorte, os índices de pobreza na
província.

Lichinga, Julho de 2003

1.1 O Governador da Província do Niassa

Dr. David Simango

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

SUMÁRIO EXECUTIVO

1. No âmbito do desenvolvimento do seu segundo Plano Estratégico provincial e na sequência da


aprovação do Plano de Investimento da Saúde nacional (PIS), a Direcção Provincial de Saúde de
Niassa (DPS) desenvolveu, entre Abril e Julho de 2003, o Plano de Investimento Provincial (PIPS),
com vista a apoiar o processo de planificação estratégica provincial do Sector e, junto com os
agentes económicos da província, desenvolver a rede sanitária do Niassa.
2. Os objectivos específicos do PIPS são: (a) a consolidação da informação sobre a rede sanitária do
Niassa; (b) a identificação das necessidades de investimento e respectivas intervenções para a
próxima década; e (c) o aperfeiçoamento das ferramentas de planificação ao nível provincial. O
objectivo final deste exercício de planificação é atingir uma prestação equitativa de serviços de
qualidade de uma forma eficiente.
3. O processo de elaboração do PIPS incluiu: (a) uma fase preliminar de definição dos objectivos do
plano e de estudo dos trabalhos e da literatura existentes; (b) uma fase de levantamento exaustivo e
análise de dados estatísticos e arquitectónicos sobre a rede sanitária provincial; (c) a organização de
um seminário provincial de investimento, para consulta com os operadores da rede ao nível da DPS
e dos distritos; e, finalmente (d) a elaboração do documento do Plano de Investimento Provincial
da Saúde e sua apresentação em dois eventos, sendo o primeiro em Lichinga com a participação do
Governo provincial, e o segundo em Maputo com a participação dos órgãos centrais do Ministério
da Saúde.
4. Os critérios aplicados na identificação, selecção e priorização das intervenções de investimento são
os utilizados pelo PIS nacional. Os primeiros dois são a equidade de acesso geográfico aos cuidados
de saúde e a eficiência do investimento, nas vertentes de rentabilidade da intervenção e de
racionalização da planificação da rede nas áreas urbanas e em coordenação com o sector privado. O
terceiro critério aplicado é a qualidade, nas suas componentes de reabilitação das estruturas
existentes e da melhoria dos serviços de apoio. O quarto critério é a sustentabilidade do
investimento proposto, conforme a disponibilidade de recursos humanos, de medicamentos e de
recursos financeiros para o funcionamento. No exercício de planificação do investimento estes
quatro critérios são ponderados entre eles para chegar, assim, à priorização das intervenções
propostas durante o Seminário provincial de investimento do Niassa, dentro do envelope de
recursos disponíveis para o período.
5. A análise da situação da rede sanitária, efectuada durante a segunda e terceira fases do processo do
PIPS, evidenciou como a ênfase do investimento sanitário terá que ser colocada no reforço da rede
de referência dos hospitais e na qualidade da rede primária, de longe as duas vertentes em que o
Niassa apresenta piores indicadores em comparação com o resto do país.
6. O envelope de recursos para a realização do PIPS foi estimado em cerca de 1,8 milhões de USD
por ano, de um total de cerca de 9 milhões de USD ao longo de cinco anos. Estiveram na base dos
cálculos a disponibilidade de recursos ao longo do quinquénio, a despesa histórica nesta área de
investimento para a província e, finalmente, a capacidade de execução de investimento da DPS do
Niassa.
7. A estrutura do PIPS está organizada em duas partes, sendo a primeira o programa de investimento
para o período 2004-2008, e a segunda, o plano de intervenções para o quinquénio seguinte. A
primeira parte, no valor total de 9.1 milhões de USD, deverá ter início no ano de 2004, para dar
oportunidade de finalizar os projectos em curso e para permitir que a situação da disponibilidade de
financiamento se defina com maior detalhe. O programa do quinquénio 2009-2013, avaliado em

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

aproximadamente 5 milhões de USD, incluirá todas as intervenções constantes da lista do


seminário, que não foram executadas durante o primeiro ciclo de investimentos.
8. No primeiro quinquénio do PIPS, ênfase particular é dada: (a) à reabilitação e expansão da rede dos
hospitais de referência; (b) à melhoria da qualidade da vasta rede primária, através da promoção de
Postos para Centros de Saúde e da construção de casas para trabalhadores da rede primária; e (c) à
melhoria dos serviços prestados pelos sistemas de apoio de formação, manutenção e logística.
Entre as intervenções de maior vulto do primeiro quinquénio, destacam-se: (i) a reabilitação do
Hospital Provincial de Lichinga; (ii) a reabilitação e ampliação do Hospital Rural de Cuamba; (iii) a
promoção do Centro de Saúde de Marrupa para Hospital Distrital; e (iv) a construção do Centro de
Formação de Cuamba. Em relação às intervenções para a rede primária no primeiro quinquénio,
estão previstas: (i) a construção de um novo Centro de Saúde (Muipite, Nipepe); (ii) a reabilitação e
ampliação de quatro Centro de Saúde tipo I e II (Metarica, Metangula, Maniamba e Malanga); (iii) a
promoção de cinco Posto de Saúde para Centro de Saúde tipo III (Mbemba, Mpacura, Chamba,
Muhemela e Lugenda); e (iv) a construção de três maternidades nos Centro de Saúde de Mecula,
Massenger e Chimbonila. Com referência aos sistemas de apoio e às casas para o pessoal da Saúde,
estão programadas a reabilitação do Serviço Provincial de Manutenção e a construção de trinta e
quatro casas para trabalhadores.
9. No segundo quinquénio de implementação do PIPS, o pacote de investimento inclui cinquenta
quatro intervenções com um custo total aproximado de 5 milhões de USD ao longo de cinco anos.
Este pacote deverá ser re-avaliado durante o último ano da implementação do primeiro ciclo de
investimento, com vista a incluir as novas necessidades que possam surgir até 2009 e actualizar os
custos das intervenções. As vertentes essenciais deste segundo ciclo de investimento serão: (i) o
aumento de trinta oito novas casas para trabalhadores da Saúde; (ii) a promoção e reabilitação de
dez CS, (iii) a criação dum novo Hospital Distrital, a construção de dois novos Centro de Saúde
tipo III.
10. O impacto do primeiro quinquénio do PIPS na rede de referência da província será de aumentar a
cobertura da rede da referência de serviços curativos através da expansão e reabilitação do sistema
de hospitais da província. Os indicadores provinciais de “hospital por habitante” e de “estado físico
de hospitais” poderão passar a ser dos melhores do país, e a distância máxima a ser percorrida
dentro da província até um hospital passará de 390 km para 200 km. Em relação à rede primária,
com as intervenções previstas em 16 Postos de Saúde até 2008, a percentagem de Posto de Saúde
na rede primária baixará de 70 para 60%, a quarta melhor do país. Com a construção de 34 casas
para pessoal, o número de pessoal da rede primária sem alojamento da Saúde diminuirá em 40%.
Relativamente aos sistemas de apoio, a construção do Centro de Formação de Cuamba duplicará a
capacidade de treinamento de quadros básicos e elementares da província, enquanto que a
reabilitação da Secção Provincial de Manutenção melhorará a situação da manutenção do
equipamento da Saúde da província.
11. A análise feita das implicações nos recursos correntes das intervenções do primeiro quinquénio do
PIPS sugere que, até 2009 - o primeiro ano de funcionamento das US novas ou reabilitadas através
do PIPS - o investimento proposto será sustentável a médio e longo prazo em termos de recursos
humanos, medicamentos e recursos financeiros para gastos correntes. Estimou-se que as
necessidades adicionais de quadros básicos e elementares serão amplamente cobertas pela
capacidade de formação da província, enquanto que as de médios e superiores serão cobertas, com
alguma dificuldade, pela acção de formação do Norte e do País. Para fazer face ao aumento das
necessidades de medicamentos, o valor de medicamentos atribuído ao Niassa terá que crescer em
4.7% por ano até 2009, enquanto que, no que diz respeito às despesas com pessoal, as intervenções
do PIPS absorverão 43% do aumento programado pelo Cenário Fiscal de Médio Prazo para esta
verba até ao fim do quinquénio. Em relação às despesas com Bens e Serviços, são colocadas
dúvidas sobre a capacidade do Estado para cobrir o aumento das necessidades, devido ao reduzido

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

aumento previsto para esta verba até 2009. Contudo, prevê-se que os fundos externos possam vir a
colmatar as lacunas existentes ao nível dos recursos para funcionamento da província.
12. Foram identificados alguns constrangimentos que terão que ser resolvidos com vista a assegurar a
realização do programa do PIPS. Em relação à execução dos fundos de investimento da província,
acredita-se que a DPS terá capacidade de executar os projectos previstos, com o apoio central do
GACOPI para as grandes obras, e com a garantia de continuidade da assistência técnica para a área
dos investimentos ao nível da província. Relativamente à dificuldade de utilização do fundos de
Orçamento de Estado para o investimento, julga-se que a situação virá a melhorar bastante com a
implementação do novo Sistema de Administração Financeira do Estado. Aconselha-se, todavia, a
concentração num número reduzido de projectos e no pagamento dos impostos, evitando
dispersões na aplicação destes fundos. Sobre o problema dos elevados custos do investimento na
província, estimou-se que as obras de investimento no Niassa são 11% mais caras que nas outras
províncias do norte do país. Esta situação terá que ser tratada duma forma integrada com o
Governo Provincial e com a Direcção Provincial de Obras Pública e Habitações. Os custos médios
poderiam também ser reduzidos através da contratação de empresas com maior capacidade para
realizar grandes lotes de obras, juntando-se, numa base geográfica, as várias intervenções previstas
pelo PIPS. Em relação à manutenção das infra-estruturas e equipamento, para não comprometer os
resultados alcançados através do PIPS, terá que se avançar rapidamente no reforço deste sector,
através de investimentos de vulto no pessoal e nos meios de manutenção, ou explorar soluções
alternativas de sub-contractação de serviços junto ao sector privado. Finalmente, propõe-se a
criação de novas parcerias com o mundo das ONGs, através da estipulação de contractos, para
prestar cuidados de saúde em áreas de baixa densidade populacional da província onde o SNS não
consiga prestar serviços de qualidade duma forma eficiente.
13. Por último, considerando as oportunidades de financiamento na província, propõe-se, a título
indicativo e sujeito a negociações específicas com os financiadores, a participação no financiamento
do PIPS dos fundos de Orçamento de Estado (29%), da Ajuda Irlandesa (37%), da Intermón
Oxfam (15%) e de outros financiadores como BAD, Fundação Clinton, a Cooperação Suíça,
Médecins Sans Frontières, África Suécia e Conselho Cristão de Moçambique (20%). As
intervenções de maior vulto, como a reabilitação do Hospital Provincial e a promoção do Centro de
Saúde de Marrupa para Hospital Distrital, terão que ser asseguradas pelos maiores doadores da
província, restando mais aberta a questão do financiamento da reabilitação do Hospital Rural de
Cuamba, das promoções dos Postos de Saúde e da construção das casas para pessoal. Com vista a
assegurar os fundos de Orçamento de Estado para o investimento, será fundamental inscrever
anualmente todas as obras previstas no PIPS no Plano Trienal de Investimento Público (PTIP), a
ferramenta de planificação orçamental de investimento de Estado.

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

1 INTRODUÇÃO E CONTEXTO

Ao longo de 2002 e 2003 foi desenvolvido o Plano de Investimento da Saúde (PIS) nacional,
identificando critérios para a definição do investimento e as grandes intervenções nacionais em termos
de infra-estruturas e equipamento sanitário1. Por seu lado, a Direcção Provincial de Saúde do Niassa
(DPS) tem vindo avaliar o seu Plano Estratégico Trienal (PET), com vista à produção do Plano
Provincial Estratégico da Saúde para os próximos anos, onde o investimento na rede sanitária terá um
papel fundamental para o desenvolvimento do sector.
A DPS tem, também, conhecido várias experiências pontuais de levantamento e análise de dados
relativos à rede sanitária, no âmbito das suas actividades de planificação, visando à melhoria dos
mecanismos da planificação do investimento sanitário provincial2.
Nesta base, e nos moldes definidos pelo PIS nacional, a DPS do Niassa pretende elaborar o seu próprio
Plano de Investimento Provincial de Saúde do Niassa (PIPS), com os objectivos de: (a) consolidar a
informação sobre a rede sanitária, com enfoque específico sobre o nível primário; (b) identificar as
necessidades de investimento sanitário (infra-estruturas e equipamento) ao nível da província do Niassa;
(c) desenvolver ferramentas de planificação da rede e do investimento; e (d) reforçar a ligação entre os
instrumentos de planificação e execução existentes na província3. Duma forma geral, através da
elaboração do PIPS, a DPS visa melhorar os sistemas de planificação e, com o apoio dos agentes
económicos da província, desenvolver a rede sanitária do Niassa com vista a atingir uma prestação
equitativa de serviços de qualidade, duma forma eficiente.
Este Plano de Investimento Provincial da Saúde do Niassa representa o resultado final do processo de
identificação de necessidades de investimento e elaboração de políticas e programa de intervenção na
área dos investimentos para o Sector. O seu enfoque específico é nas acções e despesa de capital para
infra-estruturas e equipamento para a rede sanitária da província, com ênfase específica no reforço da
rede de referência hospital e na melhoria da rede primária, as áreas consideradas como pontos fracos do
rede sanitária actual.
No primeiro capítulo deste documento apresenta-se uma análise das infra-estruturas existentes ao nível
da província, com o objectivo de identificar os alvos do programa de intervenção do PIPS. No segundo
e terceiro capítulos são apresentados os objectivos, os critérios e o processo do PIS, que envolveu, em
várias fases, o Governo Provincial, a DPS e as Direcções Distritais da província. No quarto capítulo
apresenta-se a evolução da despesa de investimento do Sector Saúde dos últimos anos, com o objectivo
de definir o pacote de recursos disponíveis e as suas projecções para os próximos anos, definindo-se,
assim, os tectos financeiros do Plano.
O Plano de Investimento e as suas implicações financeiras são apresentados no quinto capítulo, no seu
programa para os primeiros cinco anos e para o quinquénio seguinte. As implicações nos recursos
correntes dos investimentos propostos são explicadas no sexto capítulo, nas suas componentes de
recursos humanos, medicamentos e recursos financeiros para o funcionamento. Os constrangimentos
na aplicação da execução dos investimentos são discutidos no oitavo capítulo, enquanto que a última
parte é dedicada às perspectivas de financiamento do Plano.

1
DPC-MISAU 2003: Plano de Investimento da Saúde 2004-2008 (2013). Versão apresentada ao Conselho Consultivo
do Sr. Ministro da Saúde. Maputo, Junho de 2003.
2
Estudo de levantamento de dados sobre as infra-estruturas realizado pela COSV no 1999.
3
Termos de referência para o mapeamento e planificação da rede sanitária do Niassa.

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

2 ANÁLISE DA SITUAÇÃO

Neste capítulo analisa-se a situação da rede sanitária da província do Niassa em termos de estado físico
bem como da eficácia da cobertura da população, com vista à definição dos princípios orientadores e
áreas de actuação do PIPS. Na primeira parte será descrita a rede existente de hospitais, centros e
postos de Saúde, das casas para trabalhadores, dos sistemas de apoio de formação, logística e
manutenção, fazendo questão de mencionar aquelas obras em infra-estruturas que serão concluídas e
irão integrar a rede existente antes do começo do PIPS 2004-2008-2013. A segunda parte debruça-se
sobre a avaliação do estado físico das infra-estruturas, identificando os distritos desfavorecidos e as US
em piores condições com base neste critério. Na terceira secção será analisada o cobertura de
população oferta pela rede, em termos de acesso às US ,bem como a serviços específicos como cirurgia
de urgência, assistência ao parto e serviços primários em geral. Finalmente, na última parte comparar-
se-á a rede sanitária do Niassa com a das outras províncias, tirando-se conclusões gerais sobre as áreas
de actuação e o tipo de intervenções a serem desempenhadas através do Plano de Investimento
Provincial.

2.1 A rede sanitária existente


Conforme a classificação corrente, e tendo por base as infra-estruturas existentes, o pessoal colocado e
as funções correntemente desempenhadas, a rede sanitária do Niassa compõe-se de dois hospitais de
referência (Lichinga, de nível terciário, e Cuamba, de nível secundário rural), e de 119 unidades
sanitárias (US) de nível primário (tabela 1).

Tabela 1: Rede sanitária da Província do Niassa (ano de 2003)


Hospital Hospital CS CS CS Posto Grande
Distrito
Provincial Rural tipo 1 tipo 2 tipo 3 de Saúde Total
Cidade de Lichinga 1 9 10
Cuamba 1 2 4 6 13
Lago 1 1 9 11
Lichinga 2 10 12
Majune 5 5
Mandimba 1 2 5 8
Marrupa 1 1 2 4
Maúa 1 2 2 5
Mavago 1 3 4
Mecanhelas 1 2 6 9
Mecula 1 1 5 7
Metarica 1 2 2 5
Muembe 1 4 5
N’gaúma 1 5 6
Nipepe 1 1 2 4
Sanga 1 1 1 9 12
Grande total 1 1 4 14 19 82 121

Fonte: Levantamento da rede para o PIPS 2003. Dados DPS Niassa SIMP 2003. COSV 1999

Em relação às estruturas hospitalares da província, o Hospital Provincial de Lichinga –referência de


nível terciário do Niassa - possui 162 camas de internamento dividas entre quatro enfermarias e um
banco de socorro, 24 camas de maternidade, duas salas de operação para serviços de cirurgia, um
laboratório especializado e um serviço de radiologia. Juntaram-se recentemente as infra-estruturas da

DPS-Niassa - 12 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

morgue do hospital e os serviços de Gabinete de Aconselhamento e Testagem Voluntária (GATV). O


Hospital Rural de Cuamba, referência de nível secundário para a zona sul da província, conta
actualmente com 73 camas gerais e com 13 camas de maternidade. Dotado de uma sala de operações, o
hospital tem desempenhado, duma forma intermitente, as funções de cirurgia de urgência e de
ginecologia, devido à falta de pessoal de nível superior. Apetrechado recentemente de equipamento de
radiologia, este já entrou em funcionamento, o atraso sendo devido a problemas de treinamento de
pessoal.
Com referência às infra-estruturas de nível primário, cerca de 68% das US da rede do Niassa são Postos
de Saúde, isto é, não chegam a reunir as condições básicas de um Centro de Saúde mais pequeno, em
termos de serviços oferecidos de atendimento externo e de assistência ao parto. Um indicador relevante
das condições da rede primária é, também, a percentagem de Postos de Saúde (PS) que desempenham
actividades relacionadas com o parto sem terem infra-estruturas adequadas de maternidade. Na
província do Niassa 50% dos 82 PS existentes possui camas de maternidade (normalmente uma ou
duas) dentro do espaço reduzido da estrutura (normalmente na área do atendimento externo). Tais PS
desempenham actividades de parto por haver exigência na população e por ter sido colocado pessoal
específico desta especialidade na unidade (normalmente parteira elementar ou enfermeira de Saúde
Materno Infantil), mas sem que existam as condições físicas para a prestação do serviço.
Até o fim de 2003 está previsto o acabamento das obras para o CS tipo II de Mitucué (Cuamba), para
os CS tipo III de Nanhansenje e Malémia (Sanga), para o CS III de Luambala (Majune), o de
Chissimbir (N’gaúma), a construção da Maternidade de Maúa e Malemia, a construção do edifício da
Direcção Distrital em Chimbonila, e a reabilitação do CS de M’sawize (Mavago). Estas novas infra-
estruturas irão reforçar a rede existentes e as respectivas intervenções, por estarem já finalizadas antes
do começo do plano, não serão consideradas no PIPS 2004-2008-2013.
Em relação à componente de logística dos serviços de apoio, a região centro-norte da província é
abastecida através do armazém provincial de medicamentos e material médico-cirúrgico localizado em
Lichinga. As regiões do sul são servidas, no que diz respeito ao Programa de Medicamentos Essenciais
(PME), pelo armazém do Hospital Rural de Cuamba (o qual recebe os kits do PME directamente do
porto de Nacala) e pelo armazém provincial de Lichinga para os medicamentos da Via Clássica. No que
diz respeito à formação, existe em Lichinga um centro pela formação de quadros básicos dotado de
duas salas de aulas e com capacidade de internamento para 70 estudantes. Em relação às infra-
estruturas para a manutenção, existe ao nível da DPS, uma Secção Provincial de Manutenção, e uma
Unidade de Manutenção ao nível do Hospital Provincial.
Em relação às casas para os trabalhadores do sector, existem na província 90 casas da Saúde para fazer
face às exigências dos 560 trabalhadores dos três níveis, tendo-se estimado que, actualmente, 70% dos
trabalhadores do sector não possuem alojamento da Saúde.

Tabela 2: Numero de casas, trabalhadores e necessidades de alojamento estimadas


Total Pessoal Total de Casas em
Casas Total
Distrito pessoal rede casas falta para
existentes quartos
técnico primária em falta nível I
Cidade de Lichinga 0 0 168 28 84 14
Cuamba 11 17 106 34 45 9
Lago 7 13 23 23 5 5
Lichinga 3 5 29 29 12 12
Majune 3 6 18 18 6 6
Mandimba 7 14 27 27 7 7
Marrupa 3 8 22 22 7 7
Maúa 6 12 20 20 4 4
Mavago 3 6 13 13 4 4
Mecanhelas 10 22 28 28 3 3

DPS-Niassa - 13 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Mecula 4 7 20 20 7 7
Metarica 5 10 18 18 4 4
Muembe 4 9 19 19 5 5
N’gaúma 7 15 15 15 0 0
Nipepe 4 8 14 14 3 3
Sanga 4 5 20 20 8 8
Grande Total 90 172 560 348 194 88

Fonte: DRH da DPS do Niassa. Informação das DDS.

As necessidades de casas adicionais foram estimadas em 194 unidades para todo o sector, e em 88
novas casas apenas para os trabalhadores do nível primário. Particularmente grave é a situação de
Lichinga e Cuamba, onde reside cerca da metade do pessoal técnico da Saúde do Niassa, nos distritos
de Sanga, Marrupa, Mandimba e Mecula.

2.2 O estado físico da rede


O valor actual da rede sanitária tem sido estimado em cerca de 18 milhões de USD4, enquanto que o
valor estimado da reabilitação e ampliação de toda a rede e estruturas de apoio assenta-se em cerca de
15 milhões de USD. Com base nestes valores, o custo anual de manutenção, substituição e crescimento
anual para acompanhar o aumento demográfico, para toda a rede sanitária da província foi calculado
em aproximadamente 1 milhão de USD por ano.
Em relação ao estado físico dos dois hospitais de referência da província, as condições do HP de
Lichinga foram avaliadas como bastante precárias por vários estudos e levantamentos de dados
técnicos5, que o chegaram a considerar como um dos hospitais provinciais que mais precisa de
reabilitação ao nível do país6. De facto, o HP apresenta graves problemas ao nível da ordem de fluxos e
falta de área para algumas actividades (isto é, localização dos serviços de internamento em relação ao
ambulatório e salas de operação), da condição geral das infra-estruturas e em particular dos serviços de
cirurgia, do abastecimento de água e saneamento, do sistema de abastecimento de energia eléctrica. O
custo da reabilitação e refuncionalização completa do hospital foi, nesta base, estimado em cerca de 2
milhões de USD.
No que diz respeito ao HR de Cuamba, apesar das recentes reabilitações da área de internamento e
serviços administrativos, o hospital apresenta problemas gritantes de saneamento e abastecimento de
água, tratamento do lixo, falta de espaço para o atendimento externo, condições extremamente
degradadas do bloco operatório, do sector da radiologia e da morgue. O valor da reabilitação foi
estimado, por uma avaliação técnica do 1999, em aproximadamente 1,5 milhões de USD7.
No que se refere à avaliação do estado físico da rede primária, tendo por base o levantamento feito nas
US da província, elaborou-se um coeficiente das condições físicas das infra-estruturas sanitárias dos
distritos, ponderado pela sua extensão8. Conforme este indicador, os distritos de Mavago, Maúa e
Marrupa resultaram como sendo aqueles que possuem uma rede primária em piores condições,
seguidos pelos distritos de Muembe e Mandimba.

4
Valor da reposição ou susstituição da rede.
5
MISAU-GACOPI 2001: Projecto de reabilitação do HP de Lichinga.
6
DPC-MISAU 2002: Avaliação do sistema de referência do SNS no âmbito da elaboração do PIS.
7
MISAU-GACOPI 1999: Projecto de reabilitação do HR de Cuamba.
8
O coeficiente tem gradação de 1-5, onde 1 representa condições óptimas ou recém reabilitadas, e 5 um estado físico
péssimo da US. Tal coeficiente foi ponderado com base na extensão (m2) da US analisada, visando obter finalmente, um
indicador geral das condições e do valor das reabilitações a serem aplicadas.

DPS-Niassa - 14 -
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Mapa 1: Estado físico da rede primária– distritos com coeficiente físico menor

Elaborado pela DPS Niassa e Co-Arq Ltd.

Destacaram-se nesta análise, as condições dos CS de Maniamba no Lago, Namicova em Cuamba, Chala
no distrito de Lichinga e Chiconono em Muembe, todos desempenhando funções de assistência ao
parto sem terem maternidades institucionais. Também em péssimas condições encontram-se os PS de
Chiconono e Lituesse (Muembe), Matondobela (Mecula), Unango Velho, Lícole e Malemia em Sanga.
No que diz respeito às estruturas de apoio da formação e logística, quer o armazém provincial de
medicamentos, quer o CF de Lichinga encontram-se em boas condições dado que foram recentemente
reabilitados. Estão de facto previstas algumas obras de acabamento do espaço a frente do CF, e para a
ampliação do espaço útil do armazém provincial. Em relação aos armazéns de Lichinga e de Cuamba,
ambos se encontram em condições razoáveis, tendo sido recentemente reabilitados. Fortes dúvidas
existem em relação às infra-estruturas e ao equipamento dos serviços de manutenção ao nível da DPS
bem como ao nível dos hospitais.

2.3 A cobertura da rede


No que se refere à cobertura do sistema de referência da rede sanitária, julga-se que, com algumas
excepções9, o HP Lichinga oferece referência eficaz para os distritos da região do noroeste, enquanto
que o HR de Cuamba consegue cobrir a maior parte dos distritos do sul. Resulta evidente que, devido
às distâncias e às condições das vias de acesso, os distritos da zona leste da província10 não têm acesso
real a cuidados médicos de nível secundário de cirurgia de urgência, internamento, ou simplesmente,
aos cuidados de pessoal de nível superior (Mapa 2).

9
Por exemplo, a zona norte dos distritos de Lago, Sanga e Mavago.
10
Nomeadamente, os distritos de Marrupa, Mecula, Nipepe e parte de Maúa.

DPS-Niassa - 15 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Mapa 2: Rede sanitária por postos administrativos, densidade populacional e áreas de captação

Elaborado pela DPS Niassa e Co-Arq Ltd.

Em relação à cobertura da rede primária, em todos os distritos, a relação de US por habitantes situa-se
bem além dos padrões indicados pela Organização Mundial da Saúde de 1 US primária por 10,000
habitantes para as zonas rurais, e de 1 por 20,000 para as zonas urbanas (tabela 3). Apesar destes
indicadores favoráveis, ficam sem cobertura de serviços alguns postos administrativos, tais como,
Muipite (distrito de Nipepe), Muaquia (Majune), e parte considerável de M’sawize (Mavago), onde as
condições sazonais das vias de acesso e a baixa densidade populacional fizeram com que não se julgasse
oportuna a expansão da rede (Mapa 2).
Olhando mais especificamente para a cobertura populacional de alguns dos serviços básicos de nível
primário, ressalta que distritos com rede sanitária insuficiente como Marrupa, Nipepe, Sanga e Maúa,
não conseguem desempenhar níveis aceitáveis de cuidados primários em relação à população11.

Tabela 3: Indicadores por distritos de serviço primários per cápita

Distrito Hab por US primária UA por hab 2002 Cobertura partos


Lichinga Cidade 13.273 2,90 58%
Cuamba 12.770 2,78 57%
Lago 6.223 2,38 55%
Lichinga Distrito 5.955 4,27 81%

11
O indicador utilizado para esta análise é o de Unidades de Atendimento (UA) realizadas ao nível de cada distrito ao
longo do ano per capita. A UA é um índice ponderado de actividades de nível primário, tais como: consultas externas,
partos, internamento, vacinações e contactos de SMI. A análise foi repetida para os anos de 2001 e 2002, evidenciando-
se o mesmo padrão de baixa produção de serviços por habitante.

DPS-Niassa - 16 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Distrito Hab por US primária UA por hab 2002 Cobertura partos


Majune 4.444 2,63 38%
Mandimba 12.492 2,34 53%
Marrupa 11.644 2,01 19%
Maúa 7.073 2,58 17%
Mavago 2.829 4,70 129%
Mecanhelas 9.522 2,63 80%
Mecula 1.971 3,55 52%
Metarica 5.186 3,03 42%
Muembe 4.388 3,83 89%
N'gaúma 7.294 3,19 67%
Nipepe 6.783 0,81 11%
Sanga 4.801 1,86 36%

Fonte: MISAU-DIS, SIMP 2002

Digna de nota é a cobertura inaceitável de partos institucionais em distritos como Marrupa, Maúa e
Nipepe. Nestes distritos, o número reduzido de maternidades em boas condições, a ausência de
referência obstétrica de urgência, juntamente com as dificuldades específicas relativas à prestação deste
serviço, são factores que constituem uma barreira ao acesso aos serviços de assistência ao parto
institucional.
Em termos de comparação com as restantes províncias do país a rede sanitária do Niassa mostra,
devido às características físicas e demográficas da região, uma relação muito favorável de US primárias
por habitante, mas também baixos índices de cobertura do território pela rede primária e pelo sistema
de referência (tabela 3).

Tabela 4: Indicadores de infra-estruturas e população por província


Proporção Coeficiente de Distãncia
Habitante Habitante Território
de PS na avaliação máxima da
Província por US por por US
rede física dos referência
primária Hospital (Km2)
primária hospitais* (Km)
Niassa 7.703 458.335 1.067 69% 3,50 380
Cabo Delgado 18.381 305.127 939 45% 3,50 150
Nampula 18.945 487.163 436 61% 3,20 150
Zambézia 21.198 869.120 625 74% 2,33 300
Tete 16.142 462.735 1.132 52% 3,50 270
Sofala 12.227 303.233 527 51% 2,38 290
Manica 15.283 603.666 761 82% 3,25 280
Inhambane 14.908 442.282 746 53% 3,00 190
Gaza 13.917 253.286 789 86% 2,38 350
Província de Maputo 17.017 501.996 427 80% 3,00 80
Cidade de Maputo 31.595 208.527 8 39% 2,50 5
Média do País 16.259 420.477 692 64% 2,98 222

*coeficiente de avaliação física: 1 melhor,5 pior. Fonte: MISAU/DIS – dados SIMP de 2003

Digno de realce são também os dados sobre a distância máxima dentro da província para chegar à
unidade de referência (a pior do País), bem como o estado físico dos seus hospitais. A elevada
percentagem de PS na rede primária do Niassa sugere uma qualidade dos cuidados primários oferecidos
ligeiramente inferior à média nacional.
Em geral, a análise da comparação da rede do Niassa com o resto do país, aponta, em primeiro lugar,
para a necessidade do reforço do sistema de referência, quer em termos de expansão, quer de
reabilitação. No que diz respeito à rede primária, tudo indica que as intervenções de investimento

DPS-Niassa - 17 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

deveriam ser viradas para a reabilitação e promoção das US existentes, mais do que para a expansão
ulterior duma rede já muito vasta e de baixa qualidade.

DPS-Niassa - 18 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

3 OBJECTIVOS, PROCESSO E CRITÉRIOS DO PLANO

Uma vez analisada a situação da rede sanitária do Niassa, impõe-se a exigência de elaborar um plano de
investimento provincial com vista à criação dum programa custeado de intervenções e, finalmente,
resolver os problemas identificados. Nesta secção descrevem-se os objectivos do Plano de
Investimento Provincial da Saúde, o seu processo de elaboração e os critérios inspiradores para a
identificação das intervenções e a sua priorização.

3.1 Os objectivos do Plano de Investimento Provincial da Saúde do Niassa


Em primeiro lugar, objectivo do PIPS foi o de consolidar a informação sobre a situação da rede
sanitária provincial e sobre a necessidade de intervenção relacionadas com a rede dos hospitais, com a
rede primária e com os sistemas de apoio da Saúde.
Em segundo lugar, com a elaboração do PIPS, visou-se melhorar o processo de planificação do
investimento sanitário ao nível da província, através; (a) da definição de critérios para identificação e
priorização das intervenções; e (b) do aperfeiçoamento de ferramentas de planificação e programação
que ultrapassassem as limitações do Plano Trienal de Investimento Público, em termos de prazos e dos
fundos abrangidos.
Através da formulação dum plano custeado e abrangente de intervenções de investimento, pretendeu-
se fornecer uma base programática sólida para o Governo Provincial responder, junto com os seus
parceiros externos da área da Saúde, às necessidades identificadas. Em última instância, o PIPS propõe-
se atingir o objectivo final de uma prestação equitativa de serviços de qualidade, de uma forma o mais
eficiente possível, através da aplicação de critérios na definição do investimento.

3.2 O processo de elaboração do Plano


O processo de elaboração do PIPS incluiu: (a) uma fase preliminar de definição dos objectivos do plano
e estudo dos trabalhos e literatura existentes; (b) o levantamento exaustivo e análise de dados
estatísticos e arquitectónicos sobre a rede sanitária provincial; (c) a organização dum seminário
provincial de investimento, para consulta com os operadores da rede; e, finalmente (d) a elaboração do
documento do Plano de Investimento Provincial da Saúde e sua apresentação.
Na primeira fase, foi conduzida uma revisão da literatura nacional e internacional sobre a planificação
de investimento, e várias entrevistas foram conduzidas no sector Saúde, ao nível da província bem
como ao nível central, para permitir a definição dos objectivos e do processo do plano.
Na segunda fase, uma equipa integrada de consultores e de pessoal da DPS visitou os distritos da
província, para consolidar a informação existente sobre estado físico das infra-estruturas e do
equipamento da rede sanitária provincial, seus serviços de apoio da formação, manutenção e logística e
casas para trabalhadores. Dados estatísticos de actividades e pessoal e dados financeiros foram
recolhidos e sistematizados para permitir a análise da situação, bem como a planificação das
intervenções.
Na terceira fase, a análise da rede sanitária da província foi apresentada ao pessoal da DPS e DDSs no
curso dum Seminário Provincial de Investimento12, validando-se os dados recolhidos, bem como a
análise feita da situação. Nos respectivos grupos de trabalho por regiões, os directores distritais de

12
DPS de Niassa 2003: Documento de análise da rede sanitária provincial. Lichinga, Junho de 2003.

DPS-Niassa - 19 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Saúde e os técnicos provinciais identificaram e priorizaram as necessidades de investimento,


produzindo, finalmente, a lista da intervenções que constitui a base do PIPS.
Na última fase do processo, foram custeadas as intervenções identificadas durante a fase do seminário
provincial, calculado-se o envelope de recursos para as realizarem, e as implicações destas em termos de
recursos correntes. Desta forma, avaliou-se a viabilidade do investimeno proposto, quer em termos de
colocação de pessoal, quer de disponibilidade financeira. O documento do PIPS resultando desta fase
do processo, foi apresentado às autoridades provinciais e centrais de Saúde.

3.3 Os critérios de identificação e selecção das intervenções de investimento


Durante o processo do PIPS do Niassa, foram aplicados no seminário provincial alguns critérios para a
identificação e priorização das intervenções de investimento desenvolvidos no âmbito do Plano de
Investimento Nacional. Apresenta-se a seguir uma breve explicação dos critérios, e da maneira como
foram utilizados e ponderados, para se chegar à definição das prioridades das necessidades ao nível
nacional.
3.3.1 Equidade de acesso geográfico
No PIPS utilizou-se fundamentalmente o conceito de equidade de acesso geográfico aos cuidados de
Saúde, isto é, o direito, de toda a população da província, de ter uma US a uma distância razoável que
(a) não limite o acesso aos serviços, e (b) seja comparável com o resto das províncias do País. O
conceito de “acesso” considera as condições reais do acesso aos serviços, isto é, estradas,
disponibilidade de transportes e tempo para percorrer a distância.
Em relação a este direito, vale a pena lembrar que no IAF1996-9713 foi estimado que 12% da população
Moçambicana vive a mais de 3 horas de distância da US mais próxima, com importantes diferenças
inter provinciais e distritais. Em relação à rede hospitalar, as distâncias da referência entre uma US de
nível primário e uma de grau superior registam também variações significativas ao longo do País,
existindo ainda zonas completamente desprovidas de cuidados secundários de Saúde.
Aplicando o critério de acesso geográfico, as intervenções de investimento no sector deveriam ser
priorizadas com vista à expansão da rede, para garantir que todo o cidadão tenha acesso a serviços de
Saúde de nível primário e secundário, também para aquelas áreas escassamente povoadas.
3.3.2 Eficiência do investimento
A eficiência de um investimento diz respeito à sua rentabilidade – gastar aonde o benefício produzido é
maior, bem como à planificação racional da intervenção. De acordo com a vertente da rentabilidade,
dever-se-ia investir naquelas áreas de maior densidade populacional e de maior desenvolvimento
económico, onde um número maior de utentes (e doentes) possam beneficiar dos serviços prestados.
Isto permitiria também o pleno aproveitamento de recursos escassos, como pessoal especializado, ou
muito caro, como aparelhos de diagnóstico.
Ainda segundo a vertente da rentabilidade, deveria ser privilegiada a reabilitação das infra-estruturas e
equipamento existente, porque tais intervenções capitalizam no que já existe, sendo frequentemente
suficiente uma intervenção de importância mínima para aumentar grandemente a produção de serviço
(por exemplo, a reabilitação do sistema de água de um hospital para operacionalizar a sala de
operações).
Em relação à vertente da racionalização dos serviços, é digna de menção a necessidade de planificar
sistemas de referência e sistemas de apoio de uma forma trans-provincial, isto é, tendo em conta as
verdadeiras distâncias e zonas de captação da US, em lugar das divisões administrativas. Esta maneira
"racional" de planificar a rede e os seus serviços de abastecimento, permitiria o aproveitamento de

13
INE 1998: Inquérito Nacional aos Agregados Familiares sobre Condições de Vida.

DPS-Niassa - 20 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

muitas sinergias entre províncias (a título de exemplo, o caso do Armazém de Medicamentos de


Cuamba, servindo a região sul de Niassa, bem como a região norte da Zambézia e Oeste de Nampula).
Também o aproveitamento e coordenação, por parte do SNS, com estruturas e serviços oferecidos pelo
sector privado lucrativo e não lucrativo, representa um aspecto importante do conceito de
racionalização e eficiência (são interessantes, neste sentido, as experiências com o sector religioso e não
governamental na gestão de serviços sanitários no sul e no leste da província).
Finalmente, salientar que as diferenças entre zonas rurais e urbanas requerem também várias adaptações
na planificação da rede sanitária; menores distâncias, maior capacidade de pagar pelos serviços, a
presença do sector privado, são vários dos elementos que apelam para racionalização dos níveis de
atenção, e uma estruturação diferente da oferta de serviços, da referência e dos preços.
3.3.3 Critério da qualidade
Aplicar o critério da qualidade na definição de investimento envolve, por um lado, investir para
melhorar a qualidade daquilo que já existe, isto é, reabilitar, mas também, investir naqueles serviços de
apoio que garantam que todos os factores da prestação do serviço cheguem atempadamente ao nível da
prestação do serviço, nomeadamente, nos sistemas de aprovisionamento, de formação e de
manutenção.
De acordo com a primeira vertente, o critério da qualidade sobrepõe-se ao da eficiência, no sentido de
privilegiar a consolidação da rede no que respeita a expansão, com o duplo objectivo de capitalizar e
melhorar a qualidade daquilo que já se tem, antes de criar novos pontos de prestação.
A questão da qualidade dos serviços se impõe com prioridade no SNS Moçambicano, onde 27% dos
hospitais rurais não oferecem, de forma alguma, serviços de nível secundário, como cirurgia ou
laboratório especializado, e só 33% de todos os hospitais do País oferece condições aceitáveis de
cirurgia14. Esta abordagem virada para a qualidade produz, também, um benefício a longo prazo, no
sentido de melhorar, por parte dos utentes, a percepção dos serviços oferecidos, e aumentando, assim,
a procura dos cuidados de Saúde.
Em relação aos sistemas de apoio, este critério orienta o investimento para aquelas infra-estruturas,
equipamento e sistemas de gestão em sectores vitais que aumentam a qualidade do serviço, como a
formação de pessoal, o sistema de abastecimento (armazenagem, transportes e gestão) de
medicamentos e bens hospitalares, e o sistema da manutenção de infra-estruturas e equipamento.
3.3.4 Critério da sustentabilidade do investimento ou de disponibilidade de recursos correntes
Uma vez levado a cabo um investimento, é fundamental assegurar que a estrutura nova (ou reabilitada)
possua os recursos adequados para funcionar normalmente, isto é, recursos humanos, medicamentos,
bens e serviços, manutenção e, portanto, recursos financeiros. É por esta razão que o critério da
sustentabilidade orienta para uma ligação estrita do investimento com a actividade de planificação de
cursos de formação de quadros, o aprovisionamento de medicamentos, e com a actividade de cálculo
de orçamento, quer ao nível do Sector, quer ao nível da Província.
Em relação à questão do pessoal, as intervenções do PIPS têm em conta não só a capacidade de
formação actual, mas também os nós de estrangulamento dos processos de nomeação, colocação e
retenção dos quadros nas zonas rurais. Quanto à compra e distribuição de medicamentos, sendo esta
área bastante dependente de fundos externos, é vital compatibilizar os investimentos de expansão e
promoção propostos, com os montantes previsto pelo orçamento nacional para medicamentos e com a
contribuição para o Pool dos fundos externos prevista para os próximos 5-10 anos.

14
CIC-DAM/MISAU 2002: Livro branco da cirurgia.

DPS-Niassa - 21 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

3.3.5 Ponderação dos critérios


Para efeitos do processo de priorização, é importante explicar que os quatro critérios mencionados
podem gerar contradições entre eles, ou apontar para diferentes intervenções de investimento. A forma
como estes critérios foram negociados, ponderados e compatibilizados entre si constitui o fundamento teórico
do processo de priorização dos seminários regionais e do PIS no seu todo.
Equidade de acesso geográfico Vs. Eficiência (rentabilidade). Os critérios da equidade do acesso
geográfico podem entrar em contradição com a vertente da eficiência do investimento, visando o
primeiro critério garantir acesso aos cuidados de Saúde até às zonas mais distantes e pouco povoadas
do província, mas pretendendo o segundo oferecer serviços onde o número de doentes beneficiado
será maior. Numa situação de escassez de recursos, aplicar exclusivamente o primeiro critério significa
não conseguir oferecer serviços onde a necessidade é quantitativamente maior. Numa situação com
grandes desigualdades, aplicar só o segundo critério significa reforçar estes desequilíbrios, normalmente,
numa base regional.
Expansão da rede Vs. Reabilitação e qualidade. Numa situação de escassez de recursos e de capacidade
de execução de projectos, direccionar o investimento de um Sector para a expansão da rede conforme o
critério de equidade de acesso pode comprometer o investimento na qualidade e reabilitação das
estruturas existentes. Por outro lado, aumentar os pontos de prestação de serviços aumenta os custos
correntes do sistema duma maneira maior do que no caso da reabilitação, aumentando também a
pressão sobre os serviços de apoio do SNS.
Rede primária Vs. Secundária e. Terciária.. Os níveis de prestação de serviços representam cuidados
diferentes e, muitas vezes, atingem também camadas populacionais diferentes. Ao fazerem funcionar o
SNS como um sistema de vasos comunicantes, a fraqueza de um nível reflecte-se necessariamente
sobre os outros. Apesar da decisão de investir num ou em outro nível ter a ver com as políticas gerais
do Governo, é preciso alcançar um equilíbrio entre as várias componentes do sistema.

DPS-Niassa - 22 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

4 O ENVELOPE DE RECURSOS

Esta secção debruça-se sobre a previsão de montantes disponíveis para o investimento na rede sanitária
provincial do Niassa para o quinquénio 2004-2008, com vista à definição dos limites de despesa do
PIPS. Na primeira parte tratar-se-á da despesa de investimento realizada no Sector nos últimos anos,
visando à identificação da capacidade da província em termos de execução de fundos para o
investimento. Na segunda parte descrevem-se as fontes de financiamento da Saúde presentes hoje em
dia na província, para chegar, na última parte, à definição do envelope de recursos potencialmente
disponíveis para o investimento da Saúde no Niassa e aos pressupostos para a sua execução.

4.1 A despesa de investimento provincial dos anos passados


Ao longo dos últimos três anos, a secção de investimento da DPS do Niassa tem vindo a gastar em
média 750 mil USD por ano em obras de construção e reabilitação de infra-estruturas da Saúde, a
maioria dos gastos dizem respeito a obras e projectos de média e pequena envergadura financiada por
diferente fontes (tabela XXX).

Tabela 5: Gastos de investimento 2001-2003 da DPS do Niassa, por financiador


Financiador 2001 2002 2003*
OE 549.730 178.405 271.414
Irlanda 287.845 340.082 488.063
PDAN 15.829 - 59.155
África Suêcia - 43.103 -
Total 853.403 561.591 818.631

Fonte: Departamento de Planificação, DPS - Niassa 2003. secção de investimentos.


Unidade: USD a preços correntes.

Se incluirmos neste montante a despesa para a construção do CF de Lichinga, desempenhada no


período 2001-2002 e gerida pelo GACOPI ao nível central, pode-se considerar que, historicamente ao
nível da província do Niassa, tem havido uma capacidade de absorção de fundos de investimento de
pouco abaixo de um milhão de USD por ano.
Estes dados sugerem que, organizando os projectos em grandes lotes de obras, e com devido apoio do
nível central o nível de execução de fundos de investimento da Saúde do Niassa poderia colocar se bem
acima dos níveis de gastos correntes, apontando para 1,5 milhões por ano.

4.2 As fontes de financiamento do investimento da província


A despesa de investimento na província do Niassa é financiada essencialmente através do Orçamento
de Estado (OE), dos fundos da Ajuda Irlandesa, da Organização Não Governamental (ONG)
espanhola Intermón-Oxfam, do crédito do Banco Africano de Desenvolvimento Saúde II para
Nampula, Cabo Delgado e Niassa, e por outras organizações e iniciativas da área da Saúde.
No que se refere aos fundos de OE, eles têm roçado, nos últimos 3 anos, os 9 mil milhões de MT15,
tendo sido previsto, para 2004, um valor de 10 mil milhões de MT16. Projectando para os próximos

15
Cerca de 350 mil USD a preços constantes de 2003.
16
DNPO-MPF 2003: Limites para a elaboração do Orçamento de Estado de 2004. Maputo, Junho de 2003.

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anos um crescimento de 10% anual, é provável que os fundos de Estado para Investimento para a
província do Niassa possam alcançar, até 2008, os 15,5 mil milhões de MT a preços constantes (cerca
de 650 mil USD), por um crescimento acumulado de acima de 50%.
Em relação aos fundos da Ajuda Irlandesa, eles financiaram, nos anos passados, investimentos no valor
de 400 mil USD anuais, tendo-se assegurado fundos para 2004 num valor de 400 mil USD para a
reabilitação dos centros de Saúde de Mbemba, Licole, Metarica e Mitucuane.
Como maior financiador da Saúde ao nível do Niassa, e com base nas entrevistas realizadas no âmbito
do PIPS, julga-se que a Ajuda Irlandesa poderá garantir o financiamento da despesa de investimento da
Saúde de entre 600 e 700 mil USD por ano até 2008.
No que concerne ao apoio da ONG espanhola Intermón-Oxfam, este é dirigido exclusivamente ao
distrito de Marrupa nos sectores de Educação, Saúde e Agricultura. Em presença de forte compromisso
do Governo Provincial para a construção do Hospital Distrital de Marrupa e do reforço da rede
primária do distrito, a ONG espanhola poderia chegar a financiar o custo do projecto, avaliado em
cerca de 1,4 milhões de USD em três anos.
No que diz respeito ao Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), iniciou nos meados de 2000 o
Saúde II, segundo crédito BAD para o Sector Saúde, visando ao desenvolvimento sanitário das
províncias nortenhas de Nampula, Cabo Delgado e Niassa. No âmbito desta operação de crédito, estão
previstos os projectos de construção do Centro de Formação de Cuamba e das novas instalações do
Centro de Saúde da sede em Metarica, por um total de 1,2 milhões de USD em três anos.
Relativamente a outros fundos para o investimento na província, digno de menção é a iniciativa da
Fundação Clinton e o programa de Medecins Sans Frontières para as redes integradas e os Gabinetes
de Aconselhamento e Testagem Voluntária (GATV) para a luta ao HIV/SIDA. Junto com os
programas do conselho Cristão de Moçambique e África - Suécia, estas iniciativas poderiam mobilizar
fundos de investimento por um valor entre 200 e 250 mil USD por ano, para investimento em infra-
estruturas hospitalares e de nível primário.

4.3 O envelope de recursos disponíveis


Neste contexto, estima-se que o financiamento disponível para o investimento no sector de Saúde para
a província do Niassa deveria assentar-se entre 1,5 e dois milhões de USD por ano para os próximos
cinco anos, por um total de cerca de 9 milhões para o período 2008-2013, por uma média de 1,800 mil
USD por ano, conforme o padrão mostrado na tabela a seguir.

Tabela 6: Estimativa de recursos disponíveis para investimento para o período 2004-2008


Fonte 2004 2005 2006 2007 2008 Total
OE 420 450 500 600 650 2.620
Irish Aid 600 700 700 700 600 3.300
Intermón Oxfam 200 550 400 200 - 1.350
BAD 100 500 200 - - 800
outros 100 150 250 250 200 950
Total 1.420 2.350 2.050 1.750 1.450 9.020

Unidade: mil USD, preços constantes de 2003.


1
Fonte: DNPO-MPF 2003: Cenário Fiscal de Médio Prazo 2004-2008.
2
GACOPI-MISAU 2000: Acordo para a implementação do crédito Saúde II NCDN.

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Estes valores representam 9% dos montantes previstos no Plano de Investimento da Saúde para o
mesmo período para todo o país17. Os pressupostos para a disponibilização dos recursos acima
referidos são; (1) a finalização do exercício de planificação abrangente do desenvolvimento da rede
sanitária desempenhado pelo PIPS; (2) o compromisso do Governo Provincial e parceiros do Sector
para com a implementação do PIPS; e (3) o reforço da capacidade de execução de obras de
investimento descrito no último capítulo deste plano.

17
DPC-MISAU 2003: Plano de Investimento da Saúde 2004-2008 (2013).

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5 O PLANO DE INVESTIMENTO PROVINCIAL

O PIPS assenta fundamentalmente nas prioridades e nas orientações expressas pela DPS e pelos
Directores Distritais no âmbito do seminário provincial de investimento, organizando-as em forma de
plano, dentro do limite financeiro imposto pelo envelope de recursos disponíveis. As intervenções do
plano dizem respeito às infra-estruturas e ao equipamento da rede sanitária de nível I, II e III de todos
os distritos do Niassa, e aos respectivos sistemas de apoio de formação, logística, manutenção e
administração.
O Plano está estruturado em dois períodos de implementação, incluindo o primeiro quinquénio
intervenções avaliadas em cerca de 9 milhões de USD, e sendo o segundo aberto à renegociação depois
do acabamento do primeiro ciclo, e, por enquanto, de aproximadamente o mesmo valor que o primeiro
quinquénio.

5.1 As intervenções do primeiro quinquénio (2004-2008)


Esta parte do plano inclui quer as obras correntemente programadas e com financiamento assegurado e
que se prevê que estarão em curso até o primeiro ano do plano, quer as novas intervenções que serão
desenvolvidas ao longo do quinquénio 2004-2008, para os quais será necessário negociar financiamento
adequado.
No primeiro quinquénio estão incluídas 51 intervenções num total de cerca de 9,04 milhões de USD ao
longo de cinco anos. Nesta primeira parte do plano, 92 % do montante é dedicado a gastos em infra-
estruturas, inclusive de estudos e anteprojectos, sendo 8% a parte do equipamento. No primeiro
quinquénio do PIPS, ênfase particular é dada; (a) à reabilitação e expansão da rede dos hospitais de
referência; (b) à melhoria da qualidade da vasta rede primária através da promoção de postos para
Centros de Saúde e da construção de casas para trabalhadores da rede primária (c) à melhoria dos
serviços prestados à rede pelos sistemas de apoio de formação, manutenção e logística. Neste sentido, à
primeira vertente de reforço da rede hospitalar caberá 49% da despesa programada nesta fase do plano,
sendo 43% da despesa destinada à rede primária e 8% aos sistemas de apoio (tabela 7).

Tabela 7: Intervenções do período 2004-2008 e seus custos


Intervenção Quantidade Valor total da intervenção
Reabilitação de HP 1 2.247
Reabilitação e ampliação de HR 1 1.529
Promoção para HD 1 684
Construção de CS III 1 239
Reabilitação e ampliação de CS 3 1.075
Promoção para CS III 5 537
Construção de Maternidade 3 299
Construção de Centro de Formação 1 598
Ampliação SPM 1 87
Casas de pessoal 34 1.741
Grande Total 51 9.037

Unidade: mil USD, preços constantes de 2003.

Neste pacote de investimento, os custos relacionados com as obras em curso representam cerca de
20% do valor do primeiro quinquénio, e incluem a construção do CF de Cuamba e a ampliação do CS

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de Metarica realizadas com fundos do BAD, o acabamento dos CS de Metangula e Malanga, através
dos fundos de OE, e a promoção do PS de Mbemba, financiado pelos fundos da Ajuda Irlandesa.
Entre as intervenções de maior vulto do primeiro quinquénio, destacam-se a reabilitação do HP de
Lichinga, a reabilitação e ampliação do HR de Cuamba, a promoção do CS de Marrupa para Hospital
Distrital. Junto com a construção do CF de Cuamba, estas intervenções absorvem por volta de 56%
dos fundos disponíveis para o primeiro quinquénio do PIPS.
Em relação às intervenções para a rede primária no primeiro quinquénio, está prevista a construção de
1 novo CS (Muipite, Nipepe), a reabilitação e ampliação de 3 CS tipo I e II (Metarica, Metangula,
Maniamba e Malanga), a promoção de 5 PS para CS tipo III (Mbemba, Mpacura, Chamba, Muhemela e
Lugenda), e a construção de 3 maternidades nos CS de Mecula, Massanger e Chimbonila.
Com referência aos sistemas de apoio e as casas para o pessoal da Saúde, além da construção do CF de
Cuamba, está programada a reabilitação e ampliação do Serviço Provincial de Manutenção e a
construção de 34 casas sobre tudo para os distritos com a pior relação pessoal da rede
primária/alojamento. É reportada a seguir a lista completa das intervenções e dos seus custos por
distrito.

Tabela 8: Intervenções do primeiro quinquénio por distrito e seus custos


Valor do
Distrito Obra Quantidades
investimento
Reabilitação de HP 1 2.247
Ampliação SPM 1 87
Cidade de Lichinga
Construção de Maternidade de CS de Massenger 1 100
Casas de pessoal 3 154
Reabilitação e ampliação de HR de Cuamba 1 1.530
Construção de Centro de Formação de Cuamba 1 598
Cuamba
Promoção para CS III de Mpacura 1 137
Casas de pessoal 3 154
Reabilitação e ampliação de CS de Metangula 1 406
Lago
Reabilitação e ampliação de CS de Maniamba 1 160
Construção de Maternidade de CS de Chimbonila 1 100
Lichinga distrito
Casas de pessoal 4 205
Majune Reabilitação e ampliação de CS de Malanga 1 44
Mandimba Casas de pessoal 3 154
Promoção para HD de Marrupa 1 684
Marrupa
Casas de pessoal 4 204
Maúa Casas de pessoal 2 102
Mavago Casas de pessoal 2 102
Mecanhelas Promoção de PS de Chamba 1 137
Construção da Maternidade de CS de Mecula 1 99
Mecula Promoção de PS de Lugenda 1 85
Casas de pessoal 4 204
Promoção de PS de Muhemela 1 136
Metarica
Reabilitação e ampliação de CS de Metarica 1 625
Muembe Casas de pessoal 2 102
N'gaúma Casas de pessoal 1 51
Construção de CS III de Muipite 1 239
Nipepe
Casas de pessoal 2 102
Promoção de PS de Mbemba 1 40
Sanga
Casas de pessoal 4 205
Grande total 51 9.037

Unidade: mil USD, preços constantes de 2003.

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No que diz respeito à repartição da despesa de investimento nas regiões da província, os distritos do
noroeste beneficiam de 43% do total, isto devido sobretudo ao valor das obras de reabilitação do HP.
Cabe aos distritos do sul 37% da despesa do primeiro quinquénio do PIPS, a metade do qual dirigido à
reabilitação do HR de Cuamba. Aos distritos do leste vai o remanescente de 20% da despesa, repartida
entre as obras de promoção do HD de Marrupa, casas para pessoal e construção e promoções de CS.

Figura 1: Repartição por regiões da despesa de investimento do primeiro quinquénio do PIPS

4.500.000

4.000.000

3.500.000

3.000.000 Casas de pessoal


Reabilitação e ampliação de CS
Promoção para HD
2.500.000 Promoção para CS III
Construção de Maternidade
Construção de CS III
2.000.000 Construção de Centro de Formação
Reabilitação e ampliação de HR
Ampliação SPM
1.500.000 Reabilitação de HP

1.000.000

500.000

0
Leste Noroeste Sul

5.1.1 O impacto do primeiro quinquénio do PIPS na rede sanitária da província


Em relação àquelas que foram identificadas como prioridades no exercício de análise da rede, as
intervenções e respectiva despesa de investimento do primeiro quinquénio do PIPS irão mudar
grandemente a situação da rede sanitária da província, sobretudo nas vertentes dos serviços de
referência, na qualidade da rede primária e nos serviços de apoio.
Em relação aos serviços dos hospitais, neste primeiro quinquénio o PIPS propõe-se expandir a
cobertura da rede da referência de serviços curativos através da expansão e reabilitação dos hospitais da
província. Os indicadores provinciais de hospital por habitante e do estado físico dos hospitais passarão a ser
um dos melhores do país, respectivamente, 1 hospital por 305 mil habitantes – a 4ª melhor relação do
país -, e coeficiente do estado físico 1 – o melhor do país. Ao mesmo tempo, a distância máxima a ser
percorrida dentro da província até um hospital passará de 390Km para 200Km – em linha com a média
nacional.
Em relação à rede primária, com as intervenções previstas em 16 PS até 2008, a percentagem de PS na
rede primária baixará de 70 para 60% - a quarta melhor do país. Com a construção de 34 casas para
pessoal, o número de pessoal da rede primária sem alojamento da Saúde diminuirá 40%, restando ainda
108 trabalhadores do sector sem casa do Estado.
No que refere aos sistemas de apoio, a construção do Centro de Formação de Cuamba duplicará a
capacidade de treinamento de quadros básicos e elementares da província, enquanto que a reabilitação

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do Secção Provincial de Manutenção poderá ajudar a melhorar a situação da manutenção do


equipamento, pelo menos ao nível da região noroeste e do Hospital Provincial.
Apresenta-se a seguir o mapeamento geográfico das intervenções previstas no primeiro quinquénio do
PIPS.

Mapa 3 : Mapeamento das intervenções previstas pelo programa do PIPS 2004-2008

Elaborado pela DPS Niassa e Co-Arq Ltd.

5.2 O segundo quinquénio do PIPS (2009-2013)


Na segunda fase de implementação do PIPS estão incluídas todas aquelas intervenções identificadas no
âmbito do seminário provincial de investimento, devido ao seu nível de prioridade e ao reduzido
envelope de recursos disponíveis para o investimento no primeiro quinquénio, não entraram no
primeiro ciclo de intervenções urgentes de investimento.
O pacote de investimento deste segundo quinquénio inclui 54 intervenções num valor aproximado de 5
milhões de USD ao longo de cinco anos; ele deverá ser reavaliado durante o último ano da
implementação do primeiro ciclo de investimento, com vista a incluir as novas necessidades que
possam surgir até 2009 e actualizar os custos das intervenções.
As vertentes essenciais deste segundo ciclo de investimento serão (1) o aumento das casas para
trabalhadores da Saúde, (2) a promoção e reabilitação de CS, (3) a criação dum novo Hospital Distrital,
a construção de dois novos CS tipo III. São reportadas a seguir a lista completa por distrito das
intervenções do segundo quinquénio do PIPS.

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Tabela 9: Intervenções do PIPS para o quinquénio 2009-2013


Valor estimado
Distrito Obra Quantidade
do investimento
Cidade de Lichinga Casas de pessoal 2 102
Construção de Maternidade de CS de Cuamba 1 129
Promoção de PS de Mepica 1 160
Cuamba
Reabilitação e ampliação de CS de Lúrio 1 51
Casas de pessoal 2 102
Reabilitação e ampliação de CS de Maniamba 1 160
Lago
Casas de pessoal 3 154
Lichinga distrito Casas de pessoal 3 154
Construção de CS III de Muaquia 1 239
Majune
Casas de pessoal 4 205
Promoção de PS de Lipúsia 1 146
Promoção de PS de Ntembo 1 239
Mandimba
Promoção para HD de Mandimba 1 798
Casas de pessoal 3 154
Marrupa Promoção de PS de Mutaparata 1 239
Construção de CS III de Queta 1 239
Maúa Construção de DDS 1 100
Casas de pessoal 3 154
Reabilitação e ampliação de CS de Mecanhelas 1 124
Mecanhelas
Casas de pessoal 6 269
Construção de DDS 1 100
Mecula
Casas de pessoal 2 102
Promoção de PS de Mecunica 1 51
Metarica
Casas de pessoal 4 205
Muembe Casas de pessoal 2 102
N'gaúma Casas de pessoal 1 51
Construção do CS III de Metarica-Lúrio 1 239
Nipepe
Casas de pessoal 2 102
Sanga Casas de pessoal 1 51
Grande total 53 4.923

Unidade: mil USD, preços constantes de 2003

Intervenções de vulto deste segundo quinquénio são a promoção do CS de Mandimba para Hospital
Distrital, a construção de 3 novos CS tipo III em Muaquia (Majune), Metarica-Lurio (Nipepe) e Queta
(Maúa), a promoção de 6 Postos para Centros de Saúde, e a construção de 38 novas casas para
trabalhadores.

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6 AS IMPLICAÇÕES DO PIPS NOS RECURSOS CORRENTES

Nesta secção é tratado o tema das implicações das intervenções propostas pelo PIPS em termos de
recursos correntes para o Serviço Provincial de Saúde. Este exercício visa, por um lado, avaliar a
viabilidade do Plano em termos de disponibilidade de recursos humanos, de medicamentos e de
recursos financeiros para o funcionamento do sistema, e, por outro, definir as alterações na alocação
destes recursos que deverão ser executadas entre os distritos para melhor responder às mudanças da
rede sanitária trazidas pelo PIPS.
A primeira parte debruça-se sobre as necessidades adicionais de recursos humanos trazidas pelas novas
construções, promoções e reabilitações propostas pelo PIPS até 2009, isto é, até o fim do primeiro ciclo
de investimento. Estas serão equacionadas com a capacidade actual de formação da província, e
possíveis constrangimentos serão identificados para o funcionamento das US em termos de colocação e
retenção de pessoal no Sistema. A segunda parte diz respeito ao aumento das necessidades de
medicamentos devido às intervenções do PIPS, quer em termos de Kits de medicamentos, quer em
termos de abastecimento da Via Clássica. Na terceira parte será tratado o tema da disponibilidade de
recursos financeiros de despesas com pessoal, bens e serviços para fazer face ao funcionamento das US
reabilitadas ou promovidas até o fim do primeiro ciclo de investimento do PIPS. Finalmente,
considerações finais serão trazidas sobre a viabilidade geral do PIPS em termos de recursos correntes, e
sobre as alterações necessárias na alocação inter-distrital destes recursos.

6.1 Implicações nos recursos humanos


Em relação às implicações do PIPS nos recursos humanos, é relevante notar que, sendo a consolidação
e reabilitação da rede o enfoque principal do Plano, o investimento previsto vai ter um impacto
moderado em relação às necessidades adicionais de pessoal trabalhador do sector.
Para o efeito, conforme os padrões típicos de pessoal por unidade sanitária, as necessidades de quadros
adicionais foram calculadas em 6 superiores, 13 médios, 15 básicos e 13 elementares até 2009, isto é, o
ano em que se prevê passarem a funcionar às US objecto das intervenções do PIPS. Apresenta-se a
seguir a distribuição das necessidades de quadros adicionais por distrito.

Tabela 10:Necessidades adicionais de quadros trazidas pelo PIPS até 2009


Distrito Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal
Superior Médio Básico Elementar
Cidade de Lichinga 2 2 2 1
Cuamba 3 2 1 1
Lago 1 1 1
Lichinga distrito 1
Majune 1 1 1
Mandimba
Marrupa 1 6 4
Maúa
Mavago
Mecanhelas 1 1
Mecula 1 2
Metarica 1 2 2
Muembe
N'gaúma
Nipepe 1 2

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Distrito Pessoal Pessoal Pessoal Pessoal


Superior Médio Básico Elementar
Sanga 1 1
Grand Total 6 13 15 13

Destacam, no quadro geral, as necessidades de quadros superior e médio trazidas pelas reabilitações dos
HPL e do HRC, e pela promoção do HD de Marrupa e pelo CF de Cuamba, estimadas em
respectivamente 6 superiores e 8 médios.
Por seu lado, a Província do Niassa possui, através do Centro de Formação de Lichinga, capacidade
instalada de formação de 12 quadros básicos e de 13 elementares por ano, e contando com os Institutos
de Formação de Nampula, Beira e Maputo pela formação de quadros médios e superiores, conforme as
projecções nacionais reportadas a seguir18.

Tabela 11: Estimativa de formação de quadros da Saúde ao nível do país até 2010
Região Nível 2002-2004 2005-2010
Superior 3 12
Norte Médio 40 55
Básico 180 135
Superior 7 24
Centro Médio 112 154
Básico 162 122
Superior 60 84
Sul Médio 148 203
Básico 108 81
Superior 70 120
Total Médio 300 412
Básico 450 338

Fonte: DRH-MISAU 2002

A análise feita sugere que, sem contar com as futuras capacidades do CF de Cuamba, até 2009, haverá
disponibilidade no Niassa de aproximadamente 60 quadros básicos e 65 elementares, número que se
julga suficiente para fazer face às necessidades do sector de Saúde da província, mas de um número
muito reduzido de quadros superiores e médios para preencher as vagas de hospitais e centros de
formação da província.
Para assegurar a efectiva colocação de quadros nas US da província, em relação aos quadros básicos e
elementares será preciso considerar as vertentes da nomeação e dos incentivos para a colocação e
retenção nas zonas rurais. No que diz respeito aos quadros médios e superiores, será oportuno
experimentar formas inovadoras para atrair e reter este tipo de pessoal na província, como contratos a
término financiados pelos parceiros do sector, topping-up e bonus de instalação para os especialistas.

6.2 Implicações nos medicamentos


A rede sanitária do Niassa é correntemente abastecida em medicamentos por um valor de
aproximadamente 738.5 mil USD por ano, correspondente a 4% do valor total de produtos

18
A formação dos profissionais de nível superior ocorre sob a responsabilidade do MINED (em particular a UEM
forma os médicos) e de algumas instituições privadas. A curto prazo é prevista a entrada em funcionamento do ICISA
que irá formar profissionais superiores nas áreas de laboratório, enfermagem, SMI e outras. A Universidade Católica da
Beira irá produzir médicos a partir de 2005.

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farmacêuticos que entram no país19 , inclusive de 290 Kits A, 792 Kits B e 400 Kit C de medicamentos
para o nível primário.
O impacto das intervenções do PIPS na necessidade de medicamentos foi estimado em 278 mil USD
até 2009, isto deve-se ao aumento de 40% das necessidades de medicamentos trazidas pela reabilitação
e promoção dos hospitais da província20.
Apresenta-se a seguir as necessidades adicionais de Kits A e B por ano devido às intervenções do PIPS
ao nível da rede primária até o ano de 2009 (tabela 12).

Tabela 12: Necessidades adicionais de Kits de medicamentos por distrito trazidas pelo PIPS
Distrito Kit A Kit B
Cidade de Lichinga 0 3
Cuamba 0 6
Lago 4 0
Lichinga distrito 0 3
Majune 4 0
Mandimba 0 0
Marrupa 0 0
Maúa 0 0
Mavago 0 0
Mecanhelas 0 7
Mecula 3 5
Metarica 12 6
Muembe 0 0
N'gaúma 0 0
Nipepe 0 6
Sanga 0 6
Grande Total 23 42

Para fazer face ao aumento estimado das necessidades de medicamentos até a entrada em
funcionamento das US reabilitadas ou promovidas pelo PIPS, o valor de medicamentos atribuído ao
Niassa terá que crescer em 4.68% por ano até 2009, o qual parece em linha com a política do Governo
em termos de compra e distribuição de medicamentos para os próximos anos21.
Para garantir a satisfação destas necessidades adicionais trazidas pelo investimento na rede sanitária,
será necessário, por um lado, monitorar a percentagem de medicamentos que, ao nível do país, se
destinam à província do Niassa, e por outro lado, que a distribuição por distritos dentro da província
acompanhe as mudanças de exigências causadas pelo investimento na rede sanitária.

6.3 Implicações do investimento na manutenção de infra-estruturas e equipamento


O SNS da província do Niassa conta com uma rede sanitária de um valor actualizado estimado em
cerca de 18 milhões de USD. Para manter o próprio capital em condições, a DPS deveria gastar a volta
de 630 mil USD por ano, isto é, entre 1,5 e 3,5% do valor actualizado da rede. Este valor inclui o
cálculo do custo anual da manutenção e substituição da rede, sem incluir o custo anual do aumento da

19
Correspondente a 17,133,738 mil contos MT no ano de 2002. CMAM - Departamento Farmacêutico - MISAU 2003:
Relatório de actividades- exercício de 2002.
20
Nomeadamente, 45 mil UDS adicionais devido ao aumento de actividades e serviços prestados depois da reabilitação
do HP de Lichinga, 34 mil pela reabilitação do HR de Cuamba, e 32 pela promoção do HD de Marrupa.
21
DPC-MISAU 2001: Cenário de Despesa e Financiamento de Médio Prazo 2001-2004.

DPS-Niassa - 33 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

rede para manter a mesma relação de m2 por população, que aumentaria mais 600 mil USD por ano ao
valor já calculado.
Actualmente, a DPS do Niassa gasta por volta de 130 mil USD por ano em bens e serviços para
manutenção de infra-estruturas e equipamento, isto é, 1/5 do mínimo considerado indispensável para
manter a rede em condições sem a expandir. Particularmente grave é a despesa para manutenção de
imóveis (28 mil USD), frente da despesas para o equipamento, calculada em 102 mil USD ao longo do
ano de 2002. Em termos de meios, a Secção Provincial de Manutenção (SPM) da DPS do Niassa possui
18 trabalhadores de nível elementar e básico desempenhando actividades de manutenção, sem poder
contar com nenhum quadro técnico médio ou superior com capacidade de supervisão da área. Em
relação às infra-estruturas a disposição da SPM, esta conta com 45m2 de espaço fechado e 80m2 de
espaço coberto para manutenção de veículos junto dos edifícios da DPS.
Com vista a manter o capital da rede sanitária provincial será necessário: (a) reforçar a capacidade
existente de manutenção e potenciar a respectiva capacidade de absorção de fundos; (b) aumentar o
orçamento para bens e serviços para o efeito; e (c) explorar soluções alternativas de subcontratação de
alguns serviços de manutenção de infra-estruturas e equipamento.
Em relação ao reforço da capacidade existente, será necessário considerar investir na expansão da SPM
e na criação de duas Unidades de Manutenção (UM) ao nível do HPL e do HR de Cuamba, o primeiro
mantendo funções de coordenação, subcontratação de trabalhos e manutenção de infra-estruturas, os
segundos com enfoque específico na manutenção do equipamento hospitalar. Neste sentido, além do
investimento inicial em infra-estruturas e equipamento previsto pelo PIPS ao nível da SPM no valor de
87 mil USD, haverá necessidade de pelo menos mais um técnico superior para a SPM, dois técnicos
médios para as UM, e um total de mais 5 técnicos básicos de manutenção para a província.
No que diz respeito ao aumento de orçamento destinado à manutenção da rede provincial, o objectivo
terá que ser o de chegar, paulatinamente, à alocação e gasto de 630 mil USD estimados como
necessidade mínima de manutenção de infra-estruturas e equipamento. Desta forma, até a entrada em
funcionamento das novas instalações da SPM e dos novos quadros das UM localizadas nos dois
hospitais da província, o orçamento de gastos correntes da província para manutenção foi estimado em
cerca de XXX por ano, conforme a tabela a seguir.

Tabela 13: Necessidades adicionais anuais de gastos correntes para manutenção


Verba SPM UM Total
Despesas com pessoal 9 7 16
Bens 181 121 302
Serviços 119 79 198
Total 309 207 516

Unidade: Mil USD, preços constantes de 2003

A maior parte desta despesa corrente adicional terá que ser financiada através de fundos externos, não
existindo nas verbas do OE destinadas à manutenção, cabimento para 516 mil USD adicionais por ano,
sobre tudo em relação à verba de bens e serviços, como se mostrará no próximo capítulo.
Relativamente à questão de soluções alternativas de subcontratação dos serviços de manutenção, este
assunto será desenvolvido com maior detalhe na penúltima secção deste plano22. No presente capítulo
importa fazer notar que, por um lado, os valores previstos em caso de outsourcing dos serviços não
deveriam fugir de muito dos montantes calculados acima, e, por outro, que a viabilidade desta solução
dependerá fortemente da qualidade dos serviços oferecidos pelo sector privado local e da
disponibilidade dos financiamentos externos para este efeito.

22
Capítulo 7: Possíveis constrangimentos na implementação do PIPS; a manutenção de infra-estruturas e equipamento.

DPS-Niassa - 34 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

6.4 Implicações do investimento nos recursos financeiros correntes


Com base em estudos feitos sobre os padrões de despesa corrente no SNS Moçambicano23 24e no
cálculo do aumento do pessoal do capítulo anterior, o impacto das intervenções do primeiro
quinquénio propostas pelo PIPS foi estimado em 245 mil USD para despesas com pessoal, 316 mil para
medicamentos e 158 mil para bens e serviços até o ano de 2009, conforme a tabela a seguir.

Tabela 14:Cálculo do impacto do PIPS nos gastos correntes até 2009 por tipo intervenção
Intervenções Salários Medicamentos B&S
Ampliação SPM 10 0 25
Casas de pessoal 0 0 0
Construção da Maternidade de CS de Mecula 9 13 5
Construção de Centro de Formação de Cuamba 30 0 20
Construção de CS III de Muipite 18 25 10
Construção de Maternidade de CS de Chimbonila 9 13 5
Construção de Maternidade de CS de Massenger 9 13 5
Promoção de PS de Chamba 9 13 5
Promoção de PS de Lugenda 9 13 5
Promoção de PS de Mbemba 9 13 5
Promoção de PS de Muhemela 9 13 5
Promoção para CS III de Mpacura 9 13 5
Promoção para HD de Marrupa 22 32 14
Reabilitação de HP 33 45 11
Reabilitação e ampliação de CS de Malanga 14 27 10
Reabilitação e ampliação de CS de Metangula 14 27 10
Reabilitação e ampliação de CS de Metarica 14 27 10
Reabilitação e ampliação de HR de Cuamba 18 34 9
Grande Total 244 316 158

Unidade: mil USD, preços constantes de 2003

Em relação à disponibilidade de fundos para o sector de Saúde da província do Niassa, de recursos


financeiros correntes estimados até 2009, nota-se um aumento relevante das despesas com pessoal,
mais um aumento reduzido para as despesas de bens e serviços. Digno de nota é que os fundos de OE
representem, ao nível da província, por volta de 75% das despesas correntes, tendo sido previsto que,
até 2009, cheguem cobrir 80% do total.

Tabela 15: Projecção de disponibilidade de fundos de funcionamento para a Saúde do Niassa

Rubrica e financiador 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009


Despesas com Pessoal 1.677 1.707 1.800 1.875 1.954 2.193 2.287
OE 1.302 1.329 1.422 1.493 1.567 1.802 1.892
fundos externos* 375 379 379 383 386 390 394
Bens e Serviços 306 314 336 357 379 402 420
OE 186 194 198 206 212 218 218
fundos externos* 120 120 138 152 167 184 202
Total despesa corrente 1.984 2.021 2.136 2.233 2.332 2.594 2.707
OE 1.489 1.522 1.619 1.698 1.779 2.020 2.111

23
DPC-MISAU e Austral Lda. 2002: Análise de custos correntes das US de nível I e II em Moçambique. Maputo,
Dezembro de 2002.
24
McPake B., Ongoro C. 2003: Maputo Central Hospital Costing Study. Maputo, Fevereiro de 2003.

DPS-Niassa - 35 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Rubrica e financiador 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009


fundos externos* 495 499 517 534 553 574 596

Unidade: mil USD, preços constantes de 2003


*os fundos externos inclui Fundo Comum de apoio às Província e Ajuda Irlandesa
Fonte DNPO-MPF 2002: CFMP 2003-2007, Irish Embassy Chart of Accounts

No que diz respeito às despesas com pessoal, o impacto das intervenções do PIPS é previsto absorver
43% do aumento programado do OE para esta verba até o ano de 2009. Para as despesas de Bens e
Serviços, não parece haver cabimento nas contas do Estado, isto devido ao reduzido aumento previsto
para esta verba até 2009. Para os dois tipos de despesa, os fundos externos permitiriam cobrir
amplamente os gastos de funcionamento da província.

6.5 Considerações finais sobre o PIPS e os recursos correntes envolvidos


A análise feita das implicações das intervenções do primeiro quinquénio do PIPS sugere que o
investimento proposto deveria, em princípio, ser sustentável a médio e longo prazo em termos de
recursos humanos, medicamentos e recursos financeiros para gastos correntes. Todavia, são aqui
colocadas algumas questões em relação: (a) à alocação, entre os distritos, de recursos correntes
adicionais; (b) à capacidade de contratar, colocar e reter quadros superiores e médios na província, e (c)
(d) à questões de nomeação e colocação de pessoal nas zonas rurais.
Em relação à primeira questão, importa relevar que nem sempre a distribuição de pessoal e orçamento
adicional acompanha o desenvolvimento da rede. Neste sentido, será fundamental o compromisso e
empenho da DPS em ter em consideração as mudanças trazidas pelo PIPS na hora da planificação e
alocação de recursos como pessoal, kits de medicamentos, orçamento para despesas com pessoal, bens
e serviços.
No que diz respeito à colocação de pessoal médio e superior, factores como o reduzido número de
quadros a serem formados na região norte, o nível pouco atractivo de salários oferecidos, junto com o
afastamento da província, tornam difícil a tarefa de satisfazer as necessidades destes quadros ao nível do
HP de Lichinga, HR e Centro de Formação de Cuamba, HD de Marrupa. Visando à resolução desta
questão, julga-se oportuno que a DPS do Niassa explore, conjuntamente aos parceiros da província, as
opções de topping-up e bonus de instalação para quadros superiores e médios, assim como a possibilidade
de oferecer contratos a término que flexibilizem os mecanismos de contratação de pessoal adicional.
Com referência ao problema da demora no processo de nomeação do pessoal, passos concretos foram
dados no sentido de agilizar o processo (em 2001 o pessoal do SNS cresceu em mais de 600
elementos); contudo, ainda muito trabalho fica para fazer para permitir a absorção imediata pelo
sistema dos quadros formados. As experiências da SDC e Cooperação Italiana de apoio salarial interino
aos quadros que aguardam a sua absorção pelo sistema, constitui um tipo de solução prática do
problema. Contudo, a descentralização do procedimento administrativo de nomeação, gerido
actualmente para todo o País desde o Tribunal Administrativo baseado em Maputo, passa
necessariamente através de uma reforma da administração pública, cuja responsabilidade recai, em
grande medida, sobre outras instituições do Estado.
O desenvolvimento duma política de incentivos visando favorecer o pessoal das zonas rurais poderia
também facilitar a colocação de quadros nas zonas desfavorecidas do País. Estes incentivos terão que
ser dirigidos não só aos quadros de nível superior, mas também ao pessoal básico e elementar da rede
primária. Também o sistema de incentivos terá que ter em conta duma vertente económica de tipo
salarial, mas também de aspectos como o da criação de condições de vida aceitáveis para o pessoal da
saúde das zonas rurais e o a formação contínua e progressão de carreira como retribuição pelo serviço
desempenhado em zonas pouco desenvolvidas e com menores possibilidades de desenvolvimento

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

pessoal. Através do investimento em casas de trabalhadores, o PIPS visa também contribuir à criação
destas condições.

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

7 POSSÍVEIS CONSTRANGIMENTOS NA IMPLEMENTAÇÃO DO PIPS

Esta secção debruça-se sobre alguns constrangimentos identificados para a implementação do PIPS e
sobre as suas possíveis soluções. No primeiro capitulo fala-se da efectiva capacidade da DPS do Niassa
de execução dos fundos de investimento previstos, sendo identificados os passos a serem dados para
aumentar a sua capacidade de realização do programa do PIPS.
Na segunda parte trata-se dos fundos do OE para investimento, dos problemas experimentados na sua
execução e das formas mais adequadas de utilização desses fundos. Seguidamente são discutidas as
questões relativas aos elevados custos das obras de investimento e da manutenção das infra-estruturas
no Niassa, analisando-se a natureza dos problemas e propondo soluções práticas para reduzir o seu
impacto no PIPS. Por último, é debatida a questão da prestação de serviços sanitários nas áreas da
província com baixa densidade populacional, sendo apresentada a opção de contratação de ONGs por
parte do Governo provincial com vista a fomentar uma prestação de serviço mais eficiente e equitativa
em regiões de difícil alcance.

7.1 A capacidade de execução dos fundos de investimento


A DPS do Niassa executa e implementa as obras de investimento através do seu Departamento de
Planificação e Cooperação Provincial, actualmente reforçado por assistência técnica colocada ao nível
da DPS de Lichinga e Nampula, no âmbito do projecto Saúde II do BAD. Nos últimos três anos, a
despesa média de investimento foi de cerca de 800 mil USD por ano. Ao ser proposta pelo PIPS uma
despesa de aproximadamente 1.800 mil USD por ano, coloca-se a dúvida sobre a efectiva capacidade da
DPS de realizar o nível de investimento proposto.
Acredita-se que os níveis actuais de despesa são fortemente condicionados pela disponibilidade
reduzida de fundos para o investimento, julgando que exista ainda, ao nível da DPS, capacidade de
execução adicional. Argumenta-se aqui que a presença dum Plano de Investimento Provincial e a maior
disponibilidade de fundos terão como efeito directo o aumento da despesa de investimento, não tendo
sido atingido, por enquanto, o limite da capacidade da DPS de implementar projectos de investimento.
Por outro lado, há que considerar que cerca de metade dos fundos envolvidos no PIPS serão aplicados
num número reduzido de obras de vulto25, organizadas em grandes lotes, isto é, mais fáceis de gerir e
controlar. Prevê-se também para estes projectos, a supervisão do GACOPI do MISAU e dos serviços
técnicos para a realização das obras do BAD localizados em Nampula, por se tratarem de obras
relacionadas com os níveis hospitalares I e II, da competência do nível central.
Contudo, com vista à realização dos objectivos do PIPS, impõe-se a necessidade de reforçar a
capacidade de execução de investimento da DPS Niassa. Este reforço será feito, em primeiro lugar,
através da continuidade da assistência técnica do projecto BAD, e, em segundo lugar, assegurando o
envolvimento do nível central do MISAU e do GACOPI nas obras previstas de reabilitação e
promoção dos hospitais.

7.2 A dificuldade de utilização dos fundos do Orçamento de Estado


Cerca de 30% do financiamento do PIPS é previsto ser coberto pelo OE, tendo sido afectado à DPS
do Niassa por volta de 420 mil USD para o ano de 2004, no âmbito da elaboração do Plano Trienal de

25
Calcula-se que a metade dos 9 milhões previstos pelo PIPS serão gastos em quatro grandes projectos, nomeadamente,
a reabilitação do HP de Lichinga e do HR de Cuamba, a promoção do HD de Marrupa e o Centro de Formação de
Cuamba.

DPS-Niassa - 38 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

Investimento Público (PTIP). Na realidade, a DPS têm vindo a sofrer vários problemas na utilização
destes fundos devido aos seguintes factores: (a) disponibilização tardia dos fundos26; (b) não
disponibilização dos referidos fundos; (c) má compatibilização do ciclo dos investimento com as regras
de execução do OE27. Estes factores fazem com que, na maioria dos casos, os fundos de OE não sejam
considerados adequados às despesas de investimento, diminuindo, assim, em 1/3 os montantes
disponíveis para a realização do PIPS.
O Governo Provincial e o MISAU deveriam desempenhar uma acção de advocacia junto do Ministério
de Plano e Finanças, no sentido de por fim a esta situação prejudicial28. Contudo, a implementação do
Sistema de Administração Financeira do Estado (SISTAFE), prevista já para o ano de 2004, deveria,
supostamente, vir a melhorar bastante o problema da liquidez da tesouraria do Estado sobretudo ao
nível das províncias mais distantes do país. Este sistema prevê, de facto, o estabelecimento de um
sistema de contas virtuais que alimentam uma conta única de tesouraria que permitirá uma mais rápida
e eficiente utilização dos fundos disponíveis.29
Entretanto, aconselha-se uma gestão e utilização mais cautelosa dos fundos de OE, voltado mais para o
pagamento de algumas despesas inerentes às obras, cujo atraso não prejudique o andamento dos
projectos, tais como impostos e direitos aduaneiros. Será também necessário concentrar os recursos do
OE em um ou dois projectos por ano, reduzindo a dispersão destes fundos e a possibilidade de vê-los
reduzidos grandemente ao longo do ano orçamental.

7.3 Os elevados custos do investimento na província


Devido ao afastamento geográfico, ao número reduzido de empresas de empreitada presentes no
mercado e à gestão pouco eficaz das obras do Estado, o custo das obras de construção na província
situa-se entre 550 e 600 USD por m2, enquanto que no resto do país aplica-se geralmente uma média de
350 e 450 USD para as mesmas obras30.
Mesmo considerando o factor do afastamento geográfico das regiões do norte, normalmente calculado
em 10% do total, os custos da construção no Niassa são, em geral, entre 8 a 15% mais elevados do que
a média da região norte, tal como na Zambézia, onde os preços são em média de 450 USD por m2.
Desta forma acontece que o preço dum CS tipo III no Niassa será estimado em 240 mil USD, sendo na
vizinha Zambézia apenas de 180 mil. Mais reduzidas são as diferenças de custos para as infra-estruturas
hospitalares (2,7 milhões de USD para um HR novo no Niassa, em comparação com os 2.5 milhões de
USD em média para o resto da região norte), devido aos geralmente elevados preços de construções
especializadas como os blocos operatórios31.
Para as obras relativas à rede primária e à rede hospitalar, calculou-se que o custos das intervenções
propostas para o primeiro quinquénio do PIPS serão, em total, 11% mais elevados do que seriam numa
outra província do norte, devido aos preços praticados no Niassa. Esta diferença é estimada em cerca
de 1 milhão de USD ao longo dos cinco anos do plano. Para dar a dimensão do problema, foi estimado
que se os preços no Niassa fossem semelhantes aos praticados em média nas restantes províncias do

26
É comum o primeiro título ser disponibilizado ao nível da DPPF só em Junho/Julho de cada ano.
27
Conforme à Lei Orçamental de 1997, o ano fiscal de Estado têm que ser fechado cada ano em Dezembro-Janeiro
(depois do período complementar), existindo a obrigação de todos os fundos serem gastos ou devolvidos até essa altura
e não sendo permitido o transito tais fundos para o ano seguinte.
28
DPC-MISAU 2003: Orientações para a elaboração das propostas de investimento público provincial. Maputo, Junho
de 2003.
29
Boletim da República Nº7 de 2002: Sistema de administração financeira do Estado. Fevereiro de 2002.
30
Os custos variam conforme o tipo de construção, desde 500 USD para a rede primária até 600 para os hospitais.
31
Gonzáles Nagel E. 2001: Levantamento da rede sanitária da Zambézia; conclusões gerais. Quelimane, Agosto de
2001.

DPS-Niassa - 39 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

norte (isto é, sem este incremento de 1 milhão de USD), teria sido possível realizar, ainda no primeiro
quinquénio, obras como a promoção do HD de Mandimba e a promoção de 4 PS para CS tipo III, ou,
alternativamente, teria sido possível a construção de 3 novos CS e de 10 casas adicionais. Por causa dos
elevados custos de construção na província, a realização destas obras terá que ser adiada até ao segundo
quinquénio do PIPS.
Perante esta situação, existe algumas opções que a DPS do Niassa poderá seleccionar. Em primeiro
lugar, a questão dos preços deveria ser discutida e enfrentada conjuntamente com o Governo
Provincial e a Direcção Provincial das Obras Públicas e Habitação (DPOPH); o problema dos elevados
custos de construção afecta o investimento em todos os sectores, e precisará, portanto, duma solução
integrada. Em segundo lugar, os custos médios poderiam ser reduzidos se se contratassem empresas de
maior capacidade para realizar grandes lotes de obras, introduzindo, assim, economias de escala e
reduzindo os custos fixos. Com vista a incentivar as grandes empresas à participação nos concursos
para realização de obras do PIPS no Niassa, poder-se-iam juntar várias intervenções numa base
geográfica (por exemplo, todas as intervenções planificadas para a região sul da província),
aumentando, assim, o valor do concurso, e excluindo as pequenas empreitadas, que normalmente,
oferecem menor garantia de qualidade e conclusão das obras.

7.4 A manutenção de infra-estruturas e equipamento


O SNS da província do Niassa conta com uma rede sanitária de um valor actualizado estimado em
cerca de 18 milhões de USD. Para manter o próprio capital em condições, a DPS deveria gastar entre
1,5 e 3,5% do valor actualizado da rede, enquanto que, actualmente, a DPS do Niassa gasta apenas 1/5
do mínimo considerado indispensável para manter a rede em condições sem a expandir. Impõe-se
claramente a exigência de reforçar a área de manutenção em termos de pessoal, orçamento, infra-
estruturas e meios a sua disposição.
Embora o PIPS proponha no primeiro quinquénio da sua implementação uma intervenção nas infra-
estruturas e equipamento da SPM estimada em 87 mil USD, isto ainda não se considera suficiente para
mudar radicalmente a situação da área da manutenção da província. Em relação à vertente do pessoal,
será necessário dotar a SPM de pessoal mais qualificado e de área específica da construção civil, se se
pretende dar enfoque particular à manutenção dos imóveis. O orçamento de Estado a disposição da
manutenção terá que ser melhor definido nas suas verbas com vista a proteger os montantes alocados
para a actividade, e incluir montantes cada vez maiores até permitirem o nível de gastos adequado para
manter a rede do valor acima indicado. Opção alternativa poderia ser a de subcontratar,
paulatinamente e conforme as capacidades do mercado, os serviços de manutenção provincial; restando
à SPM um papel de supervisão técnica e negociação de contratos. Desta forma, seria também mais
viável obter o apoio de fundos externos já presentes na província para financiar estas actividades.

7.5 A provisão de serviços nas áreas de baixa densidade populacional


O Niassa é a província com a maior extensão territorial do país (129,061 km2) e com a menor
população (916,670 habitantes), resultando isto, numa densidade populacional de 7 habitantes por km2,
comparativamente a uma média nacional de 23 habitantes. Para distritos com baixa densidade
populacional, tais como Majune, Marrupa, Mavago e Mecula, a prestação de serviços sanitários, a
colocação de quadros e a despesa em infra-estruturas sempre levantará questões sobre a eficiência dos
recursos empregues. Estima-se que um quadro colocado nesses distritos possa chegar a produzir até
metade dos serviços relativamente a um quadro colocado em distritos como os da região sul,
Mandimba ou Lichinga. Estima-se ainda que com o raio de acção das US daqueles distritos mal se
poderão cobrir entre 2,500 a 3,000 pessoas.
Neste contexto surge a exigência de planificar e racionalizar a prestação dos serviços sanitários duma
forma diferente relativamente ao resto do país, tendo-se como alvo, por um lado, coberturas menores

DPS-Niassa - 40 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

da população, e, por outro lado, permitindo uma produtividade laboral mais baixa. Apesar destas
considerações, resulta evidente que a DPS do Niassa não se pode permitir colocar pessoal escasso,
como por exemplo os técnicos de cirurgia, ou gastar recursos importantes, como os recursos para a
construção e reabilitação de infra-estruturas, sem esperar um retorno comparável com o do resto dos
distritos. A presença de numerosas ONGs actuando no sector Saúde da província sugere soluções de
parceria com as entidades governamentais que não podem ser ignoradas.
Existem na literatura experiências documentadas de contratação de serviços de ONGs por parte do
Governo local para fazer face a situações de limitada capacidade de execução directa do Governo32. A
ideia que se quer introduzir é que a DPS poderia lançar concursos e estipular contractos com ONGs
para sub-contractar a prestação de serviços sanitários em regiões com exigências particulares. Na fase
contratual deveriam ser definidos os objectivos e a forma de prestação de serviços, definindo questões
como a monitorização dos resultados, a retribuição do pessoal e as cobranças à população33. De facto, a
experiência internacional demostra como esta abordagem contratual poderia ser uma maneira mais
profícua do mundo das ONGs e das agências governamentais trabalharem conjuntamente
aproveitando de sinergias para alcançar eficiência e equidade na prestação dos serviços sanitários.34

32
Soeters and Griffiths 2003: Improving government services through contract management: a case from Cambodia.
Health Policy and Planning. Oxford University press 2003.
33
Perrot J., Adams O. 2000: Applying the contractual approach to health care delivery in developing countries. Geneva,
Organização Mundial da Saúde.
34
Mills A., Broomemberg J. 1998: Experiences in contracting; an overview of the literature. Macroeconomics, health
and development series Nº33. Geneva, OMS.

DPS-Niassa - 41 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

8 O FINANCIAMENTO DO PIPS

Este capítulo sobre as oportunidades de financiamento do PIPS é puramente indicativo, sendo as


propostas, aqui apresentadas, sujeitas às futuras negociações com os potenciais financiadores. Com
efeito, esta parte final do documento pretende, em primeiro lugar, identificar e caracterizar os fundos
disponíveis para a realização do PIPS, tentando os encaixar com o financiamento das intervenções
propostas de maior vulto. Em segundo lugar, pretende-se, também, programar a despesa proposta ao
longo dos primeiros cinco anos, planificando as fases do financiamento e, por último, traduzindo o
PIPS no PTIP, isto é, o instrumento do Orçamento de Estado para a programação financeira do
investimento público.

8.1 Os fundos da Ajuda Irlandesa


Os fundos da Ajuda Irlandesa para o investimento no Niassa constituem 37% do total do envelope de
recursos previsto do PIPS para o quinquénio 2004-2008. Factores como o volume e a flexibilidade dos
fundos, juntos com a garantia da continuidade do apoio da Irlanda para a província para os próximos
anos, tornam a Ajuda Irlandesa no financiador de eleição para a intervenção de maior envergadura
propostas pelo PIPS, isto é, a reabilitação do HP de Lichinga (HPL).
A disponibilidade de fundos irlandeses para investimento ao longo do primeiro quinquénio foi estimada
entre 3 e 3.3 milhões de USD, dependendo do desempenho da DPS de Niassa na área de investimento
e do apoio da Ajuda Irlandesa para as outras áreas prioritárias da província. Estes montantes
permitiriam, de facto, acomodar a despesa para a conclusão das obras em curso, e para a reabilitação do
HPL, estimada em 2.4 milhões de USD ao longo de três anos, mais alguma intervenção na rede
primária ao longo do primeiro quinquénio do PIPS.
Em termos do faseamento do financiamento da Ajuda Irlandesa para o PIPS, a análise dos fundos
disponíveis e o custo das intervenções propostas, sugere que, já desde o primeiro ano, seria possível
para este doador, financiar a fase de estudos e anteprojectos para o HPL e, ao mesmo tempo, garantir a
conclusão das obras em curso para a promoção do CS de Mbemba, e para aquelas obras que ainda não
fossem concluídas antes da implementação do PIPS35. Ao longo dos 2 anos sucessivos, os fundos
irlandeses seriam inteiramente absorvidos pelas obras de reabilitação do HPL, mais já nos últimos dois
anos da programação deveram-se libertar fundos para permitir o financiamento de obras importantes
como as promoções dos PS de Mehemela, Lugenda e Chamba, ou a construção do CS de Muipite.

8.2 Os fundos de Intermón Oxfam para o distrito de Marrupa


Em relação aos fundos da ONG espanhola Intermón Oxfam, estes são fundamentalmente dirigidos
para o desenvolvimento do Distrito de Marrupa em áreas chave como Saúde, Educação e Estradas. Os
montantes previstos para o financiamento do PIPS poderiam roçar o 1-1.350 ao longo dos cinco anos
da programação.
A vocação e os montantes disponíveis para o investimento apontam para o compromisso da Intermón
Oxfam para a promoção da rede sanitária de Marrupa, inclusive da promoção do HD da sede –
estimada em cerca de 700 mil USD ao longo de dois anos. Também o reforço da rede primária do
distrito poderia ser coberto por esta fonte de financiamento, inclusive da construção de casas para

35
Como por exemplo, CS tipo II de Mitucuane (Cuamba), para os CS tipo III de Licole e Malémia (Sanga), para o CS
III de Luambala (Majune), o de Chissimbir (N’gaúma) e a reabilitação do CS de M’sawize (Mavago),cujo acabamento
está previsto até finais de 2003.

DPS-Niassa - 42 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

trabalhadores na sede distrital e para o posto administrativo de Nungo. Dever-se-á também explorar a
possibilidade de uma comparticipação do OE no custeamento das despesas do IVA para o projecto,
cujo valor foi estimado em volta de 15% do valor dos contrato das obras.
Existindo já os estudos de identificação do projecto por parte da DPC e GACOPI, já desde o primeiro
ano da execução do PIPS a ONG espanhola poderia financiar os estudos de anteprojecto do HD e
casas (estimado em cerca de 100 mil USD), para depois financiar, no segundo e terceiro ano, o valor
total da execução e fiscalização das obras.

8.3 Outros fundos para o investimento


Existindo vários doadores e ONG trabalhando na área de construção e reabilitação de infra-estruturas
da Saúde do Niassa, o PIPS conta com parceiros como o Banco Africano de Desenvolvimento, a
Fundação Clinton, a Cooperação Suíça, as ONG África Suécia e Médecins Sans Frontières, o Conselho
Cristão de Moçambique para o financiamento de 20% do programa de investimento para o quinquénio
2004-2008. De particular inteires é a iniciativa da fundação Clinton, que prevê fundos para a promoção
do sistema hospitalar do Niassa para fazer face à introdução da terapia Anti-retroviral (ART) na
região36.
Com estes doadores ficaria a responsabilidade do financiamento do CF de Cuamba (assegurado pelo
BAD), da promoção e reabilitação de 3 CS, de construção de casas para trabalhadores e, sobretudo, da
reabilitação do HR de Cuamba, avaliado em 1.5 milhões de USD totais ao longo de 3 anos. De facto,
esta é vertente deixada mais descoberta pelo PIPS, e que o Governo do Niassa deverá negociar com
mais força com os seus parceiros da Saúde.

8.4 Os fundos internos para o investimento


Cerca de 30% do financiamento do PIPS é previsto ser coberto pelo OE para Investimento (OI), tendo
sido sublinhados no capítulo anterior os problemas na utilização destes fundos como a inexistência ou a
disponibilização tardia dos referidos fundos; e a má compatibilização do ciclo dos investimento com as
regras fiscais do OE.
Mesmo por causa destes problemas de difícil solução, aconselhou-se o uso destes fundos para pagar os
impostos de obras financiadas por fundos externos, e de concentra-los em um ou dois projectos por
ano, com vista a reduzir a dispersão destes fundos e a possibilidade de vê-los cortados ou diminuídos
ao longo do ano fiscal. Para o exercício de OI de 2004, julga-se oportuno propor o utilizo dos fundos
de Estado para completar as obras de reabilitação do CS de Metangula e de Malanga, avaliadas em 450
mil USD. Também, através destes fundos internos ponderai-se proceder ao pagamento dos impostos
das obras de Marrupa ou de outros investimento de vulto.

8.5 O Plano de Investimento Provincial e o PTIP


Uma vez aprovado o PIPS será preciso traduzir o plano quinquenal de investimento no Programa
Trienal de Investimento Público (PTIP), que, no âmbito do exercício de elaboração do OE provincial,
permite escrever projectos e fundos nas contas do Orçamento de Estado para o Investimento (OI).
Esta inscrição permitirá, em primeiro lugar, aceder aos fundos de OE para as verbas programadas, e, no
caso dos projectos com financiamento externo, obter a isenção de direitos aduaneiros sobre mercadoria
importada37. Portanto, pelas razões acima descritas, o enfoque principal da proposta de OI do Niassa

36
Governo de Moçambique e, Fundação Clinton 2003: Strategic Plan for scaling-up HIV/Aids care and treatment in
Mozambique. DPC-MISAU, Março de 2003.
37
DPC-MISAU 2003: Orientações para a elaboração da proposta de investimento provincial. Maputo, Junho de 2003.

DPS-Niassa - 43 -
PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

terá que ser, em primeiro lugar, nos projectos que se pretende financiar com o OE, e, em segundo
lugar, na inscrição de todos os outros projectos com fundos externos.
Em relação à primeira categoria, terá que ser tomada, em primeiro lugar, a decisão estratégica se
propor a alocação dos fundos de OE como comparticipação a fundos externos em grandes projectos
para pagamento do IVA – como por exemplo, a promoção do HD de Marrupa -, ou se utilizar estes
fundos para completar obras em curso financiadas só pelo OE – como o acabamento do CS de
Metangula e Malanga.
No que diz respeito à inscrição de fundos externos, será fundamental registar na proposta do PTIP
2004 as reabilitações da rede em curso e futuras levadas a frente através dos fundos da Ajuda Irlandesa,
e o projecto de promoção para HD do CS de Marrupa financiado pela Intermón Oxfam para os
próximos anos. Com vista a simplificar o procedimento, será suficiente apresentar um total de 4 fichas
de projecto; duas particulares pelos projectos financiados exclusivamente pelo OE, e duas cumulativas
pelos projectos financiados pela Ajuda Irlandesa e por Intermón Oxfam (tabela 15). Ao serem geridas
pelo nível central, as obras financiadas pelo BAD do CF de Cuamba e CS de Metarica, não precisam de
ser inscritas na proposta de PTIP da Província do Niassa.
Tendo sido fixado em aproximadamente 10 milhões de contos o limite de OE para Investimento para
o Niassa para 200438, mostra-se a seguir um exemplo de articulação da proposta de PTIP que reflicta o
PIPS.

Tabela 16: Exemplo de elaboração da proposta de PTIP 2004 para o Niassa


Projecto fundos de OE 1 Irlanda 2 Intermón Oxfam 2 Total 1
Conclusão de CS
MTL 7.000 USD 292
de Metangula
Conclusão de CS
MTL 2.000 USD 83
de Malanga
Reabilitação do
D.A 3. USD 600 USD 600
Rede Sanitária do Niassa
Promoção do
MTL 1.000 (IVA e D.A.) USD 200 USD 225
HD de Marrupa
Total MTL 10.000 USD 600 USD 200 USD 1.200

Unidade: 1 mil contos Meticais, 2 mil USD, 3 Direitos Aduaneiros

Obviamente, devessem surgir outros projectos imprevistos (por exemplo, devidos à necessidade de re-
escrever projectos inacabados em 2003), será necessário escreve-los da mesma forma, considerando a
componente de fundos internos e a de externos.

38
DNPO-MPF 2003: Limites provinciais para a elaboração de OE 2004. Maputo, Junho de 2003.

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PIPS DO NIASSA – VERSÃO FINAL APRESENTADA AO MISAU EM AGOSTO DE 2003

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2002.
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COSV 1999: Levantamento das necessidades arquitectónicas da rede primária do Niassa. DPS Niassa,
Lichinga 1999.
DIS-MISAU 2003: Dados de actividade do SNS do Sistema de Monitorização e Planificação (SIMP).
DNPO-MPF 2003: Limites para a elaboração do Orçamento de Estado de 2004. Maputo, Junho de
2003.
DPC-MISAU 2002: Avaliação do sistema de referência do SNS no âmbito da elaboração do PIS.
Documento apresentado no CNCS de Pemba, Maio de 2002.
DPC-MISAU 2003: Orientações para a elaboração das propostas de investimento público provincial.
Maputo, Junho de 2003.
DPC-MISAU 2003: Plano de Investimento da Saúde 2004-2008 (2013). Maputo, Junho de 2003.
DPC-MISAU 2002: Proposta de Plano Trienal de Investimento Público 2003-2005. MISAU, Agosto
de 2002.
DPS de Niassa 2002: Sector de obras e reabilitação; informação sobre as obras em curso e futuras.
DPS de Niassa 2003: Termos de referência para o mapeamento e planificação da rede sanitária do
Niassa. Lichinga, Maio de 2003.
DPS de Niassa 2003: Documento de análise da rede sanitária provincial. Lichinga, Junho de 2003.
GACOPI-MISAU 1999: Projecto de reabilitação do HR de Cuamba.
GACOPI-MISAU 2000: Acordo para a implementação do crédito Saúde II NCDN. Maputo, Agosto
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GACOPI-MISAU 2001: Projecto de reabilitação do HP de Lichinga.
Gonzáles Nagel E. 2001: Levantamento da rede sanitária da Zambézia; conclusões gerais. Quelimane,
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Governo de Moçambique, Fundação Clinton 2003: Strategic Plan for scaling-up HIV/Aids care and
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