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Psicologia Cognitiva

TOMADA DE
DECISÃO
Mariana Braga Fialho
Julgamento e Decisões
o Julgamento: Avaliação da probabilidade de ocorrência
de determinado evento com base em informações
incompletas.

o Tomada de decisão: Escolha entre diversas opções; se


não estiverem disponíveis todas as informações, haverá
necessidade de julgamento.
Decisões no mundo real X Laboratório

“Quando as pessoas têm algo em jogo, os


psicólogos não consideram suas decisões somente
em termos de lógica ou processos mecânicos. Em
vez disso, precisam considerar os efeitos da
emoção e da complexidade do ambiente do
mundo real”.
Decisões no mundo real X Laboratório
Outros fatores:

oPercepção de risco
oEmoções
oComo as pessoas julgam o valor de diferentes resultados
oFuturo e outras opções
oImportância do resultado.
Os seres humanos são racionais?
oO pensamento racional é governado pela lógica
clássica?

oO comportamento é racional “uma vez que ele


seleciona alternativas que conduzem ao alcance
de objetivos previamente selecionados”.
Racionalidade Limitada
Simon (1957)
oNoção de que os indivíduos são tão racionais quanto
permitem o ambiente e sua capacidade limitada de
processamento (p. ex., atenção limitada, memória de
curto prazo limitada).

oProduzimos soluções práticas para problemas apesar da


capacidade de processamento limitada utilizando várias
estratégias de atalho (p. ex., heurísticas).
Racionalidade Limitada
oMuitos “erros” no pensamento humano decorrem da
capacidade de processamento limitada, e não à
irracionalidade.

o“Parece simplesmente perverso julgar que os indivíduos


estão fazendo um trabalho ruim, porque eles não estão
utilizando uma estratégia que exige um cérebro do
tamanho de um dirigível” (Stich, 1990, p. 27)
Racionalidade Limitada
oSatisfaciente: (satisfatório + suficiente). Na tomada de
decisão, a estratégia de escolher a primeira opção que
satisfaça os requisitos mínimos do indivíduo.

oNem sempre é a melhor decisão

oOpções disponíveis em momentos distintos


Racionalidade Limitada
oSatisfacientes: Contentes em tomar decisões
razoavelmente boas

oMaximizadores: Perfeccionistas

oOs satisfacientes se mostraram mais felizes e otimistas que


os maximizadores, demonstraram mais satisfação com a
vida, manifestaram menos arrependimentos e fizeram
menos autocensura
Interferências nas decisões
Heurísticas:

oEstratégias que ignoram parte da informação com o


objetivo de tornar a escolha mais fácil e rápida.

oRegras práticas que são pouco exigentes no âmbito


cognitivo e que com frequência produzem respostas
aproximadamente acuradas.
Heurísticas
oHeurística da representatividade: Suposição de que um objeto
ou indivíduo pertence a uma categoria específica por ser
representativo (típico) dessa categoria.

oHeurística de afeto: Uso de reações emocionais para


influenciar julgamentos ou decisões rápidas.

oHeurística de disponibilidade: A “regra de ouro” de que as


frequências de eventos podem ser estimadas de forma
acurada pela facilidade subjetiva com que são resgatadas.
Heurísticas
oHeurística de reconhecimento: Utilizar o conhecimento de
que apenas um entre dois objetos é reconhecido como
base para fazer um julgamento.

oHeurística do hiato: Princípio segundo o qual apenas os


clientes que recentemente fizerem compras se mantêm
como ativos.
Interferências nas decisões
Fatores emocionais

oOs fatores emocionais são importantes nas tomadas de


decisão uma vez que perdas e ganhos têm, ambos,
consequências emocionais.

oSeria esperado que os indivíduos que sejam mais


emocionalmente afetados por ganhos do que por perdas
assumam mais riscos do que aqueles com tendência
oposta.
Interferências nas decisões

oAversão à perda: Maior sensibilidade às possíveis perdas


do que aos ganhos potenciais demonstrada pela maioria
das pessoas no processo de tomada de decisão.
Interferências nas decisões
oSuponha que alguém ofereça a você um ganho de $200
caso uma moeda lançada dê cara, mas uma perda de
$100 caso dê coroa.

oVocê preferiria um ganho certo de $800 ou uma chance


de 85% de ganhar $1.000 versus uma probabilidade de
15% de não ganhar nada?

oVocê preferiria uma perda certa de $800 ou uma


probabilidade de perder $1.000 com 15% de chance de
evitar qualquer perda?
Interferências nas decisões

oComo você acha que pacientes com lesão no córtex


pré-frontal reagiriam?

oE pacientes com lesão na amígdala?


Interferências nas decisões
Interferências nas decisões

Fatores sociais

o“As pessoas frequentemente agem como políticos


intuitivos já que eles devem prestar contas a diversos tipos
de eleitores, [...] seu sucesso na condução de sua
imagem no longo prazo depende de sua habilidade de
antecipar objeções que outros provavelmente irão fazer
sobre cursos de ação alternativos”
(Tetlock, 2002. p. 454)
Interferências nas decisões
Vieses:
oViés de omissão :Preferência enviesada por sofrer risco de
dano por inação do que por ação.
oViés de status quo: Uma preferência por manter o status
quo (a situação atual) em vez de agir para mudar sua
decisão.
oViés de impacto: Superestimação da intensidade e da
duração das reações emocionais negativas à perda.
Interferências nas decisões
oEfeito do custo perdido: Investimento de recursos
adicionais para justificar um comprometimento prévio
que até o momento não se mostrou bem-sucedido.
Interferências nas decisões

Fatores sociais
oEfeito da necessidade de prestar contas:
oEm condição de alta responsabilização, participantes
tenderam a continuar com seu curso de ação ineficaz
prévio.

oMaior efeito de custo perdido, porque sentiram maior


necessidade de justificar suas decisões prévias.
Interferências nas decisões
oExposição seletiva: Preferência por informações que
fortaleçam opiniões preexistentes e evitação daquelas
que sejam conflitantes com essas opiniões.
Interferências nas decisões
Interferências nas decisões
Modelo de exposição seletiva

oA motivação defensiva (necessidade de definir a própria


posição) aumenta a exposição seletiva do indivíduo para
informações confirmadoras.

oA motivação de acurácia reduz a exposição seletiva


quando é desencadeada pela meta de tomar a decisão
ideal, mas aumenta quando ocorre na busca por
informação.
(Fischer & Greiemeyer, 2010)
Interferências nas decisões
Efeito Framing

oQuando as pessoas alteram suas decisões dependendo


de como são apresentadas; por exemplo, como uma
perda ou um ganho.

oImagine que os Estados Unidos estejam se preparando


para uma epidemia de uma doença asiática incomum,
que deve matar 600 pessoas.
Interferências nas decisões
Efeito Framing
oDois programas alternativos para combatê-la foram
propostos. Um grupo recebeu os seguintes dados:
oSe o Programa A for adotado, 200 pessoas serão
salvas.
oSe o Programa B for adotado, há a probabilidade de
um terço de as 600 pessoas serem salvas e uma
probabilidade de dois terços de que ninguém seja
salvo
Interferências nas decisões
Efeito Framing
oO segundo grupo recebeu os seguintes dados:
oSe o Programa A for adotado, 400 pessoas morrerão.
oSe o Programa B for adotado, há a probabilidade de
um terço de que ninguém morrerá e de dois terços de
que as 600 pessoas morrerão.
Interferências nas decisões
Efeito Framing
oAs opções possuem as mesmas consequências

oPorém, o primeiro é definido em termos de vidas salvas e


o segundo, de vidas perdidas.

oÉ mais provável que as pessoas que viram a primeira


versão escolham o programa A, o qual garante 200
pessoas salvas, enquanto as que viram a segunda, o
Programa B.
Teoria do processo dual
Kahneman (2003)

oA maioria das pessoas utiliza as heurísticas ou regras


práticas ao fazer julgamentos, uma vez que podem ser
usadas de forma rápida e quase sem esforço.

oEntretanto, os indivíduos algumas vezes usam processos


cognitivos complexos.
Teoria do processo dual
Os julgamentos de probabilidade dependem de
processamento dentro de dois sistemas:

oSistema 1: “As operações do sistema 1 normalmente são


rápidas, automáticas, sem esforço, implícitas e muitas
vezes carregadas de emoção; também são difíceis de
controlar e de modificar”.
Teoria do processo dual
Os julgamentos de probabilidade dependem de
processamento dentro de dois sistemas:

oSistema 2: “As operações do sistema 2 são mais lentas,


seriadas [uma de cada vez], demandam esforço, têm
mais chances de serem monitoradas de forma
consciente e controladas de maneira deliberada; são
relativamente flexíveis e potencialmente dirigidas por
normas”.
Teoria do processo dual

oO sistema 1 rapidamente gera respostas intuitivas para o


julgamento de problemas (p. ex., com base na heurística
da representatividade).

oEssas respostas são, então, monitoradas ou avaliadas pelo


sistema 2.
Modelo Tripartite
Stanovich (2012)

oo processamento Tipo 1 pela mente autônoma é


geralmente rápido e bastante automático.

oExistem duas formas de processamento de Tipo 2:


o (1) a mente algorítmica, que contém informações sobre regras,
estratégias e procedimentos;

o (2) a mente reflexiva, que utiliza os objetivos e crenças do


indivíduo.
Modelo
Tripartite
Economia Cognitiva
oOs processos tipo 2 são utilizados apenas quando o
indivíduo percebe que eles são necessários e quando
apresentam a motivação necessária para iniciá-los.

oA maioria das pessoas (incluindo aquelas com altos QIs) é


econômica cognitivamente, preferindo resolver os
problemas com estratégias rápidas e fáceis do que com
estratégias trabalhosas, mas precisas.
Tomada de Decisão Naturalística
Galotti (2002)
Teoria de tomada de decisão naturalística envolvendo
cinco fases:
oestabelecimento de metas,
orecolhimento de informações,
oestruturação da decisão,
oescolha final e
oavaliação da decisão
Tomada de Decisão Naturalística
Tomada de Decisão Naturalística
1. Os tomadores de decisão limitaram a quantidade de
informações consideradas, concentrando-se em algo
entre 2 e 5 opções (média=4) a cada momento.

2. O número de opções consideradas foi sendo reduzido


ao longo do tempo.

3. O número de atributos considerados a cada momento


esteve entre 3 e 9 (média=6).
Tomada de Decisão Naturalística
4. O número de atributos não foi reduzido ao longo do
tempo; algumas vezes chegou a aumentar.

5. Os indivíduos mais capazes e/ou com maior nível


educacional consideraram mais atributos.

6. A maioria das decisões tomadas na vida real foi


avaliada como boa.
Obrigada!

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