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Bem vindo ao guia de materiais de pintura aquarela.
Aqui você encontra tudo que você precisa pra começar
os primeiros passos com essa mídia.

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SUMÁRIO

CAPÍTULO 1

PINCÉIS

CAPÍTULO 2

PAPÉIS

CAPÍTULO 3

TINTAS E ACESSÓRIOS

CAPÍTULO 4

CUIDADOS

CAPÍTULO 5

TÉCNICAS DE AQUARELA

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CAPÍTULO 6

PRINCIPAIS DIFICULDADES

CAPÍTULO 7

MAIS CONTEÚDO

CAPÍTULO 8

SOBRE O AUTOR

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1 PINCÉIS

Anatomia do pincel

Pincéis tem três partes básicas:

1. Cerda ou pelo.

2. Ferrolho

3. Cabo

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CABO

Um cabo de pincel bom, é feito com madeira de boa qualidade, trata de forma a não en-

vergar, laqueada e com um bom peso. Em se tratando de tamanho, é mais comum encon-

trar pincéis de cabos longos ou curtos, sendo os mais longos usados para pintura onde os

gestos são priorizados, enquanto os de cabo mais curto são usados quando o artista tra-

balha mais de perto do suporte e/ou quando a área a ser pintada é menor.

FERROLHO

O ferrolho é uma parte crítica do pincel, porque é ele que une a cerda ao cabo. Se o fer-

rolho for mal construído, a integridade do pincel é comprometida.

CERDAS

As cerdas são a parte mais importante do pincel, e normalmente os tipos de cerda deter-

minam o preço do pincel mais do que qualquer outro componente. A grosso modo, temos

pincéis de cerda natural e sintética.

Cerdas naturais, especialmente as de pelo de esquilo e kolinsky tem capacidade de segu-

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rar mais agua e tinta, no caso da aquarela. Quando o pincel retém mais água, você precisa

ir até o recipiente com agua e tinta menos vezes, o que reduz o risco de você ficar com

manchas de tinta no papel. No caso das tintas opacas como guache ou óleo, uma cerda que

retém mais tinta facilita pra pinceladas mais longas, carregadas ou impasto.

Cerdas sintéticas tendem a durar menos, porém podem performar um bom trabalho se

forem bem cuidados. Existe também as opções de cerdas mistas, uma mistura de cerdas

naturais com cerdas sintéticas, que pode ter um custo benefício interessante comparado

com as cerdas de sabre.

Dicas gerais pra escolher um pincel de boa qualidade:

• Ao invés de comprar muitos pincéis, é preferível comprar poucos mais de boa

qualidade. Um pincel bom vai durar muito mais, e proporcionar um ex-

periência de pintura muito superior ao quanto ele custa a mais.

• Examine a barriga da cerda, ela parece uniforme e bem construída? Algum

fio saiu na sua mão?

• O peso e balanço parece bom na sua mão? Parece que foi feito pra você?

Parece que a distribuição de peso foi pensada ou parece um pedaço de madei-

ra colado em um tufo de cerda?

• O ferrolho está bem preso? Um ferrolho frouxo significa cerdas caindo e/ou

ferrolho fazendo balanço secundário no seu movimento de pintura.

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TIPOS DE CERDAS

Texugo (Badger): é um tipo de cerda bastante comum, mais usada em tinta óleo, rústi-

ca e usada pra misturar as tintas na tela. Tende a ser mais grosso na ponta, o que dá esse

aspecto fino no encontro com o ferrolho e mais aberto na ponta. Muito comum em pincel

pra barbear também.

Camelo (camel)- Embora não venha do camelo, são cerdas bastante populares em

aquarela e letreiramento. Normalmente são feitas de cabra, esquilo, ox, pônei ou uma mis-

tura de diferentes cerdas, dependendo da finalidade e custo do pincel.

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Porco (Hog) - São cerdas obtidas de porco, muito freqüentemente originário da Chi-

na. Costumam ter uma curva neutra e as cerdas de boas qualidade tem boa resistência e

aplicar tinta com consistência e constância e por isso é uma das cerdas mais populares

pra tinta óleo. Ela consegue lidar muito bem com a natureza oleosa e densa dessa tinta e

também das acrílicas. As melhores cerdas hog costumam ser mais baratas que cerdas mais

macias de esquilo.

Kevrin/Mongoose - É uma cerda forte, resistente e usada em tinta acrílica e óleo.

Hoje em dia praticamente todas as cerdas mongoose são sintéticas.

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Kolinsky - Também conhecido como sabre kolinsky, essas cerdas vem na verdade de

doninhas siberianas encontrado na Sibéria e norte da China. As cerdas kolinsky são as

melhores para trabalho com aquarela e nanquim, devido à capacidade singular dessa cer-

da de voltar ao mesmo lugar em uma ponta fina (snap). Um pincel kolinsky bem cuidado

dura vários anos.

Orelha de boi (ox)- É um ótimo pelo de animal com capacidade para reter água e

tinta, porém ele não consegue manter uma ponta fina como um kolinsky. As vezes essas

cerdas são misturadas com sintéticas pra ter um pouco mais de firmeza.

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Pônei (pony)- São cerdas fortes e macias, de animais maduros de pelo menos 2 anos.

São cerdas normalmente usadas em pinceis escolares e mais baratos.

Marta (Red sable/sable) - São cerdas vindas de animais das familias das doninhas

(weasels) com pelo vermelho. Um bom sabre vermelho é uma boa alternativa de custo

beneficio comparado com o kolinsky. Quando o pincel é híbrido com pelo de boi, o pincel

fica mais barato mas ele tende a perder a ponta.

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Sintético (Synthetic)

Cerdas sintéticas são feitas ou de nylon ou polyester, manipulados química e fisicamente

pra que sua característica fique mais apropriada pra pintura, como ficar mais macia e/ou

mais absorvente. As cerdas sintéticas são mais resistentes a solventes, não atraem insetos

e sua estrutura não tem a estrutura de escama igual os pelos de animais tem que seguram

a tinta. Costumam ter mais resistência mecânica em superfícies diversas e são bastante

recomendadas para tintas acrílicas. Eu recomendo pincéis sintéticos particularmente a

tinta óleo nos redondos mais finos.

Esquilo(Squirrel hair) - Cerdas de pelos de esquilo são populares para os pincéis estilo

quill, vem de esquilos nativos da Rússia. Eles fazem uma ponta fina similar aos kolinsky

mas eles não tem a elasticidade de voltar ao ponto original.

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FORMATO DAS CERDAS

Das cerdas planas

1- Chato longo (stroke)

2- Chato (flat)

3- Quadrado (bright)

4- Chato curto (short bright)

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Os pincéis da categoria chato são muito próximos em termos de pinceladas. Os pincéis

chato e chato longo tem característica de segurar mais tinta, sem que a tinta entre no

ferrolho, o que é uma virtude considerável no caso da tinta óleo e acrílica. Eles tendem

a manter a forma muito bem ao longo do tempo. Os pincéis quadrado e chato curto, tem

uma pincelada mais dura, mantém a forma melhor com o tempo, mas carregam menos

tinta.

5- Lingua de gato (Filbert)- Tem o ferrolho mais achatado e as cerdas são arranja-

das de forma a fazer com que as pontas sejam mais arredondadas. A ponta facilita que

pequenos toques ou detalhes sejam possível. É mais comum de usar em tintas óleo e acríli-

ca mas pode ser usado com aquarela sem problemas. Gosto de usar com guache.

6- Chanfrado (angular)

Esse tipo de pincel é feito de forma similar ao chato, mas as cerdas são alinhadas para

dar um ângulo. Ótimo pincel para letreiros, mas também para variação de espessura em

pinceladas longas.

7- Leque (Fan) - que é um pincel que parece um leque, usado pra efeitos e pra sua-

vização de arestas.

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8- Egbert é um formato que se assemelha ao filbert, mas com as cerdas mais longas e

que conseguem carregar mais quantidade de tinta. Normalmente vem com cabo longo.

9- Trincha (paint brush)

A trincha ou também conhecido por brocha, é um pincel indicado pra cobertura de áreas

grandes. No caso de vernizes e aquarelas, as cerdas macias são mais recomendadas. No

caso da tinta óleo diluída, as cerdas mais rígidas são mais recomendadas.

Das cerdas redondas.

10- Redondo curto (spotter)

Os redondo curto, ou spotter são pincéis voltados para miniatura, ou detalhes muito

pequenos que requerem essa esse formato e característica específico. Eles tem a capaci-

dade de gerar pontos mais rápidos e precisos. Não carregam muita tinta, mas tem capaci-

dade suficiente de dar um fluxo de tinta bom até a ponta e costumam ser oferecidos em

tamanhos menores.

11- Redondo ( pointed round)

É um pincel extremamente versátil e um dos tipos de pincéis que dificilmente você con-

segue pintar um tema com alguma precisão se não usar. Os pincéis redondos pra aquarela

conseguem carregar bastante cor e como são disponíveis em desde muito fino até taman-

hos mais largos, é possível cobrir desde grandes áreas até detalhes.

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11 - Redondo longo (liner)

Os liners são pincéis redondos com a cerda mais comprida com a finalidade de

13- Ponta chata (showcard)

O pincel ponta chata ou showcard é um pincel voltado para o letreiramento. Ele é com-

prido, carrega bastante tinta, porém com a ponta chata, funciona como um marcador.

14- Sword liner e Daggers

São pincéis com cerdas que parecem uma espada ou uma adaga na versão mais curta,

que facilitam variação de linhas, e permitem passadas grandes de cor. São como versões

mais extremas do pincel chanfrado.

15 - Mop e Quill mop- O mop é pincel cuja característica é de ser um pincel de cer-

das macias, e que consegue carregar bastante água. São geralmente usados pra cobertura

de áreas maiores em aquarela justamente por conseguir carregar bastante água. Eu gosto

sempre de recomendar os quill mops de esquilo porque além deles carregarem bastante

água se precisar, eles conseguem afinar pra uma ponta fina pra detalhes conforme a neces-

sidade. Os mops também não costumam ser padronizados em termos de tamanho, como

os outros pincéis.

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16 - Batedor (stencil) - O pincel stencil é um pincel de especialidade, com certas mais

rígidas alinhadas e redondo, bom pra usar com movimentos verticais de “pancadinha”, ao

contrário dos outros pinceis com que pintamos de um lado pro outro.

17 - Rastelo (rake) É um pincel que tem cerdas aparadas pra parecer um rastelo, pra

quem quer um efeito uniforme de hachuras com tinta.

18 - Textura/customizado (texture/custom) - que são pincéis modificados com in-

tenção de conseguir um efeito específico como folhagens, etc.

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2 PAPÉIS

Os papéis pra aquarela costumam ser mais caros do que os papéis pra desenho. Da

mesma forma que os papéis pra desenho, eles vêm em diversos tamanhos, blocos, sketch

books, rolos e tudo mais.

Papéis pra aquarela podem ser feito à mão, feito de molde e feito à máquina.

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VARIEDADES

Papel artesanal - O papel artesanal tende a ser feito de 100% algodão. Ele tende a ser

mais pesado e durável, além de ter uma superfície irregular. Muitos artistas gostam dessa

irregularidade de textura, ao invés da textura padrão que vem nos feitos à máquina.

Papel moldado - O papel moldado é feito por uma máquina que consiste em um

tanque de aço inoxidável e um molde de cilindro. O cilindro é colocado no tanque e uma

mistura muito diluída de polpa e água é bombeada para o tanque. Esta mistura forma uma

teia fibrosa no molde do cilindro. Esta teia fibrosa é então pressionada em vários graus

para formar as superfícies das folhas. O papel fabricado em moldes também pode produz-

ir rolos de papel de aquarela.

Papéis feitos à máquina - Os papéis feitos à máquina possuem uma consistência

mais uniforme. Uma máquina plana com uma seção de formação suspende as fibras fil-

tradas formando ‘folhas’ através da pasta húmida. Depois as folhas são então prensadas

para remover o máximo possível do conteúdo de água. Depois secadas, onde as folhas são

colocadas em vários cilindros aquecidos pra abaixar a humidade pra cerca de 6%.

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Normalmente os papéis de aquarela possuem PH neutro. Existem 3 fatores importantes

que o aquarelista tem de observar num papel pra aquarela.

1) GRAMATURA.

A gramatura corresponde à grossura do papel. Ela é medida em gramas por met-

ro quadrado (g/m2). Os papéis de maior gramatura tendem a ser mais estáveis. Como

aquarela tende a usar uma quantidade maior de água, a gramatura é crítica. Quanto maior

a quantidade de água, maior a tendência do papel de entortar.

Quando a gramatura é maior, como 300gm/2, a tendência é entortar menos. Os mel-

hores blocos de aquarela vêm com as laterais coladas justamente pra permitir que o artis-

ta use o papel sem que ele dobre. Uma outra alternativa comum é prender com fita toda

extensão das laterais e daí molhar o papel. Eu particularmente prefiro usar papel mais

grosso (300g) e não precisar molhar o papel inteiro antes de começar. Papéis mais finos

como 150g/2 tendem a ondular mais e se não tiverem bem presos dificulta a execução da

aquarela.

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2) TIPO DO PAPEL.

Existem basicamente três tipos de papéis pra aquarela comercialmente. O papel 100%

algodão, 100% celulose e uma mistura dos dois com maior ou menor concentração de

algodão. Existem bons papéis pra aquarela de várias marcas. O melhor tipo de papel pra

aquarela é um 100% algodão com bom tratamento na polpa. Esses tendem a ser mais

caros. Uma outra coisa que é marcante no tipo de papel, é que o papel de algodão tende a

absorver mais humidade do ambiente. Num dia chuvoso, o papel fica mais húmido e isso

afeta um pouco a superfície de trabalho como um todo.

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3) TRATAMENTO DO PAPEL.

O maior diferencial do papel pra aquarela pros demais papéis é o tratamento gelatinoso

que o papel tem, que permite que a água (e os pigmentos) demorem mais pra serem absor-

vidos. Na prática, isso permite que os pigmentos se espalhem pelas poças de água e façam

os efeitos característicos da pintura aquarela. O tratamento gelatinoso ele retarda a pene-

tração da água e do pigmento. Os 2 tratamentos mais comuns no papel são o tratamento

na superfície e o tratamento na polpa. Na polpa, o elemento gelatinoso é incorporado na

pasta do papel antes da secagem e prensagem. Esse tipo de papel ele tem a vantagem de

poder fazer raspagem com alguma lâmina ou objeto pontudo pra revelar o branco do pa-

pel.

Esse tratamento, aliado ao papel de fibra de algodão, fazem com que esses papéis, 100%

algodão como da Arches, Saunders Waterford, alguns da linha Canson como Molin du

Roy, ou Winsor e Newton sejam os melhores papéis pra aquarela.

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4) TEXTURA DO PAPEL.

O papel pra aquarela comercial vem em 3 tipos de texturas

No caso da textura é mais uma escolha pessoal do aquarelista do que qualidade do papel

em si. Os resultados podem ser diferentes dependendo da textura do papel. Os papeis de

grana mais fina como o hot press tendem a deixar a água andar mais enquanto os de grana

grossa tendem a segurar a água mais em superfícies inclinadas. Os papéis de grana grossa

também são melhores pra quem gosta de efeito de dry brush (pincel seco) na pintura. Já os

papeis satinado são mais difíceis de conseguir esse efeito.

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TINTAS E
ACESSÓRIOS

A tinta aquarela é uma mistura de pigmento com goma arábica. A característica princi-

pal da aquarela é a transparência da tinta e a difusão dos pigmentos pela água no papel.

O que influencia na qualidade da tinta, é quantidade do aglutinante, tipo e tamanho

do grão do pigmento. Os pigmentos podem ser de várias fontes como vegetais e minerais.

Como alguns pigmentos são mais difíceis de obter, a tendência é que as tintas fabricadas

com esses pigmentos sejam mais caros.

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Pigmento - qualidade e quantidade. As tintas mais caras têm pigmentos mais caros de

se obter, mais puros e refinados, e em maior quantidade. Observe como os rótulos que tem

“hue” tem mistura de pigmentos para tentar chegar naquela cor. Cobalt Hue pode ter uma

mistura de pigmentos sintéticos pra tentar chegar perto do pigmento Cobalt Blue (azul

cobalto) que é um pigmento mais caro.

Aglutinante (Filler): Tintas mais caras tendem a ter menos aglutinante, o que inter-

fere menos no comportamento da tinta ao longo do tempo, e na própria cor final, uma vez

que por ter mais preenchimento, a cor ficará menos rica.

No caso da aquarela e guache, especialmente as pans eu recomendo que sejam todos

profissionais porque a quantidade de pigmento e a qualidade dos mesmos e do aglutinante

tem uma impacto na qualidade final da aquarela muito superior ao da tinta acrílica e óleo

por exemplo.

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A PALETA BÁSICA DE AQUARELA CONSTITUI

2 amarelos

● Permanent Lemon Yellow (PY35)

● Cadmium Yellow Light (PY35)

Aqui temos um amarelo limão, que é mais frio, e um cadmium yellow que é quente.

2 vermelhos

● Cadmium Red Light (PR108)

● Alizarin Crimson (PR 177)

2 vermelhos, um mais quente (cadmium red) e um mais frio (alizarin)

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2 azuis

● Cerulean blue (PB35)

● Ultramarine Blue (PB29)

2 azuis, um cerulean, e um ultramarine que é um azul com pigmentação azul escura

mais intensa.

2 verdes

● Oxide of Chromium (PG17

● Phthalo Green (PG7)

2 verdes, um mais quente e um mais frio.

Alternativamente pode-se substituir um dos verdes ou adicionar o Viridian (PG18)

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2 terras

● Yellow Ochre Light (PY43)

● Burnt sienna (PR101)

2 tons terras, um amarelo ocre e um marrom

2 tons mais escuros

● Raw Umber (PBr7)

● Payne’s Grey (PBK6, PR101, Pbk19, PB29)

Esses 2 são a matiz mais escura de toda paleta, que visa substituir o preto em si. O preto

pode ser colocado na paleta como uma versão ainda mais densa de pigmento que o payne’s

gray.

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1 Preto

1 Branco

O Branco em set de aquarela é um branco guache. É um branco opaco (ao contrário da

aquarela transparente), que visa trazer alguns efeitos, correções e brilho.

ACESSÓRIOS PARA AQUARELA

As paletas pra aquarela mais comuns são metal esmaltado e plástico. Tanto uma como a

outra é frequentemente vendida junto com um set de pastilhas, porém são achadas vendi-

das separadamente em lojas especializadas. Sets com pastilhas embutidas em paleta do-

bráveis são mais cômodas para pintura ao ar livre.

• Recipiente de água - Para molhar os pincéis mais largos para passadas cheias de

agua e também para limpar pincéis.

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• Borrifador: - Um mini-borrifador pra espalhar água e humidade de forma mais uni-

forme.

• Conta gotas: pra despejar água de forma controlada na pastilha ou em bandeja.

Com uma ou duas gotas fica mais fácil controlar o quanto de água o pincel pega.

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• Mascara fluida - Para preservar áreas que vão ser difíceis de contornar.

• Ox gall - é um liquido destinado a melhorar o fluxo da tinta quando misturado dire-

tamente com a aquarela. Você então mistura a tinta diretamente no fluido.

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• Cera: Efeitos de textura. Na foto abaixo, cera de candelila. Cera de abelha também

pode ser usado.

• Álcool - para efeitos de textura.

• Raspadores ferramentas cortantes, caso resolva remover fisicamente o papel para

revelar brilhos. Especialmente úteis quando é preciso uma linha fina de branco.

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• Esponjas: para efeitos de texturas.

Fita gomada: Para prender o papel no suporte. A fita gomada funciona melhor quando

for molhar o papel inteiro. Fita crepe pode servir quando não se trabalha com muita água

de uma vez molhando o papel todo.

Secador de cabelo: Em estúdio muitos artistas gostam de usar secador de cabelo pra

acelerar a secagem da tinta e prosseguir a pintura.

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4
CUIDADOS

CUIDADOS COM OS PINCÉIS:

Não deixar os pincéis mergulhados em água ou solvente. Além disso deformar as cerdas,

você pode comprometer a cola que prende as cerdas ao ferrolho.

Após o uso, limpe o pincel com água no caso das tintas solúveis em água (aquarela,

guache, acrílica) ou solvente no caso da tinta óleo.

Enxugue os pincéis com um pano ou papel descartável (recomendo pano) e com os de-

dos deixe as cerdas no formato correto.

Pincéis de pelo de animais podem ser cuidados com sabões neutros e condicionadores

apropriados.

Não deixe os pincéis secando na posição vertical, pra evitar que solvente ou água fique

preso no ferrolho e degrade a cola.

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Guarde os pincéis secos em gavetas, na horizontal ou em pontes na vertical, apoiados

nos cabos.

No caso dos pincéis de aquarela, especialmente os de cerdas mais caras, evite usar com

tintas mais agressivas como acrílica ou usar mascara liquida. Use pincéis sintéticos e mais

baratos.

Use cola CMC caso não vá usar algum pincel por longo tempo. A cola CMC sai fácil com

água morna, não estraga as cerdas e preserva o a forma das cerdas

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5
TÉCNICAS DE
AQUARELA

TÉCNICAS PRINCIPAIS

Passada plana (Flat Wash) - sem graduação, um matiz, um valor tonal.

Degrade/Graduação (Graded Wash) - Uma passada com progressão gradual de

valor tonal, geralmente com um matiz. Progressivamente mais clara em valor tonal uma

vez que o pigmento se dilui revelando mais do branco do papel.

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TEXTURAS

1) Textura utilizando sal grosso. As pedras de sal grosso vão puxando a água com pig-

mento perto dele, criando pequenas aureolas de concentração de cor.

2) Textura usando uma esponja natural. A esponja vai puxando água e pigmento em cer-

tas partes e tornando texturizado mais claro. Uma camada de tinta azul usando a mesma

esponja
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3) Solvente. O Solvente vai empurrar água e clarear a área onde ela toca. Dependendo

do jeito, a água produz um efeito parecido também.

4) Pancadinhas no pincel cheio de água pra cair algumas gotas que vão empurrando a

água com pigmento e fundindo os pigmentos que já estão na camada fina de água sobre o

papel.

5) Utilizando cera de candelila (a maioria das ceras deve servir) pra impedir que a água

entre onde foi riscado.

6)Borrifada de tinta com escova de dente enquanto a camada debaixo (vermelha) ainda

está húmida.

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MOLHADO NO MOLHADO E MOLHADO NO SECO.

Molhado no Seco (Wet on Dry ) - Ocorre quando passamos o pincel molhado em

uma superfície já seca. Produz arestas “duras”.

Molhado no Molhado (Wet into wet) - Ocorre quando misturamos dois pigmentos

diferentes em uma área bastante umedecida. Produz arestas suaves.

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Streaked Wash - É uma forma de usar a força da gravidade deixando o pigmento cor-

rer livremente pelo papel, fazendo um “rastro”.

FORMAS PRESERVAR O BRANCO DO PAPEL.

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Preservar o branco do papel é uma das características que torna a aquarela uma mídia

mais difícil pra quem está iniciando. A técnica de mascarar àreas em branco é crucial pra

dominar a aquarela.

1)A primeira técnica é contornar as àreas brancas. Você pode traçar em lápis fraquinho a

àrea que você quer preservar e pintar em volta.

2)Lifting, é quando voce remove agua e pigmento tornando o valor tonal mais claro.

Aqui eu uso um cotonete pra remover boa parte do pigmento e o resultado é uma esfera

mais fosca.

3) é uma outra forma de lifting, mas é produzido raspando, removendo fisicamente o

papel pra revelar uma camada do papel que não foi tingidfa.

4) Usando uma máscara líquida. Aqui eu uso a mascara da Winsor Newton. Eu reco-

mendo usar um pincel sintético barato, uma vez que a máscara tende a ser dificil de tirar

das cerdas se secar. A máscara então vai preservar aquela area e nào deixar a tinta entrar.

5) Usando guache branco. Por ser opaco, o guache branco cobre a superfície de pintura

de forma fosca. É um efeito que tende a ser um pouco diferente do branco do papel em si.

6) Fita crepe. A fita mascara àreas onde a água não vai entrar, preservando o branco do

papel.

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EXPANSÃO DE PIGMENTO (BLOOM)

NÍVEL 1) PAPEL COM HUMIDADE MÉDIA

NIVEL 2) PAPEL COM HUMIDADE BAIXA

NIVEL 3) PAPEL SECO

NIVEL 4) PAPEL MOLHADO, POÇA DE ÁGUA.

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6
PRINCIPAIS
DIFICULDADES

Neste capítulo vemos as principais dificuldades na aquarela pra quem está começando.

Leia e releia este capítulo sempre que sentir dificuldade, esse pequeno resumo contém

muita sabedoria de tentativa e erro:

1) Aquarela é difícil de controlar/fluída. Uma característica marcante da aquarela

é que ela é frequentemente pintada bastante diluída em água. Então o artista tem que con-

trolar não só a quantidade de água no papel, como também a quantidade de pigmento e

tentar antever como o pigmento vai se espalhar na água que está na superfície do papel. A

realidade é que você não tem como ter 100% de certeza de como vai ser o resultado depois

que a tinta secar.

2)Aquarela é transparente. Quando a tinta seca, o resultado (normalmente) é dif-

erente do planejado. Dessa forma é praticamente impossível corrigir errinhos que podem

acontecer no meio do caminho sobrepondo uma cor na outra como acontece com tintas

opacas como óleo, acrílica ou mesmo guache.

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3) É difícil de corrigir erros. Quando a tinta seca, ela tende a ficar mais clara devido

a transparência do pigmento. Mesmo se a tinta ainda estiver molhada e você secar rapida-

mente com um pano ou papel toalha parte do pigmento ainda vai ser absorvida pelo papel

por causa da força do tingimento do pigmento. Toda parte tingida do papel tende a abaixar

o valor tonal da cor.

4)Requer planejamento para as áreas claras. Como não há branco na aquarela

(exceto se usar um guache opaco branco), se você tingir um pedaço do papel você perdeu

aquele branco, já era. Você pode usar como um quase branco, mas não existe nenhuma

forma perfeita de voltar a ser o que era. Isso faz com que a aquarela seja uma mídia um

tanto frustrante pra quem está começando porque os erros acabam arruinando a pintura

como um todo.

5)O meio afeta o resultado. A inclinação da superfície e a humidade do ar podem

interferir na sua pintura. Se você não quer tinta escorrida precisa usar uma superfície sem

ou com pouca inclinação. Quando o tempo está húmido a tinta demora mais pra secar, o

que faz com que seja mais difícil conseguir trabalhar a técnica molhada no seco.

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7
MAIS
CONTEÚDO

Você ja conhece o nosso canal no youtube? Nesse capítulo tem alguns links para conteú-

do de aquarela em vídeo totalmente gratuito! Tem muito mais por lá seguindo por AQUI

Escolhendo Papel de Aquarela

Como escolher as cores da sua paleta

Cavalete para Aquarela ao ar livre (en plein air)

Como escolher um pincel de qualidade

Pintando aquarela Igreja Nossa Senhora do Pilar em Ouro Preto MG (timelapse)

Pintando Largo Marília de Dirceu em Ouro Preto MG (Timelapse)

Pintando conchas em aquarela

Pintando um olho em aquarela

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8 SOBRE O
AUTOR

Mario Russo é bacharel em desenho e computação gráfica e pós-graduado em comuni-

cação visual em mídias interativas. Tem trabalhos e artigos publicados em livros e revistas

do Brasil, China, Austrália e EUA em arte digital, onde trabalha com gráfico pra jogos há

mais de 15 anos. Gosta de voltar às origens da arte tradicional, e publica regularmente con-

teúdo voltado pra desenho e pintura.

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