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Resenha do livro "Fomos maus alunos", de Gilberto Dimenstein e Rubem Alves.

Por: Luís Caetano

Neste livro os autores, Gilberto Dimenstein e Rubem Alves, dois amigos e educadores,
cada um à sua maneira, se unem num longo e extremamente fluido diálogo, sobre a educação
(formal ou não) e a influência da escola na vida da criança. Com vivências extremamente
diferentes, cultural e socialmente, pertencentes a uma geração diferente entre si, o diálogo só
se torna cada vez mais rico com a narração de suas próprias histórias, sempre mescladas com
suas áreas de atuação na educação.
Com base nessas experiências, sejam elas pessoais ou acadêmicas, relatam no livro por
meio de estórias e diálogos os problemas vividos na escola e as relações do estudante com a
mesma, além do processo do aprendizado e a formação do indivíduo, entre inúmeros outros
temas que se ramificam destes, como de praxe num bom diálogo.
A conversa (ou o livro) se divide em capítulos mais ou menos extensos, a depender do
tema base do diálogo, e conforme muda fluidamente de tema, surge um novo capítulo. Estes
perpassam por inúmeros temas dentro da educação e o aprendizado, começando com a
experiência pessoal dos autores com a escola em sua infância e a relação da família com a
educação formal e não-formal, sem se esquecerem do contexto histórico em relação ao
momento que frequentaram a escola, até chegarem em suas experiências como educadores e
pesquisadores, além dos problemas no ensino escolar, críticas concisas ao percurso da vida do
estudante e métodos de ensino na escola.
As principais críticas que são sucitadas no livro são a "poda" que a escola faz nos
estudantes, que têm sua capacidade reduzida a notas por causa da expectativa no futuro dos
alunos. Outra crítica do livro, que diz que a escola se baseia num futuro distante demais, tanto
da realidade dos estudantes quanto da utilidade do ensino, quanto a esta última os autores
dialogam bastante, alguns dos problemas desse ensino distante são: a não formação de
estudante inteirados da vida real, a hiper preocupação com a utilidade das disciplinas para o
vestibular, a falta de interesse dos estudantes em relação à escola, já que esta possui
disciplinas alheias a vida do estudante e que por esse motivo, a falta de interesse, não há
aprendizado real. A necessidade do vestibular e de notas (e consequentemente provas) faz
com que a escola, que teria um potencial incrível para ser um mecanismo de mudança na vida
do estudante, se torne uma fábrica de respostas certas ou erradas, formando estudantes com
visões de única resposta certa mas que estão inseridos em uma vida que é dissertativa, plural
e com nuances que vão muito além de uma única resposta certa ou gabarito.
Além da crítica à escola, há também a crítica em relação a família, e a pressão exercida por
esta sobre o estudante, que vê na escola uma fábrica de sucesso na vida, que aliás é uma
visão errônea de sucesso e de vida. E assim como a escola poda o estudante, também poda o
professor, com más condições até mesmo de preparo para com o estudante, tirando toda a
paixão de aprender e consequentemente a de ensinar, tornando o professor um ser mecânico,
que "ensina" a disciplina vestibular.
O livro possui uma forma extremamente fluida, com inúmeras críticas igualmente
pertinentes. Apesar o teor mais pesado das críticas, o humor aparece no livro constantemente,
tornando a o espírito do texto mais equilibrado. Uma obra riquíssima em questionamentos, que
é o combustível para o aprendizado consciente. Com ideias que são precursoras de
auto-reflexão e munidas de paixão por parte dos autores.

Referência:

DIMENSTEIN, Gilberto; ALVES, Rubem. Fomos maus alunos. 8ª Edição. Campinas, SP.
Editora Papirus, 2007.

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