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Sinto e Penso, logo Existo!: Abordagem Integrativa das


Emoções
I Feel and Think, Therefore I Exist!: Integrative Approach to Emotions

António Branco Vasco*

RESUMO: ABSTRACT:
O presente artigo tenta clarificar e ilustrar o This paper tries to clarify the concept of
conceito de emoção, reflectindo sobre a im- emotion, stressing the importance of emo-
portância deste conceito para o funciona- tions for psychological adaptive function-
mento psicológico adaptativo e para a psico- ing and psychotherapy. This clarification
terapia. Esta clarificação é feita recorrendo makes use of different characterizations
a diferentes caracterizações e diferenciações, and diferentiations, namely: (a) emotion-
nomeadamente: (a) esquemas emocionais; al schemes; (b) different types of emotions;
(b) diferentes tipos de emoções; (c) diferentes (c) different types of affective phenomena
tipos de fenómenos afectivos e; (d) funções and; (d) emotional functions. The concept
das emoções. Relaciona-se igualmente o con- of emotion is also related with the concept
ceito de emoção com o conceito de necessida- of psychological needs, stressing the im-
des psicológicas, salientando a importância portance of sound emotional functioning
de um adequado funcionamento emocional to the regulation of needs satisfaction. An
para a regulação das mesmas. Apresenta-se innovative model of psychological needs is
um modelo inovador de necessidades psico- introduced, showing their importance for
lógicas, salientando o contributo destas tanto both well-being and mental health. The pa-
para o bem-estar como para a saúde mental. per ends by claiming that, in psychothera-
Finaliza-se acentuando a necessidade de, em py, the ability to regulate needs should be
psicoterapia, a capacidade de regulação destas taken into account.
dever ser tomada em consideração.
Key-Words: Emotions; Psychological Needs;
Palavras-Chave: Emoções; Necessidades Psi- Well-Being; Sintomatology; Psychotherapy.
cológicas; Bem-Estar; Sintomatologia; Psico-
terapia.

*Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, Society for the Exploration of Psychotherapy Integration,  brancov@netcabo.pt.

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INTRODUÇÃO externas) tendentes a promover sobrevivência,


Começando pelo princípio, questionemo- adaptação e bem-estar.
-nos sobre o que são as emoções! Já em 1884, Mantendo o carácter eminentemente adap-
William James1 defendia que estas consistem tativo das emoções e a sua inevitável rela-
em “respostas de um sistema complexo, cujo ção com a motivação, afirmaria, em jeito de
objectivo é o de preparar o organismo para provocação, que as emoções, de certa forma,
responder aos estímulos do meio que têm não existem! As emoções não são entidades,
significado evolutivo.” Tal definição man- mas sim processos! Ou seja, em termos de
tém-se extremamente actual, salientando o “arquitectura e funcionamento psicológicos
componente central das emoções: o facto de adaptativos,” o que existem são esquemas e
estas terem uma função fulcral relativamente episódios emocionais! A experiência subjec-
à optimização da sobrevivência, tanto física tiva da emoção é fugaz e arrebatadora (em
como psicológica. Adiantaria que o objectivo contraste com outros tipos de fenómenos
das emoções não é exclusivamente o da sobre- afectivos) e resulta, como James (1884) afir-
vivência, mas também o da qualidade desta mava1, da reacção de um sistema complexo
sobrevivência. Ou seja, em termos mais psi- a determinado tipo de estímulos com forte
cológicos, as emoções também desempenham valência emocional, dado que relacionados
um papel central na promoção do bem-estar com a sobrevivência.
psicológico!
Na mesma linha, relembre-se Darwin que sa- 1. ESQUEMAS EMOCIONAIS
lientava o facto de não ser o mais forte que
sobrevivia, mas sim aquele que era dotado de Deste modo, a experiência subjectiva da emo-
melhores competências de adaptação. Acre- ção resulta da resposta a estímulos, quer in-
dito que um dos elementos fulcrais destas ternos (e.g., uma memória traumática), quer
competências de adaptação residia em “estar externos (e.g., uma perda significativa). Para
sintonicamente em contacto” com o meio cir- a construção desta resposta contribuem com-
cundante. Noutras palavras: funcionamento ponentes:2,3,4 (a) fisiológicos; (b) cognitivos;
adequado do sistema emocional/motivacio- (c) de memória episódica; e (d) expressivo-
nal! -motores, articulados no que se designa por
Igualmente do ponto de vista etimológico, esquemas emocionais que se organizam e po-
a palavra emoção volta a articular-se com a tencialmente reorganizam ao longo de todo o
noção de sobrevivência e bem-estar, no sen- ciclo-de-vida.
tido de que a sua raiz aponta para activação A resultante experiência subjectiva da emo-
e movimento, tal como a raiz da palavra mo- ção, como dito anteriormente, impacta moti-
tivação – “pôr em movimento!” Deste modo, vacionalmente no organismo, configurando
as emoções têm um carácter essencialmente tendências de acção potencialmente adapta-
motivacional – as emoções geram motivação, tivas quando o sistema funciona adequada-
ou seja, traduzem-se em acções (internas ou mente.

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2. EMOÇÕES PRIMÁRIAS Aliás, existem experiências emocionais que


O carácter potencialmente adaptativo das emo- são agradáveis e não-adaptativas (como o
ções também nos é dado pelo tipo de emoções prazer associado aos consumos ou a satisfa-
primárias que podemos experienciar e que são ção dos assassinos em série), e experiências
maioritariamente disfóricas/desagradáveis, emocionais que não são agradáveis, mas que
muito provavelmente pelo seu valor de sobre- são adaptativas, como a experiência de tristeza
vivência. Não deixa de ser curiosa a dialéctica associada a uma perda significativa!
entre sobrevivência e bem-estar! Para que o Uma perspectiva claramente mais heurística
bem-estar seja possível (euforia) parece ser tanto em termos de compreensão como de uti-
necessária a capacidade de processar adequa- lidade clínica implica uma diferenciação tipo-
damente as emoções mais associadas à sobre- lógica baseada na sua morfologia e função2,3.
vivência (disforia)! São oito as emoções que
diversos autores têm vindo a considerar como 4. TIPOS DE EMOÇÃO
primárias: tristeza, medo, zanga, nojo, vergo-
nha, alegria, curiosidade e surpresa. A bem não só de uma melhor compreensão
São várias as razões que levam a que estas dos fenómenos emocionais, como também dos
emoções sejam consideradas primárias: (a) fenómenos clínicos, convém distinguir entre
são as que mais directamente se relacionam diferentes tipos de emoções.
com a sobrevivência (emprestam significado As anteriormente mencionadas: (a) emoções
ao meio/contexto interno e externo); (b) pa- adaptativas primárias – tal como a alegria
recem ter um carácter inato, manifestando-se face a acontecimentos muito desejados; a tris-
muito precocemente em todos os seres huma- teza face à perda; o medo face ao perigo; e a
nos; e (c) são dotadas de um carácter transes- zanga ou nojo devido à violação de fronteiras.
pacial e transtemporal. Como já foi referido, este tipo de emoções são
sempre adaptativas, dado que nos põem em
3. AS EMOÇÕES NÃO SÃO “POSITIVAS” contacto com os contextos e impulsionam ten-
NEM “NEGATIVAS!!!” dências de acção motivacionais no sentido da
sobrevivência e do bem-estar. Por outras pala-
Acredito que a utilização generalizada da ex- vras, a sua adequada vivência e processamento
pressão emoções “positivas” e “negativas” são condições sine qua non da saúde mental!
constitui uma simplificação grosseira, en- As emoções primárias podem também ser: (b)
ganadora e não heurística de um fenómeno aprendidas e não-adaptativas – tal como o
complexo, que deveria ser abandonada em medo face à intimidade. Este tipo de emoções
psicologia5! resulta essencialmente de aprendizagens em
As emoções não são “positivas” nem “nega- processos de socialização não-seguros, onde a
tivas,” mas sim subjectivamente eufóricas expressão emergente de necessidades da crian-
(agradáveis) ou disfóricas (desagradáveis) e ça se depara com respostas não-adequadas dos
adaptativas ou não-adaptativas! cuidadores primários. No exemplo referido de

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“medo face à intimidade” verifica-se a aprendi- activação, relacionando-se com um estímulo


zagem associativa de medo primário num con- específico e interrompendo qualquer outra ac-
texto (intimidade com os cuidadores) em que tividade do organismo. Em contraste, o humor
estes terão reagido de formas punitivas face à tem um carácter mais continuado no tempo,
expressão de necessidades afiliativas por parte não tem como base um estímulo específico, não
da criança, num processo que os comporta- implica alta activação e resume-se a “bom” ou
mentalistas designariam por generalização do “mau” humor. Por sua vez, os sentimentos pa-
condicionamento. É este tipo de emoções que é recem ser marcadores de tonalidade afectiva,
visto como “emoções sintomáticas.” que fazem parte das atitudes e que orientam as
Existem ainda: (c) emoções secundá­rias  – nossas respostas de aproximação ou evitamento
quando uma emoção “tapa” outra mais adap- face a domínios específicos de estímulos.
tativa e primária, como quando a “zanga se- Metaforicamente, se as emoções primárias po-
cundária” se sobrepõe ao “medo adaptativo dem ser vistas como uma “pintura a óleo,” o
primário,” ou a “tristeza secundária” à “zanga humor seria uma “aguarela” e os sentimentos
adaptativa primária.” Este tipo de emoções pa- “um desenho a lápis!”
recem ter um carácter eminentemente defensi- De certa forma todas estas experiências afecti-
vo, normalmente a regras proibitivas ou pres- vas se articulam: o “bom humor” sinaliza que
supostos catastróficos associados à experiência as nossas necessidades estão adequadamen-
das emoções primárias. Adaptação implica o te reguladas, enquanto que o “mau humor”
ultrapassar da emoção secundária com o objec- sinaliza o oposto, bem como a existência de
tivo de experienciar a primária subjacente. emoções primárias que não estão a ser ade-
Por último, surgem as designadas: (d) emoções quadamente processadas e consequentemente
instrumentais – trata-se mais adequadamen- uma regulação não suficiente das necessida-
te de “comportamentos emocionais” cujo pro- des psicológicas. Por sua vez, os sentimentos
pósito é o de influenciar os outros, tal como de aproximação/evitamento resultam das ex-
as “lágrimas de crocodilo.” Uma vez mais, em periências emocionais associadas aos domí-
termos de bem-estar, urge encontrar formas nios de estímulos sobre os quais incidem as
contextualmente mais adaptativas de regular atitudes. De certa forma, pode-se afirmar que
as necessidades inerentes às emoções instru- a experiência emocional alimenta e/ou rees-
mentais. trutura os sentimentos.

5. OUTROS FENÓMENOS AFECTIVOS 6. FUNÇÕES DAS EMOÇÕES


A bem da clarificação, convirá ainda distin- Em termos mais específicos penso que as emo-
guir as emoções de outros fenómenos afecti- ções desempenham várias funções vitais:
vos, como o humor e os sentimentos6! (a) Uma função orientadora no mundo, tanto
Como já vimos, as emoções primárias têm um em termos físicos, como psicológicos e inter-
carácter fugaz, imperativo, arrebatador, de alta pessoais – dar significado à experiência;

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(b) Uma função de comunicação com nós perienciar e agir no sentido da regulação da
próprios e com os outros – apercebermo-nos satisfação das necessidades psicológicas. Sa-
mais integralmente do que se passa connosco liente-se que estas nunca estão completamen-
e comunicá-lo aos outros, tanto verbal como te satisfeitas, o seu grau de satisfação resulta
não-verbalmente; de um processo contínuo de negociação e ba-
(c) Uma função preventiva: quando não nos lanceamento de sete polaridades dialécticas8,9.
entristecemos, acabamos por nos deprimir
(dói mais a dor que não dói!); quando não nos 8. DIALÉCTICA DAS NECESSIDADES
permitimos ter medo, acabamos por entrar em PSICOLÓGICAS VITAIS
pânico; quando não nos permitimos zangar
tornamo-nos violentos, e finalmente; Entendo que adaptação, bem-estar e saúde
(d) Uma função de sinalização e de prepa- mental dependem da capacidade de regulação
ração para a acção, que, de certa forma, im- de sete polaridades dialécticas acentuadas por
plica todas as outras: sinalização do grau de diferentes modelos teóricos. Trata-se de8,9: (a)
regulação da satisfação de necessidades e de prazer (ser capaz de experienciar e desfrutar
acções necessárias a essa mesma regulação. de prazeres físicos e psicológicos); e dor (ser
capaz de vivenciar dores inevitáveis, diferen-
7. PROMOÇÃO DO BEM-ESTAR E NE- ciar sofrimento produtivo de improdutivo, e
CESSIDADES PSICOLÓGICAS INTEGRA- capacidade de atribuir significado ao sofri-
TIVAS mento); (b) proximidade (ser capaz de esta-
belecer e manter relações de proximidade com
Entendo que a pedra-de-toque do bem-estar e os outros) e diferenciação (ser capaz de se di-
da saúde mental é a regulação da satisfação ferenciar dos outros e de se auto-determinar);
das necessidades psicológicas5. (c) produtividade (ser capaz de concretizar
Como já referi, é o sistema emocional que si- desafios sentidos como valiosos) e lazer (ser
naliza o grau de regulação da satisfação das capaz de se relaxar e sentir-se confortável com
necessidades2,3. isso); (d) controlo (ser capaz de exercer in-
Deste modo, existe uma relação estreita en- fluência sobre o meio) e cooperação/cedência
tre emoções e necessidades, definindo ne- (ser capaz de delegar, de abrir mão); (e) ex-
cessidades como “estados de desequilíbrio ploração/actualização (ser capaz de explorar
organísmico provocados por carência de o meio e de se abrir à novidade) e tranquili-
determinados nutrientes psicológicos, si- dade (ser capaz de apreciar o que se tem e o
nalizados emocionalmente e tendentes a que é, no aqui e agora); (f) coerência do Self
promover acções, internas e/ou externas (congruência entre o Self real e o Self ideal;
facilitadoras do restabelecimento desse mes- congruência entre os pensamentos, sentimen-
mo equilíbrio7.” Entendo igualmente que um tos e comportamentos do próprio) e incoerên-
dos objectivos centrais da psicoterapia é o de cia do Self (ser capaz de tolerar o conflito e
auxiliar os pacientes a reconhecer, aceitar, ex- incongruências ocasionais); (g) auto-estima

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(ser capaz de estar satisfeito consigo e de se cia do bem-estar psicológico e 63% do distress
estimar) e auto-crítica (ser capaz de identi- (N=848)10.
ficar, aceitar e aprender com insatisfações e As quatro necessidades com maior valor pre-
erros pessoais). ditivo relativamente tanto ao bem-estar como
Desta forma, o bem-estar psicológico e a saúde ao distress foram, respectivamente: a (a)
mental dependerão da capacidade para regu- tranquilidade; (b) a proximidade; (c) a au-
lar adequadamente a satisfação das diversas to-crítica e; (d) a auto-estima10.
necessidades, sendo esta regulação entendida
em termos dialécticos (tão mais provável é 10. NECESSIDADES E SINTOMATOLOGIA
o bem-estar quanto mais cada indivíduo for
competente em cada uma das duas polari- De igual modo, e de novo recorrendo à utili-
dades dialécticas). Ou seja a capacitação de zação de regressões múltiplas, foi igualmente
cada um dos extremos de cada polaridade ca- possível estabelecer a também excelente ca-
pacita dialecticamente a qualidade da outra. pacidade preditiva do grau de regulação da
As polaridades complementam-se! A título de satisfação das necessidades relativamente à
exemplo, proximidade sem competências de sintomatologia12. Assim, quatro das catorze
diferenciação, resulta em dependência, tal necessidades explicam 55% da variância da
como diferenciação sem competências de pro- sintomatologia quando avaliada pelo BSI13 e
ximidade resulta em alienação ou sociopatia! cinco das necessidades explicam 71% quando
avaliada pelo CORE-OM14 (n=431)12.
9. NECESSIDADES, BEM-ESTAR, DIS- As quatro necessidades com maior valor pre-
TRESS E SINTOMATOLOGIA ditivo relativamente à sintomatologia ava-
liada pelo BSI foram, respectivamente: a (a)
A teorização anterior sobre necessidades levou proximidade; (b) a tranquilidade (c) a inco-
à elaboração de um instrumento de avaliação erência e; (d) a auto-estima. Relativamente à
do grau de regulação das mesmas. Este instru- avaliação efectuada recorrendo ao CORE-OM,
mento, na sua forma global, é composto por a incoerência sai da equação, entrando o
134 itens cuja resposta é dada numa escala de prazer e a actualização12.
Likert de 8 pontos, em que 1 significa Discordo
Totalmente e 8 significa Concordo Completa- CONCLUSÕES E IMPLICAÇÕES
mente. Vários itens em cada uma das sub-es-
calas são cotados de forma invertida10. A capacidade de regular a satisfação de neces-
Com recurso à utilização de regressões múlti- sidades psicológicas vitais parece ser, assim,
plas foi possível estabelecer a excelente capa- essencial para a promoção da experiência do
cidade preditiva do grau de regulação da satis- bem-estar psicológico e da saúde mental. Es-
fação das necessidades relativamente tanto ao tando esta capacidade tão dependente de um
bem-estar11 como ao distress11. Assim, oito das funcionamento emocional adequado15 revela-
catorze necessidades explicam 68% da variân- -se essencial: (a) prestar atenção e permitir o

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experienciar emocional, particularmente no to- regulação da satisfação de necessidades psico-


cante às emoções primárias; (b) permitir a acti- lógicas vitais no sentido da: promoção da ca-
vação, diferenciação e expressão emocionais; e pacidade de estabelecer, manter, monitorizar e
(c) promover a regulação emocional, particu- reparar o bem-estar psicológico. Ou seja, im-
larmente mediante o agir dos planos de acção plicam “trabalho terapêutico esquemático,”
motivacionais inerentes às emoções primárias. mais característico das intervenções emocio-
Coloca-se, igualmente, a questão relativa a nal/experiencial e dinâmica/relacional.
como e onde aprendemos estas competências Como Erik Erikson afirmou: “o bem-estar
emocionais complexas? Essencialmente nas consiste na capacidade de estar afectiva e
experiências de socialização e ressocializa- efectivamente relacionado consigo próprio e
ção seguras e na psicoterapia, quando aque- com os outros.”
las foram inseguras. São estes dois contextos, Mantendo o espírito dialéctico gostaria de ter-
mediante processos comunicacionais de va- minar corrigindo o famoso dito de Pascal: as-
lidação, aceitação, empatia, naturalização, sim, a “o coração tem razões que a própria ra-
espelhamento e contenção, que promovem a zão desconhece” acrescentaria – “a razão tem
automatização das competências de regulação corações que o próprio coração desconhece!”
e de transformação emocional.
Penso que as principais implicações clíni- Conflitos de Interesse / Conflicting Interests:
cas das reflexões e resultados apresentados Os autores declaram não ter nenhum conflito de
prendem-se com a necessidade de tomar em interesses relativamente ao presente artigo.
consideração e de contemplar a regulação da The authors have declared no competing inter-
satisfação das necessidades na prática psico- ests exist.
terapêutica. A capacidade dos pacientes para
regular a satisfação das necessidades pode ser- Fontes de Financiamento / Funding:
vir como um guia inicial de tomada de deci- Não existiram fontes externas de financiamento
são clínica: ou seja, quanto mais um paciente para a realização deste artigo.
estiver capaz de regular a satisfação destas, The authors have declared no external funding
possivelmente também mais a intervenção was received for this study.
pode ser regulatória em termos de incidência
sintomática. Bibliografia / References
Contudo, para um número significativo de pa- 1. James W: What is an emotion?. Mind. 1884; 9:
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