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Introdução à Transferência de Calor

I. Mecanismos de Transferência de Calor

• O calor é transferido a partir de um corpo que se encontra a


uma temperatura mais alta para um corpo a temperatura mais
baixa.

• Quais os mecanismos de transferência de calor?

Condução, Convecção e Radiação


Introdução à Transferência de calor
Objectivos:
•Distinguir os mecanismos de Transferência de Calor

∆T
•Definir a lei da Condução – Lei de Fourier q = KA
∆x

•Definir a lei da Convecção – Lei de Newton. q = h A ∆T

•Definir a lei da Radiação de Stefan-Boltzman. q = σ A F12 (T14 − T24 )

•Aplicação: Dimensionamento de Permutadores de Calor ,


Isolamento de Tubagens e equipamentos.
TRANSFERÊNCIA DE CALOR E ENERGIA TÉRMICA

•O que é a transferência de calor?


A transferência de calor é o transporte de energia térmica devida
a uma diferença de temperaturas.

• O que é a energia térmica?


A energia térmica está associada à translação, rotação, vibração
e aos estados electrónicos dos átomos e moléculas que
constituem a matéria.

A energia térmica representa o efeito cumulativo das


actividades microscópicas e está relacionada com a
temperatura da matéria.
CONDUÇÃO

•Tem um peso mais significativo nos sólidos


•Dois tipos de condução
Vibração Molecular
Difusão livre dos electrões

Nota: A condução não é o melhor mecanismo de transferência


de calor nos líquidos e gases devido ao facto de as moléculas
estarem muito afastadas.
VIBRAÇÃO MOLECULAR

• Quando é fornecido calor a um dos extremos as moléculas


aquecem e começam a vibrar mais vigorosamente.

•Neste processo a energia é passada de molécula a molécula


através dos choques entre moléculas vizinhas próximas.

•A molécula vizinha ganha energia e começa a vibrar com mais


força repetindo-se o ciclo.
Difusão livre dos electrões

• Esta forma de condução ocorre somente nos metais. Apenas os


metais tem electrões livres.

•Os electrões libertam-se da molécula quando são aquecidos. Vão


caminhando no sentido do lado mais frio.

•Vão colidindo com a molécula mais próxima, vizinha, transferindo a


energia para a molécula.
Comparação dos dois processos

Vibração Molecular Difusão livre dos electrões

Ocorre nos sólidos Ocorre unicamente nos metais

Processo lento Processo rápido


Lei de Fourier (uma-dimensão):

A energia térmica transferida por unidade de tempo, a taxa de


transferência de calor vêm:

q dT
= −k
A dx

O fluxo de calor, energia térmica transferida por unidade de tempo e

por unidade de área vem:


dT
q = −k
dx
Parede Plana

Aplicação da transferência de calor a um plano infinito de espessura ∆x e


condutividade térmica k.

T1

Em que T1 > T2
T2
0 ∆x

Aplicando a equação de Fourier:


dT
q = − KA
dx
Integrando em relação a x e considerando as seguintes condições fronteiras
T=T1 x=0 e T=T2 e x= ∆x
T1 − T2
q=K A
∆x
CONDUTIVIDADE TÉRMICA
 Condutividade Térmica – A constante de proporcionalidade k é a
propriedade física da substância chamada condutividade térmica.

 k tem as unidades de (Btu/h.ft.°F) ou (kcal/h.m.°C) ou (W/m.°K)

A condutividade é a propriedade física da transferência de calor da


mesma maneira que a viscosidade é a propriedade física da
transferência de momento.

A Condutividade térmica é uma propriedade que é dependente da


temperatura, no entanto, para muitos materiais esta pode ser
considerada constante. Nos casos em que é considerado uma
dependência esta é normalmente linear.
k = a + bT
Condutores e isolantes

Os materiais que transferem


facilmente o calor (por ex.
metais) são chamados de
condutores.

Os materiais que não


transferem facilmente o calor
(por ex. ar, água, plásticos) são
chamados de isolantes.
RESISTÊNCIA TÉRMICA

A quantidade de calor transferido pode ser definido em função do


gradiente de temperatura e de uma resistência.

∆T
q=
R
A resistência térmica da transferência de calor é pois dependente da
espessura da parede e da condutividade do material:

∆x
R=
AK
RESISTÊNCIAS EM SÉRIE

Considerando uma parede composta


: por materiais diferentes:

T1 T2 T3

K1 A
q1 = (T1 − T2 )
∆x1

k1 k2
K2 A ∆x1 ∆x2
q2 = (T2 − T3 )
∆x 2

Considerando que estamos em estado estacionário q1=q2

q=
∆TT (
T − T3
= 1
)
RT R1 + R2
Considerando as resistências em paralelo:
T1 > T2
q1 = ∆T1 = T1 − T2 k1
R1 R1
∆T2 T1 − T2 T1 T2
k2
q2 = =
R2 R2
∆x
qT =

A resistência Total (RT) :


1
1
= ∑R
RT i

 1 1  ∆T
q1 + q2 =∆T  +  =
 R1 R2  RT
Para uma tubagem cilíndrica a área de transferência vem :
A = 2π r l

Integrando em relação a x e considerando as seguintes condições


fronteiras T=T1 r=r1 e T=T2 e x= r2 , define-se área logarítmica média,
ALM como área de transferência de calor

A2 − A1 ∆r
Aml = R=
ln ( A2 / A1 ) Aml k m

∆T
q = Aml k m
∆r
II. Coeficientes Globais de Transferência de calor
Na condução pura consideramos as resistências em série, onde o principal interesse
era conhecer as temperaturas interna e externa das paredes.

Para a Convecção são tomados os mesmos princípios.

Considerando uma tubagem que transporta um fluido quente à temperatura T1.


Definindo as temperaturas das interfaces da seguinte maneira:
T1
T2
Isolamento

Líquido quente Ar T5
T3

Tubagem

T4
Perfil de Temperatura Qual o mecanismo de transferência de
T1 T2 T3 T4 T5 calor?

q1-2 = convecção; resistência do líquido


q2-3 = condução; resistência do tubo
q3-4 = condução; resistência do isolamento
q1 q2 q3 q4 q4-5 = convecção; resistência do ar

q = heAe (T5-T4) resistência externa (ar)

q = kisol Alm (T4-T3) / ∆risol Isolamento

q = ktubo Alm (T3-T2) / ∆rtubo Tubo

q = hiAi (T2-T1) Resistência interna (liquido quente)


(T5–T1) = (T5-T4) + (T4-T3) + (T3-T2) + (T2-T1)

(T5-T1) = q / UoAo da mesma maneira:

q q q ∆rIsol q ∆rTubo q
= + + +
U e Ae he Ae Alm k Isol Alm kTubo hi Ai

1 1 ∆rIsol ∆rTubo 1
= + + +
U e Ae he Ae Alm k Isol Alm kTubo hi Ai
O coeficiente global de transferência de calor pode ser calculado em
termos de diâmetro (considerando que não tem isolamento):

1 De De ( De − Di ) 1 1
= + + Ue =
U e Di hi DLM 2k w he 1 De ∆ r De
+ +
he D LM K w Di hi

onde kw é a condutividade térmica media do tubo (Do-Di )/2 é a


espessura do tubo
q = U e Ae ∆Tt
Permutadores de Tubos Concêntricos
Os permutadores de mais simples construção são os tubos
concêntricos

Co-corrente Contra-corrente

Permutador a funcionar em co-corrente o fluido frio e o fluido quente entra à


mesma cota, isto é, entram do mesmo lado do permutador, e circulam no mesmo
sentido.
Permutador a funcionar em contracorrente o fluido frio entra na cota oposta ao
fluido quente, isto é, entram em lados opostos ao permutador, e circulam em
sentidos contrários.
Metodologia para design dos permutadores de calor:
Método: Diferença de Temperatura Média Logarítmica – LMTD

A lei de Newton pode ser aplicada ao permutador de calor para


determinar a área necessária à transferência de calor, usando
o ∆Tml :
∆T1 − ∆T2
q = U e Ae ∆Tml ∆Tml =
∆T1
ln
∆T2
O ∆T1 será calculado à cota l=1, ou seja, à entrada do permutador;
Enquanto que,
O ∆T2 será calculado à cota l=2, ou seja, à saída do permutador.
Em ambos os casos, isto é, para o permutador a funcionar em co-corrente ou em
contracorrente, sendo os ∆T definidos como se segue.
Fluido Teq Teq + dTq
Quente Área de Transferência
de calor
Fluido Tef Tef + dT f
Frio

∆T1 = Teq − Tef


Teq Tquente
dTq ∆T2 = Tsq − Tsf

Tsq
Tsf

Tef dT f
T frio

Co-corrente
Fluido
Quente
Teq Teq + dTq
Área de Transferência
Fluido de calor
Frio Tef + dTf Tef

∆T1 = Teq − Tsf


∆T2 = Tsq − Tef
Teq Tquente dTq

Tsq
Tsf

T frio Tef
dT f

Contracorrente
Balanços entálpicos ao permutador

Qm frio
Tsq
Tef
A Área de
Qmquente Transo. de calor

Teq Tsf

Assumindo que não há perdas para o exterior, e que, o calor que


o fluido frio ganha é igual ao calor que o fluido quente perde:
q frio = Qm cp (Tsf − Tef )
qquente = Qm cp (Teq − Tsq )
q frio = qquente

No caso de um dos fluidos mudar de estado


q = Qm ∆H v
Transferência de calor por Convecção

Objectivos:
No final deverá ser capaz de :
- Usar as correlações empíricas para determinar os
coeficientes de calor
- Distinguir os coeficientes de calor individuais e a sua
influência no global.
-Calcular o coeficiente global de transferência de calor para
um sistema.
-Definir os limites de resistência e identificar cada um dos
tipos de convecção.
Convecção
- Transferência de energia entre uma superfície e um fluido
em movimento
- Ocorre nos líquidos e gases;

- A contribuição dominante para este tipo de transferência é


o movimento geral, de massa, das partículas do fluido;

- Não ocorre nos sólidos porque as moléculas não se podem


movimentar.

q = h A (Tsup erfície − T fluido ) Lei de Newton


Onde h é o coeficiente individual convecção de

transferência de calor e é obtido através de métodos

puramente empíricos.

Tipos de convecção:

Forçada

Natural

Mudança de fase
Relação entre a convecção e o escoamento sobre uma
superfície e as camadas limite hidrodinâmica e térmica.
O coeficiente de transferência de convecção é definido pela lei de Newton

q′
h=
(Ts − Tm )
O coeficiente de transferência de calor está relacionada com a
espessura da camada limite
q

Ts
δt
R=
Tm k
δt
y
x

q′ ≅
(Ts − Tm ) = K f (Ts − Tm ) = h(T − T ) → h ≈ K f
s m
R δt δt
A determinação do coeficiente de convecção não é um problema simples, pois além
de dependerem de diversas propriedades do fluido, como densidade, viscosidade,
condutividade térmica e calor específico, os coeficientes dependem também da
geometria da superfície e das condições de escoamento (tipo de regime). Esta
multiplicidade de variáveis independentes é uma consequência de a transferência
convectiva ser determinada pelas camadas limites que se desenvolvem à superfície.

-Camada limite cinética (hidrodinâmica) – Quando as partículas de um fluido entram


em contacto com uma superfície a velocidade que assumem é nula. Essas partículas
retardam o movimento que estão na camada vizinha do fluido, que por sua vez,
retardam a velocidade das camadas subsequentes, e assim sucessivamente, até que,
a uma distância y=δ da superfície, o efeito se torna desprezível. Com o aumento da
distância y à superfície, a componente x da velocidade do fluido, u, deve aumentar,
até atingir o valor de u∞da corrente livre. O símbolo ∞ é usado para indicar a as
condições da corrente livre, fora da camada limite. A grandeza δ define-se como a
espessura da camada limite.
-Camada limite térmica forma-se quando a diferença entre o fluido e a superfície são
diferentes. O perfil de temperatura é uniforme para T(y)=T∞ . No entanto, as partículas
do fluido que entram em contacto com a superfície ficam em equilíbrio térmico. Por
sua vez, essas partículas trocam energia com as da camada fluida adjacente
desenvolvendo assim gradientes de temperatura no fluido. A região do fluido na qual
existem esses gradientes de temperatura é a camada limite térmica e a sua
espessura é definida por δt
É possível demonstrar a relação entre a camada limite térmica e o coeficiente
convectivo. A superfície, para y=0 , o fluxo de calor pode ser obtido pela equação de
Fourier:

Esta expressão é apropriada pois, na superfície , não há


∂T movimento do fluido e a transferência de calor ocorre
q′ = − K f somente por condução. Combinando esta equação com
∂y y =0 a de Newton:

− K f ∂T ∂y y =0 Então, as condições na camada limite térmica, que


h= influenciam fortemente o gradiente de temperatura na
Ts − T∝ parede, determinam a taxa de transferência de calor
através da camada limite.

Uma vez que (Ts-T∞) é uma constante, independente de x, enquanto que δt aumenta
com x, os gradientes de temperatura da camada limite devem diminuir com o
aumento de x. Assim, q e h diminuem com o aumento de x
Em resumo, a camada limite cinética tem a espessura δ(x) e caracteriza-
se pela presença de velocidade e tensões de corte. A camada limite
térmica tem a espessura δt(x) e caracteriza-se pelos gradientes de
temperatura e pela transferência de calor. Para o engenheiro, as
principais manifestações das duas camadas limites são, respectivamente,
o atrito superficial e a transferência convectiva de calor. Os parâmetros
das camadas limites são então o coeficiente de atrito e o coeficiente de
transferência convectiva de calor.

No escoamento de um fluido sobre uma superfície existe sempre uma


camada limite cinética e, portanto, existe sempre atrito. No entanto, a
camada limite térmica, e portanto, a transferência convectiva de calor, só
existe se a superfície e a corrente livre tiverem temperaturas diferentes.
Relações empíricas para os coeficientes de transferência de calor

Os coeficientes são correlacionados usando


a análise dimensional.

Convecção forçada em tubos (fluxo turbulento)

h D  ρ v D   c p µ   µ 
  = f       Ludwig Prandtl (1875-1953)
 K   µ   K   µ s 

Nu = f (Re Pr Φ )

Wilhelm Nusselt (1882-1957)


Significado físico dos números adimensionais

ρvD O número de Reynolds Re, pode ser interpretado como a razão entre
Re =
µ a força de inércia e a força viscosa da camada limite.

cpµ A interpretação física do número de Prandtl decorre da sua definição


Pr =
K como a razão entre a difusividade do momento ν e a
difusividade térmica α . O número de Prandtl proporciona uma medida
da eficiência relativa do transporte de momento e do transporte de energia, por
difusão, nas camadas limites cinética e térmica, respectivamente.

h D O número de Nusselt é o gradiente de temperatura adimensional numa


Nu =
K superfície. O número de Reynols define-se em termos da condutividade
térmica de um fluido.

De3 ρ 2 ∆T β g
Gr = 2
O número de Grashoff proporciona a medida da razão entre a
µ a ascensão e as forças viscosas, na camada limite cinética.
Este número adimensional é característico da convecção natural, e o
seu papel é muito semelhante ao do número de Reynolds na convecção forçada.
Convecção forçada – as equações empíricas encontram-se em anexo

 Convecção forçada no interior de tubos

Convecção forçada no espaço anelar

Convecção forçada no exterior de tubos


A condensação de um fluido pode ser tipo gotícula ou tipo película, por
outras palavras em gotas ou formar uma camada uniforme de líquido. A
resistência da condensação tipo película é muito superior à condensação
tipo gotícula. Nos nossos dimensionamentos vamos considerar que temos
sempre condensação tipo película.

Fluido frio
Condensação em tubos verticais
0.25
 K f ρ f g ∆H v 
3 2

he = 0.943  
 L µ f ∆T 
 

T f = Tsv − 0.75∆T
∆T = Ts − Tsv
Condensação de vapores em tubos horizontais

Fluido frio

Fluido frio

0.25
 k ρ g∆H v 
3 2

he = 0.725  
f f
 N∆T D µ 
 e f 

onde N é o número de tubos em fila


Convecção Natural

Filme
Parede da tubagem

Nu = φ (Gr. Pr)

Neste caso o número de Nusselt é calculado em função do número


de Grashoff e Prandtl. Todas as propriedades são calculadas à
temperatura de filme. Ver anexo

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