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03 de janeiro de 2013, às 12h00min

Como conseguir um salário milionário: talvez você


esteja fazendo isso errado
Por que acreditamos que irão retornar aqueles empregos onde somos muito bem
pagos para fazer um trabalho que pode ser sistematizado?

Por Seth Godin

Na verdade existem duas recessões: a primeira é cíclica, aquela que inevitavelmente chega e
inevitavelmente vai embora. Foi provado que uma intervenção adequada pode encurtá-la, mas
também há indícios de que uma resposta exagerada pode resultar em desperdício ou até
agravar a situação. A outra recessão, porém, a que provoca a perda de todos os "bons trabalhos
de fábrica" e desemprego sistemático – essa eu temo que tenha vindo para ficar.

A internet espremeu as ineficiências de vários sistemas, e a habilidade de coordenar atividades


e digitalizar dados se combinam para eliminar um vasto número de cargos que a era industrial
criou. Por que acreditamos que irão retornar aqueles empregos onde somos muito bem pagos
para fazer um trabalho que pode ser sistematizado?

O que acontece hoje é uma corrida ao fundo do poço, onde comunidades suspendem
regulamentações ambientais e trabalhistas no esforço de se tornarem os fornecedores mais
baratos no mundo. O problema em competir nessa corrida ao fundo do poço é que
eventualmente você pode ganhar.

As fábricas foram o centro da era industrial. Prédios onde os trabalhadores se juntavam para
construir carros, utensílios, fazer apólices de seguros e transplantes de órgãos - essas são
atividades centradas no trabalho, onde ineficiências locais são superadas pelos lucros da
produção em massa. Se o trabalho local custa mais ao empresário, ele tem que pagar. Afinal,
que escolha ele tem?
Imagem: Shutterstock

Não mais. Se pode ser sistematizado, ele será. Se o intermediário pode encontrar uma fonte
mais barata, ele irá. Se o consumidor não-afiliado pode poupar um centavo clicando aqui ou ali,
isso irá acontecer. A ineficiência causada pela geografia era o que permitia a trabalhadores
locais receberem um salário melhor, e era a ineficiência de uma comunicação imperfeita que
permitia às companhias cobrarem preços maiores.

A era industrial, que começou com a revolução industrial, está deixando o palco. Ela não é mais
a força motriz da economia e é absurdo pensar que altos salários por um trabalho facilmente
substituível vão retornar. Isso representa uma grande descontinuidade, uma decepção forte para
pessoas trabalhadoras que procuram estabilidade, mas provavelmente não a conseguirão. É
uma recessão, a recessão de cem anos de crescimento do complexo industrial.

Eu não sou um pessimista, pois a nova revolução - a revolução da conectividade - cria modos
novos de produtividade e oportunidades. Porém, não para o trabalho repetitivo de fábrica e não
para os índices de empregabilidade. A maior parte da riqueza gerada por essa revolução não
toma a forma de um trabalho integral.

Quando todo mundo tem um laptop e uma conexão com o mundo, então todos possuem uma
fábrica. Ao invés de nos juntarmos fisicamente, nós temos a capacidade de nos aproximarmos
virtualmente, angariar atenção, conectando trabalho e recursos, e criando valor.

É desgastante? Claro que sim. Ninguém é treinado para isso, em iniciar, visualizar, resolver
problemas interessantes e então entregar. Alguns veem esse novo trabalho como uma colcha
de retalhos de pequenos projetos, uma imitação fajuta de um trabalho "de verdade". Outros
conseguem notar que essa é uma plataforma para um tipo de arte, um campo bem mais justo
onde a posse de uma empresa não é uma herança para uma pequena minoria, mas algo que
centenas de milhões de pessoas podem alcançar.

A situação vai mudar de qualquer forma. De um lado da economia, as expectativas diminuem e


muitos hambúrgueres são fritos. O outro lado é uma corrida ao topo, em que indivíduos, até
então esperando instruções, começam a dá-las.

O futuro tem cada vez mais traços do marketing - é improvisado, baseado em inovação e
inspiração, e envolve conexões entre pessoas - e menos traços do trabalho de fábrica, onde você
faz o que fez ontem, mas mais rápido e mais barato. Isso quer dizer que devemos alterar as
nossas expectativas, mudar o nosso treinamento e alterar a forma com a qual nós lidamos com
o futuro. Ainda assim, é bem melhor do que lutar por um status quo que não mais existe. As
boas notícias são claras: cada recessão longa é seguida de uma época de crescimento
baseada na próxima inovação, e assim segue...

A criação de trabalhos é um falso ídolo. O futuro é baseado em bicos e recursos e arte e uma
série dinâmica de parcerias e projetos. E ele vai mudar as fundações da nossa sociedade. Nós
não precisamos gostar dessa mudança, mas quanto mais cedo nós a notarmos e buscarmos
nos tornar eixos insubstituíveis nesse sistema, menor será a dor, e nós podemos voltar ao
trabalho que precisa (e agora pode) ser feito.

Essa revolução é, ao menos, tão grande quanto a última, e essa última mudou tudo.

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/como-conseguir-um-salario-milionario-
talvez-voce-esteja-fazendo-isso-errado/67725/

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