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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS

DEPARTAMENTO DE ECOLOGIA
LABORATÓRIO DE LIMNOLOGIA

DETERMINAÇÃO DO OXIGÊNIO DISSOLVIDO

MÉTODO DE WINKLER descrito em GOLTERMAN, H.L.; CLYMO, R.S. & OHNSTAO, M.AM.
1969. Methods for Physical and Chemical Analysis of Freshwaters. I.B.P. Handbook n° 6. Blackwell
Scientific Public.
Baseado na apostila de Ecologia Geral da Prof. Dra. Takako Matsumura Tundisi, 1984 (UFSCar).
Adaptado por Carolina Fiorillo Mariani, 2004.

INTRODUÇÃO

A medida do oxigênio dissolvido na água constitui um parâmetro de grande importância,


pois depende de uma série de fatores como a atividade das algas e dos vegetais (fotossíntese e
respiração), dos animais (respiração) e das bactérias (redução e oxidação), além da turbulência da
água.
A técnica mais utilizada é a descrita por Winkler, na qual o iodo liberado como um resultado
de reações que liga quimicamente o oxigênio dissolvido é medido quantitativamente através da
titulação com tiossulfato de sódio. Essa técnica foi descrita por Winkley (1888) e modificada por
Pomeroy e Kirshmam (1945) e até hoje é considerada a mais precisa e amplamente aceita.
O princípio desse método consiste no seguinte: o O2 combina com Mn(OH)2 formando
Mn(OH)4 que, com a subseqüente acidificação, na presença de iodeto libera I2 na quantidade
equivalente ao conteúdo original de O2 dissolvido presente na amostra.

COLETA A CAMPO

Os frascos usados em campo devem ser de vidro cor âmbar de 250 mL, de boa qualidade,
gargalo estreito e tampa de vidro esmerilhada. Os frascos precisam ser lavados previamente no
laboratório e aferidos quanto à sua capacidade volumétrica total. Para coleta de água superficial, o
próprio frasco de armazenamento pode ser utilizado. Já em profundidades, é utilizada a garrafa de
Van Dorn para transportar a água da profundidade desejada até a superfície.
Antes de encher o frasco com água a ser analisada, deve-se preocupar em lavar com água
da profundidade desejada (2 vezes). A água (amostra) deve ser colocada cuidadosamente de
modo a não provocar a formação de bolhas de ar durante o preenchimento, que poderão aerar a
água e causar uma medida errada de oxigênio dissolvido. Para que isso não ocorra, deve-se
inserir a ponta da mangueira da garrafa de Van Dorn até o fundo do frasco e controlar o fluxo de
água apertando a mangueira de borracha de saída da garrafa, com o objetivo de controlar a
pressão e causar pouca turbulência dentro do frasco. Na coleta de superfície, a inclinação do
frasco precisa ser controlada para evitar a formação de bolhas. Deve-se encher o frasco até a boca
e deixar que, ao colocar a tampa, a água em excesso seja descartada.
É muito importante e não se deve nunca esquecer de anotar o número do frasco, a
profundidade correspondente, o local e a estação na ficha de bordo.

REAGENTES PARA DETERMINAÇÃO DO OXIGÊNIO DISSOLVIDO PELO MÉTODO


DE WINKLER

1) KIO3 (iodato de potássio) 0,1 M ou 0,1 N


 Dissolver 3,567 g de KIO3 (seco a 105 °C) em água destilada
 Diluir para 1000 mL
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 Para diluir para 0,025 M, pipetar 250 mL da solução de 0,1 M e completar até 1000 mL
o volume com água destilada.

2) Na2S2O3 (tiossulfato de sódio) ~ 0,025 M


 Pesar 6,2 g de Na2S2O3.5H2O
 Acrescentar grãos de NaOH ou 1,0 g de Na2CO3
 Diluir para 1000 mL com água destilada desaerada (fervida por 15 mim e resfriada a
temperatura ambiente)
 Armazenar em frasco escuro

Padronização do Tiossulfato

Observação: A padronização deve ser feita semanalmente.

 Pipetar 5 mL de KIO3 0,025 N em frasco cônico contendo 100 mL de água destilada


 Adicionar 1,0 mL de solução de “azida”
 Adicionar 1,0 mL de H2SO4
 Titular com Na2S2O3 adicionando o amido como indicador.

Cálculo do volume: V.N = V’.N’

V = volume de KIO3
N = molariadade de KIO3
V’ = volume de tiossulfato gasto na titulação (~9,5 a 10 mL)
N’ = molaridade do tiossulfato

3) H3PO4 (s.g. = 1,75)

4) Solução de Iodo Alcalino – “Azida”


 Dissolver 400 g de NaOH em 560 mL de H2O
 Adicionar 900 g de NaI P.A.
 Manter a solução quente até que o NaI tenha se dissolvido completamente
 Resfriar a solução e diluir para 1000 mL
 Se necessário, decantar ou filtrar após estabilizada a solução por uma noite
 Adicionar a 1 L da solução alcalina, 300 mL de NaN 3 (azida sódica) a 2,5% (7,5 g de
NaN3/300 mL de H2O)

Observações: NaN3 é utilizada para eliminar a interferência de NO2- quando este está presente
acima de 5 mg.L-1.
Para melhor precisão, não misturar NaN3, já que essa substância interfere levemente na
reação entre IO3- e I-, incutindo um erro de aproximadamente 1%. Portanto, amostras com
concentração de NO2- superior a 5 mg.L-1 não podem ter concentração de oxigênio dissolvido
determinada com precisão.

5) MnSO4.5H2O 50%
 Dissolver 350 g de MnSO4.H2O em água
 Filtrar se necessário
 Completar o volume para 1000 mL

6) Indicador – Amido 1,0%


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 Colocar 1,0 g de amido em 100 mL de água


 Elevar a temperatura de 80 para 90 °C e agitar bem
 Esfrie e adicione 0,1 g de ácido salicílico

Observação: Para a preparação das soluções acima descritas, é importante observar as


fórmulas dos reagentes. Caso contrário pode ocorrer erro na molaridade das soluções e
necessidade de se recalcular.

PROCEDIMENTO

Todo procedimento deve ser executado na ausência de raio solar direto.

No campo

1) Após o acondicionamento da amostra de água no frasco de coleta, adicionar 2,0 mL de MnSO 4,


justamente abaixo do gargalo do frasco
2) Adicionar 2,0 mL da solução de azida, na superfície do frasco. Para tanto, deve-se usar uma
pipeta de ponta fina cortada ou uma seringa hipodérmica.
3) Recolocar a tampa do frasco, cuidadosamente, para que não forme bolha de ar, e agitar várias
vezes invertendo o frasco (± 10 segundos).
4) Quando o percipitado (~ 1/3 do frasco) estabilizar no fundo, agitar novamente, permitindo,
assim, a precipitação completa e deixando o sobrenadante bem claro.
5) Conservar os frascos com amostras em caixa de isopor, na ausência de luz.

No laboratório

1) Adicionar 2,0 mL de H2SO4


2) Recolocar a tampa e agitar o conteúdo. Bolhas de O2 podem se formar nesta etapa, mas não
tem importância
3) Normalmente, o precipitado dissolverá quase que instantaneamente. Se isso não ocorrer, deixe
por alguns minutos descansando e agite novamente
4) Deixar os frascos no escuro e aguardar 30 min.

Titulação com tiossulfato

1) Transferir 100 mL da amostra de água para frascos cônicos de 250 mL com réplica
2) Titular com a solução de tiossulfato até que haja a “virada” para incolor
3) Usar como indicador ± 2,0 mL da solução de amido

As reações que se processam são as seguintes:

MnSO4 + NaOH → Mn(OH)2 + K2SO4


Mn(OH)2 + O2 + 2 H2O → 2 Mn(OH)4
3 Mn(OH)4 + 4 H3PO4 → Mn3(PO4)4 + 12 H2O
6 Mn(PO4)4 + 6 KI → Mn3(PO4) + 2 K3PO4 + 3 I2
4 Na2S2O3 + 2 I2 → 2 Na2S4O6 + 4 NaI
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Cálculo do Oxigênio dissolvido na água

A partir do volume titulado, calcula-se a concentração de oxigênio dissolvido a partir da


seguinte fórmula:

VT ( mL)  N  8  1000
OD( mg L1 ) 
 vol. frasco  4 
V A (mL)   
 vol. frasco 

Onde,
OD (mg L) é a concentração de Oxigênio Dissolvido em mg L-1;
VT é o volume de tiossulfato gasto na titulação;
N é a normalidade da solução de tiossulfato;
VA é o volume de amostra usado na titulação.

Observação: todos os volumes, na fórmula, são expressos em mL e corrigidos pelo fator 1000
para gerar a concentração do oxigênio em L.

A porcentagem de saturação de oxigênio na água depende da temperatura da água e da


pressão atmosférica. Quanto menor a temperatura, maior a quantidade de oxigênio dissolvido a
água consegue reter. A relação entre porcentagem de saturação e pressão atmosférica é também
inversamente proporcional à saturação. Essas relações entre saturação de oxigênio com pressão
atmosférica e temperatura são tabeladas e existem índices para o cálculo da porcentagem de
saturação para cada temperatura e pressão atmosférica específicas (Tabelas 1 e 2).
Com o auxílio desses índices, a seguinte fórmula é empregada para o cálculo da
porcentagem de saturação do oxigênio dissolvido:

OD (mg L1 )  100


% saturação 
S  Px
760

onde:
OD é a concentração de oxigênio dissolvido em mg L-1.
S = solubilidade do oxigênio dependente da temperatura à pressão de 760 mmHg (Tabela 1), e
Px = pressão atmosférica do local de coleta (Tabela 2).
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Tabela 1. Solubilidade de O2 na água em equlíbrio com o ar à pressão de 760 mmHg e


100% de umidade relativa (de Montgomety, Thom e Cockburn, 1964, apud Golterman et al. 1969).
Temperatura Temperatura
da amostra Solubilidade da amostra Solubilidade
(°C) (mg/l) (°C) (mg/l)
0 14,63 18 9,45
1 14,23 19 9,27
2 13,84 20 9,08
3 13,46 21 8,91
4 13,11 22 8,74
5 12,77 23 8,57
6 12,45 24 8,42
7 12,13 25 8,26
8 11,84 26 8,12
9 11,55 27 7,97
10 11,28 28 7,84
11 11,02 29 7,70
12 10,77 30 7,57
13 10,53 31 7,45
14 10,29 32 7,33
15 10,07 33 7,21
16 9,86 34 7,09
17 9,65 35 6,98

Tabela 2. Variação da pressão atmosférica média com a altitude (Dussart e Francis-Boeuf,


1949 apud Golterman et al. 1969).
Pressão Pressão
Altitude atmosférica Altitude atmosférica
(m) média (mmHg) Fator (m) média (mmHg) Fator
0 760 1,00 1300 647 1,17
100 750 1,01 1400 639 1,19
200 741 1,03 1500 631 1,20
300 732 1,04 1600 623 1,22
400 723 1,05 1700 615 1,24
500 714 1,06 1800 608 1,25
600 705 1,08 1900 601 1,26
700 696 1,09 2000 594 1,28
800 687 1,11 2100 587 1,30
900 679 1,12 2200 580 1,31
1000 671 1,13 2300 573 1,33
1100 663 1,15 2400 566 1,34
1200 655 1,16 2500 560 1,36

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