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OS 7

FILÓSOFOS
QUE MAIS CAEM
NO ENEM

TEORIA, QUESTÕES COMENTADAS E DICAS IMPORTANTES

CUIABÁ/MT
Janeiro de 2020
Lionês Araújo dos Santos
1
Sumário

Apresentação

AUTOR 1
1-Platão.......................................................................................................03
1.1-Questão comentada...............................................................................04
1.2-Referência Bibliográfica.......................................................................04

AUTOR 2
2-Aristóteles...............................................................................................05
2.1-Questão comentada..............................................................................06
2.2-Referência Bibliográfica......................................................................06

AUTOR 3
3-René Descartes.......................................................................................07
3.1-Questão comentada..............................................................................08
3.2-Referência Bibliográfica......................................................................08

AUTOR 4
4-Immanuel Kant......................................................................................09
4.1-Questão comentada..............................................................................10
4.2-Referência Bibliográfica......................................................................10

AUTOR 5
5-Norberto Bobbio.....................................................................................11
5.1-Questão comentada..............................................................................12
5.2-Referência Bibliográfica......................................................................12

AUTOR 6
6-Jurgen Habermas...................................................................................13
6.1-Questão comentada..............................................................................14
6.2-Referência Bibliográfica......................................................................14

AUTOR 7
7-Montesquieu...........................................................................................15
7.1-Questão comentada..............................................................................16
7.2-Referência Bibliográfica......................................................................16
8-Dicas importantes...................................................................................17
9-Sobre o Autor..........................................................................................18
Lionês Araújo dos Santos
2

Apresentação

Com o objetivo de ajudar candidatos do ENEM a melhorarem seus


resultados na prova, escrevi esse ebook sobre os autores que mais caem na
prova, desde o primeiro Exame. O PDF traz a teoria resumida e as questões
que foram cobradas nas provas anteriores, todas comentadas de forma
objetiva. Ao final do ebook, dou ainda dicas, mostrando algumas estratégias
eficientes relacionadas aos temas mais cobrados em filosofia e a forma mais
eficaz de resolução das questões. Este PDF sai por um valor simbólico de
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Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 1
1-Platão

PLATÃO, o discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles. Após a


morte de seu mestre, Sócrates, Platão fez muitas viagens, ampliando sua
cultura e suas reflexões. Por volta de 387 a.C., Platão fundou sua própria
escola de filosofia que ficou conhecida como Academia.
Segundo Platão, os sentidos só podem nos fornecerem o conhecimento
das sombras da realidade e, através disso, só conseguimos ter opiniões, um
conhecimento imperfeito das coisas. Segundo ele, o conhecimento
verdadeiro se consegue através da dialética, que é a arte de colocar à prova
todo conhecimento adquirido, purificando-o de toda imperfeição para atingir
a verdade. Cada opinião emitida é questionada até que se chegue à verdade.
Platão é bastante conhecido por sua teoria das ideias. Ele acredita que;
aprisionado no seu corpo, o homem só consegue enxergar as sombras e não a
realidade em si. Para explicar isso, Platão criou a Alegoria da Caverna.
Podemos resumir essa história da seguinte forma:
Há homens presos, desde meninos, por correntes nos pés e no pescoço,
com o rosto voltado para o fundo da Caverna. Próximo à entrada da
caverna desfila-se com muitos objetos diferentes, cujas sombras são
projetadas pela luz do Sol na parede do fundo. Os prisioneiros contemplam
as sombras, pensando tratar-se da realidade, pois é a única que conhecem.
Um dos prisioneiros consegue escapar, e, voltando-se para a entrada da
caverna, num primeiro momento tem sua vista ofuscada pela luz intensa,
mas aos poucos ele se acostuma e começa a descobrir que a realidade é bem
diferente daquela que ele conheceu a vida toda, por meio das sombras. Esse
homem se compadece dos companheiros da prisão e volta para lhes
anunciar aquilo que contemplara. Ele é chamado de louco e é morto pelos
companheiros. [Conferir o texto no livro VII de A república, de Platão].
Lionês Araújo dos Santos
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1.1-Questão comentada

1-Questão – ENEM
No centro da imagem do afresco “A Escola de Atenas”, o filósofo Platão é
retratado apontando para o alto. Esse gesto significa que o conhecimento se
encontra em uma instância na qual o homem descobre a:

A) Suspensão do juízo como reveladora da verdade.


B) Realidade inteligível por meio do método dialético.
C) Salvação da condição mortal pelo poder de Deus.
D) Essência das coisas sensíveis no intelecto divino.
E) Ordem intrínseca ao mundo por meio da sensibilidade.

2-Respondendo a questão: Para Platão, o conhecimento verdadeiro


encontra-se no plano superior, na realidade inteligível e é alcançado por
meio do método dialético. Eis o motivo do filósofo apontar para o alto,
enquanto que seu discípulo, Aristóteles, de forma oposta, aponta para baixo,
para a realidade sensível. Gabarito: B.

1.2-Referência Bibliográfica

PLATÃO. A República. São Paulo, SP: Nova Cultural, 2000.

PLATÃO. Timeu-Crítias. Coimbra: CECH, 2011.

ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo:


Odysseus, 2012.
Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 2
2-Aristóteles

Aristóteles, o discípulo de Platão que seguiu rumo próprio, com uma


filosofia bem diferente do mestre. Enquanto Platão utilizou os diálogos,
Aristóteles foi um sistematizador. Embora ele também tenha escrito diálogos,
o que chegou até nós foi apenas uma parte das suas obras produzidas em
forma descritiva e ordenada.
Aristóteles foi o mentor de Alexandre Magno, na corte de Pela, e isso
facilitou suas pesquisas, pois, quando Alexandre expandiu o império
Macedônico, o filósofo teve mais acesso às informações sobre formas de
governo e sobre o mundo natural (dos quais, Aristóteles fez as primeiras
classificações conhecidas).
Quando Alexandre subiu ao trono na Macedônia, Aristóteles deixou a
corte de Pela e voltou para Atenas, onde fundou sua própria escola de
filosofia, próxima ao templo de Apolo Liceano (por isso passou a se chamar
LICEU), seguindo orientação diferente da Academia de Platão que, nesse
tempo, era dirigida por Xenócrates. A Academia de Platão era mais voltada
para Matemática e Filosofia, enquanto que o Liceu de Aristóteles se
dedicava principalmente às Ciências Naturais.
Aristóteles é bastante conhecido pela teoria das 4 causas do Ser: causa
Material, causa Formal, causa Eficiente e causa Final.
Podemos resumir essa teoria da seguinte forma:
1. Material: responde à pergunta do que é feita alguma coisa.
2. Formal: responde à pergunta como uma coisa é feita? É o ato ou
perfeição pelo qual uma coisa é o que é.
3. Eficiente: responde à pergunta quem fez? Trata-se do agente ou
princípio do qual resulta a coisa.
4. Final: responde à pergunta para que é feita? Trata-se do objetivo que
move o agente a atuar sobre tal coisa.
Lionês Araújo dos Santos
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2.1-Questão comentada

2-Questão – ENEM
A felicidade é, portanto, a melhor, a mais nobre e a mais aprazível coisa do
mundo, e esses atributos não devem estar separados; como na inscrição
existente em Delfos, ―das coisas, a mais nobre é a mais justa, e a melhor é a
saúde; porém a mais doce é ter o que amamos. Todos estes atributos estão
presentes nas mais excelentes atividades, e entre essas a melhor nós
identificamos como a felicidade.

ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. Das Letras, 2010.

Ao reconhecermos na felicidade a reunião dos mais excelentes atributos,


Aristóteles a identifica como:

A) Busca por bens materiais e títulos de nobreza.


B) Plenitude espiritual e ascese pessoa.
C) Finalidade das ações e condutas humanas.
D) Conhecimento de verdades imutáveis e perfeitas.
E) Expressão do sucesso individual e reconhecimento político.

2-Respondendo a questão: Para Aristóteles, o fim último da vida humana é


ser feliz. A conquista da felicidade é o objetivo maior, causa final da
existência humana. No entanto, bens materiais, sucesso e reconhecimento,
em si não é o suficiente para alcançar a felicidade. A felicidade só é possível
ao Homem justo, que busca a virtude. Gabarito: C.

2.2-Referência Bibliográfica

ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Cia. Das Letras, 2010.

ARISTÓTELES. Ética à Nocômaco. In: OS Pensadores. São Paulo: Nova


Cultural, 1991 (adaptado).
Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 3
3-René Descartes

René Descartes é o principal representante da Filosofia Moderna e do


Racionalismo. Descartes criou a teoria da dúvida metódica que ficou célebre
na frase: “penso, logo existo”. Descartes estava desiludido com o que tinha
aprendido até então nos estudos e na vida, depois de perceber que havia
muito engano. Foi aí que ele se tornou uma pessoa desconfiada, mas que não
ficou só nisso: Descartes resolveu construir algo diferente, uma nova ciência
que garantisse um conhecimento sólido e verdadeiro, inabalável.
Esse é um procedimento básico tanto em filosofia como nas ciências em
geral: uma ideia falsa ou incerta não pode ser o fundamento de uma boa
explicação, assim como alicerces de gelo ou de gesso não podem sustentar
uma boa construção. Neste ponto você pode estar se perguntando: “mas
como Descartes distinguia entre o certo e o duvidoso? Que critério ele
utilizava?” A resposta pode ser encontrada na obra Discurso do Método, na
qual Descartes prescreve a seguinte norma de conduta para si mesmo:
[...] jamais acolher alguma coisa como verdadeira que eu não conhecesse
evidentemente como tal; isto é, de evitar cuidadosamente a precipitação e a
prevenção, e de nada incluir em meus juízos que não se apresentasse tão
clara e tão distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma
ocasião de pô-lo em dúvida. [conferir no Discurso do Método].
Descartes começa seu exercício da dúvida questionando os sentidos
como fonte segura de conhecimento. Ele acredita que as percepções
sensoriais não é confiável, pois muitas vezes elas nos enganam. Sendo assim,
ele acreditava que não seria possível fundar uma ciência universal, aplicável
a tudo o que existe – que era sua pretensão –, baseando-se nas percepções
sensoriais. É preciso a dúvida metódica, guiada pelo pensamento.
Lionês Araújo dos Santos
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3.1-Questão comentada

3-Questão – ENEM
Nunca nos tornaremos matemáticos, por exemplo, embora nossa memória
possua todas as demonstrações feitas por outros, se nosso espírito não for
capaz de resolver toda espécie de problemas; não nos tornaríamos filósofos,
por ter lido todos os raciocínios de Platão e Aristóteles, sem poder formular
um juízo sólido sobre o que nos é proposto. Assim, de fato, pareceríamos ter
aprendido, não ciências, mas histórias.

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

Em sua busca pelo saber verdadeiro, o autor considera o conhecimento, de


modo crítico, como resultado da:

A) Investigação de natureza empírica.


B) Retomada da tradição intelectual.
C) Imposição de valores ortodoxos.
D) Autonomia do sujeito pensante.
E) liberdade do agente moral.

3-Respondendo a questão: Descartes é considerado o fundador do


racionalismo moderno. Sua teoria do “cógito, ergo sun” (penso, logo existo),
estabelece a autonomia do sujeito pensante, ou seja, do homem como um Ser
pensante, dotado de razão. Gabarito: D.

3.2-Referência Bibliográfica

DESCARTES, R. Regras para a orientação do espírito. São Paulo: Martins


Fontes, 1999.

DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São


Paulo: Abril Cultura, 1973.

DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979.


Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 4
4-Immanuel Kant

Immanuel Kant é considerado o maior filósofo do Iluminismo alemão e


um dos principais pensadores de todos os tempos. Em seu texto O que é
ilustração (O que é Esclarecimento) Kant sintetiza seu otimismo em relação
à possibilidade de o ser humano guiar-se por sua própria razão, sem se
deixar enganar pelas crenças, tradições e opiniões alheias. No artigo, Kant
descreve o processo de ilustração (esclarecimento) como a saída do ser
humano de sua “menoridade”, ou seja, um momento em que o indivíduo,
como uma criança que cresce e amadurece, torna-se consciente da força e da
independência (autonomia) de sua inteligência para fundamentar sua
própria maneira de agir, sem a tutela ou direção de outrem.
O Esclarecimento (Aufklärung, em alemão) é a saída do homem de sua
menoridade, da qual ele é o próprio responsável. A menoridade é a
incapacidade de fazer uso do entendimento sem a condução de um outro. O
homem é o próprio culpado dessa menoridade quando sua causa reside não
na falta de entendimento, mas na falta de resolução e coragem para usá-lo
sem a condução de um outro. Sapere aude! [Ousai saber!]. “Tenha coragem
de usar seu próprio entendimento!” – esse é o lema da ilustração.
A menoridade é compreendida por Kant como a "incapacidade de fazer
uso do entendimento sem a direção de outro indivíduo". Kant também afirma
que é difícil para "um homem em particular desvencilhar-se da menoridade".
Kant formulou ainda o que nomeou de estrutura da razão, constituída
essa pela estrutura da sensibilidade, do entendimento e da razão.
Os estudos de Kant partiram da investigação sobre as condições nas
quais se dá o conhecimento. Na sua obra Crítica da Razão Pura, Kant
formulou uma síntese entre sujeito e objeto, mostrando que, ao
conhecermos a realidade do mundo, participamos da sua construção mental.
Ele realizou algo semelhante à Revolução Copernicana, ao propor que todo o
conhecimento é regulado pelas formas a priori de nosso conhecimento, ou
seja, o sujeito é o centro do processo de conhecimento e não mais os objetos.
Lionês Araújo dos Santos
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4.1-Questão comentada

4-Questão – ENEM
Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é
culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento
sem a direção de outro indivíduo. O homem é o próprio culpado dessa
menoridade se a causa dela não se encontra na falta de entendimento, mas na
falta de decisão e coragem de servir-se de si mesmo sem a direção de
outrem. Tem coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o
lema do esclarecimento. A preguiça e a covardia são as causas pelas quais
uma tão grande parte dos homens, depois que a natureza de há muito os
libertou de uma condição estranha, continuem, no entanto, de bom grado
menores durante toda a vida. [KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento?
Petrópolis: Vozes, 1985 (adaptado).]
Kant destaca no texto o conceito de Esclarecimento, fundamental para a
compreensão do contexto filosófico da Modernidade. Esclarecimento, no
sentido empregado por Kant, representa:
A) A reivindicação de autonomia da capacidade racional como expressão da
maioridade.
B) O exercício da racionalidade como pressuposto menor diante das
verdades eternas.
C) Imposição de verdades matemáticas, com caráter objetivo, de forma
heterônoma.
D) Compreensão de verdades religiosas que libertam o homem da falta de
entendimento.
E) A emancipação da subjetividade humana de ideologias produzidas pela
própria razão.
4-Respondendo a questão: Para Kant, “esclarecimento é a saída do Homem
de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a
incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro
indivíduo”. Dessa forma, o esclarecimento representa a reivindicação de
autonomia da capacidade racional como expressão da maioridade. “Sapere
aude” = “ouse saber”, dizia Kant. Gabarito: A.
4.2-Referência Bibliográfica
KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1994.
KANT, I. Resposta à pergunta: o que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes,
1985 (adaptado).
KANT, I. Fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Abril
Cultural, 1980.
Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 5
5-Norberto Bobbio

Norberto Bobbio foi um importante jurista, político e filósofo italiano.


Para Bobbio, o conceito moderno de política está estreitamente ligado ao de
poder. Partindo do meio do qual o indivíduo se serve para conseguir os
efeitos desejados, podemos destacar três formas básicas de poder social,
conforme a análise de Norberto Bobbio:
• Poder econômico – é aquele que utiliza a posse de bens socialmente
necessários para induzir os que não os possuem a adotar certos
comportamentos, por exemplo: realizar determinado trabalho.
• Poder ideológico – é aquele que utiliza a posse de certas ideias, valores,
doutrinas para influenciar a conduta alheia, induzindo as pessoas a
determinados modos de pensar e agir.
• Poder político – é aquele que utiliza a posse dos meios de coerção social,
isto é, o uso da força física considerada legal ou autorizada pelo direito
vigente na sociedade. Essas três formas de poder apresentam algo em
comum: “[...] elas contribuem conjuntamente para instituir e manter
sociedades de desiguais divididas em fortes e fracos, com base no poder
político; em ricos e pobres, com base no poder econômico; em sábios e
ignorantes, com base no poder ideológico. Genericamente, em superiores e
inferiores”. (Conferir: Bobbio, Estado, governo, sociedade, p. 83.)
O poder econômico preocupa-se em garantir o domínio da riqueza
controlando a organização das forças produtivas (por exemplo: o tipo de
produção e o alcance de consumo das mercadorias). O poder ideológico
preocupa-se em garantir o domínio sobre o saber (conhecimentos, doutrinas,
informações) controlando a organização do consenso social (exemplo: os
meios de comunicação de massa – televisão, jornais, rádios, revistas etc.). O
poder político preocupa-se em garantir o domínio da força institucional e
jurídica controlando os instrumentos de coerção social (exemplo: forças
armadas, órgãos legislativos, órgãos de fiscalização, polícia, tribunais etc.).
Lionês Araújo dos Santos
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5.1-Questão comentada

5-Questão – ENEM
PROPAGANDA - O exame dos textos e mensagens de Propaganda revela
que ela apresenta posições parciais, que refletem apenas o pensamento de
uma minoria, como se exprimissem, em vez disso, a convicção de uma
população; trata-se, no fundo, de convencer o ouvinte ou o leitor de que, em
termos de opinião, está fora do caminho certo, e de induzi-lo a aderir às teses
que lhes são apresentadas, por um mecanismo bem conhecido da psicologia
social, o do conformismo induzido por pressões do grupo sobre o indivíduo
isolado.

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política.


Brasília: UnB, 1998. (adaptado).

De acordo com o texto, as estratégias argumentativas e o uso da linguagem


na produção da propaganda favorecem a:

A) Reflexão da sociedade sobre os produtos anunciados.


B) Difusão do pensamento e das preferências das grandes massas.
C) Imposição das ideias e posições de grupos específicos.
D) Decisão consciente do consumidor a respeito de sua compra.
E) Identificação dos interesses do responsável pelo produto divulgado.

5-Respondendo a questão: A propaganda tem a intenção de persuadir o


consumidor, impondo ideias e, dessa forma, representando os interesses de
grupos específicos detentores (nesse caso de poder econômico) mas, também,
poderá relacionar à formas de poder ideológico e poder político.Gabarito:C.

5.2-Referência Bibliográfica

BOBBIO, N. Estado, Governo, Sociedade: para uma teoria geral da política.


São Paulo: Paz e Terra, 1999 (adaptado).

BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política.


Brasília: UnB, 1998. (adaptado).
Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 6
6-Jurgen Habermas

Jurgen Habermas é um dos pensadores de maior influência nas últimas


décadas. Ele iniciou sua trajetória intelectual na Escola de Frankfurt. A
Escola de Frankfurt manifestou interesse especial na sociedade de massa
(termo que caracteriza a sociedade atual), na qual – para esses filósofos – o
avanço tecnológico foi colocado a serviço da reprodução da lógica
capitalista, ao mesmo tempo em que o consumo e a diversão passaram a ser
promovidos como formas de garantir o apaziguamento e a diluição dos
problemas sociais.
Rompendo com a teoria marxista em alguns de seus pontos fundamentais
- por exemplo, a centralidade do trabalho e a identificação do proletariado
como agente da transformação social-, Habermas elabora, como nova
perspectiva, outro conceito de razão: a razão dialógica, isto é, aquela que
brota do diálogo e da argumentação entre os agentes interessados, em
determinada situação. Para Habermas, trata-se, portanto, da razão que surge
da chamada ação comunicativa, do uso da linguagem e da conversação
como meio de conseguir o consenso. Para tanto, é necessária uma ação
social que fortaleça as estruturas capazes de promover as condições de
liberdade e de não constrangimento, imprescindíveis ao diálogo.
Para Habermas, razão e verdade deixam de constituir conteúdos ou
valores absolutos e passam a ser definidas consensualmente. Sua validade
será tanto maior quanto melhores forem as condições nas quais se dê o
diálogo, o que se consegue com o aperfeiçoamento da democracia.
É importante lembrar que, para Habermas, “o projeto da modernidade
ainda não foi cumprido”. Ou seja, o potencial para a racionalização do
mundo ainda não está esgotado. por isso Habermas costuma ser descrito
como “o último grande racionalista”.
Lionês Araújo dos Santos
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6.1-Questão comentada

6-Questão – ENEM
O conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a
partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação.
A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões
políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então
decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de
ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão.
VITALE, D. Jurgen Habermas, modernidade e democracia deliberativa.
Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado).

O conceito de democracia proposto por Jurgen Habermas pode favorecer


processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para
que isso aconteça o(a):
A) Participação direta periódica do cidadão.
B) Debate livre e racional entre cidadãos e Estado.
C) Interlocução entre os poderes governamentais.
D) Eleição de lideranças políticas com mandatos temporários.
E) Controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos.

6-Respondendo a questão: Habermas é o grande defensor da teoria da


democracia deliberativa. Para Habermas, as decisões devem ser tomadas a
partir do amplo debate, no qual todos os cidadãos possam participar de
forma livre e racional. Desse modo, as decisões políticas são uma
deliberação precedida por reflexão e que pode, segundo Habermas, favorecer
processos de inclusão social.
Gabarito: B.

5.2-Referência Bibliográfica

HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo:


Loyola, 2002.

HABERMAS, J. A constelação pós-nacional: ensaios políticos. São Paulo:


Littera Mundi, 2001 (adaptado).

HABERMAS. J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro:


Tempo Brasileiro, 1989.
Lionês Araújo dos Santos
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AUTOR 7
7-Montesquieu

Montesquieu é considerado como o teórico da separação dos Poderes.


É sua a ideia da necessidade de divisão entre Poder Judiciário, Legislativo e
Executivo, ideia esta que, ainda hoje, é defendida e vigora na Constituição
da grande maioria dos países democráticos.
Montesquieu é o autor da célebre obra: O Espírito das Leis. Nessa obra,
formulou a teoria da separação dos Poderes do Estado em Legislativo,
Executivo e Judiciário, como forma de evitar abusos dos governantes e de
proteger as liberdades individuais. Para ele, todo indivíduo investido de
poder é tentado a abusar dele, e haveria grandes riscos de tirania “se uma
mesma pessoa – ou uma mesma instituição do estado – exercesse os três
poderes: o de fazer as leis, o de ordenar a sua execução e o de julgar os
conflitos entre os cidadãos” [Conferir O espírito das Leis, p. 168].
Segundo Montesquieu, a divisão e a independência entre os poderes são
condições necessárias para que possa haver liberdade em um Estado. Isso
pode ocorrer apenas sob um modelo político em que haja o estabelecimento
de limites aos atores públicos e às instituições do governo.
"Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que
o poder seja contido pelo poder. Tudo estaria perdido se o mesmo homem
ou o mesmo corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse
esses três poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o
de julgar os crimes ou as divergências dos indivíduos. Assim, criam-se os
poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, atuando de forma independente
para a efetivação da liberdade, sendo que esta não existe se uma mesma
pessoa ou grupo exercer os referidos poderes concomitantemente".
É importante ressaltar que o Brasil adotou o modelo da tripartição dos
Poderes proposta pelo pensador francês. Segundo nossa Lei Maior (a
Constituição Federal de 1988), os Poderes da União – do país Brasil – são: o
Executivo, o Legislativo e o Judiciário.
Lionês Araújo dos Santos
16
7.1-Questão comentada

7-Questão – ENEM
Para que não haja abuso, é preciso organizar as coisas de maneira que o
poder seja contido pelo poder. Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o
mesmo corpo dos principais, ou dos nobres, ou do povo, exercesse esses três
poderes: o de fazer leis, o de executar as resoluções públicas e o de julgar os
crimes ou as divergências dos indivíduos. Assim, criam-se os poderes
Legislativo, Executivo e Judiciário, atuando de forma independente para a
efetivação da liberdade, sendo que esta não existe se uma mesma pessoa ou
grupo exercer os referidos poderes concomitantemente.

MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. São Paulo Abril Cultural,


1979 (adaptado).

A divisão e a independência entre os poderes são condições necessárias para


que possa haver liberdade em um Estado. Isso pode ocorrer apenas sob um
modelo político em que haja:

A) Exercício de tutela sobre atividades jurídicas e políticas.


B) Consagração do poder político pela autoridade religiosa.
C) Concentração do poder nas mãos de elites técnico-científicas.
D) Estabelecimento de limites aos atores públicos e às instituições do
governo.
E) Reunião das funções de legislar, julgar e executar nas mãos de um
governante eleito.

07-Respondendo a questão: Para Montesquieu, a liberdade está no


estabelecimento de limites e tripartição dos poderes. Para ele, não haveria
liberdade em um Estado se o mesmo “corpo de principais” ou dos nobres, ou
do povo exercesse esses três poderes. Dessa forma, apenas assegurando a
tripartição e o estabelecimento de limites à participação dos atores públicos e
as instituições de governo, estará assegurada a liberdade em um Estado.
Gabarito: D.

7.2-Referência Bibliográfica

MONTESQUIEU, B. Do espírito das leis. São Paulo Abril Cultural, 1979


(adaptado).
Lionês Araújo dos Santos
17

Dicas importantes
Dentre os autores com maior probabilidade de cair no ENEM, recomendo
que fique atento, em especial, para os pré-socráticos: Tales de Mileto,
Demócrito, Heráclito e Parmênides, e os três clássicos: Sócrates, Platão e
Aristóteles; os modernos: René Descartes, David Hume, Immanuel Kant,
Nicolau Maquiavel, Thomas Hobbes, Jonh Locke, Rousseau, Montesquieu;
os Contemporâneos: Jurgen Habermas, Norberto Bobbio, Michel Foucault,
Karl Marx, Friedrich Nietzsche, dentre outros que apareceram nas questões.
Vale lembrar também que pode ser citado ainda algum autor pouco
conhecido, principalmente, da filosofia contemporânea.

Na resolução das questões do ENEM, atente para considerar como grande


probabilidade de estarem certas as respostas que tendem a afirmar como
corretos os seguintes posicionamentos:

- Respeito aos direitos humanos, a diversidade e ao meio ambiente.


- Defesa da democracia, da ética, da justiça e da paz.
- Postura crítica e autonomia intelectual.
- Senso de coletividade e inclusão.

Essas temáticas são bastante recorrentes nas provas do ENEM e muito


valorizadas pela banca avaliadora.
Lionês Araújo dos Santos
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Sobre o Autor

Lionês Araújo dos Santos


Bacharel e Licenciado em Filosofia pela UFMT.
Pós-Graduado em Processo Legislativo/AVM.
Pós-Graduado em Administração Pública/UCAM.
Mestre em Estudos de Cultura Contemporânea pelo ECCO/UFMT.
Professor de Filosofia concursado na Rede Estadual de Ensino/SEDUC-MT.
Ex-professor interino de Filosofia da Ciência e Filosofia do Direito da UFMT.
Curriculum: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4113193E8
Página no Facebook: https://www.facebook.com/enemfilosofia
E-mail: lionessantos@hotmail.com
Twitter: @lionessantos
Instagram: @filosofia.enem
Lionês Araújo dos Santos
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Garanta também uma boa nota na redação!

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