Você está na página 1de 6

A Dialética Simbólica

Estrutura:
1- Dois estudos teóricos.
2- Análise de 4 filmes.

Notas:
1- Por que este livro é filosófico? “Mas é filosófico e não
pode ser nenhuma outra coisa o ensaísmo que, na
variedade dos temas e problemas, busque ocasião para
sondar os princípios fundantes de toda certeza, como quem
retorna sistematicamente ao centro desde mil e um pontos
de uma circunferência, mesmo escolhidos ao sabor do
acaso. É filosófico não por mérito ou falta dele, mas pela
natureza das coisas, com a fatalidade inexorável de uma
evidência primária ou de uma tautologia.

2- A tensão filosófica: É a tensão permanente entre


experiência e razão. [...]De início, a unidade é puramente
interna, é a unidade potencial de um eu nascente que se
defende como pode da confusão exterior. Aos poucos, ele
vai notando que não pode perseverar sem crescer, isto é,
sem absorver, digerir e transfigurar em expressão racional
aquilo mesmo que o ameaça. Chega um ponto em que o
próprio eu se torna o foco da confusão, enquanto o mundo
exterior, com suas exigências e disciplinas, o ajuda a
rearticular-se. Depois o quadro se inverte de novo, e de
novo, até que as inversões periódicas sejam aceitas como a
própria dialética da vida. Esse processo é, no fundo,
idêntico em todos os seres humanos: a diferença específica
do filósofo é que ele anseia por vivenciar conscientemente
todos os passos, não como memorialista (se bem que não
deixe de sê-lo ao seu modo), mas como testemunha da
universalidade dessa experiência.

(A dialética simbólica)
A Lua e o Sol são oposições máximas, e representam a
divergência de dois pontos equidistantes vistos da Terra. O yin-
yang são o equilíbrio perfeitamente estático, mas tal equilíbrio
perfeito não existe no mundo sensível – principalmente nas
nossas particularidades, restando então a afirmação real dos
chineses sem a cultura de massa atuais: “o dualismo yin-yang é o
extremo limite dos cosmos – só existe no cosmos total”. No caso
da Lua e o Sol temos [não sei na realidade concreta] um
equilíbrio estático perfeito, mas no segundo caso, que é um
equilíbrio dinâmico, temos não pólos opostos, e sim
complementares.
O primeiro tipo de raciocínio (Equidistante e estático) é um
raciocínio lógico-analítico, já no segundo está pressuposto a
realidade dinâmica, que contém o tempo. Portanto, podemos
dizer que ele é um raciocínio dialético, o qual busca “apreender o
movimento, vital por assim dizer, das transformações reais no
mundo dos fenômenos”. A verdade aí não está nos conceitos
fixos dos entes isolados, mas no processo lógico-temporal – A
essência [de um ente] é aquilo em que [esse ente] se
transformou: ser é devir.
Quando passamos da oposição estática à complementaridade
dinâmica, do raciocínio estático ao dialético, mudamos de posto
de observação; sentimos ter chegado mais perto da “realidade
efetiva”. Todavia, quando resolvemos o problema da oposição
do Sol e da Lua, entre o estático e o dinâmico, criamos outro
problema: a oposição entre Sol e Lua só foi possível porque
sabíamos os conceitos de Sol e Lua, conceitos abstratos e fixos.
Entramos em uma dualidade radical entre nosso pensamento e a
realidade: nossos conceitos são sempre estáticos, e a realidade
será sempre dinâmica.
A própria dialética, para entrar em ação, deve introduzir novos
conceitos, que serão estáticos, entre eles o próprio conceito de
dialética. Cabe, portanto, ou um discurso dialético interminável
ou um ponto final arbitrário.
Todas as oposições que vemos no Sol e na Lua são, na verdade,
diferenças acidentais que resultam de um fundo de identidade
essencial. Mas como o observador só observa de um ponto - ele
não sai da Terra – ele não tem a visão integral, a qual é dada pela
astronomia. Com ela o homem restabelece na sua representação
a figura verdadeira dos céus, e já tem apoio de um novo modelo
intelectual -calcado, segundo Platão, na inteligência divina – para
buscar um ponto de vista que ultrapasse a dialética vulgar,
penetrando no plano do que poderíamos denominar a dialética
simbólica.
Nela, diferente da hegeliana, que olhava apenas para os ciclos,
como um agrícola, acrescentaremos o elemento espaço.
E, abandonando a Terra e vendo do sistema solar, vemos que a
Lua não está oposta ao Sol (raciocínio de identidade estática),
nem coordenada – complementando – ele (raciocínio dialético).
E sim subordinada. Ela é subordinada tanto ao Sol como à Terra,
formando assim uma proporção.
E a proporção é justamente o enfoque racional, já que ratio em
seu sentido originário é “proporção”. É a proporção entre nossas
representações e a experiência, que assegura a veracidade das
nossas ideais.
Tanto a visão estática, como a dinâmica, são aspectos parciais
que se reabsorvem por fim no princípio unitário que as constitui.
Todas as proporções são variações da igualdade.
Este tipo de raciocínio é o de analogia [analogia intrínseca]. Mas
não pode ser confundido como “mera semelhança de forma” ou
como “a lei de analogia” usada por astrólogos onde o micro e o
macro possuem não uma relação de analogia, mas de
identidade.
Analogia significa “proporção”, mas, para haver proporção, é
necessário a diferença entre os distintos valores. Computador/
mesa = casa/ terra (é uma proporção). Computador/ mesa =
Computador/ mesa (não é proporção, é uma igualdade, ou seja,
principio da identidade). Como em grego analogia começa com
“ava”, é possível concluir que se trata de uma relação em sentido
ascendente. Ou seja, os objetos estão unidos pelos seus aspectos
superiores. A analogia é mais evidente quando olhamos os entes
sob o aspecto da universalidade. O que estabelece a analogia
entre dois entes é o fato de que estão ligados a um mesmo
princípio, que cada qual representa simbolicamente a seu
próprio modo e nível de ser, e que, contendo em si um e outro, é
forçosamente superior a ambos.
Quando descemos da universalidade para a fenomenalidade
empírica, os entes se desmembram na multilateralidade das
diferenças. A analogia é um liame vertical e ascensional, as
relações de similitude – complementaridade, contiguidade,
contraste etc. – que relacionam, juntam, separam e ordenam os
entes, estão todas no mesmo plano horizontal.
*Até aqui – primeira fase:
1- Ponto de vista: aparência sensível momentânea.
2- Raciocínio: identidades e diferenças.
*Segunda fase:
1- Ponto de vista: temporal e cíclico.
2- Raciocínio: causal ou dialético.
*Terceira fase:
1- Ponto de vista: espaço-temporal, abrangente,
universalizante, ascensional.
2- Raciocínio: analogia.

Uma verdade universal desligada da experiência concreta ou


uma experiência concreta destituída de verdade e sentido, gera
um hiato angustiante para o homem. Nós, segundo Hugo de São
Vitor, devemos fazer uma re-ligação entre o homem exterior
com o homem espiritual. O homem pode ser dividido em 4
faixas: corporal (sentidos e imaginação) e na parte espiritual
(razão e inteligência). A faixa intermediária entre as duas partes
se dá pela affectio imaginaria; por Ricardo de São Vitor:
“imaginatio mediatrix”, no qual justamente se dá o
conhecimento das analogias e do simbolismo em geral, e é nela
que se dá o reencontro da verdade universal com e na
experiência concreta.

Sem a escalada para o mundo imaginal, sem a dialética


simbólica, a mente humana ficará presa ou ao particular
empírico ou ao geral abstrato, nunca atingindo o conhecimento
da unidade infinita.

No topo – sentido, entendimento e razão de Schelling – o que


encontramos é sempre o princípio de identidade, que, destituído
da mediação analógica, vira apenas uma imaginação repetida da
fórmula abstrata que a mente opera.

Tendo encontrado o principio superior que organiza vários


planos de uma sequência analógica, mas ficamos longe das
realidades concretas. Portanto, é preciso sempre subir e descer a
escada do universal para o particular e vice-versa. É nisto que
constitui o objetivo de toda educação espiritual; é na disciplina
da alma que existe verdadeira filosofia.

Você também pode gostar