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NOVO LIVRETO EXPLICATIVO

Livreto Explicativo do
Baralho da Maria Padilha by Eliane Arthman
O Significado das cartas
Vamos, agora, fazer essa viagem em torno do significado das cartas e sobre
as muitas probabilidades de caídas de jogo.
Gostaria, também, de frisar que, na abertura do jogo, não devemos perguntar
ao consulente o que o levou a consultar o Oráculo. Devemos pedir que
embaralhe, corte em dois, torne a juntar as cartas e que faça a Cruz Mística,
que são nove montes de cartas: cinco verticais e quatro horizontais. Vocês
poderão ver claramente os motivos que levaram o consulente até vocês!
Cruz Mística

             [1 ]
[6 ] [7 ] [2 ] [8 ] [9 ]
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Outro detalhe importante é de que as mesmas cartas tem significados
variados quando lidas em sequências diferentes. Na horizontal elas tem um
valor, na diagonal outro, assim como na vertical podem ser que tenham um
outro significado e no momento em que se cruzam com outras cartas na
finalização do jogo, elas podem ter, ainda, outro significado. As figuras 'O
Consulente', 'A Consulente', 'Pessoa Intermediária Homem' e 'Pessoa
Intermediária Mulher', também terão essa mesma variação. Exemplo: uma
carta que na horizontal tratava-se da mãe do consulente, na vertical pode ser
sua amante, na diagonal sua Pomba-Gira e na hora de cruzar, sua patroa, etc.
É muito importante que se observe as cartas circundantes de cada
jogada, sem se prender a signicados.
Como deitar as cartas do Baralho da Maria Padilha

 
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28. 
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36

Embaralhe bem as cartas mentalizando a pergunta ou o seu propósito para a


consulta. Coloque sua mão por sobre todo o baralho arrumado em um só
grupo, corte em dois ou em três partes, junte tudo e, com todo o baralho
numa das mãos, vá deixando cair um monte de cartas (cuidado para não
deixar cair muitas cartas, para que não falte para completar os últimos
montes de cartas), em forma de cruz, com cinco montes de cartas na vertical
e quatro na horizontal, como se fosse uma cruz. Faça essa cruz de cima para
baixo, com cinco cartas no sentido vertical e quatro no horizontal.
Caso esteja deitando cartas para um consulente, peça que ele faça a cruz de
frente para ele.
As cartas da vertical são de leitura livre, conforme a posição e o significado
de cada uma.
As Cartas da Cruz Mística do lado esquerdo do consulente refere-se a
assuntos familiares, pessoais e amorosos.
O lado direito refere-se a assuntos de trabalho, de ordem financeira ou a
assuntos de fora de casa.
Com a prática constante a leitura fluirá cada vez melhor.
Deve-se fazer essa cruz três vezes antes da abertura do jogo.
Na Abertura do Jogo, deve-se dispor as cartas em quatro fileiras de nove
cartas:
 

Significado das cartas


Carta 01 – Os Cristais
Virtudes, Sabedoria.
Dependendo das cartas ao redor, pode significar a intercessão de um bom
conselheiro, um guia ou um Mestre em favor do consulente.
Essa é uma Carta que emite luz e positividade. Ela representa um mago ou
um Mestre Espiritual no qual o(a) Consulente crê. Significa, também, uma
Estrela que ilumina todo o jogo. Pode representar, também, a coroa de um
Orixá, quando ao lado das 'Cartas' 14, 25, 26, 27.
Ela transforma o negativo em bons augúrios.
Caso essa carta inicie a Cruz Mística, significa que o (a) Consulente possui
méritos espirituais, que o auxiliarão em sua jornada de vida.
 
Carta 02 - O Lápis
Notícias breves. Esta carta é neutra, coadjuvante, que além de pontuar
"Tempo", indica fatos que estão para acontecer em breve período de tempo.
Ela não se referencia somente ao cotidiano e aos fatos que estão ocorrendo,
mas, também, sinaliza, ao lado das que a circundam, o que pode estar para
acontecer. É o jogo da vida que nos faz ter o cuidado de pensar bem antes de
fazer qualquer movimento, pois, lá na frente, esse movimento pode fazer
toda a diferença. Caso ela inicie a Cruz Mística, indica fatos que ocorreram a
pouco tempo ou aqueles que não tardarão a acontecer. Por ser uma carta
coadjuvante, ela depende de outras cartas para ter seu verdadeiro
significado devidamente esclarecido e interpretado
 

Carta 03 – A Luva
Passado. Amor perdido.
Esta é uma carta neutra, quase romântica, que remete aos sonhos e
memórias do passado. Um amor mal resolvido, uma frustração pessoal, a
insatisfação com a rotina de um relacionamento monótono, uma profissão
mal escolhida... Ela mostra que é preciso trabalhar melhor a aceitação
daquilo que a vida nos dá. Todos os caminhos tem volta; todos os erros
podem ser contornados e os atos cometidos no furor das emoções, podem
ser perdoados e reanalisados.
É preciso dar importância ao que ficou pra trás de forma frustrante e abrupta.
E trabalhar essa aceitação pode trazer leveza e tranquilidade ao nosso dia a
dia. Quando essa carta inicia a Cruz Mística, significa que o sentimento e as
emoções que permeiam o(a) Consulente precisam ser revistos. E isso pode
envolver família, trabalho, sonhos profissionais não realizados ou até mesmo
um fato amoroso que não teve um final satisfatório.
É preciso observar as cartas que a circundam para analisar melhor a jogada.
 
Carta 04 – A Vela
Magia, Feitiço
A Vela é uma carta que aconselha atenção, quando numa jogada ela sair
sozinha.
Apesar de tensa, emite neutralidade e pontua Espiritualidade. Ela pode
representar os Ciganos em seu modo místico de lidar com os
acontecimentos e em resolver os problemas sérios com cantos e danças.
Mas ela pode ser, também, um canto de Sereia ou um mantra que exorciza e
remove as cargas pesadas após mostrá-las ao(a) Consulente. Caso essa
carta inicie a Cruz Mística, indica a forte presença de portadores de notícias
não tão amenas, mas que podem ser sanadas e resolvidas a contento com o
auxílio do Povo de Rua. É importante que se observe as cartas circundantes
na jogada. (Esta carta significa a presença e a intercessão dos que vivem nos
"bastidores" da vida). Precisamos verificar quais as verdadeiras intenções
dessas presenças, através das cartas circundantes. Essas presenças podem
ser das encruzilhadas, das matas, dos mares ou dos povos ciganos. Mas
também podem ser os "eguns", "encostos" ou mesmo obsessores.
Caso essa carta caia como a abertura da Cruz Mística, pode significar,
também, alguma perturbação do sono ou incômodo psicológico que entrava
a vida do (a) consulente.
Esta carta também refere-se à magia espiritual ou pode ser algo que envolve
o encanto ou o carisma pessoal.
 
Carta 05 – As Moedas
Moedas, Riquezas.
Essa carta diz respeito à prosperidade ou a sorte nos caminhos materiais.
Essa é uma Carta positiva, que sinaliza bons auspícios.
Ela pode pontuar a presença de Orixás como Obará, Ogun e Oxossi.
Em uma de suas variações ela pode transformar-se em uma lança de algum
Caboclo ou até mesmo num tridente. Pode ser, também, o escudo de São
Miguel Arcanjo ou pode, também, pontuar a presença da Oxum, que é
conhecida como a Mãe do Ouro.
Apesar de significar bons auspícios, ela pode transformar-se em penúria ou
prejuízos, quando ladeada por Cartas negativas.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica assuntos financeiros ligados a
vida do(a) Consulente.
É importante a observação das cartas que a permeiam.
 
Carta 06 – O Vaso de Flores
Boas Notícias – Boas Palavras – Boas Perspectivas – Bons Augúrios.
Essa carta minimiza a negatividade das cartas que a rodearem. Ela afirma
que as coisas tendem a melhorar.
Esta Carta é positiva e autoexplicativa. Ela sinaliza um período de esperança
e de muita proteção. Tudo será amenizado e as portas e caminhos estarão
mais "flexíveis" para o(a) Consulente. É uma Carta que representa uma
proteção espiritual capaz de permitir que o(a) Consulente respire novos ares
e que se recupere das lutas do dia a dia.
Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa que os caminhos do(a)
Consulente estarão mais suaves e que ele será recompensado pelo estudo,
pelos sacrifícios e pela coragem que teve. As compensações espirituais hão
de protegê-lo através dos méritos espirituais, por seus esforços e dedicação.
É importante que se observe as Cartas que a circundam.
 
Carta 07 – A Lua refletida no Mar
Melancolia, Depressão ou Lágrimas.
Essa carta significa um período de provas na vida do consulente e que pode,
também, indicar desequilíbrio emocional.
Caso ela inicie a Cruz Mística, indica que o (a Consulente talvez precise de
um acompanhamento psicológico ou de pessoas que o apoiem e estimulem
em sua vida diária. As cartas que a ladearempoderão esclarecer em qual
aspecto da vida isso se dá e quais as perspectivas que ele terá de se
recuperar emocionalmente.
 
Carta 08 – A Lâmpada Acesa
Surpresas.
Essa Carta tem um valor claro e positivo, indicando que algo inesperado vai
acontecer.
Pode indicar a luz espiritual, a bondade de alguém, a esperança de uma vida
melhor, as boas intuições e até mesmo uma gravidez.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, significa bons auspícios, boas notícias
chegando, uma cura física excepcional, paz de espírito ou de
reconhecimento na vida do(a) Consulente.
Deve-se observar as Cartas circundantes.
 
Carta 09 – A Poltrona Negra
Morte ou Alguém que foi embora.
Esta é uma Carta mística e tensa, que pontua espiritualidade, mediunidade,
doença, segredos, Magia e até problemas de ordem psiquiátrica. Nela estão
contidos tanto os amigos espirituais quanto aqueles que devem ser tratados
com cuidado e com parcimônia, pois podem ser "Eguns", "Encostos" ou
"Carregos". Essa carta indica problemas de várias ordens. É preciso prestar
a atenção e ter muito cuidado em sua análise. Vou citar alguns exemplos do
que ela pode significar: depressão, doença grave, segredos, magia negra,
fofocas, problemas psicológicos e angústia.
Tudo dependerá da sequência do jogo ou da jogada, que serão o termômetro
das energias circundantes. Não se pode dizer que essa carta seja ruim.
Absolutamente! Existem "demônios" que trabalham em nome de Deus e essa
Carta pode indicar a "condição" espiritual de alguma figura que a permeie,
como quando indica que a pessoa da qual se fala é alguém que está
encarnado. Pode, também, indicar um "Exú" ou uma "Pomba-Gira". Mas
como explico no começo desse Livreto Explicativo, todas as Cartas tem um
significado diferente em cada posição na qual for lida quando o jogo estiver
aberto: na horizontal, na diagonal, na vertical e na hora de cruzar as Cartas.
Portanto, caso a Cruz Mística inicie por esta Carta, significa que o(a)
Consulente está num momento "Carnal" de sua jornada, o que demanda em
responsabilidades espirituais que requerem muita atenção, cuidado e
empenho de sua parte.
Deve-se observar as Cartas circundantes para melhor interpretação da
jogada.
 
Carta 10 – Cordas com Nós Apertados
Embaraços e Dificuldades, Confusões, Mal Entendidos.
É uma Carta tensa e instigante, que requer atenção e observação.Esta Carta
pode significar, também, más intuições, más influências, dificuldades em
encontrar e compreender os sinais do destino, distorções do entendimento,
descaminhos e mal entendidos nas relações interpessoais.
Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente precisa
prestar mais atenção em suas estratégias, buscando uma maior percepção e
superação dos obstáculos. É importante que se analise as Cartas
circundantes.
 
Carta 11 – O Menorah
Espiritualidade Maior.
Essa é uma Carta que emite luz e positividade. Ela representa Deus,
Orunmilá, um Mago ou um Mestre Espiritual no qual o(a) Consulente crê.
Pode significar, também, um grande Sol que ilumina todo o jogo. Em
algumas jogadas, ela pode representar a coroa de um Orixá. Deve-se prestar
a atenção em sua posição no jogo, pois pode ser que signifique a
manifestação do Anjo da Guarda do(a) Consulente, que deseja trazer um
recado ou dar um aviso.
Ela é o oposto exato da Carta 12, que significa Espiritualidade Menor. Essa
Carta traz bons augúrios amenizando, de uma certa forma, alguns dos
significados negativos das cartas que a rodeiam e mostra que o(a)
Consulente está sendo abençoado.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, significa que a Luz de Deus está
próxima do(a) Consulente e que ele pode crer na alegria do porvir!
(O Menorah, ou candelabro de sete braços é um dos símbolos mais
conhecidos mencionados na Bíblia. No Livro do Êxodo pode ser visto na
história de como Moisés teve uma revelação divina no monte Sinai relativo à
construção do Tabernáculo, com detalhes sobre o seu interior e exterior, e
como numa destas partesse encaixava este "candelabro": ou Menorah).
 
Carta 12 – O Punhal
Espiritualidade Menor.
Esta é uma Carta mística e tensa, que pontua espiritualidade. Nela estão
contidos tanto os amigos espirituais quanto aqueles que devem ser tratados
com cuidado e com parcimônia, pois podem ser "Eguns", "Encostos" ou
"Carregos". Tudo dependerá da sequência do jogo ou da jogada, que serão
os termômetros das energias circundantes. Não se pode dizer que essa carta
seja ruim. Absolutamente! Existem "demônios" que trabalham em nome de
Deus e essa Carta pode indicar a "condição" espiritual de alguma figura que
a permeie, como quando indica que a pessoa da qual se fala é alguém que
está encarnado. Pode, também, indicar um "Exú" ou uma "Pomba-Gira". Mas
como informo no começo desse Livreto Explicativo, todas as Cartas tem um
significado diferente em cada posição na qual for lida: na horizontal, na
diagonal, na vertical e na hora de cruzar as Cartas.
Portanto, caso a Cruz Mística inicie por esta Carta, significa que o(a)
Consulente está num momento "Carnal" de sua jornada, o que demanda em
responsabilidades espirituais que requerem muita atenção e empenho de sua
parte.
Deve-se observar as Cartas circundantes para melhor interpretação da
jogada.
(Esta carta refere-se aos espíritos intermediários que trabalham para a
dimensão em que vivemos. São os chamados povos de caminho. São eles
que materializam nesse plano as ordens das hierarquias da Luz).
 
Carta 13 – A Taça servida pela Mão que porta o anel de Cobra.
Traições.
Esta Carta emite fortes vibrações sensuais e carnais e, por isso, é uma Carta
que requer atenção em sua interpretação. Muitas vezes ela pode representar
um desejo não confesso ou sinalizar variadas formas de traições, como a de
um cônjuge, amigo, patrão, sócio, etc. Ela pode indicar, também, uma pessoa
racional. Alguém que, apesar de crer em Deus, vive com a cabeça e o
coração voltados para fatos materiais. Ela pode significar desejo ou atração
sexual.
Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, pode indicar uma traiçãoque ocorre,
ocorreu ou que está para ocorrer na vida do(a) Consulente ou, ainda, algum
dos vários significados a ela atribuídos.
É interessante que se analise as Cartas que a permeiam.
(Deve-se observar as cartas que a rodeiam, para identificar de onde vem
essas traições. Mas depois de uma certa experiência com o manuseio do
Baralho, verificamos que algumas entidades se manifestam através dela.
Dentre elas estão Exus e Pombas-Gira. Por isso, convém interpretar mais
profundamente o seu significado).
 
Carta 14 – A Pulseira de Ouro
Grande Amor
Essa é uma Carta de teor emotivo e/ou afetivo que, de certa forma, necessita
de outras cartas para ter seu significado esclarecido. Mas, de qualquer
forma, é uma carta que emite positividade, sendo capaz de neutralizar e
amenizar os significados que tentem lhe desestabilizar. Essa Carta indica
bondade, boas intenções e amor sincero. Ladeada por certas Cartas, pode
indicar a presença da Oxum. Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica a
chegada de uma nova amizade, de um amor sincero, de um emprego há
muito almejado ou de um acontecimento que alegrará a vida do(a)
Consulente. É interessante que se observe as cartas circundantes para que
seu significado possa ser melhor interpretado
(Essa carta refere-se a algum acontecimento romântico. Depois de interpretar
as cartas que a rodeiam, você poderá entender a que fato se ela se refere
dentro do contesto da jogada. Muitas vezes ela pode significar uma
sociedade promissora ou uma profunda simpatia entre amigos).
 
Carta 15 – O Triângulo e o Ovo
Viagens, Mudanças de Vida
Esta é uma carta de valor neutro e que contém em si um significado claro.
Ela refere-se a mudança, viagem. Em outro significado pode denotar
inconstância, indecisão. Pode referir-se a um lugar distante, no estrangeiro
ou até mesmo a um gringo ou alguém que tenha uma profissão como
Comissário de Bordo ou a pessoas que trabalhem em navios ou que sejam
itinerantes. Seu significado varia conforme as cartas que a circundam. Numa
de suas variações, essa carta pode apontar os Orixás que regem o mar, a
variação psíquica e a inconstância de humor, como uma bipolaridade e até
mesmo uma gravidez. Por indicar mudança ela pode referir-se a qualquer
campo da vida do(a) Consulente, inclusive quanto a mudanças de opinião ou
de ideia. Seu significado principal é o de indicar mudanças e/ou
viagenstrabalho, residência, vida afetiva, religiosa, sociais, etc.
Caso essa carta inicie a Cruz Mística, indica mudanças na vida do(a)
Consulente e é importante que se observe as cartas circundantes para saber
ao que se referem essas mudanças.
 
Carta 16 – O Quadro de Palhacinho
Alegrias e Comemorações.
Esta Carta tem um "ar" alegre e descontraído, capaz de suavizar as cartas
que a circundam. Pode até anunciar a chegada de uma criança ou sinalizar a
breve realização de um sonho ou desejo.
Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, indica a chegada de notícias
surpreendentes. Mas para saber quais os tipos de surpresas, há necessidade
de se observar as cartas que envolvidas na jogada.
Essa carta refere-se a alegrias e realizações em certos aspectos da vida do
consulente.
 
Carta 17 – A Balança
Justiça ou Equilíbrio Emocional
Essa é uma carta neutra que pontua justiça e equilíbrio.
Pode significar barreiras e empecilhos ou indicar, também, um advogado, um
juiz, uma ação na justiça, um inventário ou o Orixá Xangô. Pode significar,
pasmem, um tumor, um aneurisma ou um abscesso ou a necessidade de
equilíbrio e de cabeça fria para resolver assuntos de difícil solução.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica questões legais, processos,
papéis de admissão de emprego, concursos públicos e tantos outros
significados que envolvam justiça. Deve-se observar as cartas circundantes
para melhor interpretação da jogada.
 
Carta 18 – A Rosa Vermelha
Notícias Distantes ou Caminhos demorados.
Esta é uma carta neutra, coadjuvante que, além de pontuar "Tempo",
aconselha que se trabalhe a aceitação das limitações e intempéries da vida.
Ela aponta tanto lentidão quanto fatos antigos que se interligam aos atuais
acontecimentos. Pode indicar o retorno, a presença ou a lembrança de
pessoas que já estiveram presentes na vida do(a) Consulente e que no
momento são lembradas ou reaparecem.
Indica, também, fatos antigos que marcaram a vida do(a) Consulente. Ex.:
caso ela saia ao lado da Carta 9, pode indicar uma doença ou depressão ou
problema de ordem mediúnica, etc, que ocorreu ou que marcou, há tempos, a
vida do(a) Consulente ou de alguém ligado a ele.
Caso essa carta inicie a Cruz Mística, indica a influência de fatos antigos no
momento atual da vida do(a) Consulente. É como se essa carta revolvesse o
íntimo do(a) Consulente, expondo seus problemas mal resolvidos, para que
estes fossem melhor analisados, revistos e trabalhados. Em algumas
jogadas, essa Carta 18 pode significar lentidão ou demora. Ela pode sinalizar
acontecimentos do passado, bons ou ruins, relacionados a diversos
assuntos, que podem estar interligados aos assuntos presentes. Pode ser
referente a Trabalho (com a Carta 22), Família (com a Carta 32), Justiça (com
a Carta 17) ou Afetivos (com as Cartas 14, 21 e 34). As cartas circundantes
devem ser analisadas, para melhor interpretação do jogo.
 
Carta 19 – O Cigarro Aceso
Vício ou Teimosia
Esta Carta é tensa e requer atenção. Ela pontua desvios de conduta,
compulsões e comportamentos não moderados ou fora dos padrões. Ela
aconselha uma revisão quanto a pensamentos e ações que podem estar
sendo doentios e mal direcionados. A carta pede que se tome cuidado com a
permissividade. Em uma outra interpretação, pode se referir a uma
necessidade de descarrego ou defumação da residência ou do(a) próprio(a)
Consulente, para que se exorcize as más influências astrais.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica que se deve ter cuidado com
suas próprias ações, para que se possa, assim, evitar reações indesejáveis.
 
Carta 20 – A Luz vermelha Acesa
Perigo ou dificuldade no caminho.
Esta é uma Carta tensa, que pode indicar perigo. Essa carta é umalerta para
situações de risco. Pode ser, também, que pensamentos negativos estejam
se insinuando para deter a vitória do(a) Consulente. Ela pede, também que o
consulente tome certos cuidados na área de segurança pessoal.
Caso a Cruz Mística abra com esta Carta, indica vulnerabilidade em algum
aspecto da vida do(a) Consulente, alertando-o para que esteja atento e
prevenido quanto aos perigos do seu dia a dia.
 
Carta 21 – O Véu de Noiva
Casamento.
Essa carta é neutra e auto explicativa. Ao lado de outras cartas, seu
significado pode se alterar, mas sem perder a sua essência original. Ao lado
da Carta 35, pode significar rompimento, separação, corte de uma amizade,
sociedade ou do caminho. Ao lado de outras cartas seu significado sofrerá
algumas alterações, mas sua característica se manterá. Caso essa carta
inicie a Cruz Mística, indica que assuntos que envolvem casamento, amizade,
sociedade de negócios e que girem em torno desse tema estarãopresentes
na vida do(a) Consulente. Deve-se observar as cartas circundantes para
melhor interpretação da jogada.
Essa carta pod referir-se, também, a uniões em vários aspectos da vida do(a)
Consulente. Pode ser uma sociedade que será proposta; um pedido de
namoro ou de casamento ou até mesmo uma surpresa na área financeira e
econômica do consulente.
 
Carta 22 – As Mãos em Cumprimento
União ou Negócios que chegam.
Essa Carta é neutra e coadjuvante, que pontua Negócios e Profissão.
Apesar de poder ter seu significado alterado quando circundada por cartas
negativas, ela sinaliza a chegada de novas oportunidades
financeiras/profissionais na vida do(a) Consulente. Precisa-se, também,
deixar claro que ela pode significar trabalho de cunho espiritual, filosófico,
holístico, etc. Em um outro sentido, pode significar consulta a médicos,
diagnósticos, uma especialização na faculdade, a chegada de um novo
funcionário, etc. Caso essa carta inicie a Cruz Mística, indica que assuntos
financeiros e profissionais envolverão a vida do(a) Consulente. É importante
que se observe as cartas que a permeiam, para melhor interpretação da
jogada
Essa carta pode, também, referir-se a novas oportunidades que surgirão na
vida do consulente. Uma nova sociedade, a extensão dos negócios ou até
mesmo a chegada de uma pessoa que será importante em sua vida.
 
Carta 23 – A Âncora
Confirma.
Esta Carta tem um cunho de neutralidade e é coadjuvante frente as Cartas
que a circundam.
Ela pode, também, representar algo que trava os caminhos do(a) Consulente,
conforme a jogada.
Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa uma confirmação n'algumas
questões que envolvem a vida do(a) Consulente. É importante que se
observe as cartas circundantes para melhorinterpretação da jogada. Essa
carta confirma as cartas ao seu redor.
 
Carta 24 – Uma Calça de Homem
Uma Pessoa Intermediária (homem).
Essa carta refere-se a um homem que as cartas ao redor podem indicar quem
seja ou até mesmo um Orixá, um protetor ou até mesmo um inimigo (Egun,
obsessor, perseguidor) que acompanhe o(a) Consulente.
 
Carta 25 – Uma Saia de Mulher
Pessoa Intermediária (mulher).
Essa carta refere-se a uma mulher que as cartas ao redor podem indicar
quem seja ou até mesmo uma Orixá, uma protetora ou até mesmo um Egun
ou obsessor que acompanhe o(a) Consulente.
 
Carta 26 – O Perfil de uma Mulher
A Consulente.
Essa carta indica a consulente ou a mulher, noiva ou amante
da(o)consulente.
 
Carta 27 – O Perfil de um Homem
O Consulente.
Essa carta indica o consulente ou o esposo, noivo ou amante
do(a)consulente.
C
arta 28 – O Cão
Amigo Fiel ou Aliado.
Essa é uma Carta neutra e coadjuvante. Ela pode significar a ajuda de um
amigo fiel, carnal ou espiritual, como pode apontar um(a) bom(a) amigo(a).
Em algumas jogadas ela pode apontar a presença de um amigo(a) espiritual
junto ao(à) Consulente.
 
Carta 29 – A Estrela de Davi
Vitória.
Essa é uma Carta positiva e autoexplicativa. Ela indica Bênçãos e proteção
espirituais que atuam na vida do consulente. Ao lado de uma figura, pode
indicar a presença de um santo protetor ou mesmo de uma pessoa que pode
atuar positivamente em algum aspecto da vida do(a) Consulente. Junto a
uma carta negativa, seu significado poderá se alterar, mas nunca tornar-se
totalmenteprejudicial.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica uma vitória ou um grande
proteção que salvaguarda os caminhos do(a) Consulente, permitindo que
ele(a) atinja os seus objetivos em paz. É importante que se observe as Cartas
circundantes para melhor interpretação da jogada.
 
Carta 30 – A Ferradura
Boa Sorte.
Essa é uma Carta neutra e coadjuvante, que interage junto as Cartas que a
circundarem. Ela refere-se à sorte em algum aspecto da vida do consulente.
Caso ela inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente será bem
sucedido em algum aspecto de sua vida. Mas esse significado poderá variar
conforme as cartas que a circundarem e, também do tipo de jogada ou de
pergunta queporventura o(a) Consulente tenha feito.
 
Carta 31 – O Malandro
Roubo, Perdas, Desgaste ou Pessoa Perigosa.
Essa Carta tem um cunho tenso e, em certas jogadas, aponta para um
significado espiritual. Em algumas jogadas ela aconselha que o consulente
tenha cuidado nas transações em geral, como as de assinar contratos ou
finalizar negociações diversas que requeiram sua assinatura ou em papéis
de justiça. Noutras, ela pode sinalizar a interferência de entidades espirituais
ligadas tanto aos Povos Ciganos quanto aos Povos de Rua, como Zé Pelintra
e tantos outros traçados em várias linhas e falanges espirituais, que queiram
pontuar ajuda ou alertas para perigos.
Caso esta Carta inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente deve
precaver-se quanto a assuntos que envolvam dinheiro, aquisição de imóveis,
segurança pessoal ou com os ditos "falsos amigos". Deve-se observar as
cartas que a circundam, para melhor interpretação de seu real significado.
 
Carta 32 – A Janela de Casa
Em Casa, Em Família, No Íntimo, Intimidade, Suas Próprias impressões
Esta carta é neutra e coadjuvante, que necessita da visualização das cartas
circundantes para que seja devidamente analisada. Ela se refere a assuntos
de família ou pessoais. Pode ser, também, algo que o(a) Consulente guarda
no íntimo, como suas próprias impressões ou, também, dependendo da
jogada, pode indicar o íntimo de outra pessoa, caso as Cartas 25 e 25 as
circunde. Pode se referenciar a um fato ligado a um familiar ou algo que
envolva a família, amigos ou íntimos da família. Seu valor variará conforme a
posição da leitura.
Caso a Cruz Mística seja iniciada com esta carta, o jogo estará se referindo a
fatos ocorridos em família ou no próprio íntimo do(a) Consulente. É
importante a observação das cartas circundantes para melhor interpretação
da jogada.
 
Carta 33 – A Porta da Rua
Pela Porta da Rua
Esta Carta é neutra e autoexplicativa. Ela refere-se à questões que envolvam
fatos ocorridos no trabalho, nas ruas, nas relações fora de casa, nos fatos
com familiares que não residam com o(a) Consulente, mas que podem estar
ligados ao lar, como questões que acontecem, por exemplo, na escola onde
o(a) filho(a) estudam ou em seus locais de trabalho. Pode indicar que um
membro da família vai sair de casa para morar em uma outra residência ou
em um outro estado ou país.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, significa que o(a) Consulente lidará
com variadas situações fora de casa, que tanto podem envolver trabalho
quanto questões jurídicas, brigas, amores, paixões, etc, dependendo das
cartas que a circundem, que deverão ser cuidadosamente observadas.
 
Carta 34 – As Borboletas sobre a Flor
Casamento Feliz.
Essa é uma Carta de teor emotivo e/ou afetivo que, de certa forma, necessita
de outras cartas para ter seu significado esclarecido. Mas, de qualquer
forma, é uma Carta que emite positividade, sendo capaz de neutralizar e
amenizar os significados que tentem desestabilizar o(a) Consulente. Essa
Carta também pode indicar bondade, boas intenções, amor sincero e,
também, pode indicar a presença de alguém bem intencionado na vida do(a)
Consulente. Ao lado da Carta 25, pode, também,indicar a presença de Oxum.
Caso essa Carta inicie a Cruz Mística, indica a chegada de uma nova
amizade, de um amor sincero, de um emprego há muito almejado ou de um
acontecimento que alegrará a vida do(a) Consulente. É interessante que se
observe as cartas circundantes para que seu significado possa ser melhor
interpretado.
 
Carta 35 – O Colar Arrebentado
Separação, Rompimento.
Esta é uma Carta neutra e autoexplicativa. Ela evoca separações, cortes,
rompimentos, uma operação, drenagem nalgum membro, a morte de alguma
pessoa ou o afastamento dela, o corte de uma doença ou a sua cura, corte de
um emprego ou extinção de um cargo. É interessante que se analise com
cuidado as cartas circundantes para que se chegue à conclusões. Numa
variante de significado, pode ser uma espada ou uma flecha d'algum Orixá, já
que pode representar, também, um instrumento de corte ou de guerra.
Caso essa carta inicie a Cruz Mística, significa que algo ou alguma coisa foi
cortada rompida ou extinta na vida do(a) Consulente, observando-se com
cuidado as cartas que a permeiam.
 
Carta 36 – Caminhos de Sol
Caminhos Abertos.
Esta carta tem teor positivo e auspicioso, que traz em si o crescimento e as
boas expectativas de vida. Significa que o(a) Consulente sentirá uma nova
força vital ou intelectual, que o(a) auxiliará em seus projetos, como se algo
no que ele(a) vinha trabalhando, deslanchasse, fluísse e expandisse,
estimulando-o(a) e incentivando emocionalmente. Pode indicar, também, o
começo de um aprendizado (de uma língua estrangeira) ou até mesmo de
uma expansão da consciência. Pode-se, inclusive, não descartar uma nova
descoberta espiritual ou uma mudança em suas crenças religiosas. É
importante que se observe as cartas que a circundam, para sua melhor
interpretação. Portanto, esta carta refere-se ao crescimento espiritual,
intelectual ou emocional do(a) Consulente.Algo chegará para mudar as
perspectivas da vida, estimulando alegria e fé.
Quando a Cruz Mística se inicia com esta carta, significa uma melhora nos
caminhos do conhecimento, da cultura e da vida emocional do(a)
Consulente. É imprescindível que se analise as cartas que a permeiam.
 
Informações Adicionais
Dona Maria Padilha sempre deixa claro que não devo interferir na
interpretação que os novos Instrutores dão às Cartas de Seu Baralho, mas
sempre que alguém me pede algum esclarecimento, Ela prontamente me
intui no momento da resposta.
Certa vez, um rapaz entrou em contato comigo através do Messenger, do
Facebook, dizendo ser um Oraculista muito intuitivo e que se dispunha a
deitar as cartas para mim, no intuito de me provar isso. Ele informou-me
trabalhar com vários Baralhos de várias linhas, mas que o da Padilha era o
seu preferido. Mas ele jamais conseguia responder quanto às questões de
saúde, pois não sabia quais eram as cartas que pontuavam isso.
Imediatamente Maria Padilha surgiu diante de mim e pôs-se a falar
alegremente, demonstrando conhecer bem aquele com o qual eu me
comunicava. E parece que os dois se conectaram através daquilo que ela me
mandou falar para ele, a ponto dele na hora se sentir tocado por ela e me
dizer que já sabia como ver as questões que envolviam saúde, sem nem
mesmo eu acabar de falar.
Eis o que Ela me 'mandou' transmitir a ele:
'Caso a questão seja a saúde, faça uma Cruz Mística e pergunte.
A Carta 10 pode ser tanto os intestinos quanto o cérebro.
A Carta 18 pode ser uma obstrução, um trombo ou um aneurisma
A Carta 17 podem ser os rins
A Carta 34 podem ser os pulmões
A Carta 22 pode ser o coração
A Carta 13 pode ser o fígado
A Carta 6 pode ser o estômago.
Mas devo deixar bem claro que cada um deve interpretar conforme as
próprias intuições
 
Conclusões
Durante a colocação das cartas, deve-se analisar e observar a posição de
cada uma das cartas, pois o oráculo vai muito além daquilo que elas
anunciam.
A intuição fica afinada com as entidades benfazejas que rondam tanto o
consulente quanto o leitor, mostrando a Verdade e alertando para os
possíveis perigos que possam surgir em todos os aspectos de sua vida.
Quando um oráculo é criado, a força de uma entidade pode se manifestar
através dele, ainda mais quando essa entidade conhece e respeita a
majestade do grande Senhor de todas as coisas!
Nem um minuto se deve afastar das orações, pois elas trarão a firmeza
necessária a tudo o que surgir em cada jogada.
A oração tem um poder transformador, que neutraliza e acalma os perigos
que rondam o mundo.
Estou enviando energia positiva e boas vibrações a todos, para que haja luz
e paz em todos os seus caminhos!
Que o Axé da Padilha lhes proteja!
Eliane Arthman
 
Algumas Histórias
Maria trabalhava à beira do abismo, ensinando e instruindo aos que se
perdiam no caminho.
Após as consultas na mesa de jogo, ela convidava os perseguidores de seus
clientes para irem até o lugar onde a médium que lhe cedia o corpo físico
fazia as oferendas ao Povo de Rua.
Ali, Maria oferecia comida e bebida a todos esses sofredores, mantendo-os
envolvidos em sua conversa alegre e descontraída. Ela os conservava por
perto o máximo possível e, quando ganhava sua confiança, os convidava
para uma festa.
A festa era na verdade um certo centro de umbanda ou de candomblé, onde
os médiuns dançavam ao som de atabaques, fumando, bebendo e cantando.
Animados, esses obsessores entravam na roda e dançavam alegres,
completamente entregues à boa ambiência do lugar. Logo, eles
incorporavam nos corpos dos médiuns que ali estavam, que, ao terem seus
espíritos mesclados aos desses obsessores, se sacudiam violentamente e
caíam no chão em convulsão, inconscientes e vulneráveis. Nesse momento,
os enfermeiros da espiritualidade, manifestados ali como 'caboclos' e 'pretos
velhos' entravam em ação, retirando esses irmãos sofredores dos corpos
dos médiuns, levando-os para uma dimensão paralela, onde havia salas
limpas, iluminadas por pequenas lâmpadas azuis, e os colocavam em camas,
sedados e adormecidos.
Durante semanas eles ali ficavam internados, sendo tratados com todo
desvelo, desvinculando-se completamente do ódio e das perturbações que
lhes causavam tanto sofrimento.
E, assim, os que sofriam com as influências de suas baixas vibrações eram
liberados e até curados de males terríveis, podendo, então, desfrutar de uma
rápida renovação mental, sem a vampirização de seus antigos
perseguidores.
Maria sabia que esse era um exercício de caridade, onde várias falanges de
Exus e de Pombo-giras trabalhavam alegre e dedicadamente, no intuito de
fazer o bem e de semear amor!
Depois de alguns anos trabalhando sob esse arquétipo, essas entidades
ganhavam bônus espirituais e tornavam-se instrutores desvelados, com o
dom da paciência naturalmente desenvolvido!
Sorrindo, Maria Padilha sempre esclarecia aos que achavam que não
conseguiriam seguir esse ritmo:
'Meus queridos, não desanimem! Aprendam de vez que tudo nessa vida é
treino! Depois de algum tempo treinando, tudo se apreende e absorve!
Noventa e nove por cento do Universo é alegria e Amor e, por isso, devemos
sempre brincar e ser feliz! Tenham certeza de que Deus nos dá a
oportunidade de aprender, sem exigir de nós pressa, seriedade ou sisudez
que alguns de nós, certamente, não tem ainda para dar! Pensem sobre isso,
amores, pensem sobre isso!'
 
O Nome de Maria
Eliane Arthman
Maria caminhou através da noite escura até chegar num Terreiro.
Ali, designaram que ela incorporasse numa certa médium e que auxiliasse
aos sofredores, cedendo-lhes energia vital.
Isso foi u'a missão bem difícil, pois desacostumara de lidar com a dimensão
onde a humanidade habita, depois de milênios manifestada como "energia"!
Não poderia mais ficar impune, alegando ser ignorante, imunizada contra as
guerras que se travavam entre o certo e o errado, entre a razão e a loucura!
Maria sabia que submeter-se à vida e ao corpo era prova de coragem e de
obediência, num sagrado exercício de humildade!
Ela aceitou, feliz, sua atual condição energética, na qual trajava-se nas cores
vermelha e negra, sem obrigar-se a ser discreta e tímida!
Maria concordou em trabalhar como uma Pombo-Gira chamada Maria
Padilha, em nome do Senhor do Amor, que lhe inundava o ser de luz! A doce
presença d'Ele envolvia, de forma singela e sutil, a todos os que se
consultavam com ela, no Centro Espírita onde se manifestava como Pombo-
Gira Maria Padilha.
Felizes, seus consulentes sentiam que seus corações pulsavam na mesma
sintonia do grande Ser e que o Seu sagrado coração, que rege o Universo,
pulsava, delicadamente, no peito de todos eles!
Assim, anonimamente, sob o arquétipo de Maria Padilha, a luz do Mestre se
espalhava pelo mundo alegrando e consolando os corações, numa
fulgurante ciranda de Luz e de Amor!
 
O Nome de Maria
Eliane Arthman
 
LIÇÃO DO FILÓSOFO
Era uma vez um menino que nasceu numa importante cidade da Europa, por
volta do ano 1.000. Na verdade a sua cidade ficava num vale encantador,
cheio de lugares bucólicos, cachoeiras e cascatas exuberantes, com vasta
vegetação exótica.
Mas apesar de ser aquele um vale tão bem dotado pelas forças da natureza,
seus distraídos habitantes pouco se preocupavam com o equilíbrio e a
harmonia do lugar, achando ser toda aquela beleza obra de mero acaso e não
uma singela benção de Deus.
Jamais procuraram entender que Amor, Fé e Caridade, são adquiridos
através de exercício constante, que liberta o espírito das próprias limitações.
Não atentavam para o detalhe de que o amor liberta e a caridade redime,
quando unidos à força da fé.
Devido às más influências do lugar, que era conhecido em toda a Europa
como um vale de devassidão, onde a maioria das pessoas se entregava a
todo tipo de apelos inferiores, os pais do menino, que eram ricos
comerciantes no lugar, resolveram mandá-lo para casa de parentes na
Grécia, onde ele ingressaria na Escola de Medicina, mesmo estando ainda
com treze anos de idade.
E, assim, o menino cresceu envolto por boas inspirações, tornando-se
excelente cirurgião, professor catedrático, além de formar-se em Filosofia.
Apesar de sua religiosidade, ele jamais pudera compreender Deus que, para
ele, era a sua própria sabedoria, que lhe abria todas as portas e que lhe fazia
julgar-se acima do bem e do mal.
Tão logo aposentou-se, aos setenta anos de idade, o filósofo resolveu
retornar à sua bela casa, onde passara toda a infância, pois sentia-se
saudoso daquele lugar tão encantador, apesar da péssima reputação de seus
habitantes.
Bem instalado em sua confortável residência, o filósofo aprofundou-se em
assuntos que envolviam um certo misticismo, como vida após a morte,
reencarnação, fenômenos espirituais e todo tipo de ciência oculta. Jamais se
preocupara em cumprimentar qualquer pessoa do lugar, pois os considerava
gentalha ignorante demais para ouvir-lhe o verbo inspirado.
Todas as manhãs e fins de tarde, ele rezava com todo o fervor de sua alma,
para que sempre pudesse gozar de boa saúde tanto física quanto mental,
pois detestava qualquer tipo de sofrimento, já que só conhecera o sucesso, a
fama e a sorte.
Com os olhos fixados nos suaves contornos das montanhas, ele pedia
bençãos a Jesus, para que pudesse estar a salvo de quaisquer influências
perniciosas das medíocres pessoas do lugar.
"Ah! Jesus, não permita que o erro dessa gente me possa induzir aos
pecados da carne e da luxúria!", rogava ele em todas as suas orações.
Aos cem anos de idade, sem nenhum sofrimento, o filósofo deixou o corpo,
consciente de sua morte física e, rapidamente em espírito, galgou o alto das
montanhas, onde sempre planejara instalar-se logo que desencarnasse.
E do alto das montanhas, mas não acima da sabedoria que achava possuir, o
filósofo passou a desfrutar de sua adorável vida espiritual, onde, sem saber,
limitava-se à própria ignorância, lamentando profundamente as trevas nas
quais estavam mergulhadas as pessoas daquele lugar.
Mas numa noite, quatro anos após sua morte, quando já dormia, o filósofo
assustou-se com um estranho barulho, que o fez despertar. Ergueu-se
sonolento e espantou-se ao ver o vale que até entao era só trevas, envolto
por fulgurante luz, que parecia rebrilhar no mundo inteiro. Era tanta luz e
tanta beleza, que seus joelhos se vergaram, fazendo-o ajoelhar-se e cair em
prantos. Vendo uma bela senhora aproximar-se, rogou que esta lhe
explicasse o que estava ocorrendo. "Será que enlouqueço sem me dar conta
disso?", perguntou ele. Sorrindo ela respondeu-lhe que Jesus estava lá no
vale, instruindo os seus rebeldes habitantes. Diante de sua admiração, a
senhora resolveu levá-lo até a principal praça do vale, para que ele mesmo
pudesse testemunhar o que ocorria. E assim, amparado por aquela bela
senhora, o filósofo adentrou a praça do vale, lotada por quase todos os seus
habitantes.
Curioso, tentou visualizar Jesus em meio a aglomeração, mas nada o
chamou a atenção. Distraído, percebeu que no palanque havia um homem
com ares de fidalgo descuidado, com uma garrafa de Whisky numa das
mãos. Trajado como um rico homem, ele usava blusa branca de mangas
bufantes, mas desabotoadas até à cintura, o que causou péssima impressão
no filósofo, que jamais aceitara certas demonstrações de indisciplina. Mas as
histórias que aquele homem estava a contar eram por demais interessantes
para que ele perdesse seu tempo em inúteis e veladas críticas aos seus
semelhantes. Depois de ouvir algumas histórias, o filósofo reparou na
platéia. Ninguém desviava os olhos daquele homem e ora riam, ora se
emocionavam profundamente. Enquanto ele falava, ninguém pronunciava
palavra alguma, como se todo universo tivesse conspirado para ouvi-lo falar.
Reparou que as histórias, apesar de conterem profundos ensinamentos
filosóficos, eram tão inteligíveis, que até mesmo as crianças eram capazes
de compreendê-las. A emoção daquele homem era capaz de estender-se a
toda sua respeitosa platéia, que parecia compartilhar sentimentos jamais
vivenciados por nenhum deles.
Ao olhar o céu, o filósofo o viu aberto, como se uma clareira houvesse se
formado, para que os que estavam diante do trono de Deus, pudessem
também ouvir aquelas singelas histórias. Notou que no alto das montanhas
que circundavam o vale, espíritos de valentes guerreiros, chefes de Nações
indígenas, vestidos com seus trajes cerimoniais, deixavam suas lanças de
guerra cravadas na terra, como que para ceder forças ectoplásmicas a todos
os que se encontravam no lugar. Em torno da praça pode ver todas as
hierarquias celestes, como as Santas Potestades, Santos Tronos, Santas
Virtudes, Santos Principados e Santas Dominações, vibrando em cores tão
bonitas, que pareciam compor canções jamais ouvidas pelos restritos
sentidos humanos.
Quando voltou sua atenção para o homem do palanque, reparou que de seu
peito jorrava uma luz no tom rubi, que envolvia a todos os que ali estavam. E
no meio de tão maravilhosa luz, no peito do homem, o filósofo pode
visualizar um coração envolto por uma coroa de espinhos. A emoção
causada por aquela visão o fez cair de joelhos e vergar sua nevada cabeça.
Mas ele ainda pode ver o homem do palanque voltar seu carinhoso olhar em
sua direção, como que para incentivá-lo na percepção de verdades ainda
ocultas por suas próprias limitações.
Fez-se, então, um silêncio mágico em toda aquela humilde platéia, que intuía
profundo respeito por aquele homem que se encontrava no palanque. A
própria natureza pareceu prender a respiração, para que nenhuma palavra,
nenhum sentido e nenhuma lição fossem perdidos naquele momento. E o
homem falou:
- Não há vantagem em o pequeno buscar o grande. Sublime é quando o
grande vence todos os obstáculos para vir ao encontro do pequeno. E
somente o amor é capaz de vencer todos os obstáculos. O homem habituou-
se ao intelecto, a palavras bonitas e rebuscadas, à ciência avançada e
posturas diferenciadas, esquecendo-se das coisas simples. Simples é o
amor! Quem ama perdoa, procura, se interessa, tudo aceita e abraça mesmo
com as roupas sujas. Quem ama entra na casa de móveis empoeirados, de
chão de terra, mesa vazia e de bocas famintas, mesmo que seja só para levar
o consolo, o caminho, a verdade e a vida!
Devemos sempre fazer de nossa sabedoria uma escada por onde possamos
descer, só para levar a luz àqueles que procuram a Verdade!
Todos ali pareciam cheios d'uma inteligência sobrenatural. Era como se
aquela clareira que unia a terra ao céu, pudesse também lhes abrir o
raciocínio e até a própria alma. Era como se todos estivessem mergulhados
num líquido amniótico, que os tornasse irmãos, mesmo que nunca se
tivessem visto. Pareciam estar dentro do mesmo útero, da mesma vida, da
mesma história, com um sentido único, fazendo parte de um mesmo
contexto que os fazia compreender que vieram do mesmo Pai e que para o
mesmo Pai voltariam, através de um irmão mais sábio que viera somente
para uni-los. E naquele sagrado momento, finalmente compreendiam o
verdadeiro sentido do amor, mesmo que jamais o tivessem vivenciado em
seus corações, temerosos em demonstrá-lo, pois o amor sempre fora
confundido com fraqueza, assim como a compreensão sempre fora
confundida com a covardia.
O humilde homem tornou a falar:
-Diante do trono de Deus, sob a luz da sua infinita misericórdia, quem dentre
todos nós seria o mais sábio ou o mais ignorante? Quem seria o puro ou o
profano, o justo ou o pecador, se aconchegados em Seu divino regaço e sob
a proteção do Seu divino olhar, não conseguimos identificar as nossas
próprias limitações ou nossas mais nobres capacidades? Isso é o Amor que
Deus Pai nos ensinou.
Emocionado o homem do palanque baixou sua nobre face, que foi oculta,
então, por seus longos cabelos claros.
Profundamente tocado no espírito, o velho filósofo sentiu um suave toque
em seu ombro. Era aquela bela Senhora que o erguia do chão.
- Não se deve perder tempo na culpa, pois que o Pai celestial jamais condena
os erros dos seus filhos! O erro é a benção que nos permite apreender
melhor as lições!
E amparado por aquela majestosa Senhora, o espírito do velho filósofo
galgou o infinito, consolado pela eternidade que sempre nos ensina sua tão
sábia e singela lição:
"Jamais é tarde para aprender, quando se conhece a eternidade..."
Eliane Arthman
(Com o Mestre, aos 13 anos)
 
Maria Madalena
Maria Madalena caminhava ansiosa por seu jardim, beirando o muro que
dava para a rua de sua luxuosa casa. Há dias ela vinha escutando um homem
a falar sobre algo chamado de 'O Reino de Deus' e sua voz poderosa parecia
burilar todo o ser de Madalena, como nunca acontecera antes. Ela era uma
mulher muito culta e inteligente, além de possuir beleza arrebatadora e fora
do comum, mas nunca se apegara à religião alguma.
Em sua mansão na Galiléia, recebia artistas de várias áreas de atuação, que
sempre lhe traziam presentes belos e valiosos, como jóias, tecidos bordados
com pedrarias e óleo sobre tela de variados temas.
Muitas vezes ela e seus convidados passavam noites conversando, trocando
ideias e instruindo-se uns aos outros, de forma alegre e pacífica. Madalena
jamais fora vulgar, mas era uma mulher visada por sua cultura e forma de
viver!
Mas naquela manhã, depois de passar dias curiosa sobre a identidade do
homem que falava para uma pequena multidão no lado de fora de sua casa,
resolvera mandar seu jardineiro procurá-lo. O jardineiro fora incumbido de
trazer o homem, convidando-o para um café da manhã junto a ela.
Já passava do meio-dia quando o jardineiro chegou e contou tudo o que
ouvira do homem. Madalena notou que o rapaz estava diferente, com um
certo brilho no olhar e com uma entonação na voz que causou nela uma
ligeira tontura.
Ele disse que o tal homem se chamava João Batista e que se intitulava
emissário de Deus. Quando o jardineiro finalmente conseguira chegar até
ele, para convidá-lo a ir até sua patroa, João Batista respondera que Deus
não ia até as pessoas, mas sim as pessoas que iam até Ele.
Apesar de ser uma mulher forte e equilibrada, Madalena não conseguiu deter
as lágrimas. Pela primeira vez na vida se sentira fraca e rejeitada!
No dia seguinte, após o dejejum, ela vestiu-se e saiu à rua, em busca de João
Batista.
Depois de algum tempo de intensa procura, descobriu que ele havia sido
preso por Herodes e que Salomé, sobrinha dele, havia pedido a sua cabeça
numa bandeja de prata.
Abalada, Madalena caminhou pela rua e ao ver uma pequena aglomeração,
aproximou-se.
Logo, ouviu uma voz que lhe abalou o coração. Era a voz de um homem, que
disseram chamar-se Jesus, falando tocantes palavras que lhe fizeram chorar,
com a mesma emoção com que chorara na tarde anterior. A maviosa voz,
que parecia ser a voz de um Anjo, falava mansamente:
"Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados os que choram porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os que sofrem perseguição, por causa da justiça, porque
deles é o reino dos Céus.
Bem-aventurados sereis quando vos insultarem e perseguirem e, mentindo,
disserem todo o gênero de calúnias contra vós, por Minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque grande será a vossa recompensa nos Céus;
porque também assim perseguiram os profetas que vos precederam".
A partir daquele dia, Madalena nunca mais foi a mesma. Ela seguia o Mestre
para onde quer que fosse e aprendeu tudo sobre o amor e a humildade com
Ele. E O ouvia sempre falar que somente o Pai poderia dar a ela o Dom de
aprender, já que esse Dom é um privilégio dado a poucos.
Mas, num certo dia, os homens maus e invejosos O perseguiram e pregaram
numa cruz.
E quando Ele fechou Seus divinos olhos para o mundo, Madalena sentiu-se
desfalecer.
Mas três dias depois, sentada à porta do Santo Sepulcro, ela pode ver,
admirada, seu divino Mestre ressuscitado, que voltara do reino da morte,
para continuar instruindo o seu amado rebanho!
'Cordeiro de Deus, que tirou os pecados do mundo, dai-nos a Paz, a Tua
infinita Paz!'
Obrigada, Jesus, por não desistir de nós!
Eliane Arthman
 
A DESTRUIÇÃO DE ATLÂNTIDA
Por volta de 11.600 antes de Cristo, Atlântida era uma grande Ilha.
Muitos de seus habitantes cultuavam Deus e frequentavam o Templo da
Fraternidade Branca, onde os sete Raios Sagrados e seus ascensionados
Mestres eram profundamente reverenciados.
Atlântida era muito desenvolvida e contava com muitos astrônomos e
meteorologistas renomados, que controlavam os ventos e as águas.
Com o suporte de engenheiros autodidatas, a cidade foi minuciosamente
planejada e construída.
Próximo ao continente no qual Atlântida estava localizada, ficava o
Continente da Lemúria. Mas lemúria não era tão avançada e seus habitantes
buscavam os Templos da Fraternidade Branca, com o objetivo de obter cura
para seus males, tanto físicos quanto espirituais. Os lemúrios não tinham
acesso à fé nem muito menos aos deuses. Por saberem ser os atlantes mais
avançados e privilegiados que eles, os lemúrios os invejavam
profundamente.
E devido a certos problemas advindos de situações geradas por esse ódio e
inveja inconfessos, os lemúrios começaram a praticar a magia contrária
àquela exercida pelos atlantes: a Magia Negra.
A princípio seus nocivos efeitos não foram sentidos.
Mas algo em torno de dez anos depois, os atlantes começaram a negligenciar
a religião e a adoecer mais facilmente. Os deuses tentaram alertá-los de
várias formas, para que se mantivessem vigilantes, mas foram
completamente ignorados.
Logo, armas começaram a ser fabricadas e os animais começaram a se
esconder, temerosos dos humanos.
Certa manhã, muitos habitantes notaram ventos estranhos e águas que
brotavam nas ruas. Os meteorologistas foram avisados, mas também não
conseguiram decifrar o enigma. Porque as águas não se mantinham dentre
as suas comportas, como sempre estiveram? Porque os ventos sopravam
com tanta força, vindos de uma direção completamente desconhecida até
então?
Esses fatos começaram a ocorrer e jamais pararam, causando sérios
transtornos em toda Ilha.
Numa reunião de emergência, os deuses notificaram aos anciãos dos
Templos, que Atlântida estava prestes a sofrer um sério cataclismo, que a
faria afundar no oceano, para nunca mais emergir!.
As sete Chamas Sagradas, que são as Chamas Azul, Amarela, Rosa, Branca,
Verde, Rubi e a Violeta, deveriam ser levadas para um outro continente.
E assim, muitas caravelas saíram de Atlântida, tomando um rumo traçado
pelos deuses. Chegando num lugar deserto, um rio foi criado (o Rio Nilo) e,
logo depois, uma esfinge, que começou a ser construída, com sua face
voltada para a Constelação de Leão.
(na época dos Faraós do Egito, os astrólogos se perguntavam porque foi
erigida uma esfinge com cara de Leão , voltada para a Constelação de Touro!
A datação feita pela NASA, prova que o topo da pirâmide principal é de 11.00
ac) Os maquinários que trouxeram, lhes permitiram edificar três pirâmides e
estabelecerem-se no lugar.
(Engenheiros não solucionaram até hoje os problemas logísticos implicados
no levantamento de pedras de tal magnitude. Teria sido impossível movê-las
manualmente e colocá-las com tal perfeição, cimentadas entre si, na pequena
área de trabalho)
Pouco tempo depois, Atlântida sofreu um terremoto devastador, que a fez
afundar no oceano para sempre!
Platão ainda pode ver alguns resquícios dessa Civilização que se perdeu.
..."Ocorreram impressionantes terremotos e inundações e sobrevieram um
dia e uma noite horríveis, quando a ilha de Atlântida foi tragada pelo mar e
desapareceu. Naquele local, o oceano tornou-se agora intransponível e
insondável.", escreveu Platão.
Interessante, não é?
Eliane Arthman
 
GIOTTO
Certa vez, Sua Santidade, o Papa (1296), mandou buscar em toda Roma,
artistas que pudessem abrilhantar os já tão famosos afrescos da basílica de
São Pedro.
Meses mais tarde os mensageiros voltaram, trazendo lindas obras.
Mas um deles, ao entregar sua mensagem, relatou que entrou numa taberna
cheia de homens rústicos e lá estava um homem chamado Giotto, que era
considerado um mestre na pintura na localidade.
Esse tal de Giotto, gargalhando ao saber tratar-se de um mensageiro do Papa
em busca de artistas talentosos, negligentemente desenhara aquele círculo
vazio e dobrara o papel de forma rápida e desrespeitosa, entregando-o ao
mensageiro.
O Papa mandou analisar aquele círculo e foi informado de que ele possuía
formas assimétricas perfeitas, como se tivesse sido feito com o auxílio de
algum instrumento de precisão, assim como fora dobrado de forma precisa.
O mensageiro arregalou os olhos e esclareceu à Sua Santidade que o homem
estava completamente alcoolizado e gargalhando debochadamente quando
fez aquele círculo à mão livre!
Todos ficaram em silêncio, enquanto ouviam o Papa sussurrar admirado:
"A perfeição é a manifestação do poder!"
Eliane Arthman
 
OS FRUTOS DA OBEDIÊNCIA
Pai João se retirou para viver no deserto de Scete, ao lado de um outro
ancião de Tebas. Os dois viviam mergulhados em meditações e orações.
Muitas vezes, quando alguns discípulos os procuravam em busca de
conhecimento, eram carinhosa e eficientemente orientados pelos dois
eremitas.
Mas havia um que era especial: Alef. Ele chegara e nunca mais se fora, pois
tinha sede e fome de conhecimento.
Para onde pai João ia, Alef ia também, sempre servindo e prestando atenção
em tudo que seu mestre falava.
O deserto era quente e árido, castigando a pele, além de endurecer as mãos
e os pés de todos que ousavam enfrentar as suas duras leis naturais.
À noite o frio seco era resistente à qualquer agasalho que se colocasse e
durante o dia os olhos eram constantemente arranhados pela areia fina e
franzidos devido à luminosidade do sol.
Ano após ano havia a fome, a sede e o sacrifício diário de redenção e de
entrega.
Era um sublime exercício de resignação, que afrouxava os laços que os
prendiam à si mesmos!
Certo dia, pai João pediu que Alef plantasse um pedaço de pau seco e que o
regasse com água fresca todas as manhãs até que desse frutos.
Sem reagir ou questionar, com o coração puro em fé e humildade, Alef o
plantou, acatando as ordens do mestre, quanto a rega diária daquela
"semente".
A água ficava a duas horas de distância, numa perigosa caminhada por entre
o deserto repleto de serpentes venenosas, escorpiões e de tantos outros
animais peçonhentos.
Além disso, ocorriam terríveis tempestades de areia que começavam sem
nenhum aviso e que se prolongavam por horas intermináveis!
Mas Alef pouco se importava com isso e não se detinha de forma alguma,
mantendo seu passo firme, vencendo todas as adversidades do clima.
Três anos se passaram.
Numa certa manhã, quando Alef voltava de sua caminhada por entre o
deserto em busca de água reparou, ainda ao longe, uma frondosa árvore,
com densa copa, repleta de frutos.
Ele saíra nas primeiras horas da madrugada e notara que ali deixara apenas
um caule fino com parcos ramos e rala folhagem!
Aproximou-se devagar, surpreso com o que via, e jogou a água que trouxera
nas fortes raízes da árvore.
Então pai João pegou os frutos e levou-os à igreja, dizendo aos irmãos,
"peguem e comam os frutos da obediência!"
Padres do Deserto – By Eliane Arthman
Mahatma Gandhi
Depois de saber q fora condenado a mais três anos de prisão (ele já havia
cumprido seis anos anteriormente), Mahatma Gandhi, sempre humilde, falou
para todos os q assistiam àquele julgamento:
"Senhor Juiz, durante os seis anos q estive cativo, pude conviver tanto com
os soldados quanto com os prisioneiros.
Todos nós, tanto cativos quanto libertos, ríamos e cantávamos todas as
noites... Éramos realmente muito felizes!
Depois que deixei a prisão, o mundo me pareceu um grande barco a navegar
num mar tempestuoso, cheio de gente triste!
Observei q todos estavam presos a preconceitos, padrões e posições
sociais...
Logo, Meretíssimo, concluí que liberdade ou prisão são condições do
espírito de cada um!"
Anos depois ele resolveu ir à Inglaterra, pedir à Elizabeth II que libertasse a
Índia do jugo inglês. Sem nenhuma arma na mão, descalço e de cabeça
baixa, Gandhi, formado em direito em Harvard e filho único de um dos
homens mais ricos da Índia, conseguiu que a Rainha descesse do púlpito,
quebrasse o protocolo e devolvesse a Índia aos indianos!
Eliane Arthman
 
Sócrates
Sócrates (470 ou 469 a.C), sábio grego, soube que em Atenas, sua cidade
natal, vivia o homem mais inteligente do mundo.
Mas ao ouvir de um Oráculo q ele mesmo, Sócrates, era esse tal homem,
ficou profundamente decepcionado, pronunciando, assim, sua mais famosa
frase:
"Eu só sei q nada sei!"
E no momento de sorver a cicuta, veneno mortal que a sociedade o obrigou a
beber, uma "espetadela" em seus algozes:
"...gostariam de ouvir meu choro e meus lamentos, fazendo e dizendo todo o
tipo de coisas que eu considero indignas de mim, mas que vocês estão
habituados a ouvir de outras pessoas.
Mas eu não admito que devesse recorrer ao servilismo porque estava em
perigo, e não me arrependo agora de ter-me assim defendido.
Prefiro muito mais a morte como resultado desta defesa, do que viver por ter
agido da outra forma.
Quanto ao futuro, quero fazer uma previsão aos que me condenaram.
Eu afirmo a vocês, meus carrascos, que, tão pronto esteja morto, a vingança
fará tombar sobre vocês, uma punição bem mais dolorosa do que a minha
morte.
Vocês me condenaram à morte na crença de que, por meio dela, se livrarão
da crítica à sua conduta, mas eu afirmo, o resultado será exatamente o
oposto. (....)
Se vocês esperam que cesse a denúncia da sua maneira errada de viver,
condenando as pessoas à morte, existe algo de muito errado no seu
raciocínio. Esta forma de escapar à crítica não é nem possível nem honrosa.
Melhor forma, e a mais fácil não é calando a boca de outros, mas sim
tornando-se pessoas justas. Esta é a minha última mensagem aos que me
condenaram. (....)
Mas eis que chegou a hora de partir, eu para morrer, vós para viver!
Qual de nós terá melhor sorte? Ninguém o sabe, somente Deus!"
Sócrates e Jesus, foram as únicas figuras da história, que jamais escreveram
uma só linha a respeito de si mesmos e que, também, jamais se defenderam!
Eliane Arthman

ORUNMILÁ

O Senhor de todos os Oráculos

Toto Ibara foi quem adivinhou para Orunmilá quando ele lamentava sua falta
de sorte na vida. Ele consultou seu adivinho para saber se teria dinheiro para
poder ter um lar.
Por essa razão foi consultar o Ifá (Oráculo).
Seus adivinhos o aconselharam a fazer um ebó com cinco galinhas.
Fazendo esse ebó, no quinto dia, toda a riqueza desejada lhe chegaria às
mãos. Tudo deveria ser entregue a seu Eledá, diariamente, até completar
cinco dias.
O trabalho seria colocado em uma cabaça, coberta com azeite de dendê e
levada a uma encruzilhada.
A caminho da encruzilhada onde seria entregue a oferenda, deveria ir
cantando alto:
"Que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim!"
Esse ritual deveria se repetir por cinco dias.
Orunmilá fez conforme foi orientado. Imediatamente ele começou a fazer o
ebó.
Havia um mato em frente à encruzilhada onde Orunmilá entregava as
oferendas e, exatamente ali, vivia Igun, filho de Olodumare.
Assim que Orunmilá deixava os ebós e saía dali, Igun ia lá e comia a
oferenda.
Igun, filho de Olodumare, tinha cinco doenças:
a cabeça coberta de feridas, os braços mirrados, o peito estufado, corcunda
nas costas e era aleijado dos pés.
Na manhã do sexto dia, depois de ter comido as oferendas de Orunmilá, Igun
se viu curado de todos os males!
A sorte, antes de chegar a quem a pediu, chegou ao outro, que se alimentou
com a comida ofertada.
Impressionado com esses fatos Igun levantou-se e foi ao Orun para
encontrar-se com Olodumare.
Este, logo percebeu que o filho estava curado e lhe perguntou quem o
curara.
Igun disse-lhe que quem entregava as oferendas era Orunmilá, que sempre
entoava o refrão – "Que a sorte venha a mim, que a sorte venha a mim!"
Olodumare resolveu presentear quem havia proporcionado a cura e o alívio a
Igun e, assim, pegou quatro ados (dons, graças) e os deu a Igun para que os
levasse a Orunmilá, no aye.
Antes de Igun sair do Orun, Olodumare recomendou à Igun que Orunmilá
poderia escolher apenas um dos quatro ados e Igun deveria trazer de volta
os três restantes – o ado da riqueza, que incluía dinheiro e prosperidade, o
ado da fertilidade, o ado da longevidade e o ado da paciência.
Ao chegar, foi à casa de orunmilá e lá mostrou a ele os quatros ados.
Orunmilá se surpreendeu muito.
Em dúvida quanto ao que fazer, mandou chamar os filhos a fim de lhes pedir
conselho sobre qual dos quatro deveria escolher e eles recomendaram que
escolhesse o ado da longevidade.
Consultadas as esposas, elas o aconselharam a escolher o ado da
Fertilidade para que pudesse ter muitos filhos.
Orunmilá chamou seus irmãos a fim de lhes pedir conselho sobre qual dos
quatro deveria escolher.
Os irmãos o aconselharam a escolher o ado da prosperidade para que
pudesse ter muita riqueza e dinheiro.
Logo, Orunmilá mandou chamar seu melhor amigo que era Exu.
Quando Exu chegou a sua casa, Orunmilá relatou-lhe o ocorrido e lhe pediu
conselho quanto à escolha que deveria fazer.
Exu, homem hábil e prático, fez as seguintes perguntas à Orunmilá:
"Teus filhos te aconselharam a pedir que ado?"
Orunmilá respondeu: "O da Longevidade".
Exu lhe disse para não escolher esse ado porque não há uma única pessoa
que tenha vencido a morte e lembrou que, por mais tempo que se viva, se
morre um dia.
Exu perguntou então: "E tuas esposas te aconselharam a escolher qual
ado"?
Orunmilá respondeu: "A Fertilidade".
Exu lhe disse para não escolher esse ado porque Orunmilá já tivera filhos.
Perguntou de novo: "E teus irmãos? Aconselharam-te a escolher qual ado"?
Orunmilá respondeu: "O da Prosperidade".
Exu lhe disse para não escolher esse ado porque se ficasse rico eliminaria a
pobreza da família, acrescentando que se seus irmãos quisessem prosperar
deveriam ir trabalhar.
Orunmilá perguntou então a Exu qual dos ado deveria escolher.
E Exu lhe disse para escolher o ado da Paciência porque sua Paciência era
insuficiente pra permitir que chegasse onde desejava. Caso Orunmilá
seguisse esse conselho e escolhesse o ado da Paciência, todos os ados
restantes seriam seus.
Orunmilá aceitou a orientação de Exu e devolveu a Igun os três restantes.
Nem os filhos nem as esposas, nem os irmãos ficaram felizes com a escolha.
Igun partiu então, de volta, levando consigo os três ados restantes para
devolvê-los a Olodumare.
Mal andara um pouco com eles o ado da riqueza lhe perguntou:
"Onde está o ado da Paciência?"
Igun respondeu que ela ficara na casa de Orunmilá.
O ado da Riqueza disse a Igun que voltaria para ficar com o ado da Paciência
porque só ficaria no lugar onde a Paciência estivesse.
Igun lhe disse que isso era inaceitável e que Riqueza parasse de reclamar,
pois deveria retornar com ele ao Orun.
Riqueza insistiu que só ficaria onde há paciência e que, por isso, não tinha
porque retornar ao Orun.
Em pouco tempo Riqueza desapareceu da mão de Igun e foi juntar-se à
Paciência na casa de Orunmilá.
Igun foi levando os ados restantes para Olodumare.
Mas todos os outros ados desapareceram das mãos de Igun para juntar-se à
Paciência.
Quando Igun chegou ao Orun, Olodumare lhe perguntou onde estavam os
três ados restantes.
Igun lhe respondeu que todos os ados haviam querido ficar junto com
Paciência na casa de Orunmilá. E que pretendia retornar ao aye para buscá-
los e trazê-los de volta ao Orun.
Olodumare lhe disse que ele não precisava ir buscar os três ados, pois de
fato, todos pertencem a quem escolher Paciência.
Quem tiver Paciência terá longevidade, fertilidade, prosperidade e viverá bem
com o que procriar e terá, também, riqueza.
Assim tudo transcorreu bem com Orunmilá que, com essas graças, veio a
ser Rei de Ketu.
Procriou e viveu bastante com esses ados. Teve tanta riqueza que construiu
casas pelo mundo.
Feliz por suas conquistas, Orunmilá montou em seu cavalo e cantou:
"Recebi o ado da Riqueza! Recebi o ado Fertilidade! Recebi o ado da
Longevidade! Oh! Recebi o ado da Paciência!".
Dançou e alegrou-se.
Louvou seus adivinhos e louvou também a Exu, o seu grande amigo.
Essa é a história de Orunmilá, o Rei do Ketu!
Axé e muita Luz para todos!
Não é o máximo?!
Salve Orunmilá!
Hipátia
Hipátia era filha de Téon de Alexandria, um renomado filósofo, astrônomo,
matemático, autor de diversas obras e professor em Alexandria. Criada em
um ambiente de idéias e filosofia, tinha uma forte ligação com o pai, que lhe
transmitiu, além de conhecimentos, a forte paixão pela busca de respostas
para o desconhecido. Diz-se que ela, sob tutela e orientação paternas,
submetia-se a uma rigorosa disciplina física, para atingir o ideal helênico de
ter a mente sã em um corpo são.
Aos 30 anos já era diretora da Academia de Alexandria, sendo muitas as
obras que escreveu nesse período.
Um dos seus alunos foi o notável filósofo e bispo Sinésio de Cirene (370 -
413), que lhe escrevia freqüentemente, pedindo-lhe conselhos. Através
destas cartas, sabemos que Hipátia desenvolveu alguns instrumentos
usados na física e na Astronomia, entre os quais o Hidrômetro.
Obcecada pelo processo de demonstração lógica, quando lhe perguntavam
porque jamais se casara, respondia que já era casada com a verdade!
O seu fim trágico se desenhou a partir de 412 dc, quando Cirilo foi nomeado
Arcebispo de Alexandria, título de dignidade eclesiástica, usado em
Constantinopla, Jerusalém e Alexandria. Ele odiava Hipátia, por sua
sabedoria e cultura que, para a igreja primitiva, representava o paganismo.
Apesar das ameaças de Cirilo, ela continuou seu trabalho, como diretora da
Biblioteca de Alexandria, até que no ano de 415 dc, foi cercada por monges,
paroquianos e seguidores de Cirilo, despida e esfolada até a morte, com
cacos de cerâmica. Seus restos foram queimados, suas obras
completamente destruídas e Cirilo canonizado!
Abaixo, uma de suas frases:
"Governar acorrentando a mente através do medo de punição em "outro
mundo" é tão baixo quanto usar a força!".
 
A MORDIDA DO CAMELO
Era uma vez, a menos de mil milhas daqui, uma criança que apesar de sua
pouca idade tinha uma grande experiência no cuidado de suas ovelhas. Suas
pernas eram finas, mas fortes. Os pés, que levava sem sapatos, foram
endurecidos, sem dúvida nenhuma, pelo trabalho, e em seu olhar havia mais
luz do que o ouro refletido nas areias do deserto, quando ao descer, o sol
avisa aos homens que a noite está próxima.
Yadir, era o nome do menino. E sempre, ao entardecer, descia das
montanhas com seus animais até sua pequena casa. A jornada do dia
sempre era difícil para ele.: Ele tinha procurado relva para o rebanho e, ao
contrário, no seu alforje de lã, havia apenas um pouco de pão – o necessário
para suprir a fome – e apenas a água essencial para refrescar os lábios.
Certa noite, numa reunião de cameleiros, Yadir escutou que o homem que
tem Deus em seu coração estava "mordido por um camelo", e que essa
mordida não cicatrizava nunca. A princípio era dolorosa, em seguida doce e,
ao final da vida, quando o corpo jazia abandonado no terreno, viajava com a
essência do homem para se fundir às estrelas. Yadir sonhou nesta noite que
cem camelos o perseguiam.
Passou um longo tempo, e em um entardecer, intuitivamente, Yadir ajoelhou-
se e beijou a areia. De seus lábios brotaram palavras de fé, e seu rosto de
adolescente, como uma bússola encontrou a sua direção. A mordida do
camelo estava em seu coração.
Desde esse dia, Yadir aprendeu muitas coisas com particular precisão.
Quando o vento soprava baixinho, sussurrando contos aos seus ouvidos.
Quando ao ser movidas pelo ar, as areia desenhavam estranhas geometrias.
Quando o aceno dos juncos lhe deu a música. E quando em um vermelho
entardecer, um forte vento levantou as areias, fazendo-as girar com
espantosos movimentos, Yadir aprendeu a dançar. Seu coração sangrava
mais a cada dia.
Quando Yadir deixou o deserto, o sol já não estava no horizonte. Um débil
brilho dourado o iluminou brevemente e a escuridão o acariciou por toda a
noite. No brilhante amanhecer, diante dos seus olhos assombrados apareceu
a cidade, cujas cúpulas mirabolantes encheram suas pupilas de reflexos.
Yadir sentiu medo, mas o vento que cantava levemente fortificou seu
espírito. Os altos e esbeltos minaretes suavizaram as batidas do seu
coração, e entrou na confusa cidade com olhos espantados.
Aquela mudança de vida foi de grande importância para Yadir. Ele logo
encontrou trabalho como tingidor de lã, e logo aprendeu a arte de tecer
tapetes. O início foi difícil. Suas mãos não eram tão hábeis como os de seus
companheiros, mas seus olhos, acostumados a ver o horizonte do deserto,
viam mais além dos complicados desenhos, nas geométricas mensagens
dos tapetes. Yadir teceu um para ele e naquela noite ao terminá-lo, um velho
mestre tapeceiro lhe deu uma rosa branca e estranha.
A partir dessa memorável noite, a vida de Yadir foi muito intensa. Cuidou e
respeitou seu corpo, modelou o barro, submeteu o cobre, escreveu com
bonitos traços, manejou a espada, desenhou jardins, até que certa vez, seus
olhos se fundiram à luz de uns olhos femininos... Yadir conheceu o amor .
Yadir criou um lar que durou muitos e felizes anos, até que um dia, "Ele", que
cria todos os desenhos, decidiu que Yadir ficaria sozinho. Yadir aprendeu a
chorar.
O amanhecer seguinte estranhou os joelhos de Yadir afundado nas areias.
Seu rosto não querendo buscar o caminho e seus lábios se esquecendo das
palavras de fé.
Abandonou a luz das mesquitas e freqüentou locais escuros. Suas pernas
acostumadas à dança esqueceram o rítmo. O tambor de seu coração não as
impulsionava. Também abandonou a habilidade de suas mãos. Sua
respiração não observava nada abaixo de seus cabelos brancos. Uma noite
pediu ao anjo da morte que apressasse sua partida. Quando os dedos do sol
acariciou seu rosto naquela manhã, em seu tapete havia uma branca e
estranha rosa. Yadir lembrou do "Dissipador de Todas as Dificuldades" e
sentiu sangrar novamente seu coração.
Curiosamente, os vizinhos de Yadir e aqueles que o conheciam pensavam
que ele era um homem bom, como todos os homens bons da terra, mas
somente uns poucos se aproximavam com humildade para ouvir suas belas
palestras na casa de chá que ele freqüentava. Ele falava sobre o vento e a
chuva, lhes contava histórias de velhos tecelões de tapetes e de velhos
jardineiros de rosas brancas, lhes descrevia as dunas do deserto e lhes
falava do sol e das palmeiras. Algumas pessoas temiam vê-lo pela frente, uns
poucos olhavam nos seus olhos, mas entre eles nenhum todavia resistiu à
luz de seu olhar. Não faltou quem dissesse que ele tinha estranhos poderes.
Quando o velho Yadir morreu, os vizinhos ficaram muito surpresos ao ver
sair, por uma das janelas da casa, um belo camelo, que voando, se perdeu no
infinito.
Autor Desconhecido
Ainda ontem, no pântano, uma linda flor nasceu... Viram? É a flor de lótus!
Logo, uma graciosa garça pousou à sua margem, pouco se importando com
a imundície que o assola...
Quão distraídas são a garça e a flor!
Nem repararam que um cenário tão infausto poderia macular sua tão
delicada imagem!
É que o Amor desconhece os opostos e permite
que a claridade que povoa o céu se debruce delicadamente sobre a
escuridão, sem que se possa definir de onde se origina tanta luz, se da Terra
ou do céu...
Por isso a natureza, despida de preconceitos, sempre convida a flor de lótus
e a garça a povoarem o pântano infecto, brindando com sua Luz e beleza o
cenário tão cinzento!
Revelação - Eliane Arthman
...o brilho de uma inteligência sobrenatural os envolvia, como se aquela
clareira que unia a terra ao céu tivesse sido aberta propositalmente para lhes
expandir a consciência e até a própria alma.
Todos pareciam estar mergulhados num líquido amniótico, que os tornara
irmãos, mesmo que nunca se tivessem visto.
Pareciam estar dentro do mesmo útero, da mesma vida, da mesma história,
num sentido único, fazendo parte de um mesmo contexto que os fazia
compreender que vieram a este mundo através do mesmo Pai e que para o
mesmo Pai voltariam!
E naquele sagrado momento, finalmente compreendiam o verdadeiro sentido
do amor, mesmo que jamais o tivessem vivenciado em seus corações,
temerosos em demonstrá-lo.
É que para eles, até aquela memorável noite, o amor sempre fora confundido
com fraqueza, assim como a compreensão sempre lhes parecera ser
covardia!
Antônimos - Eliane Arthman
Maria é o fogo que arde e transmuta as paisagens!
Ela era aquela que há milênios soltava os pássaros de suas gaiolas não
tolerando as correntes ou as prisões!
Maria perfumava a brisa matinal e cuidava para que o Mar jamais
transbordasse após os temporais!
Ela esculpia as montanhas e cobria de musgo macio as planícies, para que
os viajantes pudessem descansar sobre elas.
Maria era o rio, era as veredas cobertas de flores de todas as cores e era o
mavioso canto dos pássaros canoros que alegrava as matas nas manhãs
escuras!
Maria é a simplicidade da exuberância das coisas belas, é a energia das
ondas que quebram nas pedras e o vento forte que afasta a Tempestade!
Maria é como o belo vôo das aves migratórias que rumam em direção ao
desconhecido, para bem longe das mesmices!
O Nome de Maria – Eliane Arthman
Maria caminhava pelas veredas iluminadas por um sol primaveril, quando a
vi pela primeira vez!
Seus olhos refletiam a beleza do Universo e seu corpo continha o brilho das
estrelas...
Ela encantava a mata com o sussurro de sua voz doce e vibrante e coloria
suas próprias roupas com o tom de todas as flores, só para se parecer com
elas.
Um dia ela caminhou por sobre as mansas águas do rio e desapareceu na
linha do horizonte, quando o brilho amarelo da lua cheia pairava no céu.
Toda a mata prendeu a respiração! Para onde fora aquela que enchia de
graça e de luz toda a floresta?
Certo dia, quando o sol começava a se espraiar por sobre a Terra, Maria
pousou delicadamente no rio, enchendo todos os corações da mais completa
alegria!
Maria é Luz, é Raio, Estrela e Luar!
Ela é água doce iluminada pelo brilho da lua Cheia e é estrada permeada por
violetas azuis, mescladas pelo vermelho vivo dos roseirais!

O Nome de Maria
Eliane Arthman
 
Giotto
Certa vez, Sua Santidade, o Papa (1296), mandou buscar em toda Roma,
artistas que pudessem abrilhantar os já tão famosos afrescos da basílica de
São Pedro. Meses mais tarde os mensageiros voltaram, trazendo lindas
obras. Mas um deles, ao entregar sua mensagem, relatou que entrou numa
taberna cheia de homens rústicos e lá estava um homem chamado Giotto,
que era considerado um mestre da pintura naquela localidade. Esse tal de
Giotto, gargalhando ao saber tratar-se de um mensageiro do Papa em busca
de artistas talentosos, negligentemente desenhara aquele círculo vazio,
dobrado o papel de forma rápida e desrespeitosa, entregando-o ao
mensageiro. O Papa mandou analisar aquele círculo e foi informado de que
ele possuía formas assimétricas perfeitas, como se tivesse sido feito com o
auxílio de algum instrumento de precisão. O mensageiro arregalou os olhos
e esclareceu à Sua Santidade que o homem estava completamente
alcoolizado e gargalhando debochadamente quando fez aquele círculo à mão
livre! Todos ficaram em silêncio, enquanto ouviam o Papa sussurrar
admirado:
"A perfeição é a manifestação do poder!"
Eliane Arthman
RAMAKRISHNA
Após a iniciação e o abandono do simbólico de toda afeição terrena; após ter
vestido novamente a túnica vermelha de Sannyasin, que é um emblema da
vida nova...
"...O homem nu (Totapuri) recomendou que libertasse meu espírito de todos
os objetos, a fim de mergulhá-lo no seio de Atman. Mas apesar de todos os
meus esforços, não consegui a travessar o reino do "nome" e da "forma",
para conduzir a mente ao estado "incondicionado. Tive apenas uma
dificuldade: a de libertar-me da forma muito familiar da radiosa Mãe Bem-
Aventurada, essência da consciência pura, que aparecia diante de mim como
uma realidade viva!
Ela fechava-me o caminho do além.
Tentei diversas vezes concentrar a mente nos ensinamentos do Advaita,
mas, todas as vezes, a forma da Mãe interpunha-se. Tomado de desespero,
disse a Totapuri: "É impossível! Não consigo elevar o espírito ao estado
incondicionado, para encontrar-me face a face com Atman..."
Ele me respondeu severamente:
"Como não pode? É preciso!" Olhando em volta, avistou um pequeno vidro,
segurou-o na mão e me disse:
"Concentre a mente sobre este ponto!"
Concentrei-me com todas as minhas forças e, tão logo a graciosa forma da
Mãe divina apareceu, usei a minha discriminação como se fosse uma espada
e a parti em dois pedaços. Não havia, então, mais nenhum obstáculo diante
da minha mente, que voou para além das coisas condicionadas. E me perdi
no êxtase...
Ramakrishna precisou de uma grande energia, de um sofrimento imenso,
para forçar a porta do inacessível.
Mas ao entrar, atingiu imediatamente a última etapa: o nirvikalpa samadhi,
onde desaparecem ao mesmo tempo o sujeito e o objeto.
"O Universo apagou-se. Nem mesmo o espaço existia. A princípio, idéias
sombrias flutuavam ainda sobre o fundo obscuro da mente. Somente a
consciência débil do 'eu' repetia-se... monotonamente. Depois, isto também
cessou. Havia apenas a existência. A alma perdeu-se no "Si".
Todo dualismo desapareceu. O espaço infinito e o espaço finito eram Um.
Além das palavras, além do pensamento, a união perfeita com Bhraman"
"Anos mais tarde, já completamente "absorvido" pelo "Um", uma radiosa Luz
brilhou em minha consciência. Fixei meus olhos e, além do fulgurante brilho
que envolvia o Universo, visualizei a amada figura da divina Mãe! Ela sorriu e
tocou-me delicadamente, enquanto sussurava em meu ouvido: Eu sou uma
das manifestações do "Si", meu filho!"
Salve a Senhora coroada pelas doze Estrelas!
Evangelho Segundo Ramakrishna
 
SIDHARTA
O
ILUMINADO
Era uma vez um homem chamado Sidharta Gautama, que era um príncipe
muito rico, mas abdicara de todo o Seu poder e fortuna, para buscar ajuda na
libertação do sofrimento humano. Numerosos milagres anunciaram Sua
ascendência divina: quando foi apresentado num templo bramânico, as
imagens dos deuses, "levantando-se de seus lugares, caíram aos Seus pés e
cantaram um hino em Sua honra" e todos os adivinhos consultados
encontraram 32 sinais fundamentais e 80 sinais secundários, que O
identificavam como um "Soberano Universal". Um velho sábio voou desde
sua morada aos pés do Himalaia até Kapilavastu e, ao pegar o pequeno
Senhor no colo, chorou copiosamente por estar velho demais para segui-Lo.
Estando com 29 anos, Sidharta fugiu do Seu palácio logo após o nascimento
de Seu primeiro e único filho, Rahula.
Ele cavalgou ligeiro pelas estradas de Seu reino e, ao cruzar a fronteira,
arrancou as roupas e cortou os cabelos. Divindades se materializaram,
imediatamente, e guardaram os cabelos e as vestes daquele que seria o
primeiro e o único a se tornar Um junto ao Senhor do Universo.
Um anjo trouxe-Lhe roupas novas.
Sidharta andou por alguns dias até encontrar aqueles aos quais andara
buscando: cinco ascetas que viviam em constantes exercícios de
contemplação.
Durante seis anos, Ele assistiu todo tipo de imolação. Viu, silencioso,
homens mortos para a vida, que apesar de estarem na Terra, não se sentiam
filhos dela, negando, assim, a própria humanidade. Eles comiam e bebiam o
mínimo necessário e se abstinham de tudo quanto fosse possível.
Tudo faziam para se livrar de qualquer tentação que fosse, sem saber que
para que se vença o mal, se deve encará-lo de frente e não correr dele como
uma criança assustada.
O homem precisa conviver constantemente com a tentação, para fortalecer-
se em sua vontade e em sua fé.
Nesses seis anos, Sidharta emagrecera tanto, que mais parecia um cadáver
ambulante.
Certa vez assustara-se ao colocar um dedo no umbigo e sentir a sua coluna.
Numa tarde, depois de desmaiar à beira de um rio devido à fraqueza física,
Ele foi socorrido por uma linda jovem, chamada Sujata.
Ela havia ido fazer uma oferenda às divindades da floresta, por haver
conseguido engravidar. Ao ver aquele ser de aparência divina, caído ao lado
do rio, teve certeza de que se tratava de uma divindade.
Logo, ela colocou papa de arroz e água fresca em Sua boca, fazendo-O,
lentamente, voltar a si.
Ao abrir os olhos, Sidharta se deparou com os olhos da jovem que,
sussurrando de forma carinhosa, perguntou-Lhe o porquê de tanto sacrifício,
ao que Sidharta respondeu ser para buscar alívio e ungüento para a dor e
sofrimento humanos.
A moça sorriu e, achando tratar-se de uma prova da divindade, esclareceu:
"O Senhor está tão fraco que não conseguiria salvar nem a si mesmo, que
dirá salvar a toda humanidade!
Se Deus Lhe deu um corpo físico, foi para que o Senhor trabalhasse nele!
E o corpo físico precisa do alimento, do asseio e de cuidados comuns a
todos aqueles que caminham pela Terra.
Se o Senhor desdenha tanto do Seu corpo físico, vaso sagrado que Lhe foi
cedido por Graça divina, porque, então, não permaneceu como Anjo, na
forma etérea?".
Ele não conseguiu murmurar palavra alguma e a mocinha continuou:
"A alma é como a corda de um instrumento. Se muito esticada, ela arrebenta,
por não suportar a pressão. Se muito frouxa, não emite som algum. Ela
precisa estar com uma boa afinação, para emitir os sons exatos, que irá tocar
o coração de todos aqueles que a rodeiam, ávidos pelo aprendizado".
Apesar de enfraquecido, Sidharta ficou admirado com a sutil inteligência da
jovem, que tinha toda razão... Pena não tê-la encontrado anos antes!
Agradeceu o santo conselho que ela tão graciosamente lhe dera e tratou de
levantar-Se, tomar um banho e cuidar do seu asseio pessoal. Jamais
esqueceria de tão interessante lição: que ninguém é tão ignorante que não
possa esclarecer, nem tão sábio a ponto de não precisar aprender!
Por Sua ascendência divina, como ocorre com todo avatar, Sidharta pôde se
refazer rapidamente, sem passar pelas dificuldades comuns aos que se
recuperam das doenças graves.
Os cinco companheiros ascetas não O compreenderam e O expulsaram do
grupo, chamando-O de esfomeado, glutão e de fraco perante Deus.
Assim mesmo Sidharta, bem humorado, afastou-se sorrindo, determinado a
buscar outra forma de obter a libertação de toda a humanidade.
Depois de alguns dias, Ele resolveu sentar-se sob uma grande árvore para
obter a definitiva resposta de Deus.
Estava determinado e disse que mesmo que o Seu sangue secasse e os Seus
ossos virassem pó, só sairia dali depois de obter uma resposta para o alívio
da dor e o ungüento necessário para o sofrimento humano.
No momento em que Se sentou, um terremoto de proporções consideráveis
sacudiu a terra.
O Deus do Mal, Mara, que O perseguia desde o Seu nascimento, correu em
Seu encalço e esbravejou que tudo faria para derrotar ao Bem Aventurado
Sidharta, em seus divinos propósitos.
Todo o inferno mobilizou-se para impedi-Lo de obter qualquer vitória.
Sidharta tinha plena consciência de que não poderia contar com a ajuda de
Deus, pois o Senhor do UM jamais participa desses confrontos, deixando
que Seus filhos usem de seus próprios recursos, como sua inteligência,
sabedoria, merecimentos e sagacidade que lhes são comuns.
Todas as divindades se sentam para assistir o desenrolar de tal duelo entre a
treva e a luz, pois muitos ensinamentos que derivam dessa contenda, são
úteis para os que trabalham junto ao Trono de Deus.
Mara passou, então, a agir com toda a violência possível. Mandou seres de
aspecto horripilante ameaçarem Sidharta. Muitos monstros assustadores
urravam, enquanto a escuridão reinava. Sidharta via-se frente a um mar
tempestuoso, onde ondas muito altas se debruçavam sobre ele, provocando
um frio mortal, que Lhe fazia doer todos os ossos.
Outras vezes, ainda sob um barulho ensurdecedor, bolas de fogo caíam do
céu, explodindo a Seus pés, fazendo a terra tremer fortemente. O extremo
calor provocado por elas, queimava-Lhe a carne, causando-Lhe dores
agudas.
No entanto, Sidharta estava disposto a tudo suportar, pois Seu propósito era
divino e envolvia o futuro da humanidade! Seria capaz de tudo suportar em
prol dos sofredores, que ansiavam por um ungüento que lhes aliviasse a dor.
E também compreendia que Mara precisava justificar a sua própria maldade,
demonstrando o seu poder de todas as formas possíveis.
Sem saber, Mara estava provando a si mesmo e aos que o seguiam, sua
indisfarçável fraqueza. Depois de algum tempo, as bolas de fogo que caíam
do céu, transformavam-se em milhões de pétalas de lótus e o ensurdecedor
barulho era transformado em melodias dulcíssimas, que encantavam os mais
duros corações.
Durante o desenrolar desses acontecimentos, todas as divindades que
haviam se sentado para assistir o memorável duelo, retiraram-se
horrorizadas, devido à violência usada pelo senhor dos infernos, que agredia
Sidharta com palavras odientas, urrando mais alto que o mais forte de todos
os leões. A força negativa era tanta que dela exalavam vibrações pegajosas,
grudentas e muito fétidas, capazes de se fixarem no espírito dos invigilantes
de tal forma que, para removê-las, seria preciso anos de sacrifício e devoção.
Os que estavam a assistir a contenda corriam riscos enormes caso não se
mantivessem em comunhão com a Verdade. Falanges envolvidas com a
sensualidade faziam convites carnais aos que ali estavam e suas armadilhas
eram tão perfeitas que envolveriam até os que estivessem convencidos
quanto à própria força divina.
Apesar disso, muitos demônios que estavam ali por ordens de Mara,
renderam-se ao Amor Divino emanado por Sidharta, que emitia eflúvios de
Luz, capazes de "envolver" aos que estivessem "tentados" a se render a
Deus.
Depois de sete semanas, Mara resolveu mandar três tentações, para se
insinuarem sobre Sidharta, mas elas fracassaram, sem conseguirem ser
"percebidas" por Ele, que estava em estado natural de "Graça".
Cheio de ódio, Mara resolveu atacar com um elefante de 150 léguas de altura,
que possuía mil braços, armados, cada um, com afiadas lanças. Ainda assim,
Sidharta permaneceu em Seu lugar, sem abalar-se com absolutamente nada.
O elefante, muito feroz, ao investir contra Sidharta curvou-se, humilde, diante
do Mestre, que ainda não havia atingido a Iluminação.
Novamente muitos demônios se renderam e afugentaram-se sob a árvore
onde Sidharta estava, sendo ocultos pelos Anjos do Senhor.
Mara urrou muito forte e exigiu que Sidharta abandonasse o Seu corpo físico,
ao que Sidharta respondeu que não faria, pois pretendia auxiliar muitos
humanos, que seguiriam a Sua doutrina de Libertação. Em algum momento
Ele pensara, sim, em desistir, pois talvez todo aquele confronto fosse inútil,
já que a lugar nenhum O levaria. Mas, nessa hora, o Senhor do Universo se
manifestara e dissera que os poucos que seguissem Sua doutrina naquele
momento, transformar-se-iam em muitos milhões no futuro.
Irritado, Mara sentou-se diante de Sidharta, travando com Ele estranho
diálogo:
- Como ousas desafiar-me assim, oh! Asceta?! – rosnou Mara
Sidharta permaneceu imóvel, enquanto continuava a "exalar" aromas
envolventes e relaxantes, que se espalhavam pelo vento.
- A carne não te pertence! Pertence a mim, que sou o soberano da matéria!
Novamente o silêncio. Não havia reação de nenhum músculo de Sidharta. Era
como se Mara estivesse a falar sozinho.
- Exijo que desistas e que deixes a matéria! – gritou Mara, tentando
desarticular as hierarquias de Paz, que mantinham a ascese espiritual do
lugar.
Sidharta não queria irritar o Seu opositor, o Senhor do Ego, e respondeu:
- Teu nome é ilusão! Tens a força d'uma criança e tenta vencer-me pelo
número, deixando, assim, transparecer a tua covardia!
- Covarde, eu?! – vociferou Mara- Sou mais forte que a própria Terra!
- Se assim fosse, não precisarias lançar mão de tantos recursos para fazer-
me desistir!
- Ah!, pobre de Ti, Sidharta, que não percebes que tudo que é da Terra a mim
pertence! O corpo que tens é patrimônio meu!
- Quando aportei na Terra, Mara, utilizei as substâncias comuns do Planeta
para constituir meu vaso físico. Minha mãe no mundo da forma, usou seu
mundo mental interior para receber-me em seu ventre, já estando distante do
mundo carnal há mais de vinte anos. Não vim a este Planeta para disputar
coisa alguma, Mara, pois o Amor não se disputa.
Apesar de estar na Terra, dela eu não faço parte, já que nela deixarei tudo
aquilo que dela precisei utilizar.
Exalando um odor pútrido, Mara retrucou:
- Queres convencer-me de uma santidade que não possuis, já que bem sei
que andaste a desfrutar de muito prazer carnal no harém de Teu pai,
participando de relações nada ortodoxas! Santo Tu não és não, Sidharta!
- Não estou no mundo da forma para mostrar santidade, pois dela eu não
preciso, já que minha alma permanece imaculada. Aqui estou por amor a
todos os que precisam usar a matéria como forma de aprendizado e
crescimento para um mundo melhor.
- Queres disfarçar e justificar a tua fraqueza, oh senhor do tudo! - ironizou
Mara, gargalhando histericamente.
- Não, Mara, quero apenas que saiba que o ego é uma ilusão. Que a alma que
tens é repositório puro e perfeito, que logo será capaz de se modificar. Digo
"logo", pois que o "logo" e o "depois" se confundem perante a eternidade,
Mara!
- Já que és tão santo, oh senhor da pureza, saia do mundo da forma e deixe a
ilusão do ego para mim. Chega de incomodar-me com a sua presença que
me é tão desagradável! A matéria me pertence!
- A matéria sem a alma para animá-la, não sustenta a vida, Mara. E a alma
pertence a Deus. Esta é uma Verdade contra a qual tu não podes lutar! Por
não possuíres sabedoria, vives a tentar justificar a própria ignorância,
fazendo uso de uma injustificada e brutal violência! Por não teres acesso à
benção do equilíbrio interior, não possuis arma alguma capaz de refrigerar o
fogo das paixões que provêm dos teus desencontrados atos! Por tudo isso,
não podes lutar contra a Virtude, pois Ela é etérea demais para ser maculada
por ti!
Mara ouvia atento, sem esboçar reação. A voz de Sidartha havia cortado
todas as correntes de ódio. Ele tentava manter a vibração do mal, mas
Sidharta o derrotava sem o menor esforço. Pensativo, Mara ouviu a pergunta
de Sidharta:
- Alegas estar eu fazendo uso indevido daquilo que te pertence, que é a
matéria, mas, e o teu espírito, Mara, a quem pertence? Se meu corpo, que é
matéria, a ti pertence, nada que venha do espírito pode pertencer a ti! Tudo
que provém do Espírito, provém de Deus. E o teu espírito, de onde vem,
senão de Deus?
Indignado, Mara não conseguia reagir, pois não estava sendo agredido.
Sidharta falava de maneira tal, que parecia mais estar a discutir com um
irmão, numa disputa banal, que envolvia a posse de um brinquedo qualquer.
- Deus é um covarde, Sidharta! – gritou Mara – Tão covarde, que não está
aqui a defender-te da ira do Senhor dos Infernos, que sou eu!
- Estás novamente iludido, Mara, já que os infernos não te pertencem, pois
Deus os criou! Ele permite que a treva, o ódio e todos os sentimentos
contrários à Verdade se lancem contra os que desejam obter força no
espírito! Na mesma intensidade que o ódio se desenvolve em teu espírito,
Mara, o Amor há de envolvê-lo! Tu precisas lutar a toda hora para impor o teu
ódio, enquanto que Deus jamais impõe o Seu infinito Amor a nenhum de
Seus filhos! Ama quem quer amar, assim como descobre a Verdade, quem
anseia por ela. Deus é a Verdade Absoluta, que jamais aprisiona ou coage
consciências para que O aceitem ou O compreendam!
Mara O observava de longe. Sabia que não poderia encarar a iluminada face
de Sidharta durante muito tempo, pois correria enorme risco de curvar-se
para adorá-Lo! Sua voz, cheia d'um Amor envolvente, teria a mesma
entonação da voz d'algum anjo, se Mara tivesse conhecido algum.
- Bem sabes, Mara, que Deus está a nos observar... Ele te abençoa muito
mais que a mim, para que sejas bem orientado nesse nosso embate. Teus
asseclas estão a te observar e ouvir os argumentos, que precisam estar
pautados num ódio lógico, sem hesitação que demonstre qualquer
fragilidade, capaz de desmoralizar os infernos dos quais tu mesmo te
intitulas dono!
Mara distraiu-se. A voz de Sidharta o hipnotizou e ele, poderia se dizer,
estava como que adormecido. As respostas de Sidharta não continham
vibrações contrárias àquilo que Ele desejava expor, pois eram carregadas de
Verdade. Eram palavras que vinham de forma tão natural, que nada se
opunha a elas. Elas faziam parte daquele cenário, das raízes de todos os
argumentos, do fundamento de todas as coisas criadas... E a criação não se
dera para ofender a quem quer que fosse. A criação se dera naturalmente... E
as palavras de Sidharta eram naturais... Todo o inferno distraiu-se, pois Mara
estava "absorvendo" a Verdade.
Assim como o barulho havia sido ensurdecedor no começo da contenda, o
silêncio tornara-se potente na mesma intensidade.
Contra quem Mara iria investir, se aquele "alguém" perdera o "eu", o orgulho,
o desejo e toda a intenção que fosse?
Mara tentava "acordar" de seus devaneios filosóficos, enquanto estava
diante daquele ser sublimado, que não se defendia de forma alguma. Sentia-
se como a querer assaltar uma rica cidade, cheia de obras valiosas, mas que
não possuía segurança alguma que defendesse seu rico patrimônio! E
mesmo que se roubasse todas as obras de arte nela contidas, outras tão
lindas quanto as que foram roubadas, seriam colocadas no lugar.
- Mara, eu só perderia o que não fosse meu! Minhas palavras são as belas
flores em mim plantadas pela força do arado que pertence a Eternidade!
Como roubar a beleza de um lindo cenário? Como roubar o brilho do sol no
final da tarde ou mesmo o brilho das estrelas que enfeitam as madrugadas?
Roubaria-se toda essa beleza somente por uns dias, nas horas de
tempestade... Mas jamais se poderia evitar que o belo cenário fosse
novamente montado, para inspirar tanto aos poetas e sonhadores, quanto
aos apaixonados.
Mara continuava pensativo. Não conseguia contra-argumentar. Sidharta não
o incitava ao ódio, muito pelo contrário, Ele o convidava ao silêncio e à
meditação.
- Podes antever a tua rendição, Mara? Entendes que o sábio não se exalta e
nem se apressa em provar a própria sabedoria, pois o tempo não existe para
quem vive sob a tutela da Eternidade? Poderia eu te provar que foste o
escolhido para esse singular embate... Mas não o faço, pois, um dia, a ânsia
pela Verdade há de tomar conta do teu espírito, fazendo-te buscá-La e tirar as
tuas próprias conclusões.
Mara assustou-se. Olhou ao seu redor e viu os demônios sonolentos. Mas
não se incomodou com o que via. Estava muito preocupado em manter as
suas vibrações opostas às vibrações de Sidharta. Ficara muito preocupado
com o que acabara de ouvir...
Ele, O Senhor do Mal, fora criado por ninguém menos que Deus! O mesmo
Deus que inspirava o seu opositor!
- Não te preocupes com tão pequenas questões, Mara, pois não desdenho do
teu poder nem muito menos de tua força! Eu precisava de um opositor à
minha altura e tu és esse opositor! Na mesma intensidade que Eu Sou a Luz,
tu és a treva! Eu Sou a Verdade e tu a ilusão! Da mesma maneira que o
Soberano do Universo não impõe o Seu infinito Amor às Suas criaturas, tu
não podes impor o teu ódio aos que se negam a ele! Tanto o Amor quanto o
ódio são de livre escolha para todos os seres da Criação!
Mara rugiu fortemente. Seu clamor odiento fez tremer a terra. Sua agonia era
quase mortal, tão terrível era! Detestava aquela situação de não conseguir
odiar ou atacar o seu oponente!
Seu movimento fez acordar todos os demônios que povoavam a Terra. Todas
as legiões do mal e todas as manifestações das impurezas, vieram unir-se ao
seu senhor, para derrotar o ousado asceta que tentava impor-se ao inferno.
Mara encheu-se do sentimento da podridão.
- Quem pensas que és, homem inútil, que não defende seus brios e muito
menos a própria humanidade? Que fazes aqui na Terra, se te intitula Anjo
Divino? Tua bondade e filosofia te trouxeram até este momento em que te
expões ao próprio inferno, sem a ajuda daquele ao qual chamas de Pai... Pai
incompetente, ausente e distante! Tão distante, que não vem até aqui para
livrá-lo desta situação de execração!
Enquanto falava, Mara se exaltava cada vez mais. Suas vibrações odientas
mostraram uma rápida reação, trazendo-o de volta do "transe" sentimental
no qual estivera profundamente mergulhado.
- Teu pai deve estar jogando carteado e te esqueceu de vez! Eu trouxe
comigo os que me são comuns, que torcem por mim e que me cedem
energias nesse combate. Eles aqui estão para provar as minhas Verdades...
Essas Verdades das quais tu andaste a falar, feito uma pombinha branca...
Posso provar a veracidade da minha violência! Posso trazer aqui as vítimas
do horror que eu criei e que até hoje vibram no ódio, por todo o infortúnio
que lhes causei. Posso provar os assaltos que comandei, jamais recuando
nem mesmo diante das criancinhas inocentes, que pediam por seus pais e
que tombavam logo após vê-los ser mutilados a sangue frio! Trago aqui as
testemunhas do meu horror, enquanto tu aí permaneces desamparado e
esquecido por todos!
Ouviu-se, então, o ecoar de milhares de gargalhadas infernais. Um ronco
estridente invadiu o ar, causando intenso mal estar aos que ali estavam.
Imediatamente fez-se noite e um cheiro forte de enxofre se fez sentir. O frio
tornou-se tão intenso, que os ossos de Sidharta virariam pó se a
misericórdia Divina não o auxiliasse.
- Prove, ó Homem infeliz, tudo aquilo que você foi! Traga testemunhas que
provem que um dia você existiu! Será que você foi mesmo o bonzinho que
diz ser?
Nesse momento, singelo cenário formou-se numa tela que se ergueu diante
da árvore em que Sidharta estava. Nessa tela passaram-se as mais de um
milhão de encarnações que Sidharta tivera. Ele havia nascido príncipe várias
vezes e várias vezes havia abdicado do direito que tinha ao luxo, para
auxiliar seu próximo; havia sacrificado a própria vida para servir aos que
mais tarde o trairiam ferozmente; havia sido condenado a morte estando
inocente; havia sido uma montanha, um macaco... Sua infinita misericórdia
emocionava e tocava muitas consciências que ali se encontravam. Mas
Sidharta permanecia imóvel e silencioso, como se não quisesse usar
nenhum recurso que pudesse provar Sua Bondade.
Enquanto Mara gritava e esbravejava, Sidharta meditava no Seu iluminado
interior. Não queria desafiar o Seu opositor, pois a causa que defendia
auxiliaria também a ele, o próprio Mara, futuramente. Seus ensinamentos lhe
serviriam de guia bendito nos momentos de dor. Sidharta o amava, pelo
enorme esforço que fazia não desistindo de lutar, mesmo que diante de
alguém às portas da iluminação! Sidharta sabia do enorme respeito que Mara
nutria por Ele.
Antes d'Ele, seis homens haviam chegado à Iluminação, tornando-se Budas,
mas nenhum d'Eles havia pedido ajuda no momento crucial de suas
dificuldades. Pedir ajuda poderia significar fraqueza, mas Sidharta jamais se
envergonhou de precisar da ajuda dos seus comuns. Em Seu interior,
vislumbrou a inconfundível Luz do Pai Maior que jorrava sobre Ele. Aquela
sublime visão o emocionou profundamente. Pode ver todas as Hierarquias
Celestes a se movimentarem de forma respeitosa em Sua intenção. Viu que o
Universo vinha cumprimentá-Lo, como se até as estrelas tivessem
abandonado os seus postos no céu, para vir Lhe tocar a carne bendita!
Todos já estavam cientes do resultado daquela prova.
Deus havia permitido que todos os seres da Criação ali estivessem para
assistir o desenrolar dos fatos, para que jamais se esquecessem do
momento da Glorificação de um Ser da Criação!
Mara sentiu-se enfraquecer. Ele não poderia mais lutar contra argumentos
tão santificados! A Glória de Sidharta já o tocara também, pois ele mesmo,
Mara, pudera ver os Anjos das Hierarquias Celestes. Sidharta havia pedido
ao Pai que o Seu oponente pudesse vislumbrar as Luzes que emanavam
daquelas benditas hierarquias. Ele queria presentear o Seu opositor no
momento de Sua Glória. E o Pai, feliz por ver a humilde entrega daquele filho,
que devolvera ao Universo tudo aquilo que dele obtivera, não retendo nada
em Seu poder, mesmo o que poderia resultar em Seu próprio benefício; que
tudo entregara em prol do mundo; que tudo abdicara em nome do Amor,
permitiu que Mara recebesse a Benção especial de ser ungido pelo Divino
Espírito Santo, o que o faria encontrar a Verdade de forma mais serena e
segura.
Sidharta olhou o Tempo, agora tão pequeno, humilde e serviçal... Fora
através daquela 'ilusão' chamada Tempo, que pudera desvendar a
"Eternidade". Estava profundamente agradecido a tudo que O auxiliara na
Sua trajetória em direção ao Pai. Emitiu, então, um forte facho de luz divina,
através do Seu terceiro olho, que além de iluminar dezoito mil mundos,
penetrou até o último dos infernos, libertando muitos que já estavam em
estado de profunda meditação em relação ao Criador.
Mara estava a aguardar uma posição de Sidharta, quanto ao desafio que
lançara. Quem testemunharia por Ele? Quem se ergueria em defesa de
Sidharta, sabendo que, se o fizesse, receberia a sua maldição de senhor dos
infernos?
Ainda vislumbrando as luzes divinas, que envolviam o mundo inteiro,
Sidharta tocou a terra, implorando sua ajuda. E, no mesmo instante em que o
fez, ouviu-se um forte rugido, que foi emitido pelos profundos veios da terra.
O País inteiro tremeu e a própria terra falou, de forma arrepiante, como se
quisesse ser ouvida por todo o Universo:
- Eu testemunho por vós!
Todos os demônios fugiram assustados, enquanto os louvores à Sidharta,
agora como o Buda da Compaixão, subiam aos Céus.
Deus fez-Se ouvir, do alto de Sua Bondade e Sabedoria:
- Chegaste ao grau máximo de Iluminação, meu filho. E daqui em diante,
quaisquer argumentos contrários à Tua bendita vontade, cairão por terra!
Cumprirás a minha Palavra, mostrando aos seres da Criação que tanto faz
que caminho seja cruzado: se o do Bem ou se o do mal; tanto faz que se seja
rico ou pobre, justo ou pecador, puro ou profano, e sim que a divina
consciência permaneça alerta em seu espírito. Não adianta exigir muito da
consciência humana, pois isso a faria se perder na dor. Mas também não se
deve afrouxar demais as rédeas da alma, fazendo-a perder-se de si mesma. O
certo e justo é o caminho do meio, onde o ser mantém a retidão, mas não
nega a si a própria humanidade. Criei o humano para que exercesse a sua
humanidade e não para que a execrasse e a maldissesse. O caminho do meio
será sempre um bom conselheiro, não permitindo que se deseje mais do que
se é permitido desejar; que quanto mais se deseja, mais se distrái no
caminho da libertação; que o desejo ensina o caminho da frouxidão que leva
ao despenhadeiro das paixões, onde se podem ouvir o ranger dos dentes e
os gemidos do arrependimento. Quanto menos se desejar, mais feliz se
poderá ser, podendo-se, assim, desfrutar da infinita paz que permeia os bons
de coração!
Fez-se, então, glorioso silêncio. Tudo desapareceu, da mesma maneira que
surgira. Buddha pode contemplar todos os horizontes da Terra e abençoá-
los, um a um. Poderia, a partir de então, transmutar as energias, conforme a
consciência de cada um, em prol de um grupo, de uma família, de uma
empresa, de uma cidade, de um país ou de todo o mundo. Através de Sua
jornada, pudera obter bastante sabedoria, capaz de transformar os
elementos comuns desta dimensão, já que fora o primeiro homem a atingir a
divindade.
Ele, já como Buddha, foi até seus cinco amigos, aqueles que o acusaram de
glutão e de esfomeado. Ao vê-Lo, ao longe, um deles gritou: "Olha lá quem
vem aí! É aquele que se foi, mas que já deve ter se arrependido de ter ido!".
Ao ouvir isso, um outro gritou: "Não devemos olhá-Lo, pois Ele não merece a
nossa consideração. Vamos deixá-Lo falando sozinho!"
Buddha aproximou-se, já sabendo do diálogo entre eles. Sorriu e os
abençoou. Um deles,(todos estavam sentados em círculo), O olhou e ficou
fascinado com o que viu: viu que a face d'Ele estava iluminada, como um sol
misterioso a emitir muita Luz, dentro de um corpo carnal, deixando escapar
claridade através dos poros e de outros orifícios da face. Imediatamente caiu
de joelhos, pediu perdão e deu glórias à Buddha, no que foi seguido por seus
outros companheiros.
Buddha os instruiria a escreverem sobre o 'caminho do meio', que deveria
ser seguido por todos aqueles que quisessem se libertar de si mesmos.
Amigos, essa postagem tem como objetivo, instruir e orientar. Durante uma
'Gira' muitos sofredores podem ser encaminhados e consolados em suas
dores. Por favor, não me interpretem mal, pois passei minha vida estudando
sobre isso, para que um dia pudesse contar ao mundo o que ocorre durante
o desdobramento de uma sessão espírita! ��
Aprendizado
Já era madrugada e a gira corria animada, com muitos sofredores sendo
atendidos de forma alegre e prazerosa.
Maria girava e girava, cantando, dançando e sacudindo as saias, mas sempre
prestando atenção no que ocorria ao seu redor. Lá pelas tantas da
madrugada, os maqueiros da espiritualidade colocaram aos pés dela uma
maca com o espírito de um jovem médico, que se encontrava encolhido,
devido ao medo que tinha de tudo. Ela o olhou afetuosamente e sentiu que
ele estava exausto de tanto lutar contra si mesmo. Maria abaixou-se, sentou-
se no chão e ficou a encarar aquela figura durante alguns segundos para, em
seguida, colocar uma de suas mãos sobre a cabeça dele.
Imediatamente, lúgubre cenário formou-se em sua tela mental.
Ela viu um hospital de campana, para onde feridos de guerra eram levados.
Ali, três jovens médicos, descendentes da nobreza Europeia, atendiam,
amorosa e confiantemente todos que ali chegavam. Mas algo estava
acontecendo, que muito os entristecia: não haviam mais recursos médicos
necessários, como antibióticos, gaze, algodão, corticoides e tantos outros
medicamentos, para atender a tantos doentes e mutilados. E, para manter
tudo bem organizado, eles resolveram passar a escolher quem iria ou não
viver. E assim foi feito. Mas aquilo tudo lhes envenenou a consciência
quando, mas tarde, depois de terem feito a passagem, passaram a recordar
aquele terrível episódio de suas vidas. Em consequência disso, aquele que
ali estava aos pés de Padilha, vinha sofrendo cada dia mais, destruindo
todas as oportunidades de vida que o grande Ser lhe proporcionara até
então. Seus outros dois companheiros não se perturbaram com isso, e,
apesar de abalados em suas consciências, seguiram renascendo, como
médicos de front de guerras, zelando por todos, sempre com desvelo e
desprendimento.
Maria retirou sua mão da cabeça do rapaz e o fez levantar. Na verdade ela
quase deu uma surra nele, para que se levantasse. Ao vê-lo de pé, ela o
atraiu para junto de si, num abraço tão apertado, que ele por mais que
tentasse, não conseguiu se livrar. Abraçada a ele, ela começou a falar em seu
ouvido:
- Eu estava lhe esperando aqui, moço! - falou ela, num sussurro - Quem lhe
condena, meu jovem, senão você mesmo? - perguntou ela - Olhe ao seu
redor! Ninguém aqui é santo!
Ela terminou a frase numa gostosa gargalhada, o que o fez estremecer e
quase despertar de seu torpor.
Parecendo estar bêbado ou drogado, ele tentava ver alguém ali que o
estivesse apontando, mas ali todos só riam, cantavam e dançavam.
Padilha tornou a sussurrar em seu ouvido:
- Ninguém lhe condena, doutor!
Ele estremeceu quando ela pronunciou a última palavra.
- Você deu o seu melhor para todos aos quais atendeu, mas parece não se
perdoar, e permanece nesse torpor, teimosamente, por quase dois séculos,
entre suicídios e reencarnações em corpos deformados, tentando se punir ao
máximo!
Enquanto ele chorava copiosamente, ela o apertava contra si delicadamente.
As entidades manifestadas em seus respectivos médiuns perceberam o que
ocorria e fizeram um círculo ao redor dos dois, permanecendo em silêncio,
passando energia para aquele jovem sofredor.
- Agora olhe e veja quem veio lhe ver! - ela disse sorrindo.
Seus antigos companheiros de front de guerra ali estavam, em
desdobramento astral, vindos de suas atuais encarnações. Foram levados
até ali para abraçá-lo e dar-lhe forças.
Durante algum tempo eles conversaram alegremente, enquanto os atabaques
tornavam a rufar.
Depois que os dois doutores foram embora, abriu-se um espaço na gira,
dando passagem à Seu Tranca-Ruas das Almas, que chegou com sua
ruidosa falange. Tranca-Ruas fez uma reverência diante do antigo médico,
saudando-o respeitosamente:
- Vim aqui hoje, doutor, para convidá-lo a trabalhar como falangeiro meu, nos
fronts das guerras espirituais e mortais, que se travam todos os dias nesse
nosso Planeta. Tenho vários médicos em minha falange que, por seus
méritos, conseguem evitar suicídios, restauram o vaso físico de pessoas que
tiveram a saúde abalada devido à perseguições espirituais seculares e
outros tantos casos de intercessões familiares, que amenizam os males
causados pelos desequilíbrios morais. Preciso dos seus conhecimentos
quanto aos males que as culpas podem causar no corpo físico e astral de
cada um!
Mas não se constranja caso não queira aceitar, pois tudo tem sua hora de
acontecer, amigo! Padilha o atraiu para cá, para tirá-lo do círculo letárgico no
qual você se encontra há séculos!
Durante algum tempo, o antigo médico ficou a olhar aquele cenário, onde
várias entidades se manifestavam em corpos de médiuns e onde enorme
assembleia de aflitos aguardava sua vez de ser atendida. Pensou que ele
mesmo estava sendo privilegiado naquele momento, por receber um nome e
uma extensa 'família' voltada para o bem da coletividade!
- Sim, eu aceito! - respondeu o jovem já refeito.
Tranca-Ruas ergueu-se, e falou, colocando uma das mais no ombro do rapaz:
- Como Chefe de Falange, eu, Tranca-Ruas das Almas, batizo esse nosso
novo falangeiro, que trabalhará em nome do bem e da ordem, sob o nome de
Seu Tranca-Ruas das Almas das 7 Encruzilhadas!
Nesse mesmo instante todos aplaudiram e assobiaram ruidosamente,
transformando aquele acontecimento em festa!
Os Orixás, sentados em Seus tronos de luz, comemoraram a libertação
daquele tão sofrido jovem, que a partir dali dedicou-se amorosa e fielmente à
falange de Tranca-Ruas das Almas!
Laroyê!
O Nome de Maria
By Eliane Arthman
...a luz emitida pelo Senhor resvalava iluminando a noite escura de nossas
almas, cauterizando as feridas abertas por nossa própria invigilância.
Era como se todas as Leis do Universo estivessem sendo quebradas para
nos beneficiar, mesmo que tudo aquilo estivesse em desacordo com os
nossos parcos merecimentos.
Um único sentimento foi capaz de nos unir, apesar de sermos tão diferentes
uns dos outros e de termos trilhado estradas tão adversas. E esse
sentimento era o Amor!
E o Senhor falou:
- O que me leva a fazer esse bordado de contas tão diferentes umas das
outras? O que leva a claridade a debruçar-se sobre a escuridão,
confundindo-nos ao tentarmos saber de onde se origina tanta luz?
O que levou a flor de lótus e a garça a povoarem o pântano infecto enchendo
de beleza, frescor e graça um cenário tão cinzento?
Seria apenas um acaso o encontro de tão belas criações num cenário tão
infausto?
Silenciosamente, cada um de nós se perguntava onde estavam as
verdadeiras estrelas, se para quaisquer lugar para onde olhássemos
podíamos vê-las.
Se a claridade estava a colorir apenas o céu, o que seria aquilo que reluzia
no chão e vencia a escuridão que tanto nos assustara até então?
Era a luz que encontrava um meio de expandir-se pelo espaço entre aqueles
dois mundos tão distantes, refletindo-se graciosamente nas pequenas poças
d'água, fazendo-nos sorrir pelo privilégio de poder vislumbrar tanta beleza
num só instante!
(Do texto Revelação)
Eliane Arthman
No último degrau que me levava ao "sem segundo" deixei-me absorver por
seu suave Ser.
Todos os vitrais do meu Templo interior reluziram com as cores da Criação,
enquanto o suave rumor dos sons, semitons, semibreves, sustenidos,
bemóis e tons modais ecoava, alegremente, sendo absorvido pela matéria
fluídica de todo ambiente.
Eu buscava conceber a realidade fantasma, o mundo do sem nome, a
verdade absoluta!
O Tempo chegou na forma de Sete seres vestidos de negro, com seus
semblantes ocultos por enorme capuzes.
- O quê são vocês? - perguntei
- Somos o Tempo!
- E o que vieram fazer na Terra?
- Viemos impressionar os habitantes desse Planeta, de forma que sejamos
como uma prisão invisível!
Eu os olhei curiosa, analisando suas figuras bizarras. E antes que eu falasse
alguma coisa, eles me esclareceram:
- Teremos de 'pesar' sobre os seres, causando-lhes angústias, carências e
medos!
- E para quê isso?
- Para que o homem jamais consiga conceber a Eternidade e, assim, nunca
possa desfrutar de sua liberdade! A Eternidade só poderá ser concebida por
aqueles que perceberem as cegueira e ilusão causadas pelo Tempo!
- E depois que essa percepção chegar, o que acontecerá?
- O homem poderá ver todas as suas manifestações consciênciais no
Planeta, absorvendo tudo o que puderam apreender em suas mais de um
milhão de vidas!
- Mais de um milhão de vidas ao mesmo tempo? Difícil de se conceber isso...
- A Sabedoria anula o carma, pois o saber lhe afasta dos malefícios que a
ignorância pode causar! À partir do momento em que se sabe estar vivendo
em mais de um milhão de corpos ao mesmo tempo, essa Verdade começará
a expandir a alma de quem teve o privilégio de ouvir esse Ensinamento!
E, entenda de uma vez por todas:
tudo nessa vida é treino!
Pense sobre isso com cuidado e atenção, pois essa é a Verdade que envolve
a Criação!
Eliane Arthman
 
APRENDIZADO
Só o Venerável Buddha pode transmutar e transferir a nosso plano a energia
dos planos superiores. Sem a Sua mediação, esta energia não seria
aproveitável pois a vibração da mente de Deus é muito elevada e é
impossível percebê-la nos planos físicos, emocional e mental.
A primeira Pessoa da Santíssima Trindade é Deus, que É o começo, o meio e
o fim!
A Segunda Pessoa é o Verbo Divino que se fez homem e habitou entre nós.
Seu nome é Jesus.
Ele é o Amor, o Cordeiro, e diante d'Ele, todos se curvam, nos Céus, na Terra
e nos infernos.
Jesus nos trouxe a Palavra, os exemplos, as Virtudes da alma!
Ele é o Amor no qual todo o Universo se pauta!
A Terceira Pessoa é a Sabedoria.
É Aquele que pergunta: 'Você nasceu?' E que nos lembra que apenas o
corpo nasce e morre!
Ele é o que materializa as obras de Jesus e que traz a cura, que é realizada
no campo espiritual, para o campo físico.
Ele traz as memórias espirituais e, por isso, nos conecta com aquilo que já
realizamos.
E é através dessa memória que podemos obter os Dons.
E é no Divino Espírito Santo que a Sabedoria que envolve todo o Universo
está contida.
E são os Veneráveis Mestres compõem a Terceira Pessoa da Santíssima
Trindade.
Alguns d'Eles são:
Veneráveis Buddhas do passado, do presente e do futuro, Venerável Krishna,
Veneráveis Shantideva, Milarepa, Sócrates e muitos outros.
Assim o É!