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Universidade Católica de Moçambique

Faculdade de Gestão de Turismo e Informática

Tema:
O Ministério Público e o processo civil

Docente:
Mestre: Zacarias Zinocacassa

Discente:
Jafete Sigoto André Fremo

Pemba, Agosto de 2014


Índice
I. Introdução .............................................................................................................................................. 3
II. Noção do Ministério Público ................................................................................................................. 4
III. Actuação do Ministério Público na Jurisdição Civil ......................................................................... 4
1. Estado: ............................................................................................................................................... 7
2. Incapazes e ausentes .......................................................................................................................... 8
3. Incertos ............................................................................................................................................10
IV. Formas de intervenção do Ministério Público nos actos judicias ....................................................11
• Intervenção principal do Ministério Público ...................................................................................11
• Intervenção acessória do Ministério Público ...................................................................................12
V. Distinção entre intervenção principal e acessória ................................................................................14
VI. Intervenção do Ministério Público nos processos em que não é parte ............................................15
Conclusão ....................................................................................................................................................18
Bibliografia ..................................................................................................................................................19

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I. Introdução
O presente trabalho tem como título o Ministério Público e o processo civil, e insere-se, no âmbito
da disciplina de Processo Civil – Práticas Forenses, oferecido pela Universidade Católica –
Faculdade de Direito, para o curso de Mestrado em Direito Civil.
O Papel do Ministério Público em processo civil, tem sido visto por alguns cultores de direito
como sendo de menor relevo bem como a própria sua intervenção, alias nas audiências de
discussão e julgamento o mistério público mesmo participando o mesmo não contribui para a
produção de prova facto que é relegado as partes interessadas no processo isto é autor réu e o
tribunal, devendo entender-se tribunal o juiz e os juízes eleitos excluindo-se o Ministério Público.
Este trabalho tem como objectivo geral trazer a ribalta o papel do Ministério Público na jurisdição
civil, e em teremos de objectivos específicos analisar a actuação do Ministério Público na
jurisdição civil, a intervenção do mesmo quando representa o Estado, Incertos e Incapazes e
ausentes, como parte principal e acessória bem como ao intervenção do Ministerio Público nos
processos em que não é parte.
Para a concretização dos objectivos traçados para a elaboração do presente trabalho usaremos o
metódo indutivo, visto que partiremos de certos casos particulares para o geral.
Ao longo do presente trabalho procuraremos fazer abordagem do papel do Ministério Público no
Estado moçambicano, tendo em conta a legislação vigente.
O tema que nos propusemos a apresentar é um tema que já foi abordado entre nos pelo Dr. Tomas
Timbane, este tema em Portugal também já foi abordado pelo António da Costa Neves Ribeiro, na
sua obra O Estado nos Tribunais – Intervenção Civil do MP em 1ª instância.
Por isso o nosso trabalho encontra-se subdivido em cinco partes que são: introdução noção do
Ministério Público; actuação do Ministério Público na jurisdição civil; formas de intervenção do
Ministério Público; intervenção do Ministério Público nos processos em que não é parte; conclusão
e bibliografia.
Com a organização que acima indicamos achamos que vamos poder discutir o papel do Mistério
Público na jurisdição civil.

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II. Noção do Ministério Público
O Ministério Público é um órgão do Estado (art.234.° ss. da CRM), encarregue de representar o
Estado, os menores e os ausentes, defendendo legalidade e os interesses determinados na
Constituição (art. 20, n.°1 da LOJ e 15 da LOMP) (Timbane, 2010, p.195).
Já a dicionarista Ana Prata, define o Ministério Público como sendo uma organização hierárquica
de magistrados encarregados, em especial, de representar junto dos tribunais o Estado, os
incapazes, os ausentes e os incertos, de defender a legalidade democrática, de promover a acção
penal, oficiosamente ou mediante denúncia, de intervir em todas as acções defendendo os
interesses que a lei exigir.
O artigo 234.° da C.R.M. da nos a noção jurídico constitucional do que é o Ministério Público
dispondo que:

1. O Ministério Público constitui uma magistratura hierarquicamente organizada,


subordinada ao Procurador – Geral da República.
2. No exercício das suas funções, os magistrados e agentes do Ministério Público estão
sujeitos aos critérios de legalidade, objectividade, isenção e exlusiva sujeição às directivas
e ordens previstas na lei.
3. O Ministério Público goza de estatuto próprio e de autonomia, nos termos da lei

Como podemos ver a noção do que é o Ministério Público só pode ser a sacada no n.°1, e os
números 2 e 3, referem-se a actuação, estatuto e autonomia do Ministério Público. No entanto as
definições da Dicionarista Ana Prata e bem como do Timbane, parecem nos acabadas por que
incluem as funções do Ministério Público dentro daquilo que é a noção sem deixar espaço para
tirar-se certas ilações como o fez o legislador constituinte.
Indo ao legislador ordinário fica claro que de facto a noção do que é o Ministério Público é a
constante no n.°1 do artigo 234.° da C.R.M., porque este por sua vez faz a transcrição ips verb da
norma retro citada no n.°1 do artigo 1 da Lei n.°22/2007, de 1 de Agosto.

III. Actuação do Ministério Público na Jurisdição Civil


No âmbito do processo civil, o Ministério Público tem reduzida mas relevante intervenção. Em
todo o caso, o papel do Ministério Público no processo civil atenua o princípio da iniciativa das
partes e do dispositivo, porque, como referimos, o legislador entendeu que há um conjunto de

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relações jurídicas de natureza privada onde o interesse público se manifesta mas intensamente e
justifica a intervenção do Ministério Público (Timbane, 2010, p.196).
A posição do Dr. Timbane, nos parece que é assumida por muitos advogados até dos próprios
magistrados do ministério público e dos magistrados judicias o que não é de concordarmos mas
para tal faremos um estudo daquilo que é o Ministério Público e posto isto iremos apresentar o
nosso posicionamento.
E para terminar diz ainda Timbane que são facilmente identificáveis os casos de intervenção do
Ministério Público no processo civil: o exercício da acção civil nos casos previstos na lei (art.6 da
LOMP); intervêm obrigatoriamente em algumas categorias de processos e em todos os processos
perante o Tribunal Supremo e os Tribunais Superiores de Recursos (art. 5 da LOMP na redação
dada pela Lei n.°8/2009, de 11 de Março) (2010, p.196).
Diante da questão acima apresenta temos primeiro que analisar as competências do Ministério
Público que encontram-se plasmadas na lei orgânica desta magistratura, Lei n.° 22/2007, de 1 de
Agosto.
Nos termos Lei n.° 22/2007, de 1 de Agosto, dentre as competências do Ministério Público
elencadas no artigo 4, para a jurisdição civil, o legislador ordinário emana que:
“1. Compete ao Ministério Público:…
b) Zelar pela observância da legalidade e fiscalizar o cumprimento das leis e demais normas
legais;

d) Assegurar a defesa jurídica daqueles a que o Estado deva proteção especial, nomeadamente os
menores os ausentes os incapazes, nos termos definidos por lei;
e) Participar nas audiências de discussão e julgamento colaborando no esclarecimento da
verdade e enquadramento legal dos factos, podendo para o efeito fazer directamente perguntas e
promover a realização de diligências que visem a descoberta da verdade material;
f) Recorrer para as instâncias superiores das decisões judiciais nos termos da lei;
g) Representar e defender junto dos tribunais os bens e interesses do Estado e das autarquias
locais, os interesses colectivos e dufusos, bem como outros definidos por lei;

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i) Promover a representação ou assistência jurídica do Estado e outras pessoas colectivas de
direito público, nos processos judiciais movidos em tribunais estrangeiros em que aqueles sejam
parte…”.
Atento as competências supra citadas temos a dizer que as constantes na línea a); e) e f) podem ser
consideradas transversais na medida em que aplicam-se também à outras jurisdições como a
criminal e a laboral, sendo as restantes especificas da jurisdição civil.
Nesta ordem, podemos dizer que nos processos em que haja interesses do Estado, das autarquias
locais, incapazes, menores ausentes e incertos, interesses difusos e colectivos, cabe a intervenção
do Ministério Público como parte principal na medida em que processualmente tem o direito e o
dever de representar essas entidades e interesses, é o que se encontra plasmado no n.°1 do artigo
6.° da Lei n.°22/2007, de 1 de Agosto.
Nos casos supra citados o Ministério Público pratica actos processuais como se de advogado se
trata-se, neste caso constituído ou oficioso, intervindo no processo não munido de poderes de
autoridade, mas em pé de igualdade com os particulares, porquanto estamos no âmbito das relações
jurídico – privadas.
Por exemplo, o Estado apesar da acepção de Estado – Governo/Administração munido de poderes
de autoridade como comumente o conhecemos, também pratica actos de gestão privada, ou seja,
pode celebrar contratos como qualquer privado o faz, o que significa que nessas relações o Estado
intervém em pé de igualdade com os particulares, daí que qualquer litigio decorrente dessas
relações é competente para dirimir o tribunal comum, mormente o civil.
É assim quem o legislador ordinário exclui da jurisdição administrativa os conflitos que advêm de
actos de gestão privada do Estado 1, e para estabelece na alínea e) do n.º1 do artigo 5.º da Lei n.º
24/2013, de 01 de Novembro, que: “1. Encontram –se excluídas da jurisdição do Tribunal
Administrativo, e dos tribunais administrativos provinciais e da Cidade de Maputo, a apreciação
e decisão relativas a: …questões de direito privado, ainda que qualquer das partes seja pessoa de
direito público.” 2

1 Amaral (1989), diz que: Vimos a seu tempo que se a Administração Pública toma uma decisão fora do âmbito da
função administrativa, o acto que pratica não é um acto administrativo. Poderá tratar-se de um acto de gestão privada,
ou de uma decisão judicial, por exemplo (p.220).
2 A competência do Tribunal Administrativo e dos tribunais administrativos provinciais e da Cidade de Maputo

encontram-se hoje reguladas no artigo 4.° da Lei n.°24/2013, de 01 de Novembro, que revogou a Lei n.°9/2009, de 11
de Março.

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Estas competências do Ministério Público são originárias do direito subjectivo e o legislador
aponta três situações em que o Ministério Público pode representar as partes que são:

• Estado
• Incapazes e ausentes
• Incertos.

1. Estado:

O Estado é representado pelo Ministério Público é assim que dispõem o artigo artigo 20.° do
Código do Processo Civil que:

1. Estado é representado pelo Ministério Público.


2. Se a causa tiver por objecto bens ou direitos do Estado, mas que estejam na
administração ou fruição de entidades autónomas, são estas obrigatoriamente citadas
para, querendo, constituir advogado que intervenha no processo juntamente com o
Ministério Público.
3. Havendo divergências entre o Ministério Público e o advogado, prevalece a
orietanção daquele.

Quanto a representação do Estado Pelo Ministério Público, constitui uma das competências do
mesmo nos termos da alínea i) do n.°1 do artigo 4.º da lei n.°22/2007, de 1 de Agosto. Ainda esta
competência é constitucional, encontrando – se estabelecida ab initio do artigo 236.°, da
Constituição da República de Moçambique, Neto (2003), comentado e anotando o Código de
Processo Civil, português, ensina nos quando e como o Ministério Público pode e deve representar
o Estado, é assim que diz que:
«Sob o ponto de vista jurídico, o vocábulo Estado é utilizado em várias acepções, tais como a acepção
internacional, a acepção constitucional e a acepção administrativa.
Considerando esta ultima – a única que importa para o caso em análise -, o Estado assume – se como pessoa
colectiva pública que, no seio da comunidade nacional, desempenha, sob a direcção do Governo, a actividade
administrativa, ou seja, como Estado – administração. Como salienta Diogo Freitas do Amaral, o Estado –
Administração e encarado como “uma pessoa colectiva pública autónoma, não confundível com os
governantes que o dirigem, nem com os funcionários que o servem, nem com as outras entidades autónomas
que integram a administração, nem com os cidadãos que com ele entram em relação” (cf. Curso de Direito
Administrativo, 2.ª ed., vol. I, Coimbra, Almedina, 1994, pp.213 e 214). Ainda segundo o mesmo autor, “o

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interesse prático maior do recorte da figura do Estado – Administração reside, justamente, na possibilidade
assim aberta de separar o Estado das outras pessoas colectivas públicas que integram a Administração (cf.
ob. cit., p. 214).
De acordo com o sentido exposto, o Estado – Administração abrange apenas a chamada “administração
directa do Estado” concentrada ou desconcentrada), a qual a barca todos os órgãos e serviços integrados na
pessoa colectiva Estado, hierarquicamente dependentes do Governo e sujeitos ao poder de direcção deste.
Ficam excluídos daquele conceito a denominada “ administração indirecta do Estado” constituída por uma
pluralidade de entes públicos que realizam, com autonomia administrativa e financeira, fins do Estado e que
estão sujeitos ao poder de superintendência do Governo (v. g. institutos públicos), e a administração
autonoma, de caracter local (autarquias locais), de base institucional (universidades) ou corporativa
(associações públicas) em relação à qual o Governo exerce apenas um poder de tutela (cf. o art. 202.°, alínea
d), da Constituição] (pp.51-52)
Ora, o entendimento generalizado da doutrina vai no sentido de a representação judicial do Estado, através
do Ministério Público, abranger exclusivamente o Estado – Administração, com o sentido que acabou de ser
exposto. Já quando aos serviços públicos personalizados ou institutos públicos, uma vez que gozam de
personalidade jurídica, de autonomia administrativa e financeira e de património próprio, a sua representação
judicial está, em princípio, a cargo dos seus órgãos estatutários ou institucionais próprios. É isso que sucede
com as instituições de previdência ou de segurança social, as quais, de acordo com o que se estatui no n.°2
do art. 7.° da Lei n.° 28/84, de 14 – 8, são pessoas colectivas de direito público. A representação judicial dos
serviços personalizados do Estado ou dos institutos públicos só caberá ao Ministério Público quando o
respectivo diploma orgânico o previr expressamente…]» (do Ac. n.° 678/95 do Trib. Const., de 28.11.1995:
DR, I-A, de 5.1.1996).
Não é fácil distinguir quando é que o Estado deve ser representado pelo Ministério Público ou por
advogados a serem constituídos pelo próprio Estado, da lição supra dada duvidas não subsistem
que o Ministério Público somente deve representar o Estado – Administração, podendo representar
as demais pessoas de direito público quando os estatutos e a lei assim imperarem.

2. Incapazes e ausentes

Incumbe ao Ministério Público a defesa dos ausentes e dos incapazes, e esta representação encontra
-se estabelecida no artigo 15 do Código de Processo Civil, que estabelece que:

1. Se o ausente ou o incapaz, ou os seus representantes, não deduzirem oposição, ou se


o ausente não comparecer a tempo de deduzir, incumbe ao Ministério Público a defesa
deles, para o que é citado, correndo novamente o prazo para a contestação.
2. Quando o Ministério Público represente o autor, é nomeado um defensor oficioso.

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3. Cessa a representação do Ministério Público ou do defensor oficioso, logo que o
ausente ou o seu procurador compareça, ou logo que seja constituído mandatário
judicial do ausente ou do incapaz.

Neto (2003), comentando e anotando o artigo 15.°, do Código de Processo Civil português, que
corresponde ips verb, ao artigo 15.° do Código de Processo Civil moçambicano, ensina nos que:
“1. Para que ao M.°P.°, incuba a sub-representação nos termos do n.°1, importa que o
representante, além de não contestar, não constitua advogado (cfr. n.°3)” (p.50).
A representação dos incapazes e dos ausentes para além de estar regulada no Código de Processo
Civil, também encontra-se regulada na alínea d) do n.°1 do artigo 4.°, da Lei n.°22/2007, de 01 de
Agosto.
É importante analisar a questão constante do n.°2 do Código de Processo Civil, nas situações em
que o Ministério Público representa o autor, estando o réu em parte incerta, o legislador diz que
tem que ser nomeado um defensor oficioso.
A nomeação do defensor oficioso feita nos termos previstos nos n.°s 3 e 4 do Código de Processo
Civil que estabelecem que:

“…3. Em caso de conflito entre entidades, pessoas ou interesse que o Ministério Público
deva representar, o Procurador – Geral da República solicita à Ordem dos Advogados a
indicação de um advogado para representar uma das partes.
4. Ao juiz pertence a nomeação de mandatário quando, havendo urgência e a nomeção
não possa ser feita nos casos indicados nos números anteriores e a Ordem dos
Advogados a não faça dentro do prazo que tenha sido indicado.”

A disposição que acima citamos corresponde ao que encontra-se plasmado nos n.°s 4 e 5, do artigo
6.°, da Lei n.° 22/2007, de 01 de Agosto.
Ainda o artigo 16.°/A, do Código de Processo Civil dispõem que:

1. Incumbe ao Ministério Público, em representação de incapazes e ausentes, intentar


em juízo quaisquer acções que se mostrem necessários à tutela dos seus direitos e
interesses.
2. A representação cessa logo que seja constituído mandatário judicial do incapaz, ou
ausente ou quando, deduzindo o respectivo representante legal oposição à intervenção

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principal do Ministério Público, o juiz ponderado o interesse do representado, a
considere procedente.

É importante dizer que o legislador não foi atento quanto a arrumação do Código de Processo
Civil, no nosso entender o artigo 16.°/A, devia ser 15.°/A, e devia vir asseguir ao artigo 15.° e não
ao artigo 16.° do Código de Processo Civil, porque o artigo 16.°, trata da representação dos incertos
e o artigo 15.°, trata da representação dos ausentes e incapazes e a mesma matéria é também tratada
no artigo 16.°/A.

3. Incertos

Quanto aos incertos, a representação legal dos mesmos encontra-se regulada no artigo 16.°, do
Código de Processo Civil, é assim que estabelece o artigo 16.° do Código de Processo Civil que:

1. Quando a acção seja proposta contra incertos, são estes representados pelo
Ministério Público; se o Ministério Público representar o autor, é nomeado defensor
oficioso para servir como agente especial do Ministério Público na representação dos
incertos.
2. A representação do Ministério Público só cessa quando os citados como incertos se
apresentem para intervir como réus e a sua legitimidade se encontre devidamente
reconhecida.

É importante referir que a intervenção do Ministério Público quanto aos incertos é precedida da
citação edital nos termos dos artigos 239.°; 247.°; 248.°; 249.°; 250.°; 251.° e 252.°, todos do
Código de Processo Civil. Findo o prazo constante dos editais é citado o Ministério Público para
representar os incertos e ai começa a correr o prazo para este contestar.
Como podemos ver o Ministério Público, mesmo não sendo parte deve em cumprimento das as
suas competências é obrigado por lei a ter que participar nas audiências de discussão e julgamento
sob pena de o Magistrado do Ministério Público que não participa nas audições ser sancionado,
assim manda alínea e) do n.°1 do artigo 4.°, da Lei n.° 22/2007, de 01 de Agosto, esta obrigação
permite que o Ministério Público fiscalize a audiência, até por que há processo que as partes podem
por si sois intervirem em processo com dispensa de advogados.

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No entanto é frequente nos tribunais a ausência do Ministério Público nas audiências de discussão
e julgamento dos processos civis talvez por que na produção de prova não tem intervenção, mas
nos casos em que as partes intervêm sem advogados entendemos que o Ministério Público podia
ajudar o tribunal a produzir a prova.

IV. Formas de intervenção do Ministério Público nos actos judicias


O Ministério Público foi, durante muito tempo, visto e apresentado quase exclusivamente como
uma magistratura apenas com funções na repressão da criminalidade. Tem no entanto, como
pudemos mostrar, outras e variadas atribuições.
Nessa ordem, o Ministério Público é chamado por lei a intervir num grande número de processos,
mas nessa medida não intervém sempre na mesma qualidade. Podendo intervir como parte
principal, o Ministério Público assume a figura judiciária dum verdadeiro litigante, assistem-lhe,
todos os direitos e incumbem-lhe todas as obrigações que a Lei atribui a qualquer litigante
particular.
Como parte secundária ou acessória, o Ministério Público exerce uma função de simples
assistência destinada a fiscalizar a observância da lei.

• Intervenção principal do Ministério Público


A nova lei orgânica do Ministério Público, estabelece expressamente no artigo 6.° que o Ministério
Público tem intervenção principal quando:

• Representa o Estado, artigo 20.° do Código do Processo Civil;


• Representa as autarquias locais, nos termos do artigo 109.°, da Lei n.°2/97, de 18 de
Fevereiro, sem prejuízo da faculdade de constituição de mandatário judicial próprio, nos
termos do n.°2 do artigo 20.° do Código do Processo;
• Representa os incapazes e ausentes, artigo 15.° do Código do Processo Civil;
• Representa os incertos, artigo 16.° do Código do Processo Civil;
• Representa interesses colectivos ou difusos, artigo 26/A do Código do Processo Civil,
aprovado pelo Decreto – Lei n.°1/2009 de 24 de Abril;
• Defende os interesses dos menores, como nos inventários obrigatórios, n.°2 do artigo 1326
do Código do Processo Civil; e
• Nos demais casos em que a lei lhe atribua competência para intervir nessa qualidade.

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Quando o Ministério Público represente incapazes e ausentes em parte incerta, a intervenção
principal cessa se os representantes legais a ela se opuserem por requerimento no processo, ao
abrigo do disposto no n.°3 do artigo 15 do Código do Processo Civil.

• Intervenção acessória do Ministério Público


Castro (1982), ao fazer abordagem da intervenção do Ministério Público como parte acessória diz
que:
Verificando –se qualquer das hipóteses a que alude o Estatuto Judiciário (v.g., serem interessados na causa
concelhos, distritos, freguesias, institutos públicos, pessoas colectivas de utilidade pública, incapazes,
ausentes, etc.), o M.P. terá de intervir como parte acessória. Nesses casos se a lei não regular expressamente
a forma e os termos da sua intervenção, será, na primeira instância, notificado para a intervenção, terá vista
do processo antes do despacho saneador e da sentença final, e será oportunamente notificado para a audiência
preparatória e para a de discussão e julgamento da causa, terá vista do processo antes do despacho saneador
e da sentença final, e será oportunamente notificado da organização do questionário, podendo além disso
dizer, oralmente ou por escrito, o que se lhe oferecer ou produzir meios de prova, e ser ouvido sempre que o
requeira ou o juiz o determine. Nos tribunais superiores, terá vista do processo antes do julgamento do recurso
(vide Estatuto Judiciário).
A falta de vista ou exame ao M.P. nos casos em que a lei exige a sua intervenção como parte acessória,
constitui nulidade, distinguindo a lei consoante haja ou não intervenção no processo da entidade a quem o
M.P. devia prestar assistência.
Se a entidade a que o M.P. devia prestar assistência fez valer os seus direitos no processo por intermédio do
seu representante, considera-se sanada a nulidade (art.° 200.°, n.°1.°).
Se a causa tiver corrido à revelia da parte que devia ser assistida pelo M.P., o processo é anulado a partir do
momento em que devia ser dada vista ou facultado o exame (art.° 200.°, n.°2).
A nulidade contempla neste art.° 200.° é de conhecimento oficioso, a não ser que deva considerar-se sanada
(art.° 202.°), podendo na hipótese contrária ser arguida em qualquer estado do processo (art.° 204.°, n.° 2.°).
(pp.128 - 129).
Na reforma legislativa de 1995/96, na ordem jurídica portuguesa, estabeleceu –se no artigo 334.°
do Código do Processo Civil, como se processa a intervenção acessória do Ministério Público, e
neste sentido que dispõe o artigo retro citado que:

1. Sempre que, nos termos da respectiva Lei Orgânica, o Ministério Público deva intervir
acessoriamente na causa, ser-lhe-á oficiosamente notificada a pendência da acção, logo
que a instância se considere iniciada.

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2. Compete ao Ministério Público como interveniente acessório, zelar pelos interesses que
lhe estão confiados, exercendo os poderes que a lei processual confere à parte acessória
e promovendo o que tiver por conveniente à defesa dos interesses da parte assistida.
3. O Ministério Público é notificado para todos os actos e diligências, bem como de todas
as decisões proferidas no processo, nos mesmos termos em que o devem ser as partes na
causa, tendo legitimidade para recorrer quando o considere necessário à defesa do
interesse público ou dos interesses da parte assistida.
4. Até à decisão final e sem prejuízo das preclusões previstas na lei de processo, pode o
Ministério Público, oralmente ou por escrito, alegar o que se lhe oferecer em defesa dos
interesses da pessoa ou entidade assistida.

Neto (2003), comentando o artigo 334.° do Código do Processo Civil Português, diz que:
Quando intervém acessoriamente, o Ministério Público zela pelos interesses que lhe estão
confiados, promovendo o que tiver por conveniente (…), sendo os termos da intervenção «os
provenientes da lei do processo» (…) (p. 469).
Na verdade o artigo 334.º do Código do Processo Civil Português, não tem nenhuma
correspondência com algum artigo do nosso Código de Processo Civil moçambicano, mesmo
depois de a reforma do nosso Código de Processo Civil tendo operado dez (10) anos depois da
reforma Portuguesa.
Na verdade o artigo 334.º do Código do Processo Civil Português, introduziu na ordem jurídica
portuguesa regras a serem cumpridas logo que a demanda é apresentada no tribunal e o Ministério
Público deva intervir como parte acessória.

• Quando, não se verificando nenhum dos casos acima citados, sejam interessados na causa
as autarquias locais, outras pessoas colectivas públicas, as pessoas colectivas de utilidade
pública, os incapazes e os ausentes;
• Nos demais casos previstos na lei.

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V. Distinção entre intervenção principal e acessória
A distinção entre intervenção do Ministério Público com parte principal ou intervenção principal
e parte acessória ou intervenção acessória, é processual e doutrinal.
Com efeito, sempre que o Ministério Público não representar, a título de intervenção principal, as
autarquias locais, outras pessoas colectivas de utilidade pública, incapazes ou ausentes em parte
incerta, deverá intervir nos processos acessoriamente, o mesmo sucedendo em todos os processos
em que, muito embora não intervindo qualquer das mencionadas pessoas, neles se sucitem
questões de interesse público.
Uma verdadeira inovação da lei orgânica do Ministério Público é certamente a consagração da
tutela legal pelo Ministério Público, dos interesses difusos e colectivos nos termos do artigo 4.°,
conjugado com alínea d) do n.°1 do artigo 6 da Lei n.°22/2007, de 1 de Agosto.
Para Miguel Teixeira, citado por Carlos Serra Júnior e Fernando Cunha, na obra, Manual de Direito
do ambiente, Centro de Formação Jurídica e Judiciária, Maputo, 2004, o interesse difuso
“corresponde a um interesse juridicamente reconhecido e tutelado, cuja titularidade pertence a
todos e a cada um dos membros de uma comunidade ou de um grupo mas não é susceptível de
apropriação individual por qualquer um desses membros”.
Como exemplos de interesses difusos podemos apontar, o direito ao ambiente, direito à saúde
pública, direito do consumidor, direito a conservação do património cultural, só para citar alguns
exemplos. Vejam – se as disposições da Constituição da República de Moçambique nos artigos
89.°; 90.° e 92.°.
Como se pode depreender o interesse difuso não é por definição um interesse público, nem
individual; é um interesse de todos e de cada um mas de ninguém em particular.
A título de exemplo, podemos apontar a lei do ambiente, lei n.°20/97, de 1 de Outubro que
consagra no n.°1 do artigo 21.° o direito de qualquer cidadão recorrer aos tribunais para obter a
reposição dos seus direito ambientais ou a prevenção da sua violação.
Já o número 4 deste artigo confere competências ao Ministério Público para propor acções em
tribunal para a defesa do ambiente, independentemente da legitimidade dos lesados.
Ainda, neste domínio, a recente alteração do código de processo civil operada pelo Decreto – Lei
n.°1/2009, de 24 de Abril veio a reforçar este quadro jurídico ao estabelecer, processualmente, a
legitimidade do Ministério Público para propor as acções e ou providências cautelares em defesa
dos interesses difusos e colectivos.

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Em caso de conflito entre entidades que o Ministério Público deva representar, a lei orgânica já
resolve ao estabelecer que o Procurador da República solicita à ordem dos advogados a indicação
de um advogado para uma das partes (n.°4 do art. 6.°).
Pense –se por exemplo na hipótese de o Ministério Público pretender propor uma acção em defesa
do interesse difuso contra a própria administração pública, a qual corporisa o Estado, que nos
termos da lei é igualmente representado pelo Ministério Público.
Como se pode constatar, há aqui um conflito de interesses na mesma pessoa, o Ministério Público,
que simultaneamente tem o dever de representa interesses difusos e também o Estado, seria neste
caso, que seria solicitado pelo Ministério Público, a nomeação de um advogado a uma das partes,
sendo certo que os honorários do mesmo seriam pagos pelo próprio Estado, nos termos do n.°6 do
artigo 6.°, da Lei n.° 22/2007, de 01 de Agosto.
Outra situação digna de realce é aquela em que o Ministério Público proponha a acção contra um
ausente. Como é sabido e já vimos acima, o Ministério Público representa os ausentes, artigo 15.°
do Código do Processo Civil.
Neste caso, o n.°2 do artigo 15.° do Código do Processo Civil, estabelece que se nomeia ao ausente,
um defensor oficioso a que caberá fazer a sua defesa no processo.

VI. Intervenção do Ministério Público nos processos em que não é parte


Compulsada a nossa legislação constata-se que o Ministério Público nos processos que não é parte
tem a obrigação legal de participar na audiência de discussão e julgamento, conforme estabelece a
alínea e) do n.°1 do artigo 4.°, da Lei n.° 22/2007, de 1 de Agosto, que:
“Compete ao Ministério Público:… Participar nas audiências de discussão e julgamento
colaborando no esclarecimento da verdade e enquadramento legal dos factos, podendo para o
efeito fazer directamente perguntas e promover a realização de diligências que visem a descoberta
da verdade material”. Mas varias vezes participei como advogado em processos civis e o
Ministério Público não encontrava-se presente, o que se pode dizer é que o mesmo está a violar a
disposição supra citada.
Outro aspecto que deve ser aflorado é o n.°1 do artigo 20.° da que a Lei n.°24/2007, de 20 de
Agosto dispõem que:
“O Ministério Público, como órgão encarregue de representar o Estado, os menores e os ausentes,
de exercer a acção penal e defender a legalidade e os interesses determinados pela Constituição

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e pela legislação ordinária, é representado junto de cada tribunal nos termos estabelecidos na
lei.” A lei diz em que termos a Ministério Público é representado nos tribunais bem como a
categoria dos Magistrados do Ministério Público que estarão nos tais tribunais.
Ainda nos processos em que o Ministério Público não intervém como parte principal nem
assessoria, o mesmo tem o dever de examinar a conta, podendo requerer a reforma da mesma
conta, é assim que dispõem o artigo 84.° do Código das Custas Judiciais quando dispõem que:
“O juiz, oficiosamente, a requerimento dos interessados ou do Ministério Público, pode mandar
reformar a conta, se não estiver feita de harmonia com as disposições legais.
§1.° Para o efeito deste artigo, imediatamente a seguir ao recebimento do processo com a conta
será dada vista ao Ministério Público, para, em três dias, a examinar.
§4.° O Ministério Público pode reclamar até ao termo do prazo para a reclamação de qualquer
interessado…”.
Ainda compete ao Ministério Público, findos todos os pagamentos, o secretário ou escrivão, dentro
de quarenta e oito horas, continuarão o processo com vista ao Ministério Público para promover o
que tiver por conveniente ou lançar a declaração de estarem cumpridos os preceitos legais quanto
à conta, actos posteriores a ela e respectivos pagamentos, cfr. artigo 190.° do Código das Custas
Judiciais.
O nosso legislador foi infeliz, na medida em que em nome da celeridade processual suprimiu a
obrigatoriedade da remessa dos autos ao Ministério Público, concluída a discussão do aspecto
jurídico da causa, ou decorrido o prazo que achava-se previsto no artigo 657.° do Código do
Processo Civil. Por que este era o momento em que o Ministério Público para além da sua presença
na audiência de discussão e julgamento também verificava a actuação das partes se as mesmas
agiram de má fé, bem como a actuação dos funcionários que intervieram nos autos para promover
o sancionamento dos mesmos.
É importante referir que para além da perda acima indicada ainda o nosso legislador limita ao
Ministério Público de exercer o seu dever previsto na alínea f) do n.°1 do artigo 4.° da Lei
n.°22/2007, de 1 de Agosto que estabelece que:
“Compete ao Ministério Público:… Recorrer para as instâncias superiores das decisões judiciais
nos termos da lei…”. Pois não sendo notificado de qualquer decisão na jurisdição civil o mesmo
não pode impugnar da mesma, nem pode comunicar o seu superior hierárquico na hipótese de

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existir uma decisão ilegal e manifestamente injusta efeitos de suspenção da sua execução e
anulação da mesma.
Já o direito português evoluiu bastante nesse aspecto, é assim que estabelece o artigo 258.° do
Código do Processo Civil, Português que: “Para além das decisões finais proferidas em quaisquer
causas, serão sempre oficiosamente notificadas ao Ministério Público, quaisquer decisões, ainda
que interlocutórias, que possam suscistar a interposição de recursos obrigatórios por força da
lei.” E segundo (Neto, 2003, p. 342) o Ministério Público tem o dever de “recorrer sempre que a
decisão seja efeito de conluio das partes no sentido de defraudar a lei ou tenha sido proferida com
violação de lei expressa” é evidente que o nosso ordenamento jurídico é omisso quanto a estes
aspectos, facto que pode permitir a execução de sentenças manifestamente injustas e ilegais,
quando o Ministério Público na qualidade de fiscal da legalidade podia antes do trânsito em julgado
impugnar ordinariamente das tais decisões.
Como podemos ver com a omissão em causa suscitam se duvidas do exercício pelo Ministério
Público das competências previstas nas alíneas b) e f) do n.º 1, do artigo 4 da Lei n.º22/2007, de 1
de Agosto, que dispõem que:
“1. Compete ao Ministério Público:…
b) Zelar pela observância da legalidade e fiscalizar o cumprimento das leis e demais normas
legais;

f) Recorrer para as instâncias superiores das decisões judiciais nos termos da lei;”
Como podemos ver o Ministério Público não tendo sido notificado de qualquer decisão tomada
pelo tribunal este não tem como verificar se na tramitação dos autos foi observada a legalidade e
fiscalizar o cumprimento da lei pelos diversos actores processuais.
Ainda o Ministério Público não pode ordinariamente interpor recurso das decisões tomadas pelo
tribunal mesmo que as mesmas sejam inquinadas de ilegalidade e manifestamente injustas,
podendo somente socorrer –se por via do Procurador – Geral da República, nos termos da alínea
b) do n.º3 do artigo 17.º, da Lei n.°22/2007, de 1 de Agosto.

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Conclusão
Chegados aqui, podemos epilogar que o Ministério Público na jurisdição civil, tem intervenção
processual em pé de igualdade com a outra parte, actuando como um verdadeiro litigante tal como
o faz o advogado na lide.
Como vimos tem atribuições variadas como assegurar a proteção jurídica dos menores, incapazes,
e ausentes; representar e defender os interesses do Estado e das autarquias locais, bem assim dos
interesses difusos e colectivos.
Com a entrada em vigor da Lei n.° 22/07, de 01 de Agosto, Lei orgânica do Ministério Público,
alargou-se o âmbito das atribuições do Ministério Público, mormente no domínio da defesa dos
interesses difusos e colectivos.
No domínio da representação do Estado, o Ministério Público propõe acções em tribunal
assumindo a posição de autor, ou contestar as acções propostas contra o Estado, assegurando assim
a sua defesa jurídica na lide, como um verdadeiro advogado.
Como podemos ver o Ministério Público, mesmo não sendo parte deve em cumprimento das as
suas competências é obrigado por lei a ter que participar nas audiências de discussão e julgamento
sob pena de o Magistrado do Ministério Público que não participa nas audições ser sancionado,
assim manda alínea e) do n.°1 do artigo 4.°, da Lei n.° 22/2007, de 01 de Agosto, esta obrigação
permite que o Ministério Público fiscalize a audiência, até por que há processo que as partes podem
por si sois intervirem em processo com dispensa de advogados.

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Bibliografia
Constituição da República de Moçambique, 2004.
Código de Processo Civil.
Código das Custas Judiciais.
Lei n.° 22/2007, de 01 de Agosto (Lei orgânica do Ministério Público).
Lei n.°2/97, de 18 de Fevereiro.
Serra, C. & Cunha, F. (2004). Manual de Direito do ambiente, Centro de Formação Jurídica e
Judiciária, Maputo.
Timbane, T. (2010). Licões de Processo Civil, Maputo, Moçambique: Escolar Editora, Editores e
Livraria, Lda.
Prata, A. (1980). Dicionário Jurídico. Lisboa, Portugal: Moraes Editores.
Castro, A. A (1982). Direito Processual Civil Declaratório, Coimbra, Portugal: Livraria
Almedina.
Neto, A. (2003). Código de Processo Civil Anotado, (17.ª ed.). Lisboa, Portugal: Edições Jurídicas,
Lda.
Amaral, D. F. (1989). Direito Administrativo, Vol. III, Lisboa, Portugal: Livraria Almedina.

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