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Introdução 

Toda  sala  de  aula  possui  estudantes  únicos(as)  que  compõem  uma  turma  diversificada  e 
heterogênea  em  interesses,  sonhos,  bagagens  culturais,  habilidades  e  também  nas 
necessidades de aprendizagem. Há muitos anos a ​Geekie ​é pioneira em trazer soluções que 
empoderam  e  desenvolvem  o  potencial  de cada pessoa das escolas parceiras. No contexto 
atual,  reforçamos  nosso  propósito  de  empoderar  comunidades  escolares  para oferecerem 
aos  alunos  e  às  alunas  uma  formação  coerente  com  as  necessidades  do  presente  e  do 
futuro para que todos e todas possam brilhar juntos e juntas. 

A  pandemia  trouxe  diversos  novos  desafios,  e  agora  nos  deparamos com salas ainda mais 


heterogêneas. As pesquisas apontam que a ​suspensão das aulas presenciais gera lacunas 
e  perdas  de  aprendizado  em  diferentes  graus​,  dependendo  da qualidade do acesso e da 
oferta  do  ensino  remoto,  apoio  da  família,  motivação dos(as) estudantes e outras variáveis 
sociais  e  emocionais  (OCDE,  2020;  Parecer  CNE/CP  Nº  11/2020).  Neste  contexto,  a  Geekie 
entende  a  necessidade  de  dar  passos  ainda  maiores,  reforçando  seu  comprometimento 
com a aprendizagem e com um olhar individualizado para cada estudante. 

Nos  últimos  meses,  conversamos  com  diversas  escolas,  famílias  e estudantes, aprendemos 


muito  e  agora  temos  a  certeza  de  que  olhamos  para  o  futuro  da  educação  de  outra 
perspectiva.  Estamos  apoiando  nossas  escolas  em  uma  ​nova  era  da  educação  ​com  uma 
aprendizagem  mais  conectada,  visível,  personalizada  e  ativa  que  resulta  na  formação 
integral  dos(as)  estudantes.  As  aprendizagens  irão  ocorrer  mais  frequentemente  em  uma 
relação  entre  presencial  e  remoto,  e,  com  o uso do ​Geekie One​, as escolas têm mais dados 
para  o  acompanhamento  da  evolução  dos(as)  alunos(as).  Essas  informações  geram 
insumos  para  práticas  pedagógicas  mais  personalizadas,  que  reforçam  ainda  mais  a 
necessidade  de  colocar  estudantes  no  centro  do  processo  para  o  desenvolvimento  de 
habilidades e competências. 

Na  nova  era  da  educação,  o  ensino  híbrido  estará  muito  presente,  mas  sabemos  que 
somente  ter  tecnologias  à  disposição  não é suficiente. Precisamos ​repensar as estratégias 
de  ensino  e  aprendizagem  e  desenvolver  ainda  mais  ​professores(as)  mediadores(as)  e 
estudantes  autônomos(as)​.  Este  material  foca  no  ​ensino  híbrido  e  traz  os  principais 
referenciais  teóricos  para  fundamentar  o  trabalho  pedagógico  com  esta  abordagem,  bem 
como  as  possibilidades  de  aula  com  modelos  que mesclam as aulas presenciais e remotas, 
com momentos síncronos e assíncronos, ​utilizando o Geekie One​. 

Esperamos,  assim,  apoiar  nossas  escolas  parceiras  nos  novos  desafios  neste  começo  de 
uma ​nova era da educação​. 

Atenciosamente, 
Equipe Geekie 


 

Sumário 
 
 
1. ​Introdução  pág.02 
 
2. ​Sumário   pág.03 
   
3. O que é ensino híbrido?  pág.04 
3.1 Definições  
3.2 Como fica o ensino híbrido nas aulas remotas e presenciais? 
3.3 Ensino híbrido e o potencial da personalização na aprendizagem 
3.4 Quais características observamos quando o ensino híbrido está acontecendo? 
   
4. Geekie One e aprendizagem híbrida ​ ​ pág.09 
4.1 ​ odelo 1​ — Sala de aula invertida 
M  
4.1.1 C
​ omo preparar bons materiais 
4.2 M
​ odelo 2​ — Rotação por estações    
​ .2.1 Como separar bons grupos 
4
4.2.2 As estações 
4.2.3 Customize conforme o necessário 
     
5. Considerações finais pág.19 
 
6. Referências bibliográficas ​ pág.20 
 
 
   
   


 

O que é ensino híbrido? 


Definições 
 
Comumente  vemos  o  uso  da  palavra  ‘híbrida’  na  educação  quando  algo  é  composto  por 
elementos  distintos.  O  Geekie  One,  por  exemplo,  estimula  uma  aprendizagem  híbrida  por 
utilizar  material  digital, sem abrir mão do uso de livros paradidáticos, a escrita no caderno e 
outros  suportes  físicos.  De  forma  semelhante,  a  volta gradual às aulas presenciais também 
será híbrida, pois mescla momentos presenciais e remotos.   
 
Queremos  distinguir  esses  usos  da  definição  de  ensino  híbrido​,  ​ou  blended  learning​,  que 
extrapola  o  simples  acesso  e  uso  de  tecnologias  digitais  e  requer  repensar  o  papel  de 
professores(as)  e  estudantes,  as  práticas  pedagógicas  e  dar  ênfase  à  ​personalização​.  O 
ensino  híbrido  propõe  a  inserção  das  tecnologias  digitais  na  educação  como  forma  de 
estimular  novas  estratégias  de  ensino  e  aprendizagem  que  tenham  como  resultado  uma 
personalização  que  realmente  atenda  às  necessidades  do(a)  estudante.  A  concepção  de 
ensino  híbrido  está  vinculada  à  educação  híbrida,  que  entende  que  existem  ​diferentes 
formas  de  aprender  e  que  a  aprendizagem  é  um  processo  contínuo  que  mistura  tempos  e 
espaços, metodologias e atividades, teorias e práticas (Moran, 2015).   
  
Na  literatura,  encontram-se  definições  distintas  para  o  ensino  híbrido  na  educação  de 
acordo  com os(as) autores(as), mas podemos observar uma convergência no que se refere 
aos  elementos  básicos  para  podermos  definir  um  ensino  como  híbrido.  De  acordo  com 
Lilian  Bacich:  “Numa  definição  abrangente  esse  [o  ensino  híbrido]  se  caracteriza  pela 
integração  de  dois  modelos  de  aprendizagem:  presencial,  que ocorre no espaço da sala de 
aula,  e  o
​ n-line​,  que  ocorre  com  o  suporte  das  tecnologias  digitais”  (Bacich,  Tanzi  Neto  & 
Trevisani, 2015; p. 52).  
 
A  mesma  definição  é  seguida  pelos  autores  Horn  &  Staker  (2014).  Para  estes,  o  ensino 
híbrido precisa de 3 elementos principais: 
1. Um(a)  estudante  que  aprende,  em  parte,  por  um  ensino  ​on-line​,  com  algum 
controle  sobre  o  tempo,  lugar,  caminho  e/ou  ritmo.  Isso  porque  estudantes 
precisam  de  conteúdos  em  níveis  diferentes  e  progridem  neles  com  velocidades 
distintas. 
2. O(a)  estudante  também  deve  aprender,  em  parte,  em  um  local  ​presencial​, 
supervisionado, fora de casa. 
3. Por  fim,  as  duas  modalidades  anteriores  precisam  estar  relacionadas  e  conectadas 
para  uma  ​experiência  de  aprendizagem  integrada​.  Essa  integração  é  facilitada 
quando se utilizam ​dados p ​ ara acompanhar o progresso de cada estudante. 
 
Observe  que,  para  estes  autores,  não  basta  apenas  termos  momentos  de  aprendizagem 
presencial  e  o ​ n-line  p
​ ara  definirmos  um  ensino  como  híbrido,  é  necessária uma verdadeira 


 

integração  e  conexão  entre  as  experiências.  O(A)  estudante  deve  estudar  autonomamente 
um  conteúdo  relacionado  e  conectado  ao  que  será  abordado  em sala de aula por meio de 
diferentes práticas, não se trata de uma repetição. 
 
De  forma  semelhante,  não  podemos  confundir  o  ensino  híbrido  com  o  ​ensino  enriquecido 
por  tecnologias​,  já  realizado  por  muitas  escolas.  A  inserção  de  tecnologias  como  o 
projetor,  computador,  simulador  de  realidade  virtual  e  aumentada,  lousa  interativa,  entre 
outros,  não  garante  que  estamos  aplicando  um  ensino  híbrido,  pois  o  uso  dessas 
tecnologias  deveria  fornecer  dados  para  atualizar  os  planos  de  aprendizagem  dos(as) 
estudantes.  O  ensino  híbrido  exige  uma  combinação  metodológica  que  permite,  nas 
palavras  de  Lilian  Bacich,  obter  o  “melhor  dos  dois  mundos”,  o  presencial/físico  e  o 
digital/virtual. 
 
 
Como fica o ensino híbrido nas aulas remotas  
e presenciais? 
Como  apresentamos  na  introdução  deste  documento,  o  contexto  da  pandemia  trouxe 
novos  desafios  para  a  área  da  educação  e  entre eles está a necessidade de pensarmos na 
flexibilização  na  aplicação  do  ensino  híbrido​.  Algumas  escolas  voltaram  parcialmente  às 
aulas  presenciais,  conjugado  ainda  com  momentos  a  distância,  enquanto  outras  voltarão 
somente  no  ano  que  vem,  mantendo,  assim,  as  atividades  remotas.  E  como  fica  o  ensino 
híbrido nestes casos?  
 
Observamos  que,  para  realizar  as atividades não presenciais, as escolas têm intercalado os 
momentos  síncronos  -  nos  quais  docentes  e  estudantes  estão  conectados(as)  ao  mesmo 
tempo  -  ​e  ​assíncronos  -  naqueles  em  que  eles  e  elas  não  estão  conectados,  porém  a 
aprendizagem  continua  acontecendo por meio de atividades, trabalhos, estudos orientados, 
entre  outros.  Pensando  em  uma  melhor  integração  das  atividades  síncronas e assíncronas, 
podemos  adaptar  os  modelos  de  ensino  híbrido  para  esse  novo  contexto,  com  o  uso  de 
práticas pedagógicas que promovam uma aprendizagem mais integrada e ativa. 
  

 
Ensino híbrido e o potencial da personalização  
na aprendizagem 
O  último  ponto  que  vamos  abordar  para  concluir  a  definição  de  ensino  híbrido  é  a 
importância  da  coleta  de  evidências  de  aprendizagem,  para que seja possível identificar as 
dificuldades  e  facilidades  de  cada  estudante  e  dar  ênfase  à  ​personalização  dos  estudos​. 
Alguns  autores  (Bacich,  Tanzi  Neto  &  Trevisani, 2015; Bacich, Moran, 2017) indicam que, pela 
personalização,  os(as)  professores(as)  podem  oferecer  diferentes  experiências  de 
aprendizagem  aos(às)  estudantes,  dando suporte para aqueles(as) que precisam trabalhar 


 

dificuldades,  mas  também  oferecendo  outras  experiências  para desenvolverem ainda mais 


suas  facilidades. Para Bacich, precisamos ainda diferenciar a personalização das chamadas 
individualização  e  diferenciação  do  ensino.  A  personalização  é  centrada  no  aprendiz  e  nas 
suas  necessidades, enquanto as demais terão como foco o papel do docente na construção 
de estratégias de ensino mais individualizadas.  
 
Com  a  personalização,  o  foco  está  no  processo  de  aprendizagem de cada estudante e nos 
seus  interesses.  Sobre  isso,  José  Moran  traz  uma  importante  contribuição  ao  afirmar  que: 
“[...]  o  conhecimento  acontece  quando  algo  faz  sentido,  quando  é  experimentado,  quando 
pode  ser  aplicado  de  alguma  forma  ou  em  algum  momento”  (Moran,  2012;  p.  23).  A 
personalização  pode  apoiar  o(a)  estudante  a  descobrir  caminhos  para  experimentar, 
reforçar  e  aplicar  conhecimentos,  além  de  desenvolver  diferentes  competências,  como  a 
autonomia  e  o  autoconhecimento.  Entre  outros  benefícios  da  personalização,  podemos 
destacar  também  ​a  motivação,  o  respeito  ao  ritmo  de  cada  um  e  a  maximização  do 
aprendizado​,  dado  que  o(a)  estudante  terá  momentos  individuais,  coletivos  e  mediados 
pelo(a)  professor(a)  a  partir  de  diferentes  experiências  pedagógicas  que  atendam  suas 
necessidades.   
 
Apesar  das  várias  características  do  ensino  híbrido,  é  preciso  ressaltar  que  existem  muitas 
formas  de  aplicação,  metodologias,  e  que  a escola pode escolher por onde começar e qual 
o  nível  de mudança que quer implementar. É possível começar com pequenas modificações 
nas  práticas  pedagógicas  que  a  escola  já  realiza,  e  o  Geekie  One  tem  a  flexibilidade 
necessária para apoiar nestas escolhas. 

 
Quais características observamos quando o 
ensino híbrido está acontecendo? 
Vimos  que  as  práticas  de  ensino  híbrido  requerem  usar  tecnologias  digitais,  dados  como 
ferramenta  para  ajustar  e  personalizar  a  instrução  e  que  os(as) estudantes precisam estar 
empoderados(as)  de  seu  processo  de  aprendizagem, enquanto professores(as) promovem 
um  ambiente  de  aprendizagem  híbrida.  Segundo  Tucker e colaboradores (2016), caso estes 
requisitos  estejam  bem  implementados,  será  possível  observar  algumas  características  no 
processo de ensino e aprendizagem: 

● Personalização​: d
​ ocentes pensam caminhos diferentes para grupos ou 
para um(a) estudante. 
● Autonomia​: e​ studantes participam de decisões sobre sua experiência de 
aprendizagem. 
● Conectividade​:​ a ​ aprendizagem ocorre em colaboração com pares e 
experts​. 
● Criatividade​:​ ​estudantes têm oportunidades para construir compreensões 
importantes enquanto desenvolvem habilidades. 

 

 
Chegar  nestes  resultados  é  um  processo,  mas  podemos  começar  aos  poucos.  Com  o 
tempo,  introduzimos  práticas  que,  ao  serem  vivenciadas  várias vezes por professores(as) e 
estudantes,  se  tornam  mais  familiares  e  vão  sendo  aperfeiçoadas.  Porém,  um  ponto 
fundamental  que  precisamos  desenvolver  desde  o  início  é  o  entendimento  de  que 
estudantes  são  capazes  de  construir  novos  saberes  e  precisam  de  professores(as)  mais 
mediadores(as).  Isso  requer  uma  mudança  de  perspectiva  sobre  o  processo  de  ensino  e 
aprendizagem. 
 
Na  ​Geekie​,  estimulamos  a  mentalidade  de  crescimento  (Dweck,  2006),  uma  forma  de 
pensar  na  qual  situações  desafiadoras  são  encaradas  como  oportunidades  de 
aprendermos  algo  novo,  estimulando  a  curiosidade,  com  o  entendimento  de  que  não 
precisamos  ser  competentes  em  algo  para  tentarmos  fazê-lo,  isso  desenvolvemos  com  o 
tempo.  Com  esta  mentalidade,  incentivamos  que  as  escolas possam experimentar, errando 
e  aprendendo,  de  forma  progressiva  o  ensino  híbrido,  desenvolvendo  as  práticas 
pedagógicas que melhor cabem a cada realidade. 
 
Assista:​ veja a fala de Carol S. Dweck no TEDx “O poder de acreditar que você é capaz”  
(em inglês, com legendas em português): ​http://bit.ly/36e3sxc​. 

 
 
Leia​: coluna da designer pedagógica da Geekie Claire Arcenas,  
“​Growth mindset:​ como a mentalidade de crescimento pode ajudar na Educação​”. 


 

 
Estudantes capazes de construir seus conhecimentos 
Como  visto,  o  ensino  híbrido  precisa  de  uma  parte  em  que  estudantes  usem  tecnologias 
digitais  para  aprenderem  sozinhos(as).  Neste  momento,  são  ativos(as)  na  construção  de 
novos  saberes  e  estão desenvolvendo autonomia, autogestão, criatividade, resiliência, entre 
tantas  outras  competências.  Para  que  isso  se  concretize,  precisamos  fortalecer  a  visão  de 
que  ​estudantes  têm  capacidade  de  aprenderem  sozinhos(as)  ​e  que  precisam  desta 
prática para desenvolver diversas competências. 
 
As  experiências  nos últimos meses de aulas remotas podem desafiar essa perspectiva, visto 
que  diversos  estudantes  têm  demonstrado  dificuldade  no  acompanhamento  e 
engajamento  das  aulas  -  uma  situação  também  comum  no  contexto  anterior,  de  aulas 
presenciais.  No  entanto,  devemos  lembrar  que  este  arranjo  aconteceu  em  uma  situação 
emergencial  e,  apesar  de  trazer  diversos  aprendizados  importantes,  não  se  caracteriza 
como ensino híbrido. 
 
Neste  período,  utilizamos  ferramentas  digitais,  testamos  modelos  de  aula,  desenvolvemos 
novas  habilidades  e  abrimos  novas  perspectivas  de  ensino  e  aprendizagem  usando 
tecnologias.  Agora,  estudantes  podem  dizer  o  que  funcionou  melhor,  e  a  escola  pode 
replanejar  e  ​estruturar  as  experiências  de  aprendizagem​.  Em  casa,  estudantes  ainda 
utilizarão  ferramentas  digitais,  mas,  com  o  ensino  híbrido,  será  uma  aprendizagem 
integrada,  mais  estruturada,  com  instruções  claras  para  o  estudo  individual.  Os(As) 
alunos(as)  também  vão  precisar  ser  ​provocados(as)  a  ter  uma  mentalidade  de 
crescimento  e  se  reconhecerem  como  agentes  ativos  da  construção  de  novos 
conhecimentos​,  ​pois serão incentivados a terem algum controle e responsabilidade sob seu 
processo de aprendizagem. 
 
 
Professores(as)  mediadores(as)  do  processo  de  ensino  e  aprendizagem:  uma  mudança 
de papel necessária 
O  segundo  passo  necessário  para  pensarmos  no  ensino  híbrido  nas  escolas  é  a  mudança 
do  papel  dos(as)  docentes.  Pensando  nas  mudanças  que  a  educação  está  passando, 
precisamos  que  os(as)  docentes  também  repensem  suas  práticas  pedagógicas  para 


 

deixarem  de  ser  focadas  apenas  no  ato  de  ensino  para  pensar  na  aprendizagem  dos(as) 
estudantes.  Segundo  José  Pacheco,  “nossa  deficiência  não  é  de  aprendizagem,  e  sim  de 
ensinagem” (Bacich, Tanzi Neto & Trevisani, 2015; p. 92). 
 
Dessa  forma,  modificar  o  papel  docente  de  transmissor  de  conteúdos  para  mediador  e 
facilitador  é  fundamental  para  o  sucesso  do  ensino  híbrido  na  escola.  Sabemos  que  isso 
não  ocorre  instantaneamente  e  precisamos  apoiar  a  formação  continuada  dos  docentes 
para  não  apenas  inserirmos  as  novas  tecnologias  na  sala  de  aula,  mas  buscarmos  a 
intencionalidade  necessária  no  seu  uso.  Isso garante a conexão das tecnologias escolhidas 
com os objetivos pedagógicos que se pretende alcançar com os(as) estudantes. 
 
Entre  os  benefícios  do  ensino  híbrido  para  os(as)  professores(as),  podemos  destacar:  a 
possibilidade  de  ​personalizar  e  individualizar  mais  o  ensino  ​a  partir  do  uso  dos  dados;  a 
exploração  de  ​novos  espaços  (físicos/digitais)  e de diferentes formas de aprendizagem​; 
o  aumento  do  ​papel  de  autoria  do(a)  docente  na  escolha  dos  materiais,  metodologias  e 
nas  abordagens  utilizadas  em  sala  de  aula;  o(a)  professor(a)  assumir  cada  vez  mais  um 
papel  de  ​designer  de  percursos  educacionais​,  desenhando  diferentes  caminhos  para  o 
desenvolvimento de cada estudante.  
 
 

Geekie One e  


aprendizagem híbrida: 
modelos para a volta às aulas presenciais 
 
Diversas são as possibilidades para compor modelos de ensino híbrido, mas nas pesquisas 
de Horn & Starker (2015) são sugeridos 4 modelos principais: flex, virtual enriquecido, à la 
carte e de rotação. Vamos conhecê-los brevemente agora. 
 


 

 
Modelos de ensino híbrido. Adaptado de Horn & Staker, 2015. 
 
 
1. Modelo  de  rotação​:  os(as)  estudantes  realizam  atividades  diversificadas  sob  a 
orientação  ou  não  do(a)  docente,  utilizando  as  tecnologias  e  os  meios  digitais  em 
pelo  menos  um  dos momentos de aprendizagem. Os modelos de rotação estimulam 
a  aprendizagem  individual  e  colaborativa.  São 4 exemplos de modelos de rotação: a 
rotação  por  estações,  o  laboratório  rotacional,  a  sala  de  aula  invertida  e  a 
rotação individual​. Vamos aprofundar sobre dois deles na próxima seção.  
 
2. Modelo  flex​:  ​o  ritmo  de  cada  estudante  é  personalizado  com  ênfase  no  ensino 
on-line​,  e  o(a)  professor(a)  fica  à  disposição  para  esclarecer  dúvidas  e  direcionar 
para  atividades,  na  maioria  das  vezes  presenciais.  A  partir  das  necessidades  do(a) 
estudante,  o(a)  professor(a)  oferece  apoio  presencial ao longo de atividades, ensino 
em pequenos grupos e tutoria individual. 
 
3. Modelo  à  la  carte​:  ​o(a)  estudante  é  responsável  pela  organização  de seus estudos, 
de  acordo  com  os  objetivos  gerais  a  serem  alcançados  no  curso  ou  disciplina 
específica  que  é  inteira  ​on-line​.  A  aprendizagem poderá ocorrer no momento e local 
mais  adequados  para  o(a)  estudante,  inclusive  utilizando  espaços  da  escola.  Para 
estes  estudos,  o  contato  com  o  docente  será  apenas  pelo  ambiente  ​on-line.  ​Ao 
mesmo  tempo  em  que  o(a)  estudante  realiza  esse  curso  ou  disciplina  o ​ n-line​, 
também fará outras disciplinas presenciais. 
 
4. Modelo  virtual enriquecido​: ​os(as) alunos(as) têm que comparecer presencialmente 
à  escola  apenas  poucas  vezes  na  semana,  tendo  sessões  de  aprendizagem 
10 
 

obrigatórias  com  o(a)  professor(a)  e  ficam  completamente  livres  para  realizar  o 


restante do trabalho ​on-line​, de onde preferirem, da escola ou de casa.  
  
Vamos  explorar  com  mais  ênfase  os  modelos  de  rotação,  pois  são  menos  disruptivos  e 
podem  ser  realizados  sem  muitas  mudanças  da  sala  de aula. ​Consideramos estes modelos 
um bom primeiro passo para as escolas experimentarem o ensino híbrido na prática! 
   

11 
 

Modelo 1 — Sala de aula invertida 


Na  sala  de  aula  invertida,  os(as)  alunos(as)  estudam  os  conteúdos  previamente  de  forma 
assíncrona,  a  distância, por meio de materiais diversos: videoaulas, textos, ​podcasts​, artigos, 
links  etc.  Esses  materiais  servem  como  introdução  aos  temas  que,  mais  adiante,  serão 
aprofundados  com  professores(as)  e  colegas por meio de atividades, debates e discussões. 
Neste  sentido,  inverte-se  a  visão  mais  tradicional  de  educaçã,o em que o momento da sala 
de  aula  deve  ser  destinado  à  transmissão  do  conteúdo  pelo(a)  professor(a),  e  o  momento 
de casa, à realização das atividades e tarefas.  
 
Construímos  um  passo  a  passo  sobre como aplicar a sala de aula invertida com o apoio do 
Geekie One: 
 
A) 1º passo: Compartilhamento de conteúdos e materiais pelo(a) docente 
Inicialmente,  o(a)  estudante  entra  em  contato  com  o  conteúdo  por  diferentes  materiais  e 
recursos.  Nessa  metodologia,  é  importante  explorar  a  multimodalidade  por  meio de textos, 
vídeos,  imagens,  entre  outros.  Dessa  forma,  permitimos  que  o(a)  estudante  busque  a 
melhor  forma  de  desenvolver  seu  entendimento  sobre  o  assunto  conectando  as  diferentes 
linguagens e mídias, fortalecendo, assim, a personalização do aprendizado.  
 
Para  essa  primeira  parte,  os(as)  professores(as)  podem  utilizar  o  ​Geekie  One  de  várias 
maneiras: 

➔ Indicando  conteúdos  e/ou  as  videoaulas  dos  ​capítulos  ​Geekie  One  para  o 
estudo individual.   
➔ Utilizando  a  aba de ​Materiais para compartilhar arquivos do Drive e l​ inks que 
direcionam  a  páginas  da  internet  com  artigos,  notícias,  vídeos  e  até  mesmo 
simuladores e s​ ites​ de realidade virtual e aumentada.  
➔ Outra  possibilidade  é  o  envio  desses  materiais  pelo  ​Mural  ​da  turma. 
Lembrando  também  que,  pelo  Geekie  One,  o(a)  docente  consegue 
acompanhar  quais  alunos(as)  acessaram  os  materiais  enviados  e  quais  não 
acessaram.  

➔ Enviando  Atividades  ​para  acompanhar  o  entendimento  da  turma  sobre  o 


assunto e definir estratégias para o momento presencial/síncrono com os(as) 
estudantes. 

12 
 

 
Compartilhamento de materiais por meio de um capítulo Geekie One. 
 
 
Como preparar bons materiais e orientações de uso:
Ao  preparar  materiais  para  a  aplicação  da  sala de aula invertida, tenha em mente que eles 
precisam  ser  didáticos  o  suficiente  para  que  os(as)  estudantes  consigam  consumi-los  de 
forma  autônoma.  Por  isso,  é  preciso  ​orientá-los(as),  dar  suporte  e  ​feedback  p​ ara  que 
saibam exatamente o que é esperado deles(as) com relação ao consumo de cada material. 
 
Alguns(as)  estudantes  se  sentem  na  obrigação  de  ler  tudo  o  que  o(a)  professor(a)  envia. 
Para evitar sobrecarga, deixe claro o objetivo de cada material e que o(a) estudante pode 
escolher se debruçar naqueles em que mais tem interesse ou que parecem ajudar mais 
no processo de aprendizado​. Dar escolhas para os(as) estudantes é um passo importante 
para o desenvolvimento da autonomia. 
 
Ao  compartilhar  os  materiais  para  momentos  assíncronos,  além  dos  direcionamentos  do 
que  é  esperado,  o(a) professor(a) não pode se esquecer de ​estabelecer um ​prazo para uso 
dos materiais. 
 
 
B) 2º passo: Registro das anotações e dúvidas pelos(as) estudantes 
É  muito  importante  que  o(a)  estudante  faça  registros  ao se debruçar sobre os conteúdos e 
materiais  enviados  pelo(a)  professor(a).  ​Fazer  anotações  dos  pontos  mais  importantes, 
registrar  dúvidas  e  ideias  que  surgirem  ao  longo  da  leitura  e  construir  formas  de 
resumo  e  sistematização  podem  contribuir  para  o  sucesso  dessa  metodologia​.  Esse  é o 
momento  de  o(a)  estudante  desenvolver  a  sua  autonomia,  encontrando  os  melhores 
caminhos  para  o  seu  aprendizado.  De  acordo  com  Horn  e  Staker  (2015):  “Mudar  o 
fornecimento  do  conteúdo-base  para  um  formato  o ​ n-line  dá  aos  estudantes  a 
oportunidade  de  retroceder  ou  avançar  de  acordo  com  a  sua velocidade de compreensão. 

13 
 

Eles  decidem  o  que  e  quando  assistir,  e  isso  lhes  dá  maior  autonomia  em  sua 
aprendizagem”.  Dessa  forma,  contribuímos  para  que o(a) estudante tenha controle sobre o 
tempo, lugar, caminho e/ou ritmo.  
 
 
C) 3º passo: Atividades práticas no momento da aula  
Na  sala  de  aula,  seja  presencial  ou  nos  momentos  síncronos  nas  aulas  remotas,  os(as) 
alunos(as)  tiram  as  dúvidas  que  surgiram  no  momento  do  estudo  individual,  e  o(a) 
professor(a)  propõe  e  orienta  atividades,  debates  e  projetos  acerca  dos  conteúdos 
previamente  estudados.  Esse  momento  se  torna  propício  para  o  desenvolvimento  de 
habilidades  e  competências  cognitivas  e  socioemocionais,  levando  os(as)  estudantes  a 
promoverem  a  aplicação  e  transferência  dos  conceitos  e  saberes  em  diferentes  situações 
de aprendizagem. Assim, estamos contribuindo para a compreensão e atribuição de sentido 
pelos(as) estudantes sobre o assunto trabalhado e promovendo a sua formação integral.  
  
Para esse momento, o​ G ​ eekie One ​oferece alguns possíveis caminhos: 

➔ Utilização  das  seções  de  ​Práticas  Ativas  ​dos  capítulos  Geekie  One 
(Investigando,  Expressando ideias, Pontos de vista, Roda de conversa, Mão na 
massa).  Essas  seções  apresentam  propostas  de  atividades  práticas, 
investigações científicas, experimentos e debates.  
➔ Realização  das  ​Rotinas  de  Pensamento  propostas  muitas  vezes  nas 
introduções  dos  capítulos  Geekie  One  (veja  mais  na  próxima seção “Rotação 
por estações”).   
➔ Retomada  dos pontos de maior dúvida e dificuldade das ​Atividades ​enviadas 
por meio da leitura dos relatórios de participação e desempenho da turma.  
 
 
 
 
 

14 
 

Modelo 2 — Rotação por estações 


Este  modelo  de  rotação  pode  ser  realizado  em  uma  sala,  em  diferentes  espaços  ou  até 
flexibilizada para combinar momentos e espaços presenciais e remotos. Aqui a turma segue 
um  cronograma  predefinido  pelo(a)  professor(a)  e  é  dividido  em  grupos  que  se  alternam 
em 3 estações: ​diretiva, individual e colaborativa​. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Como separar bons grupos? 
Na  preparação  das  estações,  ​o  agrupamento  dos(as)  estudantes  deve  ser  feito  usando 
dados  diagnósticos  sobre  as  dificuldades  e  facilidades  de  cada  um​.  Assim,  na  estação 
diretiva  será  possível  preparar  instruções  personalizadas  para  atender  às  necessidades 
comuns a cada grupo de estudantes, sejam elas de uma explicação, exemplificação, revisão 
ou  até  de  desafio.  Essa  é  uma  boa  oportunidade  para  fortalecer  a  relação  entre 
professor(a) e estudantes e conhecer de perto as necessidades de cada um. 
 
O  ​Geekie  One  ​foi  pensado  para  tornar  a  ​aprendizagem  visível  e,  por  isso,  possui 
funcionalidades  que  facilitam  e centralizam dados diagnósticos dos(as) estudantes. Com as 
Atividades​,  é  possível  montar  listas  de  exercícios  com  questões  dissertativas  e  alternativas 
que  podem  ser  corrigidas  na  própria  plataforma.  Os  dados  de  participação e desempenho 
são disponibilizados nos relatórios em tempo real para professores(as) e estudantes.  
   

15 
 

As estações 
 
A) Estação diretiva  
Um  grupo  fica  com  o(a)  professor(a)  para  receber  instruções  adicionais  ou  tirar  dúvidas 
para desenvolver ainda mais a compreensão.  
 
Tendo  em  mente  as  necessidades  de  cada  grupo,  o(a)  docente  pode  preparar  uma 
instrução  e  utilizar  os  diversos  recursos  dos  ​capítulos  Geekie  One​, como vídeos, imagens e 
animações.  Para  deixar  a  ​aprendizagem  visível​,  pode  ainda  escolher  ​rotinas  de 
pensamento  (​Ritchhart  et  al.,  2011)  ​com  as quais já esteja familiarizado(a) ou as do próprio 
capítulo,  comumente  encontradas  nas  seções  de abertura ​Para começar e refletir e Olhar 
de cientista​. 

B) Estação individual  
Este  grupo  de  estudantes  se  dedica  ao  estudo  dirigido  individual  ​on-line,  u
​ tilizando 
conteúdos selecionados pelo(a) professor(a). 
 
Para  este  estudo  dirigido,  docentes  selecionam  diferentes  recursos  que  estejam 
relacionados  e  complementem  as  atividades  das  outras  estações, mas sem perder de vista 
que  estudantes  precisam  fazer  novas  conexões,  refletir  sobre  seus  conhecimentos  e 
construir novos entendimentos.  
 
Estes direcionamentos podem ser compostos no ​Geekie One​ de várias maneiras: 

➔ Com  instruções  e  indicações  nos  ​Materiais  e  ​Mural  (veja  a  seção  “Sala  de 
aula invertida”).  

➔ Enviando  Atividades  ​personalizadas  para  grupos  ou  um(a)  estudante, 


segundo  necessidades  de  aprendizagem  identificadas  em  dados  dos 
relatórios ou em outras evidências de aprendizagem. 

➔ Indicando  o  uso  do  ​Plano  de  estudos  personalizado  do  Geekie  One​.  Este 
plano  de  estudos  retoma  os  conteúdos  vistos  com  o(a)  professor(a)  na 
semana  anterior,  levando  em  conta as interações com o material: páginas de 
16 
 

capítulos,  videoaulas  e  exercícios.  Com  estas  informações,  a  própria 


plataforma  sugere  uma  trilha  personalizada  de  estudos  para  que  cada 
estudante  possa  aprofundar  nos  conhecimentos  que  ainda  precisam  ser 
reforçados ou ir além e ser desafiado(a).  

Todas  essas  possibilidades  permitem  que  estudantes  passem  por  uma  estação  individual, 
personalizada e com controle do tempo, ritmo e caminho para construir seu aprendizado. 

  
C) Estação colaborativa 
Os(as) estudantes desenvolvem atividades ou projetos em pequenos grupos. 
 
Existem  várias  possibilidades  para  compor  o  trabalho  em  pequenos  grupos  com 
construções  conjuntas,  jogos  ou  até  mesmo  desafios  elaborados  e  experimentados 
pelos(as)  próprios(as)  estudantes.  Nos  ​capítulos  do  Geekie  One​,  também  ​existem 
sugestões  de  ​práticas  ativas  de  mão  na  massa,  pesquisa,  construção  de  materiais,  entre 
outros, que podem ser utilizados na estação colaborativa.  
 
No  contexto  da  pandemia,  enquanto  medidas  de  distanciamento  entre  pessoas  forem 
necessárias,  podemos  adaptar  atividades  do  ​Geekie  One  ​aproveitando  muito  de 
ferramentas  digitais  para  a  construção  conjunta.  O  ​Kahoot  ​e  ​Mentimeter  são  bons  para 
fazer  perguntas  de  múltipla  escolha,  ​quiz  ou  perguntas  de  respostas  abertas. Nesta opção, 
os(as)  estudantes  podem  criar  ​quizzes  para  desafiarem  uns  aos  outros,  aprofundando 
conhecimentos  para  poderem  compor  boas  perguntas  e  aprendendo  ou  revisando  ao 
responder  para seus pares. Para criações colaborativas com imagens, desenhos, textos, ​gifs 
e  h
​ iperlinks​,  boas  opções  são  o  ​Padlet  ​e  o  ​Jamboard​.  Com  estas  ferramentas,  estudantes 
podem  fazer  uma  construção  colaborativa  ao  mesmo  tempo,  tornando  o  pensamento  de 
todos(as) visível e fazendo conexões com as ideias de seus(suas) colegas. 
 
Assista:  conheça  um  passo  a  passo  para  ​utilizar  essas  4  ferramentas  digitais  em  suas 
aulas  e  veja  exemplos de ​criações colaborativas que professores(as) já fizeram com seus 
estudantes​. 
 
Leia também​: ​Como usar o Padlet para criar experiências de aprendizagem incríveis 
 
 
Customize conforme o necessário 
Sem  deixar  as  características  do  ensino  híbrido  para  trás,  é  possível adaptar a rotação nas 
estações  para  aulas  presenciais  e  remotas  para  as  nossas  necessidades  atuais.  Considere, 
por exemplo: 
● Para  montar  as  estações,  além  de usar diferentes espaços da escola como quadras, 
pátios, salas e laboratórios, uma das estações pode ser feita em casa. 
● O  tempo  dedicado  entre  cada  estação  é  definido  pelo(a)  professor(a).  Por  que  não 
fazer  uma  estação  com  duração  de  uma  aula  inteira?  A  cada  aula,  estudantes 
17 
 

trabalham  em  uma  estação  diferente,  e  o(a)  professor(a)  pode  direcionar  sua 
atenção  na  estação  diretiva  enquanto  um(a)  monitor(a)  faz  a  assistência  a 
estudantes na estação colaborativa. 
 
Se  pensarmos  nos  desafios  de  mesclar  a  rotação  por  estações  em  um  ensino  presencial, 
como  podemos  adaptar  ainda  mais  para  ​adequar  ao  contexto  de  volta  às  aulas 
presenciais  quando  teremos  grupos  de  estudantes  que  frequentam  a  escola 
presencialmente e outro grupo remoto? 
 
 
Exemplo 1:​ uma turma permanece somente a distância, enquanto outra frequenta a escola. 
A troca das estações ocorre por aula. 

 
 
Considere  uma  mesma  turma  dividida  em  dois  grupos  de  estudantes:  o  primeiro frequenta 
a  escola  algumas  vezes  por  semana,  enquanto  o  segundo  faz  atividades  apenas  remotas. 
Em  um  exemplo,  no  primeiro  horário  da  aula  de Ciências, o(a) professor(a) deixa o grupo 1, 
presencial,  em  trabalhos colaborativos. Enquanto isso, pode se dedicar ao grupo 2, que está 
em  casa,  na  estação  diretiva.  Na  segunda  aula  de  Ciências,  essas  estações  se  invertem,  e 
o(a)  professor(a)  agora  fará  a  instrução  com  a  turma  presencial,  enquanto estudantes em 
casa utilizam ferramentas digitais para uma atividade colaborativa. 
 
Por  fim,  em  um  terceiro  horário,  o(a)  professor(a)  pode  dedicar  a  aula  para  estudos 
individuais  que  estudantes  podem fazer em casa. Neste momento, o(a) docente pode ainda 
disponibilizar  uma  videochamada  para  tirar  dúvidas  pontuais de estudantes ou utilizar esse 
tempo para planejamento de atividades. 
 
Mesmo  que  um  grupo  esteja  sempre  remoto,  ainda  assim  podem  ser  desenvolvidos 
elementos  essenciais  do  ensino  híbrido:  a  autonomia  nos  estudos,  a  colaboração  entre 
pares  e  a  personalização  na  instrução docente. Após um retorno às aulas presenciais, estes 

18 
 

elementos  poderão  ser  transferidos  mais facilmente para a sala de aula porque estudantes 


já terão experimentado o modelo. 
 
 
Exemplo  2:  uma  mesma  turma  retornou  primeiro  às  aulas  e  foi  dividida  em  estações  por 
dia da semana. É possível mesclar momentos presenciais e a distância. 

 
 
Considere  um  cenário  em  que  uma mesma turma frequenta a escola na mesma semana. A 
turma  é  dividida  em  três  grupos  que  se  alternam  nas  estações  por  dia  da  semana.  Se 
quisermos  manter  o  distanciamento  entre  as  pessoas,  podemos  utilizar  os  diferentes 
espaços  físicos  disponíveis  na  escola  e  ainda  propor  que  a  estação  individual  seja feita em 
casa.  Se  for  este  o  caso,  podemos  seguir  uma  sugestão semelhante à do exemplo anterior, 
em  que  a  estação  individual  remota  pode  ser  complementada  com  a  disponibilidade  de 
uma videochamada com um(a) monitor(a) para tirar dúvidas dos(as) estudantes. 
 
Dessa  maneira,  em  uma  mesma  semana,  todos  os  grupos conseguem passar por todas as 
estações,  e,  a  cada  dia  da  semana,  o(a)  professor(a)  se  dedica  a  fazer  instruções 
diferenciadas para cada grupo na estação diretiva.  
 
Após  o  término  dessas  estações,  em  uma  quarta  aula,  seria  possível  criar  uma 
videochamada  com  todos(as)  os(as)  estudantes  remotos  para  o  fechamento  dos  estudos 
das estações e/ou fazer uma pequena avaliação para acompanhar as aprendizagens. 

 
 
 

19 
 

Considerações finais 
 
Os  modelos  de  ensino  híbrido  podem  se  somar  às  práticas  que  sua  escola  já  realiza. 
Diferentes  professores(as)  já experimentaram práticas ativas e trabalhos colaborativos e já 
vivenciaram  aulas  ​on-line​.  Agora,  temos  a  oportunidade  de  rever  esses  aprendizados  e 
propor uma dinâmica melhor e mais estruturada nos momentos presenciais e remotos para 
os(as) estudantes. 
 
Este  caminho  precisa  de  uma  mentalidade  de  crescimento,  pois  requer  experimentar, errar 
e  aprender,  mas  se  tivermos  em  mente  nosso  objetivo  de  proporcionar aos(às) estudantes 
mais  autonomia  e  oportunidades  de  desenvolverem  novas  habilidades,  temos  certeza  que 
valerá  a  pena.  Neste  processo,  professores(as)  também  ressignificam  seu  papel  como 
mediadores(as)  e  se  capacitam  para  usar  novas  tecnologias  e  dados  para  personalização 
com o G ​ eekie One​. 
 
Apresentamos  aqui  apenas  algumas  das  possibilidades  do  ensino  híbrido  usando  modelos 
como  guia,  mas  é  possível  mudá-los  segundo  as  necessidades  de  cada  escola.  Por  isso,  a 
dica é não se prender a eles e experimentar! 
 
A  ​nova  era  da  educação  ​precisa  de  novas  formas  de  ensinar  e  aprender  que  sejma  mais 
conectadas,  visíveis,  personalizadas  e  ativas​.  Essa  será  uma  exigência  constante  das 
famílias  de  estudantes,  que  estão  cada  vez  mais  atentas  ao  processo  de  ensino  e 
aprendizagem  após  a  vivência  da  escola  dentro  de  suas  casas.  Ademais,  o  modelo  híbrido 
como  tendência  da  nova  era  da  educação  é  também  a  aceleração  de  um  processo  de 
atualização  das  escolas  para  uma  forma  de  ensinar  e  aprender  coerente com o século XXI 
e os desafios que traz consigo para escolas, famílias e a sociedade. Vamos juntos(as)? 
 
   

20 
 

Referências Bibliográficas 
 
BACICH,  Lilian.  ​A  sala  de  aula  “híbrida”​.  São  Paulo,  3  ago.  2020.  Disponível  em: 
<​https://lilianbacich.com/​> Acesso em: 20 ago. 2020. 

BACICH, Lilian; TANZI NETO, Adolfo e TREVISANI, Fernando. Ensino Híbrido​: personalização e 
tecnologia na educação. Porto Alegre: Penso, 2015. 

BACICH,  Lilian;  MORAN,  José  M.  M


​ etodologias  ativas  para  uma  educação  inovadora​:  uma 
abordagem teórico-prática. Porto Alegre: Penso, 2017. 

DWECK,  Carol  S.  Mindset​:  a  nova  psicologia  do  sucesso  (2006).  Rio  de  Janeiro:  Objetiva, 
2019. 
 
HORN,  Michael  B.;  STAKER,  Heather.  ​Blended​:  Using  Disruptive  Innovation  to  Improve 
Schools. San Francisco, CA :Jossey-Bass, 2015. 

MORAN,  J.  M.  ​A  educação  que  desejamos​:  novos  desafios  e  como  chegar  lá.  Campinas: 
Papirus, 2012. 

OCDE.  ​A  framework  to  guide  an  education  response  to  the  Covid-19  Pandemic  of  2020. 
Disponível  em: 
<​https://www.hm.ee/sites/default/files/framework_guide_v1_002_harward.pdf​>.  Acesso 
em: 10 ago. 2020. 

Ritchhart,  Ron;  Church,  Mark;  Morrison,  Karin.  Making  Thinking  Visible.  Hoboken,  NJ: 
Jossey-Bass, 2011. 

Tucker,  Catlin  R.;  Wycoff,  Tiffany;  Green,  Jason  T.  Blended  learning  in  action​.  A  practical 
guide toward sustainable change. Corwin Press, 2016. 

 
Documentação pública 
Parecer CNE/CP Nº 11/2020. Disponível em: 
<​http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=148391-pc
p011-20&category_slug=julho-2020-pdf&Itemid=30192​>. Acesso em: 18 ago. 2020. 

   

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Quem fez este e-book 


 
 

Christie Sototuka 

Bacharel e licenciada em Ciências Biológicas pela USP e Universidade 


de Stirling, Christie é educadora há 8 anos de crianças e jovens no 
Movimento Escoteiro e tem artigo publicado em periódico de 
educação ambiental. Na Geekie, foi Coordenadora editorial e 
atualmente trabalha como Designer Pedagógica. 

 
Paulo Raphael Siqueira Bittencourt 

Professor de História há mais de 12 anos trabalhando com 


pré-vestibular, ensino médio e fundamental II. Formado em História na 
UFRJ com Mestrado em Educação na mesma instituição. Pesquisas na 
área do ensino de História e História da Educação. Artigos publicados 
em periódicos do campo. Trabalha atualmente na Geekie como 
Designer Pedagógico. 

   

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Conheça o Geekie One 


 

OG​ eekie One​ é uma plataforma de educação personalizada que alia tecnologia de ponta a 
conteúdo hiperatualizado e consultoria pedagógica parceira na jornada de inovação de 
cada escola. 

Ele é a melhor plataforma para atender as demandas da Nova Era da Educação por 
proporcionar uma aprendizagem mais ​visível​, ​conectada​, a
​ tiva ​e p
​ ersonalizada​. Tudo isso 
resulta em uma​ formação integral dos(as) estudantes​, focada no desenvolvimento de 
competências e habilidades cognitivas e socioemocionais. 

Com o ​Geekie One​, sua escola se diferencia da concorrência e atende as expectativas das 
famílias que buscam o desenvolvimento de seus filhos e suas filhas para encarar os 
desafios de um mundo em constante transformação, sem deixar de lado a preparação 
para o Enem e vestibulares. 

Quer conhecer mais sobre o Geekie One? Então peça uma demonstração para entender 
como podemos concretizar essa parceria para levar sua escola a um novo patamar em 
2021! 

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