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SEMINÁRIO TEOLÓGICO PRESBITERIANO JOSÉ MANOEL DA CONCEIÇÃO

Aluno: RICARDO ARAÚJO PEREIRA/ Noturno – Relig. E Socied. Pós Moderna


Resenha crítica sobre o livro: Tempos Pós-Modernos

O autor busca apresentar um cenário de múltiplas características sobre uma sociedade


pós-moderna, desde uma sociedade fragmentada por contas das inúmeras guerras culturais de
cunho moral que emergem ao redor do globo, por questionarem de modo insistente se a
verdade existe ou não para este mundo.

Contudo o autor acredita que a igreja deve se atualizar no modo como transmite sua
mensagem sem perder sua essência ou abrir mão de suas verdades absolutas, o que por sua
vez vai ser deturpado pelo liberalismo teológico.

O autor tem uma preocupação durante todo o livro em nos apresentar dados e fatos
que demonstrem o aumento da relativização da verdade em nossa sociedade, o grande
problema apontado pelo autor é que tais valores pós-modernistas estão presentes inclusive em
nossas igrejas.

O autor vai colocar o pós-modernismo como uma ilustração da torre de Babel quanto a
maldição de separar e dispersar o povo, mas antes isso só possível por meio de união de busca
pelo transcendente. O mundo pós-moderno se caracteriza exatamente como uma unificação
por meio da transformação ou desconstrução de valores e conceitos que visão unificar ou
promover a convivência de uma pluralidade cultural, mas que no fim acaba por reforçar e
isolar cada vez mais grupos sociais em seus direitos, muitas vezes confundidos com seus
próprios desejos.

Para isso o autor nos descreve um panorama histórico de evolução do pensamento


humanos, desde o pré-modernismo até os nossos dias com o pós-modernismo, de modo que
em um processo longo, mas consistente desenvolveu um conjunto de novas ciências que cada
vez mais abandonavam as Escrituras Sagradas e seus valores para a vida em sociedade.

Neste processo a linguagem e a história foram uma das vitimas da desconstrução e do


relativismo da verdade, em que conceitos e fatos são descartados por uma rede de jogos de
linguagem que visam problematizar eventos históricos para alimentar a narrativa de um
determinado grupo que se sente ofendido ou prejudicado pelos fatos, sendo assim necessária
uma “releitura” da história.

Desta forma de construção da história não há mais espaço para o real e concreto dos
fatos, tudo se torna virtual quando se trata de aplicar fatos a realidade.
O pós-modernismo assim vai aos poucos minando a ideia de ser humano, esvaziando
sua personalidade de qualquer propósito especifico em sua existência, pois segundo o pós-
modernismo o homem é um ser que vive sem saber porque e que deve se contentar com isso.

Quanto a atuação de tal “zeitgeist” sobre a arte seus efeitos são drásticos, pois agora a
arte fica focada a superficialidades vazias, rejeitando a estética e se apegando a construir uma
performance massificada. Tal arte serve apenas para reforçar seus valores, construindo um
relativismo para os outros e um absoluto para si mesmo, por meio da arte pós-moderna.

A televisão assume seu lugar neste mundo artístico ao transformar os sofrimentos e


problemas do mundo em um grande espetáculo de mídia para entretenimento das pessoas, e
pra piorar as pessoas costumeiramente tendem a aceitar o que vem na TV como verdades.

Quanto a cinema existe um movimento de nos apresentar realidades sobrepostas


construídas por meio de metanarrativas que se misturam entre o real e a fantasia, o que por
muitas vezes podemos chamar de “realismo mágico” com forte apelo popular.

Desta forma a arte pós-moderna cria uma cisão desnecessária entre a estética como
elemento dos sentidos quanto ao seu significado como elemento de linguagem da arte.

A sociedade pós-moderna por sua vez em seu multiculturalismo, cada vez mais se
segmenta em subculturas ou grupos com ideais próprios. Gerando assim um efeito contrário
por conta da excessiva segmentação de grupos por meio do ódio contra quem se opõe as
ideias de cada partição social. Pois cada grupo fica preso em seu sistema de linguagens de
modo que o outro enquanto ente nunca estará habilitado para compreender o que o outro quer.

As implicações políticas disso é a tentativa de se construir uma nova realidade por


meio de um autoritarismo de reconstrução social, gerando assim um sistema de
retroalimentação do ódio e do vitimismo, na qual acabam gerando facções totalitárias de
identidade de grupo. O que ao invés de fortalecer a democracia, acaba a fragilizando por conta
da tentativa de minorias que legislam sobre os demais.

Assim temos visto o fenômeno de uma sociedade que crê em coisas completamente
incoerentes ao mesmo tempo, uma vez que o que define a verdade, não é os absolutos, mas
antes as afeições pessoais.

Desta forma com todo este movimento de desconstrução e reconstrução social, temos
reflexos desde o comércio até a educação formal de nossos filhos. A sociedade hoje por conta
dos avanços tecnológicos passou a ser muito mais consumidora de seus valores do que
produtora e mantenedora da mesma.

Por conta da falta de verdades absolutas a religiosidade pós-moderna construiu um


conjunto de crenças que partem apenas do desejo do individuo, de forma que as pessoas
passam a assumir apenas parte dos dogmas que a agradam. Assim tendo como resultado uma
moralidade que antes era alicerçada em bases consistentes, agora passa a ser construído,
naquilo que o próprio indivíduo acredita ser bom e certo para si, tendo como critério sua
própria vontade.

Tal mentalidade gerou um retorno ao paganismo por meio das crenças da Nova era,
contudo o autor vai nos dizer que segundo a história das grandes civilizações toda vez que ela
abriu mão de suas crenças tradicionais, tal sociedade passou a ser fadado ao desaparecimento,
o que talvez seja a intenção real dos engenheiros sociais da pós-modernidade.

Como efeito disso o cristianismo também apresentou sua versão pós-moderna, por
meio do desenvolvimento de seus becos “gospel”, gerando uma subcultura própria que ao
invés de incluir pessoas acaba por sua vez segregando ainda mais uma sociedade dividida.
Hoje temos ainda o fenômeno de uma geração de crentes que são mais apegados aos
encontros sobrenaturais do que a verdades sistematizadas e absolutas.

O que abriu espaço para o evangelicalismo e sua teologia de decisão associada ao


emocionalismo fervoroso, como parte disso o consumismo também adentrou as igrejas, onde
as pessoas agora passaram a consumir uma experiência extasiante que por sua vez só
corrompe a mensagem do Evangelho.

Podemos assim concluir que o livro nos apresenta uma geração que busca de todas as
formas destruir todos os dogmas e fundamentos da sociedade, minando valores e tradições a
cada dia mais.

Assim a igreja não pode se fazer refém da sociedade pós-moderna com seus valores,
mas antes deve se atualizar no sentido de transmitir de modo contextualizado antigas verdades
absolutas, sem perder de vista a Soberania absoluta de Deus no controle do mundo e sua
cultura.

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