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FACULDADE PITÁGORAS DE PARAGOMINAS

CURSO: DIREITO
PARAGOMINAS/PA: 09 DE OUTUBRO DE 2020
DISCIPLINA: TEORIA DA ARGUMENTAÇÃO JURIDICA
PROF.: JOÃO PAULO OLIVEIRA GONÇALVES
ALUNO (A): NAYANE SOUZA VIEIRA
SEMESTRE: 3°
ASSUNTO: "Identifique a lógica formal, lógica material e sua utilidade no
raciocínio jurídico, apontando também exemplos aplicativos."

A lógica formal trata da relação entre as premissas e conclusão, deixando de


importar-se com a verdade das premissas. À ela, interessa dar as regras do
pensamento correto. Ela é um instrumento que vai permitir o caminhar rigoroso do
filósofo ou do cientista. A correção ou incorreção lógica de um argumento só depende
da relação entre premissas e conclusão, e independe da verdade das premissas.
Nesse sentido, a lógica formal pressupõe que as premissas são verdadeiras. O que a
lógica formal pode fazer é determinar se as premissas dadas sustentam a conclusão.
A lógica material é a subdivisão Da Lógica que determina as leis particulares e as
regras especiais que decorrem da natureza dos objetos a conhecer. Trata da
aplicação das operações do pensamento, segundo a plateia ou natureza do objeto a
conhecer. Definir os métodos das Matemáticas da física da química da ciências
naturais das Ciências Sociais (inserindo-se o direito), etc., que são outras tantas
lógicas especiais.(MARTINS,2001). A lógica formal se fundamenta no raciocínio
dedutivo, enquanto a lógica material se fundamenta no raciocínio indutivo.
A lógica formal e dedução:
A dedução é uma inferência que parte do universal para o particular.
Considera-se que um raciocínio é dedutivo quando, a partir de determinadas
afirmações (premissas) aceitas como verdadeiras, o advogado chega a uma
conclusão lógica sobre uma dada questão discutida no processo. Vê-se, pois, o uso de
silogismo.

A dedução parte de uma verdade geral (premissa maior), previamente aceita,


para afirmações particulares (premissas menores). A aceitação da conclusão depende
das premissas: se elas forem consideradas verdadeiras, a conclusão será também
aceita. Por isso, todo conteúdo da conclusão deve estar contido, pelo menos
implicitamente, nas premissas.

Veja-se o seguinte exemplo:

Premissa Maior: Sem autorização, não se pode usar o nome alheio em propaganda
comercial. (art. 18 do Código Civil)

Premissa Menor: João usou nome alheio em propaganda comercial sem autorização.

Conclusão: João deverá responder civilmente pelo ato praticado.

Tradicionalmente, o método dedutivo tem sido privilegiado na prática jurídica.


Existem situações em que a pretensão da parte é acolhida de forma quase inequívoca
pela norma: o dispositivo legal não tem interpretações ambíguas ou díspares. Tanto a
doutrina quanto a jurisprudência já fixaram entendimento favorável ao interesse da
parte. Enfim, em lides com esse perfil, recorrer à norma e realizar a subsunção dos
fatos a ela (método dedutivo manifestado pelo silogismo) é, com certeza, a melhor
opção.
O silogismo por meio do método dedutivo orienta a estruturação lógica do
raciocínio, fixando uma combinação de lugares e relações entre as partes de modo
que haja coerência, coesão e congruência, ou seja, o modelo lógico é orientação para
a sustentação de uma justificativa, para o que é fundamental ter argumentos que
produzam os efeitos desejados (VOESE, 2006, p. 60).

Esta é a chamada fundamentação simples porque o caso concreto não exige


maior esforço argumentativo do advogado, ao contrário do que ocorre na
fundamentação complexa. Daí porque se faz necessário salientar a distinção entre
casos simples e casos complexos, e as razões pelas quais nem sempre o silogismo
por meio do método dedutivo pode ser utilizado como única ferramenta argumentativa.

A lógica material e indução:

Esse método tem o intuito de chegar a uma conclusão. Sendo assim, ele é
muito utilizado nas ciências no qual parte de premissas verdadeiras para chegar em
conclusões que podem ou não serem verdadeiras. Nesse sentido, a indução
acrescenta informações novas nas premissas que foram dadas anteriormente.

O fato de o raciocínio indutivo não obedecer às mesmas regras lógicas que o


raciocínio dedutivo não significa que ele não seja regido por algum princípio ou regra.
O que fundamenta a indução é o princípio da identidade, pois é necessário que aquilo
que se aplica corretamente às várias partes enumeradas de uma totalidade se aplique
corretamente também a essa totalidade. Ou seja, se o alimento x engordou um grupo
de humanos, pelo princípio da identidade, ele também deve engordar os humanos em
geral.

Ainda que a indução seja regida por este princípio, não há garantias da certeza
lógica na conclusão. Ela pode, inclusive, nos levar a construir generalizações
incorretas ou ruins, que, especialmente, acabam por manifestar certos preconceitos
sociais. Isso porque nós tendemos a criar generalizações que nos convenham, seja
por razões afetivas ou ideológicas. Por isso, é necessário ter cuidado com a amostra
que se utiliza, ela deve ser realmente representativa de uma classe para que a
conclusão possa, de fato, ter força e legitimidade. Podemos citar como exemplo se um
grupo de pesquisa deseja saber se determinado alimento (alimento x) influencia no
aumento de peso, provavelmente irá reunir uma amostra razoável de pessoas e dividi-
la em dois grupos. Os dois grupos seguirão a mesma dieta, porém, um deles irá comer
também o alimento pesquisado, enquanto o outro, não. Se houver aumento de peso
desse grupo que comeu o alimento x, então os cientistas poderão afirmar que este
alimento contribui para o aumento de peso; se as pessoas desse grupo não
engordarem ou engordarem na mesma proporção que o grupo que não consumiu o
alimento x, então os pesquisadores poderão afirmar que o alimento x não contribui
para o aumento de peso No exemplo dado, observamos que os pesquisadores
partiram de uma hipótese (o alimento x pode contribuir para o aumento de peso),
realizaram um experimento para testá-la e, com o resultado, pôde fazer uma afirmação
sobre o alimento x (engorda ou não engorda), confirmando ou negando a hipótese
inicial, que irá valer não só para esses dois grupos testados, como também para todas
as pessoas. Ou seja, os cientistas partiram de um caso particular para chegarem a
uma afirmação geral (que se aplica a todos). Nesse sentido, percebemos que eles
realizaram um raciocínio indutivo, típico da lógica material, no qual justamente se parte
de fatos particulares da experiência para se chegar a generalizações. Esse é o
principal modo de raciocínio das ciências experimentais, pois possibilita que sejam
estabelecidas “leis” a partir de fatos observados.
Bibliografia

-A Lógica Formal – princípios elementares : Roberto Patrus Mundim


-https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-constitucional/a-logica-e-a--
argumentacao-juridicas-como-fatores-de-controle-e-legitimacao-das-decisoes-judiciais/
-https://www.todamateria.com.br/metodo-indutivo/

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