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Teoria da Constituição põem o elenco dos direitos e garantias fun-


damentais, limitando o poder do Estado.
1. Conceito de Constituição c) Elementos sócio-ideológicos: revelam o
compromisso da Constituição entre o Es-
Constituição é fato social, e não norma jurí-
Sociológica

tado individualista e o Estado Social (ex: or-


dica. A Constituição real e efetiva de um Es-
Lassale

tado consiste na soma dos fatores reais de dem econômica).


poder que vigoram na sociedade. A Consti- d) Elementos de estabilização constituci-
tuição escrita “não passa de uma folha de pa- onal: normas destinadas à solução de con-
pel”. flitos constitucionais, à defesa da Constitui-
Constituição seria fruto da vontade do povo, ção, do Estado e das instituições democrá-
titular do poder constituinte; por isso
ticas.
Política

Schmitt

mesmo é que essa teoria é considerada deci-


sionista ou voluntarista. Para Schmitt, a e) Elementos formais de aplicabilidade:
Constituição é uma decisão política funda- regras de aplicação da Constituição.
mental que visa estruturar e organizar os
elementos essenciais do Estado. 3. Constitucionalismo
Constituição possui dois sentidos:
a) lógico-jurídico: norma pura, puro dever- 3.1. Fases do constitucionalismo
ser, s/ qualquer pretensão à fundamentação
Jurídica

Kelsen

sociológica; 1) Antigo
b) jurídico-positivo: é a Constituição escrita,
● Povo Hebreu – Estado teocrático.
formal, o documento supremo que dá ori-
gem a todas as demais normas do ordena- ● Cidades-Estado Gregas - século V a.C.,
mento; onde havia ampla participação dos gover-
Conduz ao conceito de uma Constituição To- nados na condução do processo político
tal em uma visão suprema e sintética que (democracia direta).
“...apresenta, na sua complexidade intrín-
seca, aspectos econômicos, sociológicos, ju- 2) Medieval
rídicos e filosóficos, a fim de abranger o seu
Culturalista

✓ Magna Carta inglesa (1215): representou


Meirelles

conceito em uma perspectiva unitária”. As-


sim, sob o conceito culturalista, “...as Consti- um limitação do poder monárquico à auto-
tuições positivas são um conjunto de normas ridade da lei.
fundamentais, condicionadas pela cultura
total, e ao mesmo tempo condicionantes
3) Moderno
desta, emanadas da vontade existencial da ● Transição da monarquia absolutista para o
unidade política, e reguladoras da existência, Estado Liberal, em especial na Europa, no final do
estrutura e fins do Estado e do modo de
exercício e limites do poder político”.
século XVIII, que traçou limitações formais ao po-
Compreensão obtida a partir de um conceito der político vigente à época.
cultural da Constituição, devendo: "(i) con- ● Surgimento das Constituições escritas.
sagrar um sistema de garantia da liberdade ● Constituições dos Estados Unidos da América
(essencialmente concebida no sentido do re- de 1787 e da França de 1791.
Canotilho

conhecimento dos direitos individuais e da


Ideal

● Constituições liberais (ex: constitucionalismo


participação do cidadão nos atos do poder
legislativo através dos Parlamentos); (ii) a inglês, norte-americano e francês), cujos documen-
Constituição contém o princípio da divisão tos eram sintéticos. Sob viés liberal, orientavam-se
de poderes, no sentido de garantia orgânica por valores como liberdade, proteção à proprie-
contra os abusos dos poderes estaduais; (iii) dade privada, proteção aos direitos individuais e
a Constituição deve ser escrita". absenteísmo estatal).
● Contribuição da Revolução Gloriosa: sobera-
2. Elementos das Constituições (segundo nia do parlamento (em base bicameral).
José Afonso da Silva)
● Contribuição da Revolução Francesa: princípio
a) Elementos orgânicos: regulam a estru- da soberania nacional.
tura do Estado e do Poder. ● Contribuição da Revolução Americana: fede-
b) Elementos limitativos: normas que com- ralismo e Constituição como uma "Bíblia Política”.

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4) Contemporâneo uma teoria particularmente desenvolvi-


da para explicar e dar conta das comple-
• Totalitarismo constitucional: textos constitu-
xidades que envolvem um modelo es-
cionais trazem importante conteúdo social, esta-
pecífico de organização político-jurí-
belecendo normas programáticas e realçando o
dica (o Estado constitucional democrá-
sentido de constituição dirigente.
tico) e de constituição (“constituições
• Dirigismo comunitário e constitucionalismo
normativas e garantistas”). MPGO/19.
globalizado: busca difundir a perspectiva de pro-
✓ Reconhece a centralidade dos direitos
teção aos direitos humanos e de propagação para
fundamentais.
todas as nações.
✓ Reaproximação entre o Direito e a
• Direitos de segunda dimensão: relacionados à
Ética. Novelino: “As diferentes aspira-
igualdade.
ções do pós-positivismo (teoria univer-
• Direitos de terceira dimensão: relacionados à fra-
sal) e do neoconstitucionalismo (teoria
ternidade/solidariedade.
particular) também se revelam nos pla-
• Constituição do México/1917 e Constituição da
nos em que a moral atua como uma ins-
Alemanha/1919.
tância crítica de valoração do direito. Na
5) Do futuro (José Roberto Dromi) visão pós-positivista a normatividade
• Deverá buscar a concretização dos seguintes va- dos princípios e a centralidade da argu-
lores: mentação jurídica são determinantes
a) Verdade para se pensar o direito e a moral como
b) Solidariedade esferas complementares e não total-
c) Consenso mente autônomas. Embora sejam reco-
d) Continuidade nhecidas as especificidades de cada
e) Participação uma delas, não se admite um trata-
f) Integração mento segmentado. Ao pressupor uma
“conexão necessária” entre direito e
3.2. Neoconstitucionalismo moral, o pós-positivismo rompe com
dualismo, característico das concepções
Principais ideias
juspositivistas, entre as duas esferas”.
✓ Constituições passam a prever valores. Em seguida, leciona: “O neoconstitucio-
✓ Forma-se o Estado Constitucional de Di- nalismo, por seu turno, adota uma pre-
reito. missa distinta ao considerar que a cone-
✓ Busca-se a concretização dos direitos fun- xão identificativa entre direito e moral
damentais e a garantia de condições míni- resulta da incorporação dos valores
mas de existência aos indivíduos. morais nas constituições por meio de
Marcos (histórico, filosófico e teórico) princípios e direitos fundamentais,
pontes necessárias entre as duas esfe-
a. Histórico: pós 2ª Guerra Mundial.
ras. Sob esta óptica, a conexão entre o
b. Filosófico: pós positivismo direito e a moral é apenas contingente
✓ O pós-positivismo, como via intermedi- – e não necessária, como no pós-positi-
ária para a superação das concepções vismo -, isto é, decorre da incorporação
jusnaturalistas e juspositivistas, de princípios morais nas constituições
tem pretensão de universalidade, ou contemporâneas.
seja, pretende desempenhar o papel de ✓ Princípios passam a ser encarados como
autêntica teoria geral do direito aplicá- normas jurídicas.
vel a qualquer tipo de ordenamento ju- ✓ Novelino: “Como postura ideológica pe-
rídico, independentemente de suas ca- rante o direito vigente, o pós-positi-
racterísticas específicas. (…) O neocons- vismo pode ser visto como uma via in-
titudonalismo, por seu turno, tem pre-
tensões mais específicas. Trata-se de
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termediária que busca preservar a segu- 3.5. Patriotismo constitucional


rança jurídica, mas sem adotar uma vi-
O termo foi primeiramente utilizado pelo historia-
são cética em relação à justiça material.
dor alemão Dolf Sternberger, na década de 70 (e
O caráter prima face atribuído à segu-
mais difundido pelo sociólogo e filósofo alemão
rança jurídica, em casos extremos, pode
Jürgen Habermas, na década de 80), para designar
ser afastado em nome da justiça”.
um sentimento de identidade coletiva, fundamen-
c. Teórico
tada nos ideais constitucionais e nas ideias de to-
✓ Foça normativa da Constituição.
lerância, multiculturalismo e respeito aos di-
✓ Expansão da jurisdição constitucional.
reitos fundamentais. Tal ideia se opõe ao nacio-
✓ Nova dogmática da interpretação cons-
nalismo como comumente existe, calcado em iden-
titucional.
tidades étnicas e culturais.
3.3. Modelos de constitucionalismo
4. Poder Constituinte
Canotilho identifica três modelos de compreensão
do movimento constitucionalista: 4.1. Poder constituinte x Poder constituído
a. O modelo historicista (ou inglês) ● Expressões criadas por Sieyès, na França.
b. O modelo individualista: é advindo do
modelo francês. A revolução francesa faz 4.2. Poder constituinte ORIGINÁRIO
surgir uma nova ordem jurídica, política e
3.2.1. Outras denominações
social. Por isso, é também chamado de
constitucionalismo revolucionário. O mo- Inicial, inaugural, genuíno ou de 1° grau
delo individualista estabelece uma ruptura
3.2.2. Conceito
com a ordem social até então praticada, o
anterior regime, para dar lugar a um novo • É aquele que tem como objetivo criar um novo
regime, uma nova ordem social, definida Estado.
através de um contrato social baseado nas • O poder constituinte originário se expressa em
vontades individuais e não mais no alve- movimentos de ruptura simbólica ou violenta em
drio do governante (...). face dos poderes constituídos (rupturas históricas
c. O modelo federalista ou estadista. ou transição constitucional).
3.2.3. Características
3.4. Transconstitucionalismo x Constitucio-
nalismo transnacional x Interconstitucionali- 1. Inicial;
dade 2. Autônomo;
Cuidado, são conceitos DIFERENTES! 3. Ilimitado juridicamente;
✓ Não se pode alegar direito adquirido em
Constitucio-
Transconsti- nalismo Interconstitu-
face do poder constituinte originário.
tucionalismo transnacio- cionalidade 4. Incondicionado e soberano na tomada de
nal suas decisões;
Introduzido no Possibilidade Trata das rela- 5. Poder de fato e poder político;
Brasil por Mar- de criação de ções interconsti-
6. Permanente
celo Neves, re- uma só Consti- tucionais, isto é,
presenta o diá- tuição para vá- a convergência, a
logo entre o di- rios países. concorrência, a 4.3. Poder constituinte DERIVADO
reito interno e justaposição e os
o direito inter- conflitos de vá- 4.3.1. Outras denominações
nacional, para rias constituições Poder constituinte instituído, constituído, secundá-
melhor tutela e de vários pode-
rio, de 2º grau ou remanescente.
dos direitos res constituintes
fundamentais. no mesmo es- 4.3.2. Características
paço político.
• É criado e instituído pelo poder constituinte
originário.
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• Limitado e condicionado pelos parâmetros • É inconstitucional norma da Constituição Esta-


impostos pelo poder constituinte originário. dual que estabeleça que a proposta de emenda à
Constituição, de iniciativa exclusiva de 2/3, no mí-
4.3.3. Espécies
nimo, dos membros da Assembleia Legislativa, seja
1. PC derivado reformador; aprovada por 3/5 dos referidos membros.
2. PC derivado decorrente;
3. PC derivado revisor. C) Poder constituinte derivado revisor
• Previsto no art. 3° do ADCT, diz respeito à compe-
A) Poder constituinte derivado reformador tência de revisão para atualizar e adequar a Consti-
tuição às realidades que a sociedade apontasse
• É aquele capaz de modificar a Constituição, por
como necessárias.
meio de um procedimento específico, estabelecido
• Eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada da re-
pelo poder constituinte originário.
gra prevista no art. 3° do ADCT: a revisão constitu-
• Limitações: cional foi prevista para ser exercida uma única vez,
a. Expressas ou explícitas após 5 anos contados da promulgação da CF, tendo
1. Formais ou procedimentais: previ- resultado na edição de 6 EC de revisão.
são de um procedimento próprio, via
de regra, mais dificultoso. 4.5. Poder constituinte difuso (mutação
2. Circunstanciais (art. 60, § 1°, CF/88): constitucional)
a CF não pode ser alterada na vigên- • Poder de fato que serve de fundamento para os
cia de ED, ES e IF. mecanismos de atuação da mutação constitucio-
3. Materiais (art. 60, § 4°, CF/88): pre- nal, fenômeno pelo qual se opera a alteração do
visão de cláusulas pétreas. conteúdo e do alcance das normas constitucionais
A doutrina majoritária entende que a pela via informal, sem alteração do texto norma-
CF/88 não prevê limitações temporais. tivo, tendo-se em conta a aplicação concreta de seu
b. Implícitas: por exemplo, a alteração do ti- conteúdo a situações fáticas que se modificam no
tular do poder constituinte originário e do tempo, à luz de transformações no âmbito da rea-
poder constituinte derivado reformador lidade do poder político, da estrutura social ou do
(teoria da dupla revisão). equilíbrio de interesses.
• As mutações constitucionais decorrem da conju-
B) Poder constituinte derivado decorrente gação da peculiaridade da linguagem constitucio-
• Permite que os Estados-membros elaborem suas nal, polissêmica e indeterminada, com fatores ex-
próprias Constituições, bem como venham modi- ternos, de ordem econômica, social e cultural, que
ficá-las, havendo necessidade de adequação e re- a CF intenta regular, produzindo leituras sempre
formulação. renovadas das mensagens enviadas pelo consti-
• Limitações: tuinte.
a. Princípios constitucionais sensíveis (art. 34, • Quais são os mecanismos por meio dos quais se
VII, da CF/88): estão expressos na Constitui- opera a mutação constitucional? São 3!
ção, razão pela qual são também chamados a. Por mudanças na interpretação consti-
tucional,
de apontados ou enumerados.
b. Princípios constitucionais organizatórios b. Pela atuação do legislador
(ou estabelecidos): aqueles que limitam, ve- ✓ Aqui, vale lembrar a possibilidade
dam ou proíbem a ação indiscriminada do de reação legislativa à decisão da
Poder Constituinte Decorrente (ex: sistema Corte Constitucional (STF, Info
tributário nacional). 801).
c. Princípios constitucionais extensíveis: aque- c. Pela via do costume
les que integram a estrutura da federação
brasileira (ex: preceitos ligados à Administra-
ção Pública).
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5. Interpretação constitucional de normas polissêmicas.


• A interpretação conforme não permite a inter-
5.1. Métodos pretação contra legem, nem mesmo a pretexto de
Constituição é considerada preservar a Constituição.
uma lei, devendo ser inter-
pretada como tal. Assim, 5.3. Sentenças “intermediárias”
Hermenêutico devem ser utilizados os mé-
clássico ou ju- todos tradicionais de her- Segundo Bernardo Gonçalves, compreende
rídico menêutica: gramatical/lite- uma diversidade de tipologia de decisões utilizadas
ral, histórico, sistemá- pelos Tribunais Constitucionais e/ou Cortes Consti-
tico/lógico e teleoló-
gico/racional.
tucionais em sede de controle de constitucionali-
Tópico-proble- Theodor Parte-se do problema para dade, com o objetivo de relativizar o padrão biná-
mático Viehweg a norma. rio do direito (constitucionalidade/inconstitucio-
Parte-se da norma para o nalidade".
Hermenêutico- problema (círculo herme- Podem ser assim classificadas:
Hesse
concretizador nêutico = “movimento de ir
1. Decisões interpretativas em sentido es-
e vir”).
Deve-se pesquisar a ordem trito
de valores subjacentes ao a) sentença interpretativa de rechaço: A
Científico- Rudolf
texto constitucional, uma corte adota a interpretação conforme a
vez que, com isso, é possí- CF e repudia outra que a contrarie.
espiritual Smend
vel uma captação espiritual
de seu conteúdo axioló- b) sentença interpretativa de aceitação: A
gico. corte ANULA (caráter definitivo e erga
A norma não está inteira- omnes) uma decisão de instância ordi-
mente no texto, sendo o re- nária que adotou interpretação ofen-
sultado entre o texto cons-
titucional e a realidade. O
siva à CF.
texto é apenas a "ponta do 2. Decisões manipulativas/manipulado-
iceberg". ras/normativas
• Programa normativo: a) sentenças aditivas/de efeito aditivo: A
Normativo- Friedrich
conjunto de domínios lin-
estruturante Muller Corte declara inconstitucional certo dis-
guísticos.
positivo, não pelo que expressa, mas
+ pelo que omite, alargando o texto da lei
• Âmbito normativo: reali-
dade a se regular.
ou seu âmbito de incidência (Ex: aborto
de anencéfalos e greve dos servidores
=
públicos).
NORMA JURÍDICA
b) sentenças substituíveis: A Corte anula
uma norma e a substitui por outra, es-
5.2. Interpretação conforme a Constituição
sencialmente diferente, criada pelo pró-
• Técnica por meio da qual se adota uma exegese prio Tribunal (Ex: substituição da taxa
específica da norma como consonante com a Cons- prevista no DL 3.365/41 pela prevista na
tituição. Mantém-se, assim, o texto da norma - em S. 618 do STF)
todo (sem redução de texto) ou em parte (com re-
dução de texto). 5.4. Correntes hermenêuticas americanas
• Pode ser utilizada no controle de constitucionali-
a) Interpretativista: os juízes, ao interpretarem
dade de emenda constitucional.
a Constituição, devem se limitar a captar o sentido
• A interpretação conforme a constituição e a de-
dos preceitos nela expressos.
claração parcial de inconstitucionalidade sem redu-
ção de texto são exemplos de situações constituci- b) Não Interpretativista: defendem uma maior
onais imperfeitas (normas se situam em um está- autonomia do juiz ao interpretar a norma, com
gio de trânsito entre a constitucionalidade e a in- aplicação de “valores e princípios substantivos” –
constitucionalidade). princípios da liberdade e da justiça. Admite-se o ati-
• A interpretação conforme só é admitida no caso vismo judicial ou papel criativo do juiz.

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5.5. Teoria da democracia dualista um corpo imaterial (místico), invisível, imortal e in-
capaz de qualquer imperfeição. Tal dualidade exi-
A teoria da democracia dualista, defendida por
gia tratamento jurídico diferenciado para cada um
Bruce Ackerman, sustenta que as decisões adota-
dos “corpos”.
das pelo próprio povo, em contextos de grande
mobilização cívica, devem ser protegidas do al-
6. Princípios de interpretação constituci-
cance da vontade dos representantes do povo, for-
mada em momentos em que a cidadania não esteja onal
intensamente envolvida. Esta teoria distingue a po- a) Unidade
lítica extraordinária, correspondente àqueles "mo- O texto deve ser interpretado de forma a evitar
mentos constitucionais", da política ordinária, que contradição entre as normas e os princípios consti-
se realiza através das deliberações do dia a dia dos tucionais. Assim, não há contradição verdadeira
órgãos representativos. A política extraordinária entre as normas constitucionais, o conflito é ape-
não exige, necessariamente, formalização procedi- nas aparente. A análise das normas deve ser inte-
mental através de assembleia constituinte ou de grada e não isolada. Não existe hierarquia entre as
emenda constitucional, se situa em patamar supe- normas da CF.
rior à política ordinária e pode legitimamente im-
b) Concordância prática/harmonização
por limites a esta.
Impõe a harmonização dos bens jurídicos em caso
5.6. Liberalismo igualitário de conflito, de modo a evitar o sacrifício total de
uns em relação aos outros. É geralmente usado na
O liberalismo igualitário é uma vertente do libera- solução de colisão de direitos fundamentais. Ex:
lismo político. Daí a sua dimensão liberal que se ex- manifestação de pensamento x vida privada.
prime no reconhecimento da prioridade dos direi-
c) Justeza/conformidade
tos individuais diante dos interesses do Estado ou
da coletividade. Esta ideia foi bem sintetizada por Impõe aos órgãos encarregados da interpretação
John Rawls, na abertura da sua obra clássica sobre constitucional a obrigação de não chegar a um re-
a Teoria da Justiça: "Cada pessoa possui uma invio- sultado que subverta o esquema organizató-
labilidade fundada na justiça que nem o bem-estar rio funcional estabelecido pela CF.
da sociedade inteira pode sobrepujar (...). Por- d) Máxima efetividade/eficiência/interpreta-
tanto, numa sociedade justa as liberdades decor- ção efetiva
rentes da igual cidadania são garantidas, e os direi- O intérprete deve atribuir à norma constitucional o
tos assegurados por razões de justiça não se sujei- sentido que lhe dê mais efetividade social. Visa ma-
tam à barganha política ou a cálculos de interesse ximizar a norma. Sua utilização se dá principal-
social". mente na aplicação dos direitos fundamentais.
Pode-se falar, neste sentido, que o liberalismo e) Efeito integrador
igualitário, como todo liberalismo, é individualista,
Busca que na interpretação da CF seja dada prefe-
pois o seu foco prioritário se centra no indivíduo, e
rência às determinações que favoreçam a integra-
não em qualquer entidade supraindividual como o
ção política e social.
Estado, a Nação, a classe social ou o grupo étnico.
f) Força normativa
5.7. Teoria dos “Dois Corpos do Rei” Atua como um apelo ao intérprete nas interpreta-
Presente em toda a Europa, com destaque na Ingla- ções, como representação de um objetivo a ser
terra, onde se desenvolveu em uma teoria política perseguido. Nas possíveis interpretações, deve ser
ou legal. Segundo a referida doutrina, a figura adotada a que dê maior eficácia/aplicabilidade e
do Rei se subdividia em dois "corpos": a pessoa na- permanência às normas constitucionais.
tural (física) do rei, semelhante a de qualquer ou- g) Ponderação
tro homem, sendo, portanto, material e corruptí- • A colisão entre princípios, segundo a teoria pre-
vel, e, também, a figura do representante político, dominante, é resolvida por um juízo de pondera-
ção. Neste caso, conforme aponta GONET
BRANCO, em Juízo de Ponderação na Jurisdição
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Constitucional, “a solução do conflito, idealmente, colisão”. Em suma: a questão erra ao dizer


há de ser feita com a restrição mínima de um prin- que, mesmo sem a existência de peso suficiente
cípio em favor daquele de maior peso – solução dos motivos que justificam a restrição (aqui já há
que valerá para as circunstâncias analisadas, não a falta de proporcionalidade), a restrição será vá-
se credenciando a assertiva de ‘que sempre um va- lida se não afetar o núcleo essencial do direito em
lor há de preferir ao outro’. O intérprete, por isso, rota de colisão.
formula um enunciado de preferência condici- • O princípio da proporcionalidade funciona como
onada, traça, assim, uma ‘hierarquia móvel ou limite à proteção insuficiente de direitos e bens
axiológica’. A regra que resultará da ponderação constitucionalmente protegidos (MPSP/19 – 2ª
vale para as circunstâncias tomadas em considera- Fase).
ção ao se avaliar o peso dos princípios em atrito”.
• A técnica da ponderação de interesses não pode 7. Classificação das Constituições
dissolver esquemas de competências constitucio-
7.1. Quanto à origem
nalmente definidos.
• Segundo a formulação teórica da ponderação, É a Constituição imposta, de ma-
devem ser atribuídos pesos aos direitos e princí- neira unilateral, pelo agente revolu-
pios contendores, a fim de se identificar qual deles Outorgada cionário, que não recebeu do povo a
deverá prevalecer em um caso concreto (relação legitimidade para em nome dele
de precedência condicionada). O peso concreto de atuar. No Brasil: 1824, 1937 e 1967.
cada um deles diz respeito à intensidade com que Promulgada
É a Constituição fruto do trabalho de
são efetivamente afetados pelo ato questio- uma Assembleia Nacional Consti-
(Democrá-
nado: quanto mais acentuada a restrição a um di- tuinte, eleita diretamente pelo povo,
tica, votada
para, em nome dele, atuar. No Bra-
reito fundamental, maior será seu peso concreto; ou popular sil: 1891, 1934, 1946 e 1988.
quanto mais intensa a satisfação do bem jurídico
Cesarista
Embora conte com participação po-
constitucional antagônico, maior será o peso con-
pular, não é democrática, pois visa
creto deste (SOUZA NETO e SARMENTO, 2014, p. (Bonapar-
ratificar a vontade do detentor do
479). Um determinado ato estatal pode restringir tista) poder.
em grau elevado um direito fundamental e, em Modelo que não mais se encontra na
contrapartida, realizar em nível baixíssimo o direito realidade. Foi comum na Idade Mé-
Pactuada
ou interesse constitucional cuja tutela é perse- dia, em que o poder estatal aparecia
(Dualista)
cindido entre o monarca e as ordens
guida, mostrando-se desproporcional. Também se-
privilegiadas.
rá desproporcional a medida se ela afetar o núcleo
essencial de um direito. Conforme aponta NOVE- Aqui, vale registrar a classificação que distingue:
LINO (2016, p. 290), “a ideia fundamental na qual a. Autoconstituição: elaborada p/ ser apli-
se apoia este requisito é a de que existe um conte- cada no próprio Estado.
údo essencial dos direitos e garantias fundamentais b. Heteroconstituição: é a constituição
que não pode ser violado, nem mesmo nas hipóte- feita p/ vigorar em outro país. São inco-
ses em que o legislador está constitucionalmente muns. Ex: Constituição do Chipre, que sur-
autorizado a editar normas restritivas”.
giu de acordos elaborados em Zurique, nos
Mas, cuidado: uma medida poder ser desproporci-
idos dos anos 60, entre Grã Bretanha, Gré-
onal mesmo quando não afeta o núcleo essencial
cia e Turquia.
de um direito fundamental ou bem constitucional,
pois a proteção ao núcleo essencial é apenas um 7.2. Quanto à forma
dos limites da restrição a direitos fundamen-
tais. No MPGO/2019, foi considerada INCORRETA a É aquela formada por um con-
seguinte alternativa: “Na aplicação da técnica de Escrita junto de regras sistematizadas e
(instrumental) organizadas em um único docu-
ponderação de interesses, a medida restritiva não
mento.
será desproporcional se, ausente peso suficiente
dos motivos que justificaram a restrição, esta não Costumeira Aquela que não traz as regras em
afetar o núcleo essencial do direito fundamental ou (Não escrita ou um único texto solene e codifi-
bem constitucionalmente protegido, em rota de consuetudinária) cado.
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7.3. Quanto à extensão 7.6. Quanto à estabilidade

São aquelas enxutas, veiculado- São as leis fundamentais anti-


Sintéticas gas criadas com a pretensão de
ras apenas dos princípios fun-
Concisas, breves, eternidade e tidas como imodi-
damentais e estruturais do Es-
sumárias, sucin- ficáveis, sob pena de maldição
tado, o que as torna mais dura- Imutáveis
tas ou básicas dos deuses. Ex: Código de Ha-
douras.
São aquelas que abordam to- murabi / Lei das XII tábuas. Não
Analíticas dos os assuntos que os repre- existem mais constituições
Amplas, extensas, sentantes do povo entendem desse tipo.
largas, prolixas,
fundamentais. Normalmente São aquelas alteráveis apenas
longas, desenvol- pelo mesmo poder constituinte
descem a minúcias, estabele-
vidas, volumosas responsável por sua elabora-
cendo regras que deveriam es-
ou inchadas Fixas ção, quando convocado para
tar em leis infraconstitucionais.
isso. Ex: as Constituições pro-
duzidas na época de Napoleão
7.4. Quanto ao conteúdo I.
São as Constituições dotadas
Materialmente constitucional é Super rígidas de cláusulas pétreas (Min. Ale-
aquele texto que contém as xandre de Moraes).
normas fundamentais e estru- São modificáveis mediante pro-
Material
turais do Estado, a organização cedimentos mais solenes e
de seus órgãos, os direitos e as Rígidas complexos em comparação
garantias fundamentais. com o processo legislativo ordi-
É a Constituição que elege nário. Exemplo: CF/88.
como critério o processo de sua São aquelas que possuem uma
Formal formação, e não o conteúdo de parte rígida e outra flexível. Al-
(CF/88) suas normas. Assim, qualquer gumas normas tem um proce-
regra nela contida terá o cará- dimento mais dificultoso, ou-
Semirrígidas
ter constitucional. tras normas tem o mesmo pro-
cedimento de alteração da le-
7.5. Quanto à ontologia constitucional (Loe- gislação ordinária. Ex.: Consti-
tuição Imperial de 1824.
wenstein)
São aquelas que possuem a
Domina efetivamente o pro- mesma origem e formalidades
Normativa cesso político, conformando a para a alteração previstas para
CF/88 (Lenza) Flexíveis
realidade. a legislação ordinária. Ex.:
Constituições costumeiras ou
Nominal Embora tenha essa pretensão, consuetudinárias.
CF/88 (Bernardo e não é capaz de conformar a re-
doutrina majoritária) alidade.
7.7. Quanto à sistemática
Constituição “de fachada”. Uti-
lizada pelos dominadores de Aquelas que se materializam
Reduzidas
fato, visando sua perpetuação em um só código básico e siste-
Semântica (Unitárias ou
no poder. O objetivo dessas mático (como as Constituições
Constituições é apenas legiti-
Codificadas)
brasileiras).
mar os detentores do poder. Aquelas que se distribuem em
Variadas
vários textos e documentos es-
(Legais)
parsos.

7.8. Quanto à dogmática


Ortodoxa Formada por uma só ideologia.
Formada por ideologias concilia-
Eclética
tórias (CF/88).
8
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7.9. Quanto ao sistema regras e princípios seria a função normogené-


tica destes últimos. Para ele, os princípios seriam a
Predominam os princípios
Principiológica base do sistema jurídico, ostentando natureza nor-
(CF/88).
Preceitual Prevalecem as regras. mogenética, ou seja, funcionam como fundamento
de regras, constituindo a razão de ser, o motivo de-
terminante da existência das regras em geral.
7.10. A classificação da CF/88
Critério Classificação
8.3. Ronald Dworkin
Origem Promulgada Diferencia as diretrizes políticas (policies) dos
Forma Escrita = instrumental princípios (principles). Os primeiros seriam
Analítica = ampla, extensa, larga, “aquele tipo de padrão que estabelece um objetivo
Extensão prolixa, longa, desenvolvida, volu- a ser alcançado, em geral uma melhoria em algum
mosa, inchada. aspecto econômico, político ou social da comuni-
Modo de Dogmática = sistemática dade”. Já os princípios seriam o “padrão que deve
elaboração ser observado, não porque vá promover ou assegu-
Alterabili- Rígida (ou super-rígida, cf. Ale- rar uma situação econômica, política ou social con-
dade xandre de Moraes) siderada desejável, mas porque é uma exigência de
Sistemático Reduzida = unitária justiça ou equidade ou alguma outra dimensão da
Dogmático Eclética moralidade”.
Ontologia Normativa (pretende ser!)
Sistema Principiológica 8.4. Robert Alexy
Função Definitiva Dworkin adota um conceito estrito de princípio (em
Ideologia Social (dirigente) sentido estrito), relacionando-o a direitos individu-
R. M. Horta Expansiva. ais, enquanto Alexy adota expressamente um con-
ceito amplo, abarcando direitos individuais e inte-
8. Teoria da norma jurídica resses coletivos, sem mencionar as policies (dire-
trizes políticas).
8.1. Humberto Ávila Para Alexy, princípios são mandados de otimiza-
Sustenta que os princípios seriam normas prima- ção, isto é, normas que ordenam que algo seja re-
riamente complementares e parciais, que indica- alizado na maior medida possível.
riam o estado de coisas ideal a ser promovido, mas
não o modo para fazê-lo. Já as regras seriam nor-
8.5. Derrotabilidade da regras
mas preliminarmente decisivas e abarcantes, que • Superação do modelo “tudo ou nada” de
indicariam a decisão a ser adotada para o caso es- Dworkin.
pecífico. • Traduz a ideia de superação circunstancial
Para H. Ávila, a interpretação e a aplicação de prin- do mandamento contido na regra, visto
cípios e regras efetivam-se por meio dos postula- que sua aplicação, em específico caso con-
dos normativos: creto, não concretiza a finalidade que a
própria regra busca tutelar.
Inespecíficos Específicos
1. Ponderação (atribui- 1. Igualdade 9. Norma constitucional
ção de pesos) 2. Razoabilidade
2. Concordância prática 3. Proporcionali- 9.1. Classificação
3. Proibição de excesso dade
(garantia de um mínimo I) Segundo José Afonso da Silva
de eficácia dos direitos a) Eficácia Plena. São de aplicação direta e ime-
fundamentais) diata e independem de uma lei que venha mediar
os seus efeitos. As normas de eficácia plena tam-
8.2. Canotilho bém não admitem que uma lei posterior venha res-
Para Canotilho um dos critérios de distinção entre tringir o seu alcance.
9
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● O caráter não restringível de certa norma ção de órgãos, instituições ou regulamen-


constitucional de direito fundamental do- tos.
tada de eficácia plena NÃO implica vedação
CUIDADO! Toda norma constitucional produz os se-
absoluta aos órgãos estatais de adotarem
guintes efeitos...
medidas restritivas das prerrogativas indivi-
1. Revogatório: a norma constitucional re-
duais ou coletivas. Por quê? Há direitos pre-
voga (não recepciona) as normas anterio-
vistos na CF sem qualquer menção à lei res-
res a ela que forem incompatíveis materi-
tritiva. Mesmo assim, tais direitos estão su-
almente;
jeitos a uma reserva legal subsidiária, po-
2. Inibitório: impede a produção de normas
dendo o legislador regular esse direito em
que a contrariem (servem, assim, como pa-
face dos demais valores constitucio-
râmetro para o controle de constituciona-
nais. Claro que a norma legal regulamenta-
lidade).
dora deverá sobreviver ao teste da propor-
3. Irradiante: orientam a interpretação das
cionalidade, demonstrando que a eventual
demais normais do ordenamento jurídico.
limitação a direito previsto sem restrição ex-
pressa da CF, atendeu, de modo proporcio- II) Segundo Crisafulli (cobrada no MPPR/17)
nal, a realização de outros direitos constitu-
a) programáticas se dizem aquelas normas jurídi-
cionais. Ex: interceptação de correspondên-
cas com que o legislador, ao invés de regular ime-
cia de preso, conforme decidiu STF.
diatamente um certo objeto, preestabelece a si
● Além da “reserva legal subsidiária”, todos di-
mesmo um programa de ação, com respeito ao
reitos fundamentais – mesmo sem restrição
próprio objeto, obrigando-se a dele não se afastar
expressa – estão sujeitos a uma “reserva ge-
sem um justificado motivo.
ral de ponderação”, uma vez que esses dis-
positivos estão sujeitos à ponderação com b) Normas imediatamente preceptivas ou
outros valores previstos na Constituição, re- constitutivas: possuem eficácia imediata; são do-
lacionados a outros direitos fundamentais tadas de imperatividade, ou seja, têm conteúdo
em colisão. impositivo ou coativo. Nessa categoria se in-
b) Eficácia Contida. Assim como a norma de efi- cluem normas programáticas lato sensu: “as nor-
cácia plena, é de aplicação direta e imediata, não mas programáticas lato sensu, como os princípios
precisando de lei para mediar os seus efeitos, po- gerais e também os princípios constitucionais, diri-
rém, poderá ver o seu alcance limitado pela super- gidas a direta e imediata disciplina de certas maté-
veniência de uma lei infraconstitucional, por outras rias”, ou destinadas a disciplinar “desde o início e
normas da própria constituição ou ainda por meio de modo direto, determinadas relações”, entram
de preceitos ético-jurídicos como a moral e os bons na categoria das normas de eficácia imediata, ou
costumes. seja, das normas imediatamente preceptivas”. Os-
tentam por igual uma dupla eficácia na medida em
c) Eficácia Limitada. São de aplicação indireta
que servem também de regra vinculativa de uma
ou mediata, pois há necessidade da existência de
legislação futura sobre o mesmo objeto.
uma lei para “mediar” a sua aplicação. Caso não
haja regulamentação por meio de lei, não são ca- c) As normas de eficácia diferida, para aplicarem
pazes de gerar os efeitos finalísticos (mas apenas a matéria a que diretamente se referem, precisam
os efeitos jurídicos que toda norma constitucional apenas de meios técnicos ou instrumentais. Desde
possui). Pode ser: o primeiro momento, sua eficácia ou aplicabilidade
1. Normas de princípio programático: di- pode manifestar-se de maneira imediata, posto
recionam a atuação do Estado, instituindo que incompleta, ficando assim, por exigências téc-
programas de governo (ex: busca do pleno nicas, condicionadas a emanação de sucessivas
emprego). normas integrativas.
2. Normas de princípio institutivo: orde-
nam ao legislador a organização ou institui-

10
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III) Segundo Gregório Robles (cobrada no ● Norma constitucional de proibição é sem-


MPMG/17) pre uma ordem autoaplicável, que inde-
pende da prática de ato administrativo
As regras de direito constitucional integram a cons-
subsequente para exigibilidade, a menos
tituição escrita, rígida e dotada de supremacia. São
que haja remissão expressa ao legislador.
regras-gênero, das quais derivam as regras ônticas,
● As normas do ADCT possuem a mesma hi-
as regras técnicas e as regras deônticas.
erarquia das normas do texto permanente
a) Regras ônticas: não estabelecem nenhuma exi- da Constituição.
gência de conduta, apenas indicam os elementos ● As normas constitucionais originárias pos-
prévios necessários à ação; suem validade autorreferente, não se sub-
b) Regras técnicas: referem-se ao procedimento, metendo ao controle de constitucionali-
e decorrem de uma regra ôntica; dade.
c) Regras deônticas: são regras diretas da ação 7.2.2. Repristinação x efeito repristinatório
e estabelecem um dever, que pode ser positivo ou
negativo – pode exigir uma ação ou uma omissão. Repristinação Efeito repristinatório
Ao contrário das regras ônticas e técnico-convenci- É fenômeno que ocorre É fenômeno próprio do
onais, que não podem ser infringidas, as normas na sucessão de normas controle de constituciona-
podem ser desrespeitadas. no tempo. Ex: Lei “A”, lidade. Como, em regra,
elaborada na vigência da adotamos a “teoria da nu-
CF/46 (e com ela compa- lidade”, a norma decla-
9.2. Eficácia e aplicabilidade
tível), não foi recepcio- rada inconstitucional no
nada pela Const/67, mas, controle concentrado
7.2.1. Retroatividade
em tese, poderia ser re- nunca produziu efeito al-
a) Retroatividade máxima, também chamada de cepcionada pela CF/88. gum, nem mesmo o de re-
restitutória, que é aquela em que a lei nova ataca vogar a lei com ela incom-
patível.
fatos pretéritos, ou seja, fatos já consumados sob a
Só ocorre se houver dis- É a regra.
vigência da lei revogada, prejudicando assim o ato posição expressa na nova
jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa jul- Constituição, visto não
gada. haver repristinação tá-
● Não é automática. A Constituição pode cita.
prever. Art. 2°, § 3°, LINDB. Art. 11, § 2°, Lei 9.868/99.

b) Retroatividade média, que é aquela em que a 7.2.3. Desconstitucionalização


lei nova atinge efeitos pendentes de atos jurídicos
• Fenômeno pelo qual as normas da Constituição
anteriores, como por exemplo, um contrato, em
anterior, desde que compatíveis com a nova or-
que uma prestação esteja vencida, mas ainda não
dem, permanecem em vigor, mas com o status de
foi paga.
lei infraconstitucional.
● Não é automática. A Constituição pode
• Em regra, não é verificado no Brasil, mas poderá
prever.
ser percebido quando a nova Constituição, expres-
c) Retroatividade mínima, também chamada de samente, o determinar.
temperada ou mitigada, na qual a lei nova alcança
7.2.4. Recepção
e atinge os efeitos futuros de situações passadas
consolidadas sob a vigência da lei anterior. • A recepção é fenômeno tácito.
● É a regra: salvo disposição expressa, as • Perante a nova Constituição, só se analisa a com-
normas constitucionais originárias gozam patibilidade material. Se incompatível, a lei ante-
de retroatividade mínima. rior será revogada (não recepcionada), já que não
se fala em inconstitucionalidade superveniente.
Sobre esse tema, alguns enunciados de prova (to- • Perante a Constituição anterior, exige-se compa-
dos CORRETOS) tibilidade formal e material.
• LO pode ser recebida como LC (ex: CTN).
• É possível a recepção PARCIAL.
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• É possível a modificação de competência (ex: ma- • Criação do habeas corpus (possuía um sentido
téria era de competência da União e passa à com- mais amplo).
petência dos Estados). O contrário não é possível: • Adotou-se o modelo de controle de constitucio-
não cabe cogitar a ocorrência de federalização das nalidade difuso\concreto (inspiração norte-ameri-
normas estaduais ou municipais, como resultado cana).
de alteração na regra constitucional de competên- • Possibilidade de controle judicial de constitucio-
cia. Na situação inversa - competência da União na nalidade.
Constituição pretérita e competência dos estados • CF passou a ser rígida.
ou dos municípios na nova Constituição -, a legisla-
ção federal pretérita seria recepcionada (caso hou- 10.3. Constituição de 1934
vesse compatibilidade). • Influência da Constituição Alemã de Weimar.
• Caráter extremamente nacionalista, com proibi-
10. História constitucional brasileira ção de algumas atividades por empresas estrangei-
ras, nacionalização de empresas e proteção aos di-
10.1. Constituição de 1824 reitos do trabalhador.
• Outorgada. • Voto secreto
• Inspirada em ideias francesas e inglesas, com in- • Aspectos importantes:
fluências da Constituição portuguesa. • Foi extinto o cargo de vice-presidente.
• O Brasil era um Estado Unitário (Monarquia Uni- • Foram impostas restrições à imigração.
tária), com o território dividido em províncias. • Criação do MS e da Ação Popular.
• Voto censitário e eleição indireta. • Manteve o controle de constitucionalidade di-
• Catolicismo era a religião oficial. fuso, implementando o controle concentrado.
• Cabia à Assembleia Geral guardar e zelar pela • Resolução suspensiva do Senado
Constituição. • Representação Interventiva
• Presença de direitos fundamentais. • Previsão de Decretos-Lei.
• Previa a existência de 4 Poderes: Executivo, Legis- • Bicameralismo desigual.
lativo, Judiciário e Moderador, que existia para im- • Criação da cláusula de reserva de plenário (full
por pretenso equilíbrio aos outros Poderes. bench).
• Rio de Janeiro era a capital federal. • Criação de direitos sociais.
• É apontada por alguns autores como a 1ª Consti- • Direito de voto para a mulher.
tuição do mundo que trouxe um rol de direitos in-
dividuais fundamentais (outros dizem que foi a 10.4. Constituição de 1937
Constituição da Bélgica de 1831). • Inspirada na Constituição Polonesa (por isso ficou
• Constituição semirrígida. conhecida como Polaca).
• Não possuía nenhum mecanismo de controle de • O Estado era autoritário, apresentando caracte-
constitucionalidade. rísticas ditatoriais fascistas.
• Eleições voltaram a ser indiretas.
10.2. Constituição de 1891 • Havia a previsão da pena de morte.
• Influência da Constituição dos EUA – “Estados • Havia a possibilidade de censura.
Unidos do Brasil” • Direitos fundamentais enfraquecidos.
• O Brasil passou a ser uma República (forma de • Política populista, consolidou a CLT e outros direi-
governo), Federativa (forma de Estado), Presiden- tos trabalhistas.
cialista (sistema de Governo). • Não previu o MS e nem a Ação Popular.
• Embora tenha assegurado forma federativa de • Extinguiu a Justiça Federal.
Estado, não assegurou autonomia dos municípios).
• Voto universal. Voto descoberto. E voto direto. 10.5. Constituição de 1946
• Separou o Estado da Igreja (Brasil passou a ser um • Convocada após a saída de Vargas, contou com a
Estado laico – sem religião oficial). MPGO/2019.1 participação de diversas correntes políticas.
• 3 Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário). Ins-
tituiu o Legislativo estadual.
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• Aumento da autonomia dos Estados e dos Muni- Datada de 05/10/1988, a Constituição inaugurou
cípios. um novo arcabouço jurídico-institucional no país,
• Voto universal e obrigatório. Eleições voltaram a com ampliação das liberdades civis e dos direitos e
ser diretas. garantias individuais. A nova Carta consagrou cláu-
• Garantia da liberdade de opinião e de pensa- sulas transformadoras com o objetivo de alterar re-
mento. lações econômicas, políticas e sociais, concedendo
• Criação do TFR – Tribunal Federal de Recursos. direito de voto aos analfabetos e aos jovens de 16
• Manteve o controle difuso, mas a EC 16/65 criou e 17 anos. Estabeleceu também novos direitos tra-
a representação de inconstitucionalidade (era a balhistas, como redução da jornada semanal de 48
atual ADI), tendo como único legitimado o PGR para 44 horas, seguro-desemprego e férias remu-
para impugnação da lei em tese). neradas acrescidas de um terço do salário.
• EC 04/61: introduziu o parlamentarismo.
• EC 06/63: voltou com o presidencialismo. Outras medidas adotadas Constituição de 88 fo-
• MS e AP foram restabelecidos. ram: instituição de eleições majoritárias em dois
• Determinou o ensino religioso nas escolas. turnos; direito à greve e liberdade sindical; au-
mento da licença-maternidade; licença-paterni-
10.5. Constituição de 1967 dade de cinco dias; criação do STJ em substituição
• Sofreu influência da Constituição de 1937. ao TFR; criação dos mandados de injunção, de se-
• Representava os ideais e princípios do Golpe Mi- gurança coletivo e restabelecimento do habeas
litar: preocupação com a "segurança nacional"; corpus. Foi também criado o habeas data (instru-
conferiu amplos poderes para a União e para o Pre- mento que garante o direito de informações relati-
sidente. vas à pessoa do interessado, mantidas em registros
• Eleições diretas e secretas para Deputados e Se- de entidades governamentais ou banco de dados
nadores. Eleição indireta pra Presidente. particulares que tenham caráter público).
• Centralização dos poderes políticos na União, es-
pecialmente nas mãos do Presidente; Destacam-se, ainda, as seguintes mudanças; re-
• Possibilidade de o Presidente expedir decretos- forma no sistema tributário e na repartição das re-
lei, tendo força de lei; ceitas tributárias federais, com propósito de forta-
• Redução dos direitos individuais com a possibili- lecer estados e municípios; reformas na ordem
dade de suspensão desses direitos em caso de econômica e social, com instituição de política agrí-
"abuso". cola e fundiária e regras para o sistema financeiro
• Em 1968 foi baixado o AI-5. nacional; leis de proteção ao meio ambiente; fim
da censura em rádios, TVs, teatros, jornais e de-
10.6. Constituição de 1988 mais meios de comunicação; e alterações na legis-
lação sobre seguridade e assistência social.
• Ampliação dos legitimados da ADI.
• Criação da ADPF.
• Ampliação dos remédios constitucionais.
• Reclamação constitucional (passa a ter natureza
constitucional).
• Criação do IDC (art. 109, § 5°, CF).
• EC 3\93 – criou a ADC.

Em 27/11/1985, por meio da EC 26, foi convocada


a Assembleia Nacional Constituinte com a finali-
dade de elaborar novo texto constitucional para ex-
pressar a realidade social pela qual passava o país,
que vivia um processo de redemocratização após o
término do regime militar.

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Direitos Fundamentais gem não terem a forma constitucional, estes direi-


tos são chamados de direitos materialmente fun-
Conceito damentais. Por outro lado, trata-se de uma ‘norma
de FATTISPECIE ABERTA’, de forma a abranger,
• A caracterização de um direito como fundamen-
para além das positivações concretas, todas as pos-
tal não é determinada apenas pela relevância do
sibilidades de ‘direitos’ que se propõem no hori-
bem jurídico tutelado por seus predicados intrínse-
zonte da acção humana”.
cos, mas também pela relevância que é dada a esse
• A doutrina concebe a existência de direitos fun-
bem jurídico pelo constituinte, mediante atribui-
damentais heterotópicos, isto é, que não estão
ção da hierarquia correspondente (expressa ou im-
elencados no rol de direitos do Título II (direitos
plicitamente) e do regime jurídico-constitucional
fundamentais catalogados). O STF, por exemplo,
assegurado às normas de direitos fundamentais
reconhece a fundamentalidade material do princí-
(MPPR/2019).
pio da anualidade eleitoral, que passa a gozar,
• Um direito não precisa ter fundamentalidade ma-
nesse entendimento, da proteção conferida às
terial para ser considerado fundamental. Funda-
cláusulas pétreas.
mentalidade material é entender que aquele di-
• Pessoas jurídicas de direito público podem ser ti-
reito, no seu conteúdo, na sua natureza, é direito
tulares de direito fundamental (ex: direito à tutela
fundamental. Fundamentalidade formal, por sua
judicial efetiva).
vez, é a previsão do referido direito no rol dos di-
reitos fundamentais. O critério da fundamentali-
dade material é útil em um segundo momento,
Características
para permitir que sejam encontrados outros direi- a) Historicidade
tos fundamentais fora do Título II da CF/88. b) Universalidade
Como já cobrado na prova de 2014: “A fundamen- c) Relatividade
talidade material fornece suporte para a abertura d) Imprescritibilidade
a novos direitos fundamentais, sendo correto ob- e) Inalienabilidade
servar que aos direitos fundamentais só material- f) Indisponibilidade
mente constitucionais são aplicáveis aspectos típi-
cos do regime jurídico da fundamentalidade for- Dimensão subjetiva e dimensão objetiva
mal” (MPGO/2014).
• Os direitos e as garantias expressos na Constitui-
Dimensão subjetiva
ção não excluem outros decorrentes do regime e Em sua dimensão SUBJETIVA, os direitos funda-
dos princípios por ela adotados, ou dos tratados in- mentais referem-se direta e especificamente aos
ternacionais em que a República Federativa do Bra- sujeitos dessas especiais posições jurídicas de van-
sil seja parte. Isso significa que o rol de direitos do tagem. Essa dimensão corresponde à característica
art. 5º, apesar de extremamente abrangente, con- desses direitos de, em maior ou em menor escala,
tinua sendo exemplificativo, e pode ser ampliado. ensejarem uma pretensão, que pode ser:
Com base nesse dispositivo, a Constituição brasi- 1. Negativa – não interferência no espaço de
leira contém cláusula aberta que permite acolher liberdade e autonomia conferido ao indiví-
os chamados direitos materialmente fundamen- duo;
tais ou direitos fundamentais em sentido mate- 2. Positiva – exigibilidade de prestações ma-
rial, que são aqueles não previstos expressamente teriais que materializem os direitos funda-
por ela, mas que, por força de sua essencialidade, mentais (ex: fornecimento de medicamen-
são direitos fundamentais, detentores da mesma tos pelo Estado, como instrumento para
dignidade dos direitos constitucionalizados. A essa concretização do direito fundamental à sa-
abertura podemos denominar, com apoio em úde).
JORGE MIRANDA, de não tipicidade dos direitos
fundamentais. CANOTILHO sustenta que, “em vir- Dimensão objetiva
tude de as normas que os reconhecem e prote- Desdobra-se em 3 aspectos:

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1º. Deveres de proteção: princípio da propor- 2) ativo: indivíduo possui competências para
cionalidade como parâmetro e limite da influenciar a formação da vontade do Estado
proibição da proteção deficiente (ex: exercício do direito de voto);
(MPSP/2019 – 2ª fase); 3) negativo: reserva contra ingerências do Es-
2º. Eficácia irradiante (Daniel Sarmento): di- tado;
reitos fundamentais como vetores deter- 4) positivo (civitatis): direitos prestacionais.
minantes da atuação do Legislativo ao ela-
borar a lei, da Administração Pública ao
“governar” e do Judiciário ao resolver Direitos fundamentais em espécie
eventuais conflitos.
3º. Procedimentos e instituições próprios, Liberdade de expressão
adequados e eficazes para que os direitos • MPBA/2018: O direito fundamental à liberdade
saiam do papel e ganhem concretude. de expressão é passível de sofrer restrições por
meio de lei, inclusive em hipóteses não previstas
Eficácia de modo expresso na CF. Segundo Gilmar Men-
des, a Carta brasileira não adotou a fórmula alemã
Eficácia vertical, horizontal e diagonal de prever, explicitamente, que a liberdade de ex-
pressão possa ser limitada por leis destinadas a
1. Vertical: relação hierarquizada ou subordi-
proteger a juventude. Isso não impede que, no
nada. Ex: Estado x particular.
Brasil, sejam editadas leis, com o fito de preservar
2. Horizontal: relação de igualdade jurí-
valores relevantes da juventude, restringindo a li-
dica. Ex: Particular x Particular.
berdade de expressão. Isso porque não são apenas
3. Diagonal: relação de desequilíbrio fático
e/ou jurídico. Ex: relações consumeristas e aqueles bens jurídicos mencionados expressa-
trabalhistas. mente pelo constituinte (como a vida privada, a in-
4. Vertical com repercussão lateral: legis- timidade, a honra e a imagem) que operam como
lador x jurisdicionado. limites à liberdade de expressão. Qualquer outro
valor abrigado pela CF pode entrar em conflito com
essa liberdade, reclamando sopesamento, para
Eficácia indireta e direta
que, atendendo ao critério da proporcionalidade,
Distinção que surge no contexto da eficácia hori- descubra-se, em cada grupo de casos, qual princí-
zontal dos direitos fundamentais, isto é, no âm- pio deve sobrelevar.
bito de sua aplicação às relações privadas
1. Indireta ou mediata: os direitos funda- A situação do transgênero
mentais são aplicados de maneira reflexa nas
relações privadas, em 2 dimensões: • Transgênero pode alterar seu prenome e
a. Proibitiva, significando que o legisla- seu gênero...
dor que não poderá editar lei que viole ✓ Independentemente de cirurgia de
os direitos fundamentais; transgenitalização (STJ, Info 608);
b. Positiva, determinando que o legisla- ✓ Independentemente de autorização
dor implemente os direitos fundamen- judicial (STF, Info 892).
tais. • Basta sua manifestação de vontade, que
2. Direta ou imediata: alguns direitos funda- poderá ser exercida...
mentais podem ser aplicados às relações pri- ✓ Pela via judicial;
vadas sem que haja necessidade de "inter- ✓ Pela via administrativa.
mediação legislativa" para sua concretização. • Nas certidões do registro não constará ne-
nhuma observação sobre a origem do ato,
Teoria dos 4 status (Jellinek) vedada a expedição de certidão de inteiro
1) passivo (subjectionis): subordinação do teor, salvo a requerimento do próprio inte-
indivíduo aos poderes públicos; ressado ou por determinação judicial. Efe-
tuando-se o procedimento pela via judicial,
15
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caberá ao magistrado determinar de ofício


ou a requerimento do interessado a expe-
dição de mandados específicos para a alte-
ração dos demais registros nos órgãos pú-
blicos ou privados pertinentes, os quais de-
verão preservar o sigilo sobre a origem dos
atos. STF, Info 911.

Mínimo existencial
A cláusula da reserva do possível – que não pode
ser invocada, pelo poder público, com o propósito
de fraudar, de frustrar e de inviabilizar a implemen-
tação de políticas públicas definidas na própria CF
– encontra insuperável limitação na garantia cons-
titucional do mínimo existencial, que representa,
no contexto de nosso ordenamento positivo, ema-
nação direta do postulado da essencial dignidade
da pessoa humana (ARE 639.337 AgR, Min. Celso
de Mello, j. 23-8-2011).
• STF: “[...] Dizer que a ação estatal deva caminhar
no sentido da ampliação dos direitos fundamentais
e de assegurar-lhes a máxima efetividade possível,
por certo, não significa afirmar que seja terminan-
temente vedada qualquer forma de alteração res-
tritiva na legislação infraconstitucional, desde que,
é claro, não se desfigure o núcleo essencial do di-
reito tutelado [...]”.
• STF, RE 592581 - É lícito ao Judiciário impor à Ad-
ministração Pública obrigação de fazer, consistente
na promoção de medidas ou na execução de obras
emergenciais em estabelecimentos prisionais para
dar efetividade ao postulado da dignidade da pes-
soa humana e assegurar aos detentos o respeito à
sua integridade física e moral [...].

Jurisprudência
• A administração penitenciária, com fundamento
em razões de segurança pública, de disciplina prisi-
onal ou de preservação da ordem jurídica, pode,
sempre excepcionalmente, e desde que respeitada
a norma inscrita no art. 41, § único, da Lei 7.210/84,
proceder a interceptação da correspondência re-
metida pelos sentenciados, eis que a cláusula tute-
lar da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode
constituir instrumento de salvaguarda de práticas
ilícitas. (STF - HC 70814 SP, Rel. CELSO DE MELLO,
01/03/1994).

16
1 2 3 4 5 6

Constituição Federal de 1988 exemplo de norma dotada de fundamenta-


lidade material).
1. Preâmbulo ● Apesar de o caput do artigo 5º garantir os
● Não é norma jurídica (tese da irrelevância direitos e garantias individuais apenas a
jurídica, adotada na ADI 2076); brasileiros e estrangeiros residentes no
● Não é parâmetro de controle de constituci- Brasil, a doutrina e o STF os estendem tam-
onalidade; bém para estrangeiros em trânsito e pes-
● Não é obrigatório nas constituições esta- soas jurídicas (HC 94.016/08, Min. Celso
duais de Mello).

2. Princípios fundamentais (1° ao 4°, CF) Características

1 2 3 4 1. Irrenunciabilidade
✓ É admissível a renúncia ao EXERCÍCIO dos
Federalismo direitos fundamentais, como corolário do
livre desenvolvimento da personalidade.
• O princípio federativo tem por elemento informa- 2. Inalienabilidade
dor a pluralidade consorciada e coordenada de 3. Imprescritibilidade
mais de uma ordem jurídica incidente sobre um 4. Historicidade
mesmo território estatal, posta cada qual no âm- 5. Limitabilidade
bito de competências previamente definidas 6. Concorrência
(MPPR/2019).
• ADI 227/RJ: "A Constituição Federal, ao conferir Direitos e garantias individuais e coletivos
aos Estados a capacidade de auto-organização e de
autogoverno, impõe a obrigatória observância aos
Liberdade da manifestação do pensamento
seus princípios, entre os quais o pertinente ao pro- • MPGO/2019. Segundo entendimento do STF, a li-
cesso legislativo, de modo que o legislador consti- berdade de imprensa tem, na CF de 1988, caracte-
tuinte estadual não pode validamente dispor sobre rística de “sobredireito”, com precedência sobre a
as matérias reservadas à iniciativa privativa do imagem, a honra, a intimidade e a vida privada, o
Chefe do Executivo". É INCORRETO afirmar, por- que afasta a possibilidade de controle prévio, pelo
tanto, que “O princípio da autonomia dos Estados Poder Judiciário, sobre o exercício de referida liber-
membros [...] autoriza o Estado membro a estabe- dade. A Constituição protege a liberdade de ex-
lecer, no âmbito de sua Constituição, regras para o pressão no seu duplo aspecto: positivo e negativo.
aumento de remuneração e concessão de vanta- O POSITIVO é a livre possibilidade de manifestação
gens pecuniárias a servidores públicos” de qualquer pessoa e permite a responsabilização
(MPGO/2019). nos termos constitucionais. É a liberdade com res-
ponsabilidade. O NEGATIVO proíbe a ilegítima in-
3. Direitos e Garantias fundamentais (5° a tervenção do Estado por meio de censura prévia.
17, CF) No julgamento da ADPF 130, o STF proibiu enfati-
5 6 7 8 9 10 11
camente a censura de publicações jornalísticas,
12 13 14 15 16 17 bem como tornou excepcional qualquer tipo de in-
tervenção estatal na divulgação de notícias e de
Noções gerais opiniões, já que “os direitos que dão conteúdo à li-
berdade de imprensa são bens de personalidade
● O princípio da anterioridade eleitoral, em-
que se qualificam como SOBREDIREITOS. Daí que,
bora não expressamente enumerado no
no limite, as relações de imprensa e as relações de
artigo 5.º da CF, caracteriza-se como uma
intimidade, vida privada, imagem e honra são de
garantia fundamental, oponível até
mútua excludência, no sentido de que as primeiras
mesmo à atividade do legislador consti-
se antecipam, no tempo, às segundas; ou seja, an-
tuinte derivado (trata-se, portanto, de
tes de tudo prevalecem as relações de imprensa
como superiores bens jurídicos e natural forma de
17
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controle social sobre o poder do Estado, sobrevindo x Não cabe HC para trancamento de per-
as demais relações como eventual responsabiliza- secução penal referente à infração pe-
ção ou consequência do pleno gozo das primeiras.” nal à qual seja cominada tão somente
Afirmou-se, ainda, que a liberdade de expressão pena de multa (S. 693, STF).
desfruta de uma POSIÇÃO PREFERENCIAL no Es- x Não cabe habeas corpus contra a impo-
tado democrático brasileiro, por ser uma pré-con- sição da pena de exclusão de militar ou
dição para o exercício esclarecido dos demais di- de perda de patente ou de função pú-
reitos e liberdades. Assim, eventual uso abusivo blica (S. 694, STF).
da liberdade de expressão deve ser reparado, pre- x Não cabe habeas corpus quando já ex-
ferencialmente, por meio de retificação, direito de tinta a pena privativa de liberdade (S.
resposta ou indenização. Ao determinar a retirada 695, STF).
de matéria jornalística de sítio eletrônico de meio x Não cabe HC contra a suspensão do di-
de comunicação, viola-se essa orientação. reito de dirigir (HC 283.505/SP).
Inviolabilidade do domicílio (art. 5°, XI, CF) x Não cabe HC para eventual pedido de
reabilitação do paciente (HC
• A entrada forçada em domicílio sem mandado ju- 106.417/SP).
dicial só é lícita, mesmo em período noturno,
x Não cabe HC para pleitear a extração
quando amparada em fundadas razões, devida-
gratuita de cópias de processo criminal
mente justificadas a posteriori, que indiquem que
(HC 111561/SP).
dentro da casa ocorre situação de flagrante delito,
x Não cabe HC contra a perda de direitos
sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e pe-
políticos (STF, HC 81.003/SP).
nal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos
x A via processual do HC não é adequada
atos praticados (RE 603616).
para impugnar a reparação civil fixada
Remédios constitucionais na sentença penal condenatória, com
base no art. 387, IV do CPP, tendo em
a) HC
vista que a sua imposição não acarreta
✓ Não cabe HC:
ameaça, sequer indireta ou reflexa, à li-
x Súmula 606-STF: Não cabe HC originário
berdade de locomoção. STJ. AgRg no
para o Tribunal Pleno de decisão de
AgRg no REsp 1519523/PR.
turma, ou do plenário, proferida em ha-
x Não cabe HC para discussão de mérito
beas corpus ou no respectivo recurso.
administrativo de prisão em punições
NÃO CONFUNDIR com o cabimento do
disciplinares militares (art. 142, § 2°,
HC contra decisão monocrática de Mi-
CF).
nistro do STF (decisão recente, indicada
x O HC, garantia de liberdade de locomo-
a seguir).
ção, não se presta para discutir confisco
x HC não é meio processual adequado
criminal de bem. [...] (STF. HC
para se discutir direito de visita a preso
99.619/RJ).
(HC 425.115/RN).
x O inquérito civil não pode ser tran-
x Não cabe HC para trancar processo de
cado pela via do HC (STF, HC 90.378).
impeachment (HC 136.067)
• Cabe HC:
x O STF decidiu que não tem competência
✓ (! - Decisão recente). Cabe HC contra de-
para julgar HC cuja autoridade apon-
cisão monocrática de Ministro do STF. O
tada como coatora seja delegado fede-
HC é cabível contra ato individual for-
ral chefe da Interpol no Brasil (Info 722,
malizado por integrante do Supremo.
STF).
STF. Plenário. HC 130620/RR, Rel. Min.
x Não cabe HC em favor de PJ, nem
Marco Aurélio, 30/04/2020.
mesmo para trancamento de IP sem
✓ Cabe HC para análise de legalidade de
justa causa no qual se investiga crime
prisão em punições disciplinares milita-
ambiental (HC 88.747).
res (STM, HC 2005.01.034065-3/PA).
18
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✓ Cabe HC contra instauração de IP ou in- • Ato ilegal = contrário à lei em sentido


Ilegalidade
diciamento, sem que haja justa causa amplo.
ou
para estes atos (HC trancativo ou profi- abuso de
• Ato abusivo = ato cujo exercício é
poder anormal, praticado com desvio de fina-
lático).
lidade ou desproporcionalidade.
✓ Cabe HC contra o indeferimento de
É imprescindível que o direito tenha
prova de interesse do investigado ou sido violado (MS repressivo) ou que
acusado. Lesão
haja justo receio de que venha a sê-lo
ou
✓ Cabe HC contra o deferimento de prova (MS preventivo).
ameaça de
ilícita (STF, HC 80.949). lesão Importa frisar que, diferentemente do
✓ Cabe HC contra a autorização judicial de que ocorre com a ação popular, não se
quebra de sigilos – bancário, fiscal, tele- exige que o ato já tenha sido praticado.
fônico etc – em procedimento penal Há direito líquido e certo quando, da
simples análise da inicial, dos documen-
(STF, AI 573623 QO/RJ).
tos que a instruem ou dos que, por or-
✓ Cabe HC para questionar medidas pro- dem do juiz, sejam fornecidos por repar-
tetivas de urgência previstas na Lei Ma- tição, estabelecimento ou autoridade,
ria da Penha que restrinjam a liberdade bem assim das informações prestadas
de ir e vir (HC 298.499/AL). Direito pela autoridade coatora ou, eventual-
✓ HC é remédio próprio para atacar tanto líquido e mente, pelo representante judicial da PJ
certo interessada, é possível ao magistrado
ato omissivo quanto comissivo (STF, HC
ter a certeza da existência dos fatos em
95.563).
que se funda o direito do autor, sem
b) HD necessidade de dilação probatória.
Sua ausência impede a resolução do
• O HD não é meio idôneo para se obter vista
mérito, levando a uma sentença que
de processo administrativo. não faz coisa julgada material.
• O HD é a garantia constitucional adequada O MS é ação subsidiária: somente po-
para a obtenção dos dados concernentes ao derá ser impetrada quando não vise a
pagamento de tributos do próprio contribu- Não cabi- assegurar o direito de ir e vir (HC) e
inte. mento de quando não se busque a obtenção ou
HC ou HD retificação de informações sobre a pes-
• O HD, assim como o MS, não prevê fase pro-
soa do impetrante, existentes na base
batória e, portanto, não pode ser impetrado
de dados de caráter público (HD).
quando controversa a matéria de FATO.
Quais as espécies abrangidas?
c) MS • Antes da Lei 12.016/09, prevalecia o
entendimento ampliativo: difusos + co-
c.1) Conceito letivos + individuais homogêneos.
É uma ação constitucional... • Com a LMS, são protegidos os direitos:
- de natureza cível e rito sumário, a) coletivos: transindividuais, de na-
- voltada à proteção de direitos líquidos e certos, tureza indivisível, de que seja titular
Pressuposto grupo ou categoria de pessoas ligadas
- não tuteláveis por HD ou HC, específico do
entre si ou com a parte contrária por
- contra atos ofensivos de agentes públicos ou MS coletivo:
uma relação jurídica básica.
privados no exercício de funções públicas. Transindi-
vidualidade
b) individuais homogêneos: decor-
c.2) Pressupostos do direito rentes de origem comum e da atividade
ou situação específica da totalidade ou
• É aquele com conteúdo decisório (≠ de parte dos associados ou membros
ato executório), praticado por uma au- do impetrante.
toridade pública ou agente de pessoa A lei silenciou quanto aos direitos difu-
Ato jurídica no exercício de atribuições do sos. Não obstante, parcela da doutrina
de Poder Público (+ figuras equiparadas continua a defender o cabimento de MS
autoridade pelo art. 1°, § 1°, LMS). coletivo em prol dos direitos difusos.
• Não se consideram atos de autoridade
os atos de gestão (art. 1°, § 3°, LMS).
• Atos omissivos são passíveis de MS.
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c. 3) Regramento constitucional (competência) c.5) Atuação do MP como fiscal da ordem jurídica


O princípio da hierarquia é relevante critério defi- - A intervenção do MP é obrigatória?
nidor da competência no MS. Assim, tem-se o se- • A revogada Lei 1.533/51 indicava que SIM.
guinte quadro: • Com o advento da CF/88 e a nova confor-
STF STJ TRF mação funcional do MP, surgiu a tese de
que a intervenção do MP, em MS, não seria
Originariamente

Presidente Ministro de Es-


Juiz Federal
Mesas da CD/SF tado sempre obrigatória, condicionando-se à
TCU Comandantes da presença de interesse institucional.
PGR MAE Próprio TRF
• À época, o STJ estava dividido: a) a inter-
Próprio STF Próprio STJ
MS decidido em: MS decidido em: venção seria obrigatória, sob pena de nuli-
- única instância - única instância dade; b) a obrigatoriedade se resume à in-
ROC

- pelos Tribunais - pelos TRF ou TJ timação.


Superiores - quando denega- • A atual LMS aderiu à segunda corrente, tra-
tória a decisão tando do assunto em seu art. 12 (“com ou
Obs. As Constituições Estaduais podem prever re- seu parecer do MP, os autos serão conclu-
gras de competência semelhantes para os TJs. sos ao juiz para decisão”).
- O que o MP pode fazer?
c.4) Legitimados ativos PARA O MS COLETIVO (to-
1. Juntar aos autos documentos e certidões;
dos substitutos processuais)
2. Requerer a decretação da perempção ou da
1. Partidos políticos com representação caducidade da liminar;
no Congresso Nacional 3. Requerer a suspensão da segurança;
✓ Em defesa de seus interesses legíti- 4. Recorrer (cf. súmula 99, STJ).
mos relativos a seus integrantes ou à
finalidade partidária. c.6) Jurisprudência
2. Organizações sindicais
• S. 625, STF. Controvérsia sobre matéria de direito
3. Entidades de classe
não impede concessão de mandado de segurança.
4. Associações
✓ Legalmente constituídas, • S. 271, STF. Concessão de mandado de segurança
✓ Em funcionamento há pelo menos 1 não produz efeitos patrimoniais em relação a perí-
ano, odo pretérito, os quais devem ser reclamados ad-
✓ Em defesa dos interesses de seus mem- ministrativamente ou pela via judicial própria.
bros ou associados.
Direito à informação
Rol é taxativo? MP pode impetrar MS coletivo?
• O STF deferiu mandado de segurança impetrado
A doutrina controverte a respeito da taxatividade
por pesquisador que queria ter acesso aos áudios
do rol de legitimados ao MS coletivo. P/ aqueles
das sessões de julgamento do STM ocorridas na dé-
que sustentam que o rol é exemplificativo, a legiti-
cada de 1970, época do regime militar. STF. Rcl
midade do MP pode ser aferida a partir de uma in-
11949, Min. Cármen Lúcia, 15/3/2017 (Info 857).
terpretação lógico-sistemática da CF, da LOMP e da
LOMPU, decorrendo das finalidades institucionais Vedação à prova ilícita
do MP. Para a corrente ampliativa, é possível esta-
• 1. A gravação ambiental meramente clandestina,
belecer o seguinte quadro:
realizada por um dos interlocutores, não se con-
• Colegitimados do art. MP DP funde com a interceptação, objeto de cláusula
210 do ECA e do art. 81 Com suporte Com suporte constitucional de reserva de jurisdição. 2. É lícita a
do Estatuto do Idoso em nas suas fun- nas suas fun- prova consistente em gravação de conversa tele-
prol dos direitos previs- ções institu- ções institu-
fônica realizada por um dos interlocutores, sem
tos nas respectivas leis. cionais esta- cionais esta-
• Colegitimados do mi- belecidas na belecidas na
conhecimento do outro, se não há causa legal es-
crossistema CDC/LACP CF e em suas CF e em suas pecífica de sigilo nem de reserva da conversação.
em prol dos demais direi- leis orgâni- leis orgâni- Precedentes”. (AI 560223 AgR, Min. JOAQUIM BAR-
tos difusos e coletivos. cas. cas. BOSA, DJe 28/04/2011).

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Ação popular (5°, LXIII, CF e Lei 4717/65) sentença condenatória de 2ª instância,


deve executar a sentença condenatória
Art. 5°, LXXIII, CF - qualquer cidadão é
parte legítima p/ propor ação popular que em 30 dias, sob pena de falta grave.
vise a ANULAR ato lesivo ao patrimônio Proporcionalidade (MPSP/19 – 2ª Fase)
público ou de entidade de que o Estado
participe, à moralidade administrativa, ao
• Subprincípios:
meio ambiente e ao patrimônio histórico 1) Adequação
e cultural, ficando o autor, salvo compro- 2) Necessidade: orienta-se pelo caso concreto,
vada má-fé, isento de custas judiciais e do não pelo interesse público, nem pelo bem co-
ônus da sucumbência; mum.
3) Proporcionalidade em sentido estrito
• A legitimidade é do cidadão.
• O princípio da proporcionalidade se desdobra em
✓ Exige título de eleitor;
parâmetro de aplicação da justiça. Sendo mais fácil
✓ Exige quitação eleitoral.
de ser sentido, do que conceituado, o princípio da
• Ação popular não obedece foro por prerrogativa
proporcionalidade tem dimensão subjetiva. É razo-
de função. Logo, a ação é proposta no 1° grau.
ável o que seja conforme à razão, equilibrado, mo-
• MPMS/2018: É imprescindível a comprovação do derado, harmônico. O que se afasta do arbitrário
binômio ilegalidade-lesividade como pressuposto ou do capricho. O princípio da proporcionalidade
elementar para a procedência da ação popular. corresponde ao senso comum, aos valores de um
• A ação popular dispensa a demonstração de pre- momento e lugar (BARROSO).
juízo aos cofres públicos (são diversos os bens jurí-
• O princípio da razoabilidade tem sentido variado
dicos tutelados: pode haver, p. ex., ato lesivo à mo-
(medida de justiça, natureza das coisas, senso co-
ralidade administrativa sem prejuízo ao erário).
mum, etc.), sendo mais empregado no âmbito dos
• O STF entende que não se presta a ação popular direitos de igualdade como forma de identificar dis-
a impugnar atos normativos genéricos, mas apenas criminações injustificadas.
para impugnar atos efetivamente lesivos ao Es-
tado (STF. AO 1.725-AgR, rel. Min. Luiz Fux, DJe Mandado de injunção (Lei 13.300/16)
11.03.2015). • O STF admite a impetração de mandado de injun-
• S. 365, STF: Pessoa jurídica não tem legitimidade ção coletivo e, nessa hipótese, aplica, por analogia,
para propor ação popular. Vale acrescentar: nem as normas atinentes ao mandado de segurança co-
mesmo a pessoa jurídica de direito público. letivo.
• S. 101, STF: O MS não substitui a ação popular. • A legitimidade ativa é atribuída ao titular de um
• O pagamento de perdas e danos independe de direito constitucionalmente assegurado, cujo exer-
pedido, decorrendo diretamente do art. 11 da LAP. cício esteja inviabilizado pela ausência da norma in-
• MP na ação popular... fraconstitucional regulamentadora.
✓ Não tem legitimidade. • Teorias sobre os efeitos do mandado de injunção
✓ Acompanha a ação a) Não concretista
a. Apressa a prova b) Concretista O art. 8° da Lei
b. Promove a responsabilidade civil a. Direta n° 13.300/16
ou criminal. b. Intermediária adotou a teoria
✓ Não pode assumir a defesa do ato impug- concretista
nado. a. Individual intermediária
b. Geral individual
✓ É determinada sua intimação no despacho
da inicial.
Art. 8° da Lei 13.300/2016
✓ Pode prosseguir com a ação, no prazo de Art. 8º Reconhecido o estado de mora legis-
90 dias, em caso de desistência ou absolvi- lativa, será deferida a injunção para:
ção de instância. I - determinar prazo razoável para que o im-
✓ Caso decorridos 60 dias da publicação da petrado promova a edição da norma regu-
lamentadora;
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II - estabelecer as condições em que se dará • SV 23. A Justiça do Trabalho é competente para


o exercício dos direitos, das liberdades ou processar e julgar ação possessória ajuizada em de-
das prerrogativas reclamados ou, se for o corrência do exercício do direito de greve pelos tra-
caso, as condições em que poderá o interes- balhadores da iniciativa privada.
sado promover ação própria visando a
exercê-los, caso não seja suprida a mora le-
Direitos políticos
gislativa no prazo determinado.
Parágrafo único. Será dispensada a determi- • O STF decidiu ser inelegível para o cargo de Pre-
nação a que se refere o inciso I do caput feito de município resultante de desmembramento
quando comprovado que o impetrado dei- territorial o irmão do atual chefe do Poder Execu-
xou de atender, em mandado de injunção tivo do “município-mãe”.
anterior, ao prazo estabelecido para a edi-
ção da norma. 4. Organização do Estado (18 a 43, CF)
18 19 20 21 22 23 24
Art. 9° da Lei 13.300/2016
25 26 27 28 29 29-A 30
Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limi- 31 32 33 34 35 36 37
tada às partes e produzirá efeitos até o ad- 38 39 40 41 42
vento da norma regulamentadora.
§ 1º Poderá ser conferida eficácia ultra par- • É CONSTITUCIONAL...
tes ou erga omnes à decisão, quando isso ✓ SV 38: É competente o Município para fixar
for inerente ou indispensável ao exercício do o horário de funcionamento de estabeleci-
direito, da liberdade ou da prerrogativa ob- mento comercial. Existe uma “exceção” à Sú-
jeto da impetração.
mula Vinculante 38: o horário de funciona-
Por exceção, o art. 9° da Lei 13.300/16 mento dos bancos. Segundo o STF e o STJ, as
adotou a teoria concretista interme- leis municipais não podem estipular o horá-
diária geral. rio de funcionamento dos bancos. A compe-
tência para definir o horário de funciona-
mento das instituições financeiras é da
Óbice à extradição (art. 5°, LI e LII, CF) União. Isso porque esse assunto (horário
bancário) traz consequências diretas para
S. 421, STF: Não impede a extradição a circunstân- transações comerciais intermunicipais e in-
cia de ser o extraditando casado com brasileira ou terestaduais, transferências de valores entre
ter filho brasileiro. pessoas em diferentes partes do país, con-
tratos etc., situações que transcendem (ul-
Direito de greve (9º, CF) trapassam) o interesse local do Município.
• O exercício do direito de greve, sob qualquer Enfim, o horário de funcionamento bancário
forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis é um assunto de interesse nacional (STF RE
e a todos os servidores públicos que atuem dire- 118363/PR).
tamente na área de segurança pública. STF. ARE ✓ Preceito inserido em Lei Orgânica Municipal
654432/GO, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Mo- que permite a reeleição da Mesa Diretora da
raes, j. 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). Câmara de Vereadores.
• A administração pública deve proceder ao des- ✓ Lei estadual que disponha sobre o ensino de
conto dos dias de paralisação decorrentes do exer- língua espanhola aos alunos da rede pública
cício do direito de greve pelos servidores públicos, do respectivo ente federado (legislação so-
em virtude da suspensão do vínculo funcional que bre educação, competência concorrente).
dela decorre. É permitida a compensação em caso ✓ Lei municipal pode legislar sobre meio ambi-
de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ente.
ficar demonstrado que a greve foi provocada por ✓ Não usurpa a competência da União para le-
conduta ilícita do Poder Público. STF. RE 693456/RJ, gislar sobre normas gerais de educação, lei
Min. Dias Toffoli, j. 27/10/2016 (repercussão geral) estadual que fixa número máximo de alunos
(Info 845). por salas de aula de escolas públicas ou par-
ticulares, situadas no respectivo Estado-
22
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membro. Intervenção (Arts. 34 a 36, CF)


✓ Os municípios possuem competência legisla-
• No sistema constitucional brasileiro, a interven-
tiva para instituir obrigação dirigida aos esta-
ção é excepcional, limitada e taxativa.
belecimentos bancários, no sentido de que
estes instalem equipamentos de segurança Intervenção federal
em imóveis destinados ao atendimento do
Intervenção estadual
público, para segurança das pessoas.
• A decisão do Tribunal de Justiça na representação
• É INCONSTITUCIONAL...
interventiva para viabilizar a intervenção estadual
x Preceito inserido em Constituição Estadual
no Município reveste-se de caráter político-admi-
que impõe ao Prefeito o dever de compare-
nistrativo, sendo, portanto, definitiva. Eis a razão
cimento à Câmara de Vereadores.
da súmula 637 do STF: “Não cabe RE contra acór-
x Preceito inserido em Lei Orgânica Municipal
dão de TJ que defere pedido de intervenção esta-
que prevê a autorização prévia e necessária
dual em Município”.
da Câmara de Vereadores p/ o Prefeito e o
Vice-Prefeito se ausentarem do território na- • Os Estados não podem se afastar das hipóteses
cional por qualquer período, sob pena de de intervenção estadual fixadas na CF. As disposi-
perda do cargo. ções do art. 35 da CF/88 consubstanciam preceitos
x Preceito inserido em Constituição que condi- de observância compulsória pelos Estados-mem-
ciona a escolha dos presidentes de SEM e de bros, sendo inconstitucionais quaisquer amplia-
EP locais à prévia aprovação da Assembleia ções ou restrições às hipóteses de intervenção
Legislativa. (ADI 336, Min. Eros Grau, j. 10-2-2010).
x Submeter a Assembleia Legislativa a escolha
do candidato ao quinto pelo Governador.
Administração Pública (Arts. 37 a 43)
x Lei estadual que disponha sobre a utilização Controle jurisdicional dos atos da administra-
de película solar nos vidros dos veículos (lei ção pública
sobre trânsito e transporte, competência
• O controle jurisdicional do processo administra-
exclusiva da União).
tivo disciplinar não se restringe ao exame da regu-
x Norma inserida na Constituição Estadual que
laridade do procedimento e a legalidade do ato, à
determine o afastamento automático do Go-
luz dos princípios do contraditório, da ampla defesa
vernador do Estado, após recebida denúncia
e do devido processo legal, sendo possível, em
pelo STJ.
qualquer hipótese, a incursão na análise e valora-
x Disposição que preveja licença prévia da As- ção das provas constantes no processo disciplinar,
sembleia Legislativa para instaurar ação pe- para reavaliar o julgamento da autoridade adminis-
nal contra o Governador do Estado. trativa.
x É inconstitucional, por invasão da competên- • O Judiciário pode obrigar a Administração Pública
cia da União, lei estadual que disponha sobre a garantir o direito de acessibilidade em prédios
a criação e funcionamento de um órgão re- públicos.
gulador dos serviços de telecomunicações. • O Judiciário pode determinar a realização de
obras emergenciais em estabelecimento prisi-
Competências legislativas onal.
• A iniciativa pode ser
a) Concorrente Regra do concurso público
b) Privativa (reservada) Nas hipóteses em que o MP busca, em juízo, provi-
• O Município é competente para legislar sobre dências cabíveis para proteger o princípio constitu-
meio ambiente com União e Estado, no limite de cional do concurso público, não incidem os institu-
seu interesse local e desde que tal regramento seja tos da prescrição e decadência, tendo em vista que
harmônico com a disciplina estabelecida pelos de- o decurso do tempo não tem o condão de convali-
mais entes federados. dar atos de provimento efetivo em cargos públicos
de pessoas que não foram previamente aprovadas
23
1 2 3 4 5 6

em concurso público, sendo a situação flagrante- Imunidades parlamentares


mente inconstitucional.
Imunidade Imunidade
Acumulação de cargos Material Formal
Possuem... • CF/88 não prevê.
• Nas situações jurídicas em que a CF autoriza a • na circuns- • CE pode prever, mas
acumulação de cargos, o teto remuneratório é con- Vereadores crição do não prevalece sobre a
siderado em relação à remuneração de cada um Município competência constitu-
deles, e não ao somatório do que recebido (STJ). (30, VIII, CF). cional do Júri (SV 45).
Deputados
• A acumulação de cargos públicos de profissionais Possuem Possuem
estaduais
da área de saúde, prevista no art. 37, XVI, da
Deputados
CF/1988, não se sujeita ao limite de 60 horas sema- Possuem Possuem
federais
nais (Info 646, STJ).
Senadores Possuem Possuem
5. Organização dos Poderes (44 a 135, CF)
• O gozo das prerrogativas ligadas ao exercício da
44 45 46 47 48 49 50
51 52 53 54 55 56 57 atividade legislativa dar-se-á apenas no tocante
58 59 60 61 62 63 64 àquele que efetivamente exerce o cargo, em cará-
65 66 67 68 69 70 71 ter interino ou permanente, não se estendendo aos
72 73 74 75 76 77 78 suplentes, salvo quando no efetivo exercício da
79 80 81 82 83 84 85 função (STF, Inq. 2.453, 17/05/2007)".
86 87 88 89 90 91 92
93 94 95 96 97 98 99 Imunidade material (inviolabilidade, imuni-
100 101 102 103 103-A 103-B 104 dade absoluta, imunidade substancial, free-
105 106 107 108 109 110 111
dom of speech)
112 113 114 115 116 117 118
119 120 121 122 123 124 125 • Imunidade por votos, palavras e opiniões
126 127 128 129 130 130-A 131 vinculados ao exercício do mandato.
132 133 134 135
• Abrange responsabilidade penal e civil.
Teoria Geral • Doutrina majoritária estende para respon-
sabilidades administrativa e política.
1. Acepções constitucionais do termo “Poder” • Para o STF, trata-se de excludente de tipi-
a. Como elemento de soberania: “todo pode
cidade. Deve-se diferenciar a extensão da
emana do povo;
imunidade material a coautores e partíci-
b. Como função: Poder Legislativo/Executivo
pes: se, por exemplo, um senador e um jor-
e Judiciário;
nalista emitem, conjuntamente, em artigo
c. Como órgão: “São poderes da União”.
de jornal, opinião sobre determinado fato
Imunidades parlamentares.
relativo ao parlamento, que constitua, em
2. Teoria da Separação dos Poderes tese, crime contra a honra, o parlamentar
(MPMG/2019 – 2ª Fase) não será punido pelo delito, pois tem imu-
• Quem tratou sobre o tema? nidade sobre sua opinião, mas o jornalista
1º. Aristóteles (“A Política”) será responsabilizado. Note-se que,
2º. Locke quanto ao partícipe, a solução dependerá
3º. Montesquieu – foi o principal teórico. da natureza jurídica que se atribui à imuni-
• Separação dos Poderes no Brasil dade. Com efeito, tratando-se, neste caso,
✓ Todas as Constituições brasileiras adota- de conduta acessória, será punível so-
ram o modelo de Montesquieu, com a ex- mente quando o fato principal for crimi-
ceção da Carta de 1824, que trouxe a pre- noso. Assim, entendendo, como o STF, que
visão do “Poder Moderador”. a indenidade exclui o fato típico, impunível
✓ A CF/88 erigiu a separação dos poderes à será a conduta do partícipe, o que não
condição de cláusula pétrea. ocorrerá, por exemplo, para aqueles que

24
1 2 3 4 5 6

lecionam tratar-se de causa extintiva da • São fases do processo legislativo ordinário: a ini-
punibilidade. Nesse contexto, é preciso ciativa, discussão, votação, sanção ou veto, pro-
restringir a interpretação da súmula nº 245 mulgação e publicação.
do STF, segundo a qual “A imunidade par- • Só se pode falar em iniciativa vinculada das leis
lamentar não se estende ao co-réu sem (isto é, exercício compulsório do poder de iniciativa
essa prerrogativa.”. O verbete se aplica ex- legislativa), se houver, no texto da própria Consti-
clusivamente à imunidade relativa, não tuição, dispositivo que, de modo expresso, a pre-
abrangendo as hipóteses de imunidade ab- veja.
soluta. • Tese 66 da RG - Não é privativa do Chefe do Poder
Executivo a competência para a iniciativa legislativa
Imunidade formal (incoercibilidade, imuni-
de lei sobre nepotismo na Administração Pública:
dade relativa, imunidade pessoal, freedom for
leis com esse conteúdo normativo dão concretude
arrest)
aos princípios da moralidade e da impessoalidade
Dispositivo Imunidade do art. 37, caput, da CF, que, ademais, têm aplica-
Art. 53, CF formal... bilidade imediata, ou seja, independente de lei
§ 1º Os Deputados e Senadores, (STF. RE 570.392/RS, Min. Cármen Lúcia, j.
desde a expedição do diploma, se- Relativa ao
11.12.2014).
rão submetidos a julgamento pe- foro
rante o STF. • Nos projetos legislativos de iniciativa exclusiva do
§ 2º Desde a expedição do diploma, Presidente da República, não serão admitidas
os membros do Congresso Nacional emendas parlamentares que acarretem aumento
não poderão ser presos, salvo em da despesa prevista.
flagrante de crime inafiançável. • o Plenário do STF decidiu que o trancamento da
Relativa à
Nesse caso, os autos serão remeti- pauta da Câmara dos Deputados por conta de me-
prisão
dos dentro de 24 horas à Casa res- didas provisórias não analisadas no prazo de 45
pectiva, para que, pelo voto da mai-
dias, contados de sua publicação, só alcança proje-
oria de seus membros, resolva so-
bre a prisão. tos de lei sobre temas passíveis de serem tratados
§ 3º Recebida a denúncia contra o por MP. (STF - MS 27931).
Senador ou Deputado, por crime Processo de reforma constitucional
ocorrido após a diplomação, o STF
dará ciência à Casa respectiva, que, • O STF decidiu que para o processo de reforma da
Relativa ao
por iniciativa de partido político CE é necessária a observância dos requisitos esta-
processo
nela representado e pelo voto da belecidos na CF (art. 60, §§ 1º a 5º), havendo im-
maioria de seus membros, poderá, possibilidade constitucional de o Estado-membro,
até a decisão final, sustar o anda-
em divergência com o modelo inscrito na Lei Fun-
mento da ação.
damental da República, condicionar a reforma da
§ 6º Os Deputados e Senadores não
serão obrigados a testemunhar so- CE à aprovação da respectiva proposta por 4/5 da
Relativa à totalidade dos membros integrantes da AL (exigên-
bre informações recebidas ou pres-
atuação
tadas em razão do exercício do cia que virtualmente esteriliza o exercício da fun-
como
mandato, nem sobre as pessoas ção reformadora pelo Poder Legislativo local).
testemunha
que lhes confiaram ou deles recebe- • As limitações materiais ao poder constituinte de
ram informações.
reforma protegem apenas o núcleo essencial dos
princípios e institutos alcançados pelas cláusulas
Processo legislativo
pétreas constantes do art. 60, § 4º, da CF, não se
Processo legislativo ordinário revelando inconstitucionais alterações literais da
• Por serem normas de observância obrigatória, as respectiva disciplina na Constituição originária.
matérias cuja iniciativa a Constituição reservou ao
Chefe do Executivo federal deverão, no âmbito es- Tribunais de Contas
tadual, ser atribuídas pelas respectivas Constitui- • TCU pode determinar medidas cautelares (fun-
ções ao Governador. damento: poderes implícitos). É constitucional a

25
1 2 3 4 5 6

competência do TCU, consistente na decretação, Ministério Público


no bojo de processo administrativo, da indisponi-
Legitimidade
bilidade dos bens daqueles que supostamente de-
rem causa a perda, extravio ou outra irregularidade Direitos e
Quanto MP tem legitimidade?
de que resulte prejuízo ao erário. interesses...
Difusos Sempre (consenso)
• O TCU tem legitimidade para anular acordo extra-
Indisponíveis Sempre (consenso)
judicial firmado entre particulares e a Administra-
1ª corrente: Sempre
ção Pública, quando não homologado judicial- Coletivos 2ª corrente: só se
mente (STF, Info 780). Disponíveis
houver relevância
• Os Estados-Membros, considerada a existência social
Indisponíveis Sempre (consenso)
de tribunal de contas estadual e de tribunais de
1ª corrente: Sempre
contas municipais, podem optar por concentrar o Individuais
2ª corrente: só se
exame de todas as despesas em apenas um órgão, homogê-
Disponíveis houver relevância
de sorte que não viola a CF a extinção, operada por neos social
meio de Emenda à Constituição do Estado, de Tri- 3ª corrente: Nunca
bunal de Contas dos Municípios (STF, Info 883).
• O TCU não tem competência para requisitar in- Conclusões – MP sempre tem legitimidade (con-
formações que importem quebra do sigilo bancá- senso):
rio. 1º. Direitos e interesses difusos;
• S. 347, STF. O TC pode, no exercício de suas atri- 2º. Direitos e interesses indisponíveis.
buições, apreciar a constitucionalidade de leis e • Súmula 601-STJ: O MP tem legitimidade ativa
atos do poder público – controle repressivo e não para atuar na defesa de direitos difusos, coletivos e
jurisdicional. Obs. Atualmente, há controvérsia individuais homogêneos dos consumidores, ainda
acerca da manutenção do entendimento sumu- que decorrentes da prestação de serviço público.
lado, diante do novo texto constitucional.
• SV 3. Nos processos perante o TCU asseguram-se Crimes de responsabilidade do Presidente da
o contraditório e a ampla defesa quando da de- República (art. 86, CF)
cisão puder resultar anulação ou revogação de ato Principais conclusões do STF sobre o rito do
administrativo que beneficie o interessado, excetu- processo de impeachment (definidas no caso
ada a apreciação da legalidade do ato de conces- da Presidente Dilma)
são inicial de aposentadoria, reforma e pensão.
1. Não há direito à defesa prévia antes do rece-
➢ Existe uma exceção à SV 3: se o Tribunal de
bimento da denúncia pelo Presidente da Câ-
Contas demorar muito tempo para anali-
mara.
sar a concessão inicial da aposentadoria
2. É possível a aplicação subsidiária dos Regi-
(mais do que 5 anos), ele terá que permi-
mentos Internos da Câmara e do Senado que
tir contraditório e ampla defesa ao inte-
tratam sobre o impeachment, desde que se-
ressado.
jam compatíveis com os preceitos legais e
Resumindo. Quando o Tribunal de Contas apre- constitucionais pertinentes.
cia a legalidade do ato de concessão inicial da 3. Após o início do processo de impeachment,
aposentadoria, ele precisa garantir contraditório durante a instrução probatória, a defesa tem
e ampla defesa ao interessado? o direito de se manifestar após a acusação.
REGRA: NÃO (parte final da SV 3-STF). 4. O interrogatório deve ser o ato final da ins-
EXCEÇÃO: será necessário garantir contraditório trução probatória.
e ampla defesa se tiverem se passado mais de 5 5. O recebimento da denúncia no processo de
anos desde a concessão inicial e o TC ainda não
“impeachment” ocorre apenas após a deci-
examinou a legalidade do ato.
são do Plenário do Senado Federal. Assim,
a Câmara dos Deputados somente atua no
âmbito pré-processual, não valendo a sua
26
1 2 3 4 5 6

autorização como um recebimento da de- que o ato reclamado tenha sido proferido posteri-
núncia, em sentido técnico. Compete ao Se- ormente à publicação, na imprensa oficial, do
nado decidir se deve receber ou não a de- enunciado de súmula vinculante invocado como
núncia cujo prosseguimento foi autorizado paradigma.” (Rcl 24393 AgR, Min. CELSO DE
pela Câmara. O Senado não está vinculado à MELLO, julgado em 20/09/2019).
decisão da Câmara.
6. A decisão do Senado que delibera se instaura Conselho Nacional do Ministério Público
ou não o processo se dá pelo voto da maio-
ria simples, presente a maioria absoluta de 6. Defesa do Estado e das Instituições De-
seus membros. mocráticas (136 a 144, CF)
7. É possível a aplicação analógica dos arts. 44, 136 137 138 139 140 141 142
45, 46, 47, 48 e 49 da Lei 1.079/1950 — os 143 144
quais determinam o rito do processo de “im-
peachment” contra Ministros do STF e o PGR
Estado de Defesa Estado de Sítio
— ao processamento no Senado Federal de
- Preservar ou restabele-
crime de responsabilidade contra o Presi- cer
1) Comoção grave de re-
dente da República. percussão nacional
- a ordem pública ou a paz
2) Ineficácia de medida to-
8. Não é possível que sejam aplicadas, para o social, ameaçadas por...
mada durante o estado de
processo de impeachment, as hipóteses de - grave e iminente insta-
defesa;
impedimento do CPP. Assim, não se pode in- bilidade institucional ou
3) Guerra
atingidas por calamidades
vocar o impedimento do Presidente da Câ- 4) Resposta a agressão ar-
de grandes proporções na
mara para participar do processo de impe- mada estrangeira.
natureza.
achment com base em dispositivos do CPP. Presidente solicita autori-
Presidente decreta.
9. A eleição da comissão especial do impeach- zação ao Congresso
ment deve ser feita por indicação dos líderes Controle posterior do Controle prévio do Con-
e voto aberto do Plenário. Os representantes Congresso (por maioria gresso (por maioria abso-
absoluta) luta).
dos partidos políticos ou blocos parlamenta-
Locais restritos e determi- Abrange todo o território
res que irão compor a chapa da comissão es- nados. nacional.
pecial da Câmara dos Deputados deverão ser Casos 1) e 2): 30 + 30 + 30
30 dias (+ 1 prorrogação
indicados pelos líderes, na forma do Regi- + 30 + 30...
de 30 dias).
mento Interno da Câmara dos Deputados. Casos 3) e 4): todo o
Decreto determina
Assim, não é possível a apresentação de can- tempo que perdurar a
tempo, área e restrições.
guerra.
didaturas ou chapas avulsas para a formação
Ouve-se o Conselho da República e o Conselho de
da comissão especial.
Defesa Nacional
STF. Plenário. ADPF 378/DF, Rel. Min. Edson
Fachin, julgado em 16, 17 e 18/12/2015 (Info 7. Tributação e Orçamento (145 a 169, CF)
812).
8. Ordem econômica e financeira (170 a
Súmula vinculante (103-A e 103-B da CF)
192, CF)
• MPGO/2019. Considerado o que dispõe o art. 170 171 172 173 174 175 176
103-A, “caput”, da CF/88, somente a partir da data 177 178 179 180 181 182 183
em que o enunciado sumular é publicado em ór- 184 185 186 187 188 189 190
gão da imprensa oficial é que passa a ter eficácia 191 192
vinculante, impondo-se, em consequência, à ob-
servância dos demais juízes e Tribunais, excluídos Convenções internacionais sobre transporte
do seu alcance todos os atos decisórios anteriores aéreo
à sua publicação. – A parte reclamante, para ter le- • O STF entendeu que, “Nos termos do art. 178 da
gítimo acesso à via reclamatória, deve demonstrar Constituição da República, as normas e os tratados
internacionais limitadores da responsabilidade das
27
1 2 3 4 5 6

transportadoras aéreas de passageiros, especial- mecanismos extrajudiciais, como o protesto de


mente as Convenções de Varsóvia e Montreal, têm CDA, e (ii) o protesto não impede o devedor de
prevalência em relação ao Código de Defesa do acessar o Poder Judiciário para discutir a validade
Consumidor.” STF. RE 636331/RJ, Min. Gilmar do crédito. De outro lado, a publicidade que é con-
Mendes e ARE 766618/SP, Min. Roberto Barroso, ferida ao débito tributário pelo protesto não repre-
25/05/2017 (repercussão geral) (Info 866). senta embaraço à livre iniciativa e à liberdade pro-
Entretanto, em caso de ação de responsabilidade fissional, pois não compromete diretamente a or-
civil no caso de acidente aéreo em VOO DOMÉS- ganização e a condução das atividades societárias
TICO, o prazo prescricional da pretensão deve ser (diferentemente das hipóteses de interdição de es-
regulado segundo o CDC, que é de 5 anos. STJ. 4ª tabelecimento, apreensão de mercadorias, etc).
Turma. REsp 1.281.090-SP, Rel. Min. Luis Felipe Sa- Eventual restrição à linha de crédito comercial da
lomão, julgado em 7/2/2012. empresa seria, quando muito, uma decorrência in-
direta do instrumento, que, porém, não pode ser
Função social da propriedade imputada ao Fisco, mas aos próprios atores do mer-
cado creditício [...]".
• MPMG/2018: Sobre o direito de propriedade, em
sua matriz constitucional, considerou-se CORRETO 9. Ordem social (193 a 232, CF)
afirmar...
193 194 195 196 197 198 199
✓ A inexistência de direito absoluto e intan-
200 201 202 203 204 205 206
gível; 207 208 209 210 211 212 213
✓ O cumprimento de obrigações ditadas pela 214 215 216 217 218 219 220
solidariedade comunal; 221 222 223 224 225 226 227
✓ A legitimidade de vedação ao proprietário 228 229 230 231 232 233 234
do exercício de determinadas faculdades.
Metodologia Fuzzy (Fuzzysmo)
Foi considerada INCORRETA a alternativa
segundo a qual a observância da função so- O jurista português José Joaquim Gomes Canotilho
cial da propriedade se faz através de impo- publicou estudo denominado “Metodología ‘Fuzzy’
sições negativas (não fazer). Na verdade, a y ‘Camaleones Normativos’ en la Problemática Ac-
função social da propriedade exige condu- tual de los Derechos Económicos, Sociales y Cultu-
tas positivas do proprietário. Aliás, muitas rales” publicado na Revista “Derechos y Liberta-
vezes é sua omissão que causa o descum- des” do Instituto de Direitos Humanos da Universi-
primento da função social (ex: proprietário dade Carlos III de Madrid.
que mantém lote desocupado, visando be- No referido estudo, o constitucionalista afirmou
neficiar-se da especulação imobiliária). que a doutrina jurídica ainda não alcançou conclu-
sões razoáveis e satisfatórias sobre o tema da im-
Súmulas e jurisprudência plementação de direitos econômicos, sociais e cul-
• Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre turais.
concorrência lei municipal que impede a instalação É dizer: houve avanços da doutrina em várias áreas
de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo do saber jurídico, mas a concretização dos direitos
em determinada área. sociais ainda caminharia trôpega, ou seja, camba-
• Viola o princípio da livre iniciativa contrato pactu- leante de ideias mais precisas sobre como seria a
ado entre ente federativo e instituição financeira, concretização de tais direitos econômicos, sociais e
que assegura exclusividade de concessão de em- culturais.
préstimo consignado em folha de pagamento aos Essa dificuldade metodológica na implementação
servidores da pessoa jurídica. dos direitos prestacionais, ou seja, de segunda ge-
• Protesto de CDA – POSSIBILIDADE. “[...] Inexiste ração, gerou a denominação de “metodologia fu-
afronta ao devido processo legal, uma vez que (i) o zzy”. O emprego da expressão provém do estudo
fato de a execução fiscal ser o instrumento típico da “lógica difusa”. Cuida-se de termo extrajurídico
para a cobrança judicial da Dívida Ativa não exclui que consiste em uma das formas de aplicação da
“lógica difusa”.
28
1 2 3 4 5 6

1. Seguridade social de que os serviços públicos de saúde são destina-


dos a todos, independentemente de situação jurí-
2. Saúde dica, econômica, ou social, e o princípio da igual-
Medicamentos dade, segundo o qual situações clínicas iguais re-
clamam tratamentos iguais, expurgando a possi-
• Fornecimento pelo Poder Judiciário de medica- bilidade de tratamento diferenciado com critério
mentos não registrados pela ANVISA no pagamento.
1. O Estado não pode ser obrigado a fornecer
• O Judiciário pode obrigar a Administração Pú-
medicamentos experimentais.
blica a manter quantidade mínima de medica-
2. A ausência de registro na Anvisa impede,
mento em estoque (STJ, Info 752).
como regra geral, o fornecimento de medicamento
por decisão judicial. 3. Previdência social
3. É possível, excepcionalmente, a concessão ju-
dicial de medicamento sem registro sanitário, em 4. Assistência social
caso de mora irrazoável da Anvisa em apreciar o
pedido (prazo superior ao previsto na Lei 5. Educação
13.411/16), quando preenchidos 3 requisitos: • A educação infantil representa prerrogativa cons-
a) a existência de pedido de registro do medi-
titucional indisponível, que, deferida às crianças, a
camento no Brasil (salvo no caso de medica- estas assegura, para efeito de seu desenvolvi-
mentos órfãos para doenças raras e ultrarra-
mento integral, e como primeira etapa do processo
ras);
de educação básica, o atendimento em creche e o
b) a existência de registro do medicamento acesso à pré-escola. A educação infantil, por quali-
em renomadas agências de regulação no ex-
ficar-se como direito fundamental de toda cri-
terior; e ança, não se expõe, em seu processo de concreti-
c) a inexistência de substituto terapêutico
zação, a avaliações meramente discricionárias da
com registro no Brasil Administração Pública, nem se subordina a razões
4. As ações que demandem fornecimento de
de puro pragmatismo governamental. ARE 639.337
medicamentos sem registro na Anvisa deverão ne- AgR, Min. Celso de Mello, de 15-9-2011.
cessariamente ser propostas em face da União.
• O ensino religioso nas escolas públicas brasileiras
STF. RE 657718, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, pode ter natureza confessional. O STF entendeu
em 22/5/19 (repercussão geral) (Inf 941).
que a CF/88 não proíbe que sejam oferecidas aulas
• É constitucional a regra que veda, no âmbito do de uma religião específica, que ensine os dogmas
SUS, a internação em acomodações superiores, ou valores daquela religião. Não há qualquer pro-
bem como o atendimento diferenciado por mé- blema nisso, desde que se garanta oportunidade a
dico do próprio SUS, ou por médico conveniado, todas as doutrinas religiosas. STF. Plenário. ADI
mediante o pagamento da diferença dos valores 4439/DF, red. p/ ac. Min. Alexandre de Moraes, j.
correspondentes. 27/9/2017 (Info 879).
• O direito à saúde, consequência do direito à
vida, constitui direito fundamental, direito indivi- 6. Cultura
dual indisponível, que legitima o MP para a pro-
positura de ação em defesa desse direito por meio 7. Desporto
da ação civil pública, que lhe permite invocar a tu-
tela jurisdicional do Estado com o objetivo de fa- 8. Ciência e tecnologia
zer com que os Poderes Públicos respeitem, em
9. Comunicação social
favor da coletividade, os serviços de relevância
pública. • MPBA/2018: Viola o direito fundamental à liber-
• Ao disciplinar o sistema público de saúde, a CF dade de expressão, dispositivo legal que, com o es-
fincou o princípio da universalidade, no sentido copo de tutelar os valores éticos e sociais da pessoa
e da família, confira à Administração Pública a

29
1 2 3 4 5 6

competência de fixar os horários permitidos de re- seu imóvel: “A expropriação prevista no art. 243 da
alização de diversões públicas e de exibição de pro- CF pode ser afastada, desde que o proprietário
gramas de rádio e televisão. O exercício da liber- comprove que não incorreu em culpa, ainda que in
dade de programação pelas emissoras impede que vigilando ou in eligendo”. STF. RE 635336/PE, Min.
a exibição de determinado espetáculo dependa de Gilmar Mendes, 14/12/2016 (repercussão geral)
ação estatal prévia. A submissão ao Ministério da (Info 851).
Justiça ocorre, exclusivamente, para que a União
exerça sua competência administrativa prevista no
inciso XVI do art. 21 da Constituição, qual seja,
classificar, para efeito indicativo, as diversões pú-
blicas e os programas de rádio e televisão, o que
não se confunde com autorização. Entretanto, essa
atividade não pode ser confundida com um ato de
licença, nem confere poder à União para determi-
nar que a exibição da programação somente se dê
nos horários determinados pelo Ministério da Jus-
tiça, de forma a caracterizar uma imposição, e não
uma recomendação. Não há horário autorizado,
mas horário recomendado. Esse caráter autoriza-
tivo, vinculativo e compulsório conferido pela
norma questionada ao sistema de classifica-
ção, data venia, não se harmoniza com os arts. 5º,
IX; 21, inciso XVI; e 220, § 3º, I, da CF. (ADI 2404,
Rel. Min. DIAS TOFFOLI, 31/08/2016)

10. Meio ambiente

11. Família, criança, adolescente, jovem e


idoso
• Os prazos da licença adotante não podem ser in-
feriores aos prazos da licença gestante, o mesmo
valendo para as respectivas prorrogações. Em rela-
ção à licença adotante, não é possível fixar prazos
diversos em função da idade da criança adotada
(RE 778889).

12. Índios

10. Disposições constitucionais gerais


233 234 235 236 237 238 239
240 241 242 243 244 245 246
247 248 249 250 251 252 253

Expropriação de terras onde forem localiza-


das culturas ilegais de plantas psicotrópicas
ou exploração de trabalho escravo (243, CF)
• Segundo o STF, o proprietário poderá evitar a ex-
propriação se provar que não teve culpa pelo fato
de estarem cultivando plantas psicotrópicas em

30
1 2 3 4 5 6

Poder Legislativo (STF. MS 25.707, rel. Min. Gilmar Mendes, j.


1.12.2005).
Noções gerais • Advogados podem acompanhar o depoente na
CPI, podendo também intervir no depoimento.
• Funções típicas: legislativa e fiscalizatória.
• Poderes
• Funções atípicas: executiva (auto-organi-
Pode Não pode
zação) e jurisdicional (julga o Presidente da
Busca e apreensão, Indisponibilidade de
República nos crimes de responsabilidade). desde que não se efetive bens, arresto ou seques-
• Estrutura – No plano federal, verifica-se em local inviolável, como tro (CPI não possui poder
uma estrutura bicameral (bicameralismo o domicílio. geral de cautela).
federativo de equilíbrio/equivalência = Quebrar sigilo bancário, Quebrar sigilo de comu-
cada Casa tem peso equivalente na forma- fiscal, de dados e de re- nicações telefônicas.
ção da vontade política). gistros telefônicos.
Prisão em flagrante. Medidas cautelares em
geral, a exemplo da pri-
Comissão Parlamentar de Inquérito são.
• Deputados e Senadores não são obrigados a tes- Determinar a anulação
temunhar em CPI sobre informações recebidas ou de atos do Poder Execu-
prestadas, em razão do exercício do mandato. tivo.
• Para o STF, é nula a intimação de indígena não Determinar condução co-
ercitiva de investigado.
aculturado para oitiva em CPI, na condição de tes-
Convocar membro do MP
temunha, fora de sua comunidade.
p/ acompanhar os traba-
• É inconstitucional a criação de CPI por assembleia lhos.
legislativa de estado federado ficar condicionada à
aprovação de seu requerimento no plenário do re- • A quebra do sigilo fiscal, bancário e de registros
ferido órgão. telefônicos de investigados pode ser validamente
• O sigilo imposto a processos judiciais é oponível decretada por Comissão Parlamentar de Inquérito,
às CPIs. desde que haja deliberação fundamentada e in-
• A investigação parlamentar reveste-se de caráter dicação da necessidade objetiva da adoção de
unilateral, à semelhança do que ocorre no âmbito tal medida extraordinária.
da investigação penal realizada pela Polícia Judiciá-
ria.
• É constitucional norma regimental da Câmara
dos Deputados que limite o número de CPI em fun-
cionamento simultâneo.
• A priori, as CPIs estaduais não se submetem a res-
trições mais extensas que aquelas reconhecidas às
CPIs federais.
• O STF entende prejudicadas as ações de MS e de
HC, sempre que – impetrados tais writs constituci-
onais contra CPIs – vierem estas a extinguir-se, em
virtude da conclusão de seus trabalhos investigató-
rios, independentemente da aprovação, ou não, de
seu relatório final.
• O MS não é meio hábil para questionar relatório
parcial de CPI, cujo trabalho, presente o § 3º do art.
58 da CF, deve ser conclusivo. (STF. MS 25.991 AgR,
Min. Marco Aurélio, j. 25.8.2015).
• O artigo 58, §3º, da CF, embora silente, também
permite que os relatórios sejam enviados a outros
órgãos de controle – como, por exemplo, à AGU

31
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Controle de constitucionalidade - STF não admite nesse sentido.


- Fala-se em não recepção ou em revo-
1. Noções gerais gação da norma anterior.
2º) norma que inicialmente era compa-
1.1. Princípio da supremacia da Constituição tível com a nova ordem constitucional ins-
taurada, em razão de mudanças ocorridas
A instituição do controle jurisdicional de constituci-
na sociedade, torna-se inconstitucional.
onalidade não é consequência lógica inexorável da
- Foi o que decidiu o STF, na ADI 3932,
atribuição de supremacia à Constituição. Trata-se
sobre a inconstitucionalidade superve-
de uma escolha sobre o desenho institucional do
niente da lei sobre amianto.
Estado, que deve ser feita tomando em conta uma
- Na verdade, trata-se de revogação.
comparação entre riscos e vantagens envolvidos na
adoção do instituto, que podem variar, depen- 1.7. Momentos de controle
dendo do contexto histórico e das tradições jurídi-
Comissões de Constitui-
cas e políticas de cada sociedade Legislativo
Prévio ção e Justiça.
ou Executivo Veto jurídico.
1.2. Sistema norte-americano x sistema aus-
Preventivo MS impetrado por par-
tríaco Judiciário
lamentar.
SISTEMA ESTADUNI- SISTEMA AUSTRÍACO 1. sustar atos do Execu-
DENSE (MARSHALL) (KELSEN) tivo que exorbitem...
a. do poder regula-
Decisão tem eficácia Decisão tem eficácia
mentar,
declaratória de situa- constitutiva (caráter Legislativo b. dos limites da de-
ção preexistente constitutivo-negativo) legação legislativa.
- em regra, o vício de in- - em regra, o vício de in- Posterior 2. controle das MPs
constitucionalidade é constitucionalidade é ou exercido por cada Casa
aferido no plano da va- aferido no plano da efi- Repressivo legislativa.
lidade cácia Descumprimento da lei
- em regra, efeitos ex - em regra, efeitos ex Executivo inconstitucional pelo
tunc nunc Chefe do Executivo.
- a lei inconstitucional é - a lei inconstitucional é Controle concentrado e
ato nulo ato anulável Judiciário controle difuso (sistema
- a lei, por ter nascido - o reconhecimento da jurisdicional misto).
morta, nunca chegou a ineficácia da lei produz • Cuidado: não é correto afirmar que o STF admite
produzir efeitos, ou efeitos a partir da deci- o controle judicial do processo legislativo em nome
seja, apesar de existir, são ou para o futuro,
do direito subjetivo do parlamentar de impedir que
não entrou no plano da sendo erga omnes, pre-
a elaboração dos atos normativos incida em des-
eficácia servando-se, assim, os
vios constitucionais, exercendo, então, controle
efeitos produzidos até
preventivo de constitucionalidade. Sobre essa hi-
então pela lei.
pótese, são entendimentos firmados pelo STF:
1.3. Sistema brasileiro a. o controle é prévio ou preventivo,
b. a legitimidade é exclusiva do PARLAMEN-
1.4. Análise histórica do sistema brasileiro TAR, que possui direito público subjetivo
de participar de um processo legislativo hí-
1.5. Direito comparado gido;
c. no caso de PL, só vício formal / no caso de
1.6. Espécies de inconstitucionalidade PEC, vício formal + material (violação de
cláusula pétrea).
a. Inconstitucionalidade superveniente
- Pode ter 2 sentidos: • O controle preventivo não implica a impossibili-
1º) norma anterior que se torna incom- dade de derrubada de veto levado a efeito nos ter-
patível com a nova Constituição. mos de jurisprudência vinculante do STF.

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• O controle preventivo tem natureza marcada- REGRA GERAL:


mente política, mesmo quando levado a efeito ● Controle difuso é incidental.
pela via judicial, porque atua ainda quando do pro- ● Controle concentrado é principal. Essa re-
cesso de elaboração normativa. gra tem exceções em que o controle é con-
• CNMP não realiza controle de constitucionali- centrado (porque a competência é originá-
dade. ria de determinado órgão) e incidental
(porque deriva de um caso concreto):
1.8. Técnicas de controle a. Representação interventiva (art.
a. Interpretação conforme a Constituição: 36, III, CF);
o órgão de controle elimina a inconstitucionalidade b. ADPF incidental.
excluindo determinadas “hipóteses de interpreta-
ção” da norma, para lhe emprestar aquela inter- 1.10. Parâmetro de controle: bloco de consti-
pretação (sentido) que a compatibilize com tucionalidade
o texto constitucional.
• Cabe controle de constitucionalidade cujo parâ-
✓ Só é possível diante de normas polissê-
micas. metro é Constituição revogada? Segundo Bernardo
✓ Exclui determinado sentido. Gonçalves, no controle difuso, o parâmetro de con-
trole pode ser qualquer norma constitucional em
b. Declaração parcial de inconstitucionali-
vigor ou mesmo já revogada (sendo apenas obri-
dade sem redução de texto: afasta determina-
gatório verificar se essa norma constitucional es-
das “hipóteses de aplicação ou incidência” da
tava em vigor no momento da criação do ato im-
norma. Aqui, já não se está afastando meros senti-
pugnado). Nesse sentido, a análise pode se dar: a)
dos interpretativos da norma, mas subtraindo da
norma determinada situação, à qual ela em tese em relação a um ato editado após 1988 em face da
se aplicaria. atual Constituição; b) em relação a um ato editado
✓ Exclui determinada hipótese de incidên- anteriormente a 1988 em face da atual Constitui-
cia. ção (quanto à sua recepção ou não); c) em relação
a um ato editado anteriormente à Constituição de
1.9. Sistemas ou vias de controle judicial 1988 em face da Constituição em vigor à época da
a) Quanto ao aspecto subjetivo ou orgânico: edição do ato impugnado.
QUEM exerce o controle?
2. Controle difuso
Sistema difuso Sistema concentrado 2.1. Histórico
Possibilidade de qual- O controle se “concen-
• Caso Marbury x Madison, 1803.
quer juiz ou tribunal, ob- tra” em um ou mais de
servadas as regras de um (porém com número ✓ Todo juiz ou tribunal tem competência
competência, realizar o limitado) órgão. Trata- para realizar o controle de constitucionali-
controle de constitucio- se de competência origi- dade das leis frente a constituição.
nalidade. nária do referido órgão. ✓ O modelo americano (difuso) é concreto,
incidental, repressivo e inter partes;
b) Quanto ao aspecto formal: A PARTIR DE QUE ✓ A Constituição Americana não prevê ex-
EVENTO se exerce o controle? pressamente o controle difuso. É exata-
Via Incidental Via principal mente por esse motivo que o Caso Mar-
(via de exceção ou defesa) (via abstrata ou de ação) bury vs. Madison é tão importante, pois
O controle é exercido A análise da constitucio- afirma a Supremacia da Constituição frente
como questão prejudi- nalidade da lei será o as outras Leis;
cial e premissa lógica do objeto principal, autô-
pedido principal. nomo e exclusivo da 2.2. Noções gerais
causa. • O controle incidental é sempre de natureza con-
Caso concreto Compatibilidade abs- creta.
trata • É possível a modulação dos efeitos no controle
difuso.
33
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2.3. Controle difuso nos Tribunais e reserva processos subjetivos, nos quais situações
de plenário (art. 97, CF) individuais e interesses concretos são pos-
tos em discussão. A única hipótese de IM-
Súmula Vinculante 10: Viola a cláusula de re-
serva de plenário (CF, art. 97) a decisão de ór- PEDIMENTO aplicável às ações de inconsti-
gão fracionário de tribunal que, embora não tucionalidade é a seguinte: o Ministro que
declare expressamente a inconstitucionali- tenha oficiado nos autos do processo como
dade de lei ou ato normativo do Poder Pú- PGR ou AGU está impedido de participar,
blico, afasta sua incidência, no todo ou em como membro da Corte, do julgamento fi-
parte. nal da ação.
• A declaração de inconstitucionalidade de qual- ● ADI – ADC: ações de natureza dúplice ou
quer ato estatal, considerando a presunção de ambivalente.
constitucionalidade das leis, só pode ser declarada ● Para o ajuizamento dessas ações não existe
pelo voto da maioria absoluta dos membros do prazo prescricional ou decadencial.
Tribunal ou, onde houver, dos integrantes do res- ● É possível a apuração de questões fáticas,
pectivo órgão especial, sob pena de nulidade da tanto que se admite, por exemplo, a desig-
decisão judicial que venha a ser proferida nação de peritos em caso de necessidade
(MPSP/19). de esclarecimentos de circunstância de
• Não se submetem à reserva de plenário... fato.
1. interpretação conforme; ● Proposta a ação direta, não se admite de-
2. pronunciamento do plenário do STF (CUI- sistência.
DADO: turma do STF submete-se);
3.3. ADI genérica
3. pronunciamento do plenário ou órgão es-
pecial do respectivo Tribunal; Lei n° 9.868/99
4. declaração de não recepção;
5. mera interpretação da norma, sem de- 1 2 3 4 5 6
clará-la inconstitucional; 7 8 9 10 11 12
6. Turma Recursal; 12-A 12-B 12-C 12-D 12-E 12-F
7. decisão pela constitucionalidade. 12-G 12-H 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22
2.4. Efeitos da decisão 23 24 25 26 27 28
29 30 31
3. Controle concentrado 3.3.1. Objeto
3.1. Noções gerais Pode ser objeto Não pode ser objeto
Regimento interno dos Decreto regulamentar
• EM REGRA, o controle principal é abstrato. Mas
Tribunais não autônomo
existem hipóteses de controle principal concreto: Leis orçamentárias SV
Representação interventiva (art. 36, III, CF) e ADPF Emendas constitucionais Normas constitucionais
Incidental. originárias
• A cumulação simples de pedidos típicos de ADI e Decisão proferida em Resolução que autoriza
de ADC é processualmente cabível em uma única processo administrativo processo contra Presi-
quando sua extensão a dente da República.
demanda de controle concentrado de constitucio-
torne verdadeiro ato nor-
nalidade, desde que satisfeitos os requisitos previs- mativo, dotado de abstra-
tos na legislação processual civil (CPC, art. ção e generalidade.
292). (STF, ADI 5316 MC, 06-08-2015). Resolução do CNMP/CNJ. Norma declarada consti-
tucional pelo Plenário do
3.2. Pontos comuns sobre as ações diretas STF, mesmo que em con-
● Ações de índole objetiva. trole difuso, salvo mudan-
ças significativas ou a su-
● Os institutos da suspeição e do impedi-
perveniência de argu-
mento não se aplicam aos processos de ín- mentos nitidamente mais
dole objetiva, por estarem restritos aos relevantes.
34
1 2 3 4 5 6

• No julgamento da ADI 4048, sobre abertura de permanecer no polo ativo da ação direta de incons-
créditos orçamentários por meio de medida provi- titucionalidade (ADI 2427).
sória, o Supremo reformulou seu entendimento e [CUIDADO! Controle concreto por mandado de se-
passou a admitir o controle concentrado de cons- gurança: a perda do mandato gera extinção do pro-
titucionalidade em normas de efeito concreto. cesso sem julgamento do mérito – MS 27.971]
Revogação do objeto • É incabível a interposição de qualquer espécie de
recurso por quem, embora legitimado para a pro-
O que acontece se a norma questionada é revo- positura da ação direta, nela não figure como re-
gada? querido.
• REGRA: restará prejudicada a apreciação da ação
• O Estado-membro não possui legitimidade para
direta por perda superveniente de objeto.
recorrer contra decisões proferidas em sede de
• EXCEÇÕES:
controle concentrado de constitucionalidade,
1. Fraude processual: a lei objeto da ação di-
ainda que a ADI tenha sido ajuizada pelo respectivo
reta é revogada dolosamente pelo legisla-
Governador. A legitimidade para recorrer, nestes
tivo para obstar a apreciação da inconstitu-
casos, é do próprio Governador (previsto como le-
cionalidade. gitimado pelo art. 103 da CF). Os Estados-membros
2. Repetição do ato normativo por outro su- não se incluem no rol dos legitimados a agir como
perveniente: imagine-se, p. ex., que a lei A sujeitos processuais em sede de controle concen-
é revogada pela lei B, mas esta acaba por trado de constitucionalidade. STF. Plenário. ADI
repetir, em sua essência, o teor da norma 4420 ED-AgR, Min. Roberto Barroso, 05/04/2018.
revogada. Nesses casos, o substrato nor-
• Precisam de ASSISTÊNCIA POR ADV:
mativo formal foi revogado; contudo,
1. Partidos políticos;
o substrato normativo material manteve-
2. Confederação sindical ou entidade de classe
se o mesmo. de âmbito nacional.
3. Ausência de comunicação ao Supremo: a
• Precisam demonstrar PERTINÊNCIA TEMÁTICA:
lei foi revogada, mas sua revogação não foi
1. Governador
comunicada ao Supremo.
2. Mesa da AL ou da CL do DF
Conversão da MP em lei antes que a ADI seja jul- 3. Confederação sindical ou entidade de classe
gada de âmbito nacional.
• Nesse caso, a ADI não perde o objeto e poderá
3.3.3. Medida cautelar
ser conhecida e julgada.
• O autor deverá peticionar ao STF, informando ✓ É cabível (como, de resto, em todas as
essa situação. ações de controle concentrado).
✓ Concedida por decisão da maioria abso-
Alteração do parâmetro constitucional luta dos membros do Tribunal.
Não prejudica o conhecimento da ADI. ✓ Relator pode conceder, mas só no perí-
odo de recesso.
Edição de MP revogando a lei impugnada por
✓ Em regra, após audiência dos órgãos ou au-
meio de ADI
toridades dos quais emanou a lei.
STF, Info 935. Se for editada MP revogando lei que ✓ Em caso de excepcional urgência, Tribunal
está sendo questionada por meio de ADI, esta ação (relator não!) pode deferir sem audiência
poderá ser julgada enquanto a MP não for votada dos referidos órgãos.
(enquanto a MP não for votada, não há perda do ✓ Efeito EX NUNC!
objeto). ✓ Produz efeito repristinatório!
✓ Lei não prevê prazo máximo (na ADC, é de
3.3.2. Legitimados 180 dias).
• A perda superveniente de representação parla-
mentar de Partido Político não o desqualifica para 3.3.4. Causa de pedir
• A causa de pedir aberta das ações do controle
35
1 2 3 4 5 6

concentrado de constitucionalidade torna desne- legitimados do art. 103 da CF opôs embar-


cessário o ajuizamento de nova ação direta para a gos de declaração justamente para a mo-
impugnação de norma cuja constitucionalidade já dulação de efeitos. No caso concreto, o STF
é discutida em ação direta em trâmite, proposta considerou esses embargos eram intem-
pela mesma parte processual (MPSP/2019). Isso pestivos. O STF, mesmo não conhecendo
porque o Tribunal pode acolher decretar a incons- dos embargos, poderá decretar a modula-
titucionalidade com base em fundamento não in- ção dos efeitos da decisão.
vocado pelo autor. Teoria da abstrativização do controle concen-
• MAS CUIDADO: Restará impossível ao STF anali- trado (DoD)
sar a inconstitucionalidade material, caso o pedido
Apesar de essa nomenclatura não ter sido utili-
verse apenas sobre a inconstitucionalidade formal
zada expressamente pelo STF no julgamento, o
de uma lei ou ato normativo.
certo é que a Corte mudou seu antigo entendi-
mento e passou a adotar a abstrativização do con-
3.3.5. Procedimento
trole difuso.
• O AGU não é obrigado a sustentar a constitucio- Em uma explicação bem simples, a teoria da
nalidade da norma nos seguintes casos: abstrativização do controle difuso preconiza que,
✓ ADI por omissão; se o Plenário do STF decidir a constitucionalidade
✓ ADC; ou inconstitucionalidade de uma lei ou ato norma-
✓ Entendimento consolidado do STF no sen- tivo, ainda que em controle difuso, essa decisão
tido da inconstitucionalidade. terá os mesmos efeitos do controle concentrado,
ou seja, eficácia erga omnes e vinculante.
3.3.6. Efeitos
Para essa corrente, o art. 52, X, da CF/88 sofreu
REGRA uma mutação constitucional e, portanto, deve ser
• As decisões definitivas de mérito produzem... reinterpretado. Dessa forma, o papel do Senado,
a) Eficácia contra todos atualmente, é apenas o de dar publicidade à deci-
b) Efeito vinculante são do STF. Em outras palavras, a decisão do STF,
mesmo em controle difuso, já é dotada de efei-
• Relativamente:
tos erga omnes e o Senado apenas confere publici-
a) Aos demais órgãos do Poder Judiciário
dade a isso.
b) E à administração pública direta e indi-
“Deve-se reconhecer, portanto, que o recurso
reta, nas esferas federal, estadual e muni-
extraordinário ganha contornos marcadamente
cipal.
objetivos, a indicar evolução do entendimento do
Modulação dos efeitos da decisão Tribunal acerca da forma mediante a qual presta a
• Requisitos: jurisdição constitucional” (MENDES, Gilmar Fer-
1. Razões de segurança jurídica ou excepcio- reira; BRANCO, Paulo Gustavo Gonet. Curso de di-
nal interesse social; reito constitucional. 11. ed. São Paulo: Saraiva,
2016, p. 1022/1023). MPGO/2019.
2. Maioria de 2/3 dos membros.
• Jurisprudência Teoria da transcendência dos motivos determi-
✓ É cabível a oposição de embargos de decla- nantes
ração para fins de modulação dos efeitos, O STF não admite a teoria da transcendência
desde que haja pedido na inicial. dos motivos determinantes
✓ É possível a modulação de efeitos em sede • Segundo a teoria restritiva, adotada pelo STF, so-
de juízo de não recepção de lei anterior à mente o dispositivo da decisão produz efeito vincu-
CF/88. lante. Os motivos invocados na decisão (funda-
✓ É possível a modulação em recurso extra-
mentação) não são vinculantes.
ordinário (controle incidental de constitu-
• A reclamação no STF é uma ação na qual se alega
cionalidade).
que determinada decisão ou ato:
✓ É possível modulação ex officio. Ex: Um dos
✓ usurpou competência do STF; ou
36
1 2 3 4 5 6

✓ desrespeitou decisão proferida pelo STF. 3.4. ADC


• Não cabe reclamação sob o argumento de que a
Objeto: lei ou ato normativo FEDERAL
decisão impugnada violou os motivos (fundamen-
tos) expostos no acórdão do STF, ainda que este te- • O fato de a ADC ter sido criada pela EC 3/93 não a
nha caráter vinculante. Isso porque apenas o dispo- impede de ter por objeto lei ou ato normativo pro-
sitivo do acórdão é que é vinculante. duzido anteriormente à data da promulgação da
• Assim, diz-se que a jurisprudência do STF é firme referida emenda, desde que posterior ao parâme-
quanto ao não cabimento de reclamação fundada tro constitucional invocado.
na transcendência dos motivos determinantes do Cabimento
acórdão com efeito vinculante. STF, Info 808 e 887.
• A ADC pressupõe a existência de efetiva contro-
Nova ADI por inconstitucionalidade material vérsia judicial em torno da legitimidade constituci-
contra ato reconhecido formalmente constitu- onal de determinada lei ou ato normativo federal.
cional Controvérsia potencial não legitima a ADC (afinal,
O fato de o STF ter declarado a validade FORMAL as normas nascem com presunção de legitimi-
de uma norma não interfere nem impede que ele dade). Sobre o tema, conferir o seguinte julgado do
reconheça posteriormente que ela é MATERIAL- STF: o requisito relativo à existência de controvér-
MENTE inconstitucional, no bojo de uma nova ADI sia judicial relevante é qualitativo e não quantita-
ajuizada. tivo. Em outras palavras, para verificar se existe a
controvérsia, não se examina apenas o número de
3.3.7. RESUMO decisões judiciais. Não é necessário que haja mui-
tas decisões em sentido contrário à lei. Mesmo ha-
a) Inexistência de prazo em dobro recursal ou vendo ainda poucas decisões julgando inconstituci-
diferenciado para contestar (ADI n. 2.130); onal a lei já pode ser possível o ajuizamento da ADC
b) inexistência de prazo prescricional ou deca- se o ato normativo impugnado for uma emenda
dencial; constitucional (expressão mais elevada da vontade
c) Não admissão da assistência jurídica a qual-
do parlamento brasileiro) ou mesmo em se tra-
quer das partes, nem a intervenção de tercei-
tando de lei se a matéria nela versada for relevante
ros, salvo a figura do amicus curiae;
d) Vedada a desistência da ação proposta, con- e houver risco de decisões contrárias à sua consti-
forme art. 5º da Lei 9.868/99: “proposta a tucionalidade se multiplicarem. STF. Plenário. ADI
ação direta, não se admitirá desistência”. 5316 MC/DF, Min. Luiz Fux, j. 21/5/2015 (Info 786).
e) Irrecorribilidade da decisão que declara a in- Legitimados
constitucionalidade ou a constitucionalidade
da lei ou do ato normativo, salvo a interposi- Causa de pedir
ção de Embargos de Declaração.
Procedimento
f) Cabe agravo na hipótese de indeferimento
da petição inicial, conforme § único do art. 4º Efeitos
da Lei 9.868/99: “cabe agravo da decisão que
Medida cautelar
indeferir a petição inicial”.
g) Não rescindibilidade da decisão proferida. • Efeito vinculante e ex NUNC.
h) Não vinculação à tese jurídica ou à causa de
pedir pelo STF (causa de pedir aberta). Há li- 3.5. ADPF
berdade.
Lei n° 9.882/99
i) No âmbito do controle concentrado de cons-
titucionalidade, é possível, no bojo de uma 1 2 3 4 5 6
mesma demanda, cumular pedidos típicos de 7 8 9 10 11 12
ação direta de inconstitucionalidade com pe- 13 14
didos típicos de ação declaratória de consti-
tucionalidade. • Embora seja ação típica do modelo concentrado,
a arguição de descumprimento de preceito funda-
mental se presta, entre outros fins, ao controle
37
1 2 3 4 5 6

concreto de constitucionalidade. lei estadual), assim como o parâmetro estadual de


confronto, norma de reprodução obrigatória pre-
Competência: exclusiva do STF.
vista na CF, o controle estadual deverá ficar sus-
Legitimados: os mesmos da ADI penso (em razão da causa de suspensão prejudicial
do referido processo), aguardando o resultado do
3.6. ADO controle federal, já que o STF é o intérprete má-
• Art. 103, § 2°, CF. Declarada a inconstitucionali- ximo da Constituição.
dade por omissão de medida para tornar efetiva • Tribunais de Justiça podem exercer controle abs-
norma constitucional, será dada ciência ao Poder trato de constitucionalidade de leis municipais [e
competente p/ a adoção das providências necessá- estaduais] utilizando como parâmetro normas da
CF, desde que se trate de normas de reprodução
rias e, em se tratando de órgão administrativo, p/
obrigatória pelos estados (OBS. não precisam es-
fazê-lo em 30 dias.
tar expressamente replicadas na CE). STF,
• O que fazer diante de uma lei que atende deter- 01/02/2017 (repercussão geral). Nesse caso, cabe
minado grupo, mas esquece outras pessoas que recurso extraordinário para o STF, cuja decisão terá
mereceriam igual benefício? São 3 as possibilida- efeitos erga omnes.
des de atuação judicial... • MPGO/2019. Não é possível o controle de consti-
1. Decretação de inconstitucionalidade por tucionalidade difuso-incidental nos Estados de lei
ação do ato normativo que originou o de- federal em face da Constituição do Estado, desde
sequilíbrio. que o paradigma de confronto seja norma de imi-
2. Declaração de inconstitucionalidade por tação. É importante lembrar que o Tribunal de Jus-
omissão parcial, cientificando-se o órgão tiça estadual nunca poderá realizar controle abs-
responsável para as diligências pertinentes trato de constitucionalidade de lei ou ato norma-
ou tivo federal. A verificação abstrata de compatibili-
3. Atribuição extensiva da vantagem à cate- dade de tais normas só é feita pelo STF. No caso de
goria não contemplada. controle difuso, o Tribunal estadual até poderá efe-
tuar a análise da constitucionalidade de ato norma-
A 1ª hipótese acima mencionada, nada obs-
tivo federal, desde que o faça em face da CF, e não
tante prevista no ordenamento jurídico, ocasi-
da Constituição Estadual.
onaria a incongruência de generalizar o preju-
• Não ocorre usurpação da competência do STF
ízo, em vez de possibilitar as devidas vantagens
quando o TJ do Estado, no julgamento de ADI, re-
aos preteridos. A 2ª forma de resolução pode
conhece incidentalmente a inconstitucionalidade
ser identificada no ordenamento pátrio, com a
da norma da Constituição Estadual usada como pa-
ausência de especificação de lapso temporal râmetro do controle de constitucionalidade de lei
para o órgão legislativo adimplir a lacuna. A úl- municipal. A hipótese, apesar de incomum, é per-
tima possibilidade, apesar de ser a que maior mitida. Isto porque, a norma da CE, invocada como
confere efetividade ao texto constitucional, parâmetro do controle da constitucionalidade da
pode encontrar óbice nos princípios da separa- lei ou ato normativo municipal ou estadual, não
ção dos poderes, da legalidade, do orçamento vincula o TJ do Estado, quando ofensiva à CF.
e da reserva do possível. • Cabe aos Estados a instituição de representação
de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos
3.7. Representação interventiva estaduais ou municipais em face da Constituição
Estadual, vedada a atribuição da legitimação para
4. Controle abstrato nos Estados-mem- agir a um único órgão". Logo, os Estados federados
bros podem, em homenagem ao princípio da simetria,
• É desnecessário o quórum de maioria absoluta no conferir legitimidade aos partidos políticos com re-
julgamento de RE interposto contra representação presentação na ALE. Porém, não há obrigatorie-
de inconstitucionalidade ajuizada perante tribunal dade.
de justiça. • Segundo o STF, quanto ao controle de constituci-
• Em sendo o mesmo o objeto (vale dizer, a mesma onalidade concentrado-principal nos Estados, das
decisões dos Tribunais de Justiça não cabe recurso
38
1 2 3 4 5 6

extraordinário quando o parâmetro de controle for Funções essenciais à Justiça


norma de imitação inserida na Constituição local.
1. Ministério Público
• Membros do MP não podem ocupar cargos públi-
cos fora do âmbito da Instituição, salvo cargo de
professor e funções de magistério.

Súmulas aplicáveis
• S. 189, STJ. É desnecessária a intervenção do Mi-
nistério Público nas execuções fiscais.
• Súmula 234, STJ. A participação de membro do
Ministério Público na fase investigatória criminal
não acarreta o seu impedimento ou suspeição para
o oferecimento da denúncia.
• Súmula 643, STF.O Ministério Público tem legiti-
midade para promover ação civil pública cujo fun-
damento seja a ilegalidade de reajuste de mensali-
dades escolares.
• Súmula 226, STJ.O Ministério Público tem legiti-
midade para recorrer na ação de acidente do tra-
balho, ainda que o segurado esteja assistido por
advogado.
• O Ministério Público tem legitimidade para plei-
tear, em ação civil pública, a indenização decor-
rente do DPVAT (seguro de danos pessoais causa-
dos por veículos automotores de vias terrestres)
em benefício do segurado.

2. Defensoria Pública
• É inconstitucional dispositivo da CE que concede
aos Defensores Públicos a aplicação do regime de
garantias, vencimentos, vantagens e impedimen-
tos do MP e da Procuradoria-Geral do Estado (STF,
Info 907).
• É inconstitucional o estabelecimento - em prol
dos defensores públicos e em face autoridades pú-
blicas e entidades particulares - do poder de requi-
sição de certidões, exames, perícias, vistorias, dili-
gências, processos, documentos, informações, es-
clarecimentos e providências, necessários ao exer-
cício de suas atribuições.

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