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Faculdade de Engenharia

Departamento de engenharia civil


Topografia

Perfil topográfico
Implantação do eixo de uma estrada no terreno incluindo curvas circulares

Elementos do grupo Docente


DAUD, Humeid Abdul Rehmane Júlio Mahumane
JÚNIOR, Alberto Petrosse Dlate
MARTINS, Alen Álvaro Varela Sequeira
MATARUCA, Jerónimo Etílio Zeca
MUSSA, Amir Rafique
QUEHÁ, Walter Adalberto
VAMUTO, Hally Manuel

Maputo
Outubro, 2019
Índice geral
INTRODUÇÃO.......................................................................................................................5

IMPLANTAÇÃO DO EIXO DE UMA ESTRADA NO TERRENO, INCLUINDO CURVAS CIRCULARES....6

Conceito da implantação sob ponto de vista da engenharia.........................................6

Principais Elementos de uma Estrada...........................................................................6

Elementos geométricos das estradas de rodagem.......................................................6

Estudos necessários para a construção de uma estrada.............................................7

Lançamento do eixo da poligonal..................................................................................7

Planta.........................................................................................................................9

Perfil...........................................................................................................................9

Perfil transversal (plataforma)................................................................................9

Perfil transversal...................................................................................................10

Perfil longitudinal..................................................................................................11

Perfis longitudinais................................................................................................12

Curvas Circulares........................................................................................................13

Escolha da curva circular.............................................................................................14

Curvas horizontais circulares.......................................................................................14

Curvas Horizontais Circulares Simples.......................................................................14

Pontos e elementos da curva circular..........................................................................15

Superelevação.............................................................................................................15

Necessidade da superelevação...............................................................................16

Equilíbrio de forças com atrito transversal...............................................................16

Taxas limites admissíveis para a superelevação.....................................................18

Taxa mínima de superelevação admissível.............................................................18

PERFIL TOPOGRÁFICO........................................................................................................19

Definição......................................................................................................................19

Aplicações....................................................................................................................19

Procedimento de Construção......................................................................................19

Cuidados......................................................................................................................21
Exagero vertical...........................................................................................................21

Bloco-Diagrama...........................................................................................................22

Curva de nível e perfil topográfico...............................................................................22

CONCLUSÃO......................................................................................................................25

BIBLIOGRAFIA....................................................................................................................26

Índice de figura
Figura 1 – Elementos geométricos de uma estrada.........................................................7
Figura 2 - Estaqueamento do eixo de uma estrada..........................................................8
Figura 3 - Perfil transversal da estrada...........................................................................10
Figura 4 - Rasante e perfil longitudinal do terreno..........................................................12
Figura 5 - Desenvolvimento de uma curva......................................................................13
Figura 6 - Curva horizontal simples.................................................................................15
Figura 7 - Esquematização de forças em um veiculo em adamento..............................17
Figura 8 - Curva circular..................................................................................................18
Figura 9 - Carta topo.......................................................................................................20
Figura 10 - Bloco diagonal...............................................................................................22
Figura 11 - Representação gráfica de uma curva de nível.............................................23
Figura 12 - Curvas de niveis............................................................................................24
Trabalho de Pesquisa Topografia Outubro, 2019

Introdução

Os temas que serão dissertados neste trabalho de investigação cujos temas são
implantação do eixo de uma estrada no terreno incluindo curvas circulares e perfil
topográfico, têm uma relevância para que sejam feitas obras de Engenharia, estudos
topográficos, geológicos e de diversa natureza em segurança e de modo a evitar
desperdício de recursos financeiros, assim como recursos humanos,etc. Por exemplo,
com a ajuda da técnica de implantação do eixo de uma estrada no terreno incluindo
curvas circulares é possível fazer projecções acerca da construção da própria estrada
ainda no papel, para que o Engenheiro evite iniciar com a construcção da estrada
numa determinada direcção ou rumo e depois de algum tempo verificar que será
necessário contornar algum obstáculo. Nesse caso, terão sido desperdiçados recursos
financeiros, humanos e o tempo.

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Implantação do eixo de uma estrada no terreno, incluindo curvas circulares

Conceito da implantação sob ponto de vista da engenharia

A implantação é o processo de determinação do traçado em planta e de perfil


longitudinal corretos, bem como o posicionamento da geometria rodoviária no terreno
do projeto.
A implantação correta é fundamental para o sucesso técnico e económico do
projeto rodoviário. Em muitos países em desenvolvimento, nos quais se regista uma
escassez de instrumentos caros e sofisticados de precisão de implantação, tais como
teodolitos, GPS e níveis topográficos, as obras baseadas em mão-de-obra podem
ainda ser implantadas com suficiente precisão através da utilização correta de
equipamentos e ferramentas simples.

Principais Elementos de uma Estrada

A estrada pode ser definida como uma via de comunicação terrestre


especialmente destinada ao trânsito de veículos. A sua principal finalidade é assegurar
a existência de uma superfície que permita a circulação de veículos com comodidade,
com segurança e em condições económicas, durante o tempo de vida do projecto, nas
diferentes condições ambientais que possam ocorrer.
Para garantir a comodidade, a segurança e a economia, aconselha-se que a
superfície se desenvolva de modo a ser plana e pouco sinuosa. Contudo, o terreno
onde se desenvolve a estrada não permite atingir esses objectivos devido ao relevo e
outros acidentes topográficos existentes, pelo que há a necessidade de moldar o
terreno, movendo material de um lado e colocando-o em outro lado, de modo que a
superfície possua uma melhor qualidade física.
A deslocação de terreno, (escavação) para outro local (aterro), constitui uma
tarefa muito importante na realização das obras designando-se por terraplanagens. As
terraplanagens são a modelação do terreno natural para o estabelecimento de uma
estrada.

Elementos geométricos das estradas de rodagem

A geometria de uma estrada é definida pelo traçado do seu eixo em planta e


pelos perfis longitudinal e transversal. A figura apresentada a seguir resume os
principais elementos geométricos de uma estrada.

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Figura 1 – Elementos geométricos de uma estrada

Fonte: PONTES FILHO, 1998

Estudos necessários para a construção de uma estrada

Os trabalhos para construção de uma estrada iniciam-se por meio de estudos de


Planeamento de Transporte. Esses estudos têm por objetivo verificar o comportamento
do sistema viário existente para, posteriormente, estabelecer prioridades de ligação
com vistas às demandas de tráfego detectadas e projetadas, de acordo com os dados
socioeconómicos da região em estudo.

Lançamento do eixo da poligonal

É uma etapa muito importante na exploração, devido ao fato de que a poligonal


a ser implantada será a linha de apoio para os demais serviços topográficos, com o
objetivo de colher elementos que possibilitem a representação gráfica do relevo do
terreno ao longo da faixa. Este aspecto evidencia o extremo cuidado que se deve ter na
orientação a ser dada para o lançamento dos alinhamentos, que irão constituir a
poligonal de exploração.
O lançamento da poligonal de exploração deverá ser feito com base em medidas
lineares (distâncias horizontais) e angulares (azimutes e deflexões) dos alinhamentos.
Considerando-se toda a extensão da linha de reconhecimento, pode a
implantação da poligonal de exploração ser entregue a uma única equipa de topografia
ou distribuída por mais de uma delas. Em qualquer caso, cada trecho a ser levantado
por uma equipe deve ter suas extremidades localizadas em pontos obrigatórios de
passagem, para que se possa garantir a continuidade do eixo de exploração.
As deflexões devem ser anotadas com aproximação de 1 minuto, enquanto as
medidas lineares devem ser feitas com trena de aço. Recomenda-se evitar distâncias

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curtas entre duas deflexões sucessivas, para atender a condição de tangente mínima
estabelecida pela norma.
À medida que se realiza à implantação das tangentes (alinhamentos da
poligonal), estas deverão ser estaqueadas. A operação consiste em demarcar no
terreno, ao longo dos alinhamentos, pontos distanciados entre si de 20 metros, a partir
de um ponto inicial.
Este ponto inicial do estaqueamento recebe a denominação de Estaca Zero. A
partir deste ponto, a tangente é piqueteada (isto é, são colocados piquetes) de 20 em
20 m, sendo o estaqueamento numericamente crescente no sentido do
desenvolvimento do alinhamento. As medições são feitas com trena de aço.

Figura 2 - Estaqueamento do eixo de uma estrada

Autor: Google
Os pontos de mudança de direção, quando não coincidentes com estacas
inteiras (o que geralmente acontece) são indicados pela estaca inteira imediatamente
anterior mais a distância do ponto a essa estaca. Assim, a estaca fracionária resulta
quando a extensão do alinhamento não é divisível por 20. Por exemplo, se o
alinhamento tem uma extensão de 125,00 m e tem início na Estaca Zero, a sua outra
extremidade fica caracterizada pela Estaca 6 +5,00 m. Nesses pontos, são fixados
pregos na parte superior dos piquetes e os mesmos são chamados de estacas-prego
ou estacas de mudança.
Os piquetes devem ser cravados até ficarem rente ao chão (para evitar serem
deslocados ou retirados por pessoas estranhas) e sempre acompanhadas por estacas
(testemunhas) com a indicação do número da estaca, sempre com o número iniciando
no topo.
Em conclusão, determinando-se o azimute e a extensão de cada alinhamento,
as amarrações das tangentes e o estaqueamento da poligonal de exploração, passa-se
ao segundo estágio dos trabalhos de campo, qual seja o Nivelamento e Contra
nivelamento da poligonal de exploração.

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O eixo de uma futura estrada passa a ser definido como directriz e é composto
por:
 Planta;
 Perfil longitudinal (Griede)
 Perfil transversal (Plataforma)

Planta

Até o momento, tratamos de estrada em projecção horizontal, como sendo uma


sucessão de trechos retilíneos com deflexões definindo as mudanças de direções, mas,
sabemos que não se pode fazer uma estrada só com alinhamentos retos, pois nos
vértices da poligonal, os veículos trafegantes teriam grandes dificuldades de mudar de
direcção. Por isso, os alinhamentos rectos são concordados uns aos outros, por meio
de curvas de concordância, podendo-se ainda afirmar que a directriz em planta é
composta por uma sequência de trechos rectos intercalados por trechos curvilíneos.
Os trechos rectos são chamados de tangentes e os trechos em curva são
chamados de “curvas de concordância” horizontal, que, por sua vez, podem ser
diferenciadas em curvas circular e de transição.

Perfil

Com base no perfil do terreno, o eixo da futura estrada é projectado


verticalmente e passa a ser representado pelo perfil longitudinal da diretriz ou linha
gradiente ou ainda greide como é comumente denominado.
Semelhante a planta, em perfil os trechos rectos projectados são concordados
por trechos em curvas, tornado as mudanças de inclinações suportáveis, mais suaves
e confortáveis, eliminando situações de perigo e danos aos veículos e aos usuários da
estrada.
Os trechos do greide, em função das suas inclinações, recebem as seguintes
identificações:
 Patamar – trechos retos em nível;
 Rampa ou aclive – trechos retos em subida;
 Contra-rampa ou declive – trechos rectos em descidas.

Os trechos em curva que concordam dois trechos retos são chamados de curvas de
concordância vertical.

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Perfil transversal (plataforma)

Secção transversal é a representação geométrica, no planto vertical de alguns


elementos dispostos transversalmente em determinado ponto do eixo longitudinal. A
secção transversal da via poderá ser em corte, aterro ou mista.
As secções transversais são perpendiculares ao eixo, nas estacas inteiras e
indicam a linha do terreno natural e a secção projetada na escala 1:100, com indicação
das cotas de terraplanagem proposta, a indicação dos taludes, os limites das
categorias de terreno, a faixa de domínio (no caso de rodovias), as áreas de corte e
aterro, o acabamento lateral da secção para sua adaptação ao terreno adjacente, a
largura da plataforma, a largura dos acostamentos, a largura dos estacionamentos, a
largura das calçadas e o alinhamento predial (vias urbanas)
Nas rodovias, a inclinação transversal mínima aconselhável de um pavimento
asfáltico é 2% e 1,5% no caso de pavimentos de concreto bem executados, podendo
essa inclinação ir até 5% no caso de rodovias com solo estabilizado. O mais frequente
é o uso de pistas com inclinação transversal constante para cada faixa de rolamento e
simétricas em relação ao eixo da via.

Perfil transversal

Para completar a definição geométrica da estrada, além da “directriz” e da


“rasante”, é necessário indicar também como é que ela se coloca, relativamente ao
terreno, em secções transversais sucessivos ao longo do eixo. Recorre-se, para tal,
aos “perfis transversais da estrada”, que são desenhos da intersecção de planos
verticais, normais ao eixo da estrada, com as superfícies da estrada e do terreno.

Figura 3 - Perfil transversal da estrada

Fonte: Cristina Carneiro, 2013

Os perfis transversais mostram, em cada secção, o que há a escavar e a aterrar,


o que permite o cálculo de volumes de terra a movimentar nas terraplanagens, e além
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disso, estudar vários outros problemas de projecto. O eixo do perfil transversal


pertence ao eixo da estrada e por ele passa a rasante e a directriz. Os perfis
transversais são obtidos desenhando sobre cada perfil transversal do terreno, o perfil
transversal que se pretende que a estrada tenha, com todos os seus elementos:
largura da plataforma, inclinação dos taludes de escavação e de aterro, forma e
dimensão de valetas, número e largura das vias de tráfego em cada sentido, número
de faixas de rodagem, largura e tipo de separador entre as faixas de rodagem, largura
das bermas, inclinação transversal das faixas de rodagem e das camadas e leito do
pavimento, existência e dimensões gerais de órgãos de drenagem subterrânea
longitudinais (drenos e colectores). O desenho em que todos estes elementos estão
definidos denomina-se perfil transversal-tipo ou só perfil tipo.
Alguns dos elementos referidos variam ao longo da estrada, como a inclinação
dos taludes que depende da natureza dos terrenos encontrados em cada ponto, a
inclinação transversal das camadas do pavimento que depende da existência e do
valor da sobreelevação. Os perfis transversais são desenhos em cada ponto do traçado
(normalmente em pontos afastados de 25m), o que resulta da aplicação do perfil
transversal tipo às condições específicas desse ponto. Nos perfis transversais entram
portanto as sobrelarguras e as vias adicionais que normalmente não são representadas
no perfil transversal-tipo. Os elementos que integram os perfis transversais são
portanto faixa de rodagem, bermas, valetas (se houver) e taludes.

Perfil longitudinal

Em perfil longitudinal o elemento geométrico essencial para a definição do


traçado é a rasante. A rasante é a linha definida pela intersecção de uma superfície
vertical que contém o eixo da estrada com a superfície do pavimento, e representa-se
planificada (não projectada) num plano vertical. Para relacionar a estrada com o
terreno, a rasante é sempre associada ao perfil longitudinal do terreno, que é a
intersecção do eixo da estrada com a superfície do terreno natural.

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Figura 4 - Rasante e perfil longitudinal do terreno.

Fonte: Cristina Carneiro, 2013

Perfis longitudinais

O traçado em planta de uma rodovia permite que o movimento sobre o plano


horizontal seja estabelecido, sendo compatíveis as devidas condições de segurança e
velocidade. A topografia e locais obrigados de passagem também impõem condições
no traçado.
Se a topografia é montanhosa (ou escarpada) há a necessidade de
estabelecimento de rampas mais íngremes e estabelecimento da via abaixo ou acima
da superfície natural (nas áreas de corte e aterro).
Para uma melhor análise dos fatores acima, é utilizada a representação gráfica
do perfil longitudinal, o qual corresponde ao alinhamento espacial do eixo, inscrito em
uma superfície cilíndrica vertical e aberta rebatida em um plano vertical. Sua diretriz é o
traçado em planta e suas geratrizes são as linhas verticais.
Perfis longitudinais são gráficos, onde no eixo das ordenadas (y) são
apresentadas as cotas altimétricas e, no eixo das abscissas (x) são representadas as
estacas ou distâncias horizontais correspondentes (no caminhamento do eixo da
rodovia). (A escala do eixo das ordenadas é, quase sempre, dez vezes maior que a das
abscissas).
Destes valores permitem-se obter as rampas, ou inclinações, do terreno e das
eventuais tangentes verticais que o perfil abriga.

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DN
i %= ×100
DH

DN é a diferença de nível entre dois pontos, DH é a distância horizontal entre eles.

Curvas Circulares

Os pontos principais que ajudam a definir geometricamente o traçado em planta


das curvas circulares são os pontos de tangência com o alinhamento recto, o ponto
bissectriz que se situa a meio do desenvolvimento da curva, o centro da curva e o
vértice dos alinhamentos rectos. Quanto aos elementos principais, estes são: o raio, a
tangente, a bissectriz e o desenvolvimento da curva.

Figura 5 - Desenvolvimento de uma curva

Fonte: Google
Para a definição do raio mínimo de uma curva circular, de modo que a circulação
de um veículo se verifique em condições de segurança, é necessário analisar as
condições em que aquela circulação se efectua. Quando um veículo, de um dado peso,
descreve a curva de determinado raio, a uma determina velocidade, fica submetido a
uma força centrífuga que tende a empurrá-lo para fora da estrada, em direcção ao lado
exterior da curva, ou mesmo a fazê-lo capotar. A estas tendências opõe-se a força de
atrito entre os pneus e o pavimento. Na figura seguinte observa-se o conjunto de forças
que actuam sobre o veículo, e ainda verifica-se que o pavimento considera-se inclinado
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de modo a “ajudar” o veículo a manter-se na estrada, dizendo-se que o pavimento está


sobreelevado (admite-se uma superelevação).

Escolha da curva circular

A diretriz definida até então, é composta por trechos rectos consecutivos


chamados de tangentes. Estas tangentes devem ser melhor concordadas através de
curvas, visando dar suavidade ao traço. A escolha da curva que mais se ajusta as
tangentes é feita por análise visual e tentativa.
Para estabelecer o valor aproximado do raio da curva, utiliza-se gabaritos que,
na escala adotada, representem trechos de curvas circulares de raios diversos. São
construídas de celuloides, madeira, papelão, plástico (como um jogo de réguas) ou
desenhadas em papel vegetal (círculos concêntricos ajustados por sobreposição).
A escolha é feita colocando-se os gabaritos sobre a planta de tal forma que as
curvas tangenciem os alinhamentos a concordar. Verificando, em cada interseção, qual
é o raio de curvatura que melhor atende aos objectivos do projecto, fica concluída a
operação de fixação do raio da curva.

Curvas horizontais circulares

Curva circular é a denominação corriqueira das curavas simples (um seguimento


de circunferência) de um projecto geométrico de rodovias e vias urbanas que
tecnicamente são nominadas de curva circular de concordância horizontal ou curva
circular horizontal de concordância

Curvas Horizontais Circulares Simples

As tangentes horizontais de uma estrada devem ser concordadas com


segmentos curvilíneos permitindo aos motoristas fluidez de tráfego. As curvas de tipo
simples são utilizadas para desviar-se de obstáculos que elevariam excessivamente o
custo da obra e, também, para harmonizar via e topografia do local. Segundo alguns
especialistas, é importante projetar curvas horizontais mesmo quando o traçado
poderia ser exclusivamente retilíneo, de modo a evitar o efeito hipnótico, que
acarretaria sonolência ao motorista e reduziria a segurança da via. O raio de
concordância deve, sempre que possível, ser de magnitude elevada, de modo a
suavizar o traçado. O menor raio de concordância horizontal é função da estabilidade
dos veículos (força centrípeta) e da visibilidade. A locação da curva é feita pelo ponto
de intersecção das tangentes, bem como a deflexão dos alinhamentos (diferença
azimutal).

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Figura 6 - Curva horizontal simples

Fonte: Google

Onde:
O – centro da curva t – tangente interna;
circular;
PC – ponto de começo; te – tangente externa;
PT – ponto de término; D – desenvolvimento circular;
PI – ponto de intersecção; G – grau da curva;
AC – ângulo central; ∂x – deflexão em extensão
Rc – raio horizontal; x (o símbolo ∂ sozinho indica deflexão na curva)

Grau da curva é o ângulo com centro em O que apresenta comprimento de uma


estaca, 20 m.
Deflexão na extensão 20m é o ângulo entre a tangente de um ponto na curva e o
alinhamento com o ponto sobre a curva a 20m.

Pontos e elementos da curva circular

Procede-se o traçado da curva no sentido crescente do estaqueamento, os


pontos e elementos de uma curva circular podem ser definidos e codificados.

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Superelevação

Os veículos em movimento curvilíneo são submetidos à ação de forças


transversais que correspondem à força centrífuga. Para equilibrar esta solicitação, além
da força de atrito entre o pneu e a pista, utiliza-se o artifício de se executar uma
inclinação transversal da pista, com caimento para o lado interno da curva, denominada
superelevação, de maneira que a força peso do veículo tenha uma componente na
mesma direção e em sentido contrário à referida força centrífuga.
Se aumentarmos o raio da curva a força centrífuga diminui, sendo possível o
equilíbrio unicamente com o atrito transversal, dispensando a superelevação.
O desenvolvimento gradativo da superelevação (inclinação crescente) deve se
dar ao longo do trecho da curva de transição, de forma que ao se iniciar o trecho da
curva circular a inclinação transversal já seja a desejada.
São fatores que influenciam o comprimento do trecho de transição:
a) Velocidade de giro da pista em torno do eixo de rotação;
b) Aparência visual e estética do alinhamento;
c) Intervalo de tempo em que ocorre o aumento da aceleração centrífuga entre a
seção normal em tangente e a situação em curva circular.

Necessidade da superelevação

A mudança de trajetória dos veículos rodoviários, em curvas, é conseguida pela


atuação de uma força, de forma a alterar sua trajetória inicial. São formas de introdução
da força necessária à alteração da trajetória, as quais atuam isolada ou
simultaneamente:
a) Proporcionar à pista de rolamento declividade transversal com caimento
orientado para o centro da curva;
b) Giro das rodas direcionais do veículo, tornando-se oblíquas ao eixo longitudinal
do veículo, porém sempre tangentes a cada ponto da trajetória.

Em trajetória curvilínea, a resultante das forças que atuam sobre o veículo pode
ser decomposta em duas componentes, tangencial e transversal à trajetória. Esta
última é a responsável pela mudança de direção.

Equilíbrio de forças com atrito transversal

Ao trafegar à Velocidade Ótima (velocidade de equilíbrio sem atrito), para uma


determinada combinação de raio e superelevação, o veículo ajusta-se
espontaneamente à trajetória circular, sem requerer esforços no volante. Estes se
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tornam necessários, quando a velocidade não for a Velocidade Ótima, para


desenvolver um atrito transversal entre pneu e pista e contribuir para manter o veículo
na trajetória curva desejada. Quando a velocidade for inferior à Velocidade Ótima, para
manter o veículo na trajetória desejada é necessário exercer um esforço sobre o
volante para o lado externo (oposto ao centro) da curva, quando for superior, o esforço
é efetuado para o lado interno. A situação de equilíbrio de forças atuantes sobre o
veículo que então ocorre é expressa pela relação a seguir:

Figura 7 - Esquematização de forças em um veiculo em adamento

Fonte: Cristina Carneiro, 2013

Para não ocorrer deslizamento é necessário garantir que as forças que


provocam o deslizamento sejam menores que as forças que o tendem a evitar. Define-
se então um valor para o raio mínimo de uma curva circular de modo a que não haja
derrubamento de um veículo que circula a determinada velocidade num pavimento com
superelevação, SE. De acordo com as normas da EP (JAE, 1994), os valores mínimos
absolutos dos raios indicados nas normas de traçado são fixados considerando o valor
máximo de coeficiente de atrito transversal para a velocidade base e sobreelevação
máxima (7%).
Para que o traçado fique completamente definido no que diz respeito às
dimensões da secção transversal da estrada, há ainda que considerar nas curvas a
utilização de uma largura adicional. Um veículo ao descrever uma curva precisa
lateralmente de mais espaço do que em alinhamento recto, já que as trajectórias das
rodas da frente não coincidem com as das rodas traseiras, o que está esquematizado
na seguinte figura.

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Figura 8 - Curva circular

Fonte: Google

Para raios de curva circulares superiores a 200 metros, as normas da EP (JAE,


1994) indicam que é dispensado o uso de sobrelargura. Esta, quando indispensável, é
introduzida em projecto do lado do intradorso das curvas (mantendo a directriz de
cálculo).

Taxas limites admissíveis para a superelevação

As taxas de superelevação máxima e mínima admissível nos projetos


rodoviários estão compreendidas entre limites condicionados por motivos de ordem
técnica e prática.

Taxa mínima de superelevação admissível

A seção transversal da pista em tangente, para possibilitar a drenagem das


águas pluviais, é dotada de declividade transversal, seja em um único sentido (seção
com caimento único), seja em dois sentidos, a partir da crista (seção abaulada).
Pelo mesmo motivo, por considerações de coerência, a declividade transversal
mínima de uma pista super elevada será igual à declividade transversal da pista em
tangente, mesmo sendo superior ao efetivamente necessário, tendo em vista apenas o
valor do raio da curva e da velocidade, ou seja, e mid=dt

onde:
emin = taxa mínima de superelevação admissível
dt = declividade transversal da pista em tangente

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Perfil topográfico

Definição

É uma representação ortográfica nos planos cartesianos de um corte vertical do


terreno segundo uma direção de um corte previamente escolhido do terreno que é
obtido cortando transversalmente as linhas de um mapa topográfico, de tal forma que
seja possível representar intuitivamente os desníveis de certos tipos de rocha e
também o perfil antiquado. Essa direção deve ter em conta que a linha que traçamos
no mapa deve ser o mais perpendicular possível às curvas de nível.
Cada linha de contorno pode ser definida como uma linha fechada que une
pontos de alívio a uma altura igual acima do nível do mar e é necessário saber as
altitudes de certo número de pontos e a distância entre os mesmos.
O perfil topográfico de um terreno é determinado pelo geólogo, que geralmente é
tratado como engenheiro agrimensor que vai delimitar onde serão perfuradas as
sondas.

Aplicações

Uma das aplicações mais importantes de perfis ou seções verticais é na


construção de obras de grande comprimento e largura curta, por exemplo, estradas ou
rodovias, esgotos, tubulações, etc.
Às vezes, perfis topográficos aparecem em mapas impressos, como os
projetados para rotas de navegação, escavações e especialmente para mapas
geológicos, onde são usados para mostrar a estrutura interna das rochas que povoam
um território.
Pessoas que estudam recursos naturais, como geólogos, geomorfólogos,
cientistas do solo e estudiosos da vegetação, entre outros, criam perfis para observar a
relação dos recursos naturais com as mudanças na topografia e analisar inúmeros
problemas.
Também é usado na delimitação de áreas; na construção de estradas, edifícios,
barragens; urbanização, saneamento e loteamentos; construção de canais de irrigação,
pontes, túneis, viadutos; planeamento de linhas de transmissão e eletrificação, etc.

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Procedimento de Construção

A construção de perfis topográficos é uma prática muito útil para entender o que
os mapas topográficos representam. Os perfis topográficos não servem apenas para
entender mapas topográficos, mas também para observar a relação dos recursos
naturais com as alterações topográficas e analise numerosos problemas.
É importante indicar na planta topográfica o norte verdadeiro, para que seja
possível calcular o azimute verdadeiro, de tal forma que seja possível orientar todas as
projeções na direções N (norte) e E (leste ou oeste)
A precisão do procedimento é indicado pela inter-relação com a distância a ser
precisada. Em levantamentos rodoviários a exata determinação das tensões principais
em rochas (vide círculo de Mohr) irá determinar de forma conjuntural o posicionamento
das estações (totais ou não) para que não haja deslocamentos do posicionamento do
aparelho por causa de falhas repentinas do terreno, ou seja, rutura da rocha sã.

Figura 9 - Carta topo

Autor: Venturi, 2005


A construção de um perfil topográfico compreende as seguintes etapas:
 Sobre o mapa topográfico traça uma reta azimutal, que corresponde à
secção transversal, cujo perfil pretendemos construir;
 Orienta sobre o mapa uma folha de papel milimétrico ou quadriculado de
maneira que o eixo horizontal sobre o qual se vai construir o perfil seja
paralelo à linha reta que traçaste no mapa;
 Projeta-se sobre o eixo horizontal a intersecção de cada curva de nível
com a linha reta, tendo em conta a cota de altitude correspondente;

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 Com cinco ou seis retas fecha-se a poligonal (numa poligonal pequena) e


representa-se o lugar onde será representado o corte;
 Traça um eixo vertical, que representa a altitude ou cotas;
 Recorrendo ao eixo vertical localiza e marca o valor de cada curva de
nível projetada;
 Depois de marcados todos os pontos correspondentes às curvas de nível
projetadas, unem-se dando origem a um perfil topográfico.

Cuidados

 Partir da altitude exata em qualquer extremidade;


 Distinguir entre descidas e subidas, quando existem duas curvas
sucessivas de igual valor;
 Desenhar precisamente os contornos dos picos (se pontiagudos, se
achatados);
 Copiar em papel vegetal, evitando-se o quadriculado inútil, pois as únicas
linhas que devem aparecer são as horizontais, que se referem à escala
vertical.

Exagero vertical

É a relação entre as escalas horizontal e vertical.


Exagero = Escala Vertical/Escala horizontal

Exemplo:

Se a escala horizontal é 1:50.000 e a vertical é 1:10.000, o exagero é igual a 5


vezes.
EXAGERO = (1/10.000) / (1/50.000) = 50.000/10.000 = 5
Se usamos a mesma escala nos dois eixos, obtemos perfis que são quase
linhas retas horizontais. Neles, é difícil perceber as variações de altitude e as formas do
relevo. Por isso Se usa a Escala Vertical maior que a Horizontal: dividindo-se as
distâncias verticais (desníveis) um menor número de vezes, ressalta-se as variações
de altitudes.

Desnível Máximo do Altura dos Segmentos Escala Vertical Exagero


Terreno (m) da Escala (cm) de Altitudes Vertical (vezes)
100 1 1: 10000 5
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200 1 1: 20000 2,5


500 2 1: 25000 2
1000 4 1: 25000 2
2000 5 1: 40000 1,25
Autor: wikipedia
Bloco-Diagrama

É uma representação cartográfica de fácil visualização, podendo-se observar ao


mesmo tempo a topografia e as camadas geológicas à medida que apresenta a
superfície terrestre sob a forma de perspetiva. Como demonstra uma parte da crosta
terrestre, tem a vantagem de poder representar a parte estrutural da crosta
correspondente deste bloco.

Figura 10 - Bloco diagonal

Autor: Google

Curva de nível e perfil topográfico

Curva de nível é uma linha imaginária do terreno, que une pontos da mesma
altitude.
As curvas de nível permitem-nos construir perfis topográficos, os quais nos dão
uma imagem do relevo a duas dimensões (altitude – y; distância- -x).
Curvas de nível muito juntas indicam terreno muito íngreme, abrupto;
afastamento de uma para a outra indica região de pouco declive.
Geralmente a linha que traçamos no mapa deve ser o mais perpendicular
possível às curvas de nível.
As curvas de nível jamais se cruzam, pois em toda a sua extensão cada linha
contém o mesmo valor de, altitude e é equidistante das linhas sucessivas ou
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imediatamente vizinhas, já que o corte horizontal no relevo terrestre, a partir da


superfície de referência (nível zero), é feito em altitudes equidistantes. Essa condição,
de caráter geométrico, confere à curva de nível sua grande validade para fins carto
métricos e a constitui na melhor forma de representação do relevo.
Duas curvas de nível não podem se tocar ou se cruzar, caso isso ocorra, será
resultado de um efeito visual, uma vez que na verdade uma curva passa por baixo da
outra, e deve ser representada com uma linha tracejada ou pontilhada;
Uma curva de nível sempre tem um fim, seja fechando-se em si mesma, dentro
ou fora dos limites do papel;
Uma curva de nível não pode bifurcar-se;
Terrenos planos apresentam curvas de nível mais espaçadas; em terrenos
acidentados as curvas de nível encontram-se mais próximas umas das outras.
Observe o esquema dessa construção:

Figura 11 - Representação gráfica de uma curva de nível

Autor: Google

O caminho inverso também pode ser feito, isto é, a partir das curvas de nível e
dos sinais indicados, o relevo que está representado no plano horizontal pode ser
reconstruído no vertical. Teremos assim outra importante forma de interpretação do
relevo: os perfis topográficos.
Os perfis, resultantes de uma linha que corta as curvas de nível no plano
horizontal, reconstituem a vista lateral do terreno, permitindo reconhecer corretamente
sua superfície acidentada.

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Observe, por exemplo, os acidentes naturais denominados Pão de Açúcar e


Morro da Urca, no Rio de Janeiro, representados através de diversos métodos: perfil
topográfico e curvas de nível.

Figura 12 - Curvas de niveis

Autor: Google

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Conclusão

O estudo, ainda no papel, sobre a implantação do eixo de uma estrada no terreno


incluindo curvas circulares deve ser realizada sempre que pretender-se contruir uma
via de comunicação (estrada) para que possamos nos dirigir ao terreno com perfeitas
noções do que deverá ser feito para a exucução do projecto, à semelhana de um
projecto qualquer de Engenharia.
O perfil topográfico é a uma das melhores forma de representação do terreno. Com
a ajuda das curvas de nível podemos ter a perfeita noção das condições do terreno no
que concerne às inclinações e altitudes presentes no terreno.

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Bibliografia

1. PEREIRA, Djalma – Projecto geométrico de rodovias, 2010.


2. MACEDO, Edivaldo Lins – Noções de topografia para projectos rodoviários,
2008.
3. CARNEIRO, Cristina – traçado de arruamento na envolvente do novo centro
escolar de vila nova de Paiva, 2013
4. Granell-pérez, 2004
5. Venturi, 2005
6. Oliveira, 1988

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