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Prefeitura Municipal de Salvador do Estado da Bahia

SALVADOR-BA
Professor de Geografia

AB040-19
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OBRA

Prefeitura Municipal de Salvador do Estado da Bahia

Professor de Geografia

EDITAL N° 002, DE 29 DE MARÇO DE 2019

AUTORES
Conhecimentos Específicos - Profª Silvana Guimarães

PRODUÇÃO EDITORIAL/REVISÃO
Elaine Cristina
Érica Duarte
Leando Filho
Karina Fávaro

DIAGRAMAÇÃO
Elaine Cristina
Thais Regis
Danna Silva

CAPA
Joel Ferreira dos Santos

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ÍNDICE

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

As principais correntes do pensamento geográfico e a geografia contemporânea. O objeto do estudo da geografia.


O ensino da geografia no Ensino Fundamental e no Ensino Médio. A representação do espaço geográfico. As esca-
las geográficas de análise.................................................................................................................................................................................... 01
O espaço e a natureza. As diferentes relações do quadro natural. O quadro geomorfológico da Terra e os grandes
espaços climato-botânicos. A relação natureza/sociedade: a natureza e seu significado dentro da questão ambiental
hoje. A distribuição dos recursos naturais e seu aproveitamento econômico. A ação do homem nos principais do-
mínios naturais: equilíbrio/desequilíbrio dos ecossistemas.................................................................................................................... 05
O homem e a ocupação do espaço. A distribuição da população no mundo. As teorias demográficas. Movimentos
migratórios na atualidade. Conflitos populacionais e a explosão urbana. ...................................................................................... 23
As atividades econômicas no mundo contemporâneo. O processo de industrialização até a sociedade contemporâ-
nea. Industrialização nos países centrais e periféricos. A divisão internacional do trabalho. A construção do espaço
urbano e a relação campo/cidade. O meio técnico-científico. Os fenômenos da metropolização e da desmetropo-
lização. Características dos grandes espaços agrários do mundo atual. A circulação do capital, das mercadorias, e
da informação. ......................................................................................................................................................................................................... 29
O processo de formação da nova ordem internacional. A globalização/fragmentação do espaço e desterritorializa-
ção. A revolução técnico-científica e suas consequências para a formação da ordem mundial. O sistema-mundo: as
transnacionais no processo de globalização. Novos blocos geopolíticos e econômicos. O espaço mundial da po-
breza. ......................................................................................................................................................................................................................... 45
As transformações sócio-econômicas no mundo atual. Os grandes conjuntos regionais e suas implicações mundiais.
A Ásia, o Leste Europeu, a Comunidade Européia, a África atua, a China e suas transformações econômicas, o Oriente
Médio, sua importância estratégica e seus conflitos. A América Latina e o Mercosul. O papel dos Estados Unidos
no mundo atual........................................................................................................................................................................................................ 52
A organização do espaço brasileiro. A integração na economia mundial. A industrialização brasileira. As relações
urbano/industrial e os problemas sociais e ambientais. O quadro agrário: as relações de produção e estrutura fun-
diária; a agricultura familiar e o agronegócio, conflitos pela terra; os espaços agrários. A estrutura da população
brasileira; o processo histórico de ocupação e os movimentos migratórios. As tendências da urbanização brasileira
no final do século XX e início do século XXI; rede e hierarquia urbana; segregação socioespacial. A reorganização
do espaço brasileiro: as questões regionais e a divisão regional do trabalho. A circulação no espaço brasileiro: a
rede de transportes e de comunicação. O Nordeste no contexto sócio-econômico nacional. Organização do espaço
no Município de Salvador..................................................................................................................................................................................... 66
Os Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino da Geografia...................................................................................................... 85
AS PRINCIPAIS CORRENTES DO PENSAMENTO GEOGRÁFICO E A GEOGRAFIA CONTEMPORÂ-
NEA. O OBJETO DO ESTUDO DA GEOGRAFIA. O ENSINO DA GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDA-
MENTAL E NO ENSINO MÉDIO. A REPRESENTAÇÃO DO ESPAÇO GEOGRÁFICO. AS ESCALAS
GEOGRÁFICAS DE ANÁLISE.

A geografia é uma ciência que tem por objetivo o estudo da superfície terrestre e a distribuição espacial de fenô-
menos significativos na paisagem. Também estuda a relação recíproca entre o homem e o meio ambiente (Geografia
Humana). Obs. Atualmente não existe mais essa separação de Geografia Física e Geografia Humana, pois uma depende
da outra, uma não existe se a outra não existir, é algo inseparável.

CORRENTES GEOGRÁFICAS
• Determinismo
Teoria formulada no século XIX pelo geógrafo alemão Friedrich Ratzel que fala das influências que as condições na-
turais exerceriam sobre o ser humano, sustentando a tese de que o meio natural determinaria o homem. Nesse sentido,
os homens procurariam organizar o espaço para garantir a manutenção da vida.
O maior sinal de perca de uma sociedade seria a perda do território.
As afirmações de Ratzel estavam fortemente ligadas ao momento histórico que vivia, durante a unificação da alemã.
O expansionismo do Império Alemão, arquitetado pelo primeiro-ministro da Prússia Otto von Bismarck (1815-1898),
foi legitimado pelas duas principais correntes de pensamento ratzeliano, o determinismo geográfico e o espaço vital
(espaço necessário à sobrevivência de uma dada comunidade). A primeira explicaria a superioridade de algumas raças
- nesse caso, a alemã -, que naturalmente se desenvolveriam mais do que outras, e a segunda justificaria a conquista
de novos territórios para suprir a maior demanda de recursos para seu desenvolvimento, ou seja, ou expansionismo.
Os discípulos do determinismo foram além das proposições ratzelianas, chegando a afirmar que o homem seria
um produto do meio. Defendiam que um meio natural mais hostil proporcionaria um maior nível de desenvolvimento
ao exigir um alto grau de organização social para suportar todas as contrariedades impostas pelo meio. Ex: O inverno
justificaria o desenvolvimento das sociedades europeias, que não tiveram grandes dificuldades em subjugar os povos
tropicais, mais indolentes e atrasados. Essa ideia justificou o expansionismo neocolonial na África e na Ásia entre o fim
do século XIX e o início do século XX. Pensamentos que, mais tarde, foram aproveitadas pelos cientistas e políticos da
Alemanha Nazista.

• Possibilismo Geográfico
Teve origem na França, com Paul Vidal de la Blache.
Enquadrado no pensamento político dominante, num momento em que a França tornou-se uma grande soberania,
ele realizou estudos regionais procurando provar que a natureza exercia influências sobre o homem, mas que homem
tinha possibilidades de modificar e de melhorar o meio, dando origem ao possibilismo.
A natureza passou a ser considerada fornecedora de possibilidades e o homem o principal agente geográfico.

• Geografia Regional ou Método Regional


Representou a reafirmação de que os aspectos próprios da Geografia eram o espaço e os lugares.
O método era comparar regiões, segundo critérios de similaridade e diferenciação.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


Os geógrafos regionais dedicaram-se à coleta de informações descritivas sobre lugares, dividir a Terra em regiões.
As bases filosóficas foram desenvolvidas por Vidal de La Blache e Richard Hartshorne. Hartshorne não utilizava o
termo região: para ele os espaços eram divididos em classes de área, nas quais os elementos mais homogêneos deter-
minariam cada classe, e assim as descontinuidades destes trariam as divisões das áreas. Este pensamento geográfico
ficou conhecido como método regional.

• Geografia Pragmática (Nova Geografia, Geografia Teorética ou Quantitativa)


Corrente de pensamento da década de 1950 que surgiu da necessidade de exatidão, através de conceitos mais
teóricos e apoiados em uma explicação matemático-estatística.
As principais características dessa corrente geográfica são:
- Todo o conhecimento apoia-se na experiência (empirismo);
- Deve existir uma linguagem comum entre todas as ciências;
- Recusa de um dualismo científico entre as ciências naturais e as ciências sociais;
- Maior rigor na aplicação da metodologia científica;
- O uso de técnicas estatísticas e matemáticas;
- A investigação científica e os seus resultados devem ser expressos de uma forma clara, o que exige o uso da lin-
guagem matemática e da lógica.

Foi usada como um forte instrumento de poder estatal, pois manipulava dados através de resultados estatísticos.
Predominou na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos, principalmente na década de 1960 a meados de 1970. A partir
da década de 1960, a Geografia Pragmática começou a sofrer duras críticas. Uma das principais críticas é o fato de

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não considerar as peculiaridades dos fenômenos, pois o O espaço envolve um complexo de ideias. A per-
método matemático explica o que acontece em deter- cepção visual, o tato, o movimento e o pensamento se
minados momentos, mas não explica os intervalos entre combinam para dar o sentido característico de espaço,
eles, além de apresentar dados considerando o “todo” de possibilitando a capacidade para reconhecer e estruturar
forma homogênea, desconsiderando, portanto, as parti- a disposição dos objetos.
cularidades. A integração espacial faz-se mais pela dimensão afe-
tiva que pela métrica. Estar junto, estar próximo, significa
• Geografia Crítica ou Geografia Marxista o relacionamento afetivo com outra pessoa ou com ou-
A expressão Geografia Crítica foi criada na obra “A tro lugar. Lugares e pessoas fisicamente distantes podem
Geografia - isso serve, em primeiro lugar, para fazer a estar afetivamente muito próximos.
guerra”, de Yves Lacoste. O estudo do espaço é a análise dos sentimentos e
Essa corrente de pensamento geográfico surgiu na ideias espaciais das pessoas e grupos de pessoas. Valori-
França, em 1970, e depois na Alemanha, Brasil, Itália, Es- za-se o contexto ambiental e os aspectos que redundam
panha, Suíça, México e outros países. no encanto e na magia dos lugares, na sua personalidade
Ganhou mais força na Alemanha, Espanha, França e e distinção.
Brasil, com um grande movimento de renovação da geo-
grafia na década de 80. • Geografia Ambiental
No Brasil, o grande nome da Geografia Crítica foi Mil- Ramo da geografia que descreve os aspectos espa-
ton Santos, que publicou os primeiros trabalhos da nova ciais da interação entre humanos e o mundo natural.
escola nesse país. Requer o entendimento dos aspectos tradicionais da
A Geografia crítica estabelece o rompimento da neu- geografia física e humana, assim como os modos que as
tralidade no estudo da geografia e propõe engajamento sociedades conceitualizam o ambiente.
e criticidade junto a toda a conjuntura social, econômi- Emergiu como um ponto de ligação entre a geografia
ca e política do mundo. Estabelece também uma leitura física e humana como resultado do aumento da especia-
crítica frente aos problemas e interesses que envolvem lização destes dois campos de estudo.
as relações de poder e pró-atividade frente as causas Como a relação do homem com o ambiente tem
sociais, defendendo a diminuição das disparidades só-
mudado em consequência da globalização e mudança
cio-econômicas e diferenças regionais. Defendia ainda a
tecnológica, uma nova aproximação é necessária para
mudança do ensino da geografia nas escolas, ao estabe-
entender esta relação dinâmica e mutável.
lecer uma educação que estimulasse a inteligência e o
Exemplos de áreas de pesquisa em geografia am-
espírito crítico.
biental incluem administração de emergência, gestão
O pensamento crítico na geografia significou, princi-
ambiental, sustentabilidade e ecologia política.
palmente, uma aproximação com os movimentos sociais,
principalmente na busca da ampliação dos direitos civis
e sociais, como o acesso a educação de boa qualidade, a A importância da Geografia no Ensino Fundamen-
moradia, pelo acesso à terra, o combate à pobreza, entre tal e Médio
outras temáticas. Está vinculada a formação do aluno, é ferramenta fun-
damental para ajudá-lo a entender a realidade do mundo
• Geografia Humanística ou Cultural em que vive interpretar, as relações entre a sociedade e o
Tem como base os trabalhos realizados por Yi-Fu meio físico, demonstrar como uma cidade, estado, região
Tuan, Anne Buttimer, Edward Relph e Mercer e Powell. ou país, chegou a ter aquela paisagem e realidade.
A Geografia Humanística ou Cultural os termos se “Esta disciplina sempre pretendeu construir-se como
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

equivalem, procura valorizar a experiência do indivíduo uma descrição da Terra, de seus habitantes e das relações
ou grupo, visando um meio para compreender o com- entre si e das obras resultantes, o que inclui toda ação
portamento e as maneiras de sentir das pessoas em humana sobre o planeta.” (Santos,p.18)
relação aos seus lugares, ou seja, a cultura dos grupos É importante que o professor de Geografia, utilize a
sociais. realidade, em que está localizada a escola, para ensinar
Para cada indivíduo, para cada grupo humano, existe o solo, a vegetação, a hidrografia, o clima, e todos os
uma visão diferente do mundo, ou seja, cada grupo tem fatores físicos, do local.
seu ponto de vista, criticando ou elogiando as condições A história da região, a formação populacional, a for-
ambientais que por sua vez se expressa através das suas mação cultural, sócio econômico e política, são fatores a
atitudes e valores para com o ambiente. É o contexto serem estudados com os alunos, para que juntos, pro-
pelo qual a pessoa valoriza e organiza o seu espaço e o fessor e alunos, possam chegar a conclusões sobre a sua
seu mundo, e nele se relaciona. realidade geográfica.
Os geógrafos culturais argumentam que sua aborda- A Geografia, assim como a História, a Filosofia e a
gem merece o rótulo de “humanística”, pois estudam os Sociologia são ciências, formadoras de opinião, muito
aspectos do homem que são mais distintamente huma- importantes para ensinar o aluno a pensar, e a conhecer
nos: significações, valores, metas e propósitos (Entrikin, melhor os diversos tipos de discursos e seus interesses.
1976). A geografia como ciência social, tem a preocupação
O lugar é aquele em que o indivíduo se encontra am- de entender o espaço em sua dimensão social de cons-
bientado no qual está integrado, tem significância afetiva trução. Nesse sentido, o papel da geografia escolar é de
para uma pessoa ou grupo de pessoas. pensar este espaço com o aluno.

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“Poucos países, no mundo moderno, possuem Na pré-história, a Cartografia era usada para delimitar
problemas educacionais tão graves como o Brasil” territórios de caça e pesca. Na Babilônia, os mapas do
(Fernandes, p.192) mundo eram impressos em madeira, mas foram Eratos-
A sociedade, dispondo cada vez mais de capital e thenes de Cirene e Hiparco (século III a.C.) que construí-
tecnologia, modifica o espaço natural, criando o espaço ram as bases da cartografia moderna, usando um glo-
próprio que lhe interessam, as inspirações da sociedade bo como forma e um sistema de longitudes e latitudes.
variam conforme os recursos e a força de que dispõem. Ptolomeu desenhava os mapas em papel com o mundo
“... o fim da educação é desenvolver, em cada in- dentro de um círculo.
divíduo, toda a perfeição de que ele seja capaz.” Com a era dos descobrimentos, os dados coletados
(Kant, p.35) durante as viagens tornaram os mapas mais exatos. Após
Portanto, a Geografia serve para ajudar o discente a a descoberta do novo mundo, a cartografia começou a
desvendar o mundo pelo método de análise e investiga- trabalhar com projeções de superfícies curvas em im-
ção procurando formar um cidadão participativo, levan- pressões planas.
do a conhecer a organização do espaço local, nacional e
mundial, bem como as inter-relações , enfim entender a
sociedade como um todo, despertando a sua verdadei- FIQUE ATENTO!
ra cidadania e necessidade de conquista de seu próprio
Os Mapas são desenhos que representam
espaço, capaz de transformar e usufruir os benefícios da
qualquer região do planeta, de maneira re-
natureza e a preservando.
duzida, simplificada e em superfície plana.
Cartografia
A cartografia é a ciência da representação gráfica do Os mapas são feitos por pessoas especializadas, os
espaço geográfico, tendo como produto final o mapa. Cartógrafos. A Ciência que estuda os mapas e cuida de
Ou seja, é a ciência que trata da concepção, produ- sua confecção chama-se Cartografia. Vários mapas po-
ção, difusão, utilização e estudo dos mapas.
dem ser agrupados em um livro, que recebe o nome de
Na cartografia, as representações de área podem ser
Atlas.
acompanhadas de diversas informações, como símbolos,
Todos os mapas possuem símbolos, que são chama-
cores, entre outros elementos. A cartografia é essencial
dos de Convenções Cartográficas. Alguns são usados
para o ensino da Geografia e tornou-se muito importan-
no mundo todo, em todos os países: são internacionais.
te na educação contemporânea, tanto para as pessoas
Por isso, não podem ser modificados.
atenderem às necessidades do seu cotidiano quanto
Os símbolos usados são colocados junto ao mapa
para estudarem o ambiente em que vivem.
e constituem a sua Legenda. Normalmente, a legenda
aparece num dos cantos inferiores do mapa.
As Escalas indicam quantas vezes o tamanho real do
lugar representado foi reduzido. Essa indicação pode ser
feita de duas formas: por meio da escala numérica ou da
gráfica. As escalas geralmente aparecem num dos cantos
inferiores do mapa.

Tipos de Mapa - para compreendermos o que se


passa na superfície da Terra existem diferentes tipos de

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


mapas:
- Mapas Políticos – mostram os continentes, um país,
estados e municípios, limites, capitais e cidades impor-
tantes;
- Mapas Físicos – representam um ou alguns elemen-
O surgimento tos naturais. Podem ser de relevo, hidrografia, clima, ve-
Os primeiros mapas foram traçados no século VI a.C. getação, etc;
pelos gregos que, em função de suas expedições milita- - Mapas Econômicos – apresentam as riquezas de
res e de navegação, criaram o principal centro de conhe- uma região (agricultura, indústrias, etc);
cimento geográfico do mundo ocidental. - Mapas Demográficos – mostra a distribuição de
O mais antigo mapa já encontrado foi confeccionado pessoas que vivem em um continente, país, estado, ci-
na Suméria, em uma pequena tábua de argila, represen- dade etc.
tando um Estado. A confecção de um mapa normalmen-
te começa a partir da redução da superfície da Terra em Hoje em dia, a cartografia é feita por meios moder-
seu tamanho. Em mapas que figuram a Terra por inteiro nos, como as fotografias aéreas (realizadas por aviões,
em pequena escala, o globo se apresenta como a única drones) e o sensoriamento remoto por satélite.
maneira de representação exata. Além disso, com os recursos dos computadores, os
A transformação de uma superfície esférica em uma geógrafos podem obter maior precisão nos cálculos,
superfície plana recebe a denominação de projeção car- criando mapas que chegam a ter precisão de até 1 metro.
tográfica. As fotografias aéreas são feitas de maneira que, sobre-

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pondo-se duas imagens do mesmo lugar, obtém-se a impressão de uma só imagem em relevo. Assim, representam-se
os detalhes da superfície do solo.
Depois, o topógrafo completa o trabalho sobre o terreno, revelando os detalhes pouco visíveis nas fotografias.
Escala – é a proporção entre a área real e a sua representação em um mapa. Geralmente, aparece designada nos
próprios mapas na forma numérica e/ou na forma gráfica.
Na elaboração de um produto cartográfico observamos dois problemas importantes: 1º) a necessidade de reduzir
as proporções dos acidentes existentes, a fim de tornar possível a sua representação num espaço limitado - esta ideia
é a escala, concebida a partir da proporção requisitada pela representação dos fenômenos e; 2º) determinados aci-
dentes, dependendo da escala, não permitem uma redução acentuada, pois se tornariam imperceptíveis, mas como
são importantes devem ser representados nos documentos cartográficos. Por isto, no caso de mudança de escala de
trabalho, poderá acontecer uma modificação na forma de representar o objeto, ou seja, a cada momento em que a es-
cala for aumentando, acontecerá a aproximação do objeto, aumentando o seu tamanho, acontecendo ao contrário, na
diminuição da escala, o distanciamento do objeto, o que, consequentemente, modificará sua representação (Figura 4).
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Figura 4. Relação entre a mudança de escala e representação espacial dos objetos. Fonte: o autor
com base em Silva (2001) e Cruz e Menezes (2009)

A figura 4 (A) mostra a representação de um objeto em uma grande escala – destacando o bairro de Nazaré, em
Belém do Pará, na qual se pode perceber as quadras do bairro (polígonos) e seus confinantes. Numa escala menor
vê-se o município (4 B), depois o estado no território nacional (4 C) e a localização global (4 D), na qual as quadras e os
limites políticos administrativos dos municípios desaparecem, e os estados são imperceptíveis. Nessa redução drástica
da escala, as quadras, os municípios brasileiros e até certos estados são representados por pontos, uma vez que não se
pode perceber a área desses objetos.
E para identificar essa relação a escala pode ser definida como escala numérica, na forma de fração, cujo denomi-
nador lhe determina, ou como escala gráfica, definida por um seguimento de reta fracionado e usado de acordo com
a unidade de medida admitida para a representação (metro, quilômetro ou outras).

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Figura 5. Escala numérica e gráfica. Fonte: http://migre.me/aijJK (adaptado
pelo autor)
 
Com isto se pode entender a escala como uma relação entre grandezas e é neste caso que a relação entre as me-
didas dos objetos ou áreas da região representada no espaço cartografado (numa folha de papel ou na tela de um
monitor, por exemplo) e suas medidas reais define a maior ou menor resolução espacial do objeto (visibilidade).

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (CESPE/2016 – INSTITUTO RIO BRANCO) No que diz respeito às principais correntes metodológicas da Ge-
ografia e sua aplicação, julgue (C ou E) o item seguinte. A Geografia Crítica, ao debater a questão da produção
econômica do espaço, reconhece a importância dos agentes hegemônicos do capital na minimização das disparidades
urbanas.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: “Errado”
Essa corrente tem como principal objeto de estudo o homem e, seu foco é o de transformar estrutura social em
busca de minimizar as disparidades sociais, dessa forma, não é possível afirmar que essa teoria considere a impor-
tância dos agentes hegemônicos nesse processo, considerando que esses visam a acumulação de capital, ampliando
progressivamente as disparidades.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


O ESPAÇO E A NATUREZA. AS DIFERENTES RELAÇÕES DO QUADRO NATURAL. O QUADRO
GEOMORFOLÓGICO DA TERRA E OS GRANDES ESPAÇOS CLIMATO-BOTÂNICOS. A RELAÇÃO
NATUREZA/SOCIEDADE: A NATUREZA E SEU SIGNIFICADO DENTRO DA QUESTÃO AMBIEN-
TAL HOJE. A DISTRIBUIÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS E SEU APROVEITAMENTO ECONÔ-
MICO. A AÇÃO DO HOMEM NOS PRINCIPAIS DOMÍNIOS NATURAIS: EQUILÍBRIO/DESEQUI-
LÍBRIO DOS ECOSSISTEMAS.

Atualmente a Geografia é considerada como a ciência que estuda o espaço geográfico através das relações criadas
entre o homem e o meio que ele vive, analisando a dinâmica dessa relação e a forma como ela interfere no espaço
geográfico, contribuindo assim, para que a sociedade encontre a melhor forma de conviver no meio, fazendo uso do
que ele lhe oferece sem necessariamente agredi-lo.
Dessa forma, a Geografia diferencia-se das demais ciências, pois, seu estudo se dá em categorias, tais como: lugar,
paisagem, território e região.

ESPAÇO GEOGRÁFICO
Aquele que foi modificado pelo homem ao longo da história. Que contém um passado histórico e foi transformado
pela organização social, técnica e econômica daqueles que habitaram ou habitam os diferentes lugares (“o espaço
geográfico é o palco das realizações humanas”).

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ESPAÇO E TEMPO A climatologia tradicional está pautada com as des-
São as unidades geográficas que condicionam as for- crições dos padrões de distribuição temporal e espacial
mas e os processos de apropriação dos territórios. dos elementos do tempo, e se utiliza dos seguintes ele-
mentos: temperatura, precipitação, ventos, nebulosida-
SOCIEDADE de, latitude, altitude, relevo, maritimidade, continentali-
Consideradas as relações permeadas pelo poder, a dade, correntes marítimas quentes e frias, massas de ar,
sociedade apropria-se dos territórios e define as orga- entre outros.
nizações do espaço geográfico em suas diferentes mani- Para compreender melhor é necessário entender as
festações: território, região, lugar entre outros. definições de clima e tempo, de Ayoade, 1996, que diz
que “Por tempo (weather) nós entendemos o estado
LUGAR médio da atmosfera numa dada porção de tempo e em
Manifestação das identidades dos grupos sociais e determinado lugar. Por outro lado, clima é a síntese do
das pessoas. Noção de pertencimento a certos territórios. tempo num dado lugar durante um período de aproxi-
madamente 30-35 anos. (...). O clima abrange um maior
PAISAGEM número de dados do que as condições médias do tempo
É o resultado da combinação, num dado território, numa determinada área. (...) Desta forma, o clima apre-
dos elementos físicos, biológicos e humanos que consti- senta uma generalização, enquanto o tempo lida com
tuem sua unidade orgânica e se encontram estreitamen- eventos específicos.”
te relacionados. Em outras palavras, paisagem é tudo E por fim, Ayoade, 1996, ainda cita que a climatologia
aquilo que você, sente a sua volta. possui algumas subdivisões como:
• Climatologia regional – é a descrição dos climas
REGIÃO em áreas selecionadas da Terra.
Qualquer área geográfica que forme uma unidade • Climatologia sinótica – é o estudo do tempo e
distinta em virtude de determinadas características, um do clima em uma área com relação ao padrão de circu-
recorte temático do espaço e que mantenha relações in- lação atmosférica predominante. Sendo assim uma nova
ternas e externas. abordagem para a climatologia regional.
• Climatologia física – que envolve a investigação
Vamos aqui falar sobre a Geografia Física, que aborda do comportamento dos elementos do tempo, dando-se
os assuntos pertinentes ao tópico em questão. ênfase a energia global e aos regimes de balanço hídrico
da Terra e da atmosfera.
Esse ramos da geografia estuda a dinâmica da Terra • Climatologia dinâmica – enfatiza os movimentos
e dos fenômenos que ocorrem na superfície terrestre. A atmosféricos em várias escalas, particularmente na circu-
Geografia Física divide-se em categorias, como Climato- lação geral da atmosfera.
logia, Geomorfologia, Geografia Ambiental e Hidrologia. • Climatologia aplicada – enfatiza a aplicação do
conhecimento climatológico e dos princípios climatoló-
II. 1 - Climatologia gicos nas soluções de problemas práticos que afetam a
A climatologia nada mais é do que o estudo do clima, humanidade.
sendo uma integração das condições de tempo num de- • Climatologia histórica – é o estudo do desenvol-
terminado lugar e por um período de trinta anos. vimento dos climas através dos tempos.
As primeiras observações começaram na Grécia (VI
a.C) e após no século V a.C quando Hipócrates escreveu II.2 - Geomorfologia
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

o tratado das “Águas, Ares e Lugares”. Porém esta ciência Geomorfologia corresponde a uma ciência que tem
tem seu início mesmo com Aristóteles em outra obra in- como objeto de estudo as irregularidades da superfície
titulada “Meteorologia”. terrestre, ou simplesmente, as diversas formas do rele-
É no Renascimento Cultural e Científico (séculos XVI vo. Seu profissional é chamado de geomorfologista. Essa
e XVII) que temos o avanço para esta ciência, quando a ciência tem ainda a incumbência de estudar todos os
teoria do Geocentrismo, defendida pelo astrônomo gre- fenômenos que ocorrem e que interferem diretamente
go Claudio Ptolomeu (78-161 d.C.) e pela Igreja Católica, na formação do relevo. Sua responsabilidade é disponi-
colocava a Terra como o centro do Universo, e os demais bilizar informações para as causas da ocorrência de um
astros giravam ao seu entorno, sendo apoiada pela Igre- determinado tipo de relevo, levando em consideração os
ja por apresentar aspectos da bíblia. Porém, esta teoria agentes (internos e externos) modeladores do relevo.
foi contestada por Nicolau Copérnico (1473-1543) que Para conceber tais informações, é preciso então anali-
elaborou o Heliocentrismo, onde o Sol se torna o centro sar a interação entre a atmosfera, biosfera e a hidrosfera,
do universo. tendo em vista que esses elementos interferem na for-
Todas essas teorias se tornam base para o conheci- mação de um relevo.
mento de aspectos climáticos do globo, tendo, portanto O estudo do relevo é importante para sabermos quais
em 1593, a criação do primeiro termômetro para análises são os lugares propícios à construção de casas, prédios,
das alterações da atmosfera, por Galileu Galilei, seguido fábricas, estradas, aeroportos, pontes, plantações, pasta-
por seu discípulo Torricelli em 1643, que descobriu o ba- gens e muitos outros casos. Em suma, é no relevo que
rômetro de mercúrio; e em 1832 o telégrafo possibilitou acontecem todas as relações sociais, e por isso requer
a reunião de todos os dados sobre o tempo. uma atenção especial sobre o mesmo.

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O homem, através do trabalho físico e intelectual, tem II.4 Hidrologia
transformado o espaço geográfico mundial ao longo da A hidrologia é uma ciência muito importante para
história, alterando drasticamente o conjunto de paisa- promover o entendimento da formação de rios, lagos,
gens dispersas pelo planeta. Desse modo, o relevo, que lençóis freáticos e oceanos. Essa ciência também analisa
é um dos mais notados elementos da paisagem, tam- os poços de água e aquíferos.
bém é extremamente transformado. Um exemplo disso Graças à hidrologia o homem tem o conhecimento
é a ocupação dos morros da cidade do Rio de Janeiro, necessário para entender os ciclos de água, sua ocor-
onde a vegetação foi substituída por moradias precárias. rência e movimentação no planeta. A hidrologia é uma
O homem também constrói estradas em relevos aciden- ciência natural. Os principais estudos sobre a água são
tados, cava túneis, retira morros, se necessário, ou até referentes a sua ocorrência na Terra, sua qualidade e às
mesmo aterrara lugares de depressão; tudo para atender massas de água destinadas à navegação.
seu interesse. A hidrologia tem muitas aplicações práticas. Os co-
O estudo do relevo pode prevenir um determinado nhecimentos dessa área são usados pelas engenharias
local de uma série de problemas provenientes das ações hidráulica, sanitária, agrícola, de recursos hídricos e tam-
antrópicas (provocadas pelo homem). A geomorfologia bém pela indústria.
pode contribuir para diminuir os impactos ambientais, A hidrologia trata de todas as propriedades da água
um exemplo claro é a construção de hidrelétricas e obras e de sua distribuição e circulação na superfície da Terra,
públicas (estradas, túneis etc.), pois nesses casos é ne- levando em conta o ciclo completo dos recursos hídri-
cessário ter conhecimento da declividade e espessura do cos no solo, nas rochas, nos mares e rios e também na
solo. atmosfera.
De acordo com o Conselho Federal para Ciência e
II.3 - Geografia Ambiental Tecnologia dos Estados Unidos, a “hidrologia é a ciência
A Geografia Ambiental é a área dos estudos geográfi- que trata da água na Terra, sua ocorrência, circulação e
cos que se preocupa em compreender a ação do homem
distribuição, suas propriedades físico-químicas e sua re-
sobre a natureza, produzindo o seu meio de vivência e
lação com o meio ambiente, incluindo sua relação com
a sua transformação. Nesse sentido, também é objeti-
a vida.”
vo desse ramo do saber o conhecimento a respeito das
Atualmente, a hidrologia é considerada uma ciência
consequências dessas ações antrópicas e dos efeitos da
fundamental para garantir o acesso humano à água po-
natureza sobre as atividades socioespaciais.
tável nas próximas décadas.
A principal ênfase dos estudos ambientais na Geo-
grafia refere-se aos temas concernentes à degradação e
aos impactos ambientais, além do conjunto de medidas FIQUE ATENTO!
possíveis para conservar os elementos da natureza, man-
tendo uma interdisciplinaridade com outras áreas do co- Cuidado para não confundir hidrologia com
nhecimento, como a Biologia, a Geologia, a Economia, a hidrografia.
História e muitas outras. A hidrologia é a ciência que se dedica ao
Nesse sentido, o principal cerne de estudos é o meio estudo das águas. Nessa área de pesquisa
ambiente e as suas formas de preservação. Entende-se são avaliadas a ocorrência de água, a cir-
por meio ambiente o espaço que reúne todas as coi- culação da água e suas propriedades quí-
sas vivas e não vivas, possuindo relações diretas com os micas e físicas, enquanto a hidrografia é o
ecossistemas e também com as sociedades. Com isso, ramo da geografia física que estuda as águas
fala-se que existe o ambiente natural, aquele constituído do planeta, abrangendo portanto rios, mares,
oceanos, lagos, geleiras, água do subsolo e

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


sem a intervenção humana, e o ambiente antropizado,
aquele que é gerido no âmbito das práticas sociais. da atmosfera.
De um modo geral, é possível crer que o mundo e
os fenômenos que nele se manifestam são resultados do
equilíbrio entre os mais diversos eventos. Desse modo,
alterar o equilíbrio pode trazer consequências severas Vamos agora fazer uma análise sintetizada dos princi-
para o meio ambiente, de forma que se tornam preocu- pais assuntos estudados na Geografia Física.
pantes determinadas ações humanas, como o desmata-
mento, a poluição e a alteração da dinâmica dos ecos- ELEMENTOS DO UNIVERSO
sistemas.
• Sistema Solar
O Sistema Solar é constituído pelo Sol e pelo con-
#FicaDica junto dos corpos celestes localizados no mesmo campo
Os principais assuntos quando se fala em gravitacional.
geografia ambiental são: o efeito estufa, Fazem parte do Sistema Solar os planetas, planetas
os diversos tipos de poluição, o debate so- anões, asteroides, cometas e os meteoroides (meteori-
bre o aquecimento global, as condições de tos).
preservação e recuperação dos biomas, as Existem inúmeras teorias que tentam explicar como
conferências e ações para a resolução de o Sistema Solar foi formado. Entretanto, a mais aceita é
problemas ambientais e climáticos. a da Teoria Nebular ou Hipótese Nebular, que diz que a
formação do sistema se deu através de uma grande nu-

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vem formada por gases e poeira cósmica, que em algum bulosas e galáxias) e os fenômenos que se originam fora
momento começou a se contrair, acumulando matéria e da atmosfera da Terra.
energia, dando assim origem ao Sol. Vejamos alguns assuntos estudados na astronomia:

Estações do ano
Chamamos de estação do ano cada uma das quatro
subdivisões do ano baseadas em padrões climáticos. São
elas: primavera, verão, outono e inverno.
As estações do ano ocorrem devido à inclinação da
terra em relação ao sol. Podemos dizer então que as es-
tações são ocasionadas pelo eixo de rotação da Terra,
juntamente com o movimento da mesma em torno do
sol, que dura um ano e recebe o nome de translação.

Os planetas realizam sua órbita em torno do sol de


forma elíptica, cada qual com suas próprias caracterís-
ticas, como por exemplo, massa, tamanho, gravidade e
densidade. Os planetas que estão mais próximos do sol
possuem composição sólida, enquanto os planetas me-
nos próximos possuem composição gasosa.
Entre os outros corpos celestes, os asteroides são me-
nores que os planetas e são compostos por minerais não
voláteis.
Os cometas são compostos por gelos voláteis que se
estendem pelo núcleo, cabeleira e cauda. Meteoroides Buraco negro
são compostos por minúsculas partículas que, ao chega- Os buracos negros são uma das mais importantes
rem ao solo, caso isso ocorra, recebem o nome de me- descobertas científicas de todo o século XX.
teoritos. O Sistema Solar está contido na Via Láctea, que Chamamos de buraco negro uma região no espaço
ainda abriga cerca de 200 bilhões de estrelas. que contém tanta massa concentrada que nenhum obje-
to consegue escapar de sua atração gravitacional.
Planetas do Sistema Solar Ou seja, trata-se de um objeto com campo gravita-
Oito planetas orbitam em torno do Sol: Mercúrio, Vê- cional tão intenso que a velocidade de escape excede a
nus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. velocidade da luz.
Podemos classificar os planetas como sólidos ou gasosos, Em 1968, o físico americano John Archibald Whee-
ou, mais especificamente, de acordo com suas caracterís- ler usou pela primeira vez a expressão “buraco negro”.
ticas físico-químicas, como os planetas mais próximos do O termo “buraco” indica que os eventos ocorrido em seu
Sol sendo sólidos e densos, mas de insignificante massa; interior não são vistos por observadores externos, en-
e os planetas mais distantes sendo gasosos massivos de quanto o termo «negro» é usado porque nem mesmo
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baixa densidade. a luz (velocidade de aproximadamente 300.000 km/s)


Desde a sua descoberta em 1930 até 2006 Plutão foi pode escapar do seu interior.
considerado como o nono planeta do Sistema Solar. Po-
rém em 2006, a União Astronômica Internacional criou
a classificação de planeta anão. Atualmente, o Sistema
Solar possui cinco planetas anões: Plutão, Eris, Haumea,
Makemake, e Ceres. Todos são plutoides, com exceção de
Ceres, localizado no cinturão de asteroides.
As massas de todos estes objetos constituem em con-
junto apenas uma pequena porção da massa total do
Sistema Solar (0,14%), com o Sol concentrando a maior
parte da massa total do Sistema Solar (99,86%). O espa-
ço entre corpos celestes dentro do Sistema Solar não é
vazio, sendo preenchido por plasma proveniente do ven-
to solar, bem como poeira, gás e partículas elementares,
que constituem o meio interplanetário.

• Astronomia Um buraco negro pode ter qualquer tamanho. Alguns


A astronomia, uma das mais antigas ciências, estuda são formados por fusões de vários outros, e com apenas
os corpos celestes (como estrelas, planetas, cometas, ne- três características:

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• massa Durante o século, o foco da astronomia mudou. Ao
• momentum angular (spin) invés de catalogar e tentar entender o movimento das
• carga elétrica estrelas, os astrônomos começaram a tentar descobrir o
Depois de formado, o tamanho do buraco tende para que as estrelas eram de fato (estudo da astrofísica). Em
zero, logo sua densidade tenda para infinito. 1860, um astrônomo inglês, William Huggins, analisou a
luz das estrelas. Outros levaram seu trabalho adiante e
- Como surge um buraco negro logo foi possível classificar as estrelas por seu espectro.
O surgimento dos buracos negros está relacionado Os primeiros astrônomos dependiam apenas de seus
com o ciclo de vida das estrelas. As estrelas surgem de olhos. No século 16, Tycho Brahe tornou a medição das
imensas nuvens compostas de pequenas partículas de estrelas mais precisa a olho nu, em seu observatório. O
matéria e de gás hidrogênio, que existe em abundância telescópio foi usado pela primeira vez no século 17, e
no Universo. durante anos foi uma ferramenta fundamental.
Após um longo tempo brilhando e convertendo o seu Na astronomia moderna, à medida que os astrôno-
hidrogênio em hélio, as estrelas entram em colapso. En- mos respondem suas questões, novos problemas tomam
tão, seus destinos dependem do seu tamanho. As mais seu lugar. Por exemplo, atualmente aceita-se que o Uni-
massivas explodem. No lugar das supernovas (nome verso começou com o Big Bang. Mas como o material do
dado aos corpos celestes surgidos após as explosões) Big Bang se juntou para formar as galáxias?
o núcleo original da estrela, que serviu de “apoio” para Os cientistas de hoje podem trabalhar mais rápido em
a explosão, se contrai. Outras vezes, o núcleo não pára tais problemas com a ajuda de computadores. Estes po-
mais de se contrair e nasce um buraco negro. dem resolver problemas matemáticos em horas, em vez
de semanas, como era normal centenas de anos atrás. Os
computadores também permitem que astrônomos em
todo mundo se comuniquem de forma a poder trabalhar
em conjunto na busca do entendimento do Universo.

Gravidade
Os efeitos da falta de gravidade no corpo humano

História da Astronomia
Durante milhares de anos, as pessoas investigaram o
espaço e a situação da Terra. No ano 4.000 a.C., os egíp-
cios desenvolveram um calendário baseado no movi-
mento dos objetos celestes.
A observação dos céus levou à previsão de eventos
como os eclipses. Desde o século 17, o ritmo das desco-
bertas e do entendimento se tornou mais rápido: apren-
demos mais sobre o espaço neste século do que em
qualquer outra época.
Hoje em dia, um astrônomo não é mais uma pessoa Desde a chegada do homem à Lua até os dias atuais,
que trabalha em vários campos da ciência, mas um es- as imagens do homem chegando à Lua encantam inú-
pecialista que se concentra em aspectos específicos da meras pessoas, entretanto, a vida de um astronauta não
pesquisa astronômica. é nada fácil. Já imaginou ficar vários dias flutuando no

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Na astronomia antiga, as civilizações confiavam nos espaço sem sofrer a ação da força da gravidade? Mes-
movimentos dos corpos no espaço. As posições do Sul mo que possa parecer divertido, a ausência dessa força
e da Lua serviam para medir o tempo - em dias, meses, invisível que nos prende ao solo provoca várias transfor-
estações e anos. A navegação dependia do Sol, da Lua e mações no organismo humano. Mesmo assim, o homem
das estrelas. E como não eram bem entendidos, alguns apresenta grande capacidade de adaptação no espaço.
eventos eram considerados agourentos. A sensação de ter o corpo empurrado de um lado
para outro dentro de uma espaçonave - dando a impres-
são de que a aeronave está se deslocando e os astro-
nautas estão parados - é o primeiro efeito sentido por
eles, quando chegam a um ambiente sem gravidade.
Mas e por que isso ocorre? Na verdade, quando estamos
submetidos à gravidade o tempo todo - como em nosso
planeta -, nem percebemos a ação dessa força, pois a
sensação de estarmos presos ao solo passa a ser auto-
mática. O corpo só sente essa força quando ela aumenta
ou diminui.
Porém esse não é o único efeito. Alguns astronau-
tas relatam que sentem inflar as veias do pescoço pou-
cos minutos após saírem da atmosfera da Terra. Alguns
Chimpanzé que fez duas órbitas na Terra em 1961 sentidos - como o paladar e o olfato - também ficam

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alterados: os astronautas só conseguem sentir o sabor
das comidas muito temperadas. Outras partes do corpo
ainda são afetadas, como os pulmões. Na superfície ter-
restre, os níveis de oxigênio e de sangue nesse órgão são
constantes; já no espaço, esses níveis se alteram.
Em viagens mais longas, os astronautas têm ainda
que enfrentar problemas psicológicos. Isso porque eles
ficam limitados em um espaço limitado, isolados da vida
normal da Terra e convivem com um grupo pequeno de
companheiros, e normalmente de outras nacionalidades.
Essas mudanças podem provocar ansiedade, insônia, de-
pressão, além de criar situações de tensão na equipe.
Quando os astronautas retornam à Terra, novas mu-
danças ocorrem em seus corpos. Embora os efeitos da
falta de gravidade sejam completamente reversíveis, o
corpo tende a voltar ao normal só uma ou duas semanas Bússola
depois do retorno. Muitos astronautas ficam desorien- A bússola é instalada em aviões, navios e carros e mo-
tados e não conseguem manter o equilíbrio do corpo, tos de competição de rally, isso para manter as pessoas
além de apresentarem um enfraquecimento dos ossos, em sua devida direção pretendida.
que podem se quebrar mais facilmente. Apesar da importância da bússola até os dias de hoje,
Muitos médicos pesquisam os efeitos da ausência de existem aparelhos de orientação mais eficientes, geral-
gravidade no corpo humano, para melhorar os cuidados mente orientados por sinais de radar ou satélites, devido
com a saúde não só daqueles que viajam pelo espaço, a isso conseguem emitir informações de qualquer ponto
mas também dos que ficam na Terra. Isso porque os efei- da Terra, tais como altitude, distâncias, localização entre
tos de uma viagem espacial são semelhantes a algumas outras.
das consequências do envelhecimento do organismo. Todas as informações citadas acima referem-se a re-
Como podemos   perceber, a vida de um astronauta é giões um tanto quanto restritas. O planeta Terra possui
uma superfície de 510 milhões de quilômetros quadra-
muito mais difícil do que parece à primeira vista.
dos, devido esse imenso espaço a localização se torna
mais complexa, dessa forma o homem criou linhas ima-
• Noções Espaciais ginarias para facilitar a localização, os principais são os
Para chegar a um determinado lugar pela primeira vez paralelos e latitudes e meridianos e as longitudes.
é preciso ter referências ou o endereço, isso no campo Os paralelos são linhas imaginarias que estão dispos-
ou na cidade, no entanto, nem sempre temos em nossas tas ao redor do planeta no sentido horizontal, ou seja, de
mãos instrumentos ou informações para a orientação. leste a oeste. O paralelo principal é chamado de Linha
Em áreas naturais como as grandes florestas, desertos e do Equador que está situado na parte mais larga do pla-
oceanos não têm placas ou endereços para informar qual neta, a partir dessa linha tem origem ao hemisfério sul e
caminho se deve tomar. o hemisfério norte. Existem outros paralelos secundários
Nessas circunstâncias temos duas opções para nos mais de grande importância como Trópico de Câncer, O
orientar, que são pelos astros ou por instrumentos. Trópico de Capricórnio, o Circulo Polar Ártico e o Circulo
Polar Antártico.
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O primeiro tem sua utilização difundida há muito


tempo, principalmente no passado quando pessoas que
percorriam grandes distâncias se orientavam por meio
da observação do sol, da lua ou das estrelas, apesar de
que não possui a mesma precisão dos instrumentos esse
tipo de recurso pode ser bem aproveitado dependendo
da ocasião.
Até nos dias atuais pequenas embarcações desprovi-
das de equipamentos de orientação fazem o uso dos as-
tros para se localizar e orientar. Nos grandes centros ur-
banos parte deles ou mesmo um conjunto de bairros são
chamados de zona oeste, zona leste e assim por diante,
as pessoas se orientam sem estar munidas de bússola,
basta saber que o sol nasce leste para se localizar.
Já no caso da orientação por instrumentos foram
criados diversos deles com objetivo de tornar o processo
mais dinâmico e preciso. Dentre vários instrumentos in-
ventados o mais utilizado é a bússola, esse corresponde
a um objeto composto por uma agulha com imã que gira
sobre uma rosa-dos-ventos.

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As latitudes são medidas em graus entre os parale- Todos estes pontos formam uma figura chamada de
los, ou qualquer ponto do planeta até a Linha do Equa- Rosa-dos-Ventos ou Rosa-dos-Rumos.
dor, as latitudes oscilam de 0º Linha do Equador e 90º ao
norte e 90º ao sul. As Zonas Climáticas - Os paralelos especiais exer-
Meridianos correspondem a semicircunferências cem papel muito importante na definição das zonas cli-
imaginarias que parte de um pólo até atingir o outro. O máticas, que são demarcadas por eles. Tais paralelos são
principal meridiano é o Greenwich, esse é o único que os seguintes:
possui um nome especifico, esse é utilizado como refe- - Zonas polares ou glaciais norte e sul – são limitadas
rência para estabelecer a divisão da Terra entre Ocidente pelos círculos polares, possuem altas altitudes. São zonas
(oeste) e Oriente (leste). muito frias.
- Zonas temperadas – com latitude medias, estão
compreendidas a norte entre o circulo polar ártico e o
tropico de câncer e a sul entre o circulo polar antártico e
o tropico de capricórnio. Possui temperaturas mais ame-
nas que as zonas polares.
- Zona tropical – compreendida entre os trópicos de
câncer e capricórnio, também é chamada de zona inter-
tropical. E a região do planeta que recebe mais raios so-
lares, portanto, a mais quente.

Fuso Horério
Os fusos horários, também denominados zonas ho-
rárias, foram estabelecidos através de uma reunião com-
posta por representantes de 25 países em Washington,
capital estadunidense, em 1884. Nessa ocasião foi rea-
lizada uma divisão do mundo em 24 fusos horários dis-
tintos.
A metodologia utilizada para essa divisão partiu do
  princípio de que são gastos, aproximadamente, 24 horas
As longitudes representam o intervalo entre os meri- (23 horas, 56 minutos e 4 segundos) para que a Terra rea-
dianos ou qualquer ponto do planeta com o meridiano lize o movimento de rotação, ou seja, que gire em torno
principal. As longitudes podem oscilar de 0º no meridia- de seu próprio eixo, realizando um movimento de 360°.
no de Greenwich até 180º a leste e a oeste. Portanto, em uma hora a Terra se desloca 15°. Esse dado
Através do conhecimento da latitude e longitude de é obtido através da divisão da circunferência terrestre
um lugar é possível identificar as coordenadas geográfi- (360°) pelo tempo gasto para que seja realizado o movi-
cas, que correspondem a sua localização precisa ao lon- mento de rotação (24 h).
go da superfície terrestre. A partir dessas informações a O fuso referencial para a determinação das horas é
definição de coordenadas geográficas são medidas em o Greenwich, cujo centro é 0°. Esse meridiano, também
graus, minutos e segundos de pontos da Terra localiza- denominado inicial, atravessa a Grã-Bretanha, além de
das pela latitude e longitude. cortar o extremo oeste da Europa e da África. A hora
determinada pelo fuso de Greenwich recebe o nome de
GMT. A partir disso, são estabelecidos os outros limites
Os Pontos de Orientação - Os meios que as pessoas
de fusos horários.
utilizam para orientar-se no espaço geográfico depen-

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


A Terra realiza seu movimento de rotação girando de
dem do ambiente em que elas vivem. oeste para leste em torno do seu próprio eixo, por esse
Para isso, foram definidos os pontos globais de refe- motivo os fusos a leste de Greenwich (marco inicial) têm
rência, chamados de pontos cardeais: as horas adiantadas (+); já os fusos situados a oeste do
- Norte (N) meridiano inicial têm as horas atrasadas (-).
- Sul (S) Alguns países de grande extensão territorial no sen-
- Leste (L ou E) tido leste-oeste apresentam mais de um fuso horário.
- Oeste (O ou W) A Rússia, por exemplo, possui 11 fusos horários distin-
tos, consequência de sua grande área. O Brasil também
apresenta mais de um fuso horário, pois o país apresenta
FIQUE ATENTO! extensão territorial 4.319,4 quilômetros no sentido les-
te-oeste, fato que proporciona a existência de quatro
Para ficar mais exata a orientação entre os
fusos horários distintos, no entanto, graças ao Decreto
pontos cardeais, temos os pontos colate- n° 11.662, publicado no Diário Oficial de 25 de abril de
rais: noroeste (NO), nordeste (NE), sudoeste 2008, o país passou a adotar somente três.
(SO) e sudeste (SE). Além desses, temos os A compreensão dos fusos horários é de extrema im-
pontos subcolaterais: norte-noroeste (NNO), portância, principalmente para as pessoas que realizam
norte-nordeste (NNE), sul-sudoeste (SSO), viagens e têm contato com pessoas e relações comerciais
sul-sudeste (SSE), leste-nordeste (ENE), les- com locais de fusos distintos dos seus, proporcionado,
te-sudeste (ESSE), oeste-noroeste (ONO) e portanto, o conhecimento de horários em diferentes par-
oeste-sudoeste (OSO). tes do globo.

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Movimentos da Terra
A Terra faz movimentos constantes no espaço. Esses movimentos são chamados de rotação e translação. Acompanhe
a seguir as explicações sobre cada um deles.

Rotação
Rotação é o movimento onde a Terra gira em torno de seu próprio eixo. Esse movimento acontece no sentido an-
ti-horário e dura exatamente 23 horas 56 minutos 4 segundos e 9 centésimos para ser concluído, sendo o responsável
por termos o dia e a noite.

Quando um lado do planeta está para o lado do sol, é dia, e, consequentemente, do lado oposto é noite. Sem o mo-
vimento da Rotação não haveria vida na Terra, já que este movimento desempenha um papel fundamental no equilíbrio
de temperatura e composição química da atmosfera.
O movimento de rotação da Terra ocorre de oeste para leste, ou seja, a porção Leste vê o nascer do sol primeiro que
o Oeste. Como exemplo podemos citar o Brasil e o Japão, onde a diferença de fusos horários é exatamente 12 horas.
Deste modo, quando no Japão são 6h da manhã, no Brasil são 6h da tarde.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Translação
O movimento de translação é aquele que o planeta Terra realiza ao redor do Sol junto com os outros planetas. O
tempo necessário para completar uma volta ao redor do Sol é de 365 dias, 5 horas e cerca de 48 minutos e ocorre numa
velocidade média de 107.000 km por hora.
O tempo que a planeta leva para dar uma volta completa ao redor do Sol é chamado “ano”. O ano civil, aceito por
convenção, tem 365 dias. Como o ano sideral, ou o tempo concreto do movimento de translação, é de 365 dias e 6
horas, a cada quatro anos temos um ano de 366 dias, dia este que é acrescido ao nosso calendário no mês de fevereiro
e que recebe o nome de ano bissexto.

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O movimento de translação é o responsável pelas quatro estações do ano: verão, outono, inverno e primavera, que
ocorrem em razão das diferentes localizações da Terra no espaço.

Geologia
A geologia é uma das ciências da Terra. Estuda a crosta terrestre, a matéria que a compõe, seu mecanismo de for-
mação, as alterações que ocorrem sobre ela e a estrutura que sua superfície possui.
A geologia foi essencial para determinar a idade da Terra, que se calculou ter cerca de 4,6 bilhões de anos, e a de-
senvolver a teoria chamada tectônica de placas.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


O planeta Terra possui a sua estrutura interna dividida em camadas

Áreas de estudo
O geólogo ou engenheiro geológico estuda a origem, a estrutura, a composição e as transformações da crosta
terrestre. Analisa também fósseis, minerais e a topografia dos terrenos, acompanha a exploração de jazidas de minério,
depósitos subterrâneos de água e reservas de petróleo, carvão mineral e gás natural.
Investiga ainda a ação das forças naturais sobre o planeta e seus efeitos, como a erosão e a desertificação.
A geologia é uma área muito ampla, sendo difícil citar todas as suas áreas. Entre elas, podemos destacar as seguin-
tes:

Geologia estrutural: estudo da estrutura da Terra.


Geologia histórica: estudo das eras, períodos e idades geológicas.
Geologia econômica: estudo das riquezas minerais.
Geologia ambiental: estudo dos impactos ambientais e dos riscos ecológicos.
Geofísica: estudo da composição e propriedades físicas dos elementos.
Geoquímica: estudo da composição e propriedades químicas da Terra.
Geomorfologia: estudo das formas da superfície terrestre (relevo).
Geologia do petróleo: estudo da composição e propriedades do petróleo.

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Hidrogeologia: estudo dos cursos de águas subterrâneas.
Cristalografia: estudo dos cristais e das estruturas sólidas formadas pelos átomos.
Espeleologia: estudo da formação geológica das cavernas e das cavidades naturais.
Estratigrafia: estudo da composição e estrutura das rochas estratificadas.
Sedimentologia: estudos dos sedimentos acumulados na Terra derivados da erosão.
Topografia: estuda os acidentes geográficos presentes no planeta.
Astrogeologia: estudo dos diversos corpos celestes
Sismologia: estudo dos sismos e dos movimentos das placas tectônicas no planeta.
Vulcanologia: estudo dos vulcões e das erupções vulcânicas.
Pedologia: estudo da formação e estrutura dos solos.
Petrografia: estudo de análise das rochas.
Mineralogia: estudo da composição e propriedades dos minerais.

Geomorfologia
A Geomorfologia corresponde a uma ciência que tem como objeto de estudo as irregularidades da superfície ter-
restre, ou simplesmente as diferentes formas do relevo.
Serve para mostrar a importância do estudo do relevo para os diferentes campos do conhecimento (planejamento
urbano e regional, análise ambiental...), evidenciando a estreita relação com a Geografia e no contexto geográfico,
considerando sua contribuição no processo de ordenamento territorial.

Geomorfologia do planeta Terra


Foram encontrados no Brasil e na África fósseis de plantas e de animais muito semelhantes. As reservas de carvão
dos EUA, Sibéria e China têm propriedades muito parecidas. Isto não  é coincidência. Foi explicada pela primeira vez 
por Wegener e sua teoria da Deriva Continental.
No final do período Carbonífero, existia uma única e imensa massa continental denominada Pangea (Pangeia). Na
Pangea, a América do Norte estava ligada à Eurásia, e a América do Sul ligada a Ásia. A Austrália e a Antártida estavam
unidas ao mesmo conjunto, e a Índia, por sua vez, estava perfeitamente encaixada entre a África e a Austrália.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Configuração da Pangea

A divisão iniciou mais ou menos no período Jurássico, formando dois super continentes: a Laurásia e a Gondwana.
No início do período Terciário, a América do Sul separou-se da África e, a seguir, a América do Norte, da Laurásia. A
Índia se mantinha em seu deslocamento em direção à Ásia. A Austrália e a Antártida mantinham-se ligadas.

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A configuração moderna dos continentes se deu há 65 milhões de anos atrás, com a junção das Américas, a separa-
ção da Austrália e Antártida e a Índia se chocando com a Ásia. Os continentes ficaram separados pelos oceanos.

A Teoria da Deriva Continental deu lugar então à Teoria da Tectônica das Placas, que além de consolidar as ideias
de Wegener, permitiu através dela explicar como esse processo ocorreu. Com o mapeamento das dorsais marinhas,
onde coincide com as áreas de vulcanismo e de terrenos, criou-se a teoria de que a crosta terrestre está dividida em
placas, que interagem umas com as outras, gerando os mais variados fenômenos.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Mapa com as principais placas tectônicas

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Tempo e Clima
Elementos e fatores climáticos
O clima é uma rede intrincada de elementos e fatores que o caracterizam. Por isso, o clima muda muito conforme
a região.
De todos os fatores, o mais importante é a radiação solar. O Sol é o motor que move o clima. A luz solar por si
própria não gera calor, mas é a absorção, dispersão e a reflexão dessa mesma luz que irá determinar o grau de calor
de cada região.
O balanço global do sistema Terra-atmosfera é positivo, ou seja, a relação entre a energia absorvida pela atmosfera
e pelos oceanos e terras é de 64% (47% pela superfície terrestre e 17% pela atmosfera e pelas nuvens).

Esquema ilustrativo do funcionamento da radiação solar

Os elementos e os fatores climáticos determinam as condições climáticas de cada região. Ainda que estudados
separadamente, esses elementos e fatores atuam juntos, ao mesmo tempo.

Elementos Fatores modificadores


Temperatura Latitude
Pressão atmosférica Altitude
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Ventos Distância do mar


Umidade Massas de ar
Precipitação Correntes marítimas

#FicaDica
Tempo e Clima são conceitos distintos: Tempo é o estado da atmosfera de um lugar em um determinado
momento. Clima é a sucessão dos estados de tempo da atmosfera em determinado lugar.
• Choveu hoje. Tempo
• Chove sempre nessa época do ano. Clima

Temperatura
A temperatura é a quantidade de calor em uma região. A temperatura varia não apenas de um lugar para o outro,
mas também em um mesmo lugar no decorrer do tempo.
Entre os fatores responsáveis por sua variação ou distribuição, destacam-se a latitude, a altitude e a distribuição de
massas líquidas e solidas da Terra (maritimidade e continentalidade).
Temperatura e calor são dois conceitos bastante diferentes e que muitas pessoas acreditam se tratar da mesma coi-
sa. No entanto, o entendimento desses dois conceitos se faz necessário para o estudo da termologia. Também chama-

16
da de termofísica, a termologia é um ramo da física que
estuda as relações de troca de calor e manifestações de
qualquer tipo de energia que é capaz de produzir aque-
cimento, resfriamento ou mudanças de estado físico dos
corpos, quando esses ganham ou cedem calor.
Os átomos e moléculas que constituem a matéria
nunca estão completamente imóveis. Mesmo que se
esteja observando um material relativamente estático, É um clima característico das áreas geográficas a sul
parado. Ao contrário, essas partículas estão sempre ani- do Trópico de Capricórnio e a norte do Trópico de Cân-
madas de um movimento vibratório, cuja amplitude de- cer, com temperaturas médias anuais nunca superiores
pende do estado físico da matéria. a 20ºC. A temperatura mínima do mês mais frio nunca é
Esse movimento vibratório constitui uma forma de menor que 0ºC.
energia cinética, denominada energia térmica. Quanto
maior é a agitação das partículas de um corpo, maior é a Clima semiárido
energia térmica desse corpo. O clima semiárido, presente nas regiões Nordeste e
A manifestação da energia térmica de um corpo pode Sudeste, apresenta longos períodos secos e chuvas oca-
ser percebida pelos órgãos sensoriais de nossa pele e sionais concentradas em poucos meses do ano. As tem-
nos dá a sensação de frio ou calor. Essa manifestação é peraturas são altas o ano todo, ficando em torno de 26
popularmente chamada temperatura e, em física, recebe ºC. A vegetação típica desse tipo de clima é a caatinga.
o nome de estado térmico do corpo. Quanto maior é o
grau de agitação das partículas de um corpo, maior é
sua temperatura, ou seja, mais elevado é o seu estado
térmico.
A energia térmica pode transferir-se de um corpo
para outro, mas sempre se transfere do corpo de maior
temperatura para o de menor temperatura. Para que a Clima equatorial úmido
transferência ocorra, é preciso que exista entre os dois Este tipo de clima apresenta temperaturas altas o ano
corpos uma diferença de temperatura. A energia trans- todo. As médias pluviométricas são altas, sendo as chu-
ferida é chamada calor. Assim, a temperatura de um cor- vas bem distribuídas nos 12 meses, e a estação seca é
po, sua energia térmica e a agitação de suas partículas curta. Aliando esses fatores ao fenômeno da evapotrans-
alteram-se quando esse corpo recebe ou cede calor. A piração, garante-se a umidade constante na região. É o
transferência de calor somente termina quando os dois clima predominante no complexo regional Amazônico.
corpos em contato atingem a mesma temperatura, um
estado denominado equilíbrio térmico.

Então:
Temperatura é a grandeza física associada ao estado
de movimento ou a energia cinética das partículas que
compõem os corpos. A chama de uma vela pode estar
numa temperatura mais alta que a água do lago, mas o Clima equatorial semiúmido
Em uma pequena porção setentrional do país, exis-

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


lago tem mais energia térmica para ceder ao ambien-
te na forma de calor. No cotidiano é muito comum as te o clima equatorial semiúmido, que também é quente,
pessoas medirem o grau de agitação dessas partículas mas menos chuvoso. Isso ocorre devido ao relevo aci-
através da sensação de quente ou frio que se sente ao dentado (o planalto residual norte-amazônico) e às cor-
tocar outro corpo. No entanto não podemos confiar na rentes de ar que levam as massas equatoriais para o sul,
sensação térmica. Para isso existem os termômetros, que entre os meses de setembro a novembro. Este tipo de
são graduados para medir a temperatura dos corpos. clima diferencia-se do equatorial úmido por essa média
Calor é definido como sendo energia térmica em pluviométrica mais baixa e pela presença de duas esta-
trânsito e que flui de um corpo para outro em razão da ções definidas: a chuvosa, com maior duração, e a seca.
diferença de temperatura existente entre eles, sempre
do corpo mais quente para o corpo mais frio. No verão,
um lago pode armazenar energia térmica durante o dia e
transferi-la ao ambiente à noite na forma de calor.

Tipos de clima no Brasil

Clima subtropical Clima tropical


As regiões que possuem clima subtropical apresen- Presente na maior parte do território brasileiro, este
tam grande variação de temperatura entre verão e inver- tipo de clima caracteriza-se pelas temperaturas altas.
no, não possuem uma estação seca e as chuvas são bem As temperaturas médias de 18 °C ou superiores são re-
distribuídas durante o ano. gistradas em todos os meses do ano. O clima tropical

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apresenta uma clara distinção entre a temporada seca da China, norte da Argentina etc. Essa vegetação nasce
(inverno) e a chuvosa (verão). O índice pluviométrico é onde há pouca umidade para o crescimento de árvores,
mais elevado nas áreas litorâneas. havendo somente um tapete herbáceo conhecido como
gramíneas.
Existem ainda as florestas temperadas, localizadas no
Canadá, Estados Unidos e norte da Europa, além das flo-
restas de coníferas, presentes em regiões subpolares, e a
tundra, vegetação que surge em solos gelados. Veremos
a seguir mais características dessas vegetações.

Clima tropical de altitude A vegetação brasileira


Apresenta médias de temperaturas mais baixas que O Brasil apresenta uma vegetação bastante rica e di-
o clima tropical, ficando entre 15º e 22º C. Este clima é versificada. Podemos dividir as paisagens vegetais brasi-
predominante nas partes altas do Planalto Atlântico do leiras nas seguintes formações:
Sudeste, estendendo-se pelo centro de São Paulo, cen- • Florestais - podem ser do tipo latifoliada (ex:
tro-sul de Minas Gerais e pelas regiões serranas do Rio Amazônica, Mata dos Cocais) e aciculifoliada (ex: Mata
de Janeiro e Espírito Santo. As chuvas se concentram no de Araucária).
verão, sendo o índice de pluviosidade influenciado pela • Arbustivas e herbáceas - predomínio de gramí-
proximidade do oceano. neas (ex: cerrado, caatinga e campos).
• Complexas - apresentam características varia-
Vegetação das. Abrangem o Pantanal e a vegetação litorânea.
Nosso planeta apresenta diversos tipos de vegeta- O Brasil, por ter dimensões territoriais continentais,
ções, que variam de acordo com a região onde se loca- abriga oito tipos principais de vegetação natural. São
lizam. eles:
A espécie de vegetação referente a cada uma des- Floresta Amazônica: de clima equatorial e conhecida
sas regiões é definida por fatores como altitude, latitude, como Amazônia Legal, abriga milhões de espécies ani-
pressão atmosférica, iluminação e forma de atuação das mais e vegetais, sendo de vital importância ao equilíbrio
massas de ar. ambiental do planeta. Ela é classificada como uma for-
No caso de regiões de baixa latitude, encontram-se mação florestal Latifoliada, pois suas folhas são largas e
as florestas equatoriais, como por exemplo a floresta agrupam-se densamente, geralmente atingindo grandes
Amazônica, no Brasil. alturas.

Mata Atlântica: caracterizada como uma floresta lati-


foliada tropical e de clima tropical úmido, foi a vegetação
que mais sofreu devastação no Brasil, restando apenas
7% de sua cobertura original. Era uma vegetação que se
estendia do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul,
mas que foi intensamente degradada pelos portugueses
para a extração de madeira e plantio de cana-de-açúcar.

Caatinga: é uma vegetação típica de clima semiárido,


localizada no Nordeste brasileiro.   Possui plantas espi-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

nhosas e pobres em nutrientes. Nos últimos anos, vem


sofrendo diversas agressões ambientais que causam em-
pobrecimento do solo, dificultando mais ainda o desen-
volvimento dessa região.
É comum encontrarmos esse tipo de vegetação em
Cerrado: típica do Planalto Central brasileiro e de
lugares quentes e úmidos. Suas principais características
clima tropical semiúmido, é a segunda maior formação
são a grande variedade de espécies e as folhas grandes,
vegetal do Brasil. Apesar de sua paisagem ser composta
com um tom de verde bem definido. Existem também as
por árvores baixas e retorcidas, é a vegetação com maior
florestas tropicais, localizadas na faixa intertropical lito-
biodiversidade do planeta. Somente nos últimos anos
rânea, que possuem menor de variedades de espécies
é que os ambientalistas vêm se preocupando com esse
vegetais, além de tipos de vidas que não existem em ou-
ecossistema, que sofre vários danos ambientais causados
tros locais.
pela plantação de soja e cana-de-açúcar e pela pecuária.
Outro tipo de vegetação é o cerrado (ou savana), en-
contrado no centro-oeste brasileiro, em parte da Austrá-
Pantanal: localizada no Mato Grosso e Mato Grosso
lia e do centro da África, e no litoral da Índia. Esse tipo
do Sul, é considerada uma vegetação de transição, isto
caracteriza-se por plantas rasteiras e pequenas árvores
é, uma formação vegetal heterogênea composta por di-
que perdem suas folhas no período da seca.
ferentes ecossistemas. Em determinadas épocas do ano,
Temos também os campos ou pradarias, tipo encon-
algumas porções de área são alagadas pelas cheias dos
trado em regiões de clima temperado continental, como
rios e é somente nas estiagens que a vegetação se de-
ocorre no norte dos Estados Unidos, sul do Canadá, norte
senvolve.

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Campos sulinos: também conhecidos como “pam-
pas” e característicos de clima subtropical, apresentam
vegetação rasteira com a predominância de capins e gra-
míneas.

Mata de Araucária: com a predominância de pinhei-


ros e localizada no estado do Paraná, é uma vegetação tí-
pica de clima subtropical. Sua cobertura original é quase
inexistente em razão da intensa exploração de madeira
para fabricação de móveis.

Mangues: é um tipo de vegetação de formação li-


torânea, caracterizado principalmente por abranger di-
versas vegetações, ocorrendo em áreas baixas e, logo,
sujeito à ação das marés.

Hidrografia
A hidrografia é o ramo da geografia física que estuda
as águas do planeta, abrangendo portanto rios, mares,
oceanos, lagos, geleiras, água do subsolo e da atmosfera. Esquema evapotraspiração
Os hidrógrafos são os profissionais que estudam  a
hidrografia do planeta, analisam e catalogam as águas Durante o ano, precipitam cerca de 119 mil km cúbi-
navegáveis de todo o mundo, elaborando cartas e mapas cos sobre os continentes, sendo que apenas 47 mil km
que mostram em detalhes a formação dos canais, a pro- cúbicos não voltam para a atmosfera, permanecendo nos
fundidade das águas e a localização dos canais, bancos oceanos, circulando como água doce.
de areia, correntes marítimas, etc. Os hidrógrafos tam- Essa diferença entre precipitação e a evaporação é
bém são responsáveis por estudar a influência dos ven- chamada de excedente hídrico e transforma-se em rios,
tos no ritmo das águas e das marés. lagos ou lençóis de água subterrânea. O ciclo da água
tem três trajetórias principais: precipitação, evapotrans-
piração e transporte de vapor.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

A hidrosfera é a camada líquida da Terra. É formada


por mais de 97% de água, concentrada principalmen-
te em oceanos e mares, porém compreende também a Trajetória do ciclo da água
água dos rios, dos lagos e a água subterrânea. No total, a Os cursos de água doce, onde civilizações nasceram,
água contida no planeta abrange um volume de aproxi- desenvolveram e morreram, são vitais para quase todas
madamente 1.400.000.000 km³. Já as águas continentais as ações humanas. No Brasil, a maior parte da energia
representam pouco mais de 2% da água do planeta, fi- elétrica que chega às casas e às indústrias, vem das hi-
cando com um volume em torno de 38.000.000 km³. drelétricas.
A água em estado líquido passa para a atmosfera em
forma de vapor, em um processo chamado de evapo-
traspiração. As baixas temperaturas da atmosfera fazem
esse vapor se condensar, passando para seu estado líqui-
do e, dessa forma, se precipitar sobre a superfície.

19
cartadas sem nenhum proveito? Se você separar todo o
lixo que produz no tempo de uma semana, tenho certeza
que vai se assustar em saber que sozinho pode produzir
uma quantidade tão grande de lixo. Se você fizer esse
exercício, observe quanto lixo poderia ser evitado se não
utilizássemos tantas embalagens, tanto plástico e tanto
papel.
O Brasil possui uma diversidade botânica imensa.
Em nosso país, podemos encontrar florestas, formações
arbustivas e rasteiras, além de uma composição vegetal
litorânea diversa, o que faz com que esse conteúdo seja
frequente nos vestibulares.
A Geografia Ambiental é a área dos estudos geo-
gráficos que se preocupa em compreender a ação do
homem sobre a natureza, produzindo o seu meio de vi-
Fotografia aérea de Itaipu - usina hidrelétrica binacio- vência e a sua transformação. Nesse sentido, também é
nal localizada no Rio Paraná, na fronteira entre o Brasil e objetivo desse ramo do saber o conhecimento a respeito
o Paraguai das consequências dessas ações antrópicas e dos efeitos
da natureza sobre as atividades socioespaciais.
Os rios também são agentes erosivos do relevo, mol- A principal ênfase dos estudos ambientais na Geo-
dando-o ao seu bel prazer. Essas correntes líquidas, que grafia refere-se aos temas concernentes à degradação e
resultam da concentração de água em vales, podem se aos impactos ambientais, além do conjunto de medidas
originar de várias fontes: fontes subterrâneas (que se possíveis para conservar os elementos da natureza, man-
formam com a água das chuvas), transbordamento de tendo uma interdisciplinaridade com outras áreas do co-
lagos ou mesmo da fusão de neves e geleiras. nhecimento, como a Biologia, a Geologia, a Economia, a
História e muitas outras.
Hidrografia brasileira Nesse sentido, o principal cerne de estudos é o meio
O Brasil é um dos países mais ricos do mundo no que ambiente e as suas formas de preservação. Entende-se
se refere aos complexos hidrográficos, contando com um por meio ambiente o espaço que reúne todas as coi-
dos mais complexos do planeta. Aqui no país, encontra- sas vivas e não vivas, possuindo relações diretas com os
mos rios de grande extensão, largura e profundidade, ecossistemas e também com as sociedades. Com isso,
que nascem, em sua maioria, em regiões que são pou- fala-se que existe o ambiente natural, aquele constituído
co elevadas, excluindo apenas o Rio Amazonas e alguns sem a intervenção humana, e o ambiente antropizado,
afluentes que nascem na cordilheira dos Andes. De toda aquele que é gerido no âmbito das práticas sociais.
a água doce que está na superfície do planeta, 8% en- De um modo geral, é possível crer que o mundo e
contra-se no Brasil e, além disso, a maior bacia fluvial do os fenômenos que nele se manifestam são resultados do
mundo também encontra-se no Brasil, e é a Amazônica. equilíbrio entre os mais diversos eventos. Desse modo,
alterar o equilíbrio pode trazer consequências severas
Bacias hidrográficas para o meio ambiente, de forma que se tornam preocu-
Chamamos de bacia hidrográfica uma área onde pantes determinadas ações humanas, como o desmata-
acontece a drenagem da água das chuvas para um de- mento, a poluição e a alteração da dinâmica dos ecos-
terminado curso de água que, normalmente, é um rio. O sistemas.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

terreno em declive faz com que as águas acabem desa-


guando em um determinado rio, o que forma uma ba-
cia hidrográfica. Segundo o IBGE, Instituto Brasileiro de A agropecuária e os problemas ambientais
Geografia e Estatística, existem nove bacias, que são a
Bacia do Amazonas, que é a maior do mundo e encon-
tra-se, mais de sua metade, no Brasil; Bacia do Nordeste;
Bacia do Tocantins-Araguaia (maior bacia hidrográfica
totalmente situada em território brasileiro); Bacia do Pa-
raguai; Bacia do Paraná; Bacia do São Francisco; Bacia do
Sudeste-Sul; Bacia do Uruguai; e Bacia do Leste.

A geografia também estuda as ações que nós huma-


nos praticamos e como elas impactam em nossa socie-
dade e no meio ambiente. Um exemplo fácil é pensar-
mos os problemas ambientais decorrentes dos nossos
padrões de consumo. Se há um consumo exacerbado,
há uma produção exacerbada. O impacto vai desde o
modo de produção (dejetos industriais, por exemplo), ao
aumento de lixo. Você já reparou quanto de plástico e O desmatamento é um dos grandes problemas am-
de papel é utilizado em embalagens que vão ser des- bientais provocados pela agropecuária

20
A agropecuária é o conjunto das atividades ligadas à presença desse fenômeno, a temperatura na Terra seria
agricultura e à pecuária. Apresenta grande importância muito baixa, em torno de -18ºC, o que impossibilitaria o
para a humanidade e para a economia, visto que sua pro- desenvolvimento de seres vivos.
dução é destinada ao consumo humano e para a venda Existem, na atmosfera, diversos gases de efeito estufa
dos produtos obtidos. No entanto, vários problemas am- capazes de absorver a radiação solar irradiada pela su-
bientais estão sendo desencadeados em virtude da ex- perfície terrestre, impedindo que todo o calor retorne ao
pansão da agropecuária e da utilização de métodos para espaço. Parte da energia emitida pelo Sol à Terra é refleti-
o cultivo e criação de animais. da para o espaço, outra parte é absorvida pela superfície
O desmatamento é uma prática muito comum para a terrestre e pelos oceanos. Uma parcela do calor irradiado
realização da agropecuária. A retirada da cobertura ve- de volta ao espaço é retida pelos gases de efeito estufa,
getal provoca a redução da biodiversidade, extinção de presentes na atmosfera. Dessa forma, o equilíbrio ener-
espécies animais e vegetais, desertificação, erosão, redu- gético é mantido, fazendo com que não haja grandes
ção dos nutrientes do solo, contribui para o aquecimento amplitudes térmicas e as temperaturas fiquem estáveis.
global, entre outros danos. Para entender melhor, podemos comparar o efeito
As queimadas, método muito utilizado para a retira- estufa ao que acontece em um carro parado sob a luz
da da vegetação original, intensificam a poluição atmos- solar. Os raios solares passam pelos vidros e aquecem o
férica, além de reduzirem os nutrientes do solo, sendo interior do veículo. O calor, então, tende a sair pelo vi-
necessário usar uma quantidade maior de produtos quí- dro, porém encontra dificuldades. Portanto, parte do ca-
micos (fertilizantes) durante o cultivo de determinados lor fica retido no interior do carro, aquecendo-o. Os ga-
alimentos, fato que provoca a poluição do solo. ses de efeito estufa, presentes na atmosfera, funcionam
Outro agravante é a utilização de agrotóxicos (inseti- como o vidro do carro, permitindo a entrada da radiação
cidas e herbicidas), que contaminam o solo, o lençol freá- ultravioleta, mas dificultando que toda ela seja irradiada
tico e os rios. Esses produtos, destinados à eliminação de de volta ao espaço.
insetos nas plantações, infiltram-se no solo e atingem as Contudo, a grande concentração desses gases na at-
águas subterrâneas. As águas das chuvas, ao escoarem mosfera dificulta ainda mais a dispersão do calor para o
nessas plantações, podem transportar os agrotóxicos espaço, aumentando as temperaturas do planeta. O efei-
para os rios, causando a contaminação da água. to estufa tem-se agravado em virtude da emissão cada
Na pecuária, além da substituição da cobertura ve- vez maior de gases de efeito estufa à atmosfera. Essa
getal pelas pastagens, outro problema ambiental é a emissão é provocada por atividades antrópicas, como
queima de combustíveis fósseis, gases emitidos por es-
compactação do solo gerada pelo deslocamento dos
capamentos de carros, tratamento de dejetos, uso de
rebanhos. O solo compactado dificulta a infiltração da
fertilizantes, atividades agropecuárias e diversos outros
água e aumenta o escoamento superficial, podendo ge-
processos industriais.
rar erosões. Esses animais, através da liberação de gás
metano, também contribuem para a intensificação do
Equilíbrio dos Ecossistemas
aquecimento global.
Quando falamos em equilíbrio do ecossistema, nos
Portanto, diante da necessidade de produzir alimen-
referimos nas condições mais favoráveis de forma que
tos para atender a demanda global e ao mesmo tempo
todos que coabitam o mesmo sistema possam usufruir
preservar a natureza, é necessário que métodos susten- dos meios sem que prejudiquem o próximo na cadeia
táveis sejam implantados na agropecuária, de forma a natural. Ultimamente todos nós acompanhamos catás-
reduzir os problemas ambientais provocados por essa trofes que vêm acontecendo ao redor do mundo e mui-
atividade. O pousio, por exemplo, é uma técnica que visa tos ainda não entenderam que essas reações da natureza

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


o “descanso” do solo até que haja a recuperação da sua é um aviso desse desequilíbrio que nos acomete.
fertilidade. A seguir veremos sobre os fatores necessários para
Atualmente, como resultado da expansão das ativi- que exista um equilíbrio natural e como também nós po-
dades agropecuárias e da urbanização no país, todo os demos ajudar para que a saúde de nosso planeta sempre
biomas brasileiros correm risco de extinção caso sejam trabalhe ao nosso favor e não ao contrário. Vamos enten-
mantidos os mesmos padrões de exploração. Dois desses der conceitos e saber porque eles são tão importantes
biomas, o Cerrado e a Mata Atlântica, já se encontram nos dias de hoje.
na lista mundial de Hotsposts, isto é, áreas com grande
diversidade que se encontram ameaçadas de extinção. O Que é um Ecossistema
Além deles, estima-se que a Amazônia brasileira desa- Essa palavrinha é até bem comum nos dias de hoje,
parecerá em 40 anos caso sejam mantidos os índices de onde a busca por um planeta totalmente sustentável tem
desmatamento atuais. O Pantanal e os Pampas são amea- sido a principal meta de grande parte da população ao
çados pelas atividades agropecuárias que comprometem redor do mundo. Podemos chamar de ecossistema, um
o sistema de cheias dos rios no Pantanal e contribuem grupo que é formado por seres com o mesmo compo-
para o processo de desertificação do solo nos Pampas. nentes bióticos e abióticos e que convivem harmoniosa-
Asim, o Brasil, embora possua uma grande biodiversida- mente sobre a mesma região. Podemos também definir
de, corre o risco de perdê-la caso as leis ambientais de como ecossistema, todas as populações que existem em
proteção desses biomas não sejam colocadas em prática. um mesmo espaço.
Efeito estufa é um fenômeno atmosférico natural Ao conjunto de todos   os ecossistemas vamos cha-
responsável pela manutenção da vida na Terra. Sem a mar de biosfera terrestre.

21
Equilíbrio / Desequilíbrio Natural drados de florestas tropicais destruídas por ano. Além
A nossa natureza é muito sábia e funciona de forma deste número, 150 mil ainda sofrem sérias consequên-
bem simples apesar de muitos não perceberem. Quando cias.
falamos em equilíbrio, a natureza entende como con- – De acordo com estudos e pesquisas feitas, se o nú-
dições favoráveis para o planeta e quando falamos em mero de desaparecimento de espécie não reduzir, nos
desequilíbrio, por consequência, nos referimos a exata- próximos 50 anos metade de todas as espécies do pla-
mente as condições opostas, desfavoráveis. neta terão desaparecido. O número de extinção está hoje
Para que o planeta reaja de forma favorável para nós, em média de 15 000 a 20 000 espécies por desaparecidas
devemos sempre manter as condições favoráveis tam- por ano.
bém, caso contrário o que temos é uma reação. Se algo – Quando uma única planta desaparece do planeta,
está fora do lugar no planeta, ele reage como algo que cerca de 30 espécies de animais e insetos sofrem as con-
conhecemos por fenômenos naturais. Estes podem ser sequências e também podem desaparecer por depende-
dos mais simples até os mais violentos, destruindo po- rem dela para a sua sobrevivência.
pulações inteiras. – A proporção de combustíveis consumidos hoje no
O desequilíbrio do ecossistema acontece quando as planeta é: 1 milhão de anos para produzir uma reserva
saídas de recursos materiais e energias é maior ou menor que foi usada em sua totalidade pela humanidade em
do que aquele gerado pelo meio ambiente. Dessa forma apenas 12 meses.
é como se abrisse um vácuo no ciclo natural do sistema e – Estudos e pesquisas apontam que para que a po-
este “reclamasse” para a população esta falta. pulação mantenha hoje os gastos com água e energia
retirada do planeta, seria necessário mais 5 planetas Terra
Queimadas para suprir esse abastecimento. Isso significa que o que o
As queimadas são tipo uma espécie de “carro chefe” planeta produz e suficiente apenas para suportar 1/3 da
quando se fala em desequilíbrio ou equilíbrio do ecos- população e por alguns anos.
sistema. Quando um número considerável de árvore é
queimado, uma quantidade também considerável de Consequências Ambientais do Desequilíbrio
combustível é jogado no ar para que seja feita a combus- Contabilizar a quantidade de problemas gerados pelo
tão. Enquanto existir o combustível, também vai existir a desequilíbrio de um ecossistema é praticamente impos-
combustão. Quando fogo acabar, o sistema volta ao seu
sível, mas enumeramos os principais:
estado de equilíbrio.
– A perda de biodiversidade que vai causar danos sé-
Ainda na mesma queimada, após cessar o fogo se
rios à todas as populações de um ecossistema como a
ainda existirem sementes das plantas ou raízes suficiente
desflorestação, a poluição dos ecossistemas aquático e
para que elas cresçam novamente, vai acontecer a re-
terrestre, a destruição dos habitat, entre outros proble-
generação e portanto, um novo equilíbrio sobre aquelas
mas.
árvores que foram perdidas na queimada. Dessa forma
– A desertificação que vai gerar a extinção de alguma
a natureza continua produzindo na mesma quantidade
espécies e também a destruição de ecossistemas, princi-
que lhe foi retirado.
palmente os de grande importância para o planeta.
Homem x Equilíbrio Ambiental – O aumento do efeito de estufa que gera um aqueci-
Muitas pessoas vendem a ideia errada de que somos mento global do planeta e com isso vai ocorrer o enfra-
diretamente responsáveis pelo equilíbrio ambiental e quecimento da camada de ozônio, chuva ácida, desertifi-
isso não é verdade. Este equilíbrio acontece sempre in- carão e tantos outros problemas.
dependente de qualquer ação humana, todo o ecossiste- – Fenômenos naturais descontrolados. Isso vem sen-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

ma é responsável por se regenerar naturalmente. O que do até bem comum e se observarmos bem, é sempre a
acontece e é importante discutir sempre é que nós, seres resposta de algo que foi tirado da natureza sem a repo-
humanos, somos a única espécie no mundo que pode sição correta. Esse tipo de fenômeno além de desconhe-
alterar esta capacidade de meio ambiente. cido e descontrolado, não têm como serem previstos por
Por sermos então diretamente responsáveis pela al- institutos de pesquisas, então causam grandes desastres,
teração do ciclo natural que acontece durante o equilí- como é o caso de grandes tempestades, tsunamis e ter-
brio do meio ambiente, temos que começar a pensar em remotos que aconteceram nos últimos anos.
todas as nossas ações se quisermos viver em harmonia
com as diversas espécies de seres vivos que dividem es-
paço conosco no planeta.
EXERCÍCIO COMENTADO
Contribuintes para o Desequilíbrio Ambiental
São diversos fatores que estão ligados à falta de equi- 1. (Excelência/2017 – Prefeitura de Cambo-
líbrio de um ecossistema. Enumeramos alguns deles: riu/SC) O espaço geográfico é a natureza trans-
– De toda a quantidade de esgotos que existe no pla- formada pelo trabalho dos seres humanos, um
neta e que são despejados no Mediterrâneo, 2/3 deles conjunto constituído por diferentes paisagens.
não possuem nenhum tipo de tratamento. Ele pode ser grande ou pequeno, movimentado ou não
– Já temos 50% do total de todas as florestas tropicais apresentando elementos naturais ou culturais e elemen-
do planeta destruídas. Esse número foi gerado apenas de tos invisíveis. O espaço é construído e reconstruído per-
1900 até hoje. Isso contabiliza 142 000 quilômetros qua- manentemente pelo trabalho humano e pela natureza.

22
A Geografia assim como outras ciências também possui
conceitos que são fundamentais para o seu estudo sendo O HOMEM E A OCUPAÇÃO DO ESPAÇO.
eles: paisagem, lugar, território e a região. A DISTRIBUIÇÃO DA POPULAÇÃO NO
MUNDO. AS TEORIAS DEMOGRÁFICAS.
Julgue as afirmativas apresentadas. MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS NA ATUA-
LIDADE. CONFLITOS POPULACIONAIS E A
I- Paisagem: No senso comum a palavra pode ter EXPLOSÃO URBANA.
diferentes significados como onde estão as estrelas, às
distâncias de um lugar a outro, mas, para a geografia o
espaço estudado com maior ênfase é aquele onde ocor- O espaço está em constante transformação, sendo o
rem relações sociais, econômicas e políticas dentro de homem um dos principais responsáveis por esse proces-
uma escala que varia do local para o global. É aquele que so. As relações socioeconômicas estabelecidas em um
apresenta alguma relação com as pessoas que o habitam. determinado local configuram o espaço geográfico, alte-
II- Lugar: O lugar é a parte do espaço onde as rela- rando de forma significativa os elementos da natureza e,
ções de proximidade e afetividade dos indivíduos se en- consequentemente, a paisagem.
trelaçam, sobretudo as do cotidiano. É onde as pessoas Todos esses temas são objeto de estudo da Geogra-
constroem referências quase que sentimental com aque- fia, em especial a análise do espaço geográfico. Sendo
le lugar, onde cada pessoa busca as referências pessoais assim, o educador dessa disciplina deve despertar o sen-
e constrói os seus sistemas de valores que fundamentam so crítico dos estudantes a respeito das transformações
a vida em sociedade. Portanto, o conceito de lugar está espaciais promovidas pela intervenção humana, propor-
cionando aulas atrativas e esclarecedoras.
relacionado à dimensão cultural e fortemente relaciona-
do à identidade e ao cotidiano.
O espaço natural
III- Espaço: É tudo aquilo que vemos, e se constitui a
Para que o espaço geográfico exista, antes havia no
partir da presença em diferentes escalas dos elementos
local o espaço natural. Como o próprio nome já diz, é um
naturais e culturais sobre os quais a sociedade interage ambiente natural, original próprio da natureza, compos-
e cuja percepção permite a leitura do espectador, onde to pelos rios, vegetação, relevos, elementos climáticos e
encontramos elementos socioculturais resultante da for- outros fatores. No espaço natural não há modificações
mação histórica, cultural, emocional, físico, resultante da do homem, quando o homem passa a modificar e trans-
dinâmica natural. formar esse espaço, deixando suas marcas culturais, ele
IV- Território: O território é temporário e modificável, deixa de ser natural e passa a ser geográfico.
depende das relações e escalas temporais. É onde ocorre
as relações de poder e como os que o habitam o conhe- As primeiras transformações
cem. Imagine como era o Brasil antes da chegada dos por-
Está CORRETO somente o que está afirmado em: tugueses, no início só haviam os índios em suas aldeias.
Nesse período o espaço geográfico não era muito gran-
a) I, II e IV. de, pois os índios não faziam grandes transformações no
b) I, III e IV. meio onde viviam e isso fazia com que grande parte do
c) II e IV. território fosse considerado um espaço natural.
d) Nenhuma das alternativas. Quando os portugueses chegaram ao Brasil e passa-
ram a coloniza-lo, mudanças ocorreram e as primeiras

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Resposta: Letra C. regiões a se transformarem em espaço geográfico foram
Os conceitos de lugar e território abordado estão corre- as litorâneas, pois era nessas regiões que estavam as pri-
tos, no entanto, os outros dois não, vejamos portanto o meiras riquezas descobertas pelos portugueses.
que significa paisagem e região. Boa parte da região litorânea passou a ser modifica-
Em “I”, Errado - trata-se de região. Vejamos o conceito: da, as terras passaram a ser cultivadas, vilas começaram a
Região: área do espaço com um mínimo de delimita- ser construídas e toda a paisagem que antes era apenas
ção. Na Geografia, a região refere-se a uma porção natural passou a se modificar, as árvores foram sendo
substituídas por casa, ruas, e pequenos comércios. As
superficial designada a partir de uma característica
transformações eram feitas, mas sempre fica um pouco
que lhe é marcante ou que é escolhida por aquele que
da antiga paisagem.
concebe a região em questão. Assim, existem regiões
naturais, regiões econômicas, regiões políticas, entre A contínua transformação
muitos outros tipos Desde que o homem começou a mudar o espaço
Em “III” – Errado - trata-se de paisagem. Vejamos o con- geográfico não parou mais. Com o passar do tempo, com
ceito: Paisagem: tudo aquilo que é perceptível através as mudanças e evoluções tecnológicas, sociais, políticas e
de nossos sentidos. É formada por diferentes elemen- econômicas se tornam necessárias as transformações no
tos que podem ser de domínio natural, humano, social, meio onde vivemos.
cultural ou econômico e que se articulam uns com os As paisagens mudam por necessidade da evolução,
outros. Passa por constantes processos de modificação, com a ciência e tecnologia o homem passa a criar novas
sendo adaptada conforme as atividades humanas. ferramentas que direta ou indiretamente acabam mo-

23
dificando o lugar em que vivemos. Mesmo com tantas Redução Populacional  da Europa
mudanças ainda encontramos muitos elementos naturais A Europa vive uma situação inversa a da África. Já teve
que são essenciais para nossa vida. 21% da população mundial, mas agora fica com 10,7%,
As transformações não param nunca, os lugares es- apenas. O problema é que a tendência é de diminuir mais
tão em constante mudança e vai ser sempre assim. Mas ainda, pois não está havendo a reposição populacional
existem algumas paisagens geográficas que não mudam, em vários países do continente.
pois possuem elementos culturais de outras épocas e A América vive um equilíbrio populacional, girando
acabam sendo preservadas pelo homem. na faixa de 1% o crescimento populacional por ano. É
claro que Estados Unidos e Canadá contribuem para
População e Demografia diminuir a taxa, enquanto os países latino-americanos
A população mundial consiste no número total de apresentam índices um pouco superior a 1% ao ano.
Agora, olhando o número de habitantes por país, en-
habitantes do planeta Terra, quantidade essa que atingiu
tendemos porque a Ásia é a mais populosa. O continente
7,6 bilhões de pessoas em 2017. E, não para de crescer,
tem 5 dos 10 países mais populosos do mundo, como
pois em em 2013 a marca era de 7,2 bilhões de habitan-
apresenta na lista a seguir:
tes, conforme dados divulgados pelo Fundo de Popula-
1° – China (Ásia): 1.357.380.000 habitantes.
ção das Nações Unidas (FNUAP). 2° – Índia (Ásia): 1.252.139.596 habitantes
A previsão dos geógrafos e dos estatísticos especia- 3° – Estados Unidos (América): 316.128.839 habitan-
lizados é de que no ano de 2100 seremos 12 bilhões de tes
humanos sobre o Planeta Terra. O maior crescimento 4° – Indonésia (Ásia): 249.865.631 habitantes
ocorrerá no continente africano. 5° – Brasil (América): 202.409.273 habitantes
Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), 6° – Paquistão (Ásia): 182.142.594 habitantes
o ritmo de crescimento populacional vem diminuindo, 7° – Bangladesh (Ásia): 156.594.962 habitantes
crescendo num ritmo bem mais lendo, de 0,33% ao ano, 8° – Nigéria (África): 173.615.345 habitantes
contra os 2,02% da atualidade. 9° – Rússia (Europa): 143.499.861 habitantes
A distribuição da população mundial é bastante desi- 10° – Japão (Ásia): 127.338.621 habitantes
gual, havendo uma grande diferença de habitantes entre
os continentes. Separei pra você, os números de habitan-
tes em cada continente (dados de 2013), veja: #FicaDica
1. África: 1,111 bilhão de habitantes Um estudo da ONU revela que a população
2. América: 953,7 milhões de habitantes global atual é de 7,6 bilhões de habitantes
3. Ásia: 4,427 bilhões de habitantes e deve subir para 8,6 bilhões em 2030.
4. Europa: 742,5 milhões de habitantes
5. Oceania: 40 milhões de habitantes
Observando os dados, a Ásia é o continente com a Fertilidade
maior concentração populacional do planeta, chegando “Hoje em dia, estamos com uma população esti-
a mais ou menos 65% da população mundial. mada em 7,6 bilhões e nossa projeção até 2100 é que
Chamo a sua atenção para a África, que é o 2º conti- a população chegue a 11,2 bilhões. A maior parte desse
nente mais populoso, mas sabes por quê? Pelo alto índi- crescimento vai ser na África, por causa, mais que tudo,
ce de crescimento populacional que ainda mantêm! Mas, dos níveis de fertilidade. Vários países da África têm uma
fertilidade relativamente alta e o processo dentro da pro-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

esse cenário poderia ser pior, pois a população poderia


jeção prevê que a população vai continuar a aumentar.”
ser muito maior se a expectativa de vida não fosse tão
De acordo com o relatório, a cada ano a população
baixa.
mundial aumenta em 83 milhões de pessoas.
Pela estimativa da ONU, em 2050 a África terá cerca
A China tem 1,4 bilhão de habitantes e a Índia 1,3
de 21% da população mundial habitando seu território. bilhão. Ambos continuam sendo os países mais popu-
A previsão global para 2050 é de 9 bilhões de habitantes losos, com uma porcentagem de 19% e 18% do total da
na Terra. O problema adicional ao crescimento da popu- população global, respectivamente. Por volta de 2024, a
lação é o da pressão sobre o meio-ambiente.  A pressão população da Índia deve superar a da China.
ocorre pela exigência em produzir e retirar alimentos
para suportar a população dos humanos, e como lidar Brasil
com os rejeitos de toda a espécie que são gerados, impli- O Brasil está no Top 10 dos países que registraram
cando em poluição e degradação ambiental. menor fertilidade em relação ao nível de reposição entre
2010 e 2015. O grupo de 83 nações com 46% da popu-
Veja o fenômeno da Urbanização lação mundial inclui a China, os Estados Unidos, a Rússia,
Os estudos sobre Geografia Humana mostram que o Japão, o Vietnã, a Alemanha, o Irã, a Tailândia e o Reino
em poucos séculos a população migrou do campo para Unido.
as cidades. É a Urbanização. No Brasil, por exemplo, em Espera-se que entre 2017 e 2050 metade da taxa de
poucas décadas no século XX isto aconteceu. Veja uma crescimento da população ocorra em nove países: Índia,
aula especial sobre a Urbanização, e depois continue Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão,
com o post sobre a População Mundial. Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos, Uganda e Indonésia.

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Envelhecimento social e favorecer os ideais da burguesia. Afinal, a teoria
Na África, a região com os mais altos níveis de fertili- malthusiana sugeria que a miséria e a disseminação de
dade, o índice caiu de 5,1 nascimentos por mulher entre doenças, catástrofes e guerras ajudariam a conter o cres-
2000 e 2005 para 4,7 entre 2010 e 2015. cimento populacional acentuado.
A nível global a expectativa de vida aumentou para O socialista utópico do século XIX, Pierre-Joseph
os homens de 65 anos, entre 2000 e 2005, para 69 anos Proudhon, afirmava: “Há somente um homem excedente
entre 2010 e 2015. Para as mulheres a taxa subiu dos 69 na Terra: Malthus”. E nessa mesma linha seguiam muitos
anos para 73 anos durante esse mesmo período. teóricos que acreditavam que a desigualdade na rela-
ção entre recursos naturais, alimentos e o crescimento
Teorias demográficas populacional não estava no número de habitantes, mas
As principais teorias demográficas que abordam o na distribuição de renda. Em geral, muitas dessas ideias
ritmo de crescimento populacional são a malthusiana, a aproximavam-se dos ideais defendidos por Karl Marx,
neomalthusiana, a reformista e a de transição demográ- sendo então relacionadas com o que se chamou de Teo-
fica. ria Marxista ou Reformista da população.
A relação entre o número de pessoas e a quantida- Assim, para essa concepção, não é o “controle moral”
de de recursos disponíveis para alimentá-las e satisfazer
da população o necessário para combater a ocorrência
o seu nível de consumo sempre foi motivo de grande
da fome e da miséria, mas a adoção de políticas sociais
preocupação. Afinal, os recursos naturais disponíveis se-
de combate à pobreza, com a aplicação de leis trabalhis-
rão capazes de, no futuro, atender aos sucessivos cresci-
mentos populacionais? tas que assegurem a melhoria na renda do trabalhador.
Essas questões já foram há muito tempo formuladas, A democratização dos meios sociais e de produção tam-
e diferentes respostas surgiram. Trata-se das teorias de- bém é considerada uma estratégia nesse mesmo sentido.
mográficas, também chamadas de teorias do cresci-
mento demográfico. A primeira delas foi a proposta por Teoria neomalthusiana
Thomas Malthus, conhecida como Malthusianismo. Logo após o final da Segunda Guerra Mundial (1939-
1945), os principais países desenvolvidos do mundo ini-
Malthusianismo ciaram um processo de explosão demográfica, com um
Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista aumento rápido e repentino de sua população. Da mes-
liberal e historiador inglês, elaborou ao final do século ma forma, nos anos seguintes, muitos países subdesen-
XVIII uma teoria populacional que apontava para o dese- volvidos (incluindo o Brasil) passaram pelo mesmo pro-
quilíbrio existente entre os crescimentos demográficos e cesso, sobretudo porque nesses países, com históricos
a disponibilidade de recursos na Terra. Em seu livro En- de altas natalidades e mortalidades, o número de óbitos
saio sobre o princípio da população, ele afirmava cate- foi reduzido e a expectativa de vida, elevada.
goricamente que o planeta, em pouco tempo, não seria Por isso, a população do planeta novamente come-
capaz de atender ao número de habitantes existentes. çou a crescer, por isso as teorias de Malthus ganharam
De acordo com a Teoria Malthusiana, as populações um novo eco entre muitos pensadores e governantes. O
aceleravam sempre o seu ritmo de crescimento, que se- Neomalthusianismo é, pois, a retomada desse pensa-
guia a linha de uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, mento, com diferenças no que diz respeito às formas de
16, 32, 64, 128, 256, …), enquanto a disponibilidade de
controle do crescimento populacional.
recursos e de alimentos aumentaria conforme uma pro-
Para o neomalthusianismo, as populações, sobretu-
gressão aritmética (1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, …), sendo menor,
portanto. do as de baixa renda, deveriam ter os seus índices de
Como solução, Malthus apontava para o controle natalidade controlados. Para isso, a difusão dos méto-

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


moral da população. Em virtude de sua filiação religiosa, dos contraceptivos tornou-se fundamental. Em alguns
ele era contra a adoção de qualquer tipo de método con- países, governos adotaram medidas de esterilização em
traceptivo, dizendo que os casais só deveriam procriar massa sobre pessoas pobres, além de distribuírem anti-
caso houvesse condições para sustentar seus filhos. Além concepcionais gratuitamente e promover campanhas de
disso, Malthus também dizia que os trabalhadores mais conscientização. Difundem-se, até os dias atuais, muitas
pobres deveriam apenas receber o mínimo para o seu campanhas ou imagens publicitárias com o modelo ideal
sustento, pois acreditava que a melhoria nas condições de família formado pelos pais e dois filhos apenas.
sociais elevaria ainda mais o número de nascimentos.
Apesar de suas previsões serem fundamentadas em Transição demográfica
dados demográficos de sua época, Malthus errou em A concepção da transição demográfica é uma propo-
subestimar os avanços tecnológicos nos processos de sição mais atual que afirma que todos os países, cedo ou
produção, que fizeram com que a oferta de recursos e tarde, apresentarão padrões gerais no que diz respeito à
alimentos se ampliasse muito acima do previsto. Além ordem do crescimento demográfico.
disso, observa-se atualmente que a tendência é que as A transição demográfica considera que a explosão
sociedades mais desenvolvidas gerem menos filhos, ao demográfica é um fenômeno transitório, geralmente
contrário do que o economista inglês imaginava. causado pelo desenvolvimento econômico e social das
nações, o que resulta na queda imediata das taxas de
Teoria reformista ou marxista
mortalidade, o que eleva o número de habitantes. Por
Muitas contestações foram feitas ao pensamento de
outro lado, a natalidade também diminui, mas em um
Malthus, frequentemente acusado de legitimar os efeitos
ritmo mais lento, o que faz com que a explosão demo-
perversos da economia capitalista sobre a desigualdade

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gráfica inicial seja substituída gradativamente por uma Segundo o Acnur, quase 2,2 milhões de pessoas dei-
diminuição no ritmo de crescimento do número de ha- xaram o país para ir a Uganda (785.000), Sudão (764.000)
bitantes. e Etiópia (422.000). Trata-se de uma das piores crises hu-
Foi assim, por exemplo, que ocorreu na Europa, que manitárias do mundo.
hoje apresenta baixíssimos crescimentos populacionais.
No Brasil também não foi diferente, pois a população au- - 2015: um recorde na Europa -
mentou rapidamente ao longo do século XX, mas teve A chegada maciça e continuada de migrantes por vá-
seu crescimento diminuído nas últimas décadas. O prin- rios anos provocou uma grave crise migratória e política
cipal efeito disso – e também o principal motivo de preo- na Europa, onde os governos endureceram suas condi-
cupações – é o envelhecimento populacional. ções de acolhida e, em alguns casos, restabeleceram os
O Brasil, até pouco tempo atrás, era considerado um controles fronteiriços.
país jovem, com boa parte da população com média de Depois do recorde de mais de 1 milhão de migrantes
em 2015, o número de chegadas pelo mar Mediterrâneo
idades baixas. Atualmente, passou a ser considerado um
(de origem síria, iraquiana, afegã e da África subsaariana)
país adulto, com potencial para tornar-se um país idoso
tende a cair. Em 2016 foram mais de 362.000, e em 2017,
nas próximas décadas. Na Europa, o envelhecimento po-
172.000. Desde o início de 2018, 132.500 migrantes che-
pulacional já é uma realidade, o que ocasiona uma série garam à Europa, 108.400 deles pelo mar, segundo a Or-
de problemas relacionados com a previdência social e ganização Internacional para as Migrações (OIM). Cerca
com a diminuição da PEA (população economicamente de 2.130 pessoas morreram nessa tentativa.
ativa). À medida que foram fechando as rotas migratórias no
Ironicamente, no continente europeu, o problema Mediterrâneo oriental (Turquia-Grécia) e central (através
atual é exatamente o contrário imaginado por Malthus, da Líbia ou da Tunísia para a Itália), a pressão foi sendo
pois não é o crescimento acelerado da população a prin- acentuada na rota ocidental, sobretudo no Marrocos. As
cipal tônica da questão, mas o crescimento moderado redes de tráfico de migrantes aumentaram suas ativida-
além da conta. Em países como França e Alemanha, polí- des rumo à Espanha que, com quase a metade das che-
ticas de incentivos à natalidade são realizadas, incluindo gadas, se tornou neste ano a principal porta de entrada
o pagamento de bolsas e benefícios para casais que tive- da imigração clandestina na Europa.
rem um terceiro filho.
- A partir de 2015: Venezuela -
Movimentos migratórios, conflitos populacionais Segundo as Nações Unidas, cerca de três milhões de
e crescimento urbano. venezuelanos vivem no exterior, dos 2,3 milhões emi-
graram desde 2015, fugindo da grave crise econômica,
Os principais fluxos migratórios nos últimos anos es-
política e social que atravessa o país. A Colômbia, que
tão diretamente ligados a movimentos maciços de po-
compartilha 2.200 km de fronteira com a Venezuela, aco-
pulação que fogem dos conflitos, da pobreza e de perse-
lhe mais de 1 milhão; o Peru, pelo menos 550.000; e o
guições. Abaixo, alguns casos: Equador, cerca de 300.000. Em agosto deste ano, uma
estimativa divulgada em agosto pelo Instituto Brasileiro
- Desde 2011: Síria - de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que cerca de
O conflito na Síria, que começou com a repressão das 30,8 mil venezuelanos vivem no Brasil atualmente.
manifestações pró-democracia, deixou mais de 360.000 O Acnur acredita que esse êxodo de venezuelanos
mortos desde março de 2011. Neste país de aproxima- que escapam da hiperinflação e da escassez é o mais ex-
damente 23 milhões de habitantes antes da guerra, mais pressivo fluxo migratório da história recente da América
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

da metade da população se viu obrigada a fugir de seus Latina.


lares por causa dos combates. No interior do país há cer-
ca de 6,6 milhões de sírios deslocados. - 2018: Honduras -
O restante, mais de 5,6 milhões, fugiram para o ex- Uma caravana de milhares de migrantes, principal-
terior, a maioria a países vizinhos, segundo os últimos mente hondurenhos que saíram de seu país escapando
dados da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur). da violência e da pobreza, alcançou em meados de no-
A Turquia é o país que acolhe mais sírios registrados vembro deste ano à fronteira com os Estados Unidos.
pela Acnur, com mais de 3,6 milhões. Em seguida estão Outras caravanas procedentes de América Central se
juntaram e os migrantes percorreram milhares de quilô-
Líbano (menos de 1 milhão a 1,5 milhão, segundo Beiru-
metros a pé, de ônibus ou em veículos que os ajudavam,
te) e Jordânia (de 673.000 a 1,3 milhão, segundo Amã).
na esperança de obter o status de refugiados nos Esta-
Centenas de milhares de sírios se refugiaram também
dos Unidos.
na Europa, sobretudo na Alemanha.
Cerca de 6.000 pessoas se reuniram na cidade mexi-
cana de Tijuana, mas não conseguiram cruzar a fronteira,
- 2013-2018: Sudão do Sul - para onde o presidente Donald Trump deslocou milhares
O Sudão do Sul, que conquistou sua independência de soldados.
em 2011, foi cenário de uma guerra civil durante quase
cinco anos, é caracterizado pelas atrocidades de caráter Movimentos populacionais e suas consequências
étnico. O conflito entre dezembro de 2013 e setembro de As migrações são as mudanças de populações de
2018 deixou mais de 380.000 mortos e obrigou cerca de uma região para outra, de um país para outro ou do cam-
4,2 milhões de pessoas, um terço da população, a fugir. po para a cidade (êxodo rural). 

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As migrações podem ser internas - quando ocorrem dentro do mesmo país ou região – ou internacionais – quan-
do pessoas imigram de um país para outro.
Alguns dos deslocamentos populacionais mais frequentes são:
• Migração rural-rural: ocorrem de uma área agrícola para outra. Esse tipo de migração engloba a transumân-
cia: os trabalhadores rurais que se deslocam constantemente em busca de trabalho, como os “boias-frias”, que são
trabalhadores itinerantes.
• A transumância, ou migração sazonal, é o movimento populacional que ocorre em determinadas épocas do
ano e que sempre se repete.
• A migração pendular (movimento pendular), ou migração diária, que ocorre nos grandes centros urbanos,
constituem a deslocação de trabalhadores de sua residência até o local de trabalho, que geralmente se localiza a uma
distância significativa de onde moram. Muitas pessoas não trabalham nem estudam no município de sua residência.
• O êxodo rural é o deslocamento populacional de áreas rurais para áreas urbanas.
• A migração intra-urbana é um deslocamento populacional de curta distância – de uma cidade para outra.
• O nomadismo é a prática em que pessoas não têm habitação fixa e vivem mudando de residência. Na Ásia e
no norte da África, é comum encontrar pastores nômades.
• A migração de retorno é o regresso dos imigrantes à região ou ao país de origem. Por exemplo, graças à crise
econômica ocorrida nos Estados Unidos em 2007, muitos brasileiros que residiam em território norte-americano retor-
naram ao Brasil. Esse fenômeno ocorreu no Nordeste do Brasil: muitos nordestinos que haviam migrado para outras
regiões do Brasil regressaram ao seu lugar de origem.
A procura por melhores condições de vida impele muitas pessoas a abandonarem seu lugar de origem e a partir
para outros lugares, mesmo que sejam desconhecidos. Inúmeras são as causas do deslocamento de pessoas entre as
várias regiões do planeta:
• econômicas - a mais importante ao longo da história;
• político-ideológicas;
• desastres naturais;
• conflitos militares;
• religiosa.
As migrações humanas são feitas de áreas de repulsão populacional, onde há pobreza, baixos salários, desem-
prego e subemprego, fome, guerras e desastres naturais para regiões de atração populacional, onde há melhores
condições de vida, condições de emprego, salários mais altos, paz e segurança.
Os deslocamentos populacionais impactam o lugar de origem e o de destino das ondas migratórias. O imigrante
pode adentrar um país de forma legal ou ilegal. Ele pode ser um refugiado ou um requerente de asilo.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

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Os principais tipos de movimentos populacionais são:

TIPOS DE DESLOCAMENTOS POPULACIONAIS


espontâneos - deslocamentos voluntários
forçados - motivados por perseguições políticas, étnicas ou religiosas
tutelados - países que controlam a entrada de pessoas
por interesses econômicos dos países desenvolvidos - nações economicamente prósperas que
necessitam de mão de obra de alta especialização para determinados setores tecnológicos

Exemplos de deslocamentos espontâneo são a ida de turcos, gregos e habitantes do leste europeu para a Europa
ocidental, principalmente para a República Federal da Alemanha, em busca de trabalho e melhores salários; na segunda
metade do século XIX e no início do século XX, o Brasil recebeu italianos, espanhóis, japoneses, árabes, além de outras
etnias, que aqui esperavam encontrar melhores condições de vida.
A diferença de nível de vida incentiva milhares de habitantes de países pobres a buscar novas oportunidades de
trabalho em países ricos.
As guerras étnicas da África e os conflitos políticos e guerras no Oriente Médio são expressões dos deslocamentos
forçados.
Os Estados Unidos da América, as Nações da Europa ocidental e até mesmo o Brasil controlam e policiam a
entrada de imigrantes. Já o atual interesse da República Federal da Alemanha em trazer técnicos indianos especializa-
dos em Informática é um belo exemplo de interesse econômico por parte de uma nação desenvolvida.
As migrações provocam consequências demográficas, sociopsicológicas e culturais.

CONSEQUÊNCIA DEMOGRÁFICA
Nas zonas de repulsão populacional diminui a população; nas de atração, cresce o número
de habitantes.

CONSEQUÊNCIA SOCIOPSICOLÓGICA
Abalos psicológicos e morais sofridos pelas famílias e comunidades que, ao migrarem, per-
dem suas raízes culturais e relações de amizade.

CONSEQUÊNCIA CULTURAL
A mistura de línguas, religiões, hábitos, culinária, etc. Essa troca cultural (aculturação) tem
os aspectos positivos da eliminação de preconceitos entre as diversas etnias e o enriquecimen-
to cultural de todas as comunidades postas em contato.

É lamentável que no final do século XX e no começo do XXI, período que deveria ser pela tolerância entre os povos,
o mundo tenha assistido, cada vez mais, lutas entre comunidades, tais como os massacres praticados pelos indonésios
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no Timor Leste ou, na África Negra, o recente genocídio levado a efeito pela tribo dos Hutus sobre os Tutsis. Tais con-
flitos causam grandes deslocamentos de pessoas.  
A mobilidade humana constitui motivo de preocupação: gera amplos debates sobre política, economia e segurança
nacional.

#FicaDica
Nesse processo de mobilidade humana temos duas situações:

- Regiões de repulsão populacional


São muitas as razões que levam as pessoas a deixar seu país de origem.
A África, a Ásia, o Oriente Médio e a América Latina são regiões de maior repulsão populacional. Na Ásia e a
África, há áreas extremamente pobres. Isso resulta em uma repulsão populacional significativa. Além disso, certas re-
giões nesses continentes – especialmente no Oriente Médio – são palco de guerra. Alguns países asiáticos e africanos
constituem refúgio para grupos terroristas.
Áreas de repulsão populacional sofrem um fenômeno denominado “fuga de cérebros”: a saída de pessoas com alto
nível educacional que imigram para países ricos e desenvolvidos. “Fuga de cérebros” constitui perda de talento, pois
pessoas bem preparadas frequentemente buscam melhores condições de trabalho e de vida e mais oportunidades
no exterior. Isso agrava o cenário de países com alta repulsão populacional, que já contam com pouca mão de obra
qualificada.

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- Regiões de atração populacional
Os Estados Unidos e a Europa Ocidental são as grandes regiões de atração populacional. 
As fronteiras não estão abertas às pessoas. A mundialização da economia abre as fronteiras nacionais para mercado-
rias e capitais, mas os países continuam a erguer barreiras contra a imigração, restringindo a mobilidade populacional.
Quando a migração legal é muito restringida, cresce a ilegal – a procura por meios não convencionais de entrar em
certo país. Imigrantes ilegais tomam grandes riscos para chegar aos seus destinos e frequentemente acabam caindo na
clandestinidade, não possuindo documentos para trabalhar na economia formal de seu novo país. Consequentemente,
assumem trabalho pesado com baixa remuneração e vivem em bairros afastados. Por serem imigrantes ilegais, ficam
sujeitos a incertezas e discriminações e acabam por integrar marginalmente a força de trabalho, o que se transforma,
em alguns casos, em escravidão.
Em crises econômicas, cresce o preconceito contra estrangeiros, fomentado pela crença de que as pessoas e os
produtos vindos de fora são os responsáveis pelas crises da economia e pelo desemprego. Os imigrantes são frequen-
temente vítimas da xenofobia - o medo irracional, a aversão e até mesmo o ódio em relação a estrangeiros.

EXERCÍCIO COMENTADO
1. (CESPE/2018 – IPHAN) Para geógrafos e cartógrafos, a escala como medição/cálculo ou como recortes do território
é um conceito muito importante: não há leitura em um mapa sem determinação da escala, assim como não há análise
de fenômenos sem que seja esclarecida a escala geográfica adotada. A esse respeito, julgue o item subsecutivo.
A partir da escala cartográfica, é possível identificar a localização de um fenômeno na superfície terrestre.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Errado.
A escala cartográfica é compreendida como uma relação entre grandezas e é neste caso que a relação entre as
medidas dos objetos ou áreas da região representada no espaço cartografado (numa folha de papel ou na tela de
um monitor, por exemplo) e suas medidas reais define a maior ou menor resolução espacial do objeto (visibilidade).
O que permite fazer a identificação citada no enunciado são as coordenadas geográficas.

AS ATIVIDADES ECONÔMICAS NO MUNDO CONTEMPORÂNEO. O PROCESSO DE INDUSTRIA-


LIZAÇÃO ATÉ A SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA. INDUSTRIALIZAÇÃO NOS PAÍSES CENTRAIS
E PERIFÉRICOS. A DIVISÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. A CONSTRUÇÃO DO ESPAÇO
URBANO E A RELAÇÃO CAMPO/CIDADE. O MEIO TÉCNICO-CIENTÍFICO. OS FENÔMENOS DA
METROPOLIZAÇÃO E DA DESMETROPOLIZAÇÃO. CARACTERÍSTICAS DOS GRANDES ESPA-
ÇOS AGRÁRIOS DO MUNDO ATUAL. A CIRCULAÇÃO DO CAPITAL, DAS MERCADORIAS, E DA
INFORMAÇÃO.

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


Nota-se que nos últimos anos do século XX, inúmeras foram às transações, acontecimento e manifestações ocor-
ridas no âmbito global. Grandes corporações surgiram, milhares de dólares foram investidos, novas atividades eco-
nômicas e comerciais foram desenvolvidas, produtos e serviços foram criados e aprimorados, normas e leis foram
necessárias, moedas foram criadas, fusões aconteceram, monopólios surgiram, dentre variados outros acontecimentos.
Estar no mercado atual pode representar estar frente a um arsenal diversificado de influencia propostas pela glo-
balização.
A economia vive sob permanente avaliação que é conduzida por uma lógica financeira geral de lucratividade. As
grandes corporações industriais e as organizações financeiras manejam uma massa de ativos financeiros e de moedas
que compõem suas estratégias de valorização ao lado de seus ativos operacionais. Assim, além das taxas de retorno
nos investimentos produtivos, as taxas de câmbio, as taxas de juros e os índices de valorização das ações são “parâme-
tros” considerados na rentabilidade financeira geral. Num mundo de livre movimento de capitais e de taxas de câmbio
flexíveis, aqueles atores efetuam movimentos de “poupança financeira”, em consonância com suas expectativas mutá-
veis, que impactam fortemente os mercados cambiais, acionários e de crédito em geral, mundo afora.
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, a economia capitalista vive uma fase de expansão e enriquecimento. Na
década de 70 e início dos anos 80, essa prosperidade é abalada pela crise do petróleo, que provoca recessão e inflação
nos países do Primeiro Mundo. Também nos anos 70, desenvolvem-se novos métodos e técnicas na produção. O pro-
cesso de automação, robotização e terceirização aumentam a produtividade e reduz a necessidade de mão-de-obra.
A informática, a biotecnologia e a química fina desenvolvem novas matérias-primas artificiais e novas tecnologias.
Mas a contínua incorporação dessa tecnologia de ponta no processo produtivo exige investimentos pesados. E os
equipamentos ficam obsoletos rapidamente.

29
O dinheiro dos investimentos começa a circular para dos anos 70 para os 80 e 90. O resto do mundo em de-
além de fronteiras nacionais, buscando melhores condi- senvolvimento, por outro lado, seguiu o mesmo caminho
ções financeiras e maiores mercados. Grandes corpora- que os países ricos: desaceleração do crescimento dos
ções internacionais passam a liderar uma nova fase de anos 70 para os 80 e 90. Nos anos 90 os países inseridos
integração dos mercados mundiais: é a chamada GLO- na globalização tiveram um crescimento per capita de
BALIZAÇÃO DA ECONOMIA. A divisão política entre os 5% ao ano; os países ricos cresceram a 2,2% per capita e
blocos soviético e norte-americano modifica-se com o os países não inseridos cresceram apenas 1,4%. Ou seja,
fim da Guerra Fria. a distância entre países ricos e em desenvolvimento de-
Uma nova ordem econômica estrutura-se em torno clinou nas duas últimas décadas em relação aos países
de outros centros de poder: os Estados Unidos, a Europa inseridos na globalização e aumentou para aqueles paí-
e o Japão. Em torno destes centros são organizados os ses não inseridos no processo.
principais blocos econômicos supranacionais, que facili- O estudo sugere também que a taxa de inflação dos
tam a circulação de mercadorias e de capitais. países com maior abertura para o exterior declinou nas
Em 1990, o intercâmbio comercial entre esses países últimas décadas.
era de aproximadamente 3 bilhões e meio de dólares. Em Dos anos 80 para os anos 90, a inflação média desses
95, já ultrapassa os dez bilhões. O MERCOSUL vive uma países passou de 24% ao ano para 12%. A estabilização
fase inicial de adequações e ajustes. Mas o comércio en- monetária deverá contribuir para que a renda dos pobres
tre seus integrantes já demonstra seu potencial. Os con- cresça em torno de 0,4%. Em função desses resultados,
tatos políticos, econômicos e culturais se intensificam. os autores do estudo comentam: “podemos esperar que
Hoje se negocia a adesão de outros países da América uma maior abertura deverá melhorar a vida material dos
do Sul. pobres.Também sabemos que no curto prazo haverá al-
Visando ampliar suas atividades comerciais, já se ini- guns perdedores entre os pobres e que a efetiva prote-
ciam contatos políticos com os países da União Euro- ção social pode facilitar a transição para uma economia
péia para a formação de um superbloco econômico. A mais aberta, de tal maneira que todos os pobres se be-
integração econômica entre Argentina, Brasil, Paraguai e neficiem com o desenvolvimento”.
Uruguai já é uma realidade. A globalização econômica – aumento de comércio
A globalização já não é mais questão de opção; é exterior e redução de tarifas – favorece o crescimento
inevitável para qualquer país que pretenda o pleno de- e a diminuição da pobreza. O grande desafio da globa-
senvolvimento econômico, e que queira fazer parte da lização, entretanto, continua a ser a distribuição de ren-
integração mundial que está acontecendo para não so- da entre países e entre pessoas: “países que reduziram a
frer prejuízo ou discriminação por não acompanhar os inflação e expandiram o comércio e viram acelerar suas
movimentos internacionais. taxas de crescimento nos últimos 20 anos não tiveram
Sendo assim, com a crescente busca, por novos mer- mudanças significativas na distribuição de renda”.
cados e todos os demais diferentes parâmetros adotados
mundialmente, diversos efeitos econômicos emergiram. Atividades econômicas
Globalização econômica de 1980 em diante: cresci- Atividades Econômicas estão alicerçadas na capaci-
mento, pobreza e distribuição de renda. dade de produzir e/ou viabilizar a produção de bens e
Para avaliar como a globalização afetou o crescimen- serviços , que garantam as necessidades do ser humano. 
to econômico, a pobreza e a distribuição de renda, reu-
niram dados de um grupo de mais de cem países. Eles É importante identificar os setores em que se divide a
foram divididos em três grupos: países ricos, países inse- atividade econômica. Veja quais são:
ridos no processo de globalização e países não inseridos • Setor primário: Compreende a extração e pro-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

na globalização. O critério para diferenciar os países in- dução de materiais crus, como milho, carvão, madeira e
seridos na globalização do resto dos países em desen- ferro. (Um mineiro, um agricultor, um pescador seriam tra-
volvimento, de 1980 em diante, foi fixado em função de balhadores do setor primário.)
duas variáveis: cortes de tarifas e aumento do volume de • Setor secundário: Compreende a transformação
comércio exterior. de materiais crus ou em grau de processamento interme-
Os países inseridos na globalização tiveram mudanças diáio em bens de produção ou de consumo, por exemplo,
significativas no volume de comércio exterior em relação aço em carros, ou tecidos em roupas. (Um pedreiro e uma
ao Produto Interno Bruto, passando de 16% para 32% estilista seriam trabalhadores do setor secundário.)
nos últimos vinte anos. Como elemento de comparação, • Setor terciário: Compreende o fornecimento de
nos países ricos esse aumento foi de 29% para 50%. Ao serviços para as empresas e para os consumidores, como
mesmo tempo os países inseridos na globalização redu- creches, cinemas e casas lotéricas. (Um vendedor de sho-
ziram as suas tarifas em 22 pontos percentuais (de 57% pping e um contador seriam trabalhadores do setor ter-
para 35%). Os países inseridos na globalização represen- ciário.)
tam metade da população mundial, ou seja, mais de três
bilhões de pessoas. Dentre eles se encontram China, Ín- Com o processo de mundialização da economia, per-
dia, Brasil, México e Argentina. cebemos que fatores outros se juntam , para fazer da
As conclusões do estudo mostram que “enquanto economia, uma grande engrenagem, onde cada “den-
as taxas de crescimento dos países ricos declinaram nas te” dessa engrenagem é importante, para que ela possa
décadas passadas, as taxas de crescimento dos globali- cumprir seu papel importante no desenvolvimento do
zadores têm seguido o caminho inverso, acelerando-se bem estar social .

30
Existem elementos e fatores que interferem na expansão maior ou menor de uma economia. Entre os elementos
citamos:
1. Recursos Minerais,
2. Fontes de energia
3. transportes.

Como fatores que contribuem citamos:


a. Taxa de câmbio
b. Produto interno bruto
c. PIB per capita
d. Produto Nacional Bruto
e. Taxa de juros
f. Dívida nacional
g. Taxa de Inflação
h. Desemprego
i. Balança comercial, etc…

A Mundialização da Economia
Na atual geografia do planeta, espaços isolados são muitos raros, devido à mundialização sem precedentes da eco-
nomia e da vida dos homens, que, progressivamente, vão se transformando em cidadãos do mundo.
Hoje, os produtos agrícolas e industriais são intercambiados mundialmente e o movimento da economia vai trans-
formando o planeta num lugar praticamente sem fronteiras e cada vez mais urbano e industrial.
Um dos protagonistas desse processo de mundialização são as empresas multinacionais, ou seja, empresas que
possuem filiais fora de seu país de origem, estando, portanto, instaladas em mais de um país
Podemos notar que o processo de industrialização, embora tenha se espalhado praticamente por todo o mundo,
ainda se apresenta muito concentrado em alguns países. Apenas vinte deles apresentam produção industrial acima
de 60 bilhões de dólares, enquanto um grande número não chega perto de completar nem mesmo 1 bilhão. Assim
podemos logo concluir que os destaques em relação ao volume de produção industrial são inegavelmente os Estados
Unidos e o Japão. Logo após aparecem a Alemanha e outros países da UE, que, vista em conjunto, forma outro grande
centro de produção industrial. Porém, podemos identificar fora desse eixo uma série de países que apresentam pro-
duções significativas : China, Brasil, Coréia do Sul, México, Argentina, Índia, Indonésia, Tailândia, África do Sul, Malásia,
Cingapura entre outros .
Esses países, por terem apresentado um desenvolvimento industrial acelerado, principalmente a partir da década
de 50, passaram a ser denominados países de Industrialização recente, e foi para eles que se deslocou grande número
de empresas multinacionais.
Acontece que esses países possuem características muito diversificadas e, portanto, diversos também são os moti-
vos de instalação das empresas multinacionais em cada um deles.
Veja-se o caso, por exemplo, dos chamados Tigres Asiáticos, que têm se destacado por uma presença significativa
nos mercados internacionais. As empresas multinacionais desempenham um importante papel no processo de indus-
trialização desses países, mas o seu objetivo básico e principal é a exportação das mercadorias ali produzidas, grande
parte das vezes para o país onde está localizada a própria sede da multinacional.
Em outros países de industrialização recente, o processo é diferente, o Brasil, a Índia e a Argentina, por exemplo,

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também contam com uma presença expressiva de empresas multinacionais. Mas a maior parte da produção dessas em-
presas destina-se ao abastecimento dos mercados internos desses países, e apenas uma pequena parcela à exportação.

Brasil – Atividades econômicas


Para estudarmos as atividades econômicas de forma mais organizada, dividimos o estudo em dois momentos (Ati-
vidades Econômicas I e Atividades Econômicas II)
Nesse primeiro momento, estudaremos os Recursos Minerais e as Fontes de Energia – elementos que nos ajudarão
a internalizar melhor o objeto maior do nosso conteúdo ou seja, as Atividades Econômicas.
Um dos elementos importantes no bom desenvolvimento da economia de um país é, a riqueza dos seus recursos
minerais. Ter em seu território esses recursos é passo importante para fugir das importações e, portanto garantir um
melhor desempenho de suas atividades industriais.

Recursos Minerais
O Brasil é um país de grande potencial mineral, importante para garantir boa parte das atividades economicas pre-
sentes no seu território, já que este possui grande parte de sua superfície constituída de terrenos metamórficos (Cris-
talinos) do período pré-cambriano. No Brasil, as áreas de escudos proterozoicos são as mais propensas à ocorrência
de minerais metalicos. As áreas de exploração de destaque estão na regiao centro-sul e norte. Nas bacias sedimenta-
res(64% – desde o planalto do rio Parnaíba, ao norte, até a planicie da Lagoa dos Patos, ao sul; depressões, planícies e
planaltos do Amazonas) é comum a ocorrência de minerais não-metálicos, como carvão, gás natural, calcário e é claro,
petróleo

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Maiores áreas
As áreas de maior destaque, são:
• Região Norte:
• Serra do Navio(AP):
Principal Minério: Manganês
• Serra dos Carajás(PA):
Principais Minérios: Ferro, Bauxita, Manganês, Níquel, Prata, Galena, Ouro.
• Oriximiná(PA)
Principal Minério: Bauxita
• Região Nordeste
• Recôncavo Baiano(BA):
Principal minério: Petróleo
• Rio Grande do Norte(RN):
Principais Minérios: Petróleo e Sal
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• Região Centro-Oeste
• Maciço do Urucum(MS):
Principais Minérios: Manganês e Ferro
• Região Sudeste
• Quadrilátero Ferrífero(MG):
Principais Minérios: Ferro e Ouro
• Bacia de Campos(RJ):
Principal Minério: Petróleo
• Região Sul
• Rio Grande do Sul e Santa Catarina:
Principal Minério: Carvão

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Projeto Grande Carajás (PA)

O depósito ferrífero da Serra dos Carajás contém 18 milhões toneladas do minério e é a maior reserva de minério de
ferro do mundo. Também há grande depósitos minerais de manganês, zinco, níquel, cobre, ouro, prata, bauxita, cromo,
estanho, tungstênio e urânio.
A Serra dos Carajás, assim como seu entorno atualmente encontram-se densamente povoados. Grandes centros ur-
banos se instalaram nas proximidades do acidente geográfico, fato que contribuiu para a profunda modificação paisa-
gística ocorrida no local a partir da década de 1970. A própria serra encontra-se em contínuo processo de modificação
paisagística devido aos grandes projetos minerários assentados em seu território

A Matriz Energética do Brasil


O Brasil é o 10º maior consumidor de energia do mundo e o maior da América do Sul.
Ao mesmo tempo, é um importante produtor de óleo e gás produzido na região e junto com os Estados Unidos o
maior produtor mundial do combustível etanol
Dados de janeiro de 2010 mostram que a energia brasileira é produzida nas seguintes proporções:
• Hidrelétrica: 75,63% (838 usinas que produzem 78.793.231 KW)
• Gás: 11,27% (125 usinas que produzem 12.055.295 KW)
• Biomassa: 5,82% (356 usinas que produzem 6.227.660 KW)
• Petróleo: 5,36% (829 usinas que produzem 5.735.637 KW)
• Nuclear: 1,88% (2 usinas que produzem 2.007.000 KW)
• Carvão mineral: 1,43% (9 usinas que produzem 1.530.304 KW)
• Eólica: 0,62% (37 usinas que produzem 659.284 KW)
• Solar: menos de 0,01% (1 usina que produz 20 KW

posição do País no setor energético


O Brasil possui a matriz energética mais renovável do mundo industrializado com 45,3% de sua produção prove-

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niente de fontes como recursos hídricos, biomassa e etanol, além das energias eólica e solar. As usinas hidrelétricas
são responsáveis pela geração de mais de 75% da eletricidade do País. Vale lembrar que a matriz energética mundial
é composta por 13% de fontes renováveis no caso de Países industrializados, caindo para 6% entre as nações em de-
senvolvimento.

33
Segurança energética e integração regional – o Brasil encontra-se em situação quase ideal de segurança energética,
com autossuficiência em petróleo, gás natural e produção de energia elétrica.
Com a descoberta do pré-sal e, a autossuficiência , o Brasil consegue se desatrelar das importações e, garantir maior
comodidade com este combustível que ainda é largamente utilizado no Brasil.

Petróleo
O petróleo tem uma história recente no Brasil. Somente em 1938 , jorrou o primeiro poço comercialmente viável no
Brasil em Lobato (BA).
Em 1953, foi criada a Petrobrás, durante o governo de Getulio Vargas, mas pela facilidade de importação de petróleo
(preço baixo = menos de 10 dólares o barril), a grande empresa estatal, ficou adormecida sem grandes investimentos.
Somente com a primeira grande crise do petróleo no cenário internacional (1973) – quando instabilidade geopo-
litica no Oriente Médio, fizeram subir o preço do petróleo – foi que a Petrobrás, até então monopolizadora do setor
(prospecção, refino e distribuição), começou a receber mais investimentos e, o Brasil começou a se preocupar com o
petróleo a se buscar no próprio território.
Para “frear” o ritmo das importações de petróleo, criamos o Pro-Alcool e o automóvel movido a álcool.
A Petrobrás passou a explorar a Plataforma Continental brasileira e rapidamente chegou a grandes profundidades
e a autossuficiencia.
Mérito também a Petrobrás , pela diversificação da nossa matriz energética.
Pesquisas diversas a levaram para diversas possibilidades energéticas como: Eólica, geotérmica, mamona, hidrogê-
nio, metano, etc.
Durante o Governo de Fernando Henrique Cardoso, o monopólio do petróleo foi quebrado. Significa entender que
se até então somente a Petrobrás poderia buscar, refinar, distribuir petróleo no Brasil – a partir de 1997, qualquer em-
presa , cumprida as exigências do protocolo a respeito, poderia fazer estas tarefas no Brasil.
Lembre-se, isto não significa dizer que a Petrobrás foi privatizada – na verdade ela continua sendo uma Empresa
Mista de Capital aberto, cujo maior acionista é o Governo.
Hoje a grande produção de petróleo acontece a partir da Bacia de Campos, com outros destaques em nosso litoral,
desde Santos até a Região Nordeste.
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O Pré-sal se estende desde o Espirito Santo até Santa Catarina.


A política para uso do petróleo a partir do pré-sal, ainda se discute.

Produção de Energia elétrica no Brasil


A capacidade geradora de energia elétrica instalada no Brasil é 92 mil MW. Esta energia corresponde a 55% da
produção da América do Sul, e equivale à de países como a Itália e o Reino Unido.
Cerca de 85% da capacidade instalada no Brasil provêm de usinas hidroelétricas; os 15% restantes provêm de ge-
ração termoelétrica.
As fontes principais de geração térmica são: gás natural, carvão, nuclear e óleo.

34
Duas novas fontes estão sendo introduzidas nesta Consumo
matriz: geração eólica (cerca de mil MW entrando em Os principais consumidores de gás natural são: (I) seg-
operação nos próximos dois anos) e de outras fontes li- mentos industrial, comercial, residencial, veicular (GNV);
gadas a biomassa com o potencial de se tornar uma das (ll) refinarias da Petrobras; e (lll) usinas termoelétricas.
principais fontes de geração no País, nos próximos dez
anos. O Futuro do Gás no Brasil
As usinas hidroelétricas localizam-se em várias bacias Por ser um referencial de produção de calor ideal e
hidrográficas, distribuídas em barato, o Brasil investe na diversificação do seu parque,
todas as regiões brasileiras. através de pesquisa de novas bacias produtoras.
Atualmente , a Usina Hidrelétrica de Itaipú (PR) é a Os principais campos de gás estão localizados na Ba-
maior do Brasil. Destaque também para a Usina Hidrele- cia de Campos (Rio de Janeiro), Espírito Santo, Rio Gran-
trica de Tucurui (PA). de do Norte e Bahia e Bacia de Santos (Mexilhões).
Devido às dimensões do Brasil, as bacias têm diferen-
tes regimes de chuva e condições macroclimáticas. Etanol
A ocorrência do fenômeno El Niño, por exemplo, faz O etanol (CH3 CH2OH), também chamado álcool
que a região Sul tenha precipitações maiores que a mé- etílico e, na linguagem corrente, simplesmente álcool, é
dia, enquanto na região Sudeste a tendência é de chuvas uma substância orgânica obtida da fermentação de açú-
inferiores à média. Esta diversidade climática é aprovei- cares, hidratação do etileno ou redução a acetaldeído,
tada para otimizar a produção de energia: o sistema ge- encontrado em bebidas como cerveja, vinho e aguarden-
rador é operado como se fosse um portfólio, exportando te, bem como na indústria de perfumaria.
energia das regiões mais “molhadas” para as mais “se- No Brasil, tal substância é também muito utilizada
cas”. como combustível de motores de explosão, constituin-
Além disso, em geral, é econômico26 construir várias do assim um mercado em ascensão para um combustí-
usinas em um mesmo rio (usinas em “cascata”). vel obtido de maneira renovável e o estabelecimento de
uma indústria de química de base, sustentada na utiliza-
ção de biomassa de origem agrícola e renovável
O Brasil é o único país do mundo onde o consumo
de um combustível alternativo, o etanol, supera o consu-
mo de gasolina. A emissão de gases de efeito estufa que
contribuem para o aquecimento global, dos quais o gás
carbônico (CO²) é o principal, é 90% menor quando se
queima etanol em vez de gasolina. Isso acontece porque
a cana-de-açúcar, por meio da fotossíntese, absorve no
seu crescimento quase a mesma quantidade de CO2 que
é gerado nas etapas de produção, transporte e consumo
do etanol. Graças à produção simultânea de biocombus-
tíveis e bioeletricidade, a cana-de-açúcar já é a principal
fonte de energia renovável do Brasil, à frente das hidrelé-
tricas. Hoje, mais de 400 usinas produzem etanol, açúcar
e bioeletricidade no Brasil.
A safra de cana-de-açúcar em 2009/10 atingiu cerca
Usina Hidrelétrica de Itaipú no Rio Paraná de 600 milhões de toneladas, o que faz do país o maior

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produtor de cana e o maior exportador mundial de açú-
Um dos grandes investimentos do PAC (Plano de Ace- car e de etanol. Aproximadamente 9 em cada 10 carros
leração do Crescimento) do Governo Federal é garantir novos vendidos no Brasil são flex. Em março de 2010,
um número maior de Usinas Hidrelétricas. a frota flex atingiu a histórica marca de 10 milhões de
Duas grandes construções estão sendo viabilizadas veículos flex.
no Rio Madeira e Rio Xingú, com repercussões contrárias. O etanol produzido a partir da cana-de-açúcar já é
matéria-prima para a produção do chamado “plástico
Gás Natural verde”. Nesse processo, o etanol é transformado em bio-
O Gasoduto Bolívia-Brasil (GasBol). -etileno, base de produção de bioplásticos, que reduz
O projeto de colaboração energética entre Brasil e consideravelmente a dependência de fontes fósseis. Na
Bolívia existe desde a década de 1930. Ele começou a tor- produção de combustíveis fósseis, cerca de 20 países,
nar-se realidade em 1992, quando a Petrobras assumiu muitos deles situados em regiões politicamente instáveis,
a responsabilidade pelo gasoduto entre os dois países. abastecem os quase 200 países e territórios do mundo.
O GasBol, iniciado em 1997, tem 3.100 km de extensão Enquanto isso, quase 100 países já cultivam a cana-de-
total, dos quais 2.600 km estão em território brasileiro. -açúcar, e têm potencial para se tornarem produtores,
Ele tem dois trechos principais: o Norte, que vai da consumidores e exportadores de etanol renovável
Bolívia até São Paulo, com cerca de 1.800 km (inaugurado
em 1999); e o Sul, que vai daí até Porto Alegre, com 800 O Biodiesel no Brasil
km (inaugurado em 2001). O investimento total foi cerca Desde 2004 o Brasil conta com o Programa Nacional
de US$ 2 bilhões. de Produção e Uso de Biodiesel, que regulamenta a pro-

35
dução e a distribuição do biodiesel brasileiro, produzido Energia Nuclear
com oleaginosas. O País é o terceiro maior produtor des- O Brasil tem a 6º maior reserva de urânio do mundo.
sa fonte energética do mundo, atrás apenas da Alema- Depósitos de urânio são encontrados em oito estados
nha, Estados Unidos e França. diferentes do Brasil. As reservas provadas são de 162.000
Em cinco anos de Programa foram dados importan- toneladas.A produção acumulada no final de 2002 era
tes passos rumo à consolidação do biodiesel no Brasil. inferior a 1.400 toneladas. O centro de produção de Po-
Inicialmente foi previsto o aumento gradual da adição ços de Caldas, em Minas Gerais foi fechada em 1997 e
do biocombustível ao diesel tradicional até 2013, quando foi substituído por uma nova fábrica em Lagoa Real, na
a mistura deveria chegar a 5%. No entanto, o governo Bahia. Existe um plano para construir um outro centro de
brasileiro decidiu fortalecer suas iniciativas nessa área e produção em Itatiaia.
acaba de antecipar em três anos essa obrigatoriedade. Angra 1 é a primeira das usinas nucleares que deu
Assim, o B5, como é chamada mistura dos diesel tradi- origem à Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto. Os
cional e do biodiesel, passou a ser obrigatório a partir reatores de potência são maiores e se destinam à pro-
de janeiro de 2010, em todo o território nacional. Essa dução de energia para a movimentação de navios, sub-
medida deve elevar a produção de biodiesel de cerca de marinos, usinas átomo-elétricas, etc. A primeira usina
176 milhões anuais para 2,4 bilhões de litros em 2010, átomo-elétrica brasileira está situada na Praia de Itaorna,
reforçando a posição do Brasil na liderança mundial em em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Foi a primeira usina do
energias renováveis em escala comercial. programa nuclear brasileiro que atualmente conta tam-
Sob o aspecto social, a ampliação do uso do biodiesel bém com Angra 2 em operação, Angra 3 em construção
vai aumentar a geração de emprego e renda, impacto no e mais duas novas usinas a serem construídas na região
processo de inclusão social atualmente em curso no Bra- Nordeste, conforme o planejamento da Empresa de Pes-
sil ao promover de forma crescente a agricultura familiar. quisa Energética – EPE.
Dos 2,4 bilhões de litros que serão demandados com o Angra 1 teve sua construção iniciada em 1972, tendo
B5, 80% será fornecido por unidades produtoras deten- recebido licença para operação comercial da Comissão
toras do Selo Combustível Social. No viés econômico, ha-
Nacional de Energia Nuclear – CNEN em dezembro de
verá uma maior agregação de valor às matérias-primas
1984. É uma usina tipo PWR (Pressurized Water Reactor)
oleaginosas de origem nacional.
onde o núcleo é refrigerado por água leve, desminerali-
zada. Foi fornecida pela Westinghouse, e é operada pela
Carvão
Eletronuclear
O total de reservas de carvão do Brasil é de cerca de
30 bilhões de toneladas, mas os depósitos variam de
acordo com a qualidade e quantidade. As reservas pro-
vadas recuperáveis são de cerca de 10 bilhões de tone-
ladas. Em 2004 o Brasil produziu 5,4 milhões de tonela-
das de carvão, enquanto o consumo de carvão atingiu
21,9 milhões de toneladas. Quase toda a de saída carvão
do Brasil é o carvão a vapor, dos quais cerca de 85% é
ateado a fogo em centrais elétricas. As reservas de hulha
sub estão localizados principalmente nos estados do Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
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Usina Nuclear de Angra dos Reis (RJ)

A questão ambiental
A participação de energias renováveis na matriz ener-
gética brasileira é de 45%, enquanto a média mundial
é de apenas 14%. A participação tende a crescer, se for
mantido o papel de “âncora” da hidroeletricidade, e se
for consolidada a indústria de bioenergia no País. Esta
situação ambiental favorável deveria garantir as condi-
ções para a expansão do parque gerador hidroelétrico
sem maiores impedimentos. O quadro atual é justamen-
Usina Termoelétrica Jorge Lacerda (Capivari de Baixo – te o inverso, podendo ser descrito como de impasse e de
SC) grande consumidora de carvão enfrentamento.

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As dificuldades para licenciamento ambiental, por quinas e técnicos qualificados em operá-las. Como con-
exemplo, levaram à virtual paralisação dos investimentos sequência, boa parte dessa população passa a residir em
em produção de energia hidroelétrica. Em outras áreas, cidades, por isso, elas tornam-se cada vez maiores e mais
como o licenciamento de gasodutos, também foram ob- povoadas. Vale lembrar que a mecanização não é o único
servadas dificuldades e atrasos. Uma das conseqüências fator responsável pelo processo de migração em mas-
perversas desta situação é que vem sendo mais fácil ob- sa do campo para a cidade, o que chamamos de êxodo
ter licenças ambientais para usinas termoelétricas a óleo rural, mas é um dos elementos mais importantes nesse
diesel, ou que utilizam outro combustível, que para usi- sentido.
nas hidroelétricas. Além disso, a industrialização das cidades faz com
que elas se tornem mais atrativas em termos de migra-
Industrialização ções internas, o que provoca o aumento de seus espaços
Os processos de industrialização e urbanização estão graças à maior oferta de empregos, tanto na produção
intrinsecamente interligados. Foi com os avanços e trans- fabril em si quanto no espaço da cidade, que demandará
formações proporcionados, por exemplo, pelas Revolu- mais trabalho no setor comercial e também na prestação
ções Industriais na Europa que esse continente concebeu de serviços.
o crescimento exponencial de suas principais cidades, Não por acaso, os primeiros países a industrializem-
aquelas mais industrializadas. Ao mesmo tempo, o pro- -se foram também os primeiros a conhecer a urbani-
cesso de urbanização intensifica o consumo nas cidades, zação em sua versão moderna, tornando-se territórios
o que acarreta a produção de mais mercadorias e o au- verdadeiramente urbano-industriais. Atualmente, esse
mento do ritmo da atividade industrial. processo vem ocorrendo em países emergentes e sub-
A industrialização é um dos principais fatores de desenvolvidos, tal qual o Brasil, que passou por isso ao
transformação do espaço geográfico, pois interfere nos longo de todo o século XX. Segundo a ONU, até 2030,
fluxos populacionais, reorganiza as atividades nos con- todas as regiões do mundo terão mais pessoas vivendo
textos da sociedade e promove a instrumentalização das nas cidades do que no meio rural.
diferentes técnicas e meios técnicos, que são essenciais O grande gargalo desse modelo é o crescimento ace-
para as atividades humanas. A atividade industrial, por lerado das cidades, que contribui para fomentar a ma-
definição, corresponde ao arranjo de práticas econômi- crocefalia urbana, quando há o inchaço urbano, com
problemas ambientais e sociais, além da ausência de in-
cas em que o trabalho e o capital transformam maté-
fraestruturas, crescimento da periferização e do trabalho
rias-primas ou produtos de base em bens de produção
informal, excesso de poluição, entre outros problemas.
e consumo.
Estima-se, por exemplo, que até 2020 quase 900 milhões
Com o avanço nos sistemas de comunicação e trans-
de pessoas estarão vivendo em favelas, em condições
porte – fatores que impulsionaram a globalização –, pra-
precárias de moradia e habitação.
ticamente todos os povos do mundo passaram a con-
sumir produtos industrializados, independentemente da
Fatores de localização industrial
distância entre o seu local de produção e o local de con- A Primeira Revolução Industrial teve início no fim
sumo. Estabelece-se, com isso, uma rede de influências do século XVIII início do século XIX, a partir desse pe-
que atua em escalas que vão do local ao global. ríodo muita coisa mudou, as tecnologias, as rela-
Graças ao processo de industrialização e sua ampla ções de trabalho, o modo de produzir, entre outros.
difusão pelo mundo, incluindo boa parte dos países As indústrias não se instalam em um lugar (país, esta-
subdesenvolvidos e emergentes, a urbanização também do ou município) de forma despretensiosa, pois todas as
cresceu, a ponto de, segundo dados da ONU, o mundo medidas e decisões são tomadas a partir de uma profun-
ter se tornado, pela primeira vez, majoritariamente urba-

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da análise com a finalidade de obter maiores informa-
no, isto é, com a maior parte da população residindo em ções acerca da viabilidade econômica de um determina-
cidades, feito ocorrido no ano de 2010 em diante. do espaço.
Diante desse contexto são observados diversos fato-
Mas como a industrialização interfere na urbaniza- res para a criação e implantação de uma indústria, dentre
ção? os principais estão:
É errôneo pensar que a industrialização é o único fa-
tor que condiciona o processo de urbanização. Afinal, • Capitais: não é possível instalar e colocar em fun-
tal fenômeno está relacionado também a outros even- cionamento uma indústria sem recursos financeiros, pois
tos, que envolvem dinâmicas macroeconômicas, sociais são esses que dão subsídio para a construção da edifi-
e culturais, além de fatores específicos do local. No en- cação, para obter a área, aquisição de equipamentos e
tanto, a atividade industrial exerce uma influência quase máquinas e todos os recursos necessários para o início
que preponderante, pois ela atua tanto no espaço das da produção.
cidades, que apresentam crescimento, quanto no espaço • Energia: para a execução da prática industrial é in-
rural, que vê uma gradativa diminuição de seu contin- dispensável à utilização de energia para mover as máqui-
gente populacional em termos proporcionais. nas e equipamentos, ao escolher um local para instala-
No meio rural, o processo de industrialização inter- ção de um empreendimento é preciso verificar qual fonte
fere com a produção e inserção de modernos maquiná- enérgica está disponível e a quantidade oferecida, uma
rios no sistema produtivo, como tratores, colheitadeiras, vez que essa tem que ter um número abundante, pois
semeadeiras e outros. Dessa forma, boa parte da mão o custo de instalação é muito elevado e não pode haver
de obra anteriormente empregada é substituída por má- falta de tal recurso no processo produtivo.

37
• Mão-de-obra: além dos itens citados, outro ele- Indústrias extrativas – são as que extraem maté-
mento que é de extrema importância nesse processo é a ria-prima da natureza (vegetal, animal ou mineral) sem
mão-de-obra, pessoas que vendem sua força de trabalho que ocorra alteração significativa nas suas propriedades
em troca de um salário que deve garantir a manutenção elementares. Exemplos: indústria madeireira, produção
do trabalhador e de sua família, devido a essa depen- mineral, extração de petróleo e carvão mineral.
dência humana as indústrias geralmente se encontram Indústrias de equipamentos – são responsáveis pela
estabelecidas em grandes centros urbanos que aglome- transformação de bens naturais ou semimanufaturados
ram um grande contingente populacional, isso se torna para a estruturação das indústrias de bens intermediários
favorável, pois quanto maior a oferta de proletários me- e de bens de consumo. Exemplos: siderurgia, petroquí-
nores são os salários pagos (lei da oferta e da procura), mica, etc.
pois temendo perder os empregos muitos se submetem
a receber baixas remunerações. Outro motivo que favo-
rece a implantação de empreendimentos industriais em
grandes núcleos urbanos é a existência de trabalhadores
com qualificação profissional, pois nas cidades maiores
estão os principais centros de difusão de informação e
tecnologia como as emissoras de tv, rádio, além de uni-
versidades e centros de pesquisas.
• Matéria-prima: esse item ocupa um lugar de des-
taque no processo produtivo, pois é a partir dessa que
será agregado um valor correspondente ao resultado do
trabalho e automaticamente o lucro da produção. Diante
da importância, essa deve permanecer o mais próximo
possível, pois quanto mais perto ela se encontra menores
serão os custos com o transporte entre a fonte fornece- Siderurgia
dora e a processadora, esse fato diminui o custo final e
garante o aumento da lucratividade que é a intenção e As indústrias de bens intermediários caracterizam-
objetivo maior, principalmente se tratando da sociedade -se pelo fornecimento de produtos beneficiados. Elas
capitalista. produzem máquinas e equipamentos que serão utiliza-
• Mercado consumidor: a escolha em estabelecer-se dos nos diversos segmentos das indústrias de bens de
próximo aos núcleos urbanos é proveniente da proximi- consumo. Exemplos: mecânica (máquinas industriais,
dade entre a indústria e os possíveis consumidores em tratores, motores automotivos, etc.); autopeças (rodas,
potencial, desse modo evitam grandes gastos com trans- pneus, etc.)
porte, além de dinamizar o seu fluxo até os centros de As indústrias de bens de consumo têm sua produ-
distribuição. ção direcionada diretamente para o mercado consumi-
• Meios de transporte: um sistema de transportes é dor, ou seja, para a população em geral. Também ocorre
de extrema valia para a produção e distribuição indus- a divisão desse tipo de indústria conforme sua atuação
trial, nesse caso é preciso que haja uma boa infraestru- no mercado, elas são ramificadas em indústrias de bens
tura que possibilite uma logística dinâmica e que atenda duráveis e de bens não duráveis.
Indústrias de bens duráveis – são as que fabricam
a demanda de fluxo de matéria-prima até às indústrias e
mercadorias não perecíveis. São exemplos desse tipo de
dessas até o consumidor. A integração de todos os meios
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indústria: automobilística, móveis comerciais, material


de transporte é primordial para o processo de globali-
elétrico, eletroeletrônicos, etc.
zação, pois oferece condições de circulação de pessoas,
Indústrias de bens não duráveis – produzem mer-
capitais, mercadorias e serviços. cadorias de primeira necessidade e de consumo genera-
lizado, ou seja, produtos perecíveis. Exemplos: indústria
Tipos de indústria alimentícia, têxtil, de vestuário, remédios, cosméticos, etc.
A atividade industrial consiste no processo de pro-
dução que visa transformar matérias-primas em merca- Os efeitos da industrialização sobre o espaço geo-
doria através do trabalho humano e, de forma cada vez gráfico
mais comum, utilizando-se de máquinas. Essa atividade é Como já mencionamos, a indústria é um dos princi-
classificada conforme seu foco de atuação, sendo rami- pais agentes de transformação do espaço. Quando uma
ficada em três grandes conjuntos: indústrias de bens de área antes não industrializada recebe um relativo núme-
produção, indústrias de bens intermediários e indústrias ro de fábricas, a tendência é receber mais migrantes para
de bens de consumo. a sua área, acelerando a sua urbanização.
As indústrias de bens de produção, também chama- Com mais pessoas residindo em um mesmo local, ge-
das de indústrias de base ou pesadas, são responsáveis ra-se mais procura pela atividade comercial e também
pela transformação de matérias-primas brutas em ma- no setor de serviços, que se expandem e produzem mais
térias-primas processadas, sendo a base para outros ra- empregos. Entre outros aspectos positivos, menciona-
mos industriais. As indústrias de bens de produção são -se a maior arrecadação por meio de impostos (embora,
divididas em duas vertentes: as extrativas e as de bens quase sempre, as grandes empresas não contribuam tan-
de capital. to com esse aspecto).

38
terizado pela produção manual a partir da extração de
matérias-primas e acúmulo de minérios e metais precio-
sos por parte das nações (metalismo).
A segunda DIT ocorre no século XVI, mas principal-
mente a partir do século XVII, com a Primeira e a Segunda
Revolução Industrial. As colônias e os países subdesen-
volvidos passaram a fornecer também produtos agríco-
las, assim como vários tipos de minerais e especiarias.
Finalmente, a terceira DIT ou “Nova DIT” surge no sé-
culo XX, com a revolução técnico-científica-informacional
e a consolidação do capitalismo financeiro, que permite a
As indústrias contribuem para a geração de empregos expansão das grandes multinacionais pelo mundo. Nes-
se período, os países subdesenvolvidos iniciam seus pro-
Dentre os efeitos negativos da industrialização, po- cessos tardios de industrialização, entre eles o Brasil. Tal
demos citar os impactos gerados sobre o meio ambien- acontecimento foi possível graças à abertura do mercado
te, haja vista que, a depender do tipo de fábrica e das financeiro desses países e pela instalação de empresas
infraestruturas para ela oferecidas, são gerados mais multinacionais ou globais, oriundas, quase sempre, de
poluentes na atmosfera e também nos solos e cursos países desenvolvidos.
d’água. Além disso, os incentivos fiscais oferecidos pelo Uma das críticas à DIT é que seu processo se dá de
poder público são criticados por fazer com que a popu- maneira desigual, onde os países industrializados costu-
lação arque mais com os impostos do que as grandes mam levar vantagem no comércio global. Além disso, as
empresas. empresas transnacionais buscam seus próprios interes-
O poder de intervenção da indústria nas sociedades ses, sem considerar as consequências sociais, econômi-
é tão elevado que até as suas modalidades de produção, cas e ambientais nos países onde suas filiais estão ins-
ou seja, a forma predominante com que suas linhas de taladas.
produção atuam, interferem na organização do espaço,
gerando mais ou menos produtos e empregos, entre ou- Espaço urbano e rural
tros elementos. Na era do fordismo, a produção era em Os espaços urbano e rural inserem-se como dife-
massa, com mais empregos situados no setor secundário; rentes expressões materializadas no espaço geográfico,
o que se transformou radicalmente na era do toyotismo. compreendidas por suas distintas dinâmicas econômi-
cas, culturais, técnicas e estruturais. Embora componham
Divisão internacional de Trabalho meios considerados distintos, suas inter-relações são
Recebe o nome de Divisão internacional de Trabalho bastante complexas. Por isso, muitas vezes é difícil sepa-
(DIT), a prática de repartir as atividades e serviços en- rar ou compreender a especificidade de cada um desses
tre os inúmeros países do mundo. Trata-se de uma divi- conceitos.
são produtiva em âmbito internacional, onde os países O conceito de espaço urbano designa a área de ele-
emergentes ou em desenvolvimento, exportadores de vado adensamento populacional com formação de habi-
matéria-prima, com mão-de-obra barata e de industria- tações justapostas entre si, o que chamamos de cidade.
lização quase sempre tardia, oferecem aos países indus- Já o conceito de espaço rural refere-se ao conjunto de
trializados,  economicamente mais fortes,  um leque de atividades primárias praticadas em áreas não ocupadas
benefícios e incentivos para a instalação de indústrias, por cidades ou grandes adensamentos populacionais.
tais como a isenção parcial ou total de impostos, mão- No entanto, para além dessa definição simples e in-

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-de-obra abundante, leis ambientais frágeis, entre outras trodutória, é interessante perceber que rural e urbano
facilidades. são, além de tudo, tipos diferentes de práticas cotidia-
Um dos principais conceitos da DIT é que nenhum país nas. Assim, podem existir práticas rurais no espaço das
consegue  ser  competitivo  em  todos  os  setores, e de cidades ou práticas urbanas no espaço do campo. Por
fato, acabam por se direcionar suas economias. No fun- exemplo: um cultivo de hortaliças dentro do espaço de
do, o objetivo é o mesmo da divisão de tarefas numa fá- uma cidade (embora isso seja cada vez mais raro nos
brica, o de gerar um elevado grau de especialização para grandes centros urbanos) é um caso de prática rural no
que a produção seja mais eficiente, exatamente como meio urbano. Da mesma forma, a existência de um hotel
Adam Smith em sua Riqueza das Nações já afirmava no fazenda ou um resort em uma zona afastada da cidade é
século XVIII. um exemplo de prática urbana no meio rural.
O processo de DIT se expandiu na mesma proporção Uma das principais diferenças entre urbano e ru-
do capitalismo no mundo moderno, expressando as di- ral está, assim, nas práticas socioeconômicas. O espaço
ferentes fases da evolução histórica do capitalismo, des- rural, como já dissemos, engloba predominantemente
de a ligação entre metrópoles e colônias, chegando às atividades vinculadas ao setor primário (extrativismo,
relações em que países desenvolvidos se agregam aos agricultura e pecuária), ao passo que o espaço urbano
subdesenvolvidos. A é geralmente dividida em três fases, costuma reunir atividades vinculadas ao setor secundário
obedecendo à dinâmica econômica e política do período (indústria e produção de energia) e terciário (comércio e
histórico em que elas existiram. serviços).
A primeira DIT corresponde  ao final do século XV e Outra diferença entre urbano e rural está na am-
ao longo do século XVI, no qual o capitalismo estava em plitude dos respectivos conceitos. Em termos de esca-
fase inicial, chamada de capitalismo comercial. Era carac- la, a abrangência espacial do meio rural é muito maior,

39
pois ele reúne tantos as áreas transformadas e cultivadas mercado interno e externo e garantir o lucro para os seus
(espaço agrário) pelo homem quanto o espaço natural, produtores. Além disso, com a disseminação do êxodo
pouco transformado ou mantido totalmente sem inter- rural, a maior parte da população mundial, atualmente,
venções antrópicas. Por outro lado, a cidade, embora reside e realiza suas atividades no espaço das cidades.
possua uma maior dinâmica econômica, apresenta-se
em espaços mais circunscritos, mesmo com o crescimen- Meio técnico-científico-informacional
to desordenado dos espaços urbanos na maioria dos Do meio natural ao meio técnico-científico-informa-
países periféricos e emergentes. cional, transformações profundas no espaço ocorreram
Em termos de hierarquia econômica, podemos dizer instrumentalizadas pela evolução das técnicas e dos ob-
que, originalmente, o campo exercia um papel prepon- jetos.
derante sobre as cidades. Afinal, foi o desenvolvimento Os seres humanos estão sempre utilizando o meio em
da agricultura e da pecuária que permitiu a formação das que vivem, sobretudo os elementos disponíveis na natu-
primeiras civilizações e o seu posterior desenvolvimento. reza, seja no seu consumo direto, seja para a sua trans-
No entanto, com o avanço da Revolução Industrial e as formação em mercadorias ou produtos manufaturados.
transformações técnicas por ela produzidas, o meio rural Para isso, ele utiliza as diferentes técnicas, que envolvem
viu-se cada vez mais subordinado ao urbano, uma vez as formas e os instrumentos utilizados para melhor pro-
que as práticas agropecuárias e extrativistas passaram a duzir e transformar o espaço geográfico.
depender cada vez mais das técnicas, tecnologias e co- Desse modo, se a utilização das técnicas é uma ques-
nhecimentos produzidos nas cidades. tão fundamental para a transformação do espaço, a for-
Atualmente, o urbano e o rural formam uma relação ma como tais técnicas evoluem e modificam-se ao longo
socioeconômica e até cultural bastante ampla, muitas do tempo também produz consequências diretas nas es-
vezes se apresentando de forma não coesa e profunda- truturas espaciais que envolvem as sociedades. Por esse
mente marcada pelo avanço das técnicas e pelas trans- motivo, estabelece-se uma periodização do meio desde
formações produzidas a partir dessa conjuntura. Nessa a sua gradativa transformação pelas atividades humanas,
relação, o espaço geográfico estrutura-se em toda a sua indo desde o meio natural, passando pelo meio técnico
complexidade e transforma-se em reflexo e condicionan- e finalmente alcançando o meio técnico-científico-in-
te das relações sociais e naturais, denunciando as marcas formacional — classificação concebida pelo finado geó-
deixadas pelas práticas humanas no meio em que se es- grafo brasileiro Milton Santos em várias de suas obras
tabelecem. publicadas.
É comum o equívoco de pensar essas regiões de for-
ma separada, como excludentes entre si. Na verdade, o Meio natural
que existe é uma relação de complementaridade e até O meio natural seria o estágio inicial do processo de
de dependência de um espaço para com o outro, de produção das atividades humanas. Nesse longo período
modo que suas relações geográficas e econômicas são, que marcou o início e a formação das primeiras civiliza-
ao mesmo tempo, complexas e integradoras. Em outras ções, bem como o avanço de todas as sociedades pré-in-
palavras, podemos dizer que as atividades econômicas dustriais ou não industrializadas, as práticas sociais eram
praticadas no campo dependem das práticas realizadas inteiramente dependentes do meio natural.
nas cidades e vice-versa. Nesse sentido, a interferência do ser humano sobre o
A agricultura, por exemplo, depende em grande es- ambiente era de pouco impacto, de forma que era mais a
cala dos maquinários e produtos agrícolas (insumos, natureza que condicionava as práticas econômicas, e não
fertilizantes, etc.) produzidos nas cidades, além dos co- o contrário. Dessa maneira, a capacidade de recomposi-
nhecimentos em biotecnologia e produção agrária ofe- ção da natureza era maior, haja vista que a capacidade
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recidos por centros de pesquisa localizados geralmente do homem de ocupar e promover alterações em um am-
nas cidades. Por outro lado, as atividades urbanas depen- plo espaço era relativamente limitada.
dem do campo para o fornecimento de alimentos; as in- Mas isso não impediu que práticas importantes ainda
dústrias são altamente dependentes do recebimento de hoje utilizadas fossem desenvolvidas. Assim, várias téc-
matérias-primas extraídas ou produzidas no meio rural e nicas agrícolas e também pecuárias foram elaboradas,
assim sucessivamente. muitas delas ainda vistas como formas de preservar os
Apesar dessa relação de complementaridade entre solos, tais como o terraceamento. As técnicas da pecuá-
um espaço e o outro, é importante observar que essa de- ria também passaram pelo mesmo ideário.
pendência não é igualitária entre ambos, ou seja, existe
uma relação de subordinação aí presente. Anteriormen-
te, dizia-se que as cidades eram subordinadas ao campo,
uma vez que era, principalmente, a prática da agropecuá-
ria que determinava o ritmo e modo de vida nas cidades.
Não obstante, com o surgimento e avanço da industriali-
zação, as cidades tornaram-se o centro da matriz econô-
mica, de modo que, hoje, é o campo quem se subordina
às cidades, sendo por elas orientado.
Na verdade, o campo atualmente se organiza em
função das demandas comerciais e industriais existentes A utilização do meio natural foi marcante em sociedades
nas cidades, sobretudo para atender as necessidades do tradicionais

40
Meio técnico nicas em um número restrito de localidades permitiu o
Com o passar do tempo, as técnicas e os objetos téc- avanço das desigualdades e a intensificação das relações
nicos foram sendo mais bem desenvolvidos à medida de dependência política e econômica entre os diferentes
que o conhecimento humano expandia-se, o que pro- espaços.
piciou a formação das bases que consolidaram a ascen-
são do meio técnico, cujo marco principal envolveu as Metropolização e desmetropolização no Brasil
duas primeiras revoluções industriais. Com isso, o espaço Os processos de metropolização e desmetropoliza-
transformou-se em um espaço mecanizado, dotado de ção no Brasil perpassam pela forma de desenvolvimento
uma gama cada vez mais ampla de bens artificiais e me-
e industrialização do país ao longo dos últimos anos.
canizados, em vez de simplesmente culturais.
A Urbanização no Brasil intensificou-se ao longo do
Dessa forma, o ser humano ganhou uma renovada
capacidade de enfrentar e, em alguns casos, de man- século XX, ocorrendo muito em virtude da industrializa-
ter certo controle sobre as leis da natureza, com uma ção do país – que se manifestou de maneira tardia – e
maior possibilidade de transformá-la em larga escala. Tal também pela mecanização do campo, que ocasionou o
processo foi operacionalizado pelo emprego de instru- chamado êxodo rural ou migração campo-cidade.
mentos, estes, segundo Milton Santos, “já não são pro- Uma das características desse processo é que, além
longamentos do seu corpo, mas que representam pro- de ocorrer de forma acelerada, foi também extremamen-
longamentos do território, verdadeiras próteses”. te concentrador, ou seja, ocorreu através do inchaço de
algumas poucas cidades – a maioria localizada na região
Sudeste do país. Como resultado dessa lógica, tivemos
no Brasil a formação das metrópoles, grandes cidades
com mais de 1 milhão de habitantes e que concentram
boa parte dos serviços, empregos e infraestruturas, fe-
nômeno que passou a ser chamado de metropolização.
As duas primeiras metrópoles no país foram São Pau-
lo e Rio de Janeiro, refletindo a concentração industrial,
econômica e urbana da região do Sudeste brasileiro que
marcou a história do desenvolvimento nacional. Em se-
guida, outras cidades do mesmo tipo emergiram, como
Belo Horizonte, Recife e Salvador.
O meio técnico consolidou-se com o avanço da indus- Essas cidades, além de concentrarem as principais
trialização pelo mundo fontes de capital, também compuseram em torno de si
complexas aglomerações populacionais, envolvendo vá-
Meio técnico-científico-informacional rias cidades-satélites ao seu redor. A partir da década de
Atualmente, diz-se que estamos vivenciando não 1970, tais formações receberam o nome de Regiões Me-
mais um meio puramente mecanizado ou tecnicista, mas tropolitanas, que além de integrarem espacialmente um
um meio também marcado pela maior presença das des- conjunto de cidades a partir de uma metrópole, também
cobertas científicas e das tecnologias da informação, o passaram a se “fundir” espacialmente, naquilo que se co-
meio técnico-científico-informacional. Ele representa, so- nhece por conurbação, ou seja, duas ou mais cidades
bretudo, o período que se manifestou de maneira mais formando um mesmo espaço urbano.
acabada a partir dos anos 1970 como consequência da Atualmente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Es-
Terceira Revolução Industrial, também conhecida como tatística (IBGE) reconhece um total de 26 regiões metro-
Revolução Técnico-Científica-Informacional. politanas no país, que reúnem mais de 75 milhões de

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O principal marco desse momento é a união entre habitantes, o que representa mais de 40% da população
ciência e técnica pautada sob os auspícios do merca-
brasileira.
do. Não que já não houvesse uma aproximação entre as
produções científicas e as evoluções das técnicas, mas
somente agora tal inserção encontra-se em um sentido
de complementaridade, de extensão de uma em relação
à outra. Nesse ínterim, todo objeto é técnico e informa-
cional ao mesmo tempo, pois carrega em si uma ampla
estrutura de informações.
Tal avanço permitiu a consolidação do processo de
globalização, mais bem compreendido como uma mun-
dialização da difusão de técnicas e objetos, parâmetro
que possui a informação como a principal energia mo-
tora de seu funcionamento. Tal fator proporciona altera-
ções não só do espaço geográfico em si, mas da forma
como o percebemos e lidamos com ele.
Por fim, e não menos importante, é importante com-
preender que tais transformações não se manifestam
pelo mundo de maneira homogênea, isto é, não se con-
solidaram em todas as partes do planeta de maneira Quantitativo populacional das principais Regiões Me-
igualitária. Aliás, o desenvolvimento das diferentes téc- tropolitanas do Brasil

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Observando o gráfico, podemos notar que São Pau- Seus principais objetivos são:
lo e Rio de Janeiro são as duas únicas megacidades do - Diminuição dos conflitos fundiários;
Brasil (cidades com mais de 10 milhões de habitantes). A - Diminuição do êxodo rural;
intensificação da concentração populacional e econômi- - Aumento da produção de alimentos;
ca na região Sudeste revelou-se tão intensa que foi res- - Amenização dos problemas sociais urbanos;
ponsável pela formação da primeira – e, por enquanto, - Combater o fenômeno da fome.
única – megalópole brasileira, envolvendo a região que
abrange essas duas cidades em conjunto com Campinas A questão de conflitos fundiários
e a Baixada Santista. Muitos dos conflitos no mundo atual têm como fa-
tor desencadeador a posse da terra, principalmente nos
A desmetropolização do Brasil países subdesenvolvidos, onde a concentração fundiária
Atualmente, encontra-se em curso no Brasil o proces- e de renda é muito evidente, o que acaba por gerar uma
so de desmetropolização, que é a diminuição do cresci- sangrenta batalha no campo, seja ela em países desen-
mento das metrópoles em benefício das cidades meno- volvidos ou subdesenvolvidos.
res, sobretudo as cidades médias. Esse fenômeno está
acompanhado da desconcentração industrial, em que as As relações de trabalho na zona rural
grandes empresas e fábricas – antes concentradas nos • Trabalho familiar: predomina a utilização de mão-
grandes centros urbanos – passam a se deslocar para ci- -de-obra familiar em pequenas e médias propriedades;
dades menores em busca, principalmente, de menores • Trabalhos temporários: são trabalhos diaristas, sem
impostos (ou até a isenção de boa parte deles). Mas vale vínculos trabalhistas e empregatícios com seu local de
lembrar que esse processo é lento e gradual, de modo trabalho;
que é errôneo dizer que as grandes cidades não são mais • A estrutura fundiária distorcida;
industrializadas. • Trabalho assalariado: corresponde aos trabalhado-
Mas isso não significa que as grandes cidades estejam res que ganham um salário e possuem a carteira assi-
diminuindo o seu tamanho populacional, mas apenas nada;
recebendo menos migrantes e crescendo demografica- • Parceria e arrendamento: alugam terras para cultivar
mente em uma velocidade muito menor. Além disso, no alimentos ou criar gados, se pago com parte do que for
lugar das grandes fábricas, as principais metrópoles pas- produzido;
sam a se especializar em serviços do setor terciário e em • Escravidão por dívida: trata-se do aliciamento da
abrigar centros administrativos e tecnológicos. Portanto, mão-de-obra (mais conhecido como aviamento, muito
em vez de perder a importância, cidades como São Paulo comum na Amazônia).
e Rio de Janeiro vêm se transformando em verdadeiros
centros de poder, modernizando-se em uma velocidade A Revolução Verde
maior do que o restante do país. Concebida nos EUA, seu objetivo é combater a fome
e a miséria nos países mais pobres, por meio da introdu-
Espaço agrário ção, usa de fertilizantes, defensivos agrícolas e sementes
Espaço agrário no mundo selecionadas, que acabou gerando um aumento da pro-
Nos países desenvolvidos: dutividade e graves agressões ao meio ambiente.
O espaço agrário apresenta-se diferente enquanto a As inovações tecnológicas na agricultura para a ob-
forma e funcionamento, pois suas formas de cultivo são tenção de maior produtividade através do desenvolvi-
geralmente utilização de grandes levas de tecnologia e mento de pesquisas em sementes, fertilização do solo,
recursos financeiros, aliado a pouca utilização de mão de utilização de agrotóxicos e mecanização no campo que
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obra. aumentassem a produtividade, ficou denominada de Re-


volução Verde. Esse processo ocorreu através do desen-
Nos países subdesenvolvidos: volvimento de sementes adequadas para tipos específi-
O espaço agrário apresenta-se com grandes marcas cos de solos e climas, adaptação do solo para o plantio e
deixadas pelos colonizadores, como a forte presença de desenvolvimento de máquinas.
uma concentração fundiária, e a produção voltada para A expressão Revolução Verde foi criada em 1966, em
o mercado externo. uma conferência em Washington, por William Gown, que
disse a um pequeno grupo de pessoas interessadas no
As consequências da modernização da agricultura desenvolvimento dos países com déficit de alimentos “é
A expansão da área produtiva a partir de uma moder- a Revolução Verde, feita à base de tecnologia, e não do
nização introduz novas maneiras de se produzir no cam- sofrimento do povo”.
po, pois equipamentos antes restritos às cidades chegam A implantação de novas técnicas agrícolas iniciou-se
ao espaço rural, e a partir de então começam a dar uma no fim da década de 1940, porém os resultados expres-
dinamização mais acentuada ao espaço rural. sivos foram obtidos durante as décadas de 1960 e 1970,
onde países em desenvolvimento aumentaram significa-
Reforma Agrária tivamente sua produção agrícola.
Corresponde a uma série de medidas, cujo objetivos é Esse programa foi financiado pelo grupo Rockefeller,
a introdução de transformações na estrutura fundiária de sediado em Nova Iorque. Utilizando um discurso ideoló-
um país ou região. Modificando o regime de posse e uso gico de aumentar a produção de alimentos para acabar
da terra a fim de atender aos princípios da justiça social com a fome no mundo, o grupo Rockefeller expandiu seu

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mercado consumidor, fortalecendo a corporação com mais o meio ambiente e levando a uma uniformização
vendas de pacotes de insumos agrícolas, principalmen- das sementes que terão cada vez mais as mesmas carac-
te para países em desenvolvimento como Índia, Brasil e terísticas.
México.
O grupo patrocinou projetos em determinados paí- As relações de trabalho no campo
ses criteriosamente selecionados, as nações escolhidas Diminuição do sistema de parceria:
foram: México, Filipinas, Estados Unidos, e, em menores Com a capitalização do campo, as relações de traba-
proporções, o Brasil. lho tradicionais vão desaparecendo porque são substi-
As sementes modificadas e desenvolvidas nos labora- tuídas pelo trabalho assalariado, ou porque o proprietá-
tórios possuem alta resistência a diferentes tipos de pra- rio prefere deixar a terra ociosa á espera de valorização.
gas e doenças, seu plantio, aliado à utilização de agro-
tóxicos, fertilizantes, implementos agrícolas e máquinas, Expansão de um regime associativo:
aumenta significativamente a produção agrícola. Com a capitalização do campo, as relações de traba-
Constatou-se um aumento extraordinário na produção lho tradicionais tendiam a desaparecer mais, porque são
de alimentos. No México, as experiências iniciais e mais substituídas pelo trabalho assalariado, no entanto, para
significativas foram realizadas com o trigo, que em sete diminuir custo e encargos, as grandes empresas desen-
anos quadruplicou sua produção. Nas Filipinas, as pesqui- volveram uma nova forma de trabalhar no campo, incen-
sas foram realizadas com o arroz, o resultado foi satisfató- tivando o pequeno e o médio produtor a produzir para
rio, havendo um grande aumento na produção e colheita. eles.
Porém, a fome no mundo não reduziu, pois a produção
dos alimentos nos países em desenvolvimento é destina- Tipos de propriedades agropecuárias:
da, principalmente, a países ricos industrializados, como • Minifúndios;
Estados Unidos, Japão e Países da União Europeia. • Empresas rurais;
A modernização no campo alterou a estrutura agrária. • Latifúndio por exploração;
Pequenos produtores que não conseguiram se adaptar • Latifúndio por dimensão
às novas técnicas de produção, não atingiram produti-
vidade suficiente para competir com grandes empresas O espaço agrário mundial: Sistemas agrícolas
agrícolas e se endividaram com empréstimos bancários Intensivos:
solicitados para a mecanização das atividades, tendo São propriedades que utilizam modernas técnicas de
como única forma de pagamento a venda da proprieda- preparo do solo, cultivo e colheita, apresentando ele-
de para outros produtores. vados índices de produtividade por utilizarem técnicas
A Revolução Verde proporcionou tecnologias que avançadas e prolongar a utilização da terra por um tem-
atingem maior eficiência na produção agrícola, aumen- po considerável. Isso ocorre com maior frequência nos
tando significativamente a produção de alimentos, en- países desenvolvidos.
tretanto, a fome mundial não foi solucionada, desban-
cando o discurso humanitário de aumentar a produção Extensivos:
de alimentos para acabar com a fome nos países em de- São propriedades que utilizam uma agricultura tra-
senvolvimento. dicional aliadas a técnicas rudimentares, que em geral
• Consequências: apresentam baixos índices de produtividade e elevado
- Aumento de áreas de produção; padrão de exploração da terra.
- Redução dos preços de determinados produtos;
- Avanço tecnológico (biotecnologia);

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Os sistemas agrícolas
- Impactos ambientais no campo. Agricultura itinerante:
Envolve o emprego de técnicas primitivas e instru-
Tecnologia e Agricultura: Transgênicos
mentos rudimentares, voltado para a subsistência.
Esses produtos são obtidos a partir da inserção de
certos genes em variedades vegetais, a fim de torna-las
Agricultura de jardinagem:
resistentes a ação destrutivas de insetos ou de um her-
Nesse sistema a irrigação é de fundamental impor-
bicida considerado necessário ao cultivo desse produto.
tância, e necessita de uma numerosa mão-de-obra.
Hoje é praticada com mais intensidade na agricultura
com o fim de criar alimentos fortes que resistam aos her-
O sistema de plantations:
bicidas, pragas, e ao clima, e também para deixá-los mais
Esse sistema utiliza grandes propriedades e não apre-
nutritivos.
senta grandes volumes de produção se comparado com
Meio ambiente ameaçado as áreas utilizadas para desenvolvimento de uma ativida-
Os herbicidas usados em grandes quantidades con- de agrícola.
taminam os lençóis freáticos e os solos. A diversidade
de sementes também está em risco. A campanha pela Agricultura moderna e as empresas agrícolas:
liberação de transgênicos dizia que as plantações seriam Sistema agrícola originado nos países desenvolvidos,
mais econômicas, pois as sementes seriam mais resisten- que temendo os intempéries da natureza e as dependên-
tes a certos herbicidas. Mas na prática elas desenvolvem cias alimentares em relação aos países subdesenvolvidos,
imunidade, exigindo doses mais fortes, prejudicando passaram a desenvolver técnicas aprimoradas de plantio

43
e de pecuárias, o que acabou gerando um aumento da A fase decisiva do ciclo do capital é a produção, pois
produtividade e uma otimização do espaço rural, sendo só esta cria mais-valia. Parte deste ciclo decorre no mer-
por isso logo incorporado ao sistema capitalista. cado. O movimento do capital não constitui um ato úni-
co, mas uma repetição ininterrupta do processo produ-
No Brasil tivo, o que dá lugar a uma rotação repetitiva de capital
O espaço agrário brasileiro é marcado por contrastes. que começa e termina sob a forma monetária. O tempo
Se avaliarmos a história de nosso país observamos que, de rotação do capital compõe-se do tempo de produção
já no século XVI com a divisão do litoral em capitanias e do tempo de circulação. Os espaços de tempo atuam
hereditárias, tem início a concentração de terras. As pri- de modo distinto, conforme o capital desembolsado se
meiras lavouras desenvolvidas em solo brasileiro eram de destina a adquirir edifícios, instalações, máquinas e ou-
cana-de-açúcar, e ocupavam a zona da mata nordestina tros equipamentos, cujo valor se repercute por vários
(litoral). Elas se baseavam no sistema de plantations, que períodos de produção, ou se destina a adquirir matérias-
consistia em grandes monoculturas (apenas um cultivo), -primas e auxiliares que se incorporam no decurso dum
com o emprego da mão de obra escrava, cuja produção
período de produção. Quanto mais rapidamente circula
destinava-se à exportação.
o capital, ou seja, quanto maior é a sua velocidade de
Em meado do século XIX, em uma tentativa de regu-
rotação menor é o capital a desembolsar para cada rota-
larizar a posse da terra no Brasil, foi estabelecida a cha-
ção e maior é a taxa de lucro, se as restantes condições
mada Lei de Terras, que determinava que a posse da
terra só seria reconhecida mediante compra. Com essa permanecem inalteráveis.
medida, pretendia-se eliminar o usucapião, ou seja, a ti- O fator impulsionador da circulação do dinheiro é a
tulação da posse da terra pela ocupação, sem a compra circulação de capital, expresso na fórmula D-M-D’, em
efetiva da mesma. Os maiores beneficiados dessa me- que a diferença D’ e D se torna o objectivo de qualquer
dida foram os membros da elite agrária brasileira, que produtor capitalista quando lança o seu capital em circu-
expandiram suas propriedades, elevando a concentração lação. A repetição sucessiva desta fase de movimentação
de terras no país. do capital exige a existência dum estoque de dinheiro a
 Na segunda metade do século XX, eclodiram refor- funcionar como meio de circulação e de tesouro. Não
mas agrárias na América Latina, com no México e na Bo- se alterando a velocidade de circulação da moeda, este
lívia. No Brasil, crescia o temor de uma revolução cam- estoque aumenta na razão direta da acumulação de ca-
ponesa, que traria como consequência a reforma agrária. pital. As exigências resultantes deste estoque de dinheiro
Assim, em 1964, os militares recém chegados ao poder, criam as condições para o desenvolvimento dum comér-
elaboram o Estatuto da Terra, uma tentativa de apazi- cio especial - o comércio do dinheiro – associado ao de-
guar os ânimos dos camponeses brasileiros por uma re- senvolvimento das relações de crédito.
forma na distribuição de terras. O Estatuto previa basica- Os processos de valorização e acumulação do capi-
mente a execução da reforma agrária brasileira, mas não tal sustentam-se, hoje em dia, em regimes de trabalho
estabelecia prazos para que isso acontecesse. que têm por origem e fim a obtenção, processamento,
registro e comunicação da informação. O produto desse
A circulação do capital, das mercadorias, e da in- trabalho é conhecimento que, no capitalismo avançado,
formação. passou a ser objeto de processos de valorização e apro-
A circulação do capital é o processo do movimento priação. Por escaparem ao princípio da
ininterrupto do capital que passa sucessivamente por escassez, informação e o conhecimento suscitam não
três fases: transformação do capital monetário em pro- poucos problemas para as teorias econômicas.
dutivo, deste em mercantil e, de novo, em capital mone- As amplas dimensões econômico-produtivas que “in-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

tário. Este movimento de capital compreende a fase de formação” e “conhecimento” alcançaram no capitalismo
produção e por duas vezes a fase de circulação. A primei- avançado têm justificado os esforços teóricos para defi-
ra fase começa com a antecipação duma determinada ni-lo como capitalismo cognitivo (Azaïs et alii, 2001) ou
soma de dinheiro para adquirir meios de produção e for- capital-informação (Dantas, 1996; Dantas, 1999), termos
ça de trabalho. A segunda fase ocorre depois do proces- que traduziriam uma nova etapa histórica da evolução
so de produção e está relacionada com a transformação do capital. Essas mesmas aparentemente recém-desen-
do capital mercantil em capital monetário. A produção volvidas dimensões econômicas do capitalismo suscitam
e a circulação do capital estão organicamente entrela-
novos e sérios problemas institucionais e políticos, liga-
çadas, não podendo existir uma sem a outra. Nas fases
dos à apropriação do valor do conhecimento; e, também,
primeira e terceira, o capital funciona na esfera da circu-
um grande desafio teórico, já que as teorias econômicas,
lação; na segunda atua na esfera da produção. A primeira
tanto as clássicas, quanto as neoclássicas, excluíam a “in-
fase serve de ato preparatório para o auto-incremento
formação” e o “conhecimento” de suas formulações, ou
do capital; na terceira fase realiza-se o valor e a mais-va-
melhor, tomavam-nas como elementos pressupostos.
lia criada na produção. Ao passar por estas três fases da
sua movimentação, o capital adopta sucessivamente três
formas: a monetária, a produtiva e a mercantil. Como o
fim imediato e insaciável da produção capitalista é obter
mais-valia, este movimento de capital não constitui um
ato único, mas uma repetição ininterrupta dos processos
do ciclo do capital, efetuando-se assim uma constante
rotação.

44
EXERCÍCIO COMENTADO

1. (CESPE/2013 – MPU) Desde o período colonial, o espaço geográfico brasileiro foi transformado e produzido priori-
tariamente segundo as necessidades do mercado externo em detrimento da formação econômica interna. Foi por meio
dessa perspectiva colonizadora que, a partir de 1530, as propriedades rurais se organizaram no Brasil.
Com relação às questões agrária e agrícola no Brasil, julgue o item.
A partir dos anos 50 do século passado, os países capitalistas desenvolvidos intensificaram o processo de industrializa-
ção da agricultura no mundo subdesenvolvido como parte da estratégia de revigoramento do capitalismo em âmbito
mundial. Esse fato ficou conhecido como Revolução Verde.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: “Errado”
Essa expressão Revolução Verde foi criada em 1966, quando em uma conferência em Washington, por William Gown,
que disse a um pequeno grupo de pessoas interessadas no desenvolvimento dos países com déficit de alimentos “é a
Revolução Verde, feita à base de tecnologia, e não do sofrimento do povo”.
Embora o uso de novas técnicas agrícolas tenha iniciado fim dos anos 40, foi em 66 que esse termo foi usado e ape-
nas nas décadas de 60 e 70 os resultados dessas novas técnicas puderam ser obtidos.

O PROCESSO DE FORMAÇÃO DA NOVA ORDEM INTERNACIONAL. A GLOBALIZAÇÃO/


FRAGMENTAÇÃO DO ESPAÇO E DESTERRITORIALIZAÇÃO. A REVOLUÇÃO TÉCNICO-
-CIENTÍFICA E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA A FORMAÇÃO DA ORDEM MUNDIAL. O
SISTEMA-MUNDO: AS TRANSNACIONAIS NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO. NOVOS
BLOCOS GEOPOLÍTICOS E ECONÔMICOS. O ESPAÇO MUNDIAL DA POBREZA.

A Nova Ordem Mundial – ou Nova Ordem Geopolítica Mundial – significa o plano geopolítico internacional das
correlações de poder e força entre os Estados Nacionais após o final da Guerra Fria.
Com a queda do Muro de Berlim, em 1989, e o esfacelamento da União Soviética, em 1991, o mundo se viu diante
de uma nova configuração política. A soberania dos Estados Unidos e do capitalismo se estendeu por praticamente
todo o mundo e a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se consolidou como o maior e mais poderoso
tratado militar internacional. O planeta, que antes se encontrava na denominada “Ordem Bipolar” da Guerra Fria, pas-
sou a buscar um novo termo para designar o novo plano político.

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A primeira expressão que pode ser designada para definir a Nova Ordem Mundial é a unipolaridade, uma vez que,
sob o ponto de vista militar, os EUA se tornaram soberanos diante da impossibilidade de qualquer outro país rivalizar
com os norte-americanos nesse quesito.
A segunda expressão utilizada é a multipolaridade, pois, após o término da Guerra Fria, o poderio militar não era
mais o critério principal a ser estabelecido para determinar a potencialidade global de um Estado Nacional, mas sim o
poderio econômico. Nesse plano, novas frentes emergiram para rivalizar com os EUA, a saber: o Japão e a União Euro-
peia, em um primeiro momento, e a China em um segundo momento, sobretudo a partir do final da década de 2000.
Por fim, temos uma terceira proposta, mais consensual: a unimultipolaridade. Tal expressão é utilizada para de-
signar o duplo caráter da ordem de poder global: “uni” para designar a supremacia militar e política dos EUA e “multi”
para designar os múltiplos centros de poder econômico.

Mudanças na hierarquia internacional


Outra mudança acarretada pela emergência da Nova Ordem Mundial foi a necessidade da reclassificação da hie-
rarquia entre os Estados nacionais. Antigamente, costumava-se classificar os países em 1º mundo (países capitalistas
desenvolvidos), 2º mundo (países socialistas desenvolvidos) e 3º mundo (países subdesenvolvidos e emergentes). Com
o fim do segundo mundo, uma nova divisão foi elaborada.
A partir de então, divide-se o mundo em países do Norte (desenvolvidos) e países do Sul (subdesenvolvidos), es-
tabelecendo uma linha imaginária que não obedece inteiramente à divisão norte-sul cartográfica, conforme podemos
observar na figura abaixo.

45
A tentativa neste texto é demonstrar que ambos
os processos, globalização e fragmentação, guardam
relações entre si. Para auxiliar a análise, este estudo
faz uma breve reflexão da trama espacial que envolve
a introdução e expansão do agronegócio no município
de Formosa do Rio Preto – Bahia. Sobre os efeitos da
globalização, se por um lado os territórios passam por
unificações e numa dada perspectiva corresponde há
integrações, por outro são acometidos por processos de
fragmentações. Isso porque o que ocorre é um processo
de unificação e não de união (SANTOS, 2003).

Globalização e fragmentação
Entender a relação entre os processos de globalização
e fragmentação sobre o prisma do uso do território
Mapa com a divisão norte-sul e a área de influência consiste em analisar uma problemática contraditória. É o
dos principais centros de poder que demonstra Pereira (2006) em seu estudo do território
sob o “efeito modernizador”:
É possível perceber, no mapa acima, que a divisão No atual período histórico, os territórios se
entre norte e sul não corresponde à divisão estabeleci- apresentam de uma forma integrada, própria do
da usualmente pela Linha do Equador, uma vez que os processo de globalização vigente, o que indica uma
critérios utilizados para essa divisão são econômicos, e complementaridade e interdependência funcional
não cartográficos. Percebe-se que alguns países do he- dos lugares, sobretudo no que tange às estratégias de
misfério norte (como os Estados do Oriente Médio, a Ín- mercado e mesmo da organização do território para seu
dia, o México e a China) encontram-se nos países do Sul, funcionamento. Ao mesmo tempo, o território também
enquanto os países do hemisfério sul (como Austrália e possui um caráter fragmentário, visto que o espaço
Nova Zelândia), por se tratarem de economias mais de- geográfico apresenta diferentes densidades materiais, de
senvolvidas, encontram-se nos países do Norte. uso e valores também distintos. É assim que os lugares se
No mapa acima também podemos visualizar as áreas diferenciam, segundo suas lógicas de funcionamento e
de influência política dos principais atores econômicos suas diferentes inserções no processo de uso econômico
mundiais. Vale lembrar, porém, que a área de influência do território. Pereira (2006, p. 63).
dos EUA pode se estender para além da divisão estabele- A globalização representa um processo dinamizador
cida, uma vez que sua política externa, muitas vezes, atua e central na definição do atual período histórico e por
nas mais diversas áreas do mundo, com destaque para conseguinte na reorganização do espaço geográfico.
algumas regiões do Oriente Médio. O debate sobre a natureza, significado, implicações e
até mesmo sua temporalidade gera um vasto debate
Globalização/fragmentação do espaço e desterri- realizado por inúmeras áreas do conhecimento. Mas em
torialização torno deste importante processo recai ambiguidades e
A globalização que marca o atual período histórico é armadilhas teóricas, exigindo, deste modo, prudência em
caracterizada pela integração do mundo, principalmente seu uso e uma correta definição do seu entendimento.
pela economia, criando um mercado global e também Com relação ao processo global em questão, será
uma mais-valia globalizada. Tal unificação passou a pontuado, a seguir, a filiação deste texto. Conforme
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

orientar as mais diversas atividades econômicas, não escreveu Santos (2002), a geografia brasileira foi pioneira
sendo diferente para a atividade agrícola. A modernização na análise deste novo períodoi. Para Santos (2008,
da agricultura, ocorrida na segunda metade do século XX, p. 4), “a globalização constitui o estágio supremo da
está diretamente associada as dinâmicas da globalização. internacionalização, a amplificação em ‘sistema-mundo’
Analisando estas dinâmicas, do ponto de vista do de todos os lugares e de todos os indivíduos, embora em
fenômeno da técnica, problemática que interessa a graus diversos”. Harvey (2009, p. 88) entende “o processo
geografia, tem-se que o atual período é marcado por um
de globalização como um processo de produção de
conjunto de técnicas hegemônicas cujo alcance é todo o
desenvolvimento temporal e geográfico desigual”.
planeta. Deste ponto de vista, surge algo novo na história
Apesar de alguns autores considerarem o movimento
do homem e na história da técnica: uma própria unidade
da técnica. Esta nova família de técnicas, comandada pela da globalização a partir da expansão das grandes
informação, promove simultaneidade das ações a nível navegações europeias, ocorrida em fins do século XV, é
mundial. só na segunda metade do século XX que se pode falar em
Paralelo a este processo de aproximação e unificação uma globalização no sentido de uma integração entre os
das diferentes parte do mundo há um intenso processo países. Pois é a partir deste período que se constrói uma
de fragmentação sobre os territórios e sociedades. Ou técnica e uma política planetárias. Como também serão
melhor, esta fragmentação a que refere o texto é em globais os atores hegemônicos e as relações econômicas.
consequência das dinâmicas da globalização. Uma Em se tratando da geografia, a expressão espacial
contradição produzida pelo atual estágio de globalização correspondente a este período é o meio técnico-
da economia, ou seja, mais uma contradição do científico-informacional (SANTOS, 2006). Agora, a
capitalismo. informação passa a ser o recurso mais cobiçado e

46
determinante. O que exige do território um papel fragmentação. E não foi diferente nos cerrados do Oeste
primordial na circulação da informação. Nada acontece da Bahia. Neste sentido, singular para esta pesquisa
fora do espaço, sobretudo agora que os fluxos, cada dia é o caso de Formosa do Rio Preto – Bahia, município
mais numerosos e intensos, passam a exigir um maior situado nestes mesmos cerrados. Ali, campo e cidade são
número de fixos sobre o espaço. Estes fixos, ao serem acometidos por processos de fragmentações resultantes
geograficizados, passam a constituir o próprio território da agricultura científica globalizada que domina parte do
e mantém uma relação dialética com os fluxos. Para seu espaço agrícola.
Santos (2009), [...] a geograficidade se impõe como Ao mesmo tempo que consolida-se um arranjo orga-
condição histórica, na medida em que nada considerado nizacional (SANTOS, 2006), baseado em uma agricultura
essencial hoje se faz no mundo que não seja a partir do moderna, criam-se desigualdades que resultam em pro-
conhecimento do que é o Território. O Território é o lugar cessos de fragmentação no interior do município de For-
em que desembocam todas as ações, todas as paixões, mosa do Rio Preto. Associando a escrita de Pereira (2006,
todos os poderes, todas as forças, todas as fraquezas, p. 63), anteriormente citada, com o uso do território no
isto é, onde a história do homem plenamente se realiza espaço agrícola em Formosa do Rio Preto, pelos diversos
a partir das manifestações da sua existência. A Geografia agentes, observa-se que este território tem “um caráter
passa a ser aquela disciplina tornada mais capaz de fragmentário, visto que o espaço geográfico apresenta
mostrar os dramas do mundo, da nação, do lugar. Santos diferentes densidades materiais, de uso e valores tam-
(2009, p. 7) bém distintos”.
A globalização imposta pelos agentes hegemônicos
não prega a cooperação fraterna entre as pessoas ou Desterritorialização
entre os lugares, mas um sistema baseado na dominação o Homem necessita do seu território, seja de cariz
e hierarquização, o que resulta em desigualdade e na material ou simbólico. O território de cada indivíduo é
fragmentação da sociedade e do território. O período o que melhor o identifica, dado que é o território que
atual é, portanto, baseado e produtor de conflitos. ajuda e condiciona a construção da identidade de cada
“Com tais desígnios, o que globaliza falsifica, corrompe, indivíduo. O Homem necessita do seu território, do seu
desequilibra, destrói”, afirma Santos (2008, p. 33). espaço e de criar vínculos e ligações com ele.
O presente estudo, ao tratar de globalização e No entanto, os nossos territórios (sejam a nossa casa,
fragmentação, está reportando a uma geografia da o café que frequentamos, o local onde fazemos compras,
desigualdade, assim como expôs Souza (2002, p. 21): o local de férias para onde habitualmente vamos) estão
“os processos de globalização e fragmentação implicam sujeitos a alterações, a mudanças. E essas mudanças po-
territórios diversos que se constituem, especialmente dem ocorrer por diversos factores, como por exemplo: a
neste fim de século, em geografias da desigualdade”. crise económica e o desemprego, a guerra, as catástro-
Assim, o uso que se fará aqui da palavra fragmentação fes ambientais, os projectos de desenvolvimento (como
remete a desigualdades provocadas pelo processo de construções de estradas e barragens), a patrimonializa-
globalização. Ao fazer esta delimitação semântica evita- ção (por exemplo, a delimitação de áreas naturais), o en-
se incorrer em erros apontados por Castro (2013). velhecimento demográfico e a doença, entre outros.
Fragmentar significa quebrar, partir em pedaçosii Quando esta mudança no vínculo que nos une ao ter-
levando a ruptura, a separação. A fragmentação na ritório acontece estamos perante um processo de dester-
perspectiva deste estudo é aquela pensada por Castro ritorialização. Assim, o processo de desterritorialização
(2013, p. 43): “se dá como resultado de alguma forma pode ser definido como uma quebra de vínculos, uma
de impacto não esperado, daí o sentido de reduzir a perda de território, um afastamento dos nossos territó-
fragmentos, quebrar-se, ou seja, a fragmentação, de rios, havendo assim, uma perda de controlo das territo-

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modo geral, desarticula e desorganiza”. rialidades pessoais ou colectivas, uma perda de acesso a
Definido nosso entendimento sobre a globalização e a territórios económicos, simbólicos, aos recursos…
fragmentação, parte-se agora ao movimento que produz Tendo em conta que o Homem é um ser eminente-
a fragmentação e sua relação com a agricultura moderna mente social e sociável, este necessita de se adaptar às
e o território no Brasil. Santos (2003) afirma que: novas circunstâncias, aos novos territórios.
Os territórios tendem a uma compartimentação
generalizada, onde se associam e se chocam o #FicaDica
movimento geral da sociedade planetária e o movimento
particular de cada fração, regional ou local, da sociedade O processo de desterritorialização está
nacional. Esses movimentos são paralelos a um processo (sempre) implícito o processo de reterrito-
de fragmentação que rouba às coletividades o comando rialização.
do seu destino, enquanto os novos atores também não
dispõem de instrumentos de regulação que interessem
à sociedade em seu conjunto. A agricultura moderna, A reterritorialização caracteriza-se por ser um pro-
cientifizada e mundializada, tal como a assistimos se cesso que nem sempre é bem sucedido, onde o Homem
desenvolver em países como o Brasil, constitui um exemplo se vai adaptar aos novos territórios, tornando-se num
dessa tendência e um dado essencial ao entendimento agente activo do (novo) território.
do que no país constituem a compartimentação e a Neste ponto temos duas problemáticas importantes:
fragmentação atuais do território”. Santos (2003, p. 80). Primeira – a reterritorialização é um processo com-
Conforme exposto na citação acima, a agricultura plexo e complicado principalmente porque grande parte
moderna é exemplo da imbricação globalização e dos processos de desterritorialização ocorrem em países

47
cujo grau de desenvolvimento é baixo; tratam-se de in- que o capital passou a adquirir novas condições e pos-
divíduos muito vulneráveis e com pouca capacidade de sibilidades de reprodução. Acrescenta-se também, que
resiliência; os espaços se modificaram além das fronteiras nacionais,
Segunda – para o planeamento estratégico é impera- tanto nas nações dominantes como nas subordinadas,
tivo a colaboração da população e a população só cola- conferindo uma conotação internacional a qual passou a
bora, intervém e se torna activa se o processo de reterri- se intensificar no final da Guerra fria.
torialização estiver concluído. Pode-se dizer então, que o capitalismo foi adquirindo
uma nova configuração em nível mundial, ou seja, as em-
Estruturação da nova ordem mundial, o papel da presas, as corporações e os conglomerados transnacio-
globalização e da revolução técnico-científica e nais passaram a transpor sobre as economias nacionais e
A globalização pode ser considerada a imposição de assim surgiu uma Nova Ordem Econômica Mundial, que
uma economia global única, com a integração dos mer- procura flexibilizar a economia progressivamente.
cados nacionais, resultando em um aprofundamento da Todavia, a grande empresa passou a avançar frontei-
Divisão Internacional do Trabalho (DIT). Além disso, tem ras e o mundo se transformou, na prática, em uma imen-
como tripé os fluxos de mercadorias, de capitais e de in- sa e complexa fábrica, caracterizado por Ianni (1997a), de
formações, transpondo fronteiras nacionais, sem limites
shopping center global.
nas transações, transformando tudo em mercadoria pos-
Neste contexto, destaca-se que se faz parte de um
sível de negociação.
processo de integração mundial o qual se intensifica a
O processo de globalização não exclui ninguém de
cada instante. Na visão de Santos (1993, p.34) é mais
sua teia. De alguma forma todos são atingidos, até mes-
mo aquelas pessoas que vivem no coração da floresta do que isso, pois o mesmo salienta que: “O processo de
amazônica, alheia a tudo o que acontece no mundo “ci- globalização acarreta a mundialização do espaço geo-
vilizado”. gráfico”. Consequentemente, ocorre a subordinação dos
Muitos acreditam no surgimento de um mundo ho- espaços nacionais aos interesses internacionais. Para o
mogêneo no qual o processo de globalização tem como mesmo autor, a ciência, a tecnologia e a informação são
característica a busca da igualdade, mas, sabe-se, o que a base para a apropriação do espaço, sendo mais favorá-
ela mais vem ressaltando são as diferenças, onde o cres- vel, na sua acepção, “aos interesses dos atores hegemô-
cimento da riqueza é comparado com a crescente desi- nicos da economia e da sociedade”.
gualdade de sua distribuição entre as nações e as diver- Entretanto, o início desta integração mundial remon-
sas classes sociais. ta aos séculos XV e XVI, quando as grandes navegações
Neste sentido, Foschiera (2000, p.19) nos coloca que dos Estados europeus, possibilitaram a conquista de
“o ponto mais contraditório do processo de globalização novos mercados. Ressalta-se também que outros fatos
é o movimento de regionalização. Quanto mais se apro- importantes marcaram a difusão do comércio e dos in-
fundam as relações econômicas internacionais, mais se vestimentos, principalmente, impulsionados pelas duas
acentua o processo de regionalização”. Revoluções Industriais, nos séculos XVIII e XIX. Esta ex-
Portanto, passa a ocorrer uma adequação do regio- pansão ocorre até a queda da Bolsa de Nova York, em
nal ao global, mas sem perder suas características locais 1929. Após a II Guerra Mundial o bloco capitalista volta a
quanto aos aspectos políticos, econômicos, sociais e cul- crescer economicamente, estimulados pelo rompimento
turais. das barreiras alfandegárias postas em práticas pelo Acor-
do Geral de Comércio e Tarifas (GATT), o qual se transfor-
Evolução histórico-espacial da globalização mou na atual Organização Mundial de Comércio (OMC).
Há muito tempo a reflexão e a imaginação encon- Para Santos (1991), o processo de internacionalização
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tram-se desafiadas quanto ao discernimento do que vem vem sendo gestado há muito tempo, culminando numa
a ser a globalização. Esta, por ser uma busca antiga, con- aparente eliminação das fronteiras das Nações, resultan-
tinua no presente e obviamente seguirá no futuro. Mui- do numa integração econômica juntamente com a libe-
tas são as expressões que denotam essa busca constante, ração financeira e comercial. É a mundialização de tudo
reiterada e obsessiva, em épocas diferentes, lugares dis- que pode ser quantificado, no espaço, na produção, nas
tintos e em diversas linguagens, seja no Oriente ou no finanças e até mesmo na cultura, em suas palavras:
Ocidente, seja no Primeiro, Segundo, Terceiro ou Quarto [...] O projeto de mundializar as relações econômicas,
Mundos, no Norte ou no Sul. Estamos num mundo sem sociais e políticas começam com a extensão das fronteiras
fronteiras, capitalismo mundial, socialismo mundial, terra do comércio no princípio do século XVI, avança por saltos
pátria, planeta terra, ecossistema planetário, em tudo e através dos séculos de expansão capitalista para finalmen-
em toda parte a globalização se faz presente. te ganhar corpo no momento em que uma nova revolução
A globalização, de um modo geral, passou a ser mais científica e técnica se impõem e que as formas de vida do
perceptível após a Segunda Guerra Mundial, uma vez que Planeta sofrem uma repentina transformação: as relações
o capital perdia parcialmente suas características nacio- do Homem com a Natureza passam por uma reviravolta,
nais. Neste momento, observa-se com maior intensida- graças aos formidáveis meios colocados à disposição do
de, a presença internacional ou mesmo uma conotação primeiro (SANTOS, 1991, p.12).
internacional inglesa, norte-americana, alemã, japonesa, Neste sentido, pode-se inferir que a globalização é
francesa, entre outras, nos países periféricos. Na análise um estágio do capitalismo em constante transformação.
de Ianni (1997a), percebe-se, neste período, uma meta- De acordo com Ianni (1999), historicamente, o capita-
morfose qualitativa e não apenas quantitativa, uma vez lismo pode ser definido como:

48
[...] A rigor a história do capitalismo pode ser vista nica e política que permite a tais empresas uma produti-
como a história da mundialização, da globalização do vidade e um lucro maiores. Em última análise, trata-se de
mundo. Um processo histórico de longa duração, com ci- uma racionalidade privada obtida com recursos públicos.
clos de expansão e retração, ruptura e reorientação Em outras palavras, tal racionalidade representa sempre
[...] Assim se caminha do século XVI ao XX, passando uma drenagem de recursos sociais para a esfera do setor
pelo mercantilismo, a acumulação originária, o absolutis- privado (SANTOS & SILVEIRA, 2001, p.306).
mo, o despotismo esclarecido, as revoluções burguesas, os Parece comum a intensificação e a generalização do
imperialistas, as revoluções de independência, as revolu- processo de dispersão geográfica da produção, ou mes-
ções socialistas, o terceiro mundismo a globalização em mo das forças produtivas. Entretanto, cabe salientar que
marcha nesta altura da história (IANNI, 1999, p.55-56). as desigualdades sociais são geradas pela internaciona-
Percebe-se, então, que o processo de mundialização lização econômica.
da economia, busca um enfoque maior nas relações de Assim, a nova Divisão Internacional do Trabalho e
produção e comércio internacional, obedecendo à lógica da produção, envolvendo o fordismo, o neofordismo, o
capitalista, ou seja, a integração de todos os recantos do toyotismo, a flexibilização e a terceirização, se agilizam
mundo, ocupando todos os espaços mundiais, forman- e se generalizam com base nas técnicas eletrônicas, na
do a teia global das grandes corporações internacionais. qual esta nova Divisão Internacional do Trabalho com-
Nos países menos desenvolvidos, se impõe a ideia de prova a globalização do capitalismo, tanto em termos
que a integração aos mercados internacionais se daria históricos como geográficos.
pelo desenvolvimento industrial sob a égide de planos Desta forma, globalizaram-se as instituições, os prin-
de reestruturação dos espaços nacionais, com vistas à ex- cípios juridico-políticos e, até mesmo, os padrões socio-
portação de seus produtos, bem como se integrar a este culturais e as idéias que constituem as condições e os
grande mercado. Segundo este enfoque: produtos civilizatórios do capitalismo. Percebe-se, então,
[...] a adaptação ao modelo capitalista internacional que o significado de Estado-Nação toma outra configu-
torna-se mais requintada, e a respectiva ideologia de ra- ração e se altera constantemente.
cionalidade e modernização a qualquer preço ultrapassa Fica claro, que a partir deste momento, os projetos
o domínio industrial, impõe-se ao setor público e invade nacionais, a reforma institucional, ou seja, as condições
áreas até então não tocadas ou alcançadas só indireta- da soberania nacional passaram a ser determinadas por
mente, como por exemplo, a manipulação da mídia, a or- exigências de instituições, organizações e de corpora-
ganização e o conteúdo do ensino em todos os seus graus, ções multilaterais, transnacionais, que subordinam as
a vida religiosa, a profissionalização, as relações de traba- nações. Sendo assim, o aparelho estatal é obrigado a se
lho etc. (SANTOS & SILVEIRA, 2001, p.47). reorganizar, a se modernizar, segundo as características
Seguindo esta lógica, a ocupação dos espaços pelas do funcionamento dos mercados mundiais, assim como,
empresas globais, sejam estas nacionais ou internacio- dos fluxos e dos fatores de produção, sobretudo da geo-
nais, ocupam os locais mais favoráveis com vistas à maior política e das alianças estratégicas.
produtividade e competitividade. Para Santos (2001), são Nesta visão, salienta-se, que tanto o aparelho esta-
estes os “espaços luminosos”, enquanto, o restante do tal como, as empresas nacionais são obrigadas a se mo-
território, os “espaços opacos”, ou seja, aqueles que fi- dernizar em virtude da imposição do capitalismo e da
cam reservados às empresas menos poderosas. concorrência dos mercados internacionais uma vez que
No entanto, pode-se dizer que as firmas internacio- pode ocorrer o sucateamento das empresas permitindo
nais detêm maior poder de negociação com os governos a instalação de indústrias multinacionais fragilizando a
no que se refere à escolha do lugar para sua instalação, economia nacional.
bem como para a instalação de infraestruturas, que con-

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Em decorrência, tem-se a internacionalização das di-
sequentemente tornará aquele espaço mais atrativo retrizes relativas à desestatização, à desregulamentação,
para seus negócios. Além disso, estas possuem maior à privatização, à abertura de fronteiras e à criação de zo-
poder de negociar com os governos, quanto à concessão nas francas.
de incentivos fiscais. Neste contexto, o Brasil, se inseriu neste processo,
Segundo o ponto de vista de Santos & Silveira (2001, onde a partir da década de 50 passou a incorporar “pa-
p.297), “cada lugar, como cada região, deve ser conside- cotes econômicos” que exigiram grandes capitais. Por ser
rado um verdadeiro tecido no qual as condições locais um estado de carência, esta modernização se desenvol-
de infraestrutura, recursos humanos, fiscalidade, orga- veu a base do crédito, fruto da atual dívida externa.
nização sindical, força reivindicatória afastam ou atraem As estratégias utilizadas pelas transnacionais provo-
atividades em dado momento”. caram mudanças no uso do solo e na própria orientação
Este enfoque nos leva a considerar que o meio téc- das atividades agrícolas. Isto foi responsável pela ten-
nico-científico-informacional vai de encontro ao capital dência no emprego capitalista da terra agrícola, quanto à
nacional ou internacional, das grandes corporações, co- produção de proteínas, e assim implicando na substitui-
locando a sua disposição, até mesmo, os recursos públi- ção das dietas locais pelas transnacionais. Desta forma,
cos. Nesta linha de raciocínio destacava-se que: em praticamente todos os setores agropecuários, está
[...] nas condições históricas atuais o meio técnico-cien- ocorrendo a racionalização dos processos produtivos, de
tíficoinformacional, seja como área contínua, mancha ou organização social, bem como da técnica de trabalho,
ponto, constitui esse espaço da racionalidade e da globali- de modo a acelerar a produtividade e ampliar as con-
zação. A serviço de grandes empresas privadas, o território dições da produção de excedente, lucro ou mais-valia.
nacional conhece, em certos lugares, uma adequação téc- Concordando com Ianni, (1997a, p.52-53) quando ar-

49
gumenta que: “a internacionalização do capital significa atuam como verdadeiros agentes neste jogo de interes-
simultaneamente a internacionalização do processo pro- ses, como por exemplo, o Fundo Monetário Internacional
dutivo. E é obvio que esta internacionalização do capital (FMI), o Banco Mundial, entre outros.
produtivo envolve não só a idéia da fábrica global e do
shopping center global, mas também a da internaciona-
lização da questão social”.
Pode-se considerar, que no momento em que se
mundializa o capital produtivo, mundializam-se as forças
produtivas, bem como as relações de produção e assim
se ocorre a mundialização das classes sociais.
Quando ocorre a internacionalização do capital, este
se desloca das nações e dos subsistemas econômicos na-
cionais, mesmo que guarde alguns traços importantes de
sua origem ou enraizamento.
Salienta-se, também, que ao mesmo tempo em que a
globalização une povos e nações, ocorre fragmentação.
Na afirmativa de Ianni (1997a), a globalização é um pro-
blema, pois ela é ao mesmo tempo contraditória. Com-
Nova York, uma das cidades mais globalizadas do
preende a integração e a fragmentação do nacionalismo,
mundo (Foto: Wikimedia Commons)
do regionalismo, do racismo e do fundamentalismo, da
geoeconomia e da geopolítica. O cenário que se afigura com a chegada destes novos
Desde que se acelerou o processo de globalização as agentes econômicos é imprescindível para compreen-
noções de tempo e espaço se modificaram. Isto é per- dermos o significado da chamada globalização econô-
ceptível na crescente agilização das comunicações, nos mica. Esta tem como características:
mercados, nos fluxos de capitais, nas tecnologias, nos in- -A ruptura de fronteiras, ou seja, tal ruptura é atribuí-
tercâmbios de idéias e imagens, que vão modificando os da à dinâmica do capital, que circula livremente pelo glo-
parâmetros herdados sobre a realidade social, incluindo bo, sem respeitar a delimitação de fronteiras territoriais;
o modo de ser. Assim, as fronteiras parecem se dissolver, -Perda da soberania local, ou seja, países, estados e
as nações se integram e se desintegram e, em escala glo- cidades tem que se submeter à lógica do capital para
bal, se revelam novas formas sociais do espaço e tempo. conseguir gerar lucro em seus orçamentos;
Caracterizando a sociedade global, percebe-se que as -Expansão da dinâmica do capital, fato que se rela-
formas sociais do espaço e do tempo estão em constante ciona à ruptura de fronteiras, ou seja, o capital se dirige
modificação e, inclusive, em multiplicação. A eletrônica e agora também à periferia do capitalismo, uma vez que
a informática tecem as redes invisíveis, tanto que a ve- as transnacionais compreenderam que a exploração (no
locidade excepcional produz o instante desconhecido. sentido de explorar a força de trabalho diretamente) dos
Nestas circunstâncias, resgata-se, mais uma vez, Ianni países subdesenvolvidos promoveria grandes lucros para
(1997a p.168), quando salienta que “em qualquer lugar estes.
e em todo mundo a eletrônica relaciona e prende, ata Com o crescimento expressivo da atuação do capital
e desata pessoas, coisas, idéias, palavras, gestos, sons e
em nível mundial, chegou-se a questionar o papel do Es-
imagens. A velocidade dissolve-se no instante, a demora
tado, isto é, o Estado seria de fato um agente importante
é apagada pelo fugaz”.
neste processo ou atuaria como um impeditivo para a
Nesta linha de pensamento, observa-se que o mun-
livre circulação do capital, uma vez que poderia criar re-
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do se transformou em território de todo o mundo, as


fronteiras são abolidas pelos meios de comunicação, gras ou leis que inviabilizariam a livre circulação do capi-
informação, transporte e distribuição. Os meios de pro- tal? Segundo este raciocínio, as transnacionais estariam
dução e consumo se agilizam universalmente, sem falar comandando a dinâmica econômica mundial em detri-
das descobertas científicas. Nesta concepção, a mídia mento dos Estados. Vale destacar que muitas empresas
impressa e eletrônica, a indústria cultural transforma o transnacionais passaram a desempenhar papéis que an-
mundo num paraíso de imagens, videoclipes, shopping tes eram oferecidos pelo Estado, como serviços ligados à
centers, supermercados, entre outros. Assim, se apresen- infraestrutura básica (exemplo: transporte e saneamento
ta o universo da fragmentação. Determinados grupos básico).
usufruem destes meios sofisticados e um grande grupo No entanto, as sucessivas crises geradas pelo capita-
se encontra excluído não possuindo acesso a estas “ino- lismo mostraram que o papel do Estado não se apagou,
vações”, sejam tecnológicas, eletrônicas ou científicas. como pensavam alguns, pelo contrário, em momentos
de crise financeira, o Estado é chamado a ajudar as em-
Blocos econômicos e comércio mundial. presas em dificuldade econômica. Portanto, o papel do
As transformações econômicas mundiais ocorridas Estado no contexto de globalização reestruturou-se,
nas últimas décadas, sobretudo no pós segunda guer- passando este a atuar como um salvador dos excessos
ra mundial, são fundamentais para entendermos as di- e econômicos promovidos pelas empresas nacionais
nâmicas de poder estabelecidas pelo grande capital e, ou internacionais, controlando taxas de juros, câmbios,
também, pelas grandes corporações transnacionais. manutenção de subsídios em setores estratégicos, bem
Além delas, não podemos deixar de mencionar a im- como fiscalizando, direta e indiretamente, os recursos
portância crescente das instituições supranacionais, que energéticos.

50
A Formação dos Blocos Econômicos  mo de Estado, governado por um partido comunista. O
O surgimento dos blocos econômicos coincide com Estado é o indutor estratégico e participa como player na
a mudança exercida pelo Estado. Em um primeiro mo- economia, chegando as empresas estatais a participarem
mento, a ideia dos blocos econômicos era de diminuir a com 25% da produção industrial do país.
influência do Estado na economia e comércio mundiais. O caso da China, atualmente segunda maior econo-
Mas, a formação destas organizações supranacionais fez mia do mundo, é um desdobramento dos fenômenos
com que o estado passasse a garantir a paz e o cres- políticos e econômicos que se fizeram notar após o fim
cimento em períodos de grave crise econômica. Assim, da Guerra Fria. Apesar de ser a segunda maior econo-
a iniciativa de maior sucesso até hoje foi a experiência mia do mundo, a China tem apenas o 72º PIB per capita.
vivida pelos europeus. Em outras palavras, o desenvolvimento do país, embora
A União Europeia iniciou-se como uma simples enti- venha obtendo resultados significativos na melhora dos
dade econômica setorial, a chamada CECA (Comunidade indicadores sociais, não foi capaz de entregar à popula-
Europeia do Carvão e do Aço, surgida em 1951) e depois, ção uma condição de vida que se assemelhe à dos paí-
expandiu-se por toda a economia como “Comunidade ses mais desenvolvidos. Entre 2005 e 2015, o IDH (Índice
Econômica Europeia” até atingir a conformação atual, de Desenvolvimento Humano) subiu de 0,64 para 0,74.
que extrapola as questões econômicas perpassando por Apesar disso, ocupa a modesta 90ª colocação nesse in-
aspectos políticos e culturais. dicador.
Além da União Europeia, podemos citar o NAFTA
(North American Free Trade Agreement, surgido em Ricos e Pobres x Desenvolvidos e Subdesenvolvidos
1993); o Mercosul (Mercado Comum do Sul, surgido em A China é um sintoma do desafio que é fazer uma
1991); o Pacto Andino; a SADC (Comunidade de Desen- divisão dos mundos na atual conjuntura. O Brasil chegou
volvimento da África Austral, surgida em 1992), entre ou- a ocupar a posição de 6ª economia do mundo. No en-
tros. A busca pela ampliação destes blocos econômicos tanto, vive contrastes entre riqueza e pobreza muito mais
mostra que o jogo de poder exercido pelas nações tenta expressivos que o gigante asiático. Em 2017, estudo rea-
garantir as áreas de influência das mesmas, controlan- lizado pelo economista francês Thomas Piketty mostrou
do mercados e estabelecendo parcerias com nações que que 30% da riqueza nacional está concentrada nas mãos
despertem o interesse dos blocos econômicos.  do 1% mais rico da população.
Além disso, o jogo de poder também está presente Como definir se o Brasil é um país rico ou pobre, de-
internamente aos blocos, ou seja, existem países líderes senvolvido ou subdesenvolvido? Atualmente, é a 9ª eco-
dentro do bloco, que acabam submetendo os outros paí- nomia do planeta, à frente do Canadá. Quando se trata
ses do acordo aos seus interesses. Assim, nem sempre de IDH, todavia, o Canadá aparece em 12º lugar, com
a constituição de um bloco econômico é benéfica a to- um IDH de 0,926, enquanto o Brasil é 79º, com 0,759.
dos os membros; por exemplo, a constituição do NAFTA São países que ocupam a mesma faixa quando o tema é
(México, Canadá e EUA) fez com que a frágil economia riqueza nacional, mas muito distantes quando o tema é
mexicana aumentasse ainda mais sua dependência em como as populações se beneficiam dessa riqueza.
relação aos EUA, o Canadá, por sua vez, passou a ser con- Seria razoável dizer, talvez, que o Brasil é um país rico,
siderado uma extensão dos EUA, dada sua subordinação porém subdesenvolvido, mas isso implicaria em especifi-
à economia de seu vizinho. car que critérios são aplicados para caracterizar um país
como tal. Oficialmente, os critérios são o IDH, o grau de
A pobreza no espaço geográfico dependência econômica e tecnológica, os índices de po-
Até o final da Guerra Fria convencionava-se dividir os breza e miséria, a desigualdade social, a balança comer-
países em três grandes blocos: capitalistas, socialistas e cial desfavorável e a dívida externa. O Brasil se sai bem

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subdesenvolvidos. em dois quesitos: balança comercial e dívida externa, que
Essa divisão trazia, em si, algumas contradições, uma é menor que as reservas internacionais. Tem posição ra-
vez que muitos países da chamada cortina de ferro vi- zoável em IDH e vai muito mal nos outros quesitos, o que
viam realidades próximas, do ponto de vista econômico, o colocaria na condição de país intermediário.
de muitos países do Terceiro Mundo, grupo dos países Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e Reino Uni-
subdesenvolvidos. Além do que os países do Terceiro do são as cinco maiores economias do mundo. Somente
Mundo eram, ressalvadas as devidas peculiaridades, de a Alemanha, no entanto, aparece entre os cinco maiores
orientação capitalista. IDH do mundo, mesmo assim na quinta posição, atrás
Com a queda do Muro de Berlim, o desmoronamento de Irlanda, Austrália, Suíça e Noruega, que não constam
da chamada Cortina de Ferro e o colapso do projeto so- entre as dez maiores economias do planeta.
cialista, no final do século XX, o mundo se desdobrou em Pode-se aferir que riqueza e desenvolvimento são
diversas tendências. Entre essas tendências há uma que indicadores diferentes. Um ouro indicador importante
é convergente: o capitalismo. Não o capitalismo como é a participação das categorias de atividade econômica.
modelo político, mas como modelo econômico. Países em que há predominância na formação do PIB do
Um dos grandes players econômicos do século XXI setor terciário (serviços), com grande presença do setor
é a China, um gigante territorial, que vive a revolução secundário (indústria) e pequena participação dos seto-
comunista meio que ao contrário. Depois de a partir de res primários (agropecuária, pesca e extrativismo) são
1949 tentar implementar a sociedade comunista, despre- considerados desenvolvidos. Aqueles em que a atividade
zando o plano de estágios pregado por Karl Marx, faz o predominante é a do setor primário são as nações mais
caminho contrário, responsável por originar um capitalis- pobres e, geralmente, subdesenvolvidas.

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Dessa forma, pode-se concluir que países com predominância do setor primário na economia, baixo IDH e com
posição ruim no ranking econômico podem ser consideradas pobres e subdesenvolvidas. Elas são predominantes na
África, Caribe e Ásia Central. No outro extremo, são ricas e desenvolvidas as que apresentam condições opostas.
Entre esses extremos estão inúmeros países, como é o caso do Brasil, que não encontrou ainda o caminho para
socializar a riqueza e acelerar o desenvolvimento.

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (CESPE/2013 – SEE/AL) No que se refere à globalização, julgue o item subsecutivo. 


O mundo globalizado definiu uma nova ordem mundial, mas não uma nova geografia do comércio internacional.

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Errado.
A globalização ao definir uma nova ordem mundial, alterou alguns aspectos da globalização econômica, entre eles,
podemos sim afirmar a existência de uma nova geografia do comercio internacional, graças à ruptura de fronteiras,
permitindo assim uma expansão da dinâmica do capital, ou seja, o capital se dirige agora também à periferia do
capitalismo, uma vez que as transnacionais compreenderam que a exploração (no sentido de explorar a força de
trabalho diretamente) dos países subdesenvolvidos promoveria grandes lucros para estes.
Percebe-se com isso que a dinâmica do capital passa a circular livremente pelo globo, sem respeitar a delimitação
de fronteiras territoriais.

AS TRANSFORMAÇÕES SÓCIO-ECONÔMICAS NO MUNDO ATUAL. OS GRANDES CONJUN-


TOS REGIONAIS E SUAS IMPLICAÇÕES MUNDIAIS. A ÁSIA, O LESTE EUROPEU, A COMUNI-
DADE EUROPÉIA, A ÁFRICA ATUAL, A CHINA E SUAS TRANSFORMAÇÕES ECONÔMICAS, O
ORIENTE MÉDIO, SUA IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA E SEUS CONFLITOS. A AMÉRICA LATI-
NA E O MERCOSUL. O PAPEL DOS ESTADOS UNIDOS NO MUNDO ATUAL.

O final do século XX foi um período de rápido crescimento das ligações e dos fluxos transnacionais que afetam to-
das as esferas da vida humana: economia, política, ambiente, cultura, sociedade e mesmo as relações interpessoais. Es-
tes processos globais deram origem a importantes transformações sociais em todo o mundo, fazendo com que velhas
dicotomias económicas e culturais, como “moderno e tradicional”, “altamente desenvolvido e menos desenvolvido”,
“Oriente e Ocidente”, “o Sul e o Norte”, perdessem saliência. Tornou-se cada vez mais difícil agir localmente sem pensar
globalmente (como diz o slogan), enquanto o nível de análise nacional foi perdendo parte da sua proeminência como
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enquadramento para a compreensão da sociedade.


Os cientistas sociais que se lançaram no estudo destas mudanças importantes depressa se viram confrontados com
os limites das teorias e das metodologias existentes. Disciplinas centrais, como a economia ou a sociologia, assentavam
(muitas vezes tacitamente) em assunções culturais e modelos de desenvolvimento derivados da experiência ocidental
do capitalismo e da industrialização. A evolução do conhecimento das ciências sociais assentara, em grande medida,
nos princípios requeridos para a construção e integração do estado-nação ocidental, como forma organizacional por
excelência para a expansão e a hegemonia globais. Assim se compreende a ênfase colocada, não só, na compreensão
da sociedade industrial emergente, mas também no estudo das sociedades colonizadas, de modo a controlar classes e
povos perigosos (ver Connel e Connel, 1997).
Para além disto, apesar do intercâmbio internacional entre cientistas sociais, existiu (e existe ainda) uma conside-
rável especificidade nacional nos modos de organização, nas abordagens teóricas e metodológicas, nos problemas
estudados e nos resultados das ciências sociais. No seio de cada país existem escolas ou paradigmas concorrentes;
no entanto, radicam em enquadramentos intelectuais distintos, com fortes raízes históricas e de uma durabilidade
surpreendente. Estes quadros de referência foram muitas vezes exportados para áreas de influência política e cultural,
através de uma espécie de neocolonização intelectual. Entre as determinantes da especificidade nacional encontram-
-se: as tradições religiosas, filosóficas e ideológicas; o papel desempenhado pelos intelectuais na construção da cultura
e da identidade nacionais, que foi variando ao longo da história; as relações entre estados e “classes políticas”; o papel
das ciências sociais no desenho de políticas sociais; e os modos de interação do aparelho do estado com as universi-
dades e outras instituições de investigação.

52
O estudo das transformações sociais vos. Entre os restantes incluem-se a melhoria das condi-
A crítica das teorias do desenvolvimento revelou-se ções de saúde e das oportunidades educativas, a possi-
o contexto apropriado para a emergência dos estudos bilidade, aberta a todos, de participação na vida pública,
da transformação social enquanto novo enquadramento a garantia de uma administração eficiente e honesta, a
analítico, assente nos seguintes pressupostos: salvaguarda do ambiente e a equidade intergeracional (o
1) As transformações sociais afetam todos os tipos de que significa que as atuais gerações não devem esgotar
sociedade, tanto em regiões desenvolvidas como em re- os recursos em detrimento de futuras gerações) (Banco
giões menos desenvolvidas, no contexto da globalização, Mundial, 1999: 13). O conceito de desenvolvimento hu-
da regionalização e da emergência de diversas formas de mano introduzido em 1990 pelo Programa das Nações
governação supranacional. Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é ainda mais
2) A globalização tem dado origem a novas formas de lato: “O desenvolvimento humano é o processo que per-
diferenciação social, ao nível internacional como à escala mite alargar as oportunidades de escolha dos indivíduos
nacional. A polarização entre ricos e pobres, e a exclusão — não apenas as escolhas entre diferentes detergentes,
social são problemas que afetam a maioria dos países, canais de televisão ou modelos de automóveis, mas as
bem como as relações entre eles. escolhas que são criadas pela expansão das capacidades
3) Os principais objetivos do desenvolvimento não e possibilidades humanas — o que as pessoas fazem e
podem mais ser definidos em termos de crescimento podem fazer das suas vidas” (Paul Streeten em PNUD,
económico e de modernização à luz do modelo ociden- 1999: 16). Nesta definição cabe uma grande variedade
tal. O crescimento desigual e a polarização social podem de aspirações, desde a água potável até às condições de
na realidade aumentar as desvantagens e a marginaliza- trabalho seguras, aos direitos humanos e à liberdade de
ção de grupos significativos. Considerando a existência expressão cultural e religiosa.
de diferentes culturas e de diferentes valores de grupo, Em nenhum outro local esta mudança de pensa-
torna-se impossível definir um objetivo universalmente mento é tão evidente como no Banco Mundial, que no
aceite para o processo de mudança. passado colocava uma ênfase unilateral no crescimento
4) Estudar as transformações sociais significa exami- económico e nos projetos de grande envergadura: “Nas
nar os diferentes modos como a globalização interfere décadas de 50 e de 60 as grandes barragens eram pra-
ao nível de comunidades locais e de sociedades nacio- ticamente sinónimos de desenvolvimento” (Banco Mun-
nais com experiências históricas, padrões económicos e dial, 1999: 18). Na década de 80, muitos foram os que
sociais, instituições políticas e culturas altamente diver- passaram a ver o Banco Mundial, juntamente com o FMI,
sificados. como os polícias globais do capital, intervindo em nome
5) As transformações sociais podem produzir con- da liberdade do mercado e da desregulação onde quer
sequências positivas e negativas para as comunidades que os estados procurassem manter a autonomia econó-
locais e para os estados-nações. Mais: alguns países e mica ou a equidade social. Esta ortodoxia foi sintetizada
grupos podem ficar para trás ou ser excluídos. A resposta no “consenso de Washington”, com os seus princípios
dos grupos afetados pode não resultar na adaptação à económicos neoclássicos de liberalização, estabilização e
globalização mas antes na resistência, que pode envolver privatização (Stiglitz, 1998). Segundo Stiglitz, o problema
a mobilização de recursos culturais e sociais tradicionais. destas abordagens era que “consideravam o desenvolvi-
Mas pode assumir, também, novas formas de “globaliza- mento como um problema técnico que requeria soluções
ção de baixo para cima” através de organizações transna- técnicas… Não procuravam conhecer em profundidade
cionais da sociedade civil. a sociedade, nem acreditavam que esse tipo de aborda-
Utilizar o conceito de transformação social como fer- gem participativa fosse necessária”. Procuraram impor
leis económicas supostamente universais, ignorando

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ramenta analítica não significa abandonar o objetivo do
desenvolvimento; significa antes o afastamento em re- as lições da história. Mais importante é o facto de esta
lação às ideias simplistas de outrora, que apresentavam abordagem desenvolvimentista, muitas vezes, não ter
o crescimento económico como a chave para tudo, uma funcionado no sentido esperado — muitos dos países
vez que a sua dispersão daria automaticamente origem que seguiram os ditames do consenso de Washington
à melhoria dos padrões de vida para todos. É importan- (com grandes custos humanos) não alcançaram o cresci-
te conceptualizar os estudos das transformações sociais mento económico. A solução proposta por Stiglitz radica
como um campo de investigação que poderá e deverá na adopção de um conceito de desenvolvimento muito
levar à formulação de receitas positivas para a ação social mais abrangente, enquanto transformação da totalidade
e política, de modo a auxiliar as comunidades a melhorar da sociedade.
os seus meios de subsistência e a lidar com as conse- Trata-se da descolagem de uma abordagem centra-
quências das transformações globais. Os investigadores da no crescimento económico, prestando maior atenção
deste campo devem procurar influenciar as estratégias ao desenvolvimento social. O que significa igualmente
de instituições poderosas como os governos, as empre- complementar as abordagens estruturadas de cima para
sas transnacionais e as organizações internacionais. baixo, o trabalho feito em colaboração com governos e
As críticas radicais aos modelos de desenvolvimento poderosas instituições, com métodos mais participati-
economicistas têm tido uma forte influência no pensa- vos (da base para o topo), desenhados para descobrir
mento contemporâneo dominante. Este facto está bem e incluir as necessidades e os interesses de uma larga
patente na adopção generalizada do princípio de desen- variedade de grupos sociais. Stiglitz sublinha a impor-
volvimento sustentável, segundo o qual o aumento do tância de conceitos como “participação”, “capital social”,
rendimento per capita é apenas um entre muitos objeti- “inclusão” e “propriedade”, e de facto esta nova retórica

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ocupa agora um lugar de destaque nos documentos do cados livres e globais, que veem no funcionamento dos
Banco Mundial. Mas terá mesmo havido uma revolução mesmos a garantia de um crescimento económico ideal
de mentalidades? O Quadro para o Desenvolvimento In- e a via para, a longo prazo, se alcançarem melhores ní-
tegrado, elaborado pelo Banco Mundial, é um plano para veis de vida para todos (por exemplo, Ohmae, 1991 e
“uma abordagem holista do desenvolvimento”, tendo 1995). Os hiperglobalizadores críticos sublinham o carác-
por principal objetivo a “diminuição da pobreza” (Banco ter revolucionário de tendências como o rápido cresci-
Mundial, 1999: 21). A introdução de métodos de avalia- mento dos meios de comunicação social globais e da
ção social desde meados da década de 90, com vista a mobilidade global, argumentando, contudo, que estas
determinar os efeitos dos projetos sobre as comunidades beneficiam apenas uma pequena elite. A globalização é
afetadas, marca também uma alteração significativa. O o mecanismo de domínio dos investidores internacionais
Banco Mundial acabou por se retirar do projeto da bar- e das grandes empresas transnacionais, que deixaram
ragem do Sardar Sarovar, no rio indiano Narmada, em de poder ser controlados por estados-nações cada vez
1993, em virtude das reservas que os danos ambientais mais enfraquecidos. Os sindicatos e os sistemas de pre-
e os deslocamentos maciços de populações suscitavam. vidência estão a entrar em colapso, o desemprego e a
Continua porém a apoiar o projeto da barragem das Três exclusão social avançam, enquanto o crescimento des-
Gargantas na China, que supõe a deslocação de um nú- controlado conduz a um estado de degradação ambien-
mero ainda maior de pessoas (Roy, 1999). A ênfase na tal que ameaça a vida no planeta. A globalização pode
redução da pobreza e no desenvolvimento social desem- levar assim à fragmentação social, à incerteza cultural, ao
penhou um papel importante na resposta à crise asiática. conflito e à violência. Como possível solução sugere-se
Isto não impediu, no entanto, que o Banco Mundial e o reinvestir de poder os estados-nações democráticos e,
FMI tenham imposto à Indonésia a adopção de políticas simultaneamente, fortalecer a cooperação europeia, de
que na realidade podem ter potenciado a desestrutura- modo a criar um contrapeso ao modelo americano do
ção económica e a pobreza. Não é pois absolutamente mercado livre (ver também Beck, 1997; Martin e Schu-
claro até que ponto o novo pensamento se infiltrou, pe- mann, 1997; Schnapper, 1994). Robert Reich, responsável
netrando até aos níveis chave da tomada de decisões das pela pasta do trabalho na primeira administração Clinton,
agências de financiamento multilaterais e dos governos lançou um apelo semelhante no sentido da ressurreição
dadores. da economia nacional (Reich, 1991).
Os cépticos centram-se sobretudo nos aspectos eco-
As transformações sociais e a globalização nómicos da globalização. Reconhecem os intensos fluxos
As transformações sociais e a globalização estão, de transfronteiriços de comércio, investimento e mão-de-o-
um modo muito claro, intimamente associadas. No ní- bra, mas sustentam que não se trata de nada de novo:
vel mais geral, a globalização refere-se ao processo de a integração económica internacional no período que
mudança que afeta todas as regiões do mundo, numa precedeu a I grande guerra era equiparável aos níveis
variedade de dimensões que vão desde a economia, à atuais. Para além disto, fazem notar que a maior parte
tecnologia, à política, aos meios de comunicação, à cul- do comércio mundial (80% ou mais) se efetua entre as
tura e ao ambiente. Atente-se na seguinte definição mais economias altamente desenvolvidas, de modo que os
precisa de globalização: países menos desenvolvidos não participaram de modo
Um processo (ou conjunto de processos) que incor- significativo nos processos de integração económica.
pora transformações na organização espacial das rela- Preferem assim o termo de “internacionalização” ao ter-
ções e das transações sociais — consideradas em termos mo de globalização (Hirst e Thompson, 1996). Os cépti-
da sua extensão, da sua intensidade, da sua velocidade e cos defendem que o papel do estado-nação se mantém
do seu impacto —, gerando fluxos transcontinentais ou tão forte como dantes. Esta asserção aplica-se sobretudo
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inter-regionais e redes de atividade, interação e o exercí- aos Estados Unidos, ao Japão e à Europa ocidental, que
cio do poder (Held e outros, 1999: 16). se encontram hoje no centro dos três blocos económi-
Esta definição permite a operacionalização e a pes- cos dominantes (Weiss, 1997). A “regionalização” é vis-
quisa empírica, na medida em que os fluxos e as redes ta como uma alternativa à globalização, permitindo aos
podem ser cartografados, medidos e analisados. No en- estados-nações manter a sua posição de predomínio no
tanto, o entendimento e a avaliação do que é a globaliza- sistema mundial. Os cépticos desconsideram a ideia de
ção variam muito. Held e os seus colaboradores sugerem que as viagens e a difusão através dos meios de comuni-
que as diferentes abordagens podem ser divididas gros- cação globais estão a dar origem a uma cultura global ou
seiramente em três categorias genéricas, a que se refere mesmo a uma civilização global, antes continuando a ver
como os hiperglobalizadores, os cépticos e os transfor- hierarquia e fragmentação.
macionistas. Os transformacionistas consideram a globalização
Os hiperglobalizadores acreditam que a globalização como o resultado de processos, estreitamente interli-
representa uma nova época na história humana, em que gados, de mudanças na tecnologia, na atividade econó-
todos os tipos de relações estão a ser integrados num mica, na governança, na comunicação e na cultura. Os
nível global, transcendendo o estado-nação e tornan- fluxos transfronteiriços (de comércio, de investimento,
do-o progressivamente irrelevante. Entre os hipergloba- de imigrantes, de artefatos culturais, de fatores ambien-
lizadores incluem-se tanto aqueles que celebram estas tais, etc.) alcançaram níveis sem precedentes e integram
tendências, como os que delas fazem avaliações críticas. atualmente quase todos os países num sistema global,
Os hiperglobalizadores que fazem a apologia da globa- dando origem a importantes transformações sociais a
lização são sobretudo partidários neoliberais dos mer- todos os níveis. No entanto, estas tendências não levam,

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necessariamente, a uma convergência global ou à emergência de uma “sociedade mundial”. Pelo contrário, a globa-
lização cria novas formas de estratificação global em que certos indivíduos, comunidades, países ou regiões se veem
integrados em redes globais de poder e de prosperidade, enquanto outros são excluídos e marginalizados. Os trans-
formacionistas defendem que estas novas divisões são transversais às antigas clivagens entre Leste e Oeste e Norte e
Sul. A globalização não pode, contudo, ser equiparada a uma redução geral do poder dos estados. Pelo contrário, na
medida em que a relação entre território e soberania é abalada pela globalização, novas formas de governança emer-
gem aos níveis nacional, regional e global, onde o poder militar e económico dos estados dominantes tem ainda um
papel decisivo. É evidente que as teorias transformacionistas da globalização estão muito próximas da abordagem das
transformações sociais discutida no presente artigo. Excluindo o trabalho de Held e dos seus colegas (1999), a explana-
ção mais completa das teses transformacionistas encontra-se na obra em três volumes de Castells (1996, 1997 e 1998).
As análises da globalização e das transformações sociais têm vindo a sublinhar os efeitos diferenciais que se regis-
tam nas diversas regiões do mundo (Castells, 1996: 106-48).
• Os países altamente desenvolvidos da América do norte, da Europa ocidental e o Japão, que estão a passar
por uma crise das indústrias metalúrgicas e a assistir ao declínio dos sistemas estatais de previdência e ao aumento da
polarização social.
• Os “tigres asiáticos” e a próxima vaga de tigres que estavam a alcançar rapidamente o estatuto de países alta-
mente industrializados, quando o crescimento foi interrompido pela crise asiática, em 1997. As economias petrolíferas
do Médio Oriente são, por vezes, incluídas nesta categoria.
• A restante Ásia, incluindo os gigantes Índia e China que, apesar das suas áreas de rápida industrialização e da
emergência de classes médias, possui ainda economias que são, de um modo geral, atrasadas e com baixos níveis de
rendimento, o que faz dela uma verdadeira reserva de mão-de-obra para as economias em rápido crescimento.
• A América Latina, caracterizada pela sua experiência desequilibrada de crescimento intermitente, pela depen-
dência económica e pelos conflitos políticos.
• A África, que se encontra, em larga medida, excluída da economia global. Neste caso, o falhanço do desenvol-
vimento económico e da formação de estados-nações levou ao declínio de rendimentos, a condições sociais terríveis,
a conflitos endémicos, e produziu vastos fluxos de refugiados.
• Os chamados “países em transição” (o antigo bloco soviético), confrontados com problemas de reestruturação
das suas economias e instituições, de modo a adaptarem-se ao mundo capitalista.
Estas diferenças tornam claro que o estudo das transformações sociais precisa de ter em conta, não só, os aspectos
gerais da globalização, mas também os fatores específicos que produzem efeitos e reações variados aos níveis regional,
nacional e local. De facto, os processos de mediação entre os fatores globais e os fatores regionais, nacionais e locais são,
pode-se dizer, o tema central no estudo das transformações sociais. Para além disto, estes processos são multidirec-
cionais: os fatores regionais, nacionais e locais participam na reconfiguração dos fatores globais. Entre estes fatores
incluem-se, não só, as diversas estruturas económicas e políticas, mas também as experiências históricas específicas, os
valores filosóficos e religiosos, os padrões culturais e as relações sociais.

Conjuntos regionais no mundo atual

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Apesar dessas limitações, o estudo regional oferece importantes elementos para o planejamento governamental
ou de empresas privadas, assim como para os estudos acadêmicos e escolares. No item anterior, por exemplo, foram
analisados mapas que apresentam regionalizações econômicas dos países pioneiros da industrialização e, no item a
seguir, serão abordadas as regionalizações econômicas mundiais.

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A regionalização econômica do mundo
Uma importante regionalização político-econômica para entender a dinâmica do espaço geográfico mundial na se-
gunda metade do século XX é a do mundo bipolar, dividido em dois polos político-econômicos (veja o mapa a seguir).
Entre 1945 e 1990, as disputas entre os países capitalistas, liderados pelos Estados Unidos, e os países socialistas, lide-
rados pela União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), polarizaram as relações político-econômicas mundiais.
Três grandes conjuntos regionais podem ser identificados nesse período:
• o Primeiro Mundo: formado pelos países capitalistas mais desenvolvidos e industrializados;
• o Segundo Mundo: composto de países que adotaram o socialismo, independentemente de seu nível de indus-
trialização ou “riqueza”;
• o Terceiro Mundo: demais países capitalistas, menos desenvolvidos e com menor nível de industrialização.
O fim do regime socialista soviético em 1990 e a consequente dissolução da antiga URSS provocaram profundas
mudanças na regionalização econômica mundial. O capitalismo passou a ser hegemônico e os polos político-econômi-
cos são os Estados Unidos, fortalecidos durante a Guerra Fria após a crise do socialismo; a Europa Ocidental (bloco da
União Europeia); e o Japão, caracterizando, portanto, uma realidade multipolar, ao menos do ponto de vista econômico.
Esses três polos têm suas áreas de influência político-econômica direta, que se estende para países com menor
grau de industrialização e nível de desenvolvimento na América Latina, na África e na Ásia. Tais polos estão nos centros
de comando da economia mundial ou tríade e, em razão disso, lideram o processo de globalização econômica que se
acelera significativamente nesse momento histórico (década de 1990)

Ásia: suas divisões internas


O maior continente do mundo possui uma divisão bem diferenciada. São seis regiões que compõem à Ásia, deli-
mitando as áreas geoeconômicas do continente asiático: Ásia Central, Extremo Oriente, Norte da Ásia, Oriente Médio,
Sudeste Asiático e Sul da Ásia.

Ásia Central
Situada na região central da Ásia, esta área não possui ligação com nenhum oceano, portando essa fator condiciona
esses países a um grande limite exportador e menores chances de se classificarem como países exportadores da Ásia,
até porque suas economias são instáveis e relativamente as mais fracas deste continente. Problemas políticos, econô-
micos e culturais fizeram desta região da Ásia uma área muito isolada do mundo. Fazem parte desta região o Caza-
quistão, Usbequistão, Turcomênia, Quirguízia, Tadjiquistão e Afeganistão. Mas, este último país fez com que o mundo
norteasse sua atenção para o território afegão, em virtude dos ataques terroristas iniciados no dia 11 de setembro de
2001 nos Estados Unidos. A partir deste momento o mundo quis saber que nações formavam esta região inóspita da
Ásia e de que maneira poderia se chegar até o Afeganistão para contra-atacar os terroristas que se escondem e domi-
navam o Afeganistão. Em consequência, estes países ganharam grande importância para o mundo ocidental, tornando
essa região uma importante área geoestratégica.

Extremo Oriente
Composto por países com grande semelhança cultural, China, Coréias (Coréia do Sul e Coréia do Norte) e Japão
formam o Extremo Oriente asiático. Estabelecido como uma das regiões mais ricas do mundo, em função do Japão ser a
segunda maior potência econômica mundial, esses países estão passando por profundas modificações. A China está fa-
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zendo a grande abertura do seu mercado interno, que possui a maior população do planeta (consumidores) que é de 1
bilhão e 300 milhões de habitantes. As Coréias (Coréia do Sul e do Norte) estão em fase de reunificação territorial, eco-
nômica e cultural, depois de décadas separadas. E o Japão está numa grave crise econômica para um país desenvolvido
economicamente, onde gera recessões em seu mercado interno e nas suas exportações. Esta região ocupa uma grande
área da Ásia e é caracterizada por apresentar desde desertos, como o de Gobi (China), até vulcões, como o Fuji (Japão).

Norte da Ásia
Com a maior área territorial das regiões asitáticas, o Norte da Ásia é composta por dois países apenas: a Rússia (par-
te asiática) e Mongólia. A primeira nação é amplamente conhecida no mundo todo, principalmente depois da 2ª Guerra
Mundial, quando seu nome era URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Atualmente a Federação Russa ou
Rússia representa como grande nação do mundo, em todos os sentidos, pois já fez frente com os Estados Unidos na
questão econômica e militar. Enquanto que a Mongólia é um país muito desconhecido do mundo, pois não apresenta
grande importância econômica para o globo.

Oriente Médio
Esta região é muito marcada pelos conflitos entre mulçumanos e judeus, principalmente em Israel, mas também
possui conflitos entre os próprios mulçumanos (sunitas contra xiitas). Todos os países desta região são da cultura islâ-
mica, com exceção de Israel (Estado judeu) e isso levou ao fato de ocorrer inúmeros conflitos e guerras. Arábia Saudita,
Iêmen, Omã, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrain, Kuwait, Iraque, Irã, Turquia, Síria, Chipre, Líbano, Jordânia e Israel

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são os países que compõem esta região. Os últimos conflitos mais intensos são entre os palestinos e judeus na Cisjor-
dânia, Faixa de Gaza e Colinas de Golã (áreas israelitas contestadas). Com uma história de mais de 3 mil anos, o Oriente
Médio sempre foi palco e centro de interesse dos povos em diversas épocas, seja por interesses religiosos (culturais)
ou econômicos (petróleo), pois esta região é o berço de três grandes religiões do mundo (cristianismo, islamismo e
judaísmo) e é o maior produtor de petróleo e gás natural do globo.

Sudeste Asiático
Localizado na península da Indochina e nas milhares de centenas de ilhas que formam diversos arquipélagos, essa
região é caracterizada por apresentar grandes diferenças sócio-econômicas ao longo de seu território. O Sudeste
Asiático é composto pelos países: Mianma, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja, Malásia, Cingapura, Filipinas, Indonésia e
Brunei. Muitas nações provêm de governos ditatoriais e por consequência disto estão atrasados em sua economia. Por
outro lado, observar-se países em processo de desenvolvimento econômico, como é o caso da Cingapura, Malásia e
Tailândia, sendo chamados de Tigres Asiáticos, mas ainda possuem inúmeros problemas sociais. Esses países também
são conhecidos por terem mão-de-obra barata, o que levou a estas nações muitas empresas multinacionais estabele-
cerem filiais de produção.

Sul da Ásia
Formada pela Índia, Paquistão, Maldivas, Nepal, Butão, Bangladesh e Sri Lanka o Sul da Ásia é caracterizada por
grandes problemas sociais, onde sua população sofre por diversas consequências da economia local e pela má distri-
buição de renda nestes países. A numerosa e crescente população do Sul da Ásia condiz a esta realidade, a Índia, por
exemplo, será daqui alguns anos o país mais populoso do mundo, pois seu ritmo de crescimento vegetativo não para
de aumentar. Dentre todas as nações desta região, a Índia é a que possui maior volume em sua economia, enquanto
que as outras nações estão mergulhadas em grandes crises sócio-econômicas. A região também é atingida pelo efeito
atmosférico natural chamado Monções, que transforma a área do sul da Índia e Bangladesh durante o inverno (seco)
e verão (úmido), causando nesta última estação inúmeras enchentes. O Sul da Ásia também é amplamente conhecido
em todo o mundo por possuir uma das maiores e mais impressionantes cordilheira do globo, o Himalaia. Nesta cadeia
de montanhas localiza-se o pico Everest, com 8.848 mil metros de altitude, o ponto mais alto do mundo.

Ásia Central Afeganistão, Casaquistão, Quirguízia, Tadjiquistão, Turcomênia e Us-


bequistão
Extremo Oriente China, Coréia do Norte, Coréia do Sul e Japão
Norte da Ásia Mongólia e Rússia
Oriente Médio Arábia Saudita, Bahrain, Chipre, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Irã,
Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Qatar, Síria e Turquia
Sudeste Asiático Brunei, Camboja, Cingapura, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Mian-
ma, Tailândia e Vietnã
Sul da Ásia Bangladesh, Butão, Índia, Maldivas, Nepal, Paquistão e Sri Lanka

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O leste europeu
A separação entre a Europa Oriental (Europa do Leste) e Europa Ocidental (Europa do Oeste) ficou claramente
perceptível após a divisão do continente entre os blocos socialista e capitalista. Após a Segunda Guerra Mundial, no
período da Guerra Fria, a divisão entre os blocos ficou conhecida como “Cortina de Ferro”. Naquele contexto, a parte
Oriental da Europa estava sob domínio político da União Soviética, enquanto a parte Ocidental sofria o domínio dos
Estados Unidos.
A Guerra Fria teve início logo após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Naquele período, os blocos
disputavam a hegemonia política, econômica e também militar no mundo. Essa fase ficou conhecida como “mundo
bipolar”. Em um cenário de destruição e falência de economias, os Estados Unidos e a União Soviética conseguiram
manter relativa estabilidade, e visavam sua reconstrução com a afirmação do poder perante o mundo.
Naquele período, foram anexados diversos territórios, houve o aperfeiçoamento dos armamentos, em especial das
armas nucleares, além disso, investiu-se muito no fortalecimento dos exércitos, em especial por parte da União So-
viética. Enquanto os Estados Unidos lutavam pelo domínio tecnológico, e pela reestruturação dos países arrasados no
pós-guerra. Ambos os lados tinham como uma das principais metas o investimento em armamentos nucleares.
Em 1989, com a queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade, houve a desagregação do bloco socialista, e
começava então uma transição econômica profunda de uma economia estatizada para uma economia de mercado.
“Em todos os países foram realizadas, a partir de 1990, reformas econômicas com base no modelo neoliberal domi-
nante no mundo pós Guerra-Fria.” (SILVA, 2013, p. 174)

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Essas reformas incluíam a liberalização dos preços e do comércio externo, a redução dos subsídios às indústrias
(uma vez que eram mantidas pelo governo), redução dos gastos com a sociedade, privatizações, dentre outras. Surgia
a partir daquele momento uma nova configuração geopolítica mundial, com a ascensão econômica de outros países, e
a soberania econômica dos Estados Unidos, a qual foi estendida para quase todos os países do mundo. Muito embora
em um primeiro momento os Estados Unidos tenham se tornado símbolo mundial de poder (ordem unipolar), outros
países se destacam posteriormente, como é o caso da China e do Japão.

Leste Europeu hoje


Os países pertencentes ao Leste Europeu possuem uma economia pautada no extrativismo e nas atividades agrí-
colas, sendo que boa parte dos países encontra-se em um estágio atrasado de desenvolvimento, com altos índices de
pobreza, comparando-se com os países da Europa Ocidental.
Os conflitos culturais também marcam a região, especialmente na Iugoslávia e a Tchecoslováquia.
“A variedade de nacionalidades e culturas que compõem algumas áreas tem sido um dos elementos que contri-
buem para incrementar a potencialidade dos conflitos.” (CARVALHO, 2006, p. 153)
Muitos dos conflitos que se estabelecem são motivados pelas consequências da localização geográfica estratégica
dos países da Europa Oriental, os quais são pontos de passagem entre aqueles que migram da Ásia para a Europa Cen-
tral e Ocidental. Essa característica promove uma perda de identidade cultural na Europa do Leste, pois há uma massiva
quantidade de pessoas que se deslocam por aquele território. Destacam-se neste sentido os conflitos religiosos.

São países pertencentes ao Leste Europeu: República Tcheca, Hungria, Romênia, Eslováquia, Bulgária, Eslovênia,
Croácia, Montenegro, Sérvia, Albânia, Bósnia Herzegovina, Macedônia, Chipre, Armênia, Bielorrússia, Azerbaijão, Ucrâ-
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nia, Geórgia, Rússia (região oeste), Turquia, Moldávia, Estônia, Letônia, Lituânia e Polônia.
Ao longo dos anos seguintes a queda do Muro de Berlim, diversos conflitos se estabeleceram no Leste Europeu,
como o desmembramento da Iugoslávia, a partir de 1992, criando assim a Eslovênia, a Croácia, Bósnia-Herzegovina e
a Macedônia, bem como uma federação, da qual fazem parte a Sérvia e Montenegro. Destaca-se também a fragmen-
tação, em 1991, das repúblicas que formavam a antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Das quinze
repúblicas, doze formaram a Comunidade dos Estados Independes (CEI), constituindo um bloco econômico e político.

Comunidade Europeia
União Europeia (UE) é um bloco econômico criado em 1992 para estabelecer uma cooperação econômica e política
entre os países europeus. É um dos exemplos de blocos mais avançados apresentando uma integração econômica,
social e política, moeda comum, livre circulação de pessoas e funcionamento de um Parlamento Europeu formado por
deputados dos países membros e eleitos pelos cidadãos.
Atualmente são 28 países membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia,
Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta,
Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia. O Reino Unido por meio de um
plebiscito em junho de 2016 decretou a saída no bloco econômico. Porém, a saída do país ainda não foi oficializada.
A organização que foi essencial para a integração da Europa e a criação da União Europeia foi a Comunidade Eco-
nômica Europeia (CEE), ou, também conhecida como Mercado Comum Europeu (MCE). A CEE foi criada em 1957 e
foi formada nessa época apenas pela: Alemanha, Bélgica, França, Itália, Luxemburgo e Países Baixos. Esta organização
também era chamada de “Europa dos 6”.

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O contexto de criação da CEE foi na Guerra Fria, mo- • 2001 – Tratado de Nice. Nova reforma na ins-
mento em que o mundo vivia a bipolarização entre os tituição para adesão de 10 países: República Checa, Es-
norte-americanos e soviéticos. Como forma de buscar tónia, Chipre, Letónia, Lituânia, Hungria, Malta, Polónia,
uma aliança para fortalecer as comunidades europeias Eslováquia e Eslovénia.
com uma recuperação economicamente e enfrentar o • 2004 – Tratado de Roma - Este novo tratado em
avanço da influência norte-americana, os europeus obje- Roma buscava criar uma Constituição para a Europa, po-
tivaram criar vínculos para integração econômica. rém, por motivos de desacordos os países não chegaram
Outro fato importante para entender a criação do a um consenso e não assinaram o tratado.
bloco econômico é que nesta época a Europa buscava • 2007 – Tratado de Lisboa – Busca tornar a UE
se reconstruir dos danos da Segunda Guerra Mundial e, mais democrática e eficaz para resolver problemas so-
bem como, de prosperar a paz. Dessa forma, outra inten- ciais e ambientais, como as mudanças climáticas e ajuda
ção foi construir uma força militar e de segurança. humanitária. Romênia e Bulgária aderem à UE.
A proposta da CEE foi incentivar a cooperação eco- • 2013 – A Croácia adere à UE
nômica tornando os seus membros dependentes, man- • 2016 – Num plebiscito popular o Reino Unido
tendo uma relação de mercado comum entre os países. vota a favor de sua saída da UE.
Na década de 80 outros países integraram a CEE como a:
Inglaterra, Grécia, Espanha, Dinamarca, Irlanda e Portu-
gal. Com a adesão destes países, a comunidade europeia #FicaDica
se chamaria de “Europa dos 12”.
• A superfície que abrange a União
A criação da União Europeia veio apenas em 1992,
Europeia é de 4.793.909 km².
na cidade de Maastricht na Holanda, quando os países • A população total da União Euro-
da CEE se reuniram e assinaram o chamado Tratado de peia é de 493.011.693.
Maastricht. Este tratado, que entrou em vigor apenas em • A soma do PIB (2014) de todos os
1993, propôs uma integração e cooperação econômica, países da União Europeia é de US$ 18,5 tri-
buscando harmonizar os preços e as taxas de importa- lhões.
ção.
Em 1999 foi projetada na UE a criação de um banco
central e da moeda única, o Euro. Esta nova moeda foi 26 países da União Europeia apresentam desenvolvi-
capaz de gerar profundas mudanças no cenário geopo- mento humano muito alto, ou seja, o valor de IDH é su-
lítico e pode dar condições de fortalecer a economia e perior a 0,800. Apenas Bulgária (0,782) e Romênia (0,793)
influência da UE para competir com o dólar norte-ame- são países com desenvolvimento humano alto (valor de
ricano. IDH acima de 0,700).
E ainda, também se iniciou políticas comuns de de- A bandeira da União Europeia foi criada em 1955 e
fesa, cidadania e de proteção ao meio ambiente, tendo simboliza os ideais de união, cooperação e harmonia en-
uma preocupação com as mudanças climáticas e ajuda tre os povos da Europa.
humanitária e proteção civil. Existe o Hino Europeu, que é parte da nona sinfonia
Com a UE permitiu-se a livre circulação de merca- de Ludwig Van Beethoven.
dorias, serviços e pessoas por meio da eliminação dos O Dia da Europa é comemorado no dia 9 de maio,
controles das fronteiras entre os países da UE, abolindo cuja data é quando foi feito a Declaração de Schuman de
barreiras físicas, jurídicas e burocráticas. A União Euro- 1950. Esta declaração é de Robert Schuman, Ministro dos
peia torna a Europa praticamente como se fosse um país Negócios Estrangeiros Francês e nesse discurso comen-

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único. tou sobre a ideia de união política na Europa.
Confira abaixo os principais tratados dos países euro- Winston Churchill, Primeiro-Ministro britânico, ao
peus e adesão dos países: discursar propôs a criação de um “Estados Unidos da Eu-
• 1957 -Tratado de Roma. Institui a Comunidade ropa”, em 19 de setembro de 1946, sendo um dos pri-
Econômica Europeia (CEE) e a Comunidade Europeia da meiros a pensar na união da Europa.
Energia Atômica (Euratom) e aprofundou a integração
África
econômica europeia;
Falar da África é falar do primeiro continente habi-
• 1965 – Tratado de Bruxelas. Simplifica o funcio-
tado pelo ser humano em todo o mundo e de onde o
namento das três instituições europeias como a CEE, a mesmo partiu para os demais continentes. Muitas vezes,
Euratom e a CECA - Comunidade Econômica Europeia do há um imaginário popular sobre uma África pobre e des-
Carvão e do Aço que são substituídos pela truída por guerras, o que pode ser verdade em alguns
• 1988 – Ato Único Europeu. Propõe medidas para casos, porém não responde pela totalidade do continen-
criação de um mercado único. Aderem Portugal e Espa- te africano.
nha. Igualmente muitas pessoas falam em uma cultura
• 1992 – Tratado de Maastricht – Criação da União africana ou cultura negra, quando existem inúmeras et-
Europeia nias, povos e culturas negras distintas na África (algumas
• 1997 – Tratado de Amsterdã – Reforma das ins- até rivais entre si). Imaginam também uma África forma-
tituições para adesão de mais países à EU. A Áustria, Fin- da apenas por pessoas de etnias negras, quando na rea-
lândia e Suécia aderem a UE lidade há uma variedade étnica considerável.

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Conflitos armados e aspectos políticos uma interpretação extremista da lei islâmica sobre a Ni-
Apesar de possuir grandes e poderosos impérios na géria (o sul do país é majoritariamente cristão e o norte
antiguidade, como o Egito, Etiópia e outros, a África foi majoritariamente islâmico).
quase inteiramente colonizada pelos europeus, especial-
mente após a partilha da África na conferência de Berlim Aspectos físicos
(século XIX). Esta colonização provocou sérias e graves Além de ser o berço da espécie humana, a África é o
mudanças na geografia da África, eliminando antigas continente geologicamente mais antigo do mundo, o seu
fronteiras nacionais, obrigando povos historicamente ri- relevo se formou antes dos demais e, portanto, esteve
vais a viverem dentro do mesmo território. mais exposto aos efeitos da erosão, fazendo com que
Em um processo de imposição cultural, tanto da reli- o mesmo não seja tão elevado, mesmo as suas monta-
gião quanto do idioma e outros costumes, aqueles povos nhas não são tão altas quanto em outros locais. Inclusive,
foram perdendo muito de sua cultura original e substi- vemos a presença de profundas depressões no relevo
como o das Grandes Fossas Africanas.
tuindo a mesma pela cultura do colonizador. Durante o
A maior parte do continente está nos climas tropi-
processo de descolonização da África, os povos já esta-
cal e equatorial, considerando que a linha do Equador
vam aculturados, sendo inviável retornar as antigas fron-
atravesse o continente na parte central. Estas regiões são
teiras e então eclodiram diversas guerras civis por todo o
cobertas por florestas equatoriais e tropicais.
continente, pois os antigos povos rivais vivendo no mes-
mo território passaram a disputar o controle do mesmo.
A situação das guerras foi agravada com a chegada
da Guerra Fria, em que os lados em conflito na África
passaram a se aliar com o governo da União Soviética e/
ou dos Estados Unidos da América em busca de apoio
financeiro e militar. Mesmo com o fim da Guerra Fria,
alguns desses conflitos permanecem, mesmo que com
menor intensidade como no separatismo de Cabinda em
Angola ou com maior intensidade como no caso da So-
mália em que é dificil até definir quem efetivamente con-
trola o país (que além de tudo se tornou um forte reduto
para a pirataria, como demonstrado no livro e filme de
Capitão Phillips que relata a história real do capitão ame-
ricano que foi sequestrado por piratas somalis).
Um dos resquícios da Guerra Fria foram os países que
se mantiveram como socialistas na África ou com forte
influência do mesmo, como no caso de Angola onde o
Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA),
com apoio da URSS, venceu os seus rivais e implantou
um regime socialista nos moldes soviéticos. Recente-
mente o governo de Angola tem feito uma transição,
junto com o próprio MPLA dominante, para um modelo
mais socialdemocrata do que marxista, no entanto são Localização do Deserto do Saara. Ilustração: AridO-
nítidas ainda as influências da era pró-soviética. cean / Shutterstock.com [adaptado]
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Outro fator de conflito e tensão que ficou muito fa- Nas regiões mais ao norte e mais ao sul temos áreas
moso na África, apesar de não mais existir, foi o Apar- com estações secas e a presença de desertos como o fa-
theid na África do Sul. O Apartheid era um regime oficial moso deserto do Saara na porção norte do continente e
de segregação racial, com origem holandesa mas que foi os desertos de Kalahari e da Namíbia no sul. Entre essas
continuado. O regime recebeu apoio da comunidade de regiões desérticas e as regiões tropicais/equatoriais exis-
origem holandesa sul-africana e inclusive da Igreja Re- tem as savanas, que são uma vegetação equivalente ao
formada Holandesa. Por outro lado, duas lideranças que nosso Cerrado.
se destacaram na luta contra o Apartheid e que poste-
riormente impediram qualquer tentativa de revanchismo
contra a população branca, lutando pela reconciliação
de todos e pelo perdão mútuo, essas lideranças foram
Nelson Mandela (que veio a ser presidente da África do
Sul) e passou boa parte da sua vida preso por desafiar o
regime, bem como o Arcebispo da Igreja Anglicana na
África do Sul Desmond Tutu.
Uma outra circunstância que tem aumentado os con-
flitos armados e o terrorismo na África, especialmente no
Norte da África tem sido o crescimento dos grupos terro-
ristas ligados ao fundamentalismo muçulmano. Um caso
recente bem famoso tem sido o do grupo Boko Haram
que luta contra a cultura ocidental e cristã e tenta impor

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Vegetação de savana na África. Foto: TTphoto / Shut- Um dos países que mais vem investindo na África é a
terstock.com China, considerando a sua necessidade de matéria-prima
africana, a disponibilidade de mão-de-obra com baixo
Apesar das áreas secas, a África possui importantes custo e tudo isso somado com um vasto mercado consu-
rios, como por exemplo: O Rio Nilo famoso pela sua rela- midor a ser explorado. Este investimento todo por parte
ção com o Egito antigo, o rio Níger no oeste, o rio Congo do governo chinês, além de ajudar no desenvolvimento
no ao centro e o Zambeze ao sul. No lestre africano é dos países africanos, serve também para fins geopolíticos
possível encontrar alguns grandes lagos. ao aumentar a área de influência chinesa no mundo.
Duas regiões que possuem destaque na África são o
Magreb e o Sahel. Magreb, situado no noroeste africano
China
com povos muçulmanos de origem berbere que manti-
veram sua língua e cultura e que habitam áreas que são A China vem se destacando no cenário mundial e já é
em boa parte desérticas. O Sahel é a região de estepes uma das grandes potências econômicas atuais.
entre o Saara e as savanas do Sudão, sendo uma região Entre os países que compunha o antigo socialismo,
seca que vai da Mauritânia até a Eritréia. a China é o único que tem alcançado altos níveis de de-
senvolvimento, após a abertura econômica o país  tem
Aspectos culturais acentuado suas relações comerciais, isso a partir de 1970.
Ao falarmos em religião afro no Brasil, lembramos do Hoje o ideal chinês não mais se vincula ao socialismo
Candomblé e da Umbanda, especialmente do primeiro, e sim ao desejo de se tornar uma potência mundial no
sendo que ambos são religiões afrobrasileiras, especial- século XXI, e poder superar o seu eterno rival na Ásia, o
mente a última. O próprio Candomblé não é africano, Japão.
mas reune elementos de diversas religiões e cultos afri- Um grande movimento guerrilheiro de base cam-
canos. Cada nação possuia um culto distinto, com orixás ponesa, liderado por Mao Tse Tung, instaurou o regime
(voduns, inkices, …) e os escravos no Brasil para salvarem socialista a partir de 1952, com isso passou a ser uma
as suas crenças começaram a fundir os vários cultos. Isso república popular de economia planificada.
fez com que inclusive algumas entidades cultuadas na Em 1960 o país passou a ter relações de apoio com
África fossem desconhecidas no Brasil. a União Soviética a fim de desenvolver o setor industrial,
Entre os cultos tradicionais africanos podemos dar
nessa mesma década a China deixou de lado a atividade
destaque ao culto de Ifá, famoso pelos oráculos como
o jogo de búzios e que tem começado a se tornar mais industrial e voltou-se totalmente para a agricultura.
conhecido no Brasil. Porém, na realidade, a África predo- A partir de 1970 houve uma retomada total da ativi-
minantemente não segue mais os cultos tradicionais na- dade industrial, com elevados investimentos nas indús-
tivos dela, sendo basicamente dominada pelas religiões trias de grande porte, doravante houve uma abertura do
islâmica (especialmente no norte) e cristã (especialmente comércio exterior, gerando saldos positivos na balança
mais ao sul) nas mais diversas vertentes de ambas as re- comercial, incremento turístico e investimentos em no-
ligiões. A Nigéria é um bom exemplo desta divisão da vas tecnologias, com isso a China busca se transformar
África entre uma maioria islâmica ao norte e uma maioria em uma grande potência.
cristã ao sul. A economia chinesa experimentou, a partir da déca-
Com a existência de mais de mil línguas faladas na da de 70, depois de passar séculos dependendo quase
África, já podemos ter ideia do grau de diversidade cul- inteiramente de seu setor agrícola e de experimentar as
tural deste continente. Sendo difícil falar em uma cultura mudanças (trazidas pela revolução comunista de Mao
africana única tal como é difícil faalr em uma cultura eu- Tse Tung), um grande crescimento econômico, o país se
ropéia única, sendo que italianos e russos possuem cul- abriu ao investimentos estrangeiros, após a chegada ao
turas bem distintas. poder de Deng Xiaoping em 1979. As autoridades chine-

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


sas propuseram quintuplicar o PIB até o ano 2000 (fato
Aspectos econômicos alcançado em 1995), mediante uma abertura econômi-
Apesar de possuir alguns bolsões de miséria, a África ca e com a introdução da chamada Economia Social de
não se resume a eles, ao contrário da crença popular. Mercado.
A África é grande produtora de algumas riquezas pelo
O meteórico desenvolvimento da economia chinesa
mundo, o petróleo na área da Nigéria e Angola, a pro-
não está isento de um alto custo social e ambiental para
dução de diamantes, azeite-de-dendê, ouro, gás natural,
o país. A principal estratégia competitiva do governo
carvão mineral e até o ilegal comércio de marfim.
O grande destaque em nível de desenvolvimento na para atrair os investimentos estrangeiros tem sido ofe-
África é a República da África do Sul que é o país mais recer pacotes de incentivos fiscais e um marco regulador
desenvolvido do continente e o único africano no grupo frouxo em termos de direitos laborais e de proteção am-
de países em desenvolvimento conhecidos como BRICS biental, que, aliado ao baixo custo de investimento ini-
(Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). cial e à mão de obra barata, fizeram da China o principal
A agricultura também possui um grande peso na eco- destino de investimentos estrangeiros em nível mundial.
nomia do continente africano, sendo inclusive a principal Por estes motivos, uma grande quantidade de empresas
atividade econômica do mesmo, vale inclusive o desta- transnacionais com pouca ética têm se aproveitado da
que da África como a maior exportadora de cacau para o situação (e da censura oficial aos meios de comunicação)
mundo. Outros gêneros agrícolas são algodão, chá-pre- para operar sob baixas condições de higiene, segurança
to, café, amendoim, sisal e a famosa fruta marula que é laboral ou controle de emissão de poluentes (a China é
muito conhecida no resto do mundo pelos licores que o 2º país que mais polui, ficando somente atrás dos Es-
são com ela fabricados. tados Unidos).

61
Segundo dados de 2007, o PIB chinês ultrapassou os dez trilhões de dólares e o PIB per capita ficou em 5.300
dólares. A taxa de crescimento real da economia daquele país foi de 10,7%. A taxa de desemprego ficou em 4,2% e a
inflação foi de 1,5%. As exportações da China somaram 974 bilhões (seus principais destinos foram Hong Kong, Japão,
Coréia do Sul e Alemanha) e as importações alcançaram 778 bilhões de dólares (seus principais fornecedores foram:
Japão, Coréia do Sul, Taiwan, EUA e Alemanha).
Dentre os produtos produzidos pela China podemos destacar a mineração (petróleo, chumbo, fosforito, tungstênio,
antimônio, manganês, molibdênio, manganês, estanho, carvão, zinco,  minério de ferro e bauxita), a pecuária (aves,
ovinos, caprinos, suínos, bovinos, eqüinos, camelos e búfalos), o setor industrial (siderurgia, equipamentos eletrônicos,
têxtil, automotiva, fertilizantes químicos, alimentos processados, telecomunicações, construção) e produtos agrícolas
(arroz, milho, soja, cana-de-açúcar, tabaco, milho, batata, batata-doce, legume e verduras). Apenas 7% do território
chinês estão em condições de serem utilizados para a agricultura.

A China atual
Em 1980 a China entrou em um período de intenso crescimento econômico, o governo chinês ofereceu incentivos
para instalação de indústrias estrangeiras.
As exportações chinesas saltaram de 3,6 bilhões de dólares em 1978 para mais de 250 bilhões de dólares em 2004,
tal crescimento provocou problemas comuns aos países capitalistas, como desigualdade social, desemprego e aumen-
to da pobreza, outro problema são as disparidades regionais, pois determinadas regiões da China tornaram-se mais
desenvolvidas e industrializadas do que outras.
Hoje a China é o país mais industrializado do sul, lugar que era ocupado pelo Brasil nos anos 80, e pode tornar-se
uma das maiores potências econômica, política e militar do mundo.
Apesar de ocupar o sexto lugar na economia mundial, o país apresenta alguns problemas de ordem social, parte da
população é atingida pela desnutrição e há elevado índice de mortalidade infantil.

Oriente Médio
A região do Oriente Médio é composta por 15 países, com uma população estimada de 260 milhões de habitantes.
A região que compreende o Oriente Médio está localizada na porção oeste do continente asiático, conhecida como
Ásia ocidental. Possui extensão territorial de mais de 6,8 milhões de quilômetros quadrados, com população estimada
de 260 milhões de habitantes. É composta por 15 países: Afeganistão, Arábia Saudita, Bahrain, Catar, Emirados Árabes
Unidos, Iêmen, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Síria, Turquia.

Clima:
O clima do Oriente Médio é árido e semiárido, o que proporciona o predomínio de uma paisagem vegetal marcada
pela presença de espécies xerófilas (nas áreas de clima árido), ou de estepes e pradarias (nas áreas de clima semiárido).
Apenas pequenas faixas de terra, na porção litorânea, apresentam climas um pouco mais úmidos, onde há presença de
formações vegetais arbustivas.

Atividades Econômicas:
O petróleo é o principal produto responsável pela economia dos países do Oriente Médio. Nessa região está lo-
calizada a maior concentração mundial dessa fonte energética (aproximadamente 65% de todo o petróleo mundial).
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Essa grande quantidade de petróleo, aliada a fatores econômicos e políticos, criou as condições para a formação, em
1960, de um dos mais importantes cartéis do mundo atual, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).
Outra atividade econômica importante no Oriente Médio é a agropecuária. Por ser realizada dominantemente de
forma tradicional, com uso de pouca tecnologia e mecanização, essa atividade incorpora cerca de 40% da população
economicamente ativa. O predomínio de climas áridos e semiáridos na região é bastante prejudicial para o desenvol-
vimento dessa atividade econômica.
A atividade industrial no Oriente Médio apresenta pouca expressividade. Nos países petrolíferos, há a existência de
refinarias e petroquímicas. Outras indústrias se relacionam aos setores mais tradicionais, como o têxtil e o alimentício.
O turismo é outra atividade que vem apresentando importância para alguns países do Oriente Médio, a exemplo de
Israel e Turquia (que recebem cerca de 2,5 milhões de turistas por ano).

Religiões:
No Oriente Médio, aproximadamente 238 milhões de pessoas (cerca de 92% da população) são muçulmanas. A
maioria pertence às seitas sunita e xiita (sugeridas logo após a morte do profeta Maomé, em 632 d.C.). Há grupos me-
nores de mulçumanos, como os drusos e os alauitas.
A região abriga ainda cerca de 13 milhões de cristãos, muitos de igrejas árabes, como a copta ou a maronita, que
estão entre as mais antigas do cristianismo. Além disso, também vivem no Oriente Médio cerca de 6 milhões de judeus,
quase todos em Israel. A migração desses deu-se em ondas, originárias primeiro da Europa e, depois, de todo o mun-
do. Por isso, no Estado judeu encontram-se inúmeros grupos étnicos cujas culturas, tradições, orientações políticas e
práticas religiosas var

62
milhões de pessoas*. A área total é de 21.060.501 km2,o
que resulta em uma densidade demográfica de 27,8 ha-
bitantes por km2 .
Essa regionalização leva em conta a história e as ca-
racterísticas culturais. O continente americano fica então
dividido em América Anglo-saxônica (Estados Unidos e
Canadá) e América Latina, que recebe esse nome porque
é composta por países que têm como língua oficial idio-
mas que derivam do latim, como português, espanhol e
francês. Por essa razão, o México também está incluído
nessa divisão.
Os países da América Latina possuem um passado
colonial em comum. A colonização de exploração foi a
marca do passado desses países. A maioria dessas atuais
iam muito e são livremente expressas.
nações serviu às suas metrópoles e teve suas economias
voltadas à exportação, o que impediu a constituição de
um mercado interno consolidado e causou prejuízos
Consequências dos conflitos no Oriente Médio que permanecem até os dias atuais. Essa característica
também diferencia expressivamente a América Latina da
Conflitos: América Anglo-saxônica.
A região do Oriente Médio é uma das áreas mais con- Outra característica histórica que é comum aos países
flituosas do mundo. Diversos fatores contribuem para da América Latina é a concentração de terras nas mãos
isso, entre eles: a sua própria história; origem dos confli- da elite, mesmo após a descolonização. Esse fator é um
tos entre árabes, israelenses e palestinos; a posição geo- dos responsáveis pelas marcantes desigualdades sociais
gráfica, no contato entre três continentes; suas condições e econômicas presentes nesses países. Todavia, apesar
naturais, pois a maior parte dos países ali localizados é de muitas semelhanças, esse conjunto de países possui
dependente de água de países vizinhos; a presença de diferenças que nos permitem agrupá-los em grandes
recursos estratégicos no subsolo, caso específico do pe- conjuntos regionais:
tróleo; posição no contexto geopolítico mundial.
As fronteiras das novas nações, definidas de acordo • México
com interesses europeus, não consideraram a história e • América Central e Guianas
as tradições locais, consequentemente vários conflitos A América Central é a região formada por dois con-
ocorreram e continuam ocorrendo no Oriente Médio. juntos de países: a porção ístmica (ligada ao continente)
Os novos Estados árabes – Iraque, Kuwait, Síria, Líba- e a porção insular (composta por ilhas).
Suriname e Guiana – países independentes – e Guia-
no, Jordânia – brigaram por recursos naturais e território.
na Francesa (departamento ultramarino francês), embora
O conflito mais grave ocorreu na Palestina, para onde,
estejam na América do Sul, possuem características so-
até o fim da Segunda Guerra, havia migrado meio milhão
cioeconômicas mais parecidas com as dos países caribe-
de judeus. Quando foi criado o Estado de Israel, cinco nhos (América Central).
países árabes atacaram, na primeira das seis guerras en-
tre árabes e israelenses. • América do Sul:
→ América Andina
Jerusalém:

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


É marcada pela presença da Cordilheira dos Andes.
Os cartógrafos medievais situavam Jerusalém no cen- São chamados andinos os países que compõem essa
tro do mundo e, para muita gente, a Cidade Velha con- sub-região latino-americana: Venezuela, Colômbia, Peru,
tinua a ser assim considerada. Para os Judeus, o Muro Equador, Bolívia e Chile.
das Lamentações, parte do Segundo Templo, é o local Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)
mais sagrado de todos. Acima dele está o Domo da Ro- → América Platina
cha, o terceiro local mais importante no islamismo, de Os países platinos são aqueles banhados pela Bacia
onde Maomé subiu aos céus. A poucos quarteirões dali, do Prata (Plata, em espanhol), que é formada pelos rios
a Igreja do Santo Sepulcro assinala o local tradicional da Paraná, Paraguai e Uruguai. Os países que constituem
crucificação, do enterro e da ressurreição de Jesus. Israel essa sub-região são: Argentina, Paraguai e Uruguai.
reivindica a cidade como sua capital eterna; já os palesti- → Brasil
É o país mais extenso da América Latina e com maior
nos a querem como capital de seu Estado.
população. O Brasil é o único país que tem a língua por-
tuguesa como idioma oficial. Faz fronteira com quase to-
América Latina
dos os países da América do Sul, com exceção do Chile
e do Equador.
A América Latina é uma porção do continente ame-
ricano localizada entre o Rio Grande (fronteira entre os
Estados Unidos e o México) e a Terra do Fogo (conjunto
de ilhas situado no extremo sul da América do Sul). Nes-
sa porção do continente americano, vivem cerca de 586

63
A busca por uma política externa voltada mais para
interesses nacionais primários e diretos e menos para
manter a posição de “hegemonia” econômica e ideoló-
gica mundial “pode sinalizar o começo do período de
realinhamento global de maior alcance em mais de um
século”.
Para William McIlhenny, ex-diretor para América do
Norte no Conselho Nacional de Segurança dos EUA du-
rante o primeiro mandato de George W. Bush e atual-
mente analista sênior do centro de reflexão The German
Marshall Fund of the US, essa mudança de foco “é ine-
Aspectos físicos da América Latina vitável”.
“Nos últimos 70 anos, os EUA deixaram recair sobre
si muito do custo e da responsabilidade pelos resultados
A Cordilheira dos Andes é uma extensa cadeia monta- políticos e de segurança em outros países. Com 4% da
nhosa que abrange sete países: população mundial e 16% da economia, o país não pode
Venezuela, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Chile e manter isso sem sacrificar sua própria economia.
Argentina Ao assumir a Presidência, Donald Trump confirmou
sua plataforma de campanha e deixou claro que daria
Os principais elementos do relevo da América La- prioridade a interesses imediatos dos EUA em detrimen-
tina são: A Serra Madre Ocidental, no planalto mexicano; to de acordos multilaterais econômicos e militares.
a Cordilheira Montanhosa dos Andes, situada na porção A Casa Branca, segundo ele, passará a dar prioridade
oeste da América do Sul; o Planalto das Guianas e o Pla- a acordos bilaterais, que deverão responder mais ade-
nalto Brasileiro; e as Planície do Orinoco, Planície Ama- quadamente às expectativas dos EUA.
zônica e Planície Platina, localizadas na porção central da
Trump também causou reações adversas na comu-
América do Sul.
nidade internacional ao autorizar a construção de um
A América Latina é rica em recursos hídricos e possui
muro na fronteira com o México, elogiar a decisão do
extensas bacias hidrográficas, como a Bacia do Orinoco,
a Bacia Amazônica e a Bacia Platina. Reino Unido de abandonar a União Europeia e qualificar
a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de
obsoleta, gerando dúvida sobre a permanência dos EUA
na aliança militar ocidental.

Hegemonia mundial
McIlhenny reconhece que o papel de “hegemonia
mundial” era “indiscutivelmente um interesse primá-
rio, até existencial”, dos EUA depois da Segunda Guerra
Mundial e durante a Guerra Fria.
“Mas as realidades de hoje são diferentes. O mundo
já é multipolar, econômica e politicamente, ainda que os
EUA tenham uma força geopolítica inigualável. Não que-
remos, e realmente não podemos nos permitir, pagar o
alto preço político e econômico de continuar como he-
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O Rio Amazonas é o maior da América Latina. Sua ba- gemonia mundial”, argumenta.
cia compreende Peru, A intervenção norte-americana no Iraque é uma
Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname, Bo- amostra do “difícil e extremamente elevado custo de ten-
lívia e Brasil tar afetar resultados políticos e de segurança distantes”
no mundo de hoje.
A América Latina está situada na zona intertropical, “A guerra no Iraque se tornou uma poderosa de-
onde predominam os climas quentes, com exceção do monstração de um mundo que já está mudando, no qual
extremo sul (Argentina e Chile) e das áreas montanhosas os EUA foram incapazes de alcançar o resultado que
(Andes). buscavam a um preço aceitável, apesar de sua potência
Sua grande extensão no sentido norte-sul, as diferen-
geoestratégica incomparável.”
tes latitudes e a variação climática conferem à América
O conflito “dramatizou as limitações até mesmo de
Latina uma enorme diversidade de formações vegetais.
uma potência forte e tecnologicamente sofisticada”,
Destacam-se as principais paisagens: Floresta Amazôni-
ca, Cerrado, Caatinga, Pampa ou Estepes e desertos (Mé- como os EUA.
xico, Atacama e Patagônia).
Presença seletiva
EUA no mundo atual Para Trump a defesa da democracia ou dos direitos
A mudança da política externa dos EUA revela que humanos no palco internacional fica em segundo plano.
o país não quer mais pagar o alto preço político e eco- Em seu lugar, a política externa passará a ser orientada
nômico de continuar sendo uma potência hegemônica pela defesa de interesses nacionais “primários” e diretos,
mundial que envolvem geralmente o comércio.

64
Ele ressalta que não se trata de uma “retirada” ou de um “declínio” do império americano.
“O resultado inevitável dessa definição mais estreita de interesses primários seria uma mudança no papel dos EUA
em um mundo no qual (o país) segue sendo um ator forte, provavelmente o mais forte, e influente. Mas é muito mais
seletivo na forma como usa esse poder”.
A influência do país também será afetada por “percepções e sentimentos”.
“Desse modo, políticas implementadas desastrosamente, que ofendem sensibilidades internacionais, como o re-
cente decreto antiimigração, ainda poderiam reduzir influência a curto prazo, e os EUA devem prestar atenção a isso”.
“Se, como alguns temem, a administração Trump se deixar ser corretamente caracterizada como étnico-nacionalista,
isso obviamente afetaria de uma maneira importante as percepções externas e internas.”

Realinhamento global
Nessa mudança de rumo na política externa, a grande questão para Trump é “como os EUA poderão se livrar do
peso” da responsabilidade internacional “sem criar um vácuo que cause desestabilização generalizada, e ainda manter
uma força adequada para proteger seus interesses em um cenário internacional mais competitivo”.
“Nesse ambiente, obviamente, outros se sentirão mais livres para competir por interesse e influência. Este é um
dilema que qualquer futura administração americana teria que enfrentar”.
O ex-conselheiro McIlhenny diz que “é mais difícil que nunca” prever o resultado do realinhamento global, mas
acredita que nenhum país assumirá sozinho a posição de potência mundial.
Ele não descarta uma aproximação entre EUA e Rússia, mas observa que, para isso, Moscou “também teria que in-
terpretar seus interesses de maneira mais criativa, menos ultratradicional do que o governo parece ser capaz de fazer
no momento”.
A mudança na ordem mundial “não significa necessariamente a morte das alianças tradicionais, porque muitas delas
tendem a ser sustentados por interesses coesivos”, matiza McIlhenny.
“Mas todas (as alianças) estarão abertas a revisão e talvez até a uma reconfiguração baseada em novos cálculos de
interesses.”

Dilema
McIlhenny afirma que a redução na intervenção externa dos EUA já vinha sendo discutida pelas altas esferas do
governo americano há pelo menos uma década, desde quando ele fazia parte da equipe.
Se não foi feito antes é, em parte, devido aos “grandes interesses econômicos e de outro tipo investidos no ‘status
quo’”.
“Isso faz com que, para qualquer presidente fruto do ‘establishment’, seja difícil resistir. Trump chegou ao poder
opondo-se a esse ‘establishment’. Ele tem que governar, mas está menos preso a isso que qualquer outro presidente
na história moderna”.
O analista acredita que a mudança na administração norte-americana “pode sinalizar o começo do período de rea-
linhamento global de maior alcance em mais de um século”.
Ele destaca que os efeitos do governo Trump se combinarão com outras “mudanças profundas” que estão ocorren-
do em questões fundamentais.
Cita como exemplo a evolução tecnológica, que “está liderando uma completa redefinição da natureza do empre-
go”, e o “desafio” imposto pelo envelhecimento da população.

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Quando se pensa na administração Trump, é importante vê-la como um primeiro passo. Difícil de dizer se para o
lado, para frente ou para trás. Mas é, certamente, o impulso em um processo de mudança global mais amplo”.

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (CESPE/2015 – SEDU/ES) Com relação à geografia política mundial, julgue o item a seguir. A formação de blocos
econômicos em todos os continentes mostra uma tendência à regionalização da economia. 

( ) CERTO ( ) ERRADO

Resposta: Certo.
Os blocos econômicos trazem em si a forma de regionalizar o espaço mundial, criando assim conjuntos regionais,
objetivando atender aos interesses de todos os envolvidos, isto é, tanto dos países que resistem à perda do poder
político sobre seu território como daqueles que intencionam a globalização.

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A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO BRASILEIRO. A INTEGRAÇÃO NA ECONOMIA MUNDIAL.
A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA. AS RELAÇÕES URBANO/INDUSTRIAL E OS PROBLE-
MAS SOCIAIS E AMBIENTAIS. O QUADRO AGRÁRIO: AS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO E ES-
TRUTURA FUNDIÁRIA; A AGRICULTURA FAMILIAR E O AGRONEGÓCIO, CONFLITOS PELA
TERRA; OS ESPAÇOS AGRÁRIOS. A ESTRUTURA DA POPULAÇÃO BRASILEIRA; O PROCES-
SO HISTÓRICO DE OCUPAÇÃO E OS MOVIMENTOS MIGRATÓRIOS. AS TENDÊNCIAS DA
URBANIZAÇÃO BRASILEIRA NO FINAL DO SÉCULO XX E INÍCIO DO SÉCULO XXI; REDE E
HIERARQUIA URBANA; SEGREGAÇÃO SOCIOESPACIAL. A REORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
BRASILEIRO: AS QUESTÕES REGIONAIS E A DIVISÃO REGIONAL DO TRABALHO. A CIR-
CULAÇÃO NO ESPAÇO BRASILEIRO: A REDE DE TRANSPORTES E DE COMUNICAÇÃO. O
NORDESTE NO CONTEXTO SÓCIO-ECONÔMICO NACIONAL. ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO
NO MUNICÍPIO DE SALVADOR.

O Brasil é um país organizado em forma de República Federativa e está localizado na América do Sul, sendo o maior
país dessa região continental, com uma área de 8.515.767,049 km². Politicamente, o território brasileiro é subdividido
em 26 estados e o Distrito Federal, cuja capital é a cidade de Brasília.
A área territorial do Brasil faz com que esse país seja o quinto maior do mundo, atrás somente de Rússia, Canadá,
China e Estados Unidos. Por essa razão, é caracterizado como um país continental ou país com dimensões continen-
tais, uma vez que o tamanho de sua área é muito próximo ao de um dos continentes, no caso a Oceania.
No total, o Brasil ocupa 47% da América do Sul – quase a metade, portanto – e não faz fronteira somente com dois
países sul-americanos: Equador e Chile. A leste, o Brasil é banhado em uma vasta extensão pelo Oceano Atlântico, com
um litoral que percorre um total de 7.367km², o que coloca o país como o 16º no ranking mundial de maiores áreas
litorâneas.
A população brasileira, de acordo com estimativas recentes divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), é de 202.033.270 habitantes, a quinta maior do planeta, atrás de China, Índia, Estados Unidos e Indo-
nésia. Desse total, a maior parte concentra-se nas áreas litorâneas, principalmente na região Sudeste. Como as taxas de
crescimento demográfico são baixas atualmente, é possível que nas próximas décadas o Brasil seja ultrapassado por
Paquistão e Nigéria.
Os aspectos físicos do Brasil indicam a presença de três principais formas de relevo: as planícies, os planaltos e as
depressões relativas, não havendo depressões absolutas (abaixo do nível do mar) nem montanhas, apenas serras. Em
uma dessas serras, a do Imeri, encontra-se o ponto mais alto do país, o Pico da Neblina, que possui uma altitude de
2.994 m acima do nível do mar.
Em geral, essas características são resultantes do fato de o relevo brasileiro ser geologicamente antigo e também
por não se encontrar nas áreas de encontro entre duas placas tectônicas, o que explica a não ocorrência de vulcões e
de grandes e frequentes terremotos. Pelo mesmo motivo, o território do Brasil abriga apenas dois tipos de províncias
geológicas: as bacias sedimentares e os crátons (plataformas continentais e escudos cristalinos), não existindo os do-
bramentos modernos.
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Uma característica marcante do Brasil em termos naturais é a grande diversidade em termos de fauna e flora. No
país, existe uma grande variedade de florestas, classificadas em seis grupos principais (Amazônica, Cerrado, Mata Atlân-
tica, Caatinga, Araucárias e Pampa) e três residuais (Pantanal, Mata de Cocais e os Manguezais). Em número de espécies
de animais, o Brasil também se destaca, o que o classifica como o território de maior biodiversidade do planeta.
Quanto aos aspectos econômicos do Brasil, destaca-se o fato de o país possuir um dos maiores PIBs (Produto In-
terno Bruto) do mundo, com US$ 2,2 trilhões. No entanto, o seu PIB per capita, que é o valor dividido pela população,
ainda é menor do que uma grande quantidade de países. Em termos gerais, a economia brasileira é caracterizada como
de perfil subdesenvolvido emergente, compondo o grupo de países que, eventualmente, podem apresentar um maior
grau de desenvolvimento. O país também faz parte do grupo das economias em desenvolvimento altamente industria-
lizadas, embora a maior parte dessas indústrias pertença a empresas estrangeiras.
Em termos culturais, o Brasil apresenta uma imensa diversidade em costumes, folclores, religiões e tradições. Essa
complexidade cultural também representa a grande miscigenação étnica existente no país, muito embora existam, em
grande escala, problemas concernentes à intolerância e ao preconceito.

O Brasil alcançou um papel de destaque no mundo nos últimos dez anos. A nação é uma das mais importantes
dentro do bloco dos países emergentes e tem dado muitas demonstrações de força econômica e social.
O Brasil melhorou economicamente, conseguiu reduzir a desigualdade social e tirou milhões de pessoas da extrema
pobreza desde o governo do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva. Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano
(RDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) 2013, a previsão é de que o Brasil, juntamente
com China e Índia, responda por 40% da riqueza global em 2050.

66
O destaque do Brasil como emergente também pos- chegada da família real (1808) e a Abertura dos Portos
sibilitou que o país conseguisse eleger o diplomata Ro- às Nações Amigas, o Brasil continuou dependente do
berto Azevêdo para o posto de diretor-geral da Organi- exterior, porém, a partir deste momento, dos produtos
zação Mundial do Comércio. Esse fato demonstra que o ingleses.
país tem uma boa reputação internacional, pois essa é a
primeira vez na história que um latino-americano alcança História do início da industrialização 
o posto máximo da organização. Foi somente no final do século XIX que começou o
Outro ponto de destaque para o Brasil diz respeito a desenvolvimento industrial no Brasil. Muitos cafeiculto-
sua influência no cenário internacional. Os avanços so- res passaram a investir parte dos lucros, obtidos com a
ciais e econômicos do Brasil levaram o país a desenvolver exportação do café, no estabelecimento de indústrias,
uma imagem positiva no exterior. principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro. Eram fá-
A ONU também tem destacado o papel do Brasil na bricas de tecidos, calçados e outros produtos de fabrica-
diminuição do índice de pobreza mundial. A nação foi ção mais simples. A mão de obra usada nestas fábricas
elogiada por ter elevado seus índices de educação e por era, na maioria das vezes, formada por imigrantes ita-
ter aumentado o salário mínimo nos últimos anos.
lianos.
Dessa forma, o Brasil vem garantindo sua inserção so-
berana no mundo e tem alcançado um protagonismo na
Era Vargas e desenvolvimento industrial 
América do Sul.
Foi durante o primeiro governo de Getúlio Vargas
Industrialização no Brasil (1930-1945) que a indústria brasileira ganhou um gran-
A industrialização no Brasil foi historicamente tardia de impulso. Vargas teve como objetivo principal efetivar
ou retardatária. Enquanto na Europa se desenvolvia a Pri- a industrialização do país, privilegiando as indústrias
meira Revolução Industrial, o Brasil vivia sob o regime de nacionais, para não deixar o Brasil cair na dependência
economia colonial. externa. Com leis voltadas para a regulamentação do
mercado de trabalho, medidas protecionistas e investi-
Fatores da Industrialização no Brasil mentos em infraestrutura, a indústria nacional cresceu
significativamente nas décadas de 1930-40. Porém, este
desenvolvimento continuou restrito aos grandes centros
urbanos da região sudeste, provocando uma grande dis-
paridade regional.
Durante este período, a indústria também se benefi-
ciou com o final da Segunda Guerra Mundial (1939-45),
pois, os países europeus, estavam com suas indústrias ar-
rasadas, necessitando importar produtos industrializados
de outros países, entre eles o Brasil.
Com a criação da Petrobrás (1953), ocorreu um gran-
de desenvolvimento das indústrias ligadas à produção de
gêneros derivados do petróleo (borracha sintética, tintas,
Vários fatores contribuíram para o processo de indus- plásticos, fertilizantes, etc.).
trialização no Brasil:

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


• a exportação de café gerou lucros que permiti- Período JK
ram o investimento na indústria; Durante o governo de Juscelino Kubitschek (1956
• os imigrantes estrangeiros traziam consigo as -1960) o desenvolvimento industrial brasileiro ganhou
técnicas de fabricação de diversos produtos; novos rumos e feições. JK abriu a economia para o capi-
• a formação de uma classe média urbana consu-
tal internacional, atraindo indústrias multinacionais. Foi
midora, estimulou a criação de indústrias;
• a dificuldade de importação de produtos in- durante este período que ocorreu a instalação de mon-
dustrializados durante a Primeira Guerra Mundial (1914- tadoras de veículos internacionais (Ford, General Motors,
1918) estimulou a indústria. Volkswagen e Willys) em território brasileiro. 
A passagem de uma sociedade operária para uma ur-
bano industrial, mudou a paisagem de algumas cidades Últimas décadas do século XX
brasileiras, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro. Nas décadas 70, 80 e 90, a industrialização do Bra-
  sil continuou a crescer, embora, em alguns momentos
Resumo das fases do desenvolvimento industrial
de crise econômica, ela tenha estagnado. Atualmente o
brasileiro
Brasil possui uma boa base industrial, produzindo diver-
Mais de trezentos anos sem indústrias sos produtos como, por exemplo, automóveis, máquinas,
Enquanto o Brasil foi colônia de Portugal (1500 a roupas, aviões, equipamentos, produtos alimentícios in-
1822) não houve desenvolvimento industrial em nosso dustrializados, eletrodomésticos, etc. Apesar disso, a in-
país. A metrópole proibia o estabelecimento de fábricas dústria nacional ainda é dependente, em alguns setores,
em nosso território, para que os brasileiros consumissem (informática, por exemplo) de tecnologia externa.
os produtos manufaturados portugueses. Mesmo com a

67
Dados atuais - Recursos Renováveis: madeira, peixes, vegetais –
- Felizmente, o Brasil está apresentando, embora pe- podem ser finitos, a depender do seu grau de utilização
quena, recuperação na produção industrial. De acordo - Recursos Não-Renováveis: petróleo, gás, demais
com dados do IBGE, divulgados em 1 de fevereiro de minérios – podem ser recuperados, porém em escalas de
2019, a indústria brasileira apresentou crescimento de tempo sobre-humanas.
1,1% em 2018. Como podemos perceber analisando o breve esque-
ma acima a maioria dos recursos naturais, mesmo os
Economica dos recursos naturais renováveis, podem não ser inesgotáveis, principalmente
A economia dos recursos naturais é o ramo da econo- se forem utilizados de maneira irresponsável e em lar-
mia que lida com os aspectos da extração e exploração ga escala. Com isso, talvez o maior desafio, não somente
dos recursos naturais ao longo do tempo, e a sua opti- dos gestores ambientais, mas de toda a espécie huma-
mização em termos económicos e ambientais.[1] Procura na, seja justamente o de conciliar o desenvolvimento
compreender o papel dos recursos naturais na economia, econômico com a preservação e conservação do meio
a fim de desenvolver métodos de gestão mais sustentá- ambiente.
vel destes recursos para garantir a sua disponibilidade E uma boa alternativa pode ser, realmente, a utili-
para as gerações futuras. zação de fontes de energia limpas, baratas e econo-
O que se conhece por “economia dos recursos natu- micamente viáveis, para que sejam atendidas todas as
rais” é um campo da teoria microeconômica que emerge necessidades energéticas da humanidade, porém, sem
das análises neoclássicas a respeito da utilização das ter- prejudicar nem esgotar as reservas naturais, preservan-
ras agrícolas, dos recursos minerais, dos peixes, dos re- do-as e conservando-as para as próximas gerações que
cursos florestais madeireiros e não madeireiros, da água, estão por vir.
todos os recursos naturais reprodutíveis e os não repro- Diversas soluções criativas e viáveis vêm surgindo, dia
dutíveis. (Maria Amélia Enriquez) após dia, em todo o mundo. Painéis solares à base de
- Renováveis - São recursos compatíveis com o hori- garrafas PET, biodigestores, moinhos e cataventos ge-
zonte de vida do homem. radores de energia eólica, geradores de energia a par-
tir das ondas do mar, carregadores de celular à base de
Ex: solos, ar, águas, florestas, fauna e flora.
energia solar, carros movidos à energia elétrica ou solar,
- Não Renováveis - São recursos que necessitam de
computadores que funcionam movidos a pedais de bici-
eras “geológicas” para sua formação. cleta, enfim, uma verdadeira infinidade de ideias inova-
Ex: Os minérios em geral e os combustíveis fósseis doras que, com investimento e, sobretudo, boa vontade,
(petróleo e gás natural). podem perfeitamente ajudar a solucionar boa parte dos
problemas ambientais, nesse caso, suprir nossas necessi-
“Um recurso que é extraído mais rápido do que é dades energéticas de locomoção e bem-estar.
renovado por Processos naturais é um recurso não re-
novável. Um recurso que é Reposto tão rápido quanto Estrutura fundiária do Brasil
é extraído é certamente renovável” (Irene Domenes Za- A estrutura fundiária corresponde ao modo como as
pparoli). propriedades rurais estão dispersas pelo território e seus
O principal critério para a classificação dos recursos respectivos tamanhos, que facilita a compreensão das
naturais é a capacidade de recomposição de um recur- desigualdades que acontecem no campo.
so no horizonte do tempo humano. Um recurso que é A desigualdade estrutural fundiária brasileira configu-
extraído mais veloz do que é renovado por processos ra como um dos principais problemas do meio rural, isso
naturais é um recurso não-renovável. Um recurso que é por que interfere diretamente na quantidade de postos
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reposto tão rápido quanto é retirado é certamente um de trabalho, valor de salários e, automaticamente, nas
recurso renovável. condições de trabalho e o modo de vida dos trabalha-
dores rurais.
No caso específico do Brasil, uma grande parte das
Em relação a Economia dos Recursos Naturais temos
terras do país se encontra nas mãos de uma pequena
a atual classificação: parcela da população, essas pessoas são conhecidas
- Renováveis: solos, ar, águas, florestas, fauna e flora como latifundiários. Já os minifundiários são proprietá-
no geral. rios de milhares de pequenas propriedades rurais espa-
- Não renováveis, ou exauríveis, esgotáveis ou não re- lhadas pelo país, algumas são tão pequenas que muitas
produtíveis: minérios, combustíveis. vezes não conseguem produzir renda e a própria subsis-
O estudo da economia dos recursos naturais tem tência familiar suficiente.
adquirido importância crescente em várias correntes do Diante das informações, fica evidente que no Brasil
pensamento econômico, mas a abordagem dominante ocorre uma discrepância em relação à distribuição de
ainda é a da economia neoclássica (também chamada de terras, uma vez que alguns detêm uma elevada quan-
economia convencional). tidade de terras e outros possuem pouca ou nenhuma,
esses aspectos caracterizam a concentração fundiária
Existem basicamente 4 tipos de Recursos Naturais: brasileira.
É importante conhecer os números que revelam
- Recursos Minerais: água, solo, ouro, prata, cobre, quantas são as propriedades rurais e suas extensões:
bronze;  existem pelo menos 50.566 estabelecimentos rurais infe-
- Recursos Energéticos: sol, vento, petróleo, gás;  rior a 1 hectare, essas juntas ocupam no país uma área de

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25.827 hectares, há também propriedades de tamanho volvidos nas regiões que englobam os estados de São
superior a 100 mil hectares que juntas ocupam uma área Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Para-
de 24.047.669 hectares. ná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso
Outra forma de concentração de terras no Brasil é do Sul. Nesse contexto, destacam-se a produção de soja,
proveniente também da expropriação, isso significa a a carne para exportação e também a cana-de-açúcar, em
venda de pequenas propriedades rurais para grandes
razão do aumento da necessidade nacional e internacio-
latifundiários com intuito de pagar dívidas geralmente
geradas em empréstimos bancários, como são muito pe- nal por etanol.
quenas e o nível tecnológico é restrito diversas vezes não Na região Sul do país, a produção agrícola é carac-
alcançam uma boa produtividade e os custos são eleva- terizada pela ocupação histórica de grupos imigrantes
dos, dessa forma, não conseguem competir no mercado, europeus, pela expansão da soja voltada para a exporta-
ou seja, não obtêm lucros. Esse processo favorece o sis- ção nos últimos decênios e pela intensiva modernização
tema migratório do campo para a cidade, chamado de agrícola. Essa configuração é preponderante no oeste do
êxodo rural. Paraná e de Santa Catarina, além do norte do Rio Grande
A problemática referente à distribuição da terra no do sul. Além da soja, cultivam-se também, em larga esca-
Brasil é produto histórico, resultado do modo como no la, o milho, a cana-de-açúcar e o algodão. Na pecuária, a
passado ocorreu a posse de terras ou como foram con- maior parte da produção é a de carne de porco e de aves.
cedidas.
Na região Sudeste, assim como na região sul, a me-
A distribuição teve início ainda no período colonial
com a criação das capitanias hereditárias e sesmarias, canização e produção com base em procedimentos in-
caracterizada pela entrega da terra pelo dono da capita- tensivos de alta tecnologia são predominantes. Embora
nia a quem fosse de seu interesse ou vontade, em suma, seja essa a região em que a agricultura encontra-se mais
como no passado a divisão de terras foi desigual os re- completamente subordinada à indústria, destacam-se os
flexos são percebidos na atualidade e é uma questão ex- altos índices de produtividade e uso do solo. Por outro
tremamente polêmica e que divide opiniões. lado, com a maior presença de maquinários, a geração
Agricultura no Brasil atual de empregos é limitada e, quando muito, gerada nas
Atualmente, a agricultura no Brasil é marcada pelo agroindústrias. As principais culturas cultivadas são o
processo de mecanização e expansão das atividades em café, a cana-de-açúcar e a fruticultura, com ênfase para
direção à região Norte. os laranjais.
A atividade do setor agrícola é uma das mais impor-
tantes da economia brasileira, pois, embora componha
pouco mais de 5% do PIB brasileiro na atualidade, é res-
ponsável por quase R$100 bilhões em volume de expor-
tações em conjunto com a pecuária, segundo dados da
Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa). A pro-
dução agrícola no Brasil, portanto, é uma das principais
responsáveis pelos valores da balança comercial do país.
Ao longo da história, o setor da agricultura no Brasil
passou por diversos ciclos e transformações, indo desde
a economia canavieira, pautada principalmente na pro-

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dução de cana-de-açúcar durante o período colonial, até
as recentes transformações e expansão do café e da soja.
Atualmente, essas transformações ainda ocorrem, sobre- Produção cafeeira em Alfenas, Minas Gerais
tudo garantindo um ritmo de sequência às transforma-
ções técnicas ocorridas a partir do século XX, como a me- Na região Nordeste, por sua vez, encontra-se uma
relativa pluralidade. Na Zona da Mata, mais úmida, pre-
canização da produção e a modernização das atividades.
domina o cultivo das plantations, presente desde tempos
A modernização da agricultura no Brasil atual está
coloniais, com destaque novamente para a cana, voltada
diretamente associada ao processo de industrialização atualmente para a produção de álcool e também de açú-
ocorrido no país durante o mesmo período citado, fator car. Nas áreas semiáridas, ressalta-se a presença da agri-
que foi responsável por uma reconfiguração no espaço cultura familiar e também de algumas zonas com uma
geográfico e na divisão territorial do Brasil. Nesse novo produção mais mecanizada. O principal cultivo é o de
panorama, o avanço das indústrias, o crescimento do se- frutas, como o melão, a uva, a manga e o abacaxi. Além
tor terciário e a aceleração do processo de urbanização disso, a agricultura de subsistência também possui um
colocaram o campo economicamente subordinado à ci- importante papel.
dade, tornando-o dependente das técnicas e produções Já a região Centro-Oeste é a área em que mais se
industriais (máquinas, equipamentos, defensivos agríco- expande o cultivo pela produção mecanizada, que se
las etc.). expande em direção à Amazônia e vem pressionando a
Podemos dizer que a principal marca da agricultura expansão da fronteira agrícola para o norte do país. A Re-
no Brasil atual – e também, por extensão, a pecuária – é a volução Verde, no século passado, foi a principal respon-
sável pela ocupação dos solos do Cerrado nessa região,
formação dos complexos agrícolas, notadamente desen-

69
pois permitiu o cultivo de diversas culturas em seus solos Expansão de um regime associativo:
de elevada acidez. O principal produto é a soja, também Com a capitalização do campo, as relações de traba-
voltada para o mercado externo. lho tradicionais tendiam a desaparecer mais, porque são
substituídas pelo trabalho assalariado, no entanto, para
diminuir custo e encargos, as grandes empresas desen-
volveram uma nova forma de trabalhar no campo, incen-
tivando o pequeno e o médio produtor a produzir para
eles.

 Agricultura Familiar x  Agricultura  Comercial


A produção agrícola no Brasil está organizada basi-
camente em dois modelos. A agricultura familiar repre-
senta boa parte do estabelecimento agrícolas brasileiros,
e se dedica basicamente à produção de alimentos que
abastecem o mercado interno. Nesse tipo de agricultu-
ra, as técnicas empregadas são em geral rudimentares,
ou seja, sem um elevado grau tecnológico. São utiliza-
das técnicas que não contribuem para elevada produti-
vidade, como por exemplo as queimadas, ou mesmo a
Produção mecanizada de soja no Mato Grosso rotação de culturas e pousio. Esse agricultores contam
com o apoio de programas de acesso ao crédito, como
Por fim, a região Norte é caracterizada por receber, o “Pronaf”, contudo ainda tem dificuldades na aquisição
atualmente, as principais frentes de expansão, vindas do dos insumos agrícolas, como fertilizantes e maquinário.
Nordeste e do Centro-Oeste. A região do “matopiba” Por outro lado, a agricultura comercial, também co-
(Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), por exemplo, é a nhecida como agronegócio, baseia-se na produção em
área onde a pressão pela expansão das atividades agrá- larga escala das chamadas COMMODITIES agrícolas,
rias ocorre mais intensamente, o que torna a região Nor- principalmente de grãos como a soja, milho e café. Esses
te como o futuro centro de crescimento do agronegócio produtos tem grande demanda mundial, e tem seus valo-
brasileiro. As atividades mais praticadas nessa região ain- res definidos por ela. São produzidos em grandes exten-
da são de caráter extensivo e de baixa tecnologia, com sões de terra, uma vez que a abundância delas no Brasil
ênfase na pecuária primitiva, na soja em expansão e em reduz seu valor. Como esses agricultores detêm elevado
outros produtos, que passam a competir com o extrati- poder econômico ocorre a aquisição de largas faixas do
vismo vegetal existente. território brasileiro, com destaque para as regiões Cen-
tro-Oeste e mais recentemente Norte e Nordeste (oeste
da Bahia, Tocantins, Piauí e Maranhão).
Em termos de tecnologia, a agricultura comercial faz
uso intensivo de maquinário,  fertilizantes químicos, pes-
ticidas, ou mesmo organismos geneticamente alterados
(OGM`s).  O emprego da tecnologia garante a esses pro-
dutores agrícolas grande eficiência na produção, o que
também repercute em lucros elevados.  As lavouras tam-
bém são restritas a um único tipo de cultivo, as chamadas
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“monoculturas de exportação”. É importante destacar


que essas lavouras respondem por 22% do PIB brasilei-
ro e que promovem crescimento econômico também no
setor secundário, por meio da produção de máquinas e
equipamentos utilizados no plantio/colheita, bem como
no setor terciário, uma vez que dependem do armazena-
mento, transporte e comércio de sua produção.
Em resumo, enquanto a agricultura familiar é marca-
da pela diversidade de cultivos, a agricultura comercial
Pecuária extensiva na área de expansão agrícola da região está diretamente a atrelada a elevada produção de ape-
Norte nas um gênero agrícola.

A Geografia dos conflitos fundiários no Brasil


As relações de trabalho no campo
  Os conflitos fundiários são disputas pela posse da
terra presentes ao longo de toda a história brasileira. Eles
Diminuição do sistema de parceria:
estão ligados basicamente a grande abundância desse
Com a capitalização do campo, as relações de traba-
fator produtivo (a terra), aliada aos processos concentra-
lho tradicionais vão desaparecendo porque são substi-
dores, bem como a consolidação de um cenário de gran-
tuídas pelo trabalho assalariado, ou porque o proprietá-
de desigualdade social no campo. Em 1850, a promulga-
rio prefere deixar a terra ociosa á espera de valorização.
ção da Lei de Terras, estabeleceu a compra como único

70
meio de obtenção desse importante recurso produtivo. agropecuária se consolidava nessa porção do território
Dessa forma, as elites agrárias foram beneficiadas, dado brasileiro, as empresas agrícolas, detentoras de capital, e
que elas dispunham do poder econômico, o que lhes tecnologia de ponta, passaram a se estabelecer no espa-
conferiu grande vantagem na aquisição de vastas áreas. ço antes ocupados por pequenos e médios agricultores.
Ao mesmo tempo, os pequenos agricultores, destituídos
do poder econômico (e também político), acabaram por Êxodo rural
se manter a margem da aquisição de terras.
O êxodo rural corresponde ao processo de migração
em massa da população do campo para as cidades, fe-
nômeno que costuma ocorrer em um período de tempo
considerado curto, como o prazo de algumas décadas.
Trata-se de um elemento diretamente associado a várias
dinâmicas socioespaciais, tais como a urbanização, a in-
dustrialização, a concentração fundiária e a mecanização
do campo.
Um dos maiores exemplos de como essa questão
costuma gerar efeitos no processo de produção do espa-
ço pode ser visualizado quando analisamos a conjuntura
do êxodo rural no Brasil. Sua ocorrência foi a grande
responsável pela aceleração do processo de urbanização
em curso no país, que aconteceu mais por valores repul-
sivos do que atrativos, isto é, mais pela saída de pessoas
do campo do que pelo grau de atratividade social e fi-
nanceira das cidades brasileiras.
O êxodo rural no Brasil ocorreu, de forma mais inten-
sa, em apenas duas décadas: entre 1960 e 1980, man-
tendo patamares relativamente elevados nas décadas
seguintes e perdendo força total na entrada dos anos
2000. Segundo estudos publicados pela Embrapa (Em-
presa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o êxodo ru-
ral, nas duas primeiras décadas citadas, contribuiu com
quase 20% de toda a urbanização do país, passando para
3,5% entre os anos 2000 e 2010.¹
De acordo com o Censo Demográfico de 2010 divul-
gado pelo IBGE, o êxodo rural é, realmente, desacelerado
nos tempos atuais. Em comparação com o Censo ante-
rior (2000), quando a taxa de migração campo-cidade
por ano era de 1,31%, a última amostra registrou uma
queda para 0,65%. Esses números consideraram as por-
centagens em relação a toda a população brasileira.
Os resultados da Lei de Terras associados a outros fa-

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Se considerarmos os valores do êxodo rural a partir
tos históricos, repercutem nos dias atuais. No entanto,
do número de migrantes em relação ao tamanho total
há uma nítida concentração das disputas que envolvem
a terra na região de expansão da fronteira agrícola, da população residente no campo no Brasil, temos que,
basicamente na região Norte do país. Entende-se como entre 2000 e 2010, a taxa de êxodo rural foi de 17,6%, um
fronteira agrícola, as áreas incorporadas pela agrope- número bem menor do que o da década anterior: 25,1%.
cuária ao longo do século XX. Ao final dos ano 1940, a Na década de 1980, essa taxa era de 26,42% e, na déca-
elevação dos preços da terra na região Sudeste e Sul, da de 1970, era de 30,02%. Portanto, nota-se claramente
associada à necessidade de expansão das lavouras, mo- a tendência de desaceleração, ao passo que as regiões
tivou a abertura de novas faixas produtivas no território Centro-Oeste e Norte, até mesmo, apresentam um pe-
brasileiro. Elas se concentraram, inicialmente, ao norte do queno crescimento no número de habitantes do campo.
estado do Paraná, e na porção sul do atual Mato Gros- Os principais fatores responsáveis pela queda do êxo-
so do Sul. A baixa aptidão agrícola dos solos do Cerra- do rural no Brasil são: a quantidade já escassa de tra-
do,  típicos da região Centro-Oeste do Brasil, foi resol- balhadores rurais no país, exceto o Nordeste, que ainda
vida por meio da biotecnologia utilizada pela Empresa possui uma relativa reserva de migrantes; e os investi-
Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (EMBRAPA), que mentos, mesmo que tímidos, para os pequenos produto-
desenvolveu sementes  adaptadas às restrições pedoló- res e agricultores familiares. Existem, dessa forma, vários
gicas. Simultaneamente, o governo brasileiro, por meio programas sociais do governo para garantir que as pes-
de incentivos fiscais (descontos e isenções de impostos) soas encontrem melhores condições de vida no campo,
na compra da terra, estimulou o avanço da agropecuá- embora esses investimentos não sejam considerados tão
ria para a fronteira agrícola. Contudo, a medida que a expressivos.

71
Entre os efeitos do êxodo rural no Brasil, podemos rações para a pecuária de corte e leiteira, isso na primeira
destacar: etapa produtiva.
– Aceleração da urbanização, que ocorreu concentra- Posteriormente a esse processo são agregados no-
da, sobretudo, nas grandes metrópoles do país, sobre- vos integrantes do agronegócio que correspondem às
tudo as da região sudeste ao longo do século XX. Essa agroindústrias responsáveis pelo processamento da ma-
concentração ocorreu, principalmente, porque o êxodo téria-prima oriunda da agropecuária.
rural foi acompanhado de uma migração interna no país, A agroindústria realiza a transformação dos produtos
em direção aos polos de maiores atratividades econômi- primários da agropecuária em subprodutos que podem
cas e com mais acentuada industrialização; inserir na produção de alimentos, como os frigoríficos,
– Expansão desmedida das periferias urbanas, com a indústria de enlatados, laticínios, indústria de couro, bio-
formação de habitações irregulares e o crescimento das combustíveis, produção têxtil entre muitos outros.
favelas em várias metrópoles do país; A produção agropecuária está diretamente ligada aos
– Aumento do desemprego e do emprego informal: alimentos, processados ou não, que fazem parte do nos-
o êxodo rural, acompanhado do crescimento das cida- so cotidiano, porém essa produção é mais complexa, isso
des, propiciou o aumento do setor terciário e também
por que muitos dos itens que compõe nossa vida são
do campo de atuação informal, gerando uma maior
oriundos dessa atividade produtiva, madeira dos móveis,
precarização das condições de vida dos trabalhadores.
as roupas de algodão, essência dos sabonetes e grande
Além disso, com um maior exército de trabalhadores de
reserva nas cidades, houve uma maior elevação do de- parte dos remédios têm origem nos agronegócios.
semprego; A partir de 1970, o Brasil vivenciou um aumento no
– Formação de vazios demográficos no campo: em setor agroindustrial, especialmente no processamento
regiões como o Sudeste, o Sul e, principalmente, o Cen- de café, soja, laranja e cana-de-açúcar e também criação
tro-Oeste, formaram-se verdadeiros vazios demográficos de animais, principais produtos da época.
no campo, com densidades demográficas praticamente A agroindústria, que corresponde à fusão entre a
nulas em várias áreas. produção agropecuária e a indústria, possui uma inter-
dependência com relação a diversos ramos da indústria,
Já entre as causas do êxodo rural no Brasil, é pos- pois necessitam de embalagens, insumos agrícolas, irri-
sível citar: gação, máquinas e implementos.
– Concentração da produção do campo, na medida Esse conjunto de interações dá à atividade alto grau
em que a menor disponibilidade de terras proporciona de importância econômica para o país, no ano de 1999
maior mobilidade da população rural de média e baixa somente a agropecuária respondeu por 9% do PIB do
renda; Brasil, entretanto, se enquadrarmos todas as atividades
– Mecanização do campo, com a substituição dos (comercial, financeira e serviços envolvidos) ligadas ao
trabalhadores rurais por maquinários, gerando menos setor de agronegócios esse percentual se eleva de for-
empregos no setor primário e forçando a saída da popu- ma significativa com a participação da agroindústria para
lação do campo para as cidades; aproximadamente 40% do PIB total.
– Fatores atrativos oferecidos pelas cidades, como Esse processo também ocorre nos países centrais,
mais empregos nos setores secundário e terciário, o que nos quais a agropecuária responde, em média, por 3%
foi possível graças ao rápido – porém tardio – processo do Produto Interno Bruto (PIB), mas os agronegócios ou
de industrialização vivido pelo país na segunda metade agrobusiness representam um terço do PIB. Essas carac-
do século XX. terísticas levam os líderes dos Estados Unidos e da União
Europeia a conduzir sua produção agrícola de modo
Agronegócio e a produção agropecuária brasileira
subsidiado pelos seus respectivos governos, esses criam
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O agronegócio, que atualmente recebe o nome de


medidas protecionistas (barreiras alfandegárias, impe-
agrobusiness (agronegócios em inglês), corresponde à
junção de diversas atividades produtivas que estão dire- dimento de importação de produtos de bens agrícolas)
tamente ligadas à produção e subprodução de produtos para preservar as atividades de seus produtores.
derivados da agricultura e pecuária. Em suma, o agronegócio ocupa um lugar de desta-
Quando se fala em agronegócio é comum associar que na economia mundial, principalmente nos países
somente a produção in natura, como grãos e leite, por subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, pois garan-
exemplo, no entanto esse segmento produtivo é muito te o sustento alimentar das pessoas e sua manutenção,
mais abrangente, pois existe um grande número de par- além disso, contribui para o crescimento da exportação e
ticipantes nesse processo. do país que o executa.
O agronegócio deve ser entendido como um proces- População brasileira
so, na produção agropecuária intensiva é utilizado uma A Geografia Humana do Brasil tem por objetivo ana-
série de tecnologias e biotecnologias para alcançar níveis lisar as características da população brasileira, a diversi-
elevados de produtividade, para isso é necessário que al- dade étnica e cultural, os aspectos socioeconômicos, o
guém ou uma empresa forneça tais elementos. quantitativo e a distribuição populacional, a divisão re-
Diante disso, podemos citar vários setores da eco- gional, entre outros temas relacionados. Para entender-
nomia que faz parte do agronegócio, como bancos que mos a atual estrutura da população brasileira, é impor-
fornecem créditos, indústria de insumos agrícolas (fer- tante uma abordagem histórica da ocupação do país e a
tilizantes, herbicidas, inseticidas, sementes selecionadas formação da identidade nacional.
para plantio entre outros), indústria de tratores e peças, O Brasil é considerado um dos países de maior diver-
lojas veterinárias e laboratórios que fornecem vacinas e sidade étnica do mundo, sua população apresenta carac-

72
terísticas dos colonizadores europeus (brancos), dos negros (africanos) e dos indígenas (população nativa), além de
elementos dos imigrantes asiáticos. A construção da identidade brasileira levou séculos para se formar, sendo fruto da
miscigenação (interação entre diferentes etnias) entre os povos que aqui vivem.
Além de miscigenado, o Brasil é um país populoso. De acordo com dados do último Censo Demográfico, realizado
em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população total do país é de 190.755.799 habitan-
tes. Essa quantidade faz do Brasil o quinto mais populoso do mundo, atrás da China, Índia, Estados Unidos da América
(EUA) e Indonésia, respectivamente.
Apesar de populoso, o Brasil é um país pouco povoado, pois a densidade demográfica (população relativa) é de
apenas 22,4 habitantes por quilômetro quadrado. Outro fato que merece ser destacado é a distribuição desigual da
população no território nacional. Um exemplo desse processo é a comparação entre o contingente populacional do
estado de São Paulo (41,2 milhões) com o da região Centro-Oeste (14 milhões).

Origens do Povo Brasileiro


O povo brasileiro foi originado a partir da miscigenação entre diferentes etnias.
A população brasileira é bastante miscigenada. Isso ocorreu em razão da mistura de diversos grupos humanos que
aconteceu no país. São inúmeras as raças que favoreceram a formação do povo brasileiro. Os principais grupos foram
os povos indígenas, africanos, imigrantes europeus e asiáticos.

Povos indígenas: antes do descobrimento do Brasil, o território já era habitado por povos nativos, nesse caso, os
índios. Existem diversos grupos indígenas no país, entre os principais estão: Karajá, Bororo, Kaigang e Yanomani. No
passado, a população desses índios era de quase 2 milhões de pessoas.

Povos africanos: grupo humano que sofreu uma migração involuntária, pois foram capturados e trazidos para o
Brasil, especialmente entre os séculos XVI e XIX. Nesse período, desembarcaram no Brasil milhões de negros africanos,
que vieram para o trabalho escravo. Os escravos trabalharam especialmente no cultivo da cana-de-açúcar e do café.

Imigrantes europeus e asiáticos: os primeiros europeus a chegarem ao Brasil foram os portugueses. Mais tarde, por
volta do século XIX, o governo brasileiro promoveu a entrada de um grande número de imigrantes europeus e tam-
bém asiáticos. Na primeira metade do século XX, pelo menos quatro milhões de imigrantes desembarcaram no Brasil.
Dentre os principais grupos humanos europeus, destacam-se: portugueses, espanhóis, italianos e alemães. Em relação
aos povos asiáticos, podemos destacar japoneses, sírios e libaneses.
Tendo em vista essa diversidade de raças, culturas e etnias, o resultado só poderia ser uma miscigenação, a qual
promoveu uma grande riqueza cultural. Por esse motivo, encontramos inúmeras manifestações culturais, costumes,
pratos típicos, entre outros aspectos.
A demografia – ou Geografia da População – é a área da ciência que se preocupa em estudar as dinâmicas e os pro-
cessos populacionais. Para entender, por exemplo, a lógica atual da população brasileira é necessário, primeiramente,
entender alguns conceitos básicos desse ramo do conhecimento.
População absoluta: é o índice geral da população de um determinado local, seja de um país, estado, cidade ou
região. Exemplo: a população absoluta do Brasil está estimada em 180 milhões de habitantes.
Densidade demográfica: é a taxa que mede o número de pessoas em determinado espaço, geralmente medida em
habitantes por quilômetro quadrado (hab/km²). Também é chamada de população relativa.
Superpovoamento ou superpopulação: é quando o quantitativo populacional é maior do que os recursos sociais

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


e econômicos existentes para a sua manutenção.

FIQUE ATENTO!
Qual a diferença entre um local, populoso, densamente povoado e superpovoado?
Um local densamente povoado é um local com muitos habitantes por metro quadrado, enquanto que um
local populoso é um local com uma população muito grande em termos absolutos e um lugar superpovo-
ado é caracterizado por não ter recursos suficientes para abastecer toda a sua população. 
Exemplo: o Brasil é populoso, porém não é densamente povoado. O Bangladesh não é populoso, porém
superpovoado. O Japão é um país populoso, densamente povoado e não é superpovoado.

Taxa de natalidade: é o número de nascimentos que acontecem em uma determinada área.


Taxa de fecundidade: é o número de nascimentos bem sucedidos menos o número de óbitos em nascimentos.
Taxa de mortalidade: é o número de óbitos ocorridos em um determinado local.
Crescimento natural ou vegetativo: é o crescimento populacional de uma localidade medido a partir da diminui-
ção da taxa de natalidade pela taxa de mortalidade.
Crescimento migratório: é a taxa de crescimento de um local medido a partir da diminuição da taxa de imigração
(pessoas que chegam) pela taxa de emigração (pessoas que se mudam).
Crescimento populacional ou demográfico: é a taxa de crescimento populacional calculada a partir da soma entre
o crescimento natural e o crescimento migratório.

73
Migração pendular: aquela realizada diariamente no cotidiano da população. Exemplo: ir ao trabalho e voltar.
Migração sazonal: aquela que ocorre durante um determinado período, mas que também é temporária. Exemplo:
viagem de férias.
Migração definitiva: quando se trata de algum tipo de migração ou mudança de moradia definitiva.
Êxodo rural: migração em massa da população do campo para a cidade durante um determinado período. Lem-
bre-se que uma migração esporádica de campo para a cidade não é êxodo rural.
Metropolização: é a migração em massa de pessoas de pequenas e médias cidades para grandes metrópoles ou
regiões metropolitanas.
Desmetropolização: é o processo contrário, em que a população migra em massa para cidades menores, sobretu-
do as cidades médias.

Mercado de Trabalho

Mercado de Trabalho é um conceito utilizado para explicar a procura e a oferta das atividades remuneradas ofere-
cidas pelas pessoas ao setor público e ao privado.
O mercado de trabalho acompanhou a expansão da economia e as taxas de desemprego chegaram a registrar
somente 4% de desocupação.
Cada vez mais, exige-se o ensino médio para as profissões mais elementares, conhecimento básico de inglês e in-
formática. Devido a desigualdade social do país, nem sempre esses requisitos serão cumpridos durante a vida escolar.
O melhor é se dedicar aos estudos, fazer um bom currículo, acumular experiências de trabalho voluntário e se pre-
parar para entrevistas.
Por isso, é preciso abandonar de vez a ideia de trabalho infantil e lembrar que uma criança que não estudou durante
a infância será um adulto com menos chances de conseguir um bom emprego.
Desde 2016, a taxa de desemprego tem crescido e isso só aumenta a competição para quem deseja se recolocar
ou entrar no mercado de trabalho.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Taxa de desemprego no Brasil em 2017

Muitas pessoas recorrem ao trabalho informal, temporário ou não, a fim de escapar da situação de desemprego.

74
Atual
O mercado de trabalho nunca foi tão competitivo. A economia de mercado globalizada fez com que as empresas
possam contratar pessoas em todos os cantos do planeta. Com o crescimento do trabalho remoto esta tendência só
tende a aumentar.
Igualmente, os postos oferecidos pelo mercado de trabalho exigem cada vez mais tempo de estudo, autonomia e
habilidades em informática.
Dessa maneira, nem sempre aqueles que são considerados como população economicamente ativa, tem suficiente
formação para ingressar no mercado de trabalho.

Tendências
As principais tendências para o aperfeiçoamento do trabalhador, em 2017, segundo uma consultoria brasileira
seriam:
• Capacidade de Negociação
• Execução de planejamento estratégico e projetos
• Assumir equipes de sucesso herdadas
• Domínio do idioma inglês

Mulher
Embora a mulher ocupe uma fatia expressiva do mercado de trabalho, vários problemas persistem como a remune-
ração inferior ao homem e a dupla jornada de trabalho.
Mesmo possuindo a mesma formação de um homem e ocupando a mesma posição, a mulher ganhará menos. Além
disso, em casa se ocupará mais tempo das tarefas domésticas do que os homens.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), em todo mundo, apenas 46% das mulheres em idade de
trabalhar buscam emprego. Na mesma faixa etária, os homens respondem por 76%.
Nos países desenvolvidos a mulher ocupa 51,6% dos postos de trabalho frente aos 68% dos homens. No Brasil, essa
diferença é de 22 pontos percentuais, aumentando a brecha salarial.
Nos gráficos abaixo podemos observar a participação da mulher no mercado de trabalho no Brasil:

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Divisão do mercado de trabalho entre mulheres e homens

Jovens
Para os jovens da chamada geração Y ou os millennials – que nasceram após 1995 – o mercado de trabalho pode
ser um desafio complexo.
Os millennials se caracterizam por ter um domínio das tecnologias mais recentes, redes sociais e até programação.
Possuem bom nível de inglês e um segundo idioma, fizeram pós-graduação e quem pode, viajou para o exterior.
Por outro lado, têm dificuldades em aceitar hierarquias e, por conta de sua formação, desejam começar logo em
postos de comando. São menos propensos a serem fiéis à empresa e preferem empreender seu próprio negócio que
buscar um emprego tradicional.

75
A realidade dos millennials nos países subdesenvolvi- absorvida pelo setor de serviços e comércio. Essa nova
dos em geral e no Brasil em particular esbarra sempre no realidade vai transformar a paisagem urbana, com a di-
acesso à educação formal. minuição das indústrias e o crescimento de shoppings e
centros empresariais.

Espaço urbano e seus problemas

O Espaço Urbano pode ser definido como o espaço


das cidades, o conjunto de atividades que ocorrem em
uma mesma integração local, com a justaposição de ca-
sas e edifícios, atividades e práticas econômicas, sociais e
culturais. O espaço da cidade é, dessa forma, uma paisa-
gem representativa do espaço geográfico, um território
Urbanização no Brasil das práticas políticas e um lugar das visões de mundo e
Características da urbanização brasileira mediações culturais.
No entanto, é preciso estabelecer uma distinção en-
tre o urbano e as cidades. Existem cidades, por exemplo,
que não são consideradas urbanas, por possuírem uma
Rua 25 de março, importante centro comercial da ci- pequena quantidade de habitantes e uma baixa dinâmi-
dade de São Paulo que evidencia o crescimento do setor ca econômica. Para o IBGE, cidades com menos de 20
terciário nas metrópoles brasileiras. mil habitantes são consideradas como espaço rural. Além
Por fim, podemos destacar algumas características disso, no meio agrário, evidenciam-se algumas práticas e
históricas e recentes sobre a urbanização brasileira: características do espaço urbano, o que nos leva a crer
• A concentração fundiária, característica brasi- que o urbano transcende (vai além) do espaço das ci-
leira desde a colonização, desdobrou-se em baixa qua- dades.
lidade de vida nas áreas rurais, baixos salários e falta de Nesse ínterim, podemos dizer que o espaço urbano
apoio ao pequeno trabalhador rural, motivando a migra- é economicamente produzido, mas socialmente viven-
ção campo-cidade.
ciado, ou seja, apropriado e transformado com base em
• O processo de industrialização, especialmente
ações racionais e também afetivas.
em alguns estados da região geoeconômica Centro-Sul,
O geógrafo brasileiro Roberto Lobato Corrêa afirma,
motivou a migração para as grandes cidades desses esta-
em várias de suas obras, que o espaço urbano é frag-
dos, que passaram a polarizar a economia do país.
• O processo produtivo no espaço rural, a partir mentado, articulado; é também o condicionante das
da sua modernização, começa a absorver menor quanti- ações sociais e o reflexo destas, em uma interação dialé-
dade de mão de obra. tica. Além disso, segundo o mesmo autor, ele pode ser
• A construção de novas vias, a partir do modelo compreendido como um conjunto de símbolos e como
rodoviário de transporte, facilitou o processo migrató- um campo de lutas, principalmente envolvendo as clas-
rio e o acesso aos centros urbanos. ses sociais.
• Os valores da vida urbana vão ser amplamente Com o desenvolvimento das técnicas, o homem pas-
disseminados pelos meios de comunicação, principal- sou a viver em sociedade e, assim, passou a construir as
mente rádio e televisão, como forma de seduzir a po- suas cidades, os seus espaços de moradia. As mais anti-
pulação rural a migrar para a cidade. Os excluídos do gas cidades datam de cerca de 9.000 a.C., que é o caso
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campo criam perspectiva em relação ao espaço urbano e das cidades de Jericó (Palestina) e de Damasco (na Síria).
acabam se inserindo no espaço urbano no circuito Infe- No entanto, durante a maior parte da história da huma-
rior da Economia (mercado informal). nidade, a população foi majoritariamente rural.
• Apesar do contínuo processo de metropoliza- Dessa forma, com o desenvolvimento das relações in-
ção, é possível perceber na atualidade que a região Su- dustriais, o processo de urbanização – crescimento do
deste brasileira enfrenta o processo de desmetropoli- espaço urbano em relação ao espaço rural – passou a ser
zação, ou seja, a redução do ritmo de crescimento de a principal representação da modernidade. Assim, temos
algumas metrópoles, a exemplo de São Paulo, que passa a evidência de como a industrialização interfere e acen-
a apresentar um ritmo de crescimento mais lento em re- tua o processo de urbanização.
lação a algumas cidades médias do interior. Antes da Primeira Revolução Industrial, cerca de 90%
• Crescimento de cidades médias em função da da população das diferentes sociedades era rural. Atual-
desconcentração dos investimentos produtivos (descon-
mente, com a Terceira Revolução Industrial em curso, a
centração industrial), buscando maiores vantagens para
humanidade atingiu pela primeira vez a maioria urbana,
a indústria, como isenção fiscal, terrenos e mão de obra
mais baratos para a indústria, fuga dos congestionamen- segundo dados de 2010 da Organização das Nações Uni-
tos das metrópoles, entre outros, além da migração da das.
população das grandes metrópoles que buscam qualida- Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)
de de vida em cidades médias. Na era moderna, podemos dizer que o processo de
• Crescimento do setor terciário, devido à di- crescimento do espaço urbano ocorre por dois argumen-
minuição das indústrias nos grandes centros urbanos, tos de elementos principais, os fatores atrativos e os fa-
fazendo com que essa camada de mão de obra seja tores repulsivos.

76
Por fatores atrativos entende-se o crescimento das Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
cidades a partir dos supostos benefícios que elas ofe- Esse tipo deposição implica em riscos de contami-
recem, principalmente aqueles relativos ao crescimento nação para a natureza e a população ao redor, pois
industrial, em que boa parte da população do campo é gera chorume e emite gases, como o metano, que no
atraída pela oferta de mão de obra, e às possibilidades processo de decomposição, transforma-se em dióxido
de crescimento e emancipação sociais. Esses elementos de carbono (CO2), um dos principais compostos do Efei-
foram predominantes em países hoje considerados de- to Estufa  que causa uma série problemas ambientais
senvolvidos, que passaram pelo processo de industriali- no Brasil.
zação clássica. Entre as cidades, podemos citar os casos Solucionar esse problema urbano envolve iniciativas
de Londres, Nova York, Paris e outras. do governo e também das várias camadas da sociedade.
Por fatores repulsivos entende-se o crescimento das Destacam-se, como medidas de resolução: a criação de
cidades em função da saída dos trabalhadores do cam- aterros sanitários adequados, a coleta seletiva, além da
po, em face da mecanização da produção agrícola ou da mudança no modo de produção e consumo.
concentração fundiária. A urbanização causada por fato-
res repulsivos costuma ser mais acelerada e revela uma Problemas urbanos: poluição
maior quantidade de problemas sociais, sendo caracte- Chegou a hora de conferir os principais problemas
rística dos países subdesenvolvidos. Entre as cidades, po- ambientais relacionados à poluição do meio ambiente
demos citar os casos de São Paulo, Rio de Janeiro, Cidade nas zonas urbanas. Continue a leitura e entenda os deta-
do México, entre outras. lhes de cada ocorrência!
Assim, através dos fatores atrativos e repulsivos, po- Poluição do ar
demos perceber que o espaço urbano cresce, princi-
palmente, com a migração do tipo campo-cidade que,
quando ocorre em massa, é chamada de êxodo rural.
Quando esse processo proporciona um crescimento de-
sordenado das cidades, ou seja, quando esse crescimento
foge do controle do Estado e dos governos, observa-se
a emergência de graves problemas sociais urbanos, dos
quais destacam-se: a favelização, ocupações irregulares,
índices de miséria, violência e muitos outros.
Além de problemas sociais, a urbanização acelerada
pode evidenciar a emergência de problemas ambientais
urbanos, dentre eles, merecem destaque as ilhas de ca-
lor, as chuvas ácidas e a inversão térmica.
Portanto, mesmo sendo a expressão dos avanços da
modernidade, o espaço urbano também pode ser a prin-
cipal evidência de suas contradições.

Problemas ambientais urbanos


Pessoas que moram nas grandes cidades acabam

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causando prejuízo ao meio ambiente, direta ou indire- A agenda ambiental das cidades que se propõem a
tamente. A grande concentração populacional nas zonas mudar a qualidade de vida das pessoas, de modo geral,
citadinas do Brasil e do mundo, provoca uma série de propoõe destaque à qualidade do ar, sendo esse um dos
impactos ambientais no Brasil e no mundo. principais assuntos tratados nas conferências ambientais.
Portanto, o tema dos principais problemas ambien- Consequências diretas à saúde da população são per-
tais urbanos merece atenção. cebidas facilmente quando o ar dos espaços urbanizados
Nos itens a seguir, entenda algumas das categorias está carregado de toxinas. Problemas respiratórios já fa-
centrais relacionadas à essa questão e conheça os prin- zem parte do cotidiano nas grandes metrópoles.
cipais problemas ambientais no Brasil e no mundo: Durante a queima de combustíveis fósseis, como
hidrocarbonetos e carvão mineral, ocorre a liberação de
Problemas urbanos: lixo gases para a atmosfera, sendo este o principal motivo da
A maneira como a sociedade moderna consome os sua contaminação.
produtos industrializados implica uma crescente preocu- Os combustíveis dessa natureza estão entre as prin-
pação com o problema do lixo urbano. cipais fontes de energia primária no mundo, movimen-
Realizar a gestão de resíduos sólidos é uma das ati- tando carros, motos, ônibus, caminhões, navios e aviões,
vidades mais complexas dos governos dos municípios. e contribuem significativamente para o Efeito Estufa.
Infelizmente, no Brasil, cerca de 50% deles ainda depo- Logo, é um assunto que merece muita atenção. Nas
sitam o lixo em vazadouros a céu aberto, segundo a últimas décadas, a poluição do ar vem aparecendo como
Pesquisa Nacional de Resíduos Sólidos, publicada pelo uma das principais questões ambientais das grandes ci-
dades entorno do aquecimento global.

77
Poluição sonora • organização territorial;
Existem, no ambiente urbano, inúmeros estímulos ex- • intensidade do fluxo de automóveis nas vias de
ternos que facilitam o desenvolvimento do estresse na transporte da cidade;
população. Nas regiões metropolitanas, são comuns os • tipos de transporte utilizados.
ruídos produzidos por automóveis, fábricas, pessoas tra- No contexto brasileiro, como problemas de mobili-
balhando, etc. dade urbana, podemos citar:
É verdade que, a poluição sonora não se acumula no • sobrecarga de espaço;
espaço, como as outras situações poluentes, porém, ela • limitação do fluxo de pessoas e mercadorias;
é responsável por causar sérios danos à saúde, pois a ex- • alto índice de acidentes fatais;
posição direta a barulhos intensos pode comprometer a • ineficiência do transporte público;
audição e o bem-estar das pessoas.
• poluição do meio ambiente.
Podemos destacar, ainda, que a ausência de políti-
Poluição visual
O excesso de estímulos visuais na paisagem das cas públicas para a melhoria do transporte público re-
grandes cidades é constituído, em grande parte, por pro- sulta, consequentemente, na procura por um meio de
pagandas que oferecem produtos e serviços. Você nunca transporte particular.
reparou a disputa entre outdoors, faixas e placas nas ruas Isso gera um ciclo vicioso, pois, quanto mais carros
da sua região? há nas ruas, mais difícil se torna a implementação de uma
Essas comunicações, quando instaladas de maneira mobilidade urbana eficiente, além de que acontece o au-
indevida, constituem vários problemas urbanos, dentre mento na emissão de dióxido de carbono.
os quais podemos destacar: Lembre-se de que a falta de mobilidade urbana no
• a modificação do espaço público, a fim de veicu- Brasil é um problema recorrente.
lar interesses particulares; Existem, porém, algumas propostas de solução des-
• a deterioração da paisagem urbana e a degra- se problema que merecem a atenção de todos os mo-
dação dos elementos naturais, como vegetação, rios e radores das grandes cidades. Veículos a trilho, como o
lagos; metrô, é uma alternativa eficiente e de energia limpa, por
• o prejuízo na percepção do espaço, referente à exemplo.
referenciação espacial e localização, além do trânsito de Há, ainda, os ônibus limpos, que usam combustível
pessoas nas cidades. alternativo para não poluírem. Ciclovias também são óti-
mas opções de transporte, além de fazerem bem para a
Esgoto saúde da população.
O alto teor de matéria orgânica que os mananciais
de água dos centros urbanos recebem, através do esgo-  O capitalismo contemporâneo ampliou o fenômeno
to doméstico e industrial, é a razão da poluição desses urbano.  Se antes, havia cidades, atualmente há mega-
corpos d’água. lópoles,  onde a conurbação criou uma sofisticada rede
A deposição de resíduos sólidos, diretamente no de fluxo de capitais, informações, mercadorias e serviços.
solo ou na água, como os vazadouros a céu aberto, tam-
bém compromete de maneira significativa a qualidade
dos reservatórios hídricos da cidade.
Infelizmente, o descomprometimento quanto às polí-
ticas públicas relacionados ao saneamento básico, é um
dos principais problemas urbanos no Brasil.
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Problemas sociais urbanos


Violência urbana
O crescimento desordenado das cidades intensi-
ficou o problema da violência urbana. É correto dizer
que essa situação acontece em função de fome, miséria
e desemprego, encontrados, principalmente, em países
subdesenvolvidos.
No Brasil, a violência urbana é reflexo de políticas pú-
blicas ineficientes, que não resolvem as situações de risco Tóquio, Japão
e não conseguem sanar lacunas do desenvolvimento dos
cidadãos, como o acesso à direitos fundamentais. Função urbana é o papel econômico desempenha-
do por uma cidade dentro de uma lógica de divisão do
Mobilidade urbana trabalho.
 
Mobilidade urbana pode ser caracterizada como a Hierarquia Urbana
maneira que as pessoas utilizam para se locomoverem. A hierarquia urbana é a ordem de organização en-
Para a realização de uma análise avaliativa da mobi- tre os diferentes níveis de complexidade econômica das
lidade urbana, é necessário levar em conta os seguintes cidades. Como a própria ideia de hierarquia sugere, tra-
fatores: ta-se das relações de dependência econômica exercidas

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por algumas cidades sobre outras, formando uma cadeia ção. Elas são criadas por legislação federal específica, que
mais ou menos definida de cidades dependentes e eco- delimita os municípios que a integram e fixa as compe-
nomicamente interligadas entre si. tências assumidas pelo colegiado dos mesmos.
Essas relações econômicas estabelecem inevitavel-
mente a consolidação de uma rede urbana que estrutura Existem três RIDEs no país, como vemos a seguir: 
uma teia formada por nós (as cidades) e os fluxos (os
sistemas de transporte e telecomunicações). Essa estru- - Região Integrada de Desenvolvimento Econômico do
turação é um fator que pode ser diretamente associado Distrito Federal - Compreende o Distrito Federal, mais
ao processo da globalização. municípios de Goiás e de Minas Gerais:
Fazem parte da hierarquia urbana mundial as cidades Distrito Federal e municípios de Abadiânia, Água Fria
globais, as metrópoles nacionais, as metrópoles regio- de Goiás, Águas Lindas de Goiás, Alexânia, Alto Paraíso
nais e as cidades de menor porte. de Goiás, Alvorada do Norte, Barro Alto, Cabeceiras, Ca-
valcante, Cidade Ocidental, Cocalzinho de Goiás, Corum-
Cidades globais: representam os principais polos da bá de Goiás, Cristalina, Flores de Goiás, Formosa, Goiané-
hierarquia urbana internacional. Além de concentrarem sia, Luziânia, Mimoso de Goiás, Niquelândia, Novo Gama,
elevados quantitativos populacionais, sendo quase todas Padre Bernardo, Pirenópolis, Planaltina, Santo Antônio
do Descoberto, São João d’Aliança, Simolândia, Valparaí-
elas megacidades (cidades com mais de 10 milhões de
so de Goiás, Vila Boa e Vila Propício, no Estado de Goiás,
pessoas), essas cidades apresentam uma complexa eco-
e de Arinos, Buritis, Cabeceira Grande e Unaí, no Estado
nomia. Ao longo da história, em grande parte dos casos,
de Minas Gerais. Ocupa uma área de 94.570,39 quilôme-
as cidades globais foram as primeiras a industrializar-se tros quadrados, sendo pouco maior que a Hungria e sua
no mundo ou, pelo menos, em seus países. Foram tam- população é de aproximadamente 4,5 milhões de habi-
bém as primeiras a iniciar o processo de desconcentra- tantes, um pouco menos que a Nova Zelândia.
ção industrial que ainda está ocorrendo, passando a ser
conhecidas por abrigar as principais sedes e centros de
negócios das empresas multinacionais.
Exemplos de cidades globais: Nova York, Tóquio, Pa-
ris, Londres, Buenos Aires, Berlim, entre outros. No Brasil,
existem duas: São Paulo e Rio de Janeiro.

Metrópoles nacionais: são cidades que também


apresentam uma complexa e avançada organização eco-
nômica, uma grande quantidade de habitantes e uma
posição atrativa no recebimento de investimentos, so-
bretudo de empresas estrangeiras. No entanto, o seu
nível econômico não lhes permite criar em torno de si  
uma influência além de seus países ou regiões territoriais - Região Integrada de Desenvolvimento da Grande
próximas. Terezina é constituída pelos municípios de Altos, Be-
Exemplos de metrópoles nacionais: Belo Horizonte, neditinos, Coivaras, Curralinhos, Demerval Lobão, José
Porto Alegre, Curitiba, Brasília e outras cidades. de Freitas, Lagoa Alegre, Lagoa do Piauí, Miguel Leão,
Monsenhor Gil, Pau D’Arco do Piauí, Teresina e União,
Metrópoles regionais: são cidades cuja importância no estado do Piauí, e pelo município de Timon, no esta-

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e domínio alcançam apenas o nível regional, estando di- do do Maranhão, que se encontra na margem esquerda
reta ou indiretamente subordinadas às metrópoles na- do rio Parnaíba, defronte à capital piauiense. Esses mu-
nicípios ocupam uma área de 11.321 km², na qual vivem
cionais e às cidades globais. Mesmo assim, são centros
1.194.911 habitantes, segundo a estimativa para 2015 do
estratégicos, pois representam o elo de regiões ou pon-
IBGE, representando 37% da população do estado do
tos afastados em relação aos grandes polos da economia
Piauí.
mundial.
Exemplos de metrópoles regionais: Goiânia, Cuiabá,
Campinas, Belém e outras.
Abaixo dessas cidades, no contexto da hierarquia ur-
bana, encontram-se cidades de menor porte, mas com
relativa influência local, tais como as cidades médias bra-
sileiras que, apesar da menor importância, vêm atraindo
muitas indústrias e contemplando índices de crescimen-
to muito acima da média das grandes cidades.
Veja mapa a seguir:
As RIDEs são regiões metropolitanas especiais no
Brasil.  Veja a definição tecnica a seguir:
Região integrada de desenvolvimento Econômico -  Região Administrativa de Desenvolvimento do Polo
(ou RIDE) são as regiões metropolitanas brasileiras que Petrolina e  Juazeiro engloba mais de 700 mil habitantes
incluem municípios de mais de uma unidade de federa- numa área com cerca de 35 mil quilômetros quadrados.

79
É constituída pelos municípios de Lagoa Grande, Orocó, A primeira proposta de divisão regional do Bra-
Petrolina e Santa Maria da Boa Vista, no estado de Per- sil surgiu em 1913, para ser utilizada no ensino de geo-
nambuco, e pelos municípios de Casa Nova, Curaçá, Jua- grafia. Os critérios utilizados para esse processo foram
zeiro e Sobradinho, no estado da Bahia. Esses municípios apenas aspectos físicos – clima, vegetação e relevo. Divi-
encontram-se localizados no vale do São Francisco, no
dia o país em cinco regiões: Setentrional, Norte Oriental,
curso baixo-médio do rio São Francisco, que interliga o
Nordeste e Sudeste fluvialmente, o que coloca a RIDE Oriental, Meridional.
numa posição estratégica nacionalmente e central no
Nordeste, o que motiva o Projeto Plataforma Logística 1940
do São Francisco.
Em 1940, o IBGE elaborou uma nova proposta de divisão
para o país que, além dos aspectos físicos, levou em con-
sideração aspectos socioeconômicos. A região Norte era
composta pelos estados de Amazonas, Pará, Maranhão,
Piauí e o território do Acre. Goiás e Mato Grosso forma-
vam com Minas Gerais a região Centro. Bahia, Sergipe e
Espírito Santo formavam a região Leste. O Nordeste era
composto por Ceará, Rio Grande do Norte, Pernambuco,
Paraíba e Alagoas. Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do
Sul, São Paulo e Rio de Janeiro pertenciam à região Sul.
Divisão Regional Brasileira
A divisão regional brasileira atual foi definida em 1945
1970, mas inúmeras outras divisões foram realizadas ao
longo da história do Brasil.
O território do Brasil já passou por diversas divisões
regionais. A primeira proposta de regionalização foi rea-
lizada em 1913 e depois dela outras propostas surgiram,
tentando adaptar a divisão regional às características
econômicas, culturais, físicas e sociais dos estados. A
regionalização atual é de 1970, adaptada em 1990, em
razão das alterações da Constituição de 1988. O órgão
responsável pela divisão regional do Brasil é o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Veja o processo brasileiro de regionalização:

1913
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

Divisão regional de 1945

Conforme a divisão regional de 1945, o Brasil possuía


sete regiões: Norte, Nordeste Ocidental, Nordeste Orien-
tal, Centro-Oeste, Leste Setentrional, Leste Meridional e
Sul. Na porção norte do Amazonas foi criado o território
de Rio Branco, atual estado de Roraima; no norte do Pará
foi criado o estado do Amapá. Mato Grosso perdeu uma
porção a noroeste (batizado como território de Guaporé)
e outra ao sul (chamado território de Ponta Porã). No Sul,
Paraná e Santa Catariana foram cortados a oeste e o ter-
ritório de Iguaçu foi criado.

Divisão regional de 1913

80
1950
Os territórios de Ponta Porã e Iguaçu foram extintos e os estados do Maranhão e do Piauí passaram a integrar a
região Nordeste. Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro formavam a região Leste. Em 1960, Brasília foi criada
e o Distrito Federal, capital do país, foi transferido do Sudeste para o Centro-Oeste. Em 1962, o Acre tornou-se estado
autônomo e o território de Rio Branco ganhou o nome de Roraima.

1970
Em 1970, o Brasil ganhou o desenho regional atual. Nasceu o Sudeste, com São Paulo e Rio de Janeiro sendo
agrupados a Minas Gerais e Espírito Santo. O Nordeste recebeu Bahia e Sergipe. Todo o território de Goiás, ainda não
dividido, pertencia ao Centro-Oeste. Mato Grosso foi dividido alguns anos depois, dando origem ao estado de Mato
Grosso do Sul.

Divisão regional atual

1990
Com as mudanças da Constituição de 1988, ficou definida a divisão brasileira que permanece até os dias atuais. O
estado do Tocantins foi criado a partir da divisão de Goiás e incorporado à região Norte; Roraima, Amapá e Rondônia
tornaram-se estados autônomos; Fernando de Noronha deixou de ser federal e foi incorporado a Pernambuco.

Meios de Transporte e de Comunicação

Confira aqui as características das diferentes modalidades dos meios de transporte!


Os meios de transporte são responsáveis pelo deslocamento de pessoas, animais, matérias-primas e mercadorias,
sendo de fundamental importância para a infraestrutura e a economia de um determinado local.
Existem quatro modalidades de transporte: terrestre, aquaviário, aéreo e dutoviário.

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 .

Transportes terrestres

81
O transporte terrestre é realizado em ônibus, carros,
motocicletas e caminhões que se deslocam em ruas, es-
tradas e rodovias. Outro tipo de transporte terrestre é o
ferroviário, realizado em trens que se movimentam sobre
trilhos.

Transporte dutoviário

A outra modalidade de transporte é o dutoviário, rea-


lizado em tubos ou dutos que transportam substâncias
gasosas (gasodutos), líquidas (oleodutos) ou sólidas (mi-
nerodutos).
O Brasil, juntamente com a Bolívia, possui um gaso-
Transporte aquaviário duto responsável pelo transporte de gás natural da Bo-
lívia (fonte produtora) para alguns estados brasileiros
O transporte aquaviário é caracterizado pelo deslo- (consumidores).
camento em lagos, rios, mares e oceanos. As pessoas e/
ou mercadorias são transportadas em canoas, bancos, Meios de Comunicação
navios, etc. Essa é uma alternativa muito utilizada para o A importância dos meios de comunicação para a
transporte de cargas entre países de diferentes continen- transmissão de informações.
tes (transporte marítimo). Os meios de comunicação são artifícios que permi-
tem a comunicação entre pessoas, contribuindo com o
processo de transmissão de informações. Ao longo da
história, o homem sempre desenvolveu formas para se
comunicar: sinais, desenhos, cartas, criação de alguns ob-
jetos, etc.
Com o desenvolvimento tecnológico, os meios de co-
municação foram se tornando mais eficazes. O telégrafo
revolucionou a forma de se comunicar à distância, sen-
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do considerado um dos primeiros sistemas modernos de


comunicação.
Em seguida, outros meios de comunicação foram in-
ventados, com destaque para o telefone, rádio, televisão,
celular e internet. Todos eles são bastante utilizados em
várias partes do mundo, proporcionando o diálogo e a
troca de informações entre pessoas de diferentes pontos
do planeta.
A internet, por exemplo, permite que informações se-
Transporte aéreo jam obtidas com extrema rapidez e facilidade. Algumas
redes sociais possibilitam a comunicação instantânea
O transporte aéreo é considerado o meio de trans- entre pessoas localizadas em diferentes lugares. Outro
porte mais rápido e sofisticado do mundo. Ele é extrema- avanço é a realização de cursos à distância, que podem
mente importante para quem deseja realizar viagens em ser realizados através de aulas acompanhadas pelo com-
curto tempo, pois o avião atinge velocidades elevadíssi- putador.
mas se comparado aos outros meios de transporte. Além Os meios de comunicação também são essenciais
dos aviões, o transporte aéreo também pode ser feito em para a realização de atividades econômicas. Alguns ne-
helicópteros ou balões. gócios financeiros são finalizados através de sites espe-
cializados, as cotações das ações de empresas podem ser
acompanhadas, transações bancárias, entre outros.

82
Portanto, os meios de comunicação sempre estiveram O Nordeste possui também jazidas de granito, pedras
presentes na vida do homem, sendo essenciais para a di- preciosas e semi preciosas. A mina de Itataia, em Santa
fusão das informações (jornais, revistas, televisão, rádio, Quitéria, no Ceará, possui uma das maiores reservas de
etc.) e para as atividades econômicas. urânio do mundo.
O babaçu, encontrado no Piauí e em grande parte do
Nordeste território do Maranhão, é importante para a região, de
A economia da Região Nordeste do Brasil é a tercei- sua semente se extrai um óleo utilizado na fabricação de
ra maior do país, atrás da Região Sudeste e Sul respecti- sabão, margarina, cremes, de suas folhas se fabrica ces-
vamente. A economia do Nordeste foi a que apresentou tas, esteiras etc.
A carnaúba, palmeira típica, encontrada no norte dos
o maior crescimento nos últimos anos.
estados do Piauí e Maranhão, da qual tudo se aproveita,
Em 2012 o produto interno bruto cresceu 3%, mais
das folhas se produz a cera de carnaúba, com larga apli-
que o triplo da média do país. É na Região Nordeste que cação industrial.
vive mais de um quarto da população brasileira.
A economia da Região Nordeste é baseada na agri- Indústria
cultura, extrativismo vegetal e mineral, na indústria e co- A Região Nordeste vive intenso processo de indus-
mércio, nas atividades turísticas, entre outras. trialização. O Complexo Industrial Portuário de Suape, lo-
calizado na cidade de Ipojuca, em Pernambuco, a 40 km
Agricultura ao sul da cidade do Recife, é um dos principais polos de
Na Região Nordeste se desenvolve a agricultura da investimentos do país.
cana de açúcar, para a produção de açúcar e etanol, na São mais de 120 empresas instaladas, entre elas, a Re-
Zona da Mata, região que se estende numa faixa litorâ- finaria Abreu e Lima, o Estaleiro Atlântico Sul, a Petrobras
nea, que vai do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, Distribuidora S/A, a Shell do Brasil S/A, a Arcor do Brasil
com destaque para os estados de Alagoas, Pernambuco Ltda, a Bunge Alimento etc.
e Paraíba. O Polo Automotivo de Pernambuco, localizado na
A região já foi a mais importante área produtora de Mata Norte do estado, recebe a instalação da fábrica da
cana de açúcar do mundo e a principal região econômica Fiat.
do Brasil nos séculos XVI e parte do século XVII. Ao redor do Recife, na Região Metropolitana, estão
A cultura do milho, feijão, café, mandioca, coco, cas- instaladas indústrias mecânicas, de papel, de produtos
tanha de caju, banana, sisal e algave, predomina em di- alimentícios, de cimento, têxtil, de material elétrico e ou-
versos estados. tras.
O Meio Norte (Nordeste Ocidental) uma área de O Polo Petroquímico de Camaçari, na Bahia, tem mais
transição entre o Sertão semi árido e a Amazônia úmida, de 90 empresas químicas e petroquímicas instaladas.
onde estão os estados do Maranhão e Piauí, é cortado Em Mataripe, na Bahia está instalada a refinaria de
por vários rios, ao longo dos quais se formam grandes petróleo Landulpho Alves. Fortaleza constitui um centro
planícies fluviais, aproveitadas principalmente para a cul- industrial nos setores têxtil, alimentar, de calçados e de
tura do arroz. confecção de roupas.
Com a correção do solo do cerrado no sul do Ma- A Rota do Vinho, no Vale do Rio São Francisco, com
ranhão e sudeste do Piauí, se desenvolve a cultura da sete vinícolas instaladas nas cidades de Petrolina, Santa
soja. A Bahia é o segundo produtor nacional de laranja e Maria da Boa Vista e Lagoa Grande, todas em Pernam-
algodão do país.
buco e Juazeiro, na Bahia, concentra um polo industrial
Se destaca também na produção de soja. A cultura

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


e turístico, com toda a infraestrutura para os visitantes.
do algodão é também desenvolvida no Ceará, Piauí, Rio
Grande do Norte e a Paraíba, que produz um algodão
naturalmente colorido. Turismo
A fruticultura irrigada, beneficiada pelo clima tropical, A atividade turística do Nordeste é um fator impor-
é desenvolvida no Vale do Rio Açu, no Rio Grande do tante para a economia da região.
Norte, com grande produção de melão, melancia etc., e A região concentra grandes áreas repletas de bele-
no Vale Médio do rio São Francisco, no Sertão, principal- zas naturais como o extenso litoral, com praias de águas
mente nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), onde quentes e cristalinas, que estão entre as mais bonitas do
são produzidas uva, manga, melão, abacaxi, mamão etc., país, o Arquipélago de Fernando de Noronha (PE), um
que são vendidas para o mercado interno e exportadas, paraíso ecológico, o Parque Nacional dos Lençóis Mara-
através do aeroporto internacional de Petrolina, para di- nhenses, os Canyons do São Francisco entre outros.
versos países.
Na Região Nordeste estão localizadas cidades históri-
Extrativismo vegetal e mineral cas, Patrimônio da Humanidade, como os centros históri-
No setor de extração, o Nordeste se destaca na pro- cos de Olinda (PE), São Luís (MA) e Salvador(BA).
dução de petróleo, e gás natural, produzidos na Bahia, A cidade de João Pessoa guarda construções barrocas
Sergipe e Rio Grande do Norte, Piauí e Ceará. Na Bahia é do século XVI. O centro histórico do Recife concentra um
explorado no litoral e na plataforma continental. grande número de construções históricas.
O Rio Grande do Norte produz 95% do sal marinho O teatro de Nova Jerusalém (PE), o maior teatro ao
consumido no Brasil. Pernambuco é responsável por 95% ar livre do mundo, já levou para a região mais de três
do total do gesso brasileiro. milhões de pessoas.

83
Município de Salvador Sobre a dinâmica de crescimento vegetativo da popu-
A organização urbana de uma cidade é o resultado lação brasileira com base no conceito de transição de-
de vários fatores: o contexto físico e orográfico onde as- mográfica, deve‐se considerar os seguintes conceitos,
senta o primeiro núcleo e as linhas de progressão que EXCETO:
orientam o seu crescimento; os objetivos que estiveram
na origem do assentamento, junto com as vicissitudes e a) Crescimento vegetativo: crescimento populacional
alterações desses objetivos; a organização social e políti- menos o número de óbitos.   
ca que a conformou desde o início e suas consequentes b) Taxa de mortalidade: expressa a proporção entre o nú-
transformações, onde os poderes efetivos, reais, margi- mero de óbitos e a população absoluta de um lugar,
em um determinado intervalo de tempo.  
nais ou imaginários, condicionaram as relações entre a
c) Crescimento populacional: função entre duas variáveis:
autoridade e o grupo social residente.
o saldo entre o número de imigrantes e o número de
Salvador/BA, tem algumas características históricas, emigrantes; e, o saldo entre o número de nascimentos
entre outras, que marcam a sua identidade social, cultu- e o número de mortos. 
ral e urbana: foi a primeira capital da colónia portuguesa d) Taxa de fecundidade: número médio de filhos por mu-
no Brasil; teve, na história da economia brasileira, a pri- lher em uma determinada população. Para obter essa
meira economia agrária de grande rendimento, baseada taxa, divide‐se o total dos nascimentos pelo número
nos engenhos de açúcar, que proliferavam no seu entor- de mulheres em idade reprodutiva da população con-
no2 ; e tem uma característica que singulariza Salvador siderada.   
na demografia brasileira, ou seja, tem a maior percenta-
gem de população afrodescendente (cerca de 70%), fa- Resposta: Letra A.
zendo dela a cidade fora de África com mais habitantes Em “a”, Errado - crescimento vegetativo é a diferença
afrodescendentes. entre os nascimentos e mortes, geralmente ele é expres-
Em Salvador o espaço urbano está marcado pela afir- so pela taxa de crescimento natural, calculada subtrain-
mação do poder e pela conflituosidade, de que os es- do a taxa de natalidade pela taxa de mortalidade.
paços e templos religiosos são particulares referências.
Desde as grandes Igrejas que organizam as praças e ruas
da cidade colonial e se apresentam como o ‘grande’ pa-
trimónio arquitetônico da cidade, passando pelos terrei-
ros de candomblé.

Veja no link a seguir, o Plano Diretor de Desenvolvi-


mento Urbano

do munícipio, que abrange os aspectos relacionados


às diretrizes e estratégias de desenvolvimento socioeco-
nômico, cultural e urbano- ambiental institucionalizadas
no PDDU para Salvador.
https://leismunicipais.com.br/plano-diretor-salvador-ba
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

EXERCÍCIO COMENTADO

1. (CONSULPLAN/2014 – MAPA) “O conceito de transi-


ção demográfica foi introduzido por Frank Notestein, em
1929, e é a contestação factual da lógica malthusiana. Foi
elaborada a partir da interpretação das transformações
demográficas sofridas pelos países que participaram da
Revolução Industrial nos séculos 18 e 19, até os dias atu-
ais. A partir da análise destas mudanças demográficas foi
estabelecido um padrão que, segundo alguns demógra-
fos, pode ser aplicado aos demais países do mundo, em-
bora em momentos históricos e contextos econômicos
diferentes.”
(Cláudio Mendonça. Demografia: transição demográfica
e crescimento populacional. UOL Educação. 2005. Dispo-
nível em: http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geogra-
fia/demografia‐transicao‐demografica‐e‐crescimento‐
populacional.htm. Acesso em: março de 2014.)

84
aluno. Não tinha a preocupação em articular e estabelecer
OS PARÂMETROS CURRICULARES NACIO- relações entre o conteúdo ensinado e as relações sociais
NAIS PARA O ENSINO DA GEOGRAFIA. e espaciais do cotidiano experienciadas pelos estudantes.
Nas décadas de 1980-90 surgiram diferentes cenários
de discussão e reflexão dando espaço a uma Geografia
Abordagens no Ensino da Geografia: Geografia Nova concebendo novas questões que passaram a
Tradicional versus Geografia “Renovada” ser discutidas como vias de buscar propostas para a
A preocupação com relação ao ensino de Geografia superação da antiga ordem burocrática e autoritária
é evidente e ao longo do tempo, fez com que surgissem (CAVALCANTI, 2010).
pesquisas que tratassem desta temática analisando as Esse movimento atribuiu maior significado social a
transformações ocorridas na disciplina escolar. Esta essa disciplina escolar abordando propostas alternativas,
preocupação vem sendo apresentada nas últimas mais articuladas a orientações pedagógico-didáticas,
décadas, propiciando um constante repensar das práticas definindo diferentes metodologias para o ensino da
pedagógicas utilizadas por esta disciplina. disciplina.
Partindo deste pressuposto, vale lembrar que Conforme Kimura (2010, p.165) as polêmicas acerca
essas práticas pedagógicas no âmbito da Geografia se da neutralidade da ciência geográfica entre os anos de
fundamentaram em diversas abordagens a exemplo 1970 e de 1990 no Brasil permitiu o surgimento, no ensino
da tradicional e renovada, sendo que a primeira, se da Geografia, do que se denominou de “polissemia”,
consolidou de forma muito drástica no âmbito brasileiro, surgiram novas abordagens geográficas entre elas a
sobretudo nas décadas de 1960 e 1970, com o golpe “Geografia Crítica”, centrada na crítica ao capitalismo e
militar de 64 (GERBRAN, 2003). cunhada no materialismo histórico dialético. A Geografia
Kimura (2010) reforça este fato afirmando que essas escolar assumiu um papel renovador na construção e
abordagens foram objeto de discussões acaloradas na aplicação do seu saber.
área educacional tanto em nível mundial quanto no A Geografia ganhou engajamento político, deixando
território brasileiro estendendo-se a década de 1980. de lado a neutralidade característica da Geografia
Contudo, percebe-se que, nos dias de hoje, ainda Tradicional. Deste modo, no que se refere à disciplina
permanecem enraizadas sob outros olhares e com maior Geografia, sustentadas nos referenciais renovados,
ou menor intensidade de tradicionalismo. apresentaram novos caminhos no sentido de viabilizar
possibilidades de uma ação pedagógica redimensionada.
O movimento de renovação da Geografia para alguns
As proposições apresentadas pelo Ministério da
autores foi marcado pela disputa de hegemonia de
Educação (MEC), principalmente a partir da Lei de
dois núcleos principais, um aglutinado a uma Geografia
Diretrizes e Bases da Educação-LDB de dezembro de 1996
dita “tradicional”, que se mantinha tal como havia se (Lei nº 9394/96), seguiram um processo de discussões,
estruturado nas primeiras décadas do século XX e, outro, reflexões e proposições previamente articuladas e
que representava uma Geografia Nova, que buscava efetivadas de forma ampla e democrática. Surgiram
suplantar a tradicional, que se proclamava “crítica” políticas públicas realizadas pelo MEC originando
(CAVALCANTI, 2010). documentos oficiais relativos à Educação Básica no Brasil,
Desta forma, pode-se afirmar que o ensino de entre eles as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e os
Geografia foi influenciado primordialmente por essas Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Com relação a
duas abordagens e por suas metodologias. Nessa estes últimos, foram inclusos os temas transversais que
direção, Kimura (2010, p.74-75) aponta ainda que: deveriam perpassar por todas as disciplinas curriculares
As concepções sobre a transmissão do conhecimento mediante diferentes práticas pedagógicas (BRASIL, 1996).

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


julgavam que o aluno permanecia em uma relação muito De acordo com Pontuschka (2009) foi uma das formas
passiva no ensino-aprendizagem, sendo tratado como encontradas pelo MEC para promover a aproximação
um receptáculo vazio e dócil, pronto para ser preenchido entre as várias disciplinas escolares podendo, igualmente,
pelo conhecimento emanado do professor, que, sendo o transformar-se em aliado para se trabalhar com temas
dono do saber, era o único a expressar-se. significativos do/para o mundo atual, mais próximo da
Gerbran (2003) complementa descrevendo que realidade vivida e percebida pelos alunos.
as concepções que vincularam a trajetória do ensino A Geografia escolar prestou muitos serviços
pautaram-se, inicialmente, no referencial da Geografia à manutenção da ordem vigente, assim, na
Tradicional que, se baseava no Positivismo, sendo atualidade, “outras teorias consideram que a escola
adotada de forma fragmentada como um ensino pode tanto desempenhar a função reprodutivista
descaracterizado e ministrado como Estudos Sociais, como transformadora da sociedade. A escola é,
conforme a Lei Federal nº 5692/71. pois, contraditória e, nela, coexistem perspectivas
De tal modo, essa concepção refletia uma Geografia conservadoras e inovadoras” (KIMURA, 2010, p.72).
meramente descritiva (de paisagens e de lugares), Sob a ótica de Cavalcanti (1998) as práticas
pedagógicas referentes ao ensino de Geografia a partir
colocada a serviço dos conceitos e do processo
de suas categorias centrais: sociedade, território, lugar
mecânico e mnemônico, assim, conhecida também como
e paisagem; mostra o comprometimento com vista à
conteudista.
formação crítica dos estudantes que, antes de tudo,
Em outras palavras, constituiu-se como uma são sujeitos numa sociedade de classe, profundamente
Geografia centrada na transmissão de conteúdos e que desigual e que, portanto, produz espaços materialmente
desconsiderava os conhecimentos prévios trazidos pelo desiguais.

85
A Geografia, transformada numa disciplina viva, plena portante para compreender a espacialidade dos fenô-
de desafios para educadores e educandos, passa a se menos (ampliando a noção de espaço), para entender
constituir numa área vital de conhecimento e de formação a função social da linguagem gráfica, bem como os
do cidadão, tal qual o objetivo maior da educação processos histórico-sociais de sua construção.
escolar. A esse respeito Cavalcanti (1998, p. 88), assevera Compreende-se portanto que, a referida disciplina
que “[...] o ensino de geografia visa à aprendizagem ativa deve propiciar a observação, percepção, análise e
dos alunos, atribuindo-se grande importância a saberes, compreensão do espaço geográfico enquanto espaço
experiências, significados que os alunos já trazem para a da ação humana em interação com a natureza, portan-
sala incluindo, obviamente, os conceitos cotidianos [...]”. to, a Geografia, no desenvolvimento de seus conceitos
Compreende-se que a referida disciplina deve e na maneira de produzir, ensinar e relacionar-se é um
propiciar a observação, percepção, análise e compreensão movimento histórico que se encontra em constante
do espaço geográfico enquanto espaço da ação humana transformação.
em interação com a natureza, portanto, “a Geografia,
no desenvolvimento de seus conceitos e na maneira de Fonte e adaptação:
produzir, ensinar e relacionar-se [...] é um movimento
histórico que se encontra em constante transformação”. www.editoracontexto.com.br/www.educador.brasiles-
(PONTUSCHKA, 2009, p. 145). cola.uol.com.br/www.novaescola.org.br/www.ojs.ufpi.br/
Sendo assim, para a citada autora o professor tem www.portaleducacao.com.br/www.sogeografia.com.br/
que manter um diálogo permanente com o passado, o www.cejainsaovicente.blogspot.com/www.meioambiente.
presente e o futuro para conhecer melhor sua própria culturamix.com/www.periodicos.ufsm.br/www.mundoe-
ciência e saber constituir projetos (inter) disciplinares ducacao.bol.uol.com.br/www.stoodi.com.br/www.mundo-
na escola. Precisa ainda ter clareza dos aspectos teóri- geografico.com.br/www.clickestudante.com/ www.estu-
co-metodológicos da ciência geográfica, pois essa com- dokids.com.br/www.news.un.org/www.blogdoenem.com.
preensão lhe dará condições de definir os objetivos, e br/www.brasilescola.uol.com.br/www.em.com.br/www.
daí selecionar os conteúdos a serem ensinados tanto no educabras.com/www.monografias.brasilescola.uol.com.
Ensino Fundamental como em qualquer modalidade de br/www.infoescola.com/www.alunosonline.uol.com.br/
ensino, estando preparado para trabalhar no espaço da www.eumed.net/www.uel.br/www.educacao.globo.com/
sala de aula ou fora dela. www.resumoescolar.com.br/www.periodicos.uesb.br/www.
ambientesgeograficos.blogspot.com/www.scielo.mec.pt/
Veja o conteúdo na íntegra dos PCN de Geografia no www.bbc.com/www.todamateria.com.br//www.brasiles-
link a seguir: cola.com/geografia/www.todoestudo.com.br/www.so-
portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/geografia.pdf geografia.com.br/www.geografiaparatodos.com.br/www.
educacao.uol.com.br/www.estudopratico.com.br/www.
obshistoricogeo.blogspot.com/Karen Degli Exposti/ Ré-
gis Rodrigues/Rodolfo Alves Pena/ Wagner de Cerqueira
EXERCÍCIO COMENTADO e Francisco/Michelle Nogueira/ Renilda Rocha/Rayanna
Rolim/Eduardo de Freitas/ Eduardo de Freitas/ Anderson
1. (CS/UFG – 2016 – PREFEITURA DE GOIANIA/GO) Moço
Indiscutivelmente o espaço é a principal categoria de
análise da Geografia. De acordo com os Parâmetros Cur-
riculares Nacionais de Geografia, essa categoria deve ser
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

considerada como 

a) referência pessoal e sistema de valores, os quais dire-


cionam diferentes formas de perceber e constituir a
paisagem. 
b) unidade visível do território, que possui identidade vi-
sual, caracterizada por fatores de ordem social, cultu-
ral e natural.
c) substrato físico concreto em que ocorre a produção da
vida nas suas diversas dimensões. 
d) totalidade dinâmica na qual fatores naturais, sociais,
econômicos e políticos interagem. 

Resposta: Letra D.
A categoria de espaço geográfico, como objeto de es-
tudo dos geógrafos, deve ter um tratamento didático
que possibilite a interação dos alunos.
De um lado a compreensão do espaço geográfico será
trabalhada sempre que se estudar a paisagem, o terri-
tório e o lugar; por outro, a questão da representação
espacial, no contexto dos estudos, é um caminho im-

86
nacionais nos últimos anos tenha sido o deslocamento
da preocupação essencial com a questão militar e a guer-
HORA DE PRATICAR! ra nuclear que foi dando lugar a uma preocupação mais
urgente com os movimentos da economia mundial”.
1. (UFAC) A intensa e acelerada urbanização brasileira MARTINEZ, A., TANAKA, H. Sobre a Geopolítica Atual.
resultou em sérios problemas sociais urbanos, entre Akrópolis: Rev. de Ciências Humanas da UNIPAR. v.4, n.13,
os quais podemos destacar: 1996. p.15.
A geopolítica da Nova Ordem Mundial diferenciou-se do
a) Falta de infraestrutura, limitações das liberdades indi- cenário configurado no âmbito da ordem da Guerra Fria
viduais e altas condições de vida nos centros urbanos. por:
b) Aumento do número de favelas e cortiços, falta de in-
fraestrutura e todas as formas de violência. a) multiplicação dos centros de disputa global
c) Conflitos e violência urbana, luta pela posse da terra e b) alteração dos núcleos de poder
acentuado êxodo rural. c) proliferação dos conflitos armados de grande porte
d) Acentuado êxodo rural, mudanças no destino das cor- d) eliminação das intervenções imperialistas
rentes migratórias e aumento no número de favelas e e) bipartidarização do sistema econômico
cortiços.
e) Luta pela posse da terra, falta de infraestrutura e altas 4. (FUNDEP/2014 – IS/SP) Considerando-se os estudos
condições de vida nos centros urbanos. populacionais, demográficos e econômicos elaborados
sob enfoque do planejamento, é INCORRETO afirmar que
2. (UFPA) O atual espaço geográfico mundial, nos últi-
mos anos, tem passado por um acelerado processo de a) a geografia da população é tão importante quanto
reestruturação, fruto da revolução tecnológica e da aber- é o estudo da demografia naqueles trabalhos volta-
tura dos mercados nacionais. dos para o planejamento estratégico, uma vez que a
Sobre a referida reestruturação do espaço geográfico primeira investiga e explica as leis de crescimento e
mundial, é correto afirmar que
mudança na estrutura da população; ao passo que a
segunda investiga e explica os fatores das suas dife-
a) Há uma crescente interdependência dos mercados,
rentes formas de distribuição espacial.
fruto da abertura das economias nacionais e do
b) as diferentes sociedades contemporâneas passaram
avanço tecnológico dos meios de transportes e co-
a se preocupar com o conhecimento sistemático do
municações, o que tornou a circulação mais rápida,
seu efetivo populacional (estoque populacional dis-
intensificando os fluxos de mercadorias, capitais e in-
ponível), tanto em nível quantitativo como qualitativo,
formações.
notadamente entre os países desenvolvidos, em razão
b) O novo espaço industrial se caracteriza por funcionar
em rede e, embora a gestão empresarial seja manti- da prática do planejamento como instrumento para o
da nas principais metrópoles globais, a produção está desenvolvimento.
cada vez mais desconcentrada, direcionando-se às c) o conhecimento da taxa de crescimento demográfico e
grandes cidades. da distribuição da população em suas diferentes faixas
c) A dimensão cultural da globalização provoca a padro- de idade é condição necessária para qualquer política
nização dos costumes, tendo como referência os hábi- de empregos e de educação, assim como para os pro-
tos dos países centrais, sobretudo dos Estados Unidos. gramas habitacionais e de saneamentos básicos.
Essa tendência enfrenta resistência em algumas regi- d) os estudos econômicos que se seguiram a Malthus

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


ões do mundo, como o Oriente Médio, porque grande incorporaram as pesquisas demográficas como seg-
parte da população dessa região busca um modo de mento importante de seu campo científico, apesar da
vida mais consumista. teoria dos rendimentos decrescentes por ele proposta
d) Há um fortalecimento das transnacionais, pois estas não ter previsto o desenvolvimento das técnicas de
assumem várias funções que antes eram exercidas pe- produção que surgiram a partir do século seguinte à
los Estados, como o controle dos meios de comuni- publicação de sua obra.
cações e energia. Além disso, essas corporações vêm
expandindo suas áreas de influência, por meio de pro- 5. (UEMG - www.exercicios.brasilescola.uol.com.br) A
cessos de fusões e aquisições, o que tem eliminado expansão, em escala planetária, das atividades das mul-
as fronteiras políticas e econômicas dos Estados Na- tinacionais fez crescer entre essas empresas a disputa
cionais. por partes cada vez maiores de um mercado consumidor
atualmente integrado pelo processo de globalização. As-
3. (www.exercicios.brasilescola.uol.com.br)  “Não po- sinale, a seguir, a alternativa em que NÃO foram apre-
demos negar que a ‘nova ordem’ que está se desenhando sentados elementos característicos das empresas multi-
começou a sua gestação dentro da guerra fria. Durante nacionais.
toda a sua evolução, de 1945-85, a guerra fria envolveu
outros aspectos que para a época foram considerados a) Diminuição do tamanho das unidades de produção,
secundários pelos analistas mas que acabaram aflorando com o uso de alta tecnologia.
à superfície após o colapso do Socialismo no Leste euro- b) Otimização dos processos de produção, diminuindo,
peu. Talvez, o aspecto mais marcante das relações inter- por exemplo, os desperdícios com matérias-primas.

87
c) Aumento dos investimentos em marketing e propa- que asseguram a emergência de um mercado dito glo-
ganda, divulgando informações a respeito de serviços bal, responsável pelo essencial dos processos políticos
e produtos. atualmente eficazes.”
d) Concentração do processo produtivo e comercial em SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pen-
um único país. samento único à consciência universal. Rio de Janeiro:
Record, 2000, p. 23-24.
6. (www.exercicios.brasilescola.uol.com.br) “No co- Considerando o enunciado anterior, sobre o processo
meço da história do homem, a configuração territorial é de globalização na sociedade contemporânea, assinale a
simplesmente o conjunto dos complexos naturais. À me- alternativa correta.
dida que a história vai fazendo-se, a configuração territo-
rial é dada pelas obras dos homens: estradas, plantações, a) A globalização é um processo exclusivamente baseado
casas, depósitos, portos, fábricas, cidades etc; verdadei- no desenvolvimento das novas técnicas de informação
ras próteses. Cria-se uma configuração territorial que é e sua origem está diretamente relacionada com a difu-
cada vez mais o resultado de uma produção histórica e são e universalização do uso da internet, que se deu a
tende a uma negação da natureza natural, substituindo-a partir do final da década de 1990.
por uma natureza inteiramente humanizada”. b) Entre as características próprias da globalização temos
(SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: Técnica e a alteração profunda na divisão internacional do tra-
Tempo; Razão e Emoção. 4ª ed. São Paulo: EdUSP, 2006. balho, em que a distribuição das funções produtivas
p.39.) tende a se concentrar cada vez mais em poucos pa-
Sobre a produção e transformação do espaço, assinale a íses, como é o caso dos Estados Unidos e do Japão.
alternativa correta: c) Sobre as ações que asseguram a emergência do mer-
cado global, o autor está se referindo à doutrina eco-
a) O espaço das sociedades é construído a partir de ele- nômica neoliberal que, entre outros princípios, defen-
mentos da natureza em sua forma pura. de o fortalecimento do Estado e a intervenção estatal
b) Os diferentes lugares e regiões no mundo capitalista como reguladora direta dos mercados – industrial,
não se diferem muito uns dos outros, pois a produção comercial e financeiro.
do espaço é relativamente homogênea e igualitária. d) Atualmente, as relações econômicas mundiais, com-
c) Podemos dizer que “produção do espaço” significa a preendendo a dinâmica dos meios de produção, das
construção pelo homem de seu próprio ambiente. forças produtivas, da tecnologia, da divisão interna-
d) As técnicas de produção pouco interferem na forma- cional do trabalho e do mercado mundial, são ampla-
ção do espaço das sociedades. mente influenciadas pelas exigências das empresas,
e) O espaço geográfico social, atualmente, resume-se à corporações ou conglomerados multinacionais.
construção das cidades e moradias. e) As estratégias protecionistas tomadas pelos governos
em todo o mundo, dificultando a entrada de produtos
7. “A globalização constitui o estágio máximo da inter- estrangeiros em seus mercados nacionais, são consi-
nacionalização, a amplificação em sistema-mundo de to- deradas como características marcantes do processo
dos os lugares e de todos os indivíduos, logicamente em de globalização.
graus diferentes”.(Disponível em: Mundo educação/
Globalização) 9. (FUNDEP/2014 – IS/SP) Considerando-se os estu-
Os “graus diferentes” citados no texto referem-se: dos populacionais, demográficos e econômicos elabora-
dos sob enfoque do planejamento, é INCORRETO afirmar
a) às diferenças entre os níveis de ajustamento da polí- que
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA

tica internacional a uma ordem de homogeneização


cultural; a) a geografia da população é tão importante quanto
b) à resistência dos movimentos antiglobalização frente é o estudo da demografia naqueles trabalhos volta-
aos avanços do sistema capitalista em escala mundial. dos para o planejamento estratégico, uma vez que a
c) à forma desigual de difusão e alcance do processo de primeira investiga e explica as leis de crescimento e
mundialização econômica e política. mudança na estrutura da população; ao passo que a
d) à impossibilidade da globalização atingir todo o pla- segunda investiga e explica os fatores das suas dife-
neta rentes formas de distribuição espacial.
e) à incerteza de alguns países em adotar a globalização b) as diferentes sociedades contemporâneas passaram
como forma de desenvolvimento. a se preocupar com o conhecimento sistemático do
seu efetivo populacional (estoque populacional dis-
8. (UNIOESTE) “A globalização é, de certa forma, o ápice ponível), tanto em nível quantitativo como qualitativo,
do processo de internacionalização do mundo capitalis- notadamente entre os países desenvolvidos, em razão
ta. [...] No fim do século XX e graças aos avanços da ciên- da prática do planejamento como instrumento para o
cia, produziu-se um sistema de técnicas presidido pelas desenvolvimento.
técnicas da informação, que passaram a exercer um pa- c) o conhecimento da taxa de crescimento demográfico e
pel de elo entre as demais, unindo-as e assegurando ao da distribuição da população em suas diferentes faixas
novo sistema técnico uma presença planetária. Só que a de idade é condição necessária para qualquer política
globalização não é apenas a existência desse novo sis- de empregos e de educação, assim como para os pro-
tema de técnicas. Ela é também o resultado das ações gramas habitacionais e de saneamentos básicos.

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d) os estudos econômicos que se seguiram a Malthus 12. Sobre o território brasileiro, assinale a alternativa IN-
incorporaram as pesquisas demográficas como seg- CORRETA:
mento importante de seu campo científico, apesar da
teoria dos rendimentos decrescentes por ele proposta a) o Brasil é um país com dimensões continentais.
não ter previsto o desenvolvimento das técnicas de b) a extensão do território brasileiro denuncia a grande
produção que surgiram a partir do século seguinte à distância de seus pontos extremos.
publicação de sua obra. c) a localização do Brasil indica-se por longitudes negati-
vas, no hemisfério ocidental.
10. (IFB/2017 – IFB) Nas últimas décadas, as questões d) a grande variação de latitudes explica a homogeneida-
ambientais vêm ganhando peso nas preocupações mun- de climática do país.
diais. As relações entre o modelo de desenvolvimento
econômico e o meio ambiente vêm sendo profunda- 13. (CESPE/2017 – SEDF) Com relação aos processos
mente questionadas. Julgue abaixo os questionamentos de regionalização no Brasil e no mundo, julgue o item
a este respeito, assinalando (V) para os VERDADEIROS e subsequente.
(F) para os FALSOS. Atualmente, divide-se a economia mundial em países de-
senvolvidos, emergentes e menos desenvolvidos, sendo
( ) As ideias associadas ao modelo de desenvolvi- os conceitos de emergente e subdesenvolvimento simi-
mento econômico hegemônico são a da modernização e lares.
progresso, que creem e professam um caminho evoluti-
vo a seguir, tendo como referencial de sociedade “desen- ( ) CERTO ( ) ERRADO
volvida” aquela que está no centro do sistema capitalista.
( ) Os diferentes espaços urbano e rural direcionam-se
para a formação das sociedades modernas, mercadolo-
gizadas tanto em escala regional, quanto em escalas na- GABARITO
cional e global, impulsionados por um modelo desenvol-
vimentista, com características inerentes de preservação
ambiental. 1 B
( ) O modelo de desenvolvimento econômico hege- 2 A
mônico prima pelos interesses privados (econômicos)
frente aos bens coletivos (meio ambiente). 3 A
( ) A ideia de desenvolvimento econômico hegemô- 4 A
nico consubstancia-se em uma visão antropocêntrica de
5 D
mundo, gerador de fortes impactos socioambientais.
( ) A crítica mais comum à sociedade de consumo, 6 C
representante e representada pelo modelo de desenvol- 7 C
vimento hegemônico, é que essa sociedade está imersa
8 D
em um processo de massificação cultural.
A sequência dos questionamentos é: 9 A
10 D
a) F, F, V, V, F
b) V, F, F, V, F 11 E
c) V, V, F, F, V 12 D

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS - PROFESSOR DE GEOGRAFIA


d) V, F, V, V, V 13 ERRADO
e) F, V, F, V, V

11. (IFB/2017 – IFB) A partir da segunda metade do


século XVIII, uma mudança radical na forma de produção
de bens materiais ocorreu primeiramente na Inglaterra, e
depois em outros países europeus, como a França, a Ale-
manha, a Bélgica e a Holanda, e nos Estados Unidos da
América. Tratava-se do estabelecimento da indústria mo-
derna, atividade econômica por meio da qual foi possível
transformar em grande escala os recursos naturais e os
produtos manufaturados, destinando-os ao consumo da
população em geral e a outros ramos da economia. Essa
mudança no processo produtivo ficou conhecida como:

a) Capitalismo Comercial;
b) Divisão Internacional do Trabalho;
c) Revolução Verde;
d) Capitalismo Monopolista;
e) Revolução Industrial.

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ANOTAÇÕES

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