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resolução de situações-problema
situação-problema
debater o tema: “Globalização ou americanização?”

saberes a mobilizar

saber saber-fazer

– Avaliar o poder dos Estados Unidos no Mundo – Analisar fontes de natureza diversa, distinguindo informa-
– Mostrar como se concretiza a globalização económica no ção explícita e implícita
mundo atual – Comparar diferentes perspetivas
– Reconhecer a importância das Tecnologias da Informação – Pesquisar informação relevante para o assunto em estudo
e da Comunicação (TIC) para a globalização – Mobilizar conhecimentos de realidades históricas estuda-
– Analisar os prós e os contras da globalização das para fundamentar opiniões relativas a problemas do
mundo contemporâneo
– Comunicar

documentação
doc doc
A B
A França e a Coca-Cola (1949) “o mundo e o seu Amigo” (1950)

A 8 de novembro de 1949, […] o L’Humanité(1)


previa que “a invasão da Coca-Cola” faria baixar as
vendas de vinho, que tinham já sofrido reduções de
tarifa exigidas pelos Americanos e que ela agrava-
5 ria o profundo défice comercial […]. Os comunistas
afirmavam igualmente que o sistema de distribui-
ção da Coca-Cola estava pronto a desempenhar o
papel de uma rede de espionagem americana para-
lela. […]
10 Um artigo aparecido no Le Monde(2), de 30 de
dezembro de 1949, sublinhava ainda melhor o
aspeto simbólico do assunto. […] “os Chrysler ou os
Buick sulcam as nossas estradas, os tratores ameri-
canos lavram os nossos campos, os Frigidaire made
15 in USA conservam os nossos alimentos frios, as
meias Knit by Dupont ganham as pernas das nossas
elegantes. […] O que os Franceses criticam é menos
a Coca-Cola que a sua orquestração, menos a
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bebida que a civilização que ela representa. […]”


Capa da revista americana Time, 15 de maio de 1950. Sob a
R. F. Kuisel, 1986 – Coca-Cola aux pays des buveurs de vin, imagem lê-se: “Mundo & Amigo. Gosta da piastra, da lira, do
em revista “L’Histoire”, n.º 94, novembro tickey [moedas indiana, italiana e sul-africana, respetiva-
mente] e do estilo de vida americano”.
(1) Jornal francês, órgão do Partido Comunista francês até 1994.

(2) Jornal francês independente.


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doc doc
C d
A supremacia americana (2008) o planeta mcWorld (1996)

A originalidade da atual supremacia americana reside McWorld, como Macintosh ou


no facto de a potência dominante exportar simultanea- McDonald's, é o nosso planeta unifor-
mente as suas mercadorias, os seus capitais, os seus ser- mizado, homogeneizado pelo comércio
viços, as suas tecnologias, mas também a sua cultura, os e pela comunicação global, transfor-
5 seus modos de vida, a sua visão liberal do Mundo, indire- 5 mado numa espécie de parque temá-
tamente através do seu aparelho de Estado e, sobretudo, tico mundial que difunde o estilo de
através das suas firmas transnacionais. A Microsoft, a vida e os símbolos da cultura popular
Coca-Cola, a Nike, a McDonald’s e a Time Warner(1) são americana: as mesmas imagens, os
os seus símbolos mais conhecidos. Jamais a Grã-Breta- mesmos sons, os mesmos logótipos, os
10 nha, a França ou a Alemanha de inícios do século XX 10 mesmos produtos nos cinco continen-
puderam orquestrar e dominar a globalização de uma tes. Coca-Cola, Levi's, Kentucky Fried
forma como o fazem hoje os Estados Unidos. […] Chicken, MTV […].
Para denunciar este “imperialismo cultural ameri- Tal como o comunismo outrora, o
cano”, recorre-se a factos: a máquina hollywoodesca, a capitalismo global tem necessidade de
15 CNN, as séries televisivas, as cadeias de ficção e de diver- 15 modelar um homem novo: já não é o
timento de satélite, as músicas americanas. Lembram-se trabalhador, mas o consumidor. Ele
as intenções de Washington em matéria de soft power, reduz-nos ao simples estatuto de
conceito segundo o qual o conhecimento e a cultura são cliente do mercado mundial. Consumi-
um poder, um poder de sedução dos corações e dos espíri- dores de todos os países, quebrem as
20 tos que se equivale bem ao poder das armas. […] 20 vossas cadeias e ide ao supermercado,
Jean-Michel Gaillard, 2008 – Le Planète est un village, aí encontrareis a identidade comum!
em “Les Collections de L’Histoire: 2000 ans de Mondialisation”, Benjamim Barber (professor universitário
n.º 38, janeiro-março e conselheiro do presidente Bill Clinton),
(1) Grupo de empresas de media e entretenimento. numa entrevista concedida à revista
L'Express, 1996-11-21

doc doc
e F
Bill Gates apresenta o sistema operativo Consumo de filmes americanos nos dez primeiros
para PC-Windows 95 países produtores de filmes (em %) – 1999

Índia 4

EUA 92

Japão 65

Filipinas 57

França 57

Hong-Kong 55

Itália
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62

Espanha 72

Reino Unido
80

China Não
N comunicado Fonte: Screen Digest
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doc doc
G H
os americanos em Pequim (1999) o mickey e a minnie no Japão (2004)

Espetáculo Disney em Unayasu, perto de Tóquio.

doc doc
i J
“o palhaço mac-do iluminando o Jovens indianas (2006)
mundo” (1999)

Na manga do casaco da jovem é visível o logótipo STP, uma marca norte-americana


Deauville, França, 1999. de aditivos para combustível.

doc
K
os riscos da globalização (2007)
A miscigenação de culturas produz riqueza e os grandes centros globais de imigração irradiam a ener-
gia própria do cruzamento de tradições. Associadas à vibração desta faceta da globalização, porém, há
outras realidades. À medida que o hábito de viajar, as migrações de natureza económica e a circulação
global da música, do cinema e da literatura expõem uma massa de gente sem precedentes a um contacto
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5 íntimo com culturas estrangeiras, a diversidade humana dilui-se.


A partilha de uma língua comum é, porventura, a expressão mais profunda de identidade de um grupo
humano e o meio mais eficaz de transmitir um património cultural de uma geração à seguinte. Mas a glo-
balização é integração. Por opção própria, fruto das circunstâncias ou mediante coação, milhares de tra-
dições culturais e linguísticas desaparecem com a adoção das línguas dominantes pelos seus legatários.
A diversidade das culturas está em risco, em O Estado do Planeta, ed. especial da revista “National Geographic”, 2007
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doc
L
A mcWorldização em questão (1999)

[…] A constatação da difusão global de certos produtos não permite deduzir um processo de uniformiza-
ção cultural: o consumo de um menu McDonald’s num subúrbio americano não é comparável à compra do
mesmo menu em Pequim. Sem falar da reinterpretação cultural de atos semelhantes efetuados em contex-
tos diferentes, é impossível não ter em conta diferenças de poder de compra e efeitos de distinção social.
5 A homogeneização cultural não pode, pois, ser deduzida da simples reaproximação dos consumos. […]
Os filmes de Hollywood só marginalmente são os vetores do modo de vida e dos valores americanos.
A sua mensagem é sempre reinterpretada em função da história e da cultura local. Assim, o primeiro-
-ministro chinês fez a apologia do filme Titanic e encorajou os seus concidadãos a vê-lo como a ilustração
dos mecanismos da luta de classes no Ocidente.
10 A contrario(1) do que afirmam os discursos sobre a homogeneização cultural, parece, pois, que não
devemos recear a americanização da Europa.
Artigo publicado em “Alternatives économiques”, n.º 40, 2.º trimestre de 1999
(1) Expressão latina que significa pelo contrário.

Atividades
1. Identifique as opiniões que a expansão da Coca-Cola despertou em França (doc. A).

2. Qual dessas opiniões ainda pode ser hoje defendida? E qual delas já não faz sentido? Justifique.

3. Discrimine os exemplos de americanização presentes nos docs. A e B.

4. Em que consiste a supremacia americana no mundo atual (doc. C)?

5. Que opinião emite o autor do doc. C sobre a questão “Globalização ou americanização”?

6. Esclareça o título do doc D.

7. A opinião de B. Barber (doc. D) aproxima-se ou afasta-se da de J.-M. Gaillard (doc. C)? Justifique.

8. De que importância se reveste o consumo de filmes americanos para a globalização (doc. E)?

9. Consulte, na Net, o cartaz cinematográfico em vigor numa das grandes cidades do país.

9.1. Que percentagem ocupam os filmes americanos no conjunto?

10. Esclareça o contributo das imagens dos docs. F, G, H, I e J para a análise da situação-problema enunciada.

11. Qual destas imagens reveste um teor crítico? Explique o alcance da crítica.

12. Que riscos apresenta a globalização segundo o texto do doc. K?

13. Avalie a pertinência da opinião expressa no doc. K tendo em conta a expansão da língua inglesa e da
cultura americana e/ou anglo-saxónica no mundo atual.
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14. Qual o contributo do texto do doc. L para o esclarecimento da situação-problema? Está de acordo ou
em oposição com opiniões atrás expressas? Explique.

15. Partindo da análise da documentação e dos seus conhecimentos sobre a hegemonia americana e a
globalização, prepare-se para intervir num debate, em que argumentará se a globalização é sinónimo de
americanização.