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SISTEMA URINÁRIO

UTILIZAÇÃO DE NUTRIENTES AO NÍVEL CELULAR

É a partir dos nutrientes e do oxigénio, transportados por via sanguínea, que a atividade biológica
se processa devido às inúmeras reações bioquímicas que ocorrem em cada célula.

Fig. 1- Metabolismo celular

METABOLISMO Conjunto de reações químicas que ocorrem a nível celular


CELULAR

Permite formar e degradar matéria orgânica e produção de energia sob a forma de ATP

METABOLISMO CELULAR
• REAÇÕES ANABÓLICAS : conjunto de reações químicas em que ocorre a síntese de
moléculas orgânicas.

Consumo de energia (ATP)

Micromoléculas Macromoléculas

• REAÇÕES CATABÓLICAS: conjunto de reações químicas que levam à degradação de


moléculas orgânicas.

Libertação de energia (ATP)

Macromoléculas Micromoléculas

A ENERGIA proveniente do ATP é utilizada pelas células em diferentes atividades:

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⇒ Síntese química
⇒ Contração muscular
⇒ Condução de impulsos nervosos
⇒ Secreção glandular
⇒ Produção de calor

Apesar do metabolismo ser indispensável à sobrevivência das células formam-se, durante esse
processo, produtos tóxicos que podem comprometer o funcionamento da célula.
Diferentes órgãos têm a tarefa de eliminar esses produtos tóxicos (pulmões, pele e tubo digestivo) mas
a maior parte é eliminada/excretada pelo Sistema Excretor.

SISTEMA EXCRETOR
Garante a manutenção do equilíbrio interno através de duas funções principais:
1. Excreção dos produtos finais do metabolismo (eliminação de substância tóxicas diluídas no
sangue)
2. Controlo da concentração dos constituíntes dos fluidos corporais (manutenção dos níveis de
água e sais minerais)

No corpo humano, o sistema excretor está organizado de modo a eliminar estes produtos através da
urina.
Os órgãos do Sistema Excretor/Urinário estão situados na zona dorsal da cavidade abdominal.

ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DO SISTEMA URINÁRIO

Rins (2) responsáveis pela depuração do sangue, pela produção de urina e pela
Ureteres (2) condução da urina para o exterior do organismo
Bexiga
Uretra

Fig. 2- Sistema urinário


RINS
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• Situados na parte posterior da cavidade abdominal
• Têm o formato de um feijão com aproximadamente 140 gramas cada e cerca de 12cm de altura
e 6 cm de largura
• Estrutura de um rim:
Zona cortical (Córtex) - Camada mais superficial, clara e granulosa, que vai da cápsula
até à base das pirâmides de Malpighi.

Zona medular (Medula) – Região mais interna com aspeto ligeiramente estriado,
constituido por estruturas em forma de pirâmides – Pirâmides de Malpighi. É a zona
mais escura.

Bacinete – Zona central, para onde convergem as estruturas piramidais, de onde parte o
ureter.

• Internamente o rim é constituido por numerosos nefrónios (unidade básica do rim; cada rim tem
cerca de 1 milhão de nefrónios).

Fig.3- O rim

CONSTITUIÇÃO DO NEFRÓNIO

Corpúsculo de Malpighi - Cápsula de Bowman


- Glomérulo de Malpighi ou Renal (Unidade de filtragem)

Tubo urinífero - Tubo contornado proximal


- Ansa de Henle
- Tubo contornado distal

Vasos sanguíneos – Rede peritubular

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Fig.4 – O nefrónio

ESTRUTURA DO TUBO URINÍFERO

Cápsula de Bowman – zona inicial em forma de taça de parede dupla, localizada na zona cortical
Tubo contornado proximal – porção tubular que se segue à capsula de Bowman localizada
também na zona cortical
Ansa de Henle – porção do tubo urinífero em forma de U, constituida por um ramo ascendente e
um ramo descendente (ambos na zona medular do rim).
Tubo contornado Distal – zona terminal do tubo urinífero localizado no córtex.
Vários tubos uriníferos terminam num tubo coletor, localizado assencialmente na medula; o tubo
coletor não faz parte da constituição do nefrónio.

A porção vascular de um nefrónio tem duas redes de capilares:

Glomérulo de Malpighi
• Resulta da capilarização de uma arteríola aferente no interior da cápsula de Bowman
• Os capilares do glomérulo reunem-se numa arteríola eferente que sai da cápsula
Arteríola aferente - transporta sangue vindo da artéria renal
- ao nível do nefrónio, ramifica-se em capilares para formar o glomérulo de
Malpighi
Arteríola eferente – transporta o sangue filtrado, ao nível do glomérulo de Malpighi, para fora da
cápsula de Bowman, enrolando-se em torno do tubo urinífero (rede peritubular)
Rede de capilares peritubulares
• Resulta da capilarização da arteríola eferente que envolve o tubo urinífero.

NOTA: são as paredes dos capilares e as paredes do tubo urinífero as responsáveis pela vasta superfície de
Trocas.
FORMAÇÃO DA URINA

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A formação da urina ocorre, no nefrónio, em três fases:
1- Filtração
2- Reabsorção
3- Secreção

1- FILTRAÇÃO: filtração selectiva dos fluidos corporais através de membranas, condicionada ao tamanho das
moléculas, pelo que também as moléculas úteis podem ser filtradas.

Durante a filtração o sangue entra no glomérulo de Malpighi, a alta pressão, através da arteríola
aferente.
Grande parte das substâncias constituintes do sangue atravessa a parede dos capilares,
passando pela cápsula de Bowman.
O filtrado que se forma é constituido por: água, glicose,aminoácidos, sais minerais, vitaminas,
hormonas e produtos azotados.
Como as proteínas, os lípidos e as células sanguíneas são de maiores dimensões, estas não
fazem parte do filtrado glomerular.
Em 24 horas são filtrados cerca de 180 litros de fluido do plasma; porém são formados apenas 1
a 2 litros de urina por dia, o que significa que aproximadamente 99% do filtrado glomerular é
reabsorvido.

2- REABSORÇÃO: regresso ao meio interno, nas quantidades adequadas, de substâncias anteriormente filtradas
mas úteis ao organismo.

De seguida, o sangue sai do glomérulo pela arteríola eferente, que se ramifica ao longo do tubo
urinífero.
À medida que o filtrado percorre o tubo urinífero, as substâncias úteis, como a glicose, água, sais
minerais, aminoácidos, vitaminas e hormonas, passam novamente para o sangue – reabsorção.
Alguns sais minerais e todos os produtos azotados ( ureia e ácido úrico) permanecem no filtrado.

3- SECREÇÃO: secreção activa de substâncias dos fluidos corporais para zonas do sistema já consideradas meio
externo.

Esta consiste na passagem de algumas substâncias tóxicas do sangue para o tubo urinífero.
Ao longo do tubo urinífero, a concentração de substâncias azotadas aumenta, até que se forma
um líquido amarelado – a urina.

Fig.5- Formação da urina

ELIMINAÇÃO DA URINA

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• URETER
Os nefrónios desembocam em tubos coletores, que se unem para formar canais cada vez mais
grossos. A fusão dos tubos coletores origina um canal único, denominado ureter, que deixa o
rim em direção à bexiga urinária.

• BEXIGA URINÁRIA
A bexiga urinária é uma bolsa de parede elástica, dotada de musculatura lisa, cuja função é
acumular a urina produzida nos rins. Quando cheia, a bexiga pode conter mais de ¼ de litro (250
ml) de urina, que é eliminada periodicamente através da uretra.

• URETRA
A uretra é um tubo que parte da bexiga e termina, na mulher, na região vulvar e, no homem, na
extremidade do pênis. A sua comunicação com a bexiga mantém-se fechada por anéis
musculares chamados esfíncteres. Quando a musculatura desses anéis relaxa e a musculatura
da parede da bexiga contrai, urinamos.

A urina passa para o tubo coletor e deste para as pirâmides renais, bacinete, ureter e bexiga. É
depois eliminada para o exterior através da uretra, ocorrendo a excreção.

REGULAÇÃO DA FUNÇÃO RENAL

A regulação da função renal está, essencialmente, relacionada com a manutenção do equilíbrio


interno, nomeadamente com o controlo da quantidade de água e de sais minerais que circulam nas
correntes sanguínea e linfática.
Em condições normais, a quantidade de água e sais minerais eliminados, na urina, é
compensada pela ingestão destes produtos na alimentação diária. Existe, por isso, um equilíbrio
dinâmico permanente.

POR QUE SENTIMOS SEDE?


A sensação de sede é um mecanismo desencadeado pelo sistema neuro-hormonal, para
compensar um aumento de concentração de determinadas substâncias no sangue, que nos leva ao desejo
consciente de ingerir água.

DOENÇAS DO SISTEMA URINÁRIO

Fatores ambientais, genéticos e uma alimentação desequilibrada podem comprometer o


funcionamento normal de um ou ambos os rins. Quando isto acontece, os resíduos começam a acumular-se
no organismo causando doenças.

INCONTINÊNCIA

É a incapacidade de reter a urina.


As causas da incontinência podem ser várias, desde perturbações neurológicas até à existência de
tumores.

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A incontinência é frequente em crianças ocorrendo geralmente durante a noite e recebe o nome de
ENURESE. Este problema afeta as crianças por volta dos 5 anos e é caraterizada por perda de urina
quer diúrna quer noturna. É considerada um sintoma e não uma doença.
Pode estar associada a um subdesenvolvimento do diafragma pélvico levando à perda incontrolada
de urina.

CISTITES

Infeções na bexiga que provocam dificuldades na micção e ao mesmo tempo uma maior
necessidade de urinar.
Em casos muito graves esta doença pode originar úlceras na bexiga.

INFEÇÕES DO TRATO URINÁRIO

Este tipo de infeções é provocada por bácterias que muitas vezes habitam no intestino onde
provocam qualquer problema.
Quando estas bactérias são transportadas para a bexiga ou para os rins, podem causar problemas
graves.
Dado que nas mulheres a uretra tem menor comprimento, esta está mais vulnerável a este tipo de
infeções.
Além das bactérias intestinais podem surgir outros tipos de infeções provocadas por vírus ou
outros agentes que debilitem o sistema imunitário de tal forma que os produtos tóxicos resultantes
sejam nocivos aos rins.

PIELONEFRITE

A pielonefrite é uma infecção do trato urinário superior, que envolve o rim, geralmente causada por
bactérias vindas da bexiga, que alcançam a pelve renal por via ascendente. (semelhantes às que
provocam a cistite). Uma segunda forma de infeção pode ser pela via hematógena, quando há uma
outra infecção no organismo, a bactéria pode viajar pela corrente sanguínea e acabar alojanda no
rim.
É uma ITU, como a cistite, só que muito mais grave.
Quando não se faz um tratamento adequado às bactérias, estas seguem pelos ureteres até aos rins.
Os sintomas são semelhantes aos de uma cistite, porém, pode ter também dor lombar e/ou
abdominal mais forte, febre alta e durante vários dias, vómitos, fadiga.
Idosos com pielonefrite ficam, geralmente, mentalmente confusos.
A pielonefrite pode ser tratada com sucesso por meio de antibiótico.

LITÍASE URINÁRIA

Corresponde à formação de cálculos nas vias urinárias, uma doença nas vias urinárias, uma doença
que pode evoluir durante muito tempo sem causar grandes problemas até que, subitamente, se
manifeste através de uma dor denominada cólica renal.
A formação de cálculos costuma ser provocada pelo aumento da concentração de solutos na urina, o
que pode ser originado quando os rins eliminam pouca água ou quando se segrega com a urina uma
grande quantidade de determinadas substâncias, tais como cálcio ou ácido úrico.

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CÁLCULOS RENAIS

Formam-se geralmente quando os rins não são capazes de eliminar os resíduos resultantes do
metabolismo celular.
A presença de cálculos pode provocar fortes cólicas renais.
Os cálculos renais podem ser removidos cirurgicamente ou eliminados, com o auxílio de aparelhos
que produzem ondas de choque.

GLOMERULONEFRITE

Esta doença traduz-se na destruição dos glomérulos de Malpighi com a consequente perda,
sucessiva, das funções renais.
Nestes casos, quando o rim do paciente deixa de funcionar, o transplante de rim é a única
alternativa para manter a vida do indivíduo.

INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA

É causada por uma agressão repentina ao rim, por falta de sangue ou pressão para formar urina
ou obstrução aguda da via urinária.
Pode estar associada a problemas circulatórios ou problemas no controlo da pressão glomerular.
A principal caraterística é a total ou parcial ausência de urina.

INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA

Estado em que o rim perdeu todas as suas capacidades funcionais.


Pode ter inúmeras causas, desde infeções a acidentes vasculares.
Nesta situação podem ocorrer problemas como anemia, hipertensão arterial, acumulação de ureia,
entre outros.
Normalmente os doentes nesta situação necessitam recorrer à hemodiálise* para sobreviver.

*Hemodiálise: é um método de depuração do sangue através de um rim artificial. Este método permite libertar
o sangue de substâncias que são normalmente eliminadas através da urina (ureia e criatinina), corrigir um
eventual desequilíbrio dos sais minerais presentes no sangue e, caso necessário, reequilibrar a acidez excessiva
do mesmo. Em caso de insuficiência renal crónica, as sessões de tratamento duram cerca de 4 a 5 horas, três
vezes por semana, sendo obrigatória a vigilância médica de um nefrologista. No entanto, a hemodiálise é
perfeitamente compatível com uma vida normal.

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DEVO RETER...

1- A função excretora é a ação conjugada dos sistemas respiratório, urinário, digestivo e circulatório, que
permite ao organismo eliminar para o exterior todos os produtos que lhe são tóxicos.
2- O sistema urinário contribui para a manutenção dos níveis de água e de sais minerais, assegurando
também a eliminação de substâncias tóxicas diluídas no sangue.
3- Dois rins, dois ureteres, a bexiga e a uretra são os órgãos do sistema urinário.
4- O sangue chega aos rins através da artéria renal e sai dos rins, em direção à veia cava inferior,
através da veia renal.
5- Macroscopicamente, o rim é formado pela cápsula renal, zona cortical, zona medular e bacinete.
6- Microscopicamente, o rim é constituido por milhares de nefrónios.
7- Cada nefrónio compreende o corpúsculo de Malpighi, a rede peritubular e o tubo urinífero.
8- O corpúsculo de Malpighi é formado pela cápsula de Bowman que, no seu interior, contém o
glomérulo de Malpighi.
9- Os fenómenos de filtração, reabsorção e secreção, ocorrem, respetivamente, no corpúsculo de
Malpighi, no tubo contornado proximal e no tubo contornado distal.
10- Depois de formada, a urina segue do tubo urinífero para o tubo coletor e deste para as pirâmides
renais, bacinete, uréter e bexiga, sendo finalmente eliminada para o exterior através da uretra.
11- A hemodiálise é um método de depuração do sangue através de um rim artificial.

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